Seminário

Disciplina: Economia Política da Mídia Profa. Dra. Graça Pinto Coelho

Helton Rubiano de Macedo

Adam Schaff (1913 -2006) foi um filósofo marxista polonês. Estudou na École de Sciences Politiques et Economiques de Paris. Em 1945 doutorou-se em Filosofia. Foi membro da Academia Polonesa de Ciências e do Clube de Roma, tornou-se Diretor do Instituto de Filosofia e Sociologia. É autor de vasta bibliografia referente a assuntos de Filosofia e Ciências Humanas.

O presente livro se ocupa de futurologia sóciopolítica, mas trata e um fututo não muito distante: os próximos vinte ou tinta anos (p. 15).

“A pergunta ‘que fututo nos aguarda?’, especialmente quando se refere às dimensões sociais do desenvolvimento, envolve massas de pessoas cada vez maiores em todo o mundo. O fator que estimula essa pergunta é sem dúvida o medo. Todas as pessoas pensantes do mundo percebem que nos encontramos diante de uma mudança profunda, que não é apenas tecnológica, mas abrange todas as esferas da vida social” (p. 15).

Primeira parte
As consequências sociais da atual revolução técnico-científica

Segunda parte
O indivíduo humano e a sociedade informática

Primeira parte
As consequênciais sociais da atual revolução técnicocientífica
I. II. III. IV. V. Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas Mudanças na formação econômica da sociedade Mudanças na formação social da sociedade Mudanças na formação política da sociedade Mudanças na formação cultural da sociedade

I.

Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas
A primeira [revoluçao técnico-industrial] [...] teve o grande mérito de substituir na produção a força física do homem pela energia das máquinas (primeiro pela utilização do vapor e mais adiante sobretudo pela utilização da eletricidade) (p. 22).

I.

Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas
A segunda revolução [técnico-industrial]: as capacidades intelectuais do homem são ampliadas e substituídas por autômatos, que eliminam com êxito crescente o trabalho humano na produção e nos serviços (p. 22).

I.

Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas
[...] a diferença [entre a primeira e segunda revolução] : a primeira revolução conduziu a diversas facilidades e a um incremento no rendimento do trabalho; a segunda aspira à eliminação total deste (p. 22).

I.

Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas
[...] esta nova revolução coloca uma série de problemas de problemas sociais ligados à necessidade de se encontrar uma instituição que possa substituir o trabalho humano tradicional, seja como fonte de renda que permite ao homem satisfazer suas necessidades materiais, seja como fonte tradicional de “sentido de vida”, entendido como fundamental para a satisfação das suas necessidades não materiais, isto é, das suas “necessidades espirituais” (p. 22-23).

I.

Condições iniciais: as três revoluções técnico-científicas
A microletrônica, a microbiologia [engenharia genética], e a energia nuclear [revolução energética] assinalam os amplos caminhos do nosso conhecimento a respeito do mundo e também do desenvolvimento da humanidade (p. 25).

II. Mudanças na formação ECONÔMICA da sociedade
O primeiro problema importante decorrente da nova revolução industrial é o de assegurar a manutenção de um exército de pessoas naturalmente desempregadas, que perderam seus empregos em consequência da automação e da robotização da produção e dos serviços (p. 28).

II. Mudanças na formação ECONÔMICA da sociedade
[...] Como definir a forma sistemática da sociedade futura, que não será nem capitalismo nem socialismo tais como os conhecemos até agora? Sugiro que se a denomine de sistema de economia coletivista [...].

II. Mudanças na formação ECONÔMICA da sociedade
Sistema de economia coletivista: Economia capitalista privada e economia social coletivista.

II. Mudanças na formação ECONÔMICA da sociedade
Ao mesmo tempo, a denominação que sugiro compreende o que caracteriza a grande mudança que a atual revolução industrial está produzindo: a infração do “sagrado” direito de propriedade em nome de interesses coletivos gerais (p. 38).

II. Mudanças na formação ECONÔMICA da sociedade
Na atualidade, podemos entender o “sagrado” direito de propriedade como aquele adquirido por meio de direitos autorais, que promovem a “proteção” do autor, mas que priva a coletividade do acesso a bens culturais.

III. Mudanças na formação SOCIAL da sociedade
É pois um fato que o trabalho, no sentido tradicional da palavra, desaparecerá paulatinamente e com ele o homem trabalhador, e portanto a classe trabalhadora entendida como a totalidade dos trabalhadores (p. 43).

III. Mudanças na formação SOCIAL da sociedade
Na sociedade informática a ciência assumirá o papel de força produtiva. Mesmo hoje a força de trabalho se modifica e desaparece em sentido social (p. 43).

III. Mudanças na formação SOCIAL da sociedade
Uma outra variante parece mais provável, a saber: sociedades com uma classe trabalhadora que desaparece e uma classe de capitalistas rurais e urbanos fortemente debilitada e destinada, também, a desaparecer (p. 44).

III. Mudanças na formação SOCIAL da sociedade
Provavelmente o lugar dessas classes desaparecidas será ocupado por um estrato social integrado por cientistas, engenheiros, técnicos e administradores que se incumbirão do funcionamento e dos progressos da indústria e dos serviços (p. 44-45).

IV. Mudanças na formação POLÍTICA da sociedade
O autor propõe a seguinte questão problematizadora: [...] a atual revolução industrial afetará a formação política e, principalmente, a implementação prática da democracia nas sociedades atualmente existente no Ocidente e no Oriente [...], e, em caso afirmativo, de que modo o fará? (p. 54).

IV. Mudanças na formação POLÍTICA da sociedade
O autor chama atenção para duas possibilidades de ameaça à democracia na sociedade do futuro:

1 ° A classe dos capitalistas individuais terão ainda um enorme poder, especialmente se levarmos em conta o crescente monopólio da informação que corresponderá ao estrato social especialmente qualificado (p. 55).

IV. Mudanças na formação POLÍTICA da sociedade 2 ° As empresas multinacionais : são economicamente mais fortes que muitos grandes Estados. Além disso, graças à sua estrutura internacional e ao correspondente âmbito de influência, têm grandes possibilidades de interferir na política internacional (p. 56-57).

V. Mudanças na formação CULTURAL da sociedade [...] a sociedade informática [...] dará um grande passo da materialização do velho ideal dos grandes humanistas, a saber, do homem universal. _Universal do sentido da sua formação global. _Universal no sentido da libertação do enclausuramento numa cultura nacional para converter-se cidadão do mundo.

V. Mudanças na formação CULTURAL da sociedade Três esferas de problemas: a) Difusão da cultura b) Difusão da cultura supranacional c) Difusão de novos modelos de personalidade e de um novo caráter social dos homens (p. 72).

V. Mudanças na formação CULTURAL da sociedade Difusão da cultura: Surgimento de novas possibilidades de difusão da cultura _O Rádio _A TV _Didática propiciada pelos “autômatos falantes” (uso na educação) (p. 72).

V. Mudanças na formação CULTURAL da sociedade Difusão da cultura supranacional Será a evolução de uma cultura supranacional, que porá fim às perspectivas estreitas e ao provincianismo das culturas locais (p. 77).

V. Mudanças na formação CULTURAL da sociedade Difusão de novos modelos de personalidade e de um novo caráter social dos homens

A propagação e a expansão da cultura supranacional enriquecem a personalidade humana, fazem com que os seres humanos ascendam a um nível superior de cultura e, finalmente, mudam os modelos de referência pessoal e o caráter social (p. 81).

Nelson De Luca Pretto é licenciado em Física pela Universidade Federal da Bahia (1977), Mestre em Educação também pela UFBA (1984) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1994). É professor associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Coordena o grupo de pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias.

Sergio Amadeu da Silveira possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1989), mestrado (2000) e doutorado (2005) em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. É professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC). Presidiu o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2003-2005) e foi membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (20032005).

Apresentação Este livro é fruto de um exercício de decodificação das tendências culturais contemporâneas, em suas expressões artísticas, tecnocientíficas e políticoideológicas, buscando desvendar as intrincadas tramas e seus algoritmos moleculares e globais, hoje condutores da biopolítica e das macroestruturas do poder (p. 7).

Apresentação [...] o que pretendemos foi discutir o atual aprisionamento das subjetividades, os riscos e exageros do controle do conhecimento e da informática de dominação, além de alertar que a ampliação do compartilhamento é simultaneamente combatida pela expansão da propriedade sobre a cultura e pela ideologia da neutralidade tecnológica (p. 7).

Apresentação Objetivo [...] ampliarmos as competências comunicativas da sociedade, com a finalidade de requalificar a esfera pública em uma era informacional, da cibercultura e da biopolítica, em uma sociedade em rede em conflito reconfigurante com a expansão de um capitalismo cognitivo (p. 10).

Apresentação Justificativa Enquanto prolifera no ciberespaço uma cultura da remixagem, as grandes companhias do mundo industrial lutam pelo controle dos códigos. O avanço das práticas recombinantes na rede é contraposto com as medidas de enrijecimento e controle da propriedade das idéias (p. 11).

Apresentação Necessário se faz, portanto, efetivamente ir além das redes de colaboração e evidenciar as possibilidades, a potencialidade e os riscos que as tecnologias do poder trazem para a diversidade cultural e para a emancipação das subjetividades (p. 13).

Pedro Paranaguá Direitos autorais, novas tecnologias e acesso ao conhecimento
Carlos Gerbase A fabricação da verdade no debate sobre direitos autorais no Brasil Bruno Magrani Função social do direito de autor: análise crítica e alternativas conciliatórias

Praticamente tudo em que encostamos, usamos ou simplesmente vemos ou até mesmo ingerimos está direta ou indiretamente protegido pelo que se convencionou chamar de propriedade intelectual (PI). [...] É o conhecimento humano sendo apropriado (p. 123).

política maximalista de pi No caso de acesso à informação, à educação, à cultura, a medicamentos e ao conhecimento em geral, países pobres sentem o grande impacto (p. 126).

política maximalista de pi No final das contas, por abuso de interesses privados em contrapartida a interesses públicos, o direito de exclusividade de exploração do produto industrial ou da criação intelectual acaba significando não apenas uma exclusividade, mas também uma exclusão dos demais, que ficam à margem, sem acesso ao conhecimento (p. 126).

No Brasil, caso um livro esteja fora de catálogo, ou seja, não esteja à venda – portanto, a editora não recebe qualquer remuneração –, mesmo assim ninguém poderá fotocopiá-lo na íntegra. [...] Na Alemanha, não é assim: caso um livro esteja fora de catálogo por dois anos, podese fotocopiá-lo na íntegra, sem que haja infração à lei alemã ou a qualquer tratado internacional (p. 126).

entre novos modelos de negócio e ações judiciais: repensando o modelo da música

O modelo de negócio tradicional da indústria fonográfica está sendo deixado para trás pela competitividade das novas tecnologias. [...] Para tentar não ficar para trás, a indústria fonográfica preferiu se utilizar do marketing do medo: processar judicialmente usuários de redes de compartilhamento ou peer-to-peer (P2P) (p. 126)

as origens do debate O debate jurídico começou em 1976, quando foi inventado o VHS (Video Home System), primeiro suporte de cópias “ilegais” de filmes em grande escala, e se transferiu para o campo teórico quando a internet ainda dava seus primeiros passos, na década de 1990. A polêmica se popularizou quando a rede atingiu seu estado de circulação global, no final do século passado (p. 134).

Objetivos [...] refletir sobre esse momento, partindo da análise de falácias que costumam permear o debate sobre pirataria e direitos autorais. [...] comparar alguns modelos que estão sendo apresentados para esse novo cenário tecnológico e cultural, tentando detectar, nos diversos discursos e proposições, os jogos de poder que se escondem sob os argumentos supostamente “legais” (p. 134).

A primeira falácia (ou blefe) é simples: a preocupação quanto aos direitos autorais é imputada, antes de mais nada, aos próprios autores. Seriam esses os grandes prejudicados com a pirataria, à medida que, numa distribuição ilegal, não recebem os royalties da venda de suas obras (p. 136).

direitos autorais na aurora da fotografia [discussão de como o interesse comercial cria “verdades” para alterar os sentidos até então aceitos] Fotografia: retrato objetivo da realidade, portanto, sem autor. Como controlar esse mercado pungente? Criando “a verdade” da estética fotográfica.

o cinema entra em cena, sob as leis da fotografia Quando foi inventado, em 1895, o cinema “naturalmente” seguiu as regras e as leis que a indústria da fotografia estabelecera nada “naturalmente” (p. 140).

Manoel Almeida (2007): “Em todas aquelas advertências que costumamos ler antes de assistir a um filme em DVD, que ameaçam o espectador caso este faça uma cópia do produto em sua casa, está sempre omitida a expressão “intuito de lucro”,que a lei, explicitamente, nos parágrafos 1 a 4, considera como condição para que a cópia seja criminosa” (p. 141).

[...] o simples fato das distribuidoras omitirem um dado específico da lei brasileira já demonstra que um certo “regime de verdade” (p. 142).

os autores dos filmes brasileiros: uma questão de poder “Autores” segundo a lei: 1.Músicos 2.Roteiristas 3.Diretores Por que apenas esses? E os demais profissionais? Complicador: Apenas os músicos têm representação (ECAD) para articular mecanismos de arrecadação.

questões de direito ou questões de coerção? A tentativa do ECAD de fechar salas de cinema que não recolhem os direitos autorais da exibição pública das trilhas é um excelente exemplo de coerção social. E, ao mesmo tempo, uma eficiente estratégia para investir o músico como coautor dos filmes, num “regime de verdade”, que tem base jurídica, mas que deve ser sustentado no dia a dia, naquilo que Foucault chama de “microfísica do poder”(p. 147).

Tentativa de criação da ANCINAV e jogos de poder para o seu sepultamento.

Conclusão [...] o grande desafio imposto pelas novas tecnologias: como o “autor” poderá viver de seu trabalho num mundo em que a circulação de suas obras parece escapar de todas as tentativas de regulamentação, tanto de base técnica quanto de base legal (p. 152).

sistema de incentivo à criatividade artístico-literária Dualismo: interesse individual – interesse da coletividade

a rápida disseminação das tecnologias da informação pela sociedade causou um grave descompasso entre as possibilidades e práticas tecnológicas e o direito, gerando uma crise na propriedade intelectual (p. 156).

mapeamento básico sobre direitos autorais e suas limitações

lógica do sistema de incentivo à criação artística exercida pelo direito autoral:
Com a finalidade de estimular a criação intelectual e alcançar o ideal de uma sociedade culturalmente rica, o direito de autor concede um privilégio de uso exclusivo sobre a obra por um prazo determinado (p. 157).

A paródia e a paráfrase, assim como a citação, integram o escopo das limitações e exceções ao direito autoral e encontram-se no artigo 47 da LDA atual (Lei nº 9.610/98) (p. 158).

O contraponto à tendência de maximização da proteção autoral assume o discurso em prol do aumento das limitações e exceções à lei de direitos autorais, com base no princípio da função social da propriedade (p. 159).

Princípio da função social da propriedade (a) possibilita fundamentar constitucionalmente a existência das limitações e exceções ao direito de autor [...] (b) funciona como um argumento centralizador de outros artigos que protegem os interesses sociais na produção artístico-literária espalhados pela Constituição (p. 161).

diferenças entre propriedade e direitos autorais A primeira diferença diz respeito ao modo de aquisição originária e derivada dos direitos de autor e dos direitos de propriedade (p. 162).

diferenças entre propriedade e direitos autorais Uma segunda diferença inconciliável com o direito de propriedade envolve o prazo de duração e tipo de proteção do direito (p. 163).

diferenças entre propriedade e direitos autorais A terceira diferença é econômica. A perspectiva econômica do direito encara o direito autoral como derivado de uma falha de mercado (p. 163).

Por fim, a alternativa ao impasse A fundamentação da defesa dos interesses da coletividade no acesso à criação artístico-literária nos princípios da liberdade de expressão e informação, bem como no do pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes de cultura, além de não ter que lidar com as objeções derivadas da associação com a propriedade, oferece argumentos mais fortes do que os da função social da propriedade (p. 167).

heltonrubiano@gmail.com

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