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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão

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Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão Corpo editorial Edição atual
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Silas Daniel respondeu à avaliação que preparei de seu texto Devocional Resenhas
Entrevista Teologia
“Em defesa do arminianismo” (publicado na revista Obreiro Espiritualidade Teologia histórica
Aprovado Ano 36, nº 68) em cinco postagens, publicadas no Família Vídeos
História da igreja
site da CPAD News.1 Neste ensaio respondo a estes.

Introdução Pesquisar
Palavras têm significado. Portanto, há que se fazer uma
Palavra:
diferença entre semipelagianismo e semiagostinianismo: o
OK
primeiro ensina que a graça de Deus e a vontade do homem
trabalham juntas na salvação, e o homem deve tomar a  
Articulista:
iniciativa; a fé e o arrependimento são obras humanas, sendo
Rômulo de Medeiros Louren OK
consideradas pré-requisitos para se receber o Espírito. O
segundo ensina que a graça de Deus se estende a todos, capacitando uma pessoa a escolher e a fazer o
necessário para a salvação; a fé e o arrependimento são dons do Espírito. Esta diferença não pode ser
subestimada, ainda que o termo “semipelagianismo” tenha sido cunhado pelos luteranos no século XVI, Mais lidos
usado na Epítome da Fórmula de Concórdia, para, retrospectivamente, rotular a teologia associada a João
Cassiano (conhecida como massilianismo, mas que também tem sido chamada pelos católicos de
semipelagiana).
acompanhe
Já “molinismo” é a noção ensinada pelo jesuíta Luis de Molina, no século XVI. Esta posição foi uma ruptura
não só com os ensinos de Agostinho e Aquino sobre a predestinação, mas também com os de Armínio (na
medida em que o molinismo defende que Deus sabe que, se certa pessoa for colocada em uma situação
particular, ela não irá resistir à graça). Logo, em um non sequitur, o autor busca respaldo no molinismo,
ainda que se identifique como arminiano. Para tentar responder à questão “quem criou o que Deus
previu?”, ele apela à ideia do “conhecimento divino do futuro contingente condicional” (a scientia media,
ideia elaborada por Molina), que supostamente teria respaldo bíblico (ele cita apenas um texto-prova em
apoio a esta ideia). O molinismo tem sido popularizado atualmente por William Lane Craig e Alvin
Plantinga. Já há em português farto material refutando o molinismo.2
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De toda forma, a teologia católica tem rejeitado o ensino associado com o semipelagianismo (ou
massilianismo) como herético, desde o sínodo de Orange, de 529:

Cân. 4. Se alguém professa que, para sermos purificados do pecado, Deus aguardou a nossa
vontade, não porém que também o querer ser purificados se dá em nós mediante a inspiração e a
obra do Espírito Santo, este tal se opõe ao mesmo Espírito Santo, que diz por meio de Salomão:
‘A vontade é preparada pelo Senhor [Pv 8.35 septg.], e ao Apóstolo, que salutarmente anuncia: ‘É
Deus que opera em vós tanto o querer como o realizar segundo seu beneplácito’ [cf. Fp 2.13].3

Silas reconhece que errou em seu estudo da soteriologia dos teólogos medievais. Ele havia,
confiantemente, escrito em seu artigo publicado na revista Obreiro Aprovado4 que “o que prevaleceu na
Igreja, desde o século 6 em diante, foi uma soteriologia que aceitava a Depravação Total, mas negava o
conceito de predestinação”. Agora, nas postagens mais recentes, escreve, corrigindo-se, que “houve um
excesso (...) [de sua] parte ao desprezar 100% de todo e qualquer vestígio da compreensão agostiniana
(...) durante a Idade Média”.

1. Soteriologia agostiniana na Idade Média


Parece óbvio escrever isso, mas nenhum especialista em história do pensamento cristão afirmou que há
plena concordância entre os teólogos medievais que citei e as formulações de Agostinho, o “Doutor da
Graça”, como parece ter entendido o autor. Mas não há como notar que há sim algum tipo de continuidade
entre as formulações de Agostinho e dos teólogos medievais que citei anteriormente: Próspero de
Aquitânia, Gottschalk de Orbais, Anselmo da Cantuária, Bernardo de Clarvaux, Thomas Bradwardine,
Tomás de Kémpis e Tomás de Aquino, além de Jan Hus e John Wycliffe. Mesmo quanto ao conceito do

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livre-arbítrio há diferenças de definição entre estes autores.5

Usando a data da queda do Império Romano do Ocidente, que a historiografia tradicional emprega para
marcar o fim da Antiguidade clássica, o autor rejeita Próspero como um escritor medieval,
desconsiderando o fato de que, intelectualmente, pode-se citar as origens do pensamento medieval cristão
em Agostinho de Hipona, o “mestre do ocidente”6 – por exemplo, Jacques LeGoff situa Agostinho num
primeiro período do medievo, que “balança da Antiguidade Tardia e a alta Idade Média”.7 Ao tratar da
rejeição da heresia pelagiana no Sínodo de Cartago, em 418, M. Pohlenz afirmou: “O fato de a Igreja ter-se
pronunciado por tal doutrina [da necessidade da graça] assinalou o fim da ética pagã e de toda a filosofia
helênica – e assim começou a Idade Média”.8

De qualquer forma, há algumas afirmações questionáveis por parte do autor, sobre os teólogos citados.
Sobre Próspero, ele supõe haver ocorrido uma mudança em sua posição.9 Próspero, após deixar a Gália,
onde contendia com os discípulos de Cassiano, se tornou secretário de Leão I, sendo influente na
composição do Tomo a Flaviano, fundamental na preparação da Definição de Calcedônia. E os cânones do
sínodo de Orange foram baseados em uma coletânea de textos de Agostinho (chamadas Sententiae)
“recolhidas em Roma pela metade do século V por Próspero de Aquitânia”.10 Pode-se citar neste contexto,
outro importante agostiniano, Isidoro de Sevilha, considerado o último grande Pai latino, que defendeu as
posições agostinianas sobre predestinação e graça em sua obra Etymologie (livro VII) – e foi ele, mais do
que Agostinho (que tratou mais da predestinação para a vida eterna, do que à condenação eterna), que
formulou a doutrina da predestinação dupla.11

Sobre Anselmo e Bernardo, o autor reconhece que ambos seguiram a Agostinho, ainda que “foram menos
consistentes que Gottschalk em sua fidelidade à visão agostiniana”, como ele mesmo escreve. Mas este
não é o ponto em questão. O fato é que ambos eram monergistas, como aqueles que forem às suas obras
poderão comprovar. Sobre Bradwardine, o autor afirma, categoricamente, sem apresentar fontes, que ele
“não cria na depravação total, dizendo que o pecado original não teria causado consequências mais
graves sobre a natureza humana”. Na verdade, este teólogo medieval não enfatizou tal doutrina por uma
razão metodológica: “Bradwardine apoia sua teologia anti-pelagiana com uma doutrina metafísica da
onipotência divina consideravelmente distinta das ideias de Agostinho, resultando em que a dependência
soteriológica total da humanidade em Deus é considerada uma consequência do caráter do ser humano
como criatura e não de sua pecaminosidade. A Queda não é, portanto, tida como um divisor de águas na
economia da salvação”. Outro teólogo medieval pode ser citado como um firme agostiniano, Gregório de
Rimini: “Enquanto o predestinarismo de Bradwardine é resultante de sua doutrina metafísica da
onipotência divina, o de Gregório surge de seu conceito cristologicamente centrado na história da
salvação”.12 De qualquer forma, recomendo a obra de McGrath, que oferece uma boa discussão do
impacto de Bradwardine e de Rimini na teologia posterior, e as diferenças entre as escolas filosóficas de
ambos.

Acerca de Tomás de Kémpis, há uma carta que Susanna Wesley escreveu ao seu filho John, reclamando
por aquele crer na predestinação.13 E a respeito de Tomás de Aquino, ele também reconhece que ele “cria
na predestinação agostiniana só para os eleitos”. Portanto, a afirmação de seu primeiro artigo, de que não
havia ninguém que ensinasse a doutrina da predestinação entre Agostinho e a Reforma Protestante, é
falaciosa – ainda que ele reconheça, corretamente, em seu primeiro artigo, que, “do século 16 ao 18 a
principal corrente no meio protestante mundial era o que se convencionou chamar de calvinismo”.
Portanto, para deixar claro, o que era comum a todos os teólogos medievais citados acima era a crença na
predestinação dos eleitos, ou aqueles que são salvos; mas eles (com a possível exceção de Isidoro e
Gottschalk) negavam que Deus predestinaria ativamente pecadores ao inferno, desde a eternidade, sem
levar em conta suas próprias escolhas. Tal posição está em harmonia com o que havia sido definido no
sínodo de Quierzy, em 850:

Cap. 1. Deus onipotente criou o homem sem pecado, reto e com livre-arbítrio e, querendo que
permanecesse na santidade da justiça, colocou-o no paraíso. O homem, porém, usando mal o
livre-arbítrio, pecou e caiu, e se tornou a ‘massa da perdição’ de todo o gênero humano. Deus
bom e justo escolheu, porém, dessa massa de perdição, segundo sua presciência, os que por
graça predestinou [Rm 8.29s; Ef 1.11] à vida, e predestinou-lhes a vida eterna; dos outros, porém,
que segundo o juízo da justiça deixou na massa da perdição, ele sabia com antecedência que se
perderiam, não porque os tivesse predestinado a se perderem, mas porque, sendo justo, lhes
predestinou uma pena eterna. E por isso falamos, simplesmente, de uma só predestinação de
Deus, que se refere quer ao dom da graça, quer à retribuição da justiça.

Cap. 2. No primeiro homem perdemos o livre-arbítrio, e o recebemos mediante Cristo nosso


Senhor; de uma parte, temos o livre-arbítrio para o bem, prevenido e ajudado pela graça, de outra
temos o livre-arbítrio para o mal, abandonado pela graça. Temos, pois, o livre-arbítrio, porque foi
libertado pela graça e pela graça foi sanado do arbítrio corrompido.14

No afã de provar que os autores antigos não eram “calvinistas” (ou, pelo menos, eram mais próximos do
“arminianismo”), o autor perdeu de vista o que afirmei em meu primeiro texto, quando lembrei que há
diferenças significativas entre os teólogos cristãos, uma constatação que deveria ser óbvia para qualquer
um familiarizado com fontes primárias. Em outras palavras, o que determina o que tal tradição crê (no

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caso, a tradição católica, reformada, luterana, batista, etc.) são seus documentos confessionais, não a
posição de seus teólogos, mesmo dos mais representativos – pois este recurso, via de regra, se vale da
falácia do argumento da autoridade (ad verecundiam) e também suscita a pergunta: por que recorrer a
teólogo tal, quando se pode citar outro teólogo?

2. A ressurgência da soteriologia agostiniana


Silas se equivoca ao supor que dei “a entender que a posição agostiniana referente à (...) Salvação era, se
não majoritária, pelo menos de grande influência na Idade Média, quando, na verdade, ela não foi nem
majoritária, nem de grande influência na época de nenhum desses nomes, mas muito ao contrário”.
Nenhum especialista em história do pensamento cristão fez tal afirmação. Também é evidente para
qualquer estudioso do período medieval que o pelagianismo e o massilianismo (ou “semipelagianismo”)
eram a posição dominante no catolicismo popular medieval, ainda que os principais teólogos do período
seguissem em maior ou menor grau a soteriologia de Agostinho. E é justamente a prevalência do
“semipelagianismo” na igreja medieval que fornece o contexto para que a Reforma Protestante seja
chamada de “renascença agostiniana”15 e o movimento puritano inglês e escocês dos séculos XVI e XVII
seja chamado de “agostinianismo reformado”.16

Assim sendo, é necessário dizer que ainda que quase todos os teólogos reformados e luteranos no
continente, assim como os teólogos puritanos na Inglaterra, fossem firmemente monergistas, há diferenças
de método e ênfase entre eles, como qualquer leitor dos mesmos sabe (pode-se citar, somente a título de
ilustração, Martinho Lutero, Martin Bucer, Ulrich Zwinglio, João Calvino, Teodoro de Beza, William Perkins
e William Ames).

Portanto, mais uma vez: o que define uma tradição não são os escritos dos teólogos que pertencem à
certa tradição, mas sim as confissões de fé que resumem esta tradição. Se o leitor, portanto, quer saber o
que a tradição reformada ensina sobre predestinação, deve ir diretamente à Confissão de Fé de
Westminster (III.1-8), à Confissão Belga (Artigo 16), à Segunda Confissão Helvética (X.1-9) e aos Cânones
de Dort (I.6-18, II.8-9, e rejeições de erros).

3. A progressão do dogma
Em nenhum de meus escritos afirmo algo como uma “forte linhagem histórica calvinista”, como o autor
sugere. Nem mesmo fiz isso em minha avaliação do artigo dele. Na verdade, a meu ver, o maior erro
presente na análise histórica de Silas Daniel é o anacronismo, que “consiste em utilizar os conceitos e
ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo”17 – segundo Lucien Febvre, o pecado mortal
do historiador. Com isso, as nuances e diferenças na soteriologia dos pais latinos e gregos que viveram
antes de Agostinho, assim como dos teólogos medievais, são perdidas, justamente por, no caso, o autor
não permitir aos Pais da Igreja e Medievais falarem, mas tentar impor a estes autores categorias
interpretativas estranhas ao pensamento deles, tais como “cinco pontos do calvinismo” ou do
“arminianismo”. Ele constantemente usa estas categorias de avaliação (ou lentes interpretativas), tentando
achar “textos-prova”, a favor ou contra estes, nos diversos escritores citados. Portanto, o uso destes eixos
interpretativos, de forma anacrônica, torna sua pesquisa histórica comprometida.

Os eixos interpretativos devem ser: monergismo e sinergismo, ou agostinianismo e pelagianismo (e suas


gradações, semiagostinianismo e “semipelagianismo”). Neste sentido, todos os autores que citei afirmaram
uma soteriologia monergística (ainda que com diferenças entre si e inconsistências), e todos os que citei,
em maior ou menor grau, seguiram as formulações de Agostinho sobre a predestinação.18 Deve-se ter em
mente que o autor-chave que mitigou e reinterpretou os ensinos de Agostinho sobre a graça foi Gregório I,
o Grande – e que, junto com Agostinho, é considerado um dos “fundadores da Idade Média” latina.19

O autor cita Jack Cottrell em seu apoio, para afirmar o que deveria ser claro: que nenhum Pai da Igreja
antes de Agostinho cria na predestinação graciosa e soberana, ainda que usem tal fraseologia
ocasionalmente.20 Mas, ao mesmo tempo em que critica Michael Horton, Cottrell (e, parece, Silas, que o
cita) cai no mesmo erro que ele visa corrigir; ele, aparentemente, não faz o serviço completo, ou seja,
demonstrar qual seja a doutrina da salvação dos Pais da Igreja antes de Agostinho.

Por exemplo, a noção de livre-arbítrio em vários dos Pais (Justino, Irene e Tertuliano) estava, na maioria
das vezes, conectada à teodicéia, não à soteriologia. E isso se deu porque a apologética destes Pais era
dirigida contra o determinismo cego presente na cultura greco-romana. Sobre a salvação, em linhas gerais,
os Pais diziam que a antiga lei tinha sido abolida, e o evangelho seria a nova lei. Deste modo, os Pais
ressaltaram a obediência à esta nova lei, bem como a imitação de Cristo, como sendo o caminho da
salvação, e o conteúdo essencial da vida cristã. Mesmo em Agostinho não havia uma noção da imputação
da justiça de Cristo aos pecadores, recebida pela fé somente (um tema-chave da Reforma protestante do
século XVI). Também se enfatizava que o Espírito Santo era recebido por meio do sacramento do batismo.
Em outras ocasiões, a salvação era apresentada em termos de imortalidade e indestrutibilidade, em vez de
perdão dos pecados. E vários dos Pais orientais, mesmo João Cassiano, no ocidente, afirmaram a doutrina
sinergística da theosis, ensinando que a salvação seria adquirida por meio da divinização do homem. Em
linhas gerais, estas várias formulações confundiram os ensinos bíblicos sobre a justificação e a
santificação. Por outro lado, a noção da eleição por meio da presciência divina estava conectada, muitas
vezes, com a previsão de algum tipo de mérito. Justino, por exemplo, afirmou que Deus “prevê que alguns
se salvarão pela penitência”.21 Ainda assim, a morte e a ressurreição de Cristo eram enfatizadas como
constituindo o fundamento da salvação dos homens – mas Cottrell e Silas parecem ignorar estas nuanças,

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que tornam a teologia dos Pais bem diferente da posição arminiana clássica.22

De qualquer forma, duvido que um arminiano genuíno endosse tais posições – e Silas cai na própria
armadilha que visa refutar. Assim sendo, por causa da interpretação anacrônica que arminianos
contemporâneos23 fazem dos escritores cristãos da Antiguidade e do Medievo, variações e diferenças
entre os escritores antigos na soteriologia são ignoradas, justamente por não se permitir que estes
escritores falem, mas por tentar impor categorias interpretativas estranhas ao pensamento deles. Mesmo a
interpretação que Silas oferece de aspectos da soteriologia de Agostinho incorre no anacronismo, pois ele
tenta interpretá-la pela lente dos “cinco pontos do calvinismo”. Uma interpretação da posição de Agostinho,
sucinta, sóbria e muito mais perto da verdade, é sugerida por Colin Brown:

Frequentemente tem sido dito que tanto o catolicismo quanto o protestantismo têm sua origem em
Agostinho. O primeiro obtém dele (mas não exclusivamente dele) seu alto conceito da igreja e dos
sacramentos. O último segue Agostinho na sua visão da soberania de Deus, da perdição do
homem no pecado e da graça de Deus que é o meio exclusivo para trazer a salvação ao homem.
Assim como ocorre a todos os ditados fáceis, esta declaração acerca de Agostinho simplifica
demais. Há, certamente, católicos hoje que compartilham do ponto de vista de Agostinho acerca
da salvação e protestantes que não compartilham dele. Seja como for, porém, foi de Agostinho
mais do que qualquer outro teólogo individualmente que o pensamento medieval recebeu seu
arcabouço teológico de ideias. Mesmo quando pensadores posteriores alteraram a pintura dentro
do quadro, o arcabouço com que começaram foi a teologia da igreja primitiva em geral e a de
Agostinho em particular.24

O que é preciso ter em mente é que os escritos dos Pais da Igreja, especialmente no que se refere ao
ensino da graça antes da controvérsia pelagiana, não pretendiam ser apresentações doutrinárias sobre
salvação no sentido estrito do termo. Como resultado, não se pode esperar deles um quadro completo
destes artigos de fé. Até porque a soteriologia não foi um problema com o qual eles precisaram se
defrontar, já que os principais debates estavam relacionados com a Trindade e a divindade de Cristo – e
resulta daí as tensões e mesmo contradições presentes em seus escritos, quando tratam da soteriologia.

Também é importante destacar que o sínodo de Orange rejeitou o pelagianismo e o “semipelagianismo”


(massilianismo), e a noção de que Deus predestinaria pecadores à perdição. Mas não rejeitou a
predestinação para a vida eterna, e afirmou que a fé seria resultado da ação prévia do Espírito Santo:

[Conclusão redigida pelo bispo Cesário de Arles] Segundo a fé católica cremos também que,
depois de ter recebido a graça pelo batismo, todos os batizados, com o auxílio e a cooperação de
Cristo, podem e devem cumprir quanto diz respeito à salvação da alma, se quiserem empenhar-se
fielmente. Ao contrário, não só não acreditamos que pelo divino poder alguns tenham sido
predestinados ao mal, mas, se há alguns que querem crer em tamanho mal, com toda a
reprovação lhes dizemos: anátema!
Professamos e cremos também, para nossa salvação, que cada boa obra não somos nós a iniciar,
sendo depois ajudados pela misericórdia de Deus, mas que ele, sem que preceda algum mérito
bom, nos inspira antes de tudo a fé e o amor a ele, para que, de uma parte, procuremos com fé o
sacramento do batismo e, de outra, depois do batismo, com seu auxílio possamos cumprir o que
lhe agrada. Por isso, evidentissimamente, é preciso crer que tão admirável fé – seja a do ladrão
que o Senhor chamou para a pátria do paraíso [Lc 23.43], seja a do centurião Cornélio [At 10.3],
seja a de Zaqueu, que mereceu acolher o próprio Senhor [Lc 19.6] – não vem da natureza, mas foi
doada pela generosidade da graça divina.25

O que se rejeitou no Sínodo de Orange, portanto, foi a ideia de que salvação e perdição seriam noções
simétricas. A posição estabelecida neste sínodo foi reafirmada no sínodo de Quierzy, em 853, que rejeitou
o ensino da predestinação à perdição (atribuído a Gottschalk), reafirmando que Deus predestina pela
graça e salva pela misericórdia, e a reprovação é um ato de perfeita justiça, que pronuncia a pena
unicamente para punir a falta, e após a previsão dessa: “Cap. 3. (...) Que alguns sejam salvos é dom
daquele que salva; que alguns ao contrário se percam é culpa dos que se perdem”.26 O sínodo de
Valença, realizado em 855, afirmou: “Cân. 3. (...) Assim professamos com fé a predestinação dos eleitos à
vida e a predestinação dos ímpios à morte; na eleição dos que devem ser salvos, a misericórdia de Deus
precede o mérito, mas na condenação dos que perecerão, o desmérito precede o juízo de Deus”.27

4. Distorcendo a soteriologia luterana


Em suas réplicas, Silas Daniel insiste que a tradição confessional luterana se tornou sinergista, sem a
citação de uma única fonte primária.28 Portanto, sendo a tradição luterana confessional, serão feitas
citações diretas de fontes primárias, os documentos reunidos no Livro de Concórdia, para mostrar que esta
tradição é monergística, ainda que distinta e crítica da fé reformada.29

Silas Daniel cita uma imensa lista de fontes secundárias – todas em inglês (até onde percebi), mesmo
quando já traduzidas para o português, o que dificulta ao leitor sem domínio daquele idioma o acesso às
mesmas para checar as fontes citadas. Um exemplo problemático é o uso que ele faz de Herman Bavinck.
Em seu texto “Em defesa do arminianismo”, ele, se apoiando no teólogo holandês, afirmou que Lutero
“abrandou a sua posição afirmada em De servo arbítrio”.30 Na verdade, Bavinck afirma que “embora em
suas polêmicas com os anabatistas [Lutero] tenha enfatizado cada vez mais a revelação de Deus na

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Palavra e nos sacramentos, ele nunca reverteu sua posição sobre predestinação”.31 Em uma de suas
respostas, Silas, que havia se apoiado anteriormente em Bavinck, surpreendentemente, escreve que
“quanto à afirmação de Bavinck de que os ‘verdadeiros luteranos’ rejeitaram o sinergismo de Melanchthon,
trata-se de uma tremenda distorção da história”.32 A impressão que dá é que o autor mencionou Bavinck
apenas quando a citação aparentemente favoreceu o seu argumento.

Deste modo, lembrando do princípio de que para tratar de temas teológicos controversos deve-se começar
com o que afirmam as confissões de fé que resumem as posições das tradições estudadas, passemos às
citações dos escritos confessionais luteranos contidos no Livro de Concórdia.

4.1. A tradição luterana é monergista. Isto pode ser conferido na Fórmula de Concórdia XI.1-14, no capítulo
que trata “da eterna presciência e eleição de Deus”, que afirma que “sobre este artigo não ocorreu
dissensão pública entre os teólogos da Confissão de Augsburgo”. E continua:

A presciência de Deus nenhuma outra coisa é senão isso que Deus sabe todas as coisas antes de
elas acontecerem... (...) Se estende igualmente sobre os bons e os maus, não sendo, porém,
causa do mal nem do pecado... (...) Também não é a causa da perdição dos homens, pela qual
eles mesmos são culpados. A presciência de Deus apenas regula o mal e lhe fixa limite quanto à
duração, fazendo com que tudo, não obstante seja mau em si mesmo, sirva à salvação de seus
eleitos.

Por fim, pode-se ler na Fórmula de Concórdia XI.2-4, 14:

A predestinação ou eterna eleição de Deus, entretanto, diz respeito apenas aos piedosos,
agradáveis filhos de Deus, sendo uma causa da salvação deles, a qual ele também provê, e
ordena o que a ela pertence. Sobre ela, nossa salvação se funda de maneira tão firme que ‘as
portas do inferno não prevalecerão contra ela’. (...) Com essa breve explicação da eterna eleição
de Deus, dá-se a Deus sua honra inteira e plenamente, que ele, somente por sua pura
misericórdia, sem qualquer mérito nosso, nos salva ‘segundo o propósito’ da sua vontade. Além
disso, também não se dá a ninguém causa para pusilanimidade ou vida rude, desenfreada.

Por meio de negativas, é rejeitada a ideia de uma dupla predestinação simétrica (predestinatio gemina),
seguindo as deliberações afirmadas nos sínodos de Quiercy e Valença. Na Declaração Sólida XI, “da
eterna presciência e eleição de Deus”, tal posição é detalhadamente reafirmada. Um trecho basta:

Essa é a extensão em que o mistério da predestinação nos é revelado na palavra de Deus. E se a


isso nos restringimos e ativermos, deveras, é doutrina útil, salutar e confortadora, pois que mui
poderosamente confirma o artigo de que somos justificados e salvos sem qualquer obra e mérito
nosso, exclusivamente pela graça, tão-só por causa de Cristo. Antes do tempo do mundo, antes
de existirmos, ‘antes da fundação do mundo’, quando, naturalmente, nada de bom poderíamos ter
feito, fomos eleitos, por graça, em Cristo, para a salvação, ‘segundo o propósito de Deus’, Rm 9; 2
Tm 1. Isso também derruba todas as opiniones e doutrinas errôneas sobre os poderes de nossa
vontade natural, porque, em seu conselho, Deus resolveu e decretou, antes do tempo do mundo,
que, pelo poder de seu Santo Espírito, mediante a palavra, ele mesmo quer criar e operar em nós
tudo o que pertence à nossa conversão.

Portanto, aqueles familiarizados com a tradição confessional luterana sabem que esta, ainda que tendo
agudas diferenças em relação à tradição reformada, é monergística.33

4.2. Por defender uma interpretação anacrônica da controvérsia soteriológica, o autor insiste que os Artigos
de Esmacalde III.40-45 ensinariam a “crença de Lutero na possibilidade de um cristão genuíno cair da
graça”, quando o luteranismo oferece outra possibilidade de compreensão da segurança da salvação. Os
artigos ensinam:

E esse arrependimento perdura nos cristãos até a morte, pois que briga com o pecado que
remanesce na carne ao longo da vida toda, como S. Paulo testifica em Rm 7 que guerreia contra a
lei de seus membros, etc. E isso não o faz mediante forças próprias, senão pelo dom do Espírito
Santo, dom que se segue o perdão dos pecados. Esse dom purifica e varre diariamente os
pecados remanescentes e opera no sentido de tornar o homem bem puro e santo.

Disso nada sabem nem papa, nem teólogos, nem juristas, nem homem algum. É doutrina do céu,
revelada pelo evangelho. E ela tem de suportar o ser chamado de heresia entre os santos ímpios.

Por outro lado, é possível que venham alguns espíritos sectários – e talvez já estejam presentes
alguns, tais como os que no tempo da insurreição [a Guerra dos Camponeses, de 1525] me
surgiram a mim mesmo diante dos olhos – e sustentem a seguinte opinião: Todos aqueles que
alguma vez hajam recebido o Espírito ou o perdão dos pecados, ou que se hajam alguma vez
tornado crentes, esses, caso pequem depois disso, mesmo assim permanecerão na fé, e tal
pecado não lhes fará mal. E, de acordo com isso, berram: ‘Faze o que quiseres; se crês, nada
importa; a fé extingue todo pecado’, etc. Dizem, além disso, que nunca teve de modo verdadeiro o
Espírito e a fé aquele que peca depois da fé e do Espírito. Tais criaturas insanas têm-me
aparecido muitas pela frente, e temo que esse demônio ainda esteja alojado em algumas.

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Por isso é necessário saber e ensinar: pessoas santas ainda têm e sentem o pecado original e,
diariamente, se arrependem e lutam contra ele. Se, à parte disso, lhes acontece caírem em
pecado manifesto, como por exemplo, Davi, em adultério, em assassínio e em blasfêmia, então a
fé e o Espírito estiveram ausentes. Pois o Espírito Santo não permite que o pecado governe e
prevaleça, de modo que seja consumado, porém reprime e resiste, de forma que não pode fazer o
que quer. Se, porém, fizer o que é de sua vontade, então o Espírito Santo e a fé não estão
presentes. Porquanto São João diz: ‘Pois quem é nascido de Deus não peca e não pode pecar’.
Contudo, também é verdade, conforme escreve o mesmo São João: ‘Se dissermos que não temos
pecado nenhum, mentimos, e a verdade de Deus não está em nós’.

Tal declaração deve ser lida em contexto, isto é, as controvérsias com os vários grupos anabatistas,
chamados coletivamente pelos reformadores alemães de “entusiastas” (Schwärmer ou Schwärmertum,
sinônimo de “fanáticos”). Numa nota de rodapé do Livro de Concórdia, comentando a frase “então o
Espírito Santo e a fé não estão presentes”, cita-se Gottfried Noth, que afirmou que “M. Chemnitz repetidas
vezes apela para esse passo dos Artigos de Esmacalde, interpretando-o, porém, mal, como se Lutero
quisesse dizer que pecados grosseiros liquidam a fé”.

Para entender o que a tradição luterana confessional defende sobre a fé e a certeza da salvação, pode-se
ir a John Theodore Mueller, que escreve: “Se os papistas e protestantes romanizantes negam que o crente
possa estar certo de sua salvação, é porque ensinam que a salvação, ao menos em parte, depende das
boas obras do crente. (...) Todo aquele que crê em Cristo com sinceridade está seguro de seu estado de
graça e salvação; pois o Espírito Santo, que nele gerou fé pelo Evangelho, por essa mesma fé lhe dá
certeza de que é filho de Deus e herdeiro da vida eterna”. Mas, para Mueller, há que se fazer uma distinção
entre a primeira conversão, e a conversão continuada, que “jamais está completa enquanto [a pessoa que
crê em Cristo] vive no mundo”. Esta conversão continuada não é um processo de santificação interna, mas
um viver na confiança na salvação obtida objetivamente na Palavra e nos sacramentos. Portanto, “o fato
de aqueles que crêem em Cristo poderem cair da graça ou perder a fé constitui doutrina clara da Bíblia”,
ainda que seja “preciso manter que podem se converter de novo (...) os que caíram na fé”. Esse autor, em
sua obra, critica o entendimento reformado da perseverança, pois esta nega “a gratia universalis”. Mas
rejeita a compreensão sinergista da perseverança, pois esta nega “o sola gratia”, ensinando que “o
pecador tem de entrar com a sua quota a bem de se tornar cristão, assim como também tem de cumprir
com a sua parte para poder perseverar na fé”. De acordo com Mueller, “o monergismo divino é, também,
responsável pela conservação para a salvação”.34

Para a tradição luterana, a santificação (que é interna) não pode ser a base da certeza da salvação, mas a
segurança da salvação é dada externamente, na Palavra e nos sacramentos. Como Lutero afirmou no
Catecismo Maior:

Assim, a fé se apega à água, crendo que é o batismo, em que há pura salvação e vida. (...) Não
pela água, mas (...) porque está unida à palavra e ordem de Deus... (...) Se creio isso, em que
outra coisa creio senão em Deus, como aquele que deu e implantou sua palavra no batismo... (...)
De forma nenhuma se há de considerar o sacramento como se fosse coisa prejudicial, da qual
cumprisse fugir, mas como medicina inteiramente salutar [ou salvadora] e consoladora, que te
ajuda e te dá a vida tanto na alma quanto no corpo.

4.3. Sobre Lutero, deve ser óbvio, a esta altura, que é muito mais fácil afirmar que supostamente houve
mudança ou abrandamento no pensamento do reformador do que interagir com a robusta exegese que ele
ofereceu ao texto bíblico, não só em Da vontade cativa, mas também em suas preleções à Epístola do
Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos e no Comentário à Epístola aos Gálatas.35 Assim sendo,
me parece apropriado encerrar esta seção com uma citação do Prefácio à Epístola de S. Paulo aos
Romanos, escrita em 1522, e revisada em 1546, ano da morte do reformador:

Nos capítulos 9, 10 e 11, (...) [Paulo] ensina a eterna predeterminação de Deus. Desse conceito
provém originalmente a distinção entre quem há de crer e quem não há, quem se pode livrar de
pecados ou não. Com ele está de todo fora do nosso alcance e exclusivamente nas mãos de
Deus, que nos tornemos retos. E isso é de suma necessidade. Pois somos tão fracos e inseguros
que, se dependesse de nós, naturalmente nem uma pessoa sequer se salvaria e o diabo com
certeza a todas sobrepujaria. Mas, como para Deus é certo que não falhará aquilo que ele
predetermina, tampouco alguém o pode impedir, ainda temos esperança contra o pecado.

Entretanto, há que se pôr um limite aos espíritos injuriosos e arrogantes que, primeiro, dirigem seu
raciocínio para este ponto, começam por pesquisar o abismo da predeterminação divina e se
preocupam em vão com a pergunta, se estão predeterminados. Esses então têm que se humilhar
a si mesmos de forma a desesperar ou a pôr tudo em jogo. Tu, porém, segue esta carta em sua
sequência, ocupa-te primeiro com Cristo e o Evangelho. Nele, reconhecerás teu pecado e a graça
do Evangelho. Em seguida, combate o pecado, como o ensinaram aqui os caps. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7
e 8. Depois, tendo chegado ao 8º capítulo, sob cruz e sofrimento, isso te ensinará a entender tão
bem a predeterminação nos cap. 9, 10 e 11. E como ela é consoladora! Pois, sem sofrimento, cruz
e aflições de morte não se pode tratar da predeterminação, sem juízo e indignação oculta contra
Deus. Por isso, o [velho] Adão precisa estar morto antes de suportar essa coisa e tomar o vinho
forte. Toma cuidado, portanto, que não bebas vinho enquanto ainda és lactente. Todo
ensinamento tem sua medida, tempo e idade.36

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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão
Conclusão
É necessário deixar claro que calvinistas não tratam o arminianismo como herético. Ou, pelo menos, não
deveriam.37 Por exemplo: Agostinho, refutou os erros dos massilianos (“semipelagianos”) em duas obras
(A predestinação dos santos e O dom da esperança), mas tratou-os como irmãos ou amigos errados, não
como hereges. William Ames, um dos mais influentes teólogos reformados, e que foi conselheiro do
presidente do Sínodo de Dort, Johannes Bogerman, escreveu que o arminianismo “não é corretamente
uma heresia, mas um erro perigoso na fé”.38

John Wesley reconheceu, em 1745, que sua teologia estava “a um fio de cabelo” do pensamento de João
Calvino:39 “Ao atribuir todo o bem à livre graça de Deus. Ao negar o livre-arbítrio natural e o poder
antecedente à graça. E, ao excluir o mérito humano; mesmo para o que ele realizou ou pratica pela graça
de Deus”.40 Isso é exemplificado numa conversa que Charles Simeon teve com Wesley, em 1784:

Senhor, sei que o chamam de arminiano; e algumas vezes sou chamado de calvinista; portanto,
deveríamos desembainhar as espadas. Porém, antes de consentir em iniciar o combate, permita-
me fazer-lhe algumas perguntas (...). Diga-me: o senhor se sente uma criatura depravada, tão
depravada que nunca teria pensado em voltar-se para Deus, se ele não tivesse colocado isso em
seu coração?
Sim [replicou o veterano], sinto-o realmente.
E não tem esperança alguma de tornar-se aceitável perante Deus por qualquer coisa que possa
fazer por si; e espera na salvação exclusivamente através do sangue e da justiça de Cristo?
Sim, unicamente por meio de Cristo.
Mas, senhor, supondo-se que foi inicialmente salvo por Cristo, não poderia de alguma outra forma
salvar-se depois, através de suas próprias obras?
Não, mas terei de ser salvo por Cristo do princípio ao fim.
Admitindo, portanto, que foi inicialmente convertido pela graça de Deus, o senhor, de um modo ou
de outro não tem que se manter por suas próprias forças?
Não.
Nesse caso, então, o senhor tem que ser mantido, cada hora e momento, por Deus, tal como uma
criança nos braços de sua mãe?
Sim, inteiramente.
E toda sua esperança está firmada na graça e misericórdia de Deus, para ser preservado até o
seu reino celeste?
Sim, não tenho esperanças senão nele.
Então, senhor, com sua permissão embainharei novamente a minha espada; pois este é todo o
meu calvinismo; esta é a minha eleição, minha justificação pela fé, minha perseverança final; em
suma, é tudo quanto sustento, e como o sustento; portanto, se lhe parecer bem, em lugar de
buscarmos termos e frases que serviriam de base para luta entre nós, unamo-nos cordialmente
naquelas coisas sobre as quais concordamos.41

O grande desejo de John Wesley, ao qual ele devotou sua vida, foi pregar “as três grandes doutrinas
bíblicas: o pecado original, a justificação pela fé e a consequente santidade”.42 Que Deus nos dê de seu
Espírito Santo para não apenas confessar tais doutrinas, mas pregá-las com zelo e paixão nesta época em
que a igreja cristã é desafiada e confrontada com um ambiente cultural e político cada vez mais hostil à fé
evangélica.

_________________________
1As várias respostas de Silas Daniel podem ser lidas aqui: http://www.cpadnews.com.br/blog/silasdaniel/.
2Cf. especialmente: http://bereianos.blogspot.com.br/search/label/Molinismo. Há escritos proveitosos de
Joseph Nally, James Anderson, John Frame, Herman Bavinck, Matthew McMahon, Paul Helm e François
Turretini. Cf. também Franklin Ferreira & Alan D. Myatt, Teologia sistemática (São Paulo: Vida Nova, 2008),
p. 340-341.
3Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral (São Paulo: Paulinas & Loyola, 2013),
374.
4Este texto foi publicado no hotsite das Obras de Armínio, da CPAD, sem nenhuma das correções que ele
ofereceu em seus artigos posteriores. A única aparente diferença entre o texto como publicado em O
Obreiro Aprovado e no hotsite da CPAD é o subtítulo de uma das seções do texto: “Lutero: de ‘calvinista’,
no início, a quase ‘arminiano’ no final da vida”. O advérbio “quase” foi acrescentado no texto publicado no
site.
5E não só entre eles, mas entre Martinho Lutero, João Calvino e Jonathan Edwards. cf. R. C. Sproul, Sola
Gratia: a controvérsia sobre o livre-arbítrio na história (São Paulo: Cultura Cristã, 2001).
6Philotheus Boehner e Etienne Gilson, História da filosofia cristã (Rio de Janeiro: Vozes, 2004), p. 139.
7cf. Homens e mulheres da Idade Média (São Paulo: Estação Liberdade, 2013), p. 13. Cf. também Steven
P. Marrone, “A filosofia medieval em seu contexto” em: A. S. McGrade (org.), Filosofia medieval (Aparecida:
Ideias & Letras, 2008), p. 27-70; Josep-Ignasi Saranyana, La filosofía medieval: desde sus orígenes
patrísticos hasta la escolástica barroca (Eunsa, Pamplona 2003), Parte I, § 20-21; Etienne Gilson, A
filosofia na Idade Média (São Paulo: Martin Fontes, 2001), p. 129-159; D. W. Hamlyn, Uma história da
filosofia ocidental (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990), cap. 7, etc.
8cf. Giovanni Reale & Dario Antiseri, História da filosofia. v. 2 (São Paulo: Paulus, 2003), p. 84.
9Várias citações de Próspero podem ser encontradas em Jaroslav Pelikan, A tradição cristã, v. 1 (São

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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão
Paulo: Shedd, 2014), p. 321-333. Em um de seus textos, Silas Daniel faz várias citações de Próspero a
favor daquilo que é chamado de “universalismo hipotético”, e que não provam nada. As citações não
demonstram que tal posição é incompatível ou é uma ruptura com o monergismo que ele herdou de
Agostinho, e do qual foi firme defensor. Cf., por exemplo, Jordan Cooper, “Predestination, Grace, and Free
Will in the Thought of St. Prosper of Aquitaine and C.F.W. Walther: A Comparison and Evaluation”, em
http://www.logia.org/logia-online/650. Para a mudança de ênfase em Próspero, cf. especialmente Francis
Gumerlock, “The Romanization of Prosper of Aquitaine's Theology of Grace”, em:
http://francisgumerlock.com/wp-content/uploads/Romanization-of-Prospers-Doctrine-of-Grace-NAPS-
paper.pdf.
10Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, p. 139.
11Cf. Jaroslav Pelikan, A tradição cristã, v. 3 (São Paulo: Sheed, no prelo), passim.
12cf. Alister McGrath, Origens intelectuais da Reforma (São Paulo: Cultura Cristã, 2007), p. 124-125, 171-
174.
13Datada de 8 de junho de 1725; cf. Charles Wallace Jr. (ed.), Susanna Wesley: The Complete Writings
(Oxford: Oxford University Press, 1997), p. 107-109.
14Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, 621-621.
15cf. Timothy George, Teologia dos reformadores (São Paulo: Vida Nova, 1993), p. 50.
16cf. J. I. Packer, “Os puritanos”, Robin Keeley (org.), Fundamentos da teologia cristã (São Paulo: Vida,
2000), p. 313-314.
17Cf., por exemplo, Adelar Heinsfeld, A inspiração de Clio: uma introdução ao estudo da história (São
Paulo/Passo Fundo: DPP/PPGH-UPF, 2013), p. 53.
18cf. a tabela em Reginald Garrigou-Lagrange, Grace: Commentary on the Summa Theologica of St.
Thomas, ch. 1, em: https://www.ewtn.com/library/Theology/grace1.htm.
19cf. J. LeGoff, Homens e mulheres da Idade Média, p. 60.
20cf. 1 Clemente, 1.1; 6.1; 29.1; 46.4; 50.6-7.
21cf. 1 Apologia, 28.2.
22Para a soteriologia dos Pais da Igreja, cf. J. N. D. Kelly, Patrística (São Paulo: Vida Nova, 1994), caps.
13-14; Jaroslav Pelikan, A tradição cristã, v. 1, cap. 6.
23E mesmo calvinistas, como Steven J. Lawson, no irregular Pilares da graça, v. 2 (São José dos Campos:
Fiel, 2013).
24Filosofia e fé cristã (São Paulo: Vida Nova, 2009), p. 19.
25Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, 397.
26Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, 623.
27Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, 628. O leitor deve ter em mente que,
muito embora a tradição católica tenha aceitado certas formulações dos escritos tardios de Agostinho, os
interpretou dentro da doutrina sacramental-cristológica e do conceito de predestinação individual-
corporativa, de modo que Deus não predestinaria indivíduos que não estivessem ligados à igreja visível
pelo batismo – e a noção de igreja visível é uma doutrina essencial para a tradição católica. Além disso,
sínodos como os de Orange, de Valença e de Quierzy não foram ecumênicos (universais) e são, para
tradição católica, interpretados pela autoridade dos concílios ecumênicos.
28O pastor luterano Daniel Branco, da Congregação Luterana da Reforma, de Fortaleza-CE, refutou
vigorosamente esta distorção, em dois textos que permanecem sem resposta, e que podem ser lidos no
portal luterano Catequese confessional: http://catequeseconfessional.blogspot.com.br/2015/08/luteranismo-
calvinismo-e-arminianismo.html e http://catequeseconfessional.blogspot.com.br/2015/08/luteranismo-
calvinismo-e-arminianismo_22.html. Para um ótimo resumo das diferenças entre luteranos e calvinistas, cf.
Brian W. Thomas, Wittenberg vs. Geneva (Irvine: New Reformation 2015). De forma irênica, o autor trata
das diferenças das duas tradições quanto às doutrinas da expiação, predestinação, sacramentos e
apostasia.
29Todos os trechos de documentos confessionais aqui publicados são citados do Livro de Concórdia: as
confissões da Igreja Evangélica Luterana (Porto Alegre/São Leopoldo/Canoas: Concórdia/Sinodal/Ulbra,
2006).
30O título nas Obras Selecionadas de Martinho Lutero (São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia,
1993), v. 4, é Da vontade cativa, p. 11-216.
31Teologia Sistemática, v. 2 (São Paulo: Cultura Crista, 2012), p. 364.
32A citação de Bavinck, rejeitada por Silas Daniel como “tremenda distorção da história”, é: “Esse
sinergismo (...) foi firmemente rejeitado pelos ‘verdadeiros’ luteranos: Flacius, Wigand, Amsdorf, Heshusius
e outros” (p. 364-365).
33Para uma exposição do pensamento de Lutero sobre a predestinação, cf. Paul Althaus, A teologia de
Martinho Lutero (Canoas/Porto Alegre: ULBRA/Concórdia, 2008), p. 291-303. Esta obra basilar para o
estudo de Lutero não é citada uma única vez nos textos de Silas Daniel.
34Dogmática cristã (Canoas/Porto Alegre: ULBRA/Concórdia, 2004), p. 320, 322, 341, 413-417. Em linhas
gerais, como o pastor luterano Daniel Branco escreveu, em correspondência particular, “o calvinismo e o
movimento evangélico trabalham em categorias como o Ser/Ontologia/Lógica. Por isso, é mais Ocidental.
O luteranismo também trabalha com o não-ser e o vazio. Por isso, é mais Oriental/Místico. O esvaziamento
ou aniquilamento do antagonismo entre a pessoa humana e Deus vem da lei. A lei pode fazer a pessoa
anular-se/autonegar-se diante dos seus pecados, mas esse esvaziamento não salva. O salvo não apenas
deixa de desagradar a Deus (esvaziamento), mas deve agradá-lo positivamente (recebimento da fé). Em
outras palavras, o processo de esvaziamento não pode ser confundido com salvação, pois vem da lei,

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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão
enquanto que a fé outorgada ao esvaziado vem da graça. Não há decisão de salvar-se pelo
esvaziamento. A lei pode levar o homem à auto-anulação, mas isso nada tem a ver com a graça bíblia.
Deus usa a lei de um modo e a graça de outro. A graça é dada ao esvaziado pela lei sem que o mesmo
tenha qualquer decisão na salvação. Desse modo, o salvo objetivamente não vive em si mesmo, mas em
Cristo. Ele tem duas vidas: a nova (em Cristo) e a velha (a do velho homem). Ele pode, porém, voltar a si
mesmo e sair de Cristo (perder a salvação). Mas voltar a Cristo não é uma segunda salvação (no sentido
de requerer que a substituição de Cristo seja repetida), pois é na nadificação (supressão de obras) que o
salvo se torna um não-ser no ser de Cristo. A doutrina luterana aqui se assemelha à doutrina ortodoxa da
theosis”.
35Curiosamente, a editora Reflexão publicou no Brasil a obra editada por E. Gordon Rupp e Philip S.
Watson, Luther and Erasmus: Free Will and Salvation, sem o texto do reformador alemão. O título nacional
é, simplesmente, Erasmo: livre-arbítrio e salvação.
36Obras Selecionadas de Martinho Lutero (São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia, 2003), v. 8, p.
139.
37Cf. o sábio alerta de Grant R. Osborne, 3 perguntas cruciais sobre a Bíblia (São Paulo: Vida Nova, 2014),
p. 164: “Não sabemos ao certo como determinar um dogma, especialmente como obtê-lo a partir das
Escrituras; e não sabemos como distinguir doutrinas centrais daquelas doutrinas sobre as quais devemos
concordar em discordar. Existem mais caçadores de heresias por aí do que jamais existiu na história
recente, e ainda assim existe menos consciência teológica na maioria das igrejas do que em qualquer
outro período do último século. É uma dicotomia estranha – temos mais material sobre a Bíblia e a teologia
do que nunca, mais interesse em estudos bíblicos, e ainda assim temos menos conhecimento da Bíblia e
de teologia”.
38William Ames, De conscientia et eius iure vel casibus: libri unique, IV.4.10, em: John Dykstra Eusden,
“Introduction” em William Ames, The marrow of theology, p. 7-8. Ainda que o “arminianismo de coração”
(Roger Olson, Teologia arminiana: mitos e realidades [São Paulo: Reflexão, 2013], p. 23, etc.) seja uma
interpretação evangélica legítima, suas fraquezas intrínsecas terminam por, não raro, abrir as portas à
teoria governamental da expiação (Hugo Grotius), à negação da justificação pela graça recebida por fé
somente (John Fletcher, E. P. Sanders, James D. G. Dunn), o teísmo aberto (David Basinger, John
Sanders, Greg Boyd, Clark Pinnock) e a defesa de algum tipo de purgatório (Jerry Walls). Especialmente
os “arminianos de cabeça”, mas também “arminianos de coração” e mesmo calvinistas têm pendido para o
liberalismo teológico quando abrem espaço para a noção de autonomia ou libertarianismo libertário. Talvez
o exemplo mais premente seja Clark Pinnock.
39Letters [of John Wesley], v. 4, p. 298.
40The Works of John Wesley, v. 8, p. 284-285.
41J. I. Packer, Evangelização e a soberania de Deus (São Paulo: Cultura Cristã, 2012), p. 13. Citado de
Horae Homileticae, Prefácio: I.vii s. A data desta conversa, segundo o Wesley’s Journal, foi 20 de
dezembro de 1784.
42The Works of John Wesley, ibid.

 
3 COMENTÁRIO(S)

Marcos Bandeira | Três Corações/MG | 11/11/2015 12:50:04


Também creio que deveríamos nos concentrar em, juntos, pregarmos aquelas doutrinas mais fundamentais da fé
cristã. Quando a esse debate o que mais tenho visto é a criação de caricaturas de ambos os lados, falta de educação
e respeito, muita arrogância e em alguns casos já cheguei a ver demonstração de ódio. Não deveríamos chamar
nossos irmãos, sejam calvinistas ou arminianos, de irmãos errados, são apenas irmãos com um ponto de vista
diferente e ambos recorrem a Bíblia para sustentá-lo.

Marcos Bandeira | Três Corações/MG | 11/11/2015 12:51:40


O que na realidade precisamos é de mais calvinistas como George Whitfield e de mais arminianos como John Wesley,
ou seja, cristãos que se preocupam com o essencial da fé cristã e pautam suas vidas nisso.

antonio roberto souza souza | LAJE-BA/BA | 02/12/2015 12:59:07


muito bom tais comentários sobre arminiano e calvinista. desejo receber outras informações sobre acontecimento
baseado na bíblia sagrada.

 
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AUTOR
 

Franklin Ferreira
Bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia da Universidade
Presbiteriana Mackenzie e Mestre em Teologia pelo Seminário Teológico
Batista do Sul do Brasil. É diretor e professor de teologia sistemática e
história da igreja no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos,
São Paulo, e consultor acadêmico de Edições Vida Nova. Autor de vários
livros, entre eles Teologia Sistemática (este em coautoria com Alan
Myatt), A Igreja Cristã na História, Avivamento para a Igreja, Contra a
Idolatria do Estado e Pilares da fé, publicados por Edições Vida Nova, e
Servos de Deus e O Credo dos Apóstolos, publicados pela Editora Fiel.

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"ERGA A VOZ:" A VIOLÊNCIA, A IDEOLOGIZAÇÃO DO DEBATE E UMA


OPORTUNIDADE PARA A IGREJA CRISTÃ
A melhor forma de abordar o tema da violência é começar por relembrar reverentemente as vítimas - que, pelo menos
nesta vida, não receberão a justiça e vindicação...
por: Franklin Ferreira
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FRANKLIN FERREIRA: AVIVAMENTO PARA A IGREJA ATRAVÉS DA ORAÇÃO E DA


BUSCA PELO ESPÍRITO SANTO
por: Franklin Ferreira
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A CELEBRAÇÃO DO DRAMA DA REDENÇÃO: ESBOÇO DE UM SERMÃO PARA O NATAL


As imagens de Cristo no Brasil se resumem a retratá-lo como o bebê inofensivo na manjedoura, numa espécie de mágico
ou guru ou na figura impotente sangrando na cruz. A partir destas caricaturas...
por: Franklin Ferreira
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O USO DOS SALMOS NA DEVOÇÃO CRISTÃ


Durante quase dois mil anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em
resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação ao Deus trino...
por: Franklin Ferreira
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UMA FILOSOFIA DO MINISTÉRIO PASTORAL


Já que toda a prática é a prática de alguma teoria, é preciso articular claramente a base teológica da prática
ministerial...
por: Franklin Ferreira
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EDUCAÇÃO TEOLÓGICA E MISSÃO: UMA RESPOSTA AO ARTIGO DE JUNG MO SUNG


Recentemente, foi publicada no Brasil uma coletânea de ensaios intitulada Missão e educação teológica (São Paulo: ASTE,
2011). Em um dos capítulos dessa obra, intitulado
por: Franklin Ferreira
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ESTER: MAIS QUE UM ROSTO BONITO


Em 2007 estreou no cinema o filme 300 de Esparta. A turma politicamente correta detestou o filme - e não foi à toa.
Nele, os militares não são covardes armados, os políticos pacifistas...
por: Franklin Ferreira
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DO FUNDAMENTALISMO AO LIBERALISMO SEM NUNCA TER PASSADO PELA


REFORMA - OU, PARA ONDE CAMINHA A IGREJA BRASILEIRA?
Espanta-me nos debates teológicos recentes a falta de referência à Escritura...
por: Franklin Ferreira
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A GLÓRIA DE DEUS NO CHAMADO PARA PREGAR ÀS NAÇÕES


Gostaria de usar o texto de Jeremias 1.4-19 para tratar de três temas vitais ao ministério cristão de ensino: vocação, a
pregação e seu conteúdo e a coragem necessária para permanecer firme...
por: Franklin Ferreira
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O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO DA PALAVRA


Nas Escrituras, do começo ao fim, Deus é o Senhor que chama. Ele chama graciosamente pecadores ao arrependimento e
à fé em Cristo...
por: Franklin Ferreira
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A NOVA PERSPECTIVA DE PAULO


Krister Stendahl publicou, no começo de 1970, o livro Paul Among Jews and Gentiles, em que sugeriu que a interpretação
tradicional usava as lentes de Lutero e da Reforma para interpretar Paulo...
por: Franklin Ferreira
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TEÍSMO ABERTO
Durante mais ou menos dois mil anos a igreja cristã, em todas as suas vertentes, confessou unanimemente crer em Deus-
Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra. Essa sempre foi (e é) uma questão...
por: Franklin Ferreira
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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão

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