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PROF.

ANA PAULA DE PÉTTA


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ATO OBSCENO
Art. 233. Praticar ato obsceno em lugar
público, ou aberto ou exposto ao público:

Pena – detenção de três meses a um ano ou


multa

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CONSIDERAÇÕES GERAIS

Bem juridicamente tutelado – o pudor público


Sujeito ativo – qualquer pessoa
Sujeito passivo – a coletividade (crime vago) e as pessoas que estiverem
presentes no local
Elemento subjetivo – o dolo (direto ou eventual)
Modalidade culposa – não há
Competência – JECrim
Procedimento – sumaríssimo
Ação penal – pública incondicionada
Núcleo do tipo – praticar – realizar uma conduta positiva

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CONCEITO DE ATO OBSCENO

É o ato dotado de sexualidade, idôneo a ferir o sentimento médio de


pudor de determinada sociedade em dado momento histórico.

Obsceno é o que ofende o pudor ou a vergonha, ou seja, um sentimento


de repulsa e humilhação criado por um comportamento indecoroso.

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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

➢ Somente será considerado obsceno o ato que se refira à sexualidade.

➢ A manifestação verbal obscena não configura o crime

➢ A expressão “ato obsceno” representa autêntico elemento normativo do tipo – sua


compreensão reclama um juízo de valor, a ser aferido em compasso com o
princípio da adequação social.

➢ Exige-se uma conduta positiva, um fazer, uma expressão corporal.

➢ Liberdade de expressão - o pudor público varia no tempo e seu conceito deve ser
interpretado com base nos valores reinantes em cada sociedade.

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EXEMPLOS

➢ Exposição de órgãos sexuais;


➢ Manter relação sexual ou fazer sexo oral em local público;
➢ Masturbar-se de forma visível em trem do metrô etc. (Se o ato for realizado na
presença de pessoa menor de 14 anos, configura crime mais grave do art. 218-
A.)
➢ A micção (fazer xixi) voltada para a via pública com exposição do pênis
caracteriza o ato obsceno.
➢ O trottoir feito por travestis nus nas ruas.

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LOCAIS EM QUE O ATO DEVE SER PRATICADO

Só se configura o crime se o fato ocorrer em um dos locais previstos no tipo:

Local público: ruas, praças, parques etc.

Local aberto ao público: onde qualquer pessoa pode entrar, ainda que
sujeita a condições, como pagamento de ingresso — teatro, cinema,
estádio de futebol etc. Não há o crime, entretanto, se as pessoas pagam o
ingresso justamente para ver show de sexo explícito, por exemplo.

Local exposto ao público: é um local privado, mas que pode ser visto por
número indeterminado de pessoas que passem pelas proximidades. Ex.:
quarto com a janela aberta, terraço, varanda, terreno baldio aberto, interior
de automóvel etc. Se o agente pode ser visto apenas por seus vizinhos, já
é suficiente para configurar o delito.
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O reconhecimento de um lugar como exposto ao
público reclama a possibilidade de ser visto de outro
local público.

Se o ato for praticado em local privado, passível de


ser visto unicamente de lugar de igual natureza, não
há falar em ato obsceno, podendo caracterizar a
contravenção penal de perturbação da tranquilidade
(art. 65 do Decreto-lei 3.688/1941 – Lei das
Contravenções Penais).

Em relação aos três lugares a lei não exige seja o


ato efetivamente visto, bastando a possibilidade
de ver-se.

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ASSIM...

➢ Se um homem está fazendo sexo oral em outra pessoa no banco de uma praça
pública em momento em que não há outras pessoas passando pelo local, mas
policiais flagram a cena, o fato constitui crime porque existia a possibilidade de
pessoas passarem por ali a qualquer momento.

➢ Por outro lado, entende-se que não há crime se o ato é praticado em local
afastado e ermo, que não pode ser visto pelas pessoas, como no caso de casal
que está tendo relação sexual, de madrugada, em estrada de terra longínqua e
não iluminada.

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CONSUMAÇÃO

➢ Com a pratica do ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao


público, ainda que não seja presenciado por qualquer pessoa, desde que
pudesse sê-lo - crime de mera conduta ou de simples atividade.

➢ Admite tentativa – embora em alguns casos seja de difícil configuração.

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E se aquele que assistiu
ao ato não se sentiu
ofendido?

O delito também estará́ consumado, pois o bem


jurídico tutelado é o pudor da coletividade.

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Concurso de
crimes
No mesmo
Crime único
contexto
Vários atos
praticados
Em locais e
Concurso de
momentos
crimes
distintos

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BEIJO EM LOCAL
PÚBLICO PODE
CONFIGURAR O CRIME?
O exagero desmedido em beijos voluptuosos em determinados
locais públicos pode, excepcionalmente, caracterizar ato obsceno,
inclusive constrangendo as pessoas em razão do ataque ao
pudor coletivo.

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Importunação
Ato obsceno ofensiva ao
pudor

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DIFERENÇAS

➢ A diferença entre a contravenção penal e o crime de ato obsceno é de grau


(quantitativa).
➢ As condutas mais ofensivas ao pudor público configuram o delito, enquanto as
mais brandas ensejam a importunação ofensiva ao pudor.
➢ O ato obsceno reclama a prática de um ato, um comportamento positivo
atentatório ao pudor público, pois o tipo penal contém a expressão “praticar ato
obsceno”.
➢ Na contravenção penal bastam palavras ou gestos capazes de molestar
alguém, e a lei se limita a falar em “importunar alguém”, o que denota seu
caráter residual, aplicando-se às hipóteses em que não ocorra a prática de ato
obsceno.

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JURISPRUDÊNCIA

Liberdade de expressão – fato atípico: “Ato obsceno (art. 233 do Código Penal).
Simulação de masturbação e exibição das nádegas, após o término de peça
teatral, em reação a vaias do público. Discussão sobre a caracterização da ofensa
ao pudor público. Não se pode olvidar o contexto em se verificou o ato
incriminado. O exame objetivo do caso concreto demonstra que a discussão está
integralmente inserida no contexto da liberdade de expressão, ainda que
inadequada e deseducada. A sociedade moderna dispõe de mecanismos próprios
e adequados, como a própria critica, para esse tipo de situação, dispensando-se o
enquadramento penal” (STF: HC 83.996/RJ, rel. originário Min. Carlos Velloso, rel.
para acórdão Min. Gilmar Mendes, 2a Turma, j. 17.08.2004).

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BIBLIOGRAFIA

Código Penal Comentado – Cleber Masson – 5ª edição – Ed. Gen

Direito Penal Esquematizado – Parte Especial – Victor Eduardo Rios Gonçalves –


Ed. Saraiva

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