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Prémio Leaders & Achievers-Flecha Diamante 2016 PMR Africa

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A receita de Muhamudo Amurane para relançar o país

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Naíta Ussene

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Lava Jato persegue dinheiro em Moçambique


Di

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TEMA DA SEMANA
2 Savana 14-10-2016

A receita de Muhamudo Amurane para recolocar o país nos caris

É preciso isolar aqueles que bloqueiam Nyusi


Por Armando Nhantumbo

o
mbora nos últimos tempos do aderiu e, no actual partido, vê um Recuou a 2014 para dizer que, no pri-
comece a ser posta em causa crescimento enorme e um futuro ri- meiro ano do seu mandato, não foi fá-
a tese de um presidente da sonho. cil a convivência política com os res-

log
República telecomandado tantes órgãos do Estado em Nampula,
por uma poderosa ala maconde na “Apresentamos alternativa, incluindo os centrais, mas diz que a
Frelimo, o presidente do Conselho sem atirar balas” partir de 2015, com o novo governo, o
Municipal de Nampula, pelo Movi- Muhamudo Amurane falou ainda do cenário mudou para a melhoria. Fala
mento Democrático de Moçambique nível de execução do seu mandato, de abertura e uma convivência cada
(MDM) entende que, efectivamente, dois anos depois da tomada de pos- vez menos conflituosa.
há grupos na Frelimo que bloqueiam se. Faz um balanço positivo. Destaca A dado passo, comenta sobre a causa
a governação de Filipe Nyusi. a área de saneamento, mas também do MDM, aproveitando deixar reca-
de infra-estruturas como aquelas que dos à governação frelimista que dura
apostou nestes primeiros dois anos. 41 anos.

ció
Muhamudo Amurane, que analisa-
va, no nosso jornal, os primeiros dois Fala de vias de acesso construídas, “Os moçambicanos almejam ver me-
mercados e meios de aquisição de lhoradas as condições das suas vidas,
anos da governação de Filipe Nyusi,
lixo. Um caminho que não foi fácil: principalmente, no processo de go-
começou por dizer que só a sua elei-
“logo em 2014 encontramos não só vernação. Quando me candidatei ti-
ção para presidente da República foi
uma série de dívidas enormes, mas nha consciência de que ia enfrentar
um acto importante, porquanto mar-
também uma série de problemas, falta uma série de desafios, mas não foi e
cou a passagem inter-geracional na não é por ter esses desafios que nos
liderança do país. de meios e uma cultura praticamente
corrupta no relacionamento do muni- colocamos numa situação, nem de
Foi quando questionamo-lo se essa defensiva, nem de ofensiva, antes pelo
mudança se está ou não a reflectir na cípio com os operadores económicos”.
contrário, encararmos esses processos
governação do país, ao que Muhamu-
do Amurane, sem rodeios, respondeu
que não.
Mas o edil de Nampula diz que não
está decepcionado com Filipe Nyusi,
o presidente que a 15 de Janeiro de
2015 proferiu um discurso de re-
so Diz que, quando chegou à edilidade,
todos os meios a nível da recolha de
resíduos sólidos eram alugados.
“Não compreendemos como era
possível uma cidade tão grande não
tivesse um mínimo de meios para a
recolha de resíduos sólidos. E encon-
trámos dívidas enormes de processos
como normais em prol do desenvol-
vimento das vidas moçambicanas”,
diz, lembrando que depois da inde-
pendência os moçambicanos foram
habituados a um discurso de que era
necessário libertarem-se de opressão
colonial e dominação estrangeira.
nascimento. O problema, entende o “Fomos alimentados de que já era
de aluguer de viaturas sem, contudo,
edil, não reside, necessariamente, em Ao longo do tempo, as expectativas do povo foram sempre frustradas. ter um suporte que justificasse esses oportunidade de nos sentirmos li-
Filipe Nyusi, mas para aqueles que vres e conduzirmos os nossos des-
um
serviços de aluguer, uma vez que a ci-
chamou de grupos fortes na Frelimo A encruzilhada económica em que o Araújo para a Comissão Política do tinos, mas esses processos ao longo
dade estava abarrotada de lixo”, acres-
que não aceitam as mudanças que, es- país está mergulhado foi incontorná- partido, foi vista como o ponto mais do tempo foram sempre frustrados,
centa.
tamos a citar Amurane, Nyusi parece vel na entrevista com o edil de Nam- alto de uma suposta rivalidade entre nomeadamente, as expectativas do
Foi por isso que se definiu como prio-
querer empreender. pula. Sobre ela, Amurane evita fazer Daviz Simango e o jovem edil de povo. Sentimos que havia falta de
ridade a recolha de resíduos sólidos,
O presidente da cidade capital da juízos, por entender que a democracia Quelimane. liberdades e que tudo era ditado por
prossegue o edil segundo o qual em um grupo menor, sem olhar os an-
província mais populosa de Moçam- não é especulação, mas desafia a ad- Sobre o assunto, Amurane, uma das 90 dias foi possível trazer boa imagem
bique recua ao passado para lembrar novas entradas para a Comissão Polí- seios das comunidades que, ao longo
ministração da justiça para que escla- a Nampula, com aquisição paulatina
que, em Fevereiro de 2015, logo após tica do MDM, escusa-se a comentar, do tempo, foram se manifestando de
reça o que sucedeu com os cerca de de meios de recolha de lixo, mas tam- várias formas e nós optamos por esta
a sua investidura, Filipe Nyusi mante- USD2 mil milhões, dos quais USD alegadamente, porque desconhece o bém através da criação de grupos de oportunidade democrática, avançan-
ve um encontro com o presidente da 1.4 mil milhões ocultados. processo. Até porque ele próprio dis- associados em diversos cantos da ci- do com um projecto político e sem
Renamo, Afonso Dhlakama, num es- Sobre a tensão político-militar, reite- se ter ficado surpreendido com a sua dade para a limpeza. precisarmos de machucar ninguém,
forço pela paz que não agradou alguns ra não encontrar argumentos para as nomeação. Diz que a sua grande decepção está na muito menos atirar balas, mas sim
de

sectores da Frelimo. matanças e destruição que continuam Aqui, perguntamo-lo se achava razo- descentralização dos serviços de saú- apresentando alternativa viável do
Outro sinal de um Filipe Nyusi que a minar o desenvolvimento
volvimento do país. ável que, nesta fase da sua história, o de e de educação. Lamenta os argu- processo municipal, mas também
quer avançar mas que encontra entra- Chamado a apontar a solução, foi pe- MDM se desse ao luxo de desperdi- mentos do ministério da Administra- a nível nacional e aí abraçámos este
ves é a abertura do presidente peran- remptório em afirmar que o país cla- çar um membro com capital políti- ção Estatal que insiste que Nampula, projecto político do MDM e conse-
te o Fundo Monetário Internacional ma por uma descentralização políti- co como é Manuel de Araújo, o que à semelhança de outros municípios guimos conquistar poder sem recorre-
(FMI), na recente visita em Washing- dministrativa, incluindo a eleição
co-administrativa, prontamente, desdramatizou. nas mãos da oposição e não só, não mos à violência” assinala, lamentando:
ton, Estados Unidos da América de governadores provinciais, pelo que “O que tem de melhor Manuel de tem capacidade para gerir serviços “só que os nossos adversários nunca
(EUA) para a realização de uma au- é preciso que se discuta a Constitui- Araújo em relação aos outros mem- básicos, da mesma forma que deplora, perceberam esta metodologia porque
ditoria internacional independente ção da República. bros do MDM”, questionou, consi- por exemplo, que as receitas das mul- provavelmente não tenham a cultura
às dívidas escondidas no país, anota “Há resistência por parte dos dois derando o edil de Quelimane como tinacionais que operam na província de conviver democraticamente e ir
io

o edil. um membro normal como outros no sejam todos canalizados para Maputo, avançando na solução dos problemas
beligerantes, mas é preciso pressio-
Por isso, Amurane insta a sociedade a partido. devido à centralização. através de processos democráticos”.
narmos para que haja abertura para
se levantar contra a minoria frelimista Numa altura em que o MDM em
discutir ideias e não pessoas”, remata.
que procura sobrepor os seus interes- Nampula acaba de registar uma nova
ses aos da maioria dos moçambicanos. “O que tem de melhor deserção de membros que formaram
Manuel de Araújo?”
Criminosos criam página fantasma
o Movimento Alternativo de Mo-
“A expectativa do povo é frustrada
ár

çambique (MAMO), depois de uma


por grupos menores que defendem Nos últimos anos, Manuel de Araú-
outra vaga de deserções nas vésperas
seus interesses em detrimento
imento da

do SAVANA na internet
jo, quadro do MDM e presidente do
das eleições gerais de 2014, todos eles

T
maioria”, assinala, acrescentando que Conselho Municipal de Quelimane,
a alegarem, essencialmente, nepotis-
é preciso isolar aqueles que bloqueiam na Zambézia, tem insistido, na im- mo e tribalismo no partido liderado
o Presidente
residente da República. prensa, que gostaria de ver um MDM pelo engenheiro Daviz Simango, o
Sublinha que um futuro melhor para mais democrático do que é hoje. Nas edil de Nampula fala de oportunistas. omamos conhecimento da existência de uma página da in-
Di

o país passa, necessariamente, por iso- vésperas do início da presente legis- Sobre os desertores que, em 2014, ternet com o domínio www.jornalsavana.com, que para os
lar os grupos na Frelimo que não acei- latura chegou a questionar, publica- queixavam-se da “importação”, da incautos dá a impressão de pertencer a este jornal.
tam a mudança, uma tarefa que, por mente, a indicação do actual chefe da Beira, de amigos e familiares do pre- Os autores desta página colocam nela alguns artigos já pu-
ser espinhosa, não pode ser apenas de banc
bancada parlamentar daquela forma- sidente do partido para lugares cimei- blicados no jornal, mas a eles adicionam outras matérias que não
Filipe Nyusi, mas de toda a sociedade ção política, na Assembleia da Re- ros nas candidaturas do MDM a de- são da nossa autoria.
moçambicana que contra essas forças pública, porquanto Lutero Simango, putados, Amurane diz que tribalistas A intenção é desvirtuar a linha editorial deste jornal e instalar a
se deve levantar de forma vigorosa. irmão mais velho de Daviz Simango, são aqueles que achavam que, com a confusão entre os nossos leitores. Trata-se de um acto de deliberada
Entretanto,, ganha corpo nos últimos não saiu do círculo eleitoral que mais vitória do MDM em Nampula, tinha
tempos a tese de que, na verdade, deputados colocou no parlamento, desinformação e que é condenável a todos os níveis.
chegado a sua vez. Diz que não hou-
Filipe Nyusi não é ingénuo como se que é a Zambézia. Informamos aos estimados leitores que essa página não pertence a
ve colocação massiva de quadros do
pretende fazer passar, nem vítima de Confrontado com a questão, Amura- MDM de fora de Nampula.
este jornal, e não nos responsabilizamos pelos seus conteúdos. Si-
supostos poderes interpostos na Fre- ne disse que não concorda. Para o edil Sobre os recentes dissidentes que for- multaneamente, tomamos a iniciativa de comunicar às autoridades
limo. Argumenta-se que o actual pre- de Nampula, no MDM há democra- maram o MAMO, diz que são indiví- competentes sobre este facto, para que sejam tomados os procedi-
sidente está, efectivamente, alinhado cia e espaço para todos. Respeita essa duos de conduta duvidosa que, quan- mentos apropriados para este tipo de casos. Através dos nossos ser-
com uma estratégia de mão dura so- colocação de Manuel de Araújo, mas do se apercebeu do seu oportunismo viços técnicos, estamos também a trabalhar com vista ao bloqueio
bretudo no que à guerra diz respeito, diz que são águas passadas. no município, tratou de expulsá-los. desta página fantasma.
sendo os seus discursos apenas uma A exclusão, nas recentes eleições Diz que o MDM de hoje não é o A Redacção
decoração própria da acção política. internas no MDM, de Manuel de mesmo de há dois anos e meio, quan-
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Savana 14-10-2016 3
TEMA DA SEMANA
4 Savana 14-10-2016

Mais uma vítima das balas sem rosto foi a enterrar nesta quinta-feira

O emotivo último adeus


Ninguém merece morte bárbara
Da família Pondeca, prestou o elogio fúnebre o filho mais velho do fi-
nado, Chitunde Pondeca, que enalteceu a figura do seu progenitor como
sendo um homem honesto e imbatível nas suas convicções.

ao chefe Pondeca
Disse que o malogrado tinha grandes projectos por realizar. Elencou a
responsabilidade que tinha na educação dos filhos com destaque para os

o
menores de idade bem como a dedicação pela família e que certamente
com a sua morte se vão ressentir disso.
Manifestou a dor familiar por perder “injustamente” o seu líder e lem-

O
brou algumas lições de vida transmitidas pelo pai em forma de provér-

log
Por Raul Senda e Argunaldo Nhampossa bios tais como “de pequeno se torce o pepino” e num momento como
este consegue perceber o respectivo alcance.
s restos mortais de Jeremias co, dedicava-se à prática do comércio cou ao Paços do município de Ma- “Os que te assassinaram se vingarão entre eles. Nenhum ser humano
Pondeca (55 anos), mem- naquele mercado. puto para consolar a família enlutada. merece uma morte natureza” , sentenciou.
te tão bárbara como daquela natur
bro do Conselho de Estado Margarida Titosse, vendedeira do Nyusi chegou ao local da cerimónia
e da Comissão Mista do di- Mercado de Peixe, conta que Pon- às 11:20h, assinou o livro de honra, Sonhava com a Renamo no poder
álogo político, pela Renamo, foram a deca foi uma pessoa importante na cumprimentou a família do malo- Em representação do partido pelo qual militou e deu a vida ao longo
enterrar na manhã desta quinta-feira reivindicação dos direitos dos comer- grado, depositou uma coroa de flores, de três décadas, Manuel Pereira, antigo deputado da Renamo, falou do
no Posto Administrativo de Chiden- ciantes. tomou o assento e acompanhou os percurso
curso de Pondeca no partido e dos diferentes cargos que ocupou até
guele, província de Gaza. O funeral Segundo Titosse, Pondeca teve um elogios fúnebres. Não usou da palavra morte.
à data da sua mor

ció
de Pondeca foi antecedido de um ve- papel fundamental no processo de e deixou o local cerca de 30 minutos De acordo com Pereira, a morte do Chefe Pondeca deixa um enorme
lório com o corpo presente no Paços transferência dos vendedores do an- depois, com o fim da cerimónia. vazio no seio da família e do partido, pois perdeu-se um grande homem,
do município de Maputo e que con- tigo para o novo mercado. Antes de Nyusi, por volta das 11 ho- trabalhador de renome, não obstante ter passado por várias sevícias.
tou com a presença do chefe de Es- “O município queria nos aldrabar, ras, Armando Guebuza, antigo chefe Classificou-o como tendo sido um homem coer coerente para consigo mes-
tado, Filipe Nyusi. Jeremias Pondeca graças ao senhor Pondeca, a justiça de Estado, chegou ao local e acompa- mo e sonhava com o seu partido do poder, uma batalha que Pereira
foi barbaramente assassinado, por foi feita. Era uma pessoa aberta e nhou a cerimónia até ao fim. assegurou que a Renamo não vai resignar como forma de honrá-lo. A
desconhecidos, que terão disparado alérgica a conflitos. Estou consterna- Para além de Nyusi e Guebuza, o reacção da Renamo foi considerada “contida”, contrariando as expeta-
três tiros sobre a vítima na manhã de da, não tenho palavras para exprimir velório de Pondeca contou com a tivas de analistas.
sábado último, na zona da Costa de minha tristeza. Espero que os assassi- presença de todos os membros das
Ficaram conselhos por dar
Sol. Antes do assassinato de Ponde-
ca, último de uma série de atentados
vistos como sendo de natureza polí-
tica, havia claras indicações na mesa
de diálogo, de desenvolvimentos em
relação a um acordo sobre a governa-
ção pela Renamo nas seis províncias.
nos sejam encontrados e a justiça seja
feita”, desabafou.
Homem de trato simples, conversa-
dor, humorista, afável e preocupado
com a causa comum são as palavras
que a jovem Martina Simão, também
vendedeira do Mercado de Peixe, en-
so
equipas do diálogo político indicados
pelo PR e pelo presidente da Rena-
mo, dos mediadores internacionais
com maior enfoque para o seu chefe
Mario Raffaelli.
Também estiveram presentes os pre-
sidentes do Tribunal Supremo, Ade-
Esta era a segunda vez que Jeremias Pondeca integrava equipa dos
membros do Conselho de Estado, depois de lá ter estado no quinqué-
nio 2005-2010.
Segundo Amade Miquidade, secretário do Conselho do Estado, com a
morte do Pondeca, ficaram muitos conselhos por dar ao chefe de Estado
em matéria de natureza política tal como estabelece a Constituição da
República.
Apontou que foi em respeito à lei mãe, que o Conselho de Estado reuniu
recentemente e emanou a necessidade urgente da paz e de calar as armas
um
e enfatizamos o quão importante era o diálogo sem pré-condições, em
alusão às exigências da Renamo para a materialização das negociações.
Miquidade identificou o malogrado como um moçambicano que pro-
curava com o seu saber ser útil à pátria, através das suas contribuições
na comissão mista.
“Contra violência devemos erguer as nossas vozes e dizer que basta.
Queremos viver numa pátria onde todos possamos andar livremente”,
disse, tendo de seguida apelado às instituições de justiça para que ne-
nhum crime fique impune.

Empenhar-se pela paz


Parco em palavras, por estar chocado com a trágica morte, o chefe da
de

equipa dos mediadores internacionais, Mário Raffaelli, apelou às partes


nas negociações para se empenharem profundamente na busca da paz
como a única forma de honrar os seus feitos.

Homem de fortes convicções


Alfredo Gamito, que foi colega do finado na AR como deputado, e, nos
Familiares e colegas do partido prometem dar continuidade aos ideais do chefe Pondeca últimos cinco meses como membro da comissão mista de preparação do
diálogo, considerou Pondeca como um homem de características espe-
O Salão Nobre do Conselho Munici- ou para classificar o malogrado.
controu malogrado lino Muchanga, do Conselho Cons- ciais, fortes convicções que as defendia com todo o vigor.
pal da Cidade de Maputo foi peque- “O senhor Pondeca andava ocupado titucional, Hermenegildo Gamito, Lamentou a inesperada morte e a forma como aconteceu tendo ape-
io

no para receber, nesta quarta-feira, com a sua agenda política, mas nunca os edis de Maputo e da Beira, David lado à criação de condições de segurança para que possam trabalhar à
12, centenas de pessoas para o último nos abandonou. Sempre soube divi- e Daviz Simango, a governadora da vontade.
adeus ao membro da Comissão Mis- dir o seu tempo. Fazia a sua política, cidade de Maputo, Iolanda Cintura,
ta no diálogo político entre as dele- cumpria a agenda da associação, to- Younusse Amad, segundo vice-pre- Pode haver motivações políticas
gações do Presidente da República; mava conta dos seus negócios e pre- sidente da Assembleia da República Na situação em que o país se encontra de confrontações armadas entre
Filipe Nyusi e do líder da Renamo, servava a sua saúde com a prática de (AR) e Lutero Simango, chefe da as forças governamentais e a guerrilha da Renamo, Lutero Simango,
ár

Afonso Dhlakama, com vista a pôr exercícios físicos. Com a sua morte fi- Bancada do MDM na AR. chefe da bancada do MDM, diz não haver margem de dúvidas que te-
fim à tensão político-militar. camos fragilizados, já não temos nin- A Comissão Política da Frelimo tam- nha havido motivações políticas para o bárbaro assassinato do membro
guém capaz de enfrentar o município bém esteve representada tendo para da Renamo. Apelou ao cessar-fogo de modo ao restabelecimento da
O velório de Jeremias Pondeca, que
para exigir direitos dos vendedores”, tal destacado Alberto Chipande, Sér- paz e estabilidade do país, facto que vai contribuir para a segurança dos
também era membroo do Conselho de gio Pantie e Esperança Bias.
Estado,, estava marcado para as 10:30 lamentou. cidadãos.
O SAVANA soube que, na quali- Por seu turno, a Renamo também se
horas da manhã, mas até às oito horas Raul Domingos, que também foi companheiro de trincheira de Pon-
fez representar por quadros seniores
dade de presidente da Assembleia- deca, comunga da mesma opinião de motivações políticas para a eli-
Di

era notável a aglomeração de pessoas com maior enfoque para Jerónimo


-geral da comissão de vendedores do minação física do membro do Conselho do Estado, isto porque não se
com maior enfoque para membros da Malagueta, António Muchanga, Us-
Mercado de Peixe, Jeremias Pondeca sufo Momade, Jafar Gulamo Jafar conhece outra actividade que poderia colocar em causa a sua vida ou
Renamo e vendedores do Mercado
tinha convocado uma reunião com os pensar em ajuste de contas.
de Peixe, onde o ex-deputado da Re-
namo era Presidente da Assembleia
vendedores para esta quinta-feira, 13.
entre outros.
O antigo membro da Renamo e ac- Polícia sem pistas
O encontro tinha como pontos de tual presidente do Partido para a Tal como sempre, o porta-voz da PRM na cidade de Maputo, Orlando
Geral da respectiva
espectiva Associação. agenda a discussão do processo das Mudumane, disse na segunda-feira que a corporação está a trabalhar
Paz, Democracia e Desenvolvimen-
A presença em peso dos membros e indeminizações que não está a obe- to (PDD), Raul Domingos e o João com vista ao esclarecimento do caso, sendo que a informação existente
simpatizantes da Renamo fez com decer critérios justos bem como as Massango do partido Ecologista no presente momento é de carácter sigiloso sob pena de colocar em
que a PRM destacasse forte contin- altas taxas cobradas pelo município também estiveram presentes. causa as investigações em curso.
gente policial para o local. pelo uso das instalações do novo Natural da cidade de Maputo, Pon-
As forças policiais foram transpor- mercado. deca ingressou na Renamo em 1977. no partido Renamo. Durante o seu mandato como depu-
tadas em oito viaturas da Polícia de A vigília fúnebre de Pondeca não Durante vários anos militou na clan- Em vida, o chefe Pondeca foi depu- tado, entre 1995 a 2004, Pondeca se
Protecção e da Unidade de Interven- juntou apenas a classe de comercian- destinidade, visto que era agente tado da AR, Chefe do Departamento destacou pela forma destemida como
ção Rápida e contaram com o apoio tes, membros e simpatizantes da Re- do Serviço Nacional de Segurança de Administração Pública, Autorida- fazia política e foi o rosto da contes-
de um blindado de assalto. namo, mas também grandes figuras Popular (SNASP). Em 1991, com de Tradicional e Poder Local, Mem- tação no Parlamento do governo saí-
Soube o SAVANA que em vida, Je- do Estado moçambicano. a aprovação da Constituição liberal, bro do Conselho de Estado e da Co- do das eleições de 1999 liderado por
remias Pondeca, para além de políti- Filipe Nyusi, PR, também se deslo- Pondeca passou a militar activamente missão Mista no diálogo. Joaquim Chissano.
TEMA
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DA SEMANA
Savana 14-10-2016 5

Dhlakama reitera retorno às negociações de paz

“Democracia vai vingar morte de Pondeca”


O
Por Andrá Catueira

o
líder da Renamo, Afon- República pela Renamo, foi membro têm praticado crimes, vamos vingar so Dhlakama, estava numa situação
so Dhlakama, classificou, do Conselho do Estado, e também com a nossa democracia.” difícil, sem alimentos e assistência,
nesta quarta-feira, de “tra- exerceu as funções de delegado da “É preciso que em ambos os lados, depois que suas fontes de receitas, in-

log
gédia” o assassinato de Je- cidade de Maputo e do departamen- quer a Frelimo, quer a Renamo, en- cluindo uma mina de turmalinas em
remias Pondeca, membro da comis- to do poder local do partido, e tinha tendam que a paz é sagrada para o Báruè, terem sido encerradas e ocu-
são mista que negoceia a paz com o um papel preponderante na comissão povoo de Moçambique”, concluiu padas pelas forças governamentais.
Governo, reiterando que o diálogo mista que negoceia a paz com o Go- Afonso Dhlakama, que aguarda o A informação posta a circular indi-
vai continuar para vingar a demo- verno. retorno das negociações na próxima cava que a situação do Presidente da
cracia e devolver a paz aos moçambi- O líder da oposição lamentou os fre- segunda-feira. Renamo Afonso Dhlakama, que se
Renamo,
canos, e que desistir a essa luta seria quentes “assassinatos a sangue frio” encontra no Posto Administrativo de
uma atitude de cobardia. dos membros da Renamo em quase Passo bem e abastecido Vunduzi, na província de Sofala, e o
todo o país e a impunidade dos exe- Afonso Dhlakama garantiu igual- encerramento
encerr pela Inspecção Geral
cutores, a que considerou estarem
Afonso Dhlakama mente esta quarta-feira que passa dos Recursos Minerais e Energia da

ció
Em entrevista telefónica ao SAVA-
NA, Afonso Dhlakama, que falou a a coberto do partido no poder e do abandonado a luta pela democracia. bem de saúde e tem a sua situação empresa Socadiv holding limitada,
partir das encostas da Serra da Go- Governo, garantido que as negocia- Como me referi no início desta con- alimentar controlada nas encostas da que explorava as minas de turmalinas
rongosa, disse que recebeu com tris- ções vão continuar para vingar a de- versa, já foram assassinados muitos Serra da Gorongosa, negando notí- e quartzo no distrito de Báruè, pro-
teza a notícia da morte de Jeremias mocracia. dos nossos, membros e quadros em cias de estar numa situação difícil. víncia de Manica, e posterior tomada
Pondeca, começando as declarações “Vamos continuar em pé, vamos Maputo como nas outras províncias, “Não se passou nenhuma coisa”, de- de controlo pelas Forças de Defesa e
com condolências à família enlutada. continuar a lutar para a democracia, mas a luta sempre continuou”. clarou Afonso Dhlakama, adiantan- Segurança (FDS) está muito grave.
“Aquilo (o assassinato) foi uma tra- para que haja de facto alternância go- Dhlakama reconhece que as actuais do que desde a anterior entrevista A mesma notícia atribuída ao SA-
gédia para nós, é triste”, lamentou vernativa”, disse Afonso Dhlakama, execuções dos membros da Renamo SAVANA,, a 05 de Outubro “até
ao SAVANA VANA dizia que Dhlakama está sem
Dhlakama, líder do maior partido sustentando que “queremos trabalhar “são claramente para obrigar a Rena- hoje, a situação é a mesma. Não hou- comida, sem água e com seu estado
da oposição em Moçambique, des-
crevendo Jeremias Pondeca como
“homem forte” e “homem grande” do
partido, adiantando que como a fa-
mília, a Renamo também se ressente
da sua perda.
Dhlakama disse que Pondeca foi
no sentido de fazer com que o regi-
me reforme e haja uma democracia
funcional, haja um estado de direito
e democrático”.
Defendeu: “não podemos abandonar
as negociações. Não pode ser atitude
ou comportamento da Renamo aban-
so
mo a recuar na sua luta pela demo-
cracia”, admitindo que ao recuar “se-
ria um comportamento de cobardia”.
Reiterou ainda: “a única maneira de
agirmos é continuar a lutar até che-
garmos ao objectivo de devolvermos a
paz e a democracia em Moçambique,
ve nada, absolutamente nada, estou
bem e continuo vivendo aqui na re-
gião da Gorongosa”.
Notícias postas a circular esta semana,
num website falso (www.jornalsava-
na.com), associando as informações
ao jornal SAVANA, num esforço
de saúde debilitado, alegadamente
por falta de logística. Aliás, avançava
a notícia de que helicópteros de co-
merciantes e de aliados da Renamo
pararam de sobrevoar, tanto a Serra
da Gorongosa, assim como o distri-
to de Báruè, porque o espaço aéreo
membro desde a clandestinidade e, donar a luta, quando acontece uma onde as instituições da justiça possam para credibilizar a notícia, avança- está sobre controlo, deixando Afonso
além de deputado da Assembleia da coisa dentro da casa, senão teríamos funcionar, para responsabilizar os que vam que o líder da Renamo, Afon- Dhlakama sem saída.
um

The GEF Small Grants Programme (Programa de Pequenas Subvenções do GEF)


MOZAMBIQUE

Ciclo de Candidatura de Projectos


O “GEF Small Grants Programme (SGP)” pretende produzir benefícios ambientais d) Melhoria do acesso a energias limpas e renováveis, bem como de co-benefícios adja-
de

globais nas áreas estratégicas do GEF (Facilidade Mundial para o Ambiente). O FHQWHV UHGXomRGRVHIHLWRVGDVPXGDQoDVFOLPiWLFDVFRQWUROHGRGHÁRUHVWDPHQWRDX-
SRLRÀQDQ-
*()6*3SURPRYHRGHVHQYROYLPHQWRVXVWHQWiYHOSURYLGHQFLDQGRDSRLRÀQDQ
*()6*3SURPRYHRGHVHQYROYLPHQWRVXVWHQWiYHOSURYLGHQFLDQGRD mento dos stocks de carbono, redução de emissões, melhoria da segurança alimentar,
ceiro e técnico para micro-projectos, que preservem e reabilitem o meio natural, adopção de políticas de adaptação e alívio à pobreaza);
enquanto melhoram as condições de vida das populações. É implementado pelo e) Promoção de alianças no controle de poluentes químicos, sobretudo adubos, fertili-
PNUD em colaboração com o MITADER e executado pela UNOPS. zantes, plásticos e metais pesados (reciclagem, melhoria do manuseio e armazanamen-
to, eliminação de uso quando adequado, redução de intoxicações, e consciencialização
Elegibilidade sobre os impactos adversos);
Projectos cujas actividades incluem a demonstração de tecnologias inovativas, o f) Promoção de plataformas de diálogo entre OSCs-Governo (incremento da participa-
desenvolvimento de capacidades organizacionais no uso e maneio dos recursos ção das organizações da sociedade civil na implementação dos acordos ambientais in-
naturais, a partilha de conhecimentos e advocacia, e a pesquisa aplicada. Apoio a ternacionais);
actividades de base comunitária reconhecendo a importância do conhecimento tra- g) Inclusão social na redução da pobreza e vulnerabilidade (promoção da equidade de
io

GLFLRQDODOLDGRjSUiFWLFDVFLHQWtÀFDVPRGHUQDVHLQRYDWLYDV'HVHQYROYLPHQWRGH
GLFLRQDODOLDGRjSUiFWLFDVFLHQWtÀFDVPRGHUQDVHLQRYDWLYDV'HVHQYROYLPHQWRGH género, inclusão de grupos juvenis e criança, e populações indígenas);
uma abordagem participativa e integrada que tome em consideração os aspectos h) Promoção de plataformas de troca de conhecimento, diálogos e cooperação (criação
de equilíbrio de género, pobreza, vulnerabilidade e demais aspectos transversais. de bases de dados, partilha de conhecimentos, forum de OSCs, cooperação sul-sul e
A calendarização das actividades dos projectos deve ter uma duração entre 6 à 24 norte-sul).
meses.
ár

Calendário
Condições de acesso aos fundos
Condições de acesso aos fundos De 01 à 31 de Outubro de 2016: recepção de candidatura de propostas de projectos
Cobertura de uma ou mais das áreas estratégicas do GEF de biodiversidade, mu- De 01 à 15 de Novembro de 2016: avaliação das propostas de projectos
danças climáticas, degradação de terras, águas internacionais, poluentes orgânicos 17 de Novembro de 2016: divulgação de resultados
SHUVLVWHQWHVHTXtPLFRVJHVWmRVXVWHQWiYHOGHÁRUHVWDVHGHVHQYROYLPHQWRGHFD-
SHUVLVWHQWHVHTXtPLFRVJHVWmRVXVWHQWiYHOGHÁRUHVWDVHGHVHQ
pacidades organizacionais em OSCs (ONGs - Organizações Não Governamentais 6REUHRÀQDQFLDPHQWR
e OBCs - Organizações de Base Comunitária). Enfoque temático na melhoria das O acesso aos fundos do SGP está apénas aberto à OSCs (ONGs e OBCs) nacionais devi-
Di

FRQGLo}HVGHYLGDGDVFRPXQLGDGHV(QIRTXHJHRJUiÀFRFREULQGRiUHDVGHVLJQL-
FRQGLo}HVGHYLGDGDVFRPXQLGDGHV(QIRTXHJHRJUiÀFRFREULQGRi GDPHQWHUHJLVWDGDV2YDORUPi[LPRGHÀQDQFLDPHQWRpGRHTXLYDOHQWHjPLO86'
ÀFkQFLDDPELHQWDOQDFLRQDOGHÀQLGDVQDHVWUDWpJLDQDFLRQDOTXHFRQWULEXDPSDUD
ÀFkQFLDDPELHQWDOQDFLRQDOGHÀQLGDVQDHVWUDWpJLDQDFLRQDOTX contudo terão preferência as propostas que não excedam os 30 mil USD. Os custos ad-
a protecção do meio ambiente global. ministrativos (pessoal e escritório) não devem exceder à 25% do custo total do projecto.
2VSURSRQHQWHVRXEHQHÀFLiULRVGHYHPFRPSDUWLFLSDUÀQDQFHLUDPHQWHHPGLQKHLURRX
Nicho de enfoque dos projectos
Nicho de enfoque dos projectos em espécie num rácio de 1:1 em relação ao valor solicitado ao GEF.
a) Conservação comunitária de paisagens terrestres, água-doce e costeiro-mari-
nhas no sentido de protecção de biodiversidade (nas regiões do Rovuma, Lago Contactos
Niassa, Bacia do Zambeze, Arquipélago das Primeiras e Segundas, Arquipélago úQIRUPDo}HVDGLFLRQDLVHIRUPXOiULRGHFDQGLGDWXUDSRGHUmRVHUREWLGRVDWUDYpVGRHQGH-
do Bazaruto); reço abaixo.
b) Actividades inovativas de agro-ecologia, na vertente de mudanças climáticas
SDUDSUHVHUYDomRGHSDLVDJHQVSURGXFWLYLGDGHDJUtFRODHÁRUHVWDOLQFOXLQGRSHV- GEF UNDP/ Small Grants Programme - Rua Kibiriti Diwane, nº 322 - Maputo –
ca, e incremento da educação ambiental (âmbito nacional com incidência para a Mozambique – Caixa Postal 4595 - Tel.: +258 21481400 - Fax: +258 21491695 - E-mail:
região centro); augusto.correia@undp.org ou paula.boane@undp.org - Web-page: www.undp.org/sgp
c) Desenvolvimento de capital humano para promoção de economia verde, advo-
cacia e diálogos, preservação de recursos transfronteiriços (aquíferos) e promoção
de serviços de ecossistemas (melhoria da resiliência dos sistemas naturais);
SOCIEDADE
6 Savana 14-10-2016

Sérgio Chichava, pesquisador do IESE

“O país está descontrolado”


Por Argunaldo Nhampossa

o
O actual contexto obriga-me Como consolidar a Unidade Na- concorremos por igual e consegui-
a ser muito prudente. Ne- cional? mos atrair o nosso alvo mostrando
nhuma revolução se fez ou A Unidade Nacional deve flectir aos clientes que o nosso produto é

log
democracia se conquistou no a diversidade e não pode ser vista o melhor. No campo político tem de
mundo sem mártires e sem derrame como homogeneidade de pensa- ser assim, chegar ao poder porque
de sangue. E como nós queremos mento ou negar o diferente. Ver consegues mostrar que és melhor
que as pessoas vivam bem, se ex- aquele que critica como apóstolo da e não pelo facto de não teres mais
pressem e critiquem abertamente desgraça ou como inimigo da pátria condições em relação aos outros.
os factos, temos de nos sacrificar. isso é problema. É preciso tolerar O que acha da proposta da descen-
Seria trair a minha geração a ab- a diversidade de ideias por repre- tralização da Renamo?
dicar desse papel, mas no presente sentar a heterogeneidade do país e O meu colega Luís de Brito foi in-
contexto é preciso ter muita cautela. isso contribui para a estabilidade timidado por debater essa temática

ció
O país está descontrolado e temos do país, contribui para a convivên- e não quero debater. Mas digo-te o
de ser prudentes no que falamos”. cia democrática e o contrário põe seguinte: A inclusão significa acabar
Foi com estas palavras que Sérgio tudo em causa. Uma sociedade em com gradualismo e estender a autar-
Chichava, director adjunto para que não se fala está condenada ao cização por todo o país. O argumen-
investigação e, em simultâneo, fracasso. Apelo às autoridade gov- to de que temos de ir gradualmente
presidente do Conselho Científico ernamentais e ao presidente Nyusi, é falso, sabemos que se nós acelerar-
do Instituto de Estudos Sociais e que por sinal pertence a uma nova mos isto para todos os cantos do país
Económicos (IESE,) iniciou a con- geração de indivíduos letrados, para o mapa político pode mudar e alguns
versa de apresentação da sétima dar mais confiança aos cidadãos ou sítios podem ser ganhos por outros
edição da coletânea “Desafios para
Moçambique 2016” ao SAVANA.

Justifica a necessidade de prudência


devido às ameaças de morte que o
seu colega Luís de Brito sofreu no
primeiro semestre do ano, o aten-
tado contra José Jaime Macuane en-
so
“Quem pensa diferente não pode ser visto como inimigo da pátria”
tas fragilidades de liberdade de ex- rem o que pensam.
— Sérgio Chichava
Ilec Vilanculos
encorajá-los a apontar críticas na-
quilo que acham que não anda bem.
Não se trata de gostar ou não da
Frelimo ou do Presidente, porque a
crítica nem sempre é destrutiva. Não
é possív
possível faz
fazer tudo bem na vida.
Falou da paz, inclusão e tolerância
partidos e não interessa a outros.
Diversos segmentos da sociedade
queixam-se da exclusão e, na mesa
das negociações, a Renamo reivin-
dica o mesmo. Acha que as ideias
da Renamo podem resolver esta
inquietação da sociedade?
como principais desafios do gov- A Renamo não é diferente da Fre-
tre tantas outras acções que visavam pressão e de pensamento? O professor Luís de Brito já re- erno, como olha para o curso das limo e isso vem desde o Acordo
silenciar os que pensam diferente. Não diria que ainda existe, mas que gressou ao país ou não? negociações entre o governo e a Geral de Paz (AGP). A Renamo co-
um
Deste modo, mostrou reservas em desde há um ano a situação piorou. Não abandonou o país. Está e sem- Renamo. locou em tempos a barreira dos 5%
abordar alguns assuntos candentes Nos últimos anos é acto de grande e pre esteve aqui e sai uma vez a outra. Temos um artigo que analisa as cau- de votos como condição para que os
da política nacional. muita coragem exprimir uma opin- Depois daquelas afirmações ele foi sas do actual conflito e conclui que partidos tivessem representação par-
À semelhança da edição de 2012, o ião contrária ao establishment. Não hostilizado sobretudo nalguma imp- a intolerância política, a exclusão lamentar. Com aquela barreira im-
“Desafios para Moçambique 2016” há tolerância ao pensar diferente, rensa e nas redes sociais. Ele fez bem política, economia e social das elites pediu a entrada de partidos peque-
elegeu um tema para analisar e a es- basta olhar para os casos de Luís de em ficar calado e não responder. Es- militares e políticas, a luta pelo con- nos na AR, o que mostra que nunca
colha recaiu no Plano Quinquenal Brito e de Jaime Macuane. Antes, tamos numa situação em que o fu- trolo e manutenção do poder, o baixo quis incluir os outros. A Renamo
do Governo (PQG) 2015-2019. Ex- as pessoas emitiam os respectivos turo não se mostra sustentável. Uma nível de confiança entre as elites da não pratica a inclusão. Para ela falar
plicou Chichava que a ideia central pareceres e podiam ser ignoradas, sociedade não pode desenvolver sem Frelimo e da Renamo, a partidariza- da inclusão é com a Frelimo e vice-
não é de analisar exaustivamente o mas hoje o cenário é outro e pode debate, ou seja, a riqueza de um país ção das instituições políticas, entre versa. Para a Renamo, a inclusão é
instrumento governativo, mas sim colocar em causa a integridade física é a sua diversidade de ideias e étnica. outros, são alguns dos factores expli- somente para os seus militares para
alguns aspectos do plano. da pessoa. cativos da crise político-militar em que tirem benefícios do Estado e nós
Descentralização
de

O livro com cerca de 400 páginas, Considera o regime do dia intoler- Moçambique. sabemos disso.
que será lançado na próxima quinta- ante? Recentemente a comissão mista Não vamos esperar inclusão dos out-
feira, 20 deste mês, conta com 14 Não sei dizer se é o regime do dia, solicitou Bernhard Weimer, para “A Renamo não é diferente ros porque o partido de Dhlakama
artigos, escritos por 17 autores dos porque nuncaa ouvi o presidente Ny- apresentar o seu trabalho sobre a da Frelimo” nunca impôs que se deveria incluir
quais 12 do IESE e os restantes usi a se pronunciar acerca disso. Mas descentralização, um produto do Materializando os itens acima outros partidos ou forças nos de-
convidados. A obra está dividida em o presidente Guebuza mostrou-nos IESE. Então, são intimidados por elencados, acredita que teremos bates. O presidente do MDM diz
quatro sessões a saber: Política, Eco- que era intolerante à crítica e falava um lado, mas por outro valoriza-se uma paz duradoura? que quer entrar nas negociações, mas
nomia, Sociedade e Moçambique no abertamente com os que o critica- o vosso trabalho... É preciso repensar o sistema eleito- está a sonhar porque aquilo só se vai
mundo, esta última não estabelece vam chamando-os de apóstolos de Aí está. Estamos a falar do pensar ral, em que quando um indivíduo resolver entre o governo e a Renamo,
nenhuma ligação com o PQG. desgraça, tagarelas, mas não havia diferente para o bem do país. Defen- amealha 51% de votos num determi- tal como sempre se resolveu.
io

Depois de na última edição terem mortes. demos que tinha de ser assim, pelo nado local leva tudo e tu ficas com Para além da crise política, o
colocado a paz como principal de- Quando Nyusi tomou posse viu-se menos ouvir, já é importante, não zero. Em África estar na oposição país atravessa também uma crise
safio do governo que havia saído uma certa abertura para com a im- estamos a dizer que devem aceitar significa estar no zero e não tens económico-financeira. Quais os
das eleições, para este ano quais são prensa e a sociedade no seu todo e tudo o que dissemos. Nenhum país nada para redistribuir aos teus mem- desafios que a obra do IESE nos
os novos desafios? as pessoas tinham esperança
esperanç de dias se faz sem pensar diferente, perigo é bros. Estamos numa situação em apresenta nesta matéria?
A paz, a inclusão, a tolerância, e o melhores relativamente às liberdades ausência de escolhas. que, por um lado, há obsessão em Nesta edição não falamos das dívi-
ár

respeito pelas diferenças continu- fundamentais. Neste momento pa- Moçambique era um exemplo e or- continuar no poder e, por outro, há das ocultas por já termos feito uma
am sendo os principais desafios do rece que estão preocupados com gulhava-me do meu país, mas neste obsessão de alcançar o poder custe análise exaustiva sobre isso. Mas
governo do dia. Não se pode ver outras coisas que não seja liberdade momento o país mete medo. Visitar o que custar, incluído com recurso abordamos a questão da estrutura da
quem pensa diferente como sendo de expressão, mas por enquanto não Moçambique, pensar em Moçam- à destruição. As elites acumulam as dívida pública no contexto do PQG
um perigo. Na secção política, re- posso comparar
compar os dois governantes. bique e fazer filhos em Moçambique riquezas através do poder, pois sabe- em que o governo se compromete a
flectimos em torno da primeira das Esta situação
situaç fragiliza-vos?
sit mete medo. Diferentemente dos se de antemão que na nossa socie- aumentar a produtividade e a com-
Di

cinco prioridades do PQG, que é a Não, embora faça com que tenhamos outros países, temos riquezas como dade quem controla o Estado tem petitividade da economia de modo
unidade nacional, vista como fac- mais cautelas. Não vamos negar isso gás, petróleo, diamante, carvão, ma- tudo. a gerar crescimento económico
tor aglutinador dos moçambicanos, porque não sabemos quem está por deira, areias pesadas entre outros que O sistema eleitoral deve ser repre- que permita gerar empregos e, por
independentemente da filiação par- detrás dessa onda de intimidação e bem geridas dão muito bem para os sentativo das aspirações das popula- sua vez, um crescimento inclusivo.
tidária. Para tal, olhamos o uso deste fragilização das liberdades. Moçam- 25 milhões de habitantes que somos. ções locais, ou seja, tu tens de votar e Constatámos que a maior parte do
termo desde o período da fundação bique regrediu muito em matéria de A riqueza não pode ser vista so- sentir que o teu voto tem valor. Num bolo de endividamento foi para as
da Frelimo até ao presente momento liberdade de expressão, está numa mente sob ponto de vista de recur- jogo de futebol não há vencedores infra-estruturas, o que em si não é
e concluímos que a unidade nacional situação jamais vista em que as pes- sos naturais, mas também do capital antecipados e a democracia tem de problema porque o país precisa de
continua longe do esperado. Voltou a soas têm medo de falar. Mesmo ao humano e precisamos de investir ser vista nestes termos. estradas, pontes entre outros. Sucede
ter fundamento na própria Frelimo, telefone as pessoas têm medo de muito neste ponto. O Japão não Vou considerar Moçambique um que as ditas infra-estruturas não têm
na medida em que não admite quem serem escutadas. Já não há confiança tem recursos naturais, mas investiu Estado democrático no dia em que a nenhuma ligação com as actividades
pensa diferente. Ou seja, quem pen- mútua entre as pessoas, por não se fortemente no capital humano, en- democracia for um jogo de incerteza produtivas. De acordo com o artigo,
sa diferente do partido e do governo saber com quem se está a falar. quanto isso nós estamos a brincar e houver livre concorrência. Quan- parte da estratégia do endividam-
coloca em causa a unidade nacional. O presidente Guebuza foi muito com a educação, destruímos tudo de do um partido não chega ao poder ento está complemente deslocado
Mudamos de sistema político, mas criticado, não sei se isso se deveu ao qualquer maneira, não há vontade de por não ter conseguido mobilizar o de qualquer relação com actividades
não as práticas. crescente acesso à informação, mas desenvolver universidades que só o eleitorado por falta de mensagem. produtivas quer directa ou indirecta-
Quer dizer que ainda temos mui- hoje é perigoso as pessoas expressa- são por causa do nome. Num mercado de livre concorrência, mente.
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Savana 14-10-2016 7
SOCIEDADE
8 Savana 14-10-2016

Moçambique e RSA reivindicam ganhos


no combate à caça furtiva

o
N
Por Argunaldo Nhampossa

log
uma altura em que al- a vulnerabilidade das populações.
guns sectores conside- O chefe da equipa dos seguranças
ram o combate à caça do Kruger Park , Nicholus Funda,
furtiva como uma bata- também reconheceu a estabiliza-
lha perdida a favor dos sindicatos ção das acções furtivas no corredor
de crime, os governos de Moçam- transfronteiriço e congratulou ao
bique e África do Sul vieram a empenho do governo moçambica-
público desmentir estas informa- no neste campo, que antes não era
ções, tanto é que já falam de uma dado a devida atenção.

ció
ligeira estabilização da situação Falou da importância de opera-
na zona transfronteiriça de Lim- ções conjuntas, partilhas de infor-
popo. As partes apontam como mações estratégicas e apelou para
principal desafio dos próximos a necessidade de intensificação
tempos chegar aos mandates dos de operações naquele corredor de
furtivos de modo a acabar de uma forma a acabar de uma vez por
vez por todas com este crime con- todas com os sindicatos de crime.
tra a natureza. Para o alcance deste meta, desa-
fiou as autoridades nacionais a in-
À margem da conferência das
Partes da Convenção sobre o Co-
mércio Internacional das Espécies
da Flora e da Fauna Selvagens
em Perigo de Extinção (CITES-
-COP17), que terminou semana
moçambicana no evento, esteve o
director-geral da Administração
Nacional das Áreas de Conserva-
ção (ANAC), Bartomoleu Soto,
so
Moçambique e RSA congratulam se das missões de patrulha conjuntas
“Estamos a ter mais de 2000 mil
animais a nascer por ano e os nos-
sos dados indicam que, em 2104,
foram caçados 600 elefantes, em
país da lista negra da Convenção
sobre o Comércio Internacional
de Espécies de Fauna e Flora Sel-
vestirem mais neste luta, porque
muitas vezes o seu país é obriga-
do a ajudar a sua contraparte em
combustível e mantimento para os
agentes de modo a materializar as
operações.
Outro passo importante indicado
vagens Ameaçadas de Extinção
finda, na zona de Sandton, em que constatou progressos assina- por Nicholus Funda é a necessi-
2015, 300 paquidermes. Concluí- (CITES), visto que era conside-
(CI
Johanesburgo, Moçambique e o láveis na cooperação entre os dois dade de imprimir maior eficácia
mos que estão a nascer mais ani- rado um país que nada fazia para
um
país anfitrião organizaram uma no sistema judiciário, de modo
países na luta contra a caça furtiva mais do que estão sendo caçados. combater o abate indiscriminado
reunião bilateral para analisarem que se chegue aos mandatários,
e tráfico de espécies da fauna bra- O que acontece é que tínhamos de animais bem como o facto de facto que deve contar com o tra-
o rumo das acções conjuntas no
via. um controlo fraco e, nos últimos ser um corredor privilegiado. balho dos seguranças dos parques
combate à caça furtiva e comércio
Diz ter esperança de que unidos tempos, ficou cada vez mais forte”, Assinalou que, paralelamente às que não podem atirar para matar,
ilegal de espécies faunísticas.
vão ganhar a batalha e prova dis- explicou. incursões militares, é preciso in- mas sim fazer tudo por tudo para
Os dois países assinaram em 2002
so é redução em mais de 50% dos Falou dos avanços na reforma da vestir na melhoria da qualidade neutralizá-los.
um acordo para preservação da
níveis da caça e, em paralelo, o legislação, pois a vigente prevê de vida das comunidades circun- “Temos muita gente na cadeia,
biodiversidade na zona do grande
aumento do númeroo de detenções pena de prisão a quem é encontra- vizinhas às áreas de conservação, mas não estamos satisfeitos por-
Limpopo, facto que em 2014 re-
dos furtivos. do a caçar e multa para aquele que provendo mais serviços básicos, que ainda queremos deter os
sultou na criação de equipas mul-
Questionado se a redução das in- armazena ou transporta os cornos como escolas, hospitais, mecanizar mandantes, aqueles procuram os
tissectoriais de trabalho.
cursões furtivas não resultavam da de rinoceronte ou pontas de mar- a agricultura e gerar postos de em- pobres e oferecem dinheiro, armas
As autoridades sul-africanas lou-
de

inexistência de animais para abate, fim, que muitas vezes é o principal prego, como forma de minimizar de fogo para irem a caça”, disse.
varam o trabalho desencadeado
pela sua contraparte ao criar uma Soto refutou, mas os números de mandante. Neste sentido, a pro-
força de Protecção de Recursos rinocerontes existentes levam-nos posta de emenda já foi submetida
Naturais e Meio Ambiente, a in- a concluir que os animais estão em parlamento, e que se espera seja
ao par
clusão da Procuradoria-geral da extinção. debatida na sessão que vai arran- Provenientes de Moçambique
República (PGR), da Polícia de Segundo o dirigente, o Parque car daqui a 15 dias, possa punir
Investigação Criminal (PIC) e as
acções de capacitações conjuntas
Nacional de Limpopo tem 20 ri-
nocerontes, que contam com uma
severamente com pena de prisão a
toda a rede dos envolvidos, desde 'XDVWRQHODGDVGHPDUÀP
apreendidas no Vietname
dos guardas fronteiras. É que, por segurança redobrada de modo que o caçador, transportador, armaze-
io

C
várias vezes, os vizinhos criticaram a espécie não se extinga no país. nador entre outros cúmplices, para
a inércia das autoridades moçam- Em 2014 diz ter contabilizado 10 cortar a cadeia de crime.
bicanas no combate à caça furtiva. mil elefantes no país, cuja taxa de A revisão legislativa é vista como
erca de duas toneladas de marfim escondidos, num carre-
Em representação da delegação reprodução é de 2 a 3% ano. fundamental também para tirar o
gamento de madeira proveniente de Moçambique, foram
ár

apreendidas no Vietname pelas autoridades aduaneiras,


Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia R Necrologia disse sexta-feira passada uma fonte autorizada.
Embora o comércio de marfim seja proibido no Vietname, o país
continua a ser um mercado apetecível para produtos de marfim.
Ibraimo Abdul Oficiais aduaneiros inicialmente disseram que encontraram 500
quilos de marfim em duas caixas de madeira proveniente de Mo-
çambique num porto de Ho Chi Minh City, mas depois actua-
Di

Faleceu lizaram os números depois de uma pesquisa mais aprofundada.


Um comunicado do Departamento de Alfândegas Vietna-
O Conselho de Administração da mediacoop SA, as mita confirmou mais de dois mil quilos de pontas de marfim.
“Esta transferência não teria sido descoberta sem profissio-
direcções editoriais das publicações mediaFAX, SA-
nalismo e vigilância”, disse o vice-chefe do departamento das
VANA, e rádio SAVANA
SAVANA, os jornalistas e todos os Alfândegas, Hoang Viet Cuong, citado pelo Bangkok Post
outros trabalhadores lamentam, com pesar, o faleci- A última apreensão foi feita há duas semanas, onde foram descober-
mento do seu trabalhador, colega e amigo, Ibraimo tas 300 quilogramas de pontas de marfim no aeroporto de Hanói.
Abdul, ocorrido na madrugada do dia 07 de Outubro A encomenda vinha da Nigéria falsamente rotulados como vidro.
corrente, vítima de doença.O funeral teve lugar se- O Vietname proibiu o comércio de marfim em 1992, mas a fra-
gunda-feira, 10/10/16, no cemitério de Michafutene. ca aplicação da lei permitiu que o seu comércio ilegal persistisse.
Uma pesquisa no ano passado descobriu mais de 16 mil pontas de
Nesta hora de dor e perda apresentamos à família marfim disponíveis em Hanói, de acordo com a Convenção sobre o
enlutada as nossas mais sentidas condolências. Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora
Até sempre, mano Ibra! Selvagens (CITES).
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SOCIEDADE
Savana 14-10-2016 9
10
SOCIEDADE Savana 14-10-2016

Lava Jato persegue dinheiro em Moçambique

6XVSHQVRÀQDQFLDPHQWRSDUD0RDPED0DMRU
E
Por Armando Nhantumbo

o
fusivamente exaltadas Em paralelo aos processos suspen-
como dos marcos inde- sos e em análise das empreiteiras, o
léveis da governação de banco criou medidas mais rígidas

log
Armando Guebuza, as para o financiamento a exportação
obras de construção da barragem de bens e serviços de engenharia.
Moamba Major, na província de Segundo  Ramos, o BNDES vai
Maputo, poderão transformar- levar em conta para a liberação de
-se num pesadelo, na sequência da financiamentos para exportações
suspensão, pelo Banco Nacional serviços de engenharia em geral
de ser
de Desenvolvimento Económico e o impacto dos projectos na cadeia
Social (BNDES) do Brasil, de em- produtiva e efeitos sobre pequenas e
préstimos a exportações de serviços médias empresas do país.

ció
de engenharia para as principais “Só vamos agora apoiar se houver
empreiteiras brasileiras investiga- agregação de valor na cadeia produ-
das na operação Lava Jato. tiva nacional (…) Estamos dando
uma resposta do banco a demandas
Num pacote de contratos que to- da sociedade.”  O BNDES  tam-
talizam USD 4.7 mil milhões, a bém vai monitorar mais de perto as
suspensão, noticiou esta terça-feira obras realizadas com seus recursos
a revista brasileira VEJA, afecta os no exterior por meio de ferramen-
grupos Odebrecht, OAS, Queiroz tas de sensoriamento remoto que
Galvão, Camargo Corrêa e Andra-
de Gutierrez e engloba contratos de
exportação de serviços para países
como Argentina, Cuba, Venezuela,
Guatemala, Honduras, República
Dominicana, Angola, Moçambique
e Gana.
so
Num lobbyGH$UPDQGR*XHEX]D'LOPD5RXVVHI´IDFLOLWRXµÀQDQFLDPHQWRSDUDDEDUUDJHP0RDPED0DMRU
GH$UPDQGR*XHEX]D'LOPD5RXVVHI´IDFLOLWRXµÀQDQFLDPHQWRSDU
incluem utilização de imagens por
satélite, acrescenta a notícia da re-
vista VEJA.
Porém, o director do projecto, Elias
Paulo, citado na noite desta quarta-
-feira, pelo canal televisivo stv, disse
que ainda não tinha sido comunica-
eleição presidencial, um contrato mil milhões, sendo que USD 2.3 um compliance do exportador e do oficialmente a suspensão do fi-
Sabe-se, no entanto, que a brasilei- entre o banco brasileiro, a Repúbli- mil milhões já foram desembolsa- impor
importador que vai declarar que na- nanciamento. Garantiu, entretanto,
ra Andrade Gutierrez, ao encalço ca Moçambique (representada pelo dos. quela obra tudo ocorreu conforme a que os trabalhos estão a decorrer,
um
da operação Lava Jato que rastreia ex-ministro das Finanças, Manuel “Evidentemente, é uma negociação lei… se no futuro algo for descober- normalmente e, mais ainda, Paulo
esquemas de corrupção no Brasil, Chang) e a Andrade Gutierrez, dura.  A  gente vem conversando to pode-se cobrar multa, devolução não vê em que medida a Lava Jato
fechou, em 2014, um pacote finan- desbloqueando assim a linha de e vamos tentar chegar ao melhor do dinheiro e haver suspensão do pode afectar a barragem Moamba
ceiro de USD 320 milhões para a crédito de USD 320 milhões. termo”, disse o director da área de desembolso”, afirmou o director. Major.
construção da barragem de Moam- “Entre as empreiteiras brasileiras, exportação do banco de fomento,
ba Major, na província de Maputo, a Andrade foi a principal contri- Ricardo Ramos, citado pela revis-
extremo sul de Moçambique. buidora da reeleição de Dilma, de- ta. “Nem todos estão satisfeitos e
O financiamento foi possível com sembolsando quase o triplo do total precisamos ter tempo para olhar os
“facilitação” da então presidente, repassado pela UTC”, escreveu, na critérios futuros”, acrescentou.
Dilma Roussef que, de acordo com sua edição de 8 de Janeiro de 2016, De acordo com a imprensa brasi-
documentos publicados pela im- a revista ÉPOCA, detida pelo gru- leira, a suspensão dos desembolsos
prensa brasileira, actuou em favor po multimédia brasileiro, a Globo. será temporária e, a partir de agora,
de

da Andrade Gutierres na contrata- a liberação dos recursos dependerá


No dia 31 de Outubro de 2014, no
ção do “bolo” dos USD 320 milhões do enquadramento a novos critérios
lançamento da primeira pedra para
do estatal BNDES, precisamente, criados pelo banco para consumar a
a construção de infra-estruturas,
na véspera da eleição de 2014 que operação. De acordo com o director
Armando Guebuza saudava a “par-
a reconduziu para um segundo do banco
banco, os projectos serão analisa-
ceria brasileira”.
mandato que, entretanto, acabou dos caso a caso e alguns poderão ser
“Queremos saudar a parceria bra-
travado, há sensivelmente um mês, suspensos definitivamente.
sileira neste projecto. Por isso, en-
por um sinuoso processo de impe- “É um momento difícil (…) e fi-
dereçamos, através de si, Senhora
achment. zemos um freio de arrumação. Uns
Embaixadora (Lígia Maria Sherer
Quando o assunto foi despoletado,
io

esteve directamente envolvida na poderão ser suspensos e outros, can-


em princípios do ano, a imprensa celados. Vamos chegar a um bom
negociação, com telegramas que

Até sempre Ibraimo


brasileira revelou que, em Março de

H
posteriormente vazaram para a termo”, declarou Ramos ao comen-
2013, a ex-presidente  brasileira  se tar a decisão. 
reuniu com o então presidente mo- imprensa), palavras de agradeci-
mento e de reconhecimento ao seu O ponto de partida para a decisão
çambicano, Armando Guebuza, em foi uma acção civil pública movi-
Governo pelo apoio com recursos
ár

oje sentimos a frieza da luta pela vida no leito hospita-


Durban, na África do Sul, durante da pela Advocacia-Geral da União
um encontro dos BRICS (Brasil, que irão complementar o exercício morte. Nesta segunda- lar, acabaste por não vencer e
interno, tendo em vista erguer esta (AGU) contra as empreiteiras en- -feira levamos-te na partiste muito cedo. A doença
Rússia, Índia, China e África do
infra-estrutura hidroeléctrica. Con- volvidas na Lava Jato para tentar tua última viagem. Sa- te levou.
Sul, as chamadas economias emer-
tamos com a crescente consolidação reaver recursos desviados. bemos que nunca mais seremos Mano Ibra, tinhas apenas 40
gentes), reunião na qual Roussef se
dispôs a “resolver o assunto” da li- e diversificação desta parceria que já Novos critérios os mesmos sem você, mas a vida anos de idade, tiveste uma in-
fância conturbada. A guerra dos
deu muito no passado e tem o po- continua. Como dizia o outro, a
Di

bertaçãoão do dinheiro para Moçam- Para que os USD 4.7 mil milhões
tencial de dar muito mais no futu- vida seria uma eterna comédia se 16 anos tirou-te, aos oito anos,
bique. em empréstimos sejam liberados
ro”, disse, na altura, Guebuza. a morte não existisse. os teus pais e irmãos. Ficaste
É que, o banco estatal brasileiro co- pelo BNDES às empreiteiras no fu-
Ibraimo Abdul, ou simplesmen- sozinho. Viveste com uma bala
locava como condicionalismo para turo, prossegue a VEJA, as empresas
libertar o dinheiro a abertura, por Sem Dilma, BNDES trava terão de obedecer quatro critérios te mano Ibra, queremos que sai-
alojada próximo ao coração

Moçambique, de uma conta bancá- mola criados pelo banco de fomento. As bas a honra que sentimos por ti
durante 32 anos, Resististe às
adversidades da vida até ao dia
ria fora do país, no que chamava de Entretanto, o BNDES anunciou, condições incluem avanço físico da como nosso colega. de hoje.
“uma economia com baixo risco de esta semana, o anúncio da sus- obra, nível de aporte de recursos de Sabemos que partiste para nun- Isso para nós é injusto. Mere-
calote”, um procedimento comum pensão de crédito à exportação de mais financiadores (além do BN- ca mais voltares, mas queremos cias mais. Os teus dois filhos
nos financiamentos à exportação empreiteiras da Lava Jato, que in- DES) e impacto de novos desem- que saibas que nos nossos cora- são novos demais. Tem apenas
do  BNDES que, entretanto, Gue- clui Moçambique, cerca de um mês bolsos no incremento da exposição ções viverás para sempre, serás sete e quatro anos, respectiva-
buza recusava. depois da destituição da presidente e do risco de crédito do BNDES um modelo, um marco nas nos- mente. Ainda precisam de si.
Foi com a intervenção de Dilma que “libertou” o financiamento ao em cada país. sas vidas, um exemplo de bon- A tua mulher também, mesmo
Roussef que o BNDES “abriu ex- governo de Armando Guebuza. Além disso, um termo de complian- dade. nós colegas...mas enfim....assim
cepção” para Moçambique, ten- Ao todo, refere a VEJA na sua sec- ce (boas práticas) deverá ser celebra- Na madrugada de 07 de Outu- quis o destino.
do sido assinado, a 16 de Julho de ção económica, a suspensão inclui do entre o BNDES e cada exporta- bro de 2016, após alguns dias de Até sempre....
2014, em plena campanha para a 25 projectos, que somam USD 4.7 dor e cada devedor. “Vamos exigir
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SOCIEDADE Savana 14-10-2016

Ala crítica da Frelimo evita comentários públicos depois dos recados de Nyusi

Disciplinados e estrelas de cinema mudo!


- “Eu sou um militante muito disciplinado” , reagiu, ironicamente, Tomaz Salomão

o
A
Por Armando Nhantumbo
o cair do pano da III Sessão que fosse vivo o país não estaria, hoje,

log
Extraordinária do Comité no “fundo do poço”.
Central (CC) da Frelimo, Há menos de uma semana de uma
na Matola, os históricos Reunião com bastantes “saudações”,
do partido que em reuniões passadas Nyusi dispensou, na abertura do CC,
nunca se tinham coibido de se ex- os discursos das organizações sociais
pressar à “imprensa rebelde”, como do partido, nomeadamente, a Asso-
são tratados os órgãos de comunica- ciação dos Combatentes da Luta de
ção social que não cantam a música Libertação Nacional (ACLLIN), a
governamental, no último fim-de- Organização da Mulher Moçambi-
-semana eram homens sem ou então cana (OMM) e a Organização da

ció
com muito poucas palavras. Juventude Moçambicana (OJM),
A incisiva campanha do presidente para não incluir as crianças da Or-
do partido que, desde a X Conferên- ganização da Continuadores de Mo-
cia Nacional de Quadros, apregoou çambique (OCM) que, em reuniões
“disciplina e coesão interna”, pode ter Teodato Hunguana Tomaz Salomão Graça Machel partidárias, também são mobilizadas
“assustado” os chamados “críticos de nados”. Filipe Nyusi dedicou parte vez mais, a coesão interna. “Este fe- verno do “camarada visionário”. para “cantar hosanas” ao partido e seu
dentro” na Frelimo, alguns dos quais, significativa dos seus discursos, tanto nómeno deve ser combatido sem tré- A viúva do presidente Samora Ma- presidente.
do lado de fora da sala, já comenta- na X Reunião Nacional de Quadros guas, pois corrói a nossa militância e chel também não quer queria falar. Foi “Sei que as organizações sociais que-
vam a necessidade de terem de “asse- como na III Sessão Extraordinária do até a nossa cidadania e mina a coe- preciso insistir para a antiga ministra riam saudar, mas agradecemos porque
gurar isto”.

A forma surpreendente como os


“críticos” que, em reuniões anteriores
inclusive aproveitaram a “imprensa
rebelde” para mandar recados à lide-
rança do partido, recusaram-se, desta
CC, para mandar recados para dentro
do partido.
Na Reunião de há uma semana, o pre-
sidente chegou a falar de “inimigos”,
afirmando: “o inimigo pode falar a
nossa língua, vestir a nossa farda, co-
mer da mesma maneira que nós, pode
so
são interna do nosso partido”, ”, disse
o presidente, para quem a Frelimo é
mais que indivíduos. Voltou a falar
de inimigos, vincando que é preciso
identificá-los.

“Sou um militante muito


da Educação dar algumas palavras. Só
que, ao ceder, Graça Machel era tam-
bém uma militante “muito disciplina-
da”, embora tenha dado uma versão
contrár sobre o que entendeu de
contrária
“disciplina” apregoada pelo presidente
partido.
do par
já o fizeram na reunião da semana
passada”, disse, dispensando a in-
tervenção de organizações que, nos
últimos 10 anos, foram habituadas a
apresentar saudações à “gloriosa Fre-
limo” e o seu respectivo “visionário
presidente”.
dar vivas à Frelimo, até gritando mais disciplinado” — Tomaz Sa- “A questão de disciplina, no meu en- Para além de aprovar a directiva sobre
vez, prestar declarações, sugere “tanta
disciplina” assimilada em menos de do que nós. O que ele nunca pode, lomão tender, não está no limitar falar ou eleições internas para os órgãos do
não é capaz, é de ter o nosso compor- Coincidência ou não, depois dos for- não falar. A disciplina tem a ver com partido, o código de conduta “ajus-
um
duas semanas, nos bancos da escola
do partido. tamento, viver a nossa linha política”. tes recados de Filipe Nyusi, camaradas o combate ao nepotismo, às intrigas tados à conjuntura actual” e as teses
Alguns dos recém “disciplinados” e Tal como Guebuza que, em 2013, que habituaram falar, sem reservas, e ao clientelismo”, reagiu a antiga para o XI Congresso agendado para
transformados em “estrelas de cinema falou de acções perturbadoras para à “imprensa rebelde”, não aceitavam governante para quem a III Sessão Setembro e Outubro do próximo ano,
mudo”, até há pouco, expressaram pu- gerar divisões e confusão no partido, fazê-lo
ê-lo no último fim-de-semana na Extraordinária do CC foi importante a III Sessão Extraordinária do CC
blicamente as suas críticas à governa- Nyusi vincou, perante cerca de três Matola. porque reconheceu a necessidade de terminou com movimentações das
ção do dia. mil quadros da Frelimo, que “a disci- Em geral, reinava um clima de con- uma reflexão interna e profunda para chefias das brigadas centrais para as
O nervosismo indisfarçável em sem- plina não se confunde com a maledi- tenção no seio dos tidos como críti- resgatar os valores que nortearam a províncias e para a cidade de Maputo,
blantes dos “críticos de dentro”, nas cência e com a falta de respeito pelos cos. criação da Frelimo que, segundo ela, uma acção que o presidente justifi-
últimas duas semanas na escola da órgãos, hierarquicamente, superiores Por exemplo, Tomaz Salomão, antigo deve se aproximar, auscultar, consi- cou com a necessidade de “induzir o
Frelimo, na Matola, reavive os mo- ou inferiores. Ela não se confunde ministro das Finanças, não aceitou derar e operacionalizar as aspirações dinamismo, consolidando as experi-
mentos electrizantes da IV Sessão com o liberalismo”. falar, alegando que o partido tem um
falar mais profundas da sociedade. ências, renovando ou refrescando os
Ordinária do CC, em Março de 2015, Numa altura em que históricos como porta-voz, a quem remeteu qualquer “Não é segredo nenhum que a Freli- quadros”.
de

quando o então presidente do partido, Sérgio Vieira chegam a equacionar, comentário sobre a sessão do CC. mo se encontra fragilizada por den- Assim, Alberto Chipande saiu de So-
Armando Guebuza, que procurava, a publicamente, derrotas para a Frelimo “Eu sou um militante muito disci- tro”, admitiu a antiga governante que, fala para Tete. O general na reserva
todo o custo, permanecer na lideran- nas próximas eleições, caso o partido plinado”, disse, ironicamente, entre em outros momentos, também já ati- deixa Sofala sem conseguir arrancar a
ça do partido, disse-se preocupado não se reencontre com o povo, Filipe sorrisos, o antigo secretário Executi- rou “pedras para dentro”, acrescentan- segunda maior cidade do país, Beira,
por aquilo que chamou de “postura Nyusi declarou: “ser disciplinado é ter vo da Comunidade dos Países para o do que é preciso fortalecer o partido, governada pelo Movimento Demo-
e comportamento de alguns cama- consciência plena de que os órgãos do Desenvolvimento da África Austral rejeitando alguns comportamentos e crático de Moçambique (MDM), na
radas que, publicamente, engendram partido são muito mais importantes (SAD
(SADC). atitudes que existem no seio dos ca- pessoa do engenheiro Daviz Siman-
acções que concorrem para perturbar do que os nossos egos, ou do que cada O pronunciamento do militante maradas para valorizar e fortificar a go. E essa é a tarefa difícil agora nas
o normal funcionamento dos órgãos e um de nós é, individualmente. Ser “muito disciplinado” lembra o de Ós- identidade da Frelimo. mãos de Eneas Comiche, que deixou
das instituições e para gerar divisões e disciplinado é ter a consciência plena car Monteiro, um histórico da Fre- De resto, em termos de resposta às Inhambane com Alcinda de Abreu
io

confusão no nosso seio”. de que pouco valerá sermos aplau- limo e crítico de primeira linha que, grandes preocupações que se esperam Mondlane.
Um recado que, na altura, não caiu didos ou louvados, individualmente, na sessão em que Armando Guebuza de um partido que sustenta o governo, De Tete, saiu Margarida Talapa que
bem na ala mais crítica que interpre- sobretudo, se esses aplausos e esses falou de camaradas que “perturbam” a III Sessão Extraordinária do CC, à vem para enfrentar a cidade de Ma-
tou o discurso como intimidador de louvores não se estenderem ao partido o funcionamento normal dos órgãos, semelhança da também recente X puto em substituição de Conceita
alguém que pretendia criar medo e que nos sustenta ou se contribuírem recusava falar à imprensa, com a má- Reunião Nacional de Quadros, não Sortane, que segue para Cabo Del-
silenciar o debate. para a corrosão do seu prestígio e bom xima de ser uma “estrela do cinema trouxe decisões estruturantes para um gado.
ár

“Ele está a travar a discussão, quando nome”. mudo”. país mergulhado em guerra e numa Eduardo Mulémbwe passou a chefe
lança esses recados de que há mem- Quando se pensava que Filipe Nyusi Teodato Hunguana, outro peso pe- encruzilhada económica. da brigada central na província de
bros que estão a lançar, publicamen- já tinha “desabafado” o suficiente na sado na Frelimo, não aceitou falar ao Pelo contrário, voltou-se a ter um Fi- Maputo, enquanto Verónica Macamo
te, ideias que enfraquecem o partido. Reunião de Quadros, eis que o pre- SAVANA, a quem disse estar de luto, lipe Nyusi de recados para a Renamo. foi enviada para casa, nomeadamente,
Isso é que é mau, porque mete medo sidente volta a pisar na mesma tecla mas participou das sessões do CC. Saudou, no discurso de abertura, o na província de Gaza, o misterioso
às pessoas e, pronto, aí estamos silen- na III Sessão Extraordinária do CC. Vale recordar que, na X Reunião de povo moçambicano, que disse ser um frelimistão onde o partidão consegue
Quadros, há uma semana, quando o vitórias de 100%.
Di

ciados”, reagiu, na altura, Jorge Re- Começou por denunciar, na Frelimo, povo humilde, paciente na busca da
belo, um dos fundadores da Frelimo, a emergência da supremacia do que presidente iniciou a campanha contra paz e laborioso, não obstante as ac- Quem não foi movimentado foi o
onde foi o temido Secretário do Tra- chamou por interesses individuais ou “inimigos” dentro do partido, a Dona tuais descontinuidades económicas e “homem das vírgulas”, como ficou co-
balho Ideológico. de grupos que procuram se sobrepor Lulu também recusou pronunciar- os horrores dos ataques reiterados da nhecido o antigo secretário-geral da
Sucede que, nos últimos tempos, com aos interesses da Frelimo, penetrando -se ao SAVANA. “Estou estoirada”, Renamo. Frelimo, Filipe Paúnde, que continua
a situação político-económica do país e instalando seus tentáculos no parti- disse, na altura, Luísa Diogo, a antiga Já no encerramento, repetiu o disco já com o desafio de recuperar a cidade
a deteriorar-se, perante uma manifes- do e na sociedade. primeira-ministra que, em entrevista riscado: “reafirmamos, mais uma vez, que, nas últimas eleições autárquicas,
ta incapacidade do governo de Filipe Numa sala que contava com camara- a este jornal, em 2015, falou de “pe- o nosso compromisso de tudo fazer- foi para Muhamudo Amurane, do
Nyusi em estabilizar o país, quer na das como Armando Guebuza, o pre- sadelos” pela forma como o governo mos para que, de uma vez para sem- MDM.
vertente política, quer na económica, sidente do partido disse que a Freli- do presidente Armando Guebuza ti- pre, em Moçambique reine a concór- José Pacheco foi a Niassa e deixou
multiplicam-se as críticas, incluin- mo não pode ser encarada como uma nha endividado o país, em referência dia, a reconciliação e uma paz efectiva a Zambézia com Carvalho Muária
do de dentro da Frelimo, contra um plataforma de acesso ao poder para aos USD850 milhões da Empresa e duradoura”. que tem agora a espinhosa missão
Nyusi que chegou a ser baptizado atingir fins pessoais ou de grupo. Des- Moçambicana de Atum (EMA- A Sessão iniciou com actuações cul- de recuperar Quelimane, governada
como um “presidente de faz de conta”. tacou que a Frelimo não tem donos, é TUM), uma vez que eram ainda des- turais, mas não à mesma proporção de por Manuel de Araújo do MDM e
Com a lição bem estudada, o presi- de todos e deve ser o partido a usar os conhecidas as dívidas da Proindicus há uma semana, na Reunião de Qua- Gúruè, nas mãos de Orlando Janei-
dente foi às duas recentes reuniões seus membros e não o contrário. e Mozambique Asset Management dros. “Temos saudades de ti Samora”, ro, também pela terceira maior força
do partido para, claramente, “chamar Mas Nyusi, que dispensou habituais (MAM) que rondam aos USD1.4 mil diz uma das canções que sugere que se política do país. Manica ficou com
atenção” aos camaradas “indiscipli- cânticos enfadonhos, apregoou, uma milhões também avalizados pelo go- o primeiro presidente de Moçambi- Sérgio Pantie.
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NO CENTRO DO FURACÃO
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A mudança que tarda chegar!


Impacto sócio-económico do Projecto de Gás Pande-Temane, 12 anos depois

A
Por Abílio Maolela (texto e fotos)
ssinala-se, este ano (2016), A remoção da cláusula de partilha de EDM diz que ainda não há projecto “Desde que a SASOL começou a ex- mesmo os sazonais não têm sido con-
a passagem de uma dúzia produção do acordo, inicialmente es- de electrificação da zona. Quem quiser plorar gás, que já não produzimos su- tatados.
de anos, desde que se im- tabelecido; e a aceitação, pela parte energia agora deve comprar postes e ficientemente e este ano as coisas pio- “Mas, a empresa e a comunidade en-
moçambicana, de uma forma de pre- cabos eléctricos para se efectuar a li- raram devido à seca. A SASOL nem tenderam criar um fórum comunitário

o
plantou o primeiro projecto
de exploração de gás natural no país, ços abusivos são apontadas, pelo CIP, gação”, conta Minora Zacarias, de 34 nos ajuda no sentido de melhorarmos para gerir as vagas disponibilizadas
o Projecto de Gás Pande-Temane. como sendo as causas principais que anos, também residente daquela povo- a nossa produção”, reclama Gove. pela empresa. O governo também

g
Como em qualquer parte do mundo e, levaram o país aos resultados insatis- ação. Govee explica que estes assuntos são instalou, em Inhassoro, um Centro de
particularmente, em Moçambique, os fatórios na única fonte de gás natural “Estamos com problema de água. Tí- de domínio do governo distrital, en- Formação Profissional fruto de uma
projectos de exploração dos recursos rentável. nhamos três fontenárias, mas só fica- tretanto, este mostra-se incapaz de parceria
ceria entre a SASOL e o INE-

o
naturais, quando chegam trazem con- Os resultados desse “mau negócio” são mos com um, o que nos faz acordar al- resolvê-los. FP, que abrange algumas áreas, como

l
sigo a esperança de uma vida melhor, visíveis no terreno. Passados 12 anos, tas horas para buscar água”, acrescenta. “O governo do distrito sempre diz soldadura, trabalho de aço e mecâni-
mas os mesmos tornam-se, em pouco o SAVANA visitou as comunidades Feliciano Chimbomane também fala que vai resolver, mas até agora não fez ca. Envolve cerca de 100 estudantes
tempo, num motivo de frustração. afectadas pelo Projecto e estas ainda da insuficiência de água potável e fal- nada. Aquando da visita do PR trou- e prioriza jovens que seguiram a área


anseiam a mudança das suas vidas, fac- ta de energia nas residências, porém, xeram uma ambulância e um carro da das ciências e que tenham domínio da
Este é o caso do Projecto de Gás to prometido aquando da implantação afirma que a responsabilidade não é da polícia, mas quando este voltou, leva- inglesa”, explica.
língua inglesa
Pande-Temane, desenvolvido na pro- SASOL, mas do governo. ram as duas viaturas”, conta. Em relação às ligações domésticas de
víncia de Inhambane, concretamente
da fábrica.
energia eléctrica, Machungo confir-
Simeão Mavimbe Anita Balele
Em ambas localidades, as reclamações “A SASOL fez a sua parte. Agora o Enquanto uns choram por emprego e

c
na povoação de Temane, no distrito de FIPAG e a EDM devem nos dar água acusam a SASOL de lhes mostrar as mou que ainda não há projecto de ex- Das oito povoações, apenas uma é que tiado por não puder ajudar a mãe nas
são as mesmas e resumem-se na insufi-
Inhassoro e no Posto Administrativo e energia”, afirma. costas, outros dizem que em Maime- pansão da rede na Localidade de Mai- não dispõe de escola primária, sendo despesas da casa, embora tenha idade
ciência de água potável, falta de energia
de Pande, no distrito de Govuro. lane há emprego, o maior problema é melane, o mesmo que acontece com a que no geral, a localidade tem, para para o fazer.

o
eléctrica nas residências, desemprego e
Projecções feitas pelos Ministério dos localidade-sede do distrito.
num fraco relacionamento com a pe- O (des) emprego que divide falta de escolarização dos beneficiários. além das escolas primárias, uma se- “Não há trabalho nesta terra. Vivemos
Recursos Minerais e Energia, Fun-
trolífera sul-africana SASOL. opiniões Gilda Huo,
Huo de 20 anos, também de- “Neste momento, para quem quer cundária do primeiro ciclo; um centro mal. A única coisa que fazemos é estar

s
do Monetário Internacional e Banco 12 anos após o início da exploração, residentes de Temane e Pande continuam na expectativa em relação à mudança das suas vidas sempregada e mãe de uma filha, diz energia, a EDM diz que financia ape- de saúde; mercado moderno; água po- na barraca a vender e a mesma anda
Apesar de se saudar a chegada da es-
Mundial apontam que, durante os 25 que há pessoas em Mangungumete nas 30 metros do cabo de ligação. Caso tável; e energia eléctrica. pouco movimentada, o que faz com
anos em que o projecto será desenvol- Mangungumete um “mau” mos, apenas da sua localidade que, de À nossa chegada, o primeiro sinal que dências, Orlando Gove, de 39 anos e cassa água potável e da quase inexis-
que trabalham na SASOL e nas em- a distância seja maior, o requisitante Entretanto, à semelhança da outra lo- que em alguns meses não tenha salá-
vido, Moçambique irá encaixar dois cartão de visita acordo com o Censo Geral da Popu- nos chama atenção é o tipo de residên- residente naquela povoação, revela que, tente energia eléctrica, a população
presas de fornecimento de serviços, terá de custear”, confirma. calidade, Pande só tem energia eléctri- rio”, revela.
A primeira escala da nossa reportagem lação de 2007, é habitada por 29.256 cia ali patente. Embora esteja a menos na governação de Joaquim Chissano, daquele povoado revela ainda não ter
mil milhões de dólares norte-ameri- porém, o facto é que os que reclamam Sobre a água, diz que é um problema ca nos estabelecimentos comerciais e Numa curta conversa com a Admi-
foi a comunidade de Mangungumete, habitantes. de dois quilómetros da fábrica e sen- foram prometidas casas melhoradas, visto nenhum benefício do projecto
canos. de emprego “não estudaram”. que afecta o distrito, mas aponta a nas instituições de Estado e ressente- nistradora de Govuro, Maria do Céu,
nas suas vidas.

m
Entretanto, dados revelados pelo Cen- uma povoação da localidade de Mai- É em Temane, onde encontram-se os do o corredor da entrada e saída para mas nada foi feito. “Os poucos que estudaram termina- dispersão da população como respon- -se também da falta de água. também disse que o desemprego é
Entretanto, apesar deste facto, alguns O facto é que o seu dia-a-dia é quase
tro de Integridade Pública (CIP), em melane, uma das cinco do distrito de primeiros 12 poços de prospecção (de a mesma, a povoação é constituída, ram na 7ª ou 10ª classe, o que faz com sável porque “temos uma cobertura de “A energia está na estrada e nada mais. um problema geral, que não só afecta
uma incógnita e tudo devido ao de-
2013, indicam que nos primeiros anos Inhassoro, localizada na entrada para a um total de 24) e instalada a fábrica de maioritariamente, por casas maticadas moradores desta comunidade reco- que não tenham emprego na SASOL”, 100%”. Dizem que ainda não há projecto para Pande e este agrava pela falta de uma
semprego, o seu maior problema. Ad-

u
(2004-2012), o país arrecadou USD fábrica de liquefação de gás natural, de processamento do gás natural, poste- e com cobertura precária. nhecem o quão foi importante ter o sublinha. Pande”, conta Anita Balele, de 29 anos escola técnico-profissional.
mira Chichongue conta que tem dois
50 milhões, contra os mais de USD Temane, instalada pela SASOL. riormente exportado para a África do Apesar do Projecto não ter envolvido Projecto do seu lado. Feliciano Chim- filhos e tem sido difícil sustentá-los Mesma opinião é partilhada por Feli- Pande também chora... de idade. “Avançamos com um projecto para a
800 milhões anuais colectados pela Trata-se de uma povoação pequena, Sul através de um gasoduto com ex- reassentamentos, uma vez que na área bomane, de 50 anos, conta que antes porque o marido não trabalha. ciano Chimbomane, camponês e pai Ouvidos os choros da população de Balele é mãe de um filho e dedica-se ao construção de uma escola técnica, mas
África do Sul, na sua venda. cujos dados populacionais não dispo- tensão de 860 km. onde é desenvolvido não havia resi- da exploração ão de gás, o Posto Admi- “Por várias vezes, o meu marido pediu de três filhos, afirmando que a petro- Mangungumete, a nossa reportagem comércio porque “não tenho emprego” ainda estamos à espera da resposta da

e
nistrativo de Maimelane, onde está emprego na SASOL, mas não foi acei- lífera sul-africana criou muitos postos escalou o Posto Administrativo de e “a agricultura não nos dá nada”. SASOL”, revelou.
inserida a povoação de Temane, “não te. Vivemos na base da agricultura e a de emprego, faltando apenas mão-de- Pande, uma das seis localidades do “A vida está difícil. As coisas estão Em relação à água, a Administradora
era nada”. mesma não nos dá nada”, descreve. -obra qualificada. distrito nortenho de Govuro, locali- muito caras. Nós não produzimos explicou que o distrito ressente-se da

2VTXHEHQHÀFLDPXQVHPGHWULPHQWRGRXWURV
d
Esta opinião é secundada por Admira Por sua vez, Minora Zacarias, também Por isso, a nossa fonte tem como de- zado no extremo sul deste ponto de nada. Tudo que se vende no nosso insuficiência deste líquido e não da

P
Chichongue, de 21 anos de idade, que desempregada e mãe de três filhos, sejo a construção de uma escola de Inhambane. mercado vem de Nova Mambone e sua falta e aponta também a dispersão
aponta a construção de escolas (duas descreve o mesmo cenário, porém, É nesta localidade onde encontram-se Vilanculo”, revela Balele. da população como sendo o principal
formação técnica para formar os jo-
primárias e uma secundária); um cen- aponta o dedo aos secretários do bairro os últimos 12 poços de extracção de Mesmos choros se ouvem de Eduar- factor.
or forma a garantir o de- valor, analisamos a execução orçamental benfeitorias e a primeira preocupa- vens daquele Posto Administrativo, de
gás natural, todos no âmbito do Acor-

ir o
tro de saúde; três fontenárias de água pela situação em que se encontra. modo a conseguir enquadramento na do Nhassengo, de 23 anos de idade e Sobre a falta da energia nas residên-
senvolvimento sustentável do ano anterior. Mas, neste ano recebe- ção foi o hospital, escola primária e “Vêm pessoas de Maputo para traba- do de Produção de Petróleo (PPA).
potável; e a instalação de energia eléc- empresa. desempregado. Nhassengo não tem fi- cias, Maria do Céu avança que é um
das comunidades onde ram o mesmo valor (4,39 mil meticais)”, secundária”, disse. lhar e nós não somos abrangidos por A localidade de Pande é constituída
trica, como os ganhos advindos deste lhos, mas conta que é o mais velho de desafio que o seu governo tem no sen-
são explorados os recur- termina. Porém, no terreno a realidade é ou- essas oportunidades porque os nossos
sos naturais, o artigo 20 da Lei nº Com os dados disponíveis sobre a alo- tra. As benfeitorias a que a admi-
projecto.
secretários cobram-nos dinheiro”, de- “O desemprego é um proble- por oito povoações, sendo habitada uma família de cinco elementos e cuja tido de expandir este recurso e tudo
20/2014, de 18 de Agosto, Lei de cação dos 2,75%, partimos para as se- nistradora se refere foram construí-
Porém, alguns destes ganhos fazem
nuncia.
ma antigo”, Administrador por 6.282 habitantes, segundo o censo mãe é a principal responsável. deve-se à insuficiência de material, que
Minas, estabelece 1: Uma percen- des distritais, começando pelo Governo parte do passado, como é o caso da de Inhassoro populacional de 2007. A nossa fonte afirma que vive angus- “é muito cara”.


das pela SASOL no âmbito da sua Orlando Gove, pai de quatro filhos
tagem das receitas geradas para o Distrital de Inhassoro. água e outros que ainda não foram Reagindo em torno das preocupações
responsabilidade social e não pelo e trabalhador de conta própria (aju-
desfrutados, que é a energia eléctrica. apresentadas pelos residentes da povo-
´1RVVRIRFRpDFDSDFLWDomRKXPDQDµ6$62/
Estado pela extracção mineira é O Administrador daquele distrito, governo. dante nas obras de construção civil),
O facto é que, das três fontenárias de ação de Mangungumete, o Adminis-

O
canalizada para o desenvolvimento Afonso Machungo, conta que com o va- Dados fornecidos pela empresa reconhece que o trabalho na SASOL
das comunidades das áreas onde se lor recebido, o seu elenco comprou uma água construídas pela petrolífera sul- é técnico, mas conta que no passado trador de Inhassoro, Afonso Machun-
dão conta da construção, naquela
localizam os respectivos empreen- ambulância para o Centro de Saúde de -africana, apenas uma é que continua go, admitiu que o desemprego é um

D
localidade,
loc de duas escolas (uma havia trabalhos sazonais, o que hoje já
dimentos mineiros; 2. A percenta- Maimelane. em funcionamento, enquanto a ener- não acontece. problema antigo que já levou jovens SAVANA procurou a pe- Geociências de petróleo, Processa- mercado, enquanto o da avicultura
primária e uma secundária); um
gem referida no número anterior “Na consulta popular do ano passado, gia eléctrica só ilumina a Estrada Na- “Naquele tempo tínhamos emprego a criar distúrbios junto à fábrica, per- trolífera sul-africana para mento mineral, Civil, Mineração e tem como objectivo estimular a orga-
centro de saúde; uma casa mãe es-
é fixada pela Lei do Orçamento esta pediu uma ambulância e uma rádio cional número um, as instituições de de dois em dois anos, mas agora já não turbando o funcionamento normal da esclarecer algumas zonas Engenharia. nização de uma Associação nas co-
pera; um mercado com 50 bancas;
do Estado, em função das receitas Afonso Machungo comunitária. A ambulância custou-nos
e um sistema de abastecimento de
Estado e os estabelecimentos comer- acontece”, realça. mesma. nebulosas. Confrontada Em relação ao impacto ambiental munidades; envolver o Governo para
previstas e relativas à actividade mi- meticais. 3.390 mil meticaisais e porque os fundos ciais, pois, as residências não dispõem Para este homem, o que mais dói não “É um facto, mas a SASOL é uma com as reclamações dos residentes de das suas actividades, a petrolífera fornecer suporte técnico; e ajudar a
água, infra-estruturas testemunha-
neira. Com o projecto a ser desenvolvido em não eram suficientes (em 2015 recebe- de ligações. é apenas o facto de não ter emprego empresa multinacional e precisa de Pande e Temane sobre o desemprego, sul-africana afirma que, ao longo estabelecer ligações de mercado.
das pela nossa reportagem.
A percentagem definida pela Lei dois distritos, a nossa fonte explicou que mos um milhão e seiscentos e este ano “Não temos energia nas casas porque, formal, mas também o facto das ma- mão-de-obra qualificada e os nossos a empresa disse estar focada na capa- deste período, têm realizado diver- “Estes projectos irão ajudar a aliviar a
Maria do Céu acrescenta ainda que
Orçamental é de 2,75% (esta per- o valor é dividido pela metade, porém, recebemos quatro milhões), pagamos por um lado, não temos dinheiro para chambas não produzirem e nem terem jovens, na sua maioria, não têm for- citação humana, pelo que, em 2011, sas avaliações de impacto ambiental pobreza e a insegurança alimentar e o
está a negociar para que o valor
centagem não altera, apesar das neste período os dois distritos não rece- em duas prestações. Do fundo deste ano fazer as ligações e, por outro lado, a ajuda por parte da empresa. mação”, assume, acrescentando que estabeleceu um programa de capa- independentes, que incluem estudos objectivo é incentivar o fornecimento
constantes mudanças da Lei do abranja o todo o distrito e não ape-
beram o mesmo valor. restou 500 mil e estamos a direcionar citação de aprendizes por três anos, de qualidade do ar, relativo a novos de bens e serviços entre as diferentes
Orçamento), sendo enviado aos go- esta parte para a reabilitação do edifício nas a localidade de Pande porque
“De 2013 a 2016, Govuro recebeu em Temane, e o primeiro grupo de projectos e expansões das instalações aldeias, criando mercados regionais
vernos distritais e investido nas áre- onde vai funcionar a rádio comunitária”, “não é a única localidade de Govu- graduados começou a trabalhar, em existentes e “até à data, nenhuma li-
14.631 mil meticais e os restantes e o aumento do comércio entre al-
as em que a população local achar revelou. ro”, salientou. 2014. gação foi estabelecida entre a baixa
10.169 mil meticais foram para Inhas- deias”, considera.
pertinente, através de uma auscul- Entretanto, se em Inhassoro o dinhei- Referir que não é apenas a popu- A empresa garante ainda que, em produção agrícola e as nossas activi-
soro. A diferença deve-se ao facto de o Com os investimentos nas áreas
tação pública. desembolso não vir apenas das entregas ro teve destino concreto, em Govuro, o lação destas localidades que recla- 2017, irá instalar um novo centro de dades”. educação (construção de escolas pri-
A nossa reportagem escalou a Di- da SASOL, mas também da execução cenário não é o mesmo. Maria do Céu, mam falta de oportunidades na- formação, em Inhassoro, avaliado em A empresa nega ainda que tenha vi- márias e secundárias, equipamentos,
recção Provincial de Economia e orçamental de cada distrito”, esclarece. administradora daquele distrito, afirma quele projecto. USD 13,4 milhões, cujos formados rado as costas a população, no que casas para professores e iniciativas de
Finanças de Inhambane para se Aquele dirigente revela que, no prin- que o valor foi investido na construção As Pequenas e Médias Empresas poderão ser utilizados no projecto do tange à produção e, como prova, de- desenvolvimento de competências);
inteirar da alocação deste valor aos cípio, houve problemas no desembolso, de infra-estruturas sociais, como escolas de Inhambane revelaram, em Julho Contrato de Partilha de Produção. senvolveu alguns programas para o saúde (hospitais, residências para
distritos de Govuro e Inhassoro. devido ao modelo anteriormente adop- e hospitais. passado, durante o lançamento da Acrescenta ainda que, em 2013, em fomento da agricultura e pecuária. o pessoal de saúde); água (sistemas
O Director Provincial-adjunto, Si- tado que dependia das entregas da SA- “Quando se celebrou o contrato sobre iniciativa denominada “Programa parceria com o Ministério dos Re- O projecto relacionado à agricul- de abastecimento de água e furos);
meão Mavimbe, conta que os dois SOL em função das suas actividades no os 2,75% se disse que ia tratar questões de Conteúdo Local”, que neste pe- cursos Minerais e Energia, forneceu tura consiste, entre outras acções, saneamento; e projectos de geração
distritos recebem o valor desde terreno. de Pande, pelo que temos algumas ben- ríodo, a petrolífera sul-africana não bolsas de estudo de nível superior, em identificar as principais culturas de renda, a SASOL tinha gasto, até
2013, sendo que até ao presente ano “Acabamos adoptando o critério das do- feitorias que nasceram deste valor. Os contratou serviços e nem comprou para Moçambique, África do Sul e alimentares comerciais; fornecer in- Junho deste ano, cerca de USD 21,4
já foram desembolsados 24.800 mil tações, em que para desembolsarmos o 2,75% não vão em dinheiro, mas em bens por si produzidos. Malásia, a 64 estudantes nas áreas de sumos de trabalho e instrumentos milhões.
Geologia, Engenharia de Petróleo, agrícolas; e a criação de ligações de
Orlando Gove Admira Chichongue Feliciano Chimbomane
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16 Savana 14-10-2016

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18 Savana 14-10-2016
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon
Quantos mais ainda
terão de morrer?
D

o
izer que foi chocante a notícia sobre o assassinato do antigo
deputado da Assembleia da República, Jeremias Pondeca,
é de certo modo tentar minimizar o impacto que este acto

log
terá na imagem de Moçambique e na capacidade deste país
de ultrapassar a actual crise política e abrir uma nova página de paz,
reconciliação e desenvolvimento.
Dizíamos, neste espaço na edição da semana passada, que a guerra,
uma vez instalada, tende a assumir uma dinâmica própria, criando
uma cultura de violência que se torna institucionalizada e cada vez
mais difícil de inverter.
Em momentos de guerra, este tipo de assassinatos torna-se uma coi-
sa banal. Ninguém reivindica a sua autoria, e qualquer das partes

ció
torna-se confusa sobre o que está de facto a acontecer. Instala-se
um ambiente de desconfiança mútua que pode resultar em conse-
quências catastróficas. Os cidadãos vivem aterrorizados. É a era da
impunidade do crime.

A ascensão da elite vanguardista


O assassinato de uma figura política, seja quais forem as motivações,
acaba transformando-se num acto político. O problema da cultura
do assassinato político é que ele se transforma num ciclo vicioso,
do qual os próprios actores se tornam potenciais vítimas, antes do

HRÀPGD+LVWyULDHP0RoDPELTXH
fenómeno se alastrar para o resto da sociedade. Nas comunidades, os
membros destas são instrumentalizados para se conformarem com
o assassinato como o método mais eficaz para se libertarem dos seus
inimigos, reais ou imaginários. Vive-se no medo sobre quem será a
Por Fredson Guilengue
so
J
próxima vítima.
Na sociedade, estes actos tornam-se toleráveis porque de cada vez
que eles ocorrem, eles são justificados pela necessidade de eliminar á é mais do que facto que a e mais directamente contra os sau- Reina, assim, uma autêntica caça
a ameaça que os inimigos do outro lado representam. Foi neste am- elite política vanguardista que dosistas que exigem e acreditam no aos nobres valores da tolerância, do
biente que se deu o genocídio no Rwanda. Os hutus entendiam a domina o cenário político e regresso e na continuidade do pro- respeito, da dignidade, do direito às
necessidade da sociedade se libertar dos tutsis, e estes, por seu lado, económico de Moçambique cesso histórico nacional. Esta elite diferenças e, mais importante ainda,
um
compreendiam a necessidade de se proteger dos seus inimigos, re- tem estado a reiterar contínua e não mede esforços na sua caça a essa do respeito pelo direito à própria
taliando da mesma forma. O extermínio mútuo passou a ser a única violentamente que a sua ascensão “gentinha” que teima em crer que a existência como ser humano. Este
alternativa para a sobrevivência de ambas as espécies. ao poder, embora fruto do chama- História de um povo deva continu- grupo está em busca de uma nação
Aliás, as sementes desta cultura de violência organizada na sociedade do sangue do povo, é a fronteira que ar, que não haja fim para a História. sem Homens, uma nação de cadá-
moçambicana já começaram a germinar. O incidente do esfaquea- deve determinar o fim da História Para essa elite, não importa quem veres. No mesmo sentido, avançam
mento de um aluno na Escola Secundária Josina Machel, em Mapu- de Moçambique. Fica assim claro e seja a vítima, a História não pode
impiedosamente os pilares das mais
to, ante os aplausos dos seus colegas e a incapacidade de intervenção igualmente vincado, por esta mesma vencer. A lista é longa: Jornalistas,
brutais formas de intolerância. Em
por parte dos professores e outros responsáveis da escola, não pode elite, o fim de qualquer revolução políticos, comentadores, académi-
construção está um projecto de um
ter outro significado senão o de uma academia de violência de grupo, de que se possa esperar
esper em Mo- cos, brancos, pretos, jovens, velhos,
eu e você, todos os que se atrevam país propício para a sua autodes-
mas que depois irá futuramente se transformar em violência política çambique. Não importa o tipo de truição. Seguimos contruindo um
ou de outra índole.. Entre aqueles jovens, alguns são potenciais can- revolução, seja ela política, social ou a chamar à razão à História ou a
suspirar um tal desejo de mudança país amedrontado pela sua própria
didatos a membros da futura classe política deste país. económica. Todas as condições sub- História, um país sem narrativa para
acabam, a qualquer momento por
de

No estágio em que se encontra esta  guerra injustamente imposta jectivas e objectivas para o erguer de os seus filhos. Um matadouro desre-
uma consciência revolucionária, são sucumbir. Sucumbem também os
aos moçambicanos, já não importa de que lado está a razão. O mais grado em que o sangue derramado
adeptos da transparência, justiça,
importante é capitalizar o máximo nas negociações actualmente em violenta e brutalmente combatidas
igualdade e outros valores que o país dos seus filhos já não faz História,
curso e encontrar uma solução equilibrada e justa, capaz de pelo logo à raiz. Não se permite sequer
há muito espera ver vingarem. É mas a sombra que vai acordar os
menos devolver a esperança aos moçambicanos. Na estratégia da a oposição organizada e nem pen-
uma brutalidade sem remorsos. Não fantasmas de um tempo em que o
eliminação mútua, saem todos a perder. Sem se aperceber disso, os sar organizar uma oposição, mesmo
há remorsos, pelas mães, esposas, país era um autêntico sítio.
próprios beligerantes podem comprometer o futuro dos seus netos, que seja contra o mais absurdo ou
filhos, amigos, netos ou conhecidos Contudo, mesmo que da História
bisnetos e outras gerações que lhes irão seguir. Mesmo as fabulosas meritório pensamento associado ao que ficam por trás. É preciso impe- não se queira saber mais, por incrível
fortunas ganhas no negócio de armas nuncaa poderão servir de com- poder. Apenas a ela, cabe delinear e dir o regresso e o progresso da His-
conduzir os destinos do povo, não que pareça, a própria História reza
pensação para este futuro sombrio. tória por todos os meios possíveis e
io

importa a vontade desse mesmo que a revolução se faz à medida da


Este assassinato tem todas as marcas de ter sido um acto cuidadosa- a todo o momento. Os fins, afinal,
povo. Está vincado, não há lugar repressão. Que o digam os Saddams,
mente calculado para maximizar os danos contra os esforços visando justificam os meios.
para mais heróis e heroínas, a His- Gaddafis, Alis e outros recentemen-
o alcance da paz em Moçambique. Tem como objectivo fragilizar Moçambique vive, desta forma, uma
tória milenar de um povo parou no te arrastados pelos ventos da revo-
a posição do governo na mesa das negociações, e ao mesmo tempo época atípica para qualquer país que
tempo. A História de Moçambique lução. Talvez por isso nada se quer
obrigar a Renamo a assumir uma atitude cada vez mais radical e irra- se deseja nação um dia. Destroem-se
acabou com a chegada dessa elite ter a ver com o regresso da História.
ár

cional, e por essa via obrigá-la a abandonar as negociações e apostar todos os pilares possíveis e imaginá-
vanguardista ao poder, de onde não veis de um tal projecto de unidade Porque ela caminha de mãos dadas
na guerra. É preciso resistir a esta provocação e tentativa de dividir
vislumbra saída. Morra quem mor- nacional. Esse já não é o projecto. com a revolução. Outros, como eu,
os moçambicanos, só para o benefício de um punhado de falcões de
rer. A sua ascensão deve ser enten- A pátria já tem dono. Mandam e tememos que nesse tal dia, em que
guerra com interesses
esses bem identificados.
Há sectores a quem a paz incomoda porque enquanto o país estiver dida assim mesmo: como o último comandam aqueles que um dia no a História regressará, sem dúvida,
em guerra, não haverá tempo para os perseguir nas suas agendas capítulo da História de povo inteiro passado lutaram por ela. Ponto fi- de forma tão violenta de que não
ocultas. Estes são os verdadeiros autores morais e materiais deste que chegou ao fim. Afinal, a Histó- nal. A pátria já não clama mais por haverá memória, o povo irá prescin-
Di

acto abominável. O que levanta a questão: quantos mais ainda terão ria se faz e se fez no passado. lutadores, já não se admitem mais dir dos seus representantes. Nesse
de morrer para que se perceba que este é o caminho para a auto- A violência dos seus actos é prova de causas patrióticas. O patriotismo, tal dia, talvez não nos recordemos
-destruição? tudo. “Assassinar para calar” passou esse, é coisa do tempo em que havia da brutalidade de hoje. Talvez nem
a ser a arma para lidar contra o povo História. haja tempo para isso.

KOk NAM Editor Executivo: Ivone Soares, Luis Guevane, João


Mosca, Paulo Mubalo (Desporto).
Distribuição:
Miguel Bila
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Savana 14-10-2016 19
OPINIÃO

Não esperemos que a água ferva ...


Por Mantchiyani Samora Machel*

O estado das relações na


maioria dos países africanos
pode ser resumida numa
líderes como Samora já anteviam a
mudança, a tendência para o estabe-
lecimento de uma sociedade elitista.
mou-se numa competição de quem
consegue escrever as palavras chaves
da moda: boa governação, cidadania,
de social. Este fenómeno não é só
uma questão africana mas também
de países ricos como a Inglaterra
ra é longa. Como numa discoteca,
onde os que estão na fila não conse-
guem entrar por causa das barreiras

o
experiência que aprendi na A situação do continente Africano é descentralização, direitos humanos, onde a percentagem de rendimen- ou não vêem a fila a andar porque
escola secundária, sobre o compor- que as sociedades vivem juntas, mas corrupção, etc. Quanto mais vezes to de 1% da população mais que os amigos do dono da discoteca têm
tamento do sapo. Numa primeira em realidades completamente opos- essas palavras são citadas mais sexy duplicou deste 1979. Nos Estados acesso direto ou um cartão VIP. De

log
situação um sapo é colocado vivo tas. Uns vivem em ilhas de prosperi- ficam os documentos e discursos. Unidos, o rendimento nacional de qualquer forma, no local do evento
numa panela com água a ferver, ele dade e outros no lixo. Esse contraste A parte triste disso é que, na prática, 0.01% (16,000 famílias) era de 1% não cabem todos, o que não é com-
sente que está quente e a reacção é é reflectido entre irmãos, primos, os países não as aplicam de forma em 1980 e agora corresponde a 5% preendido por quem está fora e pior,
de saltar para fora. No outro caso, vizinhos, comunidades, províncias e robusta e no verdadeiro sentido. do rendimento do país. Na África a situação é idêntica qualquer que
o sapo já está dentro da panela e a países. Todos reconhecem que exis- Assim, ano após ano são produzidos do Sul, o país mais industrializado seja o clube. Os que ficam fora pen-
água vai aquecendo aos poucos, ele tem diferenças, mas, ninguém é ca- documentos semelhantes e com as de África,  60%-65% da sua riqueza sam que perderam a festa do ano, os
não consegue perceber a mudança, paz de quantificar (imaginar) onde mesmas recomendações. Será essa está concentrado em 10% da popu- que estão dentro estão preocupados
não reage e acaba morrendo. Para começa e termina a prosperidade de a nova forma de subverter o povo? lação. Como consequência destas si- em ganhar o prémio do melhor ves-
quem lidera, ou pretende liderar, é um ou a miséria do outro. Prometendo uma liberdade de tuações, o descontentamento mani- tido, melhor carro etc. e, não apro-
importante saber antecipar os pro- A primeira geração de líderes, em ´´tudo ´´ mas que na realidade não festa-se em movimentos populares veitam o momento. Aos excluídos,

ció
blemas através de uma leitura cor- grande parte a mesma de hoje, con- passa de promessa falsa, especial- como ´´Occupy´´, no aparecimen- só lhes resta aproveitar os restos da
recta do ambiente, encontrando as seguia de forma simples transmitir o mente quando a mais importante to de candidatos populistas como festa pois mesmo querendo desfru-
soluções mais adequadas de forma a sentimento do dia que no essencial liberdade (a económica) está fora do ´´Trump´´,
rump´´, no aumento da popula- tar das belezas de outras praias, não
não perder o controlo. era a falta de acesso a oportunida- alcance e até da imaginação de mui- ridade de partidos como UKIP e, no podem, pois as saídas foram vedadas
Não podemos ser vanguarda se não des. Talvez porque, ao sentirem isso tos. O exemplo factual da não-liber- último caso, na perca de popularida- e tentar trespassar pode ser perigoso.
formos reactivos. Não podemos na pele, eles conseguiam advocar a dade da retórica é visto nos docu- de do ANC. Para algumas correntes, da mesma
deixar que outros nos pressionem a necessidade de mudanças com pa- mentos que prometem transferência Os níveis actuais de desigualdade forma como os países conseguem
fazer mudanças, nem mesmo com lavras e gestos simples e humildes. do poder para os jovens, ou transi- são devido, em particular, à corrup- criar ricos é também possível criar
armas. Temos de ter estratégias e Talvez porque a utopia da sociedade ções geracionais, quando a idade uma sociedade mais igualitária que
ção legalizada. O que é isso? De
preparar condições para poder-
mos continuar a ser a vanguarda
em condições diferentes. Para isso,
devemo-nos antecipar às mudan-
ças, devemos abrir espaços para go-
vernar de forma diferente. Assim o
igualitária já se vivia entre os africa-
nos e os pobres, e já se manifestava
em forma de solidariedade. Ou en-
tão, o conhecimento intelectual e a
repressão do sistema, era sentido por
ambos e o inimigo do meu inimigo
so
média dos presidentes africanos é de
63 anos (a mais alta do mundo). Pa-
íses como Moçambique
ambique na altura da
independência já tiveram governos
compostos por jovens entre vinte
cinco a trinta e cinco anos de idade.
acordo com a perspectiva do eco-
nomista Joseph Stigliz no seu livro
´´o preço da desigualdade ´´, essa é
uma situação em que são os mesmos
actores a fazer o papel de governo
(nos ramos legislativo, judiciário e
pode ser conseguida através do
acesso à educação de qualidade, a
uma boa redistribuição dos recursos
e uma prestação de contas transpa-
rente.
Para a nossa realidade, talvez as pa-
lavras unidade, trabalho e vigilân-
líder transforma-se no autor do seu virou amigo. Samora, quando morreu, tinha ape- executivo) e do sector privado. A cia tenham de voltar para o nosso
futuro. Hoje, em muitos países africanos nas 53 anos depois de ter governado divisão de tarefas entre os dois sec- vocabulário com estratégias mais
A promessa de libertação sobre os tudo mudou, desde a linguagem 10 anos. tores não é clara, assim os que es- simples para o povo poder exigir
um
regimes ecolocalizadores tornou- para falar com os mais desfavoreci- Por outro lado, de forma cautelosa tabelecem as regras do jogo são ao livremente a prestação de contas e
-se mais atractiva, com a proposta dos, até aos gestos de solidariedade. e calculista, a essência do problema mesmo tempo árbitros e jogadores. saber identificar bem como reagir a
de uma sociedade igualitária, uma Para satisfazer aos condicionalismos não é advogado na linguagem for- O resultado é que se estabelece uma riscos que ponham em causa o bem
utopia proclamada em vários países do ocidente, a essência dos progra- mal do dia a dia, nomeadamente: situação em que eles sempre man- comum. Assim, ficamos numa situ-
incluído o nosso. Contudo, alguns mas de desenvolvimento transfor- acesso a oportunidades e igualda- têm o poder, e facilmente saltam de ação onde não apenas o povo, mas
um para outro sector, the revolving

A desgraça que foi Trump


aqueles que o representam efectiva-
door (porta giratória). Quando per- mente, podem identificar num ces-
dem ou nas situações de crise, os to de frutas as que estão podres e
responsáveis não pagam pelos seus retirá-las antes de afectar as outras.
pecados e ainda continuam a bene- Mas fica a lição pois, alguns dirão
Por João Carlos Barradas *

A
ficiar dos privilégios  injustamente que o que matou o sapo foi a água
adquiridos. Os povos revoltam-se
de

quente, mas não ... foi a sua inca-


guerra estoirou às claras tivo que a erosão de Trump acarreta guém nutrirá ilusões quanto à deter- porque todos são levados a jogar o pacidade de tomar a decisão mais
entre os republicanos e a candidatos republicanos, inclusi- minação por reformas de fundo por jogo estabelecido pelas elites mas, adequada no tempo certo, a sua falta
Clinton é cada vez mais vamente para quem nega publica- parte de uma democrata conserva- onde só os inocentes é que são afec- de pro-atividade, de criatividade em
favorita, mas o abalo que mente o apoio ou evita participar dora, cultora de práticas de dúbia tados pelas decisões de risco que en- função da nova realidade.
Trump trouxe augura violentos con- em acções da campanha presiden- moralidade. riquecem uma minoria. A frustração *Bacharel em Relações Internacionais,
flitos políticos. cial. Suspeita, ódio, lamento e enfado por manifesta-se também entre as elites Mestrado em Estudos de
Ao apelar à concentração de esfor- Aumento da abstenção em prejuízo escândalos pretéritos, presentes, fu- porque existem barreiras para entrar Desenvolvimento, Mestrado em
ços para a manutenção da maioria de candidatos republicanos é, por tur
turos, reais e imaginários, persegui- no clube exclusivo e a lista de espe- Gestão
republicana no Congresso, o líder outro lado, possibilidade forte em rão inapelavelmente Hillary e Bill.
io

da Câmara de Representantes, Paul diversas circunscrições e a contes- A Trump, sem aliados de vulto, fal-
Ryan, selou a ruptura com Trump tação radical alastrou muito além tará possivelmente o interesse e o
numa manobra tardia que está longe dos herdeiros do Tea Party a novas empenhamento por um combate
de ganhar a aprovação dos apoiantes frentes proteccionistas e xenófobas. político prejudicial aos negócios, e
do partido. A maioria republicana de quatro outros demagogos não tardarão a
Dois terços dos eleitores republi- mandatos no Senado está claramen- ocupar o palco. Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
ár

canos continuam dispostos a vo- te em risco a menos de um mês da A candidatura do desbocado milio- Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
tar Trump o que obriga o Comité votação, mas na Câmara de Repre- nário poderá, contudo, vir a revelar- 498
Sobre democracia democrática

U
Nacional Republicano a manter o sentantes é deveras difícil que os de- -se tão marcante quanto o legado
financiamento e a suportar a logís- mocratas (188 mandatos) venham a de viragem conservadora que Barry
tica da campanha do milionário de conseguir ultrapassar a actual ban- Goldwater representou para os re- ma democracia é tão se faz sem apelo a líderes sal-
Nova Iorque, aliás prejudicado por cada republicana (247 mandatos). publicanos na década de sessenta. mais viva quanto mais vacionistas imediatos, a líderes
Di

recursos muito inferiores aos de O Colégio Eleitoral poderá pen- A tormenta no partido republicano poderes estiverem em carismáticos julgados portado-
Clinton. der a favor de Clinton, mas cerca é sinal de batalhas iminentes que competição, permitin- res de curas milagreiras instan-
O líder republicano do Senado, Mi- de 40% do eleitorado, incluindo a vão muito para além das lideranças do aos cidadãos a escolha dos
tch McConnell, teve o cuidado, tal maioria dos brancos, irá por Trump, no Congresso. tâneas, esse democracia é boa.
“produtos” mais socialmente
como Ryan, de evitar negar explici- o que indica um elevado grau de As muitas Américas ressabiadas, te- Significa que os cidadãos sa-
úteis e, portanto, mais legíti-
tamente o apoio a Trump, mas con- polarização política entre a minoria merosas, xenófobas, desorientadas, bem encontrar “embaixo”, entre
mos.
ta-se também entre os congressistas disposta a votar.  abandonadas, perdedoras e vingati- várias possibilidades, soluções
Um gestor político é tão mais
que se distanciam do candidato a Hillary, por sua vez, subiu nas son- vas que se reconhecem nas tiradas que os messias dizem estar em
exemplo de luminárias do mundo dagens, só que a intenção de voto de Trump estão por lá. legítimo quanto mais provar
que o “produto” que oferece e cima, apenas a cargo deles.
conservador como John McCain ou continua a escapar-lhe entre as fai- As outras Américas claudicam de
concretiza para melhoria da E finalmente: uma democracia
o clã Bush. xas mais jovens, enquanto cerca de ideias e revelam-se incertas quanto
A elite conservadora do partido he- metade dos seus eleitores apenas ao que o país valha num mundo que vida das pessoas é, efectiva- é tão mais democrática - per-
sita, contudo, em dissociar-se aber- a apoia para impedir a vitória de já não reconhece a hegemonia que mente, pretendido pelos gover- mitam a redundância – quanto
tamente de Trump, ainda que um Trump, de acordo com um inquérito Washington reivindicou em tempos.     nados e por eles considerado mais a luta política se faz e se
terço dos membros republicanos da Reuters/Ipsos.    bom e eficaz. aceita com ideias e não com
Câmara repudiem o candidato. Se Clinton suceder a Obama clau- *Jornalista. Texto originalmente Mais: quando uma luta política armas.
Ryan tenta minimizar o efeito nega- dicará de apoios e, sobretudo, nin- publicado no jornaldenegocios.pt
20 Savana 14-10-2016
OPINIÃO

Por Ivone Soares*


Meu ser original
Em Moçambique os vivos
pensantes são calados, caçados...
6ySRUVHU,EUDLPR pensantes são calados, caçados...

o
ítimas dos últimos 41 anos de “Indepen- tubro quando se preparava para o encontro de alto
dência” manifestem-se para que vossa mor- nível com o Presidente Nyusi viu sua residência
braimo, só por ser ele, não me assiste ne- diacoop. te não tenha sido em vão. Virá a Paz! cercada por todo o tipo de armamento bélico só

I
nhuma razão especial para lhe dedicar o – O que se passa? Nós, em particular nós os africanos, temos YLVWRQRV¿OPHVGHJXHUUD

log
meu espaço. Na verdade, não sei qual é – O Ibraimo morreu. tendência para acreditar em milagres, no poder das No dia 20 de Janeiro o Secretário-geral do meu
o seu nome completo, nem onde nasceu, Mandei uma imprecação. forças do além que nos podem proteger, na exis- partido foi vítima de um atentado e eu própria, no
nem se tinha família, mulher ou filho. Mãe e – Como assim? – perguntei. tência de forças
ças superiores que (mesmo que nada dia 8 de Setembro de 2016, há poucas semanas, fui
pai sei que certamente teria, de contrário teria – Ninguém sabe. Ele andou doente nestes úl- façamos) podem operar as mudanças com que so- alvo duma tentativa de assassinato. Se estou aqui
de admitir a hipótese de que caiu do céu, coisa timos tempos e até meteu férias para fazer um nhamos.
mos. Acreditamos que mesmo sem sacrifício, viva a escrever estas linhas foi porque esses esqua-
improvável. controlo com tempo. Foi levado de urgência sem empenho, sem esforço teremos um lugar no drões da morte que promovem execuções sumárias
Era o máximo de discrição, numa empresa para o Hospital Geral da Machava, para a clí- jardim do Éden. Andamos preguiçosos, delegamos selectivas provavelmente tenham decidido dar-me
que, embora não seja megalómana, também nica dos tuberculosos, e de lá voltou com as a resolução dos males que enfrentamos na vida a mais uns dias para estar no mundo dos vivos. Gra-
não tinha poucos trabalhadores. Estou a falar pernas juntas. Esse Ente Superior que conhece o que queremos ças a Deus ainda aqui estamos.
da Mediacoop, que tem a zona administrativa, – Deve ser tuberculose óssea. antes mesmo de querermos. Somos crentes e en- Muitos perderam a vida desde 1975 ano da Inde-
talvez com uns 5 ou 6 trabalhadores; 3 órgãos – É o mais provável.
tregamos a nossa alma a quem nos vem com falas pendência de Moçambique.

ció
de informação: a Rádio Savana, não sei com – Mas como é possível? O Ibraimo não tinha
mansas e nos promete o paraíso. Mas a vida não O certo é que podem matar-nos a todos, podem eli-
quantos profissionais, o Mediafax e o Savana, se pode limitar a cultivarmos as nossas crenças. É minar todas as vozes independentes, podem gastar
nem 50 anos! preciso levantarmos da cama, da esteira, da cadei- todas as balas, que haverá sempre alguém para
ele próprio; e, claro, os dignitários da empresa, – Opa! Como você disse numa crónica, mor-
que assinam cheques, mandam assinar as fal- ra, do muro da vida onde estamos acomodados e vencer.
continuar e conseguir vencer
rem cedo aqueles a quem os deuses amam. tomar as rédeas do nosso destino. Precisamos ser As balas esgotam-se, mas não se esgotará a nossa
tas, despedem, admitem, fazem isto e aquilo. Eu estou a gravar esta crónica sob um estado
O Ibraimo, no meio desta máquina toda, era GRQRVHGRQDVGRVQRVVRVQDUL]HV'H¿QLWLYDPHQWH determinação como moçambicanos sedentos de
emocional muito forte. Estou a ver o Ibraimo precisamos de ser mais interventivos na resolução uma verdadeira democracia.
simplesmente o Ibraimo. na minha frente, de calças jeans ou bomba-
Na redacção do Savana, que está nas mesmas dos problemas que nos impedem de sermos cida- O regime da Frelimo não quer que se organizem
zine, camisete, voz sempre regulada a funcio- dãos e cidadãs verdadeiramente independentes, Forças de Defesa e Segurança republicanas. Por-
instalações físicas do jornal Mediafax e dos nar e a fazer funcionar uma máquina enorme, livres e felizes. que será que há renitência em se despartidarizar o
serviços comerciais, onde se encontra a nossa
querida Benvinda Tamele, estava o Ibraimo.
Lembro-me dele porque era incontornável:
alto – não tão alto como se pode imaginar em
países europeus tipo a Suécia –, mas alto mes-
mo no nosso padrão africano e moçambicano.
Eu tenho 1,75m, o Ibraimo devia ser uma ca-
beça e meia mais alto do que eu.
mas enorme mesmo, como é a Mediacoop. E
é desses heróis, desculpem-me o termo, que a
história nunca fala.
O Ibraimo não era herói e nunca pretendeu
sê-lo. Nunca reclamou, tanto quanto eu sai-
ba, condições de trabalho melhores ou piores;
nunca, tanto quanto eu saiba, reclamou me-
lhor ou pior salário. Mas era assim: a qualquer
so
Este texto vem a propósito da apatia que muitos de
nós demonstra com relação à actual situação sócio-
-política e económica de Moçambique.
Morreu mais um de nós, um moçambicano. Ma-
taram mais um opositor do regime da Frelimo, no
poder deste 1975 (ano da Independência Nacional
celebrada a 25 de Junho). Foi chocante ler que fa-
leceu o colega Jeremias Pondeca vítima de bale-
Estado. Organizar o Estado não devia ser priorida-
de número 1? A quem interessa que Moçambique
seja visto como um Estado falhado, sem democra-
cia efectiva, onde as vozes dos intelectuais, acadé-
micos, políticos da oposição, jornalistas, intelectu-
ais dos vários ramos seja silenciada assim que se
levante contrariando ao regime no poder?
É inaceitável que a Frelimo continue detentora do
Discreto, pouco falador, nunca durante estes amento.
amento monopólio de todos os poderes. Moçambique deve
10 ou 20 anos o ouvi rir às gargalhadas, man- hora do dia ou da noite, directa ou indirecta-
dar piadas ou comentar jogos de futebol, quer mente,, por telefone ou por faxe, por twitter ou Essa notícia gelou-me. Quantas mais pessoas pre- ser o único país que se diz democrático mas onde
um
lá pela coisa toda que existe nas maquinarias cisam morrer em Moçambique para que se cons- o chefe do Governo não responde perante o Parla-
fossem do Benfica-Tondela, quer do Alverca- truam os caminhos que nos levarão a um entendi- mento. Quem responde é o Primeiro-ministro que
-Porto ou do Maxaquene-ENH. Nada! Esse modernas, o Ibraimo estava sempre disponí-
vel. mento respeitado e duradouro? apesar do título não é o chefe do Governo.
era o Ibraimo. Mas sempre disponível. Sem- Suspeito que com esta tragédia virá a polícia dizer É CARICATO QUE SE QUISERMOS DEMITIR
pre que a máquina avariava à última da hora, Era daquelas peças pequeninas, piccole,, que fa-
zem funcionar as grandes engrenagens. Ibrai- TXHYDLLQYHVWLJDU(RWHPSRSDVVDUiH¿FDUiRVL
TXHYDLLQYHVWLJDU(RWHPSRSDVVDUiH¿FDUiRVL- O CHEFE DE ESTADO NÃO HAJA FORMA.
alguém dizia – “Ibraimo!” – e ele lá se levan- lêncio. O tempo fará com que mais esta morte seja Urge despartidarizar o Estado moçambicano. O
tava do fundo da cadeira, com os seus 1,75m mo não era administrador, dor, não era jornalista,
depois apenas um nome entre muitos que aguar- Estado/Partido Frelimo para além de tudo mais,
de altura, pegava na máquina e – tchac! tchac! não era angariador de publicidade, não era
dam por justiça. também monopoliza a economia do país.
– tirava um cilindro, para dizer de seguida – gestor de clientes. Era um homem simples,
Em Moçambique, morre-se se somos oposição, le- Devemos deixar de actuar como mirones. A Cons-
“Aqui falta toner.” Substituía e mandava ligar. de pernas ligeiramente em forma de tesoura, tituição da República de Moçambique confere-nos
va-se tiros nas pernas se falamos o que pensamos.
Ou se a máquina de enviar faxe encravava às uma cabeça e meia acima da minha altura – A impunidade e a hipocrisia prevalecem. A impu- direitos e garantias que devemos acionar para que
11 da noite, e ele às 11 da noite não estava nas e eu tenho 1,75m –, sempre com um sorriso nidade dos assassinos e as palavras de hipocrisia nos respeitem como povo desta terra.
instalações, ligavam-lhe e ele dizia ao telefo- nos lábios e disposto a ser prestável para quem do Estado FRELIMIZADO intoxicam-nos. Temos de trabalhar para termos o país que quere-
ne – “Mexam no botão tal. Se não funcionar, quisesse os seus préstimos, sem pedir qualquer Esta semana estive na Europa e perguntaram-me mos, um país de paz, justiça social, respeito pelos
de

liguem-me outra vez.” Sempre com um sor- contrapartida.


tida. várias vezes se em Moçambique poderia acontecer Direitos Humanos, caminhando para o desenvolvi-
riso nos lábios. Nunca se ria. Pensei que isso O Ibraimo pertence a uma geração de homens o que aconteceu em Angola, ou seja, tal como ma- mento, sem corrupção, nem impunidade.
fosse serenidade de espírito. Talvez até fosse. que está em vias de extinção e é por isso que taram Jonas Savimbi, se a Frelimo poderia tentar $FUHGLWRSLDPHQWHTXHQR¿PGHWXGRLVWRRSRYR
Mas esta manhã, sexta-feira, 7 de Outubro de não me posso alhear à morte dele. Se eu não assassinar o Presidente Afonso Dhlakama. é quem terá vencido.
2016, recebi uma chamada, era o Saíde. Pensei fosse bem-educado, havia de acabar esta cró- Amigos leitores, há dúvidas? Está fresco na nossa Aproveitando rogo ao Senhor para que Dê Paz a
que ele fosse comentar a minha crónica, que nica com um p.q.p. Mas, como sou bem-edu- memória a dupla tentativa de assassinato de que todos, em particular às vítimas dos últimos 41 anos
ele comenta sempre, sempre na positiva. cado, digo assim: “Bem hajas, Ibraimo! Guarda ele foi vítima em Setembro de 2015. Nos dias 12 de “Independência”.
– Então, queres falar da crónica? o nosso espaço aí, nós os queridos filhos de Alá, o e 25 desse mês Afonso Dhlakama foi emboscado *Comunicóloga, Política e Poetisa.
– Não. Fernando, estamos mal aqui na Me- Misericordioso.” e só escapou por milagre divino. No dia 8 de Ou-

SACO AZUL
io

Por Luís Guevane

País dos (in)conformados


ár

E stamos a atravessar um momen-


to que não tem na produção e na
produtividade a sua solução mais
eficaz, mas sim na recuperação da
pobre como o nosso, que passou a ter o rótulo
de “País de dívidas escondidas” ou mesmo de
“País falido”, entre outros rótulos pouco abo-
natórios, não se compadece com a ladainha de
com a situação de crise económica, com os
preocupantes níveis de materialização da jus-
tiça ou com a actual imagem do País? Não!
O moçambicano é um indivíduo conformado,
a ideia segundo a qual “falar” é um risco de
vida. O resultado é uma cidadania atípica
que se conforma com a imagem de um País
que parece não perceber que é preciso “au-
Di

confiançaa diante dos parceiros, recupera- que “estamos a trabalhar” e que acabou por se passivo, medroso ou produzido para obedecer? mentar a produção e a produtividade” da
ção de alguma credibilidade interna com configurar como “artifício” sem provimento. É Qual destas fatias se encaixa nele? O detalhe da democracia.
vista a descomprimir a rígida crença de preciso mostrar os resultados do nosso trabalho, resposta pode estar na maneira como o sistema O cidadão comum não se demitiu das suas
que a nossa justiça anda a reboque de do nosso comprometimento com a paz. Adiar repressivo está formatado nas nossas cabeças. obrigações e deveres para com o seu país.
decisões e vontades da elite política no permanentemente o desenvolvimento porque Faz lembrar um indivíduo permanentemente Todos devemos participar. A “exigência de
a paz “não pode ser alcançada a qualquer pre- violentado, reprimido, que nunca se “abre” mes- responsabilização” pelas dívidas escondidas
poder. Esta crença, alimentada por um
ço”, não está a ajudar na promoção da imagem mo quando o seu carrasco se ausenta. Os assas- não pode ser vista como algo que poderá
conjunto de factos conhecidos, como
de um país que se afirma comprometido com sinatos não esclarecidos, mediatizados e, com o pôr em causa a heroicidade deste ou da-
por exemplo o caso de um dos PGR que o bem-estar do seu povo. O sentido de “qual- tempo, aparentemente esquecidos, podem estar quele indivíduo supostamente idolatrado
ameaçou denunciar, na altura, os corrup- quer preço” pode não estar a ser suficientemente por detrás desse suposto conformismo com pelo aturado “culto de personalidade”. A
tos deste país e que imediatamente, em explicado ainda que permanentemente repeti- a “situação”. Este mais recente, o do Jeremias recuperação da confiança é um desígnio da
troca, teve uma melhoria significativa do do. Valerá a pena explicar isso ou o melhor é Pondeca, ex-deputado, Conselheiro de Estado democracia que passa por tirar o país da ar-
seu “status”, do seu bem-estar, vai per- mesmo o conformismo de quem propala essa e membro da equipa da Comissão Mista para o madilha que criou e em que caiu; passa por
dendo (ou há muito que perdeu) a sua espécie de “palavra de ordem”? Diálogo Político, por enquanto, porque media- abrirmos uma nova página onde cada um
auréola de suposição, de dúvida. Será que o cidadão comum moçambicano está tizado, está a ser investigado. É neste fio condu- dos três poderes se conforma consigo mes-
A recuperação da confiança de um país conformado com a situação político-militar, tor onde, mesmo sem provas, o cidadão constrói mo revelando-se, de facto, independente.
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Savana 14-10-2016 21
22
DESPORTO Savana 14-10-2016

0RoDPERODQDSRQWDÀQDOFRP8'6H)HUURYLiULRGD%HLUDjSURFXUDGRSULPHLURWtWXOR

Os últimos passos rumo ao sonho


O
3RU$EtOLR0DROHOD

o
campeonato nacional de a decisiva para a conquista do títu- pontos que o 1º de Maio, que ocupa
futebol, Moçambola, ca- lo. O facto é que, até ao momen- a 13ª posição, com 27 pontos.
minha para a sua recta to, as duas equipas encontram-se Neste regresso ao ataque final do
igualadas na tabela classificativa Moçambola-2017, os “alaranjados”

log
final e algumas equipas
estão com a máquina calculadora (52 pontos), mas os “beirenses” le- da capital recebem o já despro-
na mão, umas fazendo contas do vam vantagem no número de golos movido Desportivo do Niassa, en-
título e outras para a manuten- marcados
cados (34 contra 30). quanto o 1º de Maio de Quelimane
ção. Para o título, quatro equipas Ademais, o Ferroviário leva van- desloca-se a Nampula para jogar
sonham em levantar o “canecão”, tagem no confronto directo por com o FFerroviário local.
enquanto para a manutenção, duas ter ganho na primeira volta por Na jornada seguinte (29ª), as duas
equipas estão mais próximas da se- 3-2. Ou seja, em caso de igualdade equipas cruzar-se-ão, em Quelima-
gunda divisão, mas uma é que mar- pontual, no fim do campeonato, os ne, em mais uma partida de “tira-
cará presença na próxima época da “locomotivas” de Chiveve levarão o -teimas”, na qual pode-se definir o

ció
fina-flôr do nosso futebol. troféu nacional. mapa do Moçambola do próximo
Entretanto, caso as duas equipas ano.
União Desportiva do Songo não resolvam nada até à penúltima Caso nada se decida neste capítulo,
(UDS), Ferroviário da Beira, Clube jornada, o título passará, na última também até a penúltima jornada,
de Chibuto e Liga Desportiva de jornada, entre Nacala e Beira. Nes- as duas equipas irão definir o seu
Maputo têm chances de conquistar sa ronda, a UDS desloca-se àquela futuro na capital do país, na última
a prova, mas apenas as duas primei- cidade portuária para defrontar o jornada, onde o Estrela Vermelha
ras equipas é que estão bem coloca- Ferroviário local, enquanto o Fer- joga frente a mais um despromo-
roviário da Beira recebe a Liga
das para alcançar o objectivo.
A três jornadas do fim da prova, a
equipa treinada por Artur Seme-
do deixou de ser a única favorita à
conquista do título (o que não se
adivinhava há duas jornadas, antes
de perder dois jogos consecutivos),
so
União Desportiva do Songo e Ferroviário da Beira reatam o sonho pelo primeiro

pois de duas semanas de paragem


título nacional
a vencer por 3-0, sendo que dois
Desportiva de Maputo, outra equi-
pa que ainda sonha com o troféu,
mas para tal terá de ganhar os três
jogos e esperar por dois desaires
dos dois primeiros classificados.
vido, Desportivo de Maputo, en-
quanto os “operários” enfrentam o
Maxaquene.
2XWURVMRJRVGD
MRUQDGD
Além das partidas acima mencio-
nadas, a antepenúltima jornada do
(VWUHODHžGH0DLRQDOXWD
tendo de lado o Ferroviário da Bei- (uma para dar lugar as meias-finais golos foram marcados, através das SHODPDQXWHQomR Moçambola reserva as seguintes
ra, que também persegue o seu pri- da Taça de Moçambique e outra grandes penalidades. Com 27 jornadas disputadas, duas partidas: Desportivo de Nacala-
um
meiro campeonato nacional. para disputa da final da Taça da Enquanto isso, o Ferroviário da equipas ainda espreitam a segunda -Clube de Chibuto; Chingale de
Embora o caminho seja curto, o Liga), a UDS desloca-se a Maputo Beira recebe o seu homónimo de divisão, depois dos Desportivos de Tete-ENH de Vilankulo; Ferro-
mesmo mostra-se difícil e arma- para defrontar o Costa do Sol, no Nacala, um adversário com a situ- Maputo e de Niassa confirmarem o viário de Maputo-Desportivo de
dilhado para as duas equipas, que seu reduto. ação definida, quanto à sua perma- que já se adivinhava, a sua despro- Maputo; e Maxaquene-Liga Des-
ainda reservam um embate entre si, As duas equipas cruzaram-se, há nência na prova. moção. portiva.
na penúltima jornada da prova, na duas semanas, em Songo, no jogo Cumprida a jornada 28, as duas Trata-se do Estrela Vermelha de Referir que todas as partidas estão
vila de Songo. da segunda mão da Taça de Mo- equipas cruzam-se, na jornada 29, Maputo, que está abaixo da linha agendadas para o próximo domin-
No reatamento da competição, de- çambique, com a equipa da casa no Songo, numa partida tida como de água com 24 pontos, menos três go, às 15:00 horas.

“Casimiro e Chissano não acrescentaram valor”


de

N uma análise que nos pare-


ce oportuna realizar nesta
altura em que restam ape-
nas três jornadas para cair
o pano sobre o Moçambola- 2016,
a incógnita ainda continua patente
los resultados desportivos que as
suas equipas vem tendo, demons-
tram ter sido apostas cuja entrada
no comando técnico de suas equi-
pas não acrescentaram valor, segun-
do depoimentos de alguns adeptos
que as pessoas acreditem nela, isto
é, na sua capacidade técnica e na
ciência que as deve guiar acima de
tudo e que o resto pode ser com-
plemento, mas nunca ao ponto de
se exigir medidas que não tenham
estrutura montada fique quebra-
da e afecte a equipa e as pessoas,
pois nem era preciso que houves-
se obrigação de acrescentar valor,
desde que se criasse ou se elevasse
a necessária coesão para assegurar
quilidade”, explicou, para em se-
guida acrescentar: “se for verdade,
havendo dois blocos que actuam
sobre a equipa, haja consciência de
cada um deles, pois os objectivos
do Estrela estão acima de qualquer
io

nos dois extremos, por um lado, a ouvidos pelo SAVANA


SAVANA, ainda que base científica. a manutenção dos resultados que o interesse pessoal ou grupos, e com
disputa pelo título, mas por outro a na segunda colectividade a crise
“Se a pirâmide estiver invertida, é conjunto vinha tendo e, com isso, isso capitalizarmos o objectivo ge-
luta pela sobrevivência entre o Es- aguda que afecta o emblema tenha
normal que o funcionamento da garantir a manutenção com tran- ral”, reagiu.
trela Vermelha e o 1º de Maio de também constituído um nó de es-
Quelimane, se consideramos que o trangulamento.

Manhique desafia atletas a provarem a sua qualidade


E mais ainda: na visita que efectua-
ár

histórico Desportivo de Maputo e


do Niassa já têm a sua descida con- mos ao Estrela, o seu presidente de
sumada. Direcção, Luís Manhique, respon-
dendo a uma pergunta, afirmou que Entretanto, o presidente do Estrela Vermelha, Luís muito menos dirigir os seus destinos”. Apelou, em
a equipa tem valor e qualidade para Manhique, numa maratona de acções para inver- seguida, para que desmintam esta tendência com re-
O ponto aqui é considerar que os
se bater e conseguir manutenção no ter o quadro actual do posicionamento do clube no sultado desportivos, ganhando e mantendo a equipa
três clubes abaixo da linha de água,
Moçambola e acredita que isso vai Moçambola, realizou, entre outras iniciativas, duas no Moçambola.
apesar das possibilidades do Estrela
Di

ser conseguido. palestras com a equipa de futebol, alterou o posicio- “Confio em vocês e na vossa capacidade, pois somos
poder manter-se no Moçambola,
“Entendo e reconheço que a estru- namento de alguns dos seus quadros e despertou aos uma das mais organizadas equipas deste Moçam-
mudaram de treinadores, tendo
tura montada no início do Moçam- atletas o sentimento de que uma despromoção da bola e com uma logística regular, derivado do facto
o Desportivo de Maputo e o do
bola desintegrou-se com a saída equipa do escalão máximo do futebol pode beliscar de estarmos no Moçambola, pois, diferentemente
Niassa despedido seus técnicos, en-
o seu valor e prestígio profissional. do que muitos distraídos dizem, as operações no
quanto Chaquir Bemate do Estrela, inesperada de Chaquir e esse facto
Manhique foi mais longe ao dizer aos atletas que a Moçambola são mais baratas do que no campeona-
numa atitude que a Direcção con- pesou na estabilidade da equipa,
manutenção do Estrela era tão importante para o to da cidade, desde que sejamos organizados, pelo
sidera injustificável, deitou a toalha porquanto injustificável, pois está
prestígio individual e colectivo de todos, como para que seria um enorme desperdício para o próprio
ao chão, abrindo ou acentuando a provado que nada havia que não
desmentir os que “não nos querem no Moçambola e futebol uma eventual despromoçao. Os resultados
crise de resultados, se atendermos fosse ultrapassável nas alegadas
promovem, na praça pública, contra as nossas aspi- desportivos conseguidos nos últimos anos, sendo
que o treinador alaranjado desistiu constatações do técnico, mas nem
rações, falsas ideias de que a Direcção não tem inte- neste momento o Estrela o bi-campeão em título
numa altura em que a equipa estava por isso a equipa perdeu qualida-
resse na presença da equipa no Moçambola para vos de boxe, kimura, hóquei em patins, incomodam as
tranquila no campeonato, embora de”, explicou.
enfraquecer no objectivo da manutenção. É preciso pessoas que semeiam intriga no nosso seio para nos
num momento menos bom. A uma outra pergunta sobre que
que denunciem acções com essa tendência aqui den- dividir e fragilizar os nossos objectivos, destruindo
Porém, tanto Manuel Casimiro e valores a nova equipa técnica acres-
tro do Clube e entendam que todos que se associam os comandos que formamos e montamos”, concluiu
João Chissano, dos históricos Es- centou após a saída de Chaquir, o
a essa ideia não merecem estar nem ser do Estrela, Manhique.(Paulo Mubalo)
trela e Desportivo de Maputo, pe- nosso entrevistado disse ser preciso
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Savana 14-10-2016 23

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTÉRIO DA SAÚDE
UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES

o
ADENDA AO ANÚNCIO
DO

log
Concurso Público Nº 82/OE/MISAU/UGEA/2016

Contratação
ontratação de Serviços de Desembaraços Aduaneiros para MISAU

ALTERAÇÃO DA DATA DE ENTREGA E ABERTURA DAS PROPOSTAS

ció
Nos termos do anúncio do Concurso Público Nº 82/OE/
MISAU/UGEA/2016, publicado no Jornal Notícias no dia 3. Onde se lê “ Critério de Avaliação e Decisão: Menor
23 de Setembro de 2016, emite-se a adenda ao Anúncio Preço Avaliado” passa a ler –se Critério de Avaliação e
de Concurso. Decisão: Critério Conjugado”
1. Onde se lê “as propostas deverão ser entregues no en- 1%2,$& J GHÀQHVHRVFULWpULRVDWHUHPFRQWD

abaixo até as 10:00 horas do dia 25/10/2016 “.


2. Onde se lê “e serão abertas em sessão pública, no mes-
so
dereço abaixo até as 10 horas do dia 11/010/2016” passa a na avaliação
ler-se “as propostas deverão ser entregues no endereço
3. Todas as demais cláusulas e condições do Documento
de Concurso permanecem inalteradas.
mo endereço às 10:30 horas do mesmo dia” passa a ler-se A Autoridade Competente
“e serão abertas em sessão pública, no mesmo endereço
um
às 10 horas e 30 minutos do dia 25/10/2016”. (Ilegível)

Nota de imprensa
“Outubro pela Esperança”
de

No passado dia 8 de Outubro de 2016, na cidade de nato do Jeremias Pondeca acontece num contexto
Maputo, foi morto Jeremias Pondeca, membro da de ameaças, raptos e limitação da liberdade de ex-
Renamo e do Conselho de Estado, que fazia parte pressão, tal como se tem denunciado, contribuindo
da Comissão Mista para as negociações de paz. Se- DLQGDPDLVSDUDTXHRPHGRHDGHVFRQÀDQoDVHHQ-
gundo informações veiculadas pela imprensa, Je- raízem nas vidas dos moçambicanos e moçambica-
remias Pondeca foi levado até à zona da praia da nas. Ademais, este acto precede a mais um reinício
io

Costa do Sol onde o crivaram de balas. das negociações de paz em curso, cuja morosidade
Num país em que a violência e o crime são quase e a continuidade das acções de guerra, estão a ter
endémicos, poderia este assassinato parecer fortui- um alto custo em vidas humanas.
ár

to, não fosse um conjunto de situações. Primeiro, Perante mais acto hediondo, nós, organizações da
é mais um assassinato que ocorre à luz do dia e sociedade civil, congregadas nas acções de uma
numa zona relativamente segura. Segundo, nada iniciativa designada “Outubro pela Esperança”, se-
FRQVWDTXHRPDORJUDGRWHQKDVLGRDVVDOWDGR(À- quência das marchas de 18 de Junho e 27 de Agosto
Di

nalmente, é muita coincidência que em meio a um do corrente ano, vimos por este meio repudiar a
processo tenso e confrontacional nas negociações onda de assassinatos e exigir que as autoridades
de paz, exactamente um dos membros da Comis- competentes se empenhem para acabar com a im-
são Mista, morra nestas circunstâncias. Esperamos punidade dos autores.
que não se trate de uma morte premeditada.
A série de assassinatos que vem ocorrendo, só
pode ser entendida num contexto em que o terror Pela Justiça, Paz e Democracia!
e o medo são estratégias recorrentes, não compa- Que em Outubro esperança brote.
tíveis com o modelo democrático. Aliás, o assassi- Maputo, 10 de Outubro de 2016
CULTURA
24 Savana 14-10-2016

“É preciso ser um músico financeiro”


I
naugurou nesta terça-feira, 12 dias 28 de Outubro (Polana Serena (Moçambique), Ildo Nandja (mo-
de Outubro, no Polana Serena Hotel) e 29 de Outubro (Porto de çambicano radicado na África do
Hotel, a exposição fotográfica Maputo-Terminal
Terminal de Cabotagem). Sul), Judith Sephuma (África do

o
denominada “Retrospectiva “Num período em que o nosso país Sul), Omar Sosa (Cuba) e Suza-
- More Jazz Experience”. São 48 e o mundo estão a atravessar uma na Stivalli (Itália). “É sempre uma
fotografias que retratam edições crise financeira e conseguir realizar honra contribuir para um even-
passadas do More Jazz Series da um evento cultural desta magnitude to que começ
começa a mostrar mais um

log
autoria dos fotógrafos Sérgio Cos- é preciso ter parceiros que deposi- espaço no mundo quando se fala
ta e Mauro Vombe. tam muita confiança no nosso tra- de festival de jazz. Para serem co-
balho.. Falando disso, recordo que nhecidos, outros festivais levaram o
As fotografias em exposição no Bar, numa das conversas que tive com o seu tempo. Então, participar nesse
corredor e paredes diversas do Po- Presidente do Conselho Executivo caminho de demonstração de Mo-
lana Serena Hotel enquadram-se do BCI, nosso maior parceiro, ele çambique como um dos lugares
na segunda edição do “Viva o Jazz disse que é preciso ser um músico de referência, em termos de jazz e
- More Jazz Experience”. financeiro para realizar um evento da cultura nacional para o mundo,
Para além da mostra fotográfica, o desta natureza nesta época bas- é gratificante como instituição. É
More Jazz Experience contempla tante difícil em termos financeiros gratificante encontrar jovens mú-

ció
exibições de filmes todas as quar- no país”, disse o músico Moreira sicos que apresentam propostas
tas-feiras, às 19:00h, bem como ses- Chonguiça, patrono da iniciativa, deste género. Diria mais uma vez
sões de música Jazz ao vivo, todas no evento de apresentação da sexta que Moreira Chonguiça é um mú-
as quinta-feiras, às 19:00h. Quer as edição do More Jazz Series. sico financeiro. Precisamos de mais
sessões de filme quer as de Jazz têm Para a edição deste ano, a sexta, o iniciativas deste género no país em
entrada livre. More Jazz Series traz para os palcos todo o espólio cultural que Moçam-
Todas as actividades turístico-cul- de Maputo, The Moreira Project bique possui”, frisa o Presidente do
turais irão culminar no evento mãe, RGR0RUH-D]]
2P~VLFRFXEDQR2PDU6RVDpDÀJXUDGHFDUWD]GHVWDVH[WDHGLomRGR0RUH-D]] (Moçambique), Lendas da músi- Conselho Executivo do BCI, Paulo
More Jazz Series 6, a ter lugar nos 6HULHV ca moçambicana – Khanimambo Sousa. A.S

so Augusto Cuvilas
“Ensaios poéticos” homenageado
junta três figuras
um

D epois de ter estreado na


plataforma Internacio-
para além de focar-se na produção
de eventos de dimensões Interna-

A
nal de dança contem- cionais como o Kinani e o Tridis-
porânea - KINANI, a ciplinar, tem vindo a se ocupar na
cidade de Mapu- pectáculo, aquela que é também esia, canto e dança de se ti-
peça encenada por três Mulhe- internacionalização de peças de
to transformou-se conhecida como a irmã “caçula” rar o chapéu, protagonizado res de diferentes Países (Gaby- dança contemporânea ao nível da
desde o domingo do lendário cantor e compositor pelos alunos daquele esta- Saranouff - Madagáscar, Desiré África Austral. Como exemplo
passado numa ver- brasileiro,
o, Caetano Veloso, teve belecimento de ensino, um David - África de Sul e Edna disso, está a produzir e apresentar
dadeira capital da cultura a honra de ser recebida em dois exercício que serviu como Jaime - Moçambique) foi esco- a peça da jovem coreógrafa Judith
de

e Literatura de expressão eventos, sendo o primeiro marca- pretexto para a exaltação de lhida como cartaz da 10ª edição Manantenasoa, intitulada “Méta-
portuguesa, com a realiza- do com um momento cultural de personalidades mais impor- do “Dansel’AfriqueDanse” que se morphose”, sendo esta a sua pri-
ção de “Ensaios poéticos”, canto e dança de Timbila e Tufo, tantes do mundo da música, realizará entre os dias 26 de No- meira internacionalização a nível
um show de declamação de uma cerimónia que marcou a sua literatura e jornalismo do vembro a 3 Dezembro em Oua- de gestão e assessoria. “Este é
poesia, canto e dança, chan- chegada a Moçambique, e outro país, como Fany MPfumo, gadougou, Burkina Faso. mais um sinal de reconhecimento
celado pela conceituada po- observado na Escola Secundária Carlos Cardoso como José do trabalho que juntos temos fei-
eta, cantora e compositora de Laulane, na passada segunda- Craveirinha, Rui de Noro- Esta peça ganhou a sua primeira to em prol da dança contemporâ-
brasileira, Maria Bethânia, -feira, contando com a presença nha, Orlando Mendes, Rui projecção Internacional através nea”, disse Quito Tembe. A.S
cuja finalidade é a produção do Ministro de Educação e De- Nogar, Aníbal Aleluia, Lei- do festival Kinani, realizado em
io

de um documentário sobre a senvolvimento Humano, Jorge te Vasconcelos, Noémia de Outubro de 2015. Uma criação
poesia dos países de expres- Ferrão. Sousa, entre outros. artística que conta com a co-pro-
são portuguesa. dução da Iodine Produções que ao
Este foi igualmente marcado por
mesmo tempo proporcionou a sua
uma sessão de declamação de po- Américo Pacule
Organizado pelo “Cine primeira residência artística em
Group”, uma organização Moçambique.
ár

cultural sediada no Brasil, Em palco, a peça junta movimen-


dedicada à produção cine- tos corporais, som e luz para ex-
matográficaa e televisiva, o pressar a sua mensagem de incen-
evento decorreu na quarta- tivo às pessoas para falarem sobre
-feira última, no Centro os problemas que as mulheres en-
frentam no seu dia-a-dia.
Di

Cultural
al Universitário da
Universidade Eduardo Para além deste célebre reconhe-
Mondlane, tendo colocado cimento, Moçambique se fará re-
no mesmo palco os escri- presentado por Quito Tembe (Di-
tores moçambicano
ambicano e an- rector do Kinani) e membro do
golano, Mia Couto e José comité de orientação artística do
Eduardo Agualusa, num festival (Dansel`AfriqueDanse).
verdadeiro acto de celebra- Neste encontro Internacional de
dança contemporânea será igual-
ção dos grandes poetas que
mente reposta a peça “Um solo
unem três países irmãos
para cinco” da autoria de um dos
(Brasil, Moçambique, e An-
principais precursores da dança
gola) através de uma língua
contemporânea em Moçambique,
e de um sentimento comum.
o bailarino e coreógrafo Augusto
Mas antes mesmo da re-
Cuvilas.
alização do referido es-
De referir que a Iodine Produções, (GQD-DLPHEDLODULQD
Dobra por aqui
g o
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1188 ‡ DE OUTUBRO DE 2016

ól o
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2 Savana 14-10-2016 SUPLEMENTO Savana 14-10-2016 3

AS CAMPANHAS DAS
AS NOVAS MARC
MARCAS....
Savana 14-10-2016 27
OPINIÃO

Abdul Sulemane (Texto)


Júlia Manhiça (Fotos)

o
log
Pensar, falar diferente

é proibido?

s pronunciamentos críticos feitos pelo presidente da Frelimo, Fi-

O
lipe Nyusi, no recente encontro de quadros e do Comité Central

ció
deste partido na Matola, reprovaram os membros do seu partido
que se expressam livremente sobre a vida do país e do partido.
Foram considerados indisciplinados que estão a valorizar-se mais do que
o partido e os seus órgãos.

Há quem considera que é uma estratégia que foi muito usada pelo anti-
go presidente, Armando Guebuza, para tentar controlar o seu partido e
silenciar os críticos de dentro. Contudo, existe um grupo de membros do
partido Frelimo que se tem expressado sem reservas sobre a vida do país
e da Frelimo.
Para os que não podem falar abertamente sobre a vida do país e do par-
tido, apenas resta os momentos em que se encontram em ambientes que
possam aproveitar dar um desabafo em relação aos seus pensamentos so-
bre determinados assuntos. Não é por acaso que vemos a Procuradora-
so
-Geral da República, Beatriz Buchili, e a Chefe da Bancada da Frelimo
da Assembleia da República, Margarida Talapa, trocando lamentações.
um
Outros não conseguem esconder a sua indignação face aos pronuncia-
mentos. Comentam os seus pareceres sobre situações difíceis que têm
enfrentado. Reparem como Óscar Monteiro expressa o seu descontenta-
mento, deixando apenas Carvalho Muária a ouvir.
É inadmissível o que está a acontecer. As pessoas já não podem mostrar
o seu descontentamento? Parece ser o que estão a dizer os indignados.
Vejam nesta outra imagem o semblante irritado do antigo Comandante-
-Geral da PRM, Jorge Khalau. O antigo vice-Ministro do Interior e ac-
tual reitor da ACIPOL, José Mandra, preferiu acalmar o seu camarada,
segurando desajeitadamente o braço do outro, desviando o olhar par outro
lado, como se procurasse ver se a cena foi partilhada pelos outros cama-
de

radas.
Há situações em que de alguma forma aproveitamos para partilhar mo-
mentos agradáveis. É o que fez o escritor Calane da Silva quando partilhou
uma afável conversa com a renomada cantora brasileira, Maria Bethânia.
Pela demonstração de agrado protagonizada pela artista foi agradável. O
Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão, não
escondeu a sua satisfação.
É mesmo para dizer que personalidades ligadas à cultura têm outra forma
de estar na sociedade. Transmitem alegria por onde estiverem. Esse facto
io

é bem notório nesta última imagem, onde vemos o artista plástico Naguib
Abdul e o músico Roberto Chitsondzo a partirem o coco sobre algum
facto agradável que partilharam. Isso é que é ter a liberdade de pensar,
falar e sorrir sem medo de represálias daqueles que são contra a liberdade
em todos os aspectos.
ár
Di
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz gj55/./,)55hfgl5R55 5R5o 1188
z- se
. Di
IMAGEM DA SEMANA Naíta Ussene
D iz- se . .
R555*,)#--ã)5#(50#5()5,)855 )45#/5)'5,ï#.)-5'&*
R555*,)#--ã)5#(50#5()5,)855 )45#/5)'5,ï#.)-5'&*-
rados de cinco empresas estatais, mais a retirada do depósito do
!/,#ã)5-5*(-ċ-855*,é65-!/()5,&.ĉ,#)-5)5()5(-
!/,#ã)5-5*(-ċ-855*,é65-!/()5,&.ĉ,#)-5)5()5(
tral, já há cinco bancos a derrapar nos rácios. Porque a penalização

o
só recaiu no Moza?

R55*)#-55.(.)5.'*)55-#&ð(#)65-5/.),#-5##,'5*-
R55*)#-55.(.)5.'*)55-#&ð(#)65-5/.),#-5##,'5
recer e condenar a onda de assassinatos de opositores e críticos do

log
!)0,()85.ï5*,)2#','7-5à5 'ù&#5(&/.5*,5/'5,é)5
5)(-)&)85!),5,-.7()-5-,5-5./)5(ã)5*--55&á!,#'-5
5)(-)&)85!),5,-.7()-5-,5-5./)5(ã)5*--55&á!,#'-
de crocodilos ou chegou a vez de agir. É hora para recolher os
cachorros, como alguém sugeriu um dia.

R55 -')5--#'655(')5,!#/5*)-#.#0'(.55.#./5)5.#')-
R55 -')5--#'655(')5,!#/5*)-#.#0'(.55.#./5)5.#')
neiro da nação sobre assassinato de Pondeca, mas falcões, numa
primeira fase, tentaram resistir argumentando que era mais uma
te “entre eles”.
morte

ció
R555----#(.)5)5")''65+/5-5-.)/5(5-)&#("5)5,/-
R555----#(.)5)5")''65+/5-5-.)/5(5-)&#("5)5,/
lho com apitos e batucadas em tempo idos, vai engrossar a lista
dos requerentes de protecção policial, depois dos magistrados. O
ministro que tutela a área deu a conhecer que o malogrado tinha
direito à protecção policial na qualidade de membro do CE, mas a
realidade mostra que poucos desfrutam deste privilégio.
O exemplo que vem da África do Sul R55/.,)5-*.á/&)55*)&ù#65-.5-'(650#)55'ï4#65)(5
R55/.,)5-*.á/&)55*)&ù#65-.5-'(650#)55'ï4#6

Novas normas prevêem prisão a so a corporação anunciou a tomada de uma base da Renamo, “mais
uma”, desta vez algures em Murrotone, num “mega e retumbante
assalto de proporções jamais vistas”. O que faltou à nossa polícia é
)4#(",5'55.),#550(,5à5)*#(#ã)5*Ě&#85)/5*),5.,5
)4#(",5'55.),#550(,5à5)*#(#ã)5*Ě&#85)/5*),5.

políticos que negoceiam com Estado


um porta-voz distraído que ora diz que aquando do assalto as per-
dizes estavam a dormir, ora que não conseguiram deter qualquer

A
")''855(ã)5-,5+/5)-5--&.(.-5 ),'5.ã)5,#)-)-5)5*)(.)5
),'5.ã)5,#)-)-5)5*)(.
de acordarem os “dorminhocos” para se precaverem da “mega ope-
Comissão dos Servi- políticos e a todos os órgãos Já o Ministério da Educação ração”.
um
ços Públicos da Áfri- de soberania deste país”, disse Básica informou que mais de
R55 -5)')55ï,)&5)5±(#)5ï5'-')5sui generis, más notícias
ca do Sul anunciou Seloane. três mil dos seus funcionários
continuam a cair a rajadas. Depois das tais novas dívidas, tam-
esta semana a en- 5 &#5 '5 /-65 *,)--!/#/5 )5 conseguiram concursos es- bém fabricação da imprensa internacional, avaliadas em USD 900
trada em vigor de normas que comissário, não será aplicada timados em 152 milhões de milhões, agora é o banco brasileiro de fomento que pode cortar o
prevêem a detenção de funcio- retroactivamente, o que signi- rands, entre 2010 e 2012, in- financiamento de Moamba Major. O pandza ainda vai dar muita
nários públicos e de membros fica que se um funcionário pú- cluindo professores e gestores dança.
do governo que fizerem ne- blico ou membro do executivo seniores da instituição.
R555-'(5'5+/5 (/&5"(!5 )#5*),5(5)'#--ã)5*,&-
gócios com o Estado, a partir que tiver ganho um concurso De acordo com Mike Seloane,
mentar que investiga as chamadas dívidas ocultas, foram publi-
de Fevereiro do próximo ano, +/5 0#!),5 *)#-5 5 hfgm5 )5 as novas normas vão passar a -5-5--#(./,-5)525-5ŀ((é-5()-5)(.,.)-55  65
numa medida visando comba- contrato não será revogado. considerar cúmplices os ges- Proindicus e Ematum. Mas se Chang assinou, quem deu poderes
de

ter a corrupção no país. “Esta lei será aplicada a novos tores seniores que não denun- para assinar?
contratos [assinados depois de ciarem potenciais situações de
0,#,)55hfgmE65'-5)-5!---
0,#,)55hfgmE65'-5)-5!- crimes financeiros. R55(+/(.)5 -5 --#-.5 )-5 ,)-5 5 ,)#(#/-5 5 ( ,,/$,'5 5 5
Segundo o jornal sul-africano
base logística de Pemba a ser questionada, um gigante mundial da
Business Day, o comissário dos tores são encorajados a renun- “Como gestor sénior, se desco-
administração portuária prepara-se para fazer uma proposta mi-
Serviços Públicos da Região ciarem às empresas
esas que fazem brir ilícitos de crimes financei- &#)(á,#5-),5)5*),.)55&5+/5*),á50#,55-,550,#,5
Metropolitana de Gauteng, negócios com o Estado”, acres- ros de 100 mil rands ou mais, é grande base logística de apoio à exploração de gás de Rovuma.
Mike Seloane, disse ao Comi- centou Mike Seloane. sua responsabilidade informar
.ï5 ,'((.5 5 --'&#5 De acordo com o Business às entidades competentes. Se R55*-,5 5 (ã)5 .,5 -ù)5 )5 ()'5 5  65 *)(,7-5 ()-5
Day, o auditor-geral sul-afri- não o fizer, será considerado círculos do poder a possibilidade de uma mini remodelação para
io

Provincial de Gauteng para as


refrescar os quadros, o que está a tirar sono a alguns titulares e
Contas Públicas que as novas cano descobriu em 2013 que cúmplice de má conduta”, ex-
potenciais ministeriáveis.
directivas enquadram-se no concursos públicos orçados em plicou Seloane.
esforço da luta contra ilíci- 600 milhões de rands foram O comissário acrescentou que R5-5)&)-65+/50#,'5)5ã)550(,5()5, ,()5-),55*465--
tos financeiros cometidos por adjudicados a empresas com os funcionários envolvidos fregam as mãos com a eleição de Guterres. O tuga é considerado
ár

membros do executivo e fun- ligações a funcionários do Es- em esquemas de corrupção como um poderoso aliado na mais importante organização multi-
cionários públicos. tado. não vão escapar à lei usando lateral de todo o mundo.
^5*,.#,550,#,)55hfgm`5 Por seu turno, a Unidade Espe- a transferência para outro de- Em voz baixa
qualquer gestor sénior será #&55 (0-.#!éã)5#(.#ŀ)/5 partamento do governo, pois R55'5 +/,)5 &á5 *,5 -5 (-5 5 .,,5 5 )5 !(.5 *,.##*)/5
preso, se se descobrir que de- 235 funcionários do Estado no será activado um novo sistema como quadro na reunião do partidão e uma semana depois assinou
tém empresas que fazem negó- Ministér da Saúde, que be-
Ministério de alerta para casos de coloca- no matutino uma “grande reportagem” sobre a reunião que decide
Di

#)-5)'5)5-.)855#(.(éã)5 neficiaram de concursos avalia- ção de trabalhadores suspeitos a vida do partido governamental no intervalo entre os congressos.
4,5'#-5)')888
é estender esta provisão aos dos em 42.8 milhões de rrands. noutros postos.
Savana 14-10-2016 1

0DSXWRGH2XWXEURGH‡$12;;,,,‡1o 1188

o
FAO, PMA e parceiros na luta contra a fome

Ensaiadas novas formas de

log
combate à desnutrição crónica

ció
so
um

A
de

desnutrição crónica con- conjunta sobre este mal, em que presas), porém, não sem avançar tência alimentar. os sectores produtivos (agricultura,
tinua sendo um dos prin- envolvemos três componentes de valores concretos. Embora as metas mundiais apon- pecuária e pesca), base de sustento
cipais problemas de saúde trabalho (educação nutricional, Neste ano, o país foi assolado pela tem 2030 como o ano zero para a de cerca de 70% da população mo-
pública, em Moçambique, mudança de comportamento e de seca, na zona sul, que só em Gaza
sec fome, a nossa fonte adiantou que, çambicana.
e dados do Ministério da Saú- hortas caseiras). A segunda ino- e Inhambane afectou cerca de 140 para o caso moçambicano, não é Depois do El Niño, Camarada diz
de indicam que cerca de 43% da vação é a introdução de senhas mil pessoas, e pelas cheias na zona possível fazer previsões porque a haver necessidade de se produzir
população está afectada por este electrónicas, que facilita a aquisi- norte, que atingiram mais de 20 mil população cresce de forma despro- alimentos de forma sustentável e,
mal, enquanto os do Ministério da ção de alguns inputs (sementes e pessoas. porcional. para tal, é preciso que se adapte os
Agricultura e Segurança Alimen- fertilizantes melhorados), na qual Esta situação, agravada pela reti- “Mas, observa-se que Moçambi- sistemas de produção às mudanças
io

tar indicam que cerca de 1.4 mi- o produtor também comparticipa”, rada do financiamento externo ao que passou, nos últimos 15 anos, climáticas.
lhão de pessoas estão em situação explicou. Orçamento de Estado, devido à de uma insegurança alimentar que “Temos de utilizar sistemas que
de insegurança alimentar aguda. Falando na manhã desta quarta-fei- descoberta de uma dívida de USD rondava nos 50% para 25%”, subli- têm uma carga de carbono mais
ra, em Maputo, numa conferência 1.4 mil milhões e a crise político- nha. baixa; sistemas que levem à emissão
de imprensa alusiva às comemora- -militar, provocou a escassez de ali- A outra forma encontrada para o de gás estufa mais baixa para miti-
Nesta semana, o Representante do
ár

ções do Dia Mundial de Alimen- mentos, subida galopante de preços combate da desnutrição crónica gar o impacto que essas mudanças
Fundo das Nações Unidas para a tação, que se assinala no próximo e consequentes bolsas de fome. é a fortificação dos alimentos e o têm”, considera.
Agriculturaa (FAO), em Moçam- domingo (16 de Outubro), Castro Intervindo no evento, a Represen- potenciamento das pequenas mo- A fonte acrescenta ainda que a
bique,, Castro Camarada, revelou Camarada avançou que o primeiro tante e Directora Nacional do Pro- ageiras. FAO está a desenvolver um pro-
que a sua organização, em parceria projecto está sendo desenvolvido grama Mundial da Alimentação, O 16 de Outubro deste ano é co- grama relacionado às mudanças cli-
com o governo e outras Organiza- nas províncias de Sofala e Manica, em Moçambique, Karin Manente, memorado com o lema “O clima máticas, promovendo abordagens
ções Não-Governamentais, está a no centro do país, envolvendo oito agro-ecológicas (evitar o desflores-
Di

afirmou que aquela organização está mudando. A alimentação e a


ensaiar duas novas formas para se mil famílias, enquanto no segundo, está a dar uma resposta positiva ao agricultura também” e tem como tamento, fazer melhor conservação
fazer face ao problema. o subsídio var
varia entre os 30% (mais problema e, em Setembro passado, objectivo consciencializar as pesso- da água, etc.).
“A primeira é uma abordagem vulneráveis) e 50% (pequenas em- apoiou 800 mil pessoas, em assis- as sobre este fenómeno, que afecta Abilio Maolela
2 Savana 14-10-2016

mCel apoia Feira Internacional de Turismo


A
cidade de Maputo aco- gem do País, através do turismo”. Copa Mafalala, um torneio de fu- decorrerá entre os dias 15 de Ou- -semana, durante o torneio serão
lhe, a partir de hoje até “Pretendemos que os objectivos tebol de 7, que envolverá um total tubro e 7 de Janeiro e visa cultivar realizadas diversas actividades
próxima segunda-feira do definidos no Plano Estratégico do de 18 equipas de diversos bairros nos jovens o gosto pela prática do complementares, tais como registo

o
corrente mês, a IV edição sector se tornem realidade e isso da capital do País. desporto,
to, em particular o futebol. e activação de cartões SIM, emis-
da Feira Internacional de Turis- passa por promover a imagem do O torneio, a ter lugar no campo Para estimular a participação do são de Bilhetes de Identidade e de
mo, uma plataforma de promoção País e do turismo doméstico, que da Mafalala, no bairro com mes- público,, para além dos jogos, que NUIT’s (Número Único de Iden-
do turismo moçambicano, que são importantes factores de desen- mo nome, na cidade de Maputo, serão disputados todos os fins-de- tificação Tributária), entre outras.

log
visa divulgar as potencialidades volvimento”, disse Eduardo Zuber.
turísticas do País e colocá-lo na Por seu turno, Albino Mahumana,
rota dos destinos preferenciais do director-geral do INATUR, refe-
mundo. riu que, mais do que divulgar as
potencialidades do País, pretende-
Denominada “Descubra Moçam- -se transformar este evento numa
bique”, a feira é organizada pelo plataforma de negócios e de inte-
Governo moçambicano, através do racção entre os agentes e profissio-
Ministério da Cultura e Turismo nais da cultura e do turismo.

ció
e do Instituto Nacional do Turis- “O Governo definiu o turismo
mo (INATUR), em parceria com como a quarta área para a dinami-
o sector privado, e pretende-se zação do desenvolvimento sócio-
que a mesma sirva também para -económico de Moçambique, e
promover a cultura e gastronomia esta feira constitui uma das acções
nacionais. de promoção da imagem do País e
O evento vai contar com a partici- de investimento, visando o alcance
pação de cerca de 150 expositores deste desiderato”, afirmou o direc-
nacionais e estrangeiros, 14 hotéis, tor nacional do INATUR.
40 agentes de turismo, dois países
vizinhos (África do Sul e Swazi-
lândia), para além de diversos ope-
radores turísticos.
Segundo explicou o director na-
cional do Turismo, Eduardo Zu-
ber, em paralelo, “este evento cons-
Este evento conta com a parceria
da operadora de telefonia móvel
mcel-Moçambique Celular, cujo
representante, Jonas Alberto, con-
siderou que “o turismo é uma das
formas de promover a moçambi-
so
canidade e, por via disso, desenvol-
titui a materialização do Plano ver o País”.
Estratégico de Desenvolvimento Entretanto, para além da Feira In-
um
do Turismo, que tem como princi- ternacional de Turismo, a mcel as-
pal objectivo a promoção da ima- sociou o seu nome à 35ª edição da

MultiChoice oferece
escola na Catembe
de

A MultiChoice procedeu
na última terça-feira a
entrega de uma escola
a Comunidade de Ma-
chanfane no distrito de Matutu-
íne, que dista a 15km do cais da
Catembe, num investimento or-
oferecemos material agrícola para
que se possa evitar a desistência de
alunos devido a falta de alimen-
tos”, explicou
Antes do apoio a escola possuía
apenas três salas de aulas em con-
dições precárias, lecionando o en-
io

çado em cerca de três milhões de sino primário. O apadrinhamento,


meticais. permitiu a introdução do ensino
secundário (salas anexas da Esco-
A oferta consiste na construção de la Secundária da Catembe) redu-
seis salas de aulas e reabilitação de zindo assim a distância percorrida
ár

três, totalizando nove salas de au- pelos alunos da região (cerca de


las. Foi também entregue material 15 Km) até a Catembe e hoje já é
agrícola para a produção de ali- intr
possível introduzir os recursos de
mentos e alunos, material escolar alfabetização de adultos no curso
e didático diverso, realizada elec- noctur
nocturo.
trificação, carteiras escolares, obras Domingos Mebasse, director da
Di

de melhoria do bloco administra- Escola Primária de Machanfane,


tivo e oferta de material informá- disse que as salas poderão mudar a
tico e de escritório. qualidade de vida e o desempenho
Na cerimónia de entrega Pedro dos alunos. “Com essas salas a vida
Langa, da MultiChoice, disse que muda. Nenhuma criança estuda na
esta entrega constitui aquilo que é sombra (de árvores) todas estão
um dos primeiros passos de res- nas salas. Se a criança tem essas
ponsabilidade social da empresa. condições o aproveitamento são
“Estes foram os primeiros passos significativos.”, felicitou
da MultiChoice Moçambique. Es- Na ocasião, a MultChoice anun-
tas salas foram abandonadas pelo ciou também que estão em curso
empreiteiro devido a exiguidade obras de reabilitação de Escola
de fundos. Tinham somente três Primária Ngungunhana, no mu-
salas de aulas. Construímos seis e nicípio da Matola, cujo o término
chegamos a nove salas. Constru- está previsto para o mês de No-
ímos um bloco administrativo e vembro do ano corrente.
3
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Savana 14-10-2016
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Savana 14-10-2016

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTÉRIO DA SAÚDE

o
UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES
(UGEA)

log
ANÚNCIO DE ADJUDICAÇÃO
CONCURSO Nº 39/15/BID/MISAU/UGEA
Consultoria para Auditoria aos Fundos alocados ao Projecto que
visa o Apoio ao Fortalecimento do Sistema de

ció
Saúde na Província de Inhambane
De acordo com a alínea “c” do nº 2 do de: 962.535,60 MT (Novecentos sessenta
art. 32 do Regulamento de Contrata- e dois Mil, quinhentos trinta e cinco Me-
ção de Empreitada de Obras Públicas, ticais, sessenta Centavos), valor com IVA
Fornecimento de Bens e Prestação de incluído.
Serviços ao Estado, aprovado pelo so
Decreto nº 15/2010, de 24 de Maio, Maputo, aos 30 de Setembro de 2016
comunicamos que o objecto do con-
curso acima foi adjudicado ao Consul- A Autoridade Competente
um
torPricewaterhouse Coopers pelo valor (Ilegível)

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
de

MINISTÉRIO DA SAÚDE
UNIDADE GESTORA EXECUTORA DAS AQUISIÇÕES
(UGEA)
NOTICE OF AWARD
io

BID Nº 39/15/BID/MISAU/UGEA
Consultancy Service for the Financial Audit of the Support
ár

to the Health Project in Inhambane Province


We hereby inform that the ob- Meticais, sixty Cents), inclu-
ject of the contest was awar- ding VAT.
Di

ded to up Pricewaterhou- Maputo on September 30, 2016


se Coopers, the amount of:
962.535,60 (Nine hundred The Competent Authority
and sixty two thousands,
ÀYHKXQGUHGDQGWKLUW\ÀYH (Unreadable)
5
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8 Savana 14-10-2016

ADDP empodera raparigas


em Nacala Porto
A ADDP, uma organização
não-governamental mo-
raparigas e jovens dos 10 aos 24
anos de idade.

o
çambicana, lançou, recen- Como parte da sua intervenção, o
temente, em Nacala Por- projecto vai ministrar um progra-
to, na província de Nampula, um ma com a duração de três meses
projecto essencialmente virado às para as jovens e raparigas em sete

log
raparigas, denominado “Raparigas diferentes comunidades de Nacala
que Inspiram”. Trata-se de uma ini- Porto, abordando temas ligados aos
ciativa que visa o empoderamento direitos da mulher e à importância
de raparigas contra a gravidez pre- da educação da mulher adolescen-
coce e os casamentos prematuros. te, além de ajudá-las a seguirem um
caminho mais seguro para o futuro.
Com duração de dois anos, o pro- Com esta iniciativa, a ADDP pre-
jecto tem como objectivo principal tende aumentar o nível de conheci-
elevar o nível do acesso à educação, mento no seio das raparigas sobre

ció
melhorar a qualidade de vida e o os direitos da saúde sexual e repro-
auto-sustento deste grupo-alvo. Na dutiva e da protecção social, bem
sequência serão sensibilizadas cerca como os riscos dos casamentos pre-
de duas mil mulheres que incluem maturos e a gravidez precoce.

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Maputo promove Feira Internacional do Livro


D ecorreu entre os dias 06
a 08 do corrente mês, na
cidade de Maputo, a se-
gunda edição da Feira In-
maior espaço de exposição literária
do nosso país, assumindo também
a nobre missão de popularização
do conhecimento que é um factor
cial, e que ao longo da sua existên-
cia se têm notabilizado, entre ou-
tros, através do apoio a instituições
públicas e privadas, e do desenvol-
– referiu e prosseguiu: “a instituição
do Prémio BCI de Literatura que
este ano vai na sua 5ª Edição e que
já é uma referência no panorama
plos práticos, que mostram que ser
parceiro desta Feira Internacional
do Livro não é obra do acaso”. “Te-
mos aqui nesta feira presentes em

o
ternacional do Livro de Maputo, importantíssimo na educação” – vimento de acções colectivas e in- nacional das Letras, assim como o exposição dezenas de livros cuja
uma iniciativa promovida pelo salientou, acrescentando: “o livro, dividuais que promovem os valores apoio na edição de livros de autores edição foi patrocinada pelo BCI” –
Conselho Municipal da Cidade para além do conhecimento, pro- mais nobres da moçambicanidade” moçambicanos é um desses exem- finalizou.
de Maputo (CMCM) em parceria porciona-nos, nesta feira, a oportu-

log
com a Associação de Escritores de nidade rara de interacção com ami-
Moçambique (AEMO), a Comu- gos, com parceiros do mundo, com
nidade Académica para o Desen- especial destaque para os escritores
volvimento (CADE), os Centros e tradutores de Angola, Portugal,
Culturais e Embaixadas de Brasil, Brasil, Espanha e França”.
Espanha, França, Itália, Portugal, O Presidente do Conselho Muni-
e que contou com o apoio do Ban- cipal de Maputo, na qualidade de
co Comercial e de Investimentos patrono do evento, atribuiu a esta
(BCI). feira “uma grande importância

ció
A Feira do Livro de Maputo tinha como contributo para um longo e
como objectivo principal propor- permanente processo de formação
cionar o intercâmbio entre vários humana em todas as suas verten-
intervenientes e personalidades tes”. Mais adiante sublinhou: “acti-
ligadas à literatura nacional e in- vidades desta natureza são uma fer-
ternacional que, pelo seu reconhe- ramenta valiosa, pois proporcionam
cido mérito ou experiência, podem momentos de intercâmbio e de re-
contribuir para um debate profun- flexão que poderão ser importantes
do sobre esta área, promovendo e para os professores, educadores, es-
difundindo o “livro”, para além de
fomentar os hábitos de leitura e o
incremento do nível de literacia.
Para o Ministro de Educação e
Desenvolvimento Humano, Jorge
Ferrão, que orientou o acto de aber-
tura, “esta Feira é sem dúvidas o
tudantes e para o cidadão em geral”.
De acordo com o Director de Ma-
rketing do BCI, Rogério Lam, em
representação do Banco, “várias são
as iniciativas que o BCI desenvolve
na esfera cultural, no quadro da sua
so
política de Responsabilidade So-

Niassa lança filme


um

sobre casamentos
prematuros
D a autoria da moçambicana que é bom. Saber seleccionar o que é
de

radicada no Brasil, Sónia útil”, enfatizou Sónia André, quando


André, foi lançada na últi- questionada se o filme visa pôr fim à
ma terça-feira na cidade de prática social de ritos de iniciação no
Lichinga, capital da província do seio do grupo, sobretudo dos locais
Niassa, ao norte do país, um filme por onde o mesmo foi desencadeado.
intitulado “à espera” que descreve a Sobre a escolha do título do filme, “à
realidade de casamentos prematu- espera”, a autora da obra sublinha que
ros, com particular enfoque ao posto visa, dentre vários, impulsionar a es-
administrativo de Meponda, distrito perança para ou de um futuro melhor
de Lichinga, e a cidade com o mesmo do respectivo grupo alvo.
io

nome. Na ocasião, o governador do Niassa,


Arlindo Chilundo, frisou que o filme
Sónia André, natural de Inhambane tem uma mensagem extremamen-
e actualmente radicada no Brasil, te importante porque se pretende
disse que a mesma teve a duração de combater, de forma vigorosa, os casa-
dois meses, isto é, de Abril a Maio do mentos prematuros, na qual as pes-
ár

ano em curso, com o financiamento soas que estão directamente ou mais


da Embaixada da Irlanda e do Go- afectadas são as raparigas e que, por
verno Provincial do Niassa e traz coincidência, é lançada a obra no res-
consigo um grito fundamental com pectivo dia deste grupo sócio-etário.
vista a “travar” os casamentos pre- Chilundo elogiou Sónia André e fez
maturos que, consequentemente, dão notar que o governo da província
Di

origem às gravidezes precoces e, pior tinha o sonho de encontrar um ou-


de tudo, provocando desistências das tro mecanismo de comunicar com a
tais crianças no Processo de Ensino e população local através do filme para
Aprendizagem. que esta aprofunde e entenda que os
No entender de André e chamando casamentos prematuros não são nada
especial atenção aos pais e encarre- bons para a sociedade, no geral, e a
gados de Educação, quando a menor rapariga, a mulher de amanhã, em
se coloca no estado de gravidez pre- particular.
matura significa que se está a negar a “Nós temos tido muitos mecanismos
vida desta mesma criança e dos res- de comunicação, através das salas de
pectivos direitos humanos. aulas, comícios e encontros com lí-
“Não estou a dizer não aos ritos de deres comunitários, mas entendemos
iniciação. Existem coisas boas que que esta é uma outra linguagem que
devem ser partilhadas em prol des- pode, também, ajudar-nos a aprofun-
tes. Mas quando é contra os direitos dar a reflecção por meio do cinema,
humanos da criança, temos de en- porque queremos que seja combatido
carrar sem prejuízos. Temos de sa- rapidamente possível”, precisou Chi-
ber interpretar, escolher ou colher o lundo.(Por Pedro Fabião, em Lichinga)
12 Savana 14-10-2016

Moçambique acolhe Marcha Mundial das Mulheres


A província de Maputo
acolhe desde a última se-
gunda-feira até amanhã,
sábado, o 10º encontro
“Ao acolhermos este evento, conta-
mos não só partilhar as nossas expe-
riências, mas também reflectir sobre
vitórias alcançadas ao longo desta
ção do seu corpo e do seu trabalho
usando-se a violência como meca-
nismo de controlo”, explicou.
Para Sambo, o encontro constitui
oportunidade de juntas reafirmar-
mos as nossas resistências a todas
as formas de opressão, exploração e
violência, mas sobretudo de poder-
seis anos. O Secretariado Interna-
cional (SI) coordena as actividades
mundiais do movimento entre si e
em colaboração com os seus par-

o
internacional da Marcha Mundial caminhada e perspectivar as acções uma oportunidade de reflexão sobre mos definir a nossa agenda comum, ceiros internacionais. Actualmente,
da Mulheres (MMM). Promovida a serem prosseguidas, de modo que as acções conjuntas para responder reforçarmos as nossas alianças com a MMM tem 72 coordenações na-
pelo Fórum Mulher, a marcha é um juntas encontremos soluções para aos problemas enfrentados pelas outros movimentos para juntas se- cionais e vários grupos participantes
movimento mundial de acções fe- ultrapassarmos as barreiras que mulheres. guirmos em defesa da sustentabili- em redor do mundo. Estas entida-

log
ministas constituído por grupos de ainda persistem e que nos foram “Nós mulheres não aceitamos dade da vida”, vincou.
mulheres que trabalham para a eli- impostas por centenas de anos pelo des funcionam de forma autónoma
permanecer como vítimas deste De referir que, em 2013, Moçam-
minação das causas que originam a sistema baseado no Patriarcado que com acções globais conjuntas, sob
sistema, somos sujeitos políticos bique assumiu o Secretariado In-
pobreza e violência contra as mu- predomina nos nossos países”. coordenação do Secretariado Inter-
para mudar a vida das mulheres e ternacional da Marcha cha Mundial
lheres com vista ao alcance da Paz. Bay reafirmou o compromisso do o mundo. Este encontro dar-nos-á das Mulhereses por um mandato de nacional e do Comité
Co Internacional.
Governo de Moçambique na pro-
O 10º encontro internacional acon- moção da igualdade de género e
tece numa altura em que Moçambi- protecção dos direitos humanos da
que vive momentos de instabilidade mulher e rapariga, tendo de seguida
política e económica, factores que enumerado as acções levadas a cabo

ció
contribuem consideravelmente para pelo executivo, com destaque para a
a perpetuação de diferentes formas aprovação da Lei da Família e a Lei
de violência contra a mulher, uma Contra Violência Doméstica prati-
vez que esta encontra-se numa situ- cada contra as mulheres, em 2004 e
ação desfavorecida devido ao con- 2009 respectivamente, entre outros
texto soció-cultural do país domi- instrumentos regionais e interna-
nado pelo homem. cionais ratificados pelo país.
O evento que decorre sob o lema De acordo com Graça Samo, Coor-
– “Mulheres em Resistência: Cons- denadora do Secretariado Interna-
truindo Alternativas por um Mun-
do Melhor”, tem por objectivo for-
talecer politicamente o movimento
e redefinir estratégias para as acções
globais e para a construção das al-
ternativas feministas.
cional da MMM, o país acolhe pela
primeira vez esse evento que será
um momento especial “porque este
encontro acontece num contexto
em que o mundo vive uma grande
crise sistémica, uma crise do siste-
so
Na abertura, o Secretário Perma- ma capitalista com impactos muito
nente do Ministério do Género, adversos na vida das mulheres. En-
Criança e Acção Social, Danilo quanto os distintos poderes tentam
um
Momade Bay, em representação da manter a sua sobrevivência através
ministra, afirmou que o 10º encon- da expropriação, exploração e acu-
tro da MMM constitui um mo- mulação exacerbada dos recursos
mento único de troca de sinergias naturais, que agrava as mudanças
entre as participantes com vista a climáticas e seus impactos, as mu-
buscar soluções viáveis para respon- lheres são obrigadas a pagar o pre-
der aos desafios da actualidade. ço da carência, através da explora-

BCI promove educação


de

financeira nas escolas


N o âmbito do Dia Mun-
dial da Poupança, que se
celebra a 31 de Outubro,
o Banco Comercial e de
sua zona de influência, para nela
serem desenvolvidas acções de edu-
cação financeira.
Para uma melhor sensibilização da
io

Investimentos (BCI) associa-se ao importância dos hábitos de Pou-


Banco de Moçambique nas come- pança, assim como para a dissemi-
morações desta data, contribuindo nação dos diferentes mecanismos
para a divulgação junto das crianças de Poupança, as actividades do BCI
e dos jovens do conceito de poupar, incluem a formação de professores,
promovendo iniciativas que visam visitas de alunos às agências do
ár

suscitar nestes os hábitos de pou- Banco, concurso de fotografia sobre


pança e de organização das suas poupança e criação, bem como di-
finanças. namização de conteúdos sobre lite-
racia financeira para divulgação nas
Para este ano, o BCI procurou des- várias plataformas de comunicação.
tacar o carácter inclusivo do pro- Recor
Recorde-se que o BCI tem, des-
Di

jecto. Destacou, entre as diversas sempr promovido hábitos de


de sempre,
instituições envolvidas, as escolas Poupança nos seus Clientes, ten-
do distrito de Mocuba na Zam- do nos últimos anos desencadeado
bézia, que além de estarem em um conjunto variado de iniciati-
maior número, o, têm merecido uma vas, tendo em vista reforçar o seu
atenção especial. Adicionalmente, e posicionamento como o Banco da
pela primeira vez no projecto, são Poupança. Destaca-se a disponibi-
introduzidas instituições de ensino lização de um conjunto de Soluções
superior, dado o reconhecimento da de Poupança inseridas no conceito
relevância deste público na promo- “Poupa para realizares os teus so-
ção de gestão de finanças pessoais a nhos” e a realização, em diversos es-
todos os níveis. tabelecimentos escolares, de sessões
No quadro da iniciativa “Uma de Educação Financeira, larga-
Agência, Uma Escola”, toda a rede mente concorridas por estudantes,
comercial do BCI trabalhará com professores e pessoal técnico-admi-
uma escola de comunidade ou da nistrativo.