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PAGINA_CAPA_PROCESSO_PJE_0010940-19.2017.5.03.

0099

Poder Judiciário
Justiça do Trabalho
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região

RECURSO ORDINÁRIO
RO 0010940-19.2017.5.03.0099
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Relator: Luiz Ronan Neves Koury

Processo Judicial Eletrônico

Data da Autuação: 04/06/2018


Valor da causa: R$ 50.000,00

Partes:
RECORRENTE: ARTUR RODRIGO OLIVEIRA DE SOUZA - CPF: 097.963.086-06
ADVOGADO: FELIPE DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0125417
ADVOGADO: ISAQUE DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0163490
ADVOGADO: MIRIAN DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0061935
ADVOGADO: CLARICE AZEVEDO GOMES REIS - OAB: MG0160358
RECORRIDO: RAV TRANSPORTES LTDA - ME - CNPJ: 08.270.115/0001-08
ADVOGADO: Valéria Ramos Esteves de Oliveira - OAB: MG0046178
RECORRIDO: FRIGORIFICO LESTE LTDA - CNPJ: 15.549.476/0001-53
ADVOGADO: Valéria Ramos Esteves de Oliveira - OAB: MG0046178
RECORRIDO: ARTUR RODRIGO OLIVEIRA DE SOUZA - CPF: 097.963.086-06
ADVOGADO: CLARICE AZEVEDO GOMES REIS - OAB: MG0160358
ADVOGADO: MIRIAN DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0061935
ADVOGADO: ISAQUE DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0163490
ADVOGADO: FELIPE DE AZEVEDO GOMES FRAGA - OAB: MG0125417
RECORRENTE: FRIGORIFICO LESTE LTDA - CNPJ: 15.549.476/0001-53
ADVOGADO: Valéria Ramos Esteves de Oliveira - OAB: MG0046178
RECORRENTE: RAV TRANSPORTES LTDA - ME - CNPJ: 08.270.115/0001-08
ADVOGADO: Valéria Ramos Esteves de Oliveira - OAB: MG0046178
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 3ª REGIÃO

PROCESSO nº 0010940-19.2017.5.03.0099 (RO)

RECORRENTES: 1) ARTUR RODRIGO OLIVEIRA DE SOUZA


2) RAV TRANSPORTES LTDA - ME
3) FRIGORÍFICO LESTE LTDA

RECORRIDOS: OS MESMOS

RELATOR: LUIZ RONAN NEVES KOURY

EMENTA
DANOS MORAIS E EXISTENCIAIS. Não há prova robusta nos autos
de que o autor ficou impedido de usufruir os períodos de descanso e de
que houve privação do convívio social e familiar. Cabe registrar que,
apesar de serem elastecidas as jornadas de trabalho em algumas
oportunidades, havia, em regra, o respeito aos dias de repouso, aos
intervalos inter e intrajornadas, conforme registros de jornada
colacionados aos autos.Indevidos, portanto, os danos morais e existenciais
requeridos.

RELATÓRIO

O MM. Juiz do Trabalho, Dr. Lenício Lemos Pimentel, em atuação na 2ª


Vara do Trabalho de Governador Valadares, pela sentença de ID. 0d10275, cujo relatório adoto e a este
incorporo, julgou procedentes, em parte, os pedidos iniciais.

O reclamante interpôs recurso ordinário sob o ID. 907b74b e as


reclamadas sob o ID. e8d4148.

O reclamante não apresentou contrarrazões ao apelo empresário e as


reclamadas as apresentou em relação ao recurso obreiro sob o ID. 98d69e7.

Dispensada a remessa dos autos ao MPT, a teor do disposto no artigo 82,


do Regimento Interno deste Regional.

É o relatório.

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: Luiz Ronan Neves Koury


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Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 1
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
FUNDAMENTAÇÃO

VOTO

Satisfeitos os requisitos legais de admissibilidade, os recursos habilitam-se


ao conhecimento.

MÉRITO

RECURSO DO RECLAMANTE

HORAS EXTRAS. BANCO DE HORAS. DOMINGOS E FERIADOS

Visa o autor a reforma da sentença em relação ao pedido de horas extras.


Sustenta que a confissão ficta não abarca as provas pré-constituídas.

Aduz que houve extrapolação da 8ª hora diária e 44ª semanal, conforme


impugnação apresentada.

Sustenta a nulidade do banco de horas praticado pela reclamada ante a


prestação de horas extras regularmente.

Em desfavor do autor, restou aplicada a pena de confissão ante a sua


ausência injustificada na audiência de instrução (ID. e635f51).

Não obstante, os registros de pontos colacionados aos autos (fls. 247 e


seguintes) prevalecem sobre a confissão, por se tratar de prova pré-constituída, estando assinados e
preenchidos pelo autor.

O reclamante, contudo, não logrou êxito em sua impugnação, vez que,


havendo registro de folgas compensatórias nos controles de frequência, a amostragem por ele apontada
não traduziu a realidade.

Na forma disciplinada pelo banco de horas previsto em CCTs (IDs.


9092719 e 4eb55f2), apenas 50% das horas excedentes à 44ª hora seriam quitadas como extras, sendo os
outros 50% destinados à compensação em até 60 dias, regras não observadas na amostragem obreira.

Além disso, verifico que o autor laborou em diversas semanas em jornada


muito inferior à 44 horas semanais.

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Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
Dessa forma, seriam devidas apenas as diferenças eventualmente
existentes entre os valores quitados a título de horas extras e os 50% da jornada não compensada na forma
da CCT, que extrapolasse a 44ª hora semanal, ônus do qual não se desincumbiu o autor.

Não vislumbro a habitualidade na prestação de horas extras apontada pelo


autor em seu apelo, considerando que, apesar de haver registro de sobrejornada, o limite de 10 horas
diárias não foi extrapolado de forma habitual, apenas pontualmente em algumas poucas ocasiões.

Quanto aos feriados e descanso remunerado semanal, os recibos salariais


demonstram que houve o correto pagamento nos dias em que não foi concedida a folga respectiva.

Em relação aos feriados, os contracheques de ID. 4dd3c20 - Págs. 3 e 9,


ID. a822cba - Pág. 1 e ID. 844e713 - Pág. 3 demonstram a quitação.

Em relação ao descanso semanal remunerado, cito, por exemplo, o


contracheque do mês de julho de 2016, no qual há o registro de pagamento da rubrica "repouso
remunerado" (ID. a822cba - Pág. 3), sendo que no registro de jornada do respectivo mês consta o labor
semanal sem o correspondente descanso (ID. fa17134 - Pág. 5).

Igual situação se verifica no mês de setembro de 2016 (IDs. a822cba - Pág.


7 e 6f94dcc - Pág. 1).

Nego provimento.

DIÁRIAS DE VIAGEM. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO

Insiste o autor que não recebia valores a título de diárias de viagem e


requer sua integração salarial.

Os IDs. 31C0303, 4f71e26, 81f8b45, d410619 e babaa55 demonstram o


pagamento de diárias em favor do obreiro.

Dessa forma, não se mostrou válida a impugnação obreira, vez que a


amostragem do mês de janeiro de 2017 sequer considerou os valores pagos para o período indicado.

Além disso, não há prova de que aos sábados ou domingos o autor estava
em viagem de serviço em favor das reclamadas e que, portanto, teria havido deslocamento em 13 dias
consecutivos.

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Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
Não superando 50% do salário obreiro, as diárias de viagem não integram
salário do autor.

Nego provimento.

DANOS MORAIS E EXISTENCIAIS. CONDIÇÕES GERAIS E


PERNOITE EM CAMINHÃO. JORNADA EXAUSTIVA.

O reclamante insurge-se contra a decisão que negou seu pedido de


indenização por danos morais. Sustenta que era obrigado a dormir no caminhão, sem a mínima garantia
de segurança, higiene e saúde, vez que a boleia do caminhão não conta com banheiro, sendo as condições
precárias e desconfortáveis.

O autor também requer a reforma da sentença em relação ao pedido de


indenização por ter sofrido danos existenciais em virtude das longas jornadas que cumpriu em favor das
reclamadas, sendo privado de sua vida social e aumentando o risco de vida para ele e terceiros.

O reclamante não compareceu à audiência de instrução e, diante da


ausência de justificativa, o Juízo lhe aplicou a confissão.

Não há prova produzida por ele em relação às condições degradantes


informadas.

Em relação ao fato de dormir no caminhão, não restaram comprovadas as


alegações da parte autora, devendo ser mantida a sentença que julgou improcedente o pedido de
indenização por danos morais.

Em relação ao dano existencial por jornadas excessivas, que retirariam do


obreiro a oportunidade de convívio familiar e social e aumentaria desnecessariamente o risco de vida do
autor e de terceiros, compete registrar que, apesar de serem elastecidas em algumas oportunidades, havia,
em regra, o respeito aos dias de repouso, aos intervalos inter e intrajornadas, conforme registros de
jornada colacionados aos autos.

No mais, não há provas robustas nos autos de que o autor restou impedido
de usufruir dos períodos de descansos e de que houve privação do convívio social e familiar ou que houve
o incremento desnecessário ao seu risco de vida.

Nego provimento.

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Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
RECURSO DAS RECLAMADAS

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. PPP. HONORÁRIOS


PERICIAIS.

As Reclamadas não concordam com a decisão que a condenou ao


pagamento adicional de insalubridade em grau médio (percentual de 20%), pelo período de 01/05/2016 a
03/07/2017, a incidir sobre o salário-mínimo, e reflexos em aviso prévio, férias acrescidas de 1/3, 13º
salários e FGTS com multa de 40%, bem como ao fornecimento de PPP ao autor.

Impugnam igualmente o valor arbitrado pelo Juízo de origem a título de


honorários periciais.

O Magistrado, por não possuir conhecimentos técnicos específicos de


todas as áreas do conhecimento, determinará, sempre que se mostrar necessário, a realização de perícia
para realização de exame, vistoria ou avaliação (art. 464, CPC).

O Juízo, não obstante, não pode rejeitar, injustificadamente, as


informações veiculadas pela prova pericial. Contudo, o Julgador não está adstrito ao laudo pericial, sendo
esta a previsão do art. 479 do CPC.

Dessa forma, compete às partes produzir nos autos prova robusta e capaz
de desconstituir o laudo pericial ou, no mínimo, fragilizar ou tornar questionável à metodologia ou
conclusão a que chegou o expert.

O perito, por meio do laudo pericial de ID. ade57b8, apurou que as


atividades desempenhadas pelo Reclamante eram insalubres nos termos da NR-15, Anexo 9, da Portaria
3.214/78, expedida pelo MTE, em razão do agente frio.

O expert, em diligência, registrou que o obreiro informou que, apesar de


ter recebido todo o EPI necessário para neutralização e/ou eliminação da insalubridade, não os levava em
viagem e não os utilizava quando adentrava na câmara fria do caminhão e que a reclamada não tem como
controlar se o reclamante faz ou não uso do EPI, fora das dependências da empresa (ID. ade57b8 - Pág.
18).

O perito judicial consignou que era atribuição do motorista adentrar na


câmara fria do caminhão para efetivar a organização e prestar auxílio ao ajudante que o acompanhava (ID.
ade57b8 - Pág. 5).

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Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 5
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
Não obstante a confissão ter sido aplicada ao autor, as reclamadas não
impugnaram o registro realizado pelo perito de que competia ao obreiro adentrar no caminhão para
auxiliar o ajudante de entregas, vez que o registro foi realizado com base em informações obtidas com
preposto da empregadora do autor durante a diligência pericial, que informou, no mesmo ato, que não
havia como fiscalizar a utilização ou não dos EPIs por seus funcionários em viagens.

Não basta a reclamada mencionar que fornecia EPIs suficientes para


neutralizar ou eliminar a insalubridade da atividade praticada pelo obreiro.

É dever da reclamada obrigar seus empregados a utilizá-los, bem como


realizar fiscalização contínua para ter certeza de que efetivamente seus empregados estão utilizando tais
equipamentos e de forma correta.

Além disso, é ônus da reclamada comprovar tais alegações nos autos e de


forma cabal, além de ser de sua responsabilidade também a realização de inspeções periódicas nesses
equipamentos e sua substituição em caso de necessidade.

Os EPIs são equipamentos preventivos que visam garantir e proteger a


saúde do trabalhador, sendo essa conduta de responsabilidade da empresa e não do trabalhador.

As reclamadas, portanto, não se desincumbiram de seu ônus processual.

Dessa forma, prevalece a conclusão do laudo pericial oficial.

Reconhecida a insalubridade da atividade exercida pelo autor, o


fornecimento de PPP é mera consequência.

Em relação aos honorários, verifico que foram observados os princípios da


razoabilidade e da proporcionalidade, considerando-se a qualidade do laudo oficial e a necessidade de
assegurar retribuição condigna ao profissional.

Não vislumbro, portanto, excesso no valor arbitrado, de R$1.500,00, para


a perícia técnica.

Nego provimento.

INTERVALO INTERJORNADA

Havendo registro, ainda que não habituais, de não observância do intervalo


interjornada de 11 horas em sua integralidade, bem como não havendo comprovação de pagamento

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Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
específico das horas suprimidas do intervalo interjornada como extraordinárias e em rubricas específicas,
não há que se falar em reforma da sentença.

Cite-se, como exemplo, o dia 01/01/2017, no qual o obreiro terminou a


jornada às 21h40 e iniciou a do dia seguinte às 07h00.

Nego provimento.

PLR. MULTA CONVENCIONAL.

Não se conformam as reclamadas com a condenação de pagamento ao


reclamante da segunda parcela de PLR do ano de 2016, nem com a multa convencional aplicada por
eventual descumprimento da cláusula da CCT relacionada à PLR, qual seja, cláusula 10ª.

Analisando-se as CCTs 2015/2016 e 2016/2017, verifico que as PLR a que


se referem são, respectivamente, dos exercícios do ano de 2015 e do ano de 2016.

A CCT de 2015/2016 previa o pagamento de R$390,00 em duas parcelas


de R$195,00 em relação ao exercício de 2015, com critérios a serem observados a cada semestre civil do
exercício.

Em relação à CCT 2015/2016 nada é devido ao autor, vez que foi


contratado em 27/01/2016 (ID. 61b3e0a - Pág. 3), não tendo laborado no exercício de 2015.

A CCT de 2016/2017 previu o pagamento de PLR para o exercício de


2016, no importe de R$390,00, em duas parcelas de R$195,00, com previsão de pagamento proporcional
ao número de meses trabalhados (ID. 4eb55f2 - Págs. 5/6).

No 1º semestre, o autor laborou 5 meses completos, tendo recebido


corretamente o valor de R$162,50, vez que cada mês representa uma parcela de R$32,50 (ID. a822cba -
Pág. 3).

E, em janeiro de 2017 (ID. 844e713 - Pág. 1), recebeu o importe de


R$195,00, por ter laborado o 2º semestre do exercício de 2016 em sua integralidade.

Dessa forma, não é devida a 2ª parcela de PLR do exercício de 2016,


prevista na CCT 2016/2017, sendo certo que tal parcela não é da CCT 2015/2016.

Não tendo sido descumprida a cláusula 10ª da CCT de 2015/2016 e da


CCT 2016/2017, relativas à PLR, a multa convencional não é, por consequência, devida.

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: Luiz Ronan Neves Koury


https://pje.trt3.jus.br/segundograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?nd=18062015135827800000027084015
Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 7
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
Provejo para excluir da condenação a determinação de pagamento da 2ª
parcela de PLR do ano de 2016 e da multa convencional.

EXPEDIÇÃO DE OFÍCIOS

As reclamadas insurgem-se contra a expedição de ofícios, sob a alegação


de não terem praticado nenhuma infração às normas legais ou administrativas.

Sem razão, vez que restou constatada, nos presentes autos, a prática de
irregularidades pelas reclamadas, competindo ao Juízo de origem informar, por meio de ofícios, às
autoridades competentes.

Nego provimento.

IPCA-E. CORREÇÃO MONETÁRIA.

Buscam as reclamadas a reforma da sentença, por entenderem não ser


aplicável o índice IPCA-E para atualização monetária das parcelas que sejam devidas ao autor.

Não obstante, em relação ao índice de correção monetária, deve ser


aplicado o índice IPCA-E.

No acórdão proferido no processo de arguição de inconstitucionalidade


ArgInc 479-60.2011.5.04.0231, o Pleno do TST declarou a inconstitucionalidade por arrastamento da
expressão "equivalentes à TRD", contida no caput do artigo 39 da Lei 8.177/91, e definiu a variação do
Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial - IPCA-E como fator de atualização monetária dos
débitos trabalhistas na Justiça do Trabalho a partir de junho de 2009.

Ao apreciar os embargos de declaração, cuja decisão foi publicada em


30/06/2017, o Pleno imprimiu efeito modificativo ao julgado, modulando os efeitos da decisão para fixar
25/03/2015 como data a partir da qual será aplicado o referido índice, em consonância com a data
estabelecida pelo STF no julgamento das ADIs n.s 4.357/DF e 4.425/DF.

Dessa forma, verifica-se que a Colenda Corte entende que os débitos


trabalhistas devem ser atualizados pela Taxa Referencial Diária (TRD), na forma da Lei 8.177/91, até
24/03/2015 e, a partir daí, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial - IPCA-E.

Note-se que a Reclamação 22.012, ajuizada pela Federação Nacional dos


Bancos (Fenaban), foi julgada improcedente pela 2ª Turma do STF em 05/12/2017, não mais subsistindo
a liminar que conferia efeito suspensivo à referida decisão do TST na ArgInc 479-60.2011.5.04.0231.

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Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 8
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
A atualização dos débitos trabalhistas deve ser, portanto, realizada pela
TRD até 24/03/2015 e, a partir dessa data, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial -
IPCA-E.

Nego provimento.

Conclusão do recurso

Pelo exposto, conheço dos recursos; e, no mérito, nego provimento ao


apelo do autor e dou provimento parcial ao recurso das reclamadas para excluir da condenação a
determinação de pagamento da 2ª parcela de PLR do ano de 2016 e, por consequência, da respectiva
multa convencional, Mantenho o valor da condenação por ainda compatível.

ACÓRDÃO

Fundamentos pelos quais,

O Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região, em sessão ordinária


da sua Quinta Turma, hoje realizada, sob a presidência do Exmo. Desembargador Oswaldo Tadeu
Barbosa Guedes, presente a Exma. Procuradora Maria Helena da Silva Guthier, representando o
Ministério Público do Trabalho, computados os votos dos Exmos. Desembargadores Oswaldo Tadeu
Barbosa Guedes e Manoel Barbosa da Silva, JULGOU o presente processo e, à unanimidade, conheceu
dos recursos; e, no mérito, negou provimento ao apelo do autor e deu provimento parcial ao recurso
das reclamadas para excluir da condenação a determinação de pagamento da 2ª parcela de PLR do ano
de 2016 e, por consequência, da respectiva multa convencional, Manteve o valor da condenação por ainda
compatível.

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Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 9
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
Belo Horizonte, 24 de julho de 2018.

LUIZ RONAN NEVES KOURY


Relator
LNRK/tbcs

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Número do processo: RO 0010940-19.2017.5.03.0099 ID. 5ba9330 - Pág. 10
Número do documento: 18062015135827800000027084015
Data de Juntada: 25/07/2018 17:59
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