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DIAIRESIOLOGIA

A DOUTRINA DAS DIVERSIDADES


DONS, MINISTÉRIOS E OPERAÇÕES

“A SUA UNÇÃO VOS ENSINA A RESPEITO DE TODAS AS COISAS”


(1 Jo 2.27)

“A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim


com tudo o que possuis adquire o conhecimento” (Pv 4.7)
ÍNDICE

CONTEÚÚ DO

I. DIVERSIDADE DE DONS 8
IDEIAS ERRONEAS ACERCA DOS DONS 9
O FALAR EM LÍNGUAS NA HISTÓRIA 27
Cessacionismo e o Falar em línguas 31

II. DIVERSIDADE DE MINISTÉRIOS. 47


O NASCIMENTO DOS MINISTÉRIOS NA IGREJA 47
ESTRUTURA ECLESIÁSTICA 48
GOVERNO NA IGREJA LOCAL 48

III. DIVERSIDADES DE OPERAÇÕES 67

IV. DIVERSIDADES DE MEMBROS 70

BIBLIOGRAFIA 71

Biografia do autor 74

A. Carlos G. Bentes Paá gina 2 2/10/2018


DIAIRESIOLOGIA

OPERAÇÕES

OPERAÇÕES

DONS DONS
DONS
MINISTERIAIS
ESPIRITUAIS MINISTERIAIS

A. Carlos G. Bentes Paá gina 3 2/10/2018


DIAIRESIOLOGIA
A DOUTRINA DAS DIVERSIDADES
DIAIRÉÇEIS KHARISMÁTŌN
DIAIRÉÇEIS DIAKONIŌN
DIAIRÉÇEIS ENERGUĒMATŌN

1Co 12.4-11: Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 5 E há


diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade de
operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7 Mas a manifestação do
Espírito é dada a cada um, para o que for útil. 8 Porque a um pelo Espírito é dada a
palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9 E a outro,
pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10 a outro a
operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a
variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. 11 Mas um só e o mesmo
Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
A palavra Diairesiologia ainda não existe nos nossos dicionários da língua
Portuguesa. Como a língua é viva tivemos a liberdade de criar esta palavra para melhor
definir o nosso estudo. Diairesiologia é a junção de diairéçis (διαιρέσεις), cuja tradução
é diversidade, com logia (λόγια) cuja tradução é discurso, expressão, linguagem;
estudo, ciência. Portanto diairesiologia é o estudo das diversidades.
Robert Charles Sproul nos dá uma boa definição da palavra diversidade:
Um dos problemas mais complicados encontrados pelo pensador antigo (que
continua complicado até hoje) era o da unidade e da diversidade, ou “do uno e do
múltiplo”. Era a questão de encontrar sentido no meio das diversas manifestações
da realidade: como todas as coisas se encaixam de modo que faz sentido?
Hoje em dia, quase sempre falamos do universo sem pensar muito. O termo
universo é meio híbrido, em que as palavras unidade e diversidade (o uno e o
múltiplo) misturam-se para formar uma palavra única. As instituições de ensino
superior são geralmente chamadas “universidades”, porque ali se estudam os
diversos elementos do universo. 1
A unidade dos dons espirituais está na Pessoa do Espírito Santo, pois os dons, que
são diversos, pertencem a ele, e a diversidade está nos membros do Corpo (Igreja) de
Cristo. Nós os membros deste Corpo somos os canais por onde a Manifestação
(fanerosis - φανέρωσις) flui. A corrente elétrica flui através dos fios, flui através do
filamento ou dos gases de uma lâmpada e então acontece uma manifestação – a luz. Da
mesma maneira, também, a energia divina flui através de nós, os membros, e acontece a
manifestação – os dons espirituais, os ministérios e as operações.

1
SPROÚL, R. C. Filosofia Para Iniciantes. Saã o Paulo: Editora Vida Nova, 2002, p. 16.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 4 2/10/2018
“Soberanamente o Espírito Santo distribui dons à sua Igreja. A Igreja é um corpo
de membros dotados por Deus, que funciona dentro do arcabouço da unidade e da
diversidade”.2
Fp 2.13: “Porque Deus é o que opera (energiza) em vós tanto o querer como o
efetuar (energizar), segundo a sua boa vontade”.
1Co 12.7: “Mas a manifestação (fanerosis - φανέρωσις) do Espírito é dada a cada
um, para o que for útil”.

A Trindade e a Doutrina das Diversidades:


1ª) DIVERSIDADE DE DONS. Mas o Espírito é o mesmo (1Co 12.4);
2ª) DIVERSIDADE DE MINISTÉRIOS. Mas o Senhor é o mesmo (1Co 12.5);
3ª) DIVERSIDADE DE OPERAÇÕES. Mas é o mesmo Deus que opera tudo
em todos. (1Co 12.6);
4ª) DIVERSIDADE DE MEMBROS: 1Co 12.13: “Agora, porém, há muitos
membros, mas um só corpo” (Leia: 1Co 12.12-27).
Cada diversidade está relacionada com cada Pessoa da Trindade:
Existe ainda uma quarta diversidade – a diversidade de membros. Esta está
relacionada simultaneamente com as três Pessoas da Trindade.
Mas o Senhor [Kurios] é o mesmo (1Co 12.5).
Kurios (também às vezes soletrados kyrios ou Kurios, κύριος do grego) é uma
palavra grega que pode ser aplicada a Deus, senhor, mestre, ou responsável. Na Grécia
antiga, uma mulher não podia entrar em um contrato de si mesma e arranjos foram
feitos por seu tutor ou Kurios. Para uma mulher solteira o Kuriosseria seu pai, e se
estivesse morto, os irmãos um tio ou parente seriam Kurios.
Em alguns casos, ao ler a Bíblia hebraica dos judeus seria substituir Adonai (meu
Senhor) para o Tetragrammaton (a representação por escrito do Nome de Deus), e eles
também podem ter substituído Kurios quando a leitura para um público grego (como na
Septuaginta tradução). Orígenes refere-se a ambas as práticas em seu comentário sobre
Salmos (2.2). A prática deveu-se ao desejo de não usar o nome de Deus. Exemplos
disso podem ser vistos em Philo. Em A Guerra Judaica (7.10.1) Josefo observou que os
judeus de língua grega se recusaram a chamar de Kurios o imperador. Para eles palavra
kurios era reservada para Deus.3
Kurios
2
SPROÚL, R. C. Ministeá rio do Espíárito Santo. 1ª ed. Saã o Paulo: Editora Cultura Cristaã , 1997, p. 157.
3
http://en.wikipedia.org/wiki/Kurio.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 5 2/10/2018
Os eventos históricos da Tanakh (Velho Testamento) se encerram com o livro de
Neemias, por volta do ano de 440 a.C. O último livro da Tanakh a ser escrito e editado
foi Crônicas. Em 1 Crônicas 3, há uma lista genealógica que vai até umas10 gerações
depois de Zorobabel, que daria uma data de aproximadamente 350 a.C. Em 333 a.C.,
Alexandre o Grande conquistou o Oriente Médio e impôs a cultura e a língua grega
sobre o povo da região.
Entre 280 e 130 a.C., rabinos eruditos que falavam grego traduziram a Tanakh
para o grego, produzindo assim o que passou a ser conhecido como a Septuaginta.
Tornou-se a versão mais confiável da Tanakh, e é aquela que foi citada pelos autores do
Novo Testamento. Na Terra Santa, desenvolveu-seuma tensão dinâmica entre a cultura
grega internacional e a cultura local hebraico-aramaica. Essa tensão ora cooperava para
o bem, ora para o mal.
A revolta dos macabeus começou em 166 a.C., e a dinastia hasmoneana na Judeia
permaneceu até a conquista da região pelos romanos liderados pelo general Pompeu,
em 63 a.C. Quando Yeshua nasceu, a Terra Santa era governada por Herodes (um
idumeu grego que se converteu ao judaísmo), que foi designado pelas autoridades do
império romano.
O apóstolo Paulo (Saulo) foi treinado tanto em estudos judaicos quanto em
gregos. Sua mudança de nome de Saulo para Paulo pode refletir a comissão divina de
levar o evangelho do mundo hebraico para a comunidade grega internacional. O texto
mais confiável da Bíblia é a Tanakh (Antigo Testamento) em hebraico e a Nova
Aliança (ou Novo Testamento) em grego.
A tensão entre o hebraico e o grego continuou nos primeiros anos da comunidade
da fé. Na manhã do dia de Pentecostes, os 120 discípulos que falavam hebraico
pregaram o evangelho a uma multidão de 3 mil pessoas, a maioria de origem
internacional (Atos 2.9-11). O número de discípulos cresceu, tanto entre as pessoas de
língua hebraica quanto entre as de língua grega.
“Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve
murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo
esquecidas na distribuição diária” (Atos 6.1).
O choque entre os dois grupos culturais causou problemas na comunicação, nas
finanças e na administração. Uma comissão foi escolhida dentre as pessoas de língua
grega (helenistas) para garantir que a logística fosse administrada corretamente (Atos
6.5). As questões relacionadas a identidade continuaram com o desenvolvimento da
igreja internacional (eclésia). A ordem era para pregar o evangelho primeiro para o
judeu, depois para o grego (Romanos 1.16; 2.10); ao mesmo tempo, judeus e gregos
têm a mesma posição diante de Deus (Gálatas 3.28).

A. Carlos G. Bentes Paá gina 6 2/10/2018


Experimentamos tensões semelhantes no Corpo do Messias em Israel hoje, pois
nossa língua oficial é hebraico, embora a população de novos imigrantes que não falam
hebraico e de visitantes internacionais seja maior do que o núcleo que fala hebraico.
Há um equilíbrio perfeito entre os aspectos internacionais e universais da fé e os
aspectos da fé relacionados às alianças com Israel.
Na mesma época, aproximadamente, em que a Tanakh estava sendo traduzida
para o grego, o povo judeu deixou de pronunciar o nome de YHVH (Iaweh). No fim, a
pronúncia foi esquecida e proibida. No lugar de YHVH, o termo “Adonai” começou a
ser usada, que é o plural da palavra “senhor”. Na Septuaginta, o nome YHVH foi
traduzido como “Kurios”, que também significa “senhor” em grego.
Portanto, aproximadamente no mesmo período da História, o nome YHVH
deixou de ser usado e foi substituído pelo nome Adonai no hebraico e Kurios no grego.
No tempo de Yeshua, não se usava mais YHVH, somente Adonai e Kurios. Todas as
citações de YHVH na Septuaginta e na Nova Aliança traduzem YHVH como Kurios.
Kurios é o mesmo que Adonai e YHVH.
Por isso, é impressionante observar que, na Nova Aliança, Yeshua é chamado de
Kurios. Isso é muito mais do que chamá-lo de “Senhor”. Significa chamá-lo Adonai. É
uma declaração ousada e inconfundível de sua divindade. Yeshua é Kurios-Adonai.
Essa declaração de fé chocava tanto as pessoas de língua hebraica quanto as de língua
grega.
Chamar Yeshua de Senhor-Kurios-Adonai é uma explosão nuclear na história da
fé, da religião e da revelação.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 7 2/10/2018


I. DIVERSIDADE DE DONS

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo”.


DIAIREÇEIS KHARISMATON - διαιρέσεις δὲ χαρισµάτων.
As classificações dos Dons:
1. Naturais - Vocações natas (talentos): São aquelas características que dão a
cada ser humano uma personalidade sem igual.

2. Espirituais - capacitações que o Espírito Santo nos dá para as realizações


daquilo que for útil, para proveito comum (1Co 12.7).

3. Ministeriais (diakonion) - a pessoa toda como Dom de Deus dado à Igreja, ao


Corpo; não dado à denominação, mas ao Corpo (Ef 4.11; 1Co 12.27,28).

DONS ESPIRITUAIS - O significado de Carismata (Kharismata - χαρίσµατα).


No Novo Testamento há uma palavra especial para dons espirituais - Carismata,
de onde deriva o adjetivo “Carismático”. Caris (χάρις), é a palavra que significa -
Graça. No grego clássico foi usada com o significado de “lindo”, “belo”, “encanto” e
por extensão “favor”, “bondade” e “gratidão” como resposta a uma dádiva.
Quando os escritores do Novo Testamento adotaram o termo CARIS,
empregaram-no para descrever o amor espontâneo, gracioso e imerecido de Deus
operando em Cristo Jesus. Caris ou Graça significa em primeiro lugar, o amor gratuito
e perdoador de Deus em Cristo para com os pecadores; e em segundo lugar, a operação
desse amor na vida dos Cristãos.
CARISMA ou Kharisma (χάρισµα), um substantivo singular derivado de CARIS,
significa literalmente “Dom de Graça”. Representa todos os dons espirituais possuídos
e manifestados pelos crentes em vários graus e formas. Significado este que está longe
do usado popularmente para expressar fascinação, atração ou magnetismo pessoal de
personagens de vida política ou cinematográfica.
Kharismata é a forma plural de Karisma, cujo significado é “Dons de Graça”.
Kharisma e Karismata ocorrem 17 vezes no Novo Testamento: 16 vezes nas
cartas paulinas e uma vez em 1Pe 4.10 (Rm 1.11; 5,15,16; 6.23; 11.29; 12.6; 1Co 1.7;
7.7; 12.4,9,28,30,31; 2Co 1.11; 1Tm 4.14; 2 Tm 1.6; 1Pe 4.10).

IDEIAS ERRONEAS ACERCA DOS DONS


A. Carlos G. Bentes Paá gina 8 2/10/2018
Alguns têm sido levados a crer que os dons do Espírito não são para nós hoje em
dia. Citam o texto de 1Coríntios 13.8 e dizem que “havendo línguas, cessarão”.
Contudo, o mesmo versículo diz que a ciência “desaparecerá”. Acaso isto já aconteceu?
Uma leitura cuidadosa do contexto deixa claro que estas operações imperfeitas cessarão
quando vier o que é perfeito. Isto será por ocasião da vinda de Cristo. Os dons foram
dados por Cristo à sua igreja - capacitações espirituais para uma guerra espiritual - e
seria loucura ignorá-los ou ir à batalha sem eles.
Muitas pessoas têm ideia errônea acerca da natureza desses dons. Alguns há que
acreditam que Deus dá a uma pessoa um ou mais desses dons e eles se tornam sua
propriedade exclusiva para ela proceder como lhe aprouver. Acreditam que essa pessoa
pode chamá-los à operação em qualquer tempo que quiser. Primeiro, notemos que 1Co
12.1 a palavra dons está escrita em itálico. Isto significa que ela foi colocada pelos
tradutores e não consta do texto original. Uma tradução mais literal seria: “A respeito
dos espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. O versículo 7 diz: “Mas a
manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” (RC). Outra versão diz:
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum” (RA).
São os Dons Irretratáveis(Rm 11.29)?
Romanos 11.29: “Pois os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”.
Primeiramente, o contexto de Romanos 11 se refere a Israel.
John MacArthur, em sua Bíblia de Estudo, acercado contexto do capítulo 11, diz
que “Nessa seção, Paulo responde à pergunta que, logicamente, surgiu de 10.19-
21: “Deus está colocando Israel de lado de modo permanente por ter rejeitado a
Cristo?”. O que está em questão é se é possível confiar que Deus manterá a sua
promessa incondicional a essa nação (cf. Jr 33.19-26)”.
Na mesma linha, Donald C. Stamps, na Bíblia de Estudo Pentecostal, argumenta
acerca do versículo 29: “Estas palavras se referem aos privilégios de Israel
mencionados em 9.4,5 e 11.26. O contexto desta passagem tem a ver com Israel e os
propósitos de Deus para aquela nação e não aos dons espirituais ou à vocação
ministerial relacionados com a obra do Espírito Santo na igreja (cf. 12.6-8; 1Co 12). A
chamada ministerial, o ingresso no ministério e permanência nele, tudo deve ser feito
segundo as qualificações do caráter pessoal e dos antecedentes espirituais do
indivíduo”.
Corroborando o argumento de Stamps, temos em 1Tm 3.1-9, por exemplo,
requisitos exigidos daqueles que aspiram ao pastorado e diaconato. Se há uma lista de
requisitos para que se assuma o cargo, entende-se que caso o pastor (ou diácono), após
sua ascendência ao ministério, deixe de cumprir os requisitos que foram necessários à
sua consagração, deverá também ser retirado de sua posição ministerial voltando a ser
simples membro da igreja à qual pertence.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 9 2/10/2018


Em segundo lugar, a tradução do texto não foi feliz ao colocar o adjetivo
“irrevogáveis” na passagem de Romanos 11.29 visto que a palavra utilizada no original
grego é ametamélētos (ἀμεταμέλητος) que significa “que não está arrependido de”,
mostrando claramente um equívoco no sentido do texto. Deus não se arrepender acerca
da concessão de um dom não deve ser entendido como sinônimo de que Deus não pode
retirar esse dom.
DONS GERAIS
1. Dom da justificação (Rm 5.15,16)
2. Dom da Vida Eterna (Rm 6.23)
3. Dom (?) (Rm 1.11; 1Tm 4.14; 2 Tm 1.6)
4. Dons Irretratáveis (Rm 11.29)
5. Dom do Celibato (1Co 7.7) “O dom de celibato é aquela capacidade especial
que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para permanecerem solteiros e
apreciarem a sua condição; para continuarem solteiros e não sofrerem tentações sexuais
insuportáveis” (Peter Wagner).
6. Dom da Intercessão (2Co 1.11): “É a capacidade especial que dá a certos
membros do Corpo de Cristo para orar extensos períodos de tempos sobre bases
regulares, recebendo respostas freqüentes e específicas para as suas orações, em grau
muito maior do que aquilo que se espera do crente comum” (Peter Wagner).
2Co 1.11: “Contando também com a ajuda das vossas orações por nós, para que,
pelo favor (dom) que nos foi concedido pela intercessão de muitos; da mesma forma,
por muitos, sejam oferecidas ações de graças a nosso favor” (King James).
7. Dom do Martírio (1Co 13.3) “O dom do martírio é aquela capacidade
especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para suportarem
sofrimentos e até a própria morte pela fé, ao mesmo tempo em que exibem
coerentemente uma atitude jubilosa e vitoriosa, que redunda na glória de Deus” (Peter
Wagner).
8. Dom de Hospitalidade (1Pe 4.9,10) “O dom de hospitalidade é aquela
capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para
franquearem suas casas e acolherem calorosamente àqueles que precisam de alimento e
abrigo.” (Peter Wagner)
9. Dom de Exorcismo: “É aquela capacidade especial que Deus dá a certos
membros do Corpo de Cristo, para que expulsem demônios e espíritos malignos” (Peter
Wagner). Ex:.At 16.16-18.
Dr. Peter Wagner catalogou 27 dons espirituais, mas nos prenderemos apenas a
estes de Rm 12.6-7 e 1Co 12.8-10. (Leia: Descubra Seus Dons Espirituais - Dr. Peter
Wagner).
DONS CONGREGACIONAIS OÚ MANIFESTAÇOÕ ES

ROMANOS 12.6-8 1CORÍNTIOS 12.8-10

A. Carlos G. Bentes Paá gina 10 2/10/2018


1. Profecia 1. Palavra da Sabedoria
2. Serviço 2. Palavra do Conhecimento
3. Ensino 3. Fé
4. Exortação 4. Dons de Curar
5. Contribuição 5. Operações de Milagres
6. Governo 6. Profecia
7. Exercício de Misericórdia 7. Discernimento de espíritos
8. Variedades de línguas
9. Interpretação de línguas

1. PROFECIA (Rm 12.6; 1Co 14.3; 12.10) – PROFĒTEIA (προφητεία).


Significa falar aos homens para a Edificação, Exortação e Consolação;
Definição: É a capacidade dada por Deus para profetizar uma mensagem de Deus
em língua conhecida, que você recebeu diretamente do Espírito Santo para aquela
situação específica. O exercício do dom inclui tanto enunciação como prenúncios.
2. SERVIÇO – DIAKONIA (διακονία). Geralmente o termo significa o cuidado
das necessidades físicas (At 6.1,2; 1Pe 4.11; Lc 22.24-27; Mt 20.27,28) - “O dom do
serviço é aquela capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo
para que identifiquem necessidades não-satisfeitas envolvidas em alguma tarefa ligada
à obra de Deus e para usarem os recursos disponíveis para satisfazerem a essas
necessidades e ajudarem a cumprir os alvos desejados” (Peter Wagner).
3. ENSINO – DIDASKŌ (διdάσκω). Este dom tem por finalidade instruir e
consolidar outros na Verdade do Evangelho. “O dom do ensino é aquela capacidade
especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para comunicarem
informações relevantes para a saúde e o ministério do Corpo e seus membros, de tal
modo que outros crentes possam aprender” (Peter Wagner).
4. EXORTAÇÃO – PARAKALÉŌ (παρακαλέω). O Termo grego (παρακαλῶν -
parakalōn) deriva de outro, PARAKLETOS, que significa “ir em socorro de alguém”
em qualquer necessidade que apareça. Encorajamento ou conforto é aplicação deste
dom. “O dom da exortação é aquela capacidade especial que Deus dá a certos membros
do Corpo de Cristo para ministrarem palavras de consolo, encorajamento e conselho a
outros membros do Corpo de Cristo, de tal maneira que se sintam ajudados e curados”
(Peter Wagner).

A. Carlos G. Bentes Paá gina 11 2/10/2018


5. CONTRIBUIÇÃO – METADIDUS (μεταδιδοὺς). Metadidōmi (μεταδίdωμι)
significa dar, compartilhar com alguém (2Co 9.7). “É aquela capacidade especial que
Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para que contribuam com seus recursos
materiais para a obra de Deus, com liberalidade e bom ânimo” (Peter Wagner).
6. LIDERANÇA. PRESIDIR - PROÏSTÁMENOS (προϊστάµενος). Proístemi
(προϊστημι) significa estar em primeiro lugar, presidir, governar, tomar o comando ou
diretiva de qualquer grupo. Dr. Peter Wagner faz diferença entre este dom (Rm 12.8) e
o outro citado em 1Co 12.28. Sua definição do dom de liderança é: O Dom de
Liderança é aquela capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de
Cristo para estabelecer alvos harmônicos com o propósito de Deus para o futuro,
transmitindo esses alvos a outros de tal modo que, voluntária e harmoniosamente,
operem juntos para concretizar aqueles alvos para a glória de Deus. Já a definição de
Peter Wagner do Dom da Administração é a seguinte: “É aquela capacidade especial
que Deus dá a alguns membros do Corpo de Cristo, capacitando-os a entender
claramente os alvos imediatos e a longo prazo de alguma unidade particular do Corpo
de Cristo, a fim de traçar e executar planos eficazes para a concretização daqueles
alvos”. Para Peter Wagner, pastores como o Dr. David Yonggi possuem o Dom da
Liderança, e outros pastores locais podem não possuir este dom, todavia podem possuir
o Dom da Administração e serem bem sucedidos em suas igrejas menores. A palavra
usada em 1Co 12.28 é KYBERNĒRSEIS (κυβερνήσεις) de kybérnēsis (κυβέρνησις)
que significa a ação de pilotar um navio. E a palavra usada em Rm 12.8 – proístemi
(προϊστημι) significa chefiar, presidir e governar.
7. MISERICÓRDIA, COMPAIXÃO - ELEÕN (ἐλεῶν - ἐλεάω) (Lc 7.13; Mc
6.34). O que tem este dom sente alegria, tem empatia, se compadece da dor do
próximo, é misericordioso para com os irmãos, ajuda quem não tem condições de
ajudar-se a si mesmo. O dom de misericórdia move as ações sociais mais sublimes.
Fazer ação social apenas em nome de modas político-ideológicas não alcança sucesso
que tal missão atinge quando é o resultado da ação do Espírito Santo movendo o
coração humano em compaixão e misericórdia.
AS MANIFESTAÇÕES (1Co 12.8-10) - OS DONS DE REVELAÇÃO
8. A PALAVRA DA SABEDORIA. LOGOS SOFIA - λόγος σοφίας (1Co 12.8).
Primeira Definição: É uma comunicação não adquirida e sobrenatural de um
fragmento da Sabedoria Total e Absoluta de Deus, para satisfazer uma necessidade
específica, responder a um desafio determinado ou utilizar uma porção específica de
conhecimento.
Segunda Definição: É a aplicação sobrenatural do Conhecimento. É saber o que
fazer com o conhecimento natural ou sobrenatural que Deus lhe deu.
Terceira Definição: É a capacidade de raciocinar e de planejar com o uso do
conhecimento e da experiência já adquiridos.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 12 2/10/2018
Tipos Diferentes de Sabedoria:
1. Sabedoria Natural Humana;
2. Sabedoria Sobrenatural deste mundo decaído (Gn 3.6; Dn 2.27,28);
3. Sabedoria Intelectual Verdadeira. Esta sabedoria vem pelo temor ao Senhor e à
Palavra de Deus. Exemplo: Os livros de Provérbios e a Sabedoria de Salomão;
4. O dom da Palavra da Sabedoria.
Sobre o Dom da Palavra da Sabedoria, as pessoas, às vezes chamam este dom de
“O Dom da Sabedoria”. Isto não é correto, devemos dar a ele o nome que a Bíblia lhe
dá; de outra forma, ficaremos confusos. Este Texto Bíblico não está falando a respeito
da sabedoria no sentido geral. Está falando exatamente naquilo que diz - A Palavra da
Sabedoria.
Deus possui toda a Sabedoria e todo o conhecimento. Ele sabe tudo, mas nunca
revela a ninguém tudo quanto sabe. Ele simplesmente lhes dá uma Palavra daquilo que
Ele sabe. Uma palavra é uma parte fragmentária da frase. E assim acontece com a
Sabedoria. Não é Dom da Sabedoria, é o Dom da Palavra da Sabedoria que Deus revela
ao homem - apenas a Palavra, ou a parte, que Ele quer que o homem saiba.
De acordo com a Rev. Caio Fábio D'Araujo Filho este dom se manifesta em três
circunstâncias específicas:
1) Diante de situações de dificuldades. Em Lc 21.14,15, Jesus diz que quando os
discípulos se encontrassem em apuros na presença de autoridades, Ele lhes daria
sabedoria, à qual ninguém poderia resistir. Foi o caso de Estevão, em At 6.8-10, que
falava com tanta sabedoria que ninguém podia opor-lhe resistência.
2) Em questões de divisões dentro da Igreja. 1Co 6.5 diz que o sábio no meio da
irmandade é aquele que tem uma palavra pacificadora, apazigua ânimos, reaproxima
irmãos, acalma situações, encontra sempre um modo de reconciliação para cada coisa.
3) Manifesta-se antes de tudo nas atitudes. É o que diz Tiago no capítulo 3 verso
l3 à 18.
Dick Iverson diz que este Dom manifesta-se das seguintes maneiras:
1) Pelo Espírito no nosso interior, ou poderíamos dizer, por intuição espiritual:
ouvir, com os ouvidos espirituais a voz do Espírito (Rm 8.16);
a) At 16.6-8. Aqui o Espírito proibiu que Paulo fosse a Bitínia.
b) 1Rs 3.16-28. Salomão, lidando com as duas prostitutas, é um exemplo
perfeito da aplicação deste dom.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 13 2/10/2018


c) 2 Sm 12.1-14. Aqui vemos que o profeta Natã não somente tinha
conhecimento sobrenatural, mas também sabedoria e direção sobrenaturais na aplicação
deste conhecimento.
d) At 8.20-23. Pedro viu o coração de Simão como um livro aberto, e pelas
palavras do conhecimento e da sabedoria, lidou com ele.
2) Como aplicação bíblica revelada, isto seria uma “palavra vivificada do
Senhor” para uma situação específica. A palavra específica dada por Deus quando o
pregador está pregando realmente atinge o alvo.
a) At 1.15-23. Enquanto Pedro e o resto dos 120 estavam em oração, Deus
abriu o seu entendimento quanto ao que deveria ser feito. Ele o fez, vivificando uma
passagem bíblica a Pedro. Ele usou o Salmo 109, onde Davi estava fazendo uma oração
imprecatória contra os seus inimigos.
b) At 2.14-36. A palavra da Sabedoria estava também envolvida aqui, na
revelação da passagem do Velho Testamento a Pedro (Jl 2.28,29).
c) At 15.13-18. Aqui Tiago recebeu sabedoria e revelação em relação a uma
passagem do Velho Testamento (Am 9.11,12), o que ajudou a trazer a solução a um
problema muito delicado e difícil na Igreja primitiva.
3) Através de uma voz audível ou de um anjo: 1Rs 19.12-18; At 8.26-29; At
9.10-17; At 27.21-24;
4) Através de Sonhos, Visões ou Arrebatamento de Sentidos: At 18.9,10;
16.9,10; 22.17-21; At 10.1-6.
De acordo com Kenneth E. Hagin A Palavra da Sabedoria pode também vir
através do dom vocal da profecia, ou das línguas e da interpretação.
Kenneth Hagin diferentemente de Caio Fábio e Dick Iverson faz uma separação
entre a Sabedoria narrada por Tiago (Tg 1.5; 3.13-17) e o Dom da Palavra da
Sabedoria. Diz Kenneth:” A sabedoria à qual Tiago se refere é a sabedoria para lidar
sabiamente com as questões da vida - a sabedoria está à disposição de qualquer um que
pedir. Deus realmente outorga sabedoria, mas esta não é a manifestação sobrenatural da
Palavra da Sabedoria.
Escrevendo aos crentes, Tiago disse que se Algum de vós tem falta de sabedoria,
peça a Deus, que a TODOS dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Paulo,
porém, disse (1Co 12.8): A um é dada a palavra da Sabedoria - a um; não a Todos, mas
a UM. Isso dá a entender que nem todos terão essas manifestações dos dons espirituais
do Espírito Santo. Paulo termina, dizendo que as manifestações do Espírito Santo são
dadas somente segundo o Espírito quer.
Exemplos Bíblicos do dom da Palavra da Sabedoria:
1) José (Gn 41)
A. Carlos G. Bentes Paá gina 14 2/10/2018
2) Jaaziel (2 Cr 20.12-23)
3) Natã (2 Sm 12.1-14)
4) Paulo (At 23.6-10)
5) Jesus (Lc 4.3-14; 7.22; Jo 4.9-26; Mt 22.15,41-46)
6) Estevão (At 6.8-10)

9. A PALAVRA DO CONHECIMENTO - logos gnōseōs (1Co 12.8)


λόγος γνώσεως = LOGOS GNÕSEÕS
1ª) Definição: É a capacidade dada por Deus, por revelação, de receber fatos e
informações que são humanamente impossíveis de se conhecer.
2ª) Definição: É a revelação sobrenatural dos fatos passados presentes ou futuros
que não foram aprendidos mediante esforço da mente natural.
3ª) Definição: É a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de
Deus, mas que o homem, devido às suas limitações, não pode conhecer, a não ser pela
intervenção poderosa do Espírito Santo.
4ª) Definição: É uma revelação que vem como relâmpago à mente humana,
apesar de estar totalmente fora do alcance daquilo que o homem poderia ter sabido ou
imaginado, dentro das suas próprias limitações.
Este Dom não é o conhecimento que vem através da habilidade natural,
observação, estudo, educação ou experiência. O Dom da Palavra do Conhecimento vem
do Espírito Santo. Todo outro conhecimento vem ou passa primeiro pela mente
faculdade da alma. Todavia a Palavra do Conhecimento vem do Espírito Santo ao nosso
espírito humano, Deus comunica-se conosco por meio de nosso espírito, não através de
nossa alma (Rm 8.16).
Quatro Tipos de Conhecimento:

1. Conhecimento Humano Natural que certamente está aumentando (Dn 12.4).


Por importante que este conhecimento seja, muitas vezes cria tanto orgulho que
algumas pessoas são impedidas de entrar no Conhecimento do Senhor (1Co 2.14; 8.1).

2. O Conhecimento Sobrenatural deste mundo decaído. É a tentativa da mente


natural de conseguir informação por meios sobrenaturais que não mediante o Espírito
Santo. Inclui o oculto, o psíquico e as investigações “metafísicas” que Satanás está
usando para enganar um número crescente de pessoas hoje. Exemplo: O programa da
Rede Bandeirantes de Televisão - Terceira Visão.

3. O Conhecimento Intelectual Verdadeiro - É o que vem pelo conhecimento


pessoal de Deus mediante Jesus Cristo (Jo 17.3; Fp 3.10; 1Pe 3.18), a Plenitude do
Espírito Santo, e o estudo da Palavra de Deus, que traz o conhecimento da vontade de
A. Carlos G. Bentes Paá gina 15 2/10/2018
Deus e de seus modos, para os quais não há substituto (Sl 103.7; Ex 33.13; Is 11.9; Hc
2.14).
4. O Dom - A Palavra do Conhecimento - É a revelação sobrenatural pelo
Espírito Santo de certos fatos existentes na mente de Deus.
O Dom A Palavra do Conhecimento é manifestado: através de visões e de uma
revelação interior (At 9.10-12; 10.9-20; Jo 4).

Também podemos adicionar: com que propósito este dom é usado? Pode ser o
conhecimento dos pensamentos dos corações. Ex: Lc 5.22; 6.8; 7.36-50; Mt 3.7-12;
1Rs 21.17-20; Jo 11.11-14; At 11.27-30; 9.10-18; 10.1-9; 1Rs 6.9; 2Rs 5.20-27; At 5.1-
10.

Exemplos Bíblicos da Palavra do Conhecimento:


1) Samuel: 1 Sm 3.1,11-14; 9.15-20; 10.21-23; 13.14
2) Natã: 2 Sm 12.7-13
3) Elias: 1Rs 19.2-4,14,18
4) Eliseu: 2Rs 5.25,26; 6.8-23; 8.7-15
5) Daniel: Dn 2.19-45
6) Pedro: Mt 16.16-18; At 5.1-11; 10.9-23
7) Ananias: At 9.10-12,17
8) Ágabo: At 11.27-30; 21.10,11
9) Jesus: Jo 11.11-14; 4.17,18; 1.48; 13.38; 6.61
10) José: Gn 40.5-19; 41.1-36
11) Paulo: At 16.16-18; 20.29-31; 27.23,24

Lembrete: o fato de que algo seja revelado não significa, que ele deva ser
proferido imediatamente, ou até mesmo mais tarde. Uma palavra de conhecimento,
muitas vezes, vem inesperadamente, e tem freqüentemente, o propósito de nos levar à
oração com relação ao que Deus nos mostra. Ela pode envolver uma necessidade na
vida de um parente, de algum crente, ou de uma igreja local.
“A Palavra do Conhecimento” pode ser recebida através de uma revelação
silenciosa e a pessoa que recebeu esta manifestação deve pedir a Deus que lhe mostre o
que fazer com ela.
A palavra do conhecimento também pode ser usada para revelar doenças ou
possessão demoníaca (At 16.16-18).

10. O Dom do Discernimento de Espíritos.


É a capacidade dada por Deus por revelação, de reconhecer que espíritos estão
por detrás de diferentes manifestações ou atividades (At 16.16-18). Na dimensão
espiritual há espíritos divinos tanto quanto espíritos malignos.
Tipos de Discernimentos:
1. Discernimento Natural;
A. Carlos G. Bentes Paá gina 16 2/10/2018
2. Discernimento Intelectual Verdadeiro (1Co 2.15,16);
3. Discernimento Sobrenatural Falso;
4. O Dom do Discernimento de espíritos.

As manifestações espirituais podem ter três fontes:


1) Natural - oriunda do Psiquê do homem.
2) Diabólica - oriunda de espíritos malignos.
3) Divina - oriunda do Espírito Santo.

É com o Dom de Discernir que podemos saber a origem das manifestações.


OS DONS DE PODER
1) Fé;
2) Operações de Milagres;
3) Dons de Curar.
Estes dons se operam na esfera física. São dons ativos que produzem sinais e
maravilhas (At 4.29,30; Hb 2.4; Mc 16.20).

11.O DOM DA FÉ. É o maior dos três dons de poder. É um dom do Espírito para
o crente, para que este possa realizar milagres. Quando se opera o Dom da Fé, é a Fé
concedida por Deus que funciona através dos homens (At 3.16).
Definição: Fé é o equipamento espiritual e sobrenatural do crente, para lhe
conceder o poder sobrenatural de confiar em Deus nas ocasiões em que só um milagre
glorioso poderia alterar a situação; confiar quando tudo está aparentemente perdido;
confiar quando não há a mínima esperança de uma solução.

Existem dois tipos de Fé:


1ª) Natural- Oriunda da alma, da psiquê, do intelecto.
2ª) Sobrenatural- Oriunda do Espírito Santo e pelo poder da Palavra de Deus.

TIPOS DE FÉ SOBRENATURAL:
1ª) Fé Salvadora. Esta é aquela resposta de Fé inicial a Deus, a qual nos
introduz no reino de Deus. Ela é a habilitação de Deus a uma pessoa para que esta o
Aceite e creia Nele (Jo 1.12; Gl 2.8,9; At 16.31; Rm 10.8-17; 12.3; Hb 11.1,6). O
veículo de Deus para nos salvar foi a Graça; nosso veículo em aceitá-la é a Fé ou uma
resposta de receptividade à sua Graça.
2ª) Fé como Fruto do Espírito Santo. Esta é a Fé gradativa, cada vez que
crescemos na Graça e no Conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Fé como
qualquer árvore cresce (Gl 5.22).
3ª) O Dom da Fé. É a habilidade dada por Deus de se crer Nele para o
impossível numa determinada situação. Ele não é tanto a Fé geral que crê em Deus para
suprir as nossas necessidades, etc, mas ele vai um passo além, onde “simplesmente
sabemos” que uma determinada coisa é a vontade de Deus e que vai acontecer.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 17 2/10/2018


Caio Fábio define este dom dizendo: É a possibilidade de discernir os propósitos
de Deus para o futuro, mesmo que as coisas se desencadeiem em condições
desfavoráveis no presente. Os que possuem tal dom são responsáveis por ver além da
nuvem (1Co 12.9; Mc 11.22,23). Exemplos: Mt 8.1-3; 11.11-14,23-43; Jo 9.1-7; Mc
1.31; At 3.1-7; 5.1-10; 16.16-18; 20.7-12; 27.21-25; 1Rs 17.1,14; 2Rs 1.10-14; 2.23-
24; 3.16-20; 6.18; Nm 27.18; Dt 34.9; Js 10.12-14; At 13.8-11; 14.8-10.
Kenneth E. Hagin dá seis manifestações para o Dom da Fé:
1ª) O Dom da fé para Bênçãos Sobrenaturais. Os patriarcas impunham as mãos
sobre os filhos e ordenavam bênçãos sobre os filhos e muitas vezes estas bênçãos se
realizavam anos depois. Vemos isto nas vidas de Abrão, de Isaque, e de José.
2ª) O Dom da Fé para a Proteção Pessoal (Dn 6.16,17,19-23).
3ª) O Dom da Fé para Sustento Sobrenatural ( 1Rs 17.2-6).
4ª) O Dom da Fé para Ressuscitar os Mortos. Segundo relata Albert Hibbert o
grande evangelista Smith Wigglesworth ressuscitou 14 pessoas durante o seu
ministério. Para a ressurreição de mortos os três dons de poder entram em ação. O Dom
da Fé, o dom Operações de Milagres e os Dons de Curar.
5ª) O Dom da Fé para a Expulsão de Demônios (Mc 16.17). Na operação deste
dom para expulsão de demônios muitas vezes outros dons entram em ação como os
dons de Discernir os espíritos e a Palavra do Conhecimento. (At 16.16-18).
6ª) O Dom da Fé para ministrar o Espírito Santo (Gl 3.5). Esse dom da Fé entra
em operação na imposição das mãos para as pessoas receberem o Batismo no Espírito
Santo (At 9.17,18; 8.15-19; 19.6).

12. OPERAÇÕES DE MILAGRES (ENERGĒMATA DYNAMEŌN).


(SINAIS)
Energēmata dynámeōn = ἐνεργήµατα δυνάµεων.
O milagre é intervenção sobrenatural na função normal da natureza; a suspensão
temporária da ordem habitual; a interrupção do sistema natural observado pelos
homens.
“O milagre é um acontecimento que não parece ser parte nem resultado de
nenhuma lei ou agências naturais, e é muitas vezes atribuído a uma fonte sobre natural
ou divina”.4
“Quando se realiza um milagre, as leis da natureza não são violadas, mas
substituídas num ponto especial por uma manifestação mais elevada da vontade de
Deus. As forças da natureza não são aniquiladas ou suspensas, mas contrabalançadas
num determinado ponto por uma força superior aos poderes da natureza” (L. Berkhof).5
A palavra “dynamis” (δύναµις) aparece 119 vezes no Novo Testamento. Esta
palavra em 1Co 12.10 - Dynamis é traduzida milagre, todavia nos outros textos é
traduzida por milagre, obra poderosa, poder, força, poderoso, virtude e de diversas
formas em outras versões. Energēmata (ἐνεργήµατα) plural de enérgēma (ἐνέργηµα)
vem de energuéō – energizar (ἐνεργέω) que dá origem a palavra energia em Português.
4
JETER, Huhg. Pelas Suas Pisaduras. Editora Vida, 1980, p.70.
5
Ibid.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 18 2/10/2018
O Novo Testamento emprega três palavras gregas diferentes para expressar
“milagres”:
1. Téras (τέρας). Que significa prodígio, presságio ou maravilhas;
2. Dynamis (δύναµις). Que significa poder miraculoso;
3. Sēmeion (σηµεῖον). Que significa milagres, símbolo, sinal ou maravilha.

O apóstolo João empregou de forma consistente a palavra sēmeion para


descrever as obras de Cristo. Este emprego encarece o valor de “sinal” dos milagres. O
sinal não é importante em si mesmo, mas para o que ele ressalta ou indica. Dessa
forma, os milagres de Cristo foram importantes por aquilo para o qual apontavam.6
João selecionou somente sete milagres de um número muito maior e os registrou
tendo em vista um propósito definido: “Jesus, na verdade, operou na presença de seus
discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém,
estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo,
tenhais vida em seu nome”. Portanto, uma das principais finalidades dum milagre é
levar as pessoas a crerem que Jesus Cristo é o filho de Deus, o Salvador do mundo, de
modo que crendo possam ter a vida eterna por intermédio dele.7
Nicodemos disse a Jesus: “sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém
pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2).
Pedro no seu sermão no dia de Pentecostes disse: “Varões israelitas, escutai estas
palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres,
prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem
sabeis” (At 2.22).
Jesus citou suas obras miraculosas como prova de sua missão messiânica aos
mensageiros de João Batista: “Ora, quando João no cárcere ouviu falar das obras do
Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou
havemos de esperar outro? Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis
e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos
ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.2-
5).
Os discípulos do Senhor receberam a Grande Comissão de levar o Evangelho ao
mundo todo. Foi-lhes dito que sinais maravilhosos acompanhariam aqueles que
cressem: “E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão
demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa
mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão
curados. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à
direita de Deus. Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o
Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam” (Mc 16.17-20).
6
JETER, Huhg. Pelas Suas Pisaduras. Editora Vida, 1980, p. 72.
7
Ibid. p. 72.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 19 2/10/2018
Na carta aos Hebreus, lemos: “testificando Deus juntamente com eles, por sinais e
prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua
vontade” (Hb 2.4). 8

Cremos que a Grande Comissão é ainda obrigação dos cristãos atuais. Se a ordem
está em vigor, o poder para cumprir a ordem ainda deve estar disponível. O Espírito
Santo foi enviado para estar conosco sempre. Por certo seus dons de poder serão
sempre concedidos aos que sinceramente confiam nele para obter essas capacitações
divinas. Os dons do Espírito são desejáveis para um ministério efetivo aos enfermos. 9
Os milagres internos: Ef 1.17-19; 3.16-20; Fp 3.10; Cl 1.11.
Os milagres externos: At 1.8;3.12; 4.7; 4.33; 6.8; 8.10; Mc 16.17-20; João 14.12-
20.
Alguns Milagres do Velho Testamento:
1. A divisão do mar vermelho (Ex 14.21-31).
2. A parada do Sol e da Lua (Js 10.12-14).
3. A farinha e o óleo não esgotaram ( 1Rs 17.8-16).
4. A descida de fogo no monte Carmelo ( 1Rs 18.17-39).
5. O regresso de 10 graus no relógio do sol (2Rs 20.8-11).
6. A divisão das águas do rio Jordão (2Rs 2.9-14).

Alguns Milagres do Novo Testamento:


1. A transformação da água em vinho (Jo 2.1-11)
2. Andando sobre as águas (Mt 14.25-33).
3. Alimentando a multidão (Mc 6.38-44; Mt 15.19-39).
4. Acalmando a Tempestade (Mc 6.45-52).
5. Pescando aonde não havia peixe (Jo 21.5-12).
6. Pedro encontrando dinheiro na boca do peixe (Mt 17.27).
7. A libertação dos apóstolos e outros (At 12.1-17; 16.25-40; 5.17-25).
8. A transladação de Felipe de Gaza a Azoto (At 8.39-40). Azoto fica 32 Km ao
norte de Gaza.
9. A cegueira temporária de Elimas (At 13.8-12).
10. Paulo picado pela cobra nada sofreu (At 28.3-6).

Os milagres devem acompanhar a pregação do Evangelho (Mc 16.15-20; 1Co


2.1-5).
A Operação de Milagres é usada para demonstrar o Poder e a Grandeza de Deus.
A palavra grega, segundo o dicionário significa “explosões de onipotência”. Dynamis é
energia ou poder de Deus. Paulo pregou não somente em palavra, mas em Poder
(dynamis) - (1Ts 1.5). Não podemos ser bem sucedidos se Deus não cooperar conosco
8
Ibid. p.73.
9
Ibid. p.73.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 20 2/10/2018
com sinais e prodígios. Devemos orar pedindo poder para pregarmos a Palavra com
intrepidez e que o Senhor coopere conosco estendendo a Sua mão para fazer curas,
sinais e prodígios por intermédio do Nome de Jesus (At 4.29,30).

MILAGRES NECESSÁRIOS HOJE 10

O poder sobrenatural de Deus manifesto nas curas miraculosas dos enfermos é de


grande necessidade no mundo céptico de nossos dias. Há muitos “Nicodemos” hoje que
necessitam ser convencidos por tais demonstrações do poder do Deus vivo. Todavia,
está em ordem uma palavra de advertência àqueles que buscam ser usados por Deus
dessa forma. Deveríamos tomar todo cuidado para evitar o aspecto “mágico” na busca
do “miraculoso”. Deus executa muitos milagres que não são “espetaculares”.
Deveríamos lembrar-nos sempre de que a prova de um verdadeiro milagre de Deus é:
“Que benefício este milagre traz?” Um milagre (semeion) deveria sempre apontar para
o operador do milagre, Jesus Cristo, e não para aquele que simplesmente serve de
instrumento nas mãos de Deus.
O fato de haver tantos milhões de sofredores ao nosso redor, que necessitam de
experimentar a cura que só Cristo pode dar, constitui grande motivação para buscar os
dons de curas e de milagres. Não obstante, é muito fácil aos nossos corações enganar-
nos pensando que nossos motivos são puros, quando existe grande porcentagem de
egoísmo em nossos pensamentos mais íntimos. Desejamos publicidade, fama,
multidões e talvez mesmo a recompensa financeira que tal ministério provavelmente
possa trazer. Um orador pode atrair centenas de pessoas, enquanto um “operador de
milagres” atrairia milhares. E difícil manter a vitória sobre o êxito. A intoxicação
causada pela multidão pode resultar em sério dano espiritual. Devemos estar seguros de
que possuímos os motivos certos - compaixão pelos enfermos no corpo e na alma, e um
sincero desejo de ver que nosso maravilhoso Salvador receba toda a glória que tão
ricamente ele merece.
13. DONS DE CURAR - KHARISMATA IAMATON (Mt 10.1,8; Mc 16.16-
18; Mt 8.3). KHARÍSMATA IAMÁTŌN (χαρίσµατα ἰαµάτων).
Definição: O Dom de Curar é a habilidade dada por Deus de Se transmitir a cura
ao corpo físico em ocasiões específicas. Ele é acompanhado por uma medida de dom da
Fé, muitas vezes pelo dom do conhecimento. Ele envolve a transmissão desta Fé à
pessoa que necessita da cura, o que a levanta do campo da dúvida e incredulidade, e faz
com que as pessoas se apropriem da cura. Deus energiza o crente e então há a
manifestação do Espírito Santo para a cura. A Fé pode ser do doente, do parente ou
amigo do doente ou do próprio crente que ora (Lc 5.17-20). O propósito dos dons de
curar é libertar os enfermos e destruir as obras do Diabo no corpo humano (At 10.38).
10
JETER, Huhg. Pelas Suas Pisaduras. Editora Vida, 1980, p.74.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 21 2/10/2018
DONS DE CURAS E DE OPERAÇAO DE MILAGRES
Um estudo da doutrina da cura divina não estaria completo sem um exame
cuidadoso dos dons do Espírito Santo, especialmente os de curas e de milagres. Paulo
escreveu à igreja de Corinto: “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que
sejais ignorantes” (1Coríntios 12:1). Infelizmente, muitos dos filhos de Deus hoje
parecem estar muito desinformados quando se trata de dons espirituais. E.S. Williams,
referindo-se ao propósito dos dons espirituais, diz: “São capacitações espirituais com o
propósito de edificar a igreja de Deus. Também são concedidos como sinais para a
confirmação da Verdade ao mundo”.
“Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e
confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam” (Mc 16.20).
Há milagres de muitos tipos diferentes registrados na Bíblia. Houve os tipos de
milagres onde não havia cura, tais como a separação das águas do mar vermelho e as do
rio Jordão, a descida de fogo do céu para consumir o sacrifício sobre o altar no monte
Carmelo, a provisão de água da rocha e o maná vindo do céu. Houve também muitos
milagres de cura realizados pelo Senhor Jesus e por seus seguidores.

Muitas curas parecem ser miraculosas. Qual a diferença, se houver alguma, entre
os dons de curar e o dom de operações de milagres? Já observamos que alguns milagres
nada têm que ver com a cura física. Há os crêem que os milagres devem ser
instantâneos embora a cura (mesmo a divina) pudesse tomar tempo para sua
completação.

Há três ministérios associados com a cura física:


1. Evangelista: Ef 4.11; At 8.4-8;
2. Operadores de Milagres: 1Co 12.28;
3. Dons de Curar: 1Co 12.28.

Há três dons do Espírito associados com a cura física:


1. Os dons de curar;
2. Operações de Milagres;
3. Fé.

OS DIFERENTES NÍVEIS DE CURA:


1. Instantânea: Mt 8.3 “E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Eu
Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da lepra”.
2. Paulatina: A cura de um cego em Betsaida: Mc 8.22-26.
3. A Ceia Do Senhor: Aquele que participa dignamente da Ceia do Senhor
muitas vezes recebe curas físicas (1Co 11.25-32).
4. A Imposição de Mãos (Mc 16.16-18; At 19.11; Mc 6.5; At 5.12; 14.3).
5. Através da Palavra Falada (Sl 107.20; Lc 7.1-10; Jo 4.43-53; 5.1-9).
6. Os trajes de Jesus; A sombra de Pedro (Mc 6.56; Mt 9.20-22; At 5.15,16).
7. Os lenços e Aventais de Paulo (At 19.11,12).
A. Carlos G. Bentes Paá gina 22 2/10/2018
Que tipo de curas o Senhor Realizou?
1. Cegueira: Mt 12.22; 15.30; 21.14; Mc 10.46-52; Lc 7.21;
2. Surdez: Mc 9.25-27; Mt 11.5;
3. Possessão demoníaca: Mt 4.24; 8.16,28-34; 9.32,33; 12.22; 15.22-28; 17.18;
Mc 1.32-34,39; 7.26-30; 16.9; Lc 4.41; 8.2; 26.36; 9.42; 11.14; 13.32;
4. Hidropisia: Lc 14.2-4;
5. Mudez: Mt 12.22; 15.30; Mc 9.17-27;
6. Orelha restaurada: Lc 22.51;
7. Febre: Mt 8.14,15;
8. Hemorragia: Mc 5.25,29; Lc 8.43-48;
9. Corcunda: Lc 13.11-13;
10. Incapacitado: Jo 5.5-9;
11. Coxeadura: Mt 15.30; 21.14;
12. Lepra: Mt 8.2,3; Lc 5.12,13; 17.12-14;
13. Lunático: Mt 4.24;
14. Aleijados: Mt 15.30,31;
15. Paralisia: Mt 4.24; 8.5-13; 9.2-7; Lc 5.18-25; Mc 2.3-12;
16. Espírito de enfermidade: Lc 13.11-13;
17. Doença mortal: Lc 7.2-10;
18. Espíritos imundos: Mc 1.23-26; 5.2-15; 7.25-30; Lc 4.33-36; 6.18; 8.26-35;
9.42;
19. Mão ressequida: Mt 12.10-13.

Além dos casos individuais de cura mencionados, também está registrado


que o Senhor curou:
1. Muitos: Mc 1.34; 3.10; Lc 7.21;
2. Doenças diversas: Mt 4.24: Mc 1.34; Lc 4.40;
3. Multidões: Mt 12.15; 19.2; Lc 5.15; 6.17-19;
4. Todos os que estavam enfermos: Mt 8.16; 12.15; 14.14; Lc 4.40; 6.19; 9.11.
Por que Jesus Curou?
1. Para mostrar compaixão: Mt 14.14; 20.34; Mc 1.40,41; 5.19; 9.22; Lc 7.13;
2. Para cumprir profecias: Mt 8.17; Is 53.4;
3. Para provar que fora enviado de Deus: At 2.22; Jo 5.36;
4. Para capacitar os curados a servir: Mt 8.14,15;
5. Para comunicar Vida Abundante: Jo 14.6;
6. Para destruir as obras do diabo: 1 Jo 3.8; At 10.38;
7. Para manifestar as obras de Deus: Jo 9.3; Mt 9.8; 15.31; Mc 2.12; Lc 5.26;
7.16.

Como foi que Jesus Cristo Curou?


Um estudo cuidadoso das Escrituras leva muitos a crer que Cristo não curou por
seu próprio poder, como o divino Filho de Deus, mas mediante o poder do Espírito
A. Carlos G. Bentes Paá gina 23 2/10/2018
Santo. Ele curou porque foi ungido pelo Espírito (Is 61.1,2; Lc 4.18-20; Jo 5.19; At
10.38).
1. Imposição de mãos: Mc 5.23; 6.5; 8.23; Lc 4.40; 13.13;
2. Curou por sua Palavra: Mt 8.8; Lc 4.32,36; 7.7 (Logos);
3. Repreendeu a enfermidade ou o espírito que a causava: Mt 17.18; Mc 1.25;
9.25; Lc 4.35,39; 9.42;
4. Pessoas foram curadas por tocarem nele ou em suas vestes; tendo fé: Mt 9.21;
14.36; Mc 3.10; 5.28; 6.56; 8.22; 10.13; Lc 6.19;
5. Em algumas ocasiões Jesus disse aos que buscavam a cura: “A tua fé te
salvou”: Mt 9.2,22,29; 15.28; Mc 2.5; 5.34; 10.52; Lc 5.20; 7.50; 8.48; 18.42;
6. Com lodo e saliva: Jo 9.6-15.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 24 2/10/2018


AS DOENÇAS SÃO RESULTADO DA QUEDA: At 10.38; Lc 13.16.
A primazia de Satanás no setor das doenças remonta à queda do homem no
Jardim do Éden (Gn 2.17; Rm 5.12). A influência física é na realidade produzida pela
doença espiritual. Quando a alma do homem se torna corrompida pelo pecado, o seu
corpo torna-se sujeito às doenças e enfermidades como conseqüência. A doença era
parte da maldição da lei (Dt 28.58-61).
A CURA DIVINA ESTÁ INCLUÍDA NA EXPIAÇÃO DE JESUS
A cura física e espiritual estavam incluídas na obra redentora de Cristo, isto é
salientado tanto no Velho Testamento como no Novo Testamento (Sl 105.37; 103.2,3; Is
53.4,5; 1Pe 2.24; Ex 15.25,26; Mt 8.16,17; 3 Jo 2).
A cura definitiva só acontecerá na ressurreição dos justos, no arrebatamento da
Igreja. Nós teremos a cura eterna, por enquanto podemos emitir um vale e recebermos
uma cura temporal.
O maior milagre de Jesus foi a ressurreição de Lázaro, porém este morreu de
novo.
A redenção é realizada em três tempos:
1. A Redenção Passada: Aconteceu no Novo Nascimento;
2. A Redenção Presente: Acontece todos os dias, é a redenção da alma; a
santificação (2Co 3.18);
3. A Redenção Futura: Acontecerá no arrebatamento da Igreja, quando
receberemos um novo corpo – sōma pneumatikon: o corpo espiritual.

OS DONS VERBAIS
PROFECIA (PROFETÉIA - προφητεία). A palavra hebraica “NABA”
significa fluir. Ela está definitivamente relacionada à
expressão “fonte” ou “nascente de água”, de maneira que a declaração profética
possa ser descrita como um jorrar. outra palavra para profecia é “deixar cair”,
palavra geralmente associada com chuva o orvalho. É um pronunciamento
sobrenatural num idioma conhecido. A profecia é o mais importante dos dons verbais
(1Co 14.5). A palavra hebraica que é traduzida “profetizar” significa “sair fluindo” e
transmite o pensamento de “borbulhar como uma fonte, gotejar, jorrar”. A palavra grega
- profeteia significa “falar em prol de alguém”. Significa falar em nome de Deus, ou ser
Seu porta-voz (Ex 7.1). A profecia é a própria voz de Cristo falando a Igreja. Assim
como oramos por alguém e é Deus quem cura, assim também quando alguém inspirado,
movido pelo Espírito Santo profetiza, não é o elemento humano quem está falando pelo
seu intelecto, mas é o Espírito Santo fornecendo-lhes as palavras.

O DOM DA PROFECIA É PARA TODOS (1Co 14.1-5,39).


O DOM DA PROFECIA É DIFERENTE DA PREGAÇÃO. Muitas versões
bíblicas traduzem do grego para o nosso vernáculo estas duas palavras: KĒRÚSSŌ
A. Carlos G. Bentes Paá gina 25 2/10/2018
(κηρύσσω) e PROFĒTEÚŌ (προφητεύω), com o mesmo sentido, todavia Kērússō é
pregar e profēteúō é profetizar. Não há nenhuma justificativa para se traduzir a palavra
profecia como “pregar, ensinar ou exortar”, isto seria roubar a unção sobrenatural desta
manifestação. A Bíblia não confunde nem altera o uso destas duas palavras. A unção
para pregar é diferente da unção para profetizar (1Tm 4.1; Hb 3.7; At 21.11; Lc 1.67). A
pregação pode conter a profecia, mas ela não é profecia em si mesma. A profecia nunca
deve tornar-se um substituto da pregação ou do ensino.
A PROFECIA NA DISPENSAÇÃO NEOTESTAMENTÁRIA
Cerca de 30 vezes o Novo Testamento refere-se ao Dom da Profecia. Pedro
confirma que esta manifestação é para os nossos dias (At 2.16-18; Jl 2.28). Paulo
também confirma nas suas epístolas (1Co 12; 13.8-13; Rm 12.3-8). A profecia estará
conosco até que venha o que é perfeito (1Co 13.9,10). Não extingais o Espírito; não
desprezeis as profecias (1Ts 5.19-20).
AS PROFECIAS BÍBLICAS SÃO DIFERENTES DO DOM DE PROFECIA
As profecias bíblicas estão em um nível mais elevado da manifestação do Dom
de Profecia. As Profecias da Bíblia nunca serão igualadas ou ultrapassadas (Dt 4.2; Pv
30.5,6; Ap 22.18,19). As Profecias Bíblicas tornaram-se a Sua Palavra escrita e
autoritária para toda a era da Igreja (1Pe 1.21; Ef 2.20).
Em toda a história eclesiástica dois erros têm sido praticados com relação ao
Dom de Profecia, por um lado exaltamos esta manifestação a ponto de infabilidade e,
por outro lado desprezamo-la. Não devemos dar-lhe autoridade excessiva, nem
focalizá-la em demasia; nem tão pouco reduzi-la ao nível do poder humano. A
manifestação deste dom deve ser julgada à luz da Bíblia.

NOTA: Profetéia - Profecia encontra-se 19 vezes no Novo Testamento. Profēteúō


- Profetizar encontra-se 28 vezes no N.T. Profētēs (προφήτης) - Profeta encontra-se no
N.T. 144 vezes.
OS ELEMENTOS OU PROPÓSITOS DO DOM DE PROFECIA (1Co 14.3)
1) EDIFICAÇÃO – OIKODOMĒ (οἰκοδοµή). Esta é uma palavra usada em
arquitetura e descreve uma construção de uma casa (οἶκος - oikos = casa). Este é o
meio que Deus proporcionou pelo qual devemos “edificar” ou construir a Igreja. Jesus
disse: “Edificarei (oikodomēsō - οἰκοδοµήσω futuro de oikodoméō - οἰκοδοµέω) a
minha Igreja” (Mt 16.18). É vital que edifiquemos com materiais de qualidade (dons e
ministérios) ao invés de madeira, feno, e palha (1Co 3.10-15). Há duas maneiras de se
construir ou edificar a Igreja, primeiro pelo acréscimo de novos materiais (novos
membros) e pelo fortalecimento daquilo que já existe (1Co 14.24,25). Destruir,
confundir, e repulsar são o oposto da obra do Espírito Santo na manifestação do Dom
de Profecia. Edificar os santos na Fé santíssima (Jd 20) é construir um santo templo no
Senhor (Ef 2.21,22). Fortalecer os santos, aumentar-lhes a Fé e desenvolver-lhes o
caráter cristão são os objetivos do Espírito Santo através da manifestação deste dom.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 26 2/10/2018
2) EXORTAÇÃO – PARÁKLĒSIS (παράκλησις). O dicionário grego diz que
exortar significa: “incitar, encorajar, aconselhar e prevenir veementemente”. A
exortação é uma faceta tão distinta do dom da profecia que também é chamado de
“Dom” (Rm 12.8). Exortar (parakaléō - παρακαλέω) significa segundo o texto grego,
“chamar para mais perto de Deus”. Paulo disse a Timóteo: “Aplica-te à leitura, à
exortação, e ao ensino (1Tm 4.13).
3) CONSOLAÇÃO – PARAMUTHÍA (παραµυθία). Jesus nos deu um dos mais
importantes nomes do Espírito Santo: O Consolador, O Parakletos - παράκλητος (Jo
14.16,26). Sendo este seu próprio nome, não surpreende que um dos seus dons tenha
como objetivo a consolação dos Santos (1Co 14.31). Vine, um erudito em grego diz que
PARAMUTHÍA - Consolação significa: “primariamente, um falar íntimo com qualquer
pessoa”, portanto, ela denota consolação, conforto, com um grau maior de ternura que “
PARÁKLĒSIS”.
4) SENTENCIAR E CONVENCER (1Co 14.24,25).
5) INSTRUÇÃO E APRENDIZAGEM (1Co 14.31).

O DOM DE VARIEDADES DE LÍNGUAS E INTERPRETAÇÃO DE


LÍNGUAS

O FALAR EM LÍNGUAS NA HISTÓRIA

Para os discípulos, era evidência de estarem completamente controlados pelo


poder do Espírito prometido por Cristo. Quando a pessoa fala uma língua que nunca
aprendeu, pode ter a certeza de que algum poder sobrenatural assumiu o controle sobre
ela. Alguns argumentaram que a manifestação do falar em línguas limitou-se à época
dos apóstolos. Aconteceu para ajudá-los a estabelecer o Cristianismo, uma novidade
naquela época. Não existe, no entanto, limites à continuidade dessa manifestação no
Novo Testamento.
Mesmo no quarto século depois de Cristo, Agostinho, o notável teólogo do
Cristianismo, escreveu: “Ainda fazemos como fizeram os apóstolos, quando impuseram
as mãos sobre os samaritanos, invocando sobre eles o Espírito mediante a imposição
das mãos. Espera-se por parte dos convertidos que falem em novas línguas”. Ireneu
(115-202 d.C.), notável líder da Igreja, era discípulo de Policarpo, que por sua vez foi
discípulo do apóstolo João. Ireneu escreveu: “Temos em nossas igrejas muitos irmãos
que possuem dons espirituais e que, por meio do Espírito, falam toda sorte de línguas”.
A Enciclopédia Britânica declara que a glossolalia (o falar em línguas) “ocorreu
em reavivamentos cristãos durante todas as eras: por exemplo, entre os frades
mendicantes do século XIII, entre os jansenistas e os primeiros quaquers, entre os
convertidos de Wesley e Whitefield, entre os protestantes perseguidos de Cevennes, e
entre os irvingistas”. Podemos multiplicar as referências, demonstrando que o falar em
A. Carlos G. Bentes Paá gina 27 2/10/2018
línguas, por meios sobrenaturais, tem ocorrido em toda a história da Igreja. (Nota: O
falar em línguas nem sempre é em língua conhecida. Ver 1Co 14.2).

AS LÍNGUAS ESTRANHAS NA HISTÓRIA11

A promessa do revestimento de poder é para os crentes de todas épocas: Porque


a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a
tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At 2.39). Depois de recebê-la, o cristão
tem um impulso extraordinário para testemunhar poderosamente a obra de salvação —
o sacrifício de Jesus — em toda a Terra! (At 1.8). Como exemplo, nos anos seguintes:

Tertuliano e Irineu (pastores que viveram no segundo século d.C.) declararam


que os membros de suas igrejas falavam em novas línguas.

João Crisóstomo (347-407) — bispo de Constantinopla, escreveu que o Batismo


no Espírito Santo era acompanhado por este mesmo sinal sobrenatural: falar em
línguas! Três membros de sua igreja falaram, pelo Espírito, em persa, em latim e em
hindu.

Agostinho (354-430) — bispo de Hipona, no Norte da África, afirmou que as


novas línguas estavam em evidencia nos seus dias.

Valdenses e Albigenses (1140-1280 d.C.). Isso no Sul da Europa, em plena


Idade Tenebrosa — a Era Medieval. Eles eram dissidentes da Igreja Romana,
seguidores dos princípios bíblicos da salvação e da vida cristã em geral. Os
historiadores afirmam que entre eles havia manifestações espirituais em línguas
estranhas, segundo o Novo Testamento.

Martinho Lutero (1483-1546). Falava em línguas e profetizava, conforme o


depoimento histórico do Dr. Jack Deer, eminente professor e historiador batista, do
Seminário Teológico de Dallas. Esta informação também é encontrada nas obras:
“História da Igreja Alemã”, de Souer (Vol. 3, p. 406), e “Pentecostes para Todos”, de
Emílio Conde, p. 88.

Os Anabatistas (1521-1550): Na Alemanha, entre os anabatistas (grupo de


crentes que pretendia o retorno ao Cristianismo primitivo, advogava reforma sociais,
separação da Igreja do Estado e contestava a validade do batismo infantil;
conseguintemente, rebatizava seus seguidores quando adultos e possuidores de plena
razão), houve manifestação de línguas estranhas e outorgamento dos dons.

Os Huguenotes (1560-1650). Eram, na França, protestantes dissidentes quanto à


forma de governo da época, respeitante à liberdade religiosa. O historiador A. A. Boddy
assim escreveu: “Durante a perseguição aos huguenotes, a partir de 1685, havia entre
eles os que falavam em línguas, transbordantes de fervor espiritual”.

11
http://www.igrejadafeapostolica.com/as-lnguas-estranhas-na-historia
A. Carlos G. Bentes Paá gina 28 2/10/2018
Os Quakers (1647-1650) e os Shakers (1774-1771). Cristãos organizados em
diferentes grupos, no Nordeste da América do Norte, região da Nova Inglaterra, cujos
integrantes eram considerados de fanáticos, rígidos, santarrões, extravagantes, os quais
foram nomeados “amigos” (os Quakers) e “tremedores” (os Shakers), de fato, recebiam
poder do Espírito Santo, falavam línguas estranhas e eram portadores de inúmeros dons
espirituais.

Movimento Pietista. Surgido em 1666, apregoava uma vida santificada —


combatendo a hipocrisia de ministros, a embriaguez, a imoralidade, a carnalidade, as
controvérsias teológicas. Na cerimônia do partir do pão, eles entravam em êxtase —
estado de máxima intensidade emocional, em que a alma parece desligar-se do corpo,
perdendo o contato com o mundo sensível: adentrando às dimensões celestiais, daí,
falavam línguas de maneira retumbante.

Os Camisardes. Em 1686, crentes que se refugiaram nas montanhas de Cevanes


— França, devido às perseguições religiosas, os chamados Camisardes (quer dizer,
calvinistas das cavernas, pois eram seguidores da linha teológica de João Calvino),
declaravam firmemente ser inspirados pelo Espírito de Deus; por isso, houve abundante
graça entre eles, a saber: Em 1700, falavam línguas estranhas; em 1701, o grupo tinha
cerca de 200 profetas; em 1702, existiam 8 mil porta-vozes do Senhor, isto é,
possuidores do dom de profecia, que profetizaram muitas iminências de fatos
desagradáveis para a Europa. De igual modo, crianças de 3 e 4 anos já pregavam a
conversão genuína e o arrependimento em bom francês; os próprios infantes, de 4 a 14
anos, se reuniam em vilarejos e cidades fazendo círculos, nos quais falavam línguas,
cantavam, oravam, revelavam, apregoavam as Escrituras e exortavam. Entre 1730 e
1733, já eram surpreendidos em êxtase espiritual, no qual não só falavam e
interpretavam línguas, mas também entendiam, sobrenaturalmente, quaisquer idiomas
dos locais onde eram enviados a pregar.

Os Moravianos. Estes são descendentes espirituais de John Huss (morto


queimado por causa da doutrina verdadeira), e eram conhecidos como Irmãos
Morávios. Tal grupo compreendia cerca de 300 pessoas. Em 16 de julho de 1727, o
Espírito Divino irrompeu neles, deste modo, ocorreu operação de maravilhas e todos
choraram sem cessar. Fizeram, então, um pacto de se reunirem mais vezes em Hutberg,
a fito de orarem e sentirem a mesma graça. No dia 13 de agosto, aconteceu o chamado
Pentecoste dos Moravianos. Um dos historiadores descreveu: “Vimos a mão do Senhor
e as suas maravilhas, e todos estiveram sob a nuvem de nossos pais, e fomos batizados
no Espírito Santo.” Através desse fervor espiritual, o Espírito Santo os enviou como
testemunhas de Cristo em todo o mundo! As missões moravianas foram frutos do poder
pentecostal! O historiador Dr. Werneck disse: “Esta pequena igreja, em vinte anos,
trouxe à existência mais missões evangélicas do que qualquer outro grupo evangélico o
fez em dois séculos”.

Metodistas Primitivos. Líder: John Wesley (1703-1791), inglês. O historiador


Philip Schaff, na obra “História da Igreja”, edição de 1882, relata que esses metodistas
pugnavam por uma vida santa, e muitos tinham dons espirituais e falavam em línguas.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 29 2/10/2018
O movimento avivalista metodista começou em 1739, em Londres. Foi no Metodismo
que teve a maior expressão e vulto o “Movimento da Santidade”, na América do Norte,
entre determinadas igrejas tradicionais, após o século XIX, do qual, quase um século
depois, surgiu o atual Movimento Pentecostal.

Os Irvingitas. Líder: Edward Irving (1822-1834), presbiteriano, da Igreja


Escocesa de Londres. Irving testemunhou, entre outros fatos, que, em 1831, uma irmã
solteira falou em línguas no culto de oração.

D.L. Moody (1837-1899), poderoso evangelista e avivalista norte-americano.


Acerca de sua marcante cruzada evangelística de Londres, em 1873, escreveu Robert
Boyd: “Moody pregou à tarde no auditório da Associação Cristã de Moços, em
Suderland. Em pleno culto houve manifestação de línguas estranhas e profecia. O fogo
espiritual dominava o ambiente”.

A Rua Azusa. Em 9 de abril de 1906, em Los Angeles, Califórnia, Estados


Unidos, algo alavancou o crescimento do Evangelho na América. Na Rua Azusa, 312, o
Pr. William Joseph Seymor e mais sete irmãos de sua igreja, depois de incessantemente
buscarem o Batismo no Espírito Santo, foram batizados por Jesus e falaram “noutras
línguas”. Foi o estopim para que, nesse antigo armazém, houvesse um grande
avivamento nas reuniões: batismos no Espírito, recebimento de dons espirituais,
impulsão missionária, milagres, curas, cânticos espirituais, variedade de línguas e
interpretação de línguas, fervorosas orações, etc. Os cultos iniciavam às 6h e acabavam
à meia-noite! Isso mobilizou a impressa, os mundos secular e religioso, os quais,
surpreendidos, iam conhecer o fogo pentecostal! Por consequência, essa chama de
poder incinerou as América do Norte, Central e do Sul.

Há inúmeros exemplos em vários pontos do globo terrestre que, ao longo da


história, o Espírito Santo foi derramado sobre todos aqueles que perseverantemente O
buscaram!

A mundialmente conhecida e respeitada “Encyclopedia Britannica” declara: “A


glossolalia [o falar noutras línguas] esteve em evidência em todos os avivamentos da
história da Igreja” (Vol. 22, p. 282, ano 1944).

CESSACIONISMO E O FALAR EM LÍNGUAS 12

Os cessacionistas alegam que querem proteger as doutrinas da suficiência e


completude da Escritura. Creio que essa poderia ser uma das razões deles considerarem
necessário afirmar o cessacionismo. Contudo, creio que essa não é a única razão. Há
motivos ocultos por detrás dessa doutrina, tal como a incredulidade, e o medo que a
incredulidade seja exposta caso eles se aventurem e afundem como Pedro, quando o
Senhor o chamou para andar sobre a água. Teólogos versados não gostam de ser
embaraçados. Alguns deles crucificariam antes a Cristo com suas próprias canetas,
apenas para calá-lo, do que admitir que lutam com a incredulidade. Em todo caso, tem
12
http://www.vincentcheung.com/2009/03/09/cessationism-and-rebellion/.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 30 2/10/2018
sido mostrado que a continuação das manifestações sobrenaturais do Espírito não
compromete a suficiência e completude da Escritura.

A afirmação da soberania de Deus significa isto: se Deus quiser fazer uma pessoa
falar num idioma que ela nunca aprendeu, ele pode e fará. É simples assim. Se ele faz
isso ou não é uma coisa, mas não deveria haver dúvida que é possível, mesmo hoje.

Todavia, devemos reconhecer que a questão não é resolvida afirmando-se a mera


doutrina da soberania de Deus, visto que ela tem a ver com como ele usa essa soberania
com relação aos dons espirituais, e o que ele revelou na Escritura sobre isso. Também,
quando diz respeito aos dons espirituais, estamos nos referindo a um modo particular da
manifestação do poder de Deus, a saber, por meio de instrumentos humanos como dons
espirituais. Assim, é reconhecido que o assunto é complexo, embora permaneça que o
fundamento para a discussão deve ser a soberania de Deus, que ele pode e fará tudo o
que deseja. E em conexão com os dons espirituais, eu direi novamente que, embora
haja muitos versículos na Escritura nos ordenando a usar os dons espirituais, não existe
nenhuma evidência bíblica, ou qualquer outro tipo, que sequer venha a sugerir que
esses tenham cessado.

Deixe-me aplicar primeiro meu argumento simples contra o cessacionismo ao


caso do falar em línguas. Paulo escreve: “Não proíbam o falar em línguas” (1Coríntios
14.39, NVI). Mas se todos os dons espirituais cessaram, então as línguas cessaram. E se
as línguas cessaram, então todas as alegações de falar em línguas hoje são falsas. Se
todas as alegações de falar em línguas hoje são falsas, estão DEVEMOS proibir o falar
em línguas. Em outras palavras, se o cessacionismo é correto, então estamos obrigados
a fazer exatamente o oposto do que Paulo ordena nesse versículo sobre a base que a
situação mudou, de forma que a mesma preocupação apostólica requereria que
proibíssemos todo o falar em línguas.

Contudo, transformar “NÃO proíbam o falar em línguas” em “SEMPRE


proíbam o falar em línguas” requereria um argumento bíblico que fosse igualmente
explícito, ou se este deve vir por dedução ou inferência, que seja um raciocínio perfeito,
infalível, sem qualquer possibilidade de erro ou lugar para crítica. De outra forma,
ninguém tem autoridade para dizer que o falar em línguas cessou, e ainda menos para
proibir o falar em línguas.

Jesus diz: “Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que
dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino
dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado
grande no Reino dos céus” (Mateus 5.19). Deus me ordena: “Não matarás”. Se você
deseja promover uma doutrina que requeira de mim (Vicent Cheung) mudar isso para,
“sempre matarás”, então antes de eu ir para a matança, irei demandar que você produza
um mandamento bíblico direto que substitua o primeiro, ou um argumento bíblico
apoiando o novo mandamento ou obrigação que seja claro e perfeito, sem qualquer
A. Carlos G. Bentes Paá gina 31 2/10/2018
possibilidade de erro ou lugar para crítica. Se eu percebo sequer a mínima falha ou
fraqueza, irei permanecer com o que é claro e direto, isto é, “não matarás”.

Da mesma forma, se ensino “não proíbam o falar em línguas” e você ensina


“sempre proíbam o falar em línguas” (ou uma doutrina que leve a isso), então um de
nós deve estar errado. Para me mostrar que sou eu quem está em erro, eu demandaria
que você produza um argumento bíblico que seja tão claro, forte, perfeito e infalível
como aquele que diz, “não proíbam o falar em línguas”.

Francamente, contra essa consideração, eu teria muito receio de ensinar o


cessacionismo. E eu me pergunto como podemos justificar a decisão de permitir
alguém permanecer no ministério, quando esta pessoa continua ensinando o
cessacionismo após ouvir este simples argumento. Se ele não pode respondê-lo – se não
pode produzir um argumento infalível para o cessacionismo – mas continua a ensinar a
doutrina, isso pode significar apenas que ele conscientemente promove rebelião contra
o Senhor. Que direito temos, então, de nos refrear de removê-lo do ministério? Eu
tenho autoridade para proteger tal pessoa da disciplina da igreja? Mas eu não sou mais
forte que o Senhor. Nessas circunstâncias, o cessacionismo não é uma doutrina sobre a
qual argumentar, mas um pecado do qual se arrepender. Os cristãos deveriam não
somente evitar o cessacionismo, mas deveriam temer afirmá-lo, pois equivale a um
desafio direto e deliberado aos mandamentos de Deus.

Você pode dizer: “Tudo bem dizer que não devemos proibir falar em línguas, mas
devemos proibir a falsificação”. Como isso é relevante neste ponto? Se na tentativa de
se opor à falsificação, você se opõe a todas as alegações de falar em línguas como uma
questão de princípio, então você volta a desafiar o mandamento de Paulo novamente.
Se você admite que não devemos proibir falar em línguas, mas devemos julgar cada
caso por seu próprio mérito, eu concordaria contigo, mas então você não mais seria um
cessacionista.

Agora que mencionamos a possibilidade da falsificação, a discussão finalmente


chega à natureza das línguas. Atos 2 nos diz que o Espírito Santo capacitou os
discípulos a falar em idiomas que eles nunca aprenderam. Esses eram idiomas humanos
conhecidos e reconhecidos pelos estrangeiros que estavam presentes. Algumas vezes é
suposto que foi um milagre de audição, mas os estrangeiros ouviram os discípulos falar
em seus próprios idiomas porque os discípulos estavam FALANDO no idiomas deles.
A Escritura declara que eles falaram o que o Espírito lhes deu. Ela não diz que o
Espírito alterou a audição da audiência. O falar em línguas em 1Coríntios 12-14 é o
mesmo tipo de manifestação que aquela em Atos 2. Não há razão para pensar de outra
forma.

Visto que as expressões consistiam de idiomas humanos, como demonstrado em


Atos 2 e também indicado em 1Coríntios 13.1, há certas características que deveríamos
esperar. Um idioma humano inclui um vocabulário substancial, ou palavras, que
A. Carlos G. Bentes Paá gina 32 2/10/2018
formam sentenças. Em linguagem ordinária, sentenças são marcadas por pausas e
inflexões, que freqüentemente determinam o significado preciso dessas sentenças. Por
exemplo, uma inflexão poderia mudar o que seria entendido como uma declaração de
fato numa pergunta. Dessa forma, “você irá à igreja hoje”, muda para “você irá à igreja
hoje?”. Uma inflexão poderia também tornar uma declaração ordinária numa
exclamação, ou mesmo numa acusação. Há muitas outras coisas que podemos
mencionar sobre as características dos idiomas humanos, mas o ponto é que elas
exibem traços e padrões complexos que são discerníveis.

Recentemente, ouvi um sermão sobre a abordagem bíblica ao crescimento da


igreja por John MacArthur. Ele insistiu que os métodos de crescimento de igreja que
são baseados em teorias de negócio e marketing são perversos e destrutivos. Antes, ele
propôs que os cristãos deveriam retornar a Atos dos Apóstolos, visto que ali o método
modelado pelos primeiros discípulos é apresentado. Ele não se referia a algum modelo
do Novo Testamento num sentido geral, mas foi inflexível que devemos seguir O
LIVRO DE ATOS.

Então, no curso do sermão, ele ofereceu cinco princípios que tinha derivado: A
igreja primitiva tinha 1) Uma mensagem transcendente, 2) Uma congregação
regenerada, 3) Uma perseverança resoluta, 4) Uma pureza evidente, e 5) Uma liderança
qualificada. Contudo, qualquer expositor honesto deveria ter adicionado, 6) Um
ministério de falar em línguas, curar coxos, ressuscitar mortos, expelir demônios,
destruir mentirosos, romper prisões, sacudir casas, amaldiçoar feiticeiros, ter visões,
predizer o futuro e realizar milagres. Todas essas coisas são registradas no Livro de
Atos, não são?

Sem dúvida, eu não esperava que MacArthur se embaraçasse com a verdade.


Sabendo que ele é um cessacionista extremo, esperava uma menção desse item antes de
rejeitá-lo, mas nada foi dito. Ele nem mesmo o mencionou. Mas eu pensei que
deveríamos retornar ao padrão no Livro de Atos. Qual Livro de Atos ele estava lendo?
Esse é o campeão da pregação expositiva que tantos cristãos adoram? Mas eu pensei
que a pregação expositiva compeliria o pregador a abordar tópicos com os quais ele não
se sente confortável, e apresentar o que ele poderia achar difícil de aceitar. O que
aconteceu com isso?

Eu vou lhe dizer qual é o padrão no Livro de Atos – é o padrão de não permitir
que a desonestidade e o preconceito obscureçam os ensinos claros da palavra de Deus.
Se nos forçássemos a ser caridosos sem justificação, poderíamos dizer que MacArthur
evitou a questão para economizar tempo de mencionar algo no qual ele não crê. Mas ele
violou, no mínimo superficialmente, seu próprio padrão de pregar a Palavra de Deus
como ela está escrita. É muito difícil, se não impossível, excusar alguém de mencionar
os milagres quando ele mesmo, com tanto zelo e indignação, repreende a igreja por
falhar em seguir o padrão no Livro de Atos.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 33 2/10/2018


Jesus disse que receberíamos poder quando o Espírito Santo viesse sobre nós.
Assim, onde está o poder? Você que não acredita na continuação dos dons
sobrenaturais: Você diz que tem o Espírito, que todos os crentes têm o Espírito, mas
onde está o poder? Seu hipócrita – você finge ter isso redefinindo o conceito. E você
que crê na continuação dos dons sobrenaturais: Você alega ter o Espírito, mas onde está
o poder? Seu hipócrita – você insulta o Espírito implementando um padrão baixo, de
forma que as falsidades e os excessos são numerados juntamente com o que é genuíno,
se é que há manifestações de fato genuínas entre vocês. Quando Elias desafiou os falsos
profetas, ele não tornou isso fácil para si mesmo ou para o Senhor. Ele não derramou
gasolina nos sacrifícios, mas derramou muita água. Ele era da opinião que se Deus não
fizesse isso, então que não fosse feito, mas se Deus fizesse, então que não houvesse
dúvida que foi um milagre do Senhor, e não dos esquemas e artimanhas dos homens.

Vocês dizem que têm o Espírito, mas quando os discípulos foram cheios com o
Espírito no Livro de Atos, houve tamanhas manifestações de poder que fizeram os
incrédulos tremer. Onde está o poder? É verdade que uma demonstração de poder
divino nem sempre equivale a milagres, mas existe alguma manifestação de poder entre
vocês? Qualquer uma que seja? Onde está a autoridade divina em sua pregação? Onde
está a sabedoria divina em seu conselho? Onde está a ousadia divina em suas ações?
Você tem seus métodos expositivos, seus diplomas de seminário, seus ensaios de
ordenação, e os livros deste ou daquele teólogo em sua biblioteca. Mas você não tem o
poder.

O poder é a herança de todo cristão, e o equipamento necessário de todo ministro


do evangelho. Deus não nos deu um espírito de fraqueza, mas um espírito de poder –
poder para perceber, crer, declarar, suportar e poder para confrontar e destruir o cinismo
e a incredulidade.
Limitar-nos-emos, primeiramente, aos dons de línguas e interpretação de línguas
na congregação pública; em seguida, passaremos a considerar o assunto de falar-se em
línguas de uma forma geral.
O que é dom ministerial de variedade de línguas? O dom ministerial de línguas é
a habilidade dada por Deus a alguém para que haja comunicação numa língua
desconhecida, e para que seja interpretada na assembléia a fim de que todos possam
compreendê-la.
“... a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas...” (1Co
12.10; Veja também 1Co 14.5).
Novamente, esta é uma “manifestação do Espírito” (1Co 12.7), e não uma
habilidade humana. Isto não têm absolutamente nada a ver com habilidades lingüísticas
naturais, eloqüência em discursos, ou uma nova maneira Santificada de falar-se.
Ainda que o Espírito possa estar envolvido nestas características estão todas à
parte do assunto em consideração. O dom de línguas é uma manifestação ou expressão
sobrenatural do Espírito Santo; através dos órgãos vocais de uma Pessoa. Ele é uma
manifestação direta da esfera dos milagres.
Isto é diferente de línguas que são usadas na vida particular do crente?
A. Carlos G. Bentes Paá gina 34 2/10/2018
Sim! A Bíblia, claramente, revela três categorias gerais quanto ao falar-se em
línguas. Embora a Bíblia não seja escrita na forma de um livro de teologia sistemática,
com tudo bem dividido e esquematizado, à medida em que a estudamos aprendemos
por observação e experiência, certas categorias claramente emergem.
Ainda que a Bíblia, em si não nos dê resumos sistematizados, estes são
descobertos através de uma síntese de todos os ensinamentos da bíblia num dado
assunto. Isto é parte do “manejar-se bem” (dividir, analisar) a Palavra de Verdade (2 Tm
2.15).
Estas três categorias gerais de línguas podem ser, claramente, vistas nas
Escrituras:
1. Línguas que são faladas no momento em que recebemos o Batismo no
Espírito (At 2.4; 10.45-47; 19.6).
2. Línguas para uma comunhão Pessoal com Deus numa maneira contínua.
(1Co 14.1-4,15; Jd 20; Rm 8.26,27; Ef 6.18).
3. Línguas que são dadas na assembléia para uma comunicação ao Corpo e para
serem um sinal ao incrédulo (1Co 12.10; 14.5; 14.21,22).
Foi a confusão destas três categorias de línguas que o Senhor procurou corrigir
na Igreja de Corinto. Aparentemente, alguns falavam em línguas demasiadamente nas
reuniões, sem que interpretações fossem dadas.
Isto produzia confusão e abusos. Portanto, o Senhor, através de Paulo,
classificou-as para eles. Além disso, deveríamos entender que há três maneiras gerais
em que a Bíblia usa a palavra “dom” ou “graça”.
1) O “dom” de Deus da Salvação através de Cristo (Rm 5.15-18; 2Co 9.15), o
qual incluí;
2) O “dom” do Espírito Santo (At 2.38; 8.20; 10.45) o qual incluí;
3) Os “dons” do Espírito Santo (2Co 12.1,4,9,28; 14.1; Hb 2.4).
Em nenhum lugar o batismo no Espírito é chamado de “dom de línguas”. Ao
invés, ele é o “dom do Espírito” (o qual inclui línguas). Todo crente que é cheio do
Espírito deve falar em línguas, mas nem todos necessariamente têm o dom de línguas
como uma manifestação espiritual no ministério do Corpo.
Paulo ensina que 99% das línguas é para um uso particular e pessoal na oração,
louvor e auto-edificação. Todavia, há aqueles a quem o Espírito move para que
levantem as suas vozes em línguas na assembléia, para que sejam, em seguida,
interpretadas, a fim de abençoarem ao povo.
O dom de línguas é para a edificação da Igreja, e não do indivíduo que
exercita. O falar-se em línguas como parte do Dom do Espírito Santo, deve
continuar em nossas vidas privadas para uma edificação individual, e não da
Igreja.

Quais são os propósitos de línguas e interpretação na assembléia?


1) Para serem um “sinal” ao incrédulo. (1Co 14.21-22).
2) Para expressarem edificação, exortação e conforto ao crente (1Co 14.3-5).
Línguas com interpretação são equivalentes a profecias.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 35 2/10/2018


3) Para levantarem a congregação ao louvor e à oração (1Co 14.13-16). Nesta
passagem, Paulo encoraja ao que fala em línguas a orar pela interpretação. O contexto
imediato que se segue é o orar e falar em línguas. A dedução é que a oração e o louvor
no Espírito poderiam ser interpretadas e ser edificantes ao Corpo. Se uma igreja tem
mais línguas e interpretações que profecias, isto é uma indicação que ela não cresceu
além de um nível elementar de fé (1Co 14.5-13), ou que há incrédulos que, regulamente
a freqüentam e que necessitam deste sinal (14.21-22).

De que maneiras as línguas são um “sinal” aos incrédulos?


1) Pela evidência do sobrenatural; ao verem as pessoas falando em línguas que
elas nunca aprenderam, (At 2.6-8; 1Co 14.21-22).
2) Pela sensação do sobrenatural; elas carregam a atmosfera com a sensação da
presença de Deus. Isto é sentido até mesmo pelos incrédulos.
3) Pelo testemunho do ouvir-se uma língua estrangeira que eles possam
conhecer, Deus lhes dá um sinal, falando com eles em suas línguas maternas (ou uma
outra língua que eles aprenderam).
Este foi o grande sinal durante o Pentecostes. Eles ouviram as pessoas falando,
sobrenaturalmente, em suas próprias línguas maternas. Este sinal proporcionou a
salvação de três mil judeus que foram obedientes.
Ainda que as línguas sejam um sinal, os incrédulos nem sempre as aceitam como
tal, especialmente se forem praticadas sem a ordem devida (todos falando ao mesmo
tempo - 1Co 14.23). Eles dirão: “estais loucos”. Na verdade muitos cépticos e críticos
respondem desta maneira, até mesmo quando as línguas são praticadas no modo
apropriado. Muitos hoje igualam as línguas a uma tagarelice incoerente que é falada
num estado de loucura emocional ou psicológica. Isto é, exatamente, o que um grupo
de pessoas orgulhosas disse no dia de Pentecoste (At 2.13). Isto é exatamente, o que
Deus disse que os homens diriam.
Todos devem ter o “dom” [ministerial] de variedade de línguas?
Não! 1Co 12.28-30 mostra, claramente, que nem todos são usados desta maneira.
O texto de 1Co 12.28-30 é correlato ao de Ef 4.1 que fala acerca dos dons ministeriais.
Há uma distinção entre os dons e os ministérios. Existe o dom de variedade de línguas
(1Co 12.10) e existe o ministério de variedades de línguas (1Co 12.28). Ainda que
todos possam dar um passo de fé, ocasionalmente, e falar em diversas línguas, não é
bíblico o ensinar-se que todos devem ter qualquer um dos dons ministeriais do Espírito.
Esta era uma das principais ênfases de Paulo em seus ensinamentos sobre os dons e
ministérios do Corpo (Rm 12.3-8; 1Co 12.4-31).
1Co 12. 28-30: E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo
lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de
curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos?
são todos profetas? são todos mestres? são todos operadores de milagres? Todos têm
dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos?

A. Carlos G. Bentes Paá gina 36 2/10/2018


Quantas mensagens em línguas e interpretações estão em ordem numa
reunião?
A resposta a esta questão é dada, muito simples e brevemente, por Paulo em 1Co
14.27-28. Duas ou três mensagens são, geralmente, suficientes para que recebamos,
com clareza o teor completo daquilo que o Senhor esteja falando.
Algumas assembléias têm, virtualmente, proibido línguas nas assembléias, por
várias razões (permitindo, somente que sejam praticadas no “salão dos fundos” depois
do culto). Contudo, a Bíblia não nos ordena que as silenciemos nas atividades da
assembléia, e sim, que as regulemos. Temos, na verdade, a admoestação direta: “... Não
proibais falar línguas” (1Co 14.39-40).
O que é o dom de interpretação de línguas?
O dom de interpretação é a habilidade sobrenatural e espontânea de interpretar-se
uma comunicação dada em línguas na língua que é compreendida pelas pessoas
presentes. Novamente, isto não tem, absolutamente nada a ver com um conhecimento
natural de línguas, mas procede diretamente, do Espírito Santo (1Co 12.10). Observa-se
que em 1Co 14.13 diz: “ore para que possa interpretar”, e não “estude línguas”. Além
disso, 1Co 14.2 mostra que quando alguém fala em línguas, “ninguém entende”.
Portanto, deve haver uma revelação sobrenatural, assim como a mensagem em línguas
foi sobrenatural. A interpretação deveria ser dada como uma resposta imediata à
mensagem em línguas.
A interpretação é o mesmo que tradução?
Não! Interpretar significa explicar, expor, elucidar ou expandir. Traduzir significa
converter de uma língua para outra. Na verdade, o grau de tradução em si pode variar
segundo o dom de interpretação em particular. Também deveríamos lembrar que
mesmo o traduzir-se de uma língua para outra, geralmente, deixa uma grande
discrepância entre a extensão da mensagem e o número de palavras necessárias para
dizerem a mesma coisa. Observe Dn 5.25-28 que a interpretação de “Mene, Mene,
Tequel, Ufarsim” foi, aproximadamente, nove vezes maior que mensagem original.
Uma outra razão pela qual as mensagens podem ser bem mais curtas que suas
interpretações é que a situação envolve, na verdade, línguas seguidas por uma profecia;
ou talvez uma oração em línguas seguida por uma resposta do Senhor através de uma
profecia.
Deveríamos também mencionar que uma mensagem em línguas pode ser na
verdade, uma oração, adoração, como também uma exortação. Freqüentemente, alguém
pronuncia em voz alta uma oração inspirada pelo Espírito a qual Deus quer que seja
feita em tal momento. A interpretação então informa ao povo aquilo que foi orado e os
levanta à oração em conjunto, como também aviva a sua fé. Em outras ocasiões, o
Senhor pode desejar que o Seu povo O louve e O adore e Ele pode mover alguém a
começar a falar em línguas. Quando há interpretação, esta levanta ao povo ao louvor e à
A. Carlos G. Bentes Paá gina 37 2/10/2018
adoração. Se uma interpretação genuína estiver acontecendo, então algumas das
mensagens em línguas serão, indubitavelmente, interpretadas como orações e louvor
como também exortações.
As possíveis explanações do fato de que algumas mensagens em línguas são
seguidas por profecias, ao invés de interpretações são: possivelmente, a mensagem em
línguas estava fora de ordem e isto inspirou outra pessoa a profetizar; alguém
interrompeu e profetizou antes que uma interpretação pudesse ser dada; porque não
havia nenhum intérprete presente, ou a pessoa com a interpretação não quis dá-la, então
alguém com o dom de profecias moveu-se nesta área. Com relação a esta última razão
possível, não é claro a alguns que há uma diferença entre o dom de profecias e o dom
de interpretação. Eles, portanto, podem tentar interpretar mensagens em línguas,
simplesmente porque eles profetizam. Há, contudo, uma diferença definida e esta tem
que ser respeitada.
Que mensagens são interpretadas?
Se uma interpretação é necessária ou não depende da situação e da categoria das
línguas que estão sendo faladas. Nunca houve nenhuma interpretação quando as
pessoas falaram em línguas ao receberem o Espírito Santo (At 2.4-6; 10.45-47; 19.6). A
Bíblia também indica que, quando as línguas são usadas para a oração ou adoração
pessoal, elas não são interpretadas (1Co 14.2,14-18; Rm 8.26-27).
As únicas línguas que Paulo disse que necessitam de interpretação são as faladas
na igreja com o propósito de comunicarem aos homens.
Geralmente, isto é evidente em si mesmo. Uma pessoa, durante o minguamento
da adoração, ou durante a oração e espera em Deus em silêncio, distintamente levanta a
sua voz por pouco tempo, falando numa língua que é desconhecida aos presentes. Esta
é a categoria entre a “variedade (tipos) de línguas” que necessita ser interpretada.
Quem deve interpretar as línguas na assembléia?
Basicamente, alguém que tenha recebido este dom deveria fazer a interpretação.
Pode ser outra pessoa, além daquela que esteja dando a mensagem em línguas (1Co
14.27), ou pode ser a própria pessoa que falou a mensagem em línguas (1Co 14.5-13).
Paulo parecia indicar em 1Co 14.27, que, em qualquer reunião está de acordo com a
ordem que uma pessoa faça as interpretações. Uma versão traduz esta passagem assim:
“Que o mesmo intérprete explique a palavra a todos”. Parece que esta é uma tradução
fiel do propósito deste versículo no original.
Provavelmente, uma maior ênfase necessita ser colocada no dom de interpretação
de línguas. Parece que esta tem sido uma área de entendimento negligenciado no
passado. Na verdade, nem todos ou qualquer um deveria tentar exercitá-lo. As
tentativas de interpretação por aqueles que não receberam, especificamente, este dom
são, provavelmente, a causa de não haver um maior número de interpretações puras.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 38 2/10/2018


Além disso, é significativo que aqueles que dão mensagens em línguas
compreendam que sua responsabilidade não termina com o seu simples falar
abertamente em línguas se não houver ninguém com o dom de interpretação presente. A
responsabilidade, então, recai sobre eles. Eles devem interpretar suas próprias palavras;
caso contrário estarão fora de ordem (1Co 14.5,13-28). Se alguém, portanto, não está
definitivamente ciente de que alguém com o dom de interpretação esteja presente, este
não deve mover-se em línguas a não ser que esteja disposto a interpretar também, caso
ninguém mais o faça.
Como saberei se devo dar uma mensagem em línguas ou fazer uma
interpretação?
A sensibilidade às inspirações internas do Espírito é uma área em que todos
devemos aprender. Ela está mais na esfera subjetiva, nenhuma lista de regras pode ser
produzida a fim de informar a outros como isto é feito. Certos princípios, contudo,
podem ser mencionados e podem ser úteis.
Um dos princípios é que compreendamos que Jesus não julgava nem rejeitava a
Seus discípulos por cometerem erros ao tentarem fazer a Sua vontade. O terror às
conseqüências de um erro pequeno e sem importância pode fazer com que uma pessoa
evite o seu envolvimento permanentemente. Deus tem paciência conosco quando os
nossos corações estão puros e estamos sinceramente, procurando fazer a Sua vontade.
Assim também o Senhor zela por nós ao tropeçarmos ou cambalearmos enquanto
aprendemos a andar nos dons espirituais.
Outro princípio é que sua voz e inspirações internas são suaves. É possível que
não as percebamos se supormos que elas sejam impressões ou impulsos humanos.
Freqüentemente, o Senhor move-Se fortemente e com grande clareza e certeza no
principiante. Porém, isto pode diminuir à medida em que ele aprende mais sobre a fé e
a ter uma maior sensibilidade ao Espírito Santo.
O FALAR EM LÍNGUAS E OBSERVAÇÕES GERAIS
O que significa “falar em línguas?”.
A palavra “línguas” (At 2.3; 1Co 12.10; 13.1) é a palavra grega (γλῶσσα)
“glossa” e significa uma linguagem ou idioma. Ela não é “tagarelice incoerente”, e sim
linguagens. Observe que a palavra é usada na forma plural o que mostra que um único
crente é capaz de, não somente falar uma língua, mas também fala em línguas. Que o
falar em línguas sempre se refere a línguas terrenas e conhecidas não pode ser
presumido. Na verdade, Paulo usa a mesma palavra referindo-se a línguas angelicais
(1Co 13.1). Ele Também diz que, quando alguém fala em línguas “ninguém o entende”
(1Co 14.2).
1Co 14.26 diz “... um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outra
língua...”; cada pessoa tem uma diferente. Aplicando-se isto ao Corpo de crentes, em

A. Carlos G. Bentes Paá gina 39 2/10/2018


sua totalidade ao redor do mundo, seria muito mais que suficiente para esgotar as
línguas terrenas conhecidas.
O repertório de línguas de Deus é, certamente, maior que o do homem e inclui
muitas que são celestiais ou desconhecidas ao homem. Ainda que as línguas sejam
idiomas verdadeiros e devam ser um “sinal aos incrédulos”, as Escrituras não indicam
que, afim de que elas sejam um sinal ou que sejam faladas na assembléia, alguém que
entenda o idioma que está sendo expresso no exercício deste dom deva estar presente. A
única vez na Bíblia em que isto aconteceu está em Atos 2. Paulo esclarece em 1Co 14
que as línguas teriam que ser sobrenaturalmente, interpretadas a fim de que fossem
compreendidas na assembléia. Seguindo-se a analogia da profecia de Isaías citada em
Paulo (Is 28.10-12; 1Co 14.21), deveríamos observar que a “língua” seria “uma outra”,
ou uma língua estranha a Israel. Isto se referia ao julgamento que viria das nações
inimigas. Já que eles não ouviriam a Deus falando-lhes através dos profetas, Ele viria a
falar-lhes através dos exércitos estrangeiros. O “sinal” do idioma era que ele não era
entendido pelo povo ele era estrangeiro e desconhecido do povo.

Quais são as razões segundo a Bíblia, de que os crentes falariam em línguas?


1) Para serem um sinal ao incrédulo (1Co 14.22).
2) Para cumprirem profecias bíblicas (Is 28.11).
3) Isto é um sinal do crente (Mc 16.17; At 10.45,46; Jo 7.38,39; At 1.8).
4) É um sinal de que Cristo ressuscitou e de que Ele está glorificado e sentado
nos céus (At 21.32-36).
5) É um sinal da aceitação pessoal do Seu Senhorio (At 2.4,32,39) e da nossa
entrega total, até mesmo ao ponto de entregarmos o nosso membro mais rebelde: a
língua (Tg 3.1,18).
6) É um sinal de que a pessoa se arrependeu e recebeu o Espírito Santo. É o
sinal inicial do recebimento do Espírito Santo (At 2.4,38,39; 10.46,47; 19.6).
7) Para lidar com orgulho humano. Para entrar em contato com Deus o homem
deve tornar-se como uma criança (1Co 1.18-31; Mt 18.2-5). Isto é parte do “opróbrio”
que carregamos (do ponto de vista do mundo e do nosso intelecto humano).
8) Para que Deus possa falar, sobrenaturalmente, aos homens (1Co 12.10; 14.5;
13.22).
9) Para que os homens possam falar com Deus sobrenaturalmente (1Co 14.2,16-
18). Isto se refere à adoração (1Co 14.15,16; At 2.11; 10.45,46).
10) Para edificarmos a nós mesmos (1Corintos 14.4,15,16; Jd 20; Ef 6.18).

A alma e o corpo, sem o auxílio, não estão equipados com as faculdades que
possibilitam uma completa expressão do espírito humano. O espírito recém nascido
comunica-se com o Senhor através da língua (linguagem) recém nascida.
A linguagem que a nossa alma conhece e os pensamentos que a nossa mente
pensa colocam grandes restrições na livre expressão do nosso espírito. O nosso espírito,
com o Espírito Santo nele habitando, transcende a alma e sempre requer um outro meio
A. Carlos G. Bentes Paá gina 40 2/10/2018
de expressão, além daquele que a alma proporciona. É por isto que é de grande valor
que não limitemos as nossas orações e a nossa adoração ao que a mente compreende. É
uma vantagem ao invés de desvantagem que não saibamos o que estamos dizendo. Isto
faz com que as nossas capacidades mentais que são limitadas sejam ignoradas e nos
lança na esfera ilimitada do Espírito de Deus.
O orar-se em línguas é uma grande chave para o crente em seu caminhar no
Espírito. Este era um dos grandes segredos de Paulo (1Co 14.18). Enquanto o nosso
espírito não estiver fluindo na oração, a nossa vida de oração não está nem “a meio
caminho andado”. Temos que aprender a nos entregar e a orar no Espírito para que
tenhamos uma vida de oração eficaz e alegre.
Através de nossa perseverança em, profundamente, usarmos as línguas em nossas
vidas privadas, o Espírito Santo, continuamente transmite poder e energia a todo o
nosso ser. Através desta avenida, Deus pode dar-nos revelações e um estímulo às nossas
mentes, permear todo o nosso sistema emocional com o Seu Espírito, além de,
continuamente influenciar a nossa vontade afim de que vivamos numa obediência
absoluta a Ele.
Também desta avenida, a nossa saúde física pode ser libertada e emergir do
Espírito que concede vida, e que está dentro de nós, os nossos corações são reavivados
e os violentos ataques de doenças e enfermidades são impedidos.
É por isto que Paulo ao colocar restrições e controles com relação a línguas na
assembléia, fez exatamente o oposto referindo-se ao seu uso privado. Ele encorajou o
uso copioso de línguas.
É através deste meio que podemos rejuvenescer e reanimar ao nosso homem
interior por completo (Is 40.29-31).
NOTA: Um outro aspecto da nossa auto edificação através de línguas é visto
através de um exame cuidadoso de 1Co 14.5 o qual poderia, com toda validade, ser
interpretado assim: “Quisera que todos vós falásseis em línguas afim de que possais
profetizar...” (no grego, a construção destas sentenças pode expressar um propósito).
O falar em línguas, em outras palavras é, um degrau que nos conduz à
interpretação e à profecia. Este versículo não está mostrando um contraste entre duas
coisas, e sim referindo-se a uma progressão. O falar e cantar em línguas são a forma
mais fácil e menos complicada de aprender-se a profetizar.
Porque as línguas aparentemente atraem mais atenção e argumentação que os
outros dons?
1) Porque os oponentes fazem delas um ponto de discórdia. Isto força aos que
crêem em línguas a falarem sobre o assunto. Freqüentemente, temos a impressão de que
os pentecostais somente falam sobre isto, porque isto é tudo que eles perguntam.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 41 2/10/2018


2) Porque, freqüentemente, aqueles que falam em línguas dão uma ênfase
exagerada em seus ensinamentos e prática. Muitas vezes, isto tem sido feito numa
forma carnal e defensiva, tornando-se assim numa coisa ofensiva desnecessariamente.
3) Porque elas têm sido usadas em cultos fora da ordem bíblica: sem
interpretações, com um número excessivo de mensagens em línguas, etc. Onde quer
que haja muita vida nova o potencial para confusões também existe. Quanto maior for o
impulso espiritual, maior será o potencial para erros. Contudo, a maneira errada de
trazermos a ordem é extinguirmos a vida. As correções devem ser feitas sem que
sufoquemos a operação. Alguns têm a tendência de usarem extintores de incêndio
maiores e mais poderosos quando não há fogo algum. Não faz sentido dar-se ênfase a
controles quanto aos dons espirituais, se não houver nenhum dom em operação. Os
abusos não são resolvidos pelo desuso.
4) Por causa de sua própria natureza, elas são um sinal ou manifestação
sobrenatural que atrai muita atenção.
5) Porque as línguas são a possessão comum em potencial de todos os crentes, e
deveriam, por conseguinte, ser muito prevalecentes. É, portanto provável que elas
sejam um grande alvo de atenção, especialmente se forem abusadas.
6) As línguas são muitas vezes, usadas como base para as desaprovações dos
escarnecedores, incrédulos ou dos indoutos em tal doutrina. Elas são um sinal que
causam uma “ofensa” àqueles cujos corações não estão abertos a Deus.
7) Porque estão elas restauradas. O fato de elas terem sido negligenciadas ou
ausentes no passado acentua agora, sua ampla manifestação à medida que Deus
derrama o Seu Espírito, sobre toda carne.
Muitas vezes, durante o processo de restauração de uma faceta de uma verdade
que foi perdida, tal verdade recebe uma ênfase exagerada. Isto é quase que necessário
para que tal verdade seja colocada de volta em seu lugar de equilíbrio adequado, assim
como uma pessoa que esteja com uma grande necessidade de uma certa vitamina,
geralmente deve tomar grandes doses da mesma num certo período, para que o seu
sistema adquira o equilíbrio apropriado.

É o Espírito Santo que fala ou sou eu?


De certa maneira, são ambos, mas é de grande ajuda ao nosso entendimento que
compreendamos que temos que falar. Usamos os nossos próprios órgãos vocais por um
ato de nossas próprias vontades, cooperando com o Espírito Santo que nos está
movendo.
At 2.24. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar”. Observe
que “eles” é que falaram.
1Co 14.15.“Orarei... com o Espírito...” “Cantarei... com o Espírito”.

Não é exatamente correto que digamos que o Espírito Santo fala em línguas. Ele
nos estimula e nós falamos em língua. Contudo, numa forma geral é apropriado que

A. Carlos G. Bentes Paá gina 42 2/10/2018


digamos que o Espírito está falando através de nós. Este princípio é ilustrado nestas
duas referências:
At 13.2: “... disse o Espírito Santo...” (provavelmente através de um dos profetas
presentes).
1Tm 4.1: “O Espírito afirma expressamente...” (contudo foi através de Paulo que
a mensagem veio na verdade).

O orar em Línguas e o Subconsciente 13

O subconsciente ou inconsciente é a área da alma onde cada experiência que a


pessoa teve é armazenada em bancos de memória como as dos computadores. Tudo o
que vimos, pensamos, sentimos e percebemos desde o momento de nossa concepção até
o presente está ali.
Seria impossível conservar tudo na memória ativa de modo que é “armazenado”
no inconsciente. Seu subconsciente contém todos os sentimentos, pensamentos,
motivações já registradas em sua vida. A mente já foi comparada a um “iceberg”.
A ponta que está de fora é a parte consciente, mas a parte submersa é sete vezes
maior, é o subconsciente.

13
BENETT, Denis e Rita. TRINDADE DO HOMEM. Editora VIDA, 1982, p. 80.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 43 2/10/2018
Não há dúvida a respeito da existência da mente inconsciente, mas as opiniões
diferem quanto ao seu papel. Alguns acham que Deus entra na alma passando pelo
inconsciente. Outros dizem que o inconsciente é o espírito.
Não acreditamos ser esta a maneira correta de ver o inconsciente. Deus não entra
na personalidade por meio das profundezas do inconsciente, mas de uma direção
totalmente diversa. O espírito não é a mente inconsciente.
O inconsciente faz parte da alma. O espírito é uma área completamente diversa, e
é através do espírito que Deus chega a nós.
Diz o Dr. Thomas A. Harris a respeito da mente consciente e subconsciente: “As
provas parecem indicar que tudo que esteve em nossa consciência é gerado com
detalhes e armazenado no cérebro e pode ser reproduzido no presente”. Muitas
respostas do passado são reproduzidas no presente se alguém nos toca uma ferida
psicológica.
A mente subconsciente tem muitas recordações doloridas, “Longe dos olhos,
longe do coração” não é válido aqui. O que é bloqueado de nossa memória consciente
ainda influencia e dá colorido ao nosso pensar e ações a menos que seja curado.
Se uma ferida emocional é profunda demais, a pessoa não pode simplesmente
usar a inteligência e a força de vontade para resolver o problema. Os problemas do
subconsciente são involuntários.
O subconsciente motiva nossas ações como a propaganda subliminar pode, sem
que o percebemos, afetar o tipo de coisas que compramos.
As pessoas freqüentemente perguntam: “O falar em línguas vem do
subconsciente?” Não, não vem. Se viesse, teríamos uma jaula cheia de problemas todas
as vezes que falássemos em línguas, porque o subconsciente é um balaio de confusão.
O espírito recriado, onde Deus habita, é santo, logo, quando a pessoa ora nesse nível
mais profundo é edificada no espírito (1Co 14.4). Se viesse da parte subconsciente da
alma a pessoa seria edificada em um instante e no outro ficaria deprimida.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 44 2/10/2018


O falar em línguas não exige dados mentais, quer conscientes quer inconscientes,
mas procede diretamente do Espírito para o espírito do crente. Pode ser um processo de
cura para o inconsciente expressar-se, à medida que o Espírito Santo concede essa
capacidade, o que de outra forma, seriam necessidades inalcançáveis e inexprimíveis
encontradas no inconsciente.
O orar em línguas é um instrumento valioso na cura da alma. Todavia, embora
você tenha a habilidade de Deus de falar em línguas, pode ser que ainda precise de um
pouco mais de ajuda com oração específica e que cura a alma.

A vida de Deus está dentro de nós, devemos cooperar com Deus para que a sua
vida (zoe-zwh/) possa se manifestar em todas as facetas de nossa vida (Jo 12.24, 25).
O Espírito é a fonte de motivação; contudo, temos que obedecer e cooperar sem
esperarmos que Ele nos avassale e nos sobrepuje. Fazemos isto, estando totalmente
conscientes e com uma posse voluntária dos nossos sentidos.

É apropriado que os crentes orem ou adorem em línguas juntos ao mesmo


tempo?
As instruções de Paulo no 1Co 14 nos dão a ordem para a maioria das nossas
assembléias gerais. Se, contudo, uma reunião de crentes for feita com único propósito
de oração em conjunto, isto apresentará um quadro um pouco diferente. Se a reunião
for definitivamente, uma reunião só de crentes, haverá talvez, uma liberdade maior do
que aquela em que incrédulos estiverem presentes. É a nossa convicção, que numa
reunião como esta, onde a única ênfase está em comunicarmo-nos com Deus e não um
com os outros, que a oração e o louvor em línguas em conjunto estão de acordo com a
ordem.
Há na verdade um grande poder a bênção nisto.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 45 2/10/2018


Sabemos que a Igreja primitiva orava em conjunto (todos ao mesmo tempo) (Lc
24.52,53; At 4.24-31; 12.12; 21.5) e que, em várias ocasiões, todos eles falavam em
línguas em conjunto (At 2.1-4; 10.45,46; 19.6).
Há ocasiões em que Deus dirige Seu povo a cantar ou a falar juntos no Espírito.
Isto tem acontecido, como ondas através da história, como também nos próprios dias
em que vivemos. Muitas vezes, durante reavivamentos, isto simplesmente, surge
soberanamente quando Deus se move sobre um grupo de pessoas. O ponto principal é
que tal louvor e adoração não deveriam produzir confusão ou desarmonia, mas
deveriam ser feitos em unidade e com o único propósito de adorar a Deus ou orar. O
ponto principal é, essencialmente: “com quem temos o propósito de comunicarmo-nos,
Deus ou o homem?”.
O propósito desta lista é o de demonstrar que Paulo, não somente falou
negativamente sobre línguas em 1Co 14, mas também positivamente, e de mostrar
claramente que, quando havia restrições com relação a línguas, ele se referia ao seu uso
na congregação pública e não na vida privada. Na verdade, temos a impressão de que
ele remove qualquer controle ou censura no uso de línguas em nossas vidas privadas
(1Co 14.18,28).
A questão toda é que para comunicarmo-nos com os homens temos que fazê-lo
inteligivelmente e de maneira ordenada. Isto é uma demonstração de amor, o qual busca
a edificação dos outros, ao invés de satisfazermos aos nossos próprios desejos ou
necessidades (Ver em 1Co 14.4,5,12,17,26).

II. DIVERSIDADE DE MINISTÉRIOS.

“E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” 1Co 12.5.


O NASCIMENTO DOS MINISTÉRIOS NA IGREJA 14
Podemos distinguir duas grandes correntes ministeriais: a primeira, proveniente
da tradição hebraica, é composta por “presbíteros ou anciãos”, considerados, todos eles,
como “diaconias ou serviços”. Trata-se de termos técnicos institucionais já
consolidados no judaísmo da época cristã. O termo “presbítero” do Novo Testamento
não deriva do ambiente cultual, mas da sinagoga e da direção das comunidades. Só no
Apocalipse fala-se de uma ação litúrgica de presbíteros na Jerusalém celestial (Ap 4.4-
11; 5.6-10).
A segunda corrente ministerial depende da cultura greco-romana e consta de
bispos (prefeitos, diretores, gestores, administradores) e diáconos (domésticos, criados,
servos) que são dois termos profanos. Designam determinadas funções da sociedade
romana, sem, todavia serem cargos institucionais no sentido que os da tradição hebraica

14
ESTRADA, Juan Antonio. Para Compreender Como Surgiu a Igreja. 1ª ed. Saã o Paulo: Editora Paulinas, 2005, p. 322-
324.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 46 2/10/2018
possuem. Os bispos tinham uma função de inspetor, vigia ou administrador; eram os
altos funcionários, que controlavam as cidades com funções diretivas.
Os ministérios surgem como “serviços”, porque os doze apóstolos não podem
atender a todas as necessidades da Igreja (At 6.1-7). Todos os ministérios são diaconias,
até o ministério apostólico (At 1.17,25). Paulo também emprega abundantemente o
conceito de diaconia para falar dos ministérios, incluindo também o dele mesmo (Rm
11.13; 12.7; 15.31; 1Co 12.5; 16.15; 2Co 4.1; 5.18; 6.3; 8.4), já que inicialmente o
termo não designava um cargo preciso, mas a índole servidora de cada cargo e função.15
ESTRUTURA ECLESIÁSTICA 16
Examinando as Escrituras Sagradas, encontramos duas estruturas que sustentam a
Igreja:
1. A estrutura funcional, composta de bispos, presbíteros, diáconos e
discípulos (1Tm 3.1-13; Tt 1.5-9).
2. A estrutura ministerial, composta de apóstolos, profetas, evangelistas,
pastores e mestres, e os demais dons espirituais (Ef 4.11; 1Co 12.28).
(a) Na estrutura funcional. A fim de poder exercer uma função na Igreja, todo
cristão deve preencher as qualificações exigidas pela Palavra de Deus:
O bispo – 1Tm 3.1-7
O presbítero – Tt 1.5-9
O diácono – 1Tm 3.8-13
O discípulo – Atos 2.42; 1Co 11.2
(b) Na estrutura ministerial. Não há qualquer texto bíblico definindo as
qualificações de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, pois são dons
ministeriais. Então, a nossa convicção é que tais ministros devem viver de acordo com
os ensinamentos gerais expostos nas Sagradas Escrituras para todo o povo de Deus (Mt
5.48).

GOVERNO NA IGREJA LOCAL

QUEM SÃO “OS PRESBÍTEROS DA IGREJA”?


Os presbíteros da Igreja, de acordo com Atos 20.17,28 e 1Pedro 5.1-3, são os
irmãos plurais e co-iguais sobre cujos ombros repousa o governo do Corpo de Cristo
local em cada lugar. Eles operam sob a chefia direto do próprio Jesus Cristo.
PRESBÍTEROS, PASTORES E BISPOS
Essas três denominações são aplicadas aos mesmos irmãos plurais e co-iguais por
Paulo e Lucas em Atos 20 e por Pedro em 1Pedro 5.

15
ESTRADA, Juan Antonio Op. Cit., p. 326.
16
MORENO, Joseá . O Caminho do Peregrino. 1ª ed. Belo Horizonte, MG: www.anglicanalivre.org,br, 2006, p. 56,57.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 47 2/10/2018
De Mileto (Paulo) mandou a Éfeso chamar os presbíteros (presbuteron no
grego) da Igreja (At 20.17). A respeito desses idênticos homens, Paulo declara em v. 28:
sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos (ou superintendentes; no grego,
episkópous - ἐπισκόπους).
Paulo ainda instrui esses presbíteros, esses bispos, a pastorear (no grego, ποιµαίνω -
poimainō) a igreja de Deus. E a respeito desses mesmos homens que Paulo escreve
posteriormente em Efésios 4.11: E Ele mesmo concedeu uns... para pastores (ποιµήν
-poimen, no grego) com vistas ao aperfeiçoamento dos santos.
A estrutura funcional: o diácono 17
“Diácono”, em grego, significa: “aquele que serve”. Ele é um ministro ordenado
para auxiliar o presbítero e o bispo nas várias atividades da Igreja.
A Bíblia não define qual é a função do diácono. Isto ocorre, porque as
possibilidades de serviço na igreja são as mais diversas. Cada época, cada local e cada
situação apresentam necessidades específicas, pois a igreja é um organismo vivo, em
constante crescimento e transformação.
As qualificações pessoais exigidas de um diácono (1Tm 3.8-13), o treinamento
que recebe e a ordenação, fazem dele um auxiliar especializado. Essa condição lhe
permite exercer suas atividades em áreas importantes da obra de Deus, tais como ajudar
o presbítero a administrar o batismo e a eucaristia e, eventualmente, administrá-los,
quando convocado. Entre os deveres ministeriais do diácono, também estão dar
aconselhamento espiritual e pastorear o rebanho de Cristo.
A estrutura funcional: o presbítero 18
“Presbítero” (πρεσβύτερος), aparece três em grego nas epístolas pastorais (1Tm
5.17,19; e Tt 1.5,7), significa “homem maduro”. Transliterado do grego, πρεσβυ
significa “velho”; τερος, grau comparativo, significa “mais”. Etimologicamente,
presbíteros são “os mais velhos, mais maduros”. Sendo assim, a palavra presbítero tem
a ver com a idade e dignidade, exatamente como vemos em Israel 19. Ele é um ministro
ordenado com imposição de mãos (1Tm 4.14; Tt 1.6) para pastorear uma comunidade
local, como vigário do bispo, ou seja, seu representante. Ele administra a paróquia nos
seus aspectos terrenos, seculares (At 11.30) e, por causa do dom ministerial de pastor
(1Pe 5.1-4; Jo 21.15-17) e da comissão recebida do bispo, é também seu guia espiritual.
As qualificações pessoais exigidas de um presbítero podem ser vistas em Tt 1.5-
9.
O presbítero é um oficial da igreja que:
1. Dedica tempo integral na obra de Deus;

17
MORENO, José. O Caminho do Peregrino. 1ª ed. Belo Horizonte, MG: www.anglicanalivre.org,br, 2006, p. 57,58.
18
MORENO, José . Op. Cit., p. 58,59.
19
Os líderes da Sinagoga e na Igreja Primitiva, os quais eram consagrados no ofício, eram anciãos experientes, e por isso
eram chamados de presbíteros. Assim ao se fazer uso de tal termo, a ênfase recai na dignidade e experiência da pessoa.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 48 2/10/2018
2. Tem autoridade para tomar decisões em nível paroquial;
3. Pode ministrar a palavra de Deus, ensinando e pregando.

O Novo Testamento sempre se refere a “presbíteros” (no plural), sem exceção,


mostrando que a Igreja deve formar um “presbitério”, um corpo de presbíteros
agraciados com os diversos dons espirituais, um completando o outro, para o bom
andamento da diocese.20
A distinção de funções entre os membros do presbitério pode ser observada em
1Tm 5.17. Ali, encontramos “aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino”, em
contraste com os que não pregam ou ensinam. O bispo deve estar atento a essa
diversidade de vocações em seu presbitério, para que o povo de Deus seja melhor
servido por seus ministros ordenados.
O presbítero é chamado também de pastor (ποιµήν). O termo aparece 18 vezes no
Novo Testamento, 17 delas fazendo referência a Jesus como Pastor. E surpreendente
verificar que a palavra pastor (ποιµήν), pelo menos em sua forma substantivada, não é
usada para designar um ofício na igreja. Ela sequer aparece nas epístolas pastorais.
Como substantivo, designando ofício, ela aparece apenas uma única vez no Novo
Testamento em Ef 4.11: “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e
outros como evangelistas, e outros como pastores (ποιµένας) e mestres”. Todas as
vezes em que ela ocorre no Novo Testamento, ocorre ora fazendo referência a um
“pastor” de ovelhas, ora se referindo a Jesus como pastor (cf. Jo 10).
Já o verbo ποιµαίνω (poimaínō) que aparece 11 vezes no Novo Testamento
sempre faz referência a responsabilidade dos presbíteros que exercem seu ministério
pastoralmente.
A estrutura funcional: o bispo 21
Epíscopos (ἐπίσκοπος). Literalmente significa “supervisor (formado de ἐπι, “por
cima de”, e σκοπος “olhar”, “vigiar”). “Bispo”, no original grego, significa: “aquele
que olha de cima”. Ele é um ministro ordenado e consagrado para supervisionar a obra
de Deus. É um presbítero, atuando como primus inter pares (primeiro entre seus
iguais), ou seja, exercendo a função de supervisor do presbitério e do rebanho.
Do ponto de vista estritamente bíblico, os termos “bispo” e “presbítero” são
intercambiáveis e podem aplicar-se ao mesmo homem ou a homens com funções
idênticas ou muito parecidas. O bispo é designado para exercer funções de chefia ou
superintendência. Todo bispo é presbítero (comparar os versículos 17 e 28 de At 20; ver
também: Tt 1.6-7), mas, obviamente, nem todo presbítero é bispo.
Na igreja primitiva, sob o governo apostólico, aquilo que depois se tornou a
função de um bispo, era realizado por um apóstolo. Paulo teve que disciplinar um outro

20
Diocese. [Do gr. dioíkesis, pelo lat. diocese.] Substantivo feminino. Circunscrição territorial sujeita à administração.
21
MORENO, José . Op. Cit., p. 59,60.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 49 2/10/2018
apóstolo (Pedro) e certamente o fez investido da autoridade “daquele que olha de cima”
(o bispo) – Gl 2.11-14.
O bispo é o pastor principal da diocese e como tal a pastoreia (At 20.28).
Tradicionalmente, ele tem atuado como pastor de pastores (os presbíteros e os
diáconos), tornando-se um conselheiro para eles e um pai espiritual, exercendo
autoridade e disciplina no que se refere às suas vidas e ministérios.
Em algumas formas de cristianismo, uma Diocese (do grego antigo διοίκησις,
dióikessis, pelo latim dioecēsis) é uma unidade territorial administrada por um bispo. É
também referida como um bispado, Área Episcopal ou Sede episcopal (como na Igreja
Metodista). A diocese é a unidade geográfica mais importante da organização territorial
da Igreja. Na Igreja Católica e Comunhão Anglicana, uma importante diocese é
chamado de uma Arquidiocese (geralmente devido à sua dimensão ou importância
histórica), que é governada por um arcebispo, que podem ter autoridade metropolitana
sobre outras dioceses. No catolicismo romano, o Papa cria as dioceses em todo o
mundo e escolhe os seus bispos.
Dicas para o seu ministério
1. Sempre que houver uma atividade especial na sua Igreja (e em outras
ocasiões também), convide seus parentes e amigos para participar.
2. Abra a sua casa, convidando seus vizinhos para um bate-papo, um cafezinho.
A sua casa pode também abrigar um grupo de vida.
3. Participe dos programas escolares do seu bairro e influencie professores, pais
e alunos.
4. Procure conviver com parentes e amigos, indo ao cinema com eles ou a um
jogo de futebol.
5. Tenha sempre à mão folhetos evangelísticos e aproveite todas as
oportunidades para distribuí-los.
6. Memorize Lc 19.10 e faça uma lista com os nomes de pessoas perdidas e ore
para que Deus lhe dê oportunidades e estratégias para ganhá-las para Cristo.
7. Leia Mt 25.31-46 e procure envolver-se pelo menos mensalmente nas
atividades citadas por Jesus ali.
8. Leia livros sobre evangelismo e missões e faça cursos na área.
9. Receba e hospede em sua casa missionários e evangelistas.
10. Pense também em missões: ore pelos países das marcas de roupas que você
usa; mantenha correspondência (internet ou correio) com algum missionário
no Brasil ou no exterior; assista aos noticiários e ore pelos países citados nas
reportagens.
11. Procure saber a situação das igrejas ao redor do mundo.
12. Procure conhecer a vontade de Deus: ele quer que você o sirva como
missionário em algum lugar do Brasil ou do mundo?

ADVERTÊNCIA: NÃO CONFUNDIR OS MINISTÉRIOS COM OFÍCIOS.


A. Carlos G. Bentes Paá gina 50 2/10/2018
Embora muitos ministérios devam ser encontrados em uma Igreja do N.T.,
todavia há apenas dois ofícios definidos na organização da Igreja local. Estes são: o
ofício de diácono e o ofício de presbítero. Os presbíteros (ou anciãos) são a provisão
de Deus para o governo espiritual da Igreja local. Eles assumem a supervisão do
rebanho de Deus (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9; 2.2). Os diáconos são a provisão de Deus para a
supervisão dos aspectos naturais da Igreja local (At 6.3-6; 1Tm 3.8-13).
A palavra “presbítero” é uma transliteração da palavra grega “PRESBYTEROS”
(πρεσβύτερος). Esta palavra simplesmente significa “idoso” ou “velho”. Na Igreja do
N.T. este termo é usado especialmente para designar um homem que é o oposto do
neófito. Portanto a palavra “presbítero” descreve um homem e não um ofício.
Duas palavras que são geralmente confundidas com a palavra “presbítero” são
palavras “bispo” e “pastor”. Quando verificamos a relação destas palavras no N.T., não
há mais necessidade de confusão. A palavra “bispo” descreve um ofício (At 1.20) ou a
posição que o presbítero ocupa. A palavra “pastor”, que tem a conotação de alimentador
ou apascentador, descreve o trabalho que realiza o presbítero, no ofício de bispo. Para
melhor ilustrar esta diferença, note os versículos bíblicos seguintes, nos quais estes
termos são usados:
At 20.17,28: De Mileto mandou a Éfeso chamar os presbíteros (πρεσβυτέρους)
da igreja... Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos
constituiu bispos (ἐπισκόπους), para pastoreardes (ποιµαίνειν) a igreja de Deus, a qual
Ele comprou com o seu próprio sangue.
1Pe 5.1,2: Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu,... pastoreai o rebanho
de Deus que há entre vós.
Tt 1.5-7 ... para que ... constituísses presbíteros, conforme te prescrevi... que o
bispo seja irrepreensível...
1Pe 2.25. Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos
convertestes ao Pastor e Bispo das vossas almas.

DIVERSIDADE DE MINISTÉRIOS
Os dons ministeriais são indivíduos com um ou mais ministérios específicos,
dados à igreja (1Co 12.18-30; Ef 4.11). Ministérios são oportunidades para o serviço
cristão (diakonia) que estão abertas para nós para o exercício de nossa motivação
básica.
Estes ministérios foram dados por Deus, e são todos necessários para que os
propósitos de Deus sejam cumpridos na Terra. Um dos cinco não é suficiente.
Precisamos de tudo que Deus tem providenciado. O desejo de Cristo é ter uma Igreja
Gloriosa, sem mácula nem ruga (Ef 5.17), e Ele providenciou o ministério quíntuplo
para este plano soberano em Seu povo - até que todos cheguemos à unidade da Fé (Ef
4.13). Enquanto este objetivo não for atingido, enquanto não chegarmos à perfeita
varonilidade, podemos esperar que estes ministérios sejam importantes e funcionem na
Igreja de Jesus Cristo. Eles não foram dados apenas para uma época apostólica em
A. Carlos G. Bentes Paá gina 51 2/10/2018
particular, mas foram dados à Igreja, até o tempo em que a Igreja chegue à medida da
estatura da Plenitude de Cristo (Ef 4.13).
A finalidade dos dons ministeriais é o aperfeiçoamento dos santos para a obra do
ministério.
1. O Evangelista tem a função de treinar os santos para evangelizarem. A
maioria dos crentes não evangelizam porque nunca foram treinados.
2. O pastor tem a função de treinar os santos para pastorearem, treinar os santos
a consolidarem os novos convertidos na fé.
3. O mestre tem a função de treinar os santos a ensinarem aos novos
convertidos.
4. O profeta tem a função de ensinar os santos a profetizarem, e o propósito da
profecia é edificar, exortar e consolar.
5. A função do apóstolo é enviar os santos.
Os pilares da igreja em células: Ganhar, consolidar, treinar, edificar e enviar.
Vejam as relaçoã es dos cinco ministeá rios com os cinco pilares da igreja em ceá lula:
Evangelista Pastor Mestre Profeta Apóstolo
Ganhar Consolidar Treinar Edificar Enviar

1. APÓSTOLO (ἀποστόλος).
A palavra significa literalmente “enviado”. Este ministério é mencionado muitas
vezes em todo o Novo Testamento. De fato, há 79 referências a apóstolos. Existiram os
12 apóstolos que indubitavelmente possuem um lugar especial no Reino, pois estiveram
intimamente relacionados com o Senhor, tendo estado presentes à ceia de fundação da
Nova Aliança (Lc 22.14). Mas existiram também outros apóstolos que também
ministraram na época neotestamentária. Existiram homens com Andrônio e Júnias (Rm
16.7), Barnabé e Paulo (AT 14.14), Tito (2Co 8.23), e outros. Daniel Berg e Gunnar
Vigrem de certa forma foram apóstolos (Pioneiros das Assembléias de Deus no Brasil).
A ideia de apóstolo:
Há um primeiro ponto sobre o qual parece que se tenha conseguido certa
unanimidade: os textos dos sinóticos que falam de “os apóstolos” são redacionais e não
permitem afirmar que Jesus mesmo lhes tenha atribuído esse título. Tal título supõe o
testemunho sobre a ressurreição e Pentecostes [...]. De tudo isso se deduz que, histórica
e criticamente, “os apóstolos” e “os doze” não podem ser identificados pura e
simplesmente [...]. Lucas tende a identificar os apóstolos com os doze, tendência que
será confirmada pelo Apocalipse (Ap 21.14) e que parece ser testemunhada antes de
Lucas e no próprio Paulo (Gl 1.17), todavia sem que esse uso seja sistemático ou
exclusivo [...]. Mas em Paulo, e até uma vez nos Atos (At 14.4,14), o qualificativo
“apóstolo” é dado a outras pessoas além dos doze [...]. Se considerarmos a data
respectiva dos textos paulinos e lucanos, não parece que o título de apóstolo tenha sido
reservado, em um primeiro momento, aos doze, sendo estendido mais tarde a outros. É
bem mais provável que tenha ocorrido o contrário.22
22
ESTRADA, Juan Antonio. Para Compreender Como Surgiu a Igreja. 1ª ed. São Paulo: Editora Paulinas, 2005, p. 313-
314.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 52 2/10/2018
Apóstolos de Fundação 23
Os apóstolos do Novo Testamento tinham um tipo singular de autoridade na
igreja primitiva: autoridade para falar e escrever palavras que eram “palavras de Deus”
em sentido absoluto. Não acreditar neles ou desobedecer a eles era o mesmo que não
crer em Deus e desobedecer a Deus. Os apóstolos, portanto, tinham autoridade para
escrever palavras que se tornaram palavras da Bíblia. Este fato por si só nos sugere que
havia algo de singular no ofício de apóstolo, e não esperaríamos que ele continuasse
hoje, porque atualmente ninguém pode acrescentar palavras à Bíblia e tê-las na conta
de palavras de Deus ou como parte das Escrituras.
O próprio Novo Testamento possui três versículos nos quais a palavra apóstolo
(gr. apóstolos - ἀποστόλος) é usada em um sentido amplo, não para se referir a qualquer
ofício específico na igreja, mas simplesmente com o sentido de “mensageiro”. Em
Filipenses 2.25, Paulo chama Epafrodito “vosso mensageiro (apóstolos) e vosso
auxiliar nas minhas necessidades”; em 2Co 8.23, Paulo refere-se àqueles que
acompanharam a oferta que ele estava levando para Jerusalém como “mensageiros
[apostoloi] das igrejas”; e em João 13.16, Jesus diz: “...nem é o enviado [apóstolos]
maior do que aquele que o enviou”.
Mas há outro sentido para a palavra apóstolo. Com freqüência muito maior no
Novo Testamento refere-se a um ofício especial, “apóstolo de Jesus Cristo”. Nesse
sentido estrito do termo, não há mais apóstolos hoje, e não devemos esperar mais
nenhum apóstolo. A razão disso baseia-se no que o Novo Testamento diz sobre as
qualificações de um apóstolo e sobre quem foram eles.

23
GRÚDEM, Wayne. Teologia Sistemaá tica. 1ª ed. Saã o Paulo: Editora Vida Nova, 1999, p. 760—764.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 53 2/10/2018
a. As qualificações de um apóstolo. As duas qualificações de um apóstolo eram:
(1) ter visto Jesus Cristo após a ressurreição (ser testemunha ocular da ressurreição)
e (2) ter sido especificamente comissionado por Cristo como seu apóstolo.
O fato de que um apóstolo tinha de ter visto o Senhor ressurreto é indicado
em Atos 1.22, onde Pedro diz que o substituto de Judas deve “se tornar
testemunha conosco de sua ressurreição”. Além disso foi “aos apóstolos que
escolhera” que “depois de ter padecido se apresentou vivo, com muitas provas
incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias” (At 1.2-3; cf. 4.33).
b. Quem eram os apóstolos? O grupo inicial contava com doze – os onze
discípulos originais que continuaram após a morte de Judas, e Matias, que o substituiu:
“E os lançaram em sortes, vindo a sorte a recair sobre Matias, sendo-lhe então votado
lugar com os onze apóstolos” (At 1.26). Tão importante era esse grupo original de doze
apóstolos, os membros fundadores do ofício apostólico, que lemos que seus nomes
estão escritos nos fundamentos da cidade celestial, a nova Jerusalém: “A muralha da
cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze
apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14).
c. Resumo. A palavra apóstolo pode ser usada em um sentido amplo ou restrito.
Em sentido amplo ela significa “mensageiro” ou “missionário pioneiro”. Mas em
sentido restrito, que é o mais comum no Novo Testamento, refere-se a um ofício
específico, “apóstolo de Jesus Cristo”. Esses apóstolos tinham autoridade única para
fundar e liderar a igreja primitiva e podiam falar e escrever a palavra de Deus. Muitas
de suas palavras escritas tornaram-se as Escrituras do Novo Testamento.
Os doze primeiros apóstolos lançaram o fundamento da igreja como os primeiros
pioneiros e pregadores do Evangelho. Além disso, lançaram o fundamento da Igreja ao
receberem o Espírito Santo.
O ministério do apóstolo parece ser lançar o alicerce de igrejas locais (Ef 2.20).
Ao fazê-lo, eles estabelecem novas assembléias que já estavam estabelecidas, mas
precisavam ser melhor alicerçadas.
O apóstolo tem o equipamento sobrenatural chamado “governo” (1Co 12.28).
O missionário que é realmente chamado por Deus e enviado pelo Espírito Santo é
um apóstolo.
O Novo Testamento nunca menciona os missionários mas, o cargo de missionário
não deixa de ser importante. Está incluído aqui no ministério de apóstolo.
O apóstolo terá a capacidade dada por Deus de todos os Dons Ministeriais:
Fará o trabalho do Evangelista. Levará as pessoas à salvação.
Fará a obra do Mestre. Ensinará as pessoas e os firmará na Fé.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 54 2/10/2018


Fará a obra do Pastor. Pastoreará por algum tempo essas mesmas pessoas.
Ao estudarmos de perto a vida do apóstolo Paulo, notamos que ele disse que
nunca edificou em alicerce deitado por outra pessoa. Esforçava-se para pregar o
Evangelho onde Cristo ainda não fora proclamado (Rm 15.20), e sempre permanecia
numa localidade entre seis meses a três anos.
Sua vocação principal não era ser pastor, mas permanecia no local por um tempo
suficiente para deixar seus convertidos firmados na Verdade antes de ir para outro lugar.
Algumas características do ministério apostólico:
a) Ele é caracterizado por humildade (1Co 4.9; 2Co 10.18; 1Co 12.12).
b) Ele se sacrifica (2Co 11.22-29; 1Co 4.9-13)
c) O seu ministério é acompanhado por sinais e maravilhas (2Co 12.12).
d) Ele é paciente (2Co 12.12).
e) Ele é estabelecido no Corpo por Deus, e não pelo homem (1Co 12.28)
f) Ele não é dominador sobre o rebanho (2Co 1.24; 1Pe 5.3).
g) Ele precisa produzir fruto apostólico (1Co 9.1,2).
Alguns se perguntam se existem apóstolos hoje. Ninguém, nem sequer Paulo,
poderia ser um apóstolo no mesmo sentido dos DOZE originais. Havia somente “doze
apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14).
As qualificações deles (12) foram delineadas em At 1.21,22, quando então os 11
apóstolos selecionaram um apóstolo para ocupar o lugar de Judas Iscariotes. Vemos,
que para ser um dos Doze apóstolos do Cordeiro, era necessário ter acompanhado os
Doze Apóstolos originais e Jesus durante o período inteiro do Seu ministério de três
anos e meio (Paulo não estava com eles). Mesmo assim, hoje existem apóstolos no
sentido de Barnabé, Paulo, e ou terem sido apóstolos.
Ef 4.11. E Ele mesmo concedeu uns para APÓSTOLOS... Se Deus tivesse tirado
esse ministério, ou qualquer outro, fora dessa lista, a Bíblia deveria nos ter informado.
Todos os dons do ministério foram dados com vista ao aperfeiçoamento dos santos para
o desempenho do ministério, e para edificação do Corpo de Cristo. Esses dons incluem
os apóstolos.
ELE DEU UNS PARA APÓSTOLOS24

24
http://www.anglicanalivre.org.br. +José Moreno, um bispo e apóstolo anglicano.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 55 2/10/2018
Quando uma pessoa tem ideias preconcebidas nenhum argumento é suficiente
para convencê-la do contrário. Isto é particularmente verdade no campo da religião;
mesmo diante de evidências irrefutáveis, ela não arreda o pé. É como Chicó, de Auto
da Compadecida: “Não sei; só sei que é assim”.
Algo semelhante ocorre com o ministério de apóstolo. Enquanto proliferam por
aí muitos autodenominados apóstolos, brotam mestres ensinando que este ministério
teria cessado no “tempo dos apóstolos”, quer dizer, quando o último dos Doze morreu.
Entre aqueles e estes, há uma relação de equivalência complexa, fenômeno linguístico
que ocorre quando dois eventos distintos, não ligados entre si, são apresentados como
tendo o mesmo significado, como sendo equivalentes. Assim, o fato de existirem falsos
apóstolos implicaria em que não temos os verdadeiros. Será?

O bom senso, a honestidade e o desejo de estabelecer a verdade bíblica devem


fazer-nos examinar mais de perto esta questão. Se não há mais apóstolos, denunciemos
os falsos. Se ainda há, denunciemos os falsos e honremos os verdadeiros.

O apóstolo Paulo teve problemas nesta área. Parece que houve quem duvidasse
do seu apostolado. E então ele escreveu aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os
outros, ao menos o sou para vocês; porque vocês são o selo do meu apostolado no
Senhor” (1Co 9.2) e: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vocês
com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas” (2Co 12.12).

A origem do ministério de apóstolo pode ser encontrada nas seguintes Escrituras:

“Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.
Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora,
isto — ele subiu — que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas
da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus,
para tornar tudo pleno. E ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas, outros para pastores e mestres” (Ef 4.7-11).

A. Carlos G. Bentes Paá gina 56 2/10/2018


“E, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos, em segundo lugar
profetas, em terceiro mestres, depois milagres, depois dons de curar, socorros,
governos, variedades de línguas” (1Co 12.28).

O próprio Deus deu apóstolos para a igreja e os estabeleceu nela. O termo


“apóstolo” significa literalmente “emissário; enviado” e refere-se a um ministro
encarregado de exercer um ministério pioneiro, cujo objetivo é plantar novas igrejas e
dar-lhes a base doutrinária sobre a qual outros edificarão (1Co 3.10).

Os cessacionistas, porém, dizem que não há mais manifestação de dons


espirituais atualmente e negam, portanto, sua contemporaneidade. Até J. I. Packer, um
dos maiores teólogos anglicanos, em seu excelente livro Teologia Concisa, publicado
em 1999 pela Editora Cultura Cristã, contaminado pelo pensamento cessacionista,
chega ao absurdo de dizer que não está claro se ao escolher Matias, os apóstolos
estavam certos e Paulo seria então o décimo terceiro apóstolo, ou, se Paulo fosse o
substituto de Judas pretendido por Cristo, a escolha de Matias teria sido um equívoco;
e, pior, ele diz que isto não está claro em Atos e que o próprio Lucas pode não ter
sabido o que era o certo! (págs. 184-185). Lucas não foi inspirado por Deus ao escrever
Atos?

É difícil aceitar a tese cessacionista, pois Deus faz o que ele é, e o que ele é ele
faz. Milagres e outras manifestações sobrenaturais não são apenas realizados por Deus,
mas fazem parte da natureza mesma de Deus. Negar a operação dos dons espirituais é o
mesmo que afirmar que o Espírito eterno concluiu sua ação na igreja. Mas se ele é
Deus, e é eterno ― ele é! ― então suas operações acontecem normalmente, pois
integram a essência divina. Onde Deus está o sobrenatural acontece normalmente.

Se houvesse um texto bíblico afirmando a cessação dos dons, é claro que não
teríamos o que discutir. Não há. O cessacionismo é basicamente uma reação aos
exageros do montanismo do século II e do pentecostalismo dos séculos XIX ao XXI.

Outro problema com o cessacionismo é que ao abraçá-lo eliminamos os demais


ministérios: profetas, evangelistas, pastores e mestres, ministérios esses que foram
dados aos homens juntamente com o de apóstolo (Ef 4.11), com propósitos bem
definidos, dos quais a igreja ainda não pode prescindir, a saber:

“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para


edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao
conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de
Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados ao redor por todo o
vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam
fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que
é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas

A. Carlos G. Bentes Paá gina 57 2/10/2018


as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua
edificação em amor” (Ef 4.12-16).

Vejamos este texto mais de perto: Deus ainda quer “o aperfeiçoamento dos
santos”; a “obra do ministério” ainda está por fazer; o corpo de Cristo ainda precisa ser
edificado; a unidade da fé ainda é um alvo a ser atingido pela igreja; o “conhecimento
do Filho de Deus” não está completo (ainda é atual a exortação do profeta:
“Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” – Os 6.3); não chegamos nem
perto da estatura de Cristo, o homem perfeito; a bem da verdade, talvez nunca tenha
havido tanta meninice e inconstância como agora; quanto vento de doutrina tem levado
os crentes de um lado para outro; quantos homens astutos e fraudulentos têm enganado
os incautos!

Portanto, os propósitos de Deus ainda não foram plenamente alcançados e já


podemos dispensar os ministérios, ou algum deles? Especificamente o primeiro, o
apóstolo? Estou convencido que não.

Há ainda outro problema com o cessacionismo: é que ao abraçá-lo eliminamos os


demais dons: profetas, mestres, milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades
de línguas. Como estas listas são representativas e não exaustivas, qualquer dom
espiritual fica obsoleto. Seria uma temeridade a igreja existir sem profetas (aqueles que
falam inspirados por Deus); sem milagres (eu mesmo estou esperando um grande nestes
dias); sem os dons de curar (é fato que mesmo os melhores hospitais e tratamentos
médicos não dão conta da imensidão de doenças que assolam a humanidade); sem
socorros, ou seja, sem atos de beneficência e misericórdia; sem governos, quer dizer,
sem administração inspirada pelo Espírito Santo; sem variedade de línguas, um dom
utilíssimo para a autoedificação em tempos tão bicudos.

Uma igreja assim estaria morta, destruída, de tal modo que não poderia ser
restaurada. Uma igreja assim precisaria confiar nos dotes intelectuais de seus líderes,
nos diplomas universitários, na capacidade humana, a qual já demonstrou não ser muito
chegada às coisas de Deus.

O argumento de que para alguém ser um apóstolo é necessário ter visto Jesus
pessoalmente provém de uma interpretação equivocada da oração feita para a
substituição de Judas Iscariotes: “É necessário, pois, que dos homens que conviveram
conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus esteve entre nós, começando desde o
batismo de João até o dia em que dentre nós foi recebido nas alturas, um deles se faça
conosco testemunha da sua ressurreição” (At 1.21-22).

Eles, os Doze, exerceram um apostolado inicial e especial, e protótipo do


apostolado que Cristo daria aos homens alguns anos após sua ascensão. A carta aos
Efésios foi escrita mais de três décadas depois (ano 62); a primeira aos Coríntios, quase

A. Carlos G. Bentes Paá gina 58 2/10/2018


três décadas depois (ano 56). Os ministérios, pois, foram dados tardiamente à igreja,
depois que vários dos primeiros apóstolos já haviam morrido.

A escolha de Matias foi para completar os Doze, cujos nomes estarão inscritos na
nova Jerusalém juntos com os doze patriarcas do Antigo Testamento. A intenção era
que Matias fosse testemunha da ressurreição de Cristo, pois este era o tema da pregação
deles. Mas em nenhum lugar no Novo Testamento se lê que ser testemunha ocular da
ressurreição era condição para outros exercerem o apostolado.

Paulo, que não era dos Doze e que não viu Jesus em carne, mas em uma teofania
na estrada de Damasco, e que era apóstolo, ensinou que todo cristão deve ter uma
experiência com a ressurreição e com as aflições de Cristo (Fp 3.10). Esta é,
necessariamente, uma experiência mística e acessível a todos os que são habitação do
Espírito Santo.

Barnabé era apóstolo: “Ouvindo isto, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo,


rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão” (At 14.14). Obviamente,
ele não era dos Doze e provavelmente não havia visto Jesus encarnado.

Andrônico e Júnia eram apóstolos: “Saúdem Andrônico e Júnia, meus parentes e


meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que
estavam em Cristo antes de mim” (Rm 16.7). Eles também não eram dos Doze nem
viram Jesus em carne.

A respeito de Tiago, irmão do Senhor, Paulo escreveu: “E não vi a nenhum outro


dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1.19). Ele era apóstolo, embora
não fizesse parte dos Doze, mas é óbvio que havia conhecido seu irmão em carne e o
tinha visto ressurreto.

Epafrodito era apóstolo (Fp 2.25). O termo “enviado” nas Bíblias em português é
traduzido do grego ἀπόστολον, apóstolo. Não sei o motivo por que se traduz assim em
nossa língua. A Vulgata Latina grafa: apostolum, não misit, enviado.

Do mesmo modo, Paulo cita alguns irmãos que eram “apóstolos das igrejas e
glória de Cristo” (2Co 8.23). No grego se lê: ἀπόστολοι, na Vulgata: apostoli; mas nas
nossas traduções em português encontramos: “enviados”, “mensageiros”,
“embaixadores”, “representantes”. Também não sei por quê.

Enfim, é preciso esforçar-se para negar a contemporaneidade do ministério de


apóstolo. É claro que há muitos falsos apóstolos, mas isto não é privilégio dos nossos
tempos, como notou Paulo: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos,
transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13). Além disso, como alguém
poderia se transfigurar em apóstolo de Cristo se fosse notório que não havia mais este
ministério na igreja? Seja como for, abusus non tollit usum, o abuso não impede o uso.
Este é um princípio latino, segundo o qual pode-se usar de uma coisa boa em si mesma,
A. Carlos G. Bentes Paá gina 59 2/10/2018
ainda quando outros usam dela abusivamente. Ninguém rejeita o dinheiro verdadeiro
porque há cédulas falsas por aí!

Finalizando, ressalto que os apóstolos exercem também a supervisão das igrejas


que plantaram ou ajudaram a plantar, orientando-as na doutrina, ordenando-lhes
presbíteros e diáconos, e zelando pela disciplina delas. O ministério do apóstolo é tão
atual e necessário nos dias de hoje como era nos tempos da igreja primitiva. Eu não
tenho a menor dúvida quanto a isto.

Alguns obreiros possuem manifestações de uma ou mais facetas deste ministério.


Alguns possuem a habilidade de impor as mãos e Jesus batizar no Espírito Santo,
todavia não possuem a habilidade de estabelecer novas assembléias (At 8.5-20). Outros
apesar de não possuírem a habilidade de estabelecer novas assembleias, possuem
todavia, a habilidade de fundamentar na verdade assembléias já existentes.
Outra característica de um apóstolo que não citamos anteriormente é a habilidade
de impor as mãos e Jesus batizar em massa no Espírito Santo (At 8.17,19; 9.17; 19.6,7).
2. PROFETAS (προφήτας) - O profeta (προφήτης) não é uma figura nova no
Novo Testamento. Muito semelhante aos profetas antigos, eles têm um ministério duplo
de predizer e anunciar. Profeta no sentido neotestamentário é aquele que fala
obedecendo ao impulso duma repentina inspiração, à luz duma súbita e momentânea
revelação (1Co 14.29,30). O ministério do profeta é freqüentemente ligado ao
ministério do apóstolo, e ambos são vistos trabalhando juntos como ministérios
fundamentais (Ef 2.20). Ágapo é o profeta mais notável no livro de Atos, predizendo
uma fome, e a prisão de Paulo (At 11.27,28; 21.10-14). Os profetas ministravam
especialmente ao Corpo de Cristo nas assembléias ou reuniões (1Co 14.29-31,37); na
ordenação e envio de obreiros, sob os auspícios da assembléia local (At 13.1-3); e
exortação, edificação e consolação de todo o Corpo (1Co 14.3).
Um profeta deve ser primeiramente um ministro do Evangelho, separado e
chamado para o ministério. Segundo Kenneth Hagin não existe profetas entre os
chamados leigos. Há pseudoprofetas que só profetizam para mulheres carentes, viúvas
etc., tais profetas recebem ofertas avulsas destas pessoas carentes quando deveriam ser
pastores devidamente remunerados. tal situação leva estes profetas muitas vezes a
profetizarem de seus próprios corações.

Algumas características do ministério de profeta são:


a) Ele precisa ter o dom de profecia (1Co 12.10).
b) Ele precisa ter o dom Palavra da sabedoria (1Co 12.8).
c) Ele precisa ter o dom Palavra do Conhecimento (1Co 12.8).
d) Ele precisa ter o dom Discernimento de espíritos (1Co 12.10).
e) Ele precisa ser escolhido por Deus (1Co 12.28,29).
f) Ele precisa ter uma vida de santidade e humildade.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 60 2/10/2018
g) Ele precisa estar disposto a permitir que suas profecias sejam julgadas (1Co
14.29).
h) Ele estabelece verdades fundamentais (Ef 2.20).
i) Ele dá revelações divinas (Ef 3.3-5).
j) Ele exorta, confirma e aconselha os irmãos (At 15.32).
k) Ele tem visões e revelações (At 9.17;22.17,18). Os profetas do Velho
Testamento eram chamados videntes.
l) O ministério de cura acompanha o ministério de profeta (Lc 4.27; 2Rs 5.3).

Muitos supõem que o profeta não faz nada a não ser profetizar. Mas o principal
ministério do profeta é PREGAR e ENSINAR a Palavra de Deus.
João Batista era um grande profeta, todavia não há nenhum registro de nenhuma
profecia a não ser que após ele viria o Messias. Mas João pregou a mensagem do
Reino.
Aconselho os irmãos a lerem os livros: “Compreendendo a UNÇÃO”; “ELE
concedeu Dons aos Homens”; “Os Dons do Ministério” de Kenneth Hagin.
Um pequeno exemplo: “Um dia na congregação da Assembleia de Deus em
Manaus no bairro chamado São Jorge, estava pregando uma mensagem e no meio
desta, uma jovem entrou no templo, e neste momento me veio uma palavra de
conhecimento - O Espírito Santo revelou-me que aquela moça pretendia dar fim a sua
vida. Passei então a narrar para aquela igreja local e para aquela jovem o que me vinha
ao meu espírito; ela veio chorando a frente e confirmou tudo aquilo que o Senhor
estava revelando.
3. EVANGELISTAS (EUANGUELISTÁS - εὐαγγελιστάς) - O vocábulo
aparece apenas três vezes no Novo Testamento (At 21.8; Ef 4.11; 2 Tm 4.5). Significa
aquele que leva o Evangelho, que prega o Evangelho, e, literalmente “mensageiro de
boas novas”. É-nos mostrada a necessidade de evangelistas na obra de aperfeiçoamento
da Igreja (Ef 4.11); Paulo instrui Timóteo, que na realidade era um apóstolo para fazer a
obra de um evangelista (2 Tm 4.5); mas se desejamos saber qual é o trabalho de um
evangelista, precisamos estudar o ministério de Felipe, o evangelista (At 21.8; 8.1-
13,26-40).

Características do Ministério de Evangelista:


a) O seu ministério é duplo: Evangelismo público e pessoal (At 8.1-13,26-40).
b) O seu ministério é especialmente aos perdidos e doentes (At 8.1-13,26-40).
c) Deve ser diligente na palavra (2 Tm 2.15; 4.1-5).

4. PASTORES (ποιµένας - poiménas) - Pastor no grego significa guardador de


ovelhas - (Jo 10.11; Hb 13.20; 1Pe 2.25; 5.4) - Poimen - ποιµήν (At 20.17).
Dons do pastor: o dom da Fé e o dom da liderança.
A. Carlos G. Bentes Paá gina 61 2/10/2018
Enquanto o ministério dos apóstolos, profetas e evangelistas pareça ter natureza
móvel, aos pastores é dado governar as assembléias locais. Jesus era e é o Bom Pastor,
e é, portanto, o verdadeiro pastor.
Características de um pastor:
a) Alimenta as ovelhas (1Pe 5.2). Apascentai - Pastoreai (Poimanate).
b) Guia, dirige e governa as ovelhas (1Pe 5.2; At 20.17,18)
c) Ama as almas das ovelhas (Hb 13.17).
d) Cuida das ovelhas (Jo 10.11-14)
e) Está disposto a dar a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.15-18).
ADVERTÊNCIA: A situação dos falsos pastores (Ez 34.1-10; Jr 23.1).

5. MESTRE (DIDÁSKALOS - διdάσκαλος. Os mestres (διdασκάλους)


também são essenciais para o aperfeiçoamento dos santos. O dom ministerial de mestre
abrange mais do que a exposição e a explanação da Bíblia em aulas bíblicas (todos os
presbíteros devem ser capazes de ensinar - 1Tm 3.2; Tt 1.9), mas este também é um
ministério cujo padrão deve ser Cristo, que era o Grande Mestre. O ensino e os mestres
têm um lugar bem definido e importante nas igrejas do NT, e isso se prova pelo fato de
serem mencionados nas três listas dos ministérios (Rm 12.6-8; 1Co 12.28,29; Ef 4.11).
Apesar de que os pastores tivessem que ser aptos para o ensino (1Tm 3.2), o mestre
podia ser chamado para um ministério itinerante, semelhante aos dos apóstolos e dos
evangelistas; e, na verdade, quando mais notável fosse o seu ministério e seu dom de
ensinar, melhor seria. Um caso que as Escrituras nos apresentam é o de Apolo, que
viajava constantemente (At 18.27; 1Co 16.12; Tt 3.13).
O ministério de ensinar é o que constrói o edifício sobre o alicerce lançado pelos
Apóstolos e Profetas. É o mestre que deve criar profundas raízes nos santos. A
promessa de Deus nestes dias é restaurar verdadeiros mestres à Igreja (Is 30.20).
Características do ministério de mestre:
a) Ministra com dedicação (Rm 12.7).
b) Ensina por milagres (Lc 5.1-10).
c) Ensina por raciocínio (At 24 e 25).
d) Edifica sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas para estabelecer os
santos e dar-lhes raízes (1Co 3).
Jesus Cristo é padrão para os cinco ministérios:
1. Apóstolo e Sumo Sacerdote: Hb 3.1;
2. Profeta: Jo 4.19;
3. Evangelista: Lc 4.18;
4. Pastor: Jo 10.11-17;
5. Mestre: Jo 3.2.

Todos estes ministérios são susceptíveis de abusos por parte dos homens. Há
falsos apóstolos que se autonomeiam, explorando o povo de Deus (2Co 11.11-15). Há
falsos profetas, que profetizam do seu próprio coração (At 13.6). Há falsos evangelistas
A. Carlos G. Bentes Paá gina 62 2/10/2018
que enganam o povo de Deus com métodos antibíblicos e engodos. Há falsos mestres
que introduzem “heresias” destruidoras (2Pe 2.1). Há falsos pastores que são
mercenários, e não amam as ovelhas, e tosquiam o povo de Deus (Ez 34.1). Por toda a
Bíblia há severas advertências contra esses tipos de coisas. Devemos rescindir os falsos
ministérios, todavia devemos tomar cuidado para não rejeitar os verdadeiros
ministérios.
Em 1Co 12.28-31 Paulo amplia a relação de Efésios capítulo 4:

“28E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos;
em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, doutores ... Vêm, a seguir, os dons dos
milagres, das curas, da assistência, do governo e o de falar diversas línguas.
29Porventura, são todos apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? Todos realizam
milagres? 30Todos têm o dom de curas? Todos falam línguas? Todos as interpretam?
A hierarquia dos carismas. Hino à caridade — 31Aspirai aos dons mais altos.
Aliás, passo a indicar-vos um caminho que ultrapassa a todos” (Bíblia Jerusalém).

Ef 4.11 1Co 12.28-30


1º) Apóstolos 1º) Apóstolos
2º) Profetas 2º) Profetas
3º) Evangelistas 3º) Mestres
4º) Pastores 4º) Operadores de Milagres
5º) Mestres 5º) Dons de Curar
6º) Socorros
7º) Governos
8º) Variedades de Línguas
9º) Interpretador de Línguas

6. OPERADORES DE MILAGRES (dynámeis - δυνάµεις). Dynamis


(δύναµις). A palavra “dynamis” (δύναµις) aparece 119 vezes no Novo Testamento. Em
1Co 12.10 aparecem duas palavra gregas: Energēmata (ἐνεργήµατα) e dynámeōn
(δυνάµεῶν). Dynamis é traduzida milagre, todavia nos outros textos é traduzida por
obra poderosa, poder, força, poderoso, virtude e de diversas formas em outras versões.
Em 1Co 12.28 a frase “Operadores de Milagres” é a tradução apenas da palavra grega
dynámeis (δυνάµεις) que literalmente seria traduzida por “poderes”. “Energēmata
(ἐνεργήµατα) plural de enérgēma (ἐνέργηµα) vem de energuéō – energizar (ἐνεργέω)
que dá origem a palavra energia em Português. Dynamis é energia ou poder de Deus.
Paulo pregou não somente em palavra, mas em Poder (dynamis) - (1Ts 1.5). Não
podemos ser bem sucedidos se Deus não cooperar conosco com sinais e prodígios.
Devemos orar pedindo poder para pregarmos a Palavra com intrepidez e que o Senhor
coopere conosco estendendo a Sua mão para fazer curas, sinais e prodígios por
intermédio do Nome de Jesus (At 4.29,30). Este ministério difere do dom Operações de
milagres apenas em amplitude, pois o Dom Ministerial é uma pessoa dotada do dom de

A. Carlos G. Bentes Paá gina 63 2/10/2018


Operações de milagres. Assim como nem todo o que profetiza é profeta, também nem
todo o que tem a manifestação do dom Operações de milagres é Operador de Milagres.
Todavia, aquele que é profeta tem que ter o dom de profecia, também aquele que um
Operador de Milagres tem que ter o dom de operações de milagres.
7. Dons de Curar (χαρίσµατα ἰαµάτων – Kharismata Iamátōn). O que vale para
o que foi dito anteriormente (sobre os dons de curar) vale também aqui. Existe o dom –
dons de curar, também existe o ministério dons de curar.
8. Socorros (antilémpseis - ἀντιλήµψεις). Antílēmpsis - ἀντίλημψις - Socorros
é o ministério de socorrer em todas áreas, tanto material como espiritual.
9. Governos (κυβερνήσεις). Governo - κυβέρνησις. A definição de Peter
Wagner do Dom da Administração é a seguinte: “É aquela capacidade especial que
Deus dá a alguns membros do Corpo de Cristo, capacitando-os a entender claramente
os alvos imediatos e a longo prazo de alguma unidade particular do Corpo de Cristo, a
fim de traçar e executar planos eficazes para a concretização daqueles alvos”. Para
Peter Wagner, pastores como o Dr. David Yonggi possuem o Dom da Liderança, e
outros pastores locais podem não possuir este dom, todavia podem possuir o Dom da
Administração e serem bem sucedidos em suas igrejas menores. A palavra usada em
1Co 12.28 é KYBERNĒRSEIS (κυβερνήσεις) de kybérnēsis que significa a ação de
pilotar um navio. E a palavra usada em Rm 12.8 – proístemi (προϊστημι) significa
chefiar, presidir e governar.
10. Variedades de Línguas (γένη – nações; γλωσσῶν - línguas). Existe o dom
de variedade de línguas (1Co 12.10) e existe o ministério de variedades de línguas
(1Co 12. 28). Ainda que todos possam dar um passo de fé, ocasionalmente, e falar em
diversas línguas, não é bíblico o ensinar-se que todos devem ter qualquer um dos dons
ministeriais do Espírito. Esta era uma das principais ênfases de Paulo em seus
ensinamentos sobre os dons e ministérios do Corpo (Rm 12.3-8; 1Co 12.4-31).
11. Interpretador de Línguas (διερµηνεύουσιν). Diermēneúō - διερµηνεύω –
Intérprete de línguas de outras nações. É a habilidade sobrenatural e espontânea de
interpretar-se uma comunicação dada em línguas na língua que é compreendida pelas
pessoas presentes. Novamente, isto não tem, absolutamente nada a ver com um
conhecimento natural de línguas, mas procede diretamente, do Espírito Santo (1Co
12.10). Este ministério está também acima do dom de Interpretação de línguas.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 64 2/10/2018


III. DIVERSIDADES DE OPERAÇÕES

DIVERSIDADES DE OPERAÇÕES (1Co 12.6).


DIAIREÇEIS ENERGEMATON
Hoje esquecidas. Quando Deus opera com diversidade de operações os ministros
que as operam são chamados “loucos, místicos, exagerados, falsos profetas, inovadores,
perturbadores da ordem e etc.”.
Mas as diversidades de operações são bíblicas:
Eliseu deitou-se sobre um corpo morto, aqueceu-o e ordenou que a morte se
retirasse e o menino reviveu (2Rs 4.34-36). Mas antes ele estava importunado até que
veio a diversidade de operação com unção de Deus. Eliseu era um homem
perseverante. Quando ele ordenou ao rei Jeoás que tomasse as flechas e o arco, e
atirasse as flechas pela janela e disse que aquelas seriam as flechas do livramento, mas
o rei atirou apenas três flechas e cansou-se. Eliseu ficou indignado, e disse-lhe: Cinco
ou seis vezes deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir; porém agora
só três vezes os ferirás (2Rs 13.19).
São muitas as diversidades de operações na Bíblia:
a) Paulo ungiu roupas.
b) A sombra de Pedro curava.
c) A imposição de mãos: Algumas pessoas são curadas; outras ordenadas ao
ministério; bênçãos são transferidas; autoridade e unção; poder (muitas
pessoas caem devido ao poder transferido das mãos).
d) Smith Wigglesworth deu um soco no abdômen de uma mulher com úlcera e
ela foi curada.

OPERAÇÕES DE MILAGRES (ENERGEMATA DYNAMEON).


Energēmata dynámeōn = ἐνεργήµατα δυνάµεων.
O milagre é intervenção sobrenatural na função normal da natureza; a suspensão
temporária da ordem habitual; a interrupção do sistema natural observado pelos
homens.
O milagre é um ato soberano do Espírito Santo, que não depende das leis e
sistemas naturais.
O Novo Testamento emprega três palavras gregas diferentes para expressar
“milagres”:
1. Téras (τέρας). Esta palavra, traduzida por “prodígio” ou “prodígios”, é
encontrada apenas 16 vezes no Novo Testamento, em cada caso ligada a semeion como
“sinais e prodígios”. Na literatura grega, terás denotava alguma aparição terrível que
evocava temor e terror e que contradizia a ordem do universo. A Septuaginta [tradução
grega do Antigo Testamento hebraico terminada no segundo século a.C.] usa terás para
A. Carlos G. Bentes Paá gina 65 2/10/2018
traduzir mofet, indicando assim um símbolo, sinal ou milagre. O termo
veterotestamentário e seu equivalente do Novo Testamento estão ligados à revelação de
Deus de si mesmo aos seres humanos.
2. Dynamis (δύναµις). Que significa poder miraculoso, milagre, obra poderosa,
poder, força, poderoso, virtude;
3. Sēmeion (σηµεῖον). Esta palavra grega significa “sinal, prodígio, ou milagre”.
O significado básico da palavra indica um sinal pelo qual se reconhece uma pessoa ou
coisa específica. Quando a palavra semeion tem uma dimensão maravilhosa ou
extraordinária, geralmente é traduzida por “sinal milagroso”. O Expository Dictionary
oi Bible Words (Dicionário Expositivo de Palavras Bíblicas) observa que esta palavra
“enfatiza o aspecto de autenticação do milagre como indicação de que poder
sobrenatural está envolvido”.
O apóstolo João empregou de forma consistente a palavra sēmeion para
descrever as obras de Cristo. Este emprego encarece o valor de “sinal” dos milagres. O
sinal não é importante em si mesmo, mas para o que ele ressalta ou indica. Dessa
forma, os milagres de Cristo foram importantes por aquilo para o qual apontavam.
João selecionou somente sete milagres de um número muito maior e os registrou
tendo em vista um propósito definido: “Jesus, na verdade, operou na presença de seus
discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém,
estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo,
tenhais vida em seu nome”. Portanto, uma das principais finalidades dum milagre é
levar as pessoas a crerem que Jesus Cristo é o filho de Deus, o Salvador do mundo, de
modo que crendo possam ter a vida eterna por intermédio dele.
Nicodemos disse a Jesus: “sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém
pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2).
Pedro no seu sermão no dia de Pentecostes disse: “Varões israelitas, escutai estas
palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres,
prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”
(At 2.22).
Jesus citou suas obras miraculosas como prova de sua missão messiânica aos
mensageiros de João Batista: “Ora, quando João no cárcere ouviu falar das obras do
Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou
havemos de esperar outro? Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis
e vedes: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos
ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.” (Mt 11.2-
5).
Os discípulos do Senhor receberam a Grande comissão de levar o Evangelho ao
mundo todo. Foi-lhes dito que sinais maravilhosos acompanhariam aqueles que
cressem: “E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão
demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa
A. Carlos G. Bentes Paá gina 66 2/10/2018
mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão
curados. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à
direita de Deus. Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o
Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam” (Mc 16.17-20).
Na carta aos Hebreus, lemos: “testificando Deus juntamente com eles, por sinais e
prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua
vontade” (Hb 2.4).
Cremos que a Grande Comissão é ainda obrigação dos cristãos atuais. Se a ordem
está em vigor, o poder para cumprir a ordem ainda deve estar disponível. O Espírito
Santo foi enviado para estar conosco sempre. Por certo seus dons de poder serão
sempre concedidos aos que sinceramente confiam nele para obter essas capacitações
divinas. Os dons do Espírito são desejáveis par um ministério efetivo aos enfermos.
Alguns Milagres do Velho Testamento:
1. A divisão do mar vermelho (Ex 14.21-31).
2. A parada do Sol e da Lua (Js 10.12-14).
3. A farinha e o óleo não esgotaram (1Rs 17.8-16).
4. A descida de fogo no monte Carmelo (1Rs 18.17-39).
5. O regresso de 10 graus no relógio do sol (2Rs 20.8-11).
6. A divisão das águas do rio Jordão (2Rs 2.9-14).

Alguns Milagres do Novo Testamento:


1. A transformação da água em vinho (Jo 2.1-11).
2. Andando sobre as águas (Mt 14.25-33).
3. Alimentando a multidão (Mc 6.38-44; Mt 15.19-39).
4. Acalmando a Tempestade (Mc 6.45-52).
5. Pescando aonde não havia peixe (Jo 21.5-12).
6. Pedro encontrando dinheiro na boca do peixe (Mt 17.27).
7. A libertação dos apóstolos e outros (At 12.1-17; 16.25-40; 5.17-25).
8. A transladação de Felipe de Gaza a Azoto (At 8.39-40). Azoto fica 32 Km
ao norte de Gaza.
9. A cegueira temporária de Elimas (At 13.8-12).
10. Paulo picado pela cobra nada sofreu (At 28.3-6).

Os milagres devem acompanhar a pregação do Evangelho (Mc 16.15-20; 1Co


2.1-5).
A Operação de Milagres é usada para demonstrar o Poder e a Grandeza de Deus.
A palavra grega, segundo o dicionário significa “explosões de onipotência”. Dynamis é
energia ou poder de Deus. Paulo pregou não somente em palavra, mas em Poder
(dynamis) - (1Ts 1.5). Não podemos ser bem sucedidos se Deus não cooperar conosco
com sinais e prodígios. Devemos orar pedindo poder para pregarmos a Palavra com
intrepidez e que o Senhor coopere conosco estendendo a Sua mão para fazer curas,
sinais e prodígios por intermédio do Nome de Jesus (At 4.29,30).
A. Carlos G. Bentes Paá gina 67 2/10/2018
IV. DIVERSIDADES DE MEMBROS

1Co 12.13: “Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo”.


DIVERSIDADE DE MEMBROS (Ef 4.11-16; 5.30; 1Co 6.15-20; 11.29; Rm
12.4,5; 1Co 12.12-17).
1. Jesus disse que nós faríamos coisas maiores do que Ele fez; individualmente
isto é quase impossível, todavia como Corpo de Cristo isto é possível.
2. Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os
membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo
em Cristo, e individualmente membros uns dos outros (Rm 12.4,5). Leia
também Ef 4.12.

A. Carlos G. Bentes Paá gina 68 2/10/2018


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A. Carlos G. Bentes Paá gina 71 2/10/2018


BIOGRAFIA DO AUTOR

O pastor Antônio Carlos Gonçalves Bentes é capitão do Comando da Aeronáutica,


Doutor em Teologia pela American Pontifical Catholic University (EUA), Pós-
graduado em Ciências da Religião pela Pan Americana, Pós-graduado em Psicologia
Pastoral pela FACEC - Faculdade de Ciência e Educação do Caparaó, conferencista,
filiado à ORMIBAN – Ordem dos Ministros Batistas Nacionais, professor dos
seminários batistas: STEB, SEBEMGE e Koinonia e também das instituições:
Seminário Teológico Hosana, UNITHEO e Escola Bíblica Central do Brasil, atuando
nas áreas de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Apologética, Escatologia,
Pneumatologia, Teologia Bíblica do Velho e Novo Testamento, Hermenêutica, e
Homilética. Reside atualmente em Lagoa Santa, Minas Gerais. Exerce o ministério
pastoral na Igreja Batista Getsêmani em Belo Horizonte - Minas Gerais. É casado com
a pastora Rute Guimarães de Andrade Bentes, tem três filhos: Joelma, Telma e Charles
Reuel, e duas netas: Eliza Bentes Zier e Anna Clara Bentes Rodrigues.

Pedidos ao Pr. A. Carlos G. Bentes


E-mail: pastorbentesgoel@gmail.com

A. Carlos G. Bentes Paá gina 72 2/10/2018