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Capítulo 2 – Movimento Unidimensional

Neste capítulo, estudamos basicamente a cinemática estudada no ensino médio, porém, com
conceitos mais aprofundados. Cinemática é o estudo do movimento de um objeto, sem saber a causa
deste movimento.

POR ESTUDO DO MOVIMENTO DE UM OBJETO significa que
queremos saber qual é a VELOCIDADE e a POSIÇÃO deste objeto
para qualquer tempo futuro!!!!

Estudaremos o movimento de uma partícula que se move numa reta, por exemplo ao longo
de x. Note que esta reta deve possuir uma origem, ou seja, é um sistema de referência. Em física,
quando chamamos um sistema de referência de inercial se ele está em repouso ou em movimento
retilíneo uniforme (MRU).

Tipos de movimento:

1) Ausência de movimento:
x t =constante

x(t)

t

2) Velocidade Constante:

x t =AB t

x(t)

t
3) Movimento acelerado (a velocidade se altera):

x t =AB tC t 2
x t =A cos  t

xt
3.0

2.5

2.0

1.5

1.0

0.5

t
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0
xt
1.0

0.5

t
1 2 3 4 5 6

0.5

1.0

Velocidade Média

Exemplo intuitivo: Florestal → Pará de Minas. Supondo 25 quilômetros de distância e
fazemos a viagem em meia hora, nossa velocidade média é de_________.

Definição:
 x x final −x inicial
v = = (1)
 t t final −t inicial

Velocidade Instantânea

No limite em que  t  0 , a equação (1) acima se torna:

dx
v t =
,
dt
ou seja, a velocidade média é a derivada da posição com relação ao tempo. É a taxa de variação da
posição com relação ao tempo.
Exemplos:

1) Ausência de movimento:

x t =A=constante
dx
v t = =0 m/ s
dt

2) Velocidade constante:

x t =AB t
dx
v t = = B
dt

3) Movimento acelerado:

x t = AB tC t 2
dx
v t = = B2C t
dt
x t= Acos t 
dx
v t = =−Asin t
dt

Movimento acelerado

Analogamente à velocidade média, podemos pensar numa aceleração média:

 v v final −v inicial
a = = .
 t t final −t inicial
Note que agora estamos tratando da variação da VELOCIDADE com relação ao tempo.
Podemos também definir uma aceleração instantânea:

dv d 2 x
a t = =
dt dt 2

Caso especial: ACELERAÇÃO CONSTANTE a t =a=constante

Usando a definição de aceleração instantânea, temos:

dv
a= ∫ dv=∫ a dt
dt
resolvendo as integrais da parte à direita, depois da seta:

∫ dv=v−v 0
∫ a dt =a∫ dt =a t −t 0 
se chamarmos t 0=0 seg. , temos:

v −v 0=a t  v=v 0at .
Agora, usaremos a definição de velocidade:

dx x t t 1
v t =  ∫x dx=∫t v dt  x− x 0=∫t v 0 a t  dt  x=x 0v 0 t a t 2
dt 0 0 0 2
v
onde no último passo usamos que 0 e a são constantes.
1 2
Se eliminarmos t na equação v=v 0at , e substituirmos em x= x 0v 0 t a t ,
2
encontraremos (façam esta demonstração!!!):
2 2
v =v 02 a  x− x 0 .

Queda Livre

Um objeto, quando solto de uma determinada altura fica sujeito à aceleração gravitacional
apenas (sendo que estamos desconsiderando o atrito com o ar e demais forças). Vamos assumir que
o sentido positivo de y como sendo para cima:

y

m

Desta forma, temos que o corpo de massa m está sujeito a uma aceleração constante de
módulo igual a g, porém com sinal negativo (por quê o sinal negativo???). Assim, as equações para
queda livre são iguais às equações encontradas na seção anterior, porém o sinal da aceleração é
negativo.

Observação: Para sabermos se uma aceleração (que pode ser positiva OU negativa) está acelerando
ou freando um corpo, basta observarmos o sinal da aceleração: se o sinal da aceleração for o mesmo
da velocidade, estamos acelerando o corpo; se for contrário estaremos freando. Pense num objeto
sendo jogado para cima: na primeira parte de seu movimento – na subida, desde o início até o ponto
máximo onde a velocidade é zero – a velocidade é positiva, e a aceleração negativa, portanto neste
caso estaremos freando o objeto. Quando ele inicia o movimento de descida, tanto a velocidade
quanto a aceleração serão negativas, e a velocidade aumenta, estamos acelerando o corpo.

Capítulo 3 - Vetores
As grandezas físicas podem ser divididas em:
• escalares: estas grandezas possuem apenas um valor absoluto. Exemplos: massa,
comprimento, tempo, densidade, energia, temperatura, etc;
• vetores: estas grandezas, além de um valor numérico, devem indicar sua direção e seu
sentido. Exemplo: deslocamento, velocidade, aceleração, campo elétrico, força, etc.
Exemplo: A velocidade média (escalar) de um carro é de 50 km/hora. O deslocamento
(vetor) do carro é no sentido Florestal → Pará de Minas e possui aproximadamente 25 km de
módulo.

Soma de vetores → Método gráfico

Representamos um vetor v graficamente por:

v
O módulo (note que o módulo de um vetor é um número, portanto um escalar) de v (o
'tamanho da seta') é representado por ∣v∣ ou somente retirando a seta em cima da letra: v . É
útil também definirmos o vetor unitário, que nos dá a direção e o sentido de v (vetor unitário
v v =v v
possui módulo igual a 1): v =   .
v
A soma de vetores pelo método gráfico (que é mais complicado de se utilizar na prática) é da
seguinte forma: sejam os vetores abaixo:

b
c
a
a b=
A soma  c , da forma como está na figura.

Multiplicação de um vetor por um escalar
v tem, por definição, a
Seja  um número real (portanto um escalar). Temos que  
v
direção de  .
• Se 0 ,   v tem sentido oposto de v .
• Se 0 ,   v temo mesmo sentido de v .
• ∣ v
 ∣=∣∣v .

Propriedades de vetores

• a b= 
Associativa:  b
a =c

b a
c
a
b
• a 
Comutativa:  a  
b c = bc  . Fica como exercício mostrar isto graficamente.
Subtração de vetores
Para subtrairmos um vetor do outro, primeiro notamos que, ao multiplicarmos um vetor por
(-1), o módulo e a direção do mesmo permanecem iguais, porém o sentido se altera:

v

-v
a −b=
Assim:  a −b . A subtração é uma 'soma', com o sentido de um dos vetores
alterado.

Componentes de vetores (MUITO importante)

O método gráfico, visto na seção anterior, não é dos mais úteis para trabalharmos na prática.
Usamos normalmente a decomposição de um vetor em componentes, em relação a um sistema de
coordenadas.

y

vy
v

θ
O vx x
Na figura acima, o vetor v é completamente caracterizado pelas suas componentes v x e v y ,
onde:

v x =v cos
v y =v sin 

NUNCA DECORE que a componente x de um vetor está ligada ao cosseno e a y está ligada ao
seno. NUNCA!!! Observe cada caso e calcule a componente corretamente!!!

Vamos definir também os vetores unitários i e j , que são os vetores unitários que
estão orientados segundo os eixos x e y, respectivamente.
y

^j
^i x

Desta forma, podemos sempre, em relação a um sistema de coordenadas dado, escrever
qualquer vetor como: v =v x iv y j .
O módulo de um vetor qualquer v é dado, em termos de suas componentes, como
(lembre-se do teorema de Pitágoras):

∣v∣=  a 2x a 2y

e o ângulo  é dado por:

ay a
tan =  =arctan y
ax ax

Soma de vetores: método das componentes

Agora, iremos introduzir o método analítico de soma de vetores, utilizando suas
componentes. Este método é muito mais útil na solução de problemas.

a b .
Seja: s =

Esta é uma equação vetorial, portanto as componentes em cada lado da equação devem ser
iguais! Como exemplo, seja a seguinte equação polinomial (não é um vetor!!!):
a xb y=7 x−5 y . Temos que (ensino médio): a=7 ; b=−5 . A equação vetorial é resolvida
da mesma forma.
Portanto, voltemos à equação s =a b . Podemos sempre escrever os vetores como:

s =s x is y j
a =a x i a y j


b =b x i b y j

a b , pode ser escrita como:
A soma que queremos resolver, s =

s x is y j= a x ia y jb x ib y j

A ideia é colocar em evidência os vetores unitários, e igualar os termos em i e j em ambos os
lados da equação, isto é:
s x is y j =a x b x  i  a y b y  j
resultado :
s x =a x b x
s y =a y b y.

O resultado acima é muito importante. Ele nos diz que, ao decompormos vetores e
trabalharmos com equações vetoriais, podemos nos preocupar somente com as componentes. Nos
diz também que os eixos x e y são independentes, as componentes de um eixo não alteram o
resultado em outro eixo. Em linguagem mais grosseira: o que acontece em x não interfere no que
acontece em y. (Note que está afirmação é válida somente para eixos ortogonais, mas iremos aplicá-
la em 99% das vezes que trabalharmos em nosso curso.)

Exemplo: dois vetores de módulo a e b formam um ângulo  entre eles. Prove que o módulo de
sua soma é: r = a 2b22 a b cos  . (Dica: faça um desenho mostrando os dois vetores, e
decomponha um vetor 'sobre' o outro)

Vetores em 3 dimensões

Na seção anterior tratamos vetores em 2 dimensões, i e j . A extensão para 3
dimensões é imediata, e além dos vetores unitários citados anteriormente, teríamos também o vetor
unitário k , que nos dá a direção e o sentido do eixo positivo z.

z
az

θ a

k
j ay y
i
ax φ
x
No caso da figura acima, teríamos: a =a x ia y ja z k . TODAS as regras de vetores se
aplicam tanto para 2 dimensões quanto para 3 dimensões!!!

Exercício: Mostre que, na figura acima: a z=a cos  ; a y =a sin sin  ; a x =a sin cos  .

Multiplicação de Vetores

Iremos definir dois tipos de multiplicação entre vetores:
• Produto escalar, denotado por um ponto . entre os vetores, e seu resultado é um
escalar;
• Produto vetorial, denotado por um x entre os vetores, e seu resultado é um vetor.

Produto Escalar

a . b=a b cos  , onde  é o ângulo entre os vetores
Definimos produto escalar como: 
a e b . Ou seja, podemos pensar como sendo o produto de  b com a projeção de a sobre
ele.

a
φ
b

Exemplo em física: o trabalho (W) é definido, para forças constantes, como: W = F  . d .
Note que trabalho é um escalar.
Podemos notar que, se  a e  b são perpendiculares entre si,  a . b=0 .
Em termos das componentes dos vetores, temos que, se  a =a x ia y j e 
 b=b x i b y j :

a . b=a x b x a y b y

Propriedades:
• Se  e  são dois escalares, então: a .  
b =a . 
b ;
• 
a . bc =
  a .c .
a . b
• Comutatividade:  a . b=b .a .
Exemplo - Calcule o ângulo entre as diagonais de um cubo.

a = l (i + j + k ), b = l (i + j − k ).

a⋅ b  a⋅ b 
cos θ = , θ = arccos  
ab  ab 
l
a = b = l 1+ 1+ 1 = 3l

a
l k b a ⋅ b = l 2 (1 + 1 − 1) = l 2

i j
 l2   1
θ = arccos  2  = arccos   = 70,5°
l  3l   3
Produto Vetorial

a e b é um novo vetor c =
O produto vetorial entre dois vetores  a x b . O módulo do
produto vetorial é dado por: ∣c∣=c=a b sin  , onde  é o ângulo entre os vetores.
A direção e o sentido de c (o vetor resultado de um produto vetorial) é dado pela regra
da mão direita:

c
c
b
b
90
θ
90 θ
a
a

Observações importantes:
• c é SEMPRE perpendicular aos vetores que o formaram, no caso acima, perpendicular a
a e 
 b !!!
• No caso do produto vetorial A ORDEM DOS FATORES ALTERA O PRODUTO!!! Em
linguagem matemática, queremos dizer que o produto vetorial é anticomutativo:

a x b=− 
 bx
a

• O produto vetorial também é distributivo: a x  a x
bc = c .
ba x 
• Uma regra interessante para calcularmos o produto vetorial é que ele pode ser escrito como
o 'determinante' da seguinte 'matriz':

Exercício:
• Mostre que:
i . i= j . j =k . k=1

i x j =k ; j x k =i ; k x i = j

i . j= i . k = j . k =0

• a =a x ia y ja z k e 
Mostre que, se  b=b x i b y j b z k , então:

a x b=a y b z−a z b y  i a z b x −a x b z  ja x b y −a y b x  k

Capítulo 4 – Cinemática em 2 e 3 Dimensões

Posição, velocidade e aceleração

Da mesma forma como definimos posição (o 'lugar' que o corpo ocupa no espaço),
velocidade (a taxa de variação da posição em relação ao tempo) e a aceleração (a taxa com que a
velocidade varia no tempo) em uma dimensão (capítulo 2), iremos definir para 2 ou 3 dimensões. A
ideia é exatamente tomar todas as quantidades que são vetores (você consegue dar um exemplo de
uma destas quantidades?) e o raciocínio é exatamente o mesmo. Detalhe: como trabalharemos
com vetores, as equações são vetoriais e portanto, para nosso caso, sempre valerá: o que
acontece em x não interfere no que acontece em y, e vice-versa.

z
a

trajetória r v

y

x
Na figura acima, uma bolinha percorre a trajetória num espaço de 3 dimensões. Sua posição
é dada por r , sua velocidade é dada por v e sua aceleração é dada por  a . A posição da
  
partícula pode ser escrita como r =x i  y j z k .

Em completa analogia com a cinemática em duas dimensões, temos que o deslocamento
(diferença entre posição final e inicial) é dado por:  r =rf − 
r i ; a velocidade média é dada por
  r
v = .
t

Definimos também a velocidade instantânea como:

d r
v =
dt

onde a equação acima é uma EQUAÇÃO VETORIAL, portanto ela nos dá (em 3 dimensões) o
seguinte:

v =v x i v y jv z k

d r d x  d y  d z 
= i j k
dt dt dt dt
d r dx dy dz
 v =  3 equações : v x = ; v y = ; v z =
dt dt dt dt.
Analogamente, a aceleração será dada por:

v
aceleração média : a = 
t
d
v
a=
 .
dt

a também implica em 3 equações, assim como tínhamos visto
OBSERVAÇÃO: a equação para 
v
para a velocidade  .

Exemplo: Suponha: r =t 3 −32 t i5t 212 j . Ache v e 
a .

d r dx dy
Solução: Temos que achar primeiro a velocidade. Temos que: v = ou v x = ; v y = ;
dt dt dt
para nosso caso: x=t 3−32 t e y=5 t 212 . Assim: v =3t 2−32 i10 t  j . Agora,
dv
podemos achar a aceleração: a =  =6 t  i 10 j .
dt

Movimento com aceleração constante (NOTE que aceleração agora é um
vetor, portanto um VETOR constante)

Por aceleração constante temos que entender um vetor que não muda de módulo, sentido e
direção!!! Pense num exemplo físico de tal aceleração.
Sendo assim, a aceleração será dada por:  a =a1 i a 2 ja 3 k , onde a 1, a 2 e a3 são
CONSTANTES!!!
Para este caso (aceleração constante), as equações cinemáticas possuem a mesma forma das
equações encontradas no capítulo 2, porém tratamos de vetores. Ou seja, supondo a posição inicial
de uma partícula como r0=x 0 i  y 0 j z 0 k e a velocidade inicial como v0 =v 0x iv 0y jv 0z k ,
temos que:

v =v0a t
1 2
r =r0v0 t a t (Equações 1)
2
v . v = v0 . v02 
a r − r0 

Movimento de Projéteis

Na seção anterior vimos que as equações da cinemática possuem a mesma forma da
cinemática em uma dimensão no caso de aceleração constante. No estudo de movimento de
projéteis iremos trabalhar exatamente com movimentos que possuem aceleração constante, no caso
a aceleração gravitacional  g , que é constante, SEMPRE direcionada verticalmente para baixo.
Exemplos: o caso de um tiro de revólver, uma bala de canhão, a Jabulani num jogo da copa, a bola
de um jogo de tênis, etc – onde estamos desprezando rotações e a resistência do ar.
O movimento que iremos estudar está descrito na figura abaixo:

Ou seja, iremos lançar um objeto com velocidade inicial v0 , que faz um ângulo de 0
com a horizontal, e ele está sujeito apenas à aceleração gravitacional g
 (que está direcionada no
sentido negativo de y).

POR ESTUDO DO MOVIMENTO DE UM OBJETO significa que
queremos saber qual é a VELOCIDADE e a POSIÇÃO deste objeto
para qualquer tempo futuro!!!!

Então, para este caso, temos:

a =−g j ; r0=0 i0 j ; v0=v 0 cos  0 i v 0 sin 0 j

Perguntas: (a) porque a aceleração está com sinal negativo? (b) porque a aceleração só possui
componente em y? (c) porque a velocidade inicial se decompôs como v0 =v 0 cos 0 iv 0 sin 0 j ?

Agora iremos estudar o movimento em x e em y, CADA UM SEPARADO DO OUTRO (esta é a
dica para estudarmos qualquer problema de cinemática, ou de dinâmica: separe os movimentos no
eixo coordenado que VOCÊ escolheu!!!):

Em X: (basta selecionarmos somente os termos em i ):
2
Condiçõesiniciais : a x =0 m/ s ; v 0x=v 0 cos 0 ; x 0=0 m (note que as quantidades, quando
estudamos somente em x, não possuem seta, não são vetores. Porque isto?)

Assim, pelas equações 1, temos que:

v x =v 0xa x t=v 0 cos 0
1
x= x 0v 0x t a x t 2=v 0 cos 0 t
2

Como NÃO há aceleração em x, a velocidade não varia, como era de se esperar. O movimento é
idêntico a um movimento retilíneo uniforme.
Em Y: (basta selecionarmos somente os termos em j ):

Condiçõesiniciais : a y =−g ; v 0y =v 0 sin 0 ; y 0=0 m

Assim, novamente pelas equações 1, temos:

v y =v 0ya y t=v 0 sin 0−g t
1 1
y= y 0v 0y t a y t 2=v 0 sin 0 t− g t 2
2 2

Exercícios:

1) Escreva os vetores r t e v t para o caso acima.

2) Elimine t na equação para x: x=v 0 cos 0 t e substitua na equação para y:
1 2
y=v 0 sin  0 t− g t para encontrar o seguinte resultado (IMPORTANTE):
2

g
y=tan 0 x− 2 2
x2 Equação 2
2 v cos 00
A equação acima mostra exatamente o que a figura no início desta seção nos mostra: que o
movimento do objeto é uma PARÁBOLA, com concavidade para baixo, se observarmos o
espaço y vs x.

3) Podemos também calcular o alcance máximo (R) alcançado pelo objeto, ou seja, a distância
R na figura do início da seção. Para isso, basta usarmos a equação 2 e acharmos a distância
em x que nos dá y=0 . Assim, mostre que o alcance máximo R é:

v 2o
R= sin 20 
g
Dica: Lembre que 2 sin 0 cos 0=sin 2 0  .

Dica Geral: TODOS os exercícios de projéteis acabam caindo nas equações 1. Basta identificarmos
as condições iniciais!!!

Movimento Circular Uniforme

Nas seções anteriores vimos que a aceleração é a taxa de variação da velocidade, correto?
Pois bem, como a velocidade é um vetor, a aceleração pode alterar tanto o sentido, a direção e o
módulo da velocidade. Ao estudarmos o movimento de um projétil, a aceleração (gravitacional)
alterava o módulo e o sentido da velocidade, em y, do projétil.
Nesta seção iremos estudar um tipo de movimento onde a aceleração altera a direção da
velocidade do objeto, mantendo o módulo constante. Chamamos este movimento de Movimento
Circular Uniforme (MCU).
Como exemplos deste movimento, podemos considerar (aproximadamente, claro): roda
gigante, globo da morte, Sonic girando num loop, uma curva grande numa estrada, etc. Sendo que
em todos devemos manter a velocidade (módulo) constante. Nesta seção, queremos encontrar o
valor – módulo – da aceleração que produz essa mudança na velocidade. Iremos chamá-la
aceleração centrípeta.
Seja a figura abaixo:

P1

r v1
θ
r
P2

v2
Na figura acima, r é o raio da circunferência (constante), o objeto se movimentou do ponto
P1 até o ponto P2, sento que neste movimento ele percorreu um ângulo  na circunferência, e o
módulo da velocidade é o mesmo: ∣v1∣=∣v2∣=v (Note que a direção da velocidade mudou!!!). O
arco P1P2 tem comprimento igual à r =v  t , isto é, a distância na circunferência percirrida pelo
objeto. Da última relação, temos que:

r
 t= .
v

Da geometria básica, podemos ver que, na figura anterior (pense um pouco para chegar
neste resultado):

v2 θ v1
∆v
Desta forma, temos que (use apenas um dos triângulos acima e lembre que v 1=v 2=v ):

1 
 v=v sin
2 2

 
2 v sin sin
v 2 v2 2
Da definição de aceleração média, temos que: a = = = .
t r r
v 2
A equação acima já nos dá uma indicação do que aprendemos no ensino médio, que a
v2
aceleração centrípeta é: a c = . E agora, como proceder???
r
sin 
Sabemos (pelo menos quem já fez Cálculo I), que: lim   0 =1 (Para quem ainda

não fez Cálculo I e/ou está duvidando do resultado do limite acima, pode pegar uma calculadora
científica e fazer as contas. Para  até 10o o resultado é bastante satisfatório.)
r
Da equação  t= , temos também que o limite em que  t  0 é o mesmo que
v
fazermos  0 (Você consegue saber por quê?). Assim, para acharmos a aceleração instantânea
(que é a aceleração centrípeta que estamos procurando), temos que fazer o limite  t  0 na
aceleração média (lembre-se da definição, lá no capítulo 2):


2 sin
v v 2 v2
a c =lim  t 0 =lim  0 =
t r  r
2
v2
 a c=
r

Este é o resultado que estávamos procurando. Algumas propriedades importantes e
interessantes da aceleração centrípeta:
• A direção de a c é SEMPRE radial e apontando para o centro da circunferência. Desenhe a
aceleração centrípeta na figura acima.
v2
• Seu módulo, no caso do MCU, é sempre igual a . Sua direção, e portanto sentido,
r
alteram constantemente.
• Pergunta: podemos usar as equações relativas à aceleração constante para o caso da
aceleração centrípeta???

Movimento Relativo

Quando estamos parados observando dois carros se movendo com velocidade constante
numa rodovia reta, um em direção ao outro, podemos medir a velocidade de ambos... vamos supor
que as velocidades dos carros 1 e 2 são, respectivamente: v 1=50 km/h ; v 2=−50 km/h (Porque a
velocidade do carro 2 é negativa?).
Agora, imagine que você é o(a) motorista de um dos carros, digamos do carro 1, e queira
medir a velocidade do carro 2. Você diria que a velocidade do carro dois é, em módulo, maior,
menor ou igual a 50 km/ h ??? Intuitivamente você sabe que a velocidade do carro 2 em relação à
sua velocidade, é maior em módulo que 50 km/ h . Nesta seção iremos estudar isto, ou seja, como
se relacionam as velocidades de objetos que se movem uns em relação a outros.
Vale notar que este problema foi um problema que 'quebrou a cabeça' de vários cientistas
durante muitos séculos, incluindo: Aristóteles e toda a escola grega, Galileu, Newton e Einstein.

Primeiro temos que definir um referencial inercial. Em física, chamamos por referencial
inercial o sistema de referência que está em repouso ou em movimento retilíneo uniforme. Por
exemplo, imagine na seguinte situação (aproximada e hipotética):
• Você está parado(a), sentado num banco de uma praça.
• Uma nuvem está se movendo com velocidade constante e em linha reta em relação a você.
• Um avião passa sobre a nuvem, se movimentando aceleradamente.
• Quais os referenciais inerciais???
• Você (que está em repouso) e a nuvem (que está em MRU).
Podemos esquematizar tal situação com os seguintes gráficos:

y y'
P
S'

S rPS'
rPS
x'
rSS'
x
Vamos identificar cada elemento da figura acima (cuidado com os índices):
• S é um referencial inercial, digamos que S está parado (você no banco da praça);
• S' também é um referencial, digamos que S' está num MRU em relação a S (nuvem em
relação a você);
• P é uma partícula que não necessariamente está com velocidade constante, ou seja, ela pode
possuir aceleração;
• rPS é a posição de P com relação a S (avião com relação a você);
• r PS ' é a posição de P com relação a S' (avião com relação a nuvem);
• r SS ' é a posição de S' com relação a S (nuvem com relação a você);

Sabemos também que S' (a nuvem) está se movimentando com relação a S. Portanto ela
possui uma velocidade com relação a S. Esta velocidade, CONSTANTE, é dada por:

d rSS '
vSS ' =
dt

Da figura acima (e do capítulo sobre vetores – método gráfico de soma de vetores), temos
que:

rPS = rSS '  r PS '

Se derivarmos a equação acima com relação ao tempo, teremos:

d rPS d rSS ' d rPS '
= 
dt dt dt

Da definição de velocidade : vPS= vSS ' vPS '

A última equação nos diz que: a velocidade de P em relação a S (avião com relação a você) é
IGUAL à velocidade de S' com relação a S (nuvem com relação a você) MAIS a velocidade de P
com relação a S' (avião com relação à nuvem).

Exercício: Tente pensar na equação acima com o exemplo dos carros: você está parado(a) numa
estrada reta (você = S). Dois carros (carro 1 = P; carro 2 = S') se movem com velocidade constante,
um em direção ao outro. Quais as velocidades relativas??? Faça também o caso em que os carros
possuem o mesmo sentido.
Agora iremos derivar a equação para as velocidades relativas ( vPS =vSS 'vPS ' )com
relação ao tempo. Assim, teremos:

d vPS d vSS ' d vPS '
= 
dt dt dt

Da definição de aceleração : aPS =aSS ' aPS '

Encontramos assim a relação entre as acelerações relativas entre os referenciais inerciais e
os objectos. MAS, sabemos de um detalhe importante: o referencial S' se move com velocidade
constante com relação a S, portanto: aSS ' =0 m/ s . Assim, a equação acima fica da seguinte
forma:

aPS= aPS '

Esta última equação é muito importante, pois ela nos mostra que as acelerações de objetos
que se movem com relação a REFERENCIAIS INERCIAIS são iguais!!! Quando estudarmos as
leis de Newton, iremos salientar que elas valem somente para estes tipos de referenciais (isto
também vale para a relatividade restrita de Einstein!). Você já pode ir pensando nisto... note que se
multiplicarmos a equação acima pela massa m do objecto, teremos exatamente a lei de força de
Newton ( F  =m a ), e a equação acima nos diz que a lei de força é a mesma para referenciais
inerciais!

Capítulo 5 – Força e Movimento
Até então, estudamos cinemática, que nada mais é que conhecer o movimento1 de um corpo
sem sabermos sua causa. Neste capítulo estudaremos a mecânica Newtoniana, que é um estudo da
dinâmica do corpo: estudaremos o movimento, definindo (empiricamente ou teoricamente) qual é a
causa do mesmo. A mecânica Newtoniana se aplica à maioria dos casos cotidianos, desde um pão
com manteiga que cai da mesa até o movimento (aproximado) de um satélite em órbita na Terra ou
ao movimento da Lua em torno de nosso planeta.2

Primeira Lei de Newton

Antes de Newton pensava-se (ideia Aristotélica) que para um corpo se mover, ele necessita
sempre de uma “força” para gerar o movimento. Pensava-se também que o estado “natural” de um
corpo fosse o estado de repouso. Porém, a partir de observações (por exemplo, diminuindo o atrito
entre o piso e objetos que se movem nele), Newton chegou à seguinte conclusão3:

1a Lei de Newton: “Se nenhuma força atua num corpo, sua velocidade não pode mudar: ou ele
permanece em repouso ou em Movimento Retilíneo Uniforme”.

1 Movimento: determinar a posição e a velocidade de um corpo para qualquer instante de tempo.
2 Note que, antes de Newton, vários cientistas estudaram o movimento, tendo encontrado princípios bem próximos
aos encontrados pelo primeiro. Somente para citar alguns (não estão em ordem cronológica): Aristóteles, Galileu,
Kepler, Tycho Brahe, Descartes, Huygens, Leibniz, etc. Porém, com a publicação do Princípios Matemáticos da
Filosofia Natural, Newton compilou, organizou, matematizou e sistematizou o estudo da dinâmica dos corpos. Até
então, estudava-se a cinemática (em sua maior parte).
3 Este princípio foi proposto, de maneiras mais 'obscuras', por Galilieu, Descartes e Huygens.
Força

Definição: A 'força' exercida em um objeto de 1 Kg de massa, afim de acelerá-lo a 1 m/s 2,
tem módulo de 1 N (1 Newton). Ou seja, uma força é medida pela aceleração que ela produz num
objeto. (Esta é uma definição um tanto quanto cíclica, mas é a mais pragmática e simples que
temos.)

A aceleração é uma grandeza vetorial, a massa é uma grandeza escalar (não precisamos
dizer que um objeto possui 1 kilograma direcionado para cima ou para a direita). Como a força é
definida a partir da massa e da aceleração, ela também é uma quantidade vetorial: podemos atribuir
módulo, direção e sentido a uma força.
Uma característica importante de força é que elas obedecem ao princípio da superposição,
isto é:

Ftotal= F1 F 2 F 3....
ou seja: a força total que atua num objeto, chamada força resultante, é igual às forças individuais
que atuam nele. A primeira lei de Newton em função da força resultante pode ser escrita da seguinte
forma: “Se nenhuma força resultante atua sobre um corpo, a velocidade do corpo não pode mudar.”

Observação: As leis de Newton valem somente em referenciais inerciais, ou seja, que estão em
repouso ou MRU.

Massa

Massa inercial: característica de um corpo que relaciona a força sobre o mesmo com a
aceleração resultante. Novamente uma definição cíclica. Podemos definir massa como sendo a
quantidade de matéria em um corpo. Este conceito em física clássica (mecânica Newtoniana) é um
conceito aceitável, mas quando entramos no escopo da física quântica ou relatividade geral
esbarramos em várias dificuldades. Por exemplo, definir massa como quantidade de matéria em
relatividade é complicado, pois a própria massa de um objeto varia de acordo com sua velocidade.
Em física quântica temos outro problema: a própria definição de partícula se confunde com a
definição de ondas, que não são caracterizadas pela sua massa. Vamos assumir aqui o conceito
clássico de massa como sendo quantidade de matéria.

Observações:
• MASSA É DIFERENTE DE PESO!!! Um corpo de 1kg tem peso aproximado de 10 N na
Terra, um peso menor na Lua e um peso maior em Júpiter. Sua massa é a mesma nos três
planetas (e em qualquer lugar). Peso é força, massa é massa!!! :-)
• MASSA INERCIAL É IGUAL À MASSA GRAVITACIONAL. Em física temos dois
conceitos distintos de massa: a massa devida à inércia (cuja definição demos acima) e a
massa que constitui a “carga” da força gravitacional, a entidade responsável por atrair outros
corpos massivos. O mais interessante é que estas duas massas são iguais, e isto de forma
alguma é necessário para a teoria. Esta igualdade entre massa inercial e gravitacional foi o
“click” que deu em Einstein para começar a pensar na relatividade Geral.

Segunda Lei de Newton