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ÍNDICE

Capa de Rom Freire – LOONAR / Logos e letras de Lancelott Martins


Cores da Capa: Alexandre Cozza Ferreira
Índice e Tiras de “Coelho Nero”, de Omar Viñole 2
Editorial – André Carim e Omar Viñole, “Coelho Nero” 3
Entrevista com Ricardo Quartim 4
HQ: “PODER MAIOR”, com LOONAR, de Rom Freire 22
Coluna “MULTIVERSO HERÓICO, de Elinaudo Barbosa 30
HQ: “BRASILIANA – ORIGEM – Parte 1”, de Elinaudo Barbosa 32
HQ: “REDENÇÃO – TOMO 1”, Valmar Oliveira e Marcelo Lima 47
HQ: “ICFIRE - COMPLEXIDADE”, de Chagas Lima 59
Contracapa: ADRIANA, A AGENTE LARANJA, CHENG, CATACLISMA e
MARCELINE, personagens de André Carim, ilustração de MAY SANTOS.

Todos os trabalhos aqui reproduzidos são de propriedade de seu autor ou


representante legal. Podem ser compartilhados desde que sem fins lucrativos e
dentro desta edição, mas não podem ser comercializados sem autorização.
Direitos Autorais são protegidos pela lei nº 9.610/98.
O Super-Herói da Notícia e Loonar...

André Carim

Aproximando a edição de aniversário de 2 anos do Múltiplo, vem


chegando mais uma edição recheada de quadrinhos. São várias HQs, ilustrações
de primeira qualidade e uma super entrevista com Ricardo Quartim.
Ricardo nos conta um pouco de sua trajetória, fala sobre o livro “OS
SENHORES DE UR”, que está em pré-venda e deverá chegar em breve aos leitores
e também de sua participação no projeto FORÇA EXTREMA com o QUARTZO
DOURADO, personagem que vem evoluindo ao longo do tempo como o seu
idealizador.
Um Múltiplo sem HQs nacionais não existe, e para brindar você que nos
acompanha desde o início, trazemos uma aventura da LOONAR, de Rom Freire,
com a capa da edição sendo uma chamada mais do que especial para a HQ.
O Rom, aliás, já demonstrou todo o seu talento neste universo de
quadrinhos independentes e com certeza outras HQs da Loonar virão.
Além da entrevista com o Ricardo, temos também a 4ª parte da coluna do
Elinaudo Barbosa com os 5 C’ considerados mais importantes para os quadrinhos
de Super-heróis no Brasil. Elinaudo fala com maestria sobre as produções de
quadrinhos de heróis e sobre o mercado para esses e outros quadrinhos nacionais.
A edição está aí, amigos, curtam, comentem, divulguem, afinal, juntos
somos mais fortes, e o sucesso de um pode ser o sucesso de todos... até a próxima!!!

MÚLTIPLO – FANZINE DE HQs


Fanzine Múltiplo e Adriana
Editor: André Carim de Oliveira Dee, a Agente Laranja,
Periodicidade: Mensal – Nº 23 – setembro de 2018 registrados na Biblioteca
Fanzine online que pode ser baixado em:
http://multiplozine.blogspot.com.br/ e Nacional sob o número 83.569
https://www.facebook.com/groups/4102013193628 em 19 de julho de 1993 – Autor
51/
e criador: André Carim de
Ou solicitado pelo e-mail:andrecarim@outlook.com
Oliveira.
Entrevista com RICARDO QUARTIM

Onde você nasceu, onde reside, o que faz?


Nasci em São Paulo, aos sete anos mudei-me para Santos, onde morei um ano e depois
me mudei para Ribeirão Preto aonde vivo até hoje. Mas mesmo morando em Ribeirão,
passei parte de minha infância e adolescência em São Paulo porque, pelo menos uns
três ou quatro meses por ano, eu passava lá, até meus 18 anos. Sou advogado,
jornalista, escritor, fui modelo de comerciais para a TV e fotos por mais de 10 anos, e,
também, monitor técnico de musculação esportiva pela Federação Brasileira de
Culturismo, tendo trabalhado um tempo como personal trainer e dado aulas em
academias. Trabalhei cinco anos com suplementação esportiva, fiz teatro, desenho por

DROPS Ricardo Quartim: Ricardo Quartim cercado de vários personagens em ilustração de


Luciano Felix

hobby, e, também, já fiz escola de arte. Sou casado e defensor de um estilo de vida
saudável aliado à busca pela cultura e mente positiva.
Sou autor de “Os Senhores de Ur: O início”, pela editora Red Dragon, um dos mais
antigos colaboradores da revista “Mundo dos Super-Heróis”, desde o ano de 2008, na
edição # 10, e do site Laboratório Espacial, redator da página “O Frango” e do “Jornal
Empoderado”, no Facebook. Produzo o videolog DROPS Ricardo Quartim no Youtube,
ex-editor do extinto blog “Chamando Superamigos”, e, também, personagem de
HQ, o super-herói Quartzo Dourado (Super-Herói da Notícia).
Participo ativamente como convidado de vários eventos, como a JuntaGeek e
InterComic, na cidade de Ribeirão Preto, fazendo parte do Beco dos Artistas de ambos.
Participei de inúmeros debates na Livraria Cultura de Ribeirão Preto, através do
Nerdebate, do qual fazia parte na época. Fui palestrante na Universidade Barão de
Mauá na “Primeira Semana do design – Barão De Mauá 2013” com o tema “Quadrinhos
e Arte”. Fui um dos indicados ao 33º prêmio Angelo Agostini, na categoria
“Contribuição ao Quadrinhos Nacional”. Fui convidado pelo diretor de filmes,
comerciais e clipes, Adilson Borges, para participar do clipe da banda “O Velho
Profeta”, pois o diretor queria celebridades do meio nerd vestidas de super-heróis.

Como surgiu a ideia do Super-herói da notícia?


Quem teve a ideia de me tornar um personagem foi o Odilon José Choba, um fã que
mora no Japão e tem uma editora independente lá. O nome Ricardo Quartim, o Super-
Herói da Notícia foi dado antes pelo meu parceiro, J. J. Marreiro, quando eu
apresentava o DROPS Ricardo Quartim, ou melhor ainda, apresento, apenas dei uma
pausa por causa da falta de tempo devido a divulgação do meu livro “Os Senhores de
Ur: O Início”. O Marreiro é um renomado quadrinhista e cartunista de Fortaleza, e
quem faz as artes do canal, além de outros projetos junto comigo. Eu sempre quis
passar a imagem de que era o próprio super-herói que apresentava o programa. Por
isso adotei meu próprio estilo no vídeo com camiseta justa, cavada e minha aparência
atlética. Não queria ser mais um desses nerds magrelos e de óculos, ou gordões que
nada tem de impactante na aparência e usam camisetas largas com motivos de super-
heróis ou quadrinhos. Queria algo novo. E as pessoas começaram a perceber isso
dizendo que eu era o próprio super-herói apresentando o DROPS. Então o Marreiro
me deu esse apelido, e pegou. (risos)

RICARDO QUARTIM, O QUARTZO DOURADO POR DILAN FOX


Sua rotina é bem corrida, nos conte mais sobre o seu dia?
Bom, minha rotina ultimamente ficou um pouco diferente nos últimos meses, depois
que meu livro entrou na pré-venda, e tenho ficado mais por conta disso com
divulgação, entrevistas, resoluções junto ao editor sobre o livro (diagramação, revisão
etc.), correria com os artistas que ainda não tinham entregado a arte, respondendo fãs
que se manifestam com dúvidas ou elogios sobre o livro só parando para dormir, tomar
banho, comer e ir à academia. E no último mês também teve o InterComic que
participei aqui em Ribeirão e me tomou boa parte do tempo, com acertos de minha
participação no evento e ajuda em divulgação. Mas ano passado eu também advogava
em período integral em um escritório de duas amigas, também advogadas. Nessa
época, era tudo mais complicado, pois eu tinha que ficar on line mesmo no escritório,
e quando saía alguma notícia sobre quadrinhos, filmes, séries e coisas do meio
nerd/geek eu repostava. Não era simples, porque eu tinha que pesquisar sobre o
assunto e criar meu próprio texto para não postar uma matéria copiada. Volta e meia
tinha que conversar com meu editor da Mundo dos Super-Heróis sobre pautas e até
participar de reuniões da equipe. Quando chegava em casa por volta das 18:30, ia
trabalhando até a hora de ir para a academia, mais ou menos umas 20:30, e quando
retornava ficava até às 02:00 da madrugada trabalhando. É nesses horários e nos finais
de semana que eu gravava o
DROPS, editava, fazia
pesquisas, etc. E ainda redigia
minhas pautas da Mundo, que
sempre são complexas e
dependem de pesquisa.
Algumas eu tenho de
entrevistar algum artista, então
fica ainda mais complicado.
Antes dos quadrinhistas
entregarem as artes do meu
livro, também estava
constantemente em contato
com eles, resolvendo como iria
ser a arte, etc. Fora os blogs e
sites para os quais escrevo, que
eu tinha não apenas que fazer a
matéria como diagramar
também. Mas ultimamente tenho escrito menos para esse blogs e sites e postado
diretamente nas redes sociais, que a visualização é maior, e, também, em algumas
páginas do Facebook. Outra coisa que também toma tempo é que muitos
quadrinhistas, escritores e outros profissionais da área cultural me procuram pedindo
para divulgar seus trabalhos, eventos, campanhas, dentre outras coisas, e sempre
procuro atender a todo mundo. Além desses artistas que me contatam, também
surgem muitas pessoas pedindo ajuda para colocação no mercado de trabalho,
indicações, e por aí vai, mas nesse caso, nem todos estão preparados para o mercado
profissional, e aí o que faço é direcionar esses indivíduos para cursos, incentivar
dizendo que eles têm talento, mas que
ainda precisam evoluir. Tenho de tomar
muito cuidado para não os desanimar, caso
seu trabalho ainda seja muito amador.
Além de dar atenção para fãs que querem
apenas conversar e nem sempre consigo
dar conta de tudo, pois sou sozinho e não
tenho um empresário que me ajude (risos).

Você trabalha para uma editora? Como é o


seu trabalho?
Na realidade, agora trabalho para duas
editoras (risos)! A Editora Europa, que
edita a revista “Mundo dos Super-Heróis”,
que fica na cidade de São Paulo, e a “Red
Dragon Publisher”, em Fortaleza, que vai
publicar meu livro em setembro deste ano.
Na “Mundo dos Super-Heróis” escrevo
sobre quadrinhos e cultura nerd, com
matérias, notas, notícias, etc., dependendo
do que o Manoel de Souza, que é o editor,
RASCUNHOS DA HQ DE QUARTZO DOURADO
me pedir. Aí tem a questão de prazo, pois
POR DILAN FOX
a revista tem data para ir para a gráfica e
ninguém pode atrasar a entrega das matérias. Mesmo uma nota curta dá trabalho,
porque as informações têm de ser perfeitamente apuradas e não pode haver nenhum
erro sequer, já que temos responsabilidade como jornalistas. Na dúvida, corta a
informação ou nem publica a nota. E, também, é importante ter um conteúdo original
que ainda não foi publicado ou divulgado por ninguém. Se formos escrever sobre um
projeto no Catarse por exemplo, não posso colocar só as informações que já estão
disponíveis lá e todo mundo já leu. Tenho que conversar com o autor e obter novas
informações que ainda não saíram em lugar nenhum, pois senão a revista não teria
razão de ser em publicar algo que já saiu na mídia. Além da revista “Mundo dos Super-
Heróis”, também ajudo na apuração das pesquisas da “Enciclopédia do Super-Herói”,
uma versão encadernada de luxo, que também é da equipe da Mundo, editada pelo
Manoel. Isso dá um trabalho dos infernos! (risos). Já na “Red Dragon”, eu tenho o
compromisso de ajudar nas divulgações dos projetos, bem como recebo pelo que
escrevo, no caso o livro e os que virão depois dele e que fazem parte da saga. Mas em
nenhum caso sou contratado pelas editoras. Sou jornalista e autor independente e
recebo pelo que faço.

Escreve artigos sobre qual tema?


Na realidade, quase não escrevo artigo nenhum, são poucos os que escrevi. Escrevo
matérias, notas e notícias sobre quadrinhos e cultura nerd/geek. Só me lembro de um
artigo que escrevi que foi homenageando meu pai. O resto são matérias mesmo, onde
diferente de um artigo, não se coloca a opinião pessoal, pois são notícias ou
informações que devem ser imparciais. Colocar minha opinião em uma matéria, é
antiprofissional. O jornalista quando escrever uma matéria deve se ater a levar a
informação ao público leitor da forma mais concisa possível e a conclusão se é bom,
ruim, bem ou mal feito, fica por conta de quem lê. Diferente do artigo que eu escrevo
sobre alguma coisa dando minhas impressões sobre aquilo.

Sei que é convidado para eventos, sobre quais temas e o que o motiva?
Logicamente que é sobre os temas do meu trabalho. E o que me motiva a participar é
o que motiva qualquer um que participa de
um evento, divulgar meu trabalho.

Você é o autor do livro “Os Senhores de


Ur”, não é mesmo? Sobre o que é o livro?
“Os Senhores de Ur: O início” é um
romance de aventura, sci fi e ação em ritmo
eletrizante! O primeiro livro de uma saga
que se inicia no interior do Brasil, vai até os
confins do Universo e volta 14 mil anos no
tempo! Um homem misterioso deixa uma
mulher grávida em um hospital. A jovem
morre após dar à luz. Um monstro
alienígena surge e tenta matar o bebê.
Uma das enfermeiras salva o pequeno
Urano. Já adulto, ao deparar-se com o
monstro que retorna para tentar mata-lo
novamente, Urano descobre parte de sua
origem e que os sonhos que tem desde
criança faziam parte de um treinamento.
Com a ajuda de seu mentor, o velho Ral Q,
CAPA DO LIVRO OS SENHORES DE UR: O Urano, descobre ser o salvador profetizado
INÍCIO, ESCRITO POR RICARDO QUARTIM 14 mil anos atrás pelo profeta Hiram e deve
retornar a Ur com a missão de libertar o
planeta de Khaos. Mas Urano não se lembra de nada e não sabe quem é amigo ou
inimigo. Durante essa jornada veremos o amadurecimento do herói, a busca pessoal
por sua identidade, por seu amor e sua felicidade, e de como essa busca pode interferir
no destino de toda uma civilização. Uma das frases de divulgação do livro é: “Como
sobreviver e salvar um mundo onde você é o herói, mas não se lembra de nada? ”

Como surgiu a ideia da aventura do livro?


Quando tinha uns vinte e poucos anos e imaginei uma situação fantástica acontecendo
com um homem, mas que se eu disser qual é dou spoiler! (risos). Nessa época, até criei
uma trama com viagens de volta no tempo, etc., mas o final era triste, deprimente, mais
para filmes de terror do que de aventura. Os anos passaram, então, no ano de 1999,
resolvi colocar aquela ideia em prática, mas com uma história completamente
diferente. Antes eu tinha imaginado um conto fantástico com um final chocante!
Quando comecei a escrever, transformei em romance e mudei toda a trama e
personagens em uma narrativa que nada mais tinha a ver com a anterior, exceto o fato
que me deu a ideia inicial, que se eu contar estraga uma das maiores e mais
impactantes revelações do livro! Mas como na época eu ainda não trabalhava como
jornalista e nem era conhecido, parei de escrever e só voltei mais de 10 anos depois,
quando já era da “Mundo dos Super-Heróis” e percebi que estava ficando famoso.
Então, vi que era a oportunidade de me tornar ainda mais conhecido. Então, durante
10 anos, investi em minha imagem e em captar fãs, para finalmente encontrar um
editor que publicasse minha obra (o que é um feito, já que até mesmo escritores
consagrados têm de pagar para publicar e eu não gastei nenhum tostão, já que a Red
Dragon fez tudo para mim) e ter pessoas o suficiente para querer comprar meu livro.
(risos). E realmente deu certo, pois com apenas seis dias de pré-venda o livro já era
sucesso de vendas, segundo meu editor Alex Magnos da Red Dragon Publisher.

Como concebeu cada personagem?


Bom, os personagens principais, Urano, Gaia e o ditador Khaos vem da mitologia grega
e tem uma razão de ser terem esses nomes, por causa da relação entre eles, mas caso
eu conte, estraga toda a surpresa do final do livro. Quanto às suas personalidades,
procurei aplicar o que sei de psicologia para que suas ações e comportamentos fossem
o mais verossímeis possível. Tanto que Khaos,
apesar de ser um ditador e o grande vilão da
história, não é retratado como inteiramente
mal, com um objetivo sanguinário. Ele
acredita que o que faz é para o bem do povo,
mesmo que para isso seja necessário
escraviza-lo. Já Urano, apesar de ter um
comportamento destemido desde criança,
em certos momentos sente medo e dúvidas
quanto a sua missão. Somente ao longo da
jornada ele vai amadurecendo e se tornando
um guerreiro totalmente confiante no que
faz. Então eu mostro sua jornada de
crescimento. Com Gaia eu quis criar uma
mulher mais que empoderada! Ela não é
empoderada porque não precisou se
empoderar, ela já nasceu com poder e é
assim naturalmente, sem precisar se impor
com muito custo! Ela é tão poderosa que
nunca precisou lutar para demonstrar isso!
Ela é a maior guerreira de Ur, perita tanto em Urano enfrentando a Serpente de Fogo:
manejo das armas brancas, como nas de fogo,
Ilustração de Benito Gallego para Os
além de também ser imbatível no corpo a
corpo. E seu poder vem de todas as partes! Senhores de Ur
Não apenas da força física e habilidades em
combate, mas da mente, inteligência e coragem! Ainda, é uma exímia estrategista,
depois do pai, ela é o cérebro de Ur. Como se não bastasse ela tem um poder de
manipular as ondas do cérebro do oponente e faze-lo atingir um orgasmo, podendo
leva-lo até a morte, de acordo com a intensidade. Nenhum homem ou mulher é páreo
para a princesa em todo o planeta, exceto Urano, o único capaz de vence-la.
Respeitada e admirada por toda a população do planeta, pelo posicionamento que
tem diante da vida, a princesa é o tipo de
mulher que não se restringe aos padrões
que uma sociedade impõe. Faz o que
bem entende sem ter de dar satisfação a
ninguém, abrindo seus próprios
caminhos. Ela tem o poder de
transformar o mundo!
Gaia é a mulher que surge nos sonhos de
Urano, sem saber que ela realmente
existia em outro planeta. Ela e Urano
viveram um grande amor no passado,
mas por circunstâncias que ele
desconhece, quando a reencontra, sua
amada parece ser uma grande inimiga.
Para criar a trama eu estudei “A Jornada
do Herói”, de Joseph Campbell, que foi
uma das bases para a criação da história,
mesma fonte em que bebeu George
Lucas para escrever Star Wars. E,
também, pesquisei mitos e fábulas de
diversas regiões do mundo e a forma
como eles influenciam as pessoas e seus
Urano encontra Gaia: Ilustração de Gabriel
subconscientes. Com base nisso criei os
personagens e procurei. Eu ainda
Andrade Junior para OS Senhores de Ur.
pesquisei a história da humanidade, as
formas que os governantes de todas as épocas utilizavam como estratégia para
governar e ludibriar o povo. Estratégias de guerra, utilização da fé do povo na religião
para dominação etc. Já sobre as inúmeras citações no livro sobre ufologia, civilizações
intraterrenas, a teoria da Terra Oca, seres elementais, stargates, seres mitológicos,
etc., são através de muita pesquisa, com base em fatos que, apesar de contestáveis,
muitos consideram verídicos. No entanto, na parte da história que se passa no planeta
Ur, onde nada mais é pesquisado e sim criado por mim. Para criar o mundo físico de
Ur, o fiz com base no Planeta Mongo, de Flash Gordon, que possui o mundo das
florestas, do gelo, do mar e do ar. Coisa similar que George Lucas também fez com Star
Wars. Então você verá Urano nas profundezas do oceano, em florestas densas, cheias
de pântanos, em desertos, em lugares com gelo por todos os lados e na fortaleza
voadora. Apesar da história ser em um planeta com tecnologia avançada, eu queria
também narrar aventuras do estilo Espada e Magia, como as de Conan, já que Robert
E. Howard, pai do personagem e do estilo citado, foi uma das minhas inspirações, e eu
gosto muito do gênero. Mas ficaria incoerente os personagens utilizarem espadas e
lutarem de maneira primitiva, com aqueles trajes bárbaros em um lugar tão avançado,
em um cenário futurista. Então criei uma zona no planeta onde não é permitido o uso
da tecnologia! O motivo é explicado no livro e se você quiser saber o porquê terá de
lê-lo! (risos). Sendo assim, Ur se divide entre o mundo avançado e o primitivo, onde,
na fronteira entre um mundo e outro, há um posto de trocas de trajes e armas. Mas os
camponeses em sua maioria nunca saem das florestas, porque alienados que são, não
tem noção da realidade atrasada em que vivem. Somente guerreiros, bárbaros e
mercenários costumam atravessar de um mundo para o outro. Já o visual de Ur, me
baseei nas ilustrações clássicas de livros de Sci Fi, bem como nas pinturas de Frazetta,
e outros grandes mestres que faziam essas artes. Tanto que quando pedi ao Caio Cacau
que fizesse a capa do livro, já o instruí que remetesse as dos livros de Sci Fi dos anos 40
e 50, mas com uma roupagem nova, mais moderna. Já que quando criei o mundo de
Ur, o concebi com base nessas ilustrações clássicas que retratam mundos alienígenas
com cenários exóticos e coloridos.
Quis dar a impressão de algo onírico, com um estilo vintage, e ao mesmo tempo
futurista e arrojado! John Carter, de Marte, foi uma das minhas inspirações também,
além do já citado Flash Gordon e as pinturas de Joe Jusko, para os mundos perdidos de
Edgard Rice Burroughs. Tanto o Caio quanto o, outros ilustradores do livro, como Paulo
Tomson e Rom Freire, leram a descrição que fiz no livro do Planeta Ur e seguiram à
risca tudo, nos mínimos detalhes, e eu supervisionei cada passo, não só da ilustração,
como das cores e tons da pintura, para que
fosse exatamente como concebi em minha
mente! Os animais e criaturas que habitam Ur
eu criei de minha mente, alguns baseados em
seres mitológicos e outros a junção de vários
animais em um só.

Como está sendo a aceitação dele e o que


espera dessa publicação?
Está sendo excelente, pois tudo o que é
divulgado do livro (trama, artes, trailer,
ilustração interativa em 360º, quadrinhistas
que participam do livro, prefácio do Marco
Moretti e indicação do mestre R. F. Lucchetti)
faz com que ele seja muito atrativo e
empolgante para o público. Como eu já havia
mencionado acima, meu editor, Alex
Magnos, me procurou no sexto dia da pré-
venda me dizendo que o livro já era sucesso
de vendas com apenas seis dias de pré-venda!
E emendou “Os Senhores de Ur já é marca de
URANO CRIANÇA, BRINCANDO NO QUARTO.
sucesso! ”. Além do mais, Os Senhores de Ur
AO FUNDO PÔSTER DE URANO ADULTO:
tem saído nos principais sites e blogs
especializados do Brasil e até em alguns que ARTE DE DÉBORA CARITÁ PARA OS
eu nunca tinha ouvido falar. Tanto que o Alex SENHORES DE UR
me abriu as portas da editora dizendo “Tudo o
que você escrever eu publico!”. Ou seja, se
fosse um mal negócio ele não diria isso (risos).
E eu espero que continue assim, sendo sucesso
cada vez maior pelos próximos 10, 20, 50, 100
anos! (risos).

Tem mais algum livro escrito? Qual tema


gosta mais de abordar?
Ainda não comecei a escrever o próximo, pois
como eu disse lá no início, Os Senhores de Ur
será o primeiro de uma saga, por isso o
subtítulo “O Início”. Mas pretendo começar
em breve. No final do primeiro volume, já há
o anúncio para o segundo. Já tenho a trama
básica dos dois próximos livros em minha
cabeça. Eu gosto de abordar esse tema
mesmo, de Sci Fi, aventura, ação, tudo
misturado com romance e uma pitada de
sobrenatural. O gênero Espada & Magia é um
dos que mais me atrai, por isso mesclei esse
URANO ENFRENTA UM PIRATA DO gênero com o de Sci Fi. E é claro, tem uma
DESERTO: ILUSTRAÇÃO DE RODRIGO boa dose de drama também no livro. Utilizei
MAZER PARA OS SENHORES DE UR um recurso narrativo, inclusive, que após os
primeiros capítulos, a história começa a transcorrer sem que nada de fantástico ou de
fantasia ocorra. Você começa a viver uma trama normal, que conta o drama dos pais
adotivos de Urano, na Terra, que sofrem durante o período da ditadura militar. Há
também uma parte que se passa no Colégio Auxiliadora, com as irmãs que ajudaram a
criar Urano. Faço isso propositalmente, para que o leitor entre na história como se ela
fosse real, com pessoas reais e dramas que qualquer um pode viver. Para quando entrar
o fantástico de novo, ele seja muito mais impactante e aí o leitor sente-se como se o
fantástico entrasse de verdade no mundo real. Se uma história começa fantasiosa
desde o início, o leitor nunca vai entrar naquele mundo, pois vai sempre ter impressão
de estar lendo uma ficção e não vivenciando uma realidade.

Quais artistas poderia destacar nesta obra?


Seria até injusto não citar todos, então aí vai: Caio Cacau, Rodrigo Mazer, Carlos Reno,
J. J. Marreiro, Gabriel Andrade Jr, Gabriel Rocha, Benito Gallego, Rudimar Patrocínio,
Osvaldo Ruiz, Débora Caritá, Rom Freire, Paulo Tomson, Gean Bandeira, Belardino
Brabo e o colorista Alanzim Emanuel. No entanto, vale a pena citar que o Caio Cacau,
responsável pela capa do meu livro, é um dos grandes capistas do Brasil, e é ele
também quem faz as capas dos livros de Star Trek, nos Estados Unidos, e bem como
cards para Marvel. O Gabriel Andrade Jr. produziu com Alan Moore a série CROSSED
+ ONE HUNDRED (Crossed +100), o espanhol Benito Gallego Sanchez atualmente
desenha as tiras de Tarzan, com roteiros de Roy Thomas, e a Débora Caritá ilustrou
nesse último semestre uma edição em quadrinhos de Star Trek, para uma editora
americana, além de já ter feito a Mulher-Aranha, para a Marvel, e foi responsável pelo
gibi da Dejah Thoris para a Dynamite. Todos fizeram cada um, artes exclusivas para
meu livro! Mas vários outros já trabalharam para os grandes estúdios e editoras
americanas.

Pensa em transformar a aventura em


HQ?
Já existe um projeto de transpor “Os
Senhores de Ur” para uma graphic
novel, toda pintada no estilo europeu
pelo artista Paulo Tomson. Mas não
para adaptar a história do romance e
sim uma trama totalmente nova que se
passa durante os acontecimentos do
livro. A decisão foi por dois motivos.
Primeiro, porque para adaptar a
história original não seria possível
fazer-se em 60 ou 70 páginas, um
tamanho padrão de uma graphic novel
da Red Dragon. Até mesmo as
Graphics Marvel/DC possuem esse
número de páginas em média.
Segundo e talvez mais importante,
adaptar a trama do livro seria estragar
todas as surpresas e impactos da
história. A narrativa em forma de HQ
não é tão rica e detalhada quanto a
URANO, BRIGA NA TAVERNA NA ZONA PRIMITIVA DE literária, e além de não causar o
UR: AUTOR: GEAN BANDEIRA – ARTISTA EXCLUSIVO impacto do livro, iria tirar o prazer da
DA RED DRAGON leitura do mesmo. Como não quis
estragar as surpresas de Os Senhores
de Ur: O Início, criei uma história que se passa durante os eventos do romance. Quando
escrevi o livro, já deixei propositalmente brechas para que isso fosse feito e a graphic
novel será uma extensão do livro e vice e versa, mas você pode ler ambos separados e
entender tudo caso queira. No entanto, ler os dois é uma experiência muito mais rica.
A isso se dá o nome de Transmídia. E esse sempre foi o objetivo de Os Senhores de Ur
desde que o criei, a expansão do universo do livro para outras mídias que se
complementam. Para isso também há planos futuros de se criar games, RPG’s, Jogos de
Tabuleiros, animações, merchandising, como bonecos, camisetas, canecas, etc. Mas o
objetivo principal é, após a franquia já tiver vários livros, alcançar-se Hollywood em
uma série de filmes. Ademais, a Red Dragon tem uma parceria de
importação/exportação com uma editora italiana, a Weird Comic/Book, ou seja, tudo
o que eles publicam lá, nós publicamos aqui, e tudo o que nós lançamos eles publicam
lá. Sendo assim, também há planos de se publicar Os Senhores de Ur na Itália. A Red
Dragon também está em negociações com outra editora italiana, no entanto, bem
mais conhecida e consagrada, com uma editora espanhola e com uma americana.
Então, também há a possibilidade de publicar Os Senhores de Ur nesses países
também. Fora uma versão em e-book em inglês para o Amazon, que também está
sendo planejada. Mas tudo isso ao longo do
tempo, com muita calma. (risos).

Voltando ao Quartim, o Super-herói da


Notícia, qual é o objetivo do personagem?
Como eu havia dito, ele foi criado por um fã
com o intuito de me homenagear. Além do
fato de que é bacana virar um super-herói, ele
serve também para divulgar minha imagem
com os fãs e consequentemente meu trabalho
como jornalista especializado, bem como
meu trabalho como escritor.

Pensa em publicar uma HQ com a sua


origem?
Eu pretendia fazer isso, no entanto, o projeto
não deu certo porque o Odilon, que criou o
personagem, acabou tendo problemas
pessoais. No momento estou investindo
QUARTIM, O QUARTZO DOURADO POR apenas em Os Senhores de Ur, e em tudo
LANCELOTT MARTINS relativo a essa franquia, o que já me toma
todo o tempo. No entanto, se algum
quadrinhista se propuser a criar essa origem, eu ficaria contente e agradeceria! (risos).

Como participante do projeto “Força Extrema”, o que espera ver nessa aventura?
Espero que o Quartzo Dourado seja o fodão dos fodões, apareça em todas as páginas
da trama e seja o cara que vai resolver tudo no final e todos digam: “Puuuxxa! Esse
Quartzo Dourado é o cara mais fodão dessa Força Extrema!” (risos).
Agora falando sério, espero que seja uma saga instigante que desperte a atenção das
pessoas e tenham muitas surpresas, reviravoltas e fatos impactantes! Além de
conseguir dar destaque a todos os personagens fazendo-os serem conhecidos por um
número maior de pessoas! Enfim, uma história bacana e que atraia a atenção do grande
público, que só conhece super-heróis americanos, e prove que no Brasil é possível criar
HQs de super-heróis de qualidade!

Por que mudar o nome do herói de Ricardo Quartim, o Super-Herói da notícia para
“Quartzo Dourado”?
Bom, Quartzo Dourado. Quartzo vem de um apelido carinhoso que alguns me chamam
por ser Quartim, e, também, o nome da pedra preciosa. Dourado para todos saberem
que a capa é dourada e não amarela. (risos). Mas o fato da mudança é porque havia um
grande problema no nome e visual antigo do personagem, ou melhor, vários
problemas. O primeiro são os direitos
autorais, que mesmo mudando o
símbolo (RQ ao invés de S), o resto do
visual era o próprio Superman em
pessoa, até meu rosto, já que me pareço
com ele. (risos). Outro problema é a falta
de originalidade, e eu não teria uma
identidade própria, sempre sendo
apenas uma cópia do Homem de Aço.
Sem falar que Super-Herói da Notícia
não é nome de personagem,
convenhamos... (risos). Então sugeri
mudar de uniforme e fazer um bem
distinto tanto no design quanto nas
cores, e, também, a mudança de nome.

Como você vê o mercado de HQs no


Brasil?
Vejo um mercado que está se dividindo
cada vez mais com o aumento de
encadernados e edições de luxo, onde
somente as pessoas de maior poder
aquisitivo podem comprar, e o das
revistas mensais com acesso para a
O Super-Herói da Notícia já como Quartzo Dourado maioria da população. Quanto as HQs
enfrenta o Número 7, em Força Extrema – Arte de nacionais, também estão surgindo mais
Belardino Brabo e cores de Alanzim Emmanuel possibilidades de se publicar os
quadrinhos no Brasil, principalmente
com as plataformas de financiamento coletivo como o Catarse, Kickante, dentre
outras, que possibilita o surgimento de quadrinhos autorais. Antigamente, isso não era
possível. Então o número de produções nacionais está aumentando dia a dia, com
novos autores surgindo a cada instante. No entanto, isso ainda não é um negócio
lucrativo, já que o autor nacional não consegue sobreviver exclusivamente disso, com
algumas exceções. Apenas possibilita a publicação de seu material sem que ele tenha
de investir sua grana nisso ou aguardar uma editora que se interesse, o que é mais raro
ainda. As redes sociais e blogs também são uma vitrine para o quadrinho nacional, pois
muitos autores começam a publicar por esse meio e assim ganham visualizações, até
editoras que se interessam pelo seu trabalho.

O que nos falta para sermos uma potência em HQs?


Creio que tempo, dedicação e paciência! Pois isso, assim como todo o trabalho e tudo
o que visa o sucesso, se constrói ao longo dos anos com esforço e persistência. Pois
profissionais talentosos e de primeira linha nós já temos. Contudo, ainda creio que não
será o mercado de super-heróis que irá ser o que fará sucesso no Brasil. Assim como a
Europa tem seu gênero que não é de supers, tendo maior qualidade até que os comics.
O Japão tem os mangás com suas temáticas próprias, o Brasil precisa encontrar o seu
gênero e estilo próprio. Não é copiando a fórmula dos americanos que faremos
sucesso e cresceremos no mercado.

Me fale um pouco sobre a Mundo dos Super-Heróis.


Eu comecei a escrever para a revista Mundo dos Super-Heróis no ano de 2008, na
edição # 10, meio que por acaso, quando eu sugeri ao Manoel de Souza, o editor, fazer
uma entrevista com o brasileiro Rodolfo Damaggio, quadrinhista da DC Comics e
profissional de Hollywood, que havia também trabalhado em filmes de super-heróis
com story board, design e desenhos de produção. Fiz essa sugestão porque o
Damaggio é meu amigo de infância e crescemos juntos aqui em Ribeirão Preto (moro
aqui apesar de ter nascido em São Paulo), sendo como irmãos. E como ele estava vindo
ao Brasil passar o final de ano com a família (ele mora faz mais de 20 anos nos Estados
Unidos), tive a ideia dessa entrevista. Foi aí que o Manu me disse: “Porque você mesmo
não faz a entrevista com ele? Aí passa também a ser um colaborador da revista”. E foi
assim que tudo começou! (risos).
Desde então tenho escrito os mais
diversos tipos de matérias para a
Mundo. Sobre Conan, Tarzan,
Tintim, Universo Bonelli, etc. Além
de notas curtas, notícias, dentre
outras coisas. Minha matéria sobre
o Tintim, inclusive, foi a mais
completa que já saiu em uma mídia
escrita, falando tudo sobre o
personagem, como animações,
filmes live action, comerciais de
TV, o filme do Spilberg que estava
estreando naquele ano, além é
claro, de todos os álbuns dele. E a
matéria sobre a Bonelli, que fiz
com meu amigo Alexandre Callari
(do Pipoca & Nanquim), foi
considerada por um site europeu, a
mais completa matéria sobre a
editora italiana em língua
portuguesa. A Mundo dos Super- Ricardo Quartim, o Super-Herói da notícia, pin up de DIlan
Heróis é a única no Brasil Fox
especializada em quadrinhos e
cultura nerd/geek. Ganhadora por dois anos consecutivos do Troféu HQ MIX (a maior
premiação do gênero no país) como maior publicação sobre quadrinhos, vencendo,
inclusive, a internacional Wizard, que estava no Brasil. E em 2012, ganhou pela terceira
vez, como a maior mídia sobre quadrinhos. Além de ser referência no gênero, tem
fama internacional.
Existe algum projeto engavetado esperando para ser editado?
Por enquanto não. Se houvesse bastava enviar a Red Dragon que seria publicado, pois
o Alex Magnos, meu editor, me disse que qualquer coisa que eu escrever ele publica.
Ou seja, a Red Dragon abriu as postas para mim, mais um fato raro nos dias de hoje,
onde é tão difícil um autor conseguir publicar sua obra.

Como você se define?


Alguém que não é perfeito, mas que
procura sempre evoluir, profissionalmente,
intelectualmente, fisicamente e
espiritualmente! Que gosta de ajudar o
próximo. Que sempre procura passar
alegria às pessoas, entusiasmo, coragem,
fé, força e determinação. Dar um exemplo
de vida saudável, mentalmente e
fisicamente. Muitas vezes erra, mas sempre
que isso acontecer, admitir o erro e
procurar corrigi-lo. E através de meu
trabalho, fazer as pessoas mais felizes,
oferecendo uma válvula de escape para o
dia a dia, onde a pessoa possa se divertir e
recarregar suas baterias, reunindo mais
forças para enfrentar seus problemas.
Como uma terapia! E que essa terapia não
apenas divirta, mas inspire as pessoas a
serem melhores como seres humanos e
mais fortes como pessoas. Se eu conseguir
despertar o super-herói dentro de cada
Urano e Gaia voltam 14 mil anos no tempo: pessoa, já me dou por feliz!
Ilustração de Rom Freire com cores de Emanuel
Alanzim para "Os Senhores de UR" Oportunidades não devem ser
desprezadas, alguma que tenha escapado ou alguma que esteja para acontecer?
Não me recordo de ter perdido nenhuma grande oportunidade! Teria que pensar e
tentar me lembrar. Talvez as únicas oportunidades que perdi foram as de beijar
algumas garotas lindas por pura timidez ou excesso de respeito, o que foi algo idiota
de minha parte! (risos). Mas agora que já sou casado, isso também não importa. (risos).
Mas falando sério, se perdi alguma, não era para ser. Tudo tem seu momento certo e
às vezes algumas oportunidades “perdidas” não seriam bem aproveitadas pois não
estávamos preparados na época.

Quem e o que o inspira no seu trabalho?


Em primeiro lugar, meu pai, que sempre me incentivou a escrever e a estudar. E assim
como eu, além de advogado, foi escritor e jornalista. Homem de uma cultura
extraordinária, pois falava várias línguas, era crítico de pintura e música erudita,
membro da Academia Ribeirãopretana de Letras, diretor artístico da Orquestra
Sinfônica, além de uma série de outras coisas. E como se não bastasse, um pai muito
carinhoso, que ao lado de minha mãe, me deu todo o amor e base moral que hoje
possuo. Meu pai foi meu primeiro super-herói! Depois, os profissionais que me
inspiram são: o mestre Rubens Francisco Lucchetti, Stan Lee, Maurício de Sousa,
Silvester Stallone e Arnold Schwarzenegger! Todos exemplos de luta e vitória e que,
mesmo em idade avançada, continuam na ativa, lúcidos, cheios de projetos e cheios
de vida! E para finalizar, também admiro e me inspiro no meu amigo, muito querido,
Sidney Gusman, o Sidão! Um cara incrível que admiro como profissional de visão e
empreendedor, alguém a frente de seu tempo, e, também, como ser humano
fantástico que ele é, um exemplo para qualquer homem de bem. Por essas mesmas
qualidades, também me identifico e me inspiro no Felipe Folgosi, outro amigo que
muito estimo e tomo como exemplo de profissional e pessoa! E mais recentemente no
meu editor, hoje amigo e irmão Alex Magnos, também pelo seu caráter, sua cultura e
seu empreendedorismo!

Quais os artistas que marcaram a


sua trajetória?
Vou citar aqueles que me
influenciaram como escritor, pois
nos quadrinhos são muitos e nem
me lembrarei de todos de cor. Em
primeiríssimo lugar, Robert E.
Howard, um dos meus escritores
preferidos e uma das minhas
maiores inspirações, pela sua prosa
incrível e vocabulário riquíssimo! A
forma como ele constrói frases e
cria situações também é magnífica!
Depois vem Edgard Rice Burroughs,
o mestre Rubens Francisco
Lucchetti, Marco Moretti e Bram
Stoker. Incluo também nesse meio
Alex Raymond e Lee Falk, que
apesar de serem quadrinhistas, a
mitologia que criaram com seus
personagens Flash Gordon e
Fantasma, respectivamente, é tão
espetacular quanto os mundos
fantásticos de Burroughs!

Urano encontra o Elemental da Tempestade: Quem é “Ricardo Quartim”, o


Ilustração de Belardino Brabo para Os Senhores dehomem e o super-herói?
Ur Os dois se confundem e fazem parte
de um só. Todos podemos ter um
pouco de super-herói dentro de nós! Pois o que faz um super-herói não são os poderes,
mas sim os mais nobres valores de um ser humano. Eles defendem e representam a
justiça, o altruísmo, o amor ao próximo, a liberdade, a ética, a bondade, a
determinação, a força de vontade, a coragem, a fé, a abnegação, a fidelidade, a
esperança, a caridade, a humildade, a gratidão, a tolerância e a resiliência. São
características que valorizo, quero ter, procuro passar para todas as pessoas, e,
também, através de meus personagens. Creio que não dá para separar uma parte de
outra, senão eu deixo de existir como sou. Ademais, é inegável que se todos seguissem
os exemplos dos super-heróis o mundo seria um lugar muito melhor.

Considerações finais.
Bom, como já falei bastante sobre meu
trabalho (risos), vou deixar um recado que
sempre deixo nos finais das minhas
entrevistas. Se você tem um objetivo, lute
por ele. Você não é um fracassado por não
estar conseguindo. Se você persistir, você
conseguirá, não importa o tempo que
levar. Mas se você desistir, então não
conseguirá nunca! Aí sim você será um
fracassado! Lembre-se sempre disso! E não
basta apenas lutar e se esforçar, sua mente
tem de ser positiva e acreditar! Então aí vão
algumas dicas através de frases eu que
mesmo criei e postava nas redes sociais
para incentivar a galera:
“As pessoas que dizem que você não
consegue são medíocres e invejosas. Não
dê ouvido aos fracassados!”
“Não se preocupe com o que os outros têm.
URANO E GAIA ENFRENTAM UM TIGRE MARINHO EM
UM LAGO: ILUSTRAÇÃO PARA OS SENHORES DE URDE
Concentre-se no que você quer conseguir!”
PAULO TOMSON, MESMO ARTISTA QUE FARÁ A “Pare de dizer que está velho! O
GRAPHIC NOVEL DO LIVRO. conformismo é para os fracassados. Você é
o que acredita ser.”
“Nós somos fruto da constante evolução, física, mental e espiritual. Você nunca é velho
demais para mudar nem bom o bastante para acomodar.”
“Aprenda a agradecer, apreciar a natureza e ver o lado positivo da vida. A mente
positiva atrai o positivo!”
“NÃO ACREDITE NO IMPOSSÍVEL, ACREDITE EM VOCÊ!”
“E NUNCA! JAMAIS, se esqueçam... COMPREM OS SENHORES DE UR! (Risos).”
Urano e seu parceiro Goltan enfrentam monstros em uma caverna:
Ilustração de Carlos Reno para Os Senhores de UR

Meus agradecimentos especiais ao Ricardo pela grande entrevista que nos


proporcionou, além, claro, de votos de muito sucesso nos projetos,
principalmente no do livro “Os Senhores de UR”, que está em pré-venda
no link: https://www.reddragonpublisher.com/os-senhores-de-ur