You are on page 1of 9

Biotecnologia

Diagrama

A palavra Biotecnologia tem origem grega, onde Bio significa


vida; técno, tecnica; e logia, conhecimento ou estudo. Biotecnologia então
é a tecnologia baseada na biologia. A Convenção sobre Diversidade
Biológica da ONU possui uma das muitas definições de biotecnologia: [1]

“ "Biotecnologia significa qualquer tecnologia que utilize sistemas


biológicos, organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou
modificar produtos ou processos para utilização específica." ”

A biotecnologia clássica se baseia na utilização de organismos vivos da forma


como são encontrados na natureza ou melhorados por genética estatística
convencional. Nesse sentido, a biotecnologia clássica se baseia principalmente
nos conceitos mais maduros da microbiologia e genética, envolvendo um
conjunto de atividades como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho,
iogurte, cerveja). Por outro lado a biotecnologia moderna faz uso intenso da
genética molecular (DNA recombinante) e da multidisciplinaridade, ou seja, a
combinação dos conceitos biológicos da genética, biologia celular, zoologia,
botânica, ecologia, evolução, engenharia, tecnologia da informação, robótica,
bioética e o biodireito, entre outras. Portanto, a biotecnologia moderna busca
também sair da dependência da tecnologia do DNA recombinante para poder
gerar novas tecnologias baseadas em outros ramos da biologia.Em função da
amplitude da definição e por tentar ser um guarda chuva para inúmeras
disciplinas já consolidadas, admite-se um carácter de marketing e de algo
amorfo, sem identidade, á biotecnologia, o que vem dificultando o seu pleno
entendimento pela sociedade.[2][3]

Índice

 1História
 2Classificação e código por cores

 3Impactos positivos e negativos devido ao uso da biotecnologia

 4Profissão

 5Ver também

 6Referências

 7Ligações externas

História[editar | editar código-fonte]

A fabricação de cerveja foi uma das primeiras aplicações da biotecnologia

A história da biotecnologia é a junção da história de ciências já consolidadas,


como biologia, química, bioquímica, microbiologia etc. Isso é devido ao fato do
termo biotecnologia ser um guarda chuva para todas as ciências , devido ao
ser caráter amorfo e de marketing. Tenta-se passar como tradicional um termo
com menos de quarenta anos de existência. A biotecnologia não está limitada a
aplicações na área médica e de saúde. (ao contrário da engenharia biomédica,
que inclui muita biotecnologia). Embora não seja normalmente considerada
como biotecnologia, a agricultura claramente se encaixa na definição ampla de
"usar um sistema biotecnológico para fazer produtos", de tal forma que o cultivo
de plantas pode ser visto como o primeiro empreendimento de biotecnologia.
As teorias têm considerado que a agricultura tornou-se a forma dominante de
produção de alimentos desde a Revolução Neolítica.

Os processos e métodos de agricultura foram refinados por outras ciências


mecânicas e biológicas desde a sua criação. Através dos primórdios da
biotecnologia, os agricultores foram capazes de selecionar as melhores
culturas adequadas, tendo os maiores rendimentos, para produzir alimentos
suficientes para sustentar uma população crescente. Outros usos da
biotecnologia foram necessários quando as culturas e os campos tornaram-se
cada vez maiores e difíceis de manter. Organismos específicos e subprodutos
de organismos foram utilizados para fertilizante, restauração de
nitrogênio e controle de pragas. Durante o uso da agricultura, os agricultores
têm, inadvertidamente, alterado a genética de suas culturas ao introduzi-las a
novos ambientes e cultivando-as artificialmente com outras plantas, uma das
primeiras formas de biotecnologia.

Culturas como as da Mesopotâmia, Egito e Índia desenvolveram o processo de


fabricação de cerveja. É ainda feito pelo mesmo método básico de usar grãos
maltados (contendo enzimas) para converter o amido de grãos em açúcar e em
seguida, adicionando leveduras específicas para produzir cerveja. Neste
processo, os carboidratos dos grãos são quebrados em álcoois tais como
etanol. Mais tarde outras culturas produziram o processo de fermentação
lática que permitiu a fermentação e preservação de outras formas de alimentos.
A fermentação também foi utilizada nesta época para produzir pão levedado.
Embora o processo de fermentação não foi totalmente compreendido até o
trabalho de Pasteur em 1857, ainda é a primeira utilização da biotecnologia
para converter uma fonte de alimento em outra forma. Esse processo de uso
de micro-organismos como agentes fermentadores, pode ser definido como
biotecnologia clássica, embora nesse período o termo biotecnologia ainda não
era utilizado.

No início do século XX os cientistas obtiveram uma maior compreensão


da microbiologia e exploraram formas de fabricação de produtos específicos.
Em 1917, Chaim Weizmann usou pela primeira vez uma cultura microbiológica
pura em um processo industrial, o da fabricação de amido de
milho com Clostridium acetobutylicum, para produzir acetona, que o Reino
Unidodesesperadamente precisava para a fabricação de explosivos durante
a Primeira Guerra Mundial. Mais tarde em 1919 o engenheiro agrônomo e
hungáro Karl Ereky define e usa o termo biotecnologia, quando necessitava de
um cultivo maior de plantas para alimentar as plantas em larga escala porcos,
ele cultivou beterrabas com micro-organismos, desfrutando então de uma
técnica da biotecnologia.

A biotecnologia também levou ao desenvolvimento de antibióticos. Em


1928, Alexander Fleming descobriu o fungo Penicillium. Seu trabalho levou à
purificação do antibiótico penicilina por Howard Florey, Ernst Boris Chain e
Heatley Norman. Em 1940, a penicilina tornou-se disponível para uso medicinal
para o tratamento de infecções bacterianas em seres humanos. [4]

Considera-se que o campo da biotecnologia moderna tenha começado em


grande parte em 16 de junho de 1980, quando a Suprema Corte dos
EUA determinou que um micro-organismogeneticamente modificado poderia
ser patenteado no caso Diamond vs Chakrabarty.[5] Ananda Chakrabarty,
nascido na Índia, trabalhando para a General Electric, tinha desenvolvido uma
bactéria (derivada do gênero Pseudomonas) capaz de quebrar o petróleo bruto,
o qual ele propôs utilizar no tratamento de derramamentos de petróleo.

Estimava-se que a receita do setor deveria crescer 12,9% em 2008. Outro fator
que influencia o sucesso do setor de biotecnologia é o aperfeiçoamento da
legislação sobre direitos de propriedade intelectual, incluindo aplicação de
sanções, em nível mundial, assim como uma reforçada demanda por produtos
médicos e farmacêuticos para lidar com a população norte-americana doente e
envelhecida.[6]

A crescente demanda por biocombustíveis tende a ser uma boa notícia para o
setor de biotecnologia. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima
que o uso do etanol nos Estados Unidos poderia reduzir o consumo de
combustíveis derivados do petróleo em 30% por volta de 2030. O setor de
biotecnologia permitiu que o setor agrícola dos EUA aumentasse rapidamente o
fornecimento de milho e soja - os principais insumos dos biocombustíveis -
através do desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas que são
resistentes a secas e pragas. Ao aumentar a produtividade agrícola, a
biotecnologia tem um papel crucial na garantia de que as metas de produção
de biocombustíveis sejam cumpridas.[7]

Cristais de insulina.

Antes dos anos 1970, o termo biotecnologia era utilizado principalmente na


indústria de processamento de alimentos e na agroindústria. A partir daquela
época, começou a ser usado por instituições científicas do Ocidente em
referência a técnicas de laboratório desenvolvidas em pesquisa biológica, tais
como processos de DNA recombinante ou cultura de tecidos. Realmente, o
termo deveria ser empregado num sentido muito mais amplo para descrever
uma completa gama de métodos, tanto antigos quanto modernos, usados para
manipular organismos visando atender às exigências humanas. Assim, o termo
pode também ser definido como, "a aplicação de conhecimento nativo e/ou
científico para o gerenciamento de (partes de) microorganismos, ou de células
e tecidos de organismos superiores, de forma que estes forneçam bens e
serviços para uso dos seres humanos.[8]

A primeira utilização comercial da biotecnologia foi em 1982, onde a empresa


Ganentech produziu a insulina humana para o tratamento de diabetes. Sendo
que para fornecer a insulina em quantidades necessárias, a insulina humana foi
isolada e transferida para uma bactéria, o que foi uma prova concreta que
biotecnologia utiliza organismos vivos ou parte deles.

Há muita discussão — e dinheiro — investidos em biotecnologia, com a


esperança de que surjam drogas milagrosas. Embora tenham sido produzidas
uma pequena quantidade de drogas eficazes, no geral, a revolução
biotecnológica ainda não aconteceu na indústria farmacêutica. Todavia,
progressos recentes com drogas baseadas em anticorpos monoclonais, tais
como o Avastin da Genentech, sugerem que a biotecnologia pode finalmente
ter encontrado um papel a desempenhar nas vendas farmacêuticas. [9]

Classificação e código por cores[editar | editar código-fonte]

A biotecnologia tem aplicações em grandes áreas industriais, incluindo saúde


(médica), agrícola, industrial e ambiental, dentre outros, se referindo
principalmente a estudos e utilização de organismos para o desenvolvimento
de produtos (Exemplo: cerveja e insulina). A classificação dos vários ramos da
biotecnologia tem utilizado um código de cor relacionado muitas vezes ao tema
abordado, como por exemplo:

 Biotecnologia vermelha: é a que tem relação com a cor do sangue e está


relacionada aos processos médicos e de saúde como o desenho de
organismos capazes de produzir antibióticos ou moléculas importantes
como a insulina, e a engenharia de tratamentos genéticos através de
manipulação genética. Como por exemplo de maior aplicação é a terapia
celular e medicamentos baseados em moléculas biológicas.

 Biotecnologia azul ou marinha: lembra a cor do mar e tem sido usada


para descrever a aplicações marinhas e aquáticas da biotecnologia, como a
busca e identificação de moléculas em algas marinhas para o tratamento de
doenças como a AIDS.

 Biotecnologia verde ou agrícola: tem a cor da maioria das plantas e está


relacionada aos processos agrícolas. Um exemplo é o desenvolvimento de
plantas transgênicas (plantas geneticamente modificadas) que crescem em
ambientes específicos, na presença (ou ausência) de produtos químicos.
Tem como objetivo produzir soluções para as questões agrícolas mais
sustentáveis e com baixa agressão ao meio ambiente e ao ser humano,
quando comparada a agricultura industrial tradicional. Um exemplo é a
engenharia de uma planta que seja capaz de expressar um pesticida
natural, evitando a necessidade de aplicação externa de pesticidas.

 Biotecnologia branca ou industrial: é a biotecnologia aplicada a


processos industriais. Um exemplo é a concepção de um organismo para
produzir um produto químico útil. Outro exemplo é o uso de enzimas como
catalisadores industriais para produzir ou destruir produtos químicos
(exemplo: poluentes perigosos). A biotecnologia branca tende a consumir
menos recursos do que em processos tradicionais utilizados para produzir
bens industriais.

 Biotecnologia ouro ou bioinformática: é um campo interdisciplinar que


aborda problemas biológicos usando técnicas computacionais, tornando
possível a análise de inúmeros dados biológicos em um curto período de
tempo. O campo pode também ser referido como biologia computacional e
pretende, aplicando técnicas informáticas, compreender e organizar a
informação associada a moléculas envolvendo a genômica funcional,
genômica estrutural e proteômica, sendo atual mente um componente-
chave no setor farmacêutico.

 Biotecnologia laranja ou educacional: tem como objetivo disseminar a


biotecnologia e a formação nesta área. Ela desenvolve materiais e
estratégias educacionais para dar acesso as informações sobre temas de
biotecnologia (exemplo: desenho de organismos produtores de antibióticos)
para a sociedade como um todo, incluindo pessoas com deficiências
(exemplo: visual e/ou auditiva). Ela ainda busca estimular, identificar e atrair
pessoas com vocação científica e altas habilidades/superdotação para a
área de biotecnologia.[10]

O investimento e produção econômica de todos esses tipos de biotecnologia é


denominado como "bioeconomia".

Impactos positivos e negativos devido ao uso da biotecnologia[editar | editar


código-fonte]

Como impactos positivos podemos citar o caso dos alimentos transgênicos,


que produzidos em larga escala podem acabar com a fome no mundo.
Também contamos com a possibilidade de ter alimentos mais nutritivos e com
diversas propriedades.

O uso de de biorremediação para eliminar e controlar contaminação dos


ambientes pode ser considerado também um impacto positivo. Além dos
grandes medicamentos e técnicas novas que surgem para o tratamento de
doenças.

Já como um fator negativo para o uso da biotecnologia, podemos citar a alta


utilização de agrotóxico e fertilizantes inorgânicos, a interferência no equilíbrio
da natureza, criação de sementes que podem ser inférteis por serem
genéticamente modificadas.

Alimentos transgênicos apesar de inovador e eficaz, pode causar alergias nas


pessoas que os consomem. Sem contar nas questões éticas, religiosas e
morais que podem interferir nesse processo, por se tartar de estudos e
tecnologias novos que rompe os costumes da sociedade.

Profissão[editar | editar código-fonte]

Os profissionais da biotecnologia possuem formação universitária variada entre


as quais: biólogo, médico, bioquímico, agrônomo, veterinário, analista de
sistemas, engenheiros diversos, zootecnista, farmacêutico e mesmo
o graduado em biotecnologia etc.. Geralmente são pós-graduados, após três
ou quatro anos de exercício profissional, sob supervisão ocasional de
profissional experimentado na área de biotecnologia. Cada profissional da
biotecnologia (biólogo, químico, bioquímico, farmacêutico, biomédico, etc...),
possui seu próprio conjunto de regulamentações/legislações para atuação na
área de biotecnologia, chancelados pelos respectivos conselhos profissionais
(ou ordem profissional, no caso de Portugal) e de acordo com o currículo
efetivamente cursado/realizado, ou a pós graduações cursadas ou à
experiência profissional na área.[11][12]

De fato, A Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho


(CBO), que indica a família de ocupações 2011-Profissionais da biotecnologia
com três ocupações (bioengenheiro, biotecnologista e geneticista), não
discrimina quais profissionais ou diplomas são requeridos para exerce-las: ''Por
tratar-se de área multidisciplinar, as formações que dão acesso à profissão são
variadas, tais como ramos de engenharia que atuam na fabricação de
equipamentos e na produção de materiais, biologia, medicina, bioquímica,
agronomia, veterinária, zootecnia, dentre outras.'' [11] Por outro lado, o Conselho
de Informações sobre Biotecnologia (CIB), uma organização não
governamental brasileira, possui formação multiprofissional, incluindo biológos,
químicos, farmacêuticos e agronômos em sua composição. [13] Desta mesma
forma, orgãos oficiais do governo brasileiro, tal qual a CTNBio, para
biossegurança e organismos geneticamente modificados, também possuem
[14]
composição multiprofissional. A própria Política Nacional de Biotecnologia do
Brasil, instituída em 2007, no seu ítem 3.2.2, indica que são necessários
esforços em termos de recursos humanos do ensino fundamental até a pós-
graduação em ciências da vida, como um todo, (isto é, de forma
multiprofissional e não especificamente voltado a uma única profissão), para
[15]
que a biotecnologia possa se desenvolver no país.

Com base nisto tem-se que os profissionais em biotecnologia, no Brasil, são


capacitados para desenvolver dispositivos biológicos e produtos derivados
destes, manipulam material genético, sintetizando sequências de DNA,
construindo vetores, modificando genes in vivo e in vitro, manipulando
expressão gênica e gerando organismos geneticamente modificados. Analisam
genoma, sequenciando-o, identificando genes e marcadores genéticos; aplicam
técnicas de reprodução e multiplicação de organismos; produzem compostos
biológicos e desenvolvem equipamentos, dispositivos e processos de uso
biotecnológico. Este profissional pode atuar em biossegurança, produção de
vacinas, desenvolvimento de métodos de diagnóstico, inseminação artificial,
bioinformática, biochips, bioética, virologia, redes neurais e construção de
equipamentos biomédicos, desenvolvimento de biofármacos, engenharia
genética e de tecidos, biologia molecular, em clonagem, terapia gênica,
transferência de embriões, biomateriais, genoma, proteoma, biomecânica e
biodisponibilidade, polímeros biodegradáveis, nanotecnologia, bioeletricidade.