UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO

ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA FLORESTA ATLÂNTICA NA RESERVA NATURAL SALTO MORATO: Relatório da disciplina Ecologia de Campo - 2006

APRESENTAÇÃO

Dentro da formação do Ecólogo, o treinamento em atividades de pesquisa em campo é fundamental para a solidificação dos conceitos. A percepção do ecossistema como palco para a ação dos processos evolutivos é uma habilidade em geral pouco desenvolvida no estudante recém-formado e que, portanto, precisa ser aprimorada através de atividades de aproximação e vivência de tal situação. Da mesma forma, os conceitos ecológicos teóricos somente podem ser percebidos e testados se aplicados aos mais variados sistemas naturais. Somente desta maneira é possível se prever efeitos da ação antrópica e propor planos de conservação e manejo. A disciplina Ecologia de Campo do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná foi concebida com o intuito de atender a estas expectativas. Durante 15 dias são desenvolvidas atividades de planejamento de campo e desenho experimental, definição de métodos de amostragem e análise de dados e prática em comunicação científica (oral e escrita). O método de trabalho consiste no desenvolvimento de projetos orientados, projetos livres e projetos individuais, sob a orientação de um corpo de professores de diferentes áreas de atuação dentro da ecologia. A disciplina é desenvolvida na Reserva Natural Salto Morato, de propriedade da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, instituição esta que oferece um importante apoio logístico para este curso. O cenário á a Floresta Atlântica, um dos biomas mais importantes em termos de conservação no mundo, justamente por apresentar alguns dos maiores valores de biodiversidade e sofrer as maiores ameaças devido à ação do homem. Neste ano de 2006, a disciplina contou com a participação de 15 estudantes e 7 professores. O resultado das atividades é aqui apresentado na forma de 39 relatórios de pesquisa, sendo 24 projetos orientados e livres e 15 projetos individuais. Embora os projetos em geral consistam de trabalhos preliminares, em função da exigüidade de tempo em que foram desenvolvidos (os projetos orientados e livres são desenvolvidos ao longo de um dia e os projetos individuais, ao longo de três dias), são importantes instrumentos para orientar futuros estudos na Reserva e eventualmente auxiliar no manejo da unidade.

Guaraqueçaba, 16 a 31 de outubro de 2006.

Márcia C. M. Marques Coordenadora da Disciplina Ecologia de Campo

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LISTA DE PARTICIPANTES

Alunos Ana Luiza Gandara Martins André Magnani Xavier de Lima Augusto Lisboa Martins Rosa Cibele Munhoz Amato Cristiane Hiert Denilson Roberto Jungles de Carvalho Fábio Bertolini Gonçalves Gabriela de Menezes Cortellete Kelly Dayane Aguiar Manuela Dreyer da Silva Marco Aurélio Bregenski Michel Varajão Garey Paloma Kachel Gusso Rafael Eduardo Serathiuk Renata Ribas Zacarias

Instituição PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR UFMS PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR

Professores Eduardo Arcoverde Mattos Fernando Passos James Joseph Roper Márcia Cristina Mendes Marques Marco Antônio Batalha Marília Terezinha Hartmann Maurício Moura

Instituição UFRJ PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR PPGECO/UFPR UFSCar PPGECO/UFPR PPGECO/UNICENTRO

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robusta O CANTO DE Dendropsophus berthalutzae INDICA CARACTERÍSTICAS DO MACHO? DEPENDÊNCIA DE DIVERSIDADE E HERBIVORIA EM Marlierea tomentosa A HETEROGENEIDADE ESPACIAL ESTRUTURA A COMUNIDADE DE PEIXES? DIVERSIDADE DE ANFÍBIOS ANUROS EM TRÊS AMBIENTES DIFERENTES DA MATA ATLÂNTICA DIVERSIDADE FUNCIONAL DE ESPÉCIES ARBÓREAS EM CAPOEIRA E CAPOEIRINHA EFEITO DE BORDA NA MORFOFISIOLOGIA DE MICONIA CINERASCENS SÍNDROMES DE DISPERSÃO DE ESPÉCIES ARBÓREAS DE CAPOEIRA E CAPOEIRINHA NA MATA ATLÂNTICA COMPARAÇÃO DE EFICIÊNCIA DA CAPTURA POR TEIAS DE ARANHAS EM FLORESTA OMBRÓFILA DENSA ABUNDÂNCIA DE GIRINOS E SUA INTERAÇÃO COM FATORES BIÓTICOS E ABIÓTICOS ESTRATÉGIAS DE ESTABELECIMENTO DE PLANTAS EM UM GRADIENTE ALUVIAL O AMBIENTE INFLUENCIA NA DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES DE ANFÍBIOS ANUROS? DIVERSIDADE TAXONÔMICA EM DIFERENTES ESTÁDIOS SUCESSIONAIS DE FLORESTA PLUVIAL DE MATA ATLÂNTICA ESTUDO PRELIMINAR DA FAUNA DE QUIROPTEROS DA RESERVA NATURAL DE SALTO MORATO RIQUEZA DE MACROINVERTEBRADOS ASSOCIADA A DIFERENTES DENSIDADES DE Brachiaria spp.ÍNDICE Projetos orientados e livres MORFOLOGIA DE AVES DEFINE GUILDAS? IMPLICAÇÕES DOS PADRÕES DE COLORAÇÃO DE FOLHAS JOVENS NA TAXA DE HERBIVORIA DE PLANTAS LENHOSAS DE SUB-BOSQUE DA MATA ATLÂNTICA A TEORIA DE BIOGEOGRAFIA DE ILHAS SE APLICA À FAUNA BROMÉLIAS EM ÁREAS ABERTAS? DENSIDADE DE FLORES E SUA INFLUÊNCIA NA TAXA DE VISITAÇÃO DE Heliconia vellosiana POR BEIJA-FLORES ALOCAÇÃO DE RECURSOS EM Miconia cinerascens Miq.var. EM UM TRECHO DO RIO MORATO SIMILARIDADE DE ESPÉCIES ARBÓREAS ENTRE ESTRATOS FLORESTAIS EM DOIS ESTÁDIOS SUCESSIONAIS ESTÁDIOS SUCESSIONAIS INICIAIS EM FLORESTAS TROPICAIS APRESENTAM 4 77 73 69 64 53 56 60 49 45 32 37 41 15 18 22 25 28 12 9 página 6 .

GUARAQUEÇABA. NA RESERVA NATURAL SALTO MORATO EXISTE SUBSTITUIÇÃO DA ICTIOFAUNA AO LONGO DE UM GRADIENTE ANTRÓPICO? EXISTE VARIAÇÃO ESTRUTURAL E FLORÍSTICA EM UM GRADIENTE DE UMIDADE DO SOLO DA FLORESTA ATLÂNTICA? ESTRATÉGIAS DE FORRAGEAMENTO DE Thalurania glaucopis: EXPERIMENTAÇÃO COM DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE AÇÚCAR COBERTURA DE DOSSEL INFLUENCIA A INVASÃO DE Musa rosacea? 80 84 88 92 95 100 104 111 116 120 126 130 134 138 143 147 153 157 161 5 . PARANÁ CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES ECOLÓGICAS DO RIO MORATO. UTILIZANDO GRUPOS DE ALIMENTAÇÃO FUNCIONAL DE MACROINVERTEBRADOS EFICIÊNCIA DA CAPTURA DE PRESAS POR ARANHAS TECEDORAS DA MATA ATLÂNTICA A VOCALIZAÇÃO É DETERMINANTE NA PREDAÇÃO DE ANUROS? EFEITO DE BORDA SOBRE A PREDAÇÃO DE LARVAS ARTIFICIAIS AVALIAÇÃO DE COMUNIDADES DE FORMIGAS DA MATA ATLÂNTICA EM UM GRADIENTE DE ALTERAÇÃO ANTRÓPICA HERBIVORIA EM Cecropia sp E SUA RELAÇÃO COM A PRESENÇA DE FORMIGAS. GUARAQUEÇABA – PR COMPARAÇÃO DO CUIDADO PARENTAL ENTRE AVES DE SUB-BOSQUE DA FLORESTA ATLÂNTICA.PLANTAS COM MAIORES TAXAS DE CRESCIMENTO? A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE ANUROS É PRODUTO DE COMPETIÇÃO? A PARTILHA DE RECURSOS OCORRE ENTRE ESPÉCIES DE TYRANNIDAE COM O MESMO NICHO APARENTE? O IMPACTO DE MATERIAL ALÓCTONE NA ESTRATÉGIA DE FORRAGEIO DE CHARACIFORMES Projetos individuais COMPARAÇÃO ENTRE O INDÍCE DE DIVERSIDADE TAXONÔMICA E DE SHANNONWIENER PARA UM GRADIENTE DE FLORESTA OMBRÓFILA DENSA RIQUEZA E ABUNDÂNCIA DA MACROINVERTEBRADOS TERRESTRES EM UM GRADIENTE DA FLORESTA ATLÂNTICA MUDANÇAS DE CONDUTA EM PASSERIFORMES (AVES) COMO EFEITO SECUNDÁRIO DE TÉCNICAS DE CAPTURA A INFLUÊNCIA DO GRADIENTE LONGITUDINAL NA ASSEMBLÉIA DE PEIXES DO RIO MORATO.

James Roper Resumo A morfologia pode indicar características associadas ao modo de vida dos animais – a guilda. que aparentemente segrega ao longo de uma única dimensão de recurso. Este conceito de guildas pode fornecer um meio para entender processos evolutivos como competição exclusiva. Palavras-chave: análise de fatores. e com a proposta competição entre espécies mais próximas. Com esses dados foram definidas guildas e grupos de espécies.. onde os eixos são as dimensões morfológicas. Uma feição comum existente dentro de uma mesma guilda. Cibele Munhoz Amato. esperamos ver. onde diferenças estruturais entre espécies aparentadas revelam diferentes caminhos de vida (Ricklefs 1993). como a estrutura da comunidade influenciada por competição exclusiva. Gabriela de Menezes Cortellete & Manuela Dreyer da Silva Projeto Orientado – Prof. morfometria. em comunidades naturais. Os aspectos que melhor deveriam indicar o nicho seriam as características associadas à locomoção e à forma alimentar. aproximação de espécies com relação às guildas. Estas características podem ser utilizadas para testar vários aspectos das relações entre membros das mesmas comunidades. 2006). Introdução Uma forma de se estimar a diferenciação do nicho dentro de um grupo é utilizar a morfologia das espécies como um indicador de seus papéis ecológicos. 1993). é que as espécies adjacentes tendem a exibir diferenças regulares no tamanho do corpo ou no tamanho das estruturas de alimentação (Begon. Aqui foi analisada a morfologia de um grupo de aves para testar se morfologia indica a formação de guildas e se pode definir outros aspectos de composição das comunidades. interações comunitárias. As relações de características morfométricas com características de nicho de uma comunidade podem ser representadas por meio de um gráfico. suportando a possibilidade de uso dessas medidas para o estudo de composição de comunidades. Esta idéia sugere que guildas determinam a morfologia das espécies tanto quanto a morfologia está associada com a definição de guildas. guilda. porque espécies mais comuns devem concorrer mais pelos mesmos recursos. entre outros. Assim. O volume ocupado pelo espaço morfológico corresponde à variedade de papéis ecológicos representados pelas espécies (Ricklefs. Essa possibilidade foi testada com dados de capturas de várias espécies de aves por meio de análises de correlação.MORFOLOGIA DE AVES DEFINE GUILDAS? Augusto Lisboa Martins Rosa. 6 .

comprimento do cúlmen do bico . O primeiro eixo.Métodos Aves foram capturadas por redes ornitológicas de malha 30mm e de 28mm. Discussão É possível interpretar os eixos da análise de fatores como indicadores de guildas. também indica forma do bico e asas. e variáveis associadas ao modo de vida foram analisadas. largura do bico . incluindo comprimento do bico . foram definidos uma guilda alimentar. demonstrando a separação das guildas (indicadas pelos círculos). peso. e o terceiro por largura do bico. Resultados A correlação das medidas morfológicas permitiu a formação de três novas variáveis. O segundo fator foi mais influenciado por comprimento do bico. A rotação de fatores gerados pela análise de fatores foi o método que possibilitou uma melhor explicação da variabilidade das variáveis. espessura do bico . associado com tamanho. O primeiro fator é explicado principalmente por características relacionadas ao tamanho (metatarso. Desde que as espécies incluídas nesta análise variam pouco em relação ao tamanho. O segundo e o terceiro eixo refinam a identificação do modo alimentar. análise de componentes principais e de fatores. espessura do bico). que explicaram mais de 90% da variabilidade das variáveis originais. comprimento do metatarso e peso. Para a definição de guildas por meio de características morfométricas foram realizados testes de correlação. A plotagem dos fatores em três dimensões ilustra bem a separação das espécies em guildas (Fig. Figura 1. Fatores das morfologias. podemos interpretar este eixo como uma combinação entre dieta e a procura do alimento. cauda. Com estes dados. comprimento da asa . visando determinar qual o tratamento estatístico ofereceria a melhor visualização das guildas. 1). caracterizado pela base do bico. um grupo 7 . asa. comprimento da cauda . Cada indivíduo foi medido.

Oxford. Essa espécie insetívora faz a coleta de suas presas voando. C.. R. A despeito da possibilidade de uso dessas medidas para a identificação de processos evolutivos e ecológicos. J. Entretanto.representado por uma espécie e pontos dispersos. 8 . 1993. Em uma regressão de tamanho e (como era). Guanabara Koogan. E. rufus também é influenciado pelo fato de ser uma ferramenta de construção de ninhos. o que pode implicar em uma forma um pouco diferente de bicos de outros insetívoros ou onívoros. enquanto muitos outros insetívoros procuram insetos sobre substratos. podem ser identificados outros grupamentos. podemos ver também especialização em guildas pelos resíduos (Fig. que também sugerem guildas. & Harper. O grupo de Furnarius rufus foi identificado por características referentes ao maior tamanho dos indivíduos e a forma do bico. Este agrupamento de quatro andorinhas sugere que a inclusão de outras espécies. Townsend. L. por exemplo o saí-andorinha (Tersina viridis). Ricklefs. Os pontos dispersos se referem a espécies com poucos indivíduos e por isso a dificuldade de visualizar outras guildas. M. Referências Bibliográficas Begon. Rio de Janeiro. A guilda de beija-flor (Trochilidae) foi definida pelo maior comprimento relativo do bico que está relacionado com sua alimentação nectarívora. O formato do bico de F. 2006. Ecology: from individuals to ecosystems. tal como a guilda das andorinhas (Tachycineta leucorrhoa). Demonstrou-se que morfologia pode ser usada para determinar guildas. pela posição de várias espécies. R. A economia da natureza. 2). que apresenta o mesmo modo de vida. mas estas não são suficientes para definir a guilda insetívora da qual essas aves fazem parte. Blakwell Publishing. mas que não tiveram melhor definição em função da necessidade de maior amostragem para melhorar sua consistência. esta relação tem sido pouco utilizada em estudos de composição de comunidades de qualquer taxa. deve ser agrupado nessa região do gráfico.

e a relação desses padrões com a herbivoria. Os herbívoros normalmente selecionam alimentos vegetais de acordo com seu conteúdo nutricional. e em função de variações em fatores ambientais no curto e no longo prazo (Larcher. 1997). Manuela Dreyer da Silva Projeto orientado – Prof. 10 a 20% da produção primária bruta anual de ecossistemas terrestres.IMPLICAÇÕES DOS PADRÕES DE COLORAÇÃO DE FOLHAS JOVENS NA TAXA DE HERBIVORIA DE PLANTAS LENHOSAS DE SUB-BOSQUE DA MATA ATLÂNTICA Augusto Lisboa Martins Rosa. taxa fotossintética. Apesar das plantas não variarem muito nos mecanismos básicos utilizados na fotossíntese. Sugerimos que folhas jovens vermelhas apesar de apresentarem um grau de herbivoria similar às folhas jovens verdes. Considerando que folhas com altas taxas fotossintéticas geralmente têm altos níveis de conteúdo protéico. provendo a estrutura e a energia necessária à formação de biomassa e para a síntese de uma grande gama de produtos utilizados pelas espécies vegetais em seu metabolismo. 9 . Cibele Munhoz Amato. Gabriela de Menezes Cortellete. As respostas das plantas aos danos causados pela herbivoria são bastante variáveis. padrão foliar de coloração. No entanto. Palavras-chave: Estratégias de escape. em média. da intensidade de predação e da freqüência. 2000). O impacto da herbivoria no desempenho das plantas depende da fenologia. A fotossíntese é fundamental para o funcionamento das plantas. minimizam a perda de nutrientes durante o desenvolvimento foliar. Nesse estudo sugere-se que o padrão de coloração de folhas jovens pode estar relacionado com essas estratégias. A qualidade nutricional e a digestibilidade dos alimentos vegetais são críticos para os herbívoros. a capacidade fotossintética das plantas pode estar diretamente relacionada às taxas de herbivoria. Não foram observadas diferenças morfológicas. Essas diferenças podem existir entre as plantas e entre a distribuição e o estágio de maturação de suas folhas. Introdução Os herbívoros consomem. as espécies com folhas jovens vermelhas apresentavam um menor investimento no aparato fotossintético do que as espécies de folhas verdes. elas diferem radicalmente nas formas de aquisição de recursos necessários para o processo. da parte da planta atacada e sua idade. herbivoria.: Eduardo Arcoverde Mattos Resumo As plantas apresentam diferentes estratégias para minimizar os efeitos da herbivoria. A redistribuição de compostos fotossintéticos da produção de novas folhas para outras estruturas pode ser uma das formas de compensação encontrada por espécies vegetais para diminuir o prejuízo causado pela herbivoria (Crawley. Analisou-se se há diferenças morfológicas e fisiológicas entre espécies de plantas com folhas jovens avermelhadas ou verdes.

m-2). indicou a proporção de folha consumida. Para analisar a relação dessas características com a taxa de herbivoria nos dois grupos foi utilizado correlação de Pearson. De cada ramo foi retirado aleatoriamente uma folha ou folíolo (no caso de folhas compostas) jovem e outra adulta. Considerou-se. UK).escolhendo freqüentemente folhas jovens e flores. ou seja. município de Guaraqueçaba. a razão entre as medidas de Fo das folhas verdes e avermelhadas e as maduras. Cálculos efetuados para comparar o estágio de desenvolvimento das folhas Para estimar o potencial fotossintético de cada espécie foram medidas a fluorescência basal (Fo) e a florescência máxima (Fm) de folhas jovens e adultas de ambos os grupos. Foram calculadas. um alfa de 5%. Para a medida do potencial fotossintético das folhas (Fo e Fm) foi utilizado um Fluorômetro (FMS2. quando apresentavam áreas com herbivoria o contorno original foi mantido para se estimar a taxa de herbivoria. Para a comparação entre o estádio de desenvolvimento foliar entre os dois grupos foi utilizada a razão da área foliar entre e a razão das medidas de MFA de adultos e jovens. Os moldes foram desenhados pelo contorno da folha. Paraná. e então pesadas. Tendo em vista que diferenças nos padrões de coloração das folhas jovens podem implicar em diferenciações atreladas ao desenvolvimento de estratégias de redução de investimento energético. Foram coletados dois ramos de seis espécies que apresentavam folhas jovens verdes e de seis espécies com folhas jovens avermelhadas. o presente estudo teve como objetivo verificar se há diferenças morfológicas e fisiológicas entre espécies de plantas com folhas jovens avermelhadas e folhas jovens verdes e se há relação entre esses padrões de coloração com a pressão de herbivoria. MFA) e fisiológicas (Fo e Fv) entre as folhas jovens e maduras e entre os grupos de espécies com folhas jovens verdes e com folhas jovens avermelhadas foi utilizado teste-t de Student. Considerando os dados do peso seco de cada folha e a estimativa da área foliar. foi calculada a massa foliar por unidade de área (MFA. sem e com herbivoria. devido ao seu baixo conteúdo de celulose (Ricklefs. g. A diferença entre os pesos dos moldes. Material e métodos O estudo foi realizado em um trecho de Floresta Ombrófila Densa. 10 . 16cm2 e 100cm2) e suas massas. As folhas foram secas em estufa. localizado na RPPN Reserva Natural do Salto Morato. a partir das quais foram feitos moldes. então. Hansatech. 1993). mata caracterizada como de estádio primário alterado. com 2340 hectares. A área foliar (cm2) foi estimada por meio de uma relação linear entre moldes de área conhecida (4cm2. para esses testes. Para comparação das características morfológicas (Área Foliar. desenhados em folha sulfite. uma estimativa da herbivoria. e a fluorescência variável (Fv) de cada folha (Fv = Fm – Fo). Estudamos plantas lenhosas de sub-bosque localizadas na trilha do Salto.

Rio de Janeiro. considerando que esse retardo acarreta em menor investimento energético por parte da planta na fase mais suscetível à predação nesses tecidos. Agradecimentos: Agradecemos ao Prof. com MFA (r=-0.48. a estratégia de atraso de desenvolvimento no aparato fotossintético pode ocorrer para minimizar as perdas causadas por herbivoria. M.05. p>0. p>0. Londres.05). 11 . Larcher.05.10=0. 2000. São Carlos.05). p>0.05.05).05) e a razão entre as medidas de MFA de adultos e jovens (t0. p>0. Também não foram encontradas diferenças entre os grupos quando comparadas as medidas de MFA dos adultos (t0. p>0. R.05).10=0.05. p>0. p>0.10=2. Ecofisiologia Vegetal.Resultados Não foi encontrada diferença entre as espécies de folhas jovens verdes e avermelhadas para área foliar.10=1. W.74. Plant ecology.97. p<0.10=0. RiMa Artes e Textos. Apesar de não ter sido encontrada relação entre o padrão de coloração das folhas jovens com o grau de herbivoria e características morfológicas foliares.10=0.10=1. Já para a razão do Fo entre as folhas maduras e jovens da mesma espécie foi verificada diferença na comparação deste índice entre os grupos (t0. podendo indicar o desenvolvimento da síndrome de escape.48. Não foi verificada correlação entre as taxas de hervivoria das folhas adultas dos dois grupos com a área foliar (r=-0.05.12. p>0.05. Blackwell Science.05. A síndrome de escape consiste no desenvolvimento de estratégias que minimizem o impacto do ataque por meio da diferenciação na alocação de recursos voltados ao crescimento vegetativo. Ricklefs.48.42.05) e com Fv (r=-0.10=0. E. Referências bibliográficas Crawley. Eduardo Arcoverde pelo auxílio na coleta de dados e discussões. Guanabara Koogan. A herbivoria de folhas maduras e jovens dos dois grupos foi similar (t0.05.05) (t0.05) respectivamente.35. 1993.07.05).56.05) e os valores de Fv dos adultos (t0. A diferença encontrada na fluorescência basal (Fo) entre as folhas jovens verdes e avermelhadas corrobora a hipótese de que as folhas jovens avermelhadas apresentam um retardo no desenvolvimento do aparato fotossintético. J.57. Não foram encontradas diferenças entre os grupos quando comparadas a razão da área foliar entre adultos e jovens (t0. p>0. p>0. quando comparadas às medidas das folhas adultas (t0. Discussão As plantas podem apresentar diferentes síndromes de proteção à herbivoria. 1997.05). A economia da natureza.

contra os processos locais que governam a extinção. Palavras-chave: Biogeografia de Ilhas. O trabalho avaliou se riqueza de espécies em bromélias depende do tamanho e distância. com abertura na parte interior central da base das folhas formando um tanque. riqueza de espécies. Sendo assim. que coleta e armazena água e restos orgânicos (Ricklefs. 1967). Foi observada relação positiva entre volume da bromélia e riqueza. 1993). Gabriela de Menezes Cortellete & Manuela Dreyer da Silva Projeto Livre Resumo A teoria de biogeografia de ilhas propõe que o número de espécies é resultado de equilíbrio dinâmico entre taxa de imigração e de extinção na ilha. estas poderiam seguir os princípios da teoria de MacArthur & Wilson (1967). 12 . ou copo. o ponto do equilíbrio biótico dependerá do tamanho da ilha e de sua distância até a fonte de colonizadores (MacArthur & Wilson. A distância das bromélias à fonte não demonstrou relação com o número de espécies. bromélia. Introdução A teoria de biogeografia de ilhas de baseia-se em um modelo que estabelece que o número de espécies nas ilhas equilibra os processos regionais que governam a imigração.A TEORIA DE BIOGEOGRAFIA DE ILHAS SE APLICA À FAUNA BROMÉLIAS EM ÁREAS ABERTAS? Augusto Lisboa Martins Rosa. O modelo propõe que o número de espécies presentes numa ilha é o resultado de um equilíbrio dinâmico entre a taxa de imigração de espécies novas à ilha e a taxa de extinção das espécies já presentes (MacArthur & Wilson. Considerando as bromélias “tanque” como ilhas pelo relativo isolamento a animais a que estão sujeitas em áreas abertas. A riqueza seria positivamente relacionada com a área e negativamente com distância até a fonte. 1967). A partir destas correlações de imigração e extinção. o modelo prediz que o valor constante de equilíbrio seria positivamente correlacionado com a área da ilha e negativamente correlacionado com a distância entre a ilha e a área fonte. A proposta deste trabalho foi testar se a riqueza de espécies encontradas nas bromélias varia de acordo com o seu tamanho (volume do copo) e sua distância da área fonte. Cibele Munhoz Amato. As bromélias (Bromeliaceae) têm suas folhas arranjadas em uma roseta.

considerada a área de mata mais próxima das árvores. Para testar a relação da riqueza de espécies com a distância das bromélias à área fonte e com seu tamanho (volume) foi utilizada regressão linear.05) (Fig. A distância das bromélias à área fonte não demonstrou relação com o número de morfo-espécies encontradas (r=0. com alfa de 5%. Foi medida a distância (m) de cada bromélia até a borda da área fonte. No laboratório foram medidas a altura e o diâmetro de cada bromélia. Relação entre riqueza de log do volume (cm3) de bromélias. área de reserva de água formada pela imbricação das rosetas. Log Volume (cm3) (cm3) Figura 1. No experimento realizado. sendo que em cada uma delas foi coletada a bromélia mais basal. As espécies possíveis de serem identificadas macroscopicamente (mínimo de 2. após lavagem de suas folhas e análise da água armazenada na planta. a riqueza de uma ilha é a resultante da interação das forças impostas pela área e pelo isolamento. p>0. p<0. Discussão Segundo a teoria da biogeografia de ilhas.0mm) foram coletadas de cada bromélia. Foram sorteadas aleatoriamente 10 árvores com diferentes tamanhos de bromélia. 1). para cálculo do volume na base nas flores (cm3). que foi armazenada em um recipiente plástico.05. F=14. houve relação entre o tamanho da 13 . Resultados Foi observada uma relação positiva entre o tamanho da bromélia (volume do copo) e a riqueza de espécies (r2=0.68.71.Material e métodos O presente estudo foi desenvolvido em uma área de pastagem localizada no entorno imediato da Reserva Natural do Salto Morato.05).

R. E. Princeton Univ. mas a independência entre o isolamento e a riqueza. Guanabara Koogan. Princeton. 1993. A economia da natureza. enquanto que a ausência de relação entre distância da área fonte e a riqueza pode ser devido a outros fatores que não apenas as taxas de imigração e extinção dessas “ilhas”. foi assumido que a fonte era a floresta. Entre esses fatores podem ser consideradas a idade da bromélia e a indefinição de qual a escala adequada para considerar a bromélia realmente uma ilha. Rio de Janeiro. a premissa de floresta agindo como fonte poderia não se aplicar para essas espécies. Também não foi avaliado o histórico da área de estudo ignorando se o tempo de isolamento das bromélias seria realmente suficiente para que houvesse mudanças na estrutura da comunidade. A relação espécie-área encontrada pode ser resultado tanto da diversidade de habitats quanto do tamanho da área per se. Referências bibliográficas Mac Arthur. & Wilson. indica que a teoria não se aplica às bromélias nesta situação. porém. The Theory of Island Biogeography. R. O. Se existirem. Além disso. Ricklefs. espécies exclusivas de áreas abertas. a comunidade da fonte não foi avaliada. 1967. E. H. 14 . Press.ilha e sua riqueza.

Sugerimos que outras interações. Foi observado que a taxa de visitação é independente da densidade de agrupamento. As diferentes densidades de inflorescências também não demonstraram relação com o número de morfo-espécies de beija-flor (taxa de visitação x espécies). entre as beija-flores podem interferir no forrageamento das espécies.A maioria das aves.DENSIDADE DE FLORES E SUA INFLUÊNCIA NA TAXA DE VISITAÇÃO DE Heliconia vellosiana POR BEIJA-FLORES Augusto Lisboa Martins Rosa. limitando elas e reduzindo ou eliminando a importância de densidade. A pesquisa foi realizado para testar se existe uma a relação entre número de inflorescências e a taxa de visitação. 2006). 1979). A evolução da especialização das flores envolvendo os animais polinizadores é favorecida. Heliconia vellosiana Introdução A polinização é um processo simbiótico no qual as plantas oferecem néctar. O presente estudo teve como objetivo testar se o agrupamento de inflorescências de Heliconia vellosiana afeta o número de visitações de beija-flores por inflorescência. tanto que eles realizam migrações para áreas com maior concentração de flores. 1979). o pólen para indivíduos da mesma espécie (Begon et al. 15 . Cibele Munhoz Amato. O presente estudo teve como objetivo testar a importância de densidade de flores para as visitações de beija-flores nas inflorescências de Heliconia vellosiana. Esse comportamento reflete uma alta necessidade de energia para o vôo e para pairar no ar (Faegri & Pijl. Experimentos controlando densidade são recomendados. transportando assim. Palavras-chave: polinização. que demonstraria a falta de interações entre as espécies de beija-flores. beija-flores. pólen ou ambos para os polinizadores que transportam seu pólen. Os beija-flores são territorialistas e um dos pré-requisitos para a escolha de uma área para defesa é a ocorrência concentrada de flores com muito néctar. assim como os beija-flores tem alta sensibilidade à cor vermelha que é invisível aos insetos polinizadores. pólen ou ambos para os agentes polinizadores que transportam seu pólen. potencialmente comportamentais. visto que o animal precisa reconhecer e discriminar as diferentes flores. Gabriela de Menezes Cortellete & Manuela Dreyer da Silva Projeto Livre Resumo A polinização é um processo simbiótico no qual as plantas oferecem néctar. especialmente em períodos reprodutivos. dessa maneira as plantas com flores vermelhas podem favorecer a ornitofilia (Faegri & Pijl.

9 e 5 inflorescências. onde foram observadas quatro. visto que o animal precisa reconhecer e discriminar as diferentes flores. Esta floresta tem muitas áreas com agrupamentos da espécie Heliconia vellosiana. visando amostrar um gradiente de densidade de inflorescências. Apesar da evolução da especialização das flores envolver o desenvolvimento de atrativos para os animais polinizadores.05). Discussão Os beija-flores podem ser considerados espécies-chave. 18. o número de visitas do beija-flor à área e a morfo-espécie do beija-flor. Foi observado que a taxa de visitação por flor é independente da densidade de inflorescências (F = 0. 19. uma maior densidade de inflorescências talvez não represente uma estratégia para aumentar a visitação e consequentemente a polinização no caso da H. foram estimadas inicialmente as densidade das inflorescências nos pontos focais (número de inflorescências no campo visual). Brasil. com alfa de 5%. três. essa característica não aumenta as chances da planta ser visitada. considerando que a cor vermelha e amarela das inflorescências são bastante perceptíveis para esse grupo de polinizadores. por disponibilidade de recursos. Foram selecionados quatro pontos focais ao longo da Trilha do Salto. Resultados As densidades dos quatro tratamentos no campo visual do pesquisador foram: 35. o que mostra que a existência de diferentes densidades de florescências esteja relacionada a outros processos que não os de polinização.01. Para testar a influência da densidade da população de H. respectivamente. Para testar se o número de inflorescências influencia a taxa de visitação foi utilizada regressão linear. com um esforço amostral de três horas em cada ponto. p > 0. que com frequência demonstram comportamentos de territorialidade.Material e métodos Esta pesquisa foi desenvolvida na Reserva Natural do Salto Morato. Isso pode indicar que um menor número de inflorescências seja suficiente para que a planta tenha eficiência na polinização por meio dos beija-flores. Em cada um desses pontos focais foram contados o número de inflorescências. sendo os principais agentes polinizadores dentro dos vertebrados. A ausência de relação das diferentes densidades de inflorescências com o número de morfoespécies de beija-flor pode ser explicada também pelas características do uso do espaço pelos beija-flores. vellosiana. com diferentes tamanhos de grupos de plantas de Heliconia vellosiana. Uma maior aglomeração de inflorescências poderia. 8 e 8 visitas às inflorescências. que é frequentemente visitada por uma variedade de beija-flores. no estado de Paraná. uma e duas morfoespécies de beija-flor e 45. vellosiana na taxa de visitação dos beijaflores (número de visitação / número de inflorescência). porém esse 16 . sustentar maior número de espécies. em uma área de Floresta Ombrófila Densa. Ainda que os agrupamentos de indivíduos com inflorescência possa facilitar a visualização da flor pelos beija-flores.

Blakwell Publishing. M. se encontrarem e apresentarem comportamentos agonísticos. Pergamon Press. vellosiana apresenta também crescimento por raízes. a estratégia poderia ser oferecer pouco recurso para forçar a visita dos beija-flores em diferentes plantas. De qualquer modo. a densidade das plantas poderia ser apenas uma característica desse crescimento. 2006. & van der Pijl. ou indivíduos da mesma espécie territorial. & Harper. K. Ecology: From individuals to ecosystems. R. Considerando que a H. L. Faegri.. The principles of Pollination Ecology. J. L. 1979.caso representaria um aumento das chances das diferentes espécies territorias. Referências bibliográficas Begon. Oxford. a defesa de um território está associada ao custo benefício para o indivíduo territorial e essas relações podem influenciar diretamente o comportamento para espécies polinizadoras. No caso de plantas que resultam de reprodução vegetativa. Oxford. C. garantindo a sua polinização. 17 . Townsend.

Márcia Marques Resumo Trade off é uma relação negativa entre características de um organismo.var. Não foram observadas relações entre tamanho das folhas jovens e das inflorescências. 2006). podendo investir em floração e brotamento mais cedo. 2006). Quando um organismo aloca recursos para reprodução. 18 . robusta Augusto Lisboa Martins Rosa. mas Hadley & Bawa (1990) sugerem que possam estar relacionados à alocação diferencial de recursos nos indivíduos. Palavras-chave: Trade off. ele geralmente diminui seu investimento no crescimento (Begon et al. Seguindo esse contexto. Gabriela de Menezes Cortellete & Manuela Dreyer da Silva Projeto orientado –Profa. alocação diferencial de recursos. indicando ausência de alocação de recursos diferenciados. flores. sugerindo que tamanho não influencia investimento energético nesses processos. Miconia cinerascens var. O trabalho analisou alocação diferencial de recursos para Miconia cinerascens e relação do tamanho dos indivíduos com distribuição dos recursos para reprodução e crescimento. A proposta é que indivíduos de maior tamanho (considerados os de maior idade na população) possuam maior investimento em número de inflorescências. maior número de folhas jovens. onde o aumento de alocação de recursos em uma função implica na diminuição de energia destinada a outra. e entre o tamanho e o número de inflorescências. Essas relações não são fáceis de observar na natureza uma vez que pode haver uma ótima combinação dessas características de maneira a dificultar a visualização dessas variações (Begon et al. Cibele Munhoz Amato.ALOCAÇÃO DE RECURSOS EM Miconia cinerascens Miq. 1997). Fenologia. folhas jovens e seus tamanhos. Em ambientes com recursos limitantes a relação ecológica é mais severa e portanto mais fácil de ser observada (Crawley. o presente trabalho objetivou analisar se há alocação diferencial de recursos na população e se o tamanho dos indivíduos influencia a distribuição dos recursos despendidos na reprodução e crescimento vegetativo. é necessário considerar que padrões fenológicos variam espacial e temporalmente entre espécies e entre indivíduos de uma população. Para as plantas de modo geral. robusta (Melastomataceae) é uma espécie arbustiva pioneira em áreas de Mata Atlântica em regeneração do Paraná. Não se sabe quais fatores definem a variação fenológica dentro de uma mesma população. além da relação do trade off. Introdução A relação ecológica (trade off) é uma relação negativa entre duas características da história de vida de um organismo.

p > 0. aquelas que ainda apresentavam tricomas. F0.05).36. 19 . e o esforço reprodutivo (número de flores/comprimento da inflorescência.9=0.08. o diâmetro do caule à altura do solo (cm). Também não foi encontrada relação do tamanho do indivíduo com o comprimento relativo da folhas jovens (comprimento das folhas jovens/adultas) (r2=0.05). p < 0.9=0.54. e o número de inflorescências.05. não foi encontrada relação entre o tamanho das plantas e número de inflorescência/volume da copa (r2=0. a quantidade de folhas jovens em expansão. cinerascens não foi verificada correlação entre o número de folhas em expansão com o número de flores/comprimento da inflorescência (r = 0.05) (Fig. Dez indivíduos adultos de M. cinerascens foram analisados em uma área de capoeira próxima às instalações do alojamento da reserva.06.9=8.02. município de Guaraqueçaba.05.00. F0. Para testar a relação ecológica de investimento em reprodução ou crescimento vegetativo foi utilizada análise de correlação de Pearson.05. F0. com número de flores/comprimento da inflorescência (r2=0. O volume da copa (m3) foi estimado a partir dos dados de altura e diâmetro da copa. 1).Para testar as relações entre os indivíduos foram utilizadas regressões lineares. Para todos os testes foi considerado alfa de 5%. Resultados Em relação à análise da alocação diferencial de recursos na população de M. p > 0.05.03.05. F0. isto é. Paraná. de cada um dos ramos foram medidos o comprimento da folha basal (cm). De cada indivíduo foram medidos. Em laboratório.9=0.60. o comprimento da maior folha jovem em expansão (cm).05) e com número de folhas em expansão nos diferentes indivíduos (r2=0. a partir da média das diferentes características foliares e reprodutivas dos ramos de cada organismo.05). p > 0. considerando-se todos os ramos dos 10 indivíduos. De cada organismo foram coletados seis ramos com flores. p > 0. Já para o tamanho dos indivíduos com o tamanho das inflorescências foi encontrada relação inversa (r2=0. p > 0. Nas análises entre o tamanho dos indivíduos (DAB) e distribuição dos recursos despendidos na reprodução e crescimento vegetativo. F0. A partir desses dados foram estimados o início do período de brotamento (comprimento de folhas jovens/adultas). o comprimento do eixo da inflorescência (cm) e o número de flores de cada inflorescência. em campo. localizado na Reserva Natural do Salto Morato.05.05).01.9=0. a altura de cada indivíduo (m). número de inflorescência/volume da copa).Material e métodos O estudo foi realizado em um trecho de Floresta Ombrófila Densa. Para o tamanho da planta foi considerado o diâmetro do caule à altura da base (DAB).40. dado utilizado no estudo da relação do tamanho da planta com período de brotamento.

o número de flores. essa diferença de tamanho indica um atraso no início da fenofase dos indivíduos mais velhos. Assumindo que toda a população está submetida aos mesmos fatores ambientais que desencadeariam o processo de floração. Logo. tal como aquele gerado pela reprodução. indicando a ausência de alocação de recursos diferenciados no processo reprodutivo e de crescimento vegetativo.5454 20 25 30 Figura 1.16.0 4.0 6. Plantas perenes devem distribuir os recursos destinados à reprodução e às funções de prolongar a vida ou crescer em tamanho. Energia. sugerindo que a idade não influencia o investimento energético nos processos de crescimento e reprodução. resulta num decréscimo na entrega de outro componente de demanda (Ricklefs. Sendo o esforço reprodutivo entre as diferentes idades o mesmo. menor o tamanho médio da inflorescências. No estudo realizado não foi observada relação entre o tamanho das folhas em expansão e o das inflorescências. quando considerados o tamanho da planta e o comprimento da inflorescência observase uma relação inversa entre essas variáveis. pode-se inferir que os indivíduos mais velhos iniciaram sua floração tardiamente. qualquer acréscimo num componente de demanda.0 8. não foram observadas relações entre o tamanho da planta e o número de inflorescências. Outra possibilidade é que o período de amostragem utilizado pode retratar um momento pontual da fenologia.0 2. Considerando a relação encontrada de que quanto maior o indivíduo. 1993). Entretanto. Relação inversa do tamanho da planta (diâmetro da base) com comprimento da inflorescência de Miconia cinerascens.0 10.0 Comprimento da inflorescência (cm) 14. no caso de uma permanência da fenofase similar ao restante da população. Além disso. nutrientes e produção ocorrem de forma limitada. O resultado obtido no presente experimento pode sugerir que a disponibilidade de nutrientes ou energia não limita a reprodução de Miconia cinerascens.0 0 5 10 15 DAB (cm) r2 = 0. fato que pode ocultar uma possível existência na alocação diferencial de recursos na escala temporal.0 0. Discussão Um aumento em uma das funções do organismo impõe a ele um aumento no gasto de energia e nutrientes ou sua alocação de produção para aquela função. o número de folhas jovens e o tamanho das folhas jovens. a defasagem temporal em seu início pode representar para os indivíduos mais velhos de Miconia cinerascens uma estratégia de prolongamento de 20 .0 12.

Ecology: from individuals to ecosystems. Agradecimentos: Agradecemos à professora Márcia Marques pelo auxílio na coleta de dados e discussões. Blakwell Science. L. 21 . & Harper. 1990. Oxford. Crawley. Ricklefs. São Paulo. 1993. Joly. Rio de Janeiro. Para a confirmação da existência dessa estratégia seria necessário estudo mais prolongado visando o acompanhamento de todo o período da fenofase. 2006. Townsend. 2002. Blakwell Publishing. 1997. J. M. Reproductive ecology of tropical forest plants. C. M. S. Hadley. R. Guanabara Koogan. Também agradecemos ao professor James Roper pelo auxílio nas análises estatísticas. Plant Ecology. Londres. A. E. e conseqüentemente uma prorrogação de seu tempo de vida reprodutiva. K. J.. Paris.sua duração pela alocação de recursos em processos de manutenção do indivíduo. Parthenon Publishing Group. Referências bibliográficas Begon. B. M. & Bawa. R. Companhia Editora nacional. Botânica: Introdução à taxonomia vegetal. A economia da natureza.

2001). Palavras-chave: vocalização. número de cantos por tempo. Foi observada relação direta apenas entre a altura do poleiro e o comprimento do canto. Estudos recentes sugerem que é comum a preferência da fêmea variar dentro da população e entre populações diferentes. e número de notas do canto) estão relacionados ao tamanho dos 22 . caudas longas e chifres mais longos. com ampla distribuição nas áreas litorâneas do Sul e Sudeste do país. diferenças fenotípicas relativas à preferência ou variação individual na escolha. duração de cada canto. Essa escolha pode ainda depender de fatores associados como o risco à predação. e número de notas do canto) estão relacionados ao tamanho dos indivíduos e /ou à altura do poleiro. complexidade ambiental e tempo e custos energéticos da procura (Lea. o acesso rápido e direto dos girinos à poça. berthalutzae tem como hábito depositar seus ovos sobre folhas da vegetação que tenham proximidade com corpos d’água. tais como cor brilhante. 2001). 2000). A vocalização do macho é composta por notas agudas (Abrunhosa. Introdução A evolução da seleção reprodutiva é uma área bastante instigante da biologia evolucionária. Marília Hartmann Resumo Anuros utilizam a vocalização para diferentes situações. A vocalização neste grupo é espécie-específica e é considerada um dos principais mecanismos de isolamento reprodutivo pré-zigótico (Abrunhosa. na ocasião da eclosão dos ovos. O presente estudo teve como objetivo analisar se os atributos do canto (intensidade. O presente estudo teve como objetivo analisar se os atributos do canto (intensidade. tais como corte e territorialidade (Lea. tais como corte e territorialidade. A presença de ouvido tonado em anuros garante às fêmeas o reconhecimento e a seleção dos machos com melhor fitness. Dendropsophus berthalutzae é uma pequena perereca. podendo representar comportamento diferencial. 2000).O CANTO DE Dendropsophus berthalutzae INDICA CARACTERÍSTICAS DO MACHO? Augusto Lisboa Martins Rosa. territorialidade. A fêmea de D. Para os anfíbios anuros a vocalização é utilizada para diferentes situações. duração de cada canto. Habita a vegetação das bordas e regiões de clareira. para o desenvolvimento dos filhotes. sucesso reprodutivo. para promover. Fêmeas de várias espécies freqüentemente mostram preferência ao acasalamento com machos que apresentem formas de caracteres extremos. corte. Gabriela de Menezes Cortellete & Manuela Dreyer da Silva Projeto orientado – Profa. Cibele Munhoz Amato. indicando que os machos podem vincular sua vocalização à localização do sítio de campo. de cor parda com uma marca mais escura em forma de X na região dorsal. número de cantos por tempo.

13. tamanho e comprimento do canto (r=-0. Em uma poça semipermanente. p< 0. os indivíduos foram colocados em um saco plástico até o término das observações. sendo soltos ao final da coleta de dados.20. foram gravados dez indivíduos adultos machos em vocalização. Para testar as relações entre o tamanho dos indivíduos e os atributos da vocalização.cm). 1). para que não houvesse recaptura. Feitas as medidas. localizado na RPPN Reserva Natural do Salto Morato. A altura do poleiro foi uma medida utilizada para testar se o território utilizado pelos machos indicava algum vigor físico. por meio de procura ativa. tamanho e número de cantos por segundo ((r=-0. As gravações dos cantos foram analisadas no programa Raven.51). Resultados Não foram observadas relações entre tamanho e intensidade do canto ((r=-0.57) e altura do poleiro e número de cantos por segundo (r=0.01. Para o estudo do canto desse anuro. Paraná. p=0. No sonograma de cada macho foi medida a intensidade (decibéis).cm) e a altura do poleiro (sua posição em relação ao espelho d’água . município de Guaraqueçaba. p=0. Foi observada relação direta entre altura do poleiro e duração do canto (r 2 = 0. sendo medidos o comprimento rostro-cloacal (CRC .indivíduos e /ou à altura do poleiro. com 2340 hectares.29). foram localizados indivíduos adultos de Dendropsophus berthalutzae. que poderia ser escolhido pela fêmea e que não tivesse relação com o CRC. Após a gravação. 23 .46 .97). p=0. Material e métodos O estudo foi realizado em um trecho de Floresta Ombrófila Densa. número de cantos por segundo e duração de cada canto.05) (Fig. p=0.21. foram utilizadas regressões. com alfa de 5%.58). O canto de cada indivíduo foi gravado por um período de 30 segundos. cada indivíduo foi capturado. p=0.37. altura do poleiro e tamanho (r=-0.

Boletim do Museu Nacional 472:1-12. Reprodutive stage and history affect the phonotatic preferences of female midwife toads. Ricklefs. & Dyson. M. os machos devem fazer tudo que podem para explicitar a sua qualidade (Ricklefs. berthalutzae indica uma diferenciação entre os machos para a ocupação de determinados sítios de campo. José P. A ausência de relação entre as outras variáveis pode ser explicada pelo fato da modificação dos atributos de vocalização ser densidade-dependente e a amostragem ter sido realizada em um período com baixo número de indivíduos na poça.46. Sudeste do Brasil (Amphibia. Hylidae. Além disso. uma vez estabelecida em uma população ela intensifica as diferenças de ajustamento entre machos.0313x + 4.14 12 Altura do poleiro 10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 250 Comprimento do canto (ms) y = 0. fato observado. Lea. Agradecimentos: Agradecemos à professora Marília Hartmann pelo auxílio na coleta de dados e discussões. próximo ao corpo d’água. Animal behaviour 60: 423-427. Essa variação pode estar relacionada com uma indicação para a fêmea de um vigor físico do macho. Como a vocalização demanda energia.05). 2001. 2000. J. Vocalização de quatro espécies de anuros do estado do Rio de Janeiro. A variação da duração do canto de D. 1993. em uma baixa densidade talvez não seja vantajoso modificar as características do canto para atrair fêmeas. Alytes muletensis. as fêmeas podem escolher os machos por outras características. & Pombal Jr. Naturalmente. Discussão Independentemente de como a escolha das fêmeas surge. Leptodactylidae). H. como a sinalização visual. Wogel. Referências bibliográficas Abrunhosa.. F=6. 1993). Halliday. p<0.46 Figura 1. mas não estudado.. R. T.. a diferenciação na intesidade do canto pode indicar que o macho esteja sinalizando um local ideal para reprodução.75.9191 r2 = 0. berthalutzae realizam ovoposição sobre folhas e que os ovos necessitam de umidade. para a espécie. Guanabara Koogan. E. 24 . A economia da natureza. Considerando que as fêmeas de D. P. Rio de Janeiro. Relação positiva entre altura do poleiro e duração do canto de Dendropsophus berthalutzae (r2=0. A.

25 . Material e métodos O trabalho foi desenvolvido em uma área de capoeira da Reserva Natural do Salto Morato. Por exemplo. 1997. estão a limitação de recursos e locais de estabelecimento. na taxa de herbivoria foi medida em Marlierea tomentosa . Aqui testamos que a dependência de densidade de Marlierea tomentosa (Myrtaceae) causa o aumento nas taxas de herbivoria e patogenia (danos estruturais). provavelmente pela amostragem restrita e pela possível influência da umidade. sobrevivência durante a fase vegetativa. Herbívoros de plantas podem influenciar indiretamente na arquitetura. o aumento da densidade pode produzir efeitos sobre a dispersão de sementes. 1986). 1996). Marlierea tomentosa. Reserva Natural Salto Morato. sobrevivência da folha.2006). As variáveis que podem indicar densidade (altura. Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk Projeto livre Resumo Para testar um efeito de dependência de densidade. bioquímica e fenologia delas. germinação. segundo a hipótese de Janzen-Connel 1970 e 1971 (Crawley.. área basal. fisiologia. de três ramos coletados em três diferentes estratos verticais da copa. Introdução Dependência de densidade pode limitar populações (Ricklefs. estabelecimento da plântula. permitindo que outras espécies possam se estabelecer. os predadores e os parasitas. aumentando a diversidade de espécies. pois consomem as espécies vegetais mais abundantes do sistema. formação de flores e o número de sementes produzidas por planta (Crawley. Palavras-chave: herbivoria. 12 árvores com perímetro à altura do peito (PAP) superior a 5 cm foram avaliadas. insetos e patógenos podem funcionar como reguladores das comunidades vegetais. Marco Aurélio Bregenski. PR no dia 19/10/2006. onde a amostragem foi realizada através da estimativa de densidade por proximidade.DEPENDÊNCIA DE DIVERSIDADE E HERBIVORIA EM MARLIEREA TOMENTOSA Kelly Dayane Aguiar. dentre as quais. Para as plantas. distância entre indivíduos e proporção de danos às folhas) foram independentes da taxa de herbivoria/patógenos e densidade. diminuindo a dominância das mesmas. cinco tiveram todas as folhas classificadas e sete. Entre esses fatores. Dessa forma. que favorece uma alta densidade da espécie no local. . Begon et al.

30-60% e > 60%. onde aqueles com número maior de folhas tiveram seu valor total reduzido para 100 e aqueles com valor menor.32 + 1. os quais são calculados com base nas seguintes equações: IHA Nenhum 1 Pouco 2 Médio 3 Severo 4 IHR IHA 100 IHAmax Onde IHAmax é o valor do IHA máximo encontrado entre os indivíduos.0 Distância do indivíduo mais próximo (m) Figura 1. Além da classificação de folhas quanto à proporção relativa de danos.63 IndProx) entre o Índice de Herbivoria Relativo e a distância do indivíduo mais próximo.0 2. 100 80 IHR (%) 60 40 20 0 0. Conforme análise de regressão. Distribuição dos dados da regressão (IHR = 33.0 5.0 1. P > 0.11=0.01. F1. 0-30%. bem como a distância entre cada indivíduo e todos os outros.0 6. padronizou-se a classificação por indivíduo para 100 folhas. 1). aumentado para 100 a fim de obter um índice de herbivoria absoluto (IHA) e outro relativo (IHR).0 7. Discussão Aparentamente.0 3.Danos (herbivoria e outros) foram estimados em quatro classes: nenhum.05) entre a herbivoria e patogenia e a distância aos indivíduos mais próximos (Fig. Resultados Foram mensurados 12 indivíduos de M. provavelmente pela amostragem ter sido realizada em uma área restrita e estabelecida dentro de um agrupamento de 26 . a regressão foi utilizada com densidade como a variável independente. a herbivoria não está associada com densidade nesta população. Para testar que dependência de densidade influencia herbivoria. A partir dos dados coletados em campo.0 4. mediu-se o PAP e a altura de cada um dos indivíduos. não houve relação (r²=0.1. tomentosa.

Embora não se tenha obtido resultados com a distância entre indivíduos e o IHR.Marlierea tomentosa. M. contribuindo para a densidade da espécie verificada na área. & Harper. fato que contribui para uma umidade do solo relativamente alta (sem ocorrência de saturação hídrica). M. E. Ricklefs. J. Plant Ecology. Oxford. visto que a espécie ocorre preferencialmente em solos úmidos. 2006. indivíduos mais próximos do rio possuem maior quantidade de liquens nas folhas. L. Oxford. A Economia da Natureza. C.. Além disso. 2003. 27 . J. R. 1997. Blackwell Science. R. Ecology: From Individuals to Ecosystems. Guanabara Koogan. Townsend. Blackwell Publishing. O local de estudo está estabelecido em uma faixa de aproximadamente 30 metros na margem do rio Morato. sugere-se que ocorra diferenças na herbivoria e patogenia entre os diferentes estratos verticais da copa. Crawley. Rio de Janeiro. possibilitando uma diminuição nas taxas de herbivoria e patogenia. Referências bibliográficas Begon. Essa umidade favorece o estabelecimento de Marlierea tomentosa no local.

com fluxo unidirecional. 28 . Riqueza. Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk Projeto livre Resumo A associação entre heterogeneidade espacial dos substratos vegetação e pedra foi estudada para a ictiofauna do rio Morato. equitatibilidade e similaridade foram avaliados. diversidade. reduzindo a produtividade de algas e outras plantas e a perda de folhas contribuindo para o suprimento de organismos (Caramaschi et al. mais espécies podem ocorrer em uma comunidade do que outra devido à maior quantidade de recursos (Townsend. são determinadas por (a) fatores ambientais físicos que limitam o potencial de distribuição de espécies e (b) interações bióticas que determinam o sucesso realizado pelas espécies (Wellborn et al. 2006). A dominância de P. abundância. Introdução A distribuição dos organismos aquáticos é limitada pelo gradiente de habitats distintos. 1996). 1999). et al. rio Morato. 2006). caudimaculatus na vegetação influenciou a diversidade. causando uma alteração na paisagem e principalmente na estrutura alimentar. conduzindo a uma alta mudança de características na estrutura de comunidades. Além disso. A vegetação terrestre que margeia um riacho tem dois tipos de influência sobre a disponibilidade de recursos: sombreamento do leito do riacho. 2006). Mudanças na estrutura da comunidade ao longo do gradiente de habitats aquáticos. influenciando fortemente a composição das comunidades aquáticas (Caramaschi et al. dominância. Marco Aurélio Bregenski. partindo do pressuposto que a diversidade está relacionada à maior heterogeneidade espacial e à disponibilidade de recursos da vegetação marginal. associados a maior variação de micro-climas e refúgios. com possíveis implicações para a heterogeneidade e disponibilidade de recursos (Romanuk et al. et al. pela maior uniformidade. pois apresentam maior quantidade de micro-habitats. Townsend. Espécies são geralmente restritas a subgrupos relacionados a regiões particulares deste gradiente. Palavras-chave: diversidade. 1999. peixes. resultando em maior diversidade em pedra. A alta similaridade entre os ambientes é devida à ocorrência de várias espécies pouco abundantes.A HETEROGENEIDADE ESPACIAL ESTRUTURA A COMUNIDADE DE PEIXES? Kelly Dayane Aguiar. Ambientes mais heterogêneos espacialmente podem acomodar mais espécies. Acredita-se que ao longo do gradiente longitudinal processos a montante em rios determinam os de jusante. Os rios e riachos são ambientes lóticos. cujas características se alteram ao longo de seu curso.

1988). quatro morfoespécies de Siluriformes. sendo acondicionados em recipiente com água e depois liberados. Crenuchidae e Characidae (Characiformes). equitatibilidade de espécies e a similaridade entre os substratos de vegetação e pedras. o substrato de vegetação confere maior proteção às espécies e disponibiliza uma gama maior de recursos alimentares. Datum horizontal SAD69). 1999).51 (Colwell. abundância. diversidade. Para o cálculo da similaridade de Chao (Chao et al. Calichthyidae (Siluriformes). 7212393 W. A captura dos peixes foi realizada utilizando uma peneira (60 cm de diâmetro) e uma rede de arrasto (70x150 cm). Lowe-McConnell.Dentre os diferentes micro-habitats dos rios e riachos. 2004) utilizou-se o Aplicativo Estimate Swin 7. estando relacionada a uma maior riqueza e abundância de espécies. Desta forma. Material e Métodos O trabalho foi desenvolvido no substrato de vegetação marginal e pedra do rio Morato. pode-se esperar que no ambiente de vegetação exista maior riqueza e abundância de peixes relacionados à heterogeneidade deste ambiente quando comparado ao substrato de pedras. Reserva Natural do Salto Morato. 2005). enquanto um substrato com pedras (seixos) apresenta espécies menor quantidade de espécies e abundância devido a menor oferta de recursos. Para testar se existe diferença entre os dois substratos calculou-se a diversidade de Shannon. 1999. Os peixes de riacho apresentam padrões evolutivos característicos de estrutura de comunidade e estratégia de ciclo de vida que propiciaram uma maior diversidade de espécies associada aos diferentes micro-habitats (Caramaschi et al. quatro espécies ocorreram apenas no substrato de vegetação e quatro espécies foram comuns a ambos os substratos (Tab. 29 . duas foram exclusivas do substrato pedra. PR (Coordenadas UTM 772161 S. o objetivo do presente estudo foi comparar a riqueza. a Equitatibilidade de Pielou (Magurran. 1). Os indivíduos foram identificados e contados. em esforço padronizado de 20 peneiradas e nove arrastos em cada local. 1). Poeciliidae (Ciprinodontiformes) (Tab. Neste contexto. Os exemplares distribuíram-se respectivamente entre as famílias Loricariidae. Resultados Dentre as 10 morfo-espécies coletadas.

Guaraqueçaba-PR. P. corroborando com os resultados encontrados por Barreto & Aranha (2005).98 vegetação 8 27 0. O substrato de vegetação de um modo geral. pois este índice considera as espécies raras não identificadas na amostragem. Indicadores ecológicos Riqueza Abundância Diversidade Equitatibilidade Similaridade (Chao) pedra 6 7 0. Foram encontradas seis espécies no substrato de pedra e oito no substrato de vegetação. deve estar relacionado à maior partição de recursos.833 Discussão Neste estudo foram encontradas 10 morfo-espécies. 2005).76 0.Tabela 1. provavelmente devido à influência do tipo de 30 . Houve elevada similaridade entre os substratos (Tab. A ordem Siluriformes (cascudos) foi o grupo mais freqüente. Ordens Siluriformes Espécies Ancistrus multispinnis Cascudo morfo 1 Cascudo morfo 2 Cascudo morfo 3 Cascudo morfo 4 Coridoras barbatus Characidium lanei Deuterodon lanei Mimagoniates microleps Phalloceros caudimaculatus total pedra 1 vegetação 1 1 2 3 1 3 2 14 27 total 1 1 1 4 1 3 1 4 3 15 34 2 1 Characiformes Ciprinodontiformes 1 1 1 7 O micro ambiente de vegetação apresentou maior abundância. representou 52% da amostra na vegetação. caudimaculatus associado ao substrato de vegetação influenciou nos valores da diversidade. 2). Apesar do substrato com pedras (seixos) apresentar menor oferta de recursos. evidenciada pela maior uniformidade. que representam mais de 30% da ictiofauna registrada para o rio Morato (Barreto & Aranha. apresentou alta dominância de apenas uma espécie.68 0. cuja abundância foi mais representativa. Reserva Natural Salto Morato. Guaraqueçaba-PR. diminuindo a equitatibilidade. Lista de espécies de peixes e respectivas abundâncias nos substratos pedra e vegetação do rio Morato. que deveria estar relacionado a uma maior riqueza e abundância de espécies. Indicadores ecológicos para os substratos pedra e vegetação do rio Morato. A dominância de P.76 0. caudimaculatus. A alta similaridade de Chao (2004) entre substratos vegetação e pedra está relacionada à ocorrência de várias espécies pouco abundantes. O barrigudinho. variando entre 1 e 14 indivíduos. da Reserva Natural Salto Morato. onde a uniformidade foi mais baixa. tornando a diversidade maior no substrato de pedra dado à maior uniformidade da população. Tabela 2.

E. Begon. T. T. conclui-se que o habitat promove condições específicas para a ictiofauna. E. R. & Martinez. A.vegetação marginal Brachiaria sp. Assembléia de peixe de um riacho de Floresta Atlântica: composição e distribuição espacial (Guaraqueçaba. J. The structure of food webs along river networks. Skelly. Lowe-McConnell. K. Chazdon. P. Caramaschi. E. E. E. Colwell. L. 2004. Post. A. 1996.. Artmed. McCauley. R.. Brasil). R. A.. G. Referências bibliográficas Barreto. 2005. H. Mechanisms creating community structure across a freshwater habitat gradient. com características homogêneas. P. Harper. Chao. M. R. 31 . 2006. & Shen. J. Ecography 29:1-8.. P. L. 1988. Edusp. Estudos ecológicos de comunidades de peixes tropicais. Ecologia de peixes de riacho VI. Magurran. 2005. Estimate S: Statistical estimation of species richness and shared species from samples. Cowell... Annual Review of Ecology and Systematics 27:337-363. Jackson. 1999. Ecological diversity and its measurement. as quais poderiam estar controlando a estrutura da comunidade. 2006. Acta Scientia Biological Scientarum 27(2): 153-160. Townsend. Princeton. (eds.) 1999. & Werner. N. Princeton University. Wellborn. Romanuk. Porto Alegre. M. D. Version 7. C. R.. K. J.5. Ecology Letters 7: 148-159. L. R. Fundamentos em ecologia. e pode ser um indicador de como a comunidade de peixes é influenciada pela alteração no ambiente aquático e principalmente nas mudanças nas vegetações ripárias. K. Rio de Janeiro. São Paulo. Mazzoni & Peres-Neto.. Oecologia Brasiliensis. A new statistical approach for assessing similarity of species composition with incidence and abundance data. & Aranha. D. Assim. R.. R.. A. Paraná. N. J.

32 . a similaridade foi maior entre a área aberta e de interior de floresta. Introdução A distribuição dos anfíbios compreende todas as regiões tropicais e temperadas da Terra. 2004). 2001). Palavras-chave: diversidade. 2003). abundância. como o ambiente de floresta. poças. devido às adaptações fisiológicas. cujos micro-habitats oferecem abrigos e refúgios para os animais (Townsend et al. Com isso. 2006). morfológicas e de comportamento.. anfíbios. A estrutura e o funcionamento de comunidades agrupam um complexo de interações. Maior diversidade foi encontrada na área de borda de floresta para formas adultas e larvais. Salto Morato. diversidade. 1989). a maioria das espécies está concentrada em regiões tropicais e subtropicais (Eterovick & Sazima. representando um dos principais problemas para o conhecimento da ecologia da anurofauna nos diferentes biomas brasileiros (Juncá. o objetivo foi comparar a diversidade nos três ambientes e caracterizar a composição da anurofauna em cada ambiente. enquanto. Constatado a diferença. avaliando riqueza.DIVERSIDADE DE ANFÍBIOS ANUROS EM TRÊS AMBIENTES DIFERENTES DA MATA ATLÂNTICA Kelly Dayane Aguiar. sendo esse um fator determinante na comunidade de anfíbios que exploram a área (Cardoso et al. borda florestal e interior da floresta. Apesar dessa grande diversidade.. Desta forma. Marco Aurélio Bregenski. espera-se que exista maior diversidade de espécies em um ambiente com maior heterogeneidade. A maior diversidade observada na borda é explicada pelo distúrbio intermediário. A heterogeneidade espacial das florestas tropicais propiciam um aumento da diversidade (Townsend et al.. O presente trabalho pretende verificar a diferença entre a diversidade de anfíbios entre três ambientes distintos: área aberta. Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk Projeto orientado – Marília Teresinha Hartmann Resumo A diversidade de anfíbios foi comparada entre três ambientes distintos da Reserva Natural do Salto Morato. riqueza. 2006). os estudos populacionais de longo prazo são quase inexistentes. unindo direta ou indiretamente todos os membros da comunidade em uma intrincada teia (Rickflefs. eqüidade e similaridade entre os ambientes para adultos e girinos.

Cada captura foi colocada em sacos plásticos com água do ambiente e depois levada ao laboratório para triagem. 1988). como para girinos (Tab. das 22h às 24 horas do dia 16 de outubro de 2006. e a menor foi encontrada na área aberta (Tab. borda florestal e interior da floresta na Reserva Natural Salto Morato (Coordenadas UTM 22J. seguido pela borda e por fim o interior da floresta. Para cada ambiente foi calculada a riqueza. 2 e 3). o interior da floresta foi ambiente com a maior abundância. seguido pela borda. já para os girinos foi observado o inverso. A maior similaridade de espécies ocorreu entre o ambiente de área aberta e interior de floresta. pertencentes a duas famílias: Hylidae (nove espécies) e Leptodactylidae (uma espécie). sendo contado todos os indivíduos visualizados em atividade de vocalização e para as espécies que são difíceis de localizar os machos foi feita apenas um registro da espécie. diversidade de espécies de Shannon. A similaridade de Sørensen foi utilizada entre os ambientes amostrados (Magurran. 7212393 W. Após as análises. Os indivíduos foram quantificados por local de coleta e por morfo-espécie. 1994). Datum horizontal WGS84). foi realizado um levantamento da anurofauna. 2 e 3). A equidade dos adultos foi maior no interior da floresta. tanto para anfíbios adultos. 772161 S. realizaram-se cinco capturas com cada peneira (totalizando 15 capturas).Material e métodos Foram selecionadas três poças semi-temporárias onde ocorrem anfíbios anuros: uma em cada ambiente: área aberta. 2 e 3). eqüitabilidade de Pielou. abundância. A abundância dos adultos foi maior na área aberta. 4). 1). A maior diversidade foi encontrada na área de borda tanto para adultos quanto para girinos (Tab. formas larvais (girinos) foram coletadas utilizando três peneiras de dimensões diferentes (duas circulares – 1 m de diâmetro e 20 cm. onde foram anotadas as espécies e os respectivos números de indivíduos. os exemplares foram devolvidos para as respectivas poças. A estimativa da abundância foi realizada visualmente. Em cada ambiente. uma retangular – 2 m²). 33 . Em cada poça. Os ambientes foram percorridos de acordo com a amostragem por sítio reprodutivo (Scott & Woodward. A análise dos girinos identificou nove morfo-espécies. Resultados Foram encontrados 44 indivíduos de dez espécies de anfíbios adultos (Tab. No dia 17/10/2006 entre 7h30min e 9h30min. sendo nove por identificação visual e duas por senso auditivo que não foram incluídas para o cálculo dos índices. utilizando um gravador portátil (PANASONIC RN-305). já para os girinos a maior equidade foi observada para a borda seguida da área aberta (Tab.

469 0.681 EQUIDADE 0.Tabela 1. Atributos quantitativos da comunidade de anfíbios em fase larval em três ambientes da Reserva Natural de Salto Morato.492 34 .436 0.875 Tabela 3.738 0. ÁREA ABERTA BORDA INTERIOR RIQUEZA 4 7 4 ABUNDÂNCIA 28 194 212 DIVERSIDADE 0.213 EQUIDADE 0. ÁREA ABERTA BORDA INTERIOR RIQUEZA 2 5 4 ABUNDÂNCIA 20 16 8 DIVERSIDADE 0. Paraná.espécies registradas apenas auditivamente. Espécies Dendropsophus berthalutzae Dendropsophus microps Dendropsophus minutus Hypsiboas faber Phyllomedusa distincta Physalaemus spinigerus Scinax alter Scinax fuscovarius Scinax littoralis Scinax sp.761 1.325 1. Guaraqueçaba. Guaraqueçaba.841 0. Total Área aberta 18 0 0 0 0 0 0 0 2 0 20 Borda florestal 2 0 8 1 2 0 3 0 0 * 16 Interior da floresta 0 1 0 0 2 * 0 1 4 0 8 Total 20 1 8 1 4 * 3 1 6 * 44 * . Tabela 2.549 0.354 1. Atributos quantitativos da comunidade de anfíbios adultos em três ambientes da Reserva Natural de Salto Morato. Paraná. Relação das espécies de anuros registradas na Reserva Natural Salto Morato e suas respectivas abundâncias em cada ambiente.

consequentemente tendem a ter uma elevada riqueza de espécies (Townsend et al. A. Ramos & Gasparini. Desta maneira. ADULTO – Cs ABERTA – BORDA ABERTA – INTERIOR BORDA – INTERIOR 0.. Chazdon.364 0. W.Tabela 4. Biological Conservation 91: 241-247.) 1(1): 84-87. Cowell.750 0. Juncá. que são típicas de ambientes antropizados (Eterovick & Sazima. dificultando a análise relacionada ao padrão de diversidade caracterizado no estudo.. Verificou-se uma diversidade maior na área de borda. 2006). I. The conservation value of linear forest remnts in central Amazonia. Chao. Similaridade da comunidade de anfíbios entre três ambientes da Reserva Natural de Salto Morato. C. P. J. A maior similaridade entre os ambientes de área aberta e floresta foi influenciada pelo pequeno número de espécies (duas) que estiveram presentes em todos os ambientes. G. Ed.222 GIRINOS .. Eterovick. Referências bibliográficas Cardoso. Guaraqueçaba.286 0. & Sazima.545 Discussão Florestas tropicais apresentam uma grande complexidade estrutural. 2006).333 0. Declínio mundial das populações de anfíbios. No entanto. 2006). Andrade.. explicada pelo distúrbio intermediário (Townsend et al.Cs 0. Revista Brasileira de Biologia 49: 241-249. Belo Horizonte. & Haddad. & Gascon. A new statistical approach for assessing similarity of species composition with incidence and abundance data. F. Sitientibus (Ci. como Dendropsophus minutus. T. F. R. PUC Minas.. A. 2004) e que devido à fragmentação acabam colonizando este tipo de ambiente (Lima & Gascon. Anfíbios da Serra do Cipó: Minas Gerais – Brasil. m. Ecology Letters 7:xxx-xxx. L. A. 2001. g. 1989. Este fato pode ser explicado devido à condição intermediária da área de borda de floresta. descartando a hipótese de associação entre diversidade e heterogeneidade estrutural inicialmente proposta. R. 2004. Lima. 2004. neste trabalho foi verificada maior diversidade na borda. que possibilita uma maior coexistência de espécies. 1999. 35 . Biol. A maior riqueza no ambiente de borda de floresta pode ser explicada pela biologia de algumas espécies presentes nesse ambiente. Paraná.. Distribuição espacial em comunidades de anfíbios (Anura) no sudeste do Brasil. B. 1999). e Hypsiboas faber. espera-se uma maior diversidade no interior da floresta. C. 2004. & Shen. tanto daquelas pertencentes ao ambiente mais heterogêneo como daquelas do ambiente de área aberta (Townsend et al. V.

Standart Methods for Amphibians.. Estado do Espírito Santo. Vitória.118-125. 2004. J. Fundão. 36 . Hayek.Magurran. W. M. Ed. Begon. R. D.. L. L. pp. E. J. New Gersey. A. 2003. Princeton University Press. Standart techniques for inventory and monitoring: Surveys at breeding sites. N. A Economia da Natureza. B. & Gasparini. J.. Porto Alegre. R. 1988. S. Washigton D. Rio de Janeiro. W. M. C. A. Townsend. Fundamentos em Ecologia. Donnelly. Smithsonian Institution Press. Gráfica Santo Antônio. R. & Foster. D. M.. Scott Jr. R. E. L. C. Measuring and Monitoring Biological Diversity. & Harper. Ricklefs. Anfíbios do Goiapa-Açu. 1994. Ecological diversity and its measurement. Ramos. & Woodward.. 2006. Guanabara Koogan.. McDiarmid. A. Artmed Ed. In: Heyer. C.

fato que resulta em uma maior diversidade. 2005. 2006). A capoeira se caracteriza visualmente pela dominância de Tibouchina pulchra no estrato superior e por Miconia cinerascens no estrato inferior. Portanto. A maior diversidade funcional está relacionada a uma maior eficiência em termos de produtividade. Alguns desses efeitos no ecossistema surgem exatamente das diferenças funcionais entre as espécies. Resumo Comparamos a diversidade funcional entre dois ambientes em estádios sucessionais diferentes da Reserva Natural do Salto Morato. Os atributos altura. Introdução As medidas de diversidade tradicionais comumente utilizadas estão relacionadas a observações que não têm um efeito direto do número de espécies sobre os processos ecossistêmicos (Ricotta. Salto Morato. Neste sentido. Desta maneira. Já a capoeirinha por ter uma diversificação de ambientes. procurando prever como a diversidade funcional (DF) varia ao longo desse processo. provavelmente por apresentar tanto espécies iniciais quanto tardias. 2005).Prof. quando comparada à outra área em estádio sucessional menos avançado. onde se estudou a vegetação de dois ambientes pertencentes a diferentes estádios sucessionais da Mata Atlântica (Capoeira e Capoeirinha).DIVERSIDADE FUNCIONAL DE ESPÉCIES ARBÓREAS EM CAPOEIRA E CAPOEIRINHA Kelly Dayane Aguiar. resultando em uma maior diversidade funcional na área com estádio sucessional menos avançado. a diversidade funcional torna-se uma alternativa aos índices tradicionais. espera-se que a diversidade funcional seja maior na área em estádio sucessional mais avançado. partindo do pressuposto que uma maior diversidade funcional está relacionada a uma maior estabilidade ambiental. área foliar e área basal de espécies arbóreas foram avaliados. Petchey & Gaston. resiliência e resistência a invasores. Marco Aurélio Bregenski. este estudo objetiva comparar a diversidade funcional entre duas áreas sucessionais distintas em floresta pluvial atlântica. formada por áreas abertas de composição arbórea esparsa com Brachiaria 37 . 2006). Projeto orientado . Capoeirinha. Marco Batalha. relacionada à maior estabilidade ambiental (Townsend. Palavras-chave: diversidade funcional. Capoeira. Materiais e Métodos A pesquisa foi realizada na Reserva Natural Salto do Morato – Guaraqueçaba – PR. pois agrega características funcionais das espécies que indicam como as comunidades operam dentro do ecossistema e não apenas a presença e abundância de espécies (Ricotta. Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk.

e a cada 10 metros foi lançado um ponto-quadrante para a seleção das espécies a serem amostradas. 1 e 2 respectivamente).91 0 7 60.15 1 8 47. Para cada indivíduo amostrado. Posteriormente foram somados os comprimentos de cada ramo do dendrograma.72 0 5 10.41 1 5 33. Tabela 1.49 4.0 (SAS) para o cálculo da análise de agrupamento. 1). gerando um dendrograma com base na distância euclidiana com a matriz padronizada. para o cálculo da área basal.47 23.33 1 6 407.53 18. Psidium guajava Senna multijuga Solanum sp. No levantamento da vegetação arbórea. Resultados Foram encontradas 19 espécies na capoeirinha e 14 espécies na capoeira (Tab.54 0 4 32.26 5. totalizando 12 pontos-quadrantes.96 0 38 .12 0 6 15. área foliar.60 13.91 0 15 894.47 0 4 10.14 0 9 73.22 0 16 150. cujos parâmetros utilizados para a construção da matriz foram: altura. Tibouchina pulchra Altura (m) Área basal (cm²) Área foliar (cm²) Leguminosae 6 472.43 31.46 16.68 51. Calculou-se a diversidade funcional segundo Petchey & Gaston (2002).54 1. A área de capoeira (DF = 699) apresentou uma menor diversidade funcional do que a capoeirinha (DF = 2742) (Fig. Espécie Andira fraxinifolia Casearia obliqua Cecropia glaziovii Citharexylum mirianthum Dalbergia brasiliensis Jacaranda puberula Lauraceae 01 Leguminosa 01 Machaerium acutifolium Miconia cinerascens Morfo 01 Morfo 02 Morfo 03 Myrsine coriacea Piper sp.44 0 6 103. foi estimada a altura e com auxílio de uma fita métrica foi medido o PAP.32 0 4 13. (resultante de pastagens existentes anteriormente na área) e por alguns núcleos de dispersão composto de espécies iniciais e tardias remanescentes. e assim obtendo o valor da diversidade funcional.07 0 10 314.61 7. foi percorrida uma transecção em cada ambiente.29 1.75 15. Com esses dados se construiu uma matriz de similaridade com o software JMP 5. tendo sido coletado um ramo de cada espécie para a identificação e cálculo da área foliar de todas as folhas do ramo.66 0 11 418.sp.07 1 8 38.66 5. Lista de espécies e atributos mensurados na Reserva Natural Salto Morato para o cálculo da diversidade funcional na capoeirinha.53 49. área basal e se era leguminosa ou não.53 2.46 1 4 20.95 28.40 0 6 35.71 224.59 89.01 142. O critério utilizado para a seleção de indivíduos foi o perímetro à altura do peito (PAP) superior a 10 cm.

51 19.04 1 9 46.80 58. 39 .85 0 9 47. 2005). capoeirinha (a) e capoeira (b).15 55.77 0 13 149. que possibilita a ocorrência de espécies tanto em estádios sucessionais mais avançados como em estádios menos avançados.37 1 4 18.78 30. Dendrograma de similaridade entre as espécies amostradas nos ambientes. Espécie Andira fraxinifolia Casearia obliqua Cecropia glaziovii Endlickeria paniculata Inga edulis Lauraceae 01 Miconia cinerascens Morfo 03 Morfo 04 Myrsine coriacea Myrtaceae 01 Psidium guajava Rubiaceae 01 Tibouchina pulchra Altura (m) Área basal (cm²) Área foliar (cm²) Leguminosae 6 221.39 21. constituindo-se em um ambiente de condição intermediária de desenvolvimento.35 0 11 152. provavelmente por apresentar espécies em diferentes estádios sucessionais.23 0 3 8. Lista de espécies e atributos mensurados na Reserva Natural Salto Morato para o cálculo da diversidade funcional na capoeira.57 0 5 14.27 21.56 0 6 16.11 0 10 37. sugerindo que a sucessão não é um processo linear (Ricotta.44 55.51 14.04 17.78 0 8 76.58 0 14 172.75 88.Tabela 2.44 56.27 133.74 47.72 0 7 58. Discussão Encontrou-se maior diversidade funcional na capoeirinha.00 0 1 15 17 6 14 3 7 10 5 8 13 16 4 18 2 9 11 12 1 a 9 7 5 10 12 8 11 2 6 3 4 13 b Figura 1.44 20.93 0 5 25.

L.Entretanto. J. 1998). Townsend. 2005. O. Through the jungle of biological diversity. C. enquanto os índices tradicionais são calculados com base na dominância das espécies (Ricotta. o qual além de considerar as espécies presentes no ambiente. 2005. Pode-se contornar isso fazendo uso concomitante do índice de diversidade taxonômica. de modo que possam contribuir para a compreensão dos processos envolvidos (Ricotta. & Warwick. atende à abundância dessas espécies (Clarke & Warwick. subestimando a importância das espécies dominantes para o controle dos processos ecossistêmicos. 40 .. R. Atributos morfofisiológicos. Journal of Applied Ecology. L. Functional diversity: back to basics and looking forward. A taxonomic distinctness index and its statistical properties. M. Com a evolução do processo sucessional. K. Ecology letters. 2006. 2006. R. A escolha dos atributos utilizados para o cálculo da diversidade funcional deve estar relacionada diretamente aos objetivos do estudo. R. Begon. Fundamentos em Ecologia. 1998. ocorrência de epífitismo e espécies de agentes polinizadores são de grande valia para um ajuste adequado da diversidade funcional. Um dos problemas relacionados ao índice de diversidade funcional é que não leva em conta a abundância dos indivíduos. & Gaston. J. C. 2006). 35:523-531.. Petchey. Artmed Ed. Petchey & Gaston. 2005). a redução no número de espécies iniciais ocasiona a redução da diversidade. Porto Alegre. M. & Harper. Referências Bibliográficas Clarke. Ricotta. 9: 741-758. K. num primeiro momento espera-se que ocorra o aumento da diversidade funcional ocasionada pelo acréscimo da quantidade de espécies tardias. Acta Biotheoretica 53: 29-38.

temperatura. uma delas natural e outra antropogênica. 2001). a mudança desses fatores tornaria o ambiente desfavorável para elas (Primack & Rodrigues. 2001). Marco Aurélio Bregenski. ecótones e na sucessão ecológica os ambientes em estádios iniciais funcionam como borda para ambientes em estádios mais avançados. Bierregaard et al. heliófita. Eduardo Arcoverde Resumo Foi avaliado o efeito de borda florestal sobre os indivíduos de Miconia cinerascens em dois ambientes: borda e interior de capoeira. aonde chega a ser a espécie predominante (Lorenzi. 2000). no qual as camadas de folhas estão sobrepostas e se sombreiam mutuamente. A cobertura vegetal fechada funciona como um sistema de assimilação. Para os demais parâmetros não foi observado diferença entre os indivíduos. Já as bordas antropogênicas têm origem na fragmentação do ambiente (Primack & Rodrigues. 2002). A borda natural tem origem nas margens de rios. muito comum em capoeiras. 41 . Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk Projeto orientado – Prof.. Miconia cinerascens é uma planta perenifólia. (Kapos. a radiação que penetra é interceptada e utilizada gradualmente (Larcher. Palavras-chave: efeito de borda. Esta pesquisa sugere que efeitos de borda podem ser sutis. Introdução A borda florestal pode ter duas origens distintas. O microambiente numa borda de floresta é bem diferente do seu interior. Miconia cinerascens. enquanto a fluorescência basal foi maior no interior da capoeira. 1989. As plantas de sombra aproveitam melhor a radiação em comparação com as plantas de sol (heliófilas). tais como: área foliar. Rodrigues. 2000). fluorescência basal. Esse ambiente acaba sendo mais desfavorável a espécies pioneiras. A cada profundidade da cobertura vegetal. Uma vez que determinadas espécies de plantas são adaptadas a uma certa amplitude de temperatura. característica da vegetação secundária da Floresta Pluvial Atlântica. e alcançam bem mais rapidamente o ponto de saturação à radiação enquanto plantas de sol estão aptas a utilizar melhor altas intensidades de radiação (Larcher. Alguns dos efeitos mais importantes são alterações nos níveis de luz. ou inexistentes. 1992. Foram coletados ramos foliares de 20 espécimes para análise de parâmetros morfofisiológicos. umidade. umidade e níveis de luz. razão foliar. fluorescência basal e taxa de herbivoria.EFEITO DE BORDA NA MORFOFISIOLOGIA DE MICONIA CINERASCENS Kelly Dayane Aguiar. morfofisiologia. A espessura da folha foi maior na área de borda. capoeira. espessura da folha. 1998).

UK) para a estimativa de quantidade da clorofila. PR (Coordenadas UTM 772161 S. Os indivíduos amostrados no interior da capoeira estavam distantes 30 a 40 metros da borda. Foram amostrados 20 espécimes de Miconia cinerascens. Para cada indivíduo amostrado foi retirado um ramo terminal com folhas para a determinação de parâmetros morfofisiológicos dos indivíduos. Datum horizontal SAD69).O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito da borda florestal sobre os atributos morfofisiológicos da espécie.13. A fluorescência basal é maior no interior da capoeira (t=2.01cm. (2) 6 a 15%. A espessura das folhas é maior na borda (t=2. O intervalo de confiança (a) foi de 5%. (3) 16 a 25%. Material e Métodos O trabalho foi desenvolvido em uma área de capoeira da Reserva Natural do Salto Morato. Para cada folha selecionada do ramo foi feito um molde com a área total (excluindo danos causados pela herbivoria) em papel sulfite e pesada. Fig. Para o cálculo da taxa de herbívoria as folhas foram dividas em cinco classes de acordo com o grau de herbívoria. 7212393 W. GL=18. devido às diferenças que existe entre esses dois microambientes. e a espessura da folha com um paquímetro digital com precisão de 0. A taxa de herbivoria foi medida através do teste do x2. Todas as folhas dos ramos foram medidas no seu comprimento e largura com o auxílio de uma régua com precisão de 1mm para o cálculo da área foliar utilizando a fórmula da elipse. P<0. Essa metodologia foi aplicada para verificar a validade do método de estimativa visual. 1). Espera-se que as plantas do interior da floresta sejam diferentes morfofisiologicamente das que habitam a borda. A borda foi considerada a distância com até cinco metros a partir da área aberta. P<0. desta forma. Fig. Os ramos e as folhas foram secados em estufa para a obtenção do peso seco para calcular a razão de área foliar. 10 deles na borda da capoeira e 10 no interior. através de uma estimativa visual: (1) de 0 a 5% da folha foi perdida na herbivoria. Hansatech. 2).05. Posteriormente foram recortados os pontos marcados com herbivoria e novamente pesados. Para os atributos morfofisiológicos dos espécimes tanto de borda como do interior da capoeira utilizou-se teste t.05. 42 . Resultados Dos dados mensurados e comparados entre borda e interior apenas dois aspectos foram diferentes entre os ambientes.55. (5) 51 a 100%. (4) 26 a 50%. GL=18. pode-se aferir a taxa de herbivoria. que é a porcentagem de tecido fotossintético. Para análise dos dados foi utilizado teste t pareado para comparação das metodologias de avaliação da taxa de herbivoria. Em laboratório os ramos foram desfolhados e de cada um deles foi selecionado aleatoriamente uma folha para a medição da fluorescência basal com o auxílio de um fluorômetro (FMS2.

P>0.3 0. não sendo necessário a utilização de técnicas mais acuradas.05 0 Borda Mata Figura 1. GL=10. Guaraqueçaba-PR.05) e a razão da área foliar (t=1.44.05) não apresentaram diferenças.05)..05). 43 .15. e isso foi evidenciado para os indivíduos de M. quando se pretende classificar categorias de herbivoria. fato que evidencia o efeito da borda nas características morfofisiológicas da espécie. P>0. GL=3. Plantas em ambientes com pouca incidência de luz geralmente apresentam uma maior quantidade de clorofila (Lambers et al.1 0. Média da fluorescência basal das folhas dos indivíduos de M. cinerascens da borda e do interior da capoeira da Reserva Natural Salto Morato. 0. Guaraqueçaba-PR. Discussão Tanto a estimativa da quantidade de clorofila quanto à espessura foliar foram diferentes entre a borda e o interior da capoeira. 470 460 450 440 430 420 410 400 390 Borda Mata Figura 2. A taxa de herbivoria não foi diferente entre os ambientes ( 2=2. GL=18. P>0.35 0.15 0. cinerascens do interior da capoeira.A área foliar (t=0. P>0.25 0.13. GL=18. A metodologia de estimativa visual da taxa de herbivoria mostrou-se eficiente quando comparada com a de modelos em papel (t=1.54. 1998). Média da espessura foliar dos indivíduos analisados da borda e do interior da capoeira da Reserva Natural Salto Morato.2 0.

Lambers. E. RiMa Editora. A. observamos um maior número de ramos nos indivíduos de borda. Este fato não foi observado. 2002. Chapin III. E. Lovejoy. H. Larcher. & Rodrigues. Londrina. Referências bibliográficas Bierregaard Jr. teoricamente exigente de luz. cinerascens não ocorrem no tamanho foliar nem no nível do ramo. o que deveria afetar negativamente o investimento em defesa contra herbívoros (Lambers et al. Effects of isolation on the water status forest patches in the Brazilian Amazon. T. Springer. 44 . L. F. Além disso. embora não tenha sido testado. Nova Odessa. E. Santos.. Instituto Plantarum. Gráfica e Editora Midiograf. Foi caracterizado que as respostas em M. Plant Physiological Ecology. Kapos. Kapos. Edge effects on the regeneration of forest fragments in north Paraná. cinerascens ser uma espécie pioneira. 1998). A. Journal of Tropical Ecology 5: 173-185. V. R. S. Vol 1.. W. Harvard University. R. Lorenzi. 2000. São Carlos. B. R. 2002. 1998. H. Rodrigues. 1989. Bioscience 42: 859-866. 1998. O. Tese de PhD. Ecofisiologia vegetal. Árvores brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. o grau de herbivoria foi similar entre as áreas. T. New York.& Pons. apesar de M... W. 1992. Biologia da Conservação.. V.Indivíduos do interior da mata geralmente apresentam uma menor capacidade de assimilação de carbono em comparação a exemplares de áreas mais abertas. & Hutchings. The biological dynamics of tropical rainforest fragments.. Primack.

2004 apud Jordano et al. processo pelo qual sementes são removidas das imediações da plantamãe para distâncias “seguras”. Mata Atlântica. onde foi traçada uma transecção em cada comunidade e a cada 10 metros foi lançado um ponto-quadrante para a escolha dos indivíduos a serem amostrados. Materiais e métodos O trabalho foi desenvolvido na Reserva Natural Salto Morato – Guaraqueçaba–PR. No levantamento da vegetação arbórea. Palavras-chave: síndrome de dispersão. pois levará ao estabelecimento de novas plantas adultas. No aspecto reprodutivo. (2006). possui grande importância para o ciclo de vida da maioria das plantas (Howe & Miriti. Michel Varajão Garey & Rafael Eduardo Serathiuk Projeto orientado . Analisando as síndromes de dispersão de 24 espécies arbóreas investigadas. 2005). quando comparada a outra área em estádio sucessional inicial. foram utilizados os dados de Aguiar et al. a zoocoria foi encontrada com maior freqüência em ambiente de capoeira enquanto os outros tipos de dispersão como anemocoria e autocoria ocorreram na capoeirinha. o conjunto de características morfológicas dos propágulos indica uma adequação entre a planta e os vetores de dispersão. Marco Aurélio Bregenski. espera-se que os modos de dispersão também variem nas comunidades vegetais e tais ajustes poderiam explicar os processos de colonização e regeneração de espécies vegetais (Marques & Oliveira. Foi estudada a vegetação de dois ambientes pertencentes a diferentes estádios sucessionais da Mata Atlântica (Capoeira e Capoeirinha). objetivou-se testar com o presente estudo se a freqüência das síndromes de dispersão em espécies arbóreas está relacionada com o estádio sucessional da comunidade. Como as interações bióticas e abióticas variam entre os ambientes. sucessão Introdução A dispersão de sementes. zoocoria. O critério utilizado para a seleção de indivíduos foi o 45 . 2006). Márcia Marques Resumo As síndromes de dispersão foram comparadas entre dois ambientes em estádios sucessionais diferentes na Reserva Natural do Salto Morato. Desta forma.SÍNDROMES DE DISPERSÃO DE ESPÉCIES ARBÓREAS DE CAPOEIRA E CAPOEIRINHA NA MATA ATLÂNTICA Kelly Dayane Aguiar.Profa. partindo do pressuposto que a dispersão por animais é maior na área em estádio sucessional mais tardio. Quanto mais eficiente for esse ajuste mais otimizada será a dispersão e consequentemente as condições para germinação da semente e o estabelecimento da planta serão melhores.

O intervalo de confiança (a) foi de 5%. Na capoeirinha. 2005) com base em que foi feita a classificação da espécie de acordo com a síndrome de dispersão (zoocórica. A partir da lista de espécies. anemocoria e autocoria entre as comunidades. Lorenzi..4%) tinha dispersão zoocórica e uma menor proporção era anemocórica (14. foram tomados dados da morfologia de frutos e sementes na literatura (Barroso et al. Resultados Das 34 espécies analisadas na capoeira e capoeirinha a maior parte (79. GL=1. 1999. anemocórica ou autocórica). Espécies amostradas na capoeira e capoeirinha e as síndromes de dispersão correspondentes. 1972.9%) (Tab. P=0.05). No estádio sucessional mais avançado a zoocoria foi a síndrome de dispersão mais freqüente (G=3.perímetro à altura do peito (PAP) superior a 10 cm. 1). de acordo com os critérios de Pijl. O teste de contingência foi utilizado para calcular as diferenças nas freqüências de zoocoria.81.7%) e autocórica (5. Marques & Oliveira. Tabela 1. a dispersão não zoocórica (anemocoria e autocoria) é proporcionalmente mais evidente que no estádio mais avançado (Fig 1). Espécie Alchornea glandulosa Andira fraxinefolia Aniba firmula Apocynaceae sp 1 Casearia obliqua Cecropia glaziovii Chrysophyllum marginatum Citharexylum mirianthum Cupania oblongifolia Dalbergia brasiliensis Endlicheria paniculata Euterpe edulis Fabaceae sp 1 Guapira opposita Hyeronima alchornoeides Inga edulis Jacaranda puberula Lauraceae sp 1 Machaeriu maculeatum Marlieria tomentosa Miconia cinerascens Myrsine coriacea Myrtaceae sp 1 Ocotea sp 1 Ormosia arborea Pera glabrata Piper sp 1 Psidium guajava Rubiaceae sp 1 Rubiaceae sp 2 Rubiaceae sp 3 Senna multijuga Solanum sp 1 Tibouchina pulchra Síndrome de dispersão Zoocórica Zoocórica Zoocórica Anemocórica Anemocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Anemocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Anemocórica Zoocórica Anemocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Zoocórica Autocórica Zoocórica Autocórica 46 . 2002.

com maior proporção de anemocoria em relação a plantas de estádios mais avançados. com grande proporção de espécies zoocóricas (Pijl. Guaraqueçaba. Já as plantas tardias em geral apresentam sementes maiores e frutos carnosos. reprodução e estabelecimento das plantas estão relacionados aos estádios da sucessão dos quais as espécies participam. 47 . em forma de balão. bem como as variações nas formas de crescimento. podendo ser voadores. 1972). PR. Plantas de estádios iniciais apresentam sementes pequenas e frutos secos. sem depender de outros vetores (Pijl. Isso evidencia que espécies pioneiras são eficientes colonizadores e se reproduzem rapidamente. Discussão O mecanismo de dispersão por animais. a zoocoria é comum nas regiões tropicais. Da mesma forma. alados ou plumosos. resultando na ampliação das interações mutualísticas. De modo oposto. A dispersão autocórica está relacionada a um mecanismo de dispersão próprio. 1972). dispersão pelo vento. Com base nos resultados obtidos. O acréscimo em plantas zoocóricas mostra um processo conjunto de aumento em espécies zoocóricas e aumento da fauna no local. observa-se que a evolução do processo sucessional na Reserva Natural Salto Morato resulta na redução da quantidade de espécies com síndromes de dispersão não zoocóricas e aumento daquelas zoocóricas. plantas zoocóricas são as que mais contribuem para a colonização de ambientes iniciais e aumentam em proporção conforme a sucessão ocorre. a anemocoria.25 20 Frequência 15 10 5 0 capoeirinha Não Zoocórica Zoocórica capoeira Figura 1. é proporcionalmente mais importante em formações vegetacionais abertas. Reserva Natural Salto Morato. cujos diásporos possuem características como substâncias químicas atrativas e tecido carnoso. ao passo que espécies tardias se reproduzem de forma mais lenta e dependem do mutualismo dispersivo com a fauna. Freqüência de ocorrência das síndromes de dispersão em comunidades de capoeira e capoeirinha. A diferenciação na composição florística e diversidade da vegetação. onde os diásporos são transportados a longas distâncias.

E. Viçosa. V. 2. M. Morim. Biologia da conservação: essências. Lorenzi. Pijl. L. M. Plantarum. R. Vol.. F. A. 1. H. C. M. 2002. M. Principles of dispersal in higher plants. F. In: Rocha. G. Sluys. 2005. M. Editora UFV. G. P. & Oliveira. M. C. Vol. A. História Natural e Conservação da Ilha do Mel. Características reprodutivas das espécies vegetais da planície costeira.Referências Bibliográficas Barroso. Biologia da Conservação: Essências. & Ichaso.. M. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil..1972. Alves. 2006. L. Lorenzi. M. São Carlos. Peixoto. Curitiba. Ed. 1999. RiMa Editora. Marques. Frutos e sementes: morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôneas. São Carlos. L. & Britez. Galetti. M. F. & Silva. G. R. Ed. P. Ligando frugivoria e dispersão de sementes à biologia da conservação. D. Editora UFPR. C. V.. Plantarum. 2006. H. 48 . & Alves. M. A. M. C.. New York. Nova Odessa. Springer Verlag... S. In: Marques . W. A.. RiMa. 2006. 2002. Jordano. Beragallo. Bergalo. Pizo. C. M. Nova Odessa. M. H. A. Sluys.. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Rocha. M. S. H.

diâmetro vertical e altura do solo foram medidos em cada teia. a serrapilheira e variados estratos da vegetação (Buzato et al. Recomendamos uma maior precisão de medidas e maior número de amostras. forrageo ótimo. As capturas de presas por teia foram registradas.COMPARAÇÃO DE EFICIÊNCIA DA CAPTURA POR TEIAS DE ARANHAS EM FLORESTA OMBRÓFILA DENSA Ana Luiza Gandara Martins. O comprimento. a existência de glândulas de veneno e a confecção de teias de captura para as espécies que possuem a tática de “senta e espera” para obtenção de alimento (Buzato et al. Material e Métodos O estudo foi realizado em uma trilha na Reserva Natural Salto Morato. forma. Assim. 49 . como por exemplo. está relacionada à sua forma e estratificação vertical. sendo que a maioria das espécies vive em ambientes bem definidos. E as glândulas de veneno podem imobilizar rapidamente as presas. Paraná. minimizando o gasto de energia e otimizando o tempo de manipulação da presa (Buzato et al. A combinação dos dois fatores pode influenciar a eficiência de captura. No total. geralmente são muito móveis. Taxas de captura das teias são baixas. 2003). este trabalho teve dois objetivos: (1) testar se a forma e a estratificação das teias variam. tamanho e distribuição de diferentes teias e a sua eficiência foram comparados em 15 teias. não foram comprovadas diferenças nas eficiências delas. teia de aranha. quatro observações de forrageio em cada teia com intervalos de 20 min foram realizadas. predação. As aranhas pertencem a um grupo diverso que ocorre em todos os ambientes no Brasil. (2) testar se a eficiência das teias na captura de presas. como por exemplo. as teias foram visitadas a cada 20 minutos durante uma hora para avaliar a predação durante este intervalo. Para testar esta hipótese. e a variabilidade das teias escolhidas foi alta. 2003). a diversidade de aranhas pode tender a acompanhar a estrutura e a complexidade da fisionomia vegetal (Paiva et al. 2002). As teias são armadilhas para aumentar a eficiência na captura do alimento. Assim. Após esta caracterização. sendo particularmente abundantes em áreas de vegetação densa. Palavras-chave: aracnídeos. A trilha foi percorrida na procura de teias até que 15 teias fossem encontradas. A combinação entre heterogeneidade de ambientes e recursos alimentares pode influenciar a composição de comunidades de espécies. tanto novas quanto velhas. que também foi designada em duas classes: circular e irregular. em uma área de estágio intermediário de sucessão de Floresta Ombrófila Densa de Mata Atlântica. Varias adaptações possibilitam às aranhas a captura das presas que. Cristiane Hiert & Denilson Roberto Jungles de Carvalho Projeto Livre Resumo As teias são armadilhas que reduzem o gasto energético da caça A estratificação. 2003).

Para testar se eficiência na captura (ausente/presente) foi influenciada por diâmetro e altura da teia. o Teste t de Student foi usado.7 0. nem comprimento (F.4 0. Comparação entre as médias de forma e distância do solo nas teias amostradas. 1 0. Figs. 3).1 0 irregular Formas circular Figura 1.6 0.Para testar se forma influencia forrageio.05 (Fowler & Cohen. P > 0.05. diâmetro vertical da teia (F. diâmetro e altura. Fig. P > 0. 1.59. 50 .9 0. P > 0. O alfa utilizado foi de 0. Em total.05) nem altura ( t=0.5 0. Resultados A taxa de captura total foi baixa. P > 0. a regressão logística foi usada.2 0.05).05. Comparação entre as médias de forma e registro de atividades de forrageio nas teias amostradas. GL=13. Captura de presas também não foi associado com altura (F. 2).05). P > 0. GL=13. 18 eventos de captura foram registradas. 120 100 Distância do Soloabi 80 60 40 20 0 irregular Formas circular Figura 2.3 0. com menos de dois registros no total por teia. 1990). Forma da teia não foi associada com forrageio (t=0.8 Registro de Forrageioabi 0.48.

Discussão A relação entre as características das teias e eficiência de captura não foi visível nesta pesquisa. Embora a variabilidade de eficiência não tenha sido observada. vistorias podem ser feitas no primeiro momento para estabelecer a quantidade de presas iniciais e no final da pesquisa. Isso pode ser por várias razões que listamos aqui no interesse de proporcionar informações para pesquisas futuras. ou ter um número muito maior de teias. Então. se o projeto futuro for realizado durante apenas uma noite. as teias são energéticamente caras e podem variar conforme a espécie. desde que o esforço amostral foi subestimado e a variabilidade das teias foi maior do que esperado. 2) A precisão das medidas deve ser otimizada de forma que permita estimar a área de captura da teia. então é importante ou mais tempo entre capturas. altura da teia (B) e largura da teia (C) com o registro das atividades de forrageio respectivamente nas teias amostradas. acredita-se que este projeto piloto funcionou na obtenção de informação de como fazer a pesquisa. Baseado em uma análise de poder. para se ter tempo de captura. 3) um intervalo maior entre revisão das teias é importante. seria necessário um número mínimo de 50 teias para representar a variabilidade dessas. A taxa de captura é baixa em geral. para contar os itens novos.Figura 3. 1) Desde que teias são bem complexas. 51 . de cada tipo de teia. Em adição. Relação entre distância do solo (A). deve-se escolher um tamanho amostral maior.

J. Practical statistics for field biology. Fowler. São Paulo.A. Campo Grande. S. Editora Oeste.. F. Ecologia do Pantanal – curso de campo. Santos. C. 52 .. & Fischer.. P. Paiva. Philadelphia. A.. Instituto de Biociências. Livro da disciplina ecologia de campo.R. Pivello. 1990. L. Araújo. 2002.F. Amaral. W. Souza. 2003. & Mantovani.V. & Cohen.L. E. V.A. P.C. L. Bueno.C.. Open University Press.P.Referências Bibliográficas Buzato.

características estruturais da poça e presença de predadores no ambiente (McDiamird & Altig. Comparando-se com o ar. este trabalho teve como objetivo avaliar a relação da abundância de girinos em poças localizadas em diferentes ambientes. 2000). Palavras-chave: girinos. Cristiane Hiert & Denílson Roberto Jungles de Carvalho Projeto Livre Resumo O trabalho objetivou avaliar a influência de parâmetros químicos e estruturais de seis poças em ambientes de mata. As poças temporárias e permanentes. mata atlântica. Foram realizadas 10 amostragens com peneira. Introdução O declínio global de determinadas populações de anfíbios é freqüentemente relacionado à grande sensibilidade a alterações ambientais. 1999). o que dificulta seu enquadramento taxonômico em nível específico (Heyer. sendo que a ausência de padrão pode refletir a influência da historia natural das espécies de anfíbios na escolha dos sítios de desova. Alguns parâmetros químicos podem influenciar as formas de vida aquática. quanto maior a quantidade de matéria orgânica na água. pois causam perturbações ambientais e conseqüentes alterações na composição das comunidades. Os girinos são caracterizadas por uma grande diversidade morfológica. O sucesso reprodutivo das espécies está ligado a diversos fatores bióticos e abióticos. como também pelo uso de habitats aquáticos e terrestres por larvas e adultos respectivamente (Blaustein & Kiesecker. a partir de parâmetros estruturais e químicos. diferem quanto à composição de espécies. anuros. 2003). ou pela presença de espécies que apresentam reprodução explosiva (Skelly. Assim. como o sítio de vocalização e características do canto. Não foi encontrada qualquer relação entre as características das poças e a abundância de girinos. a água possui pouco oxigênio dissolvido (pois se trata de um gás pouco solúvel). usadas como sítios de desovas pelos anfíbios. menos oxigênio dissolvido. cuidado parental (observado em algumas espécies) e também pelas condições do ambiente de desova (Duellman & Trueb. localização do sítio de desova (em decorrência do modo reprodutivo da espécie). escolha do macho pela fêmea para o amplexo. e conseqüentemente as espécies devem possuir capacidade de adaptação a esses meios para sobreviver (Dias et al. 2002). especialmente pela ocorrência de espécies ditas oportunistas. que cumpre papel importante na decomposição da matéria orgânica. sítios de desova. 53 . borda e área aberta em relação à abundância de girinos.ABUNDÂNCIA DE GIRINOS E SUA INTERAÇÃO COM FATORES BIÓTICOS E ABIÓTICOS Ana Luiza Gandara Martins. distribuídas uniformemente em cada uma das poças. 1973). A taxa de sobrevivência dos girinos varia de acordo com a espécie e depende de alguns fatores como: durabilidade da poça onde foi colocada a desova. 1986). Dessa forma.

05. e liberados ao final da amostragem. Foram escolhidas duas poças em cada ambiente sendo: duas em mata. observou-se que não houve diferença na abundância de girinos (F2. duas em local aberto e duas em áreas de borda. Fig. 1). 54 . Todas as poças foram medidas quanto a sua largura. o qual utiliza de métodos colorimétricos para medição.Material e Métodos O estudo foi realizado em seis poças na Reserva Natural Salto Morato.57). 1: Abundância de girinos em poças nos ambientes de mata. Porém. foram utilizados testes de correlação de Pearson. bem como entre a área total de cada poça e a abundância. comprimento e profundidade. sendo analisados dois parâmetros. o que poderia ser evidenciado com o aumento do número amostral. uma redonda com 1m de diâmetro e malha de 0. Já para testar a abundância de girinos entre os três ambientes amostrados. O alfa utilizado para os testes foi de 0. foi utilizada a análise de variância (ANOVA). ao redor de toda a poça e quando possível próximo ao centro da mesma.3=0. Fig.05). pôde-se observar uma tendência à relação inversa entre tais variáveis (r=. na análise da relação entre a área da poça e a densidade de girinos.51. Para verificação da relação entre os parâmetros químicos e a abundância de girinos. Paraná.05 (Fowler & Cohen.0. cinco com cada peneira. 1990).005cm. Foram efetuadas 10 amostragens em cada poça. borda e área aberta. p>0. oxigênio dissolvido (OD) e demanda química de oxigênio (DQO). Os indivíduos capturados foram contados e guardados em sacos plásticos. Para as análises químicas utilizou-se de Kit de análises físico-químicas para campo. para evitar a recontagem. Resultados A abundância de girinos foi independente das variáveis abióticas (todas as correlações P > 0. Comparando-se os três tipos de ambiente. município de Guaraqueçaba.05cm e outra retangular com 200cm2 de área e malha de 0. O levantamento da abundância foi realizado com o auxílio de duas peneiras.

V.O.. Biology of amphibians.E. Skelly. Ecological interactions of frog larvae at a seasonal tropical location in Thailand. e desta maneira não variando de uma poça para outra ou de um ambiente para outro. Philadelphia. McDiamird.C. R. Estimating decline and distributional changein amphibians. Curitiba. 1990. E.W. R. J. Dias. McGraw-Hill. R. que utilizam amplamente os girinos como suas presas. 1973.C. L.A. varia enormemente. A falta de um enquadramento melhor dos ambientes que cercam os locais amostrados quanto à região que pertencem (borda.R.L. a estratégia reprodutiva de cada espécie deve atuar fortemente com relação a abundância de girinos. 1999. Complexity in conservation: lessons from the global decline of amphibian populations. não sofrendo grande influência dos fatores abióticos amostrados. como também pela presença de predadores de maior porte como peixes. mata ou aberta) e de uma classificação das poças quanto a aspectos como permanência no ambiente e disposição espacial em relação ao ecossistema da área. Duellman. Tadpoles: the biology of anuran larvae. L.R. Um dos aspectos é que a comunidade de girinos das poças amostradas possui grande adaptação ao meio. Heyer. & Boscardin. A tendência observada quanto à menor densidade de girinos em poças maiores pode ser explicada pela maior dispersão dos indivíduos no ambiente. A.K. De outra forma. 2003. 2002. podem de certa maneira ter influenciado os resultados obtidos.. 2000. Fowler.E. University of Chicago Press. Prefeitura Municipal de Curitiba. J. W.2003 55 . Conservation Biology 17(3):744-751. & Kiesecker.F. Journal of Herpetology 7(4): 337-361. Referências Bibliográficas Blaustein.M. 1986. & Relyea. C. M. & Trueb. K. & Altig. o que indicaria a provável utilização do ambiente como sítio reprodutivo e de certa maneira uma maior previsibilidade da situação que seria encontrada em campo. Chicago. Open University Press. Manual de avaliação e classificação da qualidade da água. & Cohen. A..R. New York. Ecology Letters 5: 597-608. D. Werner. Trindade. W. visto que o número de ovos colocados por cada espécie de anuro. Seriam necessárias também vistorias noturnas para registro dos indivíduos adultos em atividade de vocalização. Practical statistics for field biology. Yurewickz.Discussão A ausência de um padrão nos três ambientes estudados pode refletir de certa maneira alguns aspectos interessantes que podem ser explorados na busca de um entendimento melhor da comunidade de girinos.

ambientes lóticos Introdução Em qualquer momento na vida de um organismo. formas de vida e estratégia de propagação da vegetação. 1997). Palavras – chave: Alocação de recursos. reprodução. Portanto se as condições do ambiente mudam. A reprodução vegetativa é a multiplicação assexuada de um indivíduo originário de um zigoto de formação sexuada em unidades espacialmente separadas. Esta forma de reprodução 56 . 1997). caules e folhas promovem absorção de luz e expansão (Townsend et al. como ocorre com algumas espécies de reprodução vegetativa. Os resultados demonstraram que conforme varia a distância em relação à margem. Outra vantagem é a habilidade de mudar continuamente a eficácia dos rizomas. Por outro lado. As plantas apresentam exigências muito similares quanto aos mesmos recursos. As plantas herbáceas possuem diferentes formas de crescimento. 1986). água e nutrientes. a possibilidade de um maior crescimento em extensão faz com que organismos lenhosos possam ter maior eficiência na obtenção de luz. comunidades vegetais. a comunidade vegetal apresenta variações em suas estruturas morfológicas como forma de adaptação. potencialmente limitados. há uma quantidade limitada de energia a ser gasta ou de recurso disponível a ser consumido. solo pobre e com baixa profundidade e ações físicas da água freqüentes. 2006). Enquanto as raízes extraem água e minerais essenciais do solo e estão associadas a fixação.ESTRATÉGIAS DE ESTABELECIMENTO DE PLANTAS EM UM GRADIENTE ALUVIAL Ana Luiza G. fortes e de vida longa e sua maior razão entre raiz e parte aérea ( Chapin. quando comparadas com espécies de hábito lenhoso. Plantas herbáceas têm a capacidade de se propagar radialmente. No rio Morato três parcelas em gradiente perpendiculares à margem foram analisados para avaliação dos efeitos destas condições na morfologia. 1982. estolões e brotamentos (Crawley. folhas pequenas. Quando as espécies vegetais competem. promovendo maior habilidade competitiva em ambientes pouco iluminados. há repercussões recíprocas entre raízes e partes aéreas. Márcia Marques Resumo As margens rios de corredeira são ambientes expostos a diversos distúrbios naturais como. apud Crawley. Cristiane Hiert & Denilson Jungles de Carvalho Projeto orientado – Profa. Plantas individuais mostram uma habilidade em ajustar sua razão raiz/parte aérea de acordo com a condição que prevalece de disponibilidade de luz. nutrientes. pode-se assumir que estes novos indivíduos são de natureza clonada e geneticamente idênticos a seus pais (Richards. As características mais evidentes das plantas em ambientes com pouco nutriente são seu pequeno tamanho. Martins. Plantas apresentam pronunciados polimorfismos. cuja manutenção demanda uma relativa baixa quantidade de energia. 1997). que podem também se manifestar na sua forma de vida. Geralmente. formando grupos extensos e clonados (Crawley. 1980. é possível que haja uma variação nas formas de crescimento de espécies de uma comunidade. Vitousek.

No entanto. sendo estes intimamente conectados ao ambiente terrestre de entorno. a disponibilidade de nutrientes. (Townsend et al. dado que esta não necessita investir na produção de gametas. no entanto o gasto necessário para este tipo de reprodução é alto. A característica mais evidente da reprodução sexuada é a criação de combinações infinitas de diversidade genética. na freqüência das formas de vida e na estratégia de propagação das espécies vegetais no gradiente da margem para o ambiente terrestre. Isto pode ocorrer em situações limites para as plantas ou em ambientes muito severos. Em cada parcela foram coletados espécimes vegetais dicotiledôneas de hábito arbustivo-arbóreo e herbáceo. M e D) utilizando-se a análise de variância (ANOVA). sem espaçamento entre elas. sendo esta variação comum em ambientes marginais. 2006). Já para se testar a relação entre as formas de vida e presença de crescimento 57 . Foram escolhidas regiões de deposição de sedimento ao longo de porções de corredeira na margem do rio Morato. Material e Métodos O estudo foi realizado ao longo de uma faixa de aproximadamente 100m do Rio Morato.permite a ocupação mais rápida de um ambiente com um menor consumo de energia. tamanho de sedimento. Com base nestas informações espera-se que exista uma mudança na morfologia. A variabilidade genética permite respostas evolucionárias a mudanças ou novas condições ambientais. onde se instalaram cinco linhas perpendiculares em relação a margem do rio. comprimento da raiz (R). profundidade do solo que em geral associa-se a um aumento na disponibilidade de nutrientes. podendo ser menos eficiente do que a assexual em condições limitantes de polinização cruzada. Paraná. definição das formas de vida (herbácea ou lenhosa) e a presença ou ausência de propagação vegetativa. juvenis e adultos. Rios de corredeira influenciam constantemente s características do substrato. a uma distância media (M) e distante da margem (D). plantas de reprodução sexual podem vir a apresentar reprodução vegetativa. Em cada linha foram alocadas três parcelas de 1 x 1m. 1986). Os riachos e rios são caracterizados por sua forma linear.. fluxo unidirecional. próximo à margem (P). podendo ser vantajoso se reproduzir assexualmente (Richards. escoamento oscilante e leitos instáveis. de até 50 cm de altura. Para se verificar diferenças de investimento em parte aéreas (PA) e raiz (R) ao longo do gradiente foram comparadas as médias da razão (R/PA) em cada situação (P. afim de se amostrar diferentes gradientes. Este trabalho teve como objetivo avaliar se há variação nas estratégias de estabelecimento da comunidade vegetal localizada em uma margem deposicional de um rio de corredeira. A partir da linha dágua forma-se um gradiente de umidade. A vegetação de entorno do rio é Floresta Ombrófila Densa aluvial com baixo grau de perturbação antrópica. município de Guaraqueçaba. junto à trilha do salto na Reserva Natural Salto Morato. Para cada indivíduo foram anotadas as seguintes informações: comprimento da parte aérea (PA). além de promover ação física sobre a vegetação terrestre próxima a margem.

5 0.01) (Fig.001) (Fig. Quanto à forma de vida foi verificado um número maior de indivíduos herbáceos em relação a lenhosos. 2: V ariação das m édias (+ EP) da razão raiz e parte aérea (R/PA) ao longo do gradiente aluvial do rio Morato.002) (Fig. P < 0. B .3 0.2 0.Freqüência de indivíduos herbáceos e lenhosos ao longo do gradiente aluvial do rio Morato. 2). P > 0. Já a quantidade de indivíduos sem propagação vegetativa foi superior aos que apresentavam tal característica. 1A). porém não foi observada diferença entre estas e a parcela média (M) (F4. apresentando um maior número de indivíduos com propagação vegetativa nas parcelas próximas em relação as demais (G = 34. A Frequência de indivíduosabci Sem Propagação Vegetativa 120 103 100 Com Propagação Vegetativa B Frequência de Indivíduosabcii 100 91 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Herbáceos 85 Lenhosos 80 73 59 57 60 44 40 33 29 20 17 11 12 0 Próximo Média Distante Próximo Média Distante Figura 1. Resultados No total foram coletados 307 indivíduos nas 15 parcelas amostradas. Não foi encontrada diferença de densidade de plantas ao longo do gradiente (F2. P < 0.27. Houve diferença nas distribuições das formas de propagação ao longo gradientes. 12 = 0.vegetativo ao longo do gradiente nas três situações se utilizou do teste de independência. A . P < 0.4 AB B R/PA) 0. 58 . GL = 2.6 A 0.06.05 (Fowler & Cohen.1 0 Próximo Média Distante Fig.37.Freqüência de indivíduos com e sem propagação vegetativa ao longo do gradiente aluvial do rio Morato. Para a razão entre a raiz e a parte aérea (R/PA) ao longo do gradiente. O alfa utilizado foi de 0. 1990). houve diferença entre as parcelas mais extremas (P e D). Houve diferenças entre as parcelas.05). GL = 2. sendo que a freqüência de indivíduos herbáceos era maior na parcela P. 1B).12 = 4. 0. diminuindo em direção a D (G = 17.12.

Fowler. É possível que em condições ambientais mais estressantes. Conforme Crawley (1997) existem diversas vantagens para as plantas com formas de vida herbáceas. possivelmente por apresentarem maior eficiência na obtenção de luz. Richards. estas condições favorecem a ocupação de organismos lenhosos. C. Porto Alegre.) 1997. J. no sentido de um aumento do comprimento da raiz. provavelmente devido a velocidade de geração de novos indivíduos e taxa de ocupação serem mais rápidos que os organismos sem esta característica (reprodução por sementes). A maior razão R/PA próximo à margem deve estar associada a maior concentração de plantas herbáceas nesta região. Towsend. podendo alocar em outras estruturas como a propagação das raízes como forma de ocupação de terrenos pobres e rasos. o que permite um maior investimento na parte aérea em relação à raiz. Devido ao menor investimento de herbáceas em partes aéreas. Fundamentos em Ecologia. Philadelphia. já a proporção de herbáceas diminui provavelmente devido ao maior sombreamento causado pela presença de lenhosas. plantas com estruturas lenhosas aumentam em proporção devido ao aumento da espessura do solo e a disponibilidade de nutrientes. ao longo do gradiente aluvial a granulometria tende a diminuir e a disponibilidade de nutrientes e profundidade do solo a aumentar. 5ª ed. Open University Press. as raízes podem ser proporcionalmente maiores. como a energia que não é usada na manutenção e suporte de estruturas lenhosas. como nos ambientes aluviais.F. maior ocorrência do hábito herbáceo e de propagação vegetativa. Considerando que os atributos avaliados variam no gradiente aluvial.L. os organismos com propagação vegetativa tendem a ocorrer com maior freqüência. Begon. M. Plant Breeding Systems. Artmed. (Ed. 1986. A. L. 2006. George Allen & Unwin Ltd. Assim. Referências Bibliográficas Crawley. 1990. J. é possível sugerir que grande parte das variações estruturais observadas neste tipo de comunidade seja o reflexo de pressões exercidas pelo ambiente sobre os indivíduos.J. & Harper J. Practical statistics for field biology. Conforme o distanciamento da margem. & Cohen. London.Discussão A partir dos resultados.. 59 . Plant ecology. Oxford: Blackwell Science. pode-se afirmar que existem investimentos diferenciados nas plantas que sofrem a ação direta do ambiente aluvial próximo à margem. auxiliando a fixação em locais com solo escasso.. M. influenciando a estratégia de estabelecimento e sobrevivência.

com o número de espécies e indivíduos em atividade reprodutiva (Conte & Machado. respectivamente. este trabalho objetivou verificar a distribuição espacial dos anuros em três ambientes distintos. 2006). uma variação maior de micro-clima e conseqüentemente uma maior disponibilidade de refúgios. ecológicos e evolutivos e suas interações ao longo do espaço e do tempo. precipitação. 2005). Mata Atlântica. onde um habitat com maior complexidade disponibilizaria mais microambientes. Esta estruturação das comunidades é resultado de uma série de fatores ambientais. distribuição espacial.O AMBIENTE INFLUENCIA NA DISTRIBUIÇÃO DAS ESPÉCIES DE ANFÍBIOS ANUROS? Ana Luiza Gandara Martins. com exceção da umidade. avaliaram-se três poças localizadas em área aberta. Em se tratando da estrutura dos ambientes. Na distribuição vertical. elevada taxa de endemismo e. sendo registradas três. Dendropsophus minutus e Scinax argyreonatus utilizaram estratos diferenciados da vegetação. 1990). auxiliando na estruturação desta comunidade. explorando uma base comum de recursos. Dessa forma. Palavras – chave: anuros. assim. existe uma relação direta da heterogeneidade espacial com a riqueza de espécies. comunidade. Cristiane Hiert & Denilson Jungles de Carvalho Projeto orientado – Profa. avaliando de que forma a complexidade do habitat e os parâmetros físicos influenciam nessa distribuição. 60 . fatores abióticos. cinco e oito espécies. como por exemplo. Não foram encontradas correlações entre fatores abióticos e riqueza de anuros. originando complexas e intrigantes questões de como o número de espécies varia dentro de diferentes escalas (Towsend et al. grande variedade de modos reprodutivos (Heyer et al. a fauna de anfíbios anuros do bioma Mata Atlântica por apresentar uma alta diversidade de espécies. sítios reprodutivos e oferta de presas (Magurram. 1988). Marilia Hartmann Resumo Para verificar fatores que influenciam a composição de espécies de anuros em diferentes ambientes. ambientes complexos favoreceriam organismos com histórias de vida particulares. Já em relação a influencia dos fatores ambientais nas comunidades de anuros. Dessa forma. Introdução Uma das questões de interesse fundamental na ecologia é saber quais fatores e de que forma eles influenciam na composição de espécies de uma determinada comunidade. borda de mata e interior de floresta. vários estudos mostram uma forte relação entre variáveis climáticas como temperatura e umidade relativa do ar. mostrando que esta variação na utilização do ambiente possibilitaria maior diversidade.

Material e Métodos O trabalho foi desenvolvido em três poças semi-permanentes distribuídas ao longo de três ambientes de floresta ombrófila densa, área aberta, área de borda e área de mata. As poças estão dentro da Reserva Natural de Salto Morato situada no Município de Guaraqueçaba – PR. Foram realizadas três saídas a campo, duas noturnas para registro das atividades das espécies de anfíbios anuros e uma saída diurna para medição dos seguintes parâmetros ambientais: Temperatura do ar e da água; área da poça; umidade; altura dos estratos vegetais na margem da poça; profundidade da poça; morfotipos vegetais disponíveis e morfotipos utilizados. Para temperatura da água foram utilizados dois termômetros de coluna de mercúrio alocados em extremidades opostas das poças por cerca de 5 minutos. Para temperatura do ar e a umidade foi utilizado um termo-higrômetro digital. Para o cálculo da área da poça foram retiradas as medidas de comprimento e largura máxima das poças, com trena de 30m, e o valor total da área estimado através de cálculos geométricos. A medida da profundidade foi retirada também com o auxilio de trena no ponto mais central da poça. Os morfotipos vegetais foram classificados em herbáceos, arbustivos e arbóreos e para o cálculo da altura dos estratos vegetais foram medidos quatro pontos ao longo da margem da poça. Os morfotipos utilizados foram levantados através da visualização direta da presença de espécies de anfíbios anuros sobre os mesmos. Foi também realizada a caracterização geral das poças (formato, tamanho e vegetação marginal) através da montagem de um croqui esquemático das áreas. Os dados abióticos foram comparados com a riqueza das poças através de correlação de Pearson. Dados dos morfotipos disponíveis e dos utilizados foram correlacionados utilizando-se a mesma análise. Foi ainda realizada uma análise de variância (ANOVA) para verificar a altura de registro das espécies nos seus microambientes. O alfa utilizado nas análises foi de 0,05 (Fowler & Cohen, 1990).

Resultados A área aberta apresentou a menor riqueza, com um total de três espécies (Dendropsophus berthalutzae, Scinax alter e S. littoralis), seguida pela borda de mata com cinco (D. minutus, S. alter, Phyllomedusa distincta, D. berthalutzae e Hypsiboas faber) e interior de floresta com oito espécies no total (S. littoralis, S. argyreornatus, Physalaemus spiniger, D. microps, Scinax sp (grupo catharinae), D. minutus, P. distincta e S. fuscovarius). Em relação às análises de relação entre as variáveis abióticas e bióticas, além da umidade relativa do ar, não foram observadas relações entre tais parâmetros nas três poças amostradas, como mostra a tabela 1:

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Tabela 1: Relação entre variáveis ambientais com a riqueza de anuros nos e ambientes amostrais. Relação Temperatura da água X Riqueza Temperatura do ar X Riqueza Umidade relativa do ar X Riqueza Profundidade da poça X Riqueza Área da poça X Riqueza Altura da vegetação X Riqueza Morfotipos disponíveis X Riqueza Morfotipos disponíveis X Morfotipos utilizados *Variáveis inversamente correlacionadas r 0,27 0,50 -0,99* 0,87 0,29 0,32 0,47 0,36 P 0,59 0,60 0,02* 0,30 0,81 0,07 0,20 0,34

Na verificação da estratificação vertical das espécies observadas, D. minutus e S. argyreonatus diferiram quanto à utilização de microhabitats (Figura 1), enquanto D. berthalutzae e S. littoralis utilizaram a mesma faixa de altura na vegetação (r2=0,51; F3,17=5,83; P<0,01).

Fig. 1: Distribuição de D. berthalutzae, D. minutus, S. argyreonatus e S. littoralis em diferentes estratos da vegetação marginal das poças. O desenho esquemático das poças (figura 2), elaborado a partir da contagem e distribuição de morfotipos vegetacionais nas margens das poças, revelou um padrão diferenciado da composição das plantas herbáceas, arbustivas e arbóreas nos três ambientes.

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Fig. 2: Desenho esquemático dos ambientes amostrais, sem observação de escala, onde: (A) poça em área aberta; (B) poça em borda de mata e (C) poça no interior de floresta.

Discussão A análise dos parâmetros ambientais mostrou que a comunidade de anfíbios anuros não esta está sendo estruturada em primeiro plano pela variação destes. É possível que fatores como história de vida das espécies bem como sua evolução tenham maior influência nesta estruturação, por se tratar de um local bem preservado e que mantém em grande parte as características ambientais naturais da floresta ombrófila densa, desta forma os parâmetros abióticos tendem a variar menos para essa região. Um dado interessante encontrado, e que mostra uma tendência provavelmente equivocada, foi a relação negativa entre umidade do ar e riqueza. Esse dado pode ser explicado devido as chuvas freqüentes durante as coletadas de dados e sua relação com a estrutura das áreas amostradas, em áreas abertas onde existe uma menor cobertura do dossel, a chuva é distribuída uniformemente pelo ambiente aumentando consideravelmente a umidade do ar. Já em ambiente florestal onde o dossel forma de certa maneira uma proteção para a área logo abaixo, a umidade do ar deve variar de forma muito mais lenta e gradual, esse fato deve ter influenciado as medições forçando o resultado obtido. Foi possível achar diferenças na distribuição das espécies em relação a altura de utilização dos estratos vegetais, essa relação mostra que a distribuição de nichos ecológicos para essas poças possibilita talvez a maior diversidade de espécies e conseqüentemente auxilia na estruturação desta comunidade. Referências Bibliográficas Conte, C.E. & Machado, R.A. 2005. Riqueza de espécies e distribuição espacial e temporal em comunidade de anuros (Amphibia, Anura) em uma localidade de Tijucas do Sul, Paraná, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia 22 (4):940-948. Fowler, J.F. & Cohen, L. 1990. Practical statistics for field biology. Open University Press, Philadelphia. Heyer, W.R; Rand, A.S.; Cruz, C.A.G.; Peixoto, O.L. & Nelson, C.E. 1990. Frogs of Boracéia. Arquivos de Zoologia 31(4):231-410. Magurran, A. E. 1988. Ecological Diversity and Its Measurement.Cambridge, UK.179pp. Towsend, C.; Begon, M. & Harper, J.L. 2006. Fundamentos em Ecologia. 5ª Ed. Artmed, Porto Alegre. 63

(1991) foram os primeiros a propor uma medida da “distinção taxonômica” de espécies. temos: = i. A diversidade taxonômica foi menor no capoeirão. já a exclusão competitiva causa repulsão destes. 2005). Izsák & Papp (2000. As distâncias taxonômicas podem ser baseadas em diferenças morfológicas e funcionais. Segundo Faith (1992. a informação sobre abundância de espécies é muitas vezes irrelevante. Cristiane Hiert & Denilson Roberto Jungles de Carvalho Projeto orientado – Prof. provavelmente pela ação de filtros ambientais. O filtro ambiental pode causar a aproximação de taxa semelhantes. Introdução Para propósitos de proteção ambiental em larga escala.DIVERSIDADE TAXONÔMICA EM DIFERENTES ESTÁDIOS SUCESSIONAIS DE FLORESTA PLUVIAL DE MATA ATLÂNTICA Ana Luiza Gandara Martins. filtro ambiental. 2004). podendo ser inexpressivos para organismos muito diferentes (Ricotta. apud Ricotta. Palavras-chave: Diversidade taxonômica. Vane-Wright et al. 2005) desenvolveram uma fórmula para a criação da matriz de distâncias taxonômicas entre as espécies. robusta em métodos de amostragem e apropriado para avaliar diferentes comunidades. 2005). na taxonomia de Linnaeus ou em métodos de biologia molecular mais refinados (Ricotta. como em dij = dij. 1: Árvore taxonômica artificial com sua matriz de distância entre espécies para ilustrar como as distâncias taxonômicas são medidas (modificado de Ricotta. 64 . 2004). j dij. que é baseada na topologia de classificações cladísticas. apud Ricotta. enquanto que na capoeirinha a exclusão competitiva pode estar agindo. dados sobre abundância de espécies são geralmente desconhecidos. atrator filogenético. sendo a riqueza o único dado disponível. Marco Antônio Batalha Resumo Diversidade taxonômica é sensitiva a perturbações. sucessão. a diversidade taxonômica se dá pelo conjunto das distâncias pareadas acumuladas entre as espécies baseadas em árvores taxonômicas (Fig. 34 amostras foram identificadas e classificadas em cinco categorias taxonômicas. Utilizou-se o método dos quadrantes para amostrar dois ambientes em diferentes estádios sucessionais. sendo a matriz da distância entre as espécies e os elementos dij os elementos que unem as distâncias taxonômicas entre as espécies i e j. Para a escolha de locais para ações conservacionistas. que forma: Fig. 1). repulsor filogenético.

Material e Métodos A área de estudo está situada na Reserva Natural Salto Morato. sendo o filtro ambiental um dos mecanismos que pode causar a aproximação de taxa (Webb et al. por áreas de floresta ombrófila densa primária.Clarke e Warwick (1998) propuseram um método de medição da distinção taxonômica e diversidade taxonômica de comunidades. Nós excluímos algumas espécies que não foram identificadas ao menos até família. Devido ao processo sucessional..versão 1. que se mostra muito sensitivo a perturbações. e no fato de estudos anteriores desenvolvidos neste curso. considerando-se os indivíduos com perímetro à altura do peito (PAP) de no mínimo 10 cm. gênero. Em escalas temporais intermediárias.33b. porém eventualmente decresce (competição) (Townsend. Um agrupamento na distribuição filogenética de um taxon indica que o uso do habitat é um traço conservativo do banco de espécies na comunidade. postulamos que a diversidade taxonômica acompanha esse padrão. se não houver nenhuma perturbação adicional. ordem e clado principal. utilizando-se do mesmo método. sendo aplicado o método dos quadrantes (Mueller-Dombois & Ellenberg. Com base nestes aspectos levantados. em sua maioria. et al. No entanto. Os dados foram avaliados por meio do programa Past . diversidade tradicional e diversidade funcional de uma área de floresta pluvial atlântica com 12 anos de regeneração a outra em estádio mais avançado. 2002). quanto taxa distantes convergem no uso de um nicho similar e são filogeneticamente atraídos (Webb. 2003). incluímos os dados de mais 15 pontos amostrais obtidos em cada uma das áreas. 1974). A árvore filogenética para a produção da matriz taxonômica foi construída baseada na recente classificação molecular de angiospermas (APG II. 2006). a riqueza de espécies inicialmente aumenta (colonização). Além destes. et al. 2006). criando 65 . família. com oito pontos amostrais distribuídos a cada 10 metros. que calcula a distinção taxonômica com base nos dados coletados e sistematizados e suas respectivas abundâncias. sendo que a cobertura vegetal existente é constituída. uma maior dispersão filogenética pode ser resultante tanto se taxa relacionados que utilizam nichos similares estão sendo localmente excluídos (exclusão competitiva). Em cada ambiente percorremos uma transecção de cerca de 80 metros. 2002). terem observado uma diminuição na riqueza. sucessões ecológicas de plantas podem ocorrer em períodos que variam de anos a séculos. Cada exemplar foi identificado e diferenciado taxonomicamente em cinco categorias: espécie. município de Guaraqueçaba – PR. em diferentes estádios de regeneração.. denominadas “capoeirinha” e “capoeirão”. e a atração fenotípica domina sobre a repulsão. robusto com respeito a diferentes métodos de amostragem.. este último obtido de uma classificação filogenética de Angiospermas criado pelo Angiosperm Phylogeny Group (2003). selecionadas como foco para este estudo. e também por áreas de vegetação secundária. e apropriado para avaliar diferenças entre comunidades (Silva & Batalha. para o registro de quatro espécimes em cada ponto amostral.

2001. apud Silva & Batalha.também um intervalo de confiança com um limite correspondente a 95 por cento. 34 gêneros. Tabela 1. 2006). Lista das espécies identificadassegundo a recente classificação molecular de angiospermas (APG II. 2). et al. 1). 66 . sendo menor no capoeirão (Tab. sendo 19 na área de capoeirinha e 26 espécies no ambiente de capoeirão. 13 ordens e oito clados (Tab. Resultados Foi encontrado um total de 34 espécies. 2003) espécie Alchorneaglandulosa Andirafraxinefolia Anibafirmula Apocynaceaesp1 Caseariaobliqua Cecropiaglaziovii Chrysophyllummarginatum Citharexylummirianthum Cupaniaoblongifolia Dalbergiabrasiliensis Endlicheriapaniculata Euterpeedulis Fabaceaesp1 Guapiraopposita Hyeronimaalchornoeides Ingaedulis Jacarandapuberula Lauraceaesp1 Machaeriumaculeatum Marlieriatomentosa Miconiacinerascens Myrsinecoriacea Myrtaceaesp1 Ocoteasp1 Ormosiaarborea Peraglabrata Pipersp1 Psidiumguajava Rubiaceaesp1 Rubiaceaesp2 Rubiaceaesp3 Sennamultijuga Solanumsp1 Tibouchinapulchra gênero Alchornea Andira Aniba Apocynaceae1 Casearia Cecropia Chrysophyllum Citharexylum Cupania Dalbergia Endlicheria Euterpe Fabaceae1 Guapira Hyeronima Inga Jacaranda Lauraceae1 Machaerium Marlieria Miconia Myrsine Myrtaceae1 Ocotea Ormosia Pera Piper Psidium Rubiaceae1 Rubiaceae2 Rubiaceae3 Senna Solanum Tibouchina família Euphorbiaceae Fabaceae Lauraceae Apocynacea Flacourtiaceae Urticaceae Sapotaceae Verbenaceae Sapindaceae Fabaceae Lauraceae Arecarceae Fabaceae Nyctaginaceae Euphorbiaceae Fabaceae Bignoniaceae Lauraceae Fabaceae Myrtaceae Myrsinaceae Myrtaceae Lauraceae Fabaceae Euphorbiaceae Piperacea Myrtaceae Rubiaceae Rubiaceae Rubiaceae Fabaceae Solanaceae ordem Malpighiales Fabales Laurales Gentianales Malpighiales Rosalis Euricales Lamiales Sapindales Fabales Laurales Arecales Fabales Caryophyllales Malpighiales Fabales Lamiales Laurales Fabales Myrtales Euricales Myrtales Laurales Fabales Malpighiales Piperales Myrtales Gentianales Gentianales Gentianales Fabales Solanales clado principal EurosidsI EurosidsI Magnoliids EuasteridsI EurosidsI EurosidsI Asterids EuasteridsI EurosidesII EurosidsI Magnoliids Commelinids EurosidsI CoreEudicots EurosidsI EurosidsI EuasteridsI Magnoliids EurosidsI Rosids Rosids Asterids Rosids Magnoliids EurosidsI EurosidsI Magnoliids Rosids EuasteridsI EuasteridsI EuasteridsI EurosidsI EuasteridsI Rosids capoeirão 2 1 0 0 5 8 1 0 1 0 2 1 0 1 1 4 0 5 1 3 19 2 1 1 1 2 0 1 1 1 1 0 0 18 capoeirinha 6 1 1 1 6 4 0 5 0 1 0 0 1 0 0 0 4 1 1 0 8 24 0 0 0 0 2 4 0 0 0 5 3 9 Melastomataceae Myrtales Melastomataceae Myrtales Os índices de diversidade taxonômica foram diferentes entre as duas áreas. carregados a partir 200 réplicas aleatórias sobre o total de indivíduos amostrados (Hammer. 19 famílias..

devido à ação de filtros ambientais. a maior diversidade taxonômica do que o esperado pelo acaso indicou que a força ecológica dominante é a exclusão competitiva (Webb et al. que funciona como um repulsor filogenético.698 CAPOEIRÃO** 4. Ricotta. Para testarmos as previsões desse modelo devemos estudar outras áreas em diferentes estádios de sucessão. Phylogenies and community ecology. ou seja.A. C. Ackerly. M. selecionando taxa aparentados (Webb. Ricotta. 2002. D. D. Por outro lado. eliminando espécies aparentadas que devem ter exigências de recursos semelhantes.. M.2002). Na capoeirinha. 67 . E se áreas em estádios posteriores a do capoeirão apresentarem diversidade taxonômica também menor. Aims and Methods of Vegetation Ecology.J. W. et al. D..766 4. 2005.544 4. filtros biológicos podem começar a agir novamente. pois a partir do momento que o ambiente atinge estádios mais avançados. Referências Bibliográficas Campbell.Tabela 2. 2004.. que atuam como atratores filogenéticos. Annual Review of Ecology and Systematics 33: 475-505. alta e baixa incidência de radiação. C. no capoeirão. Canada. 2002). Diversidade taxonômica de ambientes em diferentes estádios de sucessão na Reserva Natural Salto Morato. H. Trough the jungle of biological diversity. Diversity and Distributions 10: 143-146. 1974. & Ellenber.418 4. a diversidade taxonômica acompanha a riqueza e a diversidade tradicional. a diversidade taxonômica acompanhou a tendência dos outros índices. a menor diversidade taxonômica do que o esperado pelo acaso indicou que a força ecológica dominante são os filtros ambientais. então esperamos que os filtros ambientais sejam as forças ecológicas dominantes no início e no final do processo (por exemplo.. CAPOEIRINHA* Diversidade taxonômica Intervalo de confiança inferior Intervalo de confiança superior 4. & Donoghue. John Wiley & Sons. Ele será corroborado se as áreas em estádios anteriores a capoeirinha apresentarem uma diversidade taxonômica menor. foi menor no capoeirão. Mueller-Dombois. A parametric diversity measure combining the relative abundances and taxonomic distinctiveness of species.534 4. Acta Biotheoretica 53: 29-38. Se. McPeek. O. ao longo do processo sucessional. respectivamente) e a exclusão competitiva o seja no meio.702 ** Dt no capoeirão menor * Dt na capoeirinha maior que o intervalo de confiança que o intervalo de confiança Discussão Conforme o esperado.

An update of the angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG II. 5ª Ed. A. No prelo. M. 2006. A. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436. 2006.Silva. Townsend. Fundamentos em Ecologia. & Harper J. I. Diversity and Distributions.. The angiosperm phylogeny.. 68 . L. M. Taxonomic distinctness and diversity of a hyperseasonal savanna in central Brazil. 2003. Artmed Ed.. Begon. Porto Alegre. da & Batalha. C.

ser considerado forte dispersor de sementes de Piper cernum. polinização e dispersão de sementes.Prof. Os padrões reprodutivos nos morcegos variam de monoestria sazonal à poliestria. Os morcegos podem apresentar hábitos alimentares muito variados e a diversidade de dietas desses animais não encontra semelhança em nenhum outro grupo. 2006). Muitas espécies tropicais apresentam monoestria. 2006). néctar. devido a grande variedade e abundância de espécies nas regiões tropicais. estágio reprodutivo e biometria das espécies. que se liga aos membros posteriores e ao lado do corpo (Reis et al. sementes. Dentre as espécies encontradas. Cristiane Hiert & Denilson Roberto Jungles de Carvalho Projeto Orientado . morcegos. sobreposição de nicho. 2006). contribuindo com importantes serviços ecossistêmicos gratuitos (Reis et al.ESTUDO PRELIMINAR DA FAUNA DE QUIROPTEROS DA RESERVA NATURAL DE SALTO MORATO Ana Luiza Gandara Martins. pólen. A maioria dos morcegos se alimenta à noite. Na região Neotropical várias espécies de Phyllostomidae são importantes polinizadores e dispersores de sementes de numerosas plantas. flores. Realizou-se um levantamento preliminar com redes-de-neblina. Os dedos e ossos dos membros anteriores sustentam uma larga membrana extremamente elástica. sobre os aspectos biológicos de quirópteros da Reserva Natural Salto Morato. Assim. para esta situação. Introdução Os morcegos constituem uma das ordens mais características de mamíferos. O nome Chiroptera provém do grego “cheir” (mão) e “pteron”(asa) indicando que a asa de um morcego é uma mão altamente modificada. pois são os únicos a apresentar estruturas especializadas que permitem um vôo verdadeiro. são utilizados como alimento insetos e outros artrópodes. dispersando dos seus refúgios diurnos ao entardecer. Há uma enorme lacuna no conhecimento de aspectos básicos da história natural da maior parte das espécies de morcegos no Brasil. avaliando a composição da dieta. pequenos vertebrados e sangue (Reis et al. Carollia perspicillata pode. Fernando Passos Resumo Levantamentos de quirópteros são importantes para estratégias conservacionistas. e poucos estudos têm 69 . As espécies frugívoras. nectarívoras. mata atlântica. houve maior incidência de espécies frugívoras de grande porte. além de serem considerados bons instrumentos para estudos sobre diversidade. Os morcegos possuem grande potencial como indicadores de níveis de destruição de habitats. Palavras-chave: chiroptera. 2006). folhas. chamada patágio. pois os morcegos atuam como controle de pragas. produzindo um filhote por ano (Reis et al. carnívoras e hematófagas são confinadas às regiões tropicais e subtropicais. frutos.

Quando capturados. As redes foram instaladas por volta das 18 horas.67 %) 1 (16. estágio reprodutivo e biometria das espécies. Piper sp2. avaliando a composição da dieta. além de cinco fêmeas adultas. lituratus Total 4 (66. sendo que apenas A. Material e Métodos O estudo foi realizado na trilha do Salto.67 %) 1 (16. O alfa utilizado nas análises foi de 0. Carollia perspicillata (n = 5).67 %) 3 (50 %) . antebraço esquerdo e quarta falange foram medidos em cada indivíduo.55 > 56 Frugívoros C. A. sendo cinco com escroto aparente e cinco nulíparos. constituindo espécies nectarívoras e hematófagas. tildae A. Quanto ao hábito alimentar das espécies amostradas. Desmodus rotundus (n = 1) e Sturnira tildae (n = 1). Artibeus jamaicensis (n = 4).PR. uma póslactante e outra nulípara. respectivamente (Tabela 1). Para testar a relação entre estas variáveis biométricas. realizou-se um levantamento preliminar sobre os aspectos biológicos da fauna de quirópteros da Reserva Natural Salto Morato.comparado a estrutura de diferentes conjuntos taxonômicos de morcegos em fragmentos florestais (Pedro et al. classe de idade e estágio reprodutivo foram verificados. caudifer Sanguívoros Total 2 (33. Foram encontrados 12 machos adultos. caudifer e D. O peso. Com base nestas características. rotundus Nectarívoros A. Os itens alimentares encontrados nas amostras de fezes das espécies foram: sementes de Piper cernum. foi usado o teste de correlação de Pearson e para comparar o consumo de Piper cernum entre as espécies frugívoras com maior ocorrência. Tabela 1: Distribuição das espécies de morcegos da Reserva Natural de Salto Morato pelas variáveis comprimento do antebraço (An) e hábito halimentar predominante. Resultados Foi registrado um total de 17 indivíduos de seis espécies pertencentes à Família Phyllostomidae: Anoura caudifer (n = 1). foi utilizada análise de variância. jamaicensis A. perspicillata S. realizando-se sete vistorias para a retirada dos morcegos até a meia noite.33 %) 1 (16. Na (mm) < 40 41 . rotundus diferiram deste hábito. 1990). Ficus sp e insetos (Fig 1).05 (Fowler & Cohen. os morcegos foram identificados até espécie e o sexo. houve uma grande predominância de morcegos frugívoros. com três lactantes. localizada na Reserva Natural de Salto Morato – Grarequeçaba . lituratus (n = 5). onde sete “redes-de-neblina” com 12 X 3 metros foram distribuídas ao longo da trilha e posicionadas diagonalmente a mesma.67 %) 6 (100 %) 70 D. 2001).

96. lituratus Espécies S.Piper cernum 6 5 Frequência 4 3 2 1 0 C.99. perspicillata Ficus sp Insetos Piper sp2 A. Fig 2: Média de sementes de Piper cernum encontradas em amostras de fezes de Artibeus jamaicensis. Dentre a guilda de frugívoros.05) e a medida da quarta falange e o peso (r=0. F2.71. P<0.11=14. lituratus e Carollia perspicillata (média + IC). 71 .05). P<0.12. observando-se uma clara diferenciação das espécies na relação destas variáveis (Fig. jamaicensis A. as espécies com maior ocorrência diferiram quanto ao consumo de sementes de Piper cernum (r2=0. P<0. tildae Fig 1: Freqüência de itens alimentares encontrados nas fezes separados por espécie. fig 2).97. comprimento do antebraço e a medida da quarta falange (r=0. A. P<0. Houve correlação entre o comprimento do antebraço e o peso (r=0. 3).05.05).

1990. corroboram com os estudos de Passos (2006. 2001. L. dos Reis. demonstrando a preferência desta espécie por esse tipo de fruto. & Lima.C. Pedro. A. W. Paraná.A. W.. Nélio R. Open University Press.). N. Reis.Fig 3: Relação entre variáveis biométricas e diferenciação das espécies de morcegos registrados na Reserva Natural Salto Morato. dispersão de sementes e também como controladores de pragas.F. Estudos da dieta das espécies de frugívoros. podem ainda permitir a inferência de certos aspectos quanto a preferência e ao hábito alimentar das mesmas. 72 . somente nas fezes das espécies do gênero Artibeus. A grande quantidade de sementes de Piper cernum em fezes de Carollia perspicillata em relação as amostras de Artibeus jamaicenses e A. Para uma caracterização taxonômica da Ordem Chiroptera as medidas morfológicas. 2006. Philadelphia.L. A tabela 1 demonstra que para uma análise preliminar da composição de Quirópteros. I. pess. & Lim. Chiroptera Neotropical. Peracchi. houve maior incidência de espécies frugívoras de grande porte. 7 (1 – 2): 136 – 140. Referências Bibliográficas Fowler. & Cohen.A. hábitos alimentares diversificados e atuam na polinização de algumas plantas. através das fezes. com. F.). porém para uma análise mais criteriosa seria importante uma amostragem mais completa dessa comunidade. Passos. Pedro. Mammalia) da Estação Ecológica dos Caetetus. B. Practical statistics for field biology. Atuam junto com as aves na dispersão de sementes possibilitando uma melhor definição de áreas prioritárias para preservação.. Morcegos (Chiroptera.A (Eds. são utilizadas de maneira satisfatória e podem auxiliar na diferenciação das espécies ocorrentes em uma localidade.R. lituratus pode demonstrar que neste momento a espécie do gênero Carollia poderia estar atuando como forte dispersor da espécie. J.. Mamíferos do Brasil. K. pois possuem grande capacidade de vôo. como tamanho do antebraço. Discussão Levantamentos da Ordem Chiroptera são de grande importância para o dimensionamento de estratégias conservacionistas. Estado de São Paulo. Já a presença de sementes de Ficus sp.

é uma planta exótica invasora na área da Reserva Natural do Salto Morato. Muitos apresentam modificações morfológicas e comportamentais como corpo achatado e procura de abrigo no espaço intersticial de rochas ou na vegetação marginal. Brachiaria spp. Palavras-chave: Macroinvertebrados. algas filamentosas. Rios. 73 . areia e rochas sejam os mais comuns. A quantidade de microhabitats proporcionados pelos substratos em um determinado ambiente pode levar a um aumento da riqueza específica. Foi introduzida no local devido a criação de búfalos (Gatti. Concluímos que o aumento da riqueza está associada ao aumento da densidade e que esse aumento ocorre de modo ordenado. Em alguns trechos do rio Morato é observado uma vegetação marginal formada por Brachiaria spp. Brachiaria spp. A presença da Brachiaria spp. substratos orgânicos como raízes de plantas. impedindo assim que sejam arrastados. galhos ou árvores tombadas. Neste aspecto. Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto livre Resumo A vegetação marginal em ambientes lóticos proporciona abrigo e áreas de alimentação para diversos grupos de macroinvertebrados. abrigam organismos que necessitam de sistemas que os impeçam de ser arrastados pela correnteza. consequentemente aumentando a riqueza local. pacote de folhas. espécie-área.RIQUEZA DE MACROINVERTEBRADOS ASSOCIADA A DIFERENTES DENSIDADES DE Brachiaria spp. Introdução O substrato é uma característica bastante complexa do ambiente lótico que influencia na distribuição dos organismos (Vannote et al. ambientes em constante fluxo. 2000). Fabio Bertolini. nas margens pode disponibilizar estes recursos e consequentemente aumentar a riqueza localmente. fornecendo refúgio para uma série de espécies. vegetação marginal e até mesmo outros organismos. 1995). assim como pela presença de detritos orgânicos. uma vez que os organismos de água corrente vivem em estreita associação com o substrato que lhe oferece alimento e abrigo por exemplo. influencia na riqueza de macroinvertebrados associada e se esta riqueza aumenta ordenadamente. embora seja difícil generalizar sobre seus efeitos (Allan. 1995). Esta planta altera as características gerais das margens exercendo o papel de substrato a fauna. exercem também influência na distribuição dos organismos (Allan. Normalmente a diversidade também aumenta quanto maior for a estabilidade do substrato. Embora substratos minerais como silte. a vegetação marginal representa um ambiente ideal. Avaliamos se a densidade de Brachiaria spp. EM UM TRECHO DO RIO MORATO André M X Lima. 1980). que dificulta a regeneração da floresta nativa. No entanto..

05 (Fig. sendo díptera e ephemeroptera os grupos mais abundantes. (Tab. 1). medindo-se em cm. 1). Material e métodos A riqueza de macroinvertebrados foi determinada em cinco pontos ao longo de um gradiente de densidade de Brachiaria spp. localizada às margens de um trecho do rio Morato. O esforço amostral foi de cinco peneiradas por ponto..90. a quantidade de raízes situadas abaixo da lâmina d’água em relação à margem. As densidades foram estimadas. Análise de similaridade foi utilizada para comparar a composição específica entre as densidades.3= 29. Tabela 1: número de morfotipos por grupo Grupo Coleóptera Díptera Ephemeroptera Megaloptera Morfo X Odonata Palaemonidae Plecoptera Tricoptera Veliidae Número de morfotipos 2 4 4 1 1 2 1 2 3 1 Obteve-se um aumento da riqueza com o aumento da complexidade de Brachiaria spp. F1. 74 . sendo a identificação das morfo-espécies em campo.. Regressão foi utilizada para analisar o efeito da densidade na riqueza de macroinvertebrados. p<0. tendo o primeiro e o último ponto amostral os menores e maiores valores de riqueza respectivamente.05. Foi considerada alfa=0. Resultados Foi encontrada uma riqueza de 21 morfotipos.Este estudo objetiva testar se o aumento da densidade desta formação vegetal influencia de forma positiva e ordenada a riqueza da fauna associada.13. r²= 0.

0 12.24.. Análise de similaridade demonstrou um grau de ordenamento da comunidade.0 18.0 21.0 9. A maior quantidade de substrato disponível aumenta a possibilidade de ocorrência de espécies associadas à vegetação marginal. Figura 2: Similaridade da riqueza entre densidades de Brachiaria spp.0 3. e sim relacionada ao aumento da complexidade do substrato e comunidade associada.27 + 6.5 1 Densidade 1.93 Densidade) Maior similaridade foi obtida entre os gradientes 5 e 4 e entre os gradientes 3 e 2 (Fig. o que indica que a colonização da vegetação marginal não ocorre de forma aleatória. bem como propicia uma fonte de recursos para predadores relacionadas às espécies colonizadoras. Discussão O aumento da riqueza em relação a densidade corrobora a hipótese principal. Maiores densidades devem propiciar comunidades mais estruturadas em relação aos grupos funcionais e cadeia trófica.0 6.0 Riqueza 15. 75 .0 0. 2).0 0 0.5 2 Figura 1: Análise de regressão entre Densidade e Riqueza (Riqueza = 3. Esta vegetação funciona como abrigo para espécies que necessitam evitar o carreamento pela correnteza.

acarretando em menores índices de diversidade. esse aumento deve ocorrer com espécies de caráter generalista. & Cummins. 37. Fish. G. Guaraqueçaba – PR. o substrato disponível pela Brachiaria spp.S. 76 . Curitiba. Universidade Federal do Paraná. K. Minshall. Can. A. Referências bibliográficas ALLAN. J.Embora uma espécie exótica.D. GATTI. No entanto. Stream Ecology .. 130-137. The river continuum concept.Structure and Function of Running Waters. 1995.W. New York: Chapman & Hall. aumenta a riqueza de macroinvertebrados associadas à vegetação marginal.L. O componente epifítico vascular na Reserva Natural Salto Morato. Sci. Vannote. Aquat. passíveis de ocorrer em altos níveis de abundância. Dissertação de Mestrado. R. J. 2000. 1980.L.W.

podem apresentar limitações amostrais. caso permaneçam em uma comunidade com poucas variações (Crawley. abundância e diversidade de espécies. Índices de similaridade. índice Jaccard. 2000). 1997). a incidência luminosa varia entre os estratos conforme o estádio de desenvolvimento. Os índices de similaridades comumente utilizados subestimam a influência das espécies raras amostradas. Conforme os estádios sucessionais avançam as plantas que investem mais energia em tecidos de sustentação ocupam o sistema.Chao. porém. o que representa um desafio para estimativas precisas desses parâmetros (Chao et al. em ambientes tropicais. Durante o processo de sucessão ecológica. que devem apresentar períodos em que possuem uma vantagem relativa em relação às espécies comuns. estratificação. 1997). Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto orientado – Prof. inicialmente espera-se que a similaridade entre estratos diminua. estas são determinantes. Enquanto alguns índices de similaridade de espécies consideram apenas valores de riqueza e abundância. Os resultados demonstram que a inclusão das espécies raras no cálculo aumenta a similaridade entre as áreas.SIMILARIDADE DE ESPÉCIES ARBÓREAS ENTRE ESTRATOS FLORESTAIS EM DOIS ESTÁDIOS SUCESSIONAIS André M X Lima. Sorensen-Chao Introdução A luminosidade é um dos fatores determinantes para a composição da comunidade florística (Crawley. Dessa forma. estádios iniciais devem apresentar maior incidência de radiação proveniente da luz nos estratos inferiores que estádios mais avançados. 2004). que podem ser comuns entre amostragens. sucessão. Existem espécies que são naturalmente raras. Fabio Bertolini. especialmente em ecossistemas onde espécies raras estão presentes. Palavras-chave: similaridade. favorecendo a ocorrência de espécies heliófilas e pioneiras. como outros estudos sobre riqueza. esperando reduzir a subestimação. pois a cobertura vegetal funciona como um sistema de assimilação da radiação (Larcher. 77 . Este índice considera a ocorrência das espécies raras em relação ao todo amostrado. Comparamos a similaridade entre estratos de dois estádios sucessionais utilizando índices clássicos e índices que consideram o compartilhamento das espécies raras. Marcos Batalha Resumo Ao longo do processo sucessional. Jaccard-Sorensen-Chao propuseram um índice que inclui uma estimativa de ocorrência de espécies raras não identificadas em campo. devido a maior variabilidade na composição florística.

Outra denominada “capoeirinha”. Os cálculos foram obtidos por intermédio do aplicativo Estimate SWin 7. localizada em uma antiga zona de pastagem de búfalos. esperamos que: 1) no início do processo sucessional a similaridade florística diminua ao longo do tempo. portanto. Uma área é remanescente em estádio sucessional intermediário. apresentando pluriestratificação denominada “capoeirão”.285 Sorensen-Chao 0.51. isto é. em um estádio mais inicial em relação à primeira. em um total de 13 pontos.444 78 . encontra-se em processo de regeneração natural com 12 anos de recuperação e. Comparando os índices utilizados. em um estádio inicial a similaridade deve ser maior do que em outro mais tardio. A área de estudo situa-se na Reserva Natural Salto Morato (25º10'S e 48º15'W). Para obtenção dos índices de similaridade utilizou-se o método de ponto-quadrante. Foram calculados quatro índices de similaridade referentes às comunidades: Jaccard e Sørensen não modificados e ambos índices modificados por Chao et al. (2004) apresentaram uma maior similaridade em relação ao cálculo dos índices clássicos (Tab 1). Foram encontradas 34 espécies no “capoeirão” e 26 espécies na “capoeirinha”.488 0.Assim.527 0. (2004). A vegetação arbórea nos estratos inferiores (entre 0.5m) foi amostrada. 2) os índices clássicos de Jaccard e Sorensen subestimam a similaridade quando comparados aos índices modificados por Chao et al.5 e 2m de altura) e superiores (a partir de 2. Tabela 1: índices de similaridade para as duas áreas Área Capoeirão Capoeirinha Jaccard 0.375 Jaccard-Chao 0.69 0.323 0. (2004).23 Sorensen 0. Resultados Uma maior similaridade entre os estratos foi encontrada na área 1. os índices corrigidos por Chao et al. localizada em área de floresta ombrófila densa. Em ambas as áreas determinou-se uma transecção e a cada 10m era estabelecido um ponto amostral. Procuramos responder as seguintes perguntas: Em uma região de floresta pluvial atlântica a similaridade florística entre os estratos inferior e superior diminui ao longo do processo sucessional? Os índices clássicos de Jaccard e Sorensen subestimam a similaridade? Material e métodos Duas áreas pertencentes a diferentes estádios sucessionais foram amostradas e comparadas em relação aos seus índices de similaridade.

Crawley. K. Cambridge. a similaridade reduz e somente retorna a aumentar conforme o ambiente se torna mais tardio (Chao. Ecology Letters. espera-se inicialmente uma maior similaridade entre os estratos inferiores e superiores visto que as espécies heliófitas estão presentes em ambos os estratos. Assim postulamos que a área “capoeirinha” não se encontra em um estádio inicial de sucessão.. Durante o processo de sucessão. J. uma maior similaridade foi verificada na área 1. As espécies pioneiras encontravam-se nos estratos superiores mas não nos estratos inferiores. R. 79 . 7:xxx-xxx. fato que pode ser explicado pela falta de linearidade no processo de desenvolvimento dos estádios sucessionais (Figura 3).Discussão Ao contrário do esperado. 2004). 1997. 2004. Chazdon. devido à variação na similaridade ao longo do tempo (Chao. & Shen. R. Em ecossistemas tropicais. Blackwell Science. A inclusão das espécies raras compartilhadas não vistas no cálculo aumentou similaridade entre as áreas e refletiu de forma mais acurada.. Larcher. Plant Ecology. 2004). M. Rima Artes e Textos. dada à alta incidência de espécies raras elas não devem ser desconsideradas. Referências bibliográficas Chao. A. Entretanto. W. mas sim está em via de tornar-se uma área em estádio intermediário de regeneração. Colwell. ao longo do processo sucessional. 2000. T. o índice pode superestimar as amostragens se não considerado o momento em que se encontra determinado estádio sucessional. No entanto. Ecofisiologia Vegetal. São Carlos. L. A new statistical approach for assessing similarity of species composition with incidence and abundance data.

Material e Métodos Foram selecionadas duas áreas em diferentes estádios de sucessão. taxa de crescimento. em dois estádios sucessionais. para verificar diferenças de investimento em crescimento. dispersão e capacidade competitiva (Odum 2001/ Ricklefs 2003). os quais apresentam maior luminosidade. Os indivíduos de estádio inicial alocam maior energia em crescimento e reprodução precoce para colonizar rapidamente os habitats recém-criados ou perturbados. são compostos por espécies de rápido crescimento. As espécies de clímax se dispersam e crescem mais lentamente. investindo por exemplo. 80 . resultando também numa modificação do ambiente físico pela própria comunidade (Odum 2001).ESTÁDIOS SUCESSIONAIS INICIAIS EM FLORESTAS TROPICAIS APRESENTAM PLANTAS COM MAIORES TAXAS DE CRESCIMENTO? André M X Lima. Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto orientado – Prof. 1998). pequena área foliar e alta taxa de razão de área foliar. por apresentar maior densidade de plantas. Palavras-chave: luminosidade. O objetivo da pesquisa foi comparar características morfológicas foliares de arbóreas de dois estádios sucessionais. Algumas características indicativas deste investimento são. Nesta pesquisa comparamos características morfológicas foliares indicativas do potencial de crescimento dos indivíduos em função do investimento em tecidos fotossintentizantes. em tecidos de sustentação e defesas químicas em detrimento do rápido crescimento (Crawley 1997/ Odum 2001/ Ricklefs 2003). Uma em estádio mais inicial. denominada capoeirinha e a outra. A substituição de espécies no processo sucessional é acompanhada por uma mudança no balanço entre características que promovem o crescimento. A substituição de espécies no processo sucessional é acompanhada por uma mudança no balanço entre adaptações que promovem o crescimento. Ambientes em estádio inicial de sucessão. As espécies de estádios iniciais e tardios tendem a apresentar diferentes padrões de crescimento e reprodução. representada pela proporção de tecido fotossintetizante em relação à massa total do ramo (Lambers et al. Eduardo Arcoverde Resumo Espécies características de estádios iniciais de sucessão alocam maior energia em crescimento e reprodução precoce. Introdução Nos ambientes terrestres a sucessão ecológica é uma progressão ordenada do desenvolvimento da comunidade que envolve alterações em sua estrutura e composição. dispersão e capacidade competitiva. foi chamada de capoeirão. Fabio Bertolini. sucessão ecológica.

em 15 pontos alocados a cada 10 metros ao longo de um transecto. Figura 1: histograma de freqüência de indivíduos nas diferentes classes de área foliar em Capoeirinha e Capoeirão. tanto na Capoeirinha. (Fig. AFE= área da folha / massa da folha e RAF= soma da área de todas as folhas do ramo/ massa total do ramo. verificou-se um predomínio de indivíduos com pequena área foliar. Um ramo de cada indivíduo foi coletado para mensuração da área das folhas e posteriormente pesados o ramo e as folhas para determinação da área foliar (AF). com predominância nas duas menores. Os padrões encontrados nas freqüências de AFE foram semelhantes. as freqüências de maior valor ocorreram nas classes intermediárias. 43 indivíduos e 13 espécies. segundo as fórmulas: AF= d1/2 x d2/2 x 3. área foliar específica (AFE) e razão da área foliar (RAF). quanto no Capoeirão. Os dados foram analisados por histogramas de freqüência. sendo d1= comprimento da folha e d2= largura da folha. 81 . enquanto em Capoeirão a predominância esteve restrita a classe denominada 100 e em duas das maiores classes não foi registrada a ocorrência de espécies (Fig. 1).1416. 2). Resultados Dentre os 43 indivíduos amostrados na Capoeirinha e pertencentes a 17 espécies. salvo que na Capoeirinha ocorreram espécies em todas as classes. enquanto no Capoeirão.Através do método de ponto-quadrante foram amostrados os indivíduos arbóreos com perímetro a altura do peito igual ou maior a 10 cm.

Figura 2: Histograma de freqüência de indivíduos nas diferentes classes de área foliar específica na Capoeirinha e Capoeirão. Na Capoeirinha houve um predomínio de espécies na classe 40. Ambas as áreas apresentaram maior predomínio de indivíduos nas classes de menores RAF. Figura 3: Histograma de freqüência de indivíduos nas diferentes classes de razão de área foliar na Capoeirinha e Capoeirão. enquanto no Capoeirão o maior número de observações foi na classe 80 (Fig. a classe predominante em cada área foi distinta. porém. 82 . 3).

F. Ecofisiologia vegetal. a ocorrência de algumas espécies em classes de menor valor indicando estádio mais inicial. Chapin III. semelhante à fisionomia do Capoeirão. Odum. Editora Guanabara-Koogan. 1998). H. é provável que nestes locais a instalação de indivíduos adaptados à ambientes com excesso d´água seja favorecida. E. Oxford. conforme esperado e de acordo com os parâmetros analisados. Rio de Janeiro. e apresentaram menor densidade de indivíduos. pode ser explicada pelo própria dinâmica do processo de sucessão. S. Referências Bibliográficas Crawley. 83 . também pode sugerir uma escassez de nutrientes no solo e uma conseqüente limitação do crescimento. 1998) quando comparado à Capoeirinha. Lisboa. No Capoeirão. 2000. 2001. T. Ricklefs. 1997. devido à necessidade de evolução do substrato para que espécies mais tardias possam se instalar (Crawley 1997). Plant physiological ecology. M. o que pode ser explicado pela heterogeneidade observada na área. observa-se uma maior freqüência de espécies em classes intermediárias.Discussão As menores áreas foliares encontradas em árvores da capoeirinha podem ser explicadas pela alta disponibilidade de luz no ambiente. W.. outros estavam altamente alagados. L. maior área foliar específica e maior razão de área foliar. Sendo a saturação hídrica um fator limitante para muitas espécies. Rima Artes e Textos. 2003. P. 1998. Todas estas variações ambientais observadas na Capoeirinha podem estar determinando a ocorrência de espécies com diferentes estratégias de alocação de recursos o que explica a variedade de classes de freqüência para os parâmetros indicativos de investimento em crescimento. Larcher. Plant Ecology. Fundação Calouste Gulbenkian. Lambers. Em geral. J. & Pons. Blackwell Science. Sendo que. fato este que pode acarretar na redução da necessidade de grandes áreas de tecido fotossintetizante. São Carlos. onde a substituição de algumas espécies colonizadoras não foi completada. O histórico de uso da Capoeirinha como pastagem de búfalos. Deve-se ainda considerar o fato de que o processo sucessional nestes ambientes seja mais lento. portanto um menor investimento em crescimento rápido (Lambers et al. R. Enquanto alguns trechos apresentaram um solo mais estruturado e uma vegetação mais desenvolvida. Springer-Verlag. tanto de folhas quanto dos ramos (Ricklefs 2003). ou seja. A freqüência de espécies nas diversas classes de área foliar específica e a razão de área foliar na capoeirinha indicam a ocorrência de indivíduos tanto de estádios iniciais quanto de estádios mais tardios. A economia da natureza. New York. Fundamentos de Ecologia. minimizando os efeitos da evapotranspiração (Lambers et al. plantas de locais abertos são tolerantes aos altos níveis de radiação solar (Larcher 2000). E.

g. Rossa-Feres & Jim. Pess. Como os trabalhos com comunidades de anuros detectam variações espaciais e as relacionam com partilha de recurso postula-se que a sobreposição entre os nichos seja pequena. Introdução No processo competitivo.). Quando há sobreposição de nichos. a competição deve ocorrer caso os recursos sejam limitantes (Ricklefs 2003). Os dados são provenientes de uma pesquisa sobre distribuição espacial dos anuros (Martins et al. com. até sobreposição total destes fatores (e. Begon 2006). modelo nulo. generalistas ou partilhando o recurso (Ricklefs 2003. Há comunidades que apresentam desde partilha espacial e temporal até comunidades onde há sobreposição total de nichos. competição. Concluímos que a comunidade estudada apresentava sobreposição de nicho e que esta estrutura espacial não poderia ser explicada pela competição por sítio de vocalização Palavras-chave: Distribuição espacial.A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE ANUROS É PRODUTO DE COMPETIÇÃO? André M X Lima. investigamos se a distribuição espacial de uma comunidade de nove espécies poderia ser derivada por interação competitiva por sítio de vocalização. as taxas de entrada de recursos por indivíduo reduzem e consequentemente. As espécies podem apresentar desde partilha espacial e/ou temporal completa. não publicado) somados a dados obtidos no mesmo local (Garey. podendo inclusive culminar em hibridação natural (ver Haddad et al. na Reserva Natural Salto Morato. Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto orientado – Prof. nicho. anuros. Maurício Moura Resumo A organização espacial de comunidades de anfíbios anuros é pouco compreendida. 1990). Anfíbios anuros apresentam uma variação espacial quanto aos componentes envolvidos na atividade de vocalização. Através de simulações de modelo nulo. crescimento e sucesso na reprodução também podem diminuir (Begon 2006). 1988. sobrevivência. 2001). neste caso os indivíduos tendem a minimizar os efeitos da competição tornando-se mais especialistas. Testamos se a distribuição espacial encontrada difere de valores obtidos por modelos nulos. Para padronizar a amostra foram definidas três classes de altura (distância do poleiro em relação ao solo) para os indivíduos que estavam vocalizando na área. Fabio Bertolini.. Bernarde & Kokubum 1999. Nesta pesquisa analisamos se distribuição espacial é estruturada pela competição. 84 .. Material e métodos Foram analisados dados sobre a distribuição espacial de anuros em uma poça temporária em área aberta. baseado na avaliação de sobreposição de nichos.

1). 1872 Miranda-Ribeiro. Resultados As análises foram realizadas com 41 indivíduos distribuídos em nove espécies (Tab. A matriz original foi aleatorizada 100 vezes utilizando-se o programa EcoSim 7. 0. 1821 A. 2). o valor de sobreposição média observado foi 0. A variância observada. 1926 Wied-Neuwied. 1888 chão arbustivo arbóreo 2 0 0 1 9 1 0 0 0 0 0 0 0 0 8 3 2 1 0 0 0 0 1 8 4 1 2 Constatou-se a existência de uma pequena sobreposição de nichos nesta comunidade. uma distribuição dos valores de sobreposição tornando possível associar uma probabilidade ao valor observado. 1). Lutz. Caramaschil. Para quantificar a sobreposição de nicho foi utilizado o índice de Czekanowski (Gotelli & Ellison. 1991 Peters.72.362.. O valor de sobreposição observado está situado no histograma no intervalo de maior freqüência (Fig. 1926 B.Foi elaborada uma matriz de número de indivíduos de cada espécie que estavam utilizando cada classe de altura variável por nicho.128 (Fig.175. Foi constatada a existência de uma diferenciação no uso do recurso Tabela 1: Número de espécies em cada nicho Espécie Chaunus abei Physalaemus spiniger Hypsiboas faber Scinax fuscovarius Scinax littoralis Dendrophsops microps Scinax argyreonatus Phyllomedusa distincta Scinax gr. 1925 Pombal & Gordo. Em cada matriz aleatorizada foi calculado um novo valor de sobreposição gerando assim. foi diferente da esperada 0. catharinae Autor Baldissera Jr. 1950 Boulenger. 85 . enquanto o valor médio simulado foi 0. 2004).333. Haddad. Lutz. 2004 Miranda-Ribeiro.

12 8 0. obtidas de 100 aleatorizações da matriz de uso do espaço. O intervalo indicado representa a classe da média de sobreposição observada. 1988. O intervalo indicado representa a classe da média de sobreposição observada. 0. Os resultados indicam que a sobreposição observada não difere da esperada ao acaso. 13 4 0. 12 3 0. 0. 12 3 0. 33 33 3 3 0. 0. 15 1 0. 0. Discussão Em comunidades estruturadas por competição espera-se que ocorra uma maior sobreposição de nichos. Rossa-Feres & Jim 86 0. 31 31 3 3 0. 17 8 . 16 2 0. 0. 0. 15 6 0. 0. 17 3 0. 50 50 4 4 0. 11 7 0. 16 7 0. 14 5 0. 14 5 0. 12 8 0. 48 48 5 5 0.25 20 Freqüência 15 10 5 0 0. Ao longo do processo evolutivo isto pode acarretar na exclusão de algumas espécies ou a uma redução na limitação do recurso pelo fato dos organismos tornarem-se mais especialistas ou mais generalistas. 11 7 0. 46 46 6 6 0. 40 40 9 9 0. 15 6 0. 15 1 0. 13 9 0. 13 4 0. 10 6 0. 11 1 0. 0. 0. 52 3 Intervalo de sobreposição Figura 1: Histograma de freqüência de médias de sobreposição de nicho. Freqüência de Variâncias 25 Freqüência 20 15 10 5 0 Figura 2: Histograma de freqüência de variâncias da sobreposição de nicho. 17 3 Intervalo de Variâncias 0. 13 9 0. 38 38 9 9 0. 42 42 8 8 0. 0. 0. 11 1 0. 44 44 7 7 0. Embora as espécies de anuros compitam em diversos aspectos (Haddad et al. 37 37 0 0 0. 35 35 1 1 0. 29 4 0. obtidas de 100 aleatorizações da matriz de uso do espaço. 16 2 0. 16 7 0.

V. L. Rossa-Feres. São Leopoldo. Brasil (Amphibia: Anura). Rio de Janeiro. 739744. Estado de Minas Gerais. 3.2001). M. Brasília. C. 9-20. Programa de PósGraduação em Ecologia e Conservação. A estrutura espacial dentro da comunidade pode indicar quais sub-grupos podem estar interagindo e quais as possibilidades de recursos limitantes. A. or the ghost of competition. F. 1999. Hiert. Brasil Florestal. n. C. N. A. Andrade. tais como competição por alimento ou predação. n. L. C & Carvalho.. Anfíbios anuros no Parque Estadual da Serra da Canastra. Sinauer Associates. Hibridação natural entre Bufo ictericus e Bufo crucifer (Amphibia: Anura). p. p.. independente de ter ocorrido competição ou não no passado. Estado de São Paulo. M. v. 2004. 87 . J. Haddad. Kokubum. Massachusetts. C. 35:131-138 Bernarde. F. Rio de Janeiro. D. Mesmo assim. v. O ambiente influencia na distribuição das espécies de anfíbios anuros? Ecologia da Floresta Atlântica – curso de campo 2006.J. neste local a competição pelo substrato não é determinante para a distribuição espacial da comunidade. Referências bibliográficas Connel. mas a diferenciação no uso de determinado recurso pode ser resultante de um processo de competição no passado (Connell 1980). Martins. 50. p. Brasil. Curitiba. J. Haddad. 1980. & Cardoso. p. B. os valores significativos da variância revelam que existem subcompartimentos dentro da comunidade os quais podem ter sidos estruturados por diversas pressões.. H. devido às limitações e adaptações de cada espécie. 1990. 2006. J. 439-454. 64. A. D. v. 21. B. Inc. UFPR. Revista Brasileira de Zoologia. Revista Brasileira de Biologia. J. Similaridade do sítio de vocalização em uma comunidade de anfíbios anuros na região noroeste do Estado de São Paulo. S. 2. v. Acta Biológica Leopoldensia. Pode também ser resultado do processo filogenético histórico. C. Cardoso. G. n. 1988. A primer of ecological statistics. 18. Oikos. & Ellison A.M. Gotteli. 2001. 1. 8997. & Castanho. Publishers. J. Anurofauna do Município de Guararapes. Diversity and the coevolution of competitors. N. & Jim. P.

Quando um processo competitivo se estabelece os indivíduos tendem a minimizar seus efeitos tornando-se mais especialistas. Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto Orientado – Prof. crescimento e reprodução podem diminuir pelas taxas reduzidas de entrada de recursos por indivíduo (Begon 2006). este estudo testou se a estratégia de forrageamento difere entre algumas espécies de Tyrannidae. Caracterizam-se pela captura de insetos durante o vôo em áreas abertas. Várias espécies da família Tyrannidae apresentam comportamentos alimentares semelhantes. Em muitos casos. 88 .A PARTILHA DE RECURSOS OCORRE ENTRE ESPÉCIES DE TYRANNIDAE COM O MESMO NICHO APARENTE? André M X Lima. Esta semelhança no hábito de forrageamento sugere que um processo de competição possa estar ocorrendo entre representantes simpátricos da família Tyrannidae. James Roper Resumo Várias espécies da família Tyrannidae apresentam comportamentos alimentares semelhantes. competição. Introdução O processo de competição pode ocorrer quando um recurso não está disponível em quantidade suficiente para atender a demanda dos indivíduos de qualquer espécie. Quando há competição. Begon 2006). Neste sentido. apesar da similaridade entre estratégias. os comportamentos indicam que têm estratégias diferentes de forrageio. Na competição de interferência observa-se uma interação direta entre os organismos na disputa pelo recurso (Ricklefs 2003). empoleirando-se na copa das árvores (Sick 1997). consequentemente evitando competição. mas o fato de explorarem um mesmo recurso reduzindo a sua disponibilidade no ambiente caracteriza uma competição por exploração. As espécies mostram uma divisão de recursos baseada em diferenças entre vôos e comportamentos de forrageio. um competidor não interage diretamente com o outro. as taxas de sobrevivência. Este estudo testou se a estratégia de forrageamento difere entre três espécies de Tyrannidae a partir da observação de tempo de forrageamento e comportamento durante o vôo de captura da presa. forrageamento ótimo. propondo que. Fabio Bertolini. sugerindo que usam os mesmos recursos. generalistas ou partilhando o recurso (Ricklefs 2003. Palavras-chave: Tyrannidae. especialização. indicando que provavelmente usam recursos de modo diferente por espécie.

Após algumas observações preliminares in situ.vôo ascendente-descendente em relação ao poleiro. os comportamentos foram classificados em seis tipos (Fig. 4. melancholicus (n= 56).05). Resultados Cinco espécies foram observadas: Tyrannus melancholicus. Figura 1.acima do nível do poleiro.05). maculatus. sendo consideradas nas análises apenas as com número amostral suficiente: T. 2).abaixo do nível do poleiro. M. Comportamentos durante o vôo de captura. início e término de duas atividades de forrageio. melancholicus (r2= 0. 1). Legatus leucophaius. F= 2. 3.vôo descendente-ascendente em relação ao poleiro. leucophaius difere de M. sendo 1. 2. e 6. Pitangus sulphuratus. além do tipo de comportamento durante o vôo de captura e se retornava ou não para o mesmo poleiro.3.3. L. p>0. 5.vôo no mesmo nível do poleiro. maculatus (n= 37). 89 . Myiodynastes maculatus e Elaenia sp. Em relação ao tempo de vôo de captura da presa (Fig. Ao localizar o indivíduo eram registrados os horários (h:m:s): da localização.09. As setas indicam a direção de vôo realizado pelos indivíduos amostrados. Não existe diferença entre as espécies quanto ao retorno para o mesmo poleiro após o forrageamento (G= 2. GL=2. Tempo de vôo entre as espécies foi analisado com análise de variância (ANOVA) e comportamento durante o forrageio analisado com teste de independência e análise de correspondência. mas ambos não diferem de T.Material e métodos Espécies da família Tyrannidae foram observadas por 16 horas de amostragem em áreas abertas localizadas dentro da Reserva Natural Salto Morato e no seu entorno. p<0.forrageio sem deslocamento. leucophaius (n=19). L.

A análise de correspondência mostra que há alguns comportamentos característicos para cada espécie (Fig.05).0 3 Legatus leucophaius 0. melancholicus mostrou-se mais variável sem demonstrar uma preferência.0 -1. Tempo de vôo de captura da presa. O comportamento 3 foi preferido por L. e a maior.8. M. maculatus esteve mais relacionada ao comportamento 5 e 1. A espécie menor.0 Tyrannus melancholicus 1 6 Myiodynastes maculatus -0. 3). maculatus. T. O comportamento de forrageio diferiu entre as espécies (G= 25.5 5 -1.5 0. enquanto M. 90 . L. vôos menores. Comportamento das espécies durante o vôo de forrageio.5 1. leucophaius. p<0.5 4 2 c1 0. GL= 10.0 Figura 3. 1.Figura 2. teve a tendência de fazer vôos maiores. leucophaius.0 -0.0 c2 0.

Deve-se considerar ainda se essa competição ocorre atualmente ou é resultado de competição no passado (Connell 1980). 91 . Rio de Janeiro. Sick.. 1980. 35:131-138 Ricklefs.. Blackwell Publishing. Ecology from individuals to ecosystems. R. Odum. Lisboa. M. Malden. existe uma tendência para divergir quanto aos comportamentos relacionados à estratégia de forrageamento.P.DISCUSSÃO As espécies de Tyrannidae diferem quanto à estratégia de forrageamento. H. or the ghost of competition. Guanabara Koogan. H. Connel. Diversity and the coevolution of competitors. J. As variações de estratégia podem estar associadas à captura de diferentes tipos de presa e características morfológicas resultantes do processo evolutivo. 2006. Essas diferenças de especializações também podem ter ocorrido para minimizar os efeitos da competição interespecífica pelo recurso alimentar (Odum. 2001. Ornitologia brasileira. Oikos. J. 2001). A economia da natureza. Harper. E. Townsend. 1997. Rio de Janeiro. 2003. L. Embora aparentem utilizar o mesmo nicho. R. Referências Bibliográficas Begon. C. onde caracteres mais ajustados ao sucesso do forrageio fixaram-se em cada espécie. Fundamentos de ecologia. Fundação Calouste Gulbenkian. Nova Fronteira. E.

2000). A abundância e variedade destes recursos alimentares e não alimentares são fatores que atuam sobre a estrutura e composição específica das comunidades de peixes (Aranha et al. existem muitas especializações tróficas. A captura envolve diferentes táticas alimentares e. Algumas espécies de peixes desenvolveram estratégias de forrageamento que incluem hábitos do tipo “captura na superfície”. captura e ingestão. caracteriza-se por um trecho de poço de fundo arenoso e água clara. ou seja. Fabio Bertolini. Introdução Os recursos de origem terrestre são importantes para a alimentação das espécies de peixes. A aquisição de alimento é um processo que envolve procura. Material e métodos A área de estudo. detecção. Guaraqueçaba. Palavras-chave: Characiformes. Este aporte tem sua importância refletida de duas formas: inicialmente pelo aporte de frutos. baseado no impacto da queda e qualidade do recurso. Este estudo buscou responder se a variação na intensidade do impacto de material alóctone influencia a estratégia de forrageio de Characiformes. este estudo visa testar se a variação na intensidade do impacto de material alóctone influencia a estratégia de forrageio de lambaris. Paloma K Gusso & Renata Ribas Projeto livre Resumo O aporte de material alóctone representa uma importante fonte de recursos para a cadeia trófica em ambientes lóticos. 1994). O conhecimento sobre suas atividades alimentares pode fornecer subsídios para a compreensão do funcionamento do ecossistema e pode auxiliar na aplicação de técnicas de manejo em populações naturais Partindo deste pressuposto. o peixe orienta-se em direção a ele e tenta ingeri-lo. 2000). Concluiu-se que a intensidade do impacto associada a percepção sensorial determina a estratégia utilizada.O IMPACTO DE MATERIAL ALÓCTONE NA ESTRATÉGIA DE FORRAGEIO DE CHARACIFORMES André M X Lima. localizada no Rio Morato. pois constituem uma das maiores vias de entrada de matéria orgânica para o sistema (Henry et al. porém. aporte de recursos. sementes e insetos terrestres que são diretamente ingeridos pela ictiofauna. boa parte destes indivíduos demonstram uma grande plasticidade alimentar (Aranha et al. e pelo aumento da concentração de matéria orgânica particulada importante para a alimentação dos vertebrados e detritívoros (Esteves e Aranha 1999). forrageamento ótimo. no caso dos peixes de água doce. A ordem Characiformes é comum no rio Morato (Barreto & Aranha 2005) 92 . após detectar um objeto que caia na água.

1). que se alimentam de organismos que caem e flutuam na superfície (Aranha et al.e apresenta indivíduos que possuem hábitos de captura do tipo “surface picker”. Com a isca alimento obteve-se 20 registros de movimentação e manipulação nas 3 classes de altura. em intervalos de dez segundos em duas diferentes alturas do nível da água (3m e 10cm). 20 de movimentação. Resultados Com a isca controle.3s sob a lâmina d’água (Tab. nenhuma manipulação quando colocada sob a lâmina d’água. uma palatável (alimento). oito de movimentação. que consistia em pedaços de pão e outra não palatável (controle).2s de tempo médio de manipulação na altura 3m.1m man 0. que consistia em pedaços de galhos secos. enquanto a isca comida sempre foi atacada (Fig.5 10. Com cada isca foram realizados vinte lançamentos. obtendo 10. obteve-se 20 registros dos dois tipos de reação e 2. independente do tipo da isca.1 de tempo médio de manipulação na altura 10 cm. 1) Tabela 1. registro de movimentação (mov). ou seja.5 de tempo médio de manipulação na altura de 3m. dois de manipulação e 0.4 t mov 20 20 3m man 20 20 2. Para o entendimento da técnica de forrageamento dos indivíduos foram selecionadas duas iscas com tamanhos semelhantes. Grandes impactos sempre incitam a reação dos peixes. A falta completa de impacto não incita nenhuma resposta à isca controle e em contraste sempre incita para a isca comida. Foram anotados três tipos de reação às iscas (sem ou com movimento de busca e manipulação da isca) e o tempo de manipulação após captura. 93 .4s em 10cm e 7.2 T Alimento 20 Discussão O sistema de forrageamento causado pela queda de material alóctone tem como primeiro componente o impacto do alimento no espelho d’agua e secundariamente a percepção sensorial. manipulação (man) e tempo médio de manipulação (t) para as três classes de altura Altura Isca Controle 8 mov 0 20 0m man 0 7. 1998). 8. Impactos intermediários incitam algumas reações para a isca controle.3 t Mov 20 20 2 20 0. mais uma série de 20 repetições nas quais a isca colocada sob a lâmina d’água.1 8.

Paraná. Takeutei D... Habitat use and food partitioning of the fishes on a coastal stream of Atlantic Forest. Fogaça. Para um maior entendimento do sistema de forrageamento deste grupo.. J. dieta alimentar e história evolutiva das espécies. 2(27): 153-160. sendo que existe um limiar na intensidade do impacto do material alóctone que determina a estratégia de forrageamento.C. Henry R. Sci.M.R. o que é importante para forrageio em sistemas como este. Input of allochthonous matter and structure of fauna in a Brazilian headstream.não ocorreu. Nos tratamentos com um grande impacto. Aranha. F. Nos tratamentos com pouco ou nenhum impacto as iscas controle eram praticamente ignoradas. Trop. Gomes.S.M. mostrando que Characiformes possuem mecanismos para detectar a qualidade da isca.O.V. Uieda. Rev. pterostictum (Characidiinae) in a coastal stream of Atlantic Forest (Southern Brazil).M 1994. Afonso.A. os organismos responderam à presença da isca. 1.. J.. Ao mesmo tempo. Brazilian Archives of Biology and Technology.R.N. selecionando sua palatabilidade após sua captura. fica claro que os Characiformes são bem eficientes na sua habilidade de reconhecer e separar alimento de material inerte.. Isso sugere que para alcançar o forrageamento ótimo. lanei and C. 2000.R. Referências bibliográficas Aranha J. C. de O.. 2005. 46(4): 951-959.. 25(3): 1867-1869. Biol.P.ocorreu).Figura 1: Histograma das freqüências do evento manipulação (0. Biol. T.M. como discernimento da qualidade do alimento.R. A.. Yoshimura. & Aranha J. Acta Sci. 5(43): 527-531. Assembléia de peixes de um riacho da Floresta Atlântica: composição e distribuição espacial (Guaraqueçaba. 94 . A.Kikuchi. Brasil).R. são necessárias informações sobre percepção sensorial. 1998. Barreto. Brazil.F. Verhandlungen der Internationale Vereinigung fur Theoretische und Angewandte Limnologie. os lambaris avaliam a presa em relação a sua massa e qualidade. Feeding of two sympactric species of Characidium.

1998). Índice de Shannon. Palavras-chave: Diversidade. a explicação de como e porque ocorrem mudanças na diversidade espacial e temporalmente. 1988). Filogenética Introdução As questões a respeito da diversidade e de como realizar suas medições é há muito tempo uma das questões centrais da ecologia e até o momento não existe um consenso a respeito de sua efetividade. Para comparação entre diversidade taxonômica e de Shannon-Wiener foram utilizados 54 indivíduos das subformações aluvial e submontana. As diferenças entre espécies que ocorrem em uma comunidade ecológica é o resultado de modificações sofridas a partir de um ancestral em comum ( Webb et al. Índices de diversidade baseados na abundância das espécies são uma alternativa para a mensuração da diversidade. 1988). Floresta Ombrófila Densa. De maneira geral a importância da diversidade de um ambiente está atrelada a três aspectos principais. sendo essas avaliações cada vez mais usadas para definição de espécies e áreas de grande interesse para conservação (Clark & Warwick. De maneira geral a diversidade não pode ser medida apenas com a utilização de dados como a abundância e a riqueza de espécies e cada vez mais o parâmetro filogenético vem sendo inserido neste cálculo (Clark & Warwick. a eficácia na utilização destes índices como parâmetros de qualidade ambiental e de como esses índices devem ser medidos para evidenciar a realidade (Magurran. A diversidade taxonômica combina a abundância das espécies com a proximidade filogenética para gerar um índice de diversidade (Silva & Batalha. 2002). Shannon e Wiener independentemente desenvolveram uma função conhecida como índice de diversidade que assume que indivíduos são amostrados aleatoriamente em uma população de tamanho infinito e que todas as espécies estão representadas na amostra (Magurran. Índice Taxonômico. 1998).COMPARAÇÃO ENTRE O INDÍCE DE DIVERSIDADE TAXONÔMICA E DE SHANNONWIENER PARA UM GRADIENTE DE FLORESTA OMBRÓFILA DENSA Denilson Roberto Jungles de Carvalho Projeto individual Resumo O uso de parâmetros filogenéticos na mensuração dos índices pode sanar problemas encontrados em alguns índices clássicos e a comparação entre eles pode ajudar no entendimento das comunidades. o índice de Shannon sugere a existência de um gradiente entre as subformações. Métodos recentes de avaliações filogenéticas permitem uma acuidade nas definições de proximidade das espécies (Webb et al. Clark e Warwick (1998) desenvolveram um 95 . 2006). 2002). O índice taxonômico não apresentou diferença entre os ambientes.

divididos em sub-transectos de 50m que correspondiam a vegetação aluvial. montana e altomontana (IBGE. 1992). além da presença de palmeiras de pequeno porte e lianas herbáceas em maior quantidade (IBGE. Para inclusão dos indivíduos no inventário tomou-se como base um perímetro altura do peito – PAP. Neste trabalho procurou-se verificar se há diferenças entre dois índices de diversidade e se esses podem explicar as variações dentro de um gradiente de Floresta Ombrófila Densa. com alfa de 0. 2001). Material e Métodos O estudo foi realizado na Reserva Natural Salto Morato. a submata é integrada por plântulas de regeneração natural. de transição e submontana. 2006). A análise de gradientes pode detectar descontinuidades de uma forma objetiva e pôr em destaque as relações entre as populações componentes (Odum. poucos nanofanerófitos. 96 . A tipologia vegetal da região está classificada como Floresta Ombrófila Densa.05 (Fowler & Cohen. meso e microfanerófitos de rápido crescimento. A sub-formação aluvial ocorre ao longo dos cursos de água. Os transectos foram dispostos perpendicularmente ao rio Morato (quatro transecções) e ao rio do Engenho (uma transecção). Os dados foram analisados com o auxílio do programa Past v. de terras baixas. Esta formação é constituída por macro. igual ou superior a 15cm e as medições foram realizadas apenas nos indivíduos que cruzavam a linha da transecção. Segundo as faixas altimétricas as seguintes sub-formações estão presentes: Floresta Ombrófila Densa aluvial. além de lianas lenhosas e epífitos em abundância. Todos os indivíduos foram contados e identificados de gênero a clado utilizando o Angiosperm Phylogeny Group Classification (The Angiosperm Phylogeny Group. suas principais características ficam por conta dos fanerófitos de grande porte.33b e para comparação entre os sub-transectos foi utilizado o teste t (Zar.método para mensurar a diversidade taxonômica muito sensível a perturbações ambientais e apropriado para avaliar as diferenças entre comunidades (Silva & Batalha. Para cada local (aluvial. Guaraqueçaba – PR. além de grande número de epífitas e poucas parasitas (IBGE. 1998) e de Shannon-Wiener (Magurran. 1. 1992). caracterizada por fanerófitos de vida macro e mesofanerófitos. submontana. 1988). A característica ombrotérmica de elevadas temperaturas e de alta precipitação bem distribuída durante o ano determinam uma situação bioecológica praticamente sem período seco. 2003). 1992). apresenta com freqüência um dossel emergente e os estratos são ocupados por muitas lianas lenhosas e herbáceas. 1990). Já a sub-formação submontana apresenta os fanerófitos com alturas aproximadamente uniformes. Para o levantamento da vegetação foram implantados cinco transectos de 150m de comprimento. transição e submontana) foram cálculados os índices de diversidade taxonômico (Clark & Warwick. 1999).

Guaraqueçaba. foi observado diferenças entre ambientes de transição e submontana (t1. 1). 2). Para os índices de Shannon. o mesmo ocorrendo entre os ambientes aluvial e submontana (t1.05). Tabela 1: Classificação das espécies amostrados e respectivas abundância e riqueza para cada local avaliado na Reserva Natural Salto Morato. Não houve diferença entre os índices taxonômicos (tab. P < 0. PR. P = 0. Myrtaceae 1 Rubiaceae 1 Família Euphorbiaceae Rubiaceae Moraceae Melastomataceae Lauraceae Mimosaceae Sapindaceae Euphorbiaceae Vochysiaceae Fabaceae Flacourtiaceae Rubiaceae Melastomataceae Lauraceae Myrtaceae Myrtaceae Euphorbiaceae Mimosaceae Rubiaceae Myrtaceae Sapindaceae Myrtaceae 1 Rubiaceae Ordem Malpighiales Gentianales Rosales Myrtales Laurales Fabales Sapindales Malpighiales Myrtales Fabales Malpighiales Gentianales Myrtales Laurales Myrtales Myrtales Malpighiales Fabales Gentianales Myrtales Sapindales Myrtales Gentianales Abundância Riqueza (gênero) Clado Euroside I Euasterides I Eurosides I Rosides Magnoliides Eurosides I Eurosides II Eurosides I Rosides Eurosides I Eurosides I Euasterides I Rosides Magnoliides Rosides Rosides Eurosides I Eurosides I Euasterides I Rosides Eurosides II Rosides Euasterides I Aluvial Transição Submontana 2 2 2 1 1 0 1 0 3 1 0 0 0 1 1 1 0 0 0 1 1 1 2 21 15 0 0 0 4 1 1 1 2 0 1 1 0 1 0 0 0 4 1 2 1 2 0 0 22 13 0 2 0 0 0 0 1 2 0 0 0 2 2 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 10 7 97 .44=2.05).03.44=2. Abundância Gênero Alchornea Bathysa Ficus Miconia Lauraceae 1 Pseudopiptadenia Cupania Pera Vochysia Andira Casearia Psychotria Tibouchina Lauraceae 2 Marlierea Myrcia Hyeronima Inga Posoqueria Marlierea Matayba sp.78. 1). A maior abundância foi encontrada na área de transição e a maior riqueza na floresta aluvial (tab.Resultados No total foram amostrados 54 indivíduos de 22 gêneros (tab.

não há como inferir que um ou outro seja mais adequado para demonstrar a realidade do ambiente. de modo que podemos considerar os três como uniformemente estruturados. Nas situações em que a proximidade filogenética é importante. 4. Sua utilização estará vinculada ao tipo de situação na qual se quer aplicar o índice.774) Discussão A variedade de índices de diversidade e da forma como são calculados pode gerar uma sério problema em trabalhos de ecologia e conservação. J.Tabela 2: Índices de diversidade taxonômico (e respectivos limites inferior e superior) e de ShannonWiener para cada local avaliado na Reserva Natural Salto Morato. Os índices taxonômicos não apresentaram diferenças em relação às sub-formações estudadas.F.606 (4. Referências bibliográficas Fowler. 4. Open University Press.264. Ecological diversity and its measurement. E. Practical statistics for field biology. 2001). Magurran.647 (4. Este índice é um dos melhores para fazer comparações quando não há interesse em separar os componentes da diversidade uma vez que é razoavelmente independente do tamanho da amostra (Odum.367 4. Philadelphia.. Floresta Aluvial Índice Taxonômico Índice de ShannonWiener 4. Para o entendimento dos processos ecológicos em comunidades e muito importante que as distâncias filogenéticas sejam estabelecidas entre as espécies (Silva & Batalha. Cambridge. 2006). Em contrapartida os índices de Shannon-Wiener apresentaram algumas diferenças entre os ambientes o que indica a existência de um gradiente.368 4. 1990. não leva em conta a proximidade filogenética entre as espécies considerando apenas a abundância e a riqueza da comunidade estudada. Guaraqueçaba. A. o índice de Shannon-Wiener torna-se mais adequado. o índice taxonômico deve apresentar resultados satisfatórios.574 (4. & Cohen.368. 98 . 1988. Esse método. PR.264 4. visto principalmente a diferença nas metodologias para os respectivos cálculos. L. Devido ao método filogenético deste índice o mais provável é que não exista um gradiente no ambiente. porém.662) Floresta Submontana 4. 4. Quanto à utilização de um ou outro desses índices em ecologia e conservação de comunidades. em situações onde a abundância e a riqueza das espécies são prioritários.367.179pp. UK.657) Transição 4.

The AGP. 2003. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: AGP II. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436. Clarke, K. R. & Warwick, R. M. 1998. A taxonomic distinctness index and its statistical proporties. Journal of Applied Ecology 35: 523-531. Webb O. C. et al. 2002. Philogenies and community ecology. Annual Review of Ecology Systematics 33: 475-505. IBGE. 1992. Manual técnico da vegetação brasileira. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Odum, E. P. 2001. Fundamentos de ecologia. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Silva, I. A. & Batalha, M. A. Taxonomic distinctness and diversity of a hyperseasonal savanna in central Brazil. Diversity and Distributions, no prelo.

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RIQUEZA E ABUNDÂNCIA DA MACROINVERTEBRADOS TERRESTRES EM UM GRADIENTE DA FLORESTA ATLÂNTICA

Marco Aurélio Bregenski Projeto Individual Resumo O estudo testou a abundância de macroinvertebrados em um gradiente da Floresta Atlântica e verificou a relação entre riqueza de espécies e serapilheira, partindo do pressuposto que riqueza está relacionada com a heterogeneidade de habitats, num gradiente entre borda e interior de floresta com medição da altura da serapilheira. Foram identificados 31 grupos taxonômicos e 14 morfoespécies, num total de 150 indivíduos. Não houve relação entre riqueza e abundância e nem preferência de grupos por diferentes habitats. Palavras-chave: artrópodos; insetos; análise de correspondência; Salto Morato.

Introdução Em habitats terrestres, a maioria dos elementos circula através dos detritos na superfície do solo. As plantas assimilam nutrientes do solo muito mais rapidamente do que o intemperismo os gera a partir do material parental. Dessa forma a produção vegetal depende da rápida reciclagem dos nutrientes a partir dos detritos e sua retenção dentro do ecossistema (Ricklefs, 1996) Inúmeros são os grupos taxonômicos que compõem a fauna edáfica de invertebrados e algumas classificações como a apoiada no tamanho e mobilidade dos organismos é bastante difundida atualmente entre os pedobiólogos tropicais. Essa divisão classifica os animais em microfauna (< 0,2m), mesofauna (0,2 – 2,0mm) e macrofauna (>2,0mm) (Ducatti, 2002). Como macrofauna, são classificados os animais de grande mobilidade, que exercem importante papel no transporte de materiais (Poggiani et al., 1996; Lopes Assad, 1997) e prever o número, o tipo e a atividade dos organismos que podem ser encontrados num determinado solo é difícil, pois eles dependem além do clima e da vegetação, de fatores do solo como umidade, temperatura, aeração, acidez, suprimento de nutrientes e de energia e grau de perturbação (Ducatti, 2002). A serapilheira é a camada sob a camada vegetal, constituído de folhas caídas, ramos, caules, cascas e frutos depositados sobre o solo. Esse reservatório de nutrientes é reciclado pelas atividades de incontáveis anelídeos, moluscos, insetos, crustáceos, ácaros, que consomem detritos. Os macroinvertebrados desenvolvem ações no solo que, por suas especificidades, conferem-lhes papel de destaque na ciclagem de nutrientes. Essas especificidades estão relacionadas principalmente com o volume de material que pode ser modificado, em suas características genéticas, pelos grupos de animais envolvidos (Lopes Assad, 1997).

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Desta forma, ambientes mais heterogêneos espacialmente podem acomodar mais espécies, pois apresentam maior quantidade de micro-climas e refúgios. Além disso, mais espécies podem ocorrer em uma comunidade do que outra devido à maior quantidade de recursos (Townsend et al., 2006) O presente estudo teve como objetivo testar a abundância de macroinvertebrados de um gradiente da Floresta Atlântica e verificar a relação com a profundidade da serapilheira.

Material e Métodos O estudo foi realizado na Reserva Natural Salto Morato, PR (Coordenadas UTM 772161 S; 7212393 W, Datum horizontal SAD69) nos dias 25 e 26 de outubro de 2006, no período da manhã, em uma área de floresta, próxima ao rio Morato. Foram feitas duas transecções de 100 metros cada, onde foram amostradas 20 parcelas de 30 x 30cm, distantes 10 metros entre si, dispostas de maneira a representar o gradiente entre borda e interior da floresta. As amostras foram coletadas manualmente, acondicionadas individualmente em cartuchos plásticos. A medida de espessura da serapilheira foi tomada para cada parcela. O material coletado foi triado em laboratório e a identificação realizada por grupos taxonômicos, com auxílio de microscópio estereoscópico e chave dicotômica. Para verificar a relação entre riqueza de espécies e altura da serapilheira foi utilizada regressão linear. Para verificar a tendência das espécies com relação às áreas amostradas foi realizada uma análise de correspondência.

Resultados Foram identificados 30 morfoespécies de macroinvertebrados, distribuídos em 14 grupos taxonômicos, num total de 150 indivíduos coletados (Tab. 1). Os grupos mais abundantes foram os Opillionidae, Hymenoptera, Coleoptera e Crustacea, este com 46 indivíduos identificados. Araneae, foi o grupo com a maior riqueza de espécies, 6 no total. Os grupos que apresentaram menor riqueza de espécies foram: Dermaptera, Mollusca, Diplura, Chilopoda, Acarina, Orthoptera e Annelida, representados por apenas 1 morfoespécie. A espessura da serapilheira nos 20 pontos amostrados variou de 3cm a 6cm. A análise de correspondência não revelou nenhuma tendência das espécies em relação a maior espessura da serapilheira (Fig. 1). Foi realizado também regressão relacionando a riqueza de espécies com a espessura da serapilheira, não mostrando uma relação entre as variáveis.

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Análise de correspondência com ordenação das morfoespécies em relação às áreas amostradas com diferentes profundidades de serapilheira. Grupos Blatodea Moefoespécies 1 batara m1(a) barata m2(b) besouro m1© Coleoptera besouro m2(d) besouro m3 (e) formiga m1(f) formiga m2 (g) Hymenoptera formiga m3 (h) formiga m4 (i) minhoca m1 (j) Anellida opilião m1 (k) Opillionidae opilião m2 (l) opilião m3 (m) aranha m1(n) aranha m2 (o) aranha m3 (p) Araneae aranha m4 (q) aranha m5 ® aranha m6 (s) gastropoda m1(t) Mollusca amphipoda (u) Crustacea m2 (v) m3 (x) m1(y) Diplura m1(w) Diplopoda centopéia m1(z) Quilopoda centopéia m2 (ab) grilo m1(ac) Orthoptera tesourinha m1(ad) Dermaptera carrapato m1(ae) Acarina TOTAL 1 2 1 2 2 3 1 2 1 1 1 2 14 1 1 2 1 1 2 2 1 1 4 3 1 1 1 1 1 1 1 6 2 1 4 11 3 1 1 2 1 2 17 2 13 28 14 13 10 10 25 1 9 14 1 6 1 4 4 1 4 2 2 1 3 1 46 11 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 2 18 1 2 22 1 3 1 1 1 1 1 1 1 7 3 pontos amostrados 4 5 6 7 1 1 total 8 1 9 10 5 30 Figura 1. Guaraqueçaba.Tabela 1. A distância entre cada ponto evidencia a relação entre espécies e espessura da serapilheira (as espécies estão representadas por letras). PR. Grupos taxonômicos e respectiva abundância ao longo de um gradiente de perturbação na Reserva Natural Salto Morato. num gradiente de perturbação na Reserva Natural Salto Morato. 102 .

A Economia da Natureza. & Masunari. M. profundidade de aeração. Diplopoda e Dermaptera. 1984. Biologia dos solos dos Cerrados. Portanto. à umidade. pois são animais que possuem hábitos noturnos. Rio de Janeiro. n. Revista Brasileira de Zoologia. 103 . 2004). J.. 1996.T & Hungria. New York. Ricklefs.. Poggiani. Townsend. 1-44 Price. 2006. mostrando que este não é um fator determinante para a presença dos animais. Guanabara Koogan. da. R. temperatura e umidade (Ducatti. a riqueza e abundância de espécies. P. os organismos de solo são afetados por compactação. Distribuição de abundância de Talitroides topitotum na área de entorno da Usina Hidroelétrica de Guaricana. que proporciona uma maior diversidade de microhabitats. Práticas de ecologia florestas. pois alguns grupos foram encontrados tanto nas áreas de maior quanto menor espessura de serapilheira. Porto Alegre.1996. p. entre outros. Fauna edáfica em fragmentos florestais em áreas reflorestadas com espécies da Mata Atlântica. & Harper. A baixa presença de Amphipoda nas diversas amostras pode estar relacionada à umidade. São Paulo. & Cunha. L. Oliveira. G. F. M. Foi observada uma baixa densidade de morfoespécies em toda a extensão do gradiente. USP. M. diminuição da qualidade e quantidade de material orgânico e redução do abrigo ou locais para oviposição. Lopes. Os anelídeos também tiveram pouca abundância. parece estar relacionada.O. C. (2 ed). M (Ed). EMBRAPA. Referências Bibliográficas Ducatti. Documentos Florestais.L. Apesar da serapilheira ser importante para a presença destes animais. pois são suceptíveis a vários fatores abióticos e bióticos que afetam sua condição de vida e sua atividade no solo. 2004. e principalmente. fatores que poderiam explicar a ausência ou à baixa abundância de espécies que são freqüentes neste tipo de substrato.Discussão O número de espécies de um local pode ser determinado por fatores históricos ou ecológicos. Neste contexto.. Insect Ecology. De modo geral. 1984). tiveram baixa abundância.A. Lopes Assad. R. R. 2002). Paraná. Planaltina. 478p. ficando durante o dia escondidos sob pedras e cascas de árvores. W. Dissertação de Mestrado. S. No estudo não foram medidas a umidade temperatura da serapilheira. Begon. Fauna de solo. além da heterogeneidade da serapilheira. F.. In: Vargas. Guaratuba. 2002. pois alguns animais ajustam suas atividades diurnas para períodos mais úmidos do dia. as espécies encontradas não mostraram relação aparente com a heterogeneidade. Artmed Ed. E. Ed.E. conforme a análise de correspondência Os grupos Chilopoda. 1997. Wiley Intersience. Fundamentos em Ecologia.16. a riqueza depende da diversidade de recursos dentro de um biótopo (Price.C. L. 21(2): 1-13. pois são espécies muito exigentes quanto à umidade (Lopes et al.

Passeriformes. 1998). Estas experiências podem modificar a conduta do indivíduo em um prazo mais longo que somente o período pós-trauma. A reprodução do canto ou chamado específico. capturas com redes de neblina e anilhamento fornecem dados sobre riqueza. 1998. geralmente como isca para auxiliar na captura de indivíduos de determinadas espécies (Kearns et al. é utilizada para complementar a coleta dos dados associados às capturas. técnica denominada como playback. 2003). efeito secundário. 2005). Nesta pesquisa. tanto indivíduos capturados quanto os que foram alvos de tentativas devem apresentar mudanças de conduta em relação ao canto reproduzido e visualização do observador. não somente com aves. O estudo mostrou que há alteração na conduta dos indivíduos em relação à distância mínima de aproximação e tempo de permanência. Material e métodos Área de estudo 104 . Palavras-chave: comportamento.MUDANÇAS DE CONDUTA EM PASSERIFORMES (AVES) COMO EFEITO SECUNDÁRIO DE TÉCNICAS DE CAPTURA André M. Lima Projeto individual Resumo Técnicas de captura/playback são comuns em estudos sobre aves. X. abundância. dependendo da forma como este a percebe e assimila (Bibby et al. a experiência da captura tem o potencial de traumatizar e alterar a conduta de indivíduos. Entre as técnicas utilizadas. Whalen & Watts. playback. territorialidade e sobrevivência (Bayne & Hobson. Desta forma. Foi testado se indivíduos presentes em uma área de pesquisa que utiliza tais técnicas respondem ao playback de modo diferenciado em relação a indivíduos de áreas sem essa influência. Porém. mas a experiência da captura tem o potencial de traumatizar e alterar a conduta de indivíduos. diversidade. Nesta pesquisa estudaram-se os efeitos dos procedimentos de captura no comportamento de resposta ao canto e chamado intraespecíficos reproduzidos por playback em espécies de Passeriformes. foram estudados os efeitos secundários dos procedimentos de captura no comportamento de resposta ao canto e chamado intraespecíficos em espécies de Passeriformes em duas áreas: área sob influência das técnicas e outra controle. a fim de distinguir indivíduos de uma população. mas com também com outros vertebrados (Hauser 1998. captura.. Hansen & Slagsvold. 1999). Introdução Estudos populacionais de aves invariavelmente dependem de metodologias baseadas em captura. 2002. Hill & Greenaway.

squamata e 3 de M. Espécies Três espécies endêmicas da Floresta Atlântica. sendo 17 de C. squamosa. Drymophila squamata e Myrmeciza squamosa (Thamnophilidae). os indivíduos que formam casais com os anilhados e casais que não foram anilhados. Utilizou-se regressão linear para avaliar se a variação no tempo desde a captura estaria associada a mudanças de conduta. mas que foram alvos em tentativa de captura. somam um mínimo de 12 indivíduos. uma vez por dia. foram anilhados 10 indivíduos de C. foram estudados (Tab. 6 de D. Nesta área ainda. Nas análises estatísticas foi empregado o teste t de Student para testar se há diferenças entre as médias de tempo de resposta e distância mínima de aproximação em relação ao indivíduos anilhados e não anilhados e entre as áreas. melanops. constantemente se aproximando a menos de dois metros da fonte do som (observação pessoal). Entre julho e setembro de 2006. 12 de D. totalizando 19 indivíduos capturados e anilhados. ambas localizadas na Trilha da Figueira. nos quais foram tomados a distância mínima de aproximação o tempo de resposta ao playback de cada indivíduo identificado. localizada na Reserva Natural Salto Morato. por dois dias. o pesquisador aproximou-se a 25m do indivíduo para obter os mesmo dados. 105 . Guaraqueçaba. As áreas foram amostradas de forma alternada. Paraná. A reprodução não se estendeu por mais de que 6 minutos até que algum indivíduo respondesse. 1). Resultados Um total 32 indivíduos.Foram consideradas duas áreas amostrais de aproximadamente 10 hectares: área onde foram empregados esforços de captura (tratamento) e onde não foram (controle). As três espécies podem responder de forma instantânea e se aproximam do pesquisador quando este reproduz canto ou chamado específicos. que habitam o sub-bosque de áreas florestadas foram estudadas: Conopophaga melanops (Conopophagidae). Amostragem Em cada área foram definidos dez pontos de reprodução dos cantos das três espécies a cada 100m. pois são espécies territoriais e monogâmicas. squamosa na área tratamento. É possível contabilizar os indivíduos desta forma. Caso os indivíduos fossem escutados sem o emprego do playback ou a distâncias estimadas a mais de 50m. squamata e 3 de M. melanops.

05) (Fig.1 m enquanto da área controle foi 1 m. Os indivíduos da área da pesquisa se aproximam em média a distâncias maiores da fonte de som que os da área controle (t8.05). P <0. melanops T C D. a) Distância minima (cm) 1500 1300 Tempo (s) Controle Tratamento 1100 900 700 200 500 300 100 150 100 Controle Tratamento b) 400 350 300 250 Figura 1: Médias (± 95%) da distância mínima (a) e tempo de permanência (b) em relação à fonte de som.9=3.Tabela 1. O tempo mínimo de aproximação foi 35 s na área tratamento e 88s na controle. 106 . PR Espécie Área C C.6. Guaraqueçaba. P<0. PR. squamosa T Anilhado não sim não sim não sim N 9 1 7 6 1 5 1 1 1 Os indivíduos da área tratamento responderam de forma diferenciada ao playback em relação aos da área controle. A distância máxima no tratamento foi 26 m e no controle 8. e permaneceram respondendo por menos tempo após localizar a fonte (t3.5 m. Número de indivíduos amostrados nas áreas Controle (C) e Tratamento (T) na Reserva Natural Salto Morato. em áreas Tratamento e Controle na Reserva Natural Salto Morato. Guaraqueçaba. A aproximação mínima de um indivíduo da área tratamento foi de 3.1). squamata T C M.5=3.1.

Os indivíduos anilhados se aproximam menos da fonte de som que os não anilhados (t13. os indivíduos anilhados se em média aproximam menos da fonte de som que os da área controle (t13=2.Comparando indivíduos anilhados e não anilhados. P <0. melanops respondeu de forma diferenciada nos dois testes: os indivíduos da área da pesquisa se em média aproximam menos da fonte de som que os da área controle (t8.8.1. a) 1900 1700 1500 Distância mínima (cm) Tempo (s) Controle Tratamento 1300 1100 900 700 500 300 100 150 100 50 Controle Tratamento b) 400 350 300 250 200 c) d) 107 . P<0.0. Analisando as espécies. P <0. PR. squamosa não apresentou número amostral suficiente para análises estatísticas (Tab. Guaraqueçaba. 3). P <0.9. e permaneceram respondendo por menos tempo após localizar a fonte (t9. 2).6=3. M.1=2.9.8=3.05). 1). C.0 P<0. a) 1500 1300 Distância mínima (cm) Tempo (s) Não anilhado Anilhado 1100 900 700 500 300 100 150 100 350 300 250 200 b) 400 Não anilhado Anilhado Figura 2: Médias (± 95%) da distância mínima (a) e tempo de permanência (b) em relação à fonte de som de indivíduos anilhados e não anilhados na Reserva Natural Salto Morato.05). 3).4=1. obteve-se resultados semelhantes em relação a comparação entre áreas (Fig.05) e permanecem respondendo por menos tempo (t11.05). P<0.05) (Fig. e permaneceram respondendo por menos tempo após localizar a fonte (t11=1.05) (Fig.

1900 1700 1500 Distância mínima (cm) 1300 1100 900 700 500 300 100 Não anilhado Anilhado Tempo (s)

400 350 300 250 200 150 100 50 Não anilhado Anilhado

Figura 3: Médias (± 95%) em áreas Tratamento e Controle de distância mínima (a) e tempo de permanência (b) em relação à fonte de som; e de distância mínima (c) e tempo de permanência (d) de indivíduos anilhados e não anilhados na Reserva Natural Salto Morato, Guaraqueçaba, PR.

A espécie D. squamata respondeu de forma diferente em relação à distância mínima de aproximação na área tratamento controle (t6,6=2,5; P<0,05) e em relação a indivíduos anilhados (t4,9=3,0; P<0,05) (Fig. 4), mas não ao tempo de permanência. Embora não houve diferença, indivíduos da área controle e não anilhados nunca saíram antes de terminar o tempo máximo de reprodução, ao contrário dos indivíduos das outras categorias. a)
1500 1300 Distância mínima (cm) Controle Tratamento Distância mínima (cm) 1100 900 700 500 300 100

b)
1500 1300 1100 900 700 500 300 100 Não anilhado Anilhado

Figura 4: Médias (± 95%) de distância mínima de aproximação de D. squamata em áreas Tratamento e Controle (a) e entre indivíduos anilhados e não anilhados (b) na Reserva Natural Salto Morato, Guaraqueçaba, PR.

A regressão linear não mostrou relação entre tempo desde a captura e variações na resposta ao experimento.

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Discussão Passeriformes sofrem efeitos secundários resultantes das técnicas de captura/playback empregadas. Tanto indivíduos anilhados quanto os não anilhados que estavam na mesma área responderam de forma semelhante. Indivíduos em áreas onde ocorrem esforços de captura se aproximam menos e permanecem por menos tempo nas proximidades da fonte de som que reproduz seu canto. Como efeito secundário, estes indivíduos tornam-se mais ariscos em relação ao canto intraespecífico e possuem capacidade de reconhecer a experiência da captura/playback. Uma mudança de conduta que torna um indivíduo mais arisco em relação aos indivíduos ao redor pode influenciar no seu valor adaptativo. O fato do indivíduo se expor menos diminui as possibilidades de interações que regulem sobrevivência e sucesso reprodutivo, como a predação por animais que utilizem a percepção sonora como parte da estratégia de forrageio, caso de aves de rapina (Sick 1997). Algumas espécies de aves emitem chamados que não os da própria espécie, com o intuito de predar indivíduos de outras espécies atraídos pela reprodução do seu canto específico (Atkinson, 1997). A capacidade de reconhecer também pode acarretar em efeitos semelhantes. Esta habilidade de reconhecer e assimilar novas interações incrementa o valor adaptativo, principalmente em relação ao balanço energético em uma escala de dias, pelo fato do indivíduo investir menos energia para reconhecer algo que não compensa esse gasto. Considerando as espécies analisadas, os indivíduos de C. melanops são capazes de reconhecer a experiência, enquanto D. squamata aparenta reconhecer. Caso não, é possível que esta espécie possua um comportamento territorialista mais insistente que C. melanops. As mudanças de conduta detectadas podem influenciar na sobrevivência e sucesso reprodutivo de indivíduos de Passeriformes. Embora sejam modificações com aparente pouca importância em escalas populacionais, podem ser importantes no desenvolvimento de pesquisas que utilizem estas e outras técnicas com o mesmo potencial e que estudem comportamentos que possam estar sendo influenciados pela própria técnica de trabalho.

Referências bibliográficas Atkinson, E. 1997. Singing for your supper: acoustical luring of avian prey by Northern Shrikes. Condor 99:203-206. Bayne, E. M. & Hobson, K. A.. 2002. Annual survival of adult american redstarts and ovenbird in the southern boreal Forest. The Wilson Bulletin 114(3):358-367. Bibby, C.; Jones, M. & Marsden, S. Geographic Society. London. Hansen, B. T. & Slagsvold, T. 2003. Rival imprinting: interspecifically cross-fostered tits defend their territories against heterospecific intruders. Animal Behaviour 65:1117-1123. Hauser. M. D. 1998. Functional referents and acoustic similarity: field playback experiments with rhesus monkeys. Animal Behaviour 55, 1647–1658 109 1998. Expedition field techniques: Birds surveys. Royal

Hill, D. A. % F. Greenaway. 2005. Effectiveness of an acoustic lure for surveying bats in British woodlands. Mammal Review 35 (1), 116-122. Kearns, G. D.; Kwartin, N. B.; Brinker, D. F. & G. C. Haramis. 1998. Digital playback and improved trap design enhances capture of migrant Soras and Virginia Rails. Journal of Field Ornithology 69(3):466-473. Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, Rio de Janeiro. Whalen, D. M.; e B. D. Watts. 1999. The influence of audio-lures on capture patterns os migrant northern saw-whet owls. Journal of Field Ornithology 70(2):163-168.

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et al. cujas características se alteram ao longo de seu curso. Características de geomorfologia. Brachiaria Introdução A distribuição dos organismos aquáticos é limitada pelo gradiente de habitats distintos. com fluxo unidirecional. rio continuum. Espécies são geralmente restritas a subgrupos relacionados a regiões particulares deste gradiente. 2006). A vegetação terrestre que margeia um riacho tem dois tipos de influência sobre a disponibilidade de recursos: sombreamento do leito do riacho. mais espécies podem ocorrer em uma comunidade do que outra devido à maior quantidade de recursos (Townsend et al. riacho. pois apresentam maior quantidade de micro-habitats. reduzindo a produtividade de algas e outras plantas e a perda de folhas contribuindo para o suprimento de organismos (Caramaschi et al. Riqueza. ictiofauna. Os rios e riachos são ambientes lóticos. Além disso. causando uma alteração na paisagem e principalmente na estrutura alimentar. abundância. diversidade. equitatibilidade e similaridade foram avaliadas. Ambientes mais heterogêneos espacialmente podem acomodar mais espécies. 111 . partindo do pressuposto que a diversidade está relacionada à maior heterogeneidade espacial e à disponibilidade de recursos ao longo do curso do rio. são determinadas por (a) fatores ambientais físicos que limitam o potencial de distribuição de espécies e (b) interações bióticas que determinam o sucesso realizado pelas espécies (Wellborn et al. 2006). conduzindo a uma alta mudança de características na estrutura de comunidades. influenciando a interação entre fatores biológicos e físicos na bacia hidrográfica.A INFLUÊNCIA DO GRADIENTE LONGITUDINAL NA ASSEMBLÉIA DE PEIXES DO RIO MORATO. com possíveis implicações para a heterogeneidade e disponibilidade de recursos (Romanuk et al. 1999). Townsend. Mudanças na estrutura da comunidade ao longo do gradiente de habitats aquáticos. 2006). clima. associados a maior variação de micro-climas e refúgios. influenciando fortemente a composição das comunidades aquáticas (Caramaschi et al. 1996). GUARAQUEÇABA – PR Kelly Dayane Aguiar Projeto individual Resumo A associação entre heterogeneidade espacial e gradiente longitudinal foi estudada para a ictiofauna do rio Morato. regimes de distúrbios naturais e dinâmica do corredor ripário têm reflexos sobre os sistemas lóticos. Acredita-se que ao longo do gradiente longitudinal processos a montante em rios determinam os de jusante. Palavras-chave: estrutura de comunidade. e indicaram mudanças da composição da assembléia de peixes de acordo com o gradiente longitudinal. 1999.

em esforço padronizado de 20 peneiradas e 10 arrastos em cada local. 1). PR (Coordenadas UTM 772161 S. 7212393 W. corredeira (ambiente com predomínio de pedras). 1999). sendo acondicionados em recipiente com água e depois liberados. O gradiente longitudinal de rios está relacionado a uma mudança no padrão espacial ao longo do curso do rio. 1988).s-1). 1). remanso (predomínio de águas mais lênticas) e vegetação (influência de Brachiaria spp. Também foram mensurados em cada ponto a profundidade (cm). Para testar se a frequência de espécies varia conforme o gradiente (pontos) foi utilizado o teste de independência ( 2) e a análise de correspondência para representar a interdependência das espécies em relação ao gradiente. 1999. Desta forma. em cinco pontos até a área de início da influência da vegetação de Brachiaria spp.. Os pontos foram denominados: salto (corredeira próximo à queda de água do Salto Morato). Reserva Natural do Salto Morato. no rio Morato. 1995). Os indivíduos foram identificados e contados. a temperatura (ºC) e o grau de sombreamento (fechado. indicando um gradiente longitudinal. Crenuchidae e Characidae (Characiformes). Resultados Dentre as 11 morfo-espécies coletadas. a correnteza (m. semi-fechado. Para testar se o gradiente do rio influencia na estrutura e composição da ictiofauna calculou-se a diversidade de Shannon. o objetivo do presente estudo foi testar a influência do gradiente longitudinal do rio Morato na estrutura e composição da assembléia de peixes. seis morfo-espécies de Siluriformes. a Equitatibilidade de Pielou e a similaridade de Bray-Curtis (Magurran. a largura (m). Para testar se os pontos apresentam similaridade com base na abundância das espécies. três espécies ocorreram apenas no ambiente de poço denominado aquário e três espécies foram comuns a áreas de remanso (poços) (Tab.Os peixes de riacho apresentam padrões evolutivos característicos de estrutura de comunidade e estratégia de ciclo de vida que propiciaram uma maior diversidade de espécies associada aos diferentes micro-habitats (Caramaschi et al. Lowe-McConnell. três foram exclusivas do substrato vegetação. Neste contexto. A captura dos peixes foi realizada utilizando uma peneira (60 cm de diâmetro) e uma rede de arrasto (70x150 cm). aquário (ambiente de poço). caracterizada por um continuum de alterações nos habitats e na composição de espécies refletindo a heterogeneidade espacial e disponibilidade de recursos (Allan. Material e métodos O trabalho foi desenvolvido no trecho à jusante do Salto Morato. utilizou-se a análise de agrupamento. 112 . aberto). pode-se esperar que ao longo do gradiente do rio existam maior riqueza e abundância de peixes relacionados ao aumento da heterogeneidade. Os exemplares distribuíram-se respectivamente entre as famílias Loricariidae. Poeciliidae (Ciprinodontiformes) (Tab. Datum horizontal SAD69).).

Guaraqueçaba-PR. principalmente entre salto e vegetação.63 0.54).Tabela 1. O lambari. 2). 1). lanei. Guaraqueçaba-PR..7 vegetação 1. (Tab. P < 0.05) caracterizando o gradiente longitudinal.43) e posteriormente de salto e corredeira (0.64 0. Reserva Natural Salto Morato. .. através da interdependência das espécies em relação ao tipo de habitat.4 0.25).. A diversidade foi maior na área de vegetação e a equitatibilidade foi maior no salto. Lista de espécies de peixes e respectivas abundâncias ao longo do gradiente no rio Morato. onde a equitatibilidade foi mais baixa (Tab. GL = 40. D. representou 44% da amostra no remanso (Tab. refletindo o gradiente longitudinal do rio Morato (Fig. Ordens Siluriformes Famílias Espécies Cascudo morfo 1 Cascudo morfo 2 Cascudo morfo 3 Cascudo morfo 4 Cascudo morfo 5 Cascudo morfo 6 Ancistrus multispinnis Characidium lanei Deuterodon lanei Mimagoniates microlepis Phalloceros caudimaculatus Total salto corredeira aquário 1 1 1 remanso vegetação Total 1 1 1 4 2 1 1 2 27 15 15 70 2 Characiformes Loricariidae Crenuchidae Characidae Poeciliidae 1 5 Ciprinodontiformes 9 2 6 20 1 12 10 1 24 2 2 1 1 1 3 8 18 3 5 A maior abundância foi encontrada no ambiente de remanso. Reserva Natural Salto Morato. Diversidade Equitatibilidade salto 0.98 0. aquário 1...78 remanso 0. 1). Foi observada menor abundância de indivíduos próximo ao Salto Morato. 2).92 corredeira .7.. 113 . que tende a aumentar em direção a área mais vegetada (G = 58. variando entre 1 e 12 indivíduos. Diversidade e equitatibilidade da ictiofauna ao longo de um gradiente no rio Morato. Verificou-se maior similaridade entre os ambientes aquário e remanso (0. seguida de aquário e vegetação (0.84 A análise de correspondência indicou a distinção entre os ambientes amostrados. Tabela 2.

demonstrando como os ambientes estruturam a assembléia de peixes. O salto e a corredeira possivelmente têm maior correnteza pela proximidade com o Salto Morato e as áreas de poço (aquário e remanso) apresentam maior profundidade. A ordem Siluriformes (cascudos) foi o grupo mais freqüente. ou seja. A abundância de indivíduos acompanhou o gradiente longitudinal. Nesta área estão presentes espécies vegetais invasoras (Brachiaria 114 . 2005).Figura 1. a mudança na composição de espécies ao longo do curso do rio. 2005). que representam mais de 30% da ictiofauna registrada para o rio Morato (Barreto & Aranha. Não foi encontrada relação entre o gradiente longitudinal e os parâmetros: profundidade. concordando com a associação de subgrupos de espécies para cada tipo de habitat. A distância entre cada ponto evidencia a relação entre espécies e tipo de habitat. corroborando resultados anteriores (Barreto & Aranha. Discussão Neste estudo foram encontradas 11 morfo-espécies. temperatura e grau de sombreamento. correnteza. Análise de correspondência entre freqüência de espécies em cada ponto amostrado no rio Morato. largura. A tendência de aumento da diversidade ao longo do gradiente sugere a maior heterogeneidade da área com influência da vegetação.

E.) com características homogêneas. Barreto. Porto Alegre. Desta forma. Jackson. P. 115 . R. K. Ecography 29:1-8. em detrimento do gradiente longitudinal (Wellborn et al. N.. Stream Ecology: Structure and function of running waters. Acta Scientia Biological Scientarum 27(2): 153-160. As espécies de peixes podem apresentar preferência por determinado tipo de habitat. Edusp.. A ausência de relação entre o gradiente longitudinal do rio Morato e os parâmetros: profundidade. & Aranha. R. Romanuk.. Magurran. Mechanisms creating community structure across a freshwater habitat gradient. M. largura. G. caracterizando o padrão de distribuição da ictiofauna de acordo com a proporção de micro-habitats em cada ambiente e a oferta de recursos. Townsend. Assembléia de peixe de um riacho de Floresta Atlântica: composição e distribuição espacial (Guaraqueçaba. Artmed. The structure of food webs along river networks. E. & Martinez. J. Harper. Mazzoni & Peres-Neto. A. 1995. deve-se provavelmente à falta de variabilidade na amostragem e à dependência da sazonalidade no padrão temporal da comunidade de peixes. Rio de Janeiro. pois salto e corredeira apresentam maior fluxo de água e aquário e remanso são poços. L. H. 1996. M. R. 1999. 2005. E. Ecological diversity and its measurement. as quais possibilitam a dominância de poucas espécies. R. Oecologia Brasiliensis. & Werner. 2006. Chapman & Hall. São Paulo. N. Princeton.) 1999. J. (eds. J. Referências bibliográficas Allan.. A similaridade da assembléia de peixes parece estar relacionada com as semelhanças dos ambientes. temperatura e grau de sombreamento. R. Princeton University. 2006. Ecologia de peixes de riacho VI. McCauley. London. cuja profundidade distingue estes ambientes mais lênticos.. D. Post. Begon. A. Wellborn.. sugerindo que comunidades de peixes são influenciadas pela alteração no ambiente aquático e principalmente pela perturbação na vegetação ripária (Caramaschi et al. 1996).. E. Brasil). P. Paraná. Skelly. modificando a estrutura das comunidades aquáticas. T. J. Caramaschi. 1999).spp.. E. correnteza. Fundamentos em ecologia. Annual Review of Ecology and Systematics 27:337-363. a seleção de habitats pode constituir outra possibilidade de interpretar a estruturação das comunidades de peixes além do gradiente longitudinal do rio. Estudos ecológicos de comunidades de peixes tropicais. A. C. D. P. Lowe-McConnell. J. 1988. L. D.

que é a capacidade de resposta do fenótipo às mudanças ambientais. Isto é explicado pela maior duração do dia durante a estação em que os filhotes são gerados e consequentemente maior disponibilidade de tempo para captura de alimento (Ricklefs 2003). Considerando que morfologia e comportamento variam entre as espécies e que cada uma delas tem sua própria história de vida. o que determina a necessidade de alocação dos recursos. O sucesso reprodutivo depende da escolha das melhores opções. Introdução As características morfológicas. Em aves. PARANÁ Renata Ribas Projeto Individual Resumo Ajustes evolutivos e plásticos estão presentes nas mais diversas atividades executadas pelos seres vivos. Os organismos muitas vezes possuem tempo. acredita-se que as características comportamentais dos organismos representam a resolução ótima das demandas de tempo e de recursos (Ricklefs 2003). GUARAQUEÇABA. nidificação. Ricklefs 2001). fisiológicas e comportamentais dos organismos podem resultar de respostas evolutivas às pressões do meio e da plasticidade fenotípica. 116 . Palavras-chave: comportamento da avifauna. costumam apresentar proles mais numerosas. Os animais não podem. por exemplo. Ao longo do processo evolutivo as opções favorecidas pelo processo de seleção natural tendem a se tornar atributos das espécies e da sua história de vida (Odum 2001. dentre elas a reprodução (Odum 2001.COMPARAÇÃO DO CUIDADO PARENTAL ENTRE AVES DE SUB-BOSQUE DA FLORESTA ATLÂNTICA. o objetivo da pesquisa foi testar se existem diferenças de cuidado parental entre algumas espécies de aves de sub-bosque da Floresta Tropical Úmida. Mudanças adaptativas na forma e função tanto podem aumentar a disponibilidade de recursos quanto otimizar o seu uso. quando comparadas as das regiões tropicais. Ajustes evolutivos e plásticos estão presentes nas mais diversas atividades executadas pelos seres vivos. O sucesso reprodutivo varia em função das características do ambiente e da espécie. as quais variam em função das características do ambiente e da espécie. por exemplo. A reprodução envolve aspectos como escolha de quando começar a reproduzir. dentre elas o cuidado da prole. Townsend et al. sucesso reprodutivo. Portanto. Ricklefs 2001. Aves das altas latitudes. quantas proles produzir e quanto de cuidados conferir a ela. em qual época do ano gerar os descendentes. transferir o tempo dedicado à procura de alimento para o cuidado com os filhotes ou vigilância dos predadores. o tamanho da ninhada é limitado pela habilidade dos pais em obter comida e também pela disponibilidade de alimento no meio. 2006). energia e nutrientes limitados.

caudata e 20 para E. na Reserva Natural Salto Morato. Paraná. assim como o número de retornos associados à alimentação dos filhotes. caudata. entre as espécies. Guaraqueçaba. através da análise do tempo de permanência no ninho. naevius. pectoralis.05.Cada espécie tem sua própria história de vida. foi registrado que alimentou 8 vezes seus filhotes e C. durante os quais foram registrados os intervalos entre retornos e saídas do macho e/ou fêmea do ninho. A primeira de hábito alimentar insetívoro e nectívoro e as outras duas frugívoras. também com dois filhotes e oito dias de vida e Euphonia pectoralis. Para comparação. O mesmo registro não foi possível para E. apresentava ninho com dois filhotes. caudata. 117 . naevius no ninho. naevius e C. De acordo com as observações de campo. Chiroxiphia caudata. Material e métodos Foi realizada observação do cuidado parental de três espécies de aves de sub-bosque da Floresta Atlântica. com alfa igual a 0. com quatro filhotes e sete dias de vida. em 359 minutos de observação. os atributos de forma e função são variáveis. Resultados Foram observadas três espécies de aves de sub-bosque em período de nidificação. independente de estarem presentes numa mesma região ou de viverem sob condições ambientais semelhantes. O esforço amostral foi de aproximadamente 6 horas por ninho. O número de vezes que os filhotes foram alimentados durante o período de observação diferiu muito entre R. Assim. alimentou 16 vezes. incubação e limpeza do local através da retirada das fezes. o objetivo desta pesquisa foi testar se existem diferenças de cuidado parental entre algumas espécies de aves de sub-bosque de uma Floresta Tropical Úmida. O número total de visitas ao ninho para cada espécie. cada um com um dia de vida. do tempo de permanência no ninho foi realizada uma análise de variância. as atividades de cuidado parental exercidas no ninho foram: alimentação dos filhotes. pectoralis devido à dificuldade de visualização do comportamento em função do formato do ninho. foi de 22 vezes para R. independente da atividade realizada. 17 para C. Ramphodon naevius. Durante 398 minutos de observação do comportamento de R.

Apesar da pequena diferença de idade entre os filhotes de Chiroxiphia caudata e Euphonia pectoralis. pode indicar a necessidade de menor quantidade de alimento. Filhotes mais novos tendem a apresentar uma maior área superficial em relação ao volume corpóreo e maior escassez de penas e/ou plumagem. 118 . A menor taxa alimentar de R.24.A análise de variância indicou que as espécies diferem (r2= 0. conforme observado em Ramphodon naevius. Além disto. esta permanece por menos tempo no ninho. enquanto outras demoram mais tempo para crescerem e serem capazes de deixar o ninho. naevius. permanecem por mais tempo no ninho devido ao lento processo de formação de seu bico (Sick 1997). Fatores que podem estar contribuindo para este comportamento é o fato de que seu ninho era mais fechado e continha quatro filhotes facilitando a retenção do calor no local.42= 20. 1). Guaraqueçaba. naevius. F2. Algumas espécies se desenvolvem mais rápido. Estes fatores favorecem a perda de calor (Townsend et al. Em geral os beija-flores. P<0.05) quanto ao tempo de permanência no ninho (Fig. representados neste estudo por R. Discussão A diferença observada para permanência dos pais no ninho entre as espécies pode ser explicada pela diferença de idade dos filhotes. quando comparada a C. Figura 1: Comparação do tempo de permanência no ninho entre as espécies de aves de sub-bosque observadas na Reserva Natural Salto Morato. 2006) e aumentam a necessidade de maior período de incubação dos filhotes. caudata. o fato dos filhotes observados serem mais jovens e a espécie apresentar menor porte que C.49. Vale ainda ressaltar que a dieta alimentar difere entre estas espécies e o valor energético dos recursos utilizados por cada uma também pode influenciar na taxa alimentar. PR. caudata pode estar associada a taxa de crescimento dos filhotes.

Ornithological Monographs 36:575-594 Townsend. Fundamentos de ecologia. Ricklefs. Referências Bibliográficas Odum. 2001. Begon. C. Editora Guahabara Koogan. Fundação Calouste Gulbenkian. Sick. Fundamentos em ecologia. caudata. Nova Fronteira. 1985. 2006. 2001. Clutch size. E.. Apesar da freqüência de visitas de E. pectoralis não ser menor do que a de C. Rio de Janeiro.A visitação do ninho pelos pais está diretamente relacionada à predação dos filhotes (Skutch 1985). A economia da natureza. reviewed. P. 119 . o casal permanece pouco tempo no ninho e conforme observado em campo. R. Ornitologia brasileira. M. os intervalos entre cada aproximação do ninho são grandes e a cada aproximação os pais visitam várias vezes seguidas os filhotes. A. onde a seleção natural favoreceu a fixação deste caráter comportamental que culminaria com o sucesso reprodutivo ou de sobrevivência da prole. L. Harper. F. H. Esta estratégia pode estar associada a um processo evolutivo. nesting sucess and predation on nest of Neotropical birds. São Paulo. E. Lisboa.. Skutch. Rio de Janeiro. Artmed Editora S. 1997. J. A. R.

Introdução Os macroinvertebrados de ambientes lóticos. 1980). riachos litorâneos. resultantes de impacto humano. é um reflexo da disponibilidade dos recursos alimentares necessários e da condição dos parâmetros ambientais relacionados (Cummins. inclusive na ciclagem de nutrientes (Resh & Rosenberg.CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES ECOLÓGICAS DO RIO MORATO. 120 .sejam naturais ou não (Silveira. a comunidade de insetos e outros invertebrados pode ser relacionada com as variações nas características ambientais dos rios. macroinvertebrados. O rio apresenta uma característica heterotrófica nos trechos inicial e final. saúde ambiental. 1996). UTILIZANDO GRUPOS DE ALIMENTAÇÃO FUNCIONAL DE MACROINVERTEBRADOS Fabio Bertolini Gonçalves Projeto Individual Resumo Grupos de Alimentação Funcional (GAF) em macroinvertebrados lóticos podem ser utilizados de forma eficiente para caracterizar a saúde ambiental do ecossistema. permitindo um maior conhecimento dos possíveis fatores que influenciam a estrutura da comunidade lótica e as respostas da biota às alterações ambientais. uma vez que este grupo é sensível tanto às mudanças biológicas que ocorrem ao longo do rio desde a nascente até a foz (Vannote et al. Um protocolo de GAF para determinar as condições ecológicas do ecossistema foi aplicado em um trecho do rio Morato. 2004). quanto às alterações nos padrões. Por esse motivo. 1984. A presença e abundância dos vários grupos de alimentação funcional. a utilização de grupos de alimentação funcional (GAF) de macroinvertebrados é muito útil como determinantes dos parâmetros ambientais lóticos. (Cummins. Em limnologia. Esta abordagem usa a abundância relativa de várias categorias funcionais de macroinvertebrados como indicadores das condições do ambiente (Cummins et al. A relação entre o aporte de matéria orgânica da mata ciliar e a ação de pastadores é grande em todo o trecho e a proporção de matéria orgânica particulada em suspensão é maior no início do trecho e menor ao fim do mesmo. 2005). 1975) apresentam grande diversidade biológica (maior variabilidade de tolerância) e importante papel na cadeia trófica. Reece & Richardson.. Palavras-chave: Grupos de Alimentação Funcional. aproximadamente maiores que 0.5 mm. 1999). com os pontos intermediários autotróficos e um substrato basicamente estável em todo o trecho.

alternado remansos e corredeiras. largura aproximada de 6 m e profundidade média de 40 cm e substrato formado por rocha e matacão. O segundo ponto apresenta substrato rochoso.. localizado fora da RNSM. vegetação marginal formada por Brachiaria spp. a comparação da dominância relativa de matéria orgânica particulada fina em suspensão com a depositada nos sedimentos (TFPOM/BFPOM) e a estabilidade do substrato (Cummins et al. grande turbidez. que se alimentam de Matéria Orgânica Particulada Fina (MOPF) em suspensão como detritos na coluna d’agua. coletorescatadores. coletores-filtradores. Os macroinvertebrados foram amostrados em variados mesohabitas. gerando grande sombreamento. e predadores. determinado por animais que se alimentam de algas e plantas vasculares e por animais que se alimentam de folhas originadas da vegetação ripária.5mm e área de contato de 30 x 30 cm para os demais substratos. fundo rochoso e alta velocidade de correnteza. apresenta-se muito antropizado. microfauna e microflora e fezes presas ao substrato. O terceiro ponto. 2005). As seguintes proporções dos grupos de alimentação funcionais podem ser utilizadas como substitutos dos atributos do ecossistema de rios: o equilíbrio entre autotrofia e heterotrofia (P/R). a ligação entre a entrada de matéria orgânica particulada grossa da mata ripária com a cadeia alimentar fluvial (CPOM/FPOM). raspadores. Material e métodos Foi aplicado um protocolo de grupos de alimentação funcional (Cummins et al. com várias moradias marginais. que se alimentam de Matéria Orgânica Particulada Fina (MOPF) depositados no substrato. e outras poaceas ). folhas em decomposição e tecido de plantas vasculares.5 mm para a vegetação marginal.. 2005) ao longo do rio Morato. fundo de cascalho. organismos que se alimentam de Materia Orgânica Particulada Grossa (MOPG). localizado abaixo da ponte pênsil. apresenta vegetação ciliar formado por floresta secundária. Reserva Natural Salto Morato (RNSM). que se alimentam de perifiton. água cristalina sem turbidez. relacionando esses processos com as alterações antrópicas sofridas pelo ecossistema. Paraná. município de Guaraqueçaba. largura e profundidade variada. amostrador Surber com abertura de malha de 0. O primeiro ponto amostral próximo ao salto. microbiota e fezes. utilizando-se peneira de abertura de malha de 0. ou seja. que se alimentam de tecido animal vivo. O quarto ponto. podemos classificar os macroinvertebrados nas seguintes categorias de alimentação funcional: pastadores ou fragmentadores. apresenta vegetação marginal constituída por Brachiaria spp. profundidade média de 19 cm e largura média de 4 m. Rochas foram erguidas e a coleta foi 121 .De acordo com a natureza do alimento e seu modo de captura. área aberta de largura média 5 m e profundidade média de 20 cm. Este estudo tem por objetivo caracterizar os atributos ambientais do rio Morato. vegetação ripária com influência arbustiva (Brachiaria spp.

Resumo do protocolo GAF para avaliação dos atributos ecológicos de riachos.realizada manualmente.25 Autótrofo > 0. A razão entre grupos de alimentação funcional (GAF) foi calculada para estimar a saúde ambiental de cada ponto de acordo com Cummins et al. 1).50 Estabilidade do substrato Estabilidade Raspadores + coletores filtradores / pastadores + coletores catadores Estabilidade plena do substrato > 0.75 Comparação da dominância relativa de MOPF em suspensão com a depositada nos sedimentos TFPOM/BFPOM Coletores filtradores / coletores catadores MOPF em suspensão maior que a taxa de MOPF depositada no substrato > 0. em campo. Tabela 1. Atributos do ecossistema Símbolos Cálculo Critério para classificação Equilíbrio entre autotrofia e heterotrofia P/R Raspadores / pastadores + total de coletores Ligação entre a entrada de MOPG da mata ripária com a cadeia alimentar CPOM/FPOM Pastadores / total de coletores Associação normal de pastadores com o aporte da vegetação ripária > 0. Os morfotipos foram enquadrados em grupos funcionais. sendo que esta escala aumenta no terceiro ponto e retorna a altos níveis de heterotrofia no último ponto (Fig 1a).50 Resultados De acordo com o valor adotado como limite para P/R. Os indicadores para CPOM/FPOM apresentam uma constância de 122 . Após cada identificação os macroinvertebrados foram prontamente devolvidos ao riacho. existe uma progressão dos pontos à jusante de heterotrofia para autotrofia. A triagem e identificação foram realizadas em bandejas plásticas brancas.(2005) (Tab. (2005). Modificado de Cummins et al.

TFPOM/BFPOM apresenta MOPF em suspensão nos pontos mais próximos ao salto e MOPF depositada nos pontos mais distantes do salto (Fig 1c) . 2= ponto próximo ao “aquário”. CPOM/FPOM (b). O substrato apresenta-se praticamente estável em todos os pontos amostrados (Fig 1d).FIGURA 1. 4= ponto fora da Reserva. 3=ponto abaixo da ponte prênsil. uma vez que os processos e a paisagem neste trecho é correspondente a um riacho de cabeceira . 1980). TFPOM/BFPOM (c) e ESTABILIDADE (d) para os quatro pontos amostrais. Os parâmetros CPOM/FPOM e TFPOM/BFPOM demonstram uma dinâmica esperada para rios litorâneos (Vannote et al. Parâmetro de P/R (a). conforme Tabela 1. grande ligação de pastadores com a MOPG proveniente da mata ripária em todos os pontos (Fig 1b). Em cada figura as linhas horizontais representam os limites para os critérios de classificação. Discussão O rio Morato ao nível do salto foi considerado como o início do rio. os trechos iniciais apresentam maior quantidade de matéria orgânica fina em suspensão que os trechos finais 123 .. 1 = ponto a jusante do salto.

com exceção do parâmetro P/R. As condições do substrato nesses pontos amostrados podem. próxima ao centro de visitantes. o primeiro ponto apresenta uma adequação de substrato onde esta estabilidade apresenta-se muito próxima ao limiar de instabilidade devido provavelmente a influência do salto enquanto o último ponto apresenta uma ação antrópica direta que define as suas características. Macroinvertebrates. No entanto o escore limite que determina a qualidade do substrato é na faixa de 0. demonstrado como “muito autotrófico” mostra uma predominância de algas fotossintéticas favorecendo grupos de raspadores. B. W. K. Este ponto. p. O trecho sob influência de Brachiaria spp. e apresentando uma região muito sombreada. Isso mostra que embora tenhamos vegetação marginal invasora no trecho final do rio Morato dentro da reserva. com uma maior abertura do dossel e uma progressão espacial do riacho resultando em um aumento da produção primária e da autotrofia. muito estável nos pontos seguintes e fora da reserva é classificado como inadequado. dentro da reserva apresenta uma boa composição. In: Whitton. River ecology. mostra um cenário heterotrófico para o primeiro ponto. segue a tendência esperada.21 o que sugere uma semelhança de condições entre esses dois pontos.50 e o escore para o primeiro e último ponto é respectivamente 0. O segundo ponto. Com uma grande quantidade de mata ciliar neste ponto. promovendo uma maior quantidade de organismos pastadores. Na região sob influência de Brachiaria spp. não há dossel. fora da RNSM. O assoreamento e o aumento da turbidez devem diminuir a produção primária favorecendo um retorno da dominância de pastadores. com uma grande influência antrópica.170-198. pode ser classificado como “muito heterotrófico” (Cummins et al. No entanto. Isso indica que as dinâmicas de obtenção e transformação de matéria orgânica alóctone não estão sedo alteradas pela Brachiaria spp.. O último ponto. O rio Morato apresenta um comportamento esperado para os trechos com mata ciliar bem estruturada e arbórea. (Ed. aspecto típico de rios de cabeceira. o ponto fora da reserva. a produção primária é pequena e/ou nula. 1975. A.). 124 .. O resultado do escore para P/R.72 e 0. O fator humano é preponderante na capacidade de recuperação do riacho. 2005). tendo portanto um grande aporte de luz. No entanto. tem sua estrutura muito comprometida provavelmente mais pela ação humana que pela de Brachiaria spp. Referências Bibliográficas Cummins. processos de restauração estão em curso. New York: Blackwell Scientific Publications. com pouca alteração serem revertidas. Nesse processo portanto a maior quantidade de energia provem do aporte de folhas do dossel da mata ciliar. A estabilidade do substrato é ranqueada como adequada no primeiro ponto.e os processos de transformação da matéria vegetal alóctone não parecem ser alteradas pelo tipo de mata ripária.

P. Pp. Feltmate. SP. London: Blackwell. 40(1): 69-89.. 1981..). Resh. S. Invertebrates. p. R. 1996. K.N.W. 1980. Assessment of Biotic Integrity Using Fish Communities. Merritt. 2005. 125 . Jaguariúna. Andrade. G.W.. Vannote.C.R. Aquatic insects. River biota . K. Studies on Neotropical Fauna and Environment. R. D. J. 1999. The river continuum concept. 15-19. M. V. Fisheries. Williams. H. Sci. Aplicação do Biomonitoramento para Avaliação da Qualidade da Água em Rios. 6 (6): 21-27. Biomonitoring with the Reference Condition Approach for the detection of aquatic ecossystems at risk. (Ed. In: Petts. Cummins..W. Wallingford: CAB International. Minshall. Can. G.M. 2004. Fish. W. B. 37: 130-137.C. (editor) Proc. F. & Cummins.. 1994.Cummins.75-91.L. Aquat. J. Kamloops.Diversity and dynamics. Karr. L. M. The Ecology of Aquatic Insects.P. J. D. 1984. Biology and Management of Species and Habitats At Risk. K. . D. New York: Praeger Publisshers. & Richardson. P. Silveira.. Reece.W. Callow. P. W. & Rosenberg. B. In: Darling. The use of invertebrate functional groups to characterize ecosystem attributes in selected streams and rivers in south Brazil. Embrapa .

1997). por presença de presas abundantes e/ou específicas. características físicas dos locais de construção da teia. a absorção da energia cinética da presa pela teia e sua retenção. características do hábitat. forrageio ótimo. 2006. ajustamento. elas “sentam e esperam” presas ativas se deslocarem em sua direção. O hábitat e disponibilidade de presas influenciam diretamente nas diferentes adaptações. 2006). Begon et al. 1992). O comportamento exibido atualmente pode ter sido favorecido por seleção natural no passado. 2000). como as aranhas tecedoras. Dentre estes. 2006). 126 . os predadores verdadeiros matam invariavelmente suas presas e o fazem mais ou menos imediatamente após atacá-las (Townsend et al. A taxa de captura por tempo é independente das características das teias. 2000). três fatores podem determinar a captura de presas: a probabilidade da presa encontrar a teia. por outro lado a forma e disposição destas têm relação com classe de presas. estresse termal e proximidade de flores (McReynolds. sendo que o ângulo pode afetar a razão de captura de presa. Palavras-chave: Araneidae. o que influi no encontro e captura da presa (McReynolds. Alguns predadores.EFICIÊNCIA DA CAPTURA DE PRESAS POR ARANHAS TECEDORAS DA MATA ATLÂNTICA Ana Luiza Gandara Martins Projeto Individual Resumo A estratégia “senta e espera” usada por aranhas busca maior eficiência de captura e taxa de energia líquida. 2000). Diferenças no uso do hábitat podem mudar a disponibilidade de presas e/ou características da teia (McReynolds. utilizam de estratégias diferentes do forrageio ativo. No entanto não há consenso quanto à eficiência desta orientação (Bishop & Connolly. A seleção do local da teia pode ser influenciada. estratégias Introdução Um predador pode ser definido como qualquer organismo que consome todo ou parte de outro organismo vivo. 2006). principalmente. Esta pode ser determinada pelas características do hábitat do local da teia. Com relação a eficiência da teia. crescimento e sucesso reprodutivo (Herberstein. Avaliouse a eficiência de teias a partir da taxa de captura e classes de presas em relação às características de 50 teias em uma floresta em regeneração. mas também acrescenta o ajustamento do organismo as atuais condições (Begon et al. Consequentemente. Algumas espécies tecem teias que variam na orientação relativa ao grau de planos vertical versus horizontal. Esta forma de forrageio busca uma maior taxa de energia líquida como medida de eficiência (Townsend et al. pode-se esperar que estas sejam mais freqüentemente encontradas em áreas com maior abundância de presas (Herberstein. A qualidade do local de forrageio das aranhas tecedoras pode ter efeitos expressivos na sobrevivência. 1997).

Posteriormente. Material e Métodos Este trabalho foi desenvolvido na floresta de entorno de duas trilhas. Estas diferentes condições e situações para as quais as aranhas tecedoras precisam se adaptar resultam em variações na forma da teia. e se selecionam diferentes presas em uma região de Mata Atlântica em regeneração. talvez devido ao padrão de vôo de insetos serem diferentes de acordo com a estrutura do habitat. ângulo e substrato da teia utilizou-se a Análise de Variância (ANOVA) e para testar se esta varia com a altura e área da teia utilizou-se o teste de correlação de Spearman. Em cada trilha. 127 . alfa de 0. respectivamente. totalizando 50 teias. crescimento e reprodução. em estádio de regeneração avançada. As características das teias foram correlacionadas entre si por ANOVA e regressão conforme os tipos de dados. duas vistorias na trilha do Salto e uma na trilha da Figueira (problemas com condição climática) foram realizadas para quantificar e classificar novas presas retidas nas teias. litoral norte do estado do Paraná. área e altura do solo foram medidos e o substrato de fixação classificado. pois a textura dos fios é menos pegajosa e quando a presa se solta ela não fica presa nos fios de baixo como nas verticais. 25 teias foram escolhidas e marcadas com fita colorida de forma a amostrar os diferentes tipos de teia proporcionalmente.Teias horizontais não retêm presas tão bem quanto as verticais. ângulo (vertical/horizontal). Esta captura por tempo permitiu o cálculo da taxa de captura de presas por teia por tempo. da Reserva Natural de Salto Morato (RNSM). Quanto a seleção de classes de presas por forma. altura do solo. 1990). Salto e Figueira. situada entre os estados do Paraná e São Paulo. orientação.05 foi utilizado (Fowler & Cohen. Quanto aos dados da teia. contadas e classificadas em morfoespécie e classe. o que pode acontecer com maior freqüência em florestas do que em campos abertos (Bishop & Connolly. preferência por habitat e locais de fixação. a(s) aranha(s) e presa(s) foram medidas. Estas teias podem capturar presas que caem. Teias horizontais ocorrem em florestas e ao redor de microhabitats. região sul do Brasil. buscando uma maior eficiência na captura de presas e aumento da taxa de energia líquida necessárias para sua sobrevivência. Para testar se a taxa de captura varia conforme a forma. os intervalos de vistoria refletiram um período noturno para ambas áreas e um diurno para o Salto. uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) pertencente à Fundação O Boticário de Proteção à Natureza (FBPN). Em cada teia. a forma (circular/irregular). Esta região está contida em uma das poucas porções contínuas de Mata Atlântica do Brasil. Este trabalho buscou avaliar se a variação nestas características das teias altera a eficiência de captura de presas. Para todos os testes. 1992). ângulo e substrato aplicou-se o teste de independência de Pearson. área da teia. A RNSM pertence ao município de Guaraqueçaba.

no entanto.4 0.4 0. Discussão A eficiência na captura de presas por aranhas tecedoras não variou conforme os diferentes tipos de teia. As teias puderam ser diferenciadas em dois tipos principais: 1) teias circulares.2 -0.0 Diptera Diptera -0. com distância média do solo de 40.27 cm2 (+ 800.79. GL=164.1 0. com distância do solo média (+ DP) de 86. onde as teias irregulares tendem a capturar mais Coleoptera e as redondas capturam mais Diptera e.2 -0.1 0. B) Ângulo das teias.2 0. onde teias horizontais tendem a capturar mais Coleoptera e teias verticais mais Dipteras. 24 eram teias irregulares e horizontais e 26 circulares.01 cm2 (+ 498.3 0.6 A 0. e 2) teias irregulares. sendo que as teias circulares e verticais tendem a capturarem mais dípteros e teias irregulares e horizontais coleópteros (Fig.5 0.08) e área média de 477.4 vertical -0.6 -0.07.1 horizontal 0. Durante a realização das vistorias 12 teias sumiram.0 -0. não participando do cálculo da taxa de captura.5 -0.97) e área média de 1142.1 0.1 0.3 B Coleoptera 0.6 -0.3 0.05).2 0.99). ângulo e área da teia. 1 A e B).32 cm (+ 37.2 -0. P<0.6 c2 -0.5 c2 Figura 1.5 -0. assim como da altura do solo e substrato de fixação.4 -0.2 0.2 redonda -0.1 0.4 -0. o que se deve provavelmente a história evolutiva e ajustamento destas espécies em aperfeiçoar a captura em ambientes distintos e conforme suas necessidades energéticas. A eficiência de captura por diferentes classes de presas é independente do tipo de substrato. sendo oito horizontais e as restantes verticais. P<0. Análises de correspondência obtidas dos testes de independência aplicados para verificar a correlação entre classes de presas capturadas em relação a: A) Formas das teias.05) e o ângulo das teias (G=6.2 irregular c1 c1 0.57). está correlacionada com a forma (G=4.5 -0.4 0.3 -0.0 0.5 0. destas.4 Coleoptera 0. verticais normalmente fixadas em arbustos.Resultados No total 50 teias foram analizadas.0 0.3 -0. A taxa de captura de presas independe da forma.58 cm (+ 36. O fato de estas capturarem 128 .4 -0.3 -0. GL=164. 0. normalmente horizontais e presas a árvores.

The Journal of Arachnology 25: 93 – 96. F. The Journal of Arachnology 3: 75-82. Effects of prey capture. Fundamentos em Ecologia. J. L. and prey capture efficiency in a tropical forest spider. Essa diminuição do n amostral necessário para o cálculo da taxa de captura associado a perda de um período de vistoria na trilha da Figueira. 1986). C. provavelmente em função de um comportamento social. The Journal of Arachnology 28: 169 – 179. Dictynidae). Apesar de a maioria das aranhas possuírem hábitos solitários. pode ter interferido nos resultados. 129 . J. 1976. 2000. M. 5ª Ed. 1986. C.diferentes classes de presas mostra que estão utilizando diferentes estratégias e ocupando diferentes nichos dentro de um mesmo ecossistema. como colocado por Bishop & Connolly (1992). Tietjen. Ecology: From Individuals to Ecosystems. Open University Press. & Harper.. Artmed Ed. As teias irregulares apresentaram em alguns casos mais de um indivíduo. enquanto que as que tecem teias maiores. A maior parte das aranhas que tecem teias circulares verticais e distantes do solo tende a capturar presas aladas que utilizam locais mais abertos para voar. algumas espécies têm comportamentos sociais (Tietjen. é a probabilidade diária de uma aranha permanecer em um mesmo local. L. Philadelphia. 2006. M. & Connolly. N.. podendo viver agregadas no início da vida ou durante o casamento. The Journal of Arachnology 14:145-157. L. The Journal of Arachnology 20: 173 – 178. Bishop. Townsend. Fowler. 1992. Blackwell Publishing. Referências Bibliográficas Begon. Effects of colony size on web structure and behavior of the social spider Mallos gregalis (Araneae. que segundo Enders (1976). The impact of habitat features on web features and prey capture of Argiope aurantia (Araneae. Porto Alegre. & Harper J. Herberstein. McReynolds. O desaparecimento de algumas teias pode ser explicado pela “Tenacidade do local da teia”. R. o que pode explicar o maior tamanho das teias. Oxford. S. Web orientation. thermoregulation. 4th Ed. Araneidae). Begon. 1997. J. C. E. não existe consenso quanto à eficiência de captura de teias verticais e horizontais e nenhuma outra literatura foi encontrada relacionando os fatores aqui estudados com a eficiência da captura de presas. L. M.. Enders. R. web destruction and habitat physiognomy on web-site tenacity of Argiope spiders (Araneidae). Linyphiidae). 1990.. irregulares e mais próximas ao chão tendem a capturar pequenos besouros que caem das árvores nas quais as teias foram construídas.. W. & Cohen. 2006. Practical Statistics for Field Biology. Townsend. The effect of habitat structure on web height preference in three sympatric webbuilding spiders (Araneae. no entanto. F.

e com baixa densidade de vegetação arbórea. serpentes. anfíbios. Porém. sendo considerados como predadores oportunistas (Eterovick & Sazima. 1992). A maior freqüência de ataques foi contra Scinax crospedopilus. anuros.. vocalização. morcegos Introdução Consumidores afetam a distribuição e a abundância das presas e vice-versa. utilizando a técnica do playback com cinco espécies de anuros da Mata Atlântica. 2002). Não foi observada nenhuma relação entre a espécie que estava vocalizando. a presença dos predadores e a precipitação. Já os adultos se alimentam principalmente de insetos e outros pequenos invertebrados. desenvolveram defesas químicas contra predadores (Duellmann & Trueb. Os predadores “verdadeiros” matam inevitavelmente suas presas e o fazem mais ou menos imediatamente após atacá-las. Algumas presas. territorialidade e na defesa de recursos (Bastos & Haddad. uma de coruja e sete investidas de morcegos contra o playback..A VOCALIZAÇÃO É DETERMINANTE NA PREDAÇÃO DE ANUROS? Michel Varajão Garey Projeto Individual Resumo A vocalização de anuros na atração dos predadores foi testada experimentalmente na Reserva Natural Salto Morato. Quatro pontos amostrais na 130 . 1924 apud Tuttle et al. com presença de Brachiaria sp.. sendo 53 vocalizações de morcegos. O presente estudo teve como objetivo verificar a relação entre a vocalização dos anuros através da técnica de playback e a predação dos mesmos por animais orientados auditivamente. Foram obtidos 62 registros de predadores. A maioria deles movem-se dentro do seu próprio território a procura de alimentos (Townsend et al. PR (Coordenadas UTM 772161 S. 2004). A vocalização dos anfíbios é utilizada para o acasalamento e/ ou isolamento reprodutivo (Haddad & Cardoso. Datum horizontal SAD69). Palavras-chave: predação. 1994). 2004). 7212393 W. como os anfíbios. alimentando-se de algas e partículas suspensas na água ou depositadas no fundo. 2006). 2006). porém os predadores podem guiar-se pela vocalização para encontrar suas presas (Lutz. cuícas. Material e Métodos O trabalho foi desenvolvido numa área em inicio de regeneração natural. e esses efeitos têm uma grande importância na ecologia de populações (Begon et al. Eles consomem diversos itens de presas no curso de suas vidas. A maioria dos girinos são filtradores ou raspadores. na Reserva Natural do Salto Morato. 1981). aranhas. corujas e morcegos (Eterovick & Sazima. tanto os girinos como os adultos fazem parte da dieta de diversos animais como: baratas da água.

Após o término da seqüência de reprodução do canto dos anuros. 1999). Das cinco espécies escolhidas três ocorrem na Reserva (Chaunus ictericus. Gravações das vocalizações de cinco espécies da Mata Atlântica foram utilizadas. P>0. 2 . P>0. Para atrair os predadores foi utilizada a técnica do playback. a espécie de anfíbio que mais atraiu os predadores pela vocalização foi Scinax crospedospilus e a que atraiu menos foi Leptodactylus fuscus (Fig. solo escondido na vegetação (P. A relação do registro do predador no local. 131 .05. Durante a vocalização das espécies eram contados o número de morcegos vocalizando e o número de investidas contra o playback. A maior freqüência de predadores foi observada no ponto 1 e a menor no ponto 2. ictericus e L.38.05). fuscus) pequeno (P.48%) foram vocalizações de morcegos. fuscus). com as espécies em vocalização não foi verificada (G=1. foram escolhidas e por duas noites (26 e 27 de outubro 2006) foi desenvolvido o experimento. minutus e P.91%) investidas de morcegos contra o playback. Resultados Foram obtidos 62 registros. no solo e desabrigado (C. As espécies de anuros foram divididas em três classes de tamanho para verificar se o tamanho da presa influencia na taxa de predação: grande (C. spinigerus. ictericus) médio (D. Dendropsophus minutus. sendo que 53 (85. P>0. uma única de coruja (1.05). 1). 3 e 4). Physalaemus spinigerus) e duas não (Leptodactylus fuscus.17. E também foram dividas em três classes de acordo com o substrato normalmente utilizado para a vocalização (observações pessoais). Scinax crospedopilus).estrada para o centro de visitantes da Reserva (ponto 1. cada uma com cinco minutos e intervalo entre elas de dez minutos. GL=1. Para verificar se havia alguma variação na taxa de registro dos predadores com relação às espécies que estavam vocalizando e da taxa de ataque por dia de amostragem (com e sem chuva) foram feitas análises de contigência (Zar. D. Não houve diferença na média de registros do predador de acordo com a ocorrência ou não da presa na área de estudo (t0. spinigerus). spinigerus). distando entre eles aproximadamente 150 metros.05). GL=4. para verificar uma possível seleção das presas com relação ao substrato que elas utilizam para vocalizar.Na comparação da média de ataques em relação à ocorrência da espécie foi utilizado o teste t (Zar. Também não registrada uma alteração na taxa de predação entre o dia com ou sem chuva (G=2.18.38=0. partiase para outro sítio para reprodução do playback. na vegetação entre 20 e 60 centímetros. afim de verificar uma possível diferenciação pelos predadores com relação às espécies de anuros. minutus e L. 1999).61%) e sete (12.

Como não houve diferença entre as espécies de anuros vocalizando e a presença dos predadores. pois as duas vocalizações de anuros que não ocorrem na Reserva Natural Salto Morato utilizadas no experimento. emitindo e percebendo sons de alta freqüência (ecolocalização).. atraíram da mesma forma os predadores. Freqüência dos registros da presença de predadores (morcegos e coruja) por espécie de anfíbio em cada ponto amostrado na Reserva Natural Salto Morato. constituindo um mecanismo importante para a localização de suas presas (Peracchi et al. abei D. crospedospilus Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 L. Isso deve-se possivelmente ao fato dos morcegos serem animais endotérmicos e que por isso necessitam de alimentos com freqüência para manutenção da temperatura corpórea (Pough et al.. Como as cinco espécies de anuros utilizadas no experimento vocalizam em freqüências diferentes (observações pessoais) podemos observar que os morcegos não apresentam preferência pelas presas amostradas. 2005) atraiu igualmente os morcegos. foi verificado que o local escolhido pelos anuros para vocalizar e o seu tamanho corporal não influenciam na escolha das presas pelos morcegos.14 12 Frequência 10 8 6 4 2 0 C. O canto dos anuros que tem como objetivos principais atrair a fêmea para o acasalamento e de demarcar o território (Duellmann & Trueb.. minutus P. chegam a percorrer quilômetros para forragear. A freqüência de registros dos morcegos atraídos pelo playback foi indiferente à variação climática observada entre os dois dias amostrados. 1994) acaba por atrair os predadores (Turttle et al. A predação por morcegos independe da espécie de anuros. 2006). 132 . Para isso. spinigerus S. Discussão Os morcegos foram os principais predadores atraídos pelo canto dos anuros. PR. Isto evidencia que não existe um efeito de memória no predador quanto ao canto dos anuros. Guaraqueçaba. sendo que a espécie que mais atraiu os predadores e a que menos atraiu não ocorrem na Reserva. 1981). que guiados pelo som acabam por localizar as suas presas. 1996). fuscus Figura 1. até mesmo Chaunus ictericus que é uma espécie com muitas glândulas de veneno espalhadas pelo corpo (Eterovick & Sazima.

C. I. Belo Horizonte. I.) Mamíferos do Brasil. J. Tuttle. Ed. Hylidae) during the reproductive activity in southeastern Brazil. 1999. P. Amphibia-Reptilia 23: 97-104. W. B. Fundamentos em ecologia. C.. Acta Zoologica Lilloana. 1996 A vida dos vertebrados. J. M. Referências bibliográficas Bastos. R. Ecology from individuals to ecosystems. Prentice-Hall. J. H. F. 1992.. In: Reis. A. & Ortêncio-Filho.. 2006). Townsend. M. H. Ordem Chiroptera. morcegos e corujas é necessário estudos mais aprofundados envolvendo a captura e identificação dos predadores. Editora Universidade de Brasília. uma introdução. Peracchi. Biostatistical analysis. L. Artmed. R. P. 1985). Brasília.. L. H. & Ryan. M. N. A. K. A predação pode levar a alterações na dinâmica populacional dos anfíbios. Ornitologia Brasileira. 1985.As corujas não foram atraídas pela vocalização dos anuros provavelmente pela abrangência do seu território e a utilização da visão em associação com a audição para a localização das presas (Sick. Acoustical location of calling frogs by Philander opossum. 2004. Begon. I. P. W. 133 . & Harper.. A. Nogueira. The Johns Hopkins University Press. Baltimore. M. & Sazima. E. F. B. L. Pedro. Anfíbios da Serra do Cipó: Minas Gerais – Brasil.. 2002. Townsend. Taft.. Ed. & McFarland. C. 41: 81-91. Blackwell Publishing. & Haddad. L. A. 2006. J.. Peracchi. & Trueb. Londrina. pois ela controla o tamanho populacional (Begon et al. J. Oxford. 1994. Begon. F. B. R. Eterovick. Duellman. Zar. D. 1981.. M.. Sick. 2006. Para melhor entender essa relação entre os anuros. R. W. & Lima. Reis. Anura). N. P. São Paulo. Lima. L. Heiser. Elección del macho por la hambra de Hyla minuta (Amphibia. (eds. 2006. & Harper. Haddad. Acoustic and aggressive interactions in Scinax rizibilis (Anura. C. Biotropica 13(3): 233-234. & Cardoso. Os dados obtidos são limitados devido a ausência de um controle na experimentação. L. R. R. Biology of amphibians. PUC Minas. Porto Alegre. J. H. N. Pough. Atheneu. New Jersey. Por isso a única coruja registrada pode ter sido ao acaso.

efeito de borda. como o aquecimento global. O estado do Paraná. Os fragmentos de habitat diferem do habitat original de dois modos importantes: (1) os fragmentos tem menor porção de área por habitat. Os efeitos biológicos diretos envolvem mudanças na abundância e na distribuição de espécies provocados pelos fatores abióticos nas 134 . 1991). é um dos mais ameaçados pela ação antrópica em todo o mundo (Câmara. formadas por manchas remanescentes das florestas originais. pastagens. Dentre os efeitos biológicos gerados pela borda está a alteração nas interações das comunidades locais. um bioma quase que exclusivamente brasileiro. (2) o centro de cada fragmento de habitat está mais próximo desta borda (Primack & Rodrigues. assentamentos urbanos (Fernandez. ou indiretas. 1996). Os efeitos abióticos envolvem mudanças em fatores climáticos ambientais. como a caça. etc.EFEITO DE BORDA SOBRE A PREDAÇÃO DE LARVAS ARTIFICIAIS Paloma Kachel Gusso Projeto Individual Resumo A fragmentação florestal é uma forma indireta de impacto antrópico nos ecossistemas. Os efeitos de borda são divididos em dois tipos: abióticos (ou físicos) e os biológicos (diretos e indiretos). como a umidade. poluição do ar. A redução da biodiversidade provocada por atividades humanas pode ser consequência de ações diretas. a radiação solar e o vento. 1990 apud Primack & Rodrigues. 2001). coleta e desflorestamento. A utilização de ambientes tropicais por parte do homem traz conseqüências para a biodiversidade em diferentes níveis. A explosiva expansão populacional e econômica da humanidade. Um ambiente fragmentado sofre grandes alterações devido ao aumento da sua área de borda. 2000). A fragmentação do habitat é o processo pelo qual uma área grande e contínua é reduzida e dividida em dois ou mais fragmentos (Shafer. principalmente após a revolução industrial (século XIX) transformou o que antes eram grandes áreas contínuas de floresta em paisagens em mosaico. a fragmentação florestal é uma das grandes ameaças à manutenção da diversidade biológica (Fernandez. de pontuais a regionais (Turner. cercadas por áreas alteradas pelo homem de várias formas: plantações. e vem sendo intensificada devido a quantidade e qualidade de recursos naturais potencialmente exploráveis ainda presentes. Palavras-chave: fragmentação florestal. apesar disso. efeitos antrópicos. Neste estudo foi investigado o efeito de borda sobre a predação de larvas artificiais em um fragmento florestal e constatouse que a sobrevivência média das larvas é menor na borda do que no interior do fragmento. A ação destrutiva deste bioma teve início no descobrimento do país. Dentre as formas indiretas. 2000). água. 2001). uma das porções mais preservadas do bioma Mata Atlântica em todo país. predação Introdução A Mata Atlântica.

e cor verde para simular a estratégia mímica destes organismos. Os indiretos envolvem mudanças na interação entre as espécies. 1). 135 . evitando-se colorações aposemáticas (Fig. Caso a predação ocorresse. Através do uso de modelos artificiais de larvas foi postulado que o aumento da predação está relacionado com o efeito de borda. Modelo de presa utilizado Após 24 horas de permanência das larvas no ambiente estas foram verificadas quanto a presença de marcas de bicos ou patas que caracterizavam a ocorrência de predação. O fragmento estudado está localizado atrás do centro de pesquisa e possui a vegetação denominada “capoeirão” A avaliação foi feita em dois locais: um junto a borda e outro no interior da floresta. Em cada estrato foram definidos 25 pontos equidistantes (5 m) e pareados para colocação dos modelos. as larvas do ponto predado eram repostas e substituídas para outro ponto para evitar a ocorrência do evento pelo mesmo animal. exigindo desta forma a padronização do tamanho das larvas-modelo para evitar preferência por parte dos predadores. que demonstra efeitos de borda bem pronunciados. parasitismo. escolheu-se uma área. competição. sendo que cada ponto continha uma tréplica de larvas . Nexte contexto. herbivoria. através da análise de sobrevivência. Material e Métodos Para se estimar o efeito de borda sobre a predação das larvas artificiais. Os modelos de larva foram confeccionados com massa de modelar atóxica. dispersão de sementes e polinização (Melo& Marini 1997). Um total de 180 larvas foram dispostas no ambiente. o presente trabalho investigou a interferência do efeito de borda sobre a predação de larvas em um fragmento de Mata Atlântica na Reserva do Patrimônio Natural do Salto Morato. Este materal não possui odor ou sabor atrativos. como por exemplo. Ao final de 48 horas as larvas foram conferidas e retiradas. Para o tratamento dos dados foram comparadas as médias de horas de sobrevivência entre os dois tratamentos.proximidades das bordas. Figura 1. como predação. o aumento da densidade de plantas devido ao aumento da radiação solar.

sugerindo que este incremento na predação é devido aos predadores que habitam as proximidades do habitat e selecionam a borda para forragear (Melo & Marini. 1). em relação aos que são guiados pelo olfato para forragear. et al. Discussão A taxa de predação na borda foi maior que no interior da floresta. o aumento da taxa de predação em fragmentos é atribuído aos seguintes fenômenos: 1) a divisão e redução da mata é usualmente acompanhada por uma substancial mudança na fauna de predadores aumentando a abundância dos generalistas. Pr. acredita-se que são indivíduos de hábitos noturnos portanto mais exploratórios e o fator borda apenas facilitaria a chegada até a presa. 1995). Guaraqueçaba. 1997). Fig. Outro ponto a se considerar é que existem inúmeras variáveis que podem afetar as taxas de predação e podem explicar uma maior ocorrência de indivíduos predados na borda. 1. Além disso. Média de horas de sobrevivência das larvas nos dois tratamentos em fragmento de Mata Atlântica na Reserva Natural Salto Morato. dentre elas estão as características da presa. Ou seja no caso dos indivíduos que utilizam estímulo visual este é intensificado em um ambiente mais aberto. A sobrevivência média foi maior no interior que na borda do fragmento (Fig.Resultados Ao final do experimento foi verificada predação em 16 larvas no interior e 22 na borda do fragmento. como pequenos mamíferos. e 2) a redução na área produz um aumento proporcional nas áreas de ecótono favorecendo as estratégias de forrageamento e aumentando a predação por determinados predadores (Marini. As marcas nas larvas indicavam que estas haviam sido predadas por aves e mamíferos. os estímulos detectados pelo predador. 136 .

Biological Conservation 74: 203-213. Curitiba. agricultura do Maranhão. F. M. S. J. mesmo o turismo e as atividades controladas geram ao ambiente um certo nível de impacto. & E. 2000. conhecer o efeito de borda relacionado às áreas de contato com o público. Edge effects on nest predation in the Shawnee National Forest. Robinson. Brasil. Fernandez. I. em especial as trilhas da Reserva Natural Salto Morato. representa um ponto primordial para o desenvolvimento de uma estratégia de manejo bem sucedido nesta área. Editora da Universidade Federal do Paraná.. 1996. Marini. Turner. Journal of Applied Ecology 33: 200-209 137 .Os resultados demonstram que o efeito de borda altera as relações dos indivíduos na comunidade. de G. M. mesmo pequeno. Marini. Heske. não deve ser desconsiderado. Plano de ação para a Mata Atlântica. E. que. Londrina. 1995. (1997) Predação de ninhos artificiais em fragmentos de matas do Brasil central.. A identificação e avaliação dos impactos de visitantes em uma Unidade de Conservação fornece valiosa ferramenta que pode levar à melhoria de suas condições de manejo e cumprimento dos seus objetivos. São Paulo. S. I. desta forma é importante ressaltar que. Biologia da Conservação. Species loss in fragments of tropical rain forest: a review of the evidence. A. K. C. 2001. Rodrigues. M. Ornitologia Brasileira 8: 7-14. Livraria Conceito. Fundação SOS Mata Atlântica. Primack. 1991. A.. Melo. Referências Bibliográficas Câmara. R.. A.. Southern Illinois. e seus heróis. conservação da natureza. B. O poema imperfeito: crônicas de Biologia. Desta maneira.

ocupam um papel ecológico chave nos ecossistemas (Hölldobler & Wilson. e a composição dessas comunidades são influenciadas pela heterogeneidade de ambientes (Wilson. mimercofauna. As formigas são insetos sociais pertencentes à família Formicidae (Hymenoptera). Estudos têm demonstrado que a riqueza de espécies de invertebrados está relacionada à complexidade estrutural do habitat. devido a essa marcante dominância numérica. riqueza.AVALIAÇÃO DE COMUNIDADES DE FORMIGAS DA MATA ATLÂNTICA EM UM GRADIENTE DE ALTERAÇÃO ANTRÓPICA Manuela Dreyer da Silva Projeto Individual Resumo Perturbações antrópicas impostas aos sistemas naturais podem levar à diferenciação de ambientes e diminuição da heterogeneidade ambiental. No entanto. 1997). microclimas. principalmente nos 138 . 2006). Palavras-chave: antropização. no entanto. além da mudança na composição faunística a partir de um estado não perturbado (Rocha et al. sendo esperado que em ambientes mais heterogêneos ocorra um maior número de espécies e uma maior abundância (Andersen. índice de Sorensen. sendo observada diferença na composição de espécies nesses locais. 2006). Foram amostrados cinco gradientes com diferentes graus de perturbação antrópica e estádios sucessionais. têm enfatizado principalmente o papel dos vertebrados na dinâmica das comunidades. 2006). Além disso.. Considerando que riqueza e abundância de invertebrados têm sido relacionadas com heterogeneidade ambiental.. 1990).. Ambientes mais heterogêneos podem suportar um maior número de espécies porque podem fornecer uma maior variedade de microhabitats. como as formigas. A indicação de níveis de perturbação ou mudança de um sistema tem sido o papel principal dos invertebrados na avaliação da conservação biológica (Andersen. Introdução Perturbações antrópicas que são impostas aos sistemas naturais podem levar à diferenciação de ambientes com conseqüente diminuição da heterogeneidade ambiental. a fauna de invertebrados tem sido ressaltada como de fundamental importância para os processos que estruturam ecossistemas terrestres. a distribuição de alguns grupos de insetos. Estima-se que somam mais de 10% da biomassa total de animais de florestas tropicais e. 1997). Os estudos de conservação. o que leva à desestruturação de comunidades faunísticas (Begon et al. 2000). Apesar disso. a pesquisa avaliou um gradiente de antropização na composição de formigas. abundância. não foi verificada diferença no número de espécies e abundância de formigas entre os gradientes. entre outros recursos (Begon et al. Essa indicação pode se dar pelo declínio da diversidade de espécies e abundância.

com alfa de 5%.trópicos (Hölldobler & Wilson. colocada em sete diferentes locais de cada gradiente. Estudos com formigas têm se tornado mais freqüentes pela facilidade de amostragem e muitos desses trabalhos relacionam a diversidade desse grupo com a complexidade da vegetação. Os animais encontrados em cada parcela foram fixadas em álcool 90%. para posterior identificação das morfo-espécies. tais como taxionomia e ecologia relativamente bem conhecidas. também. seja pelo histórico de uso das terras e de modificação da cobertura vegetal original. e destas oito espécies foram observadas na Floresta (total de 45 indivíduos). as formigas têm sido consideradas como um dos grupos de insetos mais adequados para monitoramento ambiental. Regeneração Inicial e Área Antropizada. grau de perturbação e disponibilidade de recursos (Andersen. estado de Paraná. sete na trilha (19 indivíduos). 1997). 1990). A trilha foi amostrada na área de floresta. Para o estudo da composição da comunidade de formigas e sua relação com os ambientes foi utilizada análise de correspondência entre as espécies. e que a similaridade de espécies fosse maior entre áreas adjacentes. Para a comparação das médias de riqueza e abundância de formigas nos cinco gradientes amostrados foi utilizado a análise de variância. região composta por Floresta Ombrófila Densa. áreas estas denominadas: Floresta. 1997. Leal et al. Material e métodos Esta pesquisa foi desenvolvida na Reserva Natural do Salto Morato e área do entorno. Resultados Foram encontradas. nove na área de 139 . indicando a existência de um gradiente de alteração antrópica. Trilha. utilizando o Programa EstimateSWin 7.5. A região apresenta grande variedade de paisagens. que o gradiente de riqueza e de abundância acompanhasse o gradiente de alteração antrópica. a presente pesquisa objetivou avaliar um gradiente de alteração antrópica na composição de formigas. Foram amostrados cinco gradientes com diferentes graus de perturbação antrópica e estádios sucessionais. Ao todo foram analisadas 35 amostras de serapilheira contendo formigas. e que espécies de formigas podem ser utilizadas como indicadores ambientais. a abundância das espécies em cada parcela. Esse fato é decorrente de diversas características que o grupo possui. Brasil. Considerando que a diversidade de espécies tem sido relacionada com a complexidade e heterogeneidade dos ambientes. 1993). Em sua especificidade. Para a coleta das formigas foi utilizada uma parcela cilíndrica de 113 cm2 de área. Regeneração Avançada. sendo considerada um gradiente diferenciado passível de influenciar a composição da fauna de formigas.. forte associação com outros táxons e sensibilidade a mudanças no ambiente (Andersen. seja pela heterogeneidade das condicionantes fisiográficas. Para o cálculo da similaridade entre os gradientes foi considerado o Índice de Sorensen. Foi calculada. O esperado era que a composição da comunidade de formigas ocorresse de forma diferenciada em gradientes distintos de alteração antrópica. ao todo. 21 morfo-espécies nos cinco gradientes.

05. caracterizado por uma morfo-espécie (Fig. indicando maiores valores entre áreas adjacentes.37 Regeneração Inicial e Área Antropizada 0.39. a análise de correspondência mostrou uma diferenciação na composição das espécies nos gradientes. indicando três agrupamentos distintos: um grupo de espécies que caracterizam os ambientes naturais (Floresta. As letras “A” a “U” referem-se a cada uma das 21 morfo-espécies.regeneração avançada (34 indivíduos).13* Regeneração Avançada e Área Antropizada 0.28. P>0. um segundo agrupamento que caracteriza a área de Regeneração Inicial (com destaque para três morfo-espécies características) e o grupo representado pela Área Antropizada.05) entre os cinco locais. Trilha e Regeneração Avançada).4=0.4=1. Por outro lado. Gradiente de Antropização Índice de Sorensen Floresta e Regeneração Avançada 0.04. * Indicação da similaridade entre áreas adjacentes.1). Tabela 1. indicando a presença de um gradiente entre as áreas amostradas (Tabela 1).00 Área Antropizada e Trilha 0. indicando uma diferenciação na composição das espécies entre os diferentes gradientes.05) e na abundância (r2=0.00 Regeneração Avançada e Trilha 0. Análise de correspondência entre as morfo-espécies encontradas.14 Floresta e Área Antropizada 0.9.00 Floresta e Trilha 0. BU AI JOH KS VP TE QC D Floresta Regeneração Avançada Trilha L F Regeneração Inicial N G R M Área Antropizada Figura 1. Os índices de similaridade de Sorensen mostraram maiores valores entre áreas adjacentes. Índices de Similaridade de Sorensen entre os gradientes amostrados. Não houve diferença no número de espécies (r2=0.00 140 .6* Regeneração Inicial e Trilha 0.26* Regeneração Avançada e Inicial 0. seis na área de regeneração inicial (43 indivíduos) e quatro na área antropizada (39 indivíduos). F0. P>0.47* Floresta e Regeneração Inicial 0.05. F0.

porém. como é o caso das formigas cortadeiras. enquanto que os ambientes menos heterogêneos (Regeneração Inicial e Área Antropizada) foram diferenciados em outros dois grupos. Para uma análise mais refinada da estruturação dessa comunidade.. um estudo mais aprofundado da biologia das espécies. Townsend. B. 2006). Blakwell Publishing. Cambridge. R. Em geral. 1993)... o qual poderia indicar a presença de espécies bioindicadoras de ambientes com maior grau de antropização. Using ants as bioindicators: multiscale issues in ant community ecology. 2006). caracterizados por poucas espécies. porém é necessário considerar o uso de índices baseados na presença e ausência de espécies (como o Índice de Sorensen). N. L. episódio possível de estar ocorrendo nas áreas de antropização e de regeneração inicial estudadas. Hölldobler. Begon. & Harper. Trilha e área de Regeneração Avançada) foram caracterizados pela maior parte das espécies. um estudo mais apurado com a análise de um maior número de áreas poderia colaborar para a definição da estruturação da comunidade de formigas da região do Salto Morato e entorno. Referências bibliográficas Andersen. C. Vários índices são empregados para essas análises. Massachussetts. Leal et al. Essa dinâmica poderia explicar a diferença do resultado encontrado para estudos que demonstraram diminuição da riqueza de formigas em áreas alteradas (Andersen. Por outro lado. nem muito rara (Begon et al. o que indica a presença de um gradiente entre os ambientes amostrados. essas áreas tendem a apresentar. indicada pela análise de correspondência. 141 . & Wilson.. sugere que a comunidade amostrada seja regulada por distúrbios intermediários. 2006. M. um declínio na riqueza. resultante da exclusão competitiva ou do resultado de distúrbios muito freqüentes (Begon et al. 1997. seria necessário. The ants. A possibilidade de ocorrência de distúrbios de diferentes freqüências e intensidades na área antropizada e de regeneração inicial. A. Conservation Ecology 1(1):8. O. Ecology: From individuals to ecosystems.Discussão Os gradientes não apresentaram diferença no que se refere ao número de espécies e abundância e essa situação pode ser explicada pelo fato de que ambientes que sofreram alteração antrópica podem apresentar um aumento inicial de riqueza de espécies como resultado da colonização. J. 1997. Vale salientar que análises de similaridade são bastante úteis na comparação entre gradientes de variação antrópica. já que muitos métodos de coleta utilizados para formigas podem amostrar em maior quantidade organismos de hábito agrupado. a diferença entre os gradientes pode ser constatada na composição da comunidade de formigas. Apesar da observação de índices de similaridade maiores entre áreas adjacentes. com o tempo. E. 1990. Oxford. hipótese esta que indica que os ambientes contenham mais espécies quando a freqüência de um distúrbio não é muito intensa. Ambientes com maior heterogeneidade (Floresta.

Biotemas 1(2):42-53. Diversidade de formigas de solo em um gradiente sucessional de Mata Atlântica. O. M. I. Wilson.. F. 1993. A. R. 2006. Ants. London. V. S. Bergallo. Brasil. M. ES.. Ferreira. C. & Alves. Van Sluys. D. H. Biologia da Conservação: Essências. L.. 2000. São Carlos. 142 . Rocha.Leal. S. Rima Editora. E. A. O. G. Freitas. Smithsonian Institution Press.

o que ocorre nos troncos de Cecropia sp (Bueno et al. alimentam-se de estruturas cheias de proteínas liberadas pela planta em resposta a estímulos externos (corpúsculos de Müller). sendo as diferentes espécies conhecidas popularmente como embaúba. Muitos organismos formam mutualismos com formigas. especialmente em comunidades com grande diversidade. 2003). as acácias que oferecem néctar e proteína como alimento e em troca são protegidas pelas formigas contra uma grande variedade de herbívoros. herbivoria. protegendo-as da predação. ao mesmo tempo em que seus nectários extraflorais ou outros recursos nutritivos são consumidos pelas formigas. São árvores pioneiras ou de crescimento rápido. as formigas utilizam-se de abrigos ou refúgios na associação (Bueno et al. 143 . pertencente à família Cecropiaceae. Azteca. Para este estudo foram investigadas relações entre a presença / ausência de formigas em indivíduos de Cecropia sp na Reserva Natural Salto Morato. 2006). arbustos e árvores que são protegidos por formigas recebem uma espécie de patrulhamento de sua folhagem ou de seus tecidos reprodutivos. NA RESERVA NATURAL SALTO MORATO Cristiane Hiert Projeto Individual Resumo Relações de mutualismo entre formigas e outros organismos são relativamente comuns e demonstram claramente o efeito recíproco nas populações que interagem. Palavras-chave: Cecropia. formigas. Observou-se que as formigas estão presentes em árvores mais altas e que influenciam a incidência de herbivoria nas árvores de Cecropia. características de áreas perturbadas e de estádios sucessionais iniciais (Joly. como por exemplo. procurando testar a influência dos insetos nos indícios de herbivoria nas folhas. essas plantas rapidamente são desfolhadas (Ricklefs. que constroem ninhos no interior do caule. As herbáceas. O gênero Cecropia. Introdução Interações como mutualismo e comensalismo são amplamente difundidas.HERBIVORIA EM Cecropia sp E SUA RELAÇÃO COM A PRESENÇA DE FORMIGAS. 2001). porém nas espécies de Cecropia sp que não apresentam tal estrutura. 2001). é nativo do Brasil. Estas. O mutualismo gera um efeito recíproco nas populações que interagem. 2002). Quando as formigas são removidas. podendo-se esperar um razoável grau de coordenação mútua de suas estruturas ou de seu funcionamento (Townsend et al. como por exemplo. em alguns casos. A maioria das espécies dentro desse gênero é habitada por formigas carnívoras do gênero Azteca. mutualismo.

2) A incidência de herbivoria nos indivíduos de Cecropia sp é maior na ausência de formigas no caule destes. Para testar a relação entre a presença das formigas com a altura dos indivíduos e com a herbivoria. localizadas entre a sede administrativa e o centro de visitantes da Reserva Natural Salto Morato. Foram escolhidas aleatoriamente 10 folhas por exemplar para uma avaliação visual da condição de herbivoria. para linearizar a proporção destas. 1-10%. 2002). Para o teste da influência das variáveis altura. pachystachya. sempre que possível. Em um estudo da dinâmica sazonal da interação entre formigas Azteca constructor e Cecropia obtusifolia no Equador.O estabelecimento de uma colônia se dá quando uma rainha localiza um indivíduo de Cecropia sp e penetra no prostoma da planta. foi gerado um modelo linear generalizado. As folhas foram divididas em classes. realizando uma escolha randômica de indivíduos das espécies Cecropia glaziovii e C. Guaraqueçaba. Os dados de altura e PAP dos indivíduos foram também transformados (log) para homogeneizar a amostra e reduzir a variância dos dados. Ao longo do dia foram percorridas estradas e trilhas. Paraná. 1990). Assim o trabalho tem como objetivo testar a relação entre a presença de formigas no interior do caule de indivíduos de Cecropia sp. em função das seguintes taxas de herbivoria: zero (ou sem herbivoria). O alfa utilizado nas análises foi de 0. 2001). testando as seguintes hipóteses: 1) A presença de formigas varia entre indivíduos de Cecropia sp de diferentes alturas. A observação da presença ou ausência de formigas foi realizada visualmente ou com auxílio de binóculo nos indivíduos mais altos. o que ocorre principalmente pela proteção das formigas contra besouros (Martins et al. PAP. presença de formigas e suas interações na incidência de herbivoria. As porcentagens das classes de herbivoria presentes nas folhas foram transformadas (arcoseno). expulsando as outras (Santos et al. observou-se que as plantas ocupadas pelas formigas crescem mais rapidamente do que aquelas sem a presença dos insetos. denominadas capoeirinha e capoeirão. 11-30%. com a taxa de herbivoria observada nos mesmos. dessa forma. elas acabam saindo por pequenos orifícios e ficam deslocam-se ao longo do caule. 144 . Em cada indivíduo foram tomadas as medidas de perímetro à altura do peito (PAP) e altura (estimada visualmente). Mais de uma rainha pode ocupar uma planta e aquela que for mais competitiva tende a dominar. sempre após a árvore ser movimentada manualmente por um determinado tempo. 31-50% e > 50%. foi utilizado o teste t de Student. de diferentes tamanhos ou idades.05 (Fowler & Cohen. Material e Métodos A área utilizada para este estudo compreendeu duas regiões de estádio inicial de sucessão.

7 centímetros (média=22. P<0. Figura 2: ocorrência de formigas em indivíduos de Cecropia sp com a incidência de herbivoria nas suas folhas (média +IC) na Reserva Natural Salto Morato.471=2.59. P=0. PR. P<0.20 a 15.9).52.5 metros (média=6. Guaraqueçaba.06). A altura dos indivíduos variou de 1. totalizando 473 folhas analisadas.05. A incidência de herbivoria nas folhas foi maior nos indivíduos que não possuíam formigas no seu caule (t1. fig 1). De acordo com o modelo linear. Guaraqueçaba.471=11.7+18. 2).5+4. P<0.3) e o perímetro à altura do peito (PAP) de 2 a 70.05) e parcialmente pelos resíduos de altura / PAP (F=3. fig.39. PR. Figura 1: Ocorrência de formigas em indivíduos de Cecropia sp em diferentes alturas (média +IC) na Reserva Natural Salto Morato.Resultados Foram registrados 53 indivíduos de Cecropia sp. 145 . a herbivoria é influenciada pelo efeito da presença das formigas (F= 4.53. As árvores que apresentavam formigas no seu interior apresentaram maior altura em relação às árvores sem formigas (t1.05.

Botânica. Dessa forma.F.Discussão A incidência de herbivoria foi notadamente menor para os indivíduos associados às formigas. São Paulo. J. In Ecologia do Pantanal – Curso de Campo. Universidade de São Paulo..M. Pantanal Sul. M..B. C. R.A.C. no Núcleo Picinguaba. A. estes podem ser detectados e combatidos pelas formigas com maior eficácia. Interação entre formigas do gênero Azteca e a embaúba Cecropia glaziovii. Townsend.. criando uma espécie de “dependência” pela defesa oferecida pelas formigas. Companhia Editora Nacional. 2002. Concone.L. A. & Ordoñez. 60-62. In Livro da Disciplina Ecologia de Campo. Referências Bibliográficas Bueno. J. Esse fato pode estar refletindo o tipo de animal que se alimenta das folhas.. Artmed. Santos. 146 . isso pode dificultar a ação das formigas na defesa da Cecropia. Begon.C. L. Guanabara Koogan. 2006. pode mostrar uma alocação de recursos da planta para o crescimento em altura. pp. Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Ecologia. M. besouros).94-99. E.M. a sabida relação alométrica entre o perímetro à altura do peito e a altura dos indivíduos de Cecropia sp. 2001. Barghini. Joly. & Motta Jr. Introdução à taxonomia vegetal. S. Ricklefs. 2002. A. São Paulo. pois se elas forem feqüentadas por herbívoros que permanecem um tempo maior na planta (ex: lagartas de Lepidoptera).B. C. Produção de corpúsculos müllerianos e atividade de formigas Azteca spp.. & Harper. Mendel. Open University Press. & Cohen. a planta não investe em uma defesa química ou física contra a ação dos herbívoros. Ubatuba. Fonseca. J. Instituto de Biociências..B. 1990. São Paulo. Por outro lado. 2003. A Economia da Natureza.V. H. porém todos os indivíduos de Cecropia sp amostrados (com ou sem formigas) apresentaram algum grau de ação de herbívoros. Em Cecropia pachystachya numa região de mata ciliar do Miranda/Abobral. Editora Oeste. Fundamentos em Ecologia. A. Porto Alegre. o que pode indicar uma determinada limitação na defesa promovida pelas formigas. já que se trata de uma espécie pioneira heliófila. Fowler. Philadelphia. Fonseca.G. Practical statistics for field biology. E. Campo Grande. pp.. B. Itakawa. Mas se os herbívoros visitam a planta esporadicamente e por um curto período (ex: gafanhotos.

A abundância e a riqueza de espécies. A zonação em cursos d’água é longitudinal e a alteração na composição da comunidade costuma ser mais marcada na cabeceira do rio.. indicando substituição de espécies entre os pontos. 2006). causando morte de peixes e invertebrados.EXISTE SUBSTITUIÇÃO DA ICTIOFAUNA AO LONGO DE UM GRADIENTE ANTRÓPICO? Gabriela de Menezes Cortellete Projeto individual Resumo Alterações nas características de um ambiente causadas por ações antrópicas podem causar mudanças na composição de espécies de um rio. espécies podem reaparecer em intervalos. bem como as abundâncias relativas variaram ao longo do gradiente. 1998). 2001). condições e populações características (Odum. 2001). 1999). velocidade da corrente e pH. que pode causar prejuízos (Odum. as quais exercem forte influência sobre a composição das comunidades (Uieda & Castro. A liberação de esgoto em corpos d’água podem causar profundos problemas ecológicos. o oxigênio é consumido pelos microorganismos decompositores mais rapidamente do que ele é reposto no ecossistema (Townsend et al. químicas ou biológicas de um ambiente. Qualquer substância que intensifique ou diminua a produtividade de um hábitat pode causar uma mudança na composição de espécies de um rio (Ricklefs. poluição Introdução Rios e riachos possuem fluxo contínuo da fonte à foz e algumas de suas características se alteram ao longo do seu curso.. A variação longitudinal está relacionada com um forte gradiente de temperatura. parâmetros abióticos. 2001). 147 . Foram avaliadas as comunidades de peixes em quatro trechos do rio Morato com diferentes graus de antropização para testar a hipótese de que a composição da ictiofauna muda ao longo de um gradiente antrópico. no entanto quando a taxa de entrada de esgoto excede essa capacidade de decomposição pode levar a condições anaeróbias. Todos os ecossistemas têm uma capacidade para decompor a matéria orgânica até um certo limite. No ambiente aquático muitas características variam naturalmente e a intervenção humana nesses padrões de variabilidade pode causar o declínio das populações naturais (Smith et al. Neste caso. A poluição consiste numa alteração indesejável nas características físicas. A substituição longitudinal de espécies não é uniforme e contínua. Palavras-chave: composição da ictiofauna.

quantificados no local e imediatamente devolvidos ao rio. a demanda química de oxigênio (DQO) foi 20 mg/L e o pH foi 6. e três fora da reserva. Em solos bastante lixiviados como os tropicais. Material e métodos Este trabalho foi realizado no rio Morato. O potencial hidrogênico (pH) indica o balanço entre carbonatos. 2000). e sua dinâmica pode determinar a composição das comunidades lóticas. A DQO e o OD são formas de avaliação indireta da quantidade de matéria orgânica quimicamente degradável disponível na coluna d’água (Marques. Foram realizadas análise de correspondência. A ictiofauna encontrada nesse local é composta por Phalloceros caudimaculatus. sendo passível de grandes flutuações pela entrada de poluentes devido às atividades antrópicas (Marques.4. há poucos minerais alcalinos dissolvidos na água e portanto o pH não sofre efeito tampão do sistema. A hipótese é que espécies estariam sendo substituídas por outras ao longo de um gradiente antrópico. Cascudo morfo 2. medidos pelos parâmetros químicos da água. luminosidade e vegetação semelhantes. bicarbonatos e ácidos carbônicos. O grau de aerobiose do ambiente aquático é influenciado pelas reações de oxi-redução envolvendo vários elementos na água.Ambientes antropizados possuem maiores valores de demanda química de oxigênio (DQO) e menores valores de oxigênio dissolvido (OD) quando comparados aos ambientes naturais. Foram procedidas dez peneiradas em cada local. considerado não antropizado. Cascudo morfo 10. similaridade de Bray-Curtis e análise de agrupamento de Cluster para demonstrar se existia diferença na composição da ictiofauna entre os pontos. um antropizado e um muito antropizado. onde foram selecionados um ponto dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural Salto Morato. quanto mais distante da reserva os pontos foram sendo considerados mais antropizados. O presente o trabalho tem a intenção de demonstrar se há um gradiente na composição da ictiofauna em relação a diferentes graus de antropização. o pH foi medido com uma fita. Em cada ponto foram coletadas amostras da água e acrescentados os reagentes para medir o OD (mg/L) e a DQO (mg/L). Cascudo morfo 148 . pela necessidade desse elemento para todas as formas de vida com metabolismo aeróbio. 2000). Os peixes foram identificados. Resultados No ponto dentro da reserva. considerado não antropizado. com peneira de 60 cm de diâmetro e malha 2 mm. As coletas foram realizadas em locais com características de profundidade. o oxigênio dissolvido (OD) foi 10 mg/L. de modo a ter um ponto pouco antropizado.

Crenicichla lacustris. a DQO foi 20 mg/L e pH foi 6.7 0.7 0. DQO 20 mg/L e pH 6. Cascudo morfo 9. H .5 0. No ponto fora da reserva considerado antropizado o OD foi 8 mg/L.3 0.4. Cascudo morfo 2.4 0.0. A comunidade de peixes encontrada foi: Phalloceros caudimaculatus.5 0.7 0. Q . DQO 50 mg/L e pH 6.Cascudo morfo 4. Characidium lanei.Crenicichla lacustris.5 0.6 0.Cascudo morfo 2. o OD foi 8 mg/L. PR.6 0. A composição da ictiofauna nesse ponto foi: Phalloceros caudimaculatus .Phalloceros caudimaculatus.4 0. Cascudo morfo 2. F .Cascudo morfo 6.3 0.3 0. Deuterodon lanei.2 0. Geophagus brasiliensis.5. o OD foi 5 mg/L. Cascudo morfo 6.Cascudo morfo 7.4 0.3 0. Cascudo morfo 4.Hoplias malabaricus 149 .6 0. No ponto fora da reserva e próximo à ponte. não antropizado 0. Characidium lanei.1 0 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R Figura 1 – Variação na abundância de peixes em um gradiente de antropização nas proximidades da Reserva Salto Morato. L Characidium lanei.2 0. Espécies: A . Deuterodon lanei e Hoplias malabaricus.Coridoras barbatus. No ponto fora da reserva e próximo à residências.Cascudo morfo 9.1 0 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R muito antropizado 0.0.Cascudo morfo 3.2 0.4 0. Guaraqueçaba. considerado muito antropizado. Cascudo morfo 8. Hyphessobrycon griemi (Figura 1).Cascudo morfo 8. A comunidade de peixes encontrada foi: Cascudo morfo 1.7 0. G .Cascudo morfo 1. Cascudo morfo 3. Cascudo morfo 1.1 0 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R pouco antropizado 0. D . Cascudo morfo 2. considerado pouco antropizado.Cascudo morfo 10. Cascudo morfo 1. B . E . C . Cascudo morfo 3. J . K .2 0. O . Cascudo morfo 7. P Deuterodon lanei. M .Geophagus brasiliensis. I .5 0. Coridoras barbatus e Deuterodon lanei.6 0.Hyphessobrycon griemi e R . N .Cascudo morfo 5. Characidium lanei.1 0 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R antropizado 0.

Guaraqueçaba. Na análise de correspondência foram verificadas como as espécies estavam influenciando na diferenciação da composição das espécies desses ambientes (Figura 3). Letras referem-se as espécies conforme figura 2.A similaridade de Bray-Curtis entre as áreas mostrou maior semelhança entre os ambientes antropizado. PR. Figura 2 – Similaridade na ictiofauna no gradiente de antropização nas proximidades da Reserva Salto Morato. 150 . PR. Guaraqueçaba. nas proximidades da Reserva Salto Morato. pouco antropizado e muito antropizado (Figura 2). Figura 3 – Análise de correspondência entre as espécies ocorrentes em um gradiente de antropização.

151 . Agradecimentos – Projeto individual. porém como foram amostrados locais com características físicas muito semelhantes sugere-se que a mudança na composição seja conseqüência dos efeitos da poluição neste rio. Stream fish communities and their associations to habitat variables in a rain forest reserve in southeastern Brazil. 6. 8. variações mais altas nos parâmetros e em distâncias muito menores em ambientes antropizados causam variações mais drásticas na comunidade com aumento da dominância de algumas espécies (Phaloceros caudatus) e substituição de outras. Environmental Biology of Fishes 71: 321-340. Moraes. Embora o gradiente em um rio seja encontrado independente de influência antrópica com a variação longitudinal de parâmetros abióticos (Odum. Locais com nível intermediário de antropização tiveram composição da ictiofauna muito semelhantes. A entrada de material orgânico causa diminuição do oxigênio dissolvido. podendo tornar estes locais impróprios para algumas espécies (Ricklefs. intermediário (pouco antropizado e antropizado) e muito antropizado houve uma substituição de espécies ao longo do gradiente. 9 e Coridoras barbatus. porém entre os pontos não antropizado. 2004) esses são determinantes na composição das comunidades. 2004. 7. 2001). como aparentemente ocorre com os cascudos morfo 5. sendo que apenas o Cascudo morfo 2 é comum entre o ponto muito antropizado e o não antropizado. pois além dos parâmetros medidos foram observados esgotos lançados ao rio e casas à beira do rio.. Existe uma composição específica característica para cada microhabitat. Ao Fábio Bertoilini Gonçalves e Kelly Aguiar pela ajuda na coleta e identificação dos peixes. a variação encontrada em uma escala espacial reduzida sugere que este ambiente esteja poluído. Nesta investigação a substituição das espécies ao longo do gradiente foi evidente. Se ao longo de um gradiente de parâmetros abióticos que varia lentamente e em escala espacial maior causa mudanças na composição da comunidade de peixes (Odum. R. Embora não existam estudos sobre a maioria das espécies de peixes com relação a tolerância às mudanças nos parâmetros abióticos (Gerhard et al.Discussão As comunidades de peixes variaram ao longo do gradiente. que só foram encontradas no ambiente não antropizado. 2001).. Ao professor James Hoper e Maurício Moura pelos conselhos para as análises estatísticas e à Paloma Gusso pelas opiniões nas discussões finais do relatório. corroborando a hipótese do estudo. P. & Molander S. Referências Bibliográficas Gerhard. O local mais antropizado apresentou valores baixos de oxigênio dissolvido e altos valores de demanda química de oxigênio em relação aos outros pontos. 2001) dessa maneira algumas espécies que ocorrem em um local não conseguem sobreviver em outro que possua condições abióticas inadequadas.

& Roberts. A. & Castro. Townsend. Fundamentos em ecologia. P. P. Begon. Universidade Federal de São Carlos. 1999. C. Rio de janeiro. Ajani. Odum.Marques. D. Vol. Marine Environmental Research 47: 241260. Estudo limnológico do rio Piraquara (Piraquara – PR): Variação espacial e temporal das características físicas e químicas e ordenação espacial da bacia hidrográfica. Dissertação de Mestrado. R. Artmed. R. E. Fundamentos em Ecologia. E. Rio de Janeiro. S. Guanabara Koogan. A Economia da Natureza. E. 2000. 2001. L. M. V. Harper. Ricklefs. 1999. C. Smith. J. Fundação Calouste Gulbenkian.. 152 . Uieda. 2001. H. São Carlos. Porto Alegre.. M. PPGE – UFRJ. 2006. K. VI.. P. R. A. Portugal. Ecologia de peixes de riacho. C. Spatial and temporal variation in fish assemblages exposed to sewage and implications for managment.

Para tanto se procedeu com a alocação de cinco transecções de 150m partindo de beira de rio até a encosta. excesso de água no solo. Palavras-chave: Floresta Atlântica. Serathiuk Projeto individual Resumo Ambientes com solos encharcados podem limitar a riqueza de espécies e alterar a abundância e tamanho de plantas. A análise de correlação estrutural demonstrou a ausência de um gradiente. dependendo da altitude em que ocorrem. A formação Aluvial apresenta uma quantidade excessiva de umidade no solo.EXISTE VARIAÇÃO ESTRUTURAL E FLORÍSTICA EM UM GRADIENTE DE UMIDADE DO SOLO DA FLORESTA ATLÂNTICA? Rafael E. declividade. porém numa faixa altitudinal que varia de 500 a 1200m. tem-se por objetivo testar a existência de diferenças estruturais e florísticas entre as duas formações na Reserva Natural Salto Morato. transecções. condição que assim como nos casos de diferenças climáticas latitudinais ou mesmo altitudinais. Introdução A Floresta Atlântica é composta de cinco formações distintas. a análise de correspondência mostra a tendência de espécies ocorrerem preferencialmente em somente um dos ambientes. em altitudes que variam de 30 a 500m. resulta na alteração da riqueza de espécies provocada pelo excesso de água em solos aluviais e boa drenagem no ambiente submontano (Townsend et al. Com isso objetivou-se testar a existência de um gradiente estrutural e florístico entre a formação Aluvial e a Submontana da Floresta Atlântica. Já a formação Submontana se estabelece no início das encostas serranas. estabelece-se nas “caixas” dos rios. além de possuírem excesso de água. Material e métodos 153 . A formação Aluvial. Dessa forma. A formação Montana também é observada nas encostas.. Já a Altomontana se estabelece em altitudes superiores a 1200m (IBGE. Paraná. nas quais os solos são formados a partir de sedimentos aluvionares depositados pelas inundações periódicas. Essa diferença forma um gradiente de umidade do solo entre uma formação e outra. 1992). situação não observada nos solos da formação Submontana. por sua vez. 2006). em Guaraqueçaba. A formação Terras Baixas se estabelece nos terrenos com solos formados a partir da deposição marinha pretérita e estão em uma faixa altitudinal compreendida entre cinco e 30 m. porém.

Hyeronima alchorneoides Inga sp. Lauraceae 1 Aluvial 2 2 1 1 1 1 2 0 0 1 Submontana 0 0 3 0 2 1 0 4 2 1 Continua. os dados foram logaritimizados para normalização. morfo-espécies e árvores mortas nos ambientes aluvial e submontana na Reserva natural Salto Morato. distância da árvore ao ponto inicial e declividade do terreno. observou-se forte tendência de espécies encontradas na formação aluvial serem exclusivas do ambiente. Quando necessário. onde o aluvial foi estabelecido em declividades inferiores a 10o e o submontano em declividades superiores a 10o. considerou-se a existência de dois ambientes com base na declividade obtida.1). 154 . estimou-se a altura visualmente e mediu-se a distância das árvores ao ponto inicial da transecção e a declividade do terreno (clinômetro).. Resultados No total. altura.. A única correlação encontrada foi entre área basal e altura. Os indivíduos foram identificados em campo ou coletados para determinação em laboratório. não se observou correlação entre a área basal. A análise de correspondência de eventuais diferenças florísticas entre os ambientes foi feita com base na freqüência de cada espécie e morfo-espécie nos ambientes (Zar. embora não seja tão fortemente correspondente quanto da aluvial (Fig. perpendicularmente do rio do Engenho (uma transecção) e do rio Morato (quatro transecções). Guaraqueçaba. Em relação à estrutura.A amostragem foi feita em cinco transecções lineares de 150m alocadas em duas encostas de um morro. altura. Além do PAP (usado para o cálculo da área basal). Número 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Espécie Alchornea glandulosa Andira sp. Quanto ao gradiente florístico. Quando a transecção alcançava a cumeada do morro e a declividade era inferior a 10º considerou-se o ambiente como submontano. mas trata-se de uma condição morfométrica existente naturalmente. distância do rio e declividade do terreno (Tab. 2). Freqüência de indivíduos por espécies. Em cada transecção foram medidas todas as árvores e fetos arborescentes que interceptavam a trena e que apresentavam perímetro à altura do peito (PAP) superior a 15cm. Tabela 1. A análise de correlação foi feita confrontando a área basal. A fim de comparação. As análises estatísticas foram feitas por correlação para a parte estrutural e por correspondência para a parte florística. foram amostradas 78 árvores distribuídas em 31 morfo-espécies e árvores mortas (Tab. Também se observou tendência de espécies ocorrerem exclusivamente no ambiente submontana. Ficus sp. 1999). Bathysa meridionalis Casearia obliqua Cupania oblongifolia Cyathea sp. PR. 1).

0 ALUVIAL 1.. Soma dos desvios padrões das morfo-espécies nos ambientes aluvial e submontana na Reserva Natural Salto Morato.continuação Número Espécie 11 Lauraceae 2 12 Marlieria reitzii 13 Marlieria tomentosa 14 Matayba sp.0 0. 155 . Correlações entre as variáveis avaliadas no gradiente de umidade do solo na Reserva Natural Salto Morato. morfo-espécies e árvores mortas nos ambientes aluvial e submontana na Reserva natural Salto Morato. 30 Rubiaceae 1 31 Tibouchina pulchra 32 Vochysia sp. ns = não significativo. PR (número das espécies conforme Tab. Guaraqueçaba. Guaraqueçaba. PR. 1). . Variável Distância do rio Altura Área basal Altura ns Área basal ns 0. Guaraqueçaba.0 1 2 7 16 4 11 13 24 6 10 15 5 32 3 23 8 12 14 17 18 19 20 21 22 25 26 28 31 9 27 29 30 Espécie Figura 1. PR (n=78).61 Declividade ns ns ns 2..5 Soma do Desvio Padrão 1.5 SUBMONTANA -1. Total Aluvial 1 0 1 0 2 2 0 0 0 0 0 0 2 1 0 0 0 0 0 0 0 1 21 Submontana 0 3 0 3 3 0 1 1 1 1 1 1 12 0 1 4 2 1 2 2 3 2 57 Tabela 2. acuminatissima 25 Myrtaceae 1 26 Pera glabrata 27 Posoqueria latifolia 28 Pseudopiptadenia warmingii 29 Psychotria sp.5 0.0 -0.Tabela 1. (Continuação) Freqüência de indivíduos por espécies. 15 Miconia cinerascens 16 Morfo 1 17 Morfo 2 18 Morfo 3 19 Morfo 4 20 Morfo 5 21 Morfo 6 22 Morfo 7 23 Morta 24 Myrcia cf.

Prentice Hall. 156 . não se observou um gradiente estrutural da vegetação a partir da região mais próxima do rio à encosta. 2006.. R. pois não houve correlação significativa entre os atributos bióticos dos indivíduos e as condições topográficas. Porto Alegre. Artmed Editora. M. 1999.Discussão Para o critério de inclusão adotado. 1992. New Jersey. no 1.. & Harper. Isso sugere que a limitação hídrica do ambiente aluvial imponha restrições que condicionam a ocorrência de um número restrito de espécies tolerantes. J. embora existam aquelas que sejam facultativas. Referências Bibliográficas IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Biostatistical Analysis. 4th edition. Manuais Técnicos em Geociências. Manual técnico da vegetação brasileira. Zar. Townsend. C. Begon. J. sugerindo-se uma intensidade amostral maior para verificar com mais clareza essa disposição. 2006). L. 2ª Ed. o que corrobora com a teoria de gradientes para diferentes graus de umidade do solo em florestas tropicais (Townsend et al. H. Fundamentos em Ecologia. Quanto à composição florística. Visualmente pode-se observar que o subosque na floresta submontana é mais denso que na floresta aluvial e possivelmente uma amostragem que venha a abranger indivíduos menores possa identificar essa diferença. O baixo número de indivíduos amostrados pode ter influenciado as tendências verificadas. a análise de correspondência demonstra a tendência de espécies ocorrerem somente em um dos ambientes.

157 . Houve correlação entre o tempo total despendido nas flores com o aumento da concentração. As flores de diferentes espécies. Para testar essa hipótese foi realizado experimento em campo com diferentes concentrações de néctar. Portanto eles necessitam maximizar seus ganhos energéticos. Considerando que o néctar está distribuído em aglomerados em diferentes lugares e distâncias. 1980). 2001). néctar. Para isso é necessário testar se realmente os beija-flores são capazes de reconhecer néctar com alta e baixa concentração e se sua estratégia de forrageamento mudará conforme a qualidade do recurso. Logo. seria vantajoso despender mais tempo em recursos com alta qualidade e menos tempo em recursos de baixa qualidade. dentre os vertebrados. Após períodos sem alimentação as reservas desses animais podem decrescer perigosamente (Faegri & van der Pijl. Introdução Os beija-flores são considerados os agentes polinizadores mais importantes. Devido ao seu alto metabolismo necessitam de grande quantidade de energia diária (215 cal. Houve diferença no tempo gasto em flores com alta concentração quando comparado ao tempo gasto em concentração normal e diluída. por sua vez. Para que haja a seleção dos aglomerados de recursos ideais os beija-flores têm de ser capazes de discernir quando um recurso tem alta qualidade e gastar mais tempo forrageando nesse lugar e menos tempo quando o recurso tem baixa qualidade. provavelmente de acordo com os conceitos de forrageamento ótimo (maximização da energia) e sensibilidade ao risco (seleção de lugares com recursos de qualidade considerando o risco de ficar sem energia durante o percurso para encontrar esse recurso) (Ricklefs. 2004).grama-1). Palavras-chave: beija-flor. pois visitam muitas flores por dia (Sazima. 1980). Heliconia velloziana. 1968 apud Faegri & van der Pijl. 1980).ESTRATÉGIAS DE FORRAGEAMENTO DE Thalurania Glaucopis: EXPERIMENTAÇÃO COM DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE AÇÚCAR Augusto Lisboa Martins Rosa Projeto Individual Resumo Os beija-flores necessitam de alimentação constante e de alta energia. experimento. tanto que uma concentração de flores com grande quantidade de néctar pode levar a comportamentos de defesa de território (Grant & Grant. et al 1996 apud Piacentini.hora-1. apresentam diferentes concentrações e quantidades de néctar (Faegri & van der Pijl. as melhores partes do ambiente seriam selecionadas.

Guaraqueçaba. Todas as visitas de beija-flores foram registradas. testando os dois procedimentos. 1). pess. vellosiana onde era possível enxergar treze inflorecências em apenas um ponto focal. 158 . O teste t com análise de poder demonstrou que seriam necessárias duzentas e quarenta e três réplicas para verificar essa diferença. Primeiramente testou-se o aumento da concentração de néctar em algumas flores. Para verificar a relação entre o tempo total de permanência e concentração foi feito um teste t.). Para quantificar o tempo despendido pelos beija-flores em cada flor foi feita uma estimativa de tempo.0017) no tempo gasto pelos beija-flores em flores com alta concentração de néctar e nas flores controle e diluídas. o tempo despendido na retirada do néctar em cada flor (identificando as flores com alta concentração). A observação e experimentação foram realizadas em local na beira do rio Morato num aglomerado de inflorecências de H.102 F= 6. Inicialmente foram feitos dois dias de observação para a identificação de padrões de forrageamento da espécie e adequação da metodologia. Resultados Houve nítida diferença (r²= 0. a cada visita eram anotados o horário.745 p> 0. vellosiana. Caso e que tendências foram observadas um teste t com análise de poder foi utilizado para prever qual o esforço amostral necessário para a confirmação deste padrão. mas não houve diferença nestes dois últimos (Fig. um cronômetro foi utilizado para marcar o tempo total da visita. A concentração normal do néctar dessa flor foi medida com um refratômetro e correspondia a uma concentração de aproximadamente dez por cento. As médias de cada tratamento foram comparadas através de análise de variância (ANOVA). com o auxílio de uma seringa. A planta escolhida para realizar a experimentação foi Heliconia velloziana que apresentava grande número de visitas de beija-flores no período (obs. o tempo total da visita. o qual foi realizado através da implementação de solução de água com açúcar a cinqüenta por cento em três flores de H. O segundo experimento foi realizado dissolvendo o néctar de todas as flores do local com água. o número de flores visitadas e espécie. PR.Material e métodos O experimento em campo foi conduzido em ambiente de mata Atlântica na Reserva Natural do Salto Morato. Foram feitas cinco horas de observação.

2). Guaraqueçaba.Figura 1. PR. Realizando análise de poder foi constatado que o número de réplicas necessárias para que fosse verificada diferença entre as concentrações seria de trinta e seis visitas. Quando consideramos o tempo total de permanência e a concentração da solução não há diferença. PR. no entanto podemos notar uma tendência de os beija-flores gastam mais tempo na visita nas concentrações altas e controle e menos tempo quando o néctar é diluído (Fig. 159 . Guaraqueçaba. Teste t entre o tempo (total) de permanência dos beija-flores nas flores e a sua concentração (n=20) na Reserva Natural do salto Morato. enquanto foram analisadas vinte visitas. Tempo de permanência (segundos) 150 100 50 0 Alta Concentração Baixa Figura 2. Tempo médio (± EP) de permanência de Thaluriana glaucopis nos diferentes tratamentos na Reserva Natural do Salto Morato.

Pergamon Press. considerações. & van der Pijl. 1980. A Economia da Natureza. Ricklefs. The principles of pollination ecology. sugestões. Logicamente. A todos os professores participantes por todo aprendizado oferecido. V. L. Isto pode ser um indício de que ela tem a estratégia de sempre procurar um recurso de alta qualidade. principalmente para organismos com alto metabolismo como os beija-flores que necessitam maximizar seus gastos energéticos. A diferença pode não ser tão óbvia quando esse recurso é de baixa qualidade. 160 . Na fase experimental foram observadas algumas visitas de Ramphodon naevius que tem maior porte e parece gastar menos tempo total em suas visitas. pois eles não têm onisciência da situação (quantidade e qualidade) do néctar das flores que visitam e precisam experimentar várias flores para tentar encontrar o recurso que mais lhe convém. como o territorialismo e o retorno do mesmo indivíduo ao recurso.Discussão As vantagens em reconhecer um recurso de alta qualidade e gastar mais tempo forrageando neste recurso são óbvias. Problemas que poderiam ser contornados com a marcação dos indivíduos e réplicas espaciais. Dessa maneira o experimento pode oferecer indícios de que os conceitos de forrageamento ótimo e de sensibilidade ao risco se aplicam à estratégia de forrageamento de Thalurania glaucopis. Além disso. Oxford. Agradecimentos: Ao professor James Roper pelas idéias. A todo pessoal da Fundação pelo apoio. outros fatores que não foram medidos ou controlados podem afetar o tempo de visitação analisado. Q. UFPR. Provavelmente as estratégias de forrageamento mudam conforme a espécie. E. ficando como sugestão para futuros projetos. R. especialmente ao Arnaldo e Lurdinha responsáveis pelo delicioso rango nosso de cada dia. gastando pouco tempo por visita. de acordo com o conceito de sensibilidade ao risco os beija-flores sempre precisam de pelo menos um pouco de energia para viajar para o próximo aglomerado de flores. Rio de Janeiro. K. Levantamento de riqueza e abundância de beija-flores da Mata Atlântica: um estudo comparativo de métodos. 2004. Aos alunos participantes por todo companheirismo e ajudas mil a um alienígena que se sentiu em casa. Guanabara Koogan. Referências bibliográficas Faegri. Então é provável que haja melhor ajustamento dos indivíduos que conseguem detectar esse recurso de alta qualidade e prontamente mudar sua estratégia de forrageio passando mais tempo nesses locais. análises estatíticas e críticas. 2003. Piacentini. A professora Márcia por toda dedicação e organização do curso. Relatório de Ecologia de Campo.

COBERTURA DE DOSSEL INFLUENCIA A INVASÃO DE Musa rosacea?

Cibele Munhoz Amato

Projeto Individual

Resumo A invasão de novos ambientes por espécies exóticas é a segunda maior ameaça mundial à biodiversidade. A teoria dos recursos flutuantes é uma das principais teorias relacionadas a esse tema. Considerando luminosidade um recurso que pode ser limitado pela existência de estratos superiores, pretendeu-se demonstrar se a presença de indivíduos de M. rosacea apresenta correlação com cobertura de dossel. Não foi encontrada relação entre a ocupação da espécie e a cobertura do dossel, demonstrando a atuação mais forte de fatores como a idade e a proximidade com áreas antropizadas sobre sua dinâmica populacional. Palavras-chave: banana-flor, dispersão, disponibilidade de recursos, distúrbio, invasão biológica.

Introdução A ocupação de novos ambientes por espécies exóticas invasoras é considerada a segunda maior ameaça mundial à biodiversidade, em função de seu potencial de alteração dos ecossistemas. São consideradas espécies invasoras (invasive species) aquelas que estabelecem em novas áreas nas quais proliferam, se dispersam e persistem em detrimento de espécies e ecossistemas nativos (Mack et al. 2000). Diversas hipóteses foram construídas na tentativa de explicar os motivos pelos quais alguns ambientes são aparentemente mais suscetíveis a plantas exóticas invasoras do que outros. Uma das mais proeminentes teorias relativas à invasão de espécies é a teoria dos recursos flutuantes. Essa teoria assume que as espécies exóticas são limitadas pelos recursos e assim, que comunidades se tornam mais suscetíveis à invasão quando ocorre incremento na quantidade de recursos não utilizados, como após um distúrbio (Davis et al. 2000). Entretanto, até o momento o entendimento existente sobre os processos de invasão, atributos da história de vida de organismos invasores e as condições locais são insuficientes para se predizer os impactos ou resistência e a resiliência das comunidades nativas terrestres ou aquáticas causados pela chegada de espécies invasoras aos ambientes. Considera-se uma comunidade suscetível à invasão quando uma espécie introduzida consegue se estabelecer e persistir ou expandir-se (Burke & Grime 1996). De maneira geral, aceita-se que, em primeiro lugar, áreas de solo exposto são mais suscetíveis à invasão, seguidas de dunas, comunidades vegetais campestres e savanícolas e, por fim, comunidades florestais, em especial quando invadidas por formas de vida arbóreas, que não fazem parte desses sistemas abertos de vegetação baixa (Richardson et 161

al. 2000; Hughes et al. 1991; Richardson & Higgins 1998). As florestas parecem ser os ecossistemas mais resistentes à invasões biológicas, pois são raras as espécies invasoras tolerantes à sombra. Além disso, dificilmente a teoria do nicho vago, que diz que ambientes com maior diversidade biológica tendem a apresentar menor suscetibilidade à invasão, pois fazem uso mais eficiente de recursos limitadores ao desenvolvimento das plantas, se aplicaria a áreas florestais, onde as formas de vida são abundantes e a diversidade, em especial em florestas tropicais e subtropicais, supera a de outras formações (Woods 1997). Musa rosacea Jaqu. (Musaceae Zingiberales), é originária das florestas de altitudes elevadas de Arunachal Pradesh, na Índia. Denominada popularmente “banana-flor”, essa espécie foi difundida por diversas partes do mundo em função de seu uso como planta ornamental. Tem como estratégias reprodutivas tanto a sexuada, com síndrome zoocórica de dispersão, quanto a assexuada, sendo que cada indivíduo origina diversas brotações que podem emergir mesmo estando 40-45cm distantes da planta mãe. Atualmente é considerada invasora de diversos ambientes naturais, causando substituição de espécies nativas de forma bastante agressiva e com registros de ocupação inclusive de ambientes florestais. Existe registro da presença de M. rosacea na Reserva Natural do Salto Morato em diversos locais da propriedade, tanto em áreas abertas quanto em áreas com cobertura florestal (Fonte: Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature Conservancy). Partindo do pressuposto que quanto maior a cobertura do dossel, menor a disponibilidade de luz no sub-bosque, a presente pesquisa tem como objetivo demonstrar se M. rosacea apresenta relação com a cobertura de dossel e conseqüentemente com a disponibilidade de luz.

Material e métodos A presente pesquisa foi realizada na Reserva Natural do Salto Morato, Guraqueçaba, Paraná. Em parcelas de 10m x 10m, dispostas perpendicularmente às trilhas, foram coletados dados de todos os genetas anotando-se a altura, o perímetro à altura da base (PAB), a projeção da área da copa (largura maior x largura menor) e a distância até a trilha. Nos casos em que haviam rametas, estes dados foram tomados para aquele apresentava a maior altura, além de se anotar o número de rametas. Nas parcelas também foi estimada a riqueza da área por meio da contagem do número de morfoespécies arbustivas ou arbóreas com altura superior a um metro e meio. A cobertura do dossel foi estimada por meio da média de cobertura obtida por fotos tomadas nos pontos extremos e central das parcelas. A cobertura de dossel de cada foto foi obtida após sua tranformação em imagem preto e branco e posterior estimativa do percentual do número de pixels pretos pelo programa Adobe Photoshop. Para a determinação dos elementos preponderantes no padrão de ocupação de M. rosacea considerando-se as variáveis utilizadas, foi realizada Análise de Componentes Principais (PCA).

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Resultados Um total de 78 genetas de Musa rosacea foram amostrados nas parcelas sendo que a altura variou de 0,54 a 4,5m, o PAB (perímetro à altura da base) de 6,9 a 67,4cm, o número de rametas de um a 24, a área da copa de0,56 a 26,25m2 e a distância da trilha de 0,1 a 34,6m. A riqueza estimada para as parcelas variou de 11 a 23 morfoespécies e a estimativa de cobertura de dossel ficou entre o intervalo de 54,1 e 84,6%. O PAB, a distância da trilha e a área da copa, representaram respectivamente 63%%, 27% e 7% dos componentes que interferem no padrão de ocupação de M. rosacea considerando-se as variáveis selecionadas, sendo que conjuntamente explicam 97% desse padrão.

Discussão A ocorrência de Musa rosacea na Reserva Natural do Salto Morato apresenta um padrão de invasão bastante vinculado à idade dos indivíduos (medido pelo PAB) e à proximidade com corredores de dispersão (trilha). Considerando-se que os locais amostrados teoricamente apresentavam como diferencial a disponibilidade do recurso luz pelas diferenças na cobertura do dossel, a ausência de correlação entre esta variável e o tamanho dos genetas (PAB, altura, área da copa e número de rametas) sugere que os padrões encontrados não se enquadram na teoria de recursos flutuantes (Davis et al. 2000). Em função da idade dos indivíduos ou o tempo de estabelecimento estar fortemente atrelado à ocupação da espécie, e da independência entre sua presença e a disponibilidade de luz, aparentemente M. rosacea não teve tempo para uma maior dispersão pela reserva. A distância da trilha apresentou alta relação negativa com a área da copa, indicando a presença de indivíduos mais antigos em locais menos distantes, e consequentemente, o início da ocupação nos locais mais próximos à trilha, ao contrário do padrão encontrado por outros autores (Wiser et al. 1998). Uma forma não intencional de dispersão de sementes de exóticas é a adoção, por parte da fauna local, de um novo hábito alimentar, com conseqüente perigo de disseminação (Ziller, 2000). No caso de M. rosacea já foi observada a utilização dos frutos dessa espécie por animais na Reserva Natural do Salto Morato (Paulo Chaves, com. pessoal). A maior presença de M. rosacea, em ambientes próximos às trilhas pode indicar a influência da dispersão de sementes por zoocoria devido à maior facilidade de circulação criada por esses caminhos, entretanto são necessários estudos mais aprofundados para testar se realmente ocorre esse tipo de dispersão.

Agradecimentos: À prof. Márcia Marques e ao prof. Maurício Moura pela imprescindível colaboração na coleta dos dados e na análise dos resultados.

Referências bibliográficas Burke, M. J. W & Grime, J. P. 1996. An experimental study of plant community invasibility. Ecology. 77(3): 776–790. 163

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