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MULHER, NEGRA, INTELECTUAL E ATIVISTA:


LORRAINE HANSBERRY E A DESCONSTRUÇÃO DO SONHO AMERICANO

Marcela Iochem Valente (Mestre UERJ)

Blacks must concern themselves with every


single means of struggle: legal, illegal,
passive, active, violent and non-
violent….they must harass, debate, petition,
give money to court struggles, sit-in, lie-
down, strike, boycott, sing hymns, pray on
steps – and shoot from their windows when
the racists come cruising through their
communities.
Lorraine Hansberry/ To be Young, Gifted
and Black

Whatever happened to this nation? Or did


it ever exist?...did it ever exist with its
freedoms and slogans…the buntings, the
goldheaded standards, the songs? With
Equality, Liberty…In the West they plow
under wheat. Where is America? I say it
does not exist. And I say that it never
existed. It was all but a myth. A great
dream of avarice.
David Mamet/ The Water Engine & Mr.
Happiness.

A literatura afro-americana é uma área de crescente interesse nos estudos


literários nos Estados Unidos e vem também conquistando seu espaço em diferentes
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partes do mundo. A produção de mulheres, nesse contexto, possui extrema relevância já


que, como observa Maria Aparecida Andrade Salgueiro em seu livro Escritoras negras
contemporâneas: estudos de narrativas – Estados Unidos e Brasil, “nos últimos trinta
anos, as mulheres afro-americanas se transformaram em uma poderosa força na
literatura norte-americana, produzindo em larga escala e atingindo um número cada vez
maior de leitores” (Salgueiro: 2004, p.55). Através de suas produções, essas mulheres
lançam luz sobre uma série de questões sociais complexas, provocando discussões a
respeito de temas como o preconceito e a opressão não apenas racial, mas ainda de
gênero. Por ser uma literatura que funciona como “uma nova resistência ao
imperialismo que rejeita fronteiras coloniais, sistemas, separações, ideologias, estruturas
de dominação” (Davies: 1994, p.108) i, como aponta Carole Boyce Davies em Black
Women, Writing and Identity, esse tipo de produção literária traz a público partes da
história que muitas vezes são apresentadas a partir de olhares hegemônicos ou ainda não
apresentadas.
O movimento negro nos Estados Unidos é bastante conhecido ao redor do
mundo. É um movimento forte e organizado que obteve e continua obtendo muitas
conquistas ao longo de sua existência. A literatura produzida pelos afro-americanos faz
parte deste processo de questionamento, subversão e luta contra preconceito e opressão,
sendo uma grande arma para esse movimento. Isso porque, líderes – principalmente do
sul dos Estados Unidos – como Martin Luther King Jr. pregavam a necessidade de uma
luta pacífica, sem uso de violência. Com isso, boicotes como o de 1955 no sul do país
em Montgomery no Alabama – onde negros resolveram não respeitar o sistema de
segregação existente nos ônibus, sentando-se nos lugares destinados aos brancos –
muito contribuíram para essa luta antisegregacionista. De forma semelhante, a produção
literária desse grupo tem considerável participação nessa luta por igualdade racial.
Escritoras como Lorraine Hansberry, Toni Morrison e Alice Walker, apenas para citar
algumas, contribuiram para a construção da identidade cultural dos afro-descendentes
estadunidenses e ajudaram a fortalecer o sistema hoje vastamente reconhecido como
literatura afro-americana.
É interessante notar que os adjetivos escolhidos para compor o título desse
trabalho são um tanto quanto contraditórios e, até mesmo um pouco antagônicos se
pensarmos na realidade dos negros nos Estados Unidos durante as décadas de 1950 e
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1960, período em que Hansberry produziu. Porém, mesmo sendo mulher e negra, a
escritora conseguiu ocupar seu espaço como intelectual e como ativista levantando
muitas questões importantes em sua produção. Como intelectual politicamente
engajada, Hansberry acreditava que resistência consciente poderia levar a mudanças,
permitindo que as mulheres tivessem voz “contra a supressão sistemática de seu sexo”
(Carter: 1993, p.4). Desta maneira, Lorraine Hansberry se tornou um ícone pra literatura
afro-americana, assim como para o movimento negro em geral, devido às importantes
questões discutidas por ela em sua produção e a seu modo de vida questionador e
subversivo.
Lorraine Hansberry mostrou em seu trabalho a controversa e difícil realidade
encontrada por aqueles que buscavam se adaptar ao mundo do colonizador tentando
alcançar as promessas trazidas pelo tão famoso Sonho Americano. Produções críticas e
questionadoras como A Raisin in the Sun (1969), sua primeira peça, e To be Young
Gifted and Black (1970), uma espécie de autobiografia informal, por exemplo,
desconstroem determinadas idéias defendidas pela sociedade estadunidense, como o
“melting pot” onde todas as nações estariam misturadas e transformadas em apenas uma
– a americana, e o próprio Sonho Americano que pregava a busca por felicidade,
liberdade e igualdade para todos os cidadãos que vivessem nos Estados Unidos da
América. Além de sua produção literária, a própria vida de Hansberry nos mostra esse
desejo de subverter a posição subalterna relegada aos negros vivendo nos Estados
Unidos em seu tempo. Como afirma Steven Carter em seu livro Hansberry’s Drama:
Commitment and Complexity:

Sua forma de vida repudiava as limitações que a sociedade tentava


impor sobre as mulheres. Ao invés de buscar realização nos
tradicionais e limitadores papéis de dona de casa, mãe, religiosa, ou
objeto sexual, ela procurou por essa realização na criação artística, na
especulação intelectual, nas lutas políticas e na busca de conhecimento
em todos os aspectos de sua vida (Carter: 1993, p.4).

Hansberry também destaca em suas produções que a questão do gênero é de


grande relevância ao falarmos de subalternidade, opressão e preconceito. Ela aponta que
no caso das mulheres a opressão colonial foi ainda mais latente pois, aliada a condição
de imigrante ou sujeito diaspórico, havia ainda as questões relacionadas ao gênero, que
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traziam, nos termos de Spivak, “múltiplas camadas de opressão”. Spivak diz que se o
subalterno como homem não possui voz, o subalterno como mulher sofre ainda mais
por ter que enfrentar mais do que um único tipo de opressão. Em seu famoso e polêmico
artigo “Can the Subaltern Speak”, publicado em 1988, Spivak aponta que “se, no
contexto da produção colonial, o subalterno não tem história e não pode falar, o
subalterno como mulher está ainda mais profundamente assombrado” (Spivak: 1997,
p.28) tendo que enfrentar por um lado, a opressão por parte do colonizador e, por outro
lado, a opressão por parte do subalterno do sexo masculino. Posteriormente, em
“Diasporas Old and New: women in the transnational world” (1996), Spivak retoma a
questão da voz do subalterno revendo alguns aspectos em relação a seu posicionamento
e afirmando que o subalterno possui voz, embora, algumas vezes, necessite buscar
formas alternativas para isso. A arte em geral e, muitas vezes, as produções literárias
desses grupos, são algumas das formas alternativas encontradas pelo subalterno para
que possa ter voz. Lorraine Hansberry é uma prova dessa afirmação, pois sendo mulher
e negra, conseguiu ocupar seu espaço e falar pelos seus através do sucesso obtido com A
Raisin in the Sun.
Tomando como base algumas idéias de teóricos como Homi Bhabha e Gayatri
Spivak esse trabalho buscará mostrar que tanto a autora Lorraine Hansberry quanto a
seus personagens trazem atitudes que questionam e subvertem os padrões de suas
sociedades. Nosso foco será em dois personagens bastante expressivos criados por
Hansberry em A Raisin in the Sun. Primeiro falaremos um pouco sobre Mr. Linder, um
personagem branco, muito marcante na peça por mostrar de forma extremamente clara a
segregação e o preconceito racial na sociedade estadunidense naquele período.
Falaremos também de Beneatha, uma mulher muito marcante na peça que é apontada
por muitos críticos como uma espécie de reflexo da autora devido a seu posicionamento
subversivo. Através das breves considerações que serão aqui trazidas, acreditamos ser
possível perceber que tanto na realidade quanto em sua ficção, Hansberry lutou contra
múltiplos preconceitos abordando questões de raça, gênero e etnia. Hansberry trouxe
ainda diversas discussões relevantes que não eram tão latentes na década de 1950,
quando ela escreveu, desta forma contribuindo até mesmo para questões posteriormente
discutidas por movimentos como o dos direitos civis e o feminista.
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A influência para que Lorraine Hansberry fosse uma ativista já vem de sua
família já que seus pais eram ativistas dos direitos civis e viviam em constante
resistência contra o preconceito e a opressão sofridos pelos afro-americanos naquela
sociedade. Como uma forma de resistência ao preconceito racial eles matricularam
Hansberry em escolas públicas ao invés de particulares – mesmo tendo condições
financeiras de pagarem pelas mesmas – e pela mesma razão compraram uma casa em
um bairro majoritariamente habitado por cidadãos brancos em Chicago quando
Hansberry tinha cerca de oito anos. Assim que a família se mudou para sua nova casa,
eles foram recebidos com um protesto racista que vandalizou sua casa e chegou a ferir
Hansberry.
Este acontecimento, assim como sua experiência de vida como ativista, foram
fatores de grande influencia na escrita de Hansberry. A autora abordou em suas peças e
poemas temas como a injustiça humana, o sofrimento e a dor de viver sob preconceito e
visto como inferior. Embora Hansberry tenha tido uma vida curta, morrendo aos 35
anos (1930-1965), seu trabalho foi muito influente e permanece vivo até os nossos dias
por tratar de temas muito atuais ainda hoje, no século XXI. Sua obra não é conhecida no
Brasil até o presente momento porque ainda não foi traduzida para o português, porém,
nos Estados Unidos, sua produção é muito relevante até os dias de hoje e Hansberry é
uma autora vastamente conhecida e consagrada. A peça A Raisin in the Sun, sua obra
mais famosa, mostra alguns aspectos da realidade vivida pelos afro-americanos que
certamente não seriam reportados pela História hegemônica.
Produzida pela primeira vez no ano de 1959, A Raisin in the Sun ganhou
reconhecimento nos palcos da Broadway em um período em que não se podia se quer
imaginar a possibilidade de uma produção de uma escritora negra e ainda com elenco e
direção de negros em tal local. Na introdução para a edição da peça publicada em 1994,
Robert Nemiroff, ex-marido de Hansberry, estudante de literatura e responsável por sua
obra após sua morte, afirmou que:

trazer para Broadway a primeira peça escrita por uma mulher negra
(jovem e desconhecida), dirigida por outro negro e ainda iniciante, em
um teatro onde praticamente não existia publico negro e onde, em toda
a história do teatro americano, nunca houve drama de sucesso
produzido por negros para fins comerciais! (Nemiroff: 1994, p.6)
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É desnecessário dizer que este foi um grande desafio para a autora. Mesmo
com todas as dificuldades para tal, Hansberry conseguiu não apenas ter sua peça
produzida na Broadway, mas ainda alcançou grande sucesso. A Raisin in the Sun
permaneceu na Broadway por cerca de quinhentos e trinta performances e ainda foi
revivida em muitas ocasiões posteriores, mesmo após a morte da autora.
Logo depois do sucesso alcançado na Broadway, em 1961, a Columbia
Pictures lançou o Filme A Raisin in the Sun – em português, O sol tornará a brilhar –
com elenco conhecido incluindo nomes como Sidney Poitier. Após o sucesso do filme
que rendeu prêmios como o do Festival de Cannes, A Raisin in the Sun foi adaptado
para um musical em 1973 contando com a participação de Nemiroff, e revivido em
1981. Em 1989, vinte anos depois da primeira produção da peça na Broadway, uma
nova versão de A Raisin in the Sun foi produzida para o cinema contando com nomes
como Danny Glover. Mais recentemente em 2004 e 2007 a peça esteve na Broadway
novamente e em 2008 recebeu uma nova adaptação, desta vez, para TV. O sucesso de
sua primeira produção foi tamanho que

Com Sidney Poitier no elenco em papel de relevância, a peça


mostrava não só a capacidade revolucionária do Teatro, já tão bem
explicitada por Brecht, Grotowski e Reich, mas também levava o
próprio teatro estadunidense a se repensar, tendo sido Lorraine
Hansberry uma das primeiras autoras afro-americanas a serem
incorporadas a Antologias de textos canônicos da Literatura dos
Estados Unidos (Salgueiro: 2006, p.84-85).

Voltando nosso olhar para a peça propriamente dita, A Raisin in the Sun é
baseada nos sonhos e planos de uma família para a quantia de dez mil dólares que
receberiam de um seguro de vida devido à morte de seu patriarca. Em linhas gerais,
cada membro da família tinha um plano diferente para o dinheiro, gerando a partir de
então intensos conflitos a fim de decidir o destino de tal quantia. Mamma, a viúva de
Mr. Younger, decide que a melhor opção para o dinheiro é realizar o antigo sonho de ter
uma casa própria. Entretanto, a casa escolhida por ela fica situada em um bairro
majoritariamente habitado por cidadãos brancos, o que leva a família a sofrer fortes
preconceitos antes mesmo da mudança para sua casa nova – situação muito semelhante
àquela vivida pela autora em sua infância, já comentada neste trabalho.
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Através da família Youngers, uma família afro-descendente vivendo no sul de


Chicago, Hansberry conseguiu desconstruir a idéia constantemente pregada pelos
Estados Unidos até então de que Sonho Americano estaria disponível para todos os
cidadãos na Terra das Oportunidades. A autora mostrou que este sonho, na verdade,
não é para todos, pelo contrário, muitos são excluídos desse sonho e acabam por viver
um pesadelo na Terra das Oportunidades.
A questão da opressão e da segregação é tratada nessa peça de forma bastante
clara e direta através de um personagem chamado Mr. Linder. Esse personagem tem a
função de conversar com a família Younger – como um representante do bairro onde a
família comprou sua casa – no intuito de convencê-los a não mudar para aquele bairro.
Para tal, ele oferece a família um cheque com valor superior ao da casa comprada,
sugerindo que eles comprem um outro imóvel em algum outro lugar, este, apropriado
para negros.

LINDNER: Eu quero que vocês acreditem em mim quando eu digo


que preconceito racial simplesmente não está em questão. O fato é que
as pessoas de Clybourne Park acreditam que (...) para a felicidade de
todos os envolvidos nossas famílias negras são mais felizes quando
elas vivem em suas próprias comunidades (Hansberry: 1994. p.118).

A atitude desse personagem nos mostra de forma bastante clara e objetiva a


discriminação e o racismo presentes na sociedade estadunidense naquele contexto assim
como a naturalidade com a qual essa discriminação racial é vista pelos brancos

LINDNER: Bem – eu não entendo porque vocês estão reagindo dessa


maneira. O que vocês acham que vão ganhar se mudando pra um
bairro onde vocês não são bem vindos e onde alguns elementos – bem
– as pessoas podem se tornar desagradáveis quando elas sentem que
seu modo de vida e tudo o que construíram pode estar ameaçado
(Hansberry: 1994. p.118).

Neste fragmento podemos ver que a família Younger foi nítidamente ameaçada
pelo representante do comitê de boas vindas daquela vizinhança branca onde tinham
comprado sua casa. Ao longo de todo o diálogo que a família tem com esse
personagem, podemos notar o preconceito, a discriminação e a segregação racial
presentes. Ao ser expulso da casa pelos irmãos Walter Lee e Beneatha, Mr. Linder
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reforça tudo isso afirmando: “você não pode forçar as pessoas a mudarem seus
corações, filho” (Hansberry: 1994, p.118). Com essa reação da vizinhança branca, já se
pode imaginar o que a família enfrentará ao se mudar para aquele local.
Ao ter acesso aos manuscritos da peça através de Nemiroff durante a sua
pesquisa de doutorado, Steven Carter comenta que “a primeira versão da peça, que já
não existe mais, termina com a família Younger sentada no escuro em sua casa nova,
armada, esperando por um ataque de brancos hostis” (Carter: 1993, p.50). Embora a
versão da peça que conhecemos termine com o dia da mudança da família Younger para
sua casa nova – o que pode ser lido por alguns como uma espécie de esperança por uma
vida melhor – a segregação racial e a ameaça recebida pela família por optar mudar para
aquele local continuam explícitas na peça.
Outra personagem muito relevante criada por Hansberry e que não poderíamos
deixar de comentar é a subversiva Beneatha, personagem que apresenta muitas
características em comum com a própria autora. Moça jovem e inconformada com a
discriminação encontrada na sociedade em que vive, Beneatha decide buscar melhores
condições para si, estudando e trilhando um caminho diferente do que era esperado para
uma mulher negra e de classe menos favorecida nos Estados Unidos naquele tempo.
Beneatha nos mostra ao longo da peça que, diferente da maioria das mulheres de sua
comunidade, ela quer ser médica, trabalhar, ter seu próprio dinheiro, e não ser o “anjo
do lar” e a esposa perfeita. A personagem não demonstra a menor vontade de constituir
uma família e um lar e isso incomoda seu irmão Walter Lee.

BENEATHA: (furiosa) O que você quer de mim, irmão – que eu pare


de estudar ou simplesmente caia morta, O que?

WALTER: Eu não quero nada além de que você pare de se fazer de


santa aqui. Eu e a Ruth fizemos sacrifícios por você – porque você não
pode fazer pela família?

Quem foi que te disse que você tinha que ser médica? Se você é tão
louca por pessoas doentes assim, então vai ser enfermeira que nem as
outras mulheres – ou então simplesmente se casa e fica quieta
(Hansberry: 1994, p.37).

Beneatha luta contra múltiplos preconceitos ao longo da peça. Ela tem que
lidar não apenas com o posicionamento dos brancos em relação aos afro-descendentes,
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mas também, dentro de sua própria casa, contra a posição machista de seu irmão, que
não aceita a sua escolha – estudar, trabalhar e ter uma trajetória diferente daquela
esperada para a mulher de seu tempo “a esposa perfeita, a dona de casa, a mãe”. Para
isso, ela chega até mesmo a enfrentar seu irmão com falas bastante debochadas. Durante
uma discussão com Walter Lee onde ele sugere que Beneatha “vá limpar a cozinha de
alguém” (Hansberry: 1994, p.37), ela dirige-se a ele de joelhos em tom extremamente
irônico dizendo: “perdoe-me por querer ser alguma coisa nessa vida!” (Hansberry:
1994, p.37). Beneatha se mostra uma mulher muito a frente de seu tempo, lutando pelos
seus objetivos e acreditando na possibilidade de ter um futuro diferente do que lhe era
reservado por ser mulher e negra.
Em seu livro The Location of Culture, Homi Bhabha afirma que “o objetivo do
discurso colonial é apresentar o colonizado como uma população de tipos degenerados
na base da origem racial, a fim de justificar sua conquista e estabelecer sistemas de
administração e instrução” (Bhabha: 1994, p.101). Ao contrário do que era esperado,
Beneatha reage contra essa opressão e discriminação que sofre por ser mulher, negra e
pobre, lutando por seus objetivos da mesma forma que a autora Hansberry não aceita
uma posição subalterna por ser mulher e negra, e consegue até mesmo fazer sucesso
entre os brancos e levar a realidade de seu povo aos palcos da Broadway, discutindo
então o preconceito racial, a segregação, a posição da mulher em sua sociedade, dentre
outras questões importantes trazidas por sua obra.

Referências:

BHABHA, Homi K. The Location of Culture. London: Routledge, 1994.

CARTER, Steven. Hansberry’s Drama: Commitment and Complexity. New York:


Meridian, 1993.

HANSBERRY, Lorraine. A Raisin in the Sun. New York: Random House, 1994.

______. To be Young, Gifted and Black – na informal autobiography. New York:


Signet, 1970.
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MAMET, David. The Water Engine and Mr. Happiness. New York: Grove Press, 1978.

SALGUEIRO, Maria Aparecida Andrade. Escritoras Negras Contemporâneas: estudos


de narrativas – Estados Unidos e Brasil. Rio de Janeiro: Caetés, 2004.

______. “Lorraine Hansberry: Afro-América, Teatro e Autobiografia”. In:______ (Ed.).


Feminismos, Identidades, e Comparativismos: Vertentes nas Literaturas de Língua
Inglesa. Vol. IV. Rio de Janeiro: Europa, 2006. p.83-88.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. “Can the Subaltern Speak?” In: ASHCROFT, Bill et al
(Ed.). The Post-Colonial Studies Reader. London: Routledge, 1997. p.24-28.

______. “Diasporas Old and New: Women in the Transnational World”. In: Textual
Practice. Glasgow, Vol.10, No 2, 1996. p.245-269.

i
Todas as citações de textos provenientes da língua inglesa foram traduzidas pela autora.