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20/09/2018 Teologia Brasileira - Artigo: Introdução crítica ao Molinismo - parte 1

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Introdução crítica ao Molinismo - parte 1 Corpo editorial Edição atual
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Entrevista Teologia
Molinismo é o nome dado ao sistema de teologia e filosofia do Espiritualidade Teologia histórica
jesuíta espanhol Luis de Molina (1535 – 1600) que procura Família Vídeos
História da igreja
reconciliar ou solucionar o problema da presciência de Deus e da
liberdade humana.

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Nas últimas décadas com o advento da filosofia analítica da religião,
Palavra:
antigos temas que haviam sido deixados de lado após o ataque do
positivismo lógico, voltam aos estudos com mais vigor pela mesma OK

utilização da análise linguística.  


Articulista:
Entre esses temas, o antigo dilema da presciência divina e da
Rômulo de Medeiros Louren OK
liberdade humana encontra-se redivivo pelas mãos do filósofo
cristão Alvin Plantinga (1932 –). Depois de pouco mais de
quatrocentos anos, o debate em torno do problema do mal e livre-
arbítrio ressurgiu nas páginas de seu livro The Nature of Necessity Mais lidos
(Clarendon Press, Oxford, 1974). No ano anterior, no Concílio para Estudos Filosóficos do Instituto
Summer em Filosofia da Religião, Plantinga apresentou uma versão da Defesa do Livre-Arbítrio sobre o
Problema do Mal.1 Naquela ocasião, Plantinga apresentou sua versão baseando-se na premissa da
acompanhe
existência de contrafactuais de liberdade2 e que a onisciência de Deus inclui o conhecer os valores de
verdade3 desses contrafactuais.

Plantinga reconhece que, ao apresentar sua palestra, fora advertido por Anthony Kenny que ele era um
“Molinista”, ao que Plantinga respondeu: “Eu não estava certo se aquilo era uma aprovação ou
condenação.”4

Até então, o Molinismo, a despeito de sua sofisticação filosófica ou teológica, estava, para usar as palavras
de Ken Perszyk,5

relegado a um canto escuro e empoeirado de um museu na história da teologia filosófica, não Instalar o Flash
fosse a ‘reinvenção’ de Plantinga no curso de seu desenvolvimento da Defesa do Livre-Arbítrio
contra o Argumento Lógico do [problema do] Mal na década de 1970.

É importante recolocar essa história porque Plantinga é considerado “o principal filósofo de Deus”,6
responsável pelo reavivamento da filosofia cristã nos últimos quarenta anos.

Embora criado na tradição reformada holandesa – no Calvinismo histórico – Plantinga, aos oito ou nove
anos de idade, começou “a entender e pensar seriamente sobre o assim chamado Cinco Pontos do
Calvinismo”, o que o levou a pensar, especificamente a partir da doutrina da Depravação Total, “que todo
mundo era completamente ímpio, completamente mau, não melhor que Hitler ou Judas” e isso parecia-lhe
confuso e difícil de acreditar.7 Aliado a isso, um dos principais interesses de Plantinga que, como ele diz, o
“tem me perturbado e tem sido fonte de genuína perplexidade” é a “existência de certos tipos de mal” e
isso continuou “profundamente desconcertante” mantendo seu foco mesmo quando mudara para Notre
Dame em 1982, depois de quase vinte anos ensinando no Calvin College.8

É nesse contexto de perplexidade que devemos entender o ressurgimento do Molinismo e isso da parte de
um cristão criado na tradição reformada, e também uma vez que Plantinga entende que o problema do
mal, talvez “constitua a objeção mais formidável às crenças teístas”.9

O objetivo do presente artigo é apresentar os contornos críticos do Molinismo. Embora seja primariamente
histórico, não será menos crítico em avaliar alguns aspectos do Molinismo, especialmente aquele
relacionado ao Conhecimento de Deus. Esperamos, para em breve, novos artigos, aprofundando as
críticas das perspectivas teológicas, exegéticas e filosóficas ao Molinismo.

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Se eu estiver certo em minhas pesquisas, o Molinismo não é uma opção protestante, nem para Calvinistas,
nem para Arminianos, e com sérias inconsistências internas.

Breve Resumo Biográfico de Luis de Molina


Luis de Molina nasceu em Cuenca, Espanha, em 1535. Ele é considerado personagem expressivo no
renascimento do Escolasticismo na península Ibérica de onde também vinham, entre outros, o Dominicano
Domingo Bañez e Jesuíta Francisco Suárez. De fato, Molina estudou latim (Cuenca), Direito (Salamanca),
lógica (Alcala), filosofia e teologia (Coimbra e Évora, Portugal).10 Foi em Alcala que Molina tomou contato
com a Sociedade de Jesus. “Parece ter sido amor à primeira vista”.11 Em 1561 foi ordenado sacerdote.

Após aposentar-se como docente em 1583, Molina devotou-se a escrever. Além de um tratado completo
de filosofia, mais em forma de comentário sobre lógica, física, psicologia, metafísica e filosofia natural de
Aristóteles12 e outras obras, Molina é mais conhecido por duas que se destacam em seu pensamento: A
Concordia liberi arbitrii cum gratiae donis, divina praescientia, providentia, praedestinatione et reprobatione
ad nonnullos primae partis D. Thomae articulos (Harmonia do Livre-Arbítrio com o Dom da Graça,
Presciência Divina, Providência, Predestinação e Reprovação segundo diversos artigos da Primeira Parte
[da Suma] de São Tomás [de Aquino]), sua primeira obra publicada em sua primeira edição Lisboa em
158813 e; De Iustitia et Iure tomi sex, de caráter jurídico, e que Molina só viu publicada apenas os três
primeiros volumes. Os demais volumes foram publicados após a sua morte, em Madrid em 12 de outubro
de 1600.

A Controvérsia De Auxiliis: 1582 – 1607


Com a publicação do Concordia (Harmonia), uma polêmica se instalou entre Dominicanos e Jesuítas
acerca da relação entre a graça divina, a predestinação, providência e o livre-arbítrio. Por um lado, os
Dominicanos, liderado por Domingo Bañez (1538 – 1604), acusavam a obra de Molina de cair no erro do
pelagianismo, condenado no Concílio de Trento (Secção VI, Cânones I – IV). Trento também havia
condenado dois outros jesuítas, Diego Laínez e Alfonso Salmerón, que defendiam ideias pré-molinistas.
Por outro lado, os Jesuítas acusavam os Dominicanos de fatalistas e defensores da doutrina de Lutero.

Bañez estava ciente das ideias pré-molinistas e manteve polêmica, mesmo pública, opondo-se a tais ideias
já em 1567.14 Quando as ideias pré-molinistas foram publicamente defendidas em 1582 na Escola de
Salamanca, Bañez as censurou em sua Apologia dos Irmãos Dominicanos, denunciando seus
proponentes, pe. Prudêncio Montemayor e frade Luis de Leon, como doutrinas perigosas e pelagianismo
ao Conselho da Inquisicão. Acatada a denúncia, ambos foram condenados: o Pe. Prudencio deixou de
ensinar teologia, e frade Luis ficou proibido de defender aquela doutrina.15

Enquanto as ideias pré-molinistas eram proibidas na Espanha, a obra de Luis de Molina era publicada em
Portugal.
Mas, desta vez, as ideias estavam sistematizadas. No entanto, a Inquisição portuguesa não havia
condenado aquelas ideias e, por isso, o apelo de Bañez e dos Dominicanos através de outra apologia
publicada em 1895, acusando a obra de Molina dos mesmos ensinos já condenados em 1582, fora em
vão.16 Mesmo assim, os Jesuítas, precavendo-se de qualquer possível condenação, apelam para Roma.

O resultado, depois de intensos debates entre os litigantes dominicanos e jesuítas na sede pontifícia, é que
o sumo pontífice Paulo V, que assumiu após o infarto de Clemente VIII, declarou que dominicanos e
jesuítas eram livres para defender suas doutrinas e proibiu que qualificassem de heresia uma ou outra.
Isso se deu em 1607, após a morte de Molina, que fora declarado vitorioso pelos jesuítas.17

Molinismo e o Conhecimento de Deus


Molinismo é mais conhecido por sua doutrina acerca do Conhecimento que Deus sobre dos futuros
contingentes,18 conhecimento este chamado de Conhecimento Médio (Scientia Media).

Molina apresenta sua teoria do conhecimento médio divino como a chave para resolver o mistério
tradicional acerca da presciência divina e futuros contingentes: (1) como Deus pode conhecer
infalivelmente os eventos futuros de causa indeterminada e; (2) uma vez que a presciência de um
evento futuro é posta, como o fatalismo teológico é evitado?19

Molina expõe sua compreensão dessa relação na Parte IV de sua Concordia. Segundo Freddoso,20 ali ele
discorre sobre duas questões distintas a respeito do Conhecimento de Deus: (1) Como é que Deus
conhece futuros contingentes com certeza, isto é, qual é a fonte de explicação para o fato de que Deus
conhece futuros contingentes com certeza? (2) Como é que esta presciência divina pode ser conciliada
com a contingência que é conhecida por ele?21

Na Disputa 52.9, Molina declara que Deus tem três tipos de Conhecimento: “Devemos distinguir em Deus
um conhecimento tríplice, se não quisermos alucinar ao tratarmos de conciliar a liberdade de nosso arbítrio
e a contingência das coisas com a presciência divina”.22

(1) Um conhecimento puramente natural, que “nenhum modo pode sofrer variação em Deus [e] por meio
dela ele conhece todas as coisas que o poder divino pode fazer – seja sem meios, seja com a intervenção

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das causas secundárias”.23 Este conhecimento também é chamado de conhecimento natural (scientia
naturalis), conhecimento necessário(scientia necessaria) ou conhecimento de intelecto (scientia
intelligentiae).

(2) Um Conhecimento puramente livre, “por meio do qual, sem hipótese ou condição alguma, Deus
conhece de forma absoluta e determinada a partir de todas as articulações contingentes e após o ato livre
de sua vontade, quais coisas vão ou não acontecer realmente”.24 A este conhecimento também chama-se
conhecimento livre (scientia libera), conhecimento de visão (scientia visionis).

(3) Um Conhecimento Médio, ou Scientia Media, “através do qual Deus vê em sua essência, em virtude
da altíssima compreensão e inescrutabilidade de todo livre-arbítrio, o que este faria em razão de sua
liberdade inata, se fosse posto neste ou naquele ou incluído em qualquer das ordens infinitas de coisas,
apesar de que, de fato também poderia se assim o quisera fazer oposto”.25

A questão gira em torno do conhecimento médio de Deus. Se uma pessoa em dada circunstância em que
uma escolha ou escolhas reais devem ser feitas, diante do conhecimento presciente e onisciente de Deus,
Deus conhece a decisão daquela pessoa antes de a pessoa agir?26 Ou mais, Deus a conhece antes de
criar este mundo? Para usar o gracejo do molinista Thomas P. Flint, “Se Alvin Plantinga não tivesse, sem
conhecimento, exumado o Molinismo nos anos 1970, alguém aqui estaria discutindo (livremente) isto hoje?
Deus é o único quem sabe. Ou, ao menos nós molinistas somos inclinados a dizer”.27

Perceba, também, que esses tipos de conhecimento divino são “momentos lógicos” anteriores à Criação
deste mundo ante as incontáveis opções que Deus tinha em trazê-lo à existência. E outras palavras,

Logicamente antes do decreto divino de criar um mundo, Deus possuía não apenas conhecimento
de tudo o que poderia acontecer (conhecimento natural), mas também de tudo o que iria
acontecer em qualquer conjunto apropriadamente específico de circunstâncias (conhecimento
médio)[...] Deus, então decretar criar certas criaturas livres em certas circunstâncias e, assim,
baseado em seu conhecimento médio e no conhecimento de seu próprio decreto – ou seja, se
decreto de criar o mundo –, Deus tem presciência de tudo o que acontecerá (conhecimento
livre).28

Avaliação Preliminar do Conhecimento Médio


Como nesse primeiro artigo nosso foco é mais introdutório, mesmo assim, alguma análise precisa ser
apontada no momento.29 O Molinismo é uma tentativa de solucionar o problema que percorre a história do
pensamento cristão e filosófico. O problema da presciência divina, do determinismo,30 do indeterminismo31
e dos futuros contingentes.32

Porém, o Molinismo está fortemente comprometido com o libertarianismo libertário como suposição. Há
algumas premissas ocultas que precisam ser trazidas à luz. Nesse momento quero destacar que, para
essa concepção, os atos futuros, ou seja, os atos ainda não existentes, exceto no conhecimento de Deus,
são livres se, somente se, eles forem indeterminados quanto a sua realização. De fato, nessa concepção,
esses atos são tão livres que eles antecedem mesmo o conhecimento natural e livre de Deus. Eles são
eventos condicionais que independem do decreto de Deus.33
Eles simplesmente, em todas as suas infinitas possibilidades, estavam “lá” no futuro sendo visto de “longe”
por Deus. Eles têm, portanto, um estatuto ontológico co-término com Deus. Franklin Ferreira e Alan Myatt
perceberam que a questão dos mundos possíveis de atos livres não causados é de “problema da
independência ontológica”.34 E, se Deus tinha que esperar pelas ações futuras contingentes viessem a
acontecer independente ou antes de si mesmo, segue-se que seria finito e dependente. Como destacou
Cornelius Van Til, o conhecimento de tal deus seria inferencial.35 Isso contraria completamente o ensino
Escriturístico. O Senhor perguntou a Jó: “Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o
que está debaixo de todos os céus é meu”(Jó 41. 11). Pelo profeta Isaías o Senhor perguntou: “Quem
guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou ?36 Com quem tomou ele
conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse ; o caminho do juízo, e lhe ensinasse

conhecimento , e lhe mostrasse o caminho do entendimento?”(Is 40.13, 14)

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Ao mesmo tempo, o Molinismo ainda assim, tem um leve toque de determinismo. Na verdade, essa é a
razão para a maioria dos arminianos clássicos ser “cautelosa com esta abordagem”.37 Porque o
conhecimento médio está “entre” o natural e livre, segue-se que no conhecimento médio deve haver algum
conhecimento que seja necessário e algum outro que deva ser contingente. Então, como Deus governa o
mundo que ele criou tendo o conhecimento médio? Ora, por criar um mundo atual que Deus mesmo quis.

Jerry Walls, um arminiano, acredita que o Molinismo “é semelhante ao calvinismo ao defender que Deus
sabe precisamente o que acontecerá antes que mesmo ocorra(sic)”.38 Olson admite que o Arminianismo
clássico distancia-se de qualquer determinismo, e o molinismo, pelo menos em tese, utiliza-se do
conhecimento médio para explicar como Deus criou este mundo e não outro. As palavras de Olson
revelam muito: “o uso do conhecimento médio é para explicar como o mundo real é determinado por Deus,
utilizando conhecimento do que as criaturas livres fariam em qualquer dado mundo, incluindo o mundo que
Deus, por fim, decidiu criar – este mundo [...] o molinismo leva ao determinismo e é, portanto, incompatível
com o arminianismo”.39 Então, Molinismo não é Arminianismo, embora seja também libertário. Molinismo
não Calvinismo, embora pretenda ser determinista. Mesmo assim, o conhecimento médio é adotado por
alguns de ambas as tradições.40

E isso aponta para uma inconsistência no Molinismo. Em alguma instância será preciso priorizar um
aspecto de sua ideia. E o aspecto que tem sido priorizado, pelo menos na tradição recente na resolução do
problema do mal, é a liberdade libertária. Ou seja, as ações futuras contingentes devem ser
indeterminadas e, portanto, Deus não pode saber infalivelmente seu valor de verdade. Como resultado,
atribui-se a Deus, por conta da liberdade indeterminada, um conhecimento incerto.

Conclusão
Nesse primeiro artigo procurei apresentar uma introdução ao Molinismo. Parece-me que o crescimento do
molinismo é uma tendência, especialmente entre os estudantes de filosofia da religião e defensores das
tradições arminianas e calvinistas. Não chego a considerá-lo uma heresia, mas um erro. Nem mesmo sua
própria tradição católico-romana o fez. Minha pesquisa com o molinismo não é o problema de se Deus
conhece ou não as contingências. Admito que sim, que ele as conhece. A questão é do real objeto de
conhecimento de Deus e que implicações o Molinismo tem para a Natureza de Deus.

Espero no próximo artigo, numa avaliação teológica mais detalhada, pois alguns que têm adotado o
Molinismo, especialmente o “molinismo analítico”, têm transigido, suspeito, com conceitos estranhos à
Teologia histórica e conservadora no tocante à natureza de Deus – simplicidade divina e temporalidade,
por exemplo. Mas, isso fica para a próxima ocasião, querendo Deus.41

_________________________________
1Veja também PLANTINGA, Alvin. Deus, a Liberdade e o Mal. São Paulo: Vida Nova, 2012, p. 17 – 84.
PLANTINGA, Alvin. The Nature of Necessity. Clarendon Press: Oxford, 1974, p. 164 – 195 (cap. IX)
2
Um contrafactual é uma proposição condicional expressa na forma “se p, então q” onde p e q,
antecedente e consequente, são falsos em relação ao mundo atual. “Se um sujeito S fosse colocado em
uma Circunstância C, circunstância na qual deixa S livre, S livremente escolheria fazer A”. “Contrafactuais
são assim chamados porque o antecedente e o consequente do condicional são contrário ao fato”(CRAIG,
William Lane; MORELAND, J. P. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 76). David
Lewis (Counterfactuals. Oxford: Blackwell Plubishers, 1973) afirma que contrafactuais são modos de falar
que, “embora vergonhosamente vagos”(p. 1), eles ainda podem dar uma descrição de valores de verdade
– quando um enunciado pode ser considerado verdadeiro ou falso -, porém contrário aos fatos atuais, mas
possíveis em algum outro mundo. Nesse caso, o antecedente p seria falso e não se realizaria.
3Dada uma proposição p, p é verdadeiro ou falso.
4TOMBERLIN, James E.; INWAGEN, Peter van(ed). Alvin Plantinga – Profile. vol. 5.
Dordrecht/Boston/Lancaster: D. Reidel Publishing Company, 1985, p. 50.
5PERSZYK, Ken. Molinism – The Contemporary Debate. Oxford: Oxford University Press, 2011, [Epub],
posição 13 [p. 6, 7].
6BALMER, Randall. Encyclopedia of Evangelicalism – revised and expanded edition. Waco, TX: Baylor
University Press. p. 546 [verbete Plantinga, Alvin (Carl)]
7PLANTINGA, Alvin. A Christian life partly lived. In: CLARK, Kelly James(ed). Philophers who Believe – the
spiritual journeys of eleven thinkers. Downers Grove, Ill. IVP, 1993, p. 48.
8Idem, p. 68ss
9PLANTINGA, 1974, p. 164.
10Segundo Kaufmann (A Companion to Luis de Molina. Leiden - Boston: Brill, 2014, p. xv), o “curso
completo de filosofia” feito por Molina, era na verdade “um curso completo em Aristóteles, cujas obras
eram comentadas pelos mestres”. Desse modo, Molina destacou-se, sobretudo em lógica e metafísica.
11KAUFMANN, Matthias; AICHELE, Alexander(ed). A Companion to Luis de Molina. Leiden - Boston: Brill,
2014, p. xv
12ECHEVARRIA, Juan Antonio Hevia. Introducción. In: MOLINA, Luis de: Concordia de libre arbitrio com
loso dones de la gracia y com la presciencia, providencia, predestinacion y reprobacion divinas. Biblioteca
Filosofía em español – Fundacion Gustavo Bueno. Oviedo, Espanha: Pentalfa Ediciones, 2007, p. 10.
13Publicada com a permissão do Prepósito Geral e submetida ao exame do Conselho da Inquisição. A

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obra foi considerada “conforme a fé católica e muito útil para toda a Igreja”(Echevarria, p.11).
14Domingo Bañez pode ser classificado como um determinista. Defendia a certeza do conhecimento divino
com base “primeira causa”. Deus, a Primeira Causa, em seu Decreto eterno de sua vontade,
predeterminou as causas secundárias completamente e, por isso, ele pode conhecer com certeza os
futuros contingentes em suas próprias causas. Cf. GORIS, Harm J.M.J. Free Creature of an Eternal God:
Thomas Aquinas on God's infallible foreknowledge and irrestible will. (Thomas Institute te Ultrecht New
Series 4). Leuven: Peeters, 1996, p. 69.
15LA POLÊMICA DE AUXILIIS 1582 – 1607. Disponível em: < http://www.filosofia.org/ave/001/a152.htm>
16Apologia fratrum praedicatorum in provincia Hispaniae sacrae theologiae professorum, adversus novas
quasdam assertiones cuiusdam doctoris Ludovici Molinae nuncupati (Apologia dos Frades Pregadores na
Província da Espanha, professores de Teologia Sagrada, contra as Certas Novas Afirmações do Doutor
Luis de Molina). Existe uma tradução espanhola, feita por Juan Antonio Hevia Echevarría, de nome
Apologia de los hermanos dominicos contra la Concorida de Luis de Molina (Pentalfa, Oviedo, 2002).
17LA POLÊMICA, idem.
18Futuros continguentes são eventos singulares ou estados de coisas que podem ou não ocorrrer no
futuro. Cf. AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. 2nd ed. Cambridge: Cambridge
University Press, p. 334.
19CRAIG, William Lane. The problem of Divine foreknowledge and future contingents from Aristotles to
Suarez. Leinden: E.J. Brill, 1988, p. 170.
20FREDDOSO, Alfred J. Introduction. In: MOLINA, Luis de. On Divine Foreknowledge: Part IV of the
Concordia. Ithaca and London: Cornell University Press, 198, p.1.
21Cf. tb. BEILBY, James K.; EDDY, Paul R. (ed). Divine Foreknowledge: four views. Downer Grove, Ill: IVP,
2001.(Itálicos meus)
22Molina, Concordia, Disputa 52.9.
23Idem.

24Idem.

25Idem. (Itálicos meus)


26Em termos proposicionais a questão é assim posta: Se um sujeito S estivesse em uma circunstância C, S
livremente escolheria fazer X.
27FLINT, Thomas P. The Varieties of Accidental Necessity. In: CLARK, Kelly James; REA, Michael (ed.)
Reason, Metaphisics, and Mind – New Essays on the Philosophy of Alvin Plantinga. Oxford: Oxford
University Press, 2012, p.38.
28CRAIG, William L.; MORELAND, J. P. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 635.
Crédito da imagem à mesma referência bibliográfica.
29Os próximos artigos que se seguirão, farão análises mais detalhadas do ponto de vista teológico,
exegético e filosófico.
30Susan Haack (On a Theological Argument for Fatalism. In: THE PHILOSOFICAL QUARTELY, vol. 24, n.
95 [abr 1974], p. 156 – 159), diz que isso tem incomodado a “aqueles que desejam manter, por um lado,
um Deus onisciente e, por outro lado, que o homem tem livre-arbítrio”(p. 156). Segundo a autora, a
questão entrou no campo teológico baseado no princípio de ambivalência em Aristóteles (Da Interpretação,
IX – “No que toca as coisas presentes ou passadas, as proposições, sejam afirmativas ou negativas, são
necessariamente verdadeiras ou falsas[...] Se, ademais, uma coisa é agora branca, então teria sido
verdadeiro no passado afirmar que essa coisa seria branca, de modo que foi sempre verdadeiro dizer de
toda coisa (seja ela qual for) que ela é ou ela será [...] a consequência disso é que os eventos futuros,
como asseveramos, se produzem necessariamente. Nada é fortuito, contingente, pois se alguma coisa
acontecesse por acaso, não aconteceria por necessidade”) [ARISTÓTELES. Órganon – texto integral.
Bauru, SP: EDIPRO, 2005]. [Itálico meu]. Na atualidade, Richard Taylor e Nelson Pike são uns dos mais
célebres defensores do Fatalismo com base no princípio da ambivalência (TAYLOR, Richard. Fatalism. In:
In: THE PHILOSOPHICAL REVIEW, vol. 71, n. 1 (Jan, 1962), p. 56 – 66). Para uma crítica ao artigo de
Taylor vide ABELSON, Raziel. Taylor's Fatal Fallacy. In: THE PHILOSOPHICAL REVIEW, vol. 72, n. 1 (Jan,
1963), p. 93 – 96; e BROWN, Charles D. Fallacies in Taylor's "Fatalims". In: THE JOURNAL OF
PHILOSOPHY, vol 62, n.13 (jun, 1965), p. 349 – 353, com exposição da afirmação do consequente e da
necessidade da consequência. Porém, Taylor oferece resposta em A note of Fatalism. In: THE
PHILOSOPHICAL REVIEW, vol. 72, n. 4 (Jan, 1963), p. 497 – 499.
31Na tradição filosófica recente, alguma medida de Indeterminismo – também chamada de
Incompatibilismo ou Libertariranismo Libertário – é afirmado por Robert Kane, Timothy O’Connor, Randolph
Clarke e Carl Ginet. Cf. KANE, Robert (ed). The Oxford handbook of Free Will. Oxford: Oxford University
Press, 2002; FISCHER, John Martin; KANE, Robert; PEREBOOM, Robert; VARGAS, Manuel. Four Views
about Free Will. Oxford: Blackwell Publishing, 2007; CAMPBELL, Joseph Keim; O'ROURKE, Michael;
SHIER, David (ed). Freedom and Determinism. Cambridge: Bradford Book / The MIT Press, 2004. Os mais
radicais defensores do Indeterminismo afirmariam uma versão não-causal dos agentes. Assim, as ações
futuras dos agentes não seriam previstas por Deus, uma vez que nenhuma causa, nem histórica, nem
providencial, nem mesmo auto-causada, haveria para ser prevista.
32FLECK, Fernando Pio de Almeida. O Problema dos futuros contingentes. Coleção Filosofia. Porto Alegre:
Edipucrs, 1997.
33Francis Turrentin (Compêndio de Teologia Apologética. Vol. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 290)
acredita que isso não seja um problema em si, mas se torna um problema quando um decreto especial a
respeito de “certa futurição dessa ou daquela coisa precede de modo que Deus pode ver aquela coisa
antecedendo esse decreto(nela própria ou em suas causas)”. Mas é exatamente essa a minha questão.

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34Franklin; Myatt. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 340.
35VAN TIL, Cornelius. An Introduction to Systematic Theology. 2nd. Ed. Edited by William Edgar.
Phillipsburg, NJ: P & R Publishing, 2007, p. 374.
36Hiphil de [dy- quem causou o conhecimento do Senhor?
37OLSON, Roger. Teologia Arminiana – mitos e realidade. São Paulo: Editora Reflexão, 2013, p. 254.
38WALLS, Jerry L; Dongell, Joseph R. Por que não sou calvinista. São Paulo: Editora Reflexão, 2014, p.
129.
39Olson, idem, p. 254, 255.
40Craig afirma, a doutrina do Conhecimento Médio é “surpreendente em sua sutileza e poder”. E essa
sutileza levanta inclusive o debate se o Conhecimento Médio é compatível com a Teologia Reformada.
Olson fala dos “defensores arminianos do conhecimento médio”(idem, p. 253). Clendenen e Waggoner
(Calvinism - A Southern Baptist Dialogue. Nashville, Tennessee: B & H Academic, 2008, p.215) apontam
Bruce Ware, John Frame e Terrance Tiessen – calvinistas de conhecimento médio – entre os teólogos
reformados que tentam incorporar as ideias do Conhecimento Médio no Calvinismo. Claro, tais
proponentes modificam a compreensão libertariana de Molina para o conceito de permissão a fim de
ajustar à compreensão determinística ou compatibilista do Calvinismo. Todavia, “o conceito de
conhecimento médio é surpéfluo em qualquer sistema que sustente o determinismo causal”. Os Teólogos
Franklin Ferreira e Alan Myatt (Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 340) parecem
entender que haja espaço para o conhecimento médio na tradição reformada. Dizem os autores: "Temos
que confessar que existe respaldo bíblico em favor desta noção. Em Mateus 11.23, Jesus disse que se
Sodoma tivesse visto os milagres feitos em Cafarnaum, ela não teria sido destruída, insinuando que ela se
arrependeria dos seus pecados. Isto é um exemplo claro do chamado conhecimento médio da parte de
Deus. Não negamos este fato". Logo em seguida eles dizem que o conhecimento médio não resolve os
problemas relacionados nem à Teodiceia, nem a relação entre a presciência divina e atos livres dos
homens. Dizem: “Segundo Craig, o arminianismo e o calvinismo podem ser reconciliados [determinismo e
liberdade], assim como o problema do mal ser resolvido. Mas a coisa é realmente assim tão fácil? Em
nossa opinião, o conhecimento médio de Deus não resolve estes problemas”. Em seguida, os autores
passam a apresentar críticas ao Molinismo. Penso, portanto, haver algum problema de redação. Talvez os
autores queiram afirmar que Deus tem, de fato, conhecimento das necessidades e contingências, como
eles afirmaram anteriormente, e que o problema com o conhecimento médio é de aplicação. Seja como for,
penso haver na tradição reformada elementos suficientes acerca do Conhecimento de Deus que já
envolvam coisas necessárias e contingentes em seu conhecimento natural e conhecimento livre, sem a
necessidade de um conhecimento médio.
41Agradeço ao Prof. Gérson Gouveia Junior (UNICAP) e Prof. Franklin Ferreira pela cooperação na revisão
do artigo. Nossos diálogos muito auxiliaram nos esclarecimentos de alguns pontos.

 
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AUTOR
 

Gaspar de Souza
Professor de Teologia Exegética e Apologética no Seminário Presbiteriano
do Norte. Professor Visitante no Seminário Martin Bucer (São José dos
Campos, SP) e na Escola Teológica Charles Spurgeon (Fortaleza, CE).
Mestrando em Teologia Filosófica com Especialização em Exegese Bíblica.
Pastor Efetivo da Igreja Presbiteriana dos Guararapes, Jaboatão dos
Guararapes, PE.

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