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RENAN LUÍS BALZAN

DA FÍSICA À PRÁTICA EM CONJUNTO MUSICAL:
Ensino da Acústica e Teoria Musical Através da Construção de
Instrumentos e Prática em Conjunto

PORTO ALEGRE
2018

RENAN LUÍS BALZAN

DA FÍSICA À PRÁTICA EM CONJUNTO MUSICAL:
Ensino da Acústica e Teoria Musical Através da Construção de
Instrumentos e Prática em Conjunto

Relatório de Conclusão de Curso apresentado ao
Centro Universitário Metodista IPA como requisito
parcial para obtenção do título de Licenciado em
Música.

Orientadora: Profa. Dra. Elisa da Silva e Cunha

PORTO ALEGRE
2018

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pelo amor e apoio incondicional em todos os momentos que precisei e
pelo cultivo e valorização da música dentro da nossa casa desde sempre, pois sem esse ambiente
favorável, jamais teria chegado até aqui.

À minha esposa Rosi, pelo amor, companheirismo, incentivo e paciência,
acompanhando a minha trajetória musical de perto e presenciando todos os momentos de
alegrias e motivações, assim como de angústias e preocupações.

A todos os professores que tive, desde o primeiro contato com a música, que de alguma
forma incentivaram e despertaram em mim o amor e o interesse por essa arte.

Aos meus orientadores, em cada um dos três estágios supervisionados no IPA, Prof.ª
Cristina B. dos Santos, Prof.ª Jaqueline Lourenço Barreto e Prof.ª Elisa da Silva e Cunha, pelas
conversas, opiniões e sugestões que contribuíram para o meu desenvolvimento ao longo do
curso.

Aos meus colegas, com que sempre aprendo e ensino algo novo, durante as conversas,
risadas, discussões, troca de informações e parcerias profissionais.

A Deus e todos os mentores encarregados da minha proteção espiritual.

A todos os meus antepassados que foram músicos, ou não tiveram a oportunidade
necessária para isso, mas que, de alguma forma, contribuíram para que essa cultura fosse
passada através das gerações da minha família.

através da construção de instrumentos musicais com canos de PVC e prática musical em conjunto’’. feito no Ensino Médio. Estão descritas as experiências ao longo do último estágio curricular supervisionado. analisando o contexto do ensino público em modalidade EJA. este trabalho teve como objetivo propiciar ao aluno a consciência dos elementos acústicos básicos envolvidos na construção. assim como alguns conteúdos musicais e sua utilização prática. foram expostas as atividades propostas às turmas. pelo Centro Universitário Metodista IPA. RESUMO Este trabalho apresenta o relatório de conclusão de curso. assim como algumas peculiaridades e desafios encontrados ao longo do processo. construção de instrumentos musicais com canos de PVC e prática em conjunto musical. no Ensino Fundamental e em Espaço Não Escolar. Ao longo do relato das observações e regências. O tema do estágio foi: ‘‘O Ensino dos elementos básicos da acústica e teoria musical. além de uma breve retrospectiva a respeito dos dois estágios anteriores. Propondo uma abordagem interdisciplinar. estágio curricular em música. despertando o interesse do aluno no aprendizado musical. requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Música. . acústica. Palavras-chave: música na EJA. aliando elementos da Física (Acústica).

...................................... 21 3................................... 18 2...........................................................................................2 Observação 2 – Turma 203 ............11 Observação 11 – Turma 301 .................................3 Terceira Regência .................1.. 28 3..................................... 19 3 PLANEJAMENTO .......................................... 13 2........................................................ 17 2........3.................................................. 14 2.............................................6 Observação 6 – Turma 101 .............3 PLANO DE AULA .............. 15 2...................................................1 CRONOGRAMA DE ESTÁGIO ....................... 16 2..........................................................1......1.....................................................1...................1 OBSERVAÇÕES ......... 16 2..................................................................12 Observação 12 – Turma 103 .......3....3 Observação 3 – Turma 202 ......... 9 2 DESCOBRINDO A REALIDADE DAS TURMAS .............................................14 Observação 14 – Turma 202 .. 19 2............... 24 3........................7 Observação 7 – Turma 303 ....... 14 2.......... 13 2.......................1....................................................................................................... 17 2..............................1...............1...... 27 3.............................4 Quarta Regência ..................................15 Observação 15 – Turma 301 ...................................13 Observação 13 – Turma 101 .....1 Observação 1 – Turma 302 ......... 18 2.....................................1......... 14 2.......................................................................................1................................... 30 .................................................... 29 3.1...................................8 Observação 8 – Turma 302 ........................................................................1............................................ 12 2........................................ 15 2...................1..1.....2 Segunda Regência ............ 27 3............................................................................................................................ 23 3........1.......................... 16 2.................................3............9 Observação 9 – Turma 203 .................................. 18 2..........................................................................................................................................2 PLANO DE ENSINO .................................................................................................. SUMÁRIO 1 CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE DOCUMENTAL .........1...........................................1......1 Primeira Regência ..............................................................................5 Observação 5 – Turma 103 ...............................4 Observação 4 – Turma 301 ....................................16 Observação 16 – Turma 302 .......................................................................................................3..................................................10 Observação 10 – Turma 202 ......

......................3......... 37 4.................2 Segunda Regência ...................................3 Terceira Regência ......................... 38 4..............3 Terceira Regência ........ 43 4...................................................................................................................................................................... 46 4................................................................................................................2...................................4 Quarta Regência ............................................... 48 4...................................................................................................................4 Quarta Regência ................................................................................4 TURMA 202 – ..................... 38 4...........2 Segunda Regência ................. 49 4.................................................................................. 4 4 RELATO DE PRÁTICA.................................2 Segunda Regência .........................1.............. 32 4......................... 35 4.......... 45 4..2.3 Terceira Regência ....................3................................................................................................1 Primeira Regência ...............4 Quarta Regência ............................................................................................3................................................................................................................................................1...................2 TURMA 302 ......................................................... 43 4............3 TURMA 203 ...... 32 4..4.................1 Primeira Regência ...................................................... 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS .....2...... 47 4......................1 Primeira Regência ............................................. 41 4........................................................................................1 TURMA 301 .........4..................................4....................................................1 Primeira Regência .............................................................2.............2 Segunda Regência ........................................... 34 4.........4....... 47 4.........1.................................................................. 32 4....3.............................................3 Terceira Regência ................................. 51 ANEXOS ....................4 Quarta Regência ............1................. 39 4.............................................................................................................................................................................. 42 4.................................................................................... 44 4....................................

Dentre os autores que embasaram o trabalho. até hoje. cursos livres e aulas particulares.INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta o relatório de conclusão de curso. O objetivo foi construir três instrumentos musicais de percussão (ganzá. além do tempo reservado aos encontros para orientações. meu pai e meus tios. Amato 1 Ao longo do trabalho. leituras e produção textual. meu ingresso no curso de Licenciatura em Música do IPA abriu um campo de possibilidades ainda não explorado por mim: O ensino musical no ensino básico. conteúdos ou áreas de ensino específicas. Esse contato com a música popular faz parte da minha formação. Minha infância foi marcada pela música ao vivo nos encontros familiares. que veio ao Brasil diretamente da Itália. tendo como tema: a Construção de instrumentos musicais com materiais recicláveis e musicalização1. formei minha primeira banda de Rock. cito: França (2002). quando fui apresentado ao piano nas aulas do Conservatório Verdi. com habilitação em composição musical. títulos de música. passando posteriormente também a outros gêneros como o Pop. feito no Ensino Médio. na Cidade de Nova Prata/RS. utilizando-os posteriormente para atividades práticas de musicalização. e trabalhar a cerca de 15 anos com educação musical em escolas de música. requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Música. optei por destacar em Itálico as palavras estrangeiras. Apesar de já ser graduado em Música pela UFRGS (2013). Cada estágio foi estruturado com base em 16 horas de observações e 16 horas de regências. pelo Centro Universitário Metodista IPA. títulos de trabalhos ou temas. adquirindo ferramentas que possibilitem oferecer uma aula de música cada vez melhor aos alunos. além de uma breve retrospectiva a respeito dos dois estágios anteriores. no período de imigração Italiana no RS. paralelamente a música erudita. caixa e tambor) com garrafas PET. . O primeiro estágio curricular obrigatório (no ensino fundamental) foi feito em uma escola estadual. o conhecimento musical informal vem sendo passado pelas gerações da minha família desde o meu bisavô paterno. Minha trajetória formal com a música iniciou aos meus nove anos de idade. Estão descritas as experiências ao longo do segundo estágio curricular supervisionado. o Blues e a MPB. planejamentos. executadas pelo meu avô. tive a oportunidade de conhecer técnicas pedagógicas de educadores musicais renomados. além do embasamento teórico necessário para ampliar minha visão como educador. No entanto. Aos 14 anos. Durante as disciplinas pedagógicas do curso. no Ensino Fundamental e em Espaço Não Escolar. o Reggae.

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(2006), Garcia (2013) e Feliz (2002). A metodologia utilizada baseou-se em aulas teóricas
expositivas, prática de construção de instrumentos musicais em aula, execução e criação
musical coletiva de pequenos trechos rítmicos e músicas e utilização de gravações de áudio e
vídeos. Por um lado, essa experiência de estágio, no ensino fundamental, me possibilitou
enxergar melhor as diversas habilidades que o professor precisa ter para trabalhar nesse
contexto, que vão muito além do domínio dos conteúdos musicais, desenvolvendo diferentes
estratégias para abordar o mesmo tema, além de uma capacidade de adaptação rápida e de
improvisação. Por outro lado, fui estimulado a refletir sobre as condições de trabalho a que o
professor está submetido atualmente. Durante uma conversa informal, a professora de artes da
escola comentou que, além do desrespeito constante de alguns alunos, estava recebendo seu
salário parcelado. Uma situação, no mínimo, triste. Muito ainda precisa ser feito, do ponto de
vista legal e cultural, para possibilitar um melhor reconhecimento e melhores condições para
que o professor da escola básica trabalhe com dignidade.
O terceiro estágio curricular obrigatório foi feito antes do segundo, pois o curso permite
essa possibilidade. Aliando as práticas de canto coral, composição e arranjo, teve como local
escolhido um coro universitário, trabalhando com o tema: o ensaio e regência de um arranjo
próprio, a quatro vozes, da música Baião, de Luiz Gonzaga. O objetivo foi desenvolver no
aluno a sensibilidade e as habilidades necessárias para a atividade do canto coral, despertando
o interesse para o repertório da música popular Brasileira. Dentre os autores que embasaram o
trabalho, sito Nascimento (2011), França e Swanwick (2002), Pereira (2011) e Borges (2007).
A metodologia utilizada combinou a audição de gravações da música trabalhada, melodias dos
naipes reproduzidas por Sampler2 e enviadas por grupo do Whatsapp, acompanhamento
harmônico ao piano, análise da partitura em conjunto, ensaios com naipes juntos e separados.
Por fim, essa experiência possibilitou conhecer melhor as habilidades que o regente/arranjador
precisa ter para trabalhar na área do canto coral. Somente com o estudo e capacitação contínua,
desenvolvendo sempre novas estratégias de ensaio e ensino, o profissional pode propiciar uma
experiência de aprendizagem rica e relevante para os integrantes do coro e, consequentemente,
para o público que prestigia o espetáculo.
O segundo estágio curricular obrigatório (no ensino médio), que é descrito em detalhes
neste trabalho, foi feito em uma escola estadual de Porto Alegre, na modalidade EJA. A
instituição, com um perfil de alunos de classe média/baixa, não tinha a disciplina música no

2
Software que armazena e reproduz amostras de áudio, simulando virtualmente instrumentos musicais, por
exemplo.

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currículo, o que exigiu que as atividades fossem realizadas como parte da disciplina de
educação artística, com turmas dos segundos e terceiros anos. A maioria dos alunos nunca tinha
frequentado nenhuma aula de música regular, salvo algumas atividades extracurriculares, de
curta duração, oferecidas pela escola, ou trabalhos realizados por outros estagiários. Propondo
uma abordagem interdisciplinar, aliando elementos da Física, especificamente a Acústica3,
construção de instrumentos musicais com canos de PVC e prática em conjunto musical, este
trabalho teve como objetivo propiciar ao aluno a consciência dos elementos acústicos básicos
envolvidos na construção, assim como alguns conteúdos musicais e sua utilização prática,
despertando o interesse do aluno no aprendizado musical. Como nos descrevem Grillo e Perez
(2016):

A interdisciplinaridade é a palavra-chave para a educação básica. Através dela várias
disciplinas são interligadas proporcionando uma melhor compreensão dos fenômenos
que acontecem diariamente. A Música pode ser usada para fazer a ligação entre as
diversas disciplinas ensinadas no ensino médio como, por exemplo, a Matemática, a
História, a Filosofia e a Física. (p. 66).

Conversando com o professor de física da escola, fui informado que o conteúdo Acústica
não estava incluído no programa de ensino da EJA. Dessa forma, para que meu projeto pudesse
ser colocado em prática, foi aberta uma exceção. A importância desse conteúdo é reforçada por
Moura e Neto (2011), propiciando algumas reflexões sobre o assunto, desenvolvidas ao longo
do trabalho.
A construção de instrumentos musicais em sala de aula, possibilitou trabalhar de forma
teórica e prática com o gênero musical Xote Nordestino4. Albuquerque destaca que essa
abordagem permite ainda “[...] vivenciar e entender questões relativas à acústica, produção do
som, fazer música, por meio da improvisação ou composição, no momento em que os
instrumentos criados estiverem prontos.” (ALBUQUERQUE, p. 3).
Durante o estágio, pude conhecer melhor o perfil dos alunos de cada turma, assim como
a realidade da modalidade de ensino EJA, permitindo uma reflexão a respeito de alguns pontos
positivos e negativos, além das dificuldades vivenciadas tanto pelos alunos como pelos
professores, como serão comentadas ao longo do texto. Griffante, Bertotti e Silva (2013)
enfatizam que:

3
Ao longo do trabalho, optei por destacar em Itálico as palavras estrangeiras; títulos de trabalhos ou temas;
títulos de música; conteúdos ou áreas de ensino específicas.
4
Idem item 2.

8

[..] devemos “criar possibilidades” para a produção ou construção do conhecimento e
para que isso ocorra é necessário que o docente busque conhecer o perfil do aluno,
suas necessidades e interesses para construir o seu planejamento de ensino de modo
satisfatório. (p. 5).

O trabalho está organizado em quatro capítulos centrais, sendo eles: 1) contextualização
e análise documental, onde estão descritas as impressões e informações documentadas a
respeito do local de estágio; 2) Descobrindo a realidade das turmas, onde as impressões a
respeito das observações em sala de aula são expostas; 3) Planejamento, contendo o
cronograma, plano de ensino e plano de aula do estágio; e 4) Relato de Prática, onde são
descritas as atividades práticas realizadas com as turmas durante as regências. Por fim, são
feitas algumas considerações a respeito do estágio e a realidade da educação musical, no
contexto do ensino médio em modalidade EJA.

sempre recebendo respostas negativas ou indefinidas em relação à possibilidade de estágio. ligando e mandando e-mails para diversas escolas. Meu primeiro contato com os responsáveis pela Escola Estadual de Ensino Médio Anne Frank ocorreu no início do mês de abril de 2018. foi extremamente difícil. na Cidade de Porto Alegre/RS. sala de recursos. secretaria. Em relação ao nome da escola. estaduais e privadas. Ensino Fundamental de 5ª à 8ª série. do 1º ao 5º ano. 2011. quando fui pessoalmente ao local. Tive acesso ao projeto político pedagógico da escola na segunda semana de observações. refeitório. Atualmente. quando a vice-diretora me enviou o documento por e-mail. em sua lembrança é permeada por um profundo espírito de otimismo. localizada na Avenida Cauduro. solidariedade e esperança de construção de um mundo melhor. consta no documento que foi uma homenagem à comunidade Judaica de Porto Alegre. a Escola oferece Educação Infantil. Após o aval da professora de artes. almoxarifado e banco do livro. modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA. na pessoa da Adolescente Anne Frank. Após diversas tentativas e um certo abatimento psicológico. inicialmente atendendo o ensino fundamental e curso supletivo. sala de vídeo. ‘‘A homenagem. biblioteca. cozinha. um bar. No prédio principal há: 11 salas de aula.] dois prédios de alvenaria e um pátio central subdividido em uma cancha de futebol e outra de vôlei.. Segundo o PPP.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE DOCUMENTAL O caminho para encontrar uma escola disposta a aceitar estagiários. sendo gentilmente atendido pela vice-diretora. O documento foi escrito no ano de 2011. e Curso de Ensino Médio. uma sala para pessoal de serviços gerais e uma sala com banheiro onde funciona um serviço de xerox terceirizado. sala do setor de Recursos Humanos. a escola. Ensino Fundamental de Nove Anos. A respeito do espaço físico. O prédio auxiliar é composto de 06 salas de aula. sala de artes.. laboratório de Informática. 04 sanitários. salas da Direção e Vice Direção. à noite. laboratório de Ciências. no ensino médio. sala do Serviço de Orientação Educacional. sala do setor Administrativo. no turno diurno. 06 sanitários para alunos. 3-4).’’ (PPP. comecei o estágio. sala do Serviço de Supervisão Educacional. finalmente fui aceito. foi fundada no ano de 1966. sendo descoberta e levada para morrer em um campo de concentração Nazista. 03 sanitários para professores. p.Financeiro. é informado que a escola é constituída de: [. jovem que viveu durante a segunda guerra mundial e permaneceu escondida em um sótão por 2 anos. sala de Línguas. nº 238. O ensino médio na modalidade EJA entrou em vigor no ano de 2002. Em anexo à sala de aula da . sala de material de Educação Física e Grêmio de Alunos. sala de mecanografia. Desde o mês de fevereiro eu vinha visitando pessoalmente. sala de professores.

. p. aprender a ser. a alunos diagnosticados com necessidades especiais. Consta que a maioria dos frequentadores da escola mora em bairros próximos à escola. Em relação aos objetivos da escola. No ano de 2010. 8). Proporcionar atendimento educacional especializado (AEE) nas Salas de Recursos de Altas Habilidades. [. possuindo uma renda familiar de 1 a 6 salários mínimos. aprender a fazer. 2011. integrado por competências e habilidades. p. foi contabilizado na escola a presença de 1210 alunos. 68 professores (a maioria licenciados) e 13 funcionários. O currículo escolar está organizado por áreas de conhecimento. psicológico. 10 Educação Infantil situa-se uma pracinha com brinquedos utilizada no desenvolvimento de suas atividades e recreação.. adequada às suas necessidades como cidadão. p. 2 alunos não responderam. para o trabalho. 19).. constatou-se em uma pesquisa que: 18 alunos estão entre 18 a 25 anos. (PPP. focadas no sujeito: o estudante. devendo incorporar os eixos estruturais: aprendera a conhecer. respeitando as suas vivências e conhecimentos e redimensionando o tempo e o espaço da aprendizagem. para a continuidade dos estudos e para o desenvolvimento pessoal” (PPP. 5 alunos entre os 26 e 35 anos. complementando a ação da família e da comunidade.. Buscar a superação de todo tipo de opressão. estão incluídos: Garantir o acesso ao ensino de qualidade que estimule a permanência do aluno na Escola. (PPP. exploração e obscurantismo de progresso material. solidariedade e preservação ecológica. Sobre o perfil dos alunos da fase 9 do EJA. Destes. (PPP. intelectual e social. as relações ao contexto de vida social e de ação solidária. o aluno deve mobilizar os saberes anteriormente adquiridos. Viabilizar práticas coletivas de discussão. para cuja solução. aprender a viver. 9). Propiciar ambiente pedagógico necessário ao início do processo de alfabetização a partir do 1º ano. 22-23) No capítulo Conteúdos. Oportunizar o desenvolvimento integral do aluno nos aspectos físico. concretizando a gestão de políticas públicas na área da educação. Oferecer atendimento educacional em classe regular ao aluno encaminhado com necessidades especiais.] para a vida social. de valores éticos. Transtornos Globais do Desenvolvimento e Multifuncionais no turno inverso. Oferecer uma proposta para jovens e adultos.. 8 alunos entre 36 a 45 anos.] através de interdisciplinaridade e transversalidade entre as áreas. oportunizando a participação de toda a comunidade escolar. onde o processo de ensino e aprendizagem se dará através de “situações-problema”. . é exposto que os saberes escolares focam nas necessidades “[. É citado que: [. Identificou-se também que 18 alunos têm filhos. discriminação.] A metodologia está voltada para o desenvolvimento de habilidades e competências. 2011. respeito à diferença e à pessoa humana. 22 são do sexo feminino.. p. 7 alunos com mais de 45 anos. 17 do sexo masculino e 1 aluno não respondeu. 2011. intelectual. A metodologia que a escola propõe para o EJA está centrada no sujeito que aprende e sua autonomia intelectual. de liberdade.

cito um trecho do capítulo Condições objetivas de trabalho. ao longo dos anos. 25). na perspectiva da construção de sujeitos críticos e de investigação permanente. pensamento. outras tantas. 12). 2011. jornadas. 18) Ao abordar Avaliação.. 2011. o texto esclarece que deveria ser um subsídio para o professor. encontros. tendo por fim a qualificação da ação pedagógica. além de condições mínimas materiais de uma vida saudável. oscilante. (PPP.. p. É exposto ainda que ela deve ser “diagnóstica contínua. oportunidades de realizações de cursos. Assegurar espaços de formação para os educadores. subtraem-se do professor/da professora estadual. Dessa forma. p. tem tido dificuldade de sustentar a utopia. 11 Garantir o direito da criança de brincar. sistemática. onde o documento nos expõe a uma realidade dura e que nos desperta novamente a algumas reflexões: Em decorrência da extrema e perversa desvantagem salarial que lhes vêm sendo imputada. Infelizmente a repercussão dessa desesperança tem-se feito sentir no decorrer da construção do PPP. com o intuito de valorizar e colocar a educação em primeiro plano de importância como ela certamente merece. p. interação e comunicação infantil. adoeceu. de participação de eventos. fornecendo elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática. mais uma vez ratificada na construção deste Projeto.]. O Magistério. algumas vezes. . sobre a criação de novos instrumentos de trabalho e a revisão de estratégias. ficam claras as deficiências e dificuldades a que os professores estaduais estão sujeitos diariamente. 2011. Por fim. incrédula de professores e funcionários. cumulativa com efetiva prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos” (PPP. materializada na participação. como forma de expressão. Mudanças de postura são urgentes por parte das autoridades. (PPP. até mesmo de aquisição de bibliografia básica para atualização e/ou aprofundamento teórico [.

que permita continuidade. p. realizada com 81 alunos da EJA.] o planejamento é frequentemente estruturado pelo estagiário como uma espécie de módulo isolado. Como nos explica Romanelli (2008): O planejamento é.] com o retorno aos estudos.. além do estagiário raramente encontrar uma sequência didática anterior. (ROMANELLI.. Considerando a multiculturalidade existente nas salas de aulas. também é comum que muitos alunos não tragam os materiais solicitados para as atividades. para que se mostrem realmente coerentes e passíveis de aplicação. (ROMANELLI. tendo maiores chances de sucesso. que. SILVA. é realizado por meio das observações. somente conhecendo a realidade e visão de mundo que os alunos trazem consigo. em especial sugestões. é consenso entre os educadores que apenas o domínio dos conteúdos musicais não é suficiente para que o professor explore ao máximo as potencialidades das aulas de música. 45% dos discentes enfatizam que o maior desafio encontrado é o cansaço físico e mental.2 DESCOBRINDO A REALIDADE DAS TURMAS Atualmente. a cultura polivalente do professor de artes. no caso do estágio. É através das observações que tomamos conhecimento e nos preparamos para vencer alguns obstáculos que normalmente aparecem. as observações prévias das turmas têm um papel fundamental antes da elaboração do plano de ensino e plano de aula. 131).. BERTOTTI.. Dentre eles. observou-se que ‘‘[. 2013. Considerando o contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA). (p. ‘‘No ensino da música [. Dessa forma. 8). deverá ser precedido pelo conhecimento da realidade na qual será desenvolvida a prática educativa. ‘‘É por meio das observações que o licenciando terá a oportunidade de propor novas estratégias. 133). pouco articulado com a realidade da disciplina naquela escola. que poderão ser enfrentados pelo estagiário de música. 134). devido à jornada de trabalho [.]’’ (GRIFFANTE. Entretanto. considerado o primeiro passo da atividade docente. Essas peculiaridades exigem ainda mais dedicação e sensibilidade por parte do . as atividades poderão ser cuidadosamente planejadas. Um deles é a falta de regularidade dos alunos nas aulas e a grande evasão escolar observada em todo país. Nesse contexto. p. Romanelli (2008) destaca o papel ainda recreativo da música em muitas escolas. 2008. 2008. muitas vezes. Em uma pesquisa. indagando: o que faria de diferente se estivesse no lugar do professor?".. essa ferramenta nos revela mais alguns desafios. levando em consideração o perfil dos alunos. p..

.1 OBSERVAÇÕES Devido ao grande número de estagiários atuando na disciplina de artes. substituindo um dos períodos regulares da noite. a turma manteve o foco nas atividades. 3).. do envolvimento. com idade variada. De modo geral.1 Observação 1 – Turma 302 A turma era formada por 9 mulheres e 9 homens. Surgiu a ideia de soltar a pipa em algum lugar aberto. pois faria um estágio na área de música. 2. cola e tesoura. A turma foi avisada que construiriam uma Pipa na próxima aula. O número de observações por turma não foi o mesmo e nem todas as turmas observadas foram regidas. não foi possível restringir as observações apenas às turmas que seriam regidas posteriormente. 4 alunos aparentavam ter mais de 30 anos e os outros. além de responder algumas questões que constavam no livro. Após relembrar com a turma os conteúdos que haviam trabalhado na aula anterior (assistiram um vídeo sobre Portinari e viram algumas imagens relacionadas a ele. após sua construção. tecido. esse capítulo foi organizado respeitando a ordem cronológica que aconteceram as observações. Desse modo.1. BERTOTTI. Cada aluno deveria trazer alguns materiais para a sua construção. A professora iniciou a aula me apresentando para a turma e informando que eu passaria as próximas semanas os acompanhando. p. buscando vencer ‘‘o desafio da participação. pela qual precisamos trabalhar diante do conceito de transformação [. na mesma escola e ao mesmo tempo (três estagiários de música e dois em teatro). fio. Ao final da aula. 2. 2013. a professora sugeriu que a turma visitasse a Bienal do Mercosul. que ocorreria em um sábado de manhã. como seria o ideal. foi informado que deveriam entregar um resumo do filme. SILVA. com pouca conversa ou distrações paralelas. . no livro didático). dentre eles: varetas de bambu. 13 professor.]’’ (GRIFFANTE. da inclusão e da equidade frente a nossa vasta diversidade cultural. cerca de 20 anos. Um tempo foi reservado para que os alunos fizessem as atividades.

foi proposto que a turma reproduzisse a pintura em uma folha. fazia piadas e ria constantemente. também para essa turma. Os outros pareciam concentrados no trabalho.4 Observação 4 – Turma 301 A turma era formada por 14 mulheres e 5 homens. 2. posteriormente. foi sugerido.1. A maioria do tempo da aula foi usado para essa atividade. Uma cópia impressa foi distribuída para que usassem de modelo. 5 mulheres e 4 homens. As orientações para o trabalho foram escritas no quadro branco. Usando a imagem da obra O Farol. sendo obrigada a pintar apenas com a outra. A turma manteve o interesse e praticamente não houve conversas paralelas. sendo apenas 2 com mais de 30 anos. A professora iniciou a aula buscando livros didáticos que foram distribuídos a todos.1. a professora relembrou que ela tinha uma deficiência em uma das mãos. 14 2. valendo como um dia letivo.1. Era possível perceber 2 alunos conversando e rindo ao fundo da sala. Eles deveriam reproduzir a obra o mais fielmente possível. A maioria dos alunos tinha cerca de 20 anos. Alguns alunos foram até a professora. O documentário Imaginário Portinari também deveria ser assistido pela turma. de Anita Malfatti. sendo apenas 2 com mais de 30 anos. Outra aluna chamava a atenção porque estava acompanhada . Aprender. Ao final da aula. estavam presentes apenas 5 homens e 3 mulheres. conversando com a colega ao lado. sentada na frente. 2. Os alunos deveriam ler e interpretar um texto que se referia a Cândido Portinari. A aula seguiu até o final com a turma fazendo essa atividade. A professora pediu que a turma fizesse um desenho baseado na obra O Farol. Dando continuidade ao estudo da aula anterior sobre a artista Anita Malfatti. durante a atividade. Observei que uma das alunas. usando a mão esquerda para quem fosse destro e vice-versa. Todos tinham cerca de 20 anos de idade. que estava sentada em sua classe.3 Observação 3 – Turma 202 A turma constava com apenas 9 alunos presentes nesse dia. O livro era: Coleção Viver. que visitassem a Bienal. para sanar algumas dúvidas.2 Observação 2 – Turma 203 Na turma. A maioria aparentava ter cerca de 20 anos.

apenas ouvia música com fones de ouvido. Enquanto a professora escrevia. 2.1. enquanto os outros tinham cerca de 20 anos. não fizeram a atividade. Foi escrito no quadro que um projeto deveria ser feito pela turma. em comparação a anterior. que brincava com algumas bonecas. individualmente. Em seguida. para a próxima aula. 4 alunos aparentavam ter mais do que 30 anos. Alguns alunos. a turma questionou o propósito da atividade pois não estavam entendendo. mas eles consideraram a atividade difícil de ser feita. sentados ao fundo. sem atrapalhar a aula. ou mesmo que já tivessem finalizado na aula anterior. A aula seguiu com essa atividade até o final. individual. a turma fazia muito barulho. Um dos alunos. usando fones de ouvido. corrigindo alguns trabalhos. após os detalhes serem explicados pela professora. . Essa turma estava mais tranquila.1.5 Observação 5 – Turma 103 A turma era menor que as outras observadas até o momento. É possível que não estivessem interessados. para a reconstrução de um local que tivesse ocorrido alguma tragédia). Em seguida. Enquanto os alunos faziam a atividade.6 Observação 6 – Turma 101 A turma tinha 4 mulheres e 12 homens presentes na aula. para a reconstrução de um local que tivesse ocorrido alguma tragédia. 2. Aceitaram sem questionar muito. Alguns exemplos foram dados aos alunos. Todos os alunos aparentavam cerca de 20 anos de idade. Conversavam sobre diversos assuntos não relacionados à aula. 15 da filha pequena. foi reservado um tempo para que terminassem algumas atividades das aulas anteriores. A aula seguiu até o final com a turma trabalhando. a professora ficou sentada em sua classe. rindo e brincando. Estavam presentes 5 mulheres e 6 homens. usando o livro didático. A professora iniciou a aula explicando que eles deveriam fazer a mesma atividade dada a turma anterior (um projeto. Foi possível notar também 2 alunos que ficaram todo o tempo com fones de ouvido. sentado na frente. a respeito do trabalho. Foi pedido que eles trouxessem impresso uma foto do local que escolheriam.

1. Ao final. fazendo a atividade em duplas. os outros. senão a pipa não iria voar. devendo ser feita em casa por todos. referente ao prazo final de entrega de trabalhos. referentes ao mural Guerra e Paz. Alguns alunos usavam fones de ouvido. em cada lado. enquanto faziam o trabalho. a pedido de uma das estagiárias da escola.7 Observação 7 – Turma 303 A turma tinha 7 mulheres e 11 homens presentes nessa aula.1. A aula seguiu até o final com essa atividade. Cada aluno recebeu uma cópia da imagem. foi possível realizar a atividade. a professora pediu que guardassem. Após algum tempo. Como muitos estavam usando celular e fones de ouvido. Dois desses alunos aparentavam ter mais do que 30 anos. guerra ou paz.1. da área de música. de Portinari. criando desenhos ou colagens que representassem. a professora recordou que havia pedido um material. A maioria da turma permaneceu sentada. 2. de Anita Malfatti. cerca de 20 anos. para construir uma pipa. As perguntas se referiam aos gostos e experiências musicais da turma. Como a maioria dos alunos trouxe. Em seguida.8 Observação 8 – Turma 302 Essa turma também havia sido orientada a trazer materiais para a construção de uma pipa. A aula seguiu com essa atividade. O livro didático foi então utilizado para o trabalho. Os alunos deveriam responder algumas questões. em preto e branco.9 Observação 9 – Turma 203 Ao início da aula. . foi orientado que um vídeo construindo a pipa fosse feito pelos alunos que não trouxeram o material ou que não terminaram em aula. A aula iniciou com um aviso à turma. a atividade consistiria em dividir uma folha tamanho A3 ao meio. foi entregue a cada aluno um questionário para ser respondido. impressa. a atividade foi comprometida. 16 2. Um dos alunos comentou que os pedaços de bambu deveriam ser finos. a turma recebeu a orientação para que criassem uma história baseada na pintura O Farol. 2. Em seguida. Como apenas um aluno trouxe.

Os que tivessem terminado. 17 Ao final. a pedido da estagiária. Os alunos receberam o mesmo questionário distribuído à turma anterior. Foi dado continuidade ao assunto da aula anterior. o questionário também foi recolhido e a professora informou que o texto e o desenho deveriam ser entregues prontos.10 Observação 10 – Turma 202 Apenas 9 alunos estavam presentes nessa aula. foi informado que o prazo final para entrega de todos os trabalhos atrasados seria a aula seguinte. Um dos alunos fazia piadas sobre a recente prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Em seguida.1. 2. a professora disse que essa turma estava atrasada em relação às outras. Por fim. de Anita Malfatti. Algum tempo foi reservado para essa atividade. não estava fazendo o trabalho pedido. A turma. sobre o mural Guerra e Paz. falava em tom de brincadeira que ‘‘não iria fazer nada’’. 2. tesoura e ‘‘boa vontade’’. com poucas conversas paralelas. A professora escreveu no quadro os materiais: palito de bambu. foi pedido que a turma trouxesse os materiais necessários para construir uma pipa (atividade já concluída pelas outras turmas). durante a semana. na aula seguinte. de Portinari. papeis coloridos. em geral. em uma folha. barbante. da mesma forma que foi pedido para a turma anterior. ao fundo. assunto que estava em alta na mídia. A atividade consistiria em desenhar figuras que representassem o mural. Ao final. Havia muita conversa e uma aluna. deveria criar uma história sobre o desenho.1. finalizassem o desenho sobre a obra O Farol.11 Observação 11 – Turma 301 Um dos alunos foi buscar os livros didáticos e distribuiu para a turma. a professora pediu que os faltantes da aula anterior. Um aluno. a professora recolheu o questionário respondido e pediu que eles finalizassem e entregasse o texto na aula seguinte. mas não atrapalhava os outros. manteve o foco na atividade. sentada à frente. Ao conversar sobre o conteúdo que estavam estudando. . Ao final da aula. cola.

A aula seguiu até o final com os alunos trabalhando nessa atividade. 2 estagiários do curso de teatro (que estavam observando a aula junto comigo). com poucas conversas paralelas e dispersões. De modo geral. tomando como exemplo a obra Estação Central do Brasil.1. foi aberta uma exceção. Ao final da aula. dando como exemplo o tocar na corda de um violão. Isso causou uma grande confusão no meu cronograma. 2. tomando como exemplo a obra Estação Central do Brasil. que tivesse como base esses mesmos elementos: figuras geométricas e cores básicas. que eu planejava trabalhar em breve. já que não poderia contar mais com 2 turmas. 18 2. para a reconstrução de um local que tivesse ocorrido alguma tragédia). vieram até mim e informaram que começariam suas regências de estágio. ao fundo. durante as regências.13 Observação 13 – Turma 101 Na aula anterior havia sido pedido que a turma entregasse uma atividade (um projeto. abordou como tema a artista Tarsila do Amaral. o que serviria de base para o meu trabalho posterior. Como eu havia combinado previamente com o professor da disciplina.1. Os alunos deveriam criar um desenho. a meu pedido. os alunos fizeram o trabalho. Um aluno. Então a professora usou o trabalho de modelo. 2. com essa turma. Apenas 1 aluno trouxe o projeto pronto. O professor iniciou me apresentando para a turma e falando sobre a necessidade da vibração. A atividade proposta foi um desenho. Seguindo o mesmo plano de aula da turma anterior.1. pedindo que a turma entregasse pronto. não fez a atividade. Apesar desse conteúdo não fazer parte do programa de Física do EJA. com base nos mesmos elementos da obra (figuras geométricas e cores básicas). ele abordaria uma introdução à Acústica. Foi explicado que seus trabalhos eram baseados em figuras geométricas e cores básicas. . individual. foi observada a aula de Física.12 Observação 12 – Turma 103 A aula teve como tema a artista Tarsila do Amaral. na semana seguinte. para que haja uma onda sonora. Foi explicado que seus trabalhos eram baseados em figuras geométricas e cores básicas.14 Observação 14 – Turma 202 Nesse dia. na aula seguinte. usando fones de ouvido. A aula seguiu até o final com essa atividade.

que estava grávida. trabalhando na construção da pipa ou nos trabalhos atrasados. No dia anterior. reservou um tempo para que os alunos terminassem as atividades da aula anterior. 2. 19 Seguiu falando sobre o conceito de frequência. foi explicado à turma que eu seguiria trabalhando com esse tema durante a minha prática (regência). comentou com o colega que o seu filho nasceria em setembro. ao longo da aula. à medida que o professor explicava. Voltando à onda sonora.1. Por fim. Uma das alunas. que necessita de um meio para se propagar. pedi permissão para explicar a minha proposta de estágio (que iniciaria na aula seguinte) e passar uma lista de materiais que a turma deveria trazer. sentado no canto direito. Em seguida. Mandei para ele alguns materiais pelo Whatsapp e levei a flauta doce. para ajudar com alguns exemplos. . Também percebi que um dos alunos. Alguns alunos entregaram vários trabalhos atrasados ao mesmo tempo. De modo geral. O material consta no anexo 2. a professora fez a chamada e pediu que a turma criasse um grupo no Whatsapp. expôs que é uma onda mecânica. necessários para a construção dos instrumentos. ficou a aula toda com fones de ouvido. Como mais da metade da turma trouxe o material pedido. para combinarem algumas atividades. pareciam interessados no conteúdo.1.15 Observação 15 – Turma 301 Como essa seria minha última observação com essa turma. em duas semanas. Continuando. ao final do trabalho. explicando que cada número de telefone trabalha sobre uma frequência específica. A maioria da turma interagia. combinei com o professor para focarmos nos elementos da onda sonora e nas propriedades do som. deram seguimento a esse trabalho. A turma seguiu até o final. falando sobre o elemento Amplitude. dando outros exemplos equivalentes. além de construirmos instrumentos musicais usando esses princípios da acústica.16 Observação 16 – Turma 302 A última observação foi novamente na aula de física. para construir a pipa. 2. Outro exemplo seria a comunicação dos golfinhos e baleias. O ponto mais alto da onda seria a crista e o ponto mais baixo o vale.

foi resumido no quadro a relação da frequência com a altura (nota musical). etc. principalmente quando exemplificávamos de forma prática. o que estava correto. Ao falar sobre o meio que as ondas mecânicas necessitam para se propagar (ar. enquanto as mais baixas soam graves. da amplitude com a intensidade (dinâmica). Depois o professor explicou o conceito de comprimento de onda (distância entre duas cristas ou dois vales). posteriormente. fazendo um desenho no quadro. explicando a relação da acústica com a música. A turma pareceu muito interessada no conteúdo abordado. relacionados à amplitude da onda. foi demonstrado na flauta que as frequências mais altas soam agudo. dizendo que a relação do comprimento de onda era inversamente proporcional a frequência. Por fim. e que usaríamos esse princípio para construir os instrumentos. além da noção de duração e timbre. tocando a flauta. Iniciou explicando o que é uma onda sonora. ou usando outro elemento palpável ao invés de apenas fórmulas ou conceitos abstratos. 20 O professor me apresentou à turma e deixou que eu falasse alguns minutos sobre a proposta de estágio. Foi desenhado no quadro as cristas (picos) e vales da onda. .). perguntando se tinha relação com a velocidade. água. Comentei que as notas musicais são frequências específicas. um dos alunos interagiu. complementei. Falando sobre o conceito de frequência.

por ser passível de muitas interpretações. que só é possível conhecer através das observações. A respeito do plano de ensino e plano de aula. [. currículos. . (p. Hentschke e Del Ben (2003) esclarecem que podemos identificar pelo menos quatro âmbitos onde se planeja o ensino: O âmbito político.. estamos nos referindo ao âmbito do professor. que costumamos definir como plano de ensino e plano de aula. 132). Nesse contexto. quando falamos em planejamento. Hentschke e Del Ben (2003) ressaltam que “a importância do planejamento está justamente no fato de ele ser uma projeção daquilo que queremos. a qual elabora um projeto educativo que visa dar coerência ao trabalho de todos os seus professores.. Romanelli (2008) comenta que “plano de ensino é sinônimo de plano de unidade ou planejamento geral.] o planejamento que ocorre no âmbito da escola.... apostilas. para ser usado na sala de aula. aquilo que será refletido e proposto previamente. No entanto. 141).]. constituído por livros.] o âmbito dos materiais didáticos. estado ou município.] sendo um roteiro que envolve toda uma unidade de estágio de forma genérica. softwares.” (p. 178).] é apenas por meio de um processo de planejamento bem estruturado que se promove educação musical de qualidade. um planejamento coerente e aplicável se torna uma utopia.” (p. Romanelli (2008) ainda explica que: [. Como enfatiza Romanelli (2008) “[.3 PLANEJAMENTO Após tomar conhecimento dos espaços e contextos da escola e das turmas.. o licenciando se encontra em condições para começar o planejamento das aulas que serão ministradas. 134)... [.. o plano de aula constitui um documento que cristaliza o trabalho de elaboração de uma aula. enquanto plano de aula se refere às unidades menores de planejamento e representa a sistematização de cada aula.” (p.. a palavra planejamento precisa ser definida e contextualizada com maior clareza. por exemplo. 177). o plano de ensino devera expor de forma clara o tema condutor das aulas de música [.]. que prepara o planejamento de um curso ou disciplina [. Muito mais do que atender a uma exigência acadêmica. regula as políticas curriculares de um país. etc. através das observações e análise do projeto político pedagógico. Sem reflexão a respeito da realidade da escola e dos alunos... daquilo que pretendemos em relação ao ensino e de como ele poderá ser realizado em sala de aula. Finalmente. o âmbito do professor. (p.

. alguns professores questionam a validade da avaliação...] avaliar não é somente julgar a qualidade das aprendizagens dos alunos ou o seu rendimento. a prática de ensinar. 184). independentemente dos possíveis comentários. a uma visão totalmente subjetiva ou descomprometida em relação às aulas e ao desenvolvimento dos alunos. (p. acredito que o enfoque nos produtos musicais e no processo como um todo possibilite ao professor de música uma atitude e olhar diferenciados sobre a avaliação.]. (p. contribuem negativamente para isso. por outro lado. mas os produtos musicais provenientes das atividades [.].]. . o professor de música precisa incluir nesse quesito todo o processo decorrente das aulas. (p. para que o planejamento realmente faça sentido e ajude o professor.. Outro aspecto que está diretamente ligado ao planejamento é a avaliação. Como conclui Hentschke e Del Ben (2003): A melhor forma de avaliar a aprendizagem musical dos alunos é investigando e analisando suas práticas musicais [.. Por fim.. permitindo urna constante atualização em função dos resultados educacionais verificados. Hentschke e Del Ben (2003) comentam que: [. por um lado. Desse modo.. Como é exposto por Hentschke e Del Ben (2003): Ao tratar a expressão musical do aluno como algo individual e válido por si só. A visão romantizada da arte. para que a avaliação permaneça cumprindo as funções que lhe cabe. os conteúdos e os procedimentos metodológicos do ensino relacionando as exigências educacionais com a realidade dos alunos [. Finalmente. No entanto.. A partir dessa concepção a avaliação passa a focalizar não os aspectos pessoais ou individuais dos alunos. A respeito deste elemento. garantir unidade e coerência na condução do trabalho docente. Avaliar é estabelecer um diálogo entre o que foi planejado e o que constituiu. 131). é necessário que alguns elementos estejam expostos de forma clara e objetiva. 186). de fato. no contexto das aulas de música. os professores não estarão contribuindo para o desenvolvimento musical de seus alunos. sugestões e intervenções feitos pelo professor. deve ser flexível. 22 Dessa forma.185-186). a uma única “prova objetiva” como instrumento e nem.]. Deve ainda.. que escraviza o aprendizado musical a clichês como ‘‘nascer com o dom’’ ou ‘‘o que vale é se expressar’’. não se restringindo. (p. A avaliação é essencial para a efetivação do planejamento [.. Romanelli (2008) conclui que: É fundamental que o planejamento apresente os objetivos.

OBSERVAÇÃO 16 TURMA 302 1 Hora/Aula 25/04/2018 .REGÊNCIA 2 TURMA 301 1 Hora/Aula 09/05/2018 .REGÊNCIA 9 TURMA 203 1 Hora/Aula 11/06/2018 .REGÊNCIA 13 TURMA 202 1 Hora/Aula 25/06/2016 .OBSERVAÇÃO 14 TURMA 202 1 Hora/Aula 18/04/2018 .OBSERVAÇÃO 5 TURMA 103 1 Hora/Aula 04/04/2018 .REGÊNCIA 5 TURMA 302 1 Hora/Aula 21/05/2018 .OBSERVAÇÃO 6 TURMA 101 1 Hora/Aula 09/04/2018 .REGÊNCIA 12 TURMA 203 1 Hora/Aula 18/06/2018 .1 CRONOGRAMA DE ESTÁGIO 02/04/2018 .OBSERVAÇÃO 7 TURMA 303 1 Hora/Aula 09/04/2018 .REGÊNCIA 1 TURMA 301 1 Hora/Aula 02/05/2018 .OBSERVAÇÃO 8 TURMA 302 1 Hora/Aula 09/04/2018 .OBSERVAÇÃO 2 TURMA 203 1 Hora/Aula 02/04/2018 .REGÊNCIA 7 TURMA 202 1 Hora/Aula 11/06/2018 .REGÊNCIA 6 TURMA 203 1 Hora/Aula 21/05/2018 .OBSERVAÇÃO 11 TURMA 301 1 Hora/Aula 11/04/2018 .OBSERVAÇÃO 1 TURMA 302 1 Hora/Aula 02/04/2018 .REGÊNCIA 4 TURMA 301 1 Hora/Aula 21/05/2018 .REGÊNCIA 11 TURMA 302 1 Hora/Aula 18/06/2018 .OBSERVAÇÃO 15 TURMA 301 1 Hora/Aula 19/04/2018 .REGÊNCIA 3 TURMA 301 1 Hora/Aula 16/05/2018 .REGÊNCIA 15 TURMA 203 1 Hora/Aula 25/06/2016 .REGÊNCIA 10 TURMA 202 1 Hora/Aula 18/06/2018 .OBSERVAÇÃO 12 TURMA 103 1 Hora/Aula 11/04/2018 .OBSERVAÇÃO 3 TURMA 202 1 Hora/Aula 04/04/2018 .OBSERVAÇÃO 4 TURMA 301 1 Hora/Aula 04/04/2018 .REGÊNCIA 8 TURMA 302 1 Hora/Aula 11/06/2018 .OBSERVAÇÃO 10 TURMA 202 1 Hora/Aula 11/04/2018 .REGÊNCIA 16 TURMA 202 1 Hora/Aula .OBSERVAÇÃO 13 TURMA 101 1 Hora/Aula 17/04/2018 .OBSERVAÇÃO 9 TURMA 203 1 Hora/Aula 09/04/2018 . 23 3.REGÊNCIA 14 TURMA 302 1 Hora/Aula 25/06/2016 .

que abrange teoria e prática de execução. (SHAFER. d) Justificativa: Atualmente. é importante frisar que. como: . em sua maioria. confirmamos a importância dos cursos de licenciatura em música no sentido de qualificar os futuros profissionais da área.2 PLANO DE ENSINO a) Tempo de Aula: 1 hora/aula (totalizando 4 horas/aula por turma). Como descreve Shafer: [. apud AMATO. independentemente de necessidades práticas. Por que haveríamos de tolerar essa situação com respeito à Música? Por acaso ela está menos vinculada a atos complexos de discernimento? Não. propondo uma abordagem interdisciplinar onde os alunos poderão experienciar de forma teórica e prática os elementos relacionados à produção do som de um instrumento musical. uma solução possível é a construção de instrumentos musicais utilizando materiais. consequentemente. deve ser ensinada por pessoas qualificadas para isso. recicláveis e de fácil aquisição. pois propicia uma oportunidade de trabalhar elementos da Física (Acústica). Quando pensamos na realidade do ensino público brasileiro. Apesar dos recentes avanços na lei. assim como de alguns conteúdos musicais e sua utilização prática tocando o instrumento. No entanto. Nesse sentido. continuamos vendo professores sem formação específica atuando em escolas. 24 3. b) Tema de Estágio: Ensino dos elementos básicos da acústica e teoria musical.] sendo a música uma disciplina complexa. a escolha pela construção de instrumentos musicais ocorreu por ser um excelente recurso pedagógico.. Sem concessões. p. dentre elas. Não permitiríamos que alguém que tivesse frequentado um curso de verão em Física ensinasse a matéria em nossas escolas. Considerando essas deficiências e a dificuldade de acesso a uma estrutura ideal em muitos locais. vemos um grande esforço para tornar a música novamente uma disciplina obrigatória nas salas de aula. 2006. a falta de recursos materiais. a ausência da música como disciplina autônoma e. através da construção de instrumentos musicais com canos de PVC e prática musical em conjunto c) Objetivo Geral: Adquirir a consciência dos elementos acústicos básicos envolvidos na construção de instrumentos musicais. algumas dificuldades surgem para o professor de música.. 158). despertando o interesse no aprendizado musical.

4). buscando um trabalho de musicalização diferenciado. através da utilização de repertório de música popular brasileira. em uma segunda etapa. proporções matemáticas entre as notas musicais. frequência. cheguei à conclusão que poderia adaptar esses princípios para a construção dos instrumentos. Durante a aula. em um processo de “tentativa e erro”. não configura uma prática musical.. favorece o trabalho em diversos contextos educacionais e com alunos de diferentes faixas etárias e níveis de conhecimento musical. utilizando como base o comprimento do cano que havia feito em aula.] a parceria requer humildade (p. somente construir os instrumentos musicais. atividades de prática em conjunto vem proporcionar uma experiência musical mais completa. observados em uma série com proporções matemáticas fixas. Dessa forma. 25 Vibração. no entanto. Dessa forma. parte do currículo do curso de Licenciatura em Música do IPA. . exigindo que cortássemos diversas vezes cada cano até chegarmos às afinações corretas. 60).. afinação. Como descreve Ranghetti (2013): Direcionando o olhar para práticas educativas interdisciplinares. Pesquisando sobre o assunto. Fui para casa refletindo se haveria alguma forma mais objetiva para chegarmos às medidas e afinações corretas. proponho um trabalho onde os alunos aprendam os conceitos básicos sobre acústica e a construção de 5 Todo som produzido na natureza produz uma frequência fundamental que é acompanhada de frequências secundárias (harmônicos).] a parceria possibilita a compreensão do conhecimento através da partilha de responsabilidades diante das atividades a serem desenvolvidas. construímos a escala natural completa com os canos. O processo. etc. [. encontrei alguns vídeos e artigos que explicavam o experimento de Pitágoras com o instrumento chamado monocórdio e as proporções matemáticas entre as primeiras notas da série harmônica5. A ideia para a utilização de canos de PVC como material principal para a construção dos instrumentos musicais surgiu a partir de uma atividade proposta durante a disciplina Práticas Pedagógicas no Ensino Médio. possibilitando construí-las facilmente. pois. envolvendo diversas formações musicais. foi muito cansativo.. Como nos expõe Bastião (2012): A prática de conjunto instrumental pode ser uma eficiente estratégia metodológica para o educador musical. Dessa forma. apesar de ser um processo complexo. encontrei as medidas exatas das outras notas musicais. Por outro lado. além de ser uma oportunidade de aproximar os alunos da cultura brasileira. percebemos que nessa prática pedagógica a relação é regida pela parceria [. propriamente dita.. Após alguns cálculos. (p.

. utilizando repertório do folclore e/ou música popular brasileira. Construção de instrumentos musicais em aula. 26 instrumentos musicais com canos de PVC. vontade de aprender e superar as dificuldades e participação durante as aulas. Prática musical em conjunto. sensibilidade. culminando posteriormente em atividades de prática em conjunto. Acredito que estimulando a criatividade. com repertório baseado em música popular brasileira. • Interesse. podemos levar o aluno a um entendimento e um relacionamento mais profundo com a música. a avaliação será constituída pela observação de três critérios: • Entendimento dos princípios básicos sobre acústica trabalhados e utilização prática dos instrumentos durante a prática em conjunto • Empenho e resultado da construção dos instrumentos musicais ao longo das aulas. e) Metodologia: Aulas teórico/expositivas. imaginação. coordenação motora e afetividade. Apreciação de gravações de áudio f) Avaliação: Através de exercícios práticos ao longo das aulas.

um violão será utilizado. passarei uma lista de materiais que deverão ser trazidas por cada aluno na próxima aula: 1 metro de cano de PVC (75mm ou 50mm). Para que possamos construir os instrumentos. Por fim. temos que f2 será. Frequência (altura). Como nos descreve Coelho (2016) em sua tese de mestrado: Como a frequência é inversamente proporcional ao comprimento da corda e a velocidade de propagação da onda é a mesma (em um mesmo meio. pedirei que a turma calcule as medidas necessárias para que os canos de PVC tenham a afinação das notas SOL e FÁ. para a nota sol (considerando que o comprimento da corda vibrante é 2/3). Após a demonstração teórico/prática dos conceitos. de comprimento L1). 27). respectivamente. com uma mesma fonte). 3/2. Comprimento de Onda. alguns conceitos básicos de Acústica e Música: Definição de Onda Sonora. um esmalte de . para a nota fá (considerando que o comprimento da corda vibrante é 3/4). (p.1 Primeira Regência a) Descrição das Atividades Nessa primeira aula. com o mesmo diâmetro. 4/3. 2/3 e 3/4. para que a turma experiencie a sonoridade dos instrumentos e vislumbre o final do processo. temos a relação f2/f1= l1/l2. um tampão para o cano. Notas Musicais. Para abordar o conteúdo de uma forma mais concreta e visual. As três notas serão levadas prontas. será reproduzido de forma simplificada o famoso experimento de Pitágoras com o instrumento chamado monocórdio.3 PLANO DE AULA 3. as outras serão respectivamente a nota DÓ (8º acima). Algumas turmas já terão visto alguns dos conceitos na aula de Física. Amplitude (intensidade). Se atribuirmos o valor 1 a f1. nota SOL e nota FÁ. entre as frequências e os comprimentos da corda. O experimento consistirá basicamente em demonstrar o que acontece com uma frequência (nota musical) ao diminuirmos o tamanho da corda nas proporções de 1/2. Afinando a corda solta como uma nota DÓ. já construídas. será abordado. FÁ). correspondendo à nota musical que arbitrariamente podemos chamar de dó. Podemos definir f1 como a frequência emitida pela corda solta (a frequência fundamental. como foi previamente combinado com o professor da escola. SOL. será explicado que a proposta do estágio será baseada na construção dessas notas citadas (DÓ. de forma simplificada. 27 3. a partir da medida previamente informada da nota DÓ.3. uma fita métrica. utilizando canos de PVC para posterior prática em conjunto. Como não disponho de um monocórdio clássico. uma serra.

Comprimento de Onda. utilizando uma fita métrica e uma serra. Contexto Histórico do surgimento das notas musicais e experimento de Pitágoras com o Monocórdio. Após a divisão dos grupos. LÁ. Como o aplicativo utiliza a nomenclatura americana para as notas musicais (C. que deverá ser instalado pelos alunos em seus celulares. SOL. F. FÁ. canetão e apagador • Folhas impressas (xerox) com o resumo do conteúdo trabalhado 3. os instrumentos serão construídos. será necessária. será explicada a equivalência entre elas. B). b) Objetivos Específicos: • Abordar os conceitos básicos de Acústica/Música • Propor a exploração dos conteúdos de forma prática. 28 unha colorido. A. e conferindo com o celular se a . G. A turma será separada em 3 grupos. FÁ ou SOL). notas musicais). SI). palitos de madeira (de churrasquinho). através da construção de instrumentos musicais de canos de PVC • Desenvolver o raciocínio lógico c) Conteúdos: Conceitos de Acústica e Teoria Musical (Onda sonora. Amplitude. d) Recursos materiais: • Um violão • Quadro branco. sendo que cada um construirá umas das notas musicais (DÓ. MI. RÉ. Após cada aluno calcular as medidas dos canos de PVC correspondentes a cada nota musical. E. Uma explicação sobre o funcionamento do aplicativo de celular.3. chamado Da Tuner Lite. utilizaremos um aplicativo de Celular para afinar os instrumentos. D. Frequência. ao invés da latina (DÓ. que será utilizado para afinação dos instrumentos. os alunos deverão cortar os canos de acordo com as medidas obtidas. Além disso.2 Segunda Regência a) Descrição das Atividades A aula iniciará relembrando os conceitos de acústica trabalhados na aula anterior e solucionando possíveis dúvidas.

b) Objetivos Específicos: • Exercitar e aplicar de forma prática os conceitos teóricos sobre acústica trabalhados na aula anterior • Preparar o material necessário (instrumentos musicais) para a prática em conjunto que será realizada nas próximas aulas • Despertar o interesse pela construção e funcionamento dos instrumentos musicais. Gravações serão tocadas para servirem de referência aos alunos. 29 afinação estará adequada ou se serão necessários alguns ajustes. de madeira 3. com seu tampão de mesmo diâmetro • 1 Serra • Fita métrica • Esmalte de unha colorido • Celular com aplicativo Da Tuner Lite instalado • Palitos utilizados para churrasquinho ou algodão doce. d) Recursos materiais: • 1 metro de cano de PVC. para avaliar a habilidade rítmica da turma. Amplitude. . noções sobre construção de instrumentos musicais. todos deverão bater palmas.3 Terceira Regência a) Descrição das Atividades A terceira aula começará com uma breve explicação e demonstração do conceito de Pulso Musical. Comprimento de Onda. c) Conteúdos: Conceitos sobre Acústica e Teoria Musical (Onda sonora. para deixá-lo com um visual mais atrativo. desenvolvendo a concentração e habilidade manual necessária. Funcionamento de um aplicativo de celular utilizado para afinação de instrumentos. Por fim. de forma sincronizada. Em seguida. marcando o pulso de cada uma das gravações tocadas. com o esmalte de unha colorido. o tampão do cano será pintado. Frequência.3. notas musicais).

atenção e sensibilidade musical c) Conteúdos: Percepção e Apreciação musical. Pulso Musical. cada grupo tocará alternadamente. trabalhando com o gênero musical Xote Nordestino e sua ‘‘levada rítmica’’ característica. Canetão e apagador • Aparelho de som ou Celular para reproduzir os exemplos de áudio 3.3. Será explicada a correspondência entre o sistema Latino que nomeia as notas musicais e o sistema Americano (notação por Cifras). Através de batidas com os canos no chão. A melodia principal será cantada ou tocada com flauta doce pelo professor. será distribuída uma folha para cada aluno. 30 Dando continuidade. de Luiz Gonzaga. contendo a letra e cifra harmônica. A Música Esperando na . a turma será separada em 3 grupos. de acordo com a nota musical que dispõe. • Experienciar a prática em conjunto. marcando também a base harmônica da música. Cifras Harmônicas. b) Objetivos Específicos: • Aprender o conceito de pulso musical e desenvolver a sua regularidade. Prática em Conjunto. ficando cada um com uma das notas musicais construídas com os canos. na aula anterior. utilizando os instrumentos musicais construídos • Desenvolver a coordenação motora.4 Quarta Regência a) Descrição das Atividades A quarta aula aprofundará os conceitos discutidos na aula anterior. Em um segundo momento. os grupos manterão a pulsação da música. Em seguida. d) Recursos materiais: • Cópias das folhas com letra e cifra da música trabalhada • Instrumentos de PVC construídos • 1 Flauta Doce • Quadro Branco. utilizando a Música Asa Branca.

Canetão e apagador • Aparelho de som ou Celular para reproduzir os exemplos de áudio . b) Objetivos Específicos: • Estudar as características rítmicas do Gênero Musical Xote Nordestino • Experienciar a prática em conjunto. Pulso. executarão por imitação o ritmo do Xote. Uma gravação da música será tocada para servir de referência aos alunos. A melodia principal será cantada ou tocada com flauta doce pelo professor. à medida que se alternam entre os grupos. enquanto os alunos mantem a ‘‘levada rítmica’’ e sustentam a base harmônica. será usada para a prática em conjunto. Abaixo segue a transcrição em partitura do padrão rítmico completo. será distribuída uma folha para cada aluno. 31 Janela. atenção e sensibilidade musical c) Conteúdos: Percepção e Apreciação musical. de Gilberto Gil. Prática em Conjunto. Do mesmo modo que na terceira aula. Em seguida. contendo a letra e cifra harmônica da música. Características do Gênero Musical Xote d) Recursos materiais: • Cópias das folhas com letra e cifra da música trabalhada • Instrumentos de PVC construídos • 1 Flauta Doce • Quadro Branco. seguindo a sequência dos acordes pela folha impressa. utilizando os instrumentos musicais construídos • Desenvolver a coordenação motora. ‘‘Levada Rítmica’’ e Cifras harmônicas. após a separação da turma nos mesmos grupos (e Notas Musicais) da aula anterior. diretamente no cano de PVC.

1 TURMA 301 4. seguidas pelas quatro regências da segunda.. toquei na flauta uma nota forte e outra fraca. mostrando em seguida uma nota aguda na flauta doce. Primeiramente. os alunos interagiam. esse capítulo mantém as regências organizadas e agrupadas de acordo com a turma trabalhada. Diferentemente da exposição no cronograma e nas observações. conteúdo que trabalharia nesta aula.1. levei até a sala alguns materiais que pretendia usar nos exemplos relacionados à acústica.1 Primeira Regência Antes de começar a aula. desenhei no quadro um modelo visual da onda. são expostas as quatro regências da primeira turma..4 RELATO DE PRÁTICA As atividades práticas (regências) ocorreram com quatro turmas distintas. busquei demonstrar de forma prática. mas sim. ‘‘A ciência e a arte não devem ser consideradas como conhecimentos antagônicos ou isolados. fiz a chamada e distribuí cópias impressas relacionadas ao tema. como nos expõe Tavares e Souza (2007). Após desenhar no quadro uma representação gráfica de uma onda. que seguem a ordem cronológica em que as atividades aconteceram. Desse modo. frequência (altura do som) e comprimento de onda. 2). Dessa forma. 4. e assim por diante. através de exemplos do cotidiano ou reproduzindo com o que tinha à disposição na sala. expliquei à turma que uma onda sonora precisava de um meio para se propagar. características das ondas mecânicas. por exemplo. Ao explicar sobre as frequências mais altas. que seria desenvolvida ao longo das próximas quatro aulas. .]. Iniciando a aula. conversamos sobre a noção de amplitude (intensidade). O estudo da acústica envolve diversas áreas do conhecimento” (p. A cada conceito trabalhado. complementares [. me apresentei e expliquei resumidamente a proposta de estágio. mostrando curiosidade sobre o assunto. Acredito que as relações entre física e música devam ser exploradas em sala de aula pois. Ao explicar sobre a variação da amplitude. Assim que os alunos entraram na sala.

informaram corretamente que a frequência havia se alterado. Logo que introduzia algum termo técnico. demonstrei que o comprimento da corda era inversamente proporcional à frequência da nota musical. sempre que possível. (p. e que for conveniente. Como explica Miritz (2015) ‘‘O monocórdio é um instrumento de uma só corda colocada sobre dois cavaletes fixos. com um cano de PVC de 75mm. de forma prática. A reprodução do experimento de Pitágoras possibilitou que percebêssemos os seguintes fenômenos acústicos: quando diminuíamos o comprimento da corda solta pela metade (nota DÓ). Assim. instrumentos de canos de PVC. usando o chamado monocórdio. Essa medida (1 metro e 30 . não era “algo de outro mundo”. Como nos expõe Coelho (2016): Música é algo com que os alunos convivem e muitos gostam. e um cavalete móvel que gerava notas de frequências diferentes de acordo com sua posição’’. escrevi no quadro a medida (comprimento) que seria necessária para construir a nota DÓ. a frequência aumentava na proporção 4/3 (resultando a nota FÁ). percebiam que já haviam tido contato com aquilo no dia a dia. podemos tentar descrever fisicamente (e matematicamente) os fenômenos sonoros observados na prática da música. Desse modo. Sempre demonstrando os conceitos de uma forma “palpável”. 33 Para confirmar se a turma havia entendido as definições trabalhadas. a frequência dobrava (resultando a nota DÓ 8ª acima). que continha separada a corda mais grossa (afinada em DÓ). informei que falaríamos sobre as proporções matemáticas entre as notas musicais. a maioria soube informar que a amplitude havia mudado. descobrindo o comprimento exato necessário para cada nota musical. Diminuindo o comprimento da corda na proporção 2/3. Do mesmo modo. com o mesmo raciocínio. Pensando nisso. 26). Usando um violão. a frequência aumentava na proporção 3/2 (resultando a nota SOL). expressavam algum receio. Após tocar três notas iguais com intensidades diferentes. Dando continuidade. quando toquei três notas diferentes com a mesma intensidade. presos em uma prancha de madeira. enquanto a amplitude se mantinha igual. propus uma atividade: Após tocar algumas notas na flauta. mas assim que demonstrávamos com a flauta doce ou com o violão. quando diminuíamos o comprimento da corda na proporção 3/4. finalmente. 25). eles deveriam informar qual dos elementos trabalhados eram mantidos ou alterados. o que pode fornecer um excelente motivador para o ensino de física. (p. E. percebia uma reação positiva dos alunos. reproduzi de forma simplificada o experimento feito por Pitágoras. expliquei que seria possível construir. Dando continuidade. enquanto a frequência se mantinha igual.

consegui por conta própria parte do que seria necessário. Dessa forma. Como previa. apenas 6 alunos de 24 (que constavam na lista de chamada) trouxeram. a turma pareceu se animar com o resultado e. 34 centímetros) eu já havia calculado em casa previamente. (p. enquanto ele mantinha a ‘‘levada rítmica’’ do gênero baião com um dos canos de PVC que eu havia trazido. que arrumava problema com os professores e colegas desde criança’’. Dessa forma. SOL e FÁ. Uma das alunas. na flauta doce. separei a turma em três grupos e distribuí os materiais extras. trabalhando ou procurando emprego e acabam não tendo tempo para se dedicarem às crianças. Como nos expõe Cardoso (2015): Muitos responsáveis pelos alunos passam o dia fora de casa. Fica a cargo do professor.1. a partir de um cano afinado que tinha construído durante uma atividade no IPA. A partir desse valor informado. Durante as observações. . de modo geral. achei melhor não discutir com a aluna já que. A responsabilidade de educar é transferida para a escola. com a ajuda de um aluno músico presente. toquei a melodia de Asa Branca.2 Segunda Regência Antes do início da aula. impor limites que deveriam ter sido ensinados dentro de casa. Conversando posteriormente com uma das professoras de artes da escola. Dessa forma. sentada à frente. para entregar pronto na aula seguinte. organizei na sala os materiais que seriam necessários para as atividades. que não demonstravam muito interesse pelo assunto que abordava. percebi que as turmas não costumavam levar o que a professora pedia. lembrei que os alunos deveriam trazer os materiais necessários para a construção dos instrumentos. na aula seguinte. pedi que a turma calculasse as medidas correspondentes às notas DÓ (8ª acima). perguntei se todos haviam trazido o material. disse que seria muito trabalhoso trazer os canos e insistia que ‘‘não iria trazer nada’’. me informou que essa aluna em questão ‘‘sempre foi uma aluna difícil. consequentemente. Para concluir. Também percebi alguns alunos ao fundo. 28) No entanto. com as atividades que seriam feitas nas aulas seguintes. Anotamos os valores na ficha impressa que havia distribuído no início da aula. Assim que iniciamos. construindo em casa o seu. de Luiz Gonzaga. Pedi que os demais ajudassem os colegas na construção dos instrumentos. 4. a grande maioria da turma parecia interessada no conteúdo e nas atividades que seriam feitas posteriormente. não comprometendo a atividade caso isso se repetisse. Em seguida.

Dessa forma. se animavam ao ver que os elementos que havíamos trabalhado teoricamente.. recolhi todos os canos e guardei em uma sala da própria escola. com alguns desenhos. Chegando na sala. já na primeira tentativa. já que ficava no andar de baixo. que alguns haviam instalado nos celulares (como foi solicitado anteriormente). Por fim. Alguns alunos decoraram o cano livremente. 4. informei à turma que nossa aula seria no laboratório de ciências. acelerando em um ritmo vertiginoso o ambiente em que vivemos. poderá ser um recurso de grande valor para o educador e para os educandos. A medida que os alunos cortavam os canos. Quando os alunos percebiam que a afinação ficava perfeitamente adequada à nota proposta. Cada grupo ficou responsável por construir uma das notas. poderíamos tocar os instrumentos sem nos preocuparmos com a intensidade do som produzido. colando os feltros nos tampões e pintando com esmalte de unha. realmente funcionavam na prática.3). possibilitando muitos recursos para as aulas de música. Os aplicativos de celular são ferramentas muito úteis. ajudando os colegas. longe das outras salas de aula. O fazer musical pode ser motivado pela construção e exploração destes instrumentos. percebi que apenas uns 2 ou 3 alunos permaneceram desinteressados na aula. Como descreve Cerveira (2005): A aplicação didática e pedagógica de instrumentos acústicos. 35 Após uma rápida revisão sobre a relação entre os comprimentos dos canos e as notas musicais (que havíamos trabalhado na aula anterior).1. A aula seguiu com o processo de construção dos instrumentos. (p. FÁ e SOL.] tem causado uma modificação acentuada na velocidade da informação e desenvolvimento tecnológico. a partir de materiais recicláveis. para que pudéssemos usá-los na aula seguinte. conferíamos a afinação usando o aplicativo Da Tuner Lite. respectivamente nas notas DÓ.1) De modo geral. (p.. . escrevi no quadro as medidas que seriam necessárias para que os instrumentos ficassem afinados.3 Terceira Regência Assim que entrei na sala. construídos pelos próprios alunos. Como nos expõe Gabriel (2013): Os impactos das tecnologias digitais em nossas vidas são sem precedentes [. resultando em instrumentos relativamente bem afinados que permitiriam uma boa atividade na sequência. na primeira aula. A maioria da turma se envolveu na atividade. pedi que a turma se dividisse nos mesmos 3 grupos da aula anterior.

etc. ou até mesmo improvisar outras atividades para que a aula de música aconteça. seguindo a referência visual impressa. passei a tocar a melodia com a flauta doce. ficaria o seguinte: Em seguida. 4). pude verificar na prática que. executei a gravação da música e mostrei como as trocas harmônicas aconteciam. já que esse não continha a síncope característica do Baião. distribuí para cada aluno uma folha. Pedi que todos batessem os canos no chão acompanhando o pulso da música. de Luiz Gonzaga. contendo a letra e cifra harmônica da Música Asa Branca. batendo palmas e acompanhando uma gravação que dispunha. executando a música Asa Branca. Apesar de algumas imperfeições (alunos dessincronizados. em alternância. No entanto. 36 distribuindo entre eles os canos e respectivas notas musicais construídas.’’ (p. por imitação. marcando o pulso. seja observando os colegas. onde os alunos aprendem uns com os outros. sugeri o acréscimo de uma batida com a vareta ao lado do cano. Meu plano era trabalhar o padrão rítmico do Gênero Baião nesse período de aula. (p.10). Percebi alguma dificuldade por parte de alguns alunos para manter a sincronia com o grupo. uma versão simplificada do Xote. sendo necessário perceber o que não está funcionando durante a aula e adaptar. O ritmo resultante. tudo ocorre dentro da sala como planejamos no papel. à medida que a harmonia da música mudava. Assim que conseguimos sincronizar razoavelmente as batidas dos canos. ao perceber a dificuldade rítmica da turma. Assim que percebemos uma sincronia razoável. conseguimos executar a . Após explicar no quadro a correspondência entre as notas musicais no sistema latino e no sistema americano. Desse modo. mudei de ideia e trabalhei diretamente o ritmo simplificado do Xote Nordestino. no contratempo. nem sempre. Oliveira (2014) acredita que na prática musical em conjunto ‘‘acontece o processo de aprendizagem de forma colaborativa. pulso oscilando). iniciei explicando o conceito de pulso musical. Por fim. Comecei cantando a melodia enquanto regia a turma. conversando fora dos ensaios. adaptando o padrão rítmico do Xote Nordestino sobre a música (originalmente um Baião) começamos a sincronizar as batidas de cada grupo. Como explica Rodrigues (2012): Durante o primeiro semestre.

as entradas de cada grupo eram sincronizadas com a regência. acredito que atingi um resultado satisfatório. dividimos novamente a turma nos mesmos grupos da aula anterior. articulando apenas uma semínima no segundo tempo (ao invés de duas colcheias). Preferi manter ainda simplificado o padrão rítmico do Xote. Dessa forma. executei a gravação da música e pedi que a turma acompanhasse através da folha impressa. iniciamos a última aula com turma 301.1. dessincronizando ou parando de tocar.17). No entanto. a ordem em que os instrumentos aparecem na música etc. . Após recordar a ‘‘levada rítmica’’ do xote. iniciamos a atividade de prática em conjunto. sugeri que os alunos confiantes acrescentassem uma batida a mais com o cano no chão.’’ (p. o que pode aumentar o foco da turma na atividade proposta. Considerando a pouca experiência musical da maioria da turma. Após uma rápida revisão da correspondência entre os sistemas latino e sistema americano de notação musical. de Gilberto Gil. Uma folha impressa foi distribuída para cada aluno. Segue abaixo a notação que representa o ritmo resultante.4 Quarta Regência Novamente utilizando a sala de ciências. em comparação à aula anterior. intercalando os grupos de acordo com a troca harmônica da música. À medida que a melodia da música era cantada. quando a regência parava para que pudesse tocar a melodia na flauta doce. identificar os instrumentos que estão ouvindo. Em seguida. nessa primeira aula de prática em conjunto. cada um com o cano de PVC que construiu. contendo a letra e cifra harmônica da música Esperando na Janela. 4. Uma nítida melhora na sincronia entre os grupos foi percebida. que a havíamos trabalhado na aula anterior. 37 música algumas vezes e a turma mostrou-se animada. Isso pode fazer com que os alunos fiquem motivados a ouvir a música várias vezes. a turma ficava insegura. Como Cardoso (2015) expõe em sua monografia: A apreciação estimula os alunos a observar os padrões rítmicos.

se prontificou a essa função muito animado. recordando os elementos básicos a respeito de acústica. agradeci à turma pela atenção e disposição ao longo dessas quatro aulas. Como estávamos produzindo som sempre . que estava ao fundo e não participava ativamente. Quando estávamos revendo os conceitos de onda sonora. Expliquei que a velocidade de propagação da onda sonora estava relacionada com o “meio” onde o som era produzido.] há uma motivação maior por partes dos alunos. Para minha surpresa. sendo.. principalmente os que estão começando.2. durante uma das observações. oferecendo aos alunos uma experiência e contato com elementos musicais que a grande maioria nunca havia tido. amplitude.1 Primeira Regência Iniciei a primeira regência da turma 302 explicando a proposta de estágio que seria trabalhada nas próximas quatro aulas. foi sugerido pela turma que alguém marcasse as entradas dos grupos. nesse caso. que havíamos abordado na aula de física. Por fim. em parceria como professor da disciplina.10).2 TURMA 302 4. Primeiramente. Como havia pouco tempo para completar a atividade. 4. para que eu pudesse tocar a flauta. (p. frequência. pois rapidamente já se verão inseridos em um contexto musical. além disso. 38 Chamei a atenção dos alunos para observassem o som. considero que obtive um resultado satisfatório.. para que a turma mantivesse o interesse e interagisse o máximo possível. Como comenta Oliveira (2014). e comprimento de onda. Da mesma forma trabalhada com a turma anterior. 65). mais do que as referências visuais. acontece uma troca de informações que é bem-vinda para o desenvolvimento dos estudantes. sempre que possível. conseguimos executar toda a música de forma razoavelmente sincronizada. Considerando o pouco tempo disponível. busquei demonstrar os conceitos de forma prática. o ar. Como afirmam Grillo e Perez (2016) ‘‘A interdisciplinaridade é hoje reconhecida como sendo de grande importância e necessidade’’ (p. um aluno perguntou se a “velocidade do som” se alterava. Um dos alunos. a respeito dos resultados da utilização da prática em conjunto nas aulas de música: [.

Para isso. dessa forma. pois interagia e não conversava paralelamente. Dando continuidade. 2/3 e 3/4. A respeito do violão (que utilizei para simular um monocórdio). informei a medida da nota DÓ (130. juntamente com outros recursos.2. contendo o resumo do conteúdo trabalhado. apenas um aluno (dos 24 matriculados) trouxe o material que eu havia solicitado. 39 no ar. A turma parecia muito interessada. que serviria de referência. Esse instrumento na realidade é um grande laboratório que pode ser explorado e. mostrando que estava interessado no assunto da aula.’’ (p. Perguntei se todos os alunos já conheciam o nome das sete notas musicais naturais. Grillo e Perez (2016) chamam a atenção para o fato que: [. Fiquei feliz com a iniciativa do aluno. (p.000 anos.2 Segunda Regência Ao retomarmos as aulas da turma 302. facilitar o aprendizado [de acústica].] o que presenciamos é uma quantidade enorme de alunos portando instrumentos musicais. a curiosidade e interesse da maioria despertava instantaneamente à medida que o funcionamento do monocórdio era demonstrado. 62). escrevendo-as no quadro. Essa situação acabou . juntamente como o resultado sonoro da corda solta quando diminuíamos seu comprimento nas proporções 1/2. Consegui concluir o plano de aula dentro do tempo hábil (40 minutos). pedi que a turma calculasse as medidas necessárias para cada nota musical. expliquei que aplicaríamos esses mesmos princípios na construção dos instrumentos musicais com canos de PVC. o violão. Apesar de conceitos como proporções matemáticas tenderem a “assustar” um pouco os alunos. Após o entendimento das relações entre os comprimentos da corda e as notas musicais geradas. por explicar como o som é criado e. consequentemente. pelo qual foram descobertas as proporções matemáticas que embasam as notas musicais. deixando combinado com a turma os materiais que deveriam ser trazidos na aula seguinte. Em seguida. para a construção dos instrumentos. Todos responderam que sim. principalmente. reproduzimos o experimento de Pitágoras com o monocórdio.. Por fim.0 cm).. informei que reproduziria com eles um experimento feito a mais de 2. como a música é desenvolvida. usando a folha impressa que havia entregado a todos. 4. Moura e Neto (2011) enfatizam que ‘‘A física acústica tem ligação com a disciplina artes. a velocidade era constante. 13). para construirmos os instrumentos.

diferentes faixas etárias. acompanhando o pulso musical que eu marcava com palmas. Dando continuidade. Já que não seria possível todos experienciarem o processo de construção. precisei adaptar meu plano de aula. Para avaliar a musicalidade da turma. poderiam entender as Cifras escrita acima da letra da música Asa Branca. uma pesquisa realizada com 81 discentes e sete docentes da EJA expõe que estes: [. No artigo: Os desafios da EJA e sua relação com a evasão. A maior dificuldade dos alunos foi entender o momento da troca de um grupo para o outro. devido a falta do material..] se sentem desmotivados diante do desrespeito e do cansaço físico. explicando de que forma a outra turma havia adaptado os princípios de Pitágoras aos canos. já que inviabilizou as atividades que haviam sido cuidadosamente planejadas.. Em seguida..” (p. (p. que tocava violão. os alunos conseguiam manter a pulsação com consistência razoável (sem dessincronizar ou acelerar). 40 gerando uma certa frustração. seguidos por: falta de meios e recursos necessários. Bertotti e Silva (2013). Expliquei que cada . mostrei diretamente os instrumentos prontos. distribuídas para a turma. Cada grupo deveria tocar apenas no momento em que sua nota (cifra) estivesse marcada sobre a letra. de modo geral. escrevi no quadro a sequência das sete notas musicais naturais e expliquei a correspondência entre o sistema latino e sistema americano. de forma objetiva. No mesmo artigo. para que sobrasse tempo para iniciarmos as atividades de prática em conjunto. trabalhar a diversidade. No entanto. respeitando a pulsação da música. que a turma batesse o cano no chão. Pedi. é enfatizado que “[.. demonstrei o processo de construção para todos. antecipando as atividades que pretendia fazer na semana seguinte. Um dos alunos. não podemos esquecer a realidade sócio/cultural que os alunos estão inseridos. Desse modo. de Griffante. levei a turma para lá. Em um primeiro momento. 8). 5-6). Como os instrumentos de PVC construídos pela primeira turma estavam guardados na sala de Ciências. disse que não havia entendido quantas vezes deveriam bater o cano no chão. sentindo a mudança da base harmônica da música. pedi que todos batessem o cano no chão. Percebi que. contida nas folhas impressas. à medida que eu cantava a melodia e regia. antes da alternância de grupo. separamos a turma em três grupos. Assim. contexto social e a falta de interesse e participação por parte dos alunos. sendo estes os maiores desafios apontados.] o docente da Educação de Jovens e Adultos precisa sempre motivar os seus discentes. distribuindo uma nota musical para cada um. considerando que a maioria chega à sala de aula cansado e desestimulado pelas atribulações do trabalho e dos problemas familiares. então. utilizando os materiais daquele único aluno que trouxe.

existe uma ligação entre aulas diferentes. correspondia a duas batidas no chão (2 tempos musicais). Ao final da aula. apesar de alguns erros e interrupções. Como expõe Romanelli (2008) ‘‘[. como a correspondência entre as cifras e as notas musicais. 4. no anexo 1.. Acredito que essa retomada no início de cada aula seja muito importante para que as turmas não percam de vista o caminho e direção que estamos percorrendo. bati palmas acompanhando o pulso da música. Ao final da aula.] é no começo da aula que se fará referência ao que foi visto anteriormente. distribuídas na aula anterior. De modo geral. exigindo um pouco mais de esforço.2). Forneci mais algumas folhas para os alunos que haviam faltado anteriormente ou esquecido de trazer. Em seguida. informei que continuaríamos a atividade na semana seguinte. a turma participou da atividade mantendo o . apesar de haver uma interrupção temporal. eu ajudava com a regência. Distribuímos entre os grupos os canos de PVC correspondentes a cada nota escolhida anteriormente. facilitando assim o entendimento da estrutura rítmica da música e das trocas harmônicas. precisaram se adaptar à atividade. Enquanto os alunos marcavam o pulso da música batendo os canos no chão..3 Terceira Regência Iniciamos a terceira aula da turma 302 revisando alguns dos conceitos vistos anteriormente. Dessa forma.’’ (p. seguindo a cifra harmônica da música. com o intuito de ajudar os alunos a relacionarem e perceberem. enfatizei a marcação dos tempos juntamente com a regência. pedi que eles também acompanhassem a gravação com palmas. conseguimos tocar a estrutura básica da música algumas vezes. Após uma sincronia razoável entre os alunos e a música. Assim que conseguimos uma certa regularidade na pulsação e alternância das notas. o que havíamos conversado anteriormente. através de um exemplo prático. marcando o momento de parar e trocar de grupo.2. executei uma gravação da música Asa Branca. 41 quadrado envolvendo a letra da música (vide a letra cifrada. Durante a execução. sugeri que se dividissem novamente nos mesmos grupos da aula anterior. 137). para que servisse de referência à turma. Para trabalhar a percepção através da apreciação musical. Como alguns alunos haviam faltado. explorando mais a fundo o ritmo que usaríamos para acompanhar a música. além da noção de pulso musical. Solicitei que a turma pegasse as folhas impressas da música Asa Branca. incitando os alunos a entenderem que. pude tocar a melodia da música na flauta doce.

FÁ e SOL). Quando parei a música na metade. Iniciamos marcando apenas o pulso. Expliquei que o gênero musical que trabalharíamos se chamava Xote Nordestino. fiz a chamada e informei que seria minha última aula com eles. enquanto contava em voz alta os tempos e tentava mantê-los em sincronia. com cerca de 40 anos. que faz parte da realidade cotidiana do aluno. estava com dificuldades para sincronizar as batidas com o resto dos colegas. No momento que o grupo ficou mais seguro. Finalizei informando que seguiríamos as práticas em conjunto.3). trabalhando outra música na aula seguinte. trabalharíamos a prática em conjunto dividindo a turma em 3 grupos. Um dos alunos. brasileira ou estrangeira.” (p. voltamos às alternâncias das notas. Executei a gravação da ‘‘levada rítmica’’ isolada. pude reger os grupos.2. tocado no instrumento Bumbo Leguero. dos 24 matriculados. sendo que o movimento para baixo marcava o tempo 1. Iniciamos ouvindo a gravação da música Esperando na Janela. alguns alunos brincaram dizendo que ‘‘iam começar a dançar’’.4 Quarta Regência Após buscar os alunos na sala de aula e levá-los à sala de ciências. Após executar a melodia com a flauta doce com uma certa regularidade. Dessa forma. 42 interesse. com a participação de todos. Sugeri que apenas esse grupo tocasse. Toquei com um dos canos para que a turma entendesse. com a vareta ao lado do cano. como repertório para confecção do repertório e dos arranjos. complementando o ritmo. do padrão rítmico simplificado do Xote: . Segue abaixo a transcrição. 14 alunos estavam presentes. 4. um pouco diferente. marcando as entradas de cada um. Expliquei que a movimentação da mão direita do regente representava a marcação dos tempos da música. de Gilberto Gil. cada um com os canos de PVC que correspondiam a uma nota musical diferente (DÓ. Também comentei que existia o Xote Gaúcho. à medida que a harmonia da música alterava. batendo os canos no chão. sugeri que os mais confiantes acrescentassem uma batida a mais. Do mesmo modo que na aula anterior. que trabalharíamos nessa aula. Gonçalves e Gouveia (2014) sugerem a utilização da “música midiática. tocada pelo instrumento Zabumba. enquanto cantava a melodia.

pois seria possível explorar mais a fundo o que estávamos trabalhando. agradeci a todos pela dedicação durante as aulas e me despedi. comentei que era normal termos dificuldades no primeiro contato com as aulas de música. Comentei então que pediria a ajuda dele durante as atividades. 43 Um dos alunos. se bem idealizado e confeccionado. já que conhecia bem os conceitos básicos que iríamos trabalhar. Apesar de já termos introduzido o conteúdo de acústica com essa turma. durante as aulas de física. que eles já haviam trabalhado.14). O aluno músico comentou em tom de brincadeira que ‘‘apanhava até hoje do instrumento’’. considerei importante uma revisão..1 Primeira Regência Na turma 203. se propôs a marcar as trocas dos grupos para que eu pudesse tocar a melodia na flauta doce com mais tranquilidade. amplitude. foi possível desenvolver a aula de forma tranquila. sendo apenas uma questão de tempo e dedicação para melhorarmos. 4. música. Percebi que um dos alunos conhecia bem o conteúdo. matemática. Coelho (2016) enfatiza que ‘‘[. Com um perfil relativamente calmo. Dessa forma. Ao questioná-lo. que era músico e tocava com maior desenvoltura. estavam presentes apenas 9 alunos dos 20 que constavam na lista de chamada. teoria e experimentação pode. pouco a pouco. poderia mantê- lo motivado. Por fim. Como destaca Grillo e Perez (2016): . devido ao grande número de alunos faltando naquele dia. frequência. descobri era músico. das próximas aulas. e comprimento de onda.3 TURMA 203 4.3. comentando que era uma pena que eles não tinham aulas de música regular na escola.. Após executarmos algumas vezes a estrutura completa da música. revisamos os conceitos de onda sonora. Iniciei explicando as atividades que pretendia trabalhar com a turma. mostrar-se um bom instrumento didático-pedagógico.] um produto educacional que seja capaz de aliar a física. Primeiramente.’’ (p.

através das proporções descobertas por Pitágoras. separamos novamente os alunos em três grupos. Iniciando as atividades de prática em conjunto. Finalizamos a aula calculando as medidas necessárias para a construção dos instrumentos. 62). Percebi que. Da mesma forma que a turma anterior. Em seguida. Após relembrar os princípios sobre acústica e o experimento com o monocórdio. usando o violão. Chamei a atenção para que sincronizasse com os outros. Como nos descreve Bromberg (2016) ‘‘o monocórdio foi o instrumento que possibilitou a transposição das razões do âmbito aritmético para o geométrico e consequentemente para o acústico. sendo necessário adaptar o plano de aula. considerando a corda solta do violão sendo a nota DÓ. que havíamos trabalhado na aula anterior. demonstrei o que resultava ao diminuirmos o comprimento da corda nas proporções 1/2 (nota DÓ 8° acima).30 cm). Pedi que os alunos avisassem os colegas faltantes a respeito dos materiais que deveriam ser trazidos na aula seguinte. pedi que batessem os canos no chão mantendo o pulso que dei como referência. para contornar o problema da desmotivação do estudante.2 Segunda Regência Na turma 203. Expliquei o que representavam os movimentos das mãos de um maestro. Após algumas repetições e uma atenção especial. cada um com um cano e nota musical. 3). além da correspondência delas no sistema latino em comparação ao sistema americano. demonstrei o experimento de Pitágoras com o monocórdio. explicando como chegamos aos comprimentos necessários para a nota SOL e nota FÁ. Nesse sentido. é a utilização de exemplos e atividades relacionadas com os interesses dos estudantes. (p.’’ (p. Da mesma forma feita com a turma anterior. Da mesma forma feita com a turma anterior. para que entendessem a minha regência. sem perceber. Escrevi no quadro o comprimento de cano que havíamos partido como referência (Nota DÓ = 1. a Música pode ser uma importante aliada do professor na busca por motivação. não tinha conhecimento a respeito dessas relações matemático/acústicas entre as notas musicais. 2/3 (nota SOL) e 3/4 (nota FÁ). expliquei passo a passo como ocorreu a construção dos instrumentos que já estavam prontos. apenas oito alunos (dos 20 matriculados) estavam presentes. demonstradas pelo experimento de Pitágoras. 4. Uma aluna batia o cano no contratempo dos colegas. conseguimos uma regularidade . 44 O importante. Escrevi no quadro a sequência das notas musicais naturais. para que pudesse avaliar a habilidade rítmica da turma. Nenhum aluno trouxe o material solicitado. mesmo o aluno músico.3. fomos para a sala de Ciências.

Em seguida. pedi para um aluno (que era músico e tocava violão) que marcasse a pulsação. econômica. Dos que estavam. enquanto os alunos acompanhavam a letra cifrada na folha impressa. 63). Novamente. . batendo com os canos no chão. expliquei no quadro a correspondência entre o sistema latino e sistema americano de notação. os alunos podem escutar uma interpretação da música que vai ser trabalhada. alguns não haviam vindo na aula anterior. sempre buscando a sincronia entre todos e a regularidade do pulso. pois a necessidade de uma metodologia de ensino.3 Terceira Regência Iniciamos a aula formando novamente os mesmos grupos da aula anterior. um atrativo que consiga chamar a atenção de todos os alunos e instigar a busca do aprender não é tarefa fácil. sugeri uma mudança na ‘‘levada rítmica’’. Retomamos a prática em conjunto da aula anterior.3. batendo o cano no chão. contendo a marcação dos tempos e as cifras harmónicas. alternando os grupos a medida que a base harmônica da música mudava. 45 razoável entre todos. Após executarmos a música algumas vezes. expliquei que deveríamos alternar os grupos seguindo a cifra impressa sobre a letra da música. (p. Como conseguimos um bom resultado na execução. o que certamente facilitará a composição (criação) de arranjos ou acompanhamentos mais sintonizados com o próprio caráter da música em questão’’. executei na flauta doce a melodia para que os alunos pudessem reconhecer a composição. ainda com imperfeições. explorando a música com mais detalhes. Os canos fariam o papel de um instrumento grave (baixo) em uma banda. etária dos alunos da EJA requerem mais trabalho e dedicação por parte dos professores. Informei à turma que daríamos continuidade na semana seguinte. Expliquei que reproduziríamos com os canos o padrão rítmico do Xote Nordestino. cultural. cada um com um cano de PVC e nota musical correspondente. Bastião (2012) acredita que ‘‘Para praticar música em conjunto. Pedi que todos marcassem o pulso da música acompanhando a gravação. Dessa forma. executei a gravação da música Asa Branca. Depois que distribuí as folhas impressas da música Asa Branca. Bertotti e Silva (2013): A diversificação social. 5). sendo distribuídos entre os grupos formados. Para demonstrar a música à turma. (p. o tempo da aula se esgotou. que havia distribuído anteriormente. 4. Após uma rápida revisão sobre cifra harmônica. haviam poucos alunos presentes. marcando a nota principal (fundamental) dos acordes. Como chamam a atenção Griffante.

respeitando o pulso da música. Em seguida. A nota que deveria ser tocada era enfatizada em voz alta. demonstrei como poderíamos adaptar para os nossos instrumentos. recriado e até mesmo abandonado e substituído durante a sua implantação.3. ao mesmo tempo. sempre corrigindo quando alguém errava alguma coisa ou dessincronizava do resto da turma.] o ensino é uma atividade complexa. 4. sempre terá algum grau de imprevisibilidade [. simulando a batida da baqueta no aro da Zabumba. sem a ajuda da regência. com a música Asa Branca. Iniciamos acrescentando apenas uma batida com a vareta no contratempo. Como explica Hentschke e Del Ben (2003): [. Os outros. de Gilberto Gil. recordamos algumas características do gênero musical Xote Nordestino. que seria aplicado agora à música Esperando na Janela.. executei uma gravação isolada da percussão. por isso. dos 20 matriculados. toquei a melodia na flauta doce. Iniciamos o acompanhamento da música marcando apenas o pulso com os canos de PVC. alternando as notas de cada grupo com a ajuda da regência. que envolve várias pessoas. fiz a chamada e informei que seria minha última aula com eles. 46 Para isso. Iniciei cantando a melodia e regendo as entradas de cada grupo. (p. Com um dos canos e uma vareta. apontando para o respectivo grupo. à medida que ouviam a interpretação.. Seguimos executando a música algumas vezes até o final da aula. várias coisas a fazer simultaneamente e. o plano poderá (e em alguns casos deverá) ser transformado. distribuindo as 3 notas feitas com Canos de PVC.. Dividimos a turma em duas duplas e um aluno sozinho. tocada apenas pelo instrumento Zabumba. que era violonista. sugeri que os alunos acrescentassem a batida com as varetas no contratempo.. . poderiam apenas bater o cano no chão. Sugeri que apenas usassem as varetas aqueles que se sentissem confiantes para manter o ritmo regular. foi executada a gravação da música. 178) Após distribuir as folhas impressas contendo letra e cifras.]. Dando sequência à aula anterior. como já havíamos feito na aula anterior. Assim que conseguimos uma regularidade razoável. Por isso. Alguns alunos tiveram dificuldades para sincronizar a batida da vareta e do cano no chão. Um dos alunos. pois não esperava um número de alunos presentes tão baixo.4 Quarta Regência Após levar a turma para a sala de ciências. Precisei adaptar o plano de aula dentro das limitações apresentadas. ajudou a manter a regularidade rítmica. Apenas 5 alunos estavam presentes. já que tocava com maior segurança.

como ocorrera com as outras. Assim que a turma manteve o ritmo por conta própria. Expliquei que. com certa regularidade rítmica. a turma parecia interessada no assunto. deixando a introdução para depois. inicialmente. continuasse aprendendo e fazendo música. Tentei ajudá-lo isoladamente. Uma das alunas informou que era cantora de Coro e que uma amiga me conhecia através do Coro do IPA. Por fim.4 TURMA 202 – 4. apenas essa aluna levantou a mão.4. Também mostrei o que acontecia com o desenho quando variávamos a intensidade do som (Dinâmica) ou mudávamos a frequência (Nota Musical). Conseguimos tocar a música inteira algumas vezes. ao mesmo tempo. passados 20 minutos de aula. frequência. Demonstrei essas diferenças também utilizando a flauta doce. utilizei um recurso visual. fizemos uma rápida retrospectiva do que havíamos visto ao longo das quatro aulas. segui o mesmo plano de aula utilizado nas turmas anteriores. Essa turma. Para abordar os conteúdos de acústica (onda sonora. a turma insistiu que eu fizesse a chamada e começaram a ir embora. Após explicar a proposta de estágio para a turma. prejudicando o desenvolvimento do trabalho. Agradeci a todos pela disposição ao longo das aulas e sugeri que. Dessa forma. No entanto. Percebi nas observações que isso geralmente resultava em muitas faltas e/ou saídas antecipadas dos alunos. parei a regência e toquei a melodia na flauta doce. desenhando a imagem gráfica de uma onda sonora. quem pudesse. até as práticas com as duas músicas e o gênero musical Xote Nordestino. tocando junto com outro cano de PVC. Apenas 14 alunos estavam presentes dos 30 escritos na lista de chamada. De modo geral. foi impossível concluir o que pretendia trabalhar. não havia visto o conteúdo de acústica na aula de física. porém.1 Primeira Regência O último período da noite é sempre com tempo reduzido (25 minutos). Trabalhamos. Isso me fez repensar . e comprimento de onda). à medida que acrescentamos elementos. Ao perguntar à turma quantos já haviam tido experiência prática com música. 47 Um dos alunos demonstrava dificuldade para coordenar a batida no chão e a batida da vareta. mais treino será exigido para uma boa execução. a primeira e segunda partes da música. desde as proporções acústicas descobertas por Pitágoras. amplitude. 4. a construção dos instrumentos.

. distribuí para a turma a letra cifrada da música Asa Branca. 48 a respeito de como conduziria as aulas seguintes. no Brasil e no mundo. culturais. 4.4. já que ‘‘percebemos um ganho significativo na compreensão de conceitos físicos e suas definições matemáticas formais advindas dessa prática. 3) Para finalizar. Assim como ocorrido com a turma anterior.2 Segunda Regência No final do mês de maio de 2018. que repercute nas escolas.. econômicas e políticas. separamos a turma nos pequenos grupos que foram possíveis. sem acompanhamento. as aulas foram paralisadas devido a uma greve nacional de caminhoneiros. apoiada por vários setores da sociedade. o desafio da participação. Toquei a melodia da música na flauta doce. Como nos coloca Griffante. Fomos para a sala de Ciências.]’’ (p. 107). da inclusão e da equidade frente a nossa vasta diversidade cultural. Depois de explicar o significado das cifras contidas sobre a letra da música. apenas sete alunos estavam presentes (de 30 matriculados). sendo necessário reduzir e não aprofundar os conteúdos. um cenário de violência. pela qual precisamos trabalhar diante do conceito de transformação [. Bertotti e Silva (2013): Encontramos também nessa trajetória de ensino e aprendizagem. (p. informei à turma que daríamos continuidade na aula seguinte. Dessa forma. perguntando se os alunos conheciam. Para isso. Coelho (2016) enfatiza a importância do ensino da acústica relacionada à música. onde expliquei passo a passo como ocorreu a construção dos instrumentos que já estavam prontos. no entanto. As relações entre professores e alunos são diretamente afetadas pelas questões sociais.’’ (p.. do envolvimento. meu cronograma sofreu um atraso de uma semana. Na turma 202. considerando os alunos presentes. Como essa turma sempre tem os períodos reduzidos (por ser o último da noite). Assim que foi explicado o processo de construção das notas musicais com os canos. não havia sido possível concluir essa parte do conteúdo na aula anterior. nenhum aluno trouxe o material solicitado. corrupção e impunidade. Todos responderam que sim.29). que comprometeu a distribuição de combustíveis e a regularidade do transporte público. Como enfatiza Cardoso (2015): Vivemos hoje. precisei explicar com um pouco mais de calma os princípios sobre acústica e o experimento com o monocórdio de Pitágoras.

expliquei que a nota deveria trocar a cada quatro batidas no chão (quatro tempos musicais). marcava os tempos e as entradas de cada grupo. como o tempo estava restrito. mostrava como acontecia a troca harmônica. Apenas 9 alunos (dos 30 matriculados) estavam presentes. a turma participou ativamente da atividade. 49 Por fim.’’ (p. . enquanto eu cantava a melodia da música. busquei os alunos na sala de aula. tendendo a acelerá-lo. enquanto cantava a melodia da música. mantendo o interesse até o final da aula. De modo geral. as gravações e os instrumentos musicais estão entre os mais importantes. Expliquei o que pretendia fazer. separando a turma novamente em 3 grupos. Passei para todos uma visão geral sobre a proposta de prática em conjunto e o que pretendia fazer com os grupos. chamava a atenção para que voltássemos ao andamento anterior. A medida que a gravação era executada. sendo que cada um ficaria com canos de PVC com notas diferentes. Devido aos períodos reduzidos. 138). enquanto tocava a melodia na flauta doce. Um dos alunos disse não entender o momento da troca de grupo. que tocava violão. Alguns alunos demonstravam dificuldade para manter a regularidade do pulso. que havíamos trabalhado na aula anterior. mostrava muito interesse e fazia perguntas sobre a marcação da regência. Distribuí as folhas impressas com a letra e cifras da música Asa Branca para os que não haviam trazido e executei a gravação. A medida que regia a turma. não havíamos explorado muito ainda a prática em conjunto. Um dos alunos. Assim.4. Então. Como enfatiza Romanelli (2008) ‘‘de todos os recursos midiáticos à disposição do professor de música.4. fornecendo uma referência auditiva. Por fim. de modo que memorizassem os integrantes e as notas escolhidas.4 Quarta Regência Para iniciarmos. desenvolvemos apenas um exercício de marcação do pulso com os canos. levando-os para a sala de ciências. 4. Acredito que nunca havia tido aulas de música formais. Sempre que isso acontecia. 4. o suporte fonográfico.3 Terceira Regência Iniciamos a aula revisando os conceitos de pulso e cifras de acordes. para darmos continuidade na aula seguinte. conseguimos executar algumas vezes a estrutura básica da música. expliquei para a turma o que significava os gestos da mão direita e esquerda do regente. enquanto os alunos acompanhavam pela folha.

pretendendo tocar mais uma música com eles. contendo a letra cifrada. Separamos a turma novamente em 3 grupos. devido ao tempo restrito. explicando que cada nota tocada na flauta doce estava escrita através daqueles símbolos. apontava para o grupo que continha a nota equivalente à base harmônica da música. apenas mostrei para a turma algumas possibilidades de variações da ‘‘levada rítmica’’. agradeci a todos pela disponibilidade e participação. se eu tivesse mais tempo com eles. executando com um dos canos de PVC e vareta. principalmente os que estão começando. executei a gravação da música Esperando na Janela. Chegando ao final da aula. dizendo que havia gostado muito das aulas. tentando sincronizá-los. cantei a melodia enquanto regia. além disso.] há uma motivação maior por partes dos alunos. cada um com uma nota musical feita com os canos de PVC. pois rapidamente já se verão inseridos em um contexto musical. Após entregar folhas impressas para todos. me despedindo. de Gilberto Gil. deixando de fora a introdução. aplicando os mesmos princípios vistos anteriormente. como nos diz Oliveira (2014). Como exemplo. Em seguida. Expliquei que. A medida que a gravação era executada. Conseguimos tocar a primeira e segunda partes da música até o final algumas vezes. mostrei a partitura que estava lendo (melodia da música). Um dos alunos (o mesmo citado anteriormente. Por fim. expliquei que a ‘‘levada rítmica’’ da música correspondia ao gênero musical Xote Nordestino. poderíamos trabalhar mais a fundo outros elementos da teoria musical. Acredito que a prática em conjunto proporcionou uma experiência nova para muitos dos alunos presentes pois. . acontece uma troca de informações que é bem-vinda para o desenvolvimento dos estudantes (p.. através dessa atividade: [.10). Assim que os grupos entenderam o que deveriam fazer.. que tocava violão) agradeceu. 50 Informei à turma que seria minha última aula.

pudemos calcular as medidas exatas para construir alguns instrumentos. a consciência dos elementos acústicos básicos envolvidos na construção de instrumentos musicais. além de conceitos como frequência. onde os alunos aprendem uns . relacionando a música com a física (acústica). esta última. afinados com notas musicais específicas.]. foi demonstrado às turmas o experimento de Pitágoras com o instrumento chamado monocórdio. estabelecendo uma aproximação da aritmética e da geometria e. era necessário encontrar na matemática uma representação. Oliveira (2014) reitera que durante essa prática “acontece o processo de aprendizagem de forma colaborativa. modalidade EJA. Para a demonstração prática das relações matemáticas entre as notas musicais. da física. a criatividade.” (p. utilizando canos de PVC. buscou propiciar aos alunos dos segundos e terceiros anos do ensino médio. O instrumento que permitiu a visualização do som foi o monocórdio[. improvisação e a desinibição. Os benefícios dessa atividade no processo de musicalização puderam ser comprovados com base nos trabalhos de Bastião (2012). Como nos explica Bromberg (2016): Para atribuir aos intervalos musicais uma grandeza. fatores estes necessários para a formação de um ser humano e de um artista. Cerveira (2005) nos enfatiza o valor intrínseco da escolha por essa prática pedagógica. a prática musical em conjunto. que permite ainda ao aluno “desenvolver seu espírito de cooperativismo bem como a socialização. Moura e Neto (2011). A partir dos princípios descobertos por Pitágoras.CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho..]. amplitude e comprimento de onda. em seguida. 1-2). ficou clara a importância das propostas interdisciplinares durante as aulas regulares.1). assim como alguns conteúdos musicais e sua utilização prática. de uma forma que despertasse interesse nos alunos. A construção dos instrumentos permitiu que pudéssemos trabalhar.. que encerra o ciclo de três estágios obrigatórios exigidos como requisito parcial para a formatura no curso de licenciatura em música do IPA. O monocórdio pareceria ser o instrumento capaz de traduzir geometricamente os elementos musicais de natureza aritmética... Embasado em autores como Coelho (2016). (p. Gonçalves e Gouveia (2014) e Oliveira (2014). não existia maneira física de se medir o som [. Cardoso (2015). Tavares e Souza (2007) e Bromberg (2016). Grillo e Perez (2016). dado que então. Rodrigues (2012). As atividades de construção de instrumentos musicais alternativos foram embasadas nos trabalhos de Albuquerque e Cerveira (2005). Apesar do professor de música estar muitas vezes inserido em um contexto de ensino onde a maioria das escolas não possui a estrutura física adequada para as aulas.

Daí a importância de se abordar este assunto na educação formal. na modalidade EJA. Além disso. não vemos aulas regulares de música e nem de física acústica na EJA. mas por razão e proporção aritméticas. Observa-se que a grande maioria dos alunos tem alguma relação afetiva com algum gênero musical. aproximando a música e a física. nos permitindo algumas reflexões a respeito dos desafios apresentados. PEREZ. já que “o que está em jogo na interdisciplinaridade é a produção de novas questões. A média de presença ficava em torno 40% ou menos. Bromberg (2016) nos lembra que: A Música foi uma ciência matemática até meados do século XVIII e sua teoria definiu- se através de princípios matemáticos e seus elementos. destaco o alto índice de faltas e desistências. em Hertz e decibéis. Considerando a já tradicional resistência que observamos nos alunos em geral. ao aprendizado da física. a sua percepção se dava no mundo real e físico. desde a produção do som até sua captação e assimilação. delinearam-se algumas características específicas ao contexto de ensino da EJA. Dentre as dificuldades que encontrei durante as aulas. a falta de comprometimento dos alunos em trazer os materiais necessários para as atividades foi expressiva. 52 com os outros. como os intervalos e escalas. Ao longo deste estágio.10). 1). Dos 98 alunos . Como nos explica Moura e Neto (2011): A física acústica aborda as ondas sonoras e as suas propriedades. 2016. conversando fora dos ensaios. A música é a ciência que possui a predisposição histórica para aproximar as áreas científicas consideradas “humana” com as “exatas”. A acústica é exatamente a parte da física que explica todo o processo. Enquanto o cálculo da razão era um procedimento abstrato.” (p. considerando o número de alunos que constavam nas listas de chamadas. justamente aquela que poderia criar uma ponte afetiva. p. tanto para o professor como para o aluno. algo que chamou minha atenção foi a não inclusão do conteúdo acústica no programa de ensino de física da escola. seja observando os colegas. (p. Apesar da música ser considerada parte das ciências humanas atualmente. por imitação. 65). ouvindo música constantemente. não eram expressos. 12). considero um grande equívoco não proporcionar aos alunos da EJA o contato a essa área de conhecimento.” (GRILLO. Ela é muito útil para explicar os fenômenos sonoros que estão presentes em diversos ambientes frequentados pelos educandos. Durante todo esse processo. No momento. e não o acúmulo de conhecimento. (p. no dia a dia e/ou na própria escola. etc.

Esse aspecto certamente está relacionado à evasão escolar crescente na modalidade EJA.” (p. apenas sete alunos trouxeram o que foi solicitado. uma primeira experiência em uma aula de música. 940). durante as aulas. muitos elementos envolvidos no processo puderam ser desenvolvidos. Nos cursos de licenciatura. os acordos internacionais e a legislação nacional do período. . quando analisamos as políticas educacionais levadas à prática. não sabia como a ideia seria recebida. como nos comprovam Griffante. conceitos como frequência ou amplitude deixavam de ser coisas “abstratas e distantes”. Bertotti e Silva (2013). (p. às disciplinas exatas como a matemática e a física. 2010. como a flauta doce ou o violão. sempre que demonstrava os conceitos teóricos através de algum recurso prático. Entretanto. por outro lado. a formação de educadores é um dos grandes desafios a serem encarados pelas políticas educacionais nos próximos anos’’. 53 matriculados. é fundamental a fomentação de cursos de formação continuada ou especializações com enfoque na educação para adultos. por exemplo. e à necessidade da formação continuada ao longo da vida. fiquei muito satisfeito com o resultado das aulas de prática em conjunto. Dentre os pontos positivos. Na pesquisa de Griffante. Bertotti e Silva (2013). para muitos. colocando os alunos em contato com alguns elementos de teoria musical e propiciando. destes. Para isso. no entanto. Analisando o Plano nacional de educação 2001-2010. raramente vemos uma disciplina ofertada com esse objetivo. Ao mostrar o uso prático em um instrumento musical. constatamos a secundarização da EJA frente a outras modalidades de ensino e grupos de idade. 954-955). além de estratégias e habilidades específicas para esse contexto. já que muitos vinham à aula após uma jornada intensa de trabalho. percebi grande interesse e curiosidade por parte da maioria dos alunos. destaco a disponibilidade da maioria dos alunos em participar das atividades práticas. 90% destacaram a assiduidade dos alunos e o comprometimento. ‘‘Ao lado do estabelecimento de condições mínimas de trabalho profissional. foi exposto que “Para os docentes que evidenciaram os fatores que interferem no rendimento do ensino e aprendizagem da EJA. Os alunos. somando todas as quatro turmas trabalhadas. somos levados a crer na existência de um amplo consenso em torno do direito humano à educação. em qualquer idade. já que as atividades propostas cumpriram seu objetivo com todas as turmas. Ao propor o ensino da física acústica juntamente com a música. Consequentemente. em todo o Brasil. Do mesmo modo. 9). precisavam vencer o desafio do cansaço. (DI PIERRO. é exigido um esforço extra do professor. com o intuito de manter a turma focada e interessada. devido a histórica resistência dos alunos em geral. No entanto. Dessa forma. p. Di Pierro (2010) também comenta que: Quando dirigimos a atenção para as retóricas educativas.

vários alunos elogiaram as aulas ao final do estágio. 54 dentre eles a cooperação. a concentração. o docente terá em mãos diferentes estratégias para trabalhar o mesmo tema. Por fim. Além da participação ativa da grande maioria. não resta dúvida quanto à necessidade de capacitação constante e contínua por parte do professor de música. a persistência. dependendo de seu perfil. assim como das experiências distintas proporcionadas ao longo das três modalidades de estágio do curso de licenciatura em música. habilidades necessárias para obter a melhor resposta possível dos alunos. além de uma capacidade de adaptação rápida e de improvisação. Somente desse modo. . o que despertou em mim o sentimento de “missão cumprida”. demonstrando interesse e prazer ao ‘‘fazer música’’. para que as aulas de música sejam cada vez mais produtivas e transformadoras de acordo com a realidade de cada um. a paciência e a sociabilidade. tenho certeza que através de todas as aulas.

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Relacionado à Altura do som (agudo ou grave) – ‘‘Hz’’ Amplitude: O ponto mais alto da onda.5 Hz Nota FÁ: 4/3 – Exemplo: 348 Hz . PROPORÇÕES ENTRE AS FREQUÊNCIAS DAS NOTAS MUSICAIS Nota DÓ: 1 – Exemplo: 261 Hz Nota DÓ (8ª acima): 2/1 – Exemplo: 522 Hz Nota SOL: 3/2 – Exemplo: 391. Frequência: Quantidade de Ondas por Segundo. produzidas a partir de vibrações que se propagam em um meio (normalmente o ar).1 – Materiais entregues aos alunos ONDA SONORA Onda Sonora: Ondas mecânicas. ANEXO 1. Relacionado a Intensidade do som (forte ou fraco) – ‘‘Db’’ Comprimento de Onda: Distância entre os 2 pontos mais altos da onda.

2 – LETRA COM CIFRA DE ACORDE .ANEXO 1.

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ANEXO 2 – FICHA TÉCNICA: Instrumento Musical de Cano de PVC Materiais Utilizados: 1.Fita métrica 6.Tampão para cana de PVC (75 mm) 8.Tesoura 4.Palitos de Bambu 7.Serra 3.Esmalte de Unha Colorido 5.Feltro autocolante .1 metro de cano de PVC (75 mm) 9.Lixa 2.

o cano afinado em DÓ terá 65cm.Recorte o feltro e cole na base do tampão do cano.Instrumentos Prontos. 3º . 2º .0cm. 5º . meça o cano usando a fita métrica (já com o tampão) e corte no comprimento desejado. Se necessário.A partir das Medidas calculadas para cada Nota Musical.Quando a afinação estiver exata. pinte o tampão do cano usando o esmalte de unha com a cor desejada. batendo ao lado do cano. .Construção: 1º .4cm. o cano afinado em SOL terá 87. 4º . Enquanto a batida do cano do chão gerará um som grave e com nota definida. ajuste a afinação cortando mais ou usando a lixa. os palitos de bambu produzirão um som médio/agudo.Depois de cortar o cano. bata ele no chão (com o lado que está com o tampão) e teste a afinação usando o aplicativo de celular Da Tuner Lite. O cano afinado em FÁ terá 97.