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UFBA - IF- Depto de Física do Estado Sólido – Física Geral e Experimental IV-F –

Laboratório, 18 de Junho, 2003

Osciloscópio de Raios Catódicos


C. S. Silva Brasil, G. F. França Menezes
Instituto de Física – UFBA
Salvador, BA
e-mail: krih_brasil@email.com,
gustavobf@hotmail.com

Resumo
O osciloscópio é um aparelho de importância fundamental em medidas físicas.
Neste experimento, além da familiarização com a estrutura interna do
osciloscópio, foi possível identificar e verificar a atuação dos controles deste
equipamento.

visualização de fenômenos que durem


desde alguns segundos até outro que
I Introdução ocorram milhões de vezes por segundo.

O osciloscópio de raios catódicos é um


instrumento que foi inventado em 1897 por A capacidade de um osciloscópio em
Ferdinand Braun, tendo então a finalidade apresentar em sua tela fenômenos
de se analisar as variações com o tempo de curtíssimos é dada pela sua resposta de
intensidade de tensão. Foi neste mesmo freqüência.
ano que J.J. Thomson mediu a carga do A existência de circuitos capazes de
elétron a partir da sua deflexão por meio de processar um sinal digitalmente nos leva a
campos magnéticos. existência de osciloscópios que são
Foi somente com a utilização de tubos de verdadeiros computadores.
raios catódicos feitos por Welhnet, em Estes além de poderem digitalizar uma
1905, é que foi possível a industrialização imagem, o que significa uma facilidade
deste tipo de equipamento que até hoje se maior de análise, pois pode-se "paralisá-la"
encontra, com muitos aperfeiçoamentos. na tela a qualquer momento, também
A finalidade de um osciloscópio é produzir podem realizar cálculos em função do que
num anteparo uma imagem que seja uma foi armazenado (freqüência, período e
representação gráfica de um fenômeno outras grandezas são apresentadas
dinâmico, como por exemplo: Pulso de numericamente em alguns osciloscópios).
tensão, uma tensão que varie de valor com O funcionamento do osciloscópio se baseia
relação ao tempo, a descarga de um em um feixe de elétrons que, defletido,
capacitor, etc. Pode-se também, através de choca-se contra uma tela fluorescente,
um transdutor adequado, avaliar qualquer esta, sensibilizada emite luz formando uma
outro fenômeno dinâmico, como exemplo: a figura. A figura formada na tela pode ser
oscilação de um pêndulo, a variação da comparada com outra, considerada ideal,
temperatura ou de luz de um ambiente, as desse modo pode-se reduzir a área
batidas de um coração. Dependendo da danificada em um circuito eletrônico.
aplicação, os osciloscópios modernos A dependência com o tempo do feixe se
podem contar com recursos próprios, o que resolve fazendo o feixe de elétrons ser
significa que não existe um só tipo no defletido em um eixo de coordenadas
mercado. similar ao sistema cartesiano, o que nos
Isso ocorre porque os fenômenos que se leva a construções gráficas bidimensionais.
deseja visualizar na tela podem ter duração Por via de regra, o eixo X corresponde a
que vai desde alguns minutos até alguns deflexão do feixe com velocidade ou taxa
milionésimos de segundo. de deslocamento constante em relação ao
Da mesma forma, os fenômenos podem se tempo. O eixo Y é defletido como resposta a
repetir numa certa velocidade sempre da um sinal de entrada, como por exemplo
mesma forma, ou então podem ser únicos, uma tensão aplicada a entrada vertical. O
ocorrendo por um só instante apenas uma
vez. O osciloscópio básico pode permitir a 1
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resultado é a variação da tensão de entrada perceber o ponto se movimentando na tela.


dependente do tempo. Desta forma, visualizamos a varredura do
Dispositivos de registros em função do sinal da esquerda para a direita com
tempo existem a muito tempo, entretanto, velocidade constante.
o osciloscópio é um equipamento de Para simplificar a observação,
resposta muito mais rápida que os primeiramente trabalhamos apenas com o
registradores eletromecânicos, pois permite canal 2. (VERT MODE na posição CH2).
resposta da ordem de microsegundos. Nesta seqüência apenas era observado um
A parte principal de um osciloscópio é o ponto se movimentando na tela.
tubo de raios catódicos. Este tubo Posicionamos esse movimento na metade
necessita, entretanto, usar uma série de vertical da tela e diminuímos a intensidade
circuitos auxiliares capazes de controlar o do sinal de modo que ficasse bem fraco.
feixe desde sua geração até o ponto onde Giramos o controle da taxa de varredura no
este incidirá sobre a tela. sentido anti-horário até que o ponto
No roteiro Experiência 9 – Osciloscópio de parasse na tela (posição X-Y).
Raios Catódicos do IF-UFBa pode ser Com a chave SOURCE na posição X-Y, esta
encontrada uma descrição sucinta deste configuração final nos levou à
equipamento, em especial o que foi correspondência canal 1 no eixo x e canal 2
utilizado neste experimento. no eixo y.
Para a realização deste experimento, Utilizando os controles POSITION dos canais
utilizamos o seguinte material: 1 e 2 posicionamos o ponto no centro da
tela.
 Osciloscópio
 Voltímetro II – 2 Observação do
 Plaqueta de ligação deslocamento do ponto
 Resistor
luminoso com a d.d.p. aplicada
Com o controle VOLT/DIV fizemos o ajuste
 Capacitor
do canal 2 para 1 volt/divisão e conectamos
 Gerador de audiofrequência a entrada desse canal à bateria de 3 V.
 Fios de ligação Colocamos a chave de entrada do canal 2,
na posição DC. O ponto luminoso se
 Transformador
deslocou para cima 2,8 divisões
(correspondente a 2,8V). Considerando que
II Procedimentos esta bateria é utilizada nos laboratórios das
disciplinas FIS124 e FIS128 por vários
Experimentais alunos e há algum tempo, era esperado que
II – 1 Primeiros ajustes a leitura não fosse de 3 V. Após este
procedimento, levamos a chave de entrada
Inicialmente ligamos o osciloscópio e de volta para a posição GND.
esperamos 1 minuto para aquecimento. Invertemos a polaridade da bateria,
Colocamos as chaves das duas entradas trocando a posição dos fios positivo e
verticais em GND de modo que as duas negativo que saíam da bateria ao
entradas ficassem em curto circuito. osciloscópio, e observamos que o ponto se
Colocamos a chave SWEEP MODE na deslocou para baixo 2,8 divisões na tela.
posição AUTO, a chave VERT MODE na Repetimos os mesmos passos utilizando o
posição DUAL e ajustamos a taxa de canal 1 que está atuando como eixo x.
varredura em 1ms/divisão. Neste ajuste Observamos, desta forma, o deslocamento
apareceram dois traços horizontais na tela. para a esquerda e para a direita de 2,6
Ajustamos os controles INTEN e FOCUS para divisões na tela (correspondentes a –2,6 V e
que os traços ficassem finos e sem brilho 2,6 V). Então, levamos a chave de entrada
excessivo. desse canal, de volta para GND.
Esses traços visualizados correspondem à
varredura dos canais do osciloscópio. Por II – 3 Observações dos sinais
ser muito rápida, não observamos um fornecidos pelo gerador de
ponto se movimentando na tela, mas um função
traço contínuo. Modificamos então a
posição vertical (POSITION) desses traços Ligamos o gerador, selecionamos a função
na tela de modo que pudéssemos observá- senoidal, ajustamos a freqüência em 3 Hz e
los individualmente. Girando no sentido giramos o controle de amplitude para a
anti-horário o controle TIME/DIV foi possível metade do valor máximo. Ajustamos o
ponto luminoso no centro da tela.
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Conectamos o gerador à entrada do canal 2 Entretanto, foi possível observar a


(eixo y) e colocamos a chave de entrada composição dos dois movimentos, isto é,
desse canal na posição DC. conseguimos visualizar uma senóide sendo
Fizemos o ajuste da sensibilidade vertical descrita na tela.
para que o deslocamento do ponto Aumentamos a freqüência do gerador ao
luminoso não ultrapassasse os limites da mesmo tempo que ajustávamos a taxa de
tela. Observamos que este deslocamento varredura do osciloscópio de modo a
de forma senoidal tem na região central (y manter a senóide visível e estável.
→ 0) a velocidade do ponto máxima. Neste momento, observamos a atuação da
Nosso procedimento seguinte foi mudar chave SLOPE e do controle do nível de
para a função triangular. Observamos que sincronismo, LEVEL. No início da senóide
para esta função, a velocidade do ponto é (lado esquerdo da tela), girando o controle
constante até atingir os extremos (pois a LEVEL no sentido horário e anti-horário,
função é linear). notamos a existência de um intervalo onde
As inversões de movimento dessas duas há sincronismo no sinal. Para as funções
funções difere pelo fato de na função seno triangular e quadrada, observamos o
essa mudança é suave e contínua enquanto mesmo fenômeno.
na função triangular há uma inversão Voltamos novamente para a função
abrupta. senoidal.
Em seguida, tomamos o mesmo
procedimento para a função quadrada. As II – 4 Medida de freqüência
observações foram as mesmas das Fizemos o ajuste no gerador para 2,0 kHz e
observações da função triangular. Ao taxa de varredura de modo que pudemos
finalizarmos esta etapa, levamos a chave observar 1 período completo na tela.
de entrada para a posição GND. Medimos na tela 2,8 ± 0,1 divisões. Para
Então, conectamos o gerador, em função esta medida, escolhemos medir o período
senoidal, ao canal 1 (eixo x) e levamos a entre A e B (figura 1). Neste momento, para
chave de entrada deste canal para a uma melhor definição dos pontos
posição DC. Feito o ajuste da sensibilidade, observados A e B, aumentamos a
observamos um movimento senoidal, mas sensibilidade vertical para obter uma figura
no sentido horizontal. Ao terminar, levamos de grande amplitude na tela do
a chave de entrada para osciloscópio. A partir do valor calculado do
GND e desconectamos o gerador. período, obtivemos algebricamente a
Saindo do modo X-Y e voltando ao modo de freqüência. Sendo esta igual a 1,79 ± 0,06
varredura automática, fizemos o ajuste da Hz.
taxa de varreura em 0,1 s/divisão e
posicionamos o traço para que o mesmo II – 5 Medida da amplitude dos
começasse a ser traçado no canto esquerdo sinais senoidal e quadrado
da tela. Levamos a chave VERT/MODE para Fizemos o ajuste no gerador para amplitude
a posição CH1 (canal 1) de forma a utilizá-lo máxima e a sensibilidade vertical do
como eixo y. osciloscópio para obter a maior senóide
Após este procedimento fizemos a possível, sem, é claro, ultrapassar os limites
composição do movimento de varredura, da tela. Deslocamos a senóide para baixo
feito com velocidade constante na de modo que sua parte inferior
horizontal, com um movimento senoidal na tangenciasse a linha inferior da gratícula da
vertical. Para isso, conectamos novamente tela. Com o controle POSITION, deslocamos
o gerador de função, com os mesmos o sinal na horizontal de modo que a crista
ajustes de freqüência e amplitude cortasse o eixo vertical central subdividido.
anteriores, ao canal 1 e levamos a chave de Medimos o valor pico a pico em termos de
entrada na posição DC. Ajustamos a divisões na tela: 5,7 ± 0,1 divisões da tela.
sensibilidade vertical para que a senóide Após essas últimas medidas, desligamos e
resultante não ultrapassasse os limites da desconectamos o gerador.
tela na vertical.
Como a freqüência era muito baixa, a figura II – 6 Medida de tensão contínua
estava piscado na tela. Isso é devido à falta Nesta etapa, medimos a tensão de uma
de sincronismo automático que ocorre para pilha a partir do deslocamento vertical do
freqüências abaixo de 50 Hz. Conseguimos traço da varredura.
parar a figura aumentando manualmente a Conectamos a bateria à entrada do canal 1.
freqüência do gerador, apesar de não Levamos a chave de entrada do canal 1
conseguir eliminar o efeito de cintilação para GND e posicionamos o traço
(piscada), devido aos nossos olhos.
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coincidindo com a linha inferior da gratícula correspondente do valor eficaz, 13 ± ...... V.


da tela. Fizemos, então, o ajuste da Estes resultados e o erro da medida
sensibilidade vertical para 5 volts/divisão e seguem na seção de tratamento de dados.
colocamos a chave de entrada na posição
DC. O traço se deslocou 0,6 divisão. II – 8 Estudo do circuito RC
Aumentamos a sensibilidade (para 0,5 Este estudo serviu para mostrar e medir a
volt/divisão) de modo a obter o máximo diferença de fase entre a tensão e a
deslocamento (5,7 ± 0,1 div.) dentro dos corrente de um circuito RC em regime
limites da tela. Tivemos a cautela de estacionário (excitação e resposta
verificar, que com a chave em GND, o traço senoidais) em função da freqüência.
ainda permanecia na linha inferior, sendo Utilizamos dois métodos para realizar esta
desnecessária o reposicionamento do medida, uma medida direta da diferença de
mesmo. fase entre duas senóides na tela e uma
Voltando a chave para a posição DC, medida indireta a partir do método da
medimos o deslocamento: 5,4 ± 0,1 elipse. A primeira medida só pôde ser
divisões. realizada pois dispúnhamos de um
Desconectamos a bateria e medimos sua osciloscópio de dois canais.
tensão com um multímetro ajustado para Em seguida apresentamos o circuito
DCV (tensão DC ou contínua). utilizado para a realização das medidas (fig.
2).
II – 7 Medida da tensão da rede
com um transformador 1,5 µ F
No transformador utilizado aqui, Gerador VG (t)
encontramos a relação de entrada e a senoidal 1232 Ω vR (t)
tensão de saída. (127in; 12out).
Ligamos o transformador na rede e
conectamos a saída à entrada do canal 1.
Ajustamos a taxa de varredura e a
sensibilidade vertical para obter uma
senóide com um período completo apenas
dentro dos limites da tela. Para que Fig. 2
pudéssemos observar a imagem o mais Método Direto. Conectamos os terminais
parada (pois ela ainda ficou instável), da placa ligados ao resistor à entrada do
canal 1 tomando o cuidado de ligar o
extremo inferior do resistor ao fio preto
(GND) uma vez que as duas tensões foram
medidas com relação a esse ponto comum.
Conectamos o terminal da placa ligado
simultaneamente ao gerador e ao capacitor
à entrada do canal 2.
Fizemos o ajuste do gerador para a função
senoidal, amplitude máxima e freqüência
de 100Hz. Levamos a chave VERT MODE do
Fig. 1 osciloscópio para a posição DUAL (dois
canais). Ajustamos as duas chaves de
levamos a chave SOURCE para a posição entrada dos dois canais para a posição GND
LINE. e posicionamos os dois traços de modo que
Desta forma foi possível observar uma coincidissem com o eixo horizontal central.
senóide deformada na tela. Levamos a chave de entrada do canal 1
Procedendo como nas seções II-4 e II-5, para a posição AC, ajustamos a
medimos a freqüência, a tensão pico a pico sensibilidade e a taxa de varredura de
e calculamos a tensão eficaz desse sinal. modo a observar a senóide nos limites da
Em seguida, calculamos a tensão eficaz da tela. Colocamos 1 período da senóide
rede utilizando a relação de transformação ocupando toda a tela.
do transformador. Confira na seção de Então, ajustamos o canal 2 para a posição
Tratamento de dados. AC e aumentamos a sensibilidade deste
Tomadas estas medidas, desconectamos o canal para observar a outra senóide nos
transformador do osciloscópio e limites verticais da tela.
conectamos este (transformador) ao Neste momento, observávamos duas
multímetro ajustado para ACV (tensão senóides defasadas; a senóide do canal dois
alternada). Fizemos a leitura na escala 4
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estava à direita (atrasada em relação a) da uma figura com a forma de um "oito".


senóide do canal 1. Quando a fase muda levemente, o
Para determinar este atraso, medimos a diagrama mudará, como se mostra na
distância d entre as senóides no ponto de figura. Se o ângulo de fase é de 90º, os
cruzamento com o eixo horizontal. laços se fecham. Se o ângulo de fase é
Repetimos o procedimento para outros dois maior que 180º, a imagem se inverte.
valores de freqüência: 300 Hz e 1000 Hz. Uma característica que têm em comum
Estimamos o erro na seção seguinte. todas as figuras é que o diagrama toca as
Sem desconectar o osciloscópio, partimos linhas horizontais e verticais em um certo
para trabalhar no segundo método deste n.º de pontos. A relação entre o número de
estudo. pontos de tangência é igual à relação de
ambas as freqüências. Por exemplo,
Método da Elipse. Para este método,
digamos que o diagrama toque a linha
colocamos o sinal vR(t) no eixo x e o sinal
horizontal em dois pontos, na vertical toque
vG(t) no eixo y. Selecionamos, então, as
em 1 ponto, e ainda que a freqüência
opções do osciloscópio para o modo X-Y.
aplicada na vertical seja de 120 Hz. A
Fizemos o ajuste do gerador para 100Hz,
determinação da freqüência aplicada na
senoidal e amplitude máxima. Com as
horizontal será dada por:
chaves de entrada dos dois canais na
posição AC, ajustamos as sensibilidades de f(h) = 120 x 1/2 = 60 Hz.
modo a observar uma elipse inclinada na O número de pontos de tangência sobre as
tela. linhas horizontais e verticais é mais
Para melhor observarmos a elipse foi facilmente contado quando a figura de
importante inscrever esta figura em um Lissajous é estável (não se move) e quando
quadrado na tela (8 x 8 divisões). é simétrica. A menos que a tela do
Com a chave dos dois canais em AC, osciloscópio seja muito grande as figuras de
observamos uma elipse inclinada, bastante lissajous com relação acima de 10:1 são
aberta e inscrita num quadrado 8 x 8 difíceis de discernir. Como foi o nosso caso,
divisões. Medimos o segmento NN’ (2,6 que com muita disposição, foi possível
div.) em termos de divisões e calculamos | visualizar 16:1.
senφ | = NN’/2yo, 2yo= 8 div. Veja cálculos
na próxima seção. Com esta última etapa fechamos a série de
Reduzindo o giro da elipse pudemos medidas. Desconectamos os fios e
observar o que o sentido era anti-horário. ajustamos os controles do osciloscópio para
Repetimos o processo de enquadramento que o mesmo pudesse ser desligado.
da elipse para mais dois valores de
freqüência, 300 Hz e 1000 Hz. III Tratamento de Dados
Então, desconectamos o osciloscópio e Na seção II-4,o valor correspondente do
desmontamos o circuito. período lido na tela do osciloscópio é dado
II – 9 Figuras de Lissajous pelo produto:
Uma figura de Lissajous é uma imagem T = n.º de divisões do período * taxa
formada sobre a tela de um osciloscópio de varredura
quando se aplicam simultaneamente
No nosso caso,
tensões senoidais (em geral de freqüências
distintas) às placas defletoras horizontais e T = 2,8 div. * 2 x 10-4 s div-1 = 5,6 x 10-4 s
verticais. Uma das principais aplicações das
Para definirmos nosso valor de período
figuras de Lissajous é a determinação de
torna-se necessário a estimativa de nosso
uma freqüência desconhecida comparando-
erro,
a com outra, conhecida.
Nesta etapa observamos o sT = 0,1 * 2 x 10-4+ 0 x 2,8 = 2 x 10-5
desenvolvimento de vinte e quatro tipos de
De forma que o período da função era de
figura de Lissajous. A relação (horizontal e
vertical) das freqüências aplicadas aos dois T = 560 ± 20 µ s
pares de placas defletoras está disponível
na tabela 1. Não interessa de que Deste resultado, obtemos a freqüência pela
freqüência se trate, sempre que uma seja relação:
desconhecida. f = 1/T = 1/(5,6 x 10-4)
Se as duas voltagens estão defasadas, ou
seja, se ambas passam através do zero e f = 1,785 kHz
são positivas no mesmo instante, traça-se O erro é dado por
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sf = ∆ T/T² = (0,2 x 10-4)/ (5,6 x 10-4)² f = (61 ± 1) Hz


sf = 63,77 Hz Vpp = 6,6 div * 5 Vdiv-1 = 33,0 V
Re-escrevemos então o valor da freqüência Vef = [(Vpp/2)/√2]
como segue:
Vef = 16,5 / √2 ≈ 12 V
f = (1,79 ± 0,06) Hz
V1 = (10,6 x 11,67) V = 123,7 V
Na seção II-5, fizemos a leitura do valor pico
a pico lido no nosso equipamento. O sV = 10,6 * 5,3 V
produto deste valor pela sensibilidade Re-escrevendo,
(VOLTS/DIV) nos fornece o valor da tensão
que procuramos. V1 = 124 ± 5 V

Vpp = 5,8 div * 2Vdiv-1 = 11,6 V Na seção II-8, pelo método direto, foi
necessário calcular a diferença de fase,
Com desvio avaliado igual a ± 0,1 V negativa, entre a seníde do canal 1 e a do
A amplitude vale metade desse valor canal 2.
(5,8V). Com o valor dessa tensão, podemos Para isso basta utilizar a seguinte regra de
conhecer o valor eficaz: três:
Vef = [(Vpp/2)/√2] 2 π rad _______ 10 div.
Vef = 4,1 V -φ 1 _______ 1,1 div.
Para a função quadrada, φ 1 = -0,11x 2π rad = - 0,69 rad
Vef = (Vpp/2)
Sendo V pp para esta função igual a 9,6 V, 2 π rad _______ 10 div.
logo
-φ 2 _______ 0,4 div.
Vef = 4,8 V
φ 2= -0,04x
Na seção II-6, ao medir o deslocamento do 2π rad = -
traço em termos de divisões, pretendíamos 0,25
usar este deslocamento de modo a nos
permitir o cálculo da tensão da bateria e
seu respectivo erro. Visto isso, rad
V = 5,4 div * 0,5 Vdiv -1 Sinal de uma f.
senoidal Sinal de uma f. quadrada
V = 2,7 ± 0,1 V
Essa mesma medida feita por um
voltímetro de resistência interna 200 kΩ
para a escala utilizada, teve como resposta 2 π
V = 2,5 ± 0,1 V
rad _______
Na seção II-7,
Sinal de uma f. quadrada
T = 8,2 div * 2 x 10-3 s div-1 = 16,4 x 10-3 s Sinal de uma f. retificado
senoidal retificado
sT = 0,1 * 2 x 10-3 s = 2 x 10-4 s
10 div.
T = 16,4 ± 0,2 ms
-φ 3 _______ 0,2 div.
Deste resultado, obtemos a freqüência pela
relação: φ 3 = -0,02x 2π rad = -
0,13 rad
f = 1/T
O erro é dado por
Para estimar o erro: Sinal de uma f. quadrada
sf = ∆ T/T² = (0,2) / [(2 * 8,2)² x 10-3] retificado e filtrado
sφ = 2π * 0,1 = 0,2 π
sf = 0,74 Hz rad = 0, 06 rad
Re-escrevemos então o valor da freqüência Obtemos, então:
como segue:
φ 1 = - 0,69 ± 0,06 rad
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φ 2 = - 0,25 ± 0,06 rad


φ 3 = - 0,13 ± 0,06 rad

Em todos, considere
IV Resultados e Discussões no eixo das ordenadas, queda de tensão, e,
Na seção II-3, são observadas as inversões na abscissa, tempo.
de movimento para as funções senoidal e
triangular. Ora, é evidente que para a
função triangular o movimento seja
constante, pois podemos descrevê-la com
uma equação do tipo
O cálculo teórico da tensão eficaz é feito
y= Ax + B por integração destas funções. Deste
cálculo, chega-se ao resultado
Observe que quem vai indicar a velocidade
Vef = (Vpp/2)
do ponto será a derivada desta função.
Mas, Vef = [(Vpp/2)/√2]

y' = A, Para a medida de tensão contínua, na seção


II-6, observamos a tensão de uma pilha
ou seja, a velocidade é uma f. constante, medida com um osciloscópio (2,7V) é um
pouco menor que a tensão medida com um
assim como observamos o deslocamento do
ponto na tela. multímetro (2,5V), apesar dos erros serem
da mesma ordem. Isso só se deve ao fato
No caso da função senoidal,
de que a resistência interna da entrada do
y = sen x + B, é função periódica tal como osciloscópio é muito alta (1 MΩ ), enquanto
y’ = cos x também é periódica e possui que a do multímetro utilizado é da ordem
valores de inflexão nos pontos onde de 200 KΩ . Este último fica bem
observamos as inversões. Nesses pontos y’ susceptível à resistência interna da bateria.
= 0.
Isso explica a observação do movimento Na seção II-7, utilizamos um pequeno
nas extremidades ser mais lento que na transformador abaixador de tensão que
região próxima ao eixo y. reduzia a tensão para um valor seguro,
Na seção II-4 nosso valor apresentou uma além de promover um isolamento elétrico
discrepância de 11% do valor que indicava da rede, uma vez que o acoplamento é
o gerador. Essa diferença deve-se às puramente magnético. A tensão da rede
imperfeições do gerador utilizado. O dial do possui um valor muito elevado para
gerador, por exemplo, não é medirmos diretamente com o osciloscópio,
suficientemente sensível ao valor além de ser perigoso, uma vez que um dos
selecionado. terminais de entrada está conectado à
Na seção II-5, calculamos o valor eficaz da carcaça metálica do instrumento.
tensão correspondente para as funções Nesta seção, houve um momento em que
senóide e quadrada. observamos uma senóide deformada na
Quando medimos uma tensão alternada, tela. Essa deformação ou distorção foi
seja esta medida feita por um osciloscópio introduzida pela rede de distribuição de
ou por um multímetro, a leitura que esses energia e está associada às não
instrumentos fazem é de uma tensão linearidades do sistema.
retificada e filtrada. No cálculo da medida de tensão da rede,
Observe: nosso resultado está de acordo com o que
era esperado. O valor teórico:
V = 10,6 * 12 = 127,2 V
Isto significa que há uma discrepância
relativa do nosso resultado para o valor
teórico de 3%.
No estudo, pelo método direto, do circuito
RC calculamos os valores de φ 1, φ 2 e φ 3
experimentais. Para comparação como
valor teórico,

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φ = - arctg(1 / 2π RCf)
1000
Esta equação fornece para nossos valores:

φ 1 = - 0,71 rad 800

φ 2 = - 0,28 rad
φ 3 = - 0,09 rad
600

Estes valores estão absolutamente

fg(Hz)
compatíveis com nossos resultados
experimentais (incluindo o erro estimado). 400

No estudo desse mesmo circuito, pelo


método da elipse, encontramos valores,
também, compatíveis com o método direto.
200
Da seção de figuras de Lissajous
levantamos a tabela 1 e construímos o
gráfico 1 que seguem.
Note que no Gráfico 1 temos uma curva que 0
mostra que a freqüência teórica, fy, nem 0 200 400 600 800 1000

sempre é coincidente com a freqüência fy (Hz)


indicada no gerador, fg, pois este possui
imperfeições já citados anteriormente. 760 13 780
Quanto menos imperfeições, mais esta 820 14 840
curva tenderia à primeira bissetriz (y = x) 920 15 900
980 16 960
Aplicando o método dos mínimos
quadrados para os valores do gráfico
encontramos Gráfico 1 – fg em função de fy

Y=A+B*X
Param Value sd
V Conclusão
A -10,91715 5,43307 Neste experimento, conseguimos
B 0,99759 0,01093 comprovar com bom grau de confiança
R = 0,9988 ⇒ indica o quanto estamos (erros inferiores a 15% dos valores teóricos)
próximos à reta dos coeficientes as leis físicas aqui evidenciadas. Além
calculados disso, foi bem sucedida a familiarização
Tab. 1 – Pontos obtidos das figuras de com o osciloscópio, aparelho que será
Lissajous utilizado em experimentos futuros neste, e
β = (n.º tang em fy (Hz) = 60 em outros, laboratórios de física.
fg (Hz)
x)/ (n.º tang em y) β
40 2/3 40
49 1 60
62 1 60
75 5/4 75
84 4/3 80
94 3/2 90
100 2 120
140 5/2 150
160 3 180
220 4 240
280 5 300
340 6 360
400 7 420
460 8 480
510 9 540
580 10 600
620 11 660
700 12 720
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