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PUBLICADO EM SESSÃO

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO MATO GROSSO
SECRETARIA JUDICIÁRIA
ACÓRDÃO N. 19052

PROCESSO N°172126/2010 - CLASSE Rcand


REGISTRO DE CANDIDATURA - DRAP - PARTIDO/COLIGAÇÃO - CARGO - DEPUTADO
FEDERAL
REQUERENTE: COLIGAÇÃO "MATO GROSSO PROGRESSISTA" (PRB / PP / PTN / PSC /
PHS / PTC / PRP) HELIO UDSON OLIVEIRA RAMOS
RELATOR: EXMO. SR. DES. MÁRCIO VIDAL

REGISTRO DE CANDIDATURA. DEMONSTRATIVO DE


REGULARIDADE DE ATOS PARTIDÁRIOS. CARGO DE
DEPUTADO FEDERAL. IMPUGNAÇÃO. MPE. CABIMENTO.
JULGAMENTO EM APARTADO AOS REQUERIMENTOS
INDIVIDUAIS VINCULADOS. CELERIDADE.
DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES
FINAIS. IRREGULARIDADE NA REALIZAÇÃO DA
CONVENÇÃO PARTIDÁRIA DE UM DOS PARTIDOS
COLIGADOS. FORMAÇÃO DA COLIGAÇÃO ALÉM DO
PRAZO ESTABELECIDO EM LEI E À REVELIA DOS
CONVENCIONAIS. EXCLUSÃO DO PARTIDO DA
COLIGAÇÃO. REGULARIDADE DA DOCUMENTAÇÃO DOS
DEMAIS PARTIDOS E DAS REALIZAÇÕES DAS
CONVENÇÕES.

A Ação de Impugnação que visa objurgar a


regularidade de convenção partidária tem lugar no
processo de registro de candidatura principal, cuja
finalidade é, dentre outras, aferir se o partido/coligação
cumpriu o disposto no art.8 0 da Lei 9.504/97.
O artigo 60 da Lei Complementar nO 64/90
estabelece a faculdade, e não a obrigatoriedade, de as
partes apresentarem alegações finais, sendo permitido
ao julgador, passada a fase de contestação, decidir de
pronto a ação. Precedentes do TSE.
À Comissão Provisória que recebeu delegação
expressa para suplementar as decisões tomadas em
convenção partidária é defeso revogá-Ias,
posteriormente, por decisão unilateral, pena de malferir
o preceito inserto no artAO da Lei Orgânica dos Partidos
Políticos.
Presentes provas suficientes de que o Partido
Político não observou o previsto no artigo 80 da Lei
9.504/97, impõe-se, à luz do princípio da isonomia e
para preservar o equilíbrio das eleições, a nulidade dos
atos praticados além do limite temporal estabelecido,
para o efeito de registro de candidaturas.
Demonstradas as regularidades formais da
coligação, bem como dos partidos políticos que a
compõem e das realizações de suas convenções, deve
ela ser declarada habilitada para participar das eleições.
PUBLICADO EM SESSÃO

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO MATO GROSSO
SECRETARIA JUDICIÁRIA
PROCESSO N°172126/2010 - CLASSE Rcand

Acordam os Excelentíssimos Senhores Juízes do


Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, em sessão do dia 30/07/2010, à
unanimidade, deferir o pedido de registro, com a exclusão do Partido Republicano
Brasileiro - PRB, nos termos das notas taquigráficas.

Cuiabá, 30 de julho de 2010.

Desembargador RUI MOS RIBEIRO


Presidente do E/MT, em exercício
/
,/

sembargador MÁRCIO VIDAL


Relator
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO
SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

L(30.07.10)

PROCESSO NO 1721-26/2010 - CLASSE Rcand


RELATOR: DES. MÁRCIO VIDA L

RELATÓRIO

DES. MÁRCIO VIDA L (RELATOR)


A COLIGAÇÃO "MATO GROSSO PROGRESSITA", integrada pelo PP,
PRB, PTN, PSC, PHS, PTC e PRP, apresentou, em 08 de julho de 2010, após notificação
da Secretaria Judiciária (fls.58/59) e com fulcro na Lei 9.504/1997 e na Resolução TSE
n.O 23.221/2010, Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários - DRAP,
acompanhado da documentação e informações pertinentes, requerendo a declaração
de sua habilitação a participar das Eleições de 2010.
Indicou seus candidatos ao cargo de Deputado Federal, no total de
21 (vinte e um), cujos pedidos foram autuados e registrados em apartado como
Requerimento de Registro de Candidatura Individual - RRC, conforme dicção do artigo
22 da Resolução TSE n. o 23.221/2010.
A Secretaria Judiciária do Tribunal, com fundamento no artigo 97
do Código Eleitoral, fez publicar o Edital n.o 66/2010/CRIP/SJ (fI.75), que possibilitou o
exercício do direito ínsito no artigo 3° da Lei Complementar n. o 64, de 18 de maio de
1990 (§ 20, artigo 34, Resolução TSE n. o 23.221/2010).
Tempestivamente, a douta Procuradoria Regional Eleitoral ajuizou
Ação de Impugnação de,Registro de Candidatura (fls. 84/92), tendo por fundamento a
ocorrência de fraude na convenção realizada pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB)
no que se refere à sua adesão à Coligação "Mato Grosso Progressista", ante o
descumprimento do prazo descrito no artigo 80 da Lei n. o 9.504/97.
Juntou cópia integral dos RRCs n.o 1661-53, 1662-38 e 1663-23,
postulando, ao final, a declaração de habilitação parcial da Coligação "Mato Grosso
Progressista", com exclusão do PRB do consórcio partidário, bem ainda o indeferimento
do registro dos dois candidatos vinculados a essa agremiação, a saber: Cláudio José da
Silva e Eduardo Gomes Silva.
O prazo de impugnação transcorreu in albis para os demais
legitimados elencados no artigo 37 da Resolução TSE n. o 23.221/2010.
A Coligação foi intimada para comprovar a regularidade da
indicação de seu representante (fI.224), o que logrou por fazer em tempo, conforme se
verificam dos documentos juntados às fls. 231/235 e 375/377.
Colhidas as contestações da Coligação, às fls. 378/385 dos autos,
do PRB e dos pretensos candidatos Eduardo Gomes Silva e Cláudio José da Silva, às
fls.310/325, 291/302 e 327/336, respectivamente.
Por derradeiro, a Secretaria Judiciária, nos termos do § 1° do
artigo 36 da Resolução TSE n. O 23.221/2010, prestou as informações de fls.344/347.
É a síntese.
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO
SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Em mesa para julgamento (art. 47, caput, da Resolução TSE nO


23.221/2010).

DR. THIAGO LEMOS DE ANDRADE (PRE)


Sr. Presidente, essa situação, esse DRAP tem uma situação peculiar
que é bastante grave, ao meu aviso, por isso ajuizei a Ação de Investigação.
Analisando a documentação dessa Coligação e da Coligação MT em
primeiro lugar lI, para mim ficou claro aqui que houve uma fraude.
O PR.B provavelmente propôs a coligar, formar duas alianças
políticas.
O que se vê das atas dessas duas Coligações é que, até o último
momento, o PRB participava das duas, ainda travava tratativas, ainda negociava com
as duas.
Isso, certamente, não se resolveu durante o período previsto na
Legislação, que é o dia 30 de junho.
E, digo mais, não se resolveu até a data limite do registro, até o
dia 05.
Eu considero isso uma situação gravíssima que prejudica todo o
serviço eleitoral.
Os partidos deixam para se decidir sobre Coligações até o último
segundo e mesmo com os portões fechados dessa Casa se colocam - não estou aqui
generalizando, mas isso acontece -, alguns partidos se colocam a fazer negociatas,
negociações já depois do prazo, depois das sete horas da noite do dia cinco, com os
portões fechados, negociando Coligações.
E isso acontece no Brasil inteiro, infelizmente, e acaba gerando
todo um tumulto no pedido eleitoral, no processamento dos registros, pedidos feitos de
afogadilho, manuscritos,' sem os formulários que estão à disposição dos partidos desde
meses antes da eleição, por conta desse tipo de esperteza que, ainda, vigora no nosso
País, infelizmente.
Aqui o PRB consta das atas partidárias dos partidos, de duas
Coligações - Coligação MT Progressista, que é esta de cujo DRAP se trata e da MT em
primeiro lugar 11.
Pendeu entre as duas durante todo o período até depois do
registro, finalmente se decidiu pela MT Progressista e, aí, o que fez?
Lançou um adendo, uma emenda à ata.
Percebe-se, claramente, pela leitura da ata, porque é diferente a
caligrafia, é diferente a caneta, as assinaturas. Quem assina são pessoas diferentes.
Então, percebe-se que houve um adendo para se tentar legitimar
essa alteração ou essa definição posterior.
No dia 28, o PRB se reuniu em convenção, segundo a ata, e ali ele
teria se decidido por aderir à Coligação MT em primeiro lugar lI.
No dia 30, o próprio PRB lança nessa ata e aqui a suspeita de que
realmente essa deliberação não aconteceu no dia 30, a informação é lançada sob essa
forma de um adendo, Çlbsolutamente suspeito, depois das assinaturas, alterando a
adesão para a Coligação MT Progressista.
",

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO


SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Só que no dia 05 a primeira Coligação a que esse partido teria


aderido, a MT em primeiro lugar lI, às sete horas e alguns minutos da noite, já com
esse Tribunal fechado, pede o registro da sua Coligação e inclui o PRB que desde o dia
30, segundo aquela emenda totalmente suspeita, já teria saído da Coligação.
E mais: o representante da Coligação apresenta não só o pedido
incluindo o PRB, representante da Coligação MT em primeiro lugar lI, como apresenta
a documentação pessoal dos dois candidatos à Deputado Federal por esse partido -
PRB.
E isso é o que causa uma perplexidade, a meu ver, intransponível
porque se desde o dia 30 o partido já havia se decidido a abandonar essa Coligação e a
participar da Coligação MT Progressista, como é que no dia cinco o representante
daquela primeira Coligação que havia sido abandonada apresenta à Justiça Eleitoral
documentação pessoal dos candidatos do partido, cinco dias depois da deliberação?
E mais: fui pesquisar essa documentação.
Há, pelo menos, umas três ou quatro certidões desses dois
candidatos e aqui há um detalhe: um desses candidatos é Presidente do PRB. É ele
que participou daquela emenda, foi ele que lançou aquela emenda na ata do dia 30
dizendo que o partido não mais participaria da Coligação MT em primeiro lugar 11.
Ele é um dos candidatos à Deputado Federal que essa MT em
primeiro lugar 11 no dia 05 pede o registro e apresenta, no pedido de registro, um
documento dele, salvo engano o nome é Cláudio, Presidente do PRB, emitido no dia
primeiro.
o documento foi emitido no dia primeiro. Uma certidão pedida
pessoalmente por ele, pelo PRB.
Eu tive o cuidado de solicitar a petição de emissão dessa certidão
no Tribunal de Justiça.
Foi pedida pelo PRB, a certidão, e foi emitida no dia primeiro.
Ora, no dia primeiro o PRB já estava na outra Coligação.
Como é que esse documento que foi emitido dia primeiro,
pertencente ao Presidente do PRB foi parar na mão do representante da Coligação MT
em primeiro lugar lI?
Como é que o Presidente do PRB que sabia, desde o dia 30, sabia
pelo que consta desse adendo fraudulento, que não ia mais participar porque no dia
primeiro, no mínimo, no dia primeiro, porque pode ter sido no dia dois ou três, porque
ele entregou ao representante da MT em primeiro lugar 11 o documento dele para que
esse representante pedisse o registro dele?
Isso se repete com o outro, com o Eduardo Gomes. O nome pode,
até, evocar algumas últimas notícias que têm saído na mídia.
Esse cidadão também é candidato pelo PRB e a mesma coisa
acontece com ele.
Documentos emitidos no dia primeiro foram parar na mão da
Coligação MT em primeiro lugar lI, sendo que desde o dia 30, em tese, formalmente,
pelo que consta desse adendo na ata, o partido dele já não aderiria mais àquela
Coligação.
Então, para mim fica evidente a fraude.
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO
SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Outros partidos também criaram adendos de última hora para


incluírem o PRB.
O PT, por exemplo, se reuniu, o PT faz parte dessa Coligação, ou
melhor, o PT faz parte da primeira Coligação - MT em primeiro lugar 11.
O PT se reuniu dia 30 às sete horas da noite.
Depois da reunião que já aconteceu no final do dia vem, também,
até um adendo. Esse adendo também totalmente descontextualizado da ata, sem as
mesmas assinaturas das pessoas da ata, tentando corrigir o problema da Coligação e
incluindo o PRB.

Então, é uma soma de atos, de tentativas de modificação de atas
da Coligação que, por si só, já demonstram que esse partido, até o dia 30, não se
decidiu, que ele continuou negociando depois do dia 30, porque partidos que no dia 30
fizeram ata, tiveram que lançar adendos depois para excluir ou incluir esse partido e
que essa decisão se deu, até mesmo, depois do dia 05, porque no dia a Coligação MT
em primeiro lugar 11 pediu o registro incluindo o PRB e apresentando documentos de
candidatos do PRB, inclusive do Presidente, documentos emitidos para depois do dia
primeiro.
Então, é evidente a fraude, é evidente que houve criação de atas,
foram forjadas alterações para tentar incluir esse partido.
A Coligação não pode ser punida, mas esse partido, em especial,
não aderiu a tempo e modo oportunos a essa Coligação.
A minha manifestação, a impugnação é no sentido de que se
homologue a Coligação com a exclusão do PRB, consignando-se nos RRC's dos seus
candidatos o teor dessa decisão porque, por óbvio, haverá prejuízos a esses pedidos
individuais.
É nesse sentido a manifestação.

VOTOS

DES. MÁRCIO VIDA L (RELATOR)


EGRÉGIO TRIBUNAL ELEITORAL:
O presente requerimento de habilitação formulado pela
COLIGAÇÃO "MATO GROSSO PROGRESSITA", integrada pelo PP, PRB, PTN, PSC, PHS,
PTC e PRP, alberga Ação de Impugnação ao Registro de Candidatura ajuizada pela
douta Procuradoria Regional Eleitoral com o fito de excluir o Partido Republicano
Brasileiro - PRB do consórcio partidário, sob o argumento de que a convenção estadual
realizada por esta agremiação está em desconformidade com as normas de regência.
Ab initio, devo pontuar que o PRB indicou apenas dois candidatos
ao cargo de Deputado Federal, a saber: Cláudio José da Silva e Eduardo Gomes Silva.
Com efeito, é certo que a decisão a ser prolatada por esta e. Corte Eleitoral na
presente ação influenciará diretamente o destino de seus registros de candidatura.
Daí porque vindicou o parquet Eleitoral que o julgamento do
presente DRAP fosse realizado em conjunto com os RRCs n.O 1930-92 e 1929-10, os
quais, de igual modo e por idênticas razões, foram por ele tempestivamente
impugnados.
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SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Não obstante comungue do mesmo racioclnlo, e sem negar que o


exame concomitante dos citados processos seria medida que certamente observaria o
princípio da economia processual, a verdade é que cada um deles seguiu caminhos
distintos, com autonomia rítmica e marcha própria, de tal sorte que nem todos me
foram conclusos na mesma oportunidade.
Portanto, considerando o que prediz o artigo 45 da Resolução TSE
n.O 23.221/2010, que confere ao julgamento do DRAP precedência sobre os demais,
bem ainda o fato de que em meu gabinete já se encontram diversos processos a
aguardar tão-somente o pronunciamento desta Corte nos vertentes autos, tenho por
razoável julgar os RFtCs acima mencionados em separado e oportunamente,
obviamente orientado pela conclusão a que chegar a prudente maioria deste colegiado
no caso sub examine.
Ainda antes de apreciar a questão de fundo, cumpre-me esclarecer
que dispensei a apresentação de alegações finais, por inexistirem requerimentos de
diligências formulados pelas partes.
A esse respeito, oportuno recordar que o artigo 60 da Lei
Complementar nO 64/90 1 estabelece a faculdade, e não a obrigatoriedade, de as partes
apresentarem alegações finais, sendo permitido ao julgador, passada a fase de
contestação, decidir de pronto a ação.
Somam-se a isso a celeridade imposta ao processo eleitoral, a
ausência de prejuízo de que cuida o artigo 219 do Código Eleitoral e, em especial, o
entendimento jurisprudencial pacificado por nossas Cortes Eleitorais.
Cito, à guisa de exemplo, os Acórdãos oriundos do TSE de n. O
16.694, de 19/09/2000 e n. O 22.785, de 15/09/2004, assim como o Acórdão deste
próprio Tribunal Regional Eleitoral de n. O 17.183, prolatado em 26/08/2008 sob
relatoria da Dr a. Adverci Rates Mendes de Abreu, em que se decidiu que o seguinte:
.,
"(.. .) se a matéria em questão for apenas de
direito e não houver necessidade de dilação probatória, não há de
se falar em alegações finais na Ação de Impugnação de Registro
de Candidatura. "

Guardando tais considerações na retentiva, passo ao exame do


mérito, ressaltando, em vestibular, que entendo adequada a discussão aventada pela
Procuradoria Regional Eleitoral nos autos que cuidam do Demonstrativo de
Regularidade de Atos Partidários - DRAP.
Como é consabido, o que se submete à apreciação do e. Tribunal
na espécie é a regularidade da documentação referente ao Partido Político, à
convenção que deliberou sobre a escolha dos candidatos e à constituição da Coligação.
Logo, sendo o objeto da presente Ação de Impugnação a suspeição
de que as formalidades exigidas pela Lei das Eleições para a realização da convenção e
para a formação de coligação foram descumpridas, não há que se falar em
impertinência, inutilidade ou desinteresse.

1 Ar!. 60 Encerrado o prazo da dil~ÇãO probatória, nos termos do artigo anterior, as partes, inclusive o M
inistério Público, poderão apresentar alegações no prazo comum de 5 (cinco) dias.
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SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Pois bem. A alegação do parquet Eleitoral cinge-se ao fato de que o


PRB apenas decidiu integrar a Coligação "Mato Grosso Progressista" após o prazo
estabelecido para realização das convenções partidárias e o fez de forma unilateral,
por meio de sua Comissão Provisória e à revelia do que restou decidido por seus
filiados.
O consórcio partidário, de outra parte, argúi que a convenção fora
realizada em observância à legalidade e norteada pela autonomia e independência de
que são dotados os partidos políticos, já que constituem, segundo dicção legal,
pessoas jurídicas de direito privado.
A leitura da ata da convenção partidária realizada em 28.06.2010
permite verificar que a assembléia geral decidiu integrar a Coligação "Mato Grosso em
Primeiro Lugar II", no tocante ao pleito para os cargos de Deputado Federal. Também
há consignada, como fruto de deliberação unânime, a delegação de poderes à
Comissão Provisória para, supletivamente, deliberar sobre coligações, dentre outros
assuntos.
No mesmo documento, em seqüência à ata da convenção
partidária, consta anotação de realização de outro conclave, datado de 30.06.2010,
dessa feita, restrito aos membros da Comissão Provisória, os quais deliberaram pelo
total abandono à Coligação "Mato Grosso em Primeiro Lugar II" e pela conseqüente
integração, do PRB, à Coligação "Mato Grosso Progressista".
Esse simples quadro factual já me basta para vislumbrar defeito
capaz de empenhar a nulidade da convenção partidária e a procedência da
impugnação.
Explico. Revela-se inegável, de fato, que a jurisprudência do TSE
admite que a convenção delegue à Comissão Executiva, ou a outro órgão partidário, a
efetiva formação de coligação ou a escolha de candidatos, o que poderá ocorrer até o
prazo previsto no art.ll da Lei n. o 9.504/97 2 (RO n. o 1329, de 24.10.2006).
Todavia, na espécie, a convenção conferiu à Comissão Provisória apenas o
poder de suplementar as decisões tomadas em assembléia geral, o que significa dizer
que tais não poderiam ter sido posteriormente revogadas por decisão unilateral, como,
de fato, ocorreu.
Com efeito, não é possível assegurar que a resolução de compor a
Coligação "Mato Grosso Progressista" tenha traduzido, com fidedigna, o autêntico
desígnio dos convencionais, o que, a meu ver, malfere o espírito do artAO da Lei
Orgânica dos Partidos Políticos 3 •
Ademais, não encontrei qualquer justificativa para que a segunda
reunião se restringisse somente aos membros da Comissão Provisória, porquanto,
realizada no dia 30 de junho, ainda poderia ter sido aberta à participação de todos os
demais correligionários.
Não bastasse isso, subsistem outros elementos e indícios que
recomendam a procedência da impugnação, por demonstrarem que a grei partidária
não observou o prazo estipulado em lei. Consoante bem sublinhou o Ministério Público

2 Art. 11. Os partidos e coligações solicitarão à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos até as dezenove horas do
dia 5 de julho do ano em que se realizarem as eleições
3 Art.4° Os filiados de um partido político têm iguais direitos e deveres.
"

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO


SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Eleitoral, há significativos descompassos entre o comportamento dos representantes


do PRB e a documentação constante desses e de outros autos que lhe são correlatos.
Diz o parquet Eleitoral que, dos partidos integrantes das Coligações
"Mato Grosso em Primeiro Lugar lI" e "Mato Grosso Progressista", apenas o PR não
arrolou, na ata de sua convenção partidária, o PRB entre seus aliados. Ressalta o fato
de que três partidos citaram o PRB em conclave realizado no dia 30 de junho, sendo
dois deles componentes da Coligação "Mato Grosso Progressista" e um da Coligação
"Mato Grosso em Primeiro Lugar lI".
A alegação é passível de comprovação por meio da leitura simples
das fls. 6, 23, 30, 38, 42, 49, 106 e 114 dos autos, e sugere que o PRB, mesmo na
data de 30 de junho, ainda não havia decidido, em caráter definitivo, qual aliança
integrar.
o teor da ata da convenção realizada pelo PT, o qual integra a
Coligação "Mato Grosso em Primeiro Lugar lI", revela com nitidez que a incerteza do
PRB transcendeu o prazo disposto em lei. Com início às 18 horas, a assembléia nada
mencionou acerca da coligação com o PRB até seu encerramento. Após isso, contudo,
verifica-se a colação de um adendo, consignando a aliança com o Partido, o qual fora
manuscrito com letra diversa da restante do corpo da ata e sem assinatura do
presidente do partido, Carlos Abicalil.
Semelhante fato é consubstanciado na ata da convenção realizada
pelo PMDB, conforme se vê às fls.103/106 dos autos.
Dessas contradições é que se infere que o PRB pretendeu elastecer
o prazo legal, garantindo, todavia, que sua decisão tardia não o impedisse de
participar de uma ou de outra aliança política. Nesse sentido, bem andou a douta
Procuradoria Regional Eleitoral ao afirmar que:

n(... ) enquanto o PRB supostamente participou


da Coligação Mato Grosso em Primeiro Lugar II, os integrantes
dessa aliança o ignoraram solenemente; e quando resolveram
aditar as respectivas atas para incluí-lo, o PRB fazia o caminho
inverso, aditando sua ata para aderir à Coligação Mato Grosso
Progressista." (fi. 89)

É de igual modo relevante a constatação de que a Coligação


"Mato Grosso em Primeiro Lugar lI", ainda no dia 5 de julho, arrolara o PRB como
integrante do consórcio partidário, e mais, pleiteara o registro de candidatura de seus
dois filiados, Cláudio José da Silva e Eduardo Gomes Silva, reforçando a suspeita de
que mesmo muito além da fronteira temporal disposta em lei, ainda não havia firmado
sua aliança política.
Esclareço que as contestações formuladas pelos impugnados
afiguram-se impotentes diante dos argumentos fáticos deduzidos pelo Ministério
Público Eleitoral. Em nada contrapõem as disritmias documentais verificadas, nem ao
menos por meio de uma narrativa objetiva e convincente do que tenha realmente
acontecido. A única versão que esboçam para tentar explicar as incongruências não é
amparada por um elemento de prova sequer.
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO
SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Socorrem-se, ao revés disso, do caráter autônomo do partido e de


sua natureza jurídica, bem como dos limites institucionais que entenderam ultrajados
pela atuação da Procuradoria Regional Eleitoral.
Argúem que detinham competência para deliberar em oposição à
decisão dos convencionais e que a integração do PRB à Coligação "Mato Grosso
Progressista" em detrimento da Coligação "Mato Grosso em Primeiro Lugar II", não
repercutiu em qualquer prejuízo, especialmente porque os dois consórcios compõem
uma única coligação para as eleições majoritárias.
Acerca da autonomia funcional dos partidos e da aparente ausência
de prejuízo, tenho a elucidar que a fiscalização exercida pela Justiça, quanto ao
cumprimento do prazo estipulado para realização das convenções, não busca tutelar,
em especial, os partidos ou seus filiados, mas, sobretudo, a isonomia entre os
concorrentes no prélio eleitoral e, de conseguinte, o equilíbrio das eleições.
Logo, eventual flexibilização do prazo fixado no artigo 80 da Lei das
Eleições em beneficio de determinado partido político ou coligação importaria,
necessariamente, na restrição de ação dos demais, que, embora obedientes ao
preceito legal, não dispuseram do mesmo quantitativo de tempo para debater e decidir
sobre candidaturas e alianças políticas.
Portanto, longe de dedicar-se a superintender o cumprimento de
formalidades sem aparentes finalidades, a atuação do Ministério Público revela-se
sóbria e pertinente, assim como também se delineia, por conseguinte, a intervenção
dessa Justiça Especializada, a quem incumbe assegurar a igualdade de concorrência
entre os que almejam ocupar um mandato eletivo.
Naturalmente, a autonomia conferida ao partido político não há de
ser tal que deixe correr sem rédeas a deslealdade e desigualdade entre os
concorrentes. O que se espera da disputa eleitoral é que ela se restrinja, tão-só, ao
debate ideológico, sendo inquestionável que a Justiça Eleitoral deve envidar todos os
esforços para garantir que isso ocorra.
No pprticular, e com semelhantes fundamentos, perfilho-me junto
àqueles que, como o Ministro Félix Fischer, assim se pronunciam: "a concessão de
prazo maior a determinada agremiação partidária para a escolha de candidatos fere a
isonomia entre os partidos políticos e compromete a legitimidade das eleições. " (Respe
n.o 30584/ MG, em 22.09.2008).
Desse modo, JULGO PROCEDENTE à Ação de Impugnação ajuizada
no presente DRAP, para excluir o Partido Republicano Brasileiro - PRB da Coligação
"Mato Grosso Progressista" e declará-lo desabilitado a concorrer nas Eleições de 2010
para os cargos de Deputado Federal, devendo a Secretaria Judiciária proceder às
anotações necessárias no Sistema de Candidaturas.
Isso posto, passo ao exame da regularidade da documentação
referente à Coligação "Mato Grosso Progressista" e aos partidos que agora a integram,
a saber: PP, PTN, PSC, PHS, PTC e PRP - tendo em vista sua pretensão de habilitar-se
à disputa do cargo de Deputado Federal nas eleições vindouras.
Nesse propósito, observo que as convenções estaduais das
referidas agremiações partidárias realizaram-se dentro do prazo previsto no artigo 8°
da Lei 9.504/97 e que todas elas se encontram com situação jurídica regular no
Estado, consoante informação da Secretaria Judiciária prestada à f1.345.
",
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO
SEÇÃO DE TAQUIGRAFIA

Além disso, o DRAP é subscrito pelo representante da Coligação,


devidamente indicado às fls. 236, 372 e 375/377 pelas agremiações que a compõem.
Verifico também que o quantitativo limítrofe de candidaturas foi
observado, consoante redação do artigo 18 da Resolução TSE n. o 23.221/2010, bem
ainda respeitados os percentuais mínimos e máximos para candidaturas de cada sexo
(§ 5°).
Digno de nota, por fim, que os partidos políticos limitaram, cada
qual, o valor máximo de previsão de gastos, conforme exigência legal.
Por todo o exposto, estando satisfeitos os requisitos previstos na
Lei 9.504/97 e Resolução TSE n. o 23.221/2010, tenho por regular a documentação
referente ao consórcio partidário, às agremiações que o compõem e às respectivas
convenções realizadas,' razão pela qual DECLARO A COLIGAÇÃO MATO GROSSO
PROGRESSITA, INTEGRADA PELO PP, PTN, PSC, PHS, PTC e PRP, HABILITADA A
PARTICIPAR DAS ELEIÇÕES DE 2010, concernentemente aos cargos de Deputado
Federal, excluído o Partido Republicano Brasileiro - PRB.
Certifique-se esta decisão no RRCI dos candidatos Cláudio José da
Silva e Eduardo Gomes Silva.
É como voto.

DR. SAMIR HAMMOUD; DR. CÉSAR AUGUSTO BEARSI; DR.


SEBASTIÃO DE ARRUDA ALMEIDA; DR. JORGE LUIZ TADEU RODRIGUES e DR.
SAMUEL FRANCO DALIA JÚNIOR.
TODOS de acordo com o Relator.