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Prof. Roberto R.

Simiqueli
História Econômica I – PROVA 1
2017.02

Nome: RA:
Data:
Turma: Horário:

IMPORTANTE
1. A prova em sua mão é um documento. Não rasure, rabisque ou destaque suas folhas.
2. A folha de questões deve ser entregue assinada junto com a folha de resposta,
impreterivelmente.
3. A prova tem duração máxima de 1h30 (uma hora e trinta minutos), a contar do início
da aula destinada à sua realização.
4. Mantenha somente o material autorizado pelo professor sobre a carteira.
5. O uso de dispositivos eletrônicos está proibido, em especial o de celulares. Vocês
receberão atualizações constantes sobre o horário (e o tempo restante para realização da
prova) pelo professor.
6. Responda as questões abaixo de forma clara e à caneta.
BOA PROVA!

QUESTÕES:

1. (3,0) Leia atentamente a seguinte passagem:

“Todo ser humano tem consciência do passado (definido como o período
imediatamente anterior aos eventos registrados na memória de um indivíduo) em
virtude de viver com pessoas mais velhas. Provavelmente todas as sociedades que
interessam ao historiador tenham um passado, pois mesmo as colônias mais
inovadoras são povoadas por pessoas oriundas de alguma sociedade que já conta
com uma longa história. Ser membro de uma comunidade humana é situar-se em
relação ao seu passado (ou da comunidade) ainda que apenas para rejeitá-lo. O
passado é, portanto, uma dimensão permanente da consciência humana, um
componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da sociedade
humana. O problema para os historiadores é analisar a natureza desse ‘sentido do
passado’ na sociedade e localizar suas mudanças e transformações.”
Eric HOBSBAWM, Sobre História. São Paulo: Cia das Letras, 2005. p.22.

No fragmento citado acima, Eric Hobsbawm reflete sobre a relação dos homens
com o passado e a busca de sentido nesse mesmo passado. Fazendo uso dos
comentários de Marc Bloch e/ou Edward Carr que lemos e discutimos em sala,
responda:
a. Como essa busca de um “sentido do passado” se relaciona com a pesquisa
e a reflexão sobre a História?
b. Como o fazer da história, pelos historiadores, se opõe ao “senso comum”
sobre a história? Qual a importância dos fatos históricos na redação da
História?
2. (5,0) Reflita sobre o fragmento abaixo:

“Tem-se absolutamente certo que, a partir do fim do século VIII, a Europa
Ocidental regredira ao estado de região exclusivamente agrícola. É a terra a única
fonte de subsistência e a única condição da riqueza. Todas as classes da população,
desde o imperador, que não possuía outras rendas além das de suas terras, até o
mais humilde de seus servos, viviam, direta ou indiretamente, dos produtos do
solo, fossem eles fruto de seu trabalho, ou consistissem, apenas, no ato de colhê-
los e consumi-los. (...) Toda a existência social funda-se na propriedade ou na
posse da terra.”
Henri PIRENNE, História Econômica e Social da Idade Média. São Paulo:
Mestre Jou, 1982. p.13.

Com base em seus conhecimentos sobre o tema e na leitura de Hilário Franco Jr.,
em A Idade Média – Nascimento do Ocidente, responda:
a. Como a agricultura e as relações produtivas em torno da terra influenciam
o restante da vida econômica medieval?
b. Quais as principais diferenças entre os dois grandes períodos da Idade
Média, em termos econômicos?
c. Se as estruturas econômicas medievais, relacionadas com essa forma
peculiar de organização social e cultivo da terra, puderam resistir a quase
mil anos de crises e guerras, como explicar seu colapso?

3. (2,0) O breve trecho citado abaixo explora os dilemas enfrentados pelos
praticantes da usura ao longo da Idade Média:

“A usura. Que fenômeno oferece, mais do que este, durante sete séculos no
Ocidente, do século XII ao século XIX, mistura tão explosiva de economia e de
religião, de dinheiro e de salvação? Trata-se de figura de uma longa Idade Média,
na qual os homens novos eram esmagados sob os símbolos antigos, a modernidade
dificilmente conseguia abrir caminho entre os tabus sagrados, e os artifícios
enganadores da história consideravam a repressão exercida pelo poder religioso
um instrumento do sucesso terrestre. A barulhenta polêmica em torno da usura
constitui, seja como for, ‘o parto do capitalismo’. (...) Ao usurário diziam a Igreja
e os poderes leigos: ‘Escolha: a bolsa ou a vida.’ Mas o usurário pensava, o que
eu quero é ‘a bolsa e a vida’.”
Jacques LE GOFF, A bolsa e a vida – economia e religião na Idade Média. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

Com base nessa passagem e em seus conhecimentos sobre o Ocidente medieval,
responda:
a. O que caracteriza a usura, e por que esta era uma prática problemática no
medievo?
b. Por que o autor afirma que a polêmica em torno da usura constitui ‘o parto
do capitalismo’? Qual a sua importância, para que compreendamos o fim
do mundo feudal?