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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL


INSTITUTO DE GEOGRAFIA, DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE – IGDEMA
CURSOS DE GEOGRAFIA BACHARELADO E LICENCIATURA
DISCIPLINA CARTOGRAFIA – GEOB086 E GEOL087
Professor: Sinval Autran Mendes Guimarães Júnior

UNIDADE 1 – CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA DE CARTOGRAFIA

GENERALIDADES DE CARTOGRAFIA

Maceió, Alagoas
janeiro de 2018

CAMPUS A. C. SIMÕES
Av. Lourival de Melo Mota s/n, BR-104 Norte, km 14, Bloco 06 – Igdema, Cidade Universitária,
CEP 57072-970 Maceió, Alagoas - 0XX82-3214-1440/1441/1442/1443/1444/1445
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1.1 DEFINIÇÕES, OBJETO, OBJETIVOS E DIVISÃO DA CARTOGRAFIA

Definições de cartografia

A Cartografia é a ciência, a arte e a técnica da representação gráfica da superfície


terrestre, seja ela total ou parcial, tendo como produto final o mapa. Na atualidade, a
cartografia não se restringe somente à representação da superfície terrestre, visto que os
progressos alcançados pelas ciências e as técnicas têm possibilitado uma ampliação
considerável de seus objetivos e do seu campo aplicação, passando também para a
representação dos planetas, do universo, dos oceanos, rios, lagos e do subsolo.
Segundo Oliveira (1993), a palavra Cartografia é originária da fusão de outras duas
palavras: carto e grafia. Carto ou carta é do latim charta e do grego khartes, provavelmente de
origem egípcia que significa papel, diretamente derivada de papiro ou pergaminho; e Grafia,
do latim graphien, que significa descrever, descrição de alguma coisa. Cartografia é então, a
descrição de cartas.
A palavra Cartografia é do vocábulo criado pelo historiador português Visconde de
Santarém, em carta de 08 de dezembro de 1839, escrita em Paris (França), e dirigida ao
historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen. Antes da consagração do termo, o
vocábulo usado tradicionalmente era Cosmografia, que significa descrição do universo, foi
usado até meados do século XIX (OLIVEIRA, 1993).

O professor Cêurio de Oliveira, em seu livro Curso de Cartografia Moderna (1993,


p.13), apresenta algumas definições de Cartografia:

“A Cartografia é a ciência que se ocupa da elaboração de mapas de toda


espécie. Abrange todas as fases dos trabalhos, desde os primeiros
levantamentos até a impressão final dos mapas” (ONU, 1949).

“Conjunto de estudos e operações científicas, artísticas e técnicas, baseado


nos resultados de observações diretas ou de análise de documentação, com
vistas à elaboração e preparação de cartas, projetos e outras formas de
expressão, assim como sua utilização” (ACI, 1964).

“A Cartografia é considerada como ciência e arte de expressar por meio de


mapas e cartas, o conhecimento da superfície terrestre” (BAKKER, 1965).

“A cartografia é a arte de conceber, de levantar, de redigir e de divulgar os


mapas” (JOLY, 1976).

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“Arte de traçar ou gravar cartas geográficas ou topográficas”
(DICIONÁRIO CONTEMPORÂNEO DA LÍNGUA PORTUGUESA apud
OLIVEIRA, 1993).
“Arte de compor cartas geográficas” (NOVO DICIONÁRIO BRASILEIRO
MELHORAMENTOS apud OLIVEIRA, 1993).

“Arte ou ciência de compor cartas geográficas; tratado sobre mapas”


(NOVO DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA apud OLIVEIRA,
1993).

“Arte ou prática de fazer cartas ou mapas” (WEBSTER apud OLIVEIRA,


1993).

“Arte de desenhar os mapas de geografia: Mercator criou a Cartografia


científica moderna” (ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE apud
OLIVEIRA, 1993).

“Projeto e desenho de cartas geográficas, plantas de cidade, etc.” (LÉXICO


ALEMÃO MODERNO apud OLIVEIRA, 1993).

O professor Antônio Teixeira Guerra, em seu Dicionário Geológico-


Geomorfológico, define a Cartografia, como: “Ciência e arte da representação gráfica da
superfície da Terra, em parte, ou no seu todo, de acordo com a escala” (GUERRA, 1993, p.
76).
O Professor Alexandre Tadeu Lima do Departamento de Engenharia Cartográfica da
Universidade Federal de Pernambuco - DeCart - UFPE, ca. 1990), define a Cartografia como
sendo:

“[...] a combinação de técnicas, máquinas e métodos utilizados na detecção


(levantamento), representação (analógica, digital ou convencional), processamento
(transformações de dados em informações), memorização (armazenamento),
recuperação (convocação de dados e de informações armazenadas), e utilização
ampla dos aspectos métricos e temáticos associados aos pontos pertencentes ao
espaço euclidiano”

Nas definições acima ficou claro que tanto ciência como arte fazem parte do
conteúdo da Cartografia, embora nos dias atuais, a técnica tem se tornado cada vez mais
presente, em especial, aquelas que fazem uso da tecnologia da geoinformação, como: o
geoprocessamento, o tratamento digital de fotografias aéreas e imagens espectrais de alta
resolução espacial, dos levantamentos de campo por meio de GPS (Global Positioning
System) geodésicos e topográficos.

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Objeto e objetivos da cartografia

O objeto da cartografia consiste em reunir e analisar dados e medidas das diversas


regiões da Terra, e representar graficamente em escala reduzida, os elementos da
configuração que possam ser claramente visíveis (RAISZ, 1948). Numa visão mais
abrangente, seu objeto consiste em representar por meios de mapas a superfície terrestre e os
seus elementos e fatos configurados. Até mesmo qualquer elemento passível de ser
representado num plano, não apenas da superfície terrestre, mas também do subsolo, da
atmosfera, do espaço sideral, ou de um corpo ou objeto qualquer, seja ele vivo ou inerte.
Outras formas de representação, também são objetos de estudo da cartografia, como:
maquetes, blocos-diagramas, perfis topográficos, entre outros (OLIVEIRA, 1993).
Dos elementos passíveis de representação num plano, são seus objetivos:

a) construir mapas e outras formas de representação da superfície terrestre;


b) localizar e medir objetos na superfície terrestre;
c) representar e fornecer dados e medidas precisas da superfície terrestre.

Divisão da cartografia

Segundo João Soukup (1978), professor de Cartografia da Pontifícia Universidade


Católica de São Paulo, a Cartografia divide-se em: Sistemática, Temática e Geográfica.

Cartografia Sistemática
A Cartografia Sistemática, também conhecida como: Geral, Topográfica,
Topocartografia ou Cartografia Original produz trabalhos de feição detalhada, enfocando
aspectos da superfície tridimensional da superfície terrestre para o plano. Faz uso de
convenções e escalas padrão, contemplando à execução dos mapeamentos básicos que
buscam o equilíbrio das representações altimétricas e planimétricas dos acidentes naturais e
culturais, visando à melhor percepção das feições gerais da superfície representada. Sua
preocupação central está na localização precisa dos fatos, na implantação e manutenção das
redes de apoio geodésico, na execução dos recobrimentos aerofotogramétricos e na
elaboração e atualização dos mapeamentos básicos. Principais características da Cartografia
Sistemática:

a) produz mapas exatos e detalhados (cartas topográficas, levantamentos


aéreos e terrestres);
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b) ligada a Geodésia;
c) executa mapas básicos para outros tipos de cartas;
d) elabora documentos cartográficos matematicamente corretos e ricos em
detalhes;
e) ocupa-se na transformação direta das medidas e fotografias, obtidas pelo
levantamento de campo;
f) utiliza desenho manual;
g) executa levantamentos aerofotogramétricos;
h) praticada pela rede oficial - governamental: civis; militares (terrestre,
marítimos e aeronáuticos); administração pública;
i) usada na defesa militar;
j) atende a um público amplo e diversificado
k) elabora documentos cartográficos em grandes e médias escalas;
l) sua execução é realizada pelo Estado, devido ao alto custo e ao uso
coletivo.

Cartografia Temática ou Cartografia Aplicada

A Cartografia Temática produz mapas de feição detalhada, enfocando aspectos


temáticos da superfície terrestre e os transportando para o plano. Faz uso de legendas,
convenções e escalas tendo como apoio, uma base cartográfica fornecida pela Cartografia
Sistemática, na qual são gerados mapas temáticos a partir da interpretação de imagens de
sensores espectrais e fotografias aéreas, auxiliadas pela aplicação de técnicas de
geoprocessamento, tratamento de dados geoestatísticos, como também trabalhos de campo. A
Cartografia Temática é a: “[..] parte da Cartografia que diz respeito ao planejamento,
execução e impressão de mapas sobre um Fundo Básico, ao qual serão anexadas informações
por meio de simbologia adequada, visando atender as necessidades de um público específico”
(DUARTE, 1994, 23p.). A Cartografia Temática trata da elaboração e o uso dos mapeamentos
temáticos, abrangendo a coleta, a análise, a interpretação e a representação das informações
sobre uma carta base. Principais características da Cartografia Temática:

a) produz mapas de uso específico ou especial (mapas: físico-naturais,


populacionais e socioeconômicos);
b) ligada aos estudos da geografia a nível local e regional;
c) surgiu após a Primeira Guerra Mundial;
d) trata da confecção de cartogramas;
e) os elementos geralmente são cartografados em uma única folha;

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f) utiliza o arcabouço de cartas topográficas e geográficas;
g) cresce gradativamente devido às necessidades das geociências e do
planejamento da vida moderna dos povos;
h) auxiliada pela cartografia sistemática;
i) exige a colaboração de profissionais de áreas afins e cartógrafos de alto
nível;
j) área de multiplicidade de assuntos: requer talento profissional;
k) os mapas produzidos pela cartografia temática sofrem alterações
contínuas: p. ex.: mapas econômicos e populacionais.

Cartografia Geográfica ou Geocartografia

A Cartografia Geográfica produz trabalhos de feição generalizada, em pequena


escala, enfocando aspectos voltados ao uso de representações cartográficas no ensino da
geografia na escola, como: atlas, mapas murais, plantas de cidades, ilustração cartográfica em
livros e revistas, confecções de globos, maquetes e perfis topográficos, cartas em relevo e
mapas de altitude, entre outros. Principais características Cartografia Geográfica:
a) produz mapas de uso geral (atlas, planisférios, mapa-múndi);
b) ligada aos estudos de Geografia a nível global;
c) praticada pela rede privada (particular);
d) visa o aspecto cultural e o lucro;
e) atende ao público em geral;
f) baseado em mapas de escalas pequenas, ou seja que abrange grandes
áreas;
g) mercado consumidor é maior
h) trabalha com mapas: avulsos e escolares;
i) destina-se a coletividade;
j) variedade de conteúdo;
k) industrialização da produção de mapas;
l) baseada na parte geométrica das obras da cartografia original;
m) trabalha com redução e ampliação de cartas;
n) apresenta de conteúdo topográfico simplificado.

O quadro a seguir, mostra a distinção entre as cartografias sistemática e temática,


segundo o Prof. Paulo Araújo Duarte da Universidade Federal de Santa Catrina – UFSC.

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Quadro 1 - Distinção entre cartografia sistemática e cartografia temática

Características Cartografia Sistemática Cartografia Temática

Quanto ao público
Amplo e diversificado Especializado e reduzido
que atende

Quanto aos Grande diversidade


Assuntos mais restritos
propósitos

Quanto aos Qualquer elemento, até mesmo


elementos Elementos físicos ou a eles relacionados aqueles de natureza abstrata
representados (ex.: densidade demográfica)

Quanto à Em geral, os documentos podem ser Duração mais limitada, pois os dados são
durabilidade da usados por longo tempo superados com mais rapidez
informação

Quanto ao nível de Maior ênfase para dados qualitativos Dados quantitativos e qualitativos
informação

Quanto ao preparo Não exige necessariamente Exige, em geral, conhecimentos


do leitor conhecimentos específicos para especializados
compreensão dos documentos

Quanto ao preparo Documentos executados por Documentos podem ser executados por
do executor especialistas em cartografia pessoas não especialistas em cartografia

Quanto ao
Em geral, tem significado qualitativo
significado das Significado quantitativo e qualitativo
cores

Fonte: Adaptado de DUARTE, P. A. (1991).

1.2 CIÊNCIAS E DISCIPLINAS AFINS E CORRELATAS A CARTOGRAFIA

As áreas do conhecimento afins correspondem aquelas que dão embasamento a


Cartografia, como: a Geodésia, a Matemática e a Geografia; já as correlatas, auxiliam, como:
as Artes Gráficas, a Topografia, a Geofísica, a Fotogrametria o Sensoriamento Remoto e a
Informática.
A Geodésia trata da determinação do tamanho e figura da Terra e da intensidade do
campo gravitacional. Em seu aspecto prático conduz as medições e cálculos necessários á
determinação das coordenadas astronômicas e geodésicas de pontos fixos com a finalidade de
proporcionar o apoio para levantamentos de ordem inferiores tendentes à construção da carta
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precisa da superfície da Terra. A Geodésia é a "Ciência aplicada que estuda a forma, as
dimensões e o campo de gravidade da Terra". [...] Embora a finalidade primordial da
Geodésia seja cientifica, ela é empregada como estrutura básica do mapeamento e trabalhos
topográficos, constituindo estes fins práticos razão de seu desenvolvimento e realização, na
maioria dos países. [...] Os levantamentos geodésicos compreendem o conjunto de atividades
dirigidas para as medições e observações que se destinam à determinação da forma e
dimensões do nosso planeta (geóide e elipsóide). É a base para o estabelecimento do
referencial físico e geométrico necessário ao posicionamento dos elementos que compõem a
paisagem territorial. (IBGE, 1998 p. 13).
A Matemática estabelece a medida e as propriedades das grandezas; seu campo é
constituído por um conjunto de ciências que estudam as relações precisas existentes entre as
quantidades ou magnitudes, e as operações e/ou métodos pelos quais as mesmas são
procuradas podem deduzir-se de outras conhecidas ou supostas.
A Geografia estuda a distribuição dos fatos e fenômenos físico-naturais, biológicos,
humanos, culturais, sociais, econômicos e políticos na superfície da terrestre, as causas dessa
distribuição e as relações locais e globais de tais fenômenos. Tem por objeto o espaço inserido
na interface antroposfera, litosfera, atmosfera, hidrosfera, ou seja, o espaço da biosfera; Nesta
camada da Terra os geógrafos procuram mostrar diversos fenômenos espaciais, como por
exemplo: a paisagem elaborada pela natureza e modificada pelas atividades humanas,
considerada na sua distribuição e relações recíprocas.
As Artes Gráficas abrange um conjunto de técnicas, processos e de atividades
subsidiárias que visam a reproduzir, em qualquer número de cópias, escritas e imagens,
mediante uma chapa ou matiz mecanicamente, eletronicamente ou digitalmente impresso;
consiste ainda, num conjunto de técnicas artísticas de impressão e desenho; inclui a litografia,
a serigrafia e outras técnicas.
A Topografia estuda os acidentes geográficos definindo a sua situação e localização
na superfície terrestre ou outros corpos astronômicos incluindo planetas, luas, e asteróides. É
ainda o estudo dos princípios e métodos necessários para a descrição e representação das
superfícies destes corpos, em especial para a sua cartografia. Tem a importância de determinar
analiticamente as medidas de área e perímetro, localização, orientação, variações no relevo,
etc e ainda representá-las graficamente em cartas (ou plantas) topográficas. A topografia
engloba um conjunto de técnicas necessárias ao estudo e a representação gráfica de uma parte
da superfície terrestre por meio do delineamento das suas características físicas e culturais de
um lugar ou de uma região no sentido especial de mostrar as suas posições e elevações.
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A Geofísica tem seus estudos voltados para à compreensão da estrutura, composição,
o desenvolvimento e dinâmica do planeta Terra com o espaço exterior imediato sob a ótica da
física; è considerada também um ramo da física experimental. Consiste basicamente na
aplicação de conhecimentos e medidas da física ao estudo da Terra, especialmente através da
sísmica de reflexão e de refração, da gravidade, do magnetismo, da eletricidade, do
eletromagnetismo e de métodos gama espectrométricos. A terminologia geofísica, algumas
vezes, refere-se apenas às aplicações geológicas: o formato da Terra e o seu campo
gravitacional e magnético; estrutura interna e composição da Terra; dinâmica geológica e
expressões nos tectonismos, formação de magma, vulcanismos e formação de rochas.
Existem, contudo, definições da geologia mais abrangentes que incluem o ciclo hidrológico;
dinâmica dos fluidos dos oceanos e da atmosfera; eletricidade atmosférica e magnetismo na
ionosfera e magnetosfera e a relação Sol-Terra, além de questões associadas à Lua e outros
planetas.
A Fotogrametria trata da cobertura aerofotográfica executada e voltada para fins de
mapeamento. Consiste no levantamento topográfico aéreo; seu objetivo em parte consiste em
transformar a fotografia aérea em uma projeção cilíndrica ortogonal que será usada na
confecção de cartas náuticas, cartas topográficas, mapas e plantas. “[...] é a ciência que
permite executar medições precisas utilizando de fotografias métricas. Embora apresente uma
série de aplicações nos mais diferentes campos e ramos da ciência, como na topografia,
astronomia, medicina, meteorologia e tantos outros; tem sua maior aplicação no mapeamento
topográfico”. “[...] Tem por finalidade determinar a forma, dimensões e posição dos objetos
contidos numa fotografia, através de medidas efetuadas sobre a mesma. (IBGE, 1998 p. 89).
“[...] Assim, aerofotogrametria é definida como a ciência da elaboração de cartas mediante
fotografias aéreas tomadas com câmara aero-transportadas (eixo ótico posicionado na
vertical), utilizando-se aparelhos e métodos estereoscópicos”. (IBGE, 1998 p. 90).
O Sensoriamento Remoto, conhecido também como teledetecção, é um conjunto de
técnicas que utilizam sensores na captação e registro da energia refletida ou emitida por
superfícies ou objetos da esfera terrestre ou de outros astros. “Entende-se por Sensoriamento
Remoto, a utilização conjunta de modernos sensores, equipamentos para processamento e
transmissão de dados, aeronaves, espaçonaves e etc., com o objetivo de estudar o ambiente
terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as
substâncias componentes do planeta Terra, em suas mais diversas manifestações”. (IBGE,
1998 p. 53). O sensoriamento remoto possibilita a obtenção de informações sobre alvos na
superfície terrestre (objetos, áreas, fenômenos), através do registro da interação da radiação
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eletromagnética com a superfície, realizado por sensores distantes, ou remotos. Geralmente
estes sensores estão presentes em plataformas orbitais ou satélites, aviões e em nível de
campo. A agência estadunidense norte-americana NASA (National Aeronautics and Space
Administration) é uma das maiores captadoras de imagens recebidas por seus satélites. No
Brasil, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) é o principal órgão que atua nessa
área.
A Informática compreende um conjunto de ciências e técnicas relacionadas ao
tratamento de dados e informações quanto a sua coleta, classificação, armazenamento,
transmissão, processamento, transformação e disseminação em meios digitais, estando
incluídas neste grupo: a ciência da computação, a teoria da informação, o processo de cálculo,
a análise numérica e os métodos teóricos da representação dos conhecimentos e da
modelagem dos problemas. A informática pode ser entendida como ciência que estuda o
conjunto de informações e conhecimentos por meios digitais ou ainda, [...] Ciência que
abrange todas as atividades relacionadas com o processamento automático de informações,
inclusive o relacionamento entre serviços, equipamentos e profissionais envolvidos no
processamento eletrônico de dados (LIVI e SILVEIRA, 2006, p. 7). Na Cartografia,
Geografia, Geologia e outras ciências, sua área de atuação envolve as técnicas de
geoprocessamento aplicadas: Cartografia Digital, Sistemas Geográficos de Informação (SGI),
Sensoriamento Remoto - SR e a Geodésia Moderna e o - Global Positioning System (GPS).

O mercado de trabalho do engenheiro cartógrafo


O prof. Alexandre Tadeu Lima, do DeCart-UFPE, desde o final da década de 1980,
já apontava sem dúvida, a cartografia, como um dos mais promissores ramos da engenharia, o
que se concretizou nas décadas seguintes. Isso, devido à grande necessidade que tinha o nosso
país em acelerar o conhecimento e o dimensionamento do seu solo objetivando a sua
utilização plena e racional nas diferentes áreas do conhecimento humano, fato este
evidenciado, quando da necessidade humana na sua sobrevivência. Para tal, o Engenheiro
Cartógrafo utiliza como suporte às inúmeras aplicações da cartografia. Fato este, que
terminou por abrir uma perspectiva em curto prazo em um excelente mercado de trabalho para
o Engenheiro Cartógrafo, como previsto pelo prof. Alexandre Tadeu Lima. Ainda segundo
esse professor, levantamento realizado no início da década de 1990 pela Associação Brasileira
de Engenheiro Cartógrafo retratava as alternativas de mercado de trabalho para os
profissionais da área, na qual: (a) 34% dos Engenheiros Cartográficos estão ligados a órgãos
federais; (b) 19% nos órgãos estaduais; (c) 1% nas companhias energéticas; (d) 43% nas
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empresas privadas, e, finalmente (e) 3% desempenham outras atividades cartográficas. Abria-
se então, uma perspectiva, conforme a referida Associação, de um aumento de cerca de 20%
ao atual contingente de engenheiros cartógrafos no mercado de trabalho para o ano de 1990,
demonstrando que esta jovem área é um elo importante para o desenvolvimento
socioeconômico do país, o que de fato, pode ser confirmado atualmente.

TEXTO AUXILIAR 1

INTRODUÇÃO*

O Padrão da Terra. O homem é “como uma formiga sobre um tapete”, diz P. E. James1,
que pode conhecer perfeitamente a estrutura do mesmo no seu redor, mas sem a idéia do que
está além do seu campo visual. Para reduzir as grandes dimensões da superfície terrestre a
proporções tais que possam ser compreendidas numa simples vista, o geógrafo faz uso dos
mapas.
Com estas palavras, James situou o problema essencial da cartografia, ou seja, a
confecção de mapas.
Vamos imaginar que nossas formigas concebam a idéia de conhecer o aspecto geral do
tapete, e que elas tenham ordenado a algumas, procurarem medir exatamente vários pontos, e
a outras coletarem estas medidas, aplicarem os resultados no desenho para obterem o
panorama do todo. O exame do desenho revelará a configuração do que elas ignoravam, e sem
dúvida alguma, as formigas irão propor várias teorias para conseguir da natureza o meio final
desta representação.
Como é mais fácil o problema destas formigas diante do tapete, do que do homem diante
da Terra em que vivemos! O homem é um milhão de vezes menor, em comparação com a
Terra, do que a formiga em relação ao maior dos tapetes; e o mais rico e complicado tapete
oriental oferece um aspecto menos complexo do que a superfície terrestre.
O processo da representação da figura da superfície da terra consta de três fases: o
agrimensor mede o terreno, o cartógrafo reúne os resultados das medidas anteriores e os
transporta para o mapa, e o geógrafo interpreta os fatos assim expostos.
Estreitamente ligado a este processo, está o trabalho do geólogo, cujo estudo das
estruturas rochosas fornece a informação básica para uma melhor compreensão da
configuração da superfície. Deve-se observar de um modo especial o trabalho do cartógrafo: a
confecção de mapas; as outras fases citadas, Agrimensura e Geografia, são objetos de uma
extensa bibliografia própria.
Definição e Classificação da Cartografia. O objeto da cartografia consiste em reunir e
analisar dados e medidas das diversas regiões da Terra, e representar graficamente em escala
reduzida, os elementos da configuração que possam ser claramente visíveis.
Para pôr em evidência a configuração da superfície terrestre, o instrumento principal do
cartógrafo é o mapa. Mas, outras representações, tais como modelos de relevo, globos,
fotografias aéreas, imagens de satélites, imagens de radar e cartogramas, são assuntos próprios
para serem tratados em cartografia.
Um mapa é, no seu conceito mais elementar, uma representação convencional da
superfície terrestre, vista de cima, na qual se colocam letreiros para a identificação. A palavra
“representação” é usada aqui no seu mais alto significado: um mapa representa melhor o que

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se conhece da Terra, do que o que se vê de certa altura. Alguns mapas são tão abstratos e
convencionais que dificilmente se reconhece neles uma representação do quadro original.
Em muitos mapas especiais, somente um determinado aspecto da configuração é
representado, como sucede com os mapas pluviométricos.
Por outro lado os mapas representam detalhes que não são realmente visíveis por si
mesmos como, por exemplo, as fronteiras políticas, os letreiros, os paralelos e meridianos, etc.
Além disso, os mapas não estão necessariamente limitados a representar a superfície terrestre,
pois existem mapas celestes, da lua, etc., e também mapas geológicos do subsolo. Porém em
todos os casos uma grande extensão horizontal apresenta-se reduzida a um tamanho menor.
No estudo de confecção de um mapa são considerados os itens seguintes: (1) a escala; (2)
o sistema de projeção ou canevá de coordenadas sobre o qual se desenha o mapa; (3) as
convenções cartográficas ou os elementos representados por símbolos, tais como estradas,
cidades, montanhas e outros detalhes; (4) o letreiro; (5) o título, a quadrícula e outros
elementos complementares.
Os mapas podem ser classificados quanto à escala, ou quanto ao assunto, da seguinte
maneira:

1. Mapas gerais

a. Mapas topográficos em grande escala, com informações gerais.


b. Mapas geográficos que representam grandes regiões, países ou contingentes, em
pequena escala (os atlas pertencem a esta classe).
c. Mapa-múndi.

2. Mapas especiais

a. Mapas políticos.
b. Mapas urbanos (plantas cadastrais).
c. Mapas de comunicações, mostrando estradas de ferro e de rodagem etc.
d. Mapas científicos de diferentes classes.
e. Mapas econômicos ou estatísticos.
f. Mapas artísticos para ilustração de anúncios ou propaganda.
g. Cartas náuticas e aéreas;
h. Mapas cadastrais, desenhados em grande escala e que representam as propriedades e
áreas cultivadas, etc.

A Cartografia - Ciência e Arte. O cartógrafo deve ser ao mesmo tempo um homem de


ciência e um artista. Deverá conhecer perfeitamente o assunto e o modelo que vai representar,
isto é, a Terra. Deverá discernir para suprimir mais ou menos detalhes, segundo o sistema de
projeção, a escala, e a finalidade do seu mapa. A representação dos elementos é feita mediante
linhas, símbolos e cores, cujo acertado depende mais do sentido artístico, do que do
conhecimento científico.
O Curso de Cartografia. O que deverá ser incluído em curso de cartografia, distintamente
do curso de geografia e de outras ciências, para prover o cartógrafo com seu próprio
instrumento? O objetivo naturalmente é qualificar o estudante e fornecer-lhe uma linguagem
clara e correta para expressão de suas idéias. Para isto ele deverá assimilar certos princípios e
tradições que podem ser ensinados pela história. A arte do cartógrafo, naturalmente, evolui,
mas também é muito conservadora. As mudanças na forma da representação da Terra são
realizadas pouco a pouco, com prudência.

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O estudante deve conhecer as projeções mais usuais e ser capaz de construí-las. Contudo,
a teoria matemática das projeções será para ele de pouco valor prático. Naturalmente, ele
deverá estar capacitado para selecionar com inteligência, especialmente os métodos modernos
de representação do relevo. Mediante exercícios práticos aprenderá o enquadramento dos
mapas, o letreiro e o desenho correto. Se ele deseja seu próprio trabalho publicado, deverá
conhecer os métodos de reprodução dos mapas. Um passo mais avançado no estudo da
cartografia consiste na preparação de mapas especiais, globos e relevos.
Que disciplina deverá cursar um candidato a cartógrafo? Deverá conhecer os meios de
que deve dispor e ter habilidade para inteligentemente generalizar e fazer uma seleção correta
dos detalhes. Reunir dados, analisá-los e mais ou menos interpretá-los requer grande
conhecimento de geografia.
Sem isto, o cartógrafo seria somente um desenhista de topografia. Para representar a
configuração da Terra com habilidade, o cartógrafo deve ter conhecimento de belas-artes,
desenho técnico, sensoriamento remoto e geoprocessamento.
Também convém conhecer algumas noções de trigonometria plana e esférica, para a
melhor compreensão das projeções. Como a Cartografia e a Topografia estão intimamente
ligadas, naturalmente é recomendado o estudo em nível limitado de Agrimensura e Geodésia.
Completam a formação científica do cartógrafo, os conhecimentos de Geologia,
Geomorfologia, Climatologia e Oceanografia. Diz-se que um cartógrafo tem 50% de
geógrafo, 30% de artista, 10% de matemática e outros 10% do restante.
Não há limite para a bagagem de conhecimentos de um cartógrafo. Em sua prática, o
autor encontrou tão diversos assuntos, como as espécies de barcos com que Orellana2 desceu
o Amazonas, o fato ao qual estão ligados os nomes de Hamada e Hanra para significar que a
superfície rochosa é de cor vermelha, as dimensões e características de um aeroporto
moderno.
Nota: (1) Preston E. James (1899 - 19??), foi um geógrafo norte-americano, nascido no Brookline (Massachussetes); fez parte do Conselho
Nacional de Geografia - CNG (1949-1950), autor de “América Latina” e “Uma Geografia do Homem”; (2) Orellana. Francisco de Orellana
(1490-1546) foi um explorador espanhol nascido em São Domingos (Estremadura); descobriu o rio Amazonas em 1541; é lhe atribuída à
fundação de Guayaquil - Equador; participou da expedição de Gonçalo Pizarro, na região conhecida pelo mesmo nome como “País canela”;
foi o primeiro homem que se tem conhecimento a navegar todo o curso do rio Amazonas.

(*) RAISZ, E. Cartografia geral. Tradução de Neide M. Schneider, Péricles A. M. Neves e Revisão de Celso
Santos Meyer. Rio de Janeiro: Científica, 1969. 414p. Tradução da 2ª edição do livro: “General Cartography” de
Erwin Raisz.

TEXTO AUXILIAR 2

CARTOGRAFIA: CIÊNCIA OU ARTE? *

Durante o XX Congresso Internacional de Geografia, realizado em Londres em 1964,


a Associação Cartográfica Internacional adotou a seguinte definição de Cartografia: Conjunto
de estudos e operações científicas, artísticas e técnicas, baseado nos resultados de
observações diretas ou de análise de documentação, com vistas à elaboração e preparação
de cartas, planos e outras formas de expressão, bem como sua utilização.
Pode-se perceber que nesta definição tanto ciência como arte fazem parte das
atividades que dizem respeito à Cartografia. Ciência porque constitui-se num campo de
atividade humana que requer desenvolvimento de conhecimentos específicos, aplicação
sistemática de operações de campo e de laboratório, planejamento destas operações,
metodologia de trabalho, aplicação de técnicas e conhecimentos de outras ciências, tudo com

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vistas à obtenção de um documento de caráter altamente técnico, o mapa, objetivando
representar os aspectos naturais e artificiais da superfície terrestre, de outros astros ou mesmo
do céu. Enfim, a organização do espaço, seja ele terrestre ou não, é mostrada através de
mapas, os quais resultam de uma série de operações que fazem parte de um campo definido da
atividade humana: a Cartografia.
No que diz respeito à arte, não podemos esquecer que um mapa deve respeitar
determinados aspectos estéticos, pois trata-se de um documento que quando usado precisa ser
agradável às vistas, razão pela qual necessita de uma boa disposição de seus elementos
(traços, símbolos, cores, letreiro, margens, legenda, etc.) Devemos salientar que arte não quer
dizer complexidade. Obviamente, que dependendo de sua finalidade, o mapa poderá ser mais
complexo ou não. Entretanto, mesmo quando é grande o número de informações, não se pode
esquecer da clareza, da harmonia entre seus componentes e da simplicidade. Tudo isto em
conjunto resulta num documento esteticamente agradável. Em qual quer de suas modalidades,
a arte é uma expressividade e uma sensibilidade.
Para Kant, filósofo alemão, é belo tudo aquilo que, sem nenhuma intelectualização, é
objeto de uma satisfação do espírito. Muitas vezes já vimos mapas em paredes, simplesmente
com a intenção de ornamentar salas e outros ambientes. E a manifestação do belo. E a arte em
Cartografia.
No livro intitulado Curso de Cartografia Moderna (1988), o autor, Cêurio de Oliveira,
discute esta questão e chega a afirmar que a Cartografia "não é uma ciência nem uma arte,
mas é, sem dúvida alguma, um método científico que se destina a expressar fatos e fenômenos
observados na superfície da Terra, e, por extensão, na de outros astros, como a Lua, Marte,
etc, através de simbologia própria.” (p.14)
Afinal, Cartografia é ciência ou arte? Percebe-se que a discussão sobre tal questão
permite uma série infindável de argumentações, podendo alongar-se bastante. Sendo ou não, o
fato é que não se pode negar sua relevância para a sociedade em geral, tendo em vista o amplo
uso que grande parte da população faz dos produtos cartográficos. Por outro lado, é
incontestável que tanto ciência como arte estão manifestadas em todo trabalho cartográfico.
Ser ou não ciência ou arte, a nosso ver, parece irrelevante, se considerarmos a grande
utilidade que a Cartografia sempre representou em todas as sociedades, desde épocas as mais
antigas, e, muito principalmente, pelo papel exercido no mundo moderno, quando chega a ser
praticamente indispensável como auxiliar nos mais variados campos do conhecimento
humano. Apesar de tudo, não deixa de ser um tema apaixonante que pode ser amplamente
explorado em discussões, com grande proveito, por professores e estudantes.
Não resta a menor dúvida que os homens se preocuparam, desde muito cedo, em fixar
os limites de seu horizonte espacial, de seu território, ou mesmo de seu itinerário, seja ele
terrestre, fluvial ou marítimo. Houve sempre a preocupação de representar seu meio ambiente
de forma duradoura, seja em paredes de grutas, casca de árvore ou outros materiais
disponíveis, como intuito de informar o segredo das rotas de caça, das fontes de água, das
áreas de segurança e das zonas de perigo. Assim sendo, não se pode negar a importância que
os mapas representaram na orientação dos mais variados povos, estando sempre presentes nos
grandes momentos da história da humanidade, mostrando sua utilidade como instrumento de
planejamento e de administração. Além disso, os mapas também podem ser vistos sob a ótica
da ideologia, como instrumento de dominação.
Para compreendermos isso, é interessante fazermos uma passagem, mesmo que
sucinta, sobre a história dos mapas, quando poderemos entender o seu uso ideológico e a
importância de termos uma visão da evolução da Cartografia, não como um legado europeu
ao mundo, mas como manifestação cultural própria de cada povo, de cada época e de cada
espaço geográfico. Assim, poderemos entender que mesmo os mapas mais modernos, com
todo o avanço tecnológico de hoje, ainda estão longe de refletir certas verdades, pois omitem,
14
propositadamente, algumas informações como, por exemplo, instalações militares. Não só nos
mapas antigos, mas também nos modernos, continuam presentes os mitos, as lendas, os
interesses estratégicos e ideológicos.

(*) DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1994, 148p.

1.3 APLICAÇÕES E CAMPO DE AÇÃO DA CARTOGRAFIA

Segundo Lima (ca. 1990) , a Cartografia é, sem dúvida, um dos ramos da engenharia
mais promissores. A grande necessidade que tem o nosso país de acelerar o conhecimento e o
dimensionamento do seu solo objetivando a sua utilização plena e racional nas diferentes
áreas do conhecimento humano, fato este evidenciado, quando o homem necessita para a sua
sobrevivência. Para tal, este utiliza como suporte às inúmeras aplicações da Cartografia,
abrindo uma perspectiva em curto prazo, um excelente mercado de trabalho para o
Engenheiro Cartógrafo. Levantamento recente realizado pela Associação Brasileira de
Engenheiro Cartógrafo retrata as alternativas de mercado de trabalho para os profissionais da
área nos setores de planejamento e gestão de empresas estatais, mistas e provadas. Assim,
tem-se aberta uma perspectiva, de aumento considerado ao atual contingente de engenheiros
cartógrafos no mercado de trabalho, demonstrando que esta jovem área do conhecimento é
um elo importante para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Brasil, crescente
desde o inicio da década de 1990.
São várias as aplicações da Cartografia na sociedade moderna, segundo Lima (Ca.
1990), como:
a) projetos de engenharia;
b) ação fiscalizadora e tributária do governo;
c) planejamento e desenvolvimento agrícola;
d) conhecimento e controle do espaço náutico e aeronáutico;
e) indústria naval, aeronáutica e automobilística;
f) estudo de correntes marítimas;
g) preservação da memória nacional dos monumentos e sítios históricos e
arqueológicos;
h) descobrimentos de jazidas petrolíferas, reservas minerais, lençóis d’ água
subterrâneo, cardumes etc;
i) elucidação de acidentes de trânsito (rodovias ou ferrovias), crimes, roubos e de
incêndios;
15
j) medicina e na veterinária;
k) avaliação demográfica, controle ambiental e planejamento urbano;
l) catástrofes naturais como inundações e secas, contribuição para minorar seus
prejuízos.
Para uma melhor compreensão da potencialidade da Cartografia, as suas aplicações
serão descritas a seguir, segundo o autor acima:

Nos projetos de engenharia


Sobre ou sob a superfície da terra, em projetos de rodovias, ferrovias, irrigação e
drenagem, saneamento, portos, aeroportos, centrais elétricas etc.
Na implantação do mais modesto projeto de engenharia até o mais complexo, além
dos estudos completos e necessários de mobilidade, infraestrutura básica etc., um trabalho
preliminar se torna necessário e indispensável: o da Cartografia, isto é, a planta básica em
escala adequada (Figura 1).
Apesar da sua importância para os projetos de Engenharia, o custo de um trabalho
cartográfico é de pouquíssima relevância, se computado dentro do valor total de um projeto e,
principalmente, se bem aproveitado. Ao contrário, o uso de um mau processo cartográfico
aumenta, na proporção inversa, o custo do projeto. Grandes somas de dinheiro estão sendo
perdidas diariamente pelo uso inadequado da Cartografia.

Figura 1 – Aplicação da cartografia nos projetos de engenharia.

(B)
(A) (C)

Disponível em: (A) <http://goo.gl/WBR3WM>, (B) <http://goo.gl/Otd4lK> e (C) <http://goo.gl/KwLvJ>.


Acesso em: 8 set. 2014.

Faz-se necessário e urgente, uma conscientização, a nível nacional, dos profissionais


de engenharia, que toda obra de pequeno ou grande porte que se projeta ou se implanta sobre
16
ou sob a superfície da Terra, tem como base à Cartografia; sem ela não se pode ter garantias
de um resultado conveniente.

Na ação fiscalizadora e tributária do governo


Utiliza-se um sistema integrado de informações cartográficas, com o seu cadastro
atualizado de tal forma que espelham a realidade do imóvel quanto á sua localização e
dimensões, garantindo assim, a justa e perfeita repartição do imposto predial, territorial rural e
segurança jurídica das propriedades (Figura 2).

Figura 2 - Cadastro de imóvel urbano utilizando sistema integrado de informações


cartográficas.

Disponível em: <http://goo.gl/Wq7HwV>. Acesso em: 8 set. 2014.

Isto vem provar que a aplicação da Cartografia também se reflete na ação


fiscalizadora e tributária do Governo.

No planejamento e desenvolvimento agrícola


Entre os maiores usuários das ferramentas cartográficas, principalmente nos países
desenvolvidos, estão os planejadores e, com maior assiduidade, aqueles que planejam para o
desenvolvimento da agricultura, como é o caso dos mapas de áreas de interesse ambiental de
um assentamento rural (Figura 3).

17
É sabido que o homem precisa planejar melhor a utilização da terra. Atualmente, ele
precisa cada vez mais de uma série de complexas informações a respeito da terra, para que
esse planejamento seja eficaz a curto, médio e longo prazo.

Figura 3 - Mapa de interesse ambiental de um assentamento rural no município de Lebon


Régis, estado de Santa Catarina – Brasil.

Disponível em: < http://goo.gl/sVw6NM>. Acesso em: 8 set. 2014.

Para conhecimento e controle do espaço náutico e aeronáutico


Para tal, um conjunto de operações de levantamento, construção e reprodução de
cartas náuticas e aeronáuticas se faz necessário, para conhecimento prévio do espaço
tridimensional representado no plano que será utilizado constantemente para controle do
referido espaço (Figura 4).

18
Figura 4 - Fragmento de uma carta náutica de parte do litoral do estado do Rio de Janeiro –
Brasil.

Disponível em:<http://goo.gl/WVjJVX>. Acesso em: 8 set. 2014.

O usual apresentado pelas cartas aeronáuticas tem como lema representar a superfície
da terra com suas culturas e relevo para satisfazer especificamente as necessidades da
navegação aérea, enquanto as cartas náuticas são resultados de levantamentos dos mares, rios,
canais e lagoas navegáveis e se destinam à segurança da navegação.

Na indústria naval, aeronáutica e automobilística


De uma maneira geral, neste caso a Cartografia é aplicada para medições de
maquetes, modelos e protótipos, investigação aerodinâmica e hidráulica em laboratórios
(Figura 5). Mais especificamente: na indústria naval aplicam-se para controle de fabricação de
seção, hélices e grupos. Medições para reconstrução e reparo; medição de ondas para ensaios
em canal com modelos de embarcações par experimentação.
Figura 5 - Medições de maquetes, modelos e protótipos, investigação aerodinâmica e
hidráulica em laboratórios.

(B)
(A)
Disponível em: (A) <http://goo.gl/poegYt> e (B) <http://goo.gl/2eGrX5>. Acesso em: 8 de set. 2014.
19
Na indústria aeronáutica utiliza-se para determinação espacial de regimes turbulentos
e medição em modelo do túnel aerodinâmico. Na indústria automobilística usa-se para
digitalização de modelos de veículos, determinação de deformação do mesmo, divido a cargas
e comprovação do seu comportamento em rodovias.

No estudo de correntes marítimas


Com o processo aerofotogramétrico de determinação de trajetórias e velocidades de
flutuadores para obtenção de características de correntes, pode-se obter praticamente qualquer
precisão desejada, dependendo exclusivamente das disponibilidades em termos de pessoal,
máquinas, equipamentos e materiais. Esse processo foi desenvolvido pelo Prof. José Jorge de
Seixas do Departamento de Engenharia Cartográfica, da Universidade Federal de Pernambuco
(Decart - UFPE).
A figura 6 abaixo foi extraída de pesquisas sobre dinâmica costeira de uma parte do
litoral norte rio grandense, realizada pelo especialista Fernando Fortes, onde podemos
perceber movimentos peculiares das correntes marinhas.

Figura 6 - Dinâmica costeira de parte do litoral do estado do Rio Grande do Norte – Brasil.

Disponível em: <http://goo.gl/up6tmW>.Acesso em: 8 set. 2014.

O processo aerofotogramétrico é altamente vantajoso sobre o topográfico clássico em


relação a número de homem-hora empregado, reduzindo o tempo na execução dos trabalhos.

20
Na preservação da memória nacional dos monumentos e sítios históricos e arqueológicos
Para esse tipo de aplicação, uma das técnicas fundamentais da Cartografia, a
Fotogrametria, é empregada para cadastramento, avaliação, restauração e conservação dos
Monumentos, Sítios Históricos e Arqueológicos. Essa técnica permite representar em um
plano, o levantamento do objeto. A fotogrametria permite registrar uma perspectiva muito
completa e precisa. Essa condição é mostrada na figura 7 abaixo, que representa o mapa do
dossiê de tombamento do conjunto urbano de Rodrigo Silva, Ouro Preto, estado de Minas
Gerais (Brasil).
Atualmente, a conservação dos Monumentos Históricos assume uma importância
cada vez maior em nossa sociedade. Isso pode ser constatado pela „‟Convenção da Haia para
a Proteção de Monumentos Históricos em caso de guerra‟ e do ‟Ano Europeu de
Conservação dos Monumentos e de Defesa do Patrimônio Artístico da Pátria 1975‟. Estas
reuniões conseguiram sensibilizar a atenção dos órgãos competentes do governo com relação
à importância da realização de levantamentos para a conservação dos Monumentos
Históricos.

Figura 7 - Mapa do dossiê de tombamento do conjunto urbano de Rodrigo Silva, Ouro Preto,
estado de Minas Gerais – Brasil.

Disponível em: <http://goo.gl/kpZZNK>. Acesso em: 8 set. 2014.

21
Na elucidação de acidentes de trânsito (rodovias ou ferrovias), crimes, roubos e de
incêndios

Nessas aplicações mais uma vez, a fotogrametria é empregada com grande sucesso
não somente pela redução de tempo e pessoal. Notadamente nos caso de acidentes de trânsito,
em que é de Importância que o lugar do acidente seja liberado ao tráfego o mais rápido
possível. A variação dos valores paramétricos de tempo de execução e pessoal envolvido nas
tarefas fotogramétricas depende de cada caso. Com os equipamentos fotogramétricos obtém-
se uma precisão incomparavelmente maior, e mais confiante do que, por exemplo, das
diligências para verificação dos processos quando se realizam mediante os métodos
convencionais, nas investigações de acidentes de trânsito, assassinatos, roubos e incêndios.
Uma das principais vantagens da aplicação da fotogrametria terrestre, nesses casos, consiste
na disponibilidade das informações armazenadas que, qualquer tempo, pode-se dispor para
dirimir qualquer dúvida que por acaso venha a surgir durante o processo. A figura 8 abaixo
mostra duas aplicações da Cartografia, uma é o Mapa-Imagem de Vulnerabilidade de
Incêndio da cidade de Belém – Estado do Pará.

Figura 8 - Mapa-Imagem de Vulnerabilidade de Incêndio da cidade de Belém, estado do Pará -


Brasil

Disponível em: <http://goo.gl/dwvYgm>. Acesso em: 8 set. 2014.

22
Na medicina e na veterinária
Na medicina aplica-se para estudos antropológicos e etnológicos, localização de
corpos estranhos, de roturas ósseas, deformações articulares etc., por meio da fotogrametria
de raios X. Na veterinária aplica-se na medição das dimensões dos corpos dos animais para
determinação do estado de crescimento, para seleção de animais adequados para cria e
estudos biodinâmicos, como mostram a figura 9 abaixo. A figura abaixo representa (A) um
indivíduo posicionado para coleta de imagens por processo fotogramétrico e (B) imagem
radiológica vertebral no plano frontal, em decúbito lateral direito, na qual, as setas indicam
sistema de coordenadas cartesianas (x,y), em que o centro do processo espinhoso serve como
origem.

Figura 9 – Simulação de um Indivíduo posicionado para coleta de imagens por processo


fotogramétrico e imagem radiológica vertebral no plano frontal, em decúbito lateral direito.

(A)

(B)

Disponível em: (A) <http://goo.gl/sr1oPR> e (B) <http://goo.gl/muSwzJ>.Acesso em: 8 set. 2014.

Descobrimentos de jazidas petrolíferas, reservas minerais, lençóis d’ água subterrâneo,


cardumes etc.

Para isso são empregadas imagens fornecidas por satélites transmitindo para as
estações receptoras terrestres medições das radiações eletromagnéticas e que, posteriormente,

23
são convertidas em imagens e mapas (analógicas e digitais) através de portadores fotográficos
e ou pelo emprego de iconoscópios. A figura 11 abaixo mostra o mapa de jazidas de petróleos
na costa do estado do Espírito Santo - Brasil.
Atualmente, essas imagens já vêm sendo amplamente utilizadas tanto por empresas
públicas como privadas, auxiliando as investigações de potencial de recursos minerais e que,
dificilmente, seriam detectadas somente na pesquisa de campo.

Figura 10 - Mapa de jazidas de petróleos na costa do estado do Espírito Santo


– Brasil.

Disponível em: <http://goo.gl/CuWKbf>. Acesso em: 8 set. 2014.

24
Avaliação demográfica, controle ambiental e planejamento urbano
Graças às imagens satélites com suas coberturas amplas da superfície terrestre, vem
se tornando cada vez mais importante o seu emprego no controle do desenvolvimento urbano
ajudando consideravelmente os planejadores a: definir novas estruturas municipais tais como
rodovias e ferrovias, uso do solo etc.; redefinir ocupação de áreas, tendo em vista o controle
ambiental; controlar a construção de habitações em áreas sujeita a inundação; calcular o ritmo
de crescimento de expansão urbana e sua população, entre outros. A figura 11 abaixo mostra o
mapa dos principais equipamentos urbanos da cidade de Belo Horizonte, estado de Minas
Gerais.

Figura 11 - Mapa dos principais equipamentos urbanos da


Cidade de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais – Brasil

Disponível em: <http://goo.gl/prcPuk>.Acesso em: 8 set. 2014.


25
Catástrofes naturais como inundações e secas, contribuição para minorar seus prejuízos
Parâmetros obtidos pelas imagens radargramétricas e de satélites etc., permitem
determinar, exatamente, as áreas atingidas por inundações de rios, facultando as autoridades o
envio de suprimentos de emergência e equipes de salvamento. Também, auxiliando os
levantamentos para as ajudas federais e ou estaduais, fundo de assistência, dificultando a
possibilidade de reclamações fictícias dos danos que não ocorreram. A figura 12 abaixo
mostra os mapas de vulnerabilidade social e físico-espacial às inundações da bacia do rio
Maranguapinho, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza (Brasil).

Figura 12 - Mapas de vulnerabilidades social bacia do rio Maranguapinho e físico-espacial


às inundações da Região Metropolitana de Fortaleza - Brasil

Disponível em: <http://goo.gl/1pBCkS>. Acesso em: 8 set. 2014.

1.4 SÍNTESE HISTÓRICA DA CARTOGRAFIA


Segundo Erwin Raisz (1969), [...] a arte de desenhar mapas e mais antiga do que a
arte de escrever". "[...] o mapa é, de todas as modalidades da comunicação gráfica, uma das
mais antigas da humanidade [...]" (OLIVEIRA, 1993, p. 17)
A geografia e os mapas ao longo da história têm sido considerados como sinônimos.
Tanto é que os mapas ainda hoje são considerados representações simbólicas da geografia.
26
Quando se fala em geografia, logo o mapa é lembrado, a mesma forma, quando se fala em
mapa, pensa-se imediatamente em geografia.
Os mapas exercem forte influência na forma, na função e estrutura organizacional da
sociedade moderna. A apropriação do espaço e a elaboração de estruturas abstratas para
representá-lo sempre marcaram a vida em sociedade. Nesse sentido, a geografia e os mapas
são parceiros inseparáveis.
Até o final do século XIX fazer geografia era fazer mapas. Desde os primórdios da
sua existência o homem fez uso de mapas. Se por um lado os mapas eram considerados
formas originais de interpretação, por outro, eles sempre estiveram e continuam voltados para
prática de dominação e formas de manipulação do poder e de apropriação do espaço, que
penduram até os dias atuais.

História da cartografia no mundo


Idade Antiga
Esse período, segundo Oliveira (1993) é caracterizado pelos os primeiros
levantamentos e os mapas manuscritos. Dentre as evidências mais remotas, estão os mapas:
babilônicos, do vale do rio Eufrates 2400 a.C, a 3800 a.C. (Figura 13) e os Camônios, Mapa
de Bedolina do vale do rio Pó, (Figura 14) Capo di Ponte, norte da Itália, 3000 a.C.-1000 a.C.
(Idade do Bronze). No atual Turquia, na região de Catal Hyük, foi encontrado um mapa
(espécie de planta), mostrando um povoado e ao fundo o vulcão Hasan Dag, datado de 6000
a.C. (Figura 15).

Figura 13 – Fotografia e reprodução gráfica do mapa babilônico do vale do rio


Eufrates 2400 a 3800 a.C.

Disponível em: < http://goo.gl/uxq6iW > Acesso em: 3 nov. 2014.

27
Figura 14 - Mapa dos Camônios - Bedolina do vale do rio Pó, Capo di Ponte, norte da Itália -
3000 a.C. - 1000 a.C.

Disponível em: <http://goo.gl/jbVvzl>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Figura 15 - Mapa de Catal Hyük, Turquia – 6000 a.C.

Disponível em: <http://goo.gl/9D6Kkh>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Até mesmo os povos iletrados fizeram uso de mapas, como: os indígenas das ilhas
Marshall, Pacífico Sul (Figura 16); os índios Peles Vermelhas (América do Norte); o índio
brasileiro, representação das cabeceiras do rio Xingu, Amazônia (Figura 17) e os esquimós da
baía de Hudson, Ilhas Baccker – Canadá (OLIVEIRA, 1993).

28
Figura 16 - Mapas dos nativos das ilhas Marsall – Pacífico Sul

(A)
(B)
Disponível em: (A) <http://goo.gl/7knFi3> (B) <http://goo.gl/VMRDMf> Acesso em: 3 nov. 2014.

Figura 17 - Reprodução das cabeceiras do rio Xingu a partir


da visão de índio da Região Amazônia – Brasil

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p.18).

29
Os chineses fizeram uso de mapas para representar o seu território, com destaque, as
nove províncias da época de Ta-Yú, Dinastia Hsia (China) - 2282 – 2196 a. C., gravados em
urnas de bronze; Destaca entre os chineses, Pei Hsiu - Pai da Cartografia Chinesa. Os chineses
atingiram certo nível científico e foram os responsáveis juntamente com os árabes pela
invenção da bússola primitiva, denominada de Kina Kompass, precursora da bússola moderna
mostarda na figura 18 abaixo (DREYER-EIMBACKE, 1992; OLIVEIRA, 1993, DUARTE,
1994).

Figura 18 - Bússola primitiva Kina Kompass e a bússola moderna

(B)
(A)
Disponível em: (A) <http://goo.gl/WGXYAs> (B) <http://goo.gl/6QkUU2>. Acesso em: 3 nov.
2014.

Embora a atração exercida pelo imã já fosse conhecida pelos egípcios e gregos,
foram os chineses que descobriram o sentido direcional do imã, e que inventaram o txi-nã
(carro indicador do sul), precursor da bússola, como mostra a figura 19 abaixo.
Os chineses também foram responsáveis pela criação de técnicas e métodos para a
divisão de terrenos em estrutura retilínea; quadrículas para localização de lugares; a
orientação para indicação de distâncias exatas entre localidades e a anotação de ângulos nas
estradas (OLIVEIRA, 1993).

30
Figura 19 - O Txi-nã: carro indicador
do sul

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p. 18)

Com os egípcios se dá a Figura 20 - A Alidade de pínulas


origem da matemática, da geodésia e
da astronomia. Isso propiciou a
medição de campos (agrimensura),
por meio do cálculo de áreas e
demarcação de limites, bem como do
cadastro para registro de propriedades
(OLIVEIRA, 1993). Em suas
observações astronômicas, os
egípcios usavam a Alidade de Pínulas Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p. 18)

(Figura 20).

Foram os gregos, responsáveis pela organização e consolidação da geodésia. Eles


deram grande impulso a astronomia e a cosmografia, criando o sistema de coordenadas
geográficas; descobrindo do movimento de precessão dos equinócios (Hiparco de Bitínia,190
-125 a. C.). Eles calcularam também a circunferência terrestre (Figura 21) e por conseqüência,
o volume da Terra com Eratóstenes de Syene, que viveu no séc. III A.C (275-194 a.C.),
astrônomo Escola de Alexandria (OLIVEIRA, 1993).
31
Figura 21 – Demonstração do cálculo da circunferência
terrestre realizado por Eratóstenes (275-194 a. C.) da Escola
de Alexandria

Disponível em: <http://goo.gl/eaApbB>.Acesso em: 3 nov. 2014.

Com os gregos se realizou pela primeira vez uma cartografia autêntica, na qual
merece destaque: Marino de Tiro e Cláudio Ptolomeu (séc. 11 a. C.) e os fabulosos trabalhos
dos geógrafos Jônicos, como: a confecção do mapa-múndi de Anaximandro de Mileto (611-
547 a.C.) gravado sobre pedra e o seu aperfeiçoamento e descrição sistemática do mapa-
múndi realizada por Hecateu de Mileto (500 a.C.), representando a terra num disco metálico.
O mundo é assim, concebido como sendo uma espécie de disco, embora filósofos da época já
defendessem uma Terra esférica. As obras de Hecateu não chegaram até os dias atuais, o que
se conhece do seu trabalho são por referências de outros sábios antigos Os gregos
construíram também o “1º GLOBO”, de Eudóxio de Cnidos (c. 400 – c.347 a. C.) – encontra-
se atualmente no Museu de Napóles; a construção do mapa-múndi em projeção plana-
quadrada de Dicearco de Messina (c. 320 a. C.); o globo celeste de Arquimedes de Siracusa
32
(c. 287 - 212 a. C.); o mapa-múndi com paralelos e meridianos de Erastóstenes de Alexandria
(ca. 276-192 a.C.); a construção do globo de 3 m de diâmetro - Cratos de Malus (séc. II; a.C.)
e os numerosos mapas construídos por Cláudio Ptolomeu, publicados em sua obra Geografia
(150 d.C.), nas quais somente apenas reproduções chegaram até os dias atuais (SOUKUP,
1976; DREYER-EIMBACKE, 1992; OLIVEIRA, 1993; DUARTE, 1994).
A figura 22 abaixo mostra a reconstrução aproximada de um possível mapa do
mundo de Hecateu de Mileto, com topônimos traduzidos.

Figura 22 - Representação provável do mapa-múndi perdido de Anaximandro


de Mileto aperfeiçoado por Hecateu de Mileto (611-547 a.C.)

Disponível em: <http://goo.gl/4yzyZD>. Acesso em: 3 nov. 2014.

As figuras 23 e 24 abaixo mostram a reconstituição do mapa-múndi de Eratóstenes,


cerca de 220 a.C. e o mapa do mundo de Cláudio Ptolomeu, publicado em 1482 -
Cosmographia, Claudius Ptolemaeus - Donnus Nicolaus Germanus.

33
Figura 23 - Mapa-mundi reconstituído de Eratóstenes (220 a.C.).

Disponível em: <http://goo.gl/uH3Uuy>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Figura 24 - Mapa mundo de Cláudio Ptolomeu em publicação de 1482.

Disponível em: <http://goo.gl/TXPA78> Acesso em: 3 nov. 2014.

34
Figura 25 - Groma romana.
Os romanos ao contrário dos
gregos não realizaram grandes
levantamentos cartográficos, eles
absorveram as técnicas e instrumentos
deixados por estes para sim, realizar
intensos levantamentos do seu Império,
como: o nivelamento das cidades e
edifícios; a demarcação quadrangular das
suas terras, utilizando a Groma, mostrada na
figura 25 ao lado (OLIVEIRA, 1993).
Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p.20)

Com os romanos merecem destaque, as obras literárias de geógrafos clássicos, como:


Estrabão (63 a.C. ou 64 a.C. — ca. 24), também historiador, e do filósofo grego Pompônio
Mela (século I d.C), Os romanos utilizaram intensamente mapas práticos para fins militares e
administrativos, como a Tábua Peutingeriana, conforme a figura 26 (SOUKUP, 1976;
OLIVEIRA, 1993; DUARTE, 1994).

Figura 26 - Tábua Peutingeriana de origem romana.

Disponível em: <http://goo.gl/Wl1z7N>. Acesso em: 3 nov. 2014.

35
A Tábua Peutingeriana consiste em uma coleção de 11 folhas, guardadas na antiga
Biblioteca Imperial de Viena (Áustria) representando as terras situadas entre os Oceanos
Atlântico e Índico. Na verdade, supõe-se tratar de uma cópia mais recente do século XIII, do
Mapa-Múndi de Marcus Vispanus Agrippa, levantado por ordem do imperador Otávio
Augusto entre 30 – 12 a. C. (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA; 1993; DUARTE, 1994).
Os Indianos deram grande importância no desenvolvimento das ciências
matemáticas, mas foram poucos os documentos cartográficos indianos preservados,
especialmente após a ocupação européia. Em alguns mapas percebe-se a influência das três
principais religiões: budismo, hinduísmo e jainismo, como é o caso do Mapa Jainista, que tem
no centro, a representação do Monte Sagrado Sumeru Meru, como mostrado na Figura 27
abaixo (DUARTE, 1994).

Figura 27 - Mapa Jainista mostrando no centro o monte sagrado sumeru


Meru – Índia.

Fonte: DUARTE, P. A. (1994, p.21).

36
Idade Média

A Idade Média foi considerada como um período de regressão lamentável no


progresso alcançado pela cartografia adquirida pelos gregos. Não só da cartografia, como de
diversas outras ciências. Durante a idade média, a astronomia e a matemática foram postas de
lado em prol de conceitos puramente religiosos e dogmáticos (300 a 500 d. C.), marcando
assim um início de estagnação na produção cartográfica por mais de 1000 anos, na qual a
Cartografia na Europa passa para o domínio eclesiástico (OLIVEIRA, 1993).
Os “mapas” da Idade Média são desenhados sem exatidão, mas de rico e artístico
colorido nos ornamentos e nas figuras. Dentre estes se destacam: a produção de mapas
circulares (T-O), retangulares e ovais; a produção de centenas de mapas circulares (T-O) entre
os 600 mapas-múndi medievais manuscritos retangulares e ovais. Chama atenção ainda, as
numerosas cópias dos célebres mapas de São Beato, e em especial os mapas de forma oval de
São Severo (1030 d. C.). Eram mapas concebidos segundo a teoria que negava a esfericidade
da Terra. Dos mapas-múndi medievais restam apenas cem exemplares desse tipo, como
mostardo na figura 28 abaixo (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA, 1993).

Figura 28 - Desenho diagramático de um mapa-múndi


medieval T-O circular do século VII.

Fonte: Enciclopédia Barsa. v. 4. Cartografia 102-115 p. Ilustração 1,


Cartografia, fig. 2, Encyclopaedia Britannica Editores Ltda., Rio de
Janeiro, São Paulo, 1978.
37
Foram grandes as produções de mapas com características extremamente simples,
como por exemplo, o mundo representado num tabernáculo (548 d. C.) do Padre Cosme
Indicopleutes (séc. VI), e que era totalmente contra os ideais científicos da cultura grega; o
mapa T-O: Bispo Isidoro de Sevilha, como mostrado na figura 29 abaixo (SOUKUP, 1976;
OLIVEIRA, 1993).

Figura 29 - Mundo tabernáculo do padre Cosme Indicopleutes 548 d. C.(A) e o Mapa


T-O: bispo Isidoro de Sevilha (B)

(A) (B)
Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993. p. 20)

A influência religiosa na Figura 30 - Mapa cristão do século XV.


cartografia é bem representada no Mapa
Cristão do século XV, mostrando a arca
do dilúvio encalhada no Monte Ararat,
na qual os filhos de Noé repartem o
repovoamento do mundo. O mapa
representado na figura 30 ao lado trata da
representação de uma alegoria bíblica
dos continentes até então conhecido:
Ásia, Europa e África, como pertencia a
filhos de Noé, respectivamente Sem, Jafé
Fonte: DUARTE, P. A. (1994, p. 21).
e Cam (DUARTE, 1994).

38
Apesar da obscuridade da Idade Média, são produzidos neste período: os mapas-
mundi do mosteiro alemão de Ebstorf e da Catedral de Hereford (séc. XV) com
impressionante riqueza de detalhes. O primeiro foi elaborado no mosteiro alemão de Ebstorf
(1230-1250) este representação composto por 30 folhas (3,58 x 3,56 m) em pergaminho, trata-
se de um mapa mural foi destruído quando de um bombardeio sobre Hannover em 1943, na
Segunda Guerra Mundial (Figura 31 e 32). Restam cópias em bibliotecas alemãs e na
Biblioteca Nacional de Paris (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA, 1993; ALCÂNTARA, 2012).

Figura 31 - Mapa monástico medieval - Mosteiro de Ebstorf – Alemanha (1230-1250)

Disponível em: <http://goo.gl/5ZWDSc>. Acesso em: 3 de nov. de 2014.

39
Figura 32 - Detalhe do mapa monástico medieval - Mosteiro de Ebstorf –
Alemanha (1230-1250).

Fonte: Enciclopédia Barsa. v. 4. Cartografia 102-115 p. Ilustração 1, Cartografia, fig. 4,


Encyclopaedia Britannica Editores Ltda., Rio de Janeiro, São Paulo, 1978.

O segundo é o mais conhecido dos monumentos cartográficos mundiais (Figura 33) e


o maior que sobreviveu à Idade Média. Trata-se de um mapa mural, móvel, confeccionado por
Ricardo Haldigham sobre a pele de um novilho medindo 1,59m de altura por 1,40m de
largura. Atualmente está exposto na Catedral de Hereford onde fica também a biblioteca
acorrentada (Chained Library). De aparência simples é na verdade extremamente complexo e
contraditório. Composto de textos, contam-se 1100 inscrições, e uma iconografia rica e
diversificada, constituiu uma síntese, uma “summa” da percepção da vida medieval
(SOUKUP, 1976; OLIVEIRA, 1993; ALCÂNTARA, 2012).

40
Figura 33 - Mapa monástico medieval - Catedral de Hereford.

Disponível em: <http://goo.gl/CC0fG2>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Outro mapa rico em detalhes é o da Grã-Bretanha, elaborado por Mateus Paris,


cartógrafo e historiador inglês (séc. XIII) com reconhecimento perfeitos da situação dos
povoados e seus contornos gerais, constituindo em um novo interesse pela representação
verdadeira do mundo. Na Europa Mediterrânea, o surgimento das Cruzadas e o alargamento
do comércio marítimo italiano dão início uma nova era para a Cartografia, levando-a,
finalmente para a Cartografia Renascentista (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA, 1993).
Durante a Idade Média, os árabes ganham destaque, devido a expansão do islamismo
para o norte do continente africano e parte do europeu, com a invasão da península Ibérica.
Eles desenvolveram a tradição da antiguidade clássica. Além de hábeis geógrafos e
41
cartógrafos, os árabes foram dotados de profundos conhecimentos de astronomia, matemática
e geometria. Isso propiciou a construção de esferas terrestres; os estudos sobre as projeções
cartográficas; a utilização de mapas regularmente nos ensinos de geografia nas escolas;
recalcularam o comprimento de um 1° para o valor aproximado. Na cartografia árabe,
merecem destaque, a participação dos persas Ibn Hawqal e Abu Isak Istakhri principais
colaboradores do Atlas Islamita; o geógrafo Maomé Al-Edrisi (1100-c. 1166), que escreveu
em Palermo, para o Rogério II (rei normando da Sicília) uma obra geográfica de compilação,
anexando-lhe um mapa-múndi dividido em 70 folhas confeccionado em 1154, como pode ser
observado na figura 34 abaixo; o geógrafo e historiador Ibn Hula, de Mossul (1213 - 1275 ou
1286), construiu um globo em bronze - Museu de Londres (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA,
1993).
Figura 34 - Mapa-múndi do geógrafo árabe Maomé Al-Edrisi.

Disponível em:<http://goo.gl/1eo7LK>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Os árabes foram importantíssimos para a cartografia, já que conservaram vivos, nos


seus centros culturais de Bagdá, Damasco e Córdova, os conhecimentos geográficos, legados
à posteridade pelos antigos. Além disso, eles evoluíram na ciência geográfica e na cartografia
pela contínua coleta de novos conhecimentos geográficos em virtude do seu importante e
externo comércio, do Mediterrâneo até a China. Isso é comprovado pela preocupação do
42
Califa Al Mamum, que em 827 d. C., mandou traduzir a obra Geografia de Cláudio Ptolomeu
para o árabe. No século X, os árabes continuaram a busca de novos conhecimentos
geográficos e fizeram assim, mapas mais precisos, como pode ser observado na figura 35
abaixo. (SOUKUP, 1976).

Figura 35 - Desenho geométrico de um mapa-múndi arábico do séc. X.

Fonte: Enciclopédia Barsa. v. 4. Cartografia (1978, 102-115)

Os maias e astecas também merecem destaque, já que possuíam uma rica tradição
cartográfica, que acabou por adquirir novas características após a conquista pelos espanhóis.
Entre suas contribuições está o cenário geográfico constante no manuscrito Pré-Hispânico
conhecido pelo nome de Códice Vindobonense, representando na figura 36 (DUARTE, 1994).

43
Figura 36 - Cenário geográfico constante no manuscrito pré-hispânico conhecido pelo nome
de Códice Vindobonense.

Fonte: DUARTE, P. A. (1994, p. 40).

Ainda durante a Idade Média, o surgimento das Cartas Portulanas, Idealizadas pelos
almirantes e capitães da frota genovesa (segunda metade do séc. XIII), marcando
definitivamente o período de transição para a entrada da cartografia na Idade Moderna. A
Carta de Pisa ou Pisana (1300) é o exemplar mais antigo, contendo o desenho de rosa dos
ventos, que cobre todo o espaço do marítimo, resultando num conjunto de retas entrecruzadas,
facilitando ao navegador fixar a rota a seguir. Essas cartas foram baseadas em medições feitas
à bússola e utilizadas para fins práticos de navegação no mar mediterrâneo, composta por
minucioso sistema de rosa-dos-ventos e de rumos, como pode ser observadas nas figuras 37 e
38 abaixo, o original e a sua reprodução (SOUKUP, 1976; DREYER-EIMBACKE, 1992;
OLIVEIRA, 1993).

44
Figura 37 – Reprodução fotográfica da Carta Pisana – Portulano (Ca. 1258 – 1291).

Disponível em:<http://goo.gl/4NZH2d>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Figura 38 - Reprodução gráfica da Carta Pisana – Portulano (Ca. 1258 – 1291).

Disponível em:<http://goo.gl/lEu3yW>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Entre os chineses, destaca o Portulano de Zheng He, almirante da frota imperial


chinesa, mostrado na figura abaixo. Trata-se de um guia de navegação, relato da última
viagem do referido almirante, aparecendo no alto, à esquerda, as costas da Índia, o Sri Lanka,
à direita, e logo abaixo, parte do litoral africano, conforme mostrado na Figura 39 abaixo
(DUARTE, 1994).

45
Figura 39 - Portulano do almirante da frora
imperial chinesa Zheng He.

Fonte: DUARTE, P. A. (1994, p.25).

Os portulanos são considerados assim, um marco histórico, verdadeiras obras


cartográficas exatas e diferentes dos mapas-múndi monacais, já que abandonavam à “técnica
medieval” da construção de imagens fantasiosas e de pouca utilidade prática. Baseado ainda
na sabedoria árabe, os portulanos proporcionaram grande lucro aos seus idealizadores em face
da crescente prosperidade do comércio marítimo por navegadores que passaram a usar cartas
náuticas nas suas viagens de travessia marítimas. Estimularam ainda, os cartógrafos italianos,
espanhóis e portugueses na tarefa, cada vez mais geográfica, da exata representação dos mares
e das terras; Isso propiciou a fundação de Escolas para cartógrafos em Gênova, Veneza,
Ancona e Palma de Maiorca, a época, o maior centro do comércio de mapas marítimos,
abastecendo navegantes, negociantes e cientistas, situada no arquipélago de Baleares Também
durante o final da Idade Média, a produção cartográfica e o comércio dos mapas na maioria
das vezes ficavam nas mãos de célebres familiares de cartógrafos, cujos membros eram
incumbidos de dar prosseguimento às obras de seus antecessores. Por outro lado, a repentina
procura por cartas náuticas fez com que surgissem desde o começo do século XIV mapas
marítimos desenhados sobre pergaminho, que abrangiam o Mar Mediterrâneo ou partes deste,

46
nos quais as linhas costeiras representavam, com uma aproximação surpreendente, a realidade
(SOUKUP, 1976; DREYER-EIMBACKE, 1992; OLIVEIRA, 1993; DUARTE, 1994).

Idade Moderna

A Fundação do Centro Cartográfico Científico da Academia de Navegação de Sagres


(Portugal), a famosa Escola de Sagres e da Instalação em Sevilha (Espanha) no ano de 1508
da secção hidrográfica junto a Casa de la Contratactión de las Índias, podem ser
consideradas como marcos definitivos da entrada da cartografia, na Idade Moderna. A Escola
de Sagres, tendo a frente o Infante Dom Henrique de Avis (1394 – 1460) - popularmente
conhecido como Infante de Sagres ou O Navegador - era formadora de astrônomos, geógrafos
e cartógrafos de diferentes países. (SOUKUP, 1976). A Escola de Sagres, é considerada em
importância, guardadas as devidas proporções, para época, o que seria hoje a National
Aeronautics and Space Administration (NASA); A Casa de la Contratactión de las Índias,
era destinada à fiscalização e a produção de mapas para navegação
Durante a Idade Moderna, ocorre o Figura 40 - Edição quinhentista de “O
Tratado da Esfera”, do português Pedro
incremento das viagens mediterrâneas; as Nunes.
navegações oceânicas, o aperfeiçoamento da
famosa Carta Pisana de 1300 dos Almirantes
Genoveses; o levantamento sistemático de
rumos nos mares Mediterrâneo e Negro; a
formação de pilotos e cosmógrafos; a invenção
do nônio pelo matemático português
cosmógrafo-mor para o Reino de Portugal
Pedro Nunes (1502-1578) que traduziu ainda
para a língua portuguesa o “Tratado da Esfera”
de João de Sacrobosco (1537), como mostrado
na figura 40 ao lado. Pedro Nunes traduziu
também os capítulos iniciais das Novas
Teóricas dos Planetas de Georg von Peuerbach
(por vezes referido como Jorge Purbáquio) e o
livro primeiro da Geografia de Cláudio
Ptolomeu (OLIVEIRA, 1993). Disponível em:<http://goo.gl/mzk7Fa>.Acesso
em: 3 nov. 2014.

47
Na Idade Moderna, se dá também, o aperfeiçoamento das caravelas; a criação do
astrolábio (medições dos astros). A elaboração das cartas de marear (roteiros); No Egito é
descoberto, o mapa da mina de ouro da Núbia, a NE da África (Figura 41) - mais
precisamente da mina de Wadi Hammamat, até então importante fonte de granito, grauvaque e
ouro -, provavelmente de 1300 – 1234 a.C., época do Faraó Ramsés. Conhecido também
como o Mapa de Turim, este descreve as minas de Wadi Hammamat, considerado aquele de
cunho topográfico mais antigo (SOUKUP, 1976).

Figura 41 - Mapa da mina de Ouro da Núbia de Wadi Hammamat – Egito.

Disponível em: <http://goo.gl/KCvapr>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Na Espanha, é elaborado do Atlas Catalão (c.1375) de uma família de judeus


Catalães de Maiorca, obra composta por mais de 80 folhas (69 cm x 390 cm) de excepcional
beleza, embora sua exatidão correspondesse aos conhecimentos da época. Este mapa teve a
frente, o mestre Jácomo de Maiorca (Jafudo Cresques), que se encontra conservado em Paris
– França. Um pormenor deste atlas pode ser observado na figura 42 abaixo (OLIVEIRA,
1993).
Figura 42 - Pormenor do Atlas Catalão (c. 1375).

Disponível em: <http://goo.gl/bhXJQp>. Acesso em: 3 nov. 2014.


48
Um documento muito importante foi o Mapa-múndi feito pelo navegador
Hieronymus Marini (Hieronymua Marino) – Veneza, Itália em 1512, mostrado nas figuras 43
e 44 (SOUKUP, 1976; ALCÂNTARA, 2012).

Figura 43 – Representação do mapa-múndi feito pelo navegador


Hieronymus Marini – Veneza – 1512.

Disponível em: <http://goo.gl/FSBqiz>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Figura 44 – Representação do mapa-múndi feito pelo navegador


Hieronymus Marini – Veneza – 1512.

Fonte: Enciclopédia Barsa. v. 4. Cartografia (1978,102-115 p.)

49
Essa representação é considerado o primeiro mapa do mundo com "Brasil". Esse
mapa se encontra preservado na Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores, Rio de
Janeiro. Nesse mapa, o centro de Jerusalém e do sul-se era muito incomum em 1512. Alguns
detalhes apontam para uma ampliação de uma pequena ilustração de livro como fonte. Em um
estágio de transmissão anterior foi provavelmente centrado no meridiano de Roma. Os rios
nesse mapa são notáveis preciso (SOUKUP, 1976).
Talvez o maior vulto da cartografia no início da Idade Moderna, foi o matemático e
geógrafo belga Gerard Kremer ou Gerardus Mercator (1512 – 1594), mostrado na figura 45
abaixo, responsável por uma série de trabalhos que terminaram por modificar a Geografia de
Cláudio Ptolomeu, inaugurando uma nova época para a cartografia, o que lhe valeu o título de
Pai da Cartografia Moderna. Mercator cria uma nova projeção cartográfica, que serviu de
bases para a criação de outros tipos de projeções e produz também o Atlas (Figura 46) e o
mapa da Europa, conforme mostrado na figura 47 (DREYER-EIMBCKE, 1992; DUARTE,
1994).

Figura 45 - Gerardus Mercator: pai da Figura 46 - Folha de rosto do Atlas de 1595


cartografia moderna. de Gerardus Mercator.

Disponível em: <http://goo.gl/F2scuo>. Acesso em: 3 Disponível em: <http://goo.gl/vkoPPR>. Acesso em:
nov. 2014. 3 nov. 2014.

50
Figura 47 - Mapa da Europa produzido por Gerardus Mercator.

Disponível em: <http://goo.gl/UMrBBJ>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Na metade do século XV surgem os primeiros mapas impressos pelo processo


xilográfico e de gravação em cobre, denominados de incunábulos, entre os quais, várias
edições da Geografia de Cláudio Ptolomeu, com seus mapas anexos; Em especial, na época
dos descobrimentos os cartógrafos passaram da representação rotineira dos países para uma
representação mais geográfica, face ao enriquecimento do conteúdo medieval dos mapas com
as terras recém-descobertas pelos navegadores que desejavam encontrar o caminho marítimo
para as Índias (SOUKUP, 1976).
Até no início da Idade Moderna (séc. XV), ainda estão evidência algumas
concepções religiosas e dogmáticas, como por exemplo, o mapa cristão, mostrando a arca do
dilúvio encalhada no Monte Ararat, na qual os filhos de Noé repartem o repovoamento do
mundo. Trata-se de uma alegoria bíblica de cada continente até então conhecidos: Ásia,
Europa e África, como pertencentes aos filhos de Noé, respectivamente Sem, Jafé e Cam
(DUARTE, 1993).
Em meados do século XVI, os holandeses e flamengos passam a dominar a
Cartografia Geográfica, conseguindo deslocar o comércio de mapas para a Antuérpia e
Amsterdam. Nessa época destacam-se os grandes mestres da cartografia artística dos Países
Baixos, na Renascença: Gemma Frisius (1508 – 1555), criação de globos com modelos
tridimensionais da Terra; o belga Gerardus Mercator (1512 – 1594); o holândes Abraham
Ortelius (1527 – 1598), publica um volume de 53 folhas cartográficas, com 70 mapas em
51
cobre, sob o título Theatrum Orbis Terrarum, considerado o primeiro Atlas moderno no
sentido moderno da palavra; Judocus Hondius (1563-1612); Joan Blaeu (1596 – 1673), mapas
e atlas; Jacob van Deventer Roelofs, c. 1500/1505 - 1575 (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA,
1993).
No século XVI, a exatidão matemática não podia acompanhar a sequência apressada
dos acontecimentos geográficos, devido ao primitivismo de técnicas e instrumentos de
medição. Esses fatos desfavoráveis, aos quais se associava também a inclusão de notícias, às
vezes confusas e exageradas, trazidas pelos navegantes exploradores, não chegavam a
prejudicar a produção cartográfica da época, sem dúvida respeitável não apenas pelo volume
como original pelos aspectos artísticos (SOUKUP, 1976). Assim, os mapas geográficos
continuavam a exigir uma tolerância no seu uso e na sua interpretação, apesar da preferência
de que a Astronomia e a Geografia gozavam entre os contemporâneos estudiosos (SOUKUP,
1976). Em 1570, merece destaque o mapa de Piri Reis (Figura 48). Trata-se do fragmento de
um mapa elaborado pelo almirante, geógrafo e cartógrafo Otomano Piri Reis em
Constantinopla em 1513. É o primeiro mapa conhecido do mundo real que mostra a costa
ocidental da Europa e norte da África com razoável precisão (Mapa de Piri Reis – Wikipédia,
a enciclopédia livre, 2014).
Figura 48 - Fragmento do mapa-múndi de Piri Reis -
Palácio de Topkapı, Istambul –Turquia.

Disponível em: <http://goo.gl/b99Kcc>. Acesso em: 3 nov. 2014

52
O mapa de Piri Reis também mostra com detalhes a costa do Brasil e a borda leste da
América do Sul. O mapa também mostra várias ilhas do Atlântico, incluindo os Açores e
Canárias, assim como a mítica ilha Antília. Muitos estudiosos acreditam que o mapa contém
elementos sobre o hemisfério sul, como a costa da Antártica por sob a calota polar,
considerados como prova de conhecimentos sobre cartografia que foram comprovados
recentemente. (Mapa de Piri Reis – Wikipédia, a enciclopédia livre, 2014).
O mapa de Piri Reis só foi redescoberto em 1929, desde hoje resta apenas a metade
ocidental, representando as Antilhas, o leste da América do Sul, e o noroeste da África e
Europa. Do tipo portulano, cortado por linhas loxodrômicas, indicando as direções dos ventos,
foi confeccionado com base em mapas portugueses e árabes. Nele, está registrada a costa do
continente americano, tornando-o o primeiro a mostrar a América do Norte e América do Sul
juntas. As legendas, em língua turca, informam que “os nomes, deu-os Colombo, para que por
eles sejam conhecidas”. (Mapa de Piri Reis – Wikipédia, a enciclopédia livre, 2014).
Acredita-se que Piri Reis tenha obtido essa informação através de um dos
marinheiros de Cristóvão Colombo, mais tarde aprisionado e feito escravo pelos turcos.
Embora se trate de um mapa elaborado no antigo sistema portulano, as posições de latitude e
longitude estão marcadas corretamente, técnica que só se tornou possível em 1790, com a
invenção do astrolábio adequado, conforme citado na obra de Graham Hancock. Já segundo
Gregory McIntosh, em seu livro, o mapa de Piri Reis se comparado à outros mapas da mesma
época que também usavam a projeção portulana, não tinha precisão, sendo os mapas de
Ribero, de Ortelius e o de Wright-Molyneux, muito melhores As indicações cartográficas de
Piri Reis mostram a conformação das regiões polares exatamente como estavam antes da
última glaciação e não na situação atual. Não se sabe em qual mapa ele se baseou que pudesse
conter informações de 10 mil anos atrás (Mapa de Piri Reis – Wikipédia, a enciclopédia livre,
2014).
No século XVII, paralelo ao aumento da produção cartográfica em mapas
geográficos e de navegação, houve uma evolução no setor de cartas de interesse local e de
limitada extensão, elaboradas, cada vez mais frequentemente, que podem ser consideradas
como as percussoras das cartas topográficas atuais Ainda nesse século são publicados vários
mapas e atlas pela família Sanson (França) pelo cartógrafo Nicolau Sanson (1600-1667),
influenciados pela cartografia belga de Gerardi Mercatoris “o Mercator”, como: Adriano e
Guilherme (filhos de Nicolau); Pedro Durval (genro de Nicolau); os geógrafos e cartógrafos
Gilles Roberto de Vougendy (1688 - 1766), neto de Nicolau e Didier Roberto de Vougendy
(c.1723–1786), bisneto de Nicolau. (OLIVEIRA, 1993; DUARTE, 1994). Em 1615, o
53
astrônomo e matemático holandês Willebrord Snellius (1580 – 1626) realiza a 1ª triangulação
usando um teodolito; Décadas depois, os brilhantes matemáticos Jean Dominique Cassini
(1625 – 1712) e Guilherme Delisle (1675 – 1726), entre outros, recebem todo apoio do
governo Colbert (ministro Luís XIV) para realização de levantamentos cartográficos da
França (OLIVEIRA, 1993).
O século XVII marca o início da execução de grandes levantamentos nas áreas da
geodésia e cartografia, realizados em especial pela França, Inglaterra e Alemanha. O
sacerdote católico e notável astrônomo Jean Picard (1620 – 1682), utiliza em 1669, um
quadrante equipado com lunetas. Antes mesmo que a era dos grandes levantamentos tivesse
inicio, extensos esforços, na Europa, já datavam de um passado de atividades no sentido de
cartografar detalhes topográficos com o auxílio da bússola e de um tipo de hodômetro. Um
objeto muito utilizado no século XVI foi o carro topográfico (Figura 49), em que um
mostrador ou quadrante registrava as revoluções ou voltas executadas pelas as rodas do carro,
enquanto ao mesmo tempo em que o topógrafo e o seu ajudante (auxiliar) traçavam o croqui
da estrada e das imediações, mediante a uma bússola (OLIVEIRA, 1993).

Figura 49 – Carro topográfico do séc. XVI.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p.22).

No final do século XVIII, mais precisamente em 1787, o fabricante inglês de


instrumentos astronômicos e científicos Jesse Ramsden (1735-1800) constrói um Teodolito
mais preciso, tornando possível a primeira triangulação exata da Inglaterra, conforme mostra
a figura 50 (OLIVEIRA, 1993).
.
54
Figura 50 – Teodolito de Jesse Ramsden - séc. XVIII.

Disponível em: <http://goo.gl/KzRFcu>.Acesso em: 3 de nov. de 2014

Idade Contemporânea

A partir do século XVIII, a Cartografia entra, paulatinamente, na fase da exatidão,


devido à tendência cada vez mais pronunciada da Geodésia em fundamentar os levantamentos
sobre base largas e científicas, graças ao estudo contínuo da grandeza da Terra e de sua forma
correta. È o início da época da Cartografia exata – cartas topográficas fundamentadas em rede
de triangulação, levando em consideração a esfericidade da Terra. Vem a publico, o mapa
japonês do fim do século XVIII, que mostra o sudeste asiático no centro do mundo. Trata-se
de uma visão bastante diferente dos mapas ocidentais de influência cultural eurocêntrica,
como mostrado abaixo na figura 51 (DUARTE, 1994).

55
Figura 51 - Mapa japonês do fim do século XVIII mostrando o sudeste asiático no
centro do mundo.

Fonte: DUARTE, P. A. (1994, p. 22).

O matemático, geofísico, geodesista e astrônomo francês Pierre Bouguer (1698 –


1758), conhecido como "o pai da arquitectura naval”. Bouguer constrói um quadrante que
leva o seu nome, observado na figura 52 abaixo (OLIVEIRA, 1993).

Figura 52 – Quadrante de Bouguer.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993. p.23).


56
O quadrante de Bouguer trazia o Sol para o horizonte, a fim de que o observador
pudesse observá-los simultaneamente. Bouguer elabora também admiráveis estudos sobre a
gravidade, os quais ainda hoje são aplicados (OLIVEIRA, 1993).
O astrônomo e matemático francês de origem italiana Giovanni Domenico Cassini
(1625 - 1712), também chamado Jean-Dominique ou Cassini I, produziu precisas tabelas
solares e observaram os períodos de rotação de Vênus, Marte e Júpiter, descobrindo em 1671
e 1672 as luas de Saturno Jápeto e Reia, em 1675 uma parte escura dos anéis de Saturno, e,
em 1684, dois outros satélites do planeta dos anéis: Tétis e Dione. Em 1672 calculou com
precisão a paralaxe solar, e em 1683 foi o primeiro a descrever a luz do zodíaco (SOUKUP,
1976). O astrônomo e geodesista francês Jacques Cassini (1677 – 1756) e o geodesista e
cartógrafo também francês César François Cassini (1714 – 1784), filho e Neto de Giovanni
Domenico Cassini, realizam a operação de levantamento da linha de meridiano na França, a
medição do arco de Quito de 1735 a 1745 e do arco do Golfo de Bótnia no Ártico, iniciado
em 1736, como mostrado na figura 53 abaixo (OLIVEIRA, 1993).

Figura 53 – Mapa da triangulação do arco de meridiano


entre Cotchesqui e Tarqui – Equador - 1735 e 1745.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p. 23).

57
Ainda nesse período, César François Cassini sugere o levantamento trigonométrico
entre Londres e Dover, cruzando o Canal da Mancha (Figura 54), o General William Roy,
como o encarregado dessa missão de levantamento pela Royal Society (OLIVEIRA, 1993).
Em 1787, o astrônomo, geodesista e cartógrafo francês, Jean Dominique Comte de Cassini –
Cassini IV (1748 — 1845), bisneto de Giovanni Domenico Cassini, inicia a triangulação entre
Londres e Paris (SOUKUP, 1976).

Figura 54 – Mapa da triangulação do Canal da Mancha entre os meridianos


Greenwich e Paris.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993. p.24).

Dentre os grandes e diversos trabalhos do início da Idade Contemporânea estão: a


Carta da França (Jacques François Cassini) na escala 1: 86400, com 184 folhas; as cartas
topográficas realizadas pelos Países Escandinavos e pela Inglaterra; o mapa manuscrito da
Europa, de Napoleão Bonaparte, na escala 1:100.000, com 254 folhas, etc (OLIVEIRA,
1993).
No campo da Geocartografia, consegue-se precisar e atualizar os mapas, graças ao
interesse particular, introduzindo novidades geográficas, segundo as informações dos
descobridores, viajantes e cientistas, entre os quais, a do mercador, embaixador e explorador
venecense Marco Pólo (1254 – 1324), do explorador, navegador e cartógrafo inglês James
Cook (1728 — 1779) capitão na Marinha Real Britânica e do geógrafo, naturalista e

58
explorador alemão Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander von Humboldt (1769 - 1859), o
barão de Humboldt, mais conhecido como Alexander von Humboldt (SOUKUP, 1976).
Apesar do notável progresso na confecção dos mapas quanto à precisão geométrica e
da variação do tipo, continuou a reprodução dos mapas a limitar-se, até o fim do século XIX,
à gravação em cobre, isto é, a impressão unicolor e, assim, também, a representação do relevo
em cartas topográficas, feita sempre pelo sistema de hachuras de Lehmann (SOUKUP, 1976).
A cartografia passou a basear-se, desde meados do século XIX, em uma série de
invenções, que levaram, às vezes, dezenas de anos para serem empregadas rotineiramente,
podendo-se considerar esta época a da cartografia técnica. Dentre as diversas invenções pode-
se citar: a litografia, a fotografia, a heliogravura, a tricromia, a impressão offset, o processo
fotomecânico do escultor e cartógrafo alemão Karl Wenschow (1884 – 1947) para a
impressão das sombras no relevo, o desenho automático do conteúdo pelo estereoplanígrafo
do inventor alemão na área da óptica Carl Zeiss - 1816 – 1888 (SOUKUP, 1976; OLIVEIRA,
1993). Foi importante também a simplificação do desenho dos letreiros pela impressão
tipográfica (carimbagem) e pela confecção mecânica (normógrafo), e outras invenções,
vieram facilitar grandemente o desenho, encurtar o tempo de trabalho e economizar pessoal
especializado, graças, sobretudo, à mecanização de certas operações, até então feitas
manualmente< Surge assim, a época da Cartografia técnica é, também, a época das cartas
topográficas e geográficas multicoloridas e das edições vultosas, justificadas pelo aumento do
consumo (SOUKUP, 1976).
Ainda nessa época foi muito importante a Figura 55 – Semicírculo: aparelho
usado no séc. XVIII para medição de
construção e uso do quadrante de Bouguer, do ângulos.
matemático, físico e hidrógrafo francês Pierre
Bouguer (1698 - 1758) que trazia o Sol para o
horizonte, a fim de que o observador pudesse
observá-los simultaneamente foi importantíssimo
para realização de diversos levantamentos, dentre os
quais, a medição do arco de meridiano (1735 a
1745) entre Cotchesqui e Tarqui, no Equador, a fim
de ser determinar o tamanho e a forma da Terra.
Nesse sentido, a criação do semicírculo foi aparelho
bastante usado para a medição de ângulos conforme
mestrado na figura 55 ao lado (OLIVEIRA, 1993). Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p.24).

59
Nos séculos XIX e XX a produção cartográfica é marcada tanto pela qualidade como
quantidade, com o surgimento e aperfeiçoamento de diversos instrumentos, como: teodolitos
(eletrônicos e digitais); estereoscópios (bolso e de espelho); planímetros; pantógrafos;
câmeras fotográficas (aerofotogramétricas analógicas e digitais); curvímetros; restituidores
(analógicos e digitais); hodômetros; aviões, foguetes e satélites artificiais (imagens de
satélites, radar e aerofotografias); impressão em off-set; computadores; softwares: sistemas de
levantamento e tratamento de dados e informações cartográficas; rastreadores de satélites
Global Positioning System (GPS), entre outros. Algumas dessas figuras são mostradas nas
figuras 56 e 57 (OLIVEIRA, 1993).
Figura 56 – Alguns instrumentos cartográficos surgidos e aperfeiçoados nos séc. XIX e XX

Teodolito Restituidor digital

(B)

Planímetro

(A)

Curvímetro
(C)

Pantógrafo

(D)
(E)
Disponíveis em: (A) <http://goo.gl/qlOriY>, (B) <http://goo.gl/8RDxB9>, (C) <http://
http://goo.gl/ysRIT2>, (D) <http://goo.gl/FCtdH9> e (F) <http://goo.gl/3KrLlZ>. Acesso em: 3 de nov. de
2014.
60
Figura 57 – Alguns instrumentos cartográficos surgidos e aperfeiçoados nos séc. XIX e XX

Estereoscópio de mesa com espelhos Camâra aerofotogramétrica

(A) (B)

Satélite artificial Landsat - 8 Estereoscópio de bolso

(C) (D)

Receptor GPS - Garmin Impressora off-set

(F)

Hodômetro

(E)
(G)
Disponíveis em: (A) <http://goo.gl/wA7HaL>, (B) <http://goo.gl/i0Zg8W>, (C) < http://goo.gl/ZS7rRI>,
(D) <http://goo.gl/kQR3FU>, (E) <http://goo.gl/EtJtM1>, (F) <http://grafica.marcos.zip.net/> e
(G)<http://goo.gl/DJPUhb>. Acesso em: 3 de nov. de 2014.

No último quarto do século XX, a cartografia entra em uma fase de substituição de


vários estágios da participação humana no contexto da maioria das suas operações:
geodésicas, aerofotográficas e cartográficas; Nas quais são realizados vôos orbitais: satélites e
foto imagens de radar (aerolevantamentos). Os mapas se tornam menos decorativos e

61
artísticos; Os documentos cartográficos e aerofotográficos mais detalhados e informatizados,
com a criação de ortocartas, ortofotocartas; cartogramas e imagens orbitais (espectrais e
radargramétricas), mapa-imagem, etc (OLIVEIRA, 1993).

História da Cartografia no Brasil

No dia vinte e sete de abril de 1500, logo ao pisar em terra foi realizada a primeira
operação cosmográfica em solo “brasileiro” com a medição do sol ao meio-dia utilizando o
astrolábio, feita por João Emenelaus como mostra a figura 58 (OLIVEIRA, 1993).

Figura 58 – Astrolábio: instrumento utilizado na


primeira operação cosmográfica realizada no Brasil
em 1500.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p.25).

Após o “descobrimento do Brasil”, expedições portuguesas levantaram a costa. No


Planisfério de Cantino, em 1502, reproduzindo original português, surge a primeira
representação cartográfica da costa, que viria a ser descrita, em minúcia, no Esmeraldo de Situ
Orbis, de 1508. Embora já se tenha em 1500, a carta de marear do trecho de costa norte do
Brasil, considerada de aproximação, produzida por.Juan de La Cosa desenha Mas são os
Reineis, pai e filho, em 1519 com a Carta do Brasil, que traçam o inteiro litoral, do Amazonas
ao Chuí, como mostrado na figura 59 abaixo (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E
NAVEGAÇÃO, 2011).

62
Figura 59 - Carta do Brasil de 1519.

Disponível em:<http://goo.gl/TweAMH>. Acesso em: 3 nov. 2014

Em 1502, o Brasil é representado pela primeira vez no Planisfério de Cantino (Figura


60). Em 1508, surgem preciosas informações sobre a navegação na costa do Brasil figuram no
Roteiro de Duarte Pacheco Pereira (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO,
2011).

Figura 60 - Planisfério de Cantino – 1502.

Disponível em: <http://goo.gl/wuDMrN>. Acesso em: 3 nov. 2014.

Dentre os vários trabalhos cartográficos sobre o Brasil, nos séculos XVI e XVII,
merecem destaque os de George Marcgrave, cartógrafo alemão que veio para o Brasil com
Maurício de Nassau (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
No século XVI, em 1513, é divulgado o mapa mundo de Piri Reis, na qual aparece o
Brasil como sendo uma terra de animais ferozes de pêlo branco, tendo a forma de bois de seis
63
chifres. Surgem também os primeiros mapas sem expressão de delineamento do litoral e com
denominação variada: Terra de Santa Cruz; Terra Nova; Terra Incógnita; Terra de Papagaios;
Terra de Brazília; Terra de Antropófagos. No final do século XVI é elaborada a Planta da baía
da Guanabara, como mostrado na figura 61 abaixo (OLIVEIRA, 1993).
Figura 61 - Planta da baía da Guanabara do final do séc.
XVI.

Disponível em:<http://goo.gl/iLeMia>. Acesso em: 3 nov. 2014

No século XVII são elaboradas coleções de mapas (atlas) do prolífico cosmógrafo de


sua majestade, o português João Teixeira Albernaz, também referido como João Teixeira
Albernaz I ou João Teixeira Albernaz, o Velho (c. 1662). O brilhante João Teixeira Albernaz
produz dezenove atlas, num total de duzentas e quinze cartas, além de uma carta geral e
dezenove particulares e o livro que daria Razão ao Estado do Brasil. São delineadas por João
Teixeira de Albernaz em 1630 as tábuas gerais de navegação. Estas são divididas e
emendadas por Dom Jerônimo de Attayde com todos os portos principais das conquistas de
Portugal, como mostrado na figura 62 abaixo (OLIVEIRA, 1993).
64
Figura 62 - Tábua gerais navegação dos portos principais conquistados por
Portugal de João Teixeira – 1630.

Disponível em: <http://goo.gl/dpTYe2>. Acesso em: 3 de nov. de 2014

Outro trabalho importante é o “Roteiro do Brasil”, de Luiz Teixeira, em 1586. Trata-


se da publicação de uma carta geral e cartas particulares de vários portos do país, como por
exemplo, a Planta da Cidade de Salvador de 1631(Figura 63). Em 1640, o holandês Ianne
Blaeu elabora o mapa das Quatorze Capitanias Hereditárias (Figura 64). De tal forma que a
produção cartográfica portuguesa dos quinhentos e seiscentos formou um conjunto de
preciosas instruções náuticas, descrições e toponímia, destinadas à navegação, cujos
contornos são o que de mais preciso era possível obter na época (DIRETORIA DE
HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
Figura 63 - Planta da cidade de Salvador do atlas Estado do
Brasil (1631) de Teixeira Albernaz I.

Disponível em: <http://goo.gl/gbj57A>. Acesso em: 3 de nov. de 2014

65
Figura 64 – Mapa das Quatorze Capitanias Hereditárias do
holandês Ianne Blaeu – 1640.

Disponível em:<http://goo.gl/xnKdQO>. Acesso em: 3 nov. 2014

As cartas portuguesas do século XVII tornaram-se obsoletas e era preciso rever os


levantamentos em todo o mundo. Com esse propósito, foi criada a Sociedade Real Marítima
Militar e Geográfica, em Portugal que se extinguiu com as invasões francesas, mas deixou
marcos importante de seu trabalho na costa do Brasil. Algumas dessas cartas bastante
interessantes, hoje depositadas nas mapotecas do Serviço de Documentação da Marinha e do
Palácio do Itamaraty, demonstraram a qualidade dos serviços hidrográficos portugueses desse
período (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
No final do século XVII, evidencia-se a feição científica da cartografia, com o
advento de método para determinação da longitude. O processo é utilizado no Brasil, em
meados do século XVIII, pelos padres jesuítas Capacy e Soares. Este último levou a termo
carta de terra firme e da costa do Brasil, do Rio da Prata a Cabo Frio. Trata-se da primeira
carta de grande trecho da costa brasileira, efetivamente científica (DIRETORIA DE
HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
Durante o século XVIII declinara a primeira política cartográfica de Portugal e do
mundo: com a invenção do cronômetro e a solução do problema da determinação da
longitude, passava a cartografia náutica por uma verdadeira revolução. Ocorre assim uma
melhoria considerável na documentação cartográfica sobre o Brasil, com levantamentos e
traçados com enormes quantidades de documentos cartográficos e hidrográficos do Brasil,
realizados por engenheiros, astrônomos e cartógrafos portugueses e brasileiros, tendo em vista
66
a preocupação portuguesa dos limites do Brasil com a América Espanhola (OLIVEIRA,
1993).
Em 1710, é publicado o livro “A Arte de Navegação” e “Roteiro”, de Manoel
Pimentel, com magníficos subsídios para a navegação no Brasil. A assinatura do Tratado de
Madri, em 1750, dá ensejo à Expedição de Limites que traz à América do Sul nomes famosos
da ciência geográfica de Portugal e Espanha, para trabalho conjunto de demarcação de
fronteiras. São realizadas, então, as famosas Partidas do Sul e Partidas do Norte, que
resultaram em vultosos e magníficos trabalhos de cartografia. Cartas e planos caracterizam a
configuração das regiões dos rios Prata, Paraná e Paraguai; o Exemplo Topográfico vai
compreender o extenso trecho da Ilha de Santa Catarina até o Cabo de Santa Maria, integrado
em Atlas de 24 cartas e planos; o mapa hidrográfico dos Rios Amazonas e Negro é elaborado
com embasamento de posições astronômicas de precisão; é feita a carta das costas do
Maranhão e Pará (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
O Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, dá origem a novas Partidas do Sul e do
Norte. Inúmeros são os trabalhos cartográficos realizados. São elaborados plano topográfico
do porto de Rio de Janeiro e cartas das costas das regiões de Santa Catarina e Rio Grande; são
feitas importantes cartas do Alto Paraguai, do Madeira e da Bacia Amazônica, Nesta época é
realizado o Plano Topográfico, Porto e Entrada do Rio de Janeiro e seus Oredores, por
Francisco João Roscio, 1778, considerada a mais bela e precisa carta da baia de Guanabara; a
Carta Reduzida do Oceano Atlântico, por José Fernandes Portugal em 1791, traçado em cores
sobre pergaminho (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
Em 1792, D. João, por motivo de saúde de D. Maria I, “assiste e provê ao despacho
de Sua Majestade”. Inicia-se a fase da cartografia Joanina, responsável por notórios exemplos
de trabalhos ligados ao Brasil: a Carta Plana da Costa do Brasil, de Koeller; o Plano da
entrada da Barra do Pará; a carta do trecho Maranhão-Pará; a coleção de cartas do Rio
Amazonas, da foz do Tapajós à foz do Negro (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E
NAVEGAÇÃO, 2011).
Em 1798, é criada, em Portugal, a Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica
para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas, Geográficas e Militares, a
famosa Sociedade Real Marítima, que vai dar ênfase à importância da feitura de cartas
hidrográficas. São resultado da atuação da Sociedade Real Marítima, o plano do porto da
Paraíba, o plano da Ilha de Fernão de Noronha, a carta da costa setentrional do Brasil, o
reconhecimento da foz do Rio Pará, o plano do porto do Rio Paraíba, o plano do porto de
Pernambuco, o plano da Armação e enseada de Imbituba, a Memória que expõe todas as
67
derrotas do Maranhão e do Pará e as cartas do canal do Amazonas, de Bailique a Macapá. É
fruto, também, da iniciativa da Sociedade Real Marítima a criação da Escola de Práticos,
instalada em Belém, definitivamente, para apoio à navegação segura nas costas do Maranhão
e do Pará (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
No século XIX os reflexos sobre Portugal das campanhas napoleônicas são altamente
negativos para a Sociedade Real Marítima, mas trazem benefícios para o Brasil. A Companhia
de Guardas-Marinhas da Real Academia transfere-se para o Brasil, com o Depósito de
Escritos de Academia, que integrava o acervo da Sociedade Real Marítima. É criado, então,
no Rio de Janeiro, em 1808, o Arquivo Militar, ao qual foram recolhidas “mais de mil cartas e
planos, em mil e duzentas folhas, fora de 58 várias perspectivas”. O Real Arquivo Militar
possuía atribuições cartográficas e de mapeamento, entre o mais importantes, a elaboração da
planta da cidade do Rio de Janeiro, iniciada por A. J. dos Reis e finalizada em 1812 por
Ferreira Souto (Figura 65). Essa planta foi levantada por Ordem de Sua Alteza Real, o
Principe Regente Nosso Senhor no Anno de 1808, quando da feliz e memoravel epoca da Sua
Chegada A dita cidade (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).

Figura 65 - Planta da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro - Impressão Regia de 1812
por Ferreira Souto.

Disponível em: <http://goo.gl/n18Nbc>. Acesso em: 3 nov. 2014


68
Ainda sob a inspiração do espírito da Sociedade Real Marítima, após 1808, é digna
de especial referência a Planta Hidrográfica do porto do Rio de Janeiro e a Coleção
Hidrográfica de 15 mapas, desde o Rio de Janeiro até o Rio da Prata e Buenos Aires, levada a
termo de 1819 a 1821 (BRASIL, 2011).
Merece destaque ainda, a Planta Hidrográfica do Porto do Rio de Janeiro, feita por
oficiais da Armada Real, sob a chefia do Capitão-Tenente Diogo Jorge de Brito, em 1810, que
é o marca da chegada ao Brasil da mais apurada técnica hidrográfica, mostrada na figura 66
abaixo (DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
Figura 66 - Planta Hidrográfica do Porto do
Rio de Janeiro – 1810.

Disponível em: <http://goo.gl/Tv4qIj>. Acesso em: 3


nov. 2014.

Nessa época é criada também, a Real Academia Naval e Academia de Artilharia e


Fortificação, com adestramento de engenheiros para atividades de levantamentos e de
cartografia e a Repartição Hidrográfica, tendo em vista a necessidade de coberturas
sistemáticas de mapas e prevalência por uma cartografia hidrográfica no Brasil. Assim, de
1856 a 1868 é executado o levantamento da Costa brasileira, tendo a frente Ernest Amédée
Barthélemy Mouchez (1821 – 1892), astrônomo, topógrafo e contra almirante francês,
membro da Academia de Ciências e diretor do Observatório de Paris. No ano de 1852 é criada
69
a Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, iconografia publicada por Garnier,
consiste em um mapa topográfico com as dimensões de 73 x 105cm, como mostrado na figura
67 (OLIVEIRA, 1993; DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, 2011).
Figura 67 - Planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – 1852.

Disponível em: <http://goo.gl/tZfckS>. Acesso em: 3 nov. 2014

Em 1875 é criada a Comissão Astronômica do Observatório Imperial com a


finalidade de determinar as posições geográficas e tentativas para construção da Carta Geral
do Império e início da triangulação do município neutro (Rio de Janeiro), sem
prosseguimento, foi extinto em 1878; Tentativa do Estado-Maior do Exército na execução de
uma cartografia terrestre com a construção de uma carta básica do Brasil (OLIVEIRA, 1993;
BRASIL, 2011).
No início do século XX, em 1901 é criada a comissão da Carta Geral do Brasil
(Projeto do Estado-Maior), tendo na 3ª secção, a responsável pela organização da carta básica
do Brasil. Detalhes sobre operações geodésicas e astronômicas, operações topográficas e
cartográficas, projeto para construção da Carta Topográfica na escala 1: 100 000 e uma Carta
Geográfica, na escala 1: 1 000 000 (OLIVEIRA, 1993).
Após a I Guerra Mundial é criado o serviço Geográfico Militar, mais tarde
denominado de Serviço Geográfico do Exército, com produção topográfica de alta qualidade.
Em 1921, o Exército executa o levantamento da cidade Rio de janeiro (antigo Distrito
Federal) na escala 1: 50.000, utilizando pela primeira vez uma cobertura aerofotogramétrica.
70
As primeiras fotografias: morro dos Cabritos, bairro de Copacabana. Em 1922 é executada a
Carta na escala 1: 1 000 000 em 46 folhas, organizada pelo Clube de Engenharia, em
comemoração do 1º Centenário da Independência do Brasil, como mostrado na figura 68
abaixo (OLIVEIRA, 1993).

Figura 68 – Trecho da Carta do Distrito Federal do Rio de Janeiro - 1922,


executada pelo exército brasileiro.

Fonte: OLIVEIRA, C. de (1993, p. 28).

Em 1936 é criado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE,


responsável pela coordenação das atividades estatística, censitárias e geográficas. Em 1939 é
preparado pelo Conselho Nacional de Geografia – CNG, o Projeto Carta do Brasil ao
Milionésimo, formado por46 folhas de 04º de latitude e 006º de longitude. No CNG são
realizados treinamentos de desenhistas e cartógrafos, como também, a promoção de coletas de
mapas e levantamentos do território nacional (OLIVEIRA, 1993).
Após a II Guerra Mundial é delineada uma melhor documentação cartográfica.
Assim, no final da década de 1950, é criado o Centro Tecnológico da Aeronáutica - CTA e do
Instituto de Pesquisas Espaciais - INPE, em São José dos Campos, no estado de São Paulo.
Atuação de mapeamentos temáticos terrestres e atmosféricos com base na tecnologia de
imagens orbitais (OLIVEIRA, 1993).

71
Em 1960 são editadas quatro folhas das Regiões Norte e Centro-Oeste. Os EUA, à
frente das operações estratégicas no mundo todo, visando à vitória final contra a Tríplice
Aliança promovem uma extensa cobertura aerofotogramétrica em áreas ainda poucos
desenvolvidos cartograficamente, tendo como base o Sistema Trimetrogon. Assim, foram
fotografados dois terços do território brasileiro em áreas sem mapeamento regular, com a
participação efetiva da geodésia oficial norte-americana no Brasil – Inter-American Geodetic
Survey – IAGS (OLIVEIRA, 1993).
A partir de 1964, a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército - DSG-Ex e o
Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, principais órgãos de Cartografia no
Brasil, realizam coberturas sistemáticas de cartas topográficas a partir de fotografias aéreas,
no sentido de preencher o imenso vazio territorial brasileiro, nas escalas 1: 100 000, 1: 50 000
e 1: 250 000. Outros órgãos também produzem mapas e cartas, como, a Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais –
CPRM, o Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM (OLIVEIRA, 1993).
Entre 1970 e 1980, ocorre o pleno desenvolvimento dos levantamentos geodésicos de
apoio básico, estendendo-se pela Amazônia Legal. A partir da década de 1970 passa-se a
utilizar o sensoriamento remoto na elaboração de mapas temáticos por empresas do setor
público e Universidades. São Utilizados modernos métodos e emprego de técnicas e
instrumental avançado, como por exemplo, o levantamento de radar da Amazônia, cobrindo
em um ano 4 milhões de quilômetros quadrados e a elaboração de cartas planimétricas com
precisão de 10 metros nas escalas 1: 250 000 e 1: 1 000 000. De 1971 a 1983 é executado o
Projeto Radambrasil pelos militares, iniciado logo após do sucesso do radar da Amazônia,
Projeto Radam. Em meados da década de 1980, a cobertura aerofotogramétrica abrange 2/3
do território brasileiro (OLIVEIRA, 1993).
Na década de 90 intensifica-se a utilização do geoprocessamento para criação e
gerenciamento de banco de dados e informações através do tratamento digital de produtos
sensores voltado para mapeamentos temáticos por empresas do setor público e privado.
O século XXI tem se caracterizado pela consolidação do setor misto e privado frente
aos mapeamentos sistemáticos e temáticos no Brasil, tendo como base, a utilização da
cartografia digital, do geoprocessamento, do sensoriamento remoto, voltados para a execução
de levantamentos geodésicos e aerofotogramétricos.

72
SAIBA MAIS...

Para saber mais sobre alguns dos assuntos desta unidade, assista aos vídeos:

Cartografia (1 de 2) - Geografia - Programa Eureka - TV Educativa. Disponível


em:<http://goo.gl/ZuU41h>

Cartografia (2 de 2) - Geografia - Programa Eureka - TV Educativa. Disponível


em:<http://goo.gl/UwcPQQ>

Engenharia Cartográfica. Disponível em:<http://goo.gl/KyNxuy>

Profissões: Engenheiro cartógrafo. Disponível em:<http://goo.gl/oAjct5>

A Grande História dos Mapas Parte 1/2 (PT-BR).


Site contendo história dos mapas em duas partes, de 1000 a. C. até o Google Earth e as
funções dos mapas e a influência do contexto político e científico para a evolução da
cartografia
Disponível em: <http://goo.gl/UlvyFH >

A Grande História dos Mapas - Parte 1/2.


Disponível em:<http://goo.gl/B7ejN4>

A Grande História dos Mapas - Parte 2/2. Disponível em:<http://goo.gl/hqH5Ls>

Cartografia - a arte de fazer mapas.


Disponível em:<http://goo.gl/teI7ff>

História da Cartografia.
Disponível em:<http://goo.gl/z27Ykz>

A evolução da cartografia.
Disponível em:<http://goo.gl/hhGb6P>

História da Cartografia.
Disponível em:<http://goo.gl/eIDXp1>

200 países, 200 anos, 4 minutos - Só Riso Mail


Vídeo interessantíssimo que resume a história dos últimos 200 anos e compara o
desenvolvimento dos diversos países e regiões. Recomendo em especial a meus alunos de
Relações Internacionais:
Disponível em:<http://goo.gl/TLTl4n>

ACESSE TAMBÉM:

Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica


Site do Projeto Biblioteca Virtual da Cartografia Histórica dos Séculos XVI e XVII
Disponível em:<http//consorcio.bn.br/cartografia/>
73
Cartographic Images Home Page - Henry Davis Consulting
(Imagens cartográficos Home Page - Henry Davis Consultor)
Site contendo mapas históricos
Disponível em:<http//henry-davis.com/MAPS/carto.html>

Biblioteca Digital de Cartografia Histórica da USP


Site da Biblioteca Digital de Cartografia Histórica que reúne a coleção de mapas impressos
pelo antigo Banco de Santos, atualmente sob custódia do Instituto de Estudos Brasileiros, da
Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Disponível em:<http//mapashistóricos.usp.br/>

Civitates orbis terrarum - Historic Cities


(Cidades do mundo - Cidades Históricas)
Site contendo incríveis mapas históricos das cidades do Atlas Civitates Orbis Terrarum,
publicado pela primeira vez em 1572.
Disponível em:<http://goo.gl/qhcQ7P>

Expositions virtuelles: BnF


(Exposições Virtuais: BNF)
Site de contendo exposições virtuais da Bibliothèque Nationale de France. Veja em especial
aquelas dedicadas aos mapas e à cartografia em TOUTES LES EXPOS Cartes et globes.
Disponível em: <http://expositions.bnf.fr/>

REFERÊNCIAS CITADAS E CONSULTADAS

ALCÂNTARA, L Blog do Lúcio Alcântara 6.3 – Dos mapas. Disponível


em:<http://lucioalc.blogspot.com.br/2012_01_15_archive.html> Acesso em: 25 de nov. de
2014. 15 de jan. de 2012. [s.n.t].
BLACK, J. Mapas e história: construindo imagens do passado. Bauru, SP: Edusc, 2005.
423p.
DI MAIO, A. C. Conceitos de Geoprocessamento. 3 ed. Niterói-RJ: UFF. 2008. 79p. SIG
Aplicado ao Ordenamento Territorial Municipal, Programa Nacional de Capacitação das
Cidades - MCidades /UFF, Ministério das Cidades, Pró-reitoria de Extensão e Departamento
de Análise Geoambiental da UFF. <www.proac.uff.br/sigcidades>. Disponível em:
<http://goo.gl/xOlqvh>. Acesso em: 8 de set. 2014.
DIRETORIA DE HIROGRAFIA E NAVEGAÇÃO, Marinha do Brasil, Diretoria de
Hidrografia e Navegação. Histórico Disponível em: <http://goo.gl/ANQRy6> Acesso em: 3
de nov. de 2014. 21 de jan. de 2011. [s.n.t].
DREYER-EIMBCKE, O. O descobrimento da terra: história e histórias da aventura
cartográfica. Alfred Josef Keller (Trad.) São Paulo: Melhoramentos: Edusp, 1992. 260 p.
DUARTE, P. A. Cartografia temática. Florianópolis: UFSC, 1991. 145p.
DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1994, 148p.
FITZ, Paulo R. Cartografia básica. 1 ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 144p.
GUERRA, A. T. Dicionário geológico-geomorfológico. 8. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993.
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