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LA ARGAMASA JERÁRQUICA:
VIOLENCIA MORAL, REPRODUCCIÓN DEL MUNDO
Y LA EFICACIA SIMBOLICA DEL DERECHO

Rita Laura Segato

Brasília
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E l te x to ci tad o d i v ul g a, ta mb ié n , d ato s so b r e o tr o s p a ís e s: E n Fr a nc ia, u na
en c ue st a r e cie n te r e ve la q u e 1 0 % d e l as muj er e s s u fr í a n v io le n cia e n el mo me nto d e
la e nc u e sta . E n lo s E st ad o s U nid o s, la s ci f r a s so n mu y var iab le s, p er o u n a n ál is i s
ep id e mi o ló g ico d el p r o b le ma ac u só q u e 3 2 ,7 % d e l as muj er e s s u fr en vio le nc ia
d o mé s ti ca e n al g ú n mo me n to d e s u vid a ( M c C au le y et al li i, ap ud F er n ánd ez Alo n so :
5 ) ; e m Ca n ad á, s e es ti m a q ue u na d e cad a sie te ; en Amér ic a Lat i na ( C h i le, Co lo mb ia
Nic ar a g ua , Co s ta Ric a, y Mé x ico ) , e ntr e el 3 0 y e l 6 0 % ; e n el R ei n o Un id o y e n
I r la nd a, 4 1 y 3 9 % r e s p ect i va me n te ; y e n p a í se s d o nd e “co nd uc ta s o b j eti va me n te
ma lt r at a nte s so n acep tad as c ul t ur al me nt e” lo s í n d ice s so n to d a ví a má s al to s.
E n C hi n a, “ap r o xi mad a me n te la mi tad d e la s mu j er e s q u e mu e r e n p o r ho mic id io
so n a se s i nad a s p o r s u s ma r id o s o no v io s ac t ua l es o a nt er io r es ”; la So c i ed ad J ur íd ica
C hi n a ( C hi na La w So c i et y) p ub l icó r e ci e nte me nt e u na e n c ue st a n ac io n al mo str a nd o
q ue “la v io l e nci a d o mé s tic a se ha tr a n s fo r ma d o e n u n p r o b le ma so c ia l si g n i fi cat i vo
en C hi n a, co n u n ter c io d e lo s 2 7 0 mi llo n e s d e ho g ar e s d el p a í s en fr e n ta nd o
vio le n cia d o mé s tic a – f ís ica o esp ir it ua l me n te – mie n tr a s u n p r o me d io d e 1 0 0 .0 0 0
ho gar e s s e r o mp e n p o r c au sa d e la v io le n ci a d o mé s ti ca c ad a a ño ( T an g Mi n 2 0 0 2 ) .
En I nd ia, d e ac u er d o c o n la E scr ito r io d e Re g is tr o d e Cr í me n es d e l Mi ni s ter io d el
I n ter io r ( Cr i me Reco r d s B ur ea u o f t he U nio n Ho me M i ni str y) , “ca s i 3 7 % d e lo s
cr í me n es co me tid o s co n tr a mu j er e s c ad a a ño so n c aso s d e vio le nc ia d o mé s ti ca. E s to
si g n i fi ca q ue 5 0 .0 0 0 mu j er es so ab us ad a s p o r u n mi e mb r o d e l a f a mi li a cad a a ño . Y
és to s so n so l a me n te lo s caso s d e n u n ciad o s ”. El Ce n tr o p ar a la P r o t ecc i ó n y Au x il io
Le gal d e la Co mi s ió n d e De l hi p ar a l a M uj er ( H elp l i ne s a nd Le gal Aid Ce n tr e o f t h e
Del h i Co m mi s sio n fo r W o me n ) r e gi s tr a u n p r o med io d e 2 2 2 ca so s d e v io le n ci a
d o mé s ti ca cad a sei s me s es y p r o b le ma s e nc a mi n ad o s a l ser v ic i o d e ap o yo
p si co ló g ico ( co u n se ll i n g) f uer o n 2 .2 7 3 e n e l mis mo p er ío d o . E n M u mb ai, la o f ici n a
d e Ser v ic io So ci al cr e ad a p o r l a p o li cí a e n 1 9 8 4 p ar a p r o t e ger mu j er es co n tr a
atr o c id ad e s l is tó 1 2 1 ca so s d e ab u so me n t al y f ís ico r el ac io nad o co n e l p a go d e l a
d o te e n tr e e l 1 o o ct ub r e y e l 3 2 d e d ic ie mb r e d e 2 0 0 1 ( I yer , Lal it a, H y d er ab ad a nd
Ni st u la H eb b ar 2 0 0 2 ) . Se p u ed e ad ve r ti r q ue la s es tad ís ti ca s d i s p er s as y lo s
p ar á me tr o s e sca sa me nt e co mp at ib l es no cr e a n co nd ic io ne s p ar a co n str ui r u n map a
mu n d ial , a u nq ue to d o i n d ica q u e e l fe nó me n o t ie ne v i so s d e u n i ver sa l.

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r ep r o d ucc ió n d e l as d e s ig u ald ad e s. La co ac ció n d e o r d e n p si co ló g ico s e co n st it u ye
en e l ho r izo n te co n st a nt e d e la s es ce na s co t id i a na s d e so ci ab i lid ad y e s la p r i ncip al
fo r ma d e co n tr o l y o p r e s ió n so cia l e n to d o s lo s c aso s d e d o mi n a ció n. P o r s u s ut ile za,
s u c ar ác ter d i f u so y o mn i p r e se nc ia, s u e fi cac ia e s má x i ma e n el co nt r o l d e la s
cate go r ía s so ci ale s s ub o r d i nad a s. E n el u ni v e r so d e la s r el acio es d e gé ne r o , la
vio le n cia p s ico ló g ic a e s la fo r ma d e vio le nc ia má s ma q ui n al, r u ti n ar ia e ir r e f le x i va
y, s i n e mb ar go , co n s ti t u ye el méto d o má s e f ic ie nt e d e s ub o r d i nac ió n e i nt i mi d ac ió n.
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agr e sió n e mo cio na l, a u nq ue no sea ni co nci e nt e ni d e lib er ad a. E n t r an aq u í l a
r id ic u li zac ió n, l a co a cci ó n mo r a l, l a so sp ec ha, l a i nt i mid ació n , la co nd e na ció n d e la
se x ua lid ad , l a d e s va lo r iza ció n co tid ia n a d e la mu j er co mo p er so na, d e s u
p er so n alid ad y tr azo s p si co ló g ico s, d e s u c ue r p o , d e s us c ap ac id ad e s in te lec t ua le s,
d e s u tr ab aj o , d e s u v alo r mo r al. Y es i mp o r ta nt e e n f at izar q ue e st e t ip o d e
vio le n cia p ued e mu c h a s v ece s o c ur r ir si n c ua lq ui er a gr e sió n ver b a l, m an i fe st á nd o se
ex cl u si v a me n te co n g es to s, a ct it ud e s, mi r ad a s. La co nd uc ta o p r e si va es p er p e tr ad a
en ge n er a l p o r mar id o s, p ad r es, he r ma no s, méd ico s, p r o fe so r e s, j e fe s o co le ga s d e
tr ab aj o .
P o r to d a s e sa s car a cter ís ti ca s, a p e sar d e l p eso y d e la p r e se n cia d e la v io le n ci a
mo r al co mo i n str u me n t o d e ali e nac ió n d e lo s d er ec ho s d e l as muj er e s , se t r at a d el
asp e cto me no s tr ab aj ad o p o r lo s p r o gr a ma s d e p r o mo c ió n d e lo s d er e cho s h u ma no s
d e la muj er y me no s fo cal izad o p o r la s ca mp a ñ as p ub li ci tar i a s d e co n c ie nt iza ció n y
p r ev e nc ió n d e la vio le nc ia co ntr a la muj er . De he c ho , p r á ct ica me n t e no e xi s te n
ca mp a ña s q u e co lo q u e n en cir c ula ció n, e ntr e el gr a n p úb li co , u na ter mi no l o gía o u n
co nj u nto d e r ep r e se n t acio ne s p ar a fac il it ar s u p er cep ció n y r e co no ci mi e n to
esp e cí f ico s, q ue ge ner e n co mp o r ta mi e nto s cr ít i co s y d e r es i st e nci a a es as co nd uc ta s,
q ue i no c ul e n, ta n to e n h o mb r es co mo e n mu j er e s, u na s e ns ib i lid ad d e b aj a to ler a n ci a
a esa s fo r ma s mu y s u til e s d e i nt i mid a ció n y co a cció n , as í co mo u n p ud o r d e
r ep r o d ucir i n ca ut a me n te es e t ip o d e co nd u cta s, y q u e d i v u l g ue n no cio n e s c ap ac es d e
p r o mo v er e l r esp eto a l a d i f er e nc ia d e la e xp er ie nc ia f e me n i na, co mp r end id a e n s u
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exp lí ci to s , q u e i mp li ca n la atr ib uc ió n d e i n te nc i ó n i n mo r al p o r me d io d e i ns u lto s

8
o d e b r o ma s, a s í co m o ex i ge nc ia s i n h ib e n l a lib er tad d e e le g ir v es t uar io o
maq u il laj e.
5. Me no sp r ec io e s tét ico : h u mi l lac ió n p o r la ap ar i e nc ia f í sic a.
6. Me no sp r ec io se x ua l: r e ch azo o act it ud ir r esp et uo sa h aci a e l d e seo f e me n i no o ,
alt er na ti va me nt e, a c us ac ió n d e fr i gid ez o i nep ti t ud se x u al.
7. De sca li f ica ció n i n tel ec t ua l: d ep r e ci ació n d e la cap ac id ad i n tel ect u al d e la muj er
med ia n te la i mp o si ció n d e r e str icc io ne s a s u d i s cur so .
8. De sca li f ica ció n p r o fe sio na l: Atr ib u ció n e xp l íc it a d e cap a cid ad i n f er io r y f al ta d e
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En el caso del racismo, la falta de esclarecimiento hace con que, en muchas


ocasiones y escenarios de los más variados, a veces discriminemos, excluyamos o hasta
maltratemos por motivos raciales sin tener ningún grado de percepción de que estamos
perpetrando un acto de racismo. Si existen por lo menos cuatro tipo de acciones
discriminadoras de cuño racista, las más concientes y deliberadas no son las más
frecuentes. Esto lleva a que muchos no tengan clara conciencia de la necesidad de crear
mecanismos de corrección en las leyes para contraponerlos a la tendencia espontánea de
beneficiar al blanco en todos los ámbitos de la vida social.
Existe, así, en países de gran aporte poblacional de origen africano, como el Brasil,
un racismo práctico, automático, irreflexivo, naturalizado, culturalmente establecido y
que no llega a ser reconocido o explicado como atribución de valor o conjunto de
representaciones ideológicas ( en el sentido de ideas formulables sobre el mundo). El
profesor de escuela que simplemente no cree que su alumno negro pueda ser inteligente,
que no consigue prestarle atención cuando habla o que, simplemente, no registra su
presencia en sala de aula. El portero del edificio de clase media que no puede concebir
que uno de sus propietarios tenga los razgos raciales de la etnia subalterna. La familia
que apuesta sin dudar a las virtudes y méritos de su hijo de piel más clara.
Este tipo de racismo se distingue de lo que he llamado de racismo axiológico
(Segato 2002 b), que se expresa a través de un conjunto de valores y creencias que
atribuyen predicados negativos o positivos a las personas en función de su color. En este
caso, como vemos, la actitud racista alcanza una formulación discursiva, es más fácil de
identificar, pues excede al gesto automático, repetitivo e de fondo racista inadvertido.
En la comparación entre el racismo automático y el axiológico queda expuesto el
carácter escurridizo del primero y de los episodios de violencia moral que lo expresan
en la vida cotidiana. De la misma forma que con respecto al sexismo automático, a
pesar de que se presenta como la más inocente de las formas de discriminación, está
muy lejos de ser la más inocua. Muy por el contrario, es la que más víctimas hace en la
convivencia familiar, comunitaria y escolar, y es aquélla de la cual es más difícil
defenderse, pues opera sin nombrar. La acción silenciosa del racismo automático que
actúa por detrás de las modalidades rutinarias de discriminación hacen del racismo –
así como del sexismo – un paisaje moral natural, costumbrista, y difícilmente
detectable. Solamente en el otro extremo de la línea, en el polo distante y macroscópico
de las estadísticas se torna visible el resultado social de los incontables gestos
microscópios y rutinarios de discriminación y maltrato moral.

Este racismo considerado ingenuo, y sin embargo letal para los negros, es el
racismo diario y difuso del ciudadano.cuyo único crimen es estar desinformado sobre el
asunto; es el racismo de muchos bien-intencionados. Y es el racismo que nos ayuda a
acercarnos más lúcidamente a los aspectos de la violencia moral de corte sexista que
estoy intentando precisamente exponer, pero que entrañan la dificultad de distanciarse
de las modalidades de violencia doméstica, física o psicológica, más facilmente
encuadrables en los códigos jurídicos. Quiero, al introducir la comparación con el
racismo automático y las prácticas de violencia moral que él ocasiona, apuntar,
justamente, para las formas de maltrato que se encuentran en el punto ciego de las

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sensibilidades jurídicas y de los discursos de prevención y para las formas menos
audibles de padecimiento psíquico e inseguridad impuestos a los minorizados.

Un caso entre muchos me parece particularmente paradigmático del carácter


inasible con que la crueldad psicológica a veces se presenta. Su víctima fue una niña
negra de 4 años, alumna del jardín de infantes de una escuela católica, frecuentada por
niños de clase media, como ella también lo es. Juliana está encantada con la nueva
profesora. Todos los días al volver de la escuela habla incansablemente de ella y
describe sus cualidades. A solicitud mía, su madre relata el caso como parte de los
materiales de análisis de la disertación de maestría que prepara sobre racismo en la
escuela brasileña:
La mamá de Juliana siempre que la dejaba en la escuela
permanecía por algunos minutos mirando a través de la cerca
[...], esperando la oración matinal [...]. La maestra llega, [...] se
inclina para conversar con los niños y le hace un cariño en la
cabeza a un compañerita blanca. La madre de Juliana percibe la
ansiedad y la esperanza de su hija de recibir también la misma
demostración de afecto. Ve que estira la cabeza intentando
acercarse y colocarse al alcance de la mano de la maestra. Su
gesto de expectativa es claro y evidente. La profesora se levanta
y ni siquiera le dirige la palabra. Juliana se da vuelta con los
ojos llenos de lágrimas buscando a la madre, que observa desde
la reja. La madre de Juliana levanta la mano en señal de
despedida, le sonríe, le manda un beso para darle fuerzas y se
aparta para ocultarle que ella también llora. Al día siguiente
lleva lo ocurrido al conocimiento de la coordinadora psico-
pedagógica de la escuela, que se justifica afirmando que se trata,
ciertamente, de una distracción de la profesora (Gentil dos
Santos 2001: 43)

El relato impresiona por el carácter trivial de la escena que narra, por la sospecha
de que se repite diariamente haciendo sus estragos en el alma infantil, por la resistencia
que ofrece a ser representado discursivamente, por las dificultades que comportaría
intentar quejarse o denunciarlo, por el grado de sufrimiento que produce a alguien que
no tiene la capacidad de defenderse ni tampoco detectar de forma conciente el motivo
de su victimización, y por la marca indeleble de amargura e inseguridad que inscribe en
la memoria de la criatura que lo sufre. Essas caraterísticas permitem tipificar el acto
perpetrado como um caso de violência psicológica, devido al daño moral que ocasiona,
al mismo tiempo que impide ser encuadrado en la ley. A lo sumo, se podría exigir algún
día de los maestros de escuela que fueran capaces de reconocer las vulnerabilidades
específicas y expectativas de afecto de los alumnos que pasan por sus manos, trabajando
su sensibilidad ética a partir de la perspectiva de las víctímas.
Aún, en el nivel distanciado de la meta-narrativa, como narrativa de las narrativas,
la historia nos captura porque alegoriza a la perfección la relación compleja del estado
de derecho con el componente negro de la nación: el reconocimiento no concedido, el
acto que, por constituirse como un no-acontecimiento tampoco es suceptible de
reclamo, la imposibilidad del negro de inscribir el signo de su presencia singular,
marcada por una historia de sufrimiento, en el texto oficial de la nación y en los ojos de
la maestra, la ceguera de la nación frente a su dolor específico y su dilema. Al ignorar la
queja, se le niega tambiém reconocimiento a la existencia del sujeto discursivo de la

11
queja. Esta negativa duplica el gesto negador de la caricia, que sólo se dirige a los otros
niños y no a él. El negro es impedido de ser Otro, contendiente legítimo por recursos y
derechos en un mundo en disputa, así como también es impedido de ser Nosotros en la
caricia incluidora. Ele no se encuentra en un juego de interlocuciones válidas, ni como
prójimo ni como otro; no hace su entrada en el discurso; no tiene registro en el texto
social. La violencia contra él es nulificadora, forcluidora, fuertemente patogénica para
todos los involucrados en este ciclo de interacciones. Esta es la alegoría contenida en la
respuesta de la escuela: la maestra “no la vio”.
Es por la inefabilidad de este tipo de violencia siempre presente en la manutención
de las relaciones de status que, aunque ambos términos pueden ser utilizados de forma
intercambiable sin perjuicio para el concepto, preferí llamarla “violencia moral” en
lugar de “violencia psicológica”. La noción de violencia moral apunta al oximorón que
se constituye cuando la continuidad de la comunidad moral, de la moral tradicional,
reposa sobre la violencia rutinizada. Afirmo, así, que la normalidad del sistema es una
normalidad violenta, que depende de la desmoralización cotidiana de los minorizados.
Con esto, también, alejo el concepto de la acepción más fácilmente criminalizable del
acto denominada, jurídicamente, “daño moral” o “abuso moral”. Sin embargo, hasta en
el caso de “daño moral” en casos de racismo como categoría jurídica, autoras como
María de Jesús Moura y Luciana de Araújo Costa (2001), enfatizan los aspectos
evanescentes, inconcientes – “una repetición sin reflexión” (Ibid.: 188) - y de gran
arraigo en prácticas históricas que dificultan, pero no impiden, según las autoras, la
acción de la justicia.

El paralelismo entre el racismo automático y el sexismo automático, ambos


sustentados por la rutinización de procedimientos de crueldad moral, que trabajan sin
descanso la vulnerabilidad de los sujetos subalternos, impidiendo que se afirmen con
seguridad frente al mundo y corroyendo cotidianamente los cimientos de su auto-
estima, nos devuelve al tema del patriarcado simbólico que acecha por detrás de toda
estructura jerárquica, articulando todas las relaciones de poder y subordinación. La
violencia moral es la emergencia constante, al plano de las relaciones observables, de la
escena fundadora del régimen de status, esto es, del simbólico patriarcal.
Sin embargo, no basta decir que la estructura jerárquica originaria se reinstala y
organiza en cada uno de los escenarios de la vida social: el de género, el racial, el
regional, el colonial, el de clase. Es necesario percibir que todos estos campos se
encuentran enhebrados por un hilo único que los atraviesa y los vincula en una única
escala articulada como un sistema integrado de poderes, donde género, raza, etnia,
región, nación, clase se interpenetran en una composición social de extrema
complejidad. De arriba abajo, la lengua franca que mantiene el edificio en pie es el sutil
dialecto de la violencia moral.
Esto se manifiesta claramente, por ejemplo, en los feminismos así llamados
“étnicos”, es decir, en los dilemas de los feminismos de las mujeres negras y de las
mujeres indígenas. Su dilema político es la tensión existente entre sus reivindicaciones
como mujeres y lo que podríamos llamar de “frente étnico interno”, es decir, la
conflictiva lealtad al grupo y a los hombres del grupo para impedir la fractura y
consecuente fragilización de la colectividad. Este conflicto de conciencia complejo de
las mujeres de los pueblos dominados entre sus reivindicaciones de género y la lealtad
debida a los hombres del grupo, quienes, como ellas mismas, sufren las consecuencias
de la subalternización, las coloca en tensión con la posibilidad de la alianza con las
mujeres blancas, de las naciones dominantes (sobre diversos aspectos de este complejo
dilema ver Segato 2002 c; Pierce & Williams 1996; Pierce 1996; Spivak 1987 y 1999

12
:277 y otras). Por las venas de esas disyuntivas corre, claramente, la articulación
jerárquica, que no solamente subordina las mujeres a los hombres, o las colectividades
indígenas y negras a la colectividad blanca, sino también las mujeres indígenas y negras
a las mujeres blancas y los hoombres pobres a los hombres ricos. De la misma forma,
una articulación jerárquica equivalente vincula en relación de desigualdad los
miembros de los movimientos negro e indígena norteamericanos a los miembros de los
movimientos negro e indígena de América Latina.
Este andamiaje de múltiples entradas obedece todo él a un simbólico de corte
patriarcal que organiza relaciones tensas e inevitablemente crueles. En la casi totalidad
de estas interacciones, la crueldad es de orden sutil, moral. Y cuando la crueldad es
física, no puede prescindir del correlato moral: sin desmoralización, no hay
subordinación posible. Y si fuera posible una crueldad puramente física, sus
consecuencias serían inevitablemente también morales (sobre la imprescindibilidad de
la crueldad psicológica y moral como complemento del tratamiento físico cruel, ver los
clásicos de la literatura sobre campos de concentración nazis, como Bettelheim 1989:
78, entre otras; Levi 1990: especialmente el capítulo V. “Violencia Inútil”; Todorov
1993: especialmente el capítulo 9. “Despersonalización”; y ver también Calveiro 2001:
59 y otras)

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Vio l ên cia , G ên e ro e C ri me n o Di st r ito Fed e ra l
B r as íl ia: P ar al elo 1 5 / E d U nB

B ett el he i m, B r u no 1 9 8 9 S o b re viv ên c ia e Ou tro s E s tu d o s . P o r to A le gr e : Ar te s


Méd i ca s.

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Ca l ve ir o , P i lar 2 0 0 1 P o d er y De sa p a ri ció n . L o s Ca mp o s d e Co n cen t ra c ió n en la


Arg en tin a . B ue no s Air e s : Co l i h ue.

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Ph ilo so p h i ca l Exch a n g e . Ne w Yo r k a nd Lo nd o n : Ro u tled g e.

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sa n t é. T o mo I V. P a r i s.d i ci na d e F a mi li a y C

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o f I sla m” I n B r ac k ett e W ill ia ms ( ed .) Wo men Ou t o f P la ce: th e G en d er o f Ag en cy
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Def esa d a Mu lh e r Ví ti m a d e Vio lên cia . São P a ul o : I ME SP

Sa f f io t i, He le ie t h I .B . y So uza d e Al me id a, S u el y ( 1 9 9 5 ) V io lên cia d e G ên ero . Po d e r


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Sa n to s, B o a v e nt ur a d e So uza 2 0 0 2 “T o war d a Mu lti c ul t ur a l Co n cep t i o n o f H u ma n


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An th o lo g y. Ne w Yo r k: Ne w Yo r k U n i ver si t y P r es s. ( T a mb é m p ub li cad o e m Sa n to s,
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Re i n ve n tar a E ma n cip a ç ão So cia l V o l. 3 .)

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T o d o r o v, T zv eta n 1 9 9 3 Fren te a l Lí mi te. Mé x ic o : S i glo X XI

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SÉRIE ANTROPOLOGIA
Últimos títulos publicados

323. JIMENO, Myriam. Crimen Pasional: Con el Corazón en Tinieblas. 2002.


324. RAMOS, Alcida Rita. Bridging Troubled Waters: Brazilian Anthropologists and their Subjects. 2002.
325. PEIRANO, Mariza G.S. The Sins and Virtues of Anthropology - A reaction to the problem of
methodological nationalism. (Pecados e Virtudes da Antropologia - Uma reação ao problema do
nacionalismo metodológico). 2003.
326. SEGATO, Rita Laura. Uma Agenda de Ações Afirmativas paras as Mulheres Indígenas no Brasil. 2003.
327. CARVALHO, José Jorge de. A Tradição Musical Iorubá no Brasil: Um Cristal que se Oculta e Revela.
2003.
328. DELGADO, Ana Luiza. Índios Esotéricos. por um novo turismo urbano. 2003.
329. SEGATO, Rita Laura. El Sistema Penal como Pedagogía de la Irresponsabilidad y el Proyecto "Habla
Preso: el derecho humano a la palabra en el cárcel". 2003.
330. SEGATO, Rita Laura. Antropología y Psicoanálisis. Posibilidades y Límites de un diálogo. 2003.
331. NERY, Paulo Roberto Albieri. Relatos de Viagem e Construção da Pessoa em Guimarães Rosa: o
deslocamento como valor. 2003.
332. SEGATO, Rita Laura. La Argamasa Jerárquica: Violencia moral, reproducción del mundo y la eficacia
simbólica del Derecho. 2003.

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