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RESPONSABILIDADE CIVIL

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em

sua companhia;

II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas

mesmas condições;

III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e

prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se

albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus

hóspedes, moradores e educandos;

RESPONSABILIDADE CIVIL

São as situações em que se configura a chamada “responsabilidade civil

indireta”, por ato de terceiro, no caso do inciso I, um menor que esteja

sob a minha autoridade (não necessariamente minha guarda), o que

gerará a responsabilização dos pais.

Vamos ver um exemplo:

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Se o meu filho menor danificar o carro importado do vizinho, estando o

menor sob a minha autoridade (não necessariamente guarda, como já

mencionamos) e companhia, serei chamado a responder

“objetivamente”, ou seja, sem que se cogite de discutir “culpa”.

O mesmo raciocínio aplica-se aos tutores, curadores, patrões e donos de

hotéis, por atos praticados por seus tutelados, curatelados, empregados e

hóspedes.

Por fim, no caso do Inciso III, consagrada a tese de que “o preponente

responde pelo ato do preposto”.

RESPONSABILIDADE CIVIL

Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o

que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano

for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz.

Cumprida a obrigação, caberá ao pagador direito de regresso contra a

pessoa por quem se responsabilizou, ressalvada a hipótese de ser seu

descendente, absoluta ou relativamente incapaz.

Se o patrão paga a indenização devida à vítima por conta da atuação

ilícita do seu empregado, poderá, posteriormente, cobrar deste último

aquilo que desembolsou, se este tiver agido com dolo ou culpa.

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Porém, o mesmo não acontecerá no caso de o pai pagar o prejuízo

causado pelo seu filhinho de 4 anos, pois o referido art. 934 impede que

seja ajuizada demanda regressiva em face de descendente incapaz.

RESPONSABILIDADE CIVIL

Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se

podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja

o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo

criminal.

O Código Civil estabeleceu, assim, na primeira parte, a independência da

responsabilidade civil da responsabilidade criminal, pois diversos são os

campos de ação da lei penal e da lei civil. Mas a segunda parte do

dispositivo mostra que tal separação não é absoluta e que o sistema

adotado é o da independência relativa.

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O ato ilícito pode ser civil, penal ou administrativo. É fundamental

apontar que há casos em que a conduta ofende a sociedade (ilícito penal)

e o particular (ilícito civil), acarretando dupla responsabilidade. Ex:

Em um acidente de trânsito, pode haver um crime, bem como o dever de

indenizar. Pela regra do art. 935, a responsabilidade civil independe da

criminal, regra geral.

RESPONSABILIDADE CIVIL

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este

causado, se não provar culpa da vítima ou força maior.

A responsabilidade do dono do animal é, portanto, objetiva, uma vez que

basta a vítima provar o dano e a relação de causalidade entre o dano por

ela sofrido e o ato do animal. Ex: Meu cão pulou o muro e atacou uma

pessoa, causando-lhes ferimentos. Não há muito o que se discutir, a

responsabilidade será do dono negligente (dever de vigilância).

No entanto, trata-se de uma presunção vencível, suscetível de prova em

contrário.

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Permite-se, no entanto, ao dono do animal, que se exonere da

responsabilidade, provando qualquer uma das excludentes mencionadas:

culpa da vítima ou força maior.

Exemplo de culpa da vítima: derrubou sua carteira que caiu do lado de

dentro do portão. Ao colocar a mão do lado interno da residência, o cão a

atacou.

Exemplo de força maior: a queda de um raio provocou um incêndio que

destruiu o portão de madeira da residência, permitindo a fuga e o

eventual ataque do cão (há controvérsias – quais ?)

RESPONSABILIDADE CIVIL
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que
resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja
necessidade fosse manifesta.

Trata-se de mais um caso de responsabilidade objetiva, diante de um


risco criado, o que depende do caso concreto.

Há o caráter propter rem existente no dever de indenizar em casos tais,


eis que “o proprietário é sempre responsável pela reparação do dano
causado a terceiro pela ruína do edifício ou construção de seu domínio,
sendo indiferente saber se a culpa pelo ocorrido é do seu antecessor na
propriedade, do construtor do prédio ou do inquilino que o habitava. Ele é
réu na ação de ressarcimento”

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Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano

proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar

indevido.

Trata-se da responsabilidade civil por defenestramento ou por effusis et

dejectis. A expressão defenestrar significa jogar fora pela janela.

Não importa que o objeto líquido ou sólido tenha caído acidentalmente,

pois ninguém pode colocar em risco a segurança alheia, o que denota a

responsabilidade objetiva do ocupante diante de um risco criado.

E nos casos dos condomínios verticais ? Quem é o responsável ?