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PLANO DE AULA APOSTILADO

Escola Superior de Teologia do Espírito Santo

Ética Cristã
Temas modernos à luz das escrituras

Escola Superior de Teologia do ES


A Escola Superior de Teologia do Espírito Santo – ESUTES, é amparada pelo disposto no parecer
241/99 da CES (Câmara de Ensino Superior) – MEC
O ensino superior à distância é amparado pela lei 9.394/96 – Artº 80 e é considerado um dos mais
avançados sistemas de ensino da atualidade.
Sistema de ensino: Open University – Universidade aberta em Teologia
O presente material apostilado é baseado nos principais tópicos e pontos salientes da matéria em
questão.
A abordagem aqui contida trata-se da “espinha dorsal” da matéria. Anexo, no final da apostila,
segue a indicação de sites sérios e bem fundamentados sobre a matéria que o módulo aborda,
bem como bibliografia para maior aprofundamento dos assuntos e temas estudados.

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__________

Sumário

_______

Introdução...............................................................................................................................................04
A Ética e sua Importância para o Povo de Deus.............................................................................05
A Ética no Antigo e novo Testamentos..............................................................................08
Alternativas Éticas...................................................................................................................10
O Modo Cristão de Viver.........................................................................................................14
O Relativismo..........................................................................................................................17
Cristianismo e Razão.....................................................................................................19
O Cristão e a Injustiça.............................................................................................................22
O Cristão e a Ética Contemporânea.......................................................................................25
Bibliografia..............................................................................................................................32

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Introdução

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso


próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em
detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do
que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A origem da palavra ética vem do grego “ethos”, que quer dizer o modo de ser, o
caráter. Os romanos traduziram o “ethos” grego, para o latim “mos” (ou no plural
“mores”), que quer dizer costume, de onde vem a palavra moral. Tanto “ethos”
(caráter) como “mos” (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente
humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto,
mas que é “adquirido ou conquistado por hábito”. Portanto, ética e moral, pela
própria etimologia, diz respeito a uma realidade humana que é construída histórica e
socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde
nascem e vivem.
Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo
ou errado e toma decisões.

Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja
pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno
que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo
de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse
sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.

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A Ética e sua Importância para o Povo de Deus

As igrejas evangélicas têm sido afetadas pelas tendências da cultura: “teologia da


prosperidade” (evangelho da saúde e da riqueza), pragmatismo, diluição do senso de
pecado. Leia John MacArthur Jr., Sociedade sem pecado (Cultura Cristã, 2002). “A igreja
aceita o evangelho popular da auto-estima ou reconhece a terrível realidade do
pecado segundo a Bíblia?”
Ainda bem que, na maior parte das vezes, não são esses os desafios éticos extremos
que enfrentamos. Ainda assim, existem muitas tentações na sociedade moderna para
nos afastarmos dos valores bíblicos (conflitos entre ética cristã e valores da sociedade).

A Ética Cristã na Sociedade


A gravidade da situação atual em nossa sociedade se resume em atuação do
secularismo, materialismo, perda dos valores transcendentes e absolutos (pós-
modernismo). Características como: individualismo egocêntrico, hedonismo,
relativismo. Dicotomia entre ética pessoal e coletiva. A versão brasileira: “o jeitinho” e
suas conseqüências (corrupção, impunidade, etc.).
Dilemas éticos: em situações claras e definidas, muitas vezes as decisões éticas já são
difíceis. Quanto mais se existem dilemas angustiantes, muitos deles próprios do nosso
tempo.

Quando o assunto é conduta ou comportamento humano, precisamos de normas


ou princípios que orientem o nosso comportamento. Naqueles dias não havia rei em
Israel; cada um fazia o que achava mais certo. (Jz 21.25). Esta era a triste situação de
Israel na época dos juízes! Naqueles dias não havia rei em Israel. Por não haver rei em
Israel, não existia autoridade e leis que orientassem a conduta do povo. A
conseqüência disto foi à anarquia: Cada um fazia o que achava mais certo.
Este versículo nos oferece duas verdades importantes: Primeira, todos nós precisamos
tomar decisões; segunda, todas as nossas decisões são orientadas pela noção daquilo
que é certo ou errado. Certo ou Errado? O nosso referencial ético é a Bíblia. Ela é o
nosso manual de fé e de comportamento
Toda pessoa toma as suas decisões a partir daquilo que ele pensa sobre o que é certo
ou errado.

A ética cristã trata dos princípios que regulam o comportamento do cristão. A ética
cristã é o conjunto de princípios espirituais extraídos exclusivamente da Bíblia, para
nortear a conduta do cristão, nos seus relacionamentos com Deus e com as pessoas. E.
Bruner diz: "Ética cristã é o comportamento humano determinado pelo

5
comportamento divino". A ética cristã é o conjunto de valores moral total e
unicamente baseado nas Escrituras.
A ética cristã baseia-se em alguns pressupostos teológicos: A Existência de Deus, a
Depravação do Homem e a Bíblia Sagrada como manual de orientação do cristão.

A existência de Deus é à base da fé e da conduta cristã


Dostoievski, poeta russo, afirmou que se Deus não existe, tudo é permitido. Deus,
porém, existe, logo nem tudo é permitido. A vida possui um sentido ético e moral.
Tudo que o homem semear, ele também colherá. Os atos humanos são e serão
julgados por Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus
(Rm14.12). Cuidado com o que você anda dizendo e fazendo!
Deus não é de confusão, e sim de paz. Ele exige que tudo seja feito com decência e
ordem. (1Co14.33, 40). Ele estabelece limites!

A Depravação do Homem
A depravação humana requer a existência de normas de conduta. O homem é
inclinado a praticar o mal.Jesus Cristo nos ensina em Marcos 7, sobre a origem da
maldade humana: Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o
pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar
escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: o que sai do
homem, isso é o que contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que
procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a
avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora,
todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem (18-23).

Primeiro, a corrupção humana é universal. No texto Jesus não descreve um


determinado grupo social, mas ele fala do homem como uma espécie universal. A
corrupção está presente onde houver um ser humano. (Rm 5.12). Segundo, a
corrupção tem a sua origem no coração humano. Jesus é categórico: Porque de dentro,
do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios... Não é o poder, nem é
uma educação falha, ou um ambiente ruim que perverte o homem, mas o seu coração
corrompido. O meio pode influenciar, mas não é a causa determinante. (Jr 17.9).
O comportamento humano só pode ser mudado a partir de uma mudança interior.

A conversão é o primeiro passo para a genuína mudança de comportamento.


Ninguém muda de fora para dentro. Chamo a sua atenção para a oração de Davi: Cria
em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim um espírito inabalável. (Sl
51.10). Um coração puro é a maior necessidade do ser humano. Somente através de
um transplante espiritual poderemos vencer a corrupção. E somente Deus pode
realizar esta operação. Ele promete: Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis
purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração
de pedra e vos darei um coração de carne. (Ez 36.25-26).

6
A Bíblia Sagrada é o manual de orientação do cristão
O cristianismo parte do principio de que existe uma fonte de verdade fora de nós. A
Bíblia é especificamente esta verdade. Declarou Jesus: A tua palavra é a verdade. (Jo
17.17). A Palavra de Deus é a verdade objetiva, eterna, absoluta e universal. Ela é
autoridade suprema em matéria de fé e de comportamento. Encontramos na Bíblia
toda a orientação que precisamos para todos os assuntos importantes da nossa vida.
Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos (Sl 119.105).

É na Bíblia que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Augustus


Nicodemus faz uma alerta: "Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras
morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o
homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das
Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A
ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão,
muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas".

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A Ética no Antigo e novo Testamentos

O caráter ético de Deus


A religião dos judeus tem sido descrita como “monoteísmo ético”. O Antigo
Testamento fala da existência de um único DEUS, o criador e Senhor de todas as
coisas. Esse DEUS é pessoal e tem um caráter positivo, não negativo ou neutro. Esse
caráter se revela em seus atributos morais. DEUS é Santo (Lv 11, 45; Sl 99, 9), justo (Sl
11, 7; 145, 17), verdadeiro (Sl 119, 160; Is 45, 19), misericordioso (Sl 103, 8; Is 55, 7), fiel
(Dt 7, 9; Sl 33, 4).

A Lei de Deus
A lei expressa o desejo que DEUS tem de que as suas criaturas vivam vidas de
integridade. Há três tipos de leis no Antigo Testamento: cerimoniais, civis e morais.
Todas visavam disciplinar o relacionamento das pessoas com DEUS e com o seu
próximo. A lei inculca valores como a solidariedade, o altruísmo, a humildade, a
veracidade, sempre visando o bem-estar do indivíduo, da família e da coletividade.

Os Dez Mandamentos
A grande síntese da moralidade bíblica está expressa nos Dez Mandamentos (Ex 20,
1-17; Dt 5, 6-21). As chamadas “duas tábuas da lei” mostram os deveres das pessoas
para com DEUS e para com o seu próximo. O Reformador João Calvino falava nos três
usos da Lei: judicial, civil e santificador. Todas as confissões de fé reformadas dão
grande destaque à exposição dos Dez Mandamentos.

A contribuição dos profetas


Alguns dos preceitos éticos mais nobres do Antigo Testamento são encontrados nos
livros dos Profetas, especialmente Isaías, Oséias, Amós e Miquéias. Sua ênfase está
não só na ética individual, mas social. Eles mostram a incoerência de cultuar a DEUS e
oferecer-lhe sacrifícios, sem todavia ter um relacionamento de integridade com o
semelhante. Ver Isaías 1, 10-17; 5, 7 e 20; 10 1-2; 33, 15; Oséias 4, 1-2; 6, 6; 10, 12; Amós
5, 12-15, 21-24; Miquéias 6, 6-8.

A ética do Novo Testamento


A ética do Novo Testamento não contrasta com a do Antigo, mas nele se fundamenta.
Jesus e os Apóstolos desenvolvem e aprofundam princípios e temas que já estavam
presentes nas Escrituras Hebraicas, dando também algumas ênfases novas.

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A ética de Jesus

A ética de Jesus está contida nos seus ensinos e é ilustrada pela sua vida. O tema
central da mensagem de Jesus é o conceito do “reino de DEUS”. Esse reino expressa
uma nova realidade em que a vontade de DEUS é reconhecida e aceita em todas as
áreas. Jesus não apenas ensinou os valores do reino, mas os exemplificou com a vida e
o seu exemplo.

O Sermão da Montanha: uma das melhores sínteses da ética de Jesus está contida no
Sermão da Montanha (Mateus Caps. 5 a 7). Os seus discípulos (os Filhos do Reino)
devem caracterizar-se pela humildade, mansidão, misericórdia, integridade, busca da
justiça e da paz, pelo perdão, pela veracidade, pela generosidade e acima de tudo pelo
amor. A moralidade deve ser tanto externa como interna (sentimentos, intenções): Mt
5, 28. A fonte do mal está no coração: Mc 7, 21-23.

A vontade de DEUS: Jesus acentua que a vontade ou o propósito de DEUS é o valor


supremo. Vemos isso, por exemplo, em Mt 19, 3-6. O maior pecado do ser humano é o
amor próprio, o egocentrismo (Lc 12, 13-21; 17, 33). Daí a ênfase nos dois grandes
mandamentos que sintetizam toda a lei: Mt 22, 37-40. Outro princípio importante é a
famosa “regra de ouro”: Mt 7, 12.

A ética de Paulo: Paulo baseia toda a sua ética na realidade da redenção em Cristo.
Sua expressão característica é “em Cristo” (II Co 5, 17; Gl 2, 20; 3, 28; Fp 4, 1). Somente
por estar em Cristo e viver em Cristo, profundamente unido a Ele pela fé, o cristão
pode agora viver uma nova vida, dinamizado pelo Espírito de Cristo. Todavia, o
cristão não alcançou ainda a plenitude, que virá com a consumação de todas as coisas.
Ele vive entre dois tempos: o “já” e o “ainda não”.

Tipicamente em suas cartas, depois de expor a obra redentora de DEUS por meio de
Cristo, Paulo apresenta uma série de implicações dessa redenção para a vida diária do
crente em todos os aspectos (Rm 12, 1-2; Ef 4, 1)

Entre os motivos que devem impulsionar as pessoas em sua conduta está a imitação
de Cristo (Rm 15, 5; Gl 2, 20; Ef 5, 1-2; Fp 2, 5). Outro motivo fundamental é o amor
(Rm 12, 9-10; I Co 13, 1-13; 16, 14; Gl 5, 6). O viver ético é sempre o fruto do Espírito
(Gl 5, 22-23).
Na sua argumentação ética, Paulo dá ênfase ao bem-estar da comunidade, o corpo de
Cristo (Rm 12, 5; I Co 10, 17; 12, 13 e 27; Ef 4, 25; Gl 3, 28). Ao mesmo tempo, ele
valoriza o indivíduo, o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14, 15; I Co 8, 11; I Ts 4, 6;
Fm 16)
Acima de tudo, o crente deve viver para DEUS, de modo digno dEle, para o seu
inteiro agrado: Rm 14, 8; II Co 5, 15; Fp 1, 27; Cl 1, 10; I Ts 2, 12; Tt 2, 12.

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Alternativas Éticas
Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo
com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e
religiosa.

Éticas Humanísticas

As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a
medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista
Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões
voltadas para o homem como seu valor maior.

Hedonismo

Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo
é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer".
Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus
discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã
morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais,
que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar
acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais
chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao
próximo.

Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e


pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos
ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio,
visto que a morte natural era dolorosa.

Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina


central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza.
Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A
ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz
escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e

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felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais
de hedonismo.

Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da


felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca
tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

Utilitarismo
Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem
como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas.
Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos
das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem.
Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais
proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John
Stuart Mill.
A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o
bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer
pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente
relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram
milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o
adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética
simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que
produzem soluções, resultados e números.

Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas


funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em
detrimento do conteúdo. Eles querem saber “como” e não “por quê?”.

Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa


sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível
que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que
sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.

Existencialismo
Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética
humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard,
Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente
pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a
humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos
à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos.
Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.
Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo.
Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas
influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e
tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu

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o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção
normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua


influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente
atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que
não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente
bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

Ética Naturalística

Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo
e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido.
A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem
e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida
que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a
sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.

Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco
(sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade.
Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e
Julian Huxley.

A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza


baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução;
(2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a
severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a
piedade.

Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna.


A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de
legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram
doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a
exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito
da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a
eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas
por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres.
Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência
dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.

Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser
legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente
desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A
natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode
servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

12
Éticas Religiosas

São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o


motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável
entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o
assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém,
acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser
seguido.

Éticas Religiosas Não Cristãs

No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras


de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem
muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas
de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que
tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de
admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao
comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas
dietas religiosas buscando a purificação.

O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que
associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O
culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.

O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de
valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale
também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de
que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões
e seu sistema de valores.

É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja
uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os
afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados,
especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do
que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha
que é certo ou errado diante desse Deus.

A Ética Cristã

Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que


retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de

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diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras
Sagradas pelo único Deus verdadeiro.
(A ética cristã já mencionada)

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O Modo Cristão de Viver

As décadas de 60 e 70 viram nascer uma nova ideologia de contestação aos valores


defendidos pela sociedade da época. A desilusão com a capacidade humana em dar
soluções adequadas a problemas como a fome ou as guerras levou à elaboração de um
modelo contracultural, uma resposta ao padrão vigente.

Alguns buscaram respostas nas filosofias orientais; outros, desiludidos com a


moralidade cristã ocidental, enveredaram pelo ateísmo; outros, ainda (e mais
prejudicialmente), buscaram nas drogas um caminho de liberação. Mas teriam essas
tentativas sido bem sucedidas? Cremos que não.

Cremos que esta busca desesperada por uma alternativa viável de vida levou apenas a
mais desilusões, pois funda-se em pressupostos errados, distanciados que estão do
maior padrão humano de conduta.
Cremos firmemente que há um modelo contracultural eficiente, proposto pela Palavra
de Deus, eficaz em seus objetivos e absolutamente contestatório de nossa realidade
presente. Um modelo que, se integralmente vivenciado em seus valores, representaria
a concretização do sonho das gerações de 30 ou 40 anos atrás, como veremos a seguir.

Uma Proposta Bíblica de Contracultura

É consistente na Bíblia a afirmação de que Deus escolheu para si um povo para salvar
e redimir, um povo que deveria andar de acordo com seu comando e vontade (Lv
18:1-4). Das palavras registradas por Moisés, extraímos que, além de tomar um povo
para si, Deus ainda exige dele que não faça como as nações da terra, antes, seja um
povo diferenciado, que segue a vontade do Pai. Entretanto, observamos ao longo do
Antigo Testamento que este povo preferiu o caminho da terra de Canaã, curvando-se
perante deuses de pau e pedra (Ez 20:32).

É claro que o problema de Israel não se resumia à idolatria. Os alertas dos profetas
desnudam o povo em todos os seus pecados, não deixando qualquer outra esperança
senão a redenção divina, nem nenhum outro caminho além da obediência.
Mas qual seria esse modo cristão de viver, o modo de vida que realmente agrada a
Deus? Cremos que um bom resumo do que nos é ordenado como modo de vida está
contido no Sermão do Monte.

Como já vimos, o Sermão do Monte é um perfeito resumo do ensino moral pregado


por Jesus. Se Mateus é, corretamente, chamado de Evangelho do Reino, estas são as
suas leis, a lei que o cidadão dos céus deve seguir e obedecer.
O Sermão do Monte tem uma ordenança clara, de que o cristão não deve seguir os
caminhos deste mundo: “não vos assemelheis a eles...” (Mt 6:8). A vida do cristão tem
de ser diferente. Infelizmente, a idéia de que o cristão deve ser igual às demais pessoas

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tem sido bem aceita (e até defendida) por alguns. Quantos já não se alegraram ao
ouvir a frase: “Mas você não é diferente das outras pessoas!”. Apesar de simpática,
esta frase esconde um conceito perigoso, pois nos iguala àqueles que não têm a Cristo.
Isto é errado, pois a Palavra nos ordena a estarmos no mundo, mas não sermos do
mundo (Jo 17:16).
Mas o que o Sermão tem a nos ensinar sobre o modo cristão de viver, além de nossa
separação do mundo?

O Caráter do Cristão (5:3-12): as bem-aventuranças nos indicam que o cristão deve


possuir um caráter humilde, paciente, manso, justo, misericordioso, puro, pacificador
e perseverante.

A Influência do Cristão (5:13-16): os cristãos devem fazer diferença na sociedade em


que estão inseridos. Não devem se amoldar a ela, mas serem vozes proféticas de suas
mazelas. Isto indica não apenas uma postura passiva, mas também ativa de
proclamação.

A Justiça do Cristão (5:17-48): a graça não exclui o dever do cristão de cumprir os


preceitos da lei moral de Deus. O cristão deve andar em paz com todos, vigiar até
mesmo seus padrões de pensamento, usar da verdade em qualquer circunstância,
perdoar as ofensas feitas a si e amar até mesmo a seus inimigos.

A Piedade do Cristão (6:1-18): uma grande crítica do padrão mundano de


contracultura em relação ao cristianismo diz respeito à sua religiosidade fria e externa,
uma espiritualidade hipócrita que está distante de qualquer piedade. De fato, esta
falsa espiritualidade seria remediada, se observássemos o que Jesus nos ordena acerca
da verdadeira espiritualidade, que se apresenta como um relacionamento sincero
entre o cristão e seu Deus.

A Ambição do Cristão (6:19-34): há aqui uma resposta cristã ao materialismo da


sociedade moderna. Os cristãos não devem buscar os valores materiais deste mundo,
mas viver na convicção de que o seu verdadeiro tesouro está no céu, com Deus e em
Deus.

Os Relacionamentos do Cristão (7:1-20): nosso relacionamento com as demais


pessoas também devem ser diferenciados. Devemos evitar os julgamentos
precipitados, ser zelosos quanto ao que é santo, fazer o que queremos que nos façam,
não nos desviarmos do caminho estreito do evangelho, não atentando para aqueles
que querem nos desviar por meio do erro e da mentira.

A Dedicação Cristã (7:21-27): temos de ser sinceros em nosso relacionamento com


Deus. Amá-lo, de verdade, não implica apenas em servi-lo com atos de religiosidade
externa, mas obedecer à sua vontade, fazendo aquilo que Ele nos ordena.

16
Há, de fato, na Palavra de Deus um padrão cristão de contracultura. Não há como ler
o Sermão do Monte sem identificar ali um modo de vida absolutamente diverso
daquilo é pregado e vivido por aqueles que não conhecem a Cristo. Certamente, a
Palavra de Deus tem uma resposta firme à sociedade moderna, quando anuncia a
necessidade de um caráter humano renovado, que influencie para o bem comum,
obediente à vontade de Deus, de verdadeira espiritualidade, voltado para os valores
do alto, com relacionamentos sociais sadios e submisso ao senhorio de Jesus.
Precisamos viver estes valores do reino, não permitindo que a contracultura mundana
entre pelas portas da igreja, como tem se visto com tanta freqüência. Que Deus nos
abençoe para fazermos sua vontade.

Entre a conveniência da farsa e convicção de fé. (Dn. 3.15-18)

O relato de Daniel 3 é sem dúvidas um rico exemplo de verdadeiro modo de servir a


Deus, seja qual for o estado da sociedade, sem abrir mão dos valores da Palavra de
Deus.
Estai dispostos. Servir a Deus – na universidade inclusive – é um grande desafio de
vida, é colocar a cabeça a prêmio diante do rei (poder político), dos sábios (ciência),
etc.

A confiança dos jovens não está no caráter milagroso de Deus. “se o nosso Deus, a quem
servimos, quer livrar-nos... se não” (17-18) Há uma abismo intransponível entre a
solenidade do faz de conta na política, na religiosidade, no show e uma convicção
inabalável na veracidade do caráter de Deus. E Isto não se consegue por decreto.
Qual postura tomar? Negação completa ou acomodação completa? Em cada época
somos chamados a dar uma resposta para nosso tempo. Não temos um Império
Babilônico, uma estátua e uma fornalha literalmente – mas temos diante de nós outros
impérios (não menos poderosos), outras estátuas e muitas outras fornalhas. O que
fazer hoje?
a. Como proposta para enfrentamento da realidade moderna ante o desafio de
ser cristão, Grenz (1997:242ss) sinaliza com quatro questões:

1. Um evangelho pós-individualista: o individualismo é filho da modernidade e, se a


Reforma Protestante não “inventou” o individuo, o celebra muito. Lembrar que o
cristianismo é centrado no corpo de Cristo: é uma celebração coletiva, da comunidade.
O fato de que Deus é uma trindade social – Pai, Filho e Espírito – dá-nos uma
indicação de que o propósito divino para a criação tem como alvo inter-
relacionamento do individuo”
2. Um evangelho pós-racionalista: no embate com a ciência em plena
modernidade a teologia se tornou racional (para negar seu caráter medieval), e
quando esta pretensão racional da modernidade ruiu, levou junto também a teologia.
No estilo ”abraço de afogados”. No mundo da pós-modernidade quando os cânones
da ciência estão sendo questionados, a racionalidade teológica idem.

17
3. Um evangelho pós-noeticêntrico: “Um evangelho pós-noeticêntrico
ressalta a relevância da fé em todas as dimensões da vida. Ela não permite de forma
alguma que o comprometimento com Cristo estacione simplesmente num esforço
intelectual, deixando que se transforme unicamente num assentimento a proposições
ortodoxas. O comprometimento com Cristo deve também achar guarida no coração.
Na verdade, o mundo pós-moderno dá-nos ocasião para que nos reapoderemos da
velha crença pietista segundo a qual uma cabeça boa não tem valor se o coração
também não for bom. O evangelho cristão cuida não somente da reformulação de
nossos compromissos intelectuais, mas também da transformação de nosso caráter e
da renovação de toda a nossa vida como crentes que somos” (Grenz, 1997:249).

18
O Relativismo

O que é o Relativismo

É a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e recusa qualquer


verdade ou valor absoluto. Esse pensamento se infiltrou em muitas áreas da vida,
afirmando que todas as posições morais, todos sistemas religiosos, todos movimentos
políticos, etc, são verdades relativas para o indivíduo. Cada um pode ver e aceitar
como quiser, pois não existem verdades absolutas.

O quê diria o Relativismo

“O prefeito de San Francisco, Gavin Newsom, autorizou a emissão de certidões de


casamento aos homossexuais, levando 8.000 gays a se casarem na cidade”. Você
concorda ou discorda do prefeito? Por que?
O relativismo não se importa com o ´concorda ou discorda´. Para essa filosofia não
existe o certo e o errado, pois tudo é relativo do ponto de vista pessoal. Nossa
sociedade pluralista deseja evitar a idéia que há realmente o certo e o errado. Isto é
cada vez mais evidente no nosso ambiente social: o sistema judicial deteriorado que
possui cada vez mais dificuldades em punir os criminosos, a mídia que continua a nos
empurrar o seu pacote particular do que seja moralidade e decência, nossas escolas
que ensinam a evolução e a "tolerância social", etc. A conseqüência disso é que o
relativismo moral está cada vez mais ganhando espaço no sentido de encorajar a todos
em aceitarem o homossexualismo, a pornografia na TV, a fornicação, e uma avalanche
de outros pecados que outrora foram considerados errados e perniciosos, mas que
agora estão sendo aceitos e até mesmo encorajados em nossa sociedade.

O Relativismo e o perigo da anarquia ética


Pense um pouco sobre o crime do juiz Pedro Percy Barbosa que matou o vigia de um
supermercado na cidade de Sobral – CE, no último dia 27/02. Como alguém tão
preparado foi capaz de cometer um assassinato tão brutal? O que representou o valor
da lei para esse homem? O fato é que, para ele (e muitos outros), a lei não é verdade
absoluta, mas relativa. Naquele momento, do seu ponto de vista, a atitude tomada foi
correta, e ele fará de tudo para provar isso no seu julgamento. “Cada cabeça uma...”.

Existe algo positivo no relativismo?

Há validade para alguns aspectos positivos do relativismo. Por exemplo, o que uma
sociedade considera direito enquanto outra considera errado. O certo é dirigir do lado
esquerdo ou direito do carro? Esse costume que é certo para uns e errado para outros,

19
depende da cultura de cada povo. É um costume puramente relativista e não
universal. Alguns princípios de costumes sobre enterros, casamentos, sexo, variam de
país para país ou até mesmo de cidade para cidade. Esse senso de “certo e errado”
relativista não influi em nossa vida moral, pois não foi um mandamento de um Deus
universal. Há coisas que são validadas apenas dentro da experiência humana
particularmente individual. Eu posso me irritar com o som de uma música Rock e a
outra pessoa não. Neste sentido o que é verdadeiro para mim não precisa ser
necessariamente verdadeiro para outros.
No entanto, isto não é válido o bastante para dizer que porque há um tipo de
relativismo pessoal, nós então podemos estendê-lo e aplicá-lo em todas as áreas da
vida e dizer que tudo o mais é relativo. Não, isto não é uma suposição válida nem
lógica.

Como o cristão deve encarar o Relativismo

Partindo do exemplo dos mártires que entregaram suas vidas por uma verdade
absoluta — A Bíblia, a Palavra revelada de Deus, o cristão não deve permanecer
pacífico e tranqüilo. Ele deve estar pronto a subverter (revolucionar) a sociedade para
apresentar esses valores centralizados no evangelho de Cristo. Veja como Paulo e
Silas, aliados ao corajoso Jasom, transtornaram a cidade de Tessalônica em Atos 17.1-
9. É possível os cristãos agirem dessa forma hoje?
Nas palavras do teólogo R. C. Sproul, "Deus é, e onde ele é, existe dever… Deus tem
um direito eterno e intrínseco de impor obrigações, de subjugar a consciência de suas
criaturas". Sproul faz ainda um alerta quanto à anarquia ética para a qual nos
dirigimos, pois a nossa era apresenta um antinomianismo sem precedente, ou seja,
todos fazem o que parece correto aos seus próprios olhos”.
Um outro problema grave aliado ao relativismo é o pragmatismo, usado inclusive por
muitas igrejas, que defendem o argumento de que se tal estratégia dá certo, então
vamos fazer, mesmo que os fins não justifiquem os meios.
Mas os discípulos do Senhor Jesus, que é o mesmo ontem, hoje, e para sempre,
montam guarda contra os ataques do relativismo, batalhando diligentemente pela fé
que uma vez por todas foi entregue aos santos (Judas 3). Aliás, o verso 4 de Judas
comprova que nem Deus e nem Jesus eram tidos como verdade absoluta naquela
época.
Portanto, os cristãos devem estar dispostos a sofrer nesses dias conturbados. Devem
estar dispostos a santificar a Cristo, como Senhor, em seus corações (ler 1 Pedro 3.13-
17). Devem ainda buscar a Deus para receberem ajuda, em tempos de ansiedade,
aflição, confusão ou inquietude na alma, estando certos de obterem sábio conselho e
libertação. É o próprio Deus quem nos assegura disso no Salmo 19.7-14.

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"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos
corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E
não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa
mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Rm 12:1,2

21
Cristianismo e Razão

Cremos que uma das características da natureza humana que a diferencia de outras
formas de vida é nossa possibilidade de refletir, ou melhor o uso de nossa
racionalidade. Não utilizá-la é “desumanizar nossa própria humanidade”, em outras
palavras, é não se apropriar de uma de nossas características. Lembre-se: fomos
criados à imagem e semelhança de Deus (incluindo nossa razão).

John Stott coloca em seu livro alguns aspectos interessantes que trataremos nessa
breve reflexão: Qual é o lugar da mente na vida do cristão iluminado pelo Espírito
Santo? Ninguém deseja um Cristianismo frio, triste, intelectualizado. Mas será que
isso significa que temos que evitar a todo custo o “intelectualismo” ou a
“intelectualidade”? Muitos acreditam que ao intelecto compete apenas um papel
secundário. Outros podem até dizer: “a experiência é o que realmente importa, e não a
doutrina”.

Cristianismo de mente vazia. Convém ressaltar inicialmente que é importante


evitarmos posições extremas como ‘conhecimento sem zelo’ e o ‘zelo sem
conhecimento’, porém a este último Paulo faz uma clara crítica (Rm.10:2). Persiste
ainda um discurso ‘anti-intelectualismo’ no meio cristão, infelizmente até os dias
atuais. Tal discurso, potencialmente muito perigoso, pode nos levar a atitudes
extremas. Alguns evangélicos, em detrimento da razão, fazem da experiência o
principal critério da verdade.

Por que usar nossas mentes? Há um poder natural do pensamento na concretização


de ações, é aquilo que simplesmente chamamos de idéias, isto é, estas só existem
porque somos dotados de razão. Ao longo da história da humanidade e mesmo ao
longo da nossa própria história individual confirmamos que “grandes ações surgiram
inicialmente a partir de grandes idéias”.

É dever do homem pensar e agir, fomos criados para pensar (Sl.32:9; Sl.73:22). A
Bíblia aponta que quando o homem negligencia sua razão ou o papel de pensar, os
animais acabam por nos superar (Pv 6:6-11, Is 1:3; Jr.8:7). Como já vimos, o pecado –
queda – que transformou nossa mente em mente decaída não é justificativa para não
utilizá-la.
Lembremos que nossas mentes estão diante do Deus que é revelado (Sl.19:1-4;
Rm.1:18-21). Stott aponta que o grande diferencial do cristianismo é sua ênfase na
doutrina e que tal característica não é percebida nas religiões não cristãs, nestas, a
ênfase é dada pela realização de um ritual. Neste aspecto, imagine só em nosso
contexto brasileiro, onde o ritualismo tem forte influência em nossa cultura, como este

22
aspecto, do aqui e agora, da hipervalorização do sobrenatural podem ganhar
perigosos contornos onde a mente é deixada de lado, onde novamente a experiência, o
momento é o que vale.
Um dos papéis mais nobres da mente humana é ouvir a Palavra, ver a mente de Deus
e pensar conforme Seus pensamentos.

Um dos critérios que somos julgados por Deus é pelo conhecimento. Os. 4:6; Is.5:13;
Pv. 1:22; 3:13-15; II Pe. 1:5; Ef. 3:14-19. Paulo valoriza o entendimento, crescimento no
conhecimento Ef.1:17-19; Fp.1:9-11)
Uma grande questão que pode estar permeando agora nossas mentes é: “E quanto a
nossa fé?” Onde a fé se encaixa em toda essa valorização que procuramos dar à razão?
Primeiramente: fé não é credulidade, a fé e a visão são postas em oposição na Bíblia. (II
Cor. 5:7), mas não fé e razão. Isto é, uma não exclui a outra. A fé verdadeira é
essencialmente racional porque se baseia no caráter e nas promessas de Deus (e que
são objetivas).

Em segundo lugar: fé não é otimismo. Todos devem ter ouvido ou conheceram obras
como os de Lair Ribeiro e outros neurolinguistas, que, aliás, o mercado editorial
fatura(ou) de forma extraordinária, tais obras ainda hoje estão por aí com outra
roupagem. Esta fé proclamada por estes autores é uma fé em que? Logicamente “no
eu”, “em si mesmo” e não em Deus.
Lembremos pois que o conhecimento (ou o uso de nossa razão) tem um valor especial
no exercício de nossa fé.
Assim o conhecimento (ou a razão) tem um grandioso papel, isto é, ele é um meio e
não um fim em si mesmo:

Conhecimento para conduzir a adoração! Rm. 11:33. Em Lc 24:32 os discípulos


afirmavam que “ardia nosso coração”. Olha só que envolvimento! Convém ressaltar
que quando o conhecimento nos deixar ‘frio’ algo errado aconteceu. Devemos nos
precaver da “teologia sem devoção” e da “devoção sem teologia”.

Conhecimento para conduzir a fé. Sl. 9:10.

Conhecimento para conduzir a santidade. Fp. 4:9; Sl. 119:34.

Conhecimento para conduzir ao Amor. Não devemos nos esquecer do essencial


“tempero do amor” Em I Cor. 8:1 e I Cor. 13:2 ressaltam o eficaz papel do amor
permeando o exercício da razão, dando-lhe uma perspectiva diferente.

O livro de Provérbios destaca a importância da sabedoria. (Pv. 2:1-6) que mostra a


relação que seu autor, Salomão, tinha com a mesma. Lembremos que, nunca com o
fim em si mesmo, mas como meio de agradar e conhecer Aquele que é o princípio de
toda sabedoria. (Pv. 1:7)
Que nos apropriemos da graça que temos que é Pensar!!!

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Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não
proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que
resistem trarão sobre si mesmos condenação.
ROMANOS 13.1,2

O cristão deve submeter-se a tudo o que as autoridades ordenam?


Pelo fato de o governo civil existir para o bem de toda a sociedade, Deus lhe confere o
´´poder da espada´´, o uso legal da força para aplicar as leis justas. Os cristãos devem
reconhecer isso como parte da ordem de Deus (cf. Rm 13.1-2). Um governo pode
cobrar imposto pelos serviços que presta (Mt 22.15-21; Rm 13.6-7). Porém, se o
governo civil proíbe aquilo que Deus exige ou exige aquilo que Deus proíbe, os
cristãos não devem submeter-se, com aceitação de suas conseqüências penais
(mostrando assim que se reconhece a autoridade atribuída por Deus aos governos
como tais); portanto, haverá alguma forma de desobediência civil neste caso, o que
será inevitável por parte dos cristãos (At 4.18-31; 5.17-29).

Como devem se portar os cristãos diante dos governos


Além do que foi dito até aqui, os cristãos devem solicitar e insistir com os governos a
cumprir seu papel corretamente. Devem orar por eles, obedecer-lhes e zelar por eles
(1Tm 2.1-4; 1 Pe 2.13,14), recordando-lhes que Deus os ordenou para dirigir, proteger
e manter a ordem, mas não para exercer a tirania. Num mundo degradado, em que o
poder costumeiramente corrompe, as instituições democráticas que dividem o poder
executivo entre muitos e fazem detentores responsáveis perante o povo, em geral
oferecem a melhor esperança de evitar a tirania e assegurar a justiça para todos.

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O Cristão e a Injustiça
O Cristão e a Injustiça Social

Abra o jornal de hoje ou ligue sua TV ao chegar em casa. O que você vê? Você não
tem uma impressão, como Caetano Veloso definiu em música, de que “alguma coisa
está fora da ordem”?
Vivemos em um período de caos social. O abismo que separa ricos e pobre é cada
vez mais profundo; a criminalidade dispara nas grandes cidades; crianças amontoam-
se nos faróis, vendendo balas para sustentar, por vezes, o vício dos pais. Qual é a
perspectiva de Deus acerca deste problema? E qual deve ser a nossa, segundo a
Palavra?

A Queda do Homem e a Injustiça Social

Como todos os males do mundo moderno que nos afligem, a injustiça social também
tem sua origem na queda do homem em pecado. O equilíbrio previsto por Deus, o
qual vemos no Éden criado com tudo o que Deus achava “muito bom” (Gn 1.31), com
a desobediência de Adão agora deixa de existir.
Temos um lampejo desta situação inicial de injustiça em Gn 6.9. Após descrever toda
a situação que reinava na terra antes do dilúvio, Moisés anota que “Noé era homem
justo e íntegro entre seus companheiros”, como uma clara oposição à realidade que
vinha descrevendo desde o início deste capítulo; isto nos leva a concluir que os
demais homens eram praticantes da injustiça, e por isto seriam exterminados.
Isto se confirma com a leitura de 2Pe 2.2-5. Os homens da época de Noé não foram
punidos apenas por idolatria ou pecados sexuais; foram, antes, punidos, por serem
avarentos, capazes de vender até mesmo os seus irmãos. A injustiça social faz parte do
coração corrupto do homem, de onde procede todo tipo de mau desígnio (Mt 15.19).

Injustiça, Individualismo e Falsa Espiritualidade

Tal situação de injustiça social não é, infelizmente, ausente da Igreja do Senhor Jesus.
Aos crentes, sal da terra e luz do mundo, incumbiria a tarefa de restaurar, mesmo que
em parte, a ordem perdida pelo pecado. A Igreja deveria ser o reflexo presente da
Nova Jerusalém celeste, na qual a injustiça social não terá lugar (1Co 6.10).
Contudo, o que vemos na maior parte das igrejas locais que militam ainda neste
mundo é uma realidade oposta. Podemos identificar dois exemplos de visões
distorcidas acerca da injustiça social dentro de nossas igrejas.
A primeira delas, muito presente em nosso mundo pós-moderno, é o da Igreja
voltada ao seu próprio umbigo. Queremos com esta figura representar especialmente
o padrão das igrejas que pregam a teologia da prosperidade. Nestas igrejas, o crente
não vai para servir, mas para ser servido. A igreja deixa de ser um local de restauração
da realidade para ser um depósito de bençãos materiais, à disposição de qualquer um
que possa trazer uma oferta generosa, ou que saiba pronunciar as “palavras mágicas”

25
de uma confissão positiva. Pouco importa se o mundo à minha volta desaba; o que
vale é que o Senhor me abençoou com um carro do último tipo. Estas igrejas são o
retrato perfeito do individualismo característico de nossos tempos.
A segunda é o da “Igreja espiritual”. É uma Igreja que mente para si mesma, sob o
pretexto de que “o Reino de Deus não é deste mundo”. É uma igreja rica em
expressões espirituais, mas carente de boas obras. Jesus fala a respeito deste tipo de
Igreja em Mt 7.15-23 e 25.25-46. A esta “igreja”, cujos olhos estão voltados tão-só para
cima, sem olhar para a realidade à sua volta, o Senhor promete uma recompensa não
muito vantajosa...

O Padrão Bíblico de Justiça Social

Como em todo o curso de ética cristã que temos empreendido, o padrão de justiça
que devemos adotar é um só, o do próprio Deus. Deus criou a terra em perfeita ordem
e em profusão de manifestações de sua extrema bondade para que todo o homem
desfrutasse dela, não apenas homens, mas também mulheres; não apenas brancos,
como também negros; não apenas os mais cultos, como também os mais simples, pois
para Deus não há acepção de pessoas (Dt 10.17) e Ele espera que nós também não o
façamos (Dt 16.19).
O Senhor Deus espera que cada um de nós dê a cada pessoa aquilo que lhe é devido
(1Tm 5.18); o Senhor deseja que amparemos ao pobre e ao necessitado em suas
carências (Dt 15.11) e que não tapemos nossos ouvidos ao seu clamor (Pv 21.13). Em
resumo, que façamos ao nosso próximo aquilo que gostaríamos que este fizesse a nós
mesmos, se estivéssemos em seu lugar (Lc 6.31) e que ajudemos ao necessitado como
se ajudássemos ao próprio Cristo (Mt 25.25-46).

O Papel da Igreja

Tudo o que dissemos no item anterior diz respeito a qualquer ser humano; contudo,
a Igreja, por ser formada pelos eleitos de Deus, regenerados conforme a imagem do
seu Filho, Jesus Cristo, tem um papel ainda mais importante.
Por mais chocante que isto possa parecer a alguns, não fomos chamados por Deus
exclusivamente para sermos salvos, ou para sermos abençoados. Leia Ef 2.10. Para que
Paulo diz que fomos criados? Da mesma maneira, nada fala mais alto aos
ouvidos dos que não conhecem a Deus do que as nossas boas obras (Mt 5.16).
A expectativa de Deus em relação à sua Igreja é ainda maior do que podemos
pensar. Veja Ef 4.28. Não é impressionante a proposta de Paulo para a igreja de Éfeso?
Charles Hodge, sobre esta passagem, diz, acertadamente, que “nenhum homem vive
para si mesmo; e nenhum homem deve trabalhar apenas para si, mas com o objetivo
definido de estar apto a assistir outros. Os princípios cristãos, se corretamente
cumpridos, poderiam rapidamente banir a pobreza e outros males correlacionados de
nossa civilização moderna”.

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Em resumo, como em todos os demais aspectos da vida cristã, a Igreja deve ser sal e
luz; sal, que conserva o mundo da deterioração e lhe dá sabor; luz, que indica o
caminho a seguir, um caminho de paz e justiça social.

O Que Cristo Espera de Nós?

Falar em Igreja pode soar a alguns como um conceito abstrato, ou ainda trazer a
mente apenas a Igreja como instituição.
Esta última compreensão pode levar a um raciocínio egoísta, perigoso e preguiçoso:
“se a minha igreja faz ação social, então eu não preciso me preocupar com isto”; “dou
o meu dízimo; é papel do pastor e do Conselho empregar estes recursos na ação
social”. Ambos os raciocínios estão errados. No dia do juízo, não é a Igreja-instituição
que vai prestar contas do que fez aqui, mas cada crente individualmente (Mt 16.27).
Não haverá desculpas, perante o reto juiz.

Alternativas Práticas Simples

- INFORME-SE: quais os problemas do mundo em que você vive? O primeiro passo


para a transformação da realidade é deixar de lado a nossa alienação. Nisto, Karl Marx
estava completamente certo.
- PROFETIZE: Seja boca de Deus perante o mundo. Nos livros dos profetas do VT há
mais declarações acerca da injustiça do que acerca do futuro. Como eles, não se cale
diante da injustiça. Aquele que se cala é responsável pelo sangue do inocente.
- COLABORE: aqui não falamos apenas de dinheiro. Se você não pode ajudar
financeiramente, seja voluntário em um trabalho social.
- ORE: clame a Deus pelo seu país, pelas suas autoridades, pela injustiça vigente.
- POLITIZE-SE: Envolva-se nos assuntos relativos à sua cidade ou bairro. Escolha
bons governantes. Não vote no primeiro que aparecer, prometendo ajudar a igreja X
ou Y. Um bom cristão buscará o bem de toda a sociedade, não apenas de seu grupo.

“Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça
como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia
aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da
impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?
Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres
desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?” (Is 58:5-7).

27
O Cristão e a Ética Contemporânea

O mundo atual é um mundo marcado pelo relativismo. O certo e o errado nunca


foram tão relativos e banalizados. Na realidade, para a maioria das pessoas, o certo e o
errado são meras abstrações, conceitos puramente subjetivos, em que os padrões
morais, e os valores sociais estão ao sabor de cada um. Vivemos num mundo
altamente individualista. Sem dúvida alguma, a filosofia do humanismo e do
individualismo prevalece no contexto das relações sociais, econômicas, educacionais,
e, até, na religião. Num mundo assim, como o cristão pode ver e viver a ética, fundada
em valores cristãos? Não nos parece algo fácil de demonstrar. Mas, neste ensaio,
desejamos contribuir para a reflexão sobre esse tema, que é ao mesmo tempo
interessante e desafiador.

Conceitos fundamentais

Para escrever sobre ética, necessário se faz que alguns conceitos sejam colocados de
início. O principal deles sem dúvida é o da própria ética em si. Que significa ética? A
resposta, num ambiente relativista, pode ser: “Depende”. “De que ética estamos
falando?” Da ética profissional? Da ética filosófica? Da ética religiosa? Da ética cristã?
Mas, para efeito de raciocínio e compreensão, vamos ficar com os conceitos mais
comuns da ética em geral, em nosso tempo.

Podemos dizer que “A Ética integra os seis sistemas tradicionais da Filosofia, ao lado
da Política, da Lógica, da Gnosiologia, da Estética e da Metafísica.

“Para o cristão, a ética pode ser entendida como um conjunto de regras de conduta,
aceitas pelos cristãos, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Para os que crêem em
Jesus Cristo, como Salvador e Senhor de suas vidas, o certo ou o errado devem ter
como base a Bíblia Sagrada, considerada como "regra de fé e prática", conforme bem a
definiram Lutero e outros reformadores” 1.

Um peixe fora d´água?

Certo comerciante cristão me confidenciou, numa viagem que fazíamos, há alguns


anos. “É quase impossível o crente em Jesus agir como deve, face às exigências do
governo, quanto aos impostos , e à concorrência desleal de muitos empresários”.
Indaguei por que, e ele esclareceu? “Se pagarmos os impostos em dia, conforme

1
Elinaldo Renovato de LIMA, Ética cristã, p. 8.

28
manda a lei, temos menos lucro que os empresários desleais, que não pagam impostos
e, por isso, podem oferecer um preço menor no mercado, atraindo mais fregueses”.

Esse é apenas um exemplo entre muitos de como o cristão sincero encontra


dificuldades para se movimentar num ambiente em que as relações comerciais e
sociais são desenvolvidas em muitas áreas na base da desonestidade. A Bíblia manda
que paguemos impostos ao governo, não adotando a prática da sonegação fiscal. Diz a
palavra: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem
imposto...” (Rm 13.7). Jesus, o mestre divino, ensinou que devemos dar a César (ao
governo), o que é de César (Mt 22.21). Mas aquele servo de Deus estava, na realidade,
sonegando impostos, e procurando justificar sua atitude ante a deslealdade dos
concorrentes.

Um determinado irmão, crente em Jesus, é funcionário de uma companhia estatal.


Como servo de Deus, procura pautar sua conduta pelos princípios da palavra de
Deus, não participando da “roda dos escarnecedores”, nem se detendo no “caminho
dos pecadores”. Assim, por não participar dos ambientes que seus colegas
freqüentam, fora do trabalho, como bares, danceterias, boates, festas mundanas, é
considerado “anti-social”, e, por mais de uma vez, já foi prejudicado, inclusive em
promoções que a empresa proporciona aos servidores. Por quê? Simplesmente, por
não querer ir na “onda” dos incrédulos, que se guiam por princípios humanos
contrários à sua fé.

Tenho recebido indagações de alunos cristãos, que são perseguidos, nas escolas de
primeiro nível, segundo nível, e na universidade, pelo fato de serem constrangidos a
participar de certas atividades escolares. Por exemplo, numa determinada época, nas
escolas estaduais e municipais, os professores procuram envolver os alunos, em
pesquisas, em reuniões e atividades, sobre a chamada festa do “Halloween”. Essa
programação envolve atividades, ditas culturais, folclóricas, e educacionais, que são
verdadeiro atentado à fé cristã. É uma festividade, importada da América do Norte,
que por sua vez, já a importou de países nórdicos, baseada num enredo que envolve
feitiçaria, bruxaria, ocultismo, esoterismo, e muitas outras práticas avessas à palavra
de Deus, todas disfarçadas de folclore e cultura.

E os alunos crentes sentem-se constrangidos em participar de tais eventos, pelos seus


professores, que os ameaçam de obterem notas baixas nos trabalhos escolares, se
deixarem de participar. Para esses “mestres”, festas desse tipo são apenas
manifestações culturais, e nada têm de errado. Temos procurado orientar os jovens e
adolescentes a não se deixarem intimidar com tais ameaças, e levantarem a voz contra
tais atitudes, que nada têm de culturais ou educacionais.

Tenho duas netas, que estudam numa escola de primeiro nível, de grande conceito na
Cidade. Elas procuraram sua mãe, preocupadas, pois uma professora as induziu a
participar de um “bloco de gays”! Para incutir nas crianças a idéia de que se devem
respeitar as “diferenças”, e não ter preconceito, pois, em matéria de orientação sexual,

29
nada é errado. Tudo depende de cada um. Na mesma época, uma professora
incentivou os alunos a formarem um grupo de carnaval, intitulado “Bloco dos cães”.
Graças a Deus, minha filha foi à Escola, e falou com a coordenação, afirmando que
suas filhas não poderiam ser constrangidas a participar daquela atividade, pois iria de
encontro à sua formação cristã. E foi respeitada. Num ambiente social assim, o cristão
verdadeiro parece sentir-se como um peixe fora dágua.

Que tipo de ética contemporânea é essa?


Certamente, não é a ética cristã. “O cristão, como sal da terra e luz do mundo, tem
dificuldade em se movimentar num mundo em que os valores morais estão
invertidos. Entretanto, tem a vantagem de não adotar como referencial ético ou
comportamento da sociedade sem Deus. Enquanto os referenciais do mundo são
movediços, instáveis e mutantes, ao sabor do tempo e do lugar, o guia infalível do
crente em Jesus é a Palavra de Deus, que é lâmpada para os pés e luz para o caminho
(Sl 119.105). Assim, um crente fiel não só deve fazer diferença, mas seu
comportamento deve ser referencial para a sociedade. É grande a responsabilidade,
perante Deus, a igreja e o mundo. Para o crente em Jesus a Palavra de Deus é
lâmpada e luz para o seu viver”.

Quando vemos o Ministério da Saúde informar que, a cada ano, mais de um milhão
de adolescentes ficam grávidas, temos de concluir que algo muito sério está
destruindo o tecido social. Li, recentemente, que número idêntico de meninas
engravida nos Estados Unidos a cada ano. E isso ocorre sem que haja preparo
psicológico e físico, até, para esse estado biológico, que exige maturidade, preparo e
dedicação, para os cuidados maternais, e paternais, indispensáveis à boa formação dos
filhos.

Mas não há nada de especial diante do problema. As razões são bem conhecidas
para esse comportamento liberalista e relativista. A educação sexual, ministrada nas
escolas, financiada pelo dinheiro dos contribuintes da nação, incentiva a prática
precoce do sexo. É uma educação meramente informativa e técnica. Nada tem de
formativa, e é totalmente despojada de valores éticos e morais. Só uma coisa é bem
ensinada: o uso da “camisinha”. Toda a didática é empregada para mostrar às
meninas de doze anos, ou menos, bem como aos pré-adolescentes e adolescente, no
sentido de levá-los a praticar o “sexo seguro”, que nada mais é que uma falácia, que
leva a muitas vidas ainda em formação ao caminho da prostituição.

A moralidade moderna é um pântano lodoso, em que as pessoas, principalmente os


adolescentes e jovens, afundam-se mais e mais. A mídia também dá sua contribuição
negativa para a ética e os bons costumes. Nas novelas, o falso “amor livre” é exaltado.
A fornicação, o adultério, a prostituição, e o homossexualismo são divulgados, nas
programações, ditas culturas, como se fossem algo perfeitamente normal. É comum,
em certos programas televisados incentivarem-se os jovens a levarem seus namorados
ou namoradas para dormir na casa dos pais, sob o argumento (falacioso) de que é

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mais seguro do que em outros lugares. É a segurança para a prática do pecado.
Naturalmente, para essas pessoas, com essa mentalidade, não existe pecado.

A revista Veja, de circulação nacional (15.09.04), p. 73, divulgou artigo sobre uma
pesquisa, realizada nos Estados Unidos, constatando que, em apenas três horas por
dia, em média, os adolescentes são submetidos a uma programação em que 64%
possuem algum tipo de conteúdo sexual; a pesquisa constata que 46% dos estudantes
do ensino médio já praticaram relações sexuais, e 1 milhão de adolescentes ficam
grávidas a cada ano 2. Na mesma matéria, é ressaltado que a pesquisa confirma a
influência da programação erotizada na formação dos jovens e dos adolescentes. Os
dados indicam que os jovens que “assistem com freqüência a programas com
conteúdo erótico são duas vezes mais propensos à precocidade nas relações sexuais
do que aqueles que não vêem esse tio de espetáculo porque os pais não permitem”.

A ética contemporânea tem grande influência do antinomismo. Trata-se de uma


“abordagem ética, segundo a qual, não existem normas objetivas a serem obedecidas.
É a ausência de normas. Tudo depende das pessoas, e das circunstâncias. Jean Paul
Sartre, um dos filósofos, defensores dessa idéia, diz que o homem é plenamente livre.
Num dos seus textos ele escreve: "Eu sou minha liberdade"... "E não sobrou nada no
céu, nenhum certo ou errado, nem alguém para me dar ordens... estou condenado a
não ter outra lei senão a minha..." (Geisler, p. 30,31) 3. Esse tipo de visão encontra
abrigo na mente de muita gente, principalmente entre os mais jovens, que anseiam
por liberdade, sem refletir muito bem sobre as responsabilidades que nossas ações
incorrem. Na rebelião da juventude, na década de 60, os jovens, na França, bradaram:
"é proibido proibir". Na onda do movimento hippie, muitos naufragaram,
consumindo e consumidos pelas drogas, adotando um estilo de vida paradoxal, que
visava, no entender de seus amantes, irem de encontro à sociedade organizada,
passando por cima de suas normas e de seus valores.

Como o cristão pode posicionar-se?

Há não muitos anos atrás, e resposta a essa questão seria mais fácil de ser
formulada. Hoje, porém, o relativismo tem dominado grande parte das denominações
evangélicas. O certo e o errado não são mais vistos como conceitos absolutos. Muita
coisa depende da ótica de cada um. Eu estava assistindo uma palestra de certo
pregador, numa denominação histórica, quando ele discorria sobre o cristão e a
conduta diante dos homens. O mesmo acentuava que havia atitude e comportamentos
que contrarias a palavra de Deus, e que o cristão precisava evitar causar escândalo a
seu irmão. Naquele momento, uma jovem, daquela igreja, levantou-se e falou: “Eu
acho que não deve haver essa preocupação. O que é errado para ele pode não sê-lo
para mim”. “O que é errado para mim pode não ser certo para ele”. Tal afirmação é de
cunho relativista e subjetivista.

2
Revista VEJA, p. 73.
3
Norman GEISLER, Ética cristã, p. 30,31.

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O cristão, na realidade, não pode guiar-se por quase nenhuma das abordagens éticas
contemporâneas. O antinomismo não serve como referencial, pois prega a ausência de
normas. Nela, o homem se faz seu próprio deus. A Bíblia diz : "Há caminho que ao
homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pv. 14.12). "De tudo o que se
tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo
homem" (Ec 12.13; ver Pv 4.11,12; 6.23). Depois, é filosofia relativista. Cada um faz o
que melhor entende. É o que ocorria com o povo de Israel, quando estava sem líder:
"Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos" (Jz
17.6; 21.25). Aliás, em muitas igrejas, já impera o Antinomismo, quando muitos não
obedecem a Bíblia, não há respeito a normas, e cada um faz o que acha melhor.

E o servo de Deus não pode ser uma pessoa que vive sem adotar normas de conduta e
de comportamento. O generalismo também não serve para o crente em Jesus. “Os
generalistas são utilitaristas. Só é certo o que produz melhor resultado (mais felicidade
ou prazer do que dor). Uma norma pode ser boa hoje, e não servir amanhã. Depende
da sociedade. Se, por exemplo, o adultério é errado, num período, em outro, poderá
ser aceito. Dessa forma, pode-se resumir essa abordagem, dizendo que "Há um só fim
absoluto (o máximo bem) e todos os meios (regras, normas, etc.) são relativos àquele
fim..". Se, nesta situação, mentir seria mais útil ou vantajoso para a maioria dos
homens, então se deve mentir"

O situacionismo também não deve ser escolhido como referencial cristão. Em resumo,
nessa visão, o certo e o errado, dependem da situação, em função do amor às pessoas.
Baseiam-se inclusive na Bíblia, que resume toda a lei no amor (Mt 22.34-40; "O amor
não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.10). Mas
o fazem de modo equivocado. Chegam a dizer, por exemplo, que, se uma mentira for
contada em amor, é boa e certa. Isso não condiz com a ética cristã, que defende a
verdade como valor a ser observado. O absolutismo, outra abordagem ética, prega
que existem normas absolutas a serem seguidas, tais como coragem, justiça, verdade,
etc. E que não se deve tergiversar em termos do que é absoluto. Em princípio, o
absolutismo parece estar em consonância com os princípios bíblicos. Mas é preciso
cuidado com os sofismas absolutistas.

Diante da inadequação das abordagens éticas contemporâneas, resta ao cristão


procurar guiar-se pelos princípios bíblicos de ética cristã. Podemos encontrar pelo
menos oito princípios éticos, que orientam o comportamento dos que querem servir a
Deus num mundo relativista. São eles:

1) O princípio da fé.

S. Paulo, o apóstolo dos gentios, dizia: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus.
Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que
tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado
(Rm 14. 22,23). Nesse texto, vê-se a ênfase na fé ou na convicção do crente diante de

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Deus, quanto ao que faz ou deixa de fazer. Ele não precisa recorrer a paradigmas
humanos ou lógicos para posicionar-se quanto a atos ou palavras. Se tem dúvida, não
deve fazer, pois "tudo o que não é de fé é pecado".

2) O princípio da licitude e da conveniência.

Na primeira carta aos coríntios, vemos Paulo ensinar: "Todas as coisas me são ilícitas,
mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei
dominar por nenhuma (1 Co 6.12). Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas
convêm" (1 Co 10.23). Esse critério orienta o cristão a que não faça as coisas apenas por
que são lícitas, mas porque são lícitas e convém, à luz do referencial ético que é a
Palavra de Deus.
3) O princípio da licitude e da edificação.

Diz a Bíblia: "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (1 Co 10.23b).
Com base neste texto, não basta que alguma conduta ou proceder seja lícito, mas é
preciso que contribua para a edificação do cristão. É um princípio irmão gêmeo do
anterior. A ênfase aqui é na edificação espiritual de quem deve posicionar-se ante o
fazer ou não fazer algo.

4) O princípio da glorificação a Deus.

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de
Deus" (1 Co 10.31). Aí, temos um princípio ético abrangente, que inclui não só o comer
ou o beber, mas "qualquer coisa", que demande um posicionamento cristão. No dia-a-
dia, sempre o cristão se depara com situações às vezes triviais, que exigem uma
tomada de posição.... qualquer atitude ou decisão a tomar, em termos morais,
financeiros, negócios, transações, etc., tudo pode passar pelo crivo do princípio da
glorificação a Deus, e o crente fiel, na direção do Espírito Santo, saberá responder sem
maiores dificuldades. A indagação que o cristão deve fazer, com base nesse princípio,
é: "O que desejo fazer ou dizer, contribui para a glorificação a Deus?". Se a resposta for
afirmativa, pelo Espírito Santo, a ação ou atitude pode ser executada. Se for negativa, é melhor
que seja rejeitada. O que contribui para glória de Deus não fere nenhum princípio bíblico.

5) O princípio da ação em nome de Jesus.

"E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por
ele graças a Deus Pai" (Cl 3.17). A condição do crente para realizar ou deixar de realizar
algo decorre da autoridade que lhe foi conferida pelo Nome de Jesus. Assim, quando
o cristão se vê na contingência de tomar uma decisão, de ordem espiritual, ou
humana, pode muito bem concluir pela ação ou não, se puder realizá-la no nome de
Jesus, conforme orienta o apóstolo Paulo aos irmãos colossenses.

6) O princípio do fazer para o Senhor.

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"E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens" (Cl
3.23). Diante de uma atitude, de uma decisão, devemos indagar: "Estamos agradando
a Deus a Deus ou aos homens?" Estamos fazendo, de todo o coração, ao Senhor?"A
resposta deve ser honesta, consultando, não ao coração, mas à Palavra de Deus.
7) O princípio do respeito ao irmão mais fraco

"Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. Porque, se
alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência
do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? e, pela tua ciência, perecerá o
irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua fraca
consciência, pecais contra Cristo. Pelo que, se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais
comerei carne, para que meu irmão não se escandalize". (1 Co 8.9-13). Desse modo, a
questão, segundo o princípio da certeza é: O que pretendo fazer o faço com certeza de
fé? E essa certeza é fundamentada na Palavra de Deus? Tem respaldo na Bíblia? Não
é apenas fruto de minha consciência falha, ou do meu coração enganoso? (ver Jr 17.9).
Se a resposta for positiva, com base na Bíblia, pode ser realizado. Se não, deve ser
evitado.

8) O princípio da prestação de contas.

"Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos
havemos ide comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o
Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que
cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14.10-12). O princípio da prestação de
contas nos lembra que, no trato com as pessoas ou com as coisas, não só devemos
observar a palavra de Deus, mas adverte-nos quanto à inevitável prestação de contas
no futuro, e também aqui, no presente.

No mundo atual, em que os absolutos foram todos desprezados, dando lugar ao


relativismo exacerbado, o cristão só pode transitar, e posicionar-se corretamente, se
souber observar os princípios éticos, emanados da Bíblia Sagrada. Tudo muda no
mundo dos homens. Mas, diante de Deus, sua palavra tem valor absoluto, e pode ser
o guia seguro e forte contra os vendavais do relativismo avassalador, que tem
invadido, até, os arraiais das igrejas evangélicas. Disse Jesus: “O céu e a terra
passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.3); disse o salmista:
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105).

34
Bibliografia

• CHAMPLIN, R. N.; BENTES J. M.; Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia,


Vol. 4. São Paulo: Candeia, 1995.
• DE ANDRADE, Claudionor. Dicionário de Teologia. CPAD, Rio de Janeiro,
1999.
LIMA, Elinaldo Renovato. Ética Cristã. CPAD, Rio de Janeiro, 2002.

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35
Avaliação do módulo Ética Cristã

1. Dê a etimologia da palavra ÉTICA.


2. Defina ÉTICA CRISTÃ.
3. Quais são as duas principais bases da ética do Antigo Testamento?
4. Qual é ou quais são as bases para a ética de Jesus e a ética de Paulo,
respectivamente?
5. Defina o que é ética humanista e apresente pelo menos dois exemplos
dessa ética.
6. Defina o que é ética naturalista e dê alguns nomes que foram
defensores desse tipo de ética.
7. Explique o que é relativismo e como o cristão deveria encará-lo.
8. Qual o padrão bíblico de justiça social e qual o papel da igreja de hoje
diante das injustiças sociais?
9. O Sermão do Monte é um perfeito resumo do ensino moral pregado
por Jesus. O que ele nos ensina sobre o modo cristão de viver?
10. Podemos encontrar pelo menos oito princípios éticos, que orientam o
comportamento dos que querem servir a Deus num mundo relativista.
Apresente e explique esses oito princípios.

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corrigida seguirá com o próximo módulo solicitado

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DICAS DE ESTUDO ON-LINE

1- Procure utilizar em seu computador um protetor de tela para minimizar a


claridade do monitor. Temos que cuidar de nossa visão
2- Se for estudar a noite, duas dicas:

a) Não deixe para estudar muito tarde, pois o sono pode atrapalhá-
lo em sua concentração;
b) Não deixe a luz do ambiente em que estiver, apagada, pois a
claridade da tela do computador torna-se ainda maior,
provocando dor de cabeça e irritabilidade.

3- Pense na possibilidade de imprimir sua apostila, pois pode ser que isso dê a
opção, por exemplo, de carregá-la para onde quiser e de grifar com caneta,
partes que ache importante.

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