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ABIM 005 JV Ano XII - Nº 101 - Set/18

Independência?
Editorial
Dia 7 de setembro, feriado da Proclamação Um povo que exerce um pseudo-patriotismo, que
da Independência do Brasil. Há 196 anos proclamava- se resume em torcer pela seleção brasileira, a cada Copa
se nossa independência da Coroa Portuguesa! do Mundo de futebol, não é digna de reclamar de seus
Comemorações, desfiles, atos cívicos, explodem por todo políticos. Um povo que, pelo menos, no Dia em que se
o país, à guisa de se manter acesa a chama da liberdade! comemora a Proclamação da Independência do seu país,
De fato, libertamo-nos dos colonizadores lusitanos, para, não dedica um minuto para uma breve reflexão sobre
a partir de então, sermos colonizados por nós próprios. Os os destinos da nação, não pode se sentir livre. Tal povo,
usurpadores da “Terra Brasilis” não mais cruzam oceanos, precisa antes de tudo se libertar de si próprio.
eles brotam como erva daninha no solo da Pátria-Mãe,
O Brasil somos todos nós e se não formos
sedentos por sugar, à exaustão, suas riquezas, através
parte da solução, sempre, seremos parte do problema.
das tetas do poder, perpetuando-se nele.
Precisamos de ação. Precisamos entender que a
Esquecemos de nos despir das velhas roupas de reconstrução do país passa, necessariamente, pela
um povo colonizado e, ainda, nem se quer conseguimos reformatação de como pensamos o Brasil. A matéria
nos revestir do imprescindível manto da consciência do Irmão Franklin dos Santos Moura, intitulada
de cidadão, observando direitos e deveres de um povo “Independência - Independentes, Porém Acorrentados”,
livre, merecedor de contemplar com imponência o Sol da apresenta seguinte citação: “O Brasil que eu quero”.
Liberdade. Mas, e o Brasil que eu faço? A distância entre um e outro
parece simbólica, mas ao trocar o querer por fazer, surge a
Ser livre, ser independente e ter consciência de
possibilidade de se dirigir ao próximo. Surge a chance de
suas obrigações como cidadão e saber exigir direitos
construir algo que não se limite ao proveito de um só.
em benefício de seu país, da coletividade. Os políticos,
“representantes do povo”, são os reflexos da consciência A população brasileira está gravemente doente!
de seus eleitores. Mais do que mudar políticos, o que se Nunca se registrou tantos suicídios como nos dias atuais,
faz necessário é mudar a maneira irresponsável de como ao ponto de se criar, neste ano de 2018, o “Setembro
escolhê-los. Ninguém chega ao poder sem o voto do Amarelo”, uma importante Campanha de Prevenção ao
eleitor! Suicídio. Sem esperanças, nossos jovens e adolescentes
são as maiores vítimas, abrindo mão do seu bem maior,
Mais um pleito eleitoral se aproxima, mais uma
a própria vida. Um povo sem esperanças se lança ao
oportunidade de se reverter a caótica situação política
desespero, estando fadado a autodestruição!
e econômica que se arrasta há décadas, apresenta-
se. Quando o brasileiro, de fato, proclamará sua Comemoremos sim, o ocorrido no dia 07 de
independência? setembro de 1822, mas quanto a estar independente...
deixo para a reflexão de nossos leitores!

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“Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro
fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”

A História Secreta
da Independência
Carlos Cardoso Aveline

E
sta proclamação – feita por Dom Pedro, às monarquias de Portugal e Espanha estavam decadentes
margens do Ipiranga, às 16h30, de 7 de setembro desde o século XVII.
de 1822, em meio às espadas erguidas dos
No século XVIII, a Espanha foi buscar apoio na
militares que o acompanhavam – parece lembrar
França, enquanto Portugal se amparava na Inglaterra. A
claramente um juramento maçônico. Na verdade, o que
disputa entre Portugal e Espanha – grandes potências
comemoramos a cada 7 de setembro não é exatamente
coloniais com economias pré-industriais e atrasadas –
a independência do País, mas o compromisso solene do
era, na verdade, um reflexo da briga entre Inglaterra e
príncipe Pedro com nosso povo. A independência política
França, as grandes potências mundiais da época.
– destituída da ideia de completa separação de Portugal
– havia sido anunciada, oficialmente, um mês antes, em A maçonaria, com sua diversidade natural,
agosto. também, expressava essas contradições políticas,
econômicas e estratégicas. Na Inglaterra, os maçons
A independência brasileira foi resultado direto
defendiam a monarquia constitucional e serviam como
da ação do movimento maçônico. As organizações
uma ponta de lança da influência britânica sobre o
autônomas baseadas na tradição da maçonaria são
mundo. Essa ideia de monarquia acabou dominando
fraternidades secretas ou semissecretas, que realizam
os primeiros tempos da independência brasileira. Mas
reuniões ritualísticas. Elas buscam o aperfeiçoamento
na França, como nos Estados Unidos (que fizeram sua
do ser humano através da vivência da fraternidade
independência a partir de 1776), os maçons defendiam
universal, da liberdade de consciência e da ruptura dos
o regime republicano, e divulgaram essa ideia por todo
dogmas religiosos. Mas, como todo movimento baseado
o mundo desde a revolução começada em 1789, com
na liberdade de pensamento, as organizações maçônicas
a tomada da Bastilha. O ideário republicano dessas
divergiam, bastante, umas das outras e deixavam à
correntes maçônicas teve consequências decisivas para
mostra as incoerências humanas, vaidades pessoais
os países da América espanhola.
e lutas de poder dos seus integrantes, entre os quais
estavam alguns dos principais líderes das campanhas Um dos motivos pelos quais a ação dos maçons
pela independência dos países latino-americanos e dos da Inglaterra era mais moderada no começo do século
Estados Unidos, e dirigentes de revoluções liberais da XIX, surgia do fato de que lá não havia sido necessária,
Europa desde o século XVIII. no século XVIII, a violência da Revolução Francesa.
Desde os tempos de Francis Bacon, a influência rosacruz
Para que se compreenda o processo da
e maçônica era bem maior e mais forte na Inglaterra,
independência política do Brasil, é preciso ter claro –
tornando a aceitação das ideias liberais algo natural. Já
como destaca o historiador Caio Prado Júnior – que as
na França, as elites se haviam negado a aceitar qualquer

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Na verdade, a Inconfidência Mineira não estava
ligada diretamente à maçonaria, embora tenha sido
inspirada pelo ideal maçônico. A primeira associação
maçônica no Brasil – que, ainda, não era uma loja
regular – foi fundada em Pernambuco pelo botânico
Manoel de Arruda Câmara, em 1796, e ficou conhecida
como o “Aerópago de Itambé”.

Foi devido à influência do Aerópago que eclodiu,


em 1817, a Revolução Pernambucana, liderada por
diversos maçons e cujo ideal era, também, republicano. O
modernização, apesar dos esforços de grandes maçons, movimento depôs o governador e proclamou a República,
e de sábios notáveis como Alessandro Cagliostro e o em 6 de março de 1817, resistindo pouco menos de três
conde de Saint-Germain na segunda metade do século meses até ser derrotado pelas tropas imperiais. Seus
XVIII. A influência dogmática do Vaticano, muito forte na principais líderes foram enforcados, com a exceção de
França, era pequena na Inglaterra. A irresponsabilidade Frei Caneca, também maçom, que sobreviveu e iria mais
cega das elites levou ao banho de sangue da Revolução tarde liderar com bravura a Confederação do Equador,
Francesa. em 1824.

A revolução de 1817 inicia a contagem regressiva


Essa diferença entre as maçonarias francesa
para a independência política. Em 30 de março de 1818,
e inglesa explica, em grande parte, as lutas entre
o rei português Dom João VI – que viera para o Brasil
José Bonifácio, maçom moderado e monarquista
em 1808, com sua corte de dez mil pessoas, fugindo das
constitucional, e a maior parte do movimento maçônico
tropas de Napoleão – assinava documento proibindo o
brasileiro, que era mais radical, principalmente no plano
funcionamento de sociedades secretas: “Eu El-Rei faço
verbal, e tinha forte tendência republicana.
saber (...) que se tendo verificado pelos acontecimentos
Até alguns anos atrás, Bonifácio era considerado que são bem notórios o excesso de abuso a que têm
traidor da causa da independência brasileira em meios chegado as sociedades secretas (...) sou servido declarar
maçônicos. A partir dos anos 1980, historiadores como por criminosas e proibidas todas e quaisquer sociedades
José Castellani passam a fazer justiça ao “Patriarca da secretas de qualquer denominação que sejam...”
Independência”. Por outro lado, a história oficial tem Mas o avanço das ideias liberais, estimulado no
ignorado o papel fundamental do líder maçônico Joaquim mundo inteiro pelas maçonarias inglesa e francesa, já era
Gonçalves Ledo em nossa independência – porque Ledo, inevitável. Os velhos regimes coloniais e as monarquias
republicano e mais exaltado, era adversário de Bonifácio. absolutistas estavam com os dias contados. Em Portugal,
Hoje, as informações disponíveis já permitem uma a revolução liberal de 1820 alterou radicalmente a
posição equilibrada, capaz de reconhecer tanto o valor de situação e as Cortes (parlamento) portuguesas passaram
Gonçalves Ledo como o de José Bonifácio. a pressionar Dom João VI. Quando finalmente o rei
deixou o Brasil e voltou para Lisboa, em abril de 1821, as
Não há dúvida de que os maçons republicanos
Cortes pretendiam fazer a sociedade brasileira voltar à
foram influentes desde o começo do Brasil. Na
Inconfidência Mineira, de inspiração claramente
maçônica, Tiradentes e seus companheiros sonhavam
com a República. A bandeira do movimento era um
triângulo, símbolo maçônico, com a inscrição “Liberdade
Ainda que Tardia”. Os iniciadores do movimento haviam
sido admitidos pela maçonaria francesa e estavam
entusiasmados pela independência dos Estados Unidos.
O movimento foi descoberto e seus integrantes passaram
a ser presos a partir de maio de 1789. Antes de morrer
na forca e ter seu corpo esquartejado em 21 de abril de
1792, Tiradentes declarou: “Se eu tivesse dez vidas, eu
daria todas elas para que os meus companheiros não
sofressem nada.”

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despotismo que o altera como à anarquia que o dissolve.
Assim Deus me ajude.”

As palavras do grito do Ipiranga, em 7 de


setembro, seriam, mais tarde, praticamente uma
renovação desse compromisso por parte do futuro
imperador. Gonçalves Ledo e os principais líderes do
movimento emancipador eram membros do “Apostolado”.

A data da iniciação de Dom Pedro na maçonaria


não parece estar bem estabelecida. Alguns autores
falam de maio de 1822. Outros indicam o dia 13 de julho.
Segundo aquele que é talvez o principal pesquisador
maçônico da independência, José Castellani, Dom Pedro
foi iniciado na maçonaria apenas no dia 2 de agosto.
De qualquer modo, em 17 de julho Ledo organizou as
lojas maçônicas no Grande Oriente do Brasil e ofereceu
o cargo de grão-mestre a José Bonifácio, ficando com a
posição imediatamente inferior, de primeiro vigilante. Dois
dias depois, uma carta de Dom Pedro a seu pai deixava
claro que a ruptura entre Brasil e Lisboa já era total: “O
Brasil, senhor, ama a vossa majestade, reconhecendo-o
e sempre reconheceu como seu rei; (mas quanto às
situação de simples colônia, depois de haver sido sede do Cortes)... hoje não só as abomina e detesta, mas não
Império, e isso acelerou a ruptura. lhes obedece, nem lhes obedecerá mais, nem eu
O príncipe regente Dom Pedro fora aconselhado consentiria em tal...”
por seu pai a chefiar a independência caso esta fosse Em obediência à estratégia traçada por José
inevitável. Em 9 de janeiro de 1822, ele cedeu a um Bonifácio, principal conselheiro do príncipe, em 1º
movimento organizado por José Joaquim da Rocha de agosto, Dom Pedro assinou um “Manifesto aos
e outros maçons e desobedeceu aos decretos 124 e Brasileiros”, redigido por Gonçalves Ledo, e um
125 das Cortes portuguesas, que alteravam a estrutura decreto tomando providências para a defesa militar e
administrativa do Brasil e mandavam que o príncipe a vigilância dos portos brasileiros. Como proclamação
regente voltasse imediatamente a Portugal. da independência, o “Manifesto” é muito mais claro e
“Diga ao povo que fico”, anunciou Dom Pedro, poderoso que o Grito do Ipiranga, de 7 de setembro,
firmando uma aliança com os maçons. e tem valor legal e oficial, que o evento do riacho não
possui. O nome do autor do Manifesto está claramente
Em 13 de maio, a loja maçônica “Comércio e estabelecido. O Barão do Rio Branco escreveu: “Foi Ledo
Artes” deu a Dom Pedro o título de “Defensor Perpétuo do quem inspirou todas as grandes manifestações daqueles
Brasil”. Crescia a influência de Joaquim Gonçalves Ledo. dois anos da nossa capital, quem instigou o governo
Poucos dias depois, José Bonifácio assumiu o cargo de a convocar uma constituinte e quem redigiu alguns
ministro do Interior e do Exterior. dos principais documentos políticos, como o manifesto
de 1º de agosto de 1822, dirigido por Dom Pedro aos
Em 2 de junho de 1822, meses depois do Dia
brasileiros.”
do Fico, Bonifácio criou o Apostolado, organização
semelhante à maçonaria, e nomeou Dom Pedro como No “Manifesto de Sua Alteza Real aos Povos
seu chefe, com o título de “arconte-rei”. Meses antes deste Reino”, o príncipe regente proclama: “Está acabado
do dia sete de setembro, um dos lemas do “Apostolado o tempo de enganar os homens. Os governos que ainda
da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz” era, querem fundar o seu poder sobre a pretendida ignorância
significativamente, “Independência ou Morte”. Como dos povos, ou sobre antigos erros e abusos, têm de
parte do juramento prestado ao ingressar na ordem, cada ver o colosso da sua grandeza tombar da frágil base
novo membro do apostolado dizia: “Juro promover, com sobre que se erguera outrora... eu agora já vejo reunido
todas as minhas forças e a custo da minha vida e riqueza todo o Brasil em torno de mim, pedindo-me a defesa
materiais, a integridade, a independência e a felicidade do dos seus direitos e a manutenção da sua Liberdade e
Brasil, como império constitucional, opondo-me tanto ao Independência.”

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^
Caio R. Reis

A
maior parte do povo brasileiro imagina que com a criação de uma Constituinte, limitando os amplos
a proclamação da independência do Brasil poderes do Imperador.
resumiu-se, somente, no Grito do Ipiranga e que,
Foi dentro desse quadro que, efetivamente, deu-se
pacificamente, todos aceitaram que os laços entre Portugal
a Independência, tendo sido D. Pedro I, inteligentemente,
e Brasil estavam, definitivamente, rompidos. A história não
usado pela Maçonaria para satisfazer os seus propósitos.
foi bem assim, e a Proclamação da Independência, por D.
Seria inadmissível para alguém, que conheça um mínimo
Pedro I, foi, apenas, o início de um banho de sangue entre
da história do Brasil, julgar que o Imperador reunia
brasileiros separatistas, portugueses e brasileiros fiéis à
qualidades para ser Maçom.
Coroa de Portugal. As lutas eclodiram, desde logo, em
grande parte do território brasileiro, pois, principalmente, o A sua vida devassa, como relatam os
Norte e Nordeste mantiveram-se fiéis a Portugal. historiadores, alguns admitindo que ele teve mais de
cem filhos, entre os do casamento e outros havidos com
A Maçonaria da época encontrava-se,
escravas, prostitutas e algumas oportunistas, que queriam
extremamente, dividida. As Lojas do Rio de Janeiro e
graças do Imperador. Dessa forma, os Maçons não teriam
de São Paulo eram subordinadas ao Grande Oriente da
como admiti-lo na Ordem pelos seus méritos e pela sua
Inglaterra; as Lojas do Norte e do Nordeste, ao Grande
conduta. Fizeram-no, e, rapidamente, o Ir∴ Guatimozim,
Oriente de Portugal. Note-se que não existia, ainda, o
nome maçônico por ele adotado, foi guindado a assumir
Grande Oriente do Brasil. Isso, por si só, já era motivo
alto posto, unicamente, com o intuito de usá-lo como peça
suficiente para que duas vertentes distintas se formassem
importante na Proclamação da Independência. José
dentro da Ordem: uma defendendo a separação e outra não.
Bonifácio e Gonçalves Ledo se desentenderam, tendo
Além disso, no Rio de Janeiro, houve uma José Bonifácio deixado a Loja para criar uma vertente
divergência enorme de objetivos entre os dois grandes dissidente, o Apostolado, mas venceram as ideias de
líderes da época, José Bonifácio e Gonçalves Ledo: Gonçalves Ledo.
Aquele defendia a Independência, com a continuação
Os Maçons da época eram constituídos, na sua
dos plenos poderes do Imperador; Este, defendia a
grande maioria, por aristocratas, senhores de engenho e
independência, mas de forma liberal e republicana, isto é,
fazendeiros, que dependiam, totalmente, da mão-de-obra

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escrava. Por isso, eram todos escravagistas abominando Cockrane, mercenário escocês, que, ávido por dinheiro,
a ideia de libertação ou a proibição do tráfico de negros participou de várias batalhas sangrentas para consolidá-la.
vindos da África. Não fosse a ajuda milagrosa desses mercenários, talvez, o
Brasil tivesse perdido grande parte do seu território.
Houve uma pressão enorme desses Maçons
junto ao Imperador, propondo um pacto de apoio à A Maçonaria contribuiu, sem dúvida, para a
causa separatista, desde que o Imperador mantivesse Independência do Brasil. Com enorme esforço, conseguiu
os escravos e a escravidão sem alterar nada. Tal pacto que vingassem as ideias do seu grande líder Gonçalves
vingou e perdurou por mais de sessenta anos após a Ledo, na nossa modesta interpretação, o grande
Independência do Brasil. É lamentável, durante todo esse responsável pelas mudanças. O esforço de Gonçalves
tempo, nada ter sido feitopara acabar com tal aberração. Ledo e de seus seguidores permitiu que fosse feita a
O Brasil não podia preterir a mão-de-obra escrava e, para primeira Constituição Brasileira.
tanto, estava disposto a fazer qualquer acerto que fosse
Em síntese, para que alguns mitos, que correm
necessário.
na Ordem, não sejam eternos e possam ser contraditos
Existiram, naturalmente, dentro da Ordem, alguns e desfeitos, resumimos o que segue: a Proclamação da
poucos Maçons que defendiam a abolição da escravatura, Independência do Brasil teve, sim, a valiosa colaboração
a maioria, figuras afro-brasileiras: o engenheiro André da Maçonaria, mas não foi esta sozinha a responsável por
Rebouças, o advogado Luiz Gama e o jornalista José tudo, como muitas vezes se apregoa.
do Patrocínio. Mais tarde, outro grande defensor da
A Abolição da Escravatura no Brasil, que
abolição foi Rui Barbosa, que desejava que ninguém
se deveria ter dado, concomitantemente, com a
pudesse ingressar na Maçonaria se tivesse escravos ou os
Independência, não aconteceu, e a participação maçônica,
traficasse.
na época, foi nula. Pelo contrário, lutou-se para a
Conforme falamos de início, após a Proclamação perpetuação daquele estado de coisas como mencionamos
da Independência, D. Pedro enfrentou uma série enorme anteriormente. Mais de sessenta anos depois e apoiada,
de revoltas, principalmente, no Norte e Nordeste do país. apenas, por um pequeno grupo de Maçons, acontecia a
Como não havia meios de sufocar tais rebeliões, o jeito libertação dos escravos, mais pressionada pela opinião
foi a contratação de mercenários para detê-las. Uma das pública mundial do que pela Maçonaria Brasileira.
figuras mais marcantes da Independência foi o Almirante

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Os Bastidores da
Independência

Marco Morel & Françoise Jean

O
s 94 homens que se reuniram no dia 24 de paradigma da modernidade política, mas, ao mesmo
junho de 1822, num sítio no porto do Méier, na tempo, repudiada em seus “excessos” pelos liberais do
Praia Grande (atual Niterói-RJ), e fundaram o nascente século XIX.
Grande Oriente Brasílico, atual GOB, sonhavam alto,
O GOB adotou o Rito Francês Moderno, criado
mas tinham os pés no chão. O dia inteiro de exaustivos
em 1783 e composto por sete graus: 1. Aprendiz; 2.
trabalhos foi encerrado com um lauto banquete, e a
Companheiro; 3. Mestre (Lojas Azuis);- 4. Mestre Eleito
comida, que sobrou, foi distribuída aos pobres das
(Primeira Ordem de Rosa-Cruz); 5. Mestre Escocês
redondezas, reforçando, assim, a filantropia tão presente
(Segunda Ordem de Rosa-Cruz); 6. Cavalheiro Rosa-Cruz
nas preocupações maçônicas. Congregados naquele
(Terceira Ordem de Rosa-Cruz); 7. Soberano Príncipe
momento, não poderiam imaginar que, meses depois,
Rosa-Cruz (Quarta Ordem de Rosa-Cruz).
teriam seus destinos individuais tão separados, nem
tinham certeza dos rumos políticos que ajudavam a O maçom que presidiu a instalação dos trabalhos
transformar. do GOB, foi o capitão engenheiro João Mendes Viana,
na condição de Venerável da Loja Comércio e Artes.
A formação, que originou o GOB, veio da Loja
Qual o destino de Mendes Viana? Eleito Segundo
Comércio e Artes, a mesma que surgira em 1815,
Grande Vigilante do GOB, foi enviado a Pernambuco
dissolvera-se com a repressão de 1818 e reaparecera
como emissário na missão estratégica para articular a
sob as bênçãos do Grande Oriente Luso-Brasileiro e sob
Independência.
os novos ares do liberalismo em 1821. Agora, em 1822,
a Comércio e Artes crescera demais, e nela não cabiam Acabou aproximando-se dos chamados
tantos integrantes que pretendiam entrar. Os maçons liberais exaltados, que assumiram o poder provincial
então, resolveram, numa solução salomônica, subdividir e proclamariam a Confederação do Equador contra o
a Loja em três, mantendo a Comércio e Artes e criando centralismo imperial. Detido por ordem de D. Pedro I,
mais duas: União e Tranquilidade e a Esperança de Mendes Viana passaria sete anos do Primeiro Reinado
Niterói. A distribuição dos integrantes em cada uma foi feita como preso político nos cárceres do Rio de Janeiro, ao
por sorteio, tradicionalmente, visto como uma instância lado de Cipriano Barata. Ao ser solto, em 1830, Mendes
igualitária, ou seja, que evitava favoritismo e deixava, nas Viana estava com a saúde irremediavelmente debilitada
mãos da Providência Divina, o destino dos envolvidos. pelas precárias condições em que foi forçado a viver e
Além disso, os iniciados deveriam portar uma roseta ou faleceu logo depois. Mais uma trajetória de vida destruída
laço em forma de flor no braço esquerdo: branco para devido ao engajamento maçônico. Mas, naquele momento
a primeira Loja, azul para a segunda e vermelho para a de otimismo e entusiasmo da fundação do GOB e
terceira. Todos juntos criavam, assim, o azul, vermelho preparação da Independência, tal previsão trágica parecia
e branco, caracterizadores da Revolução Francesa, impensável.

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Estavam presentes, entre os 94 fundadores,
uma verdadeira galeria de Pais da Pátria: alguns antigos
maçons, como José Bonifácio, o Coronel Luiz Pereira da
Nóbrega e o Padre Belchior de Oliveira, além de Domingos
Alves Branco Muniz Barreto, Frei Francisco Sampaio,
Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Clemente
Pereira e Joaquim Gonçalves Ledo. Outros, apesar
de terem os nomes registrados, tornaram-se ilustres
desconhecidos e se apagaram, ainda, na poeira do próprio
tempo em que viviam. O Tenente-Coronel e Cirurgião
Manuel Joaquim de Menezes, um destes fundadores,
lançou, três décadas depois, um pequeno livro, que, até brasileira, monarquia constitucional e governada pelo
hoje, é uma das principais fontes de informação sobre Príncipe da Dinastia de Bragança. Note-se que, desse
tais episódios, embora, também, envolvido nos jogos modo, os maçons contribuíram mais efetivamente para
de ocultações e revelações tão próprios da Ordem dos a criação de laços de tipo nacional e de um modelo de
Pedreiros-Livres. Um dos mais destacados e convictos Estado centralizado, mas poucos colaboraram para a
do grupo, o Major Albino dos Santos Pereira, teria um fim consolidação da própria Maçonaria como Instituição de
trágico, como se verá a seguir. nível nacional, naquele momento.

O sítio em Niterói fora decorado à maneira de É precipitado apontar esse GOB como embrião
um templo maçônico, sem faltar a Sala dos Passos de um partido político, pois suas características se
Perdidos. A comissão de organização era composta diferenciavam bastante da máquina partidária típica do
pelos Irmãos Manoel dos Santos Portugal, João da Silva século XX. Entretanto, não se deve desprezar a Maçonaria
Lomba e Antônio José de Souza, que se encarregaram como uma forma de agrupamento e organização.
do banquete maçônico e das demais providências, como Quando se falava, já naquela época, de “partidos”,
levar apetrechos e a decoração do local com os símbolos era mais do que tomar um partido ou formar facções
adequados. descartáveis: havia modos de agrupamento em torno de
Nas primeiras reuniões do GOB, a clandestinidade um líder, através de palavras de ordem e da imprensa, em
(ou segredo, como, então, se dizia) era fundamental determinados espaços associativos e a partir de interesses
não só por uma questão de fidelidade ritualística, mas, ou motivações específicas, além de se delimitarem
também, pela própria segurança de seus membros, por por lealdades ou afinidades (intelectuais, econômicas,
estarem tramando a Independência do Brasil. Entretanto, culturais, etc.) entre seus participantes. Tais agrupamentos
logo se percebeu que tudo, discutido no recinto, acabava eram identificados por rótulos, símbolos ou nomeações,
vazando para Portugal e para os comandantes das tropas pejorativos ou não. A Maçonaria era uma dentre as várias
portuguesas sediadas no Brasil. Daí resultou, no encontro formas existentes de sociabilidade.
de 2 de agosto de 1822, a exclusão de seis irmãos do Pode-se perceber que o nó da questão, em que
círculo maçônico, após investigações internas que levaram se envolveu a Maçonaria em 1822, foram as presenças
aos nomes dos que foram considerados delatores. de José Bonifácio e D. Pedro I em seus quadros como
Uma das tarefas marcantes do GOB foi enviar dirigentes máximos (Grão-Mestres). Daí resultou, num
emissários às mais importantes províncias brasileiras, primeiro momento, a força e a vitória da entidade, com a
para articularem, politicamente, a Independência na Independência proclamada, como seus membros queriam.
forma como estava sendo concebida: unidade territorial Daí resultou, logo depois, a destruição dos trabalhos
maçônicos e até da vida pública de vários irmãos.
Se, do ponto de vista externo, o GOB serviu, no
tempo e na hora certa, como espaço aglutinador, tal papel
foi efêmero. As dissensões internas e as intervenções
externas acabaram destruindo, naquele momento,
esse núcleo de associação. A recriação do GOB e das
Potências posteriores já pertenciam a outro contexto, com
outros objetivos e horizontes.
(Compilado do Livro O PODER DA MAÇONARIA – A HISTÓRIA DE UMA
SOCIEDADE SECRETA NO BRASIL – De Marco Morel e Françoise Jean
de Oliveira Souza, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2008.)

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Independência
Independentes, porém acorrentados

Franklin dos Santos Moura

S
e por um lado a independência da nação porém o homem, a partir das evoluções tecnológicas,
brasileira caminha para o seu bicentenário, criou o lastimável labirinto de ‘solidão coletiva’.
por outro lado mais pesadas se tornam as
Aliado a isso, ocorreu o retrocesso de saber
correntes que impedem construir um presente justo e
viver em comunidade. Há 20 ou 30 anos era comum
consequentemente semeando um amanhã melhor.
nascer e crescer em bairros horizontais, vivendo
Enquanto o passado reserva um traje em comunidade e percebendo a importância das
empoeirado de batalhas e glórias, o presente lideranças locais. Era o líder comunitário que ia até
é marcado pelo individualismo e um atordoado a prefeitura requerer asfalto, iluminação, posto de
movimento de se desejar mudança, porém saúde, praça, escola e segurança. Com um pouco
terceirizando sua realização. Na paisagem triste mais de esforço esse mesmo líder viria a se tornar
desse cenário está a Maçonaria, que atravessa suas um vereador e crescer na carreira política.
próprias crises, e não demonstra ter as mesmas
Atualmente, com a proliferação das
forças de outrora para romper os grilhões que
moradias verticais, uma das maiores dificuldades da
sufocam a independência de um povo livre.
convivência num condomínio é conseguir alguém
Diante disso, o presente trabalho tem para ocupar a função de síndico. Cada morador do
por objetivo provocar reflexões sobre alguns dos prédio já está transbordando de preocupações com
motivos que acorrentam a sociedade e a Maçonaria, trabalho, compromissos financeiros, educação dos
impedindo a próspera marcha de um povo filhos, angústia sobre aproveitar o tempo. Dessas
independente. forma, o sentimento de contribuir no prédio que mora
dá lugar a um pensamento “O que eles decidirem
Acorrentados ao individualismo - Existe um
está bom!”
mito em torno do progresso. Muitos pensam que a
evolução e o progresso trouxeram uma realidade pior Se o indivíduo tem as condições básicas perto
que a vivida no passado. Na verdade, a evolução do semi luxo, isso é o suficiente para deixar a política
e o progresso trazem inúmeras melhorias, porém no piloto automático, até aquela mais próxima que é
o problema é o que o homem, de fato, absorve e a gestão do condomínio.
transforma em legado.
Não participando da gestão do condomínio,
Está escrito em algum lugar que as redes mais distante fica a atuação comunitária, municipal,
sociais deveriam isolar as pessoas? Imagino que não, estadual e federal. Com o individualismo, o homem

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(?)
só se posiciona em dois lados: o lado que não se E outro, ainda, diz: - Quero um Brasil com
envolve, pois está na zona de conforto; o lado que se mais educação! Porém essa mesma pessoa sequer
envolve, porque quer chegar a sua zona de conforto. tentar ler um jornal aos finais de semana e quiçá um
livro por ano.
Como pensar em progresso, renovação da
representação política, grandes feitos, visão de longo E assim, os exemplos seguiriam páginas e
prazo, se a cada um, somente, interessa o seu bem- páginas de se postular num tom individualista “O
estar? Brasil que eu quero”. Mas, e o Brasil que eu faço?
A distância entre um e outro parece simbólica,
Acorrentados ao “Brasil que eu quero” e
mas ao trocar o querer por fazer surge a possibilidade
não ao “Brasil que eu faço” - A avalanche de vídeos
de se dirigir ao próximo. Surge a chance de construir
sobre o “Brasil que eu quero” invadiu emissoras de
algo que não se limite ao proveito de um só. Outro
televisão, rádio, e outros meios de comunicação,
ponto importante dessa diferença é que ao falar do
divulgando desejos de uma nação assolada por uma
Brasil que eu quero, está se delegando a solução a
inquestionável rede de desigualdades. Até aqui tudo
um terceiro, enquanto ao falar do Brasil que eu faço,
bem, mas o problema começa a aparecer quando
a solução está nas próprias mãos.
alguém diz: - Quero um Brasil sem corrupção! Por
outro lado, essa mesma pessoa fura fila no médico, Daí, como imaginar uma realidade diferente
não devolve troco quando vem a maior, não vê da vivida hoje se a solução está delegada a um
problema em subornar um guarda para não receber terceiro (político, etc.) e a ação das próprias mãos e
multa no trânsito, comemora o título esportivo do seu atitudes não está sendo considerada?
clube, mesmo que sob a moldura de uma decisão
Maçonaria: Porta larga ou estreita? - Não é
desastrosa de um juiz.
demais lembrar que na Maçonaria as paixões são
Outra situação é quando alguém diz: - Quero submetidas, evitando o domínio do homem pelas
um Brasil com mais empregos! Em regra geral, essa suas emoções. Também, aqui, busca-se a edificação
pessoa está muito próxima do desemprego, porque das virtudes e a erradicação dos vícios. Vale, ainda,
se estivesse empregada, sua frase seria: - Quero um dizer que não há espaço para diferenças políticas e
Brasil com mais benefícios ao trabalhador! religiosas, ressaltando que o Maçom deve crer em
um Ser Supremo que é Deus. Esse breve resumo

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Maçonaria Maçonaria
Atual no Passado

representa a moldura de uma instituição milenar, desenvolvimento social e político, mas sim tentar
filosófica e progressista, que se fez representar nas manter-se de pé, evitando sucumbir aos efeitos de
páginas da história pelos seus grandes feitos. uma sociedade culturalmente ansiosa, individualista,
imediatista e progressivamente distante de Deus.
Ingressar na Maçonaria era (e, ainda, é para
alguns) motivo de honra e distinção para uma família, Como romper esses grilhões e voltar a
pois era sinônimo de ser escolhido entre muitos. ocupar o lugar de destaque que repousa nas páginas
amareladas da história?
Infelizmente, com o adoecimento da
sociedade, seja diante do individualismo, seja pelo O presente trabalho teve por objetivo
comodismo, seja pela deterioração da religiosidade apresentar algumas breves reflexões sobre “o grau
em razão da transformação cultural, o homem, de independência”, abordando na percepção do
também, adoeceu e muitos desses homens estão Irmão autor, que para viver a independência há
entre as colunas da Ordem. que se libertar de correntes extremamente densas,
quais sejam: individualismo do homem; delegação a
E por que tais homens, admitidos como livres
terceiros da ação que depende de você; atual estado
e de bons costumes, porém atingidos de patologias
de crise da Maçonaria, impedindo maior participação
sociais, estão em nossos templos? Ousaria dizer
na transformação social e política brasileira.
que se a porta fosse estreita como em outrora, a
Maçonaria teria templos, ainda, mais vazios do que já Caminhando para alcançar, em breve, o
se tem na atualidade. bicentenário da Independência do Brasil, não é demais
lembrar e alertar que as instituições, historicamente,
Lamentavelmente, com a porta mais larga,
representativas tiveram domínio ora bélico, ora
o risco que se expõe é a qualidade dos candidatos
científico, ora político e até mesmo religioso.
admitidos, podendo resultar em jornadas curtas,
limitadas a curiosidade e colocadas em segundo ou As perguntas que repousam com o presente
terceiro plano, quando há que se romper sua zona trabalho são: onde estarás Maçonaria quando a
de conforto e/ou o individualismo para servir aos história de 200 anos do Brasil for escrita? Estará,
propósitos da sua oficina, do seu Oriente. ainda, acorrentada as dores de uma instituição
milenar sujeita as patologias sociais ou estará
O ponto crítico desse cenário é que a
criptografada na moldura de um Brasil diferente e
Maçonaria, antes uma rompedora de grilhões, agora,
melhor?
está inerte em suas próprias correntes. Se um
dia a história registrou José Bonifácio, Gonçalves Diante de todo o exposto, na certeza de
Ledo, Dom Pedro I, Rui Barbosa, Monteiro Lobato, não ter esgotado o tema, mas ter sim alcançado o
Padres, Pastores, Freis e muitos outros, quantos acolhimento e provocado reflexões entre os Irmãos, é
acontecimentos políticos, culturais marcaram época! o desejo que o GADU, mantenha a Luz da Sabedoria
apontada em nossas vidas, prevalecendo a tolerância
Com a porta larga de entrada, o objetivo
e a habilidade de “saber cuidar”, entre Irmãos.
da Ordem não consegue mais ser interferir no

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