You are on page 1of 102

www.cliqueapostilas.com.

br

Fundamentos da
Educação Infantil

Luciana de Luca Dalla Valle

1Capa.indd 1 8/7/2010 10:44:56

02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 08/07/2010 APROVAÇÃO: NÃO ( ) SIM ( ) ____________


www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 4 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 4 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fundamentos da
Educação Infantil

Luciana Rocha de Luca Dalla Valle

Curitiba
2010

Fund_Educ_Infantil.indd 1 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 1 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Ficha Catalográfica elaborada pela Fael. Bibliotecária – Cleide Cavalcanti Albuquerque CRB9/1424

Valle, Luciana Rocha de Luca Dalla


L931f Fundamentos da educação infantil / Luciana Rocha de Luca
Dalla Valle. – Curitiba: Editora Fael, 2010.
98 p.: il.
Nota: conforme Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
1. Educação de crianças. I. Título.
CDD 372

Direitos desta edição reservados à Fael.


É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Fael.

FAEL
Diretor Acadêmico Osíris Manne Bastos
Diretor Administrativo-Financeiro Cássio da Silveira Carneiro
Coordenadora do Núcleo de Vívian de Camargo Bastos
Educação a Distância
Coordenadora do Curso de Ana Cristina Gipiela Pienta
Pedagogia EaD
Secretária Geral Dirlei Werle Fávaro

sistema educacional EADCON


Diretor Executivo Julián Rizo
Diretores Administrativo-Financeiros Armando Sakata
Júlio César Algeri
Diretora de Operações Cristiane Andrea Strenske
Diretor de TI Juarez Poletto
Coordenadora Geral Dinamara Pereira Machado

Editora fael
Coordenador Editorial William Marlos da Costa
Edição Silvia Milena Bernsdorf
Projeto Gráfico e Capa Denise Pires Pierin
Ilustração da Capa Cristian Crescencio
Diagramação Denise Pires Pierin

Fund_Educ_Infantil.indd 2 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 2 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Agradecimentos

Agradeço aos meus primeiros tempos de professora de Educação


Infantil e aos alunos dessa época, pelas tardes maravilhosas de
aprendizado mútuo.

Fund_Educ_Infantil.indd 3 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 3 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 4 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 4 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
apresentação
apresentação
Para ser um educador infantil é preciso tornar-se um profissional
com múltiplas possibilidades e sólida formação, que tenha como base
a docência em seu sentido amplo. Assim, adquire-se as capacidades de
discernimento, de senso de justiça, de organização, de relações humanas
e pedagógicas, de postura investigativa, de planejamento, de astúcia e
visão de futuro, de validar atitudes e experiências e de encarar seu papel
como um articulador ou catalizador das ideias construídas pelo coletivo.
O completo e abrangente conteúdo deste livro representa o resultado
da longa experiência de Luciana de Luca como educadora e pesquisadora
da Educação Infantil. Por isso, constitui-se, sem dúvidas, em um instrumen-
to importantíssimo nas mãos de educadores. Após realizar um panorama
sobre os primeiros caminhos da Educação Infantil, a autora estabelece um
paralelo entre a infância de ontem e de hoje, com destaque para suas impli-
cações educacionais. Além disso, procura delinear a história e a legislação,
buscando articular concepções da infância, suas teorias e práticas. Certa-
mente, essa é a parte mais rica do trabalho, sobretudo por estar impregna-
da pela prática profissional extremamente bem-sucedida da autora.
No livro, também são tecidas tendências em relação ao trabalho do
professor de Educação Infantil. Levando em conta tais reflexões perti-
nentes, mencionando diretrizes e parâmetros educacionais e repensando
o processo de avaliação, as considerações da autora fornecem subsídios
importantes para viabilizar a ação docente.
A Educação Infantil, sendo a prática mais humana e fundamental da es-
pécie, acaba muitas vezes sendo mais vivenciada do que pensada. No entanto,
longe disso, Fundamentos da Educação Infantil nos convida ao pensamento.
Ana Maria Baroni Rezende*
* Pedagoga com especialização em Educação Infantil e Psicopedagogia (UEMG). Educa-
dora infantil há 16 anos, atualmente é diretora pedagógica de uma escola particular de
Curitiba e dá palestras para educadores, dentro da perspectiva “Educando para educar”.

Fund_Educ_Infantil.indd 5 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 5 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 6 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 6 of 100
sumário www.cliqueapostilas.com.br

sumário
. Prefácio........................................................................................ 9

1. Os primeiros caminhos da Educação Infantil............................ 13

2. Os caminhos da Educação Infantil no Brasil:


história e legislação................................................................... 23

3. Concepção de infância: inter-relações da sociedade


com a criança............................................................................. 37

4. Documentos da Educação Infantil............................................. 51

5. Propostas metodológicas para a Educação Infantil.................. 63

6. Reflexões sobre a formação do professor da


Educação Infantil........................................................................ 73

7. Parceria e avaliação na Educação Infantil................................. 83

. Referências................................................................................ 91

Fund_Educ_Infantil.indd 7 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 7 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 8 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 8 of 100
prefácio www.cliqueapostilas.com.br

prefácio
N o início de 1990, fui aceita como professora de uma sala
de aula de pré-escola (a terminologia “Educação Infantil” surgiu de-
pois), em uma grande rede de escolas de Curitiba, capital paranaense.
Estava em vias de me formar em Pedagogia e essa oportunidade de
trabalho era a chance que precisava para que os conteúdos teóricos
fresquinhos que havia adquirido na graduação se tornassem práticos.
Dessa forma, frente àqueles 15 pequenos alunos, nascia uma pro-
fessora idealista, sonhadora e que rapidamente percebeu que tinha 9
muito mais perguntas – como ensinar, o que as crianças sabem, o que
devem saber, e tantas outras – do que respostas. Ao mesmo tempo,
percebi que a “culpa” pela falta de respostas não era dos meus cursos
ou dos poucos estudos. A questão que se apresentava (sobre a qual
ainda reside minha busca diária) é que as dúvidas surgiam na medida
em que o relacionamento com as crianças ia progredindo. Portanto,
as respostas não estão prontas em um grande livro; elas são construí-
das a cada dia, em um ritmo dialético estritamente ligado à vivência
da práxis. A busca, portanto, era, e ainda é ininterrupta.
A inquietude da busca dessas respostas me fez estudar cada vez
mais, e quanto mais estudava, mais desejava aprender. Aos poucos,
fui aprofundando-me no tema do ensino de crianças pequenas: havia
muito a saber e minha vontade não tinha fim.
Como professora, vivi dias maravilhosos, com experiências que
são bem mais fáceis de serem sentidas do que explicadas. Também
como professora, ouvi de outros profissionais que eu deveria me dedi-
car a outros temas da Educação que não fossem tão “simples” quanto
a educação dos pequenos. Fico feliz de não ter desistido.

Fund_Educ_Infantil.indd 9 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 9 of 100
prefácio www.cliqueapostilas.com.br

prefácio
A deliciosa experiência do meu primeiro ano como professora
e pesquisadora do temam, e dos muitos anos seguintes, fizeram-me
perceber o quão rico é o trabalho com essa faixa etária e quanto dessa
riqueza cabe ao professor, destacando a dedicação e competência que
esse profissional precisa ter. Quando as crianças deixaram de fazer
parte do meu dia a dia como alunos, meu caminho, então, enveredou
por uma estrada diferente: decidi dividir, com outros professores de
crianças pequenas, os conhecimentos que acumulei nesses anos todos
10 de trabalho. Costumo dizer que a melhor parte de ser professor é
realmente ser professor. É viver a realidade da escola, buscar as res-
postas através dos referenciais teóricos necessários para fundamentar
sua prática.
Como professores, estamos sempre convidados a obter o conhe-
cimento. É isso que faço aqui: este livro é um convite para se co-
nhecer os fundamentos que alicerçam a Educação Infantil, com des-
taques para a importância do conhecimento dos fundamentos, não
em detrimento das práticas, mas como sustentação para as atividades
que executamos diariamente. Muitas vezes, vi professores solicitando
exemplos de práticas educativas (que são fundamentais para um bom
desenvolvimento da ação pedagógica), mas que se esqueciam de es-
tudar a teoria, o nascimento das ideias, o fundamento que sustenta a
práxis. Não há prática educativa sem o embasamento de uma teoria.
Assim, neste livro, o leitor encontrará a história da Educação
Infantil, desde as formas de atendimento destinadas às crianças pe-
quenas ao longo da história da humanidade, com uma retrospectiva
das concepções sobre a educação de crianças pequenas na Idade Mé-
dia, passando pelas Idades Moderna e Contemporânea, e chegando

Fund_Educ_Infantil.indd 10 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 10 of 100
prefácio www.cliqueapostilas.com.br

prefácio
aos dias atuais. Conhecerá, também, alguns precursores da Educação
Infantil e suas importantes contribuições para a metodologia de edu-
car as crianças pequenas e, finalmente, irá compreender melhor os
conceitos que compõem a Educação Infantil, abrangendo tanto as
ideias pedagógicas, quanto a legislação.
Esta obra pretende, através de sua leitura, oportunizar momentos
de reflexão sobre como as sociedades atenderam e educaram as crian-
ças de suas épocas, e que reflexos esses estudos têm na forma como 11
educamos nossas crianças atualmente. Isso nos fará compreender as
tendências pedagógicas, as concepções de infância e metodologias de
ensino destinadas à Educação Infantil.
Portanto, ao abordar o tema Educação Infantil neste livro, pro-
pus-me explicitar seus fundamentos, dando destaque ao fato de que
uma Educação Infantil de qualidade passa, seguramente, pela forma-
ção adequada e bem fundamentada de seus professores.
Sendo assim, aceitem o convite e sejam bem-vindos ao mundo
dos Fundamentos da Educação Infantil. Uma boa construção de sa-
beres a todos!
A autora.*

* Luciana Rocha de Luca Dalla Valle é Pedagoga com especializações em Educação In-
fantil e Psicopedagogia (PUC), Mestre em Engenharia da Produção com Ênfase em Mídia
e Conhecimento (UFSC). É pesquisadora da Educação Infantil e profere várias palestras
sobre o tema, bem como cursos de extensão universitária. É autora de temas relaciona-
dos à Educação Infantil, e professora do curso de Pedagogia da Fael.

Fund_Educ_Infantil.indd 11 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 11 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 12 6/7/2010 13:52:07


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 12 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

1
Os primeiros
caminhos da
Educação Infantil
Para fazermos um recorte histórico da Educação Infantil, ini-
ciaremos este capítulo tecendo um panorama da Educação Infantil a
partir da Idade Média, procurando demonstrar as formas encontradas
pelas sociedades, ao longo dos anos, para educar as crianças peque-
nas. Ao final, serão apresentados os precursores da Educação Infantil,
autores cujos trabalhos beneficiaram – e continuam beneficiando – o
atendimento e a educação das crianças.
13
A infância na Idade Média
Ao longo dos séculos, as sociedades foram construindo formas de
educar suas crianças. Na Idade Média, a Educação Infantil sempre foi
entendida como um papel das famílias, sobretudo das mulheres. Sendo
assim, desde o nascimento até os primeiros meses de vida, a criança era
cuidada pelas mulheres da família. Porém, logo após de desmamar e
conseguir independência motora, a criança passava a ajudar os adultos,
sendo tratada como tal, já que podia realizar as tarefas cotidianas, pois
se acreditava que, apenas no contexto das atividades familiares, a crian-
ça se desenvolveria (OLIVEIRA, 2002).

Reflita
Reflita
Sobre esse período histórico, que durou do século V ao século XV
no continente europeu, é importante considerar que era uma época
agrária, na qual os donos da terra (feudo), os chamados senhores feu-
dais, dominavam a riqueza, enquanto os vassalos trabalhavam para
manter a hierárquica condição, em uma relação de servidão para com

Fund_Educ_Infantil.indd 13 6/7/2010 13:52:08


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 13 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

o senhor feudal. É também nessa época que a Igreja detinha um gran-


de poder sobre as pessoas, influenciando as decisões.
Reflita
Reflita
É importante destacar que, nessa época, em função das precárias
condições de higiene e saúde, era muito elevado o índice de mortalidade
infantil, a ponto de a morte de crianças ser considerada um fenômeno
natural. Nesse contexto, uma prática comum era a de separar as crianças
de aproximadamente sete anos de seus pais e entregá-las aos cuidados
de outras famílias, evitando o estabelecimento de laços emocionais com
a família genitora. Além disso, acreditava-se, na época, que estar com
outra família faria com que essas crianças aprendessem ofícios e viven-
ciassem as situações do mundo adulto do qual já faziam parte.
Dessa forma, a criança era considerada uma
Museo del Prado

miniatura de adulto, tanto nas ações, quanto


em seu desenvolvimento socioemocional. Isso
14 refletia-se inclusive na forma de se vestir de cada
gênero: mulheres e meninas vestiam saias e lon-
gos vestidos, homens e meninos, calças compri-
das e camisas. Observando as pinturas da época,
como a obra Las meninas, de Diego Velázquez,
percebe‑se nitidamente que as crianças aparecem
como pequenos adultos, e suas vestimentas anun-
ciavam que elas deveriam se comportar como tal,
Las Meninas, de Diego Velásquez.
não havendo lugar para a infância nesse contexto.
É importante salientar que, mesmo sem haver uma distinção entre os
trajes usados por crianças e adultos, havia uma diferenciação de roupas
entre as classes sociais.
Obviamente, não era apenas nos trajes que as pessoas das classes
sociais se diferenciavam. Outro exemplo disso é que, mesmo com a
ideia de que a família era a grande responsável pelo atendimento das
crianças pequenas, as crianças oriundas da classe dos vassalos tiveram
seu atendimento realizado de formas diferenciadas ao longo do tem-
po. Como exemplos, podemos considerar desde o uso de parentescos
nas sociedades primitivas (em que, normalmente, uma mãe cuidava de

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 14 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 14 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 1

todas as crianças da comunidade), de amas, também chamadas de mães


mercenárias (em que se pagava uma mãe ou pessoa do sexo feminino
para a realização do cuidado das crianças), de lares substitutivos (em
que as crianças iam morar com outras famílias), até o uso da conhecida,
na Idade Média e Moderna, roda dos enjeitados, ou roda dos expostos.
“A roda dos enjeitados era uma espécie de cilindro giratório de madeira,
construído em muros de igrejas e hospitais de caridade. Ela permitia
que bebês fossem deixados nesses locais sem que a identidade de quem
os levasse fosse declarada.” (OLIVEIRA, 2002, p. 59).
O recolhimento das crianças ficava sob a responsabilidade de insti-
tuições religiosas, que assumiam a função de fazer com que o enjeitado
tivesse um ofício quando crescesse.

A infância na Idade Moderna


A partir do século XVI, com o final da Idade Média e o início
da Idade Moderna, as concepções sobre como educar as crianças fo-
ram redimensionadas, principalmente em decorrência das transforma- 15
ções econômicas e políticas, e do surgimento da sociedade capitalista.
Com a Idade Moderna, houve uma profunda transformação do que
se conhecia como sociedade originalmente agrária para a capitalista.
Dois movimentos, o Renascimento e o Iluminismo, tiveram extrema
influencia nesse cenário.
O Renascimento (ou Renascença) começou no século XIV, na Itá-
lia, e difundiu-se pela Europa no decorrer dos séculos XV e XVI. Foi
um período na história do mundo Ocidental – com um movimento
cultural marcante na Europa – considerado como um marco do final
da Idade Média e do início da Idade Moderna. Além de atingir a filo-
sofia, as artes e as ciências, o Renascimento fez parte de uma gama de
transformações culturais, sociais, econômicas, políticas e religiosas que
caracterizaram a transição do Feudalismo para o Capitalismo. Trata-se
de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o
renascimento) do passado, considerado, agora, como fonte de inspira-
ção e modelo de civilização. Em um sentido amplo, esse ideal pode ser
entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza,
em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impreg-
nado a cultura da Idade Média (RENASCIMENTO, 2010). 

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 15 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 15 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

O Iluminismo foi um movimento intelectual, surgido na segunda


metade do século XVIII (o chamado “século das luzes”), que enfatizava
a razão e a ciência como formas de explicar o universo. Foi um dos
movimentos impulsionadores do capitalismo e da sociedade moderna.
Seu nome se deve aos filósofos da época, os quais acreditavam iluminar
as mentes das pessoas. É, de certo modo, um pensamento herdeiro da
tradição do Renascimento e do Humanismo, pois defendia a valori-
zação do Homem e da Razão. Os iluministas colocavam-se contra a
fé, acreditando que a Razão seria a explicação para todas as coisas no
universo (OCULTURA, 2010).
Na Idade Moderna, diferentemente do que ocorria no Período Feu-
dal, o capitalismo ansiava por maiores ganhos na produção de mercado-
rias, buscando alternativas para
Saiba mais melhorá-la. Por isso, a educação
A Revolução Industrial consistiu em um con- desempenhou um importante
junto de mudanças tecnológicas com profundo papel na formação de profissio-
impacto no processo produtivo, nos níveis nais técnicos de diversas espe-
econômico e social. Iniciada na Inglaterra, cialidades, visando suprir essa
16 em meados do século XVIII, expandiu-se pelo demanda criada pelo mercado
mundo a partir do século XIX (REVOLUÇÃO de trabalho moderno, devido à
INDUSTRIAL, 2010). construção de muitas indústrias.
Com o advento da chamada Revolução Industrial, que transfor-
mou definitivamente a vida em sociedade ao inserir a manufatura,
estabeleceu-se um conflito que teve como centro as crianças com idade
entre 0 e 6 anos. Como as fábricas recém-construídas necessitavam de
trabalhadores, pais e mães (elas em um segundo momento e em escala
menor) abandonavam seus filhos para poder trabalhar, deixando-os sob
o cuidado de terceiros ou à própria sorte.
Nesse momento em especial, houve a necessidade de repensar qual
destino se daria às crianças, filhos dos operários, pois estavam sofrendo
maus tratos e abandono, enquanto os filhos de pais burgueses frequen-
tavam a escola.
Aos poucos, para o atendimento dessas crianças abandonadas, fo-
ram sendo criadas instituições formais, que não tinham propostas pe-
dagógicas. A maioria das atividades realizadas nesses estabelecimentos
eram voltadas para a obtenção de bons hábitos de comportamento,
internalização de regras morais e de valores religiosos.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 16 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 16 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 1

Nesse período, com o ideal destacado nos movimentos religiosos


da época, foram organizadas escolas para pequenos na Inglaterra (petty
schools), na França (écoles petites) e em outros países europeus, nas quais
a escrita e a leitura eram ensinadas às crianças a partir dos seis anos de
idade, embora o objetivo maior fosse o ensino religioso. Mais tarde, nos
séculos XVII e XVIII, crianças de dois ou três anos já eram incluídas
nas charity schools ou dame schools, então criadas na Europa Ocidental.
Esse foi o início do atendimento formal à criança por parte de uma
instituição educativa.

Alguns precursores da Educação Infantil

Jan Amos Komenský


Nos séculos XVI e XVII, o pensamento pedagógico moderno
começou a ganhar outra dimensão, tendo como primeiro estudioso
Jan Amos Komenský (1592-1670) – em português conhecido como
Comênius ou Comênio – nascido na atual República Tcheca.
17
Comênius combateu os métodos educacionais usados na época
medieval, sendo o primeiro filósofo do qual se tem notícia que consi-
derou os sentimentos das crianças. Comênius costumava reagir à ideia
de que a educação deveria ser autoritária usando a expressão: “Por que
não se pode aprender brincando?” e é criador do conceito de que po-
demos e devemos ensinar tudo a todos, considerando, dessa forma, que
todos os homens têm direito de conhecer e aprender sobre o mundo
em que vivem. Essas considerações eram importantes, pois esboçavam
uma possível educação para crianças pequenas, em um tempo em que
suas especificidades ainda não eram respeitadas.
Sua obra mais famosa é a Didática magna, livro em que preconiza
a ideia de um método universal que pudesse ensinar tudo a todos e que
já destacava a importância da metodologia de ensino dos professores
em relação ao aprendizado das crianças. O autor afirma que a didática
(aqui, referindo-se a seu ao Didática magna) pode interessar:
Aos professores, a maior parte dos quais ignorava comple-
tamente a arte de ensinar; e por isso, querendo cumprir o
seu dever, gastavam-se e, à força de trabalhar diligentemen-
te, esgotavam as forças; ou então mudavam de método,

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 17 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 17 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

tentando, ora com este ora com aquele, obter um bom su-
cesso, não sem um enfadonho dispêndio de tempo e de fa-
diga (COMENIUS, 2010, [s. p.]).

Como se pode perceber, Comênius já destacava a importante ne-


cessidade de o professor adequar sua metodologia de trabalho ao que
ele chamava de “arte de ensinar”, de forma a não empreender esforços
inúteis em sua tarefa.
No livro A escola da infância, publicado em 1628, Comênius en-
focou a ideia de educar crianças menores de seis anos e de diferen-
tes condições sociais. O autor
Saiba mais propunha que o acesso à edu-
cação dessas crianças fosse feito
Você pode conhecer o famoso livro de
Comênius, Didatica Magna, na sua versão di- em um nível inicial de ensino
gital acessando o seguinte endereço eletrôni- que era como o “colo da mãe”
co: <http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/ (mother’s lap). Ressaltava, tam-
didaticamagna.html>. bém, a necessidade da formação
Além disso, você pode saber mais sobre
do professor das crianças peque-
18 Comênius, importante personagem da história nas, uma vez que considerava a
da Educação Infantil, acessando infância como um período im-
os seguintes endereços: portante do desenvolvimento
humano. Comênius acreditava
<http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/
comeniusdw.html>.
que o processo de aprendizagem
iniciava‑se pelas sensações e, por
<http://revistaescola.abril.com.br/historia/ isso, as crianças deveriam expe-
pratica-pedagogica/pai-didatica-moderna-
rimentar o manuseio de objetos
423273.shtml>.
para internalizar conhecimentos
que, futuramente, seriam inter-
pretados pela razão. Disso vem sua defesa de que a educação de crian-
ças pequenas deveria utilizar-se de materiais e atividades diversificados
de acordo com suas idades, como passeios, quadros, modelos e obje-
tos reais, auxiliando-as, no futuro, a realizar aprendizagens abstratas
(GADOTTI, 2004).

Jean Jacques Rousseau


A educação das crianças pequenas teve muitos benefícios com os
estudos e propostas de Jean Jacques Rousseau (1712-1778), pensador
suíço nascido em Genebra.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 18 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 18 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 1

Contrário à ideia de que a educação de crianças deveria ter como


referência os interesses dos adultos, Rousseau propôs que, em uma edu-
cação apropriada à faixa etária, as crianças deveriam ser incentivadas
desde cedo a experimentar situações variáveis, de acordo com o ritmo
de maturação. Dessa forma, chamou a atenção para as necessidades da
criança em seus diferentes estágios de desenvolvimento.
Os estudos de Rosseau reti-
raram as crianças da posição de Saiba mais
miniadulto, defendida na Idade Para conhecer mais sobre esse importante
Média, e trouxeram à tona a pensador, acesse o site:
ideia de que elas tinham carac-
<http://revistaescola.abril.com.br/historia/
terísticas próprias e que neces-
pratica-pedagogica/filosofo-liberdade-
sitavam de uma educação que
como-valor-supremo-423134.shtml>.
respeitasse suas fases de desen-
volvimento, com professores ca-
pacitados para tal entendimento. As propostas de Rousseau eram muito
diferentes das praticadas pelas sociedades da época, nas quais o uso da
memória e a rígida disciplina eram concebidos como educação. Nesse
19
sentido, propôs trabalhar com a criança alguns elementos, como: brin-
quedo, esporte, agricultura, uso de instrumentos de variados ofícios,
linguagem, canto, aritmética e geometria (GADOTTI, 2004).

Johann Heinrich Pestalozzi


Suíço, nascido em Zurique, este famoso pensador contribuiu mui-
to para o desenvolvimento da Educação Infantil como a concebemos
hoje: Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827). Segundo ele, o principal
objetivo do ensino era levar as crianças a desenvolver suas habilidades
naturais e inatas, ressaltando que todas tinham direito absoluto à educa-
ção, para que pudessem desenvolver os poderes dado a elas por Deus.
As ideias desse pensador eram contrárias àquelas vigentes na sua
época, em que as escolas eram controladas, em sua maioria, pela Igreja,
a qual não se preocupava com a melhoria da qualidade do ensino e das
condições físicas das crianças, o que se refletia na falta de habilidade dos
professores e no pequeno número de escolas existentes.
Os trabalhos de Pestalozzi trouxeram inovação ao ambiente edu-
cacional quando propuseram um método de ensino diferente do que

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 19 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 19 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

se praticava. Centrado nos princípios de tranquilidade, amor, segu-


rança e afeto, de forma que se assemelhasse ao ambiente familiar, o
ambiente escolar era considerado por ele como um ambiente ideal
para a aprendizagem.
As influências de Pestalozzi alcançaram, também, a formação dos
professores, pois ele formalizou procedimentos de treinamento para os
mestres, levando em conta suas
Saiba mais preocupações: a educação pelos
Outras informações sobre esse autor podem sentidos e as atividades diversi-
ser obtidas no site: <http://revistaescola.abril. ficadas, como artes, música, so-
com.br/formacao/formacao-inicial/teorico- letração, geografia, aritmética,
incorporou-afeto-sala-aula-423096.shtml>. linguagem oral e contato com a
natureza (GADOTTI, 2004).

Friedrich Fröebel
Considerado o pai da pré-escola, este autor alemão, nascido
em Oberweibach, estudou com Pestalozzi e foi por ele influenciado.
20 Fröbel (1782-1852), entretanto, desenvolveu sua própria teoria edu-
cacional voltada às crianças pequenas, independentemente das ideias
de seu mestre.
Para Fröebel, as crianças eram como plantinhas em desenvolvi-
mento, e o professor, o jardineiro que as fazia desabrochar. Para esse
desenvolvimento, criou um espaço especial, a primeira instituição
com caráter educacional para crianças de Educação Infantil, chama-
da por ele de kindergarten (jardim de infância, em alemão). Em sua
escola, criada em 1837, as crian-
Saiba mais ças eram atendidas do primeiro
Conheça mais sobre Fröebel no site: <http:// ao sexto ano de idade, e, como
revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/ princípio pedagógico, defendia a
4-a-6-anos/formador-criancas-pequenas- ideia de que elas se desenvolviam
422947.shtml>. por meio de uma relação entre a
imaginação e a ação.
O que torna os estudos de Friedrich Fröebel tão relevantes para a
Educação Infantil é o fato de que ele sempre priorizou o conhecimento
sobre crianças como uma forma de detectar suas características e neces-
sidades, para adequar seu modo de educação a essa realidade infantil.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 20 6/7/2010 13:52:09


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 20 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 1

Muitas das técnicas utilizadas atualmente nas salas de aula de


Educação Infantil devem a Fröebel o seu surgimento, uma vez que a
proposta pedagógica desse autor apresentava dois pontos fortes: as ati-
vidades de cooperação e os jogo livres. Sendo assim, como homenagem
por seus préstimos, Fröebel carrega até hoje o título de “pedagogo do
jardim de infância” (FERRARI, 2008b).

Maria Montessori
Primeira mulher a se formar como médica na Itália, Maria
Montessori (1870-1952) iniciou seus trabalhos como psiquiatra de
um hospital de crianças especiais, chamadas, na época, de crianças
com retardo mental.
Para essas crianças, criou materiais coloridos, facilmente manipu-
láveis, pois defendia a ideia de que elas deveriam construir suas apren-
dizagens a partir do que existia em seus ambientes. Com o sucesso des-
ses materiais, Maria Montessori abriu um precedente para a utilização
deles na educação de crianças com desenvolvimento normal. O sucesso
foi imediato e, desde então, deve-se a Montessori esta importante con- 21
tribuição, que é amplamente utilizada, até hoje, na Educação Infantil: a
percepção de que as crianças, com materiais adequados e interessantes,
respondem aos estímulos com rapidez e entusiasmo, ao mesmo tem-
po em que podem exercitar suas habilidades e autonomia. Com isso,
contrariou as práticas educacionais que privilegiavam a repetição e a
memorização em detrimento do desafio e da construção de conceitos.
Maria Montessori criou sua teoria de educação com base em três
princípios: individualidade, atividade e liberdade do aluno, de forma
que, em cada estágio de seu desenvolvimento, o estudante recebesse um
atendimento especializado, que vinha ao encontro das suas possibilida-
des e interesses. A prioridade dos estudos dessa autora foram os anos
iniciais do desenvolvimento infantil, o que a torna fundamental para a
faixa etária de 0 a 6 anos. Para colocar em prática sua teoria, Montessori
fundou sua primeira escola, na periferia de Roma, chamada Casa dei
Bambini (Casa das Crianças). O sucesso foi imediato, e outras casas a
seguiram, de forma que até hoje existam escolas, no mundo todo, que
seguem suas orientações. Há, aproximadamente, cem instituições no
Brasil trabalhando com o chamado Método Maria Montessori.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 21 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 21 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Analisando, então, suas formas de origem na Europa, pode-se


afirmar que as instituições de Educação Infantil nasceram como uma
resposta à situação de abandono e maus tratos a que as crianças eram
submetidas. A educação da primeira infância foi criada em um concei-
to de assistencialismo, visto que
era destinada às famílias de clas-
Saiba mais ses desfavorecidas, que necessi-
Para conhecer mais sobre essa precursora,
tavam trabalhar e não podiam
visite o site:
cuidar de suas crianças. Porém,
<http://educarparacrescer.abril.com.br/ com o passar dos anos, os ideais
aprendizagem/maria-montessori-307444.shtml>. e propostas pedagógicas, criados
O método proposto por Maria Montessori é originalmente para os filhos das
composto de muitas particularidades. Se você camadas menos favorecidas, fo-
acessar o seguinte site, vai conhecer algumas ram reelaborados e oferecidos a
escolas que trabalham com o método montes- outras faixas sociais, prevalecen-
soriano, no Brasil. Disponível em: <http://www. do, na maioria das vezes, para as
omb.org.br/>. classes desfavorecidas, uma edu-
cação assistencialista.
22

Síntese
Neste capítulo, conhecemos as primeiras concepções sobre a edu-
cação da primeira infância, desde seu início, na Idade Média, quando
a criança era considerada um miniadulto, passando pelas ideias da Ida-
de Moderna. Os precursores da Educação Infantil e suas contribuições
para o desenvolvimento dos estudos sobre essa faixa etária também fo-
ram abordados, de modo a compor as primeiras noções sobre o atendi-
mento e a educação das crianças pequenas.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 22 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 22 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Os caminhos da
Educação Infantil
no Brasil: história e
legislação
2
A valorização infantil e a concepção de infância como é consi-
derada na atualidade foram construídas através dos tempos. No pano-
rama histórico que será abordado neste capitulo, será possível conhecer
como eram as formas de tratamento das crianças pequenas, tanto no
âmbito social, incluindo o contexto familiar e o escolar, quanto no le-
gislativo. Continua-se, portanto, com reflexões a respeito da trajetória
histórica da Educação Infantil, desta vez nos contextos da educação
e da legislação brasileira. Assim, será possível conhecer as formas de 23
atendimento destinadas às crianças pequenas, desde o início da história
da educação no Brasil até o século XX, e de como as leis foram contem-
plando a educação das crianças de 0 a 5 anos.

Panorama histórico da Educação Infantil no Brasil


até o século XX
No Brasil, tradicionalmente e financeiramente, o contexto mais
aceito era o de que a criança deveria ser atendida pela mãe, ou outros
familiares, em um ambiente doméstico.
A educação de crianças pequenas começou com caráter assisten-
cialista, na metade do século XIX, em decorrência do capitalismo, que
também nascia no país. Com as recém-criadas fábricas, cria-se uma
demanda até então inexistente: as mães da classe operária precisavam
de lugares para deixar seus filhos pequenos durante a jornada de traba-
lho, pois as crianças ainda eram muito novas para irem à escola. Além
disso, o Brasil vivia o período da abolição da escravatura e acentuada
migração para as zonas urbanas. Portanto, o aumento da população

Fund_Educ_Infantil.indd 23 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 23 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

nesses locais e o desenvolvimento das fábricas, que buscavam mão de


obra especializada, são dois fatores influentes quando se começou a dar
atenção para as crianças da primeira infância.
Até o começo desse século, não havia distinção entre o atendi-
mento a crianças realizado na creche e o feito em asilos e internatos.
Preconizava-se a ideia de que o atendimento institucional às crianças
era um favor, feito como caridade para mães solteiras ou que não ti-
nham condições de ficar com seus filhos.
Essa demanda mobilizava organizações sociais e filantrópicas, do-
nos de indústrias e senhoras da alta sociedade, na construção de um
aparato que pudesse atender bem ao filho da mãe operária, para que ela
pudesse produzir mais. Dessa forma, seguindo as referências europeias,
surgiu no Brasil o atendimento para crianças pequenas, que foi dividi-
do em duas partes:
●● as chamadas creches ou asilos da primeira infância, que se
propunham a atender crianças de 0 a 2 anos;
24 ●● as chamadas salas de asilo para a segunda infância, poste-
riormente denominadas de escolas maternais, que atendiam
crianças de 3 a 6 anos.
Uma diferenciação merece destaque. Na realidade brasileira, as
instituições pré-escolares foram chamadas de jardins de infância. As
instituições privadas, que atendiam às crianças ricas, receberam o nome
de asilo, e as que atendiam às crianças pobres receberam o nome de
creche, reforçando a ideia de que creche é uma entidade assistencialista,
destinada a combater a pobreza.
Com o desenvolvimento acelerado da medicina, a área da pediatria
despontava como necessária, cabendo aos médicos dessa área ensinar
as mães a cuidar de seus filhos, no intuito de diminuir a mortalidade
infantil na época. No contexto brasileiro, ainda havia as mães de alu-
guel (também chamadas de mães de criação, ou, ainda, de criadeiras),
que eram pagas para cuidar das crianças pequenas, em detrimento das
creches. Nesse sentido, os pediatras alertavam com veemência para o
perigo de as crianças serem criadas em moradias inadequadas, com fal-
ta de luz, de higiene e hábitos inadequados. Porém, mesmo com esse
alerta, a situação não mudava muito, pois as criadeiras atendiam, em

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 24 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 24 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

grande parte, os filhos das mulheres que eram discriminadas pela so-
ciedade: prostitutas, mães solteiras e empregadas domésticas. Como se
pode observar, o discurso dos médicos sobre o atendimento às crianças
pequenas atribuía culpa à família pela situação de seus filhos. Aliás, esta
era uma visão da época: como as famílias eram culpadas pela pobreza, o
atendimento a essas crianças seria feito no sentido de acalmar esse mal,
principalmente nas classes trabalhadoras (OLIVEIRA, 2002).
Assim, historicamente, o desenvolvimento da Educação Infantil
no Brasil passou pela defesa de uma concepção de atendimento em cre-
ches e jardins de infância mais assistencialista do que educativa sendo
sempre atrelada à classe social das crianças.
Devido às precárias condições de moradia das crianças, a creche
acabou se tornando o espaço onde eram proporcionadas as condições
de higiene de saúde que não
eram ofertadas em casa; assim, Saiba mais
o aspecto de formação e de edu-
É atribuído à Emília Faria de Albuquerque
cação era substituído pelo assis-
Erichsen o mérito de ter fundado o primeiro
tencial, em que o importante jardim de infância do Brasil, na cidade de
25
era a alimentação e o cuidado Castro, estado do Paraná. Para conhecer mais
com a saúde. Por isso, dentro da sobre a história dessa pernambucana que utili-
creche, o atendimento ainda era zou os métodos pedagógicos de Fröebel, aces-
somente assistencial, como que se o site: <http://www.faced.ufu.br/colubhe06/
para “aparar as arestas” de um anais/arquivos/151RonieCardosoFilho.pdf>.
mal necessário (o trabalho) que
separava as mães de seus filhos por um tempo e por condições que
aumentariam o desenvolvimento do país. No entanto, o formato do
atendimento praticado nas creches deixava clara a ideia de que ela era
destinada à população pobre e que as crianças de família nobre deve-
riam ser criadas em casa por suas mães.
No Brasil, com essa concepção de atendimento à classe traba-
lhadora, foram criados diversos jardins de infância particulares, em
Castro, cidade do Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram
criados, também, jardins de infância públicos, que eram destinados às
crianças abandonadas.
A chegada de muitos imigrantes europeus, no final do sécu-
lo XIX, e sua rápida absorção ao mercado de trabalho, no início do

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 25 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 25 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

século XX, originou alguns protestos e reivindicações por melhores


condições de trabalho e por creches para o atendimento dos filhos
desses trabalhadores. Porém, somente na década de 20 do século XX, o
governo estimulou o atendimento às crianças pequenas da classe ope-
rária, limitando‑se, entretanto, a fornecer somente professores, mate-
riais pedagógicos e mobília, deixando a cargo da sociedade a realização
desse serviço.
Após 1930, em virtude dessa situação, pensadores brasileiros (Fer-
nando de Azevedo, Anísio Teixeira e Lourenço Filho) divulgaram a
educação progressiva da chamada Escola Nova e suscitaram algumas
reformas educacionais que cul-
Saiba mais minaram no Manifesto dos Pio-
Você pode conhecer, na íntegra, o Manifesto neiros da Educação Nova. Em
dos Pioneiros da Educação Nova, no endereço 1932, mesmo redigido por Fer-
eletrônico: <http://www.pedagogiaemfoco. nando Azevedo, este manifesto
pro.br/heb07a.htm>. foi subscrito por muitos outros
educadores e intelectuais.
26 O manifesto pedia, urgentemente, medidas educacionais dentro
de um programa próprio, com itens que faziam referência à educação
pré-escolar, no que diz respeito à criação de instituições específicas para
esse fim, e enfatizavam a necessidade de uma organização escolar unifi-
cada, da pré-escola à universidade, respectivamente.
Na década de 40 do século XX, aumentou a quantidade de atitudes
governamentais em direção ao assistencialismo, principalmente na área
de saúde, e, na década seguinte, as creches que eram mantidas por enti-
dades filantrópicas e religiosas passaram a receber ajuda do governo. O
trabalho realizado nessas instituições tinha como preocupação a questão
da alimentação, da higiene e da segurança física, e, como sobreviviam de
doações, nem sempre podiam contar com esses quesitos básicos.
Em 1943, Getúlio Vargas criou a Consolidação das Leis de Tra-
balho (CLT), que, entre outras coisas, tornava obrigatória a criação de
creches e berçários para os filhos dos funcionários. Por falta de fiscaliza-
ção do governo, isso não foi consolidado na prática, e o número dessas
instituições, criadas nesse período, fosse pouco significativo.
Cada vez mais, a mulher participava do mercado de trabalho e mi-
grava para os grandes centros urbanos; por isso, tinha problemas para

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 26 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 26 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

conciliar o trabalho com o atendimento de seus filhos. Mudava-se a épo-


ca, mas o problema permanecia igual, enraizado na crença de que eram
as mães que deveriam tomar conta de seus filhos ou arrumar alguém que
pudesse, temporariamente, oferecer um atendimento similar. Como não
havia preocupação do governo em tomar atitudes que pudessem resultar
em medidas práticas, cada mãe resolvia os problemas a seu modo. Encon-
tra-se, assim, além da dificuldade de atendimento, a “culpa” sentida por
essas mães, que precisavam deixar os filhos sob o cuidado de outros.
Quando a marginalização de crianças e jovens apresentou-se em
um patamar muito alto, a creche foi defendida como uma possível re-
dutora desse problema. Observe que a ideia de marginalidade crescia,
muitas vezes, originada no fato de a criança ficar sozinha em casa e/ou
ficar sob os cuidados de seus irmãos mais velhos, enquanto a mãe tra-
balhava para manter o lar. Acidentes domésticos aconteciam em grande
escala, pois o que se impunha às crianças maiores era uma responsabili-
dade de cuidado que ainda não podiam carregar. Desse modo, não raro,
descarregavam suas angústias e frustrações na marginalidade.
A creche, portanto, não atenderia somente à criança pequena, mas 27
a toda uma estrutura que se ruía em torno dela (na relação do atendi-
mento precário que as famílias tentavam organizar). Mais uma vez, a
instituição era colocada como um favor que servia para proporcionar a
essas crianças um espaço que não teriam em casa.
Não havia, contudo, uma preocupação com a amplitude do pro-
blema que levava as mães a deixarem seus filhos sozinhos em casa, nem
com a relação de sua necessidade de trabalho, nem com a questão da
marginalidade de jovens. Na situação que se apresentava, a creche era
considerada apenas como um remédio a esses males.
Sendo assim, é possível afirmar que as creches foram, por muito
tempo, uma estratégia dos governos para combater a pobreza e resolver
problemas ligados à sobrevivência das crianças, o que justificou por mui-
tos anos a existência dessas instituições no Brasil (KRAMER, 1993).
Na outra metade do século XX, mesmo com a maioria da popu-
lação ainda não tendo acesso a condições ideais de vida, as instituições
de atendimento a crianças de 0 a 5 anos passaram a ser cada vez mais
requisitadas, não só pela chamada classe operária, mas também pelas
mulheres que trabalhavam no comércio e no funcionalismo público.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 27 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 27 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Fundamentos legais da Educação Infantil


Vamos fazer uma retrospec-
Saiba mais tiva histórica da legislação sobre
Leôncio de Carvalho nasceu em 18 de junho
Educação Infantil, no intuito de
de 1847, em Iguaçu, na província do Rio de
Janeiro. Advogado, foi convidado para ocupar
conhecermos como ela se articu-
a pasta dos Negócios do Império em 15 de lou no nosso país.
janeiro de 1878 e, por meio do Decreto de 19 No projeto de reforma de
de abril de 1879, reformou a instrução pública
Leôncio Carvalho, em 1878,
primária e secundária no Município da Corte
durante o Período Imperial,
e o Ensino Superior em todo o Império, o que
deu origem aos pareceres/projetos de
encontra-se a primeira referên-
Rui Barbosa. cia oficial à pré-escola no Brasil.
Nessa época, Rui Barbosa, par-
Para saber mais sobre Leôncio de Carvalho,
lamentar, emitiu dois pareceres
acesse o site: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/
texto.asp?id=7865>.
a respeito da reforma de Leôncio
de Carvalho.
Esses dois documentos contêm uma apreciação sobre a metodo-
28 logia dos jardins de infância (chamados assim por Rui Barbosa, em
uma tradução literal da expressão kindergarten, de Fröebel). Neles, Rui
Barbosa empregou expressões utilizadas até hoje, como “atividade livre
da criança” e “espontaneidade de ação”.
Mesmo com as contribuições de Rui Barbosa para esta etapa de en-
sino, o precursor da Educação Infantil, no Brasil, foi Joaquim Teixeira
de Macedo, defensor de ideias de nacionalidade pregadas por Rosseau,
Pestalozzi e Fröebel. Com grande admiração pela educação alemã,
defendia a ideia de que havia a
Saiba mais necessidade de uma educação
1. Para compreender os caminhos percorridos que fortalecesse o espírito de na-
para se chegar à Educação Infantil conhecida cionalidade do povo brasileiro,
atualmente é importante conhecermos um sendo essa educação a solução
pouco mais sobre esse assunto. Disponível em:
para o período agitado que era
<http://www.projetomemoria.art.br/Rui
vivido – consequência do desen-
Barbosa/glossario/r/reforma-ensino.htm>.
volvimento econômico do país
2. Acompanhe uma interessante relação entre (KRAMER, 1993).
as ideias de Rui Barbosa e a questão da brinca-
deira infantil no site: <http://www.alb.com.br/ Em 26 de novembro de
anais16/sem13pdf/sm13ss11_05.pdf>. 1947, sob o número 17.698, sur-

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 28 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 28 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

giu o primeiro decreto relativo à


Educação Infantil, chamado de
Consolidação das Leis de Ensi- Saiba mais
no e que tratava especificamente Para melhor compreensão do tema deste capí-
das escolas maternais e dos jar- tulo, é interessante que você conheça as legis-
dins de infância. Segundo ele, lações brasileiras. Ao conhecer as três Leis de
a função das escolas maternais Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (Lei
n. 4.024/61, Lei n. 5.692/71 e Lei n. 9.394/96,
oficiais deveria ser a de receber
que está atualmente em vigência) você terá
os filhos de operários, oferecen- muito mais subsídios para acompanhar os estu-
do a eles um desenvolvimento dos específicos sobre os caminhos históricos e
harmônico, em um ambiente legislativos percorridos pela
similar ao do lar (SÃO PAULO, Educação Infantil.
1947). Já os jardins de infân- • LDB n. 4.024/61: disponível em: <http://
cia deveriam dar oportunidade www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
para que os alunos praticassem L4024.htm>.
a autodireção e o autocontrole, • LDB n. 5.692/71: disponível em: <http://
desenvolvendo a iniciativa e a www.planalto.gov.br/Ccivil_03/LEIS/
invenção e aprendendo a coor- L5692.htm>. 29
denar esforços e interesses de
• LDB n. 9.394/96: disponível em: <http://
seus companheiros. Esse decre- www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
to orientou o ensino pré-escolar L9394.htm>.
até 1961, quando surgiram as
Leis de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional.

Primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional


(1961) e a educação de crianças pequenas
A primeira LDB foi publicada em 20 de dezembro de 1961, sob
número 4.024, no governo do presidente João Goulart, após ter sido
designada pela Constituição de 1934. Assim, quase trinta anos depois
de ter sido prevista e 13 anos depois de seu primeiro projeto ter sido en-
caminhado ao Poder Legislativo, finalmente nasceu o texto da primeira
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (SALOMÃO, 2010).
Com uma estrutura de 120 artigos, a LDB n. 4.024/1961 trata-
va da educação das crianças chamadas pré-escolares no Título VI (Da
Educação de Grau Primário), assim dividido:

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 29 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 29 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

●● Capítulo I – Da Educação Pré-Primária


●● Capítulo II – Do Ensino Primário
No capítulo que trata da chamada educação pré-primária, que
diz respeito às crianças pequenas, a LDB n. 4.024/1961 traz o se-
guinte texto:
Art. 23. A educação pré-primária destina-se aos menores até
sete anos e será ministrada em escolas maternais ou jardins
de infância.
Art. 24. As empresas que tenham a seu serviço mães de me-
nores de sete anos serão estimuladas a organizar e manter, por
iniciativa própria ou em cooperação com os poderes públicos,
instituições de educação pré-primária (BRASIL, 1961, [s. p.]).

Nessa época, o Brasil vivia um contexto de crescimento, com grande


demanda de urbanização e industrialização e, dessa forma, mais mulhe-
res iam aos campos de trabalho, necessitando deixar seus filhos em locais
de atendimento. No entanto, ainda não havia o compromisso formal
dos governantes em assumir as obrigatoriedades desse nível de ensino.
30
A partir de 1964, com a época dos governos militares, foram cria-
dos órgãos que continuaram a defender a ideia de que a creche era
como um favor à criança e à sua família. Por meio da Legião Brasileira
de Assistência (LBA) e da Fundação Nacional do Bem-estar do Menor
(Funabem), o governo oferecia ajuda às entidades filantrópicas, na ten-
tativa de atenuar o problema da marginalização ainda existente.
Sem alterar as condições sociais e econômicas das famílias, o go-
verno dava à creche a função de compensar e superar o deficit cultural
apresentado pelas crianças menos favorecidas. A tônica desse trabalho
era, portanto pautada em uma visão que estigmatizava a população de
baixa renda.
Nas décadas de 60 e 70 do século XX, essa ideia ainda era vigente
e, em função disso, algumas creches e pré-escolas particulares (que se
tornavam cada vez mais numerosas) basearam suas propostas de traba-
lho em um patamar em que se encontravam a estimulação cognitiva e
o preparo para a alfabetização.
Com isso, era grande a diferença entre a educação oferecida às crian-
ças de famílias mais abastadas e a oferecida às de família com renda menor.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 30 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 30 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

Enquanto a primeira baseava-se em estudos que ressaltavam a importância


do período de 0 a 5 anos para o desenvolvimento infantil (como os estu-
dos de Jean Piaget) e que se propunham a realizar um trabalho que ressal-
tasse a criatividade e a sociabilidade, a segunda era somente um tentativa
de “tapar buracos” causados por problemas econômicos e pelas diferenças
culturais e permeados pelas políticas governamentais.

Segunda Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional


(1971) e a educação de crianças pequenas
A LDB n. 5.692 foi publicada em 11 de agosto de 1971, trazendo
textos relativos à Educação Infantil, chamada, na época, de educação
pré-escolar. De acordo com o parágrafo segundo do artigo 19 dessa lei,
“Os sistemas de ensino velarão para que as crianças de idade inferior a
sete anos recebam conveniente educação em escolas maternais, jardins
de infância e instituições equivalentes” (BRASIL, 1971, [s. p.]).
Percebe-se que, ao mesmo tempo em que se abriu a possibilidade
para que cada sistema de ensino decidisse sobre a matrícula de crianças
menores, havia a recomendação de que as crianças com idade inferior 31
a sete anos fossem atendidas em escolas maternais, jardins de infância e
instituições equivalentes, sem, contudo, especificar quem ficaria a car-
go dessa responsabilidade educacional.
A partir da segunda metade da década de 70 do século XX, a cre-
che tornou-se um direito do trabalhador, sendo efetivado na prática
das grandes empresas. Porém, em virtude do crescimento dos centros
industriais, as creches das empresas não conseguiam mais atender à
demanda criada, e o governo passou a incentivar e ajudar as já exis-
tentes “creches domiciliares” (nas quais uma mãe tomava conta dos
filhos de outras, mediante pagamento). Essa modalidade alternativa de
atendimento à criança pequena, assim como as creches empresariais,
funciona até hoje em nosso país. Além delas, existem as creches des-
vinculadas do governo ou de empresas, sendo geridas pelos próprios
usuários (OLIVEIRA, 2002).
Pode-se considerar que a Lei n. 5.692/71, ao sugerir que os esta-
belecimentos de ensino “velassem” pelas crianças pequenas, recomen-
dando que os menores de sete anos recebessem educação em escolas e/
ou instituições equivalentes, teve pouca atuação efetiva no campo da

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 31 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 31 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

educação das crianças pequenas. Somente em 1974 o Ministério da


Educação criou uma coordenação para tratar dos assuntos relacionados
à educação das crianças em idade pré-escolar. Foi nesse ano, também,
que o Conselho Federal da Educação começou a receber pronuncia-
mentos que destacavam a importância da educação pré-escolar. Alguns
exemplos são a Indicação n. 45/75 e o Parecer n. 2.018/74, brevemente
descritos a seguir (SOUZA; SILVA, 2002).

Indicação n. 45/75 – Conselho Federal de Educação – Conselheiro


Eurides Brito da Silva:
• importância da educação pré-escolar na formação do homem
brasileiro;
• a educação pré-escolar não é uma fase preparatória.
Parecer Conselho Federal da Educação n. 2.018/74 – Paulo Nathanael
Pereira de Souza:
32
• encara a educação pré-escolar como estágio probatório;
• por causa das reprovações ocorridas no primeiro grau, a ideia
de educação compensatória se fortalece;
• reduz a pré-escola apenas à faixa etária de 5 e 6 anos quando
fala de prontidão.

Percebe-se, nessa indicação, uma característica que se atribuía


à educação pré-escolar da época: a questão da defasagem cultural. A
criança era considerada como culturalmente defasada, e a educação
pré-escolar funcionaria como solução para isso. Sendo assim, o trecho
desse documento enfatiza a ideia da pré-escola como elemento para a
superação da defasagem cultural.
Estudos e pesquisas realizados em vários países do mundo de-
monstram que os cuidados dispensados ao pré-escolar contribuem para
a prevenção do retardo escolar e de outros distúrbios (oriundos de ca-
rências nutricionais e afetivas) e para a promoção do desenvolvimento

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 32 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 32 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

da criança, com pleno aproveitamento de todas as suas potencialida-


des. Segundo numerosos psicólogos e pedagogos, a ação do meio social
é tamanha, desde o nascimento à entrada na escola primária, que as
crianças iguais se acham desiguais sobre os bancos da escola. Para supe-
rar essa desigualdade, é durante o período que vai de 3 a 6 anos que é
preciso agir (BRASIL, 1974).
Por muitos anos, a visão sobre a educação de crianças relatada nes-
ses pareceres e em outros documentos foi a que prevaleceu em nosso
país: defasagem cultural, educação compensatória e preparação para o
primeiro grau.
Os documentos oficiais retratam a visão que se tinha acerca da
função das instituições educativas destinadas a crianças de 0 a 5 anos.
As leis, frutos de suas épocas, transmitem muitas vezes o descaso com
que o tema era tratado pelos governos: algumas vezes com desatenção,
outras com ignorância (no sentido de não ser considerada). Os enfo-
ques assistencialistas foram marcas fortes na Educação Infantil desse
tempo e, em alguns lugares do país, permanecem até hoje.
33

Terceira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional


(1996) e a educação de crianças pequenas
A Constituição promulgada em 1988 lançou uma visão diferente
da que havia acerca do atendimento a crianças pequenas: opondo-se
à visão tradicional de favor prestado às classes menos favorecidas e de
período preparatório, a creche passou a ser reconhecida como uma ins-
tituição educativa, “um direito da família e um dever do Estado”.
A Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, trouxe a primeira
grande atenção em relação à diferença da ideia de atendimento ofereci-
do às crianças pequenas. Um exemplo disso pode ser conferido no livro
Creches: crianças, faz de conta & cia, no qual se faz uma importante
reflexão sobre o papel da creche na realidade educativa brasileira, que
foi sensivelmente alterado pela LDB n. 9.394/96. Nesse livro, ainda, é
destacada a função educativa da creche, que exige o planejamento de
um currículo de atividades, o qual deverá considerar tanto o grau de de-
senvolvimento da criança, quanto os conhecimentos culturais básicos a
serem por ela apropriados.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 33 6/7/2010 13:52:10


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 33 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Por essa e por tantas outras literaturas, nesse sentido, e pelas práti-
cas educativas que estão se modificando em direção a ações educativas,
percebe-se que está nascendo
Saiba mais uma nova concepção acerca da
O livro Creches: crianças faz de conta & Cia.,
Educação Infantil, que altera
de Zilma de Moraes Oliveira et al., publicado fundamentalmente a visão que
pela Editora Vozes, é um material que deve ser se tinha antes sobre o atendi-
conhecido, pois trata de assuntos muito perti- mento a crianças pequenas. Se,
nentes à Educação Infantil brasileira. em épocas anteriores, as crianças
eram tratadas como adultos em
miniatura, a atual lei reconhece-as por meio de suas necessidades e es-
pecificidades, destacando, ainda, a importância de práticas pedagógicas
adequadas à faixa etária de 0 a 5 anos (ABREU, 2004).
Na LDB n. 9.394/96, um dos fatores que merece destaque é o fato
de a Educação Infantil ser considerada parte da educação básica, o que
demonstra uma preocupação em valorizar a primeira infância como
etapa necessária à educação. Acompanhe o que o texto da lei diz acerca
dos níveis e modalidades de educação (BRASIL, 1996, [s. p.]):
34
Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
I – educação básica, formada pela Educação Infantil, Ensino
Fundamental e Ensino Médio;
II – Educação Superior.

Como se pode verificar, a Educação Infantil, pela primeira vez na


história brasileira, passou a ser concebida como parte da educação bá-
sica. Se antes as escolas de Educação Infantil iniciavam suas atividades
com um caráter assistencialista, hoje o que se defende sobre a educação
de crianças pequenas é o fato de esse assunto pertencer à esfera educa-
cional. A referida lei, no âmbito específico da Educação Infantil, traz o
seguinte texto:
Art. 29. A Educação Infantil, primeira etapa da educação
básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da
criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicoló-
gico, intelectual e social, complementando a ação da família
e da comunidade.
Art. 30. A Educação Infantil será oferecida em:
I ­­– creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três
anos de idade;

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 34 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 34 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 2

II – pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.


Art. 31. Na Educação Infantil, a avaliação far-se-á mediante
acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o
objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fun-
damental (BRASIL, 1996, [s. p.]).

Além do que destacamos anteriormente, a Seção II da LDB


n. 9.394/96, retratada acima, ressalta que o desenvolvimento da crian-
ça deve ser integral e determina que a educação dessas crianças seja feita
em creches e pré-escolas, de acordo com a faixa etária.
Embora a LDB n. 9.394/96
determine que a educação dessas
crianças seja feita em creches e Saiba mais
pré-escolas, existe a liberdade de Você pode saber mais sobre as legislações que
escolha de nomenclatura dessas alteraram o Ensino Fundamental de nosso país
instituições. Por isso, é possível de oito para nove anos e que, de alguma for-
encontrar, no Brasil, diferentes ma, estão relacionadas à Educação Infantil.
nomes correspondendo às salas Acesse o site: <http://portal.mec.gov.br/seb/
de aula de Educação Infantil, arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>.
35
como berçário, maternal, mini-
maternal, jardim 2 ou pré 2.
Diante dessa nova proposta para a educação de crianças pequenas,
o Ministério da Educação e do Desporto (MEC) propôs um Referencial
Curricular para a Educação Infantil, cujo objetivo é conferir a esse nível
de ensino uma intencionalidade educativa, em continuidade com os
vários níveis do Ensino Fundamental. Nesse sentido, visa socializar e
difundir o debate acerca da Educação Infantil, destacando sua impor-
tância para a Educação Básica.
Outras legislações são de suma importância no contexto da Educa-
ção Infantil. Acompanhe, a seguir, o teor de cada uma delas:
●● Lei n. 11.114, de 16 de maio de 2005 – altera os artigos 6º,
30, 32 e 87 da LDB n. 9.394/96, com o objetivo de tornar
obrigatório o início do Ensino Fundamental aos seis anos de
idade. Leia a lei na íntegra em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11114.htm>.
●● Lei n. 11.274, de 06 de fevereiro de 2006 – altera a redação
dos artigos 29, 30, 32 e 87 da LDB n. 9.394/96, dispondo

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 35 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 35 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

sobre a duração de nove anos para o Ensino Fundamental,


com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade. Leia
a lei na íntegra em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm>.
Dessa forma, mesmo sem a mudança no texto da LDB n. 9.394/96,
em seu Art. 29, que trata da faixa etária da Educação Infantil, essa mo-
dalidade de educação teve sua faixa etária de atendimento alterada, em
decorrência da expansão do Ensino Fundamental de oito para nove
anos de estudos, atendendo, atualmente, crianças de 0 a 5 anos.

Reflita
Reflita
Modificar o vínculo da Educação Infantil de assistencial para “educa-
tivo” significa colocar em pauta várias questões que vão muito além
dos aspectos de legislação. É necessário que se refaçam conceitos so-
bre a infância, como acompanhamos em nossos estudos anteriores,
sobre as relações entre as classes sociais, sobre as responsabilidades
36 da sociedade frente às crianças pequenas e, principalmente, sobre as
especificidades da Educação Infantil. Sobre esse assunto, leia o texto A
política de Assistência Social no contexto da Educação Infantil: possibilida-
des e desafios para um trabalho socioeducativo, de Selma Frossard Costa,
disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_v6n2_selma.htm>.
Reflita
Reflita

Síntese
Os temas presentes neste capítulo referem-se à história da legislação
brasileira sobre a educação de crianças pequenas, fornecendo informa-
ções importantes acerca das concepções sobre as formas de atendimen-
to a essas crianças. Pode-se conhecer as três Leis de Diretrizes e Bases e
analisar o que cada uma delas oferece sobre a Educação Infantil, com
especial destaque à LDB n. 9.394/96, que reposicionou essa modalida-
de de ensino, colocando-a na esfera básica da educação nacional.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 36 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 36 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

3
Concepção de
infância: inter-relações
da sociedade com
a criança

Este capítulo aborda um tema de grande valia para a forma


como as sociedades tratam as crianças pequenas, pois explica a relação
das concepções que se têm a respeito da infância com as tendências pe-
dagógicas percebidas nas práticas educativas. Sem pretender esgotar o
assunto, mas, sim, teorizar a discussão, apresentam-se, ainda, as impor-
tantes contribuições dos autores cujas pesquisas sobre desenvolvimento
humano mapearam o desenvolvimento infantil, oferecendo alternativas
teóricas para práticas educativas condizentes. 37

A Educação Infantil sob a perspectiva da escola


A história da Educação Infantil mistura-se com a própria história
da infância, uma vez que, ao longo dos tempos, as sociedades alteraram
as formas de atendimento às crianças pequenas, em grande parte por
também alterarem a forma de pensar sobre a infância. Dessa forma, o
tratamento dado a essas crianças, com caráter assistencial ou não, foi
reflexo das ideias correntes que existiam sobre os direitos e deveres das
crianças pequenas, sobre o desenvolvimento infantil, sobre o pensa-
mento e as capacidades de aprendizagens, bem como sobre as necessi-
dades específicas desse grupo etário.
Nessa perspectiva, passamos do atendimento de crianças como
parte exclusiva da família, em uma concepção que as via como seme-
lhantes a um adulto, continuamos nosso caminho na ação da escola
(creche), como substituta da família no atendimento à criança, e, por
fim, passamos pela necessidade de trabalho dos entes da família e pela
concepção da escola de Educação Infantil (pré-escola) como aquela que
prepara a criança para o Ensino Fundamental.

Fund_Educ_Infantil.indd 37 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 37 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Saiba mais É importante relembrar que


a primeira função da pré-escola
Observe com atenção: o termo pré-escola, da
forma como é escrito, não sugere que é uma
foi a de “guardar crianças”, e só
etapa que vem “antes” da escola? Sobre isso, no século XIX nasceu uma pro-
sugere-se a leitura do livro A pré-escola é não posta mais voltada à ideia de
é escola, de Maria Lucia Machado, uma impor- educação do que à ideia de assis-
tante autora da área de Educação Infantil que tência. Mesmo assim, a educação
oferece muitos referenciais para pensarmos na destinada a crianças pequenas
pré-escola como um espaço de educação, com teve um caráter de compensação,
ideias próprias e que não está a serviço das como se a escola devesse (e pu-
séries seguintes, mas somente do desenvolvi-
desse) superar as carências e de-
mento infantil.
ficiências culturais, linguísticas e
MACHADO, M. L. A pré-escola é não é afetivas que haviam sido criadas
escola: a busca de um caminho. Rio de pelas situações da Segunda Guer-
Janeiro: Paz e Terra, 1991. ra Mundial e, com isso, resolver
o problema do fracasso escolar
dos anos seguintes. Essa abordagem de compensação social justificou,
por muitos anos, a estadia das crianças de até seis anos na escola.
38
No Brasil, em 1970, a pré-escola foi utilizada exatamente como
preparação para as séries posteriores, especialmente para a primeira sé-
rie, e também para tentar reverter o fracasso escolar, sendo reconhecida
facilmente por um caráter assistencialista. Kramer (1993, p. 35) res-
salta: “a pré-escola dentro desta visão (compensatória-assistencialista)
serviria para prever estes problemas (carências culturais, nutricionais,
afetivas) proporcionando a partir daí a igualdade de chances a todas as
crianças, garantindo seu bom desenvolvimento.”
Como se percebeu mais tarde, não foi possível garantir esse desen-
volvimento, pois se partia da ideia de que todas as crianças poderiam
ser “igualadas” em seu desenvolvimento. As carências culturais, nutri-
cionais e afetivas não podem ser sanadas pela escola, porque são proble-
mas que ultrapassam a fronteira dos bancos escolares.

Uma nova concepção de infância


Para que se possa compreender a Educação Infantil da atualidade,
comprometida com a educação do século XXI, é preciso repensar a forma
pela qual a sociedade contemporânea conceitua e concebe a infância.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 38 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 38 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

Segundo Oliveira (2002), a principal concepção a ser repensada


diz respeito ao conceito de infância utilizado. Na etimologia da palavra,
infância (in-fans) significa “não fala”. Observe que o sentido de não fala,
aqui, não é o de ausência, mas, sim, o de não validade. Dessa forma, a
concepção da infância como um espaço de silêncio afirma que mesmo
que a criança pequena fale (e, obviamente, ela fala), suas falas ou suas
ideias não devem ser levadas em conta, pois não são importantes e não
mantém a mesma lógica do padrão da linguagem adulta.
Infelizmente, a concepção de que não são importantes a fala das
crianças, suas vontades, seus valores e as lógicas que utilizam para re-
solver seus conflitos está presente em muitos ambientes educacionais.
Ainda existem escolas que desenvolvem suas ações como se a criança
fosse um ser frágil e indefeso, sem poder de decisão, sem opinião e
incapaz de justificar suas atitudes e preferências.
O questionamento a essa perspectiva apoia-se no fato de que o
adulto precisa, independente de sua função para com a criança (pai,
responsável ou professor), repensar o que espera e quais as possibilida-
des de aprendizagem dessa criança. Precisa repensar a forma como age 39
com ela, de modo a dar mais autonomia, o que, em absoluto, significa
permissividade total.
Urgentemente, a concepção de infância como um espaço de silên-
cio precisa ser repensada, uma vez que esse período deve ser compreen-
dido como um tempo de privilegiada comunicação, mesmo quando a
criança ainda não fala utilizando a linguagem oral, mas usa outras lin-
guagens para estabelecer comunicação, como sorrisos, choros e demais
expressões. Por isso, de certa forma, pode-se dizer que as crianças com
menos de um ano de idade também “falam”, pois se comunicam, à sua
maneira, com as pessoas a sua volta.
Ocorre que, para que pais e professores possam aumentar suas ex-
pectativas em relação ao desenvolvimento infantil, é preciso que te-
nham algum conhecimento científico sobre o tema. Somente baseadas
no senso comum, as pessoas acabam por classificar a criança dentro de
um patamar de dependência do adulto e de fragilidade.
Para aprofundar esse tema, serão abordados, a seguir, três pes-
quisadores que contribuíram com teorias que destacam o desenvolvi-
mento humano, auxiliando os adultos a compreender como ocorre,

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 39 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 39 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

nas crianças, o fenômeno de aquisição de conhecimento e quais são


os aspectos relevantes para o seu desenvolvimento. Jean Piaget, Lev
Semenovich Vygotsky e Henry Wallon, cada um sob sua ótica de es-
tudos e pesquisas, mostraram muito acerca do desenvolvimento da
criança e de suas possibilidades de aprender.

Jean Piaget (1896-1980)


Para Jean Piaget, o conhecimento se constrói por meio da inte-
ração da pessoa com objeto. Segundo ele, a atividade intelectual não
pode ser separada do funcionamento total do organismo. Dessa forma,
a interação com os objetos de estudo funciona como uma grande mola
propulsora da aprendizagem, em que corpo e mente funcionam de for-
ma indissociável.
Embora tenha escrito uma teoria de desenvolvimento humano não
propriamente relacionada ao ambiente escolar, as ideias desse psicólogo
suíço influenciaram a educação de muitos países, inclusive o Brasil (LA
TAILLE, 1992). Foi Piaget quem mapeou as etapas de desenvolvimen-
40 to infantil, de 0 a 11 anos – aqui descritas segundo Ângela Biaggio
(1976) –, conforme será visto a seguir.
●● Estágio sensório motor: mais ou menos de 0 a 2 anos – a ati-
vidade intelectual da criança é de natureza sensorial e motora.
A principal característica dessa idade é a não representação
mental dos objetos, sendo direta a ação da criança sobre eles.
Essas atividades serão o fundamento da atividade intelectual
futura. A estimulação ambiental interferirá na passagem de
um estágio para o outro.
●● Estágio pré-operatório: mais ou menos de 2 a 6 anos – nessa
etapa, a criança já não depende tanto de seu movimento e sen-
sações, como no estágio anterior, e já distingue um significa-
dor (imagem, palavra ou símbolo) daquilo que ele significa (o
objeto ausente), o significado. Para a educação, é importante
ressaltar o caráter lúdico do pensamento simbólico. Nessa ida-
de, a criança tem um pensamento egocêntrico, uma vez que
ainda não consegue colocar-se no lugar do outro.
●● Estágio operatório concreto: mais ou menos dos 7 aos 11
anos – é capaz de ver a totalidade dos fatos por meio de

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 40 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 40 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

diferentes ângulos. Conclui e consolida as conservações do


número, da substância e do peso. Apesar de ainda trabalhar
com objetos, agora representados, sua flexibilidade de pen-
samento permite inúmeras possibilidades de aprendizagens.
●● Estágio operatório formal: mais ou menos dos 12 anos em
diante – ocorre o desenvolvimento das operações de raciocínio
abstrato. É importante salientar que, nesse nível, as pessoas
tornam-se capazes de raciocinar corretamente sobre proposi-
ções em que não acreditam ou em que ainda não acreditam,
que consideram puras hipóteses.
Como se pode verificar, a referência às faixas etárias das etapas
de desenvolvimento descritas por Piaget foi feita com a expressão
“mais ou menos”. Isso foi intencional para chamar a atenção do
leitor para o fato de que as idades não são um limite para cada eta-
pa. Piaget não determinou exatamente cada idade/fase, e não há,
realmente, como fazer isso, pois outros fatores influenciam: meio e
estímulos, por exemplo. O que se deve ter em mente é que todas as
pessoas passam por todas essas fases em uma sequência. Portanto, 41
nenhuma criança vai “pular de fase”, mas pode demorar mais ou
menos tempo em cada uma dela, dependendo dos estímulos e desa-
fios a que for submetida.
O aspecto “estímulo” é fundamental na teoria de Piaget, sendo
situado como algo que é oferecido à criança com a função de agu-
çar sua curiosidade, de forçar suas justificativas e de impulsioná-la em
direção ao conhecimento por meio de sua própria descoberta. Dessa
forma, não basta que sejam oferecidos às crianças da Educação Infantil
objetos físicos para a interação, é preciso, ainda, que o adulto funcione
como elemento de desafio, seja para propor variações nos estímulos,
com graus de dificuldade, seja para, com sua linguagem, fazer com que
o outro reflita (BIAGGIO, 1976).

A teoria de Piaget pode ser incorporada facilmente às práticas educativas.


Como o autor defende a interação da criança com os objetos para uma apren-
dizagem real, propõe-se, aqui, que sejam oferecidos às crianças de aproxi-
madamente três anos vários objetos de formatos diferentes (que podem ser
adquiridos em lojas especializadas ou ser provenientes de sucata, mas nesse

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 41 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 41 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

caso é fundamental a higienização correta dos materiais, visto que nessa faixa
etária as crianças, muitas vezes, levam à boca os objetos a elas oferecidos).
De posse dos materiais, a criança deve ser estimulada a experimentar diver-
sas formas de montar uma torre. Não é óbvio para ela que alguns formatos,
como os cilíndricos e circulares, não serão fáceis de serem encaixados e,
por diversas vezes, sua torre das vai cair. Nesse momento, cabe ao professor
funcionar como um estimulador e compreender que, para a criança, fazer,
derrubar e refazer a torre é uma grande forma de aprendizagem em que ela
está em interação com os objetos.

Saiba mais Mapear as etapas de de-


Você pode (e deve!) saber mais sobre esse senvolvimento intelectual das
importante pesquisador de nossos tempos. pessoas auxiliou muito as es-
Acesse os sites: colas a comporem currículos e
• <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget>. proporem atividades que pos-
sam auxiliar verdadeiramente
• <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/
os alunos a se desenvolverem.
per09.htm>.
Como destacado, mesmo não
42 tendo feito esse mapeamento com intenção educativa, é inegável a for-
te influência desse pensador nas ideias pedagógicas mundiais e princi-
palmente brasileiras.

Lev Semenovith Vygotsky (1896-1934)


Psicólogo russo, Vygotsky foi defensor da ideia de que a constru-
ção do pensamento é um processo cultural e não uma formação natural
e universal da espécie humana. Dessa forma, seus estudos possibilita-
ram reflexões acerca da importância da linguagem e de sua influência
no desenvolvimento das pessoas.
Há, em toda sua obra, destaque para as necessidades socias das
pessoas (como conversar, dividir experiências, partilhar conhecimen-
tos, etc.) e especialmente das crianças. Defendeu a sociabilização de-
las com adultos e com outras crianças, como meio de desenvolvi-
mento intelectual.
Para Vygotsky, como não é possível separar o desenvolvimento
do homem da história da sociedade, cada grupo social acaba repas-
sando às crianças as formas de se relacionar naquela determinada

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 42 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 42 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

cultura. O autor destaca que essa partilha é muito importante para


formação da criança, cabendo à linguagem um papel fundamental
nesse contexto.
Uma das grandes contribuições de Vygotsky para o desenvolvi-
mento humano diz respeito aos níveis de aprendizagem que, para esse
pensador, são dois:
●● nível de desenvolvimento real – refere-se àquilo que as pes-
soas já sabem, que já aprenderam.
●● nível de desenvolvimento potencial – refere-se àquilo que
a criança ainda não é capaz de fazer sozinha, mas pode fazer
com ajuda de algum adulto. Como o próprio nome diz, a
criança tem potencial para fazer.
Um conceito que merece nossa atenção diz respeito ao que Vygotsky
(1998, p. 112) chama de “Zona de desenvolvimento proximal”.
A zona de desenvolvimento proximal da criança é a distância
entre seu desenvolvimento real, que se costuma determinar
através da solução independente de problemas, e o nível de seu 43
desenvolvimento potencial, determinado através da solução de
problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração
com companheiros mais capazes.

Nesse sentido, é importante


que os professores de crianças pe- Saiba mais
quenas observem, como destaca Para enriquecer seus conhecimentos, leia a
Vygotsky, que a escola deve focar obra Pensamento e linguagem, de Vygotsky,
suas propostas de aprendizagem que provocou uma revolução quanto à im-
na Zona de Desenvolvimento portância da linguagem para a elaboração do
pensamento infantil. Mesmo tendo lança-
Proximal (ZDP), de modo que o
do sua teoria há muitos anos, as ideias de
conteúdo oferecido à criança não
Vygotsky ainda permanecem muito atuais.
seja por ela já conhecido (em ou-
tras palavras, uma aprendizagem Além disso, indicamos a leitura do livro
real, já efetuada e, consequente- Vygotsky, quem diria?! Em minha sala de aula,
em que Celso Antunes propõe uma relevan-
mente, não interessante), nem
te relação entre a teoria de Vygotsky e as
tão difícil, de forma que ela ainda ações do dia a dia escolar. Não só dedicado às
não consiga realizar o aprendiza- crianças pequenas, mas útil, também, para o
do (sendo, por consequência, um professor delas.
conteúdo desinteressante).

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 43 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 43 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Uma das manifestações mais fortes da teoria de Vygotsky é o aspecto social,


defendido como uma grande forma de aprendizagem. Para o autor, a criança
precisa do outro nos mais variados aspectos, inclusive para o confronto,
para crescer. Dessa forma, o professor da Educação Infantil trabalha com
a teoria de Vygotsky em sala de aula quando propõe atividades que sejam
realizadas em grupo.
Sugere-se, aqui, uma proposta de atividade de desenho para ser realizada
em duplas. Nela cada criança irá desenhar o colega, ficando de frente para
ele, e, posteriormente, fazer uma apresentação ao grupo. A criança desenha-
da pode, após ser apresentada pelo colega desenhista para a turma, comen-
tar quais semelhanças e diferenças que ela vê entre o desenho e a imagem
de si mesma.
Nessa atividade, além de as crianças estarem em entrosamento, visto que
precisam prestar muita atenção no colega para retratá-lo, estarão, também,
aprendendo a lidar com a opinião e o ponto de vista do outro. Nem sempre
vai ser fácil, pois algumas podem discordar da forma como foram retratadas,
mas essa sempre vai ser uma experiência de aprendizagem que proporciona
estar em interação e aprender a ouvir a opinião de outros.

44

Henry Wallon (1879-1962)


Para Wallon, a afetividade tem um papel fundamental no desen-
volvimento humano. Segundo esse autor, a emoção, os sentimentos e
desejos são manifestações da vida afetiva e, em seus estudos, destaca a
importância do afeto.
O autor observa que, ao
Saiba mais nascer, todos os contatos com
Wallon tem muitos obras que podem funda- a criança são feitos por meio da
mentar a prática pedagógica e fortalecer os emoção, uma vez que o corpo
conhecimentos sobre a afetividade e sua rela- dela demonstra tudo que está
ção com as escolas de Educação Infantil. Sugiro sentindo, por exemplo: fome e
algumas leituras: frio resultam em choro. Para o
GALVAO, I. Henri Wallon: uma concepcão dia- bebê pequeno, a comunicação
lética do desenvolvimento infantil. São Paulo: se dá pela afetividade. Observe
Vozes, 2002. com atenção: quando a criança
WALLON, H. As origens do pensamento na pequena está com fome, ela cho-
criança. São Paulo: Manole, 1989. ra. Não para ser atendida, chora

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 44 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 44 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

por que tem um desconforto (a Saiba mais


fome). Porém, na medida em
Para formar conceitos sobre o assunto aqui
que seu choro resulta no aten-
discutido, sugere-se a leitura do livro: Piaget,
dimento dessa necessidade (pelo Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em
adulto), ela compreende o choro discussão, de Yves La Taille et al. Essa é uma
como primeira forma de comu- importante referência teórica que, com certe-
nicação, pois foi capaz de “man- za, fará você pensar mais nesse assunto.
dar uma mensagem” ao adulto, LA TAILLE, Y. et al. Piaget, Vygotsky, Wallon:
tendo sua necessidade atendida teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo:
(GALVÃO, 2002). Sammus, 1992.
Nesse contexto de afetivida-
de, Wallon trata tanto da importância das relações das crianças com outras
crianças, quanto com os adultos. O caráter social da criança vai sendo, as-
sim, manifestado, uma vez que precisa dos outros para poder sobreviver.
Wallon acredita que a origem do desenvolvimento das pessoas
está na emoção, que posteriormente evolui para uma aprendizagem
cognitiva. A criança de nosso exemplo anterior compreendeu que
quando chora é atendida; então, não chora mais somente porque está 45
desconfortável. Chora porque quer colo, quer atenção, quer comida,
em suma: quer ser atendida. Dessa forma, o ser humano vai se desen-
volvendo, aprendendo a administrar a emoção e as funções cognitivas
(da própria aprendizagem).
É relevante destacar que o que se apresenta neste capitulo é ape-
nas uma parcela das contribuições que esses autores deixaram acerca
do desenvolvimento infantil e, consequentemente, sobre as formas de
educar as crianças. É importante reconhecer que esses estudos sobre o
desenvolvimento infantil trouxeram à tona uma visão diferenciada de
criança, um ser com ideias próprias a cada etapa de sua infância, e isso
influenciou as formas de trabalho pedagógico destinadas a elas.

Zilma Ramos de Oliveira (2002, p. 45) encontrou uma forma interessante


para conceituar as crianças e destacar suas necessidades educativas:
Crianças são aquelas “figurinhas” curiosas e ativas, com direitos
e necessidades, que precisam de um espaço diferente tanto do

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 45 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 45 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

ambiente familiar, onde é objeto do afeto de adultos (em geral


adultos muito confusos), quanto do ambiente escolar tradicional,
frequentemente orientado para a padronização de condutas e
ritmos e para avaliações segundo parâmetros externos à criança.

O fato é que muitos autores dedicaram boa parte de seus estudos


para realizar pesquisas que fundamentam as etapas do desenvolvimento
infantil. Quanto mais se estuda sobre o desenvolvimento infantil, mais
se pode chegar perto de compor uma metodologia adequada para as
aulas. Certamente, o ponto de partida para o início de uma reflexão
acerca do como fazer isso é considerar os estudos que temos.
Os estudos sobre o desenvolvimento infantil destacam a impor-
tância de considerar a criança como alguém curioso, ativo e com direi-
tos, alguém que necessita de um espaço escolar que busque aproximar
cultura, cognição, linguagem e afetividade ao seu desenvolvimento
(LOBO; CARVALHO, 2005).
46 A melhor maneira de garantir uma educação de qualidade per-
passa pela estruturação de uma proposta pedagógica de qualidade. É
muito importante o entendimento de que a Educação Infantil é uma
etapa da educação básica (conforme a LDB n. 9.394/96) e precisa
ser tratada como tal. Dessa forma, de nada adianta a escola investir
em materiais caros e em modismos se a essência da Educação Infantil
como etapa da educação não for desvelada. É preciso que haja o com-
promisso da escola em cumprir a lei, oferecendo às crianças uma edu-
cação de qualidade (que também é composta de atendimento, mas,
essencialmente, de educação).

Dica de Filme
De uma forma divertida, o filme A creche do papai demonstra a
necessidade de um planejamento e de uma proposta pedagógica
adequada para lidar com a faixa etária de 0 a 5 anos. A comédia
retrata uma etapa da vida de Phil (Jeff Garlin) e Charlie (Eddie
Murphy), que ficaram desempregados recentemente. Como não
têm dinheiro para pagar a creche de seus filhos, são obrigados a

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 46 6/7/2010 13:52:11


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 46 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

retirá-los dela e cuidar deles até que arranjem um novo serviço. É


quando eles têm uma ideia para ganhar dinheiro: criar uma ins-
tituição que cuide de crianças enquanto seus pais trabalham. A
dupla coloca o plano em prática e, devido aos métodos pouco con-
vencionais que usa ao cuidar das crianças, acaba ficando famosa,
gerando o ódio de seus concorrentes. O filme proporciona boas
risadas, que vão gerar reflexões.
A CRECHE do papai. Direção de Steve Carr. Estados Unidos: 20th
Century Fox; Revolution Studios; Day Care Productions; Davis
Entertainment: Dist. 20th Century Fox Film Corporation; Colum-
bia Pictures; Sony Pictures, 2003. 1 filme (93 min), sonoro, color.
Dica de Filme

Tendências presentes nas escolas de Educação


Infantil 47
Na prática das escolas brasileiras de Educação Infantil, segundo
Kramer (1993), é possível perceber três tendências que fundamentam as
ações dos profissionais e, inclusive, as atividades ofertadas às crianças.
1. Tendência romântica: destaca principalmente os interesses da
criança por meio das atividades lúdicas. Essa tendência compreen­­
de a criança como “semente do futuro”, cabendo ao professor a
missão de ser o “jardineiro”, o guardião das crianças e de sua ino-
cência. A proposta da tendência romântica é a de construir um
currículo que tenha por base as atividades. Seus principais repre-
sentantes são Decroly, Maria Montessori, e Fröebel.
2. Tendência cognitiva: tendo como principal inspirador Jean
Piaget, essa tendência se propõe investigar como a criança pensa
e constrói sua noção sobre o mundo por meio da interação com
os objetos. Defende a ideia de que a criança precisa de materiais
concretos para interagir e construir seu conhecimento por meio
das experiências. A criança é vista como exploradora, e o profes-
sor, como desencadeador e estimulador das etapas de desenvol-
vimento infantil.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 47 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 47 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

3. Tendência crítica: essa tendência destaca a importância de as ex-


periências infantis serem contextualizadas com a realidade cultu-
ral, uma vez que não é possível separar cultura e meio ambiente da
realidade infantil. É por meio desses elementos, cultura e contexto,
que as crianças constroem seus valores. A tendência crítica (assim
chamada por se opor às práticas tradicionais e descontextualizadas)
tem como seu principal pensador Celestine Freinet.
Atualmente, há fortes indícios nas linhas de pesquisa da área de
Educação Infantil que possibilitam reflexão sobre a importância da
tendência crítica nas práticas pedagógicas. Porém, não nos cabe, aqui,
apontar qual é a melhor tendência a ser seguida. São linhas de pensa-
mento diferentes, e cada profis-
Saiba mais sional, de acordo com seus estu-
dos e expectativas, delineia aos
Celestine Freinet é um importante teórico da
Educação Infantil. Você pode conhecer mais
poucos a própria opinião, no
sobre ele e sua obra em: <http://pt.wikipedia.
sentido de caracterizar quais são
org/wiki/C%C3%A9lestin_Freinet>. os elementos necessários para a
educação de crianças pequenas.
48 O que se deve exigir é que a escola possua, em sua proposta pe-
dagógica, linhas de ação bem explicadas e definidas, com padrões de
qualidade que garantam uma educação apropriada ao nosso tempo e
adequada ao desenvolvimento das crianças.
O forte assistencialismo que marcou o início da história da Educação
Infantil não deve ser para sempre um percalço no caminho da educação.
É preciso compreender que o ensino da creche e da pré-escola não é com-
posto somente por uma série de cuidados físicos. É necessário deixar as
crianças confortáveis em relação ao sono, à fome e à higiene, mas é, tam-
bém, necessário observar que o ambiente educativo deve garantir seguran-
ça física e psicológica, bem como assegurar oportunidades de exploração e
de demonstração sentimentos pessoais e de significados. Assim, a criança
irá se perceber como sujeito de sua história (OLIVEIRA, 2002).

Síntese
Esse capítulo resgatou o pensamento de autores que escreveram
teorias sobre o desenvolvimento humano e que têm franca influência

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 48 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 48 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 3

nas escolas do Brasil. A partir dos conhecimentos de Piaget, Vygotsky e


Wallon, foi possível perceber como seus estudos alteraram o modo com
que se percebe a infância no mundo. Refletiu-se, também, sobre o fato
de que, para que se possa compreender a Educação Infantil da atualida-
de, comprometida com a educação do século XXI, é preciso repensar a
forma com que nossa sociedade concebe a infância, pois as tendências
pedagógicas que permeiam essa modalidade de ensino derivam de di-
ferentes concepções.

49

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 49 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 49 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 50 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 50 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Documentos da
Educação Infantil 4
N esse capítulo serão apresentados alguns documentos que com-
põem a base teórica da Educação Infantil da atualidade. Dessa forma, en-
tende-se que, ao tomar conhecimento de tais documentos, o leitor poderá
nortear uma ação de qualidade em suas práticas de Educação Infantil.
É importante destacar que estamos vivendo um período de gran-
des reflexões sobre o que se entende por Educação Infantil no Brasil.
Conforme os capítulos anteriores, que delinearam a história do atendi-
mento e da educação destinados às crianças pequenas, este capítulo se 51
ocupará da Educação Infantil da atualidade.
Considera-se, nos meios educacionais, que há consenso de que há
a necessidade de que a educação para crianças pequenas promova a
integração entre os aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais,
concebendo-as como seres indivisíveis e completos.
Cabe destacar, no entanto, que nem todos os estudiosos da Edu-
cação Infantil são unânimes em realizar um trabalho que privilegie os
diversos aspectos do ­desenvolvimento da criança. As divergências estão
exatamente no que se entende por trabalhar com cada um desses as-
pectos. O fato de as crianças frequentarem, cada vez mais, as creches
e pré-escolas coloca, para a Educação Infantil, dois grandes desafios:
primeiro, é preciso garantir uma oferta de educação de qualidade; se-
gundo, não se pode permitir que, com isso, atinja-se somente uma clas-
se social, em detrimento da outra – destacando-se, aqui, a questão da
oferta pública, principalmente da oferta e da qualidade.
Portanto, é função das instituições de Educação Infantil vencer es-
ses desafios e assegurar a todas as crianças, sem discriminação, uma vida

Fund_Educ_Infantil.indd 51 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 51 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

coletiva social que seja diferente e que complete o contexto familiar, ga-
rantindo-lhe a possibilidade de vivenciar experiências em um novo meio,
sustentado sobre relações estáveis e afetivas com adultos e crianças.
Para a Educação Infantil poder cumprir seu papel verdadeiro de
educação, é preciso que os profissionais tenham compromissos com
estudos e conheçam os materiais (muitos oficiais) disponíveis para tal
finalidade. Nesse capítulo, serão conhecidos alguns documentos que
compõem a Educação Infantil brasileira contemporânea.

Alguns documentos da Educação Infantil da


atualidade
Ao longo dos anos, foram muitas as ações realizadas no sentido de
considerar a Educação Infantil como parte da Educação Básica, con-
forme prevê a LDB n. 9.394/96. Desde 1988, quando a Constituição
Federal determinou que seria dever do Estado garantir o atendimento
às crianças de 0 a 5 anos em creches e pré-escolas, a Educação Infantil
52 foi definitivamente inserida na educação brasileira, de forma a atender
os direitos das crianças e dos pais e mães trabalhadores, tanto urbanos,
quanto rurais. Uma vez estabelecida essa importância, cumpre, agora,
determinar meios e fornecer documentos para que se possa estruturar
uma educação de qualidade (ANGOTTI, 2006).
O quadro a seguir lista algumas ações do Ministério da Educação
para a Educação Infantil nos últimos anos.
• Política Nacional de Educação Infantil (1994)
• Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil
(1994)
• Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos
fundamentais das crianças (1995)
• Propostas pedagógicas e currículo em Educação Infantil (1996)
• Subsídios para o credenciamento e funcionamento de instituições de
Educação Infantil (1998)
• Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998)
• Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução
CNE/CEB n. 1/1999)

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 52 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 52 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 4

• Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil (Parecer CNE/CEB


n. 04/2000)
• Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Edu-
cação Infantil – Proinfantil (iniciado em 2005)
• Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (2005)
• Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação
Infantil (2006)
• Política Nacional de Educação Infantil (2006)
• Revista Criança (1982)
Fonte: Brasil (2010).

Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil


O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
(RCNEI) é um conjunto de documentos oficiais do MEC (1998). Se-
gundo o Ministério da Educação, esta publicação foi desenvolvida com
o objetivo de “servir como um guia de reflexão para os profissionais que
atuam diretamente com crianças de 0 a 6 anos, respeitando seus estilos 53
pedagógicos e a diversidade cultural brasileira” (MEC, 1998, p. 7).
O Referencial possui três volumes. O primeiro, chamado de “In-
trodução”, propõe uma reflexão sobre as creches e pré-escolas no Brasil,
definindo a situação atual, com fundamentação sobre as concepções
de criança, de educação, de instituição e do profissional da Educação
Infantil. Essas concepções são importantes, pois definem os objetivos
gerais da Educação Infantil em nosso país.
O volume dois, chamado de “Formação pessoal e social”, apresen-
ta eixos de trabalho de forma a favorecer os processos de construção da
identidade e da autonomia das crianças.
O volume três, chamado de “Conhecimento de mundo”, contém
seis documentos referentes aos eixos de trabalho: movimento, música, ar-
tes visuais, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade e matemática.
Algumas considerações são importantes. Primeiro, destaca-se o
fato de que esses documentos são inéditos na educação brasileira. Foi a
primeira vez que se construiu um documento desse porte, que trouxe
muita bagagem para a diversidade cultural da Educação Infantil do

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 53 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 53 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Brasil. Como segundo ponto, destaca-se que, conforme o leitor vem


acompanhando e revivendo a história da Educação Infantil, esses docu-
mentos não são obrigatórios. Como o próprio nome diz, são referências
que têm como objetivo indicar alguns caminhos para a educação de
crianças, de forma a auxiliá-las em seu desenvolvimento pleno.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil


Em 7 de abril de 1999, foram instituídas as primeiras Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. O órgão responsável
por isso foi o Conselho Nacional de Educação, que revisou essas diretri-
zes, em novembro de 2009. Dessa forma, dez anos depois de instituídas
pela primeira vez, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil ganharam uma nova versão, em maior consonância com o mo-
mento vivido nas escolas de Educação Infantil do país.
As Diretrizes devem ser consideradas por todos os sistemas de ensi-
no, o que torna obrigatório o seguimento dessas ideias na elaboração das
propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil. Acompanhe
54 o texto explicativo da própria lei e observe os objetivos dessas Diretrizes.
Art. 2º. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil articulam-se com as Diretrizes Curriculares Nacionais
da Educação Básica e reúnem princípios, fundamentos e proce-
dimentos definidos pela Câmara de Educação Básica do Con-
selho Nacional de Educação, para orientar as políticas públicas
na área e a elaboração, planejamento, execução e avaliação de
propostas pedagógicas e curriculares (BRASIL, 2009, [s. p.]).

Porém, o mais importante é conhecer as próprias Diretrizes, pois


elas serão a base de todo e qualquer trabalho desenvolvido nas institui-
ções de Educação Infantil da atualidade. O quadro abaixo reproduz o
documento do CNE.
[...]
Art. 3º. O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto
de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças
com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico,
ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento
integral de crianças de 0 a 5 anos de idade.
Art. 4º. As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar
que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 54 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 54 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 4

direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia,


constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, de-
seja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos
sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.
Art. 5º. A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, é ofe-
recida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como espaços
institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos educacio-
nais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5 anos
de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial, regulados e
supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e submetidos
a controle social.
§ 1º É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública,
gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção.
§ 2° É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de crianças que com-
pletam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a
matrícula.
§ 3º As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser
matriculadas na Educação Infantil.
§ 4º A frequência na Educação Infantil não é pré-requisito para a matrícula
no Ensino Fundamental. 55
§ 5º As vagas em creches e pré-escolas devem ser oferecidas próximas às
residências das crianças.
§ 6º É considerada Educação Infantil em tempo parcial, a jornada de, no
mínimo, quatro horas diárias e, em tempo integral, a jornada com duração
igual ou superior a sete horas diárias, compreendendo o tempo total que a
criança permanece na instituição.
Art. 6º. As propostas pedagógicas de Educação Infantil devem respeitar os
seguintes princípios:
I – Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do res-
peito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identi-
dades e singularidades.
II – Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do
respeito à ordem democrática.
III – Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liber-
dade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais.
Art. 7º. Na observância destas Diretrizes, a proposta pedagógica das insti-
tuições de Educação Infantil deve garantir que elas cumpram plenamente
sua função sociopolítica e pedagógica:

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 55 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 55 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

I – oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam seus


direitos civis, humanos e sociais;
II – assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a edu-
cação e cuidado das crianças com as famílias;
III – possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e
crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes
naturezas; diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens
culturais e às possibilidades de vivência da infância;
V – construindo novas formas de sociabilidade e de subjetividade compro-
metidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta
e com o rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica,
etnorracial, de gênero, regional, linguística e religiosa.
Art. 8º. A proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve
ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de apropriação,
renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes
linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à con-
fiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação
com outras crianças.
§ 1º Na efetivação desse objetivo, as propostas pedagógicas das institui-
ções de Educação Infantil deverão prever condições para o trabalho coleti-
56 vo e para a organização de materiais, espaços e tempos que assegurem:
I – a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo
indissociável ao processo educativo;
II – a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva,
linguística, ética, estética e sociocultural da criança;
III – a participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito
e a valorização de suas formas de organização;
IV – o estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade local e
de mecanismos que garantam a gestão democrática e a consideração dos
saberes da comunidade;
V – o reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades indi-
viduais e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças de
mesma idade e crianças de diferentes idades;
VI – os deslocamentos e os movimentos amplos das crianças nos espaços
internos e externos às salas de referência das turmas e à instituição;
VII – a acessibilidade de espaços, materiais, objetos, brinquedos e instru-
ções para as crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvi-
mento e altas habilidades/superdotação;
VIII – a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais
dos povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros
países da América;

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 56 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 56 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 4

IX – o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das crian-


ças com as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras, bem como o
combate ao racismo e à discriminação;
X – a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção contra qual-
quer forma de violência – física ou simbólica – e negligência no interior da
instituição ou praticadas pela família, prevendo os encaminhamentos de
violações para instâncias competentes.
§ 2º Garantida a autonomia dos povos indígenas na escolha dos modos de
educação de suas crianças de 0 a 5 anos de idade, as propostas pedagógi-
cas para os povos que optarem pela Educação Infantil devem:
I – proporcionar uma relação viva com os conhecimentos, crenças, valores,
concepções de mundo e as memórias de seu povo;
II – reafirmar a identidade étnica e a língua materna como elementos de
constituição das crianças;
III – dar continuidade à educação tradicional oferecida na família e ar-
ticular-se às práticas socioculturais de educação e cuidado coletivos da
comunidade;
IV – adequar calendário, agrupamentos etários e organização de tempos, 57
atividades e ambientes de modo a atender as demandas de cada povo
indígena.
§ 3º As propostas pedagógicas da Educação Infantil das crianças filhas
de agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos,
assentados e acampados da reforma agrária, quilombolas, caiçaras, povos
da floresta, devem:
I – reconhecer os modos próprios de vida no campo como fundamentais para
a constituição da identidade das crianças moradoras em territórios rurais;
II – ter vinculação inerente à realidade dessas populações, suas culturas, tra-
dições e identidades, assim como a práticas ambientalmente sustentáveis;
III – flexibilizar, se necessário, calendário, rotinas e atividades respeitando as
diferenças quanto à atividade econômica dessas populações;
IV – valorizar e evidenciar os saberes e o papel dessas populações na pro-
dução de conhecimentos sobre o mundo e sobre o ambiente natural;
V – prever a oferta de brinquedos e equipamentos que respeitem as carac-
terísticas ambientais e socioculturais da comunidade.
Art. 9º. As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da
Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a
brincadeira, garantindo experiências que:

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 57 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 57 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

I – promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação


de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movi-
mentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e
desejos da criança;
II – favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o pro-
gressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual,
verbal, plástica, dramática e musical;
III – possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e
interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes supor-
tes e gêneros textuais orais e escritos;
IV – recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quan-
titativas, medidas, formas e orientações espaçotemporais;
V – ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades
individuais e coletivas;
VI – possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração
da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organiza-
ção, saúde e bem-estar;
VII – possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos
culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades no
diálogo e reconhecimento da diversidade;
58
VIII – incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o ques-
tionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao
mundo físico e social, ao tempo e à natureza;
IX – promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversifi-
cadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, foto-
grafia, dança, teatro, poesia e literatura;
X – promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da
biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não
desperdício dos recursos naturais;
XI – propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifes-
tações e tradições culturais brasileiras;
XII – possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, má-
quinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos.
Parágrafo único. As creches e pré-escolas, na elaboração da proposta cur-
ricular, de acordo com suas características, identidade institucional, es-
colhas coletivas e particularidades pedagógicas, estabelecerão modos de
integração dessas experiências.
Art. 10. As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos
para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desen-
volvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou classifica-
ção, garantindo:

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 58 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 58 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 4

I – a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e inte-


rações das crianças no cotidiano;
II – utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (re-
latórios, fotografias, desenhos, álbuns, etc.);
III – a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação
de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos
pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil, transições
no interior da instituição, transição creche/pré‑escola e transição pré-es-
cola/Ensino Fundamental);
IV – documentação específica que permita às famílias conhecer o traba-
lho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e
aprendizagem da criança na Educação Infantil;
V – a não retenção das crianças na Educação Infantil.
Art. 11. Na transição para o Ensino Fundamental a proposta pedagó-
gica deve prever formas para garantir a continuidade no processo de
aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as especi-
ficidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão trabalhados
no Ensino Fundamental.
Art. 12. Cabe ao Ministério da Educação elaborar orientações para a im- 59
plementação dessas Diretrizes.
Art. 13. A presente Resolução entrará em vigor na data de sua publica-
ção, revogando-se as disposições em contrário, especialmente a Resolução
CNE/CEB n. 1/99.
Fonte: Brasil (2009).

As Diretrizes representam um grande avanço na educação de


crianças pequenas, uma vez que concebem a Educação Infantil como
uma parte real da educação brasileira, que possui a responsabilidade, o
compromisso e a necessidade de profissionais com formação específica.
Nesse sentido, é indispensável que os educadores, ao elaborarem suas
Propostas Pedagógicas para a Educação Infantil, norteiem-se pelas Di-
retrizes Curriculares Nacionais.

Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil


As Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil são um docu-
mento gerado pelo Conselho Nacional da Educação que tem como

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 59 6/7/2010 13:52:12


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 59 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Saiba mais objetivo normatizar (o que o


Esse é um documento bem interessante para
torna obrigatório) alguns as-
você conhecer. Leia-o na íntegra, acessando o pectos operacionais da educa-
site: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ ção de crianças pequenas. Os
diretrizes_p0619-0628_c.pdf>. temas abordados por essas di-
retrizes são:
●● vinculação das instituições de Educação Infantil aos sistemas
de ensino;
●● proposta pedagógica e regimento escolar;
●● formação de professores e outros profissionais para o trabalho
nas instituições de Educação Infantil;
●● espaços físicos e recursos materiais para a Educação Infantil.

Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil


Os Parâmetros Nacionais
60 Saiba mais de Qualidade para a Educação
Os dois volumes dos Parâmetros Nacionais de Infantil consistem em dois vo-
Qualidade para a Educação Infantil represen- lumes que contêm referências
tam um grande avanço na concepção de escola sobre como instituir e manter
de Educação Infantil que almejamos. Por isso, uma Educação Infantil de qua-
é interessante que todos os interessados pela
lidade. São documentos a serem
educação dessa faixa etária leiam esse
utilizados pelos sistemas educa-
documento com atenção.
cionais, de forma a promover
• Volume 1: disponível em: <http://portal. a igualdade de oportunidades
mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/edui
educacionais, levando em con-
nfparqualvol1.pdf>.
ta as diferenças, diversidades e
• Volume 2: disponível em: <http://portal.mec. desigualdades de nosso imenso
gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfpar
território e das variadas culturas
qualvol2.pdf>.
nele existentes.

Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de


Educação Infantil
Os Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educa-
ção Infantil ressaltam a importância do espaço e da estrutura física das

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 60 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 60 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 4

escolas de Educação Infantil para Saiba mais


o desenvolvimento da criança.
Ficou interessado no assunto? Saiba mais sobre
Para isso, apresentam estudos e isso acessando os sites:
parâmetros nacionais relaciona-
dos à qualidade dos ambientes • <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
Educinf/miolo_infraestr.pdf>.
das instituições de Educação In-
fantil, de forma a assegurar que se • <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
tornem promotores de aventuras, Educinf/eduinfparinfestencarte.pdf>.
descobertas, desafios e aprendiza-
gens, bem como facilitar as interações.

Política Nacional de Educação Infantil


Segundo o Ministério da Educação, a Política Nacional de Educa-
ção Infantil apresenta diretrizes, objetivos, metas e estratégias para a área
da Educação Infantil, com o intuito de contribuir para um processo
democrático de implementação das políticas públicas para as crianças
de 0 a 6 anos. Esse documento também disponível para download no
endereço <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfo 61
lit2006.pdf>.

Revista Criança
A Revista Criança é editada, publicada e distribuída pela Coorde-
nação Geral de Educação Infantil da Secretaria de Educação Básica do
MEC e está em circulação há 25 anos, sendo distribuída gratuitamente.
Por esse fato já podemos ter uma noção de sua qualidade, pois é uma
referência ao mundo da criança pequena, sendo uma fonte de informa-
ção e de formação de profissionais que atuam na área.
Com uma tiragem de 200 mil exemplares, a revista é distribuída
diretamente nas escolas públicas de Educação Infantil e nas instituições
privadas sem fins lucrativos que mantêm convênios com o poder pú-
blico. Também recebem a revista as Secretarias Municipais e Estaduais
de Educação e do Distrito Federal, além de entidades que integram o
Comitê Nacional de Políticas para a Educação Básica – CONPEB. Al-
gumas revistas estão disponíveis para download no site: <http://portal.
mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rev_crian_38.pdf>.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 61 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 61 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Síntese
Neste capítulo, você conheceu muitas publicações oficiais da Edu-
cação Infantil que circulam em nosso país. É fundamental destacar as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil em sua ver-
são mais recente, tendo em vista sua importância para tal âmbito. Dessa
forma, foi possível perceber que existem muitos materiais disponíveis
para consulta dos profissionais que querem fazer a diferença, para que
possam construir uma Educação Infantil de qualidade.

62

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 62 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 62 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

5
Propostas
metodológicas para
a Educação Infantil

N os meios educacionais, é ampla a discussão sobre qual a melhor


alternativa metodológica para a Educação Infantil. Algumas das propos-
tas existentes serão explicitadas ao leitor com o intuito de subsidiá-lo,
para que possa montar uma proposta de ensino com significado.
Pensar sobre as práticas metodológicas de Educação Infantil im-
plica refletir sobre bases teóricas, filosóficas, sociais e históricas, levan-
do em conta, principalmente, a ligação direta que deve existir entre as
ações metodológicas e o mundo real das crianças. 63

Quando escolhe esta ou aquela atividade para oferecer aos alunos,


o professor deixa claro suas opções metodológicas, que, por sua vez,
são vinculadas às teorias da educação que o professor prefere. Assim,
uma simples atividade rotineira da Educação Infantil pode ser tan-
to adequada, contextualizada e significativa, quanto desmotivadora e
nada interessante.

Reflita
Reflita
Antes de se propor uma prática de pintura de um desenho, por exem-
plo, é importante refletir sobre a questão das atividades que são ofe-
recidas às crianças. Toda escola de Educação Infantil pede, em algum
momento, para as crianças colorirem determinados desenhos, e cum-
pre reforçar que as crianças gostam dessa ação. Mas essa é uma ativi-
dade adequada metodologicamente falando? Depende. Se o desenho
foi entregue como forma de ocupação do tempo e não tem nada a
ver com o que está sendo trabalhado pelo professor, não. Agora, se o
desenho entregue para a pintura infantil é parte do assunto estudado,

Fund_Educ_Infantil.indd 63 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 63 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

e a criança encontra significado no que faz, reconhecendo o desenho,


explorando suas particularidades, a atividade é ótima. Praticar a teo-
ria também envolve reflexão.
Devemos possuir senso crítico, uma vez que o assunto tratado nesse
momento remonta ao uso de atividades possíveis de execução por
crianças da faixa etária de 0 a 5 anos. Existem, portanto, atividades
inadequadas, seja por uma questão cognitiva, ética ou ideológica, mas
não são objeto de estudo nesse livro, embora devam ser preocupação
constante dos educadores.
Reflita
Reflita
O que vai, portanto, caracterizar como “adequada” ou não uma
opção metodológica ou simplesmente uma atividade oferecida à crian-
ça é o contexto em que ela se inclui.
As escolhas metodológicas remetem a estudos teóricos e demons-
64 tram as escolhas profissionais de cada educador. O que pretendemos,
aqui, é oferecer alternativas metodológicas, sem nos esquecermos do
fato de que é preciso sempre ter responsabilidades a respeito dos refe-
renciais teóricos.
A seguir, será dado destaque para alguns elementos que devem
fazer parte da proposta curricular das instituições de Educação Infantil,
os quais são, segundo Oliveira (2002, p. 227): “o trabalho pedagógico
com múltiplas linguagens na Educação Infantil, o jogo como recurso
privilegiado de desenvolvimento da criança pequena e a pedagogia de
projetos didáticos.”

O trabalho pedagógico com múltiplas linguagens


na Educação Infantil
A linguagem tem sido um eixo de trabalho muito importante na
Educação Infantil. Muitas propostas pedagógicas defendem a ideia de
que ela permeia as outras partes do currículo.
Na Educação Infantil, deve-se considerar as diferentes linguagens
presentes nas salas de aula e em nosso mundo contemporâneo. Temos de

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 64 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 64 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 5

concordar que hoje é importante que o aluno seja capaz de compreender


e de se comunicar nas mais variadas linguagens, como: linguagem plás-
tica, linguagem gestual, linguagem musical, linguagem visual (imagem,
cinema, dramatização), linguagem tecnológica, entre tantas outras.

Segundo o dicionário Michaellis (2010, [s. p.]), a palavra lingua-


gem pode ser definida como:
1. Faculdade de expressão audível e articulada do homem, produ-
zida pela ação da língua e dos órgãos vocais adjacentes; fala.
2. Conjunto de sinais falados (glótica), escritos (gráfica) ou gesti-
culados (mímica), de que se serve o homem para exprimir suas
ideias e sentimentos.
3. Qualquer meio que sirva para exprimir sensações ou ideias.
É assim, portanto, que se deve compreender a linguagem neste
livro: como uma possibilidade de comunicação. 65

Considerando a linguagem como uma forma de comunicação, pode-


mos concluir que as brincadeiras utilizadas pela criança de Educação Infan-
til, por exemplo, também são modos de comunicação com seu mundo.
Assim sendo, uma proposta
metodológica que se propõe a Saiba mais
trabalhar com as múltiplas lin- As múltiplas linguagens são um excelente
guagens da Educação Infantil campo de estudo na área de Educação Infantil.
precisa ter em suas atividades o Com relação a isso e sobre a importância do
que chamamos de intenciona- professor nesse contexto, sugere-se a leitura
lidade educativa (ou seja, a in- do texto Educação Infantil: espaço de de-
tenção educativa que se pretende senvolvimento de múltiplas linguagens para
naquela ação). Desse modo, pos- professores e crianças, disponível no site da
Associação de Leitura do Brasil. Confira, pois o
sibilita-se que a criança não ape-
material é bem interessante.
nas faça uso das múltiplas lingua-
gens, mas, sim, que se aproprie Disponível em: <http://www.alb.com.br/
delas para viver em seu mundo, anais16/sem13pdf/sm13ss15_01.pdf>.
entendê-lo e representá-lo.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 65 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 65 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Ao considerarmos a escola como um local de aprendizagens ­­– e essa


é mesmo uma importante função da escola – precisamos concentrar esfor-
ços para incluir, no planejamento pedagógico, atividades que contemplem
as múltiplas linguagens. De um modo prático, a escola precisa propor ati-
vidades que oportunizem discussões, reflexões, conversas, dramatizações e
que envolvam música e artes, além do que já se faz habitualmente.
Acompanhe o que sugere Oliveira (2002, p. 228).
Criar muitas oportunidades de diálogo com as crianças e interes-
sar-se em compreender o sentido que emprestam às suas próprias
palavras em uma situação, falar de modo gramaticalmente corre-
to sem, contudo, repetir as falas infantis “erradas” ou fazer troça
delas [...] são um trabalho pedagógico dentro dessa perspectiva,
como também o são as linguagens corporais e plásticas.

O trabalho com as múltiplas linguagens no ambiente da Educação


Infantil não só demanda uma renovação nas ações pedagógicas, como
também na própria atuação do professor. Cabe ao educador organizar
sua prática pedagógica de modo que utilize com mais eficácia os espa-
ços e privilegie as diferentes linguagens, que farão com que seus alunos
66 utilizem gestos, brincadeiras, desenho, dança e música e tenham con-
tato com objetos artísticos, como forma de aprender, de relacionar-se
com o mundo e consigo mesmo.

O jogo e a brincadeira como recursos privilegiados


de desenvolvimento da criança pequena
Uma grande parte dos educadores da faixa etária de 0 a 5 anos
utiliza o jogo e as brincadeiras como práticas pedagógicas diárias, de-
fendendo seu uso como um excelente recurso à aprendizagem e ao de-
senvolvimento das crianças.
Porém, algumas vezes, o jogo é entendido com certo equívoco
pelas instâncias educativas, principalmente pelos professores, quando
confundem o conceito de jogo simbólico com o “jogo livre”, em que
a criança fica solta, escolhendo o que quer fazer, sem o suporte de um
adulto. Em outra ocasião, ainda, alguns professores tratam o jogo como
um elemento facilitador da aprendizagem, mas exercem extremo con-
trole sobre a criança por meio de jogos e brincadeiras (OLIVEIRA,
2002). O fato é que qualquer uma dessas concepções afasta o professor

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 66 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 66 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 5

da parceria, da interação com seu aluno e é por isso que precisamos ter
extremo cuidado, pois uma proposta que contemple jogos para a Edu-
cação Infantil deve ter o cuidado de oferecer as atividades específicas
(jogos e brincadeiras) e, também, as interações entre crianças e crianças
e entre crianças e seus professores.
Para Piaget (1978), os jogos são caracterizados em três grandes
tipos: jogos de exercício (0 a 2 anos), jogo simbólico (2 a 6 anos) e
jogo de regras (6 anos em diante). Segundo o autor, “a função é que vai
diferenciar esses jogos que não têm outra finalidade a não ser o próprio
prazer do funcionamento” (PIAGET, 1978). A seguir, uma pequena
explicação de cada um desses tipos de jogos.
●● Jogos de exercício: é a primeira forma de jogo que a crian-
ça conhece e que aparece antes do desenvolvimento verbal
completo. Tem como característica o fato de a criança brincar
pelo prazer de conhecer o objeto, de explorar, de realizar o
desenvolvimento motor ou, como o próprio nome diz, o puro
exercício. Nessa fase, a criança brinca basicamente sozinha ou
com a mãe (ou com quem represente a figura materna).
67
●● Jogos simbólicos: é uma forma de jogo em que a criança faz
de conta que é outra pessoa, imagina-se em outra situação ou
atribui outra função a um objeto. Por exemplo: criança que
brinca de casinha, faz comidinha de “mentira”; criança que,
de posse de um prato de papelão, imagina que é a direção de
um carro, ou que, brincando de casinha, vivencia o papel da
mãe em sua casa, reproduzindo trejeitos da sua própria mãe.
O jogo simbólico é, de certa forma, uma maneira de a criança
comunicar ao outro aquilo que sente.
●● Jogos de regras: é caracterizado pelo conjunto de leis que é
imposto pelo grupo social. Dessa forma, necessita de parcei-
ros que aceitem o cumprimento das obrigações definidas nas
regras. É um jogo estritamente social.

Uma sugestão de atividade é o professor disponibilizar para os alunos vários


objetos de uso social, como lenços, colares, pulseiras, roupas (mas não fan-
tasias predeterminadas) e, ainda, teclados de computador, telefones antigos,
ferros de passar roupa de brinquedo, enfim, o que mais a criatividade do
professor permitir.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 67 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 67 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

É importante observar que será preciso ofertar muitos materiais para que as
crianças tenham várias alternativas para brincar.
A escolha dos materiais e as possibilidades de brincadeira, muita vezes, evo-
luirão para um jogo simbólico, em que, no faz de conta, a criança irá comu-
nicar suas vontades, anseios e, principalmente, sua percepção de mundo.

A utilização de jogos e brincadeiras na escola de Educação Infan-


til traz muitas vantagens para o processo de ensino e aprendizagem.
Acompanhe o Referencial Curri-
Saiba mais cular Nacional para a Educação
Sugere-se a leitura de um livro muito inte- Infantil (RCNEI) que dá um
ressante sobre o assunto: Jogo, brinquedo, grande destaque às brincadeiras
brincadeira e a educação, de Tizuko Morchida e aos jogos na Educação Infantil
Kishimoto. Nesse livro, o autor traz interes- por serem tanto formas de lin-
santes definições e diferenciações sobre os guagem, quanto uma forma na-
assuntos em pauta. tural de a criança se manifestar a
respeito do mundo que a cerca,
68 de seus desejos e felicidades. Acompanhe alguns trechos nos quais o
Referencial trata sobre a brincadeira:
A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as
a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa.
Brincar contribui, assim, para a interiorização de determina-
dos modelos de adulto, no âmbito de grupos sociais diversos.
Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em
um espaço singular de constituição infantil.
Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos
que já possuíam anteriormente em conceitos gerais com os
quais brinca. Por exemplo, para assumir um determinado
papel numa brincadeira, a criança deve conhecer alguma de
suas características. Seus conhecimentos provêm da imitação
de alguém ou de algo conhecido, de uma experiência vivida
na família ou em outros ambientes, do relato de um colega
ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema
ou narradas em livros, etc. A fonte de seus conhecimentos
é múltipla, mas estes encontram-se, ainda, fragmentados
(BRASIL, 1998, p. 27).

Como se pode perceber, as atividades que envolvem jogos e


brincadeiras não devem ser descontextualizadas do universo infan-
til, nem do que se está trabalhando naquele momento. Os jogos e

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 68 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 68 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 5

as brincadeiras são elementos privilegiados de desenvolvimento das


crianças, mas cabe aos professores criarem propostas pedagógicas
que aliem o aprendizado à grande diversão que o jogo e a brincadei-
ra proporcionam.

Pedagogia de projetos didáticos


Esta é uma tendência bem frequente na Educação Infantil. Um dos
autores da atualidade que trata com muita propriedade desse assunto é
o espanhol Fernando Hernandez, mas, na verdade, a ideia da educação
por projetos de trabalho já era proclamada por John Dewey.
Na metodologia de pro-
jetos, os alunos deixam de ser Saiba mais
meros expectadores das aulas Para conhecer o trabalho de John Dewey aces-
e passam a ser sujeitos de seus se os sites indicados:
próprios conhecimentos, pois • <http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Dewey>;
lançam mão de pesquisas para
• <http://educarparacrescer.abril.com.br/
encontrar determinados resul- 69
aprendizagem/john-dewey-307892.shtml>.
tados. O professor, dentro dessa
visão, passa a ser um pesquisador Você também pode conhecer um pouco mais
e não somente um transmissor das ideias de Fernando Hernandez, famoso
pensador de nossos tempos, no site:
de conhecimentos. “Os projetos
de trabalho contribuem para <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendi
uma ressignificação dos espaços zagem/materias_296380.shtml?page=page2>.
de aprendizagem de forma que
eles se voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e
participantes.” (HERNANDEZ, 1998, p. 47).
Deve-se ter em mente que os projetos pedagógicos devem ser orga-
nizados por graus de interesse e significados às aprendizagens infantis.
Acompanhe o que exemplifica Oliveira (2002, p. 234).
Os projetos didáticos organizam-se segundo temas sobre os
quais as crianças vão tecer redes de significações. São propos-
tos como estratégias de ensino que buscam superar uma visão
de estabilidade e transparência do ambiente em que elas estão
inseridas e abrem possibilidades para cada criança indagar,
criar relações e entender a natureza cognitiva, estética, política
e ética de seu ambiente, atribuindo-lhe significados.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 69 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 69 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Assim, estabelecemos alguns diferenciais no que se refere à pedago-


gia de projetos na Educação Infantil: o projeto pode ser um excelente
aliado na educação de crianças, desde que leve em conta o significado
da aprendizagem que se propõe para elas e o quanto serão pesquisado-
ras de sua própria aprendizagem.
Percebemos, juntos, que a prática pedagógica precisa de reflexões
teóricas, como já ficou constatado, pois optar por uma ou por outra
metodologia de ensino, nas propostas curriculares de Educação In-
fantil, significa demonstrar as ideias teóricas que o professor apresenta
sobre o desenvolvimento das crianças e a respeito do que é ensinar/
aprender nessa faixa etária.
Na Educação Infantil da atualidade, as pré-escolas e creches po-
dem construir com autonomia os próprios projetos pedagógicos. A dis-
cussão, portanto, toma outro foco: que o projeto pedagógico escolhido
seja de qualidade. É esse o ponto mais importante do momento: garan-
tir uma Educação Infantil de qualidade.

70 Reflita
Reflita
Tratamos, neste capítulo, sobre a importância de um traba-
lho de qualidade na Educação Infantil. Porém, em alguns mo-
mentos, pode parecer que só será possível fazer esse trabalho
se a escola dispor de grande quantidade de material didáti-
co, de grande repertório de jogos e de brincadeiras e de um
grande ambiente. Não podemos desconsiderar a importância
de termos tudo isso em nossa realidade escolar, mas existem
outros pontos mais importantes, como um grande referen-
cial teórico sobre o assunto.
Agora, reflita: será que os professores que estão nas salas
de aula de Educação Infantil sabem da importância da lei-
tura de bons materiais teóricos sobre o assunto? Em uma
reflexão mais aprofundada e pessoal: você já percebeu essa
importância? E quantos livros dos que foram sugeridos por
seus professores até agora você adquiriu? Quantos sites você
acessou? O que aprendeu por sua conta, que não estava neste
livro, por exemplo?

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 70 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 70 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 5

Essa reflexão tem por objetivo desafiar o leitor a ler os ma-


teriais teóricos sugeridos, de forma que cada vez mais possa
adentrar no universo teórico da Educação Infantil.
Reflita
Reflita

Síntese
Apresentar algumas propostas metodológicas disponíveis para o
trabalho pedagógico na Educação Infantil foi a proposta deste capí-
tulo. Para isso, baseou-se, especificamente, em três metodologias dife-
renciadas de trabalho com a Educação Infantil: o trabalho pedagógico
com múltiplas linguagens na Educação Infantil, o jogo como recurso
privilegiado de desenvolvimento da criança pequena e a pedagogia de
projetos didáticos. Essas não são as únicas maneiras de ensinar crianças
pequenas, mas são formas que dão certo por serem coerentes com os 71
estudos sobre o desenvolvimento infantil. Por fim, destacou-se como é
importante que a escola de Educação Infantil tenha uma linha teórica
clara para compor sua proposta pedagógica, de modo a oportunizar aos
alunos aulas mais significativas e que vão gerar grandes aprendizagens.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 71 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 71 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 72 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 72 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Reflexões sobre a
formação do
professor da
Educação Infantil
6
Q uem é o professor da Educação Infantil da atualidade? O que
se espera desse profissional? Qual deve ser a sua formação? Certamente
o leitor já pensou nessas questões e vai poder conhecer mais detalhada-
mente, neste capítulo, alguns pontos sobre a formação do professor.

Caracterizar o professor: tarefa densa


Caracterizar a identidade do profissional da Educação Infantil da 73
atualidade é uma tarefa densa e de extrema reflexão, uma vez que, ao lon-
go dos anos, assim como foi mudando a concepção de infância, foram se
alterando as características do educador infantil, pois isso também acon-
teceu com as questões metodológicas e profissionais. Nesse momento,
há uma grande necessidade de voltar os olhares para reflexões acerca da
formação necessária para o professor de crianças pequenas. Hoje muita
coisa mudou em relação ao inicio da Educação brasileira, e são exigidas
outras competências dos que educam as nossas crianças pequenas.
Antes de tudo, é preciso explicar que não pretendemos, neste es-
tudo, determinar um formato para a profissão de professor de crianças
pequenas; ao contrário, gostaríamos de deixar claro que entendemos
que cada educador tem seu estilo, sua forma de ser, e o que se pretende
é elencar os aspectos de sua formação e sua importante responsabilida-
de nesse processo.
Sobre o estilo do educador, Palácios e Paniagua (2007, p. 131)
afirmam:
Na Educação Infantil, há muita diversidade [...] e diferenças
entre os professores. Entendemos por estilo do educador o

Fund_Educ_Infantil.indd 73 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 73 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

conjunto de características que marcam seu selo pessoal na


sala de aula, sua forma de agir e de se relacionar. É constituída
por um amplo leque de qualidades ligadas às características
pessoais do adulto (idade, gênero, habilidades, interesses, etc.)
assim como à sua história e ao seu perfil pessoal (suas ideias
sobre educação, sua formação, sua experiência, suas habilida-
des educativas).

Como o leitor pode constatar, há que se ter respeito pelas dife-


renças de cada profissional que, ao nosso ver, são naturais e necessárias
em um ambiente como o escolar, em que muitas pessoas circulam ao
mesmo tempo. A diversidade é um elemento importante nas redes da
Educação Infantil. Porém, acompanhe a reflexão que os autores citados
acima fazem sobre a importância do professor para o sucesso da Edu-
cação Infantil:
Na Educação Infantil [...] tais elementos [os citados acima]
são determinantes na prática pedagógica. As atitudes e formas
de agir do adulto têm uma influencia particular sobre o cli-
ma na sala de aula e, em grande medida, condicionam que as
coisas funcionem ou não (PALÁCIOS; PANIAGUA, 2007,
74 p. 131, grifos nossos).

Assim sendo, e levando em consideração os estilos diferentes de


cada educador, continuemos no raciocínio dos estilos: a Educação In-
fantil só tem a ganhar com educadores que possuem uma sólida for-
mação e estilos diferentes. Mas nem sempre foi assim. Acompanhe o
caminho histórico e como surgiu a necessidade da formação.

Do início até a qualidade: o caminho passa pelo


professor bem formado
Há tempos, para que um profissional fosse contratado para atuar
na Educação Infantil, o principal requisito era que gostasse de crianças.
Obviamente, alguém que não tenha afinidade com crianças pouco terá
a oferecer a elas como educador, mas o que se apresenta no campo da
formação de professores requer uma reflexão mais apurada.
O profissional da Educação Infantil apareceu no panorama da
educação brasileira sem nenhuma exigência de qualificação. Não va-
mos nos esquecer de que as instituições de Educação Infantil tinham
um caráter assistencialista, e do adulto que estava com a criança não era

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 74 6/7/2010 13:52:13


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 74 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 6

exigida nenhuma formação, uma vez que o necessário, na época, era


compensar a ausência da família.
Dessa forma, como destaca Machado (2002, p. 102), era necessá-
rio somente que alguém “olhasse, trocasse e alimentasse as crianças”. A
autora também destaca que as características exigidas para se contratar
um profissional para o trabalho, nas primeiras instituições de Educação
Infantil, eram: “gostar de crianças, ter boa saúde, boa aparência, facili-
dade de comunicação, simpatia, boa educação, experiência anterior e
dinamismo.” (MACHADO, 2002, p. 103).
De uma forma geral, os avanços pedagógicos decorrentes de es-
tudos, bem como de uma série de reformas e mudanças ocorridas na
educação nos últimos anos, principalmente as advindas do campo da
legislação educacional (especialmente pela LDB n. 9.394/96), deram
à escola, em seus diferentes sistemas de ensino, uma maior flexibili-
dade e autonomia.
Em nosso país, a partir da década de 90 do século XX, a tônica da
discussão sobre a formação do profissional da Educação Infantil passou 75
a ser efetivada com mais propriedade, inclusive fazendo parte de docu-
mentos oficiais. Destacamos, aqui, dois documentos que fazem men-
ção à formação dos professores. São eles: Referenciais para a Formação
de Professores (1999) e Diretrizes para Formação Inicial de Professores de
Educação Básica (2000).
Os Referenciais para a Formação de Professores, de 1999, tratam do
desenvolvimento profissional do professor e da progressão na carreira,
da organização da formação inicial e continuada, da formação em ser-
viço e da educação a distância.
O documento intitulado Diretrizes para a Formação Inicial de Pro-
fessores da Educação Básica, elaborado no ano 2000, apresenta análises e
proposições e destaca as competências como um modelo de paradigma
curricular que deve orientar a formação dos professores.
Bonetti (2010, [s. p.]) destaca que “A visão oficial destes docu-
mentos aparentemente reforça em seu discurso a luta dos professores
pelo seu reconhecimento e valorização como profissionais da educação,
opondo-se à histórica concepção do magistério como vocação”.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 75 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 75 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Reflita
Reflita
Ainda é muito grande o número de pessoas que acreditam somente na
versão de que o magistério é uma vocação. Pense nesse assunto com
seriedade e compromisso: é possível alcançar competências teóricas
para lecionar com qualidade na Educação Infantil somente com base
na vocação? Se considerarmos que trabalhar com crianças pequenas é
somente uma vocação, que valor estamos dando à formação teórica?
Reflita
Reflita
É muito importante validar o caráter profissional que esses docu-
mentos impõem, uma vez que a realidade de nossas escolas de Educa-
ção Infantil tem situações bem diferentes. Cumpre destacar, que, como
ressalta Machado (2002, p. 126):
A Educação Infantil, marcada por um quadro de desigual-
dade, não só na possibilidade de acesso, mas também na
qualidade do atendimento e no imaginário, [...] tem uma
76 desvalorização do trabalho do profissional que se dedica ao
atendimento das crianças de 0 a 6 anos. Acaba por aceitar
pessoas com pouca ou nenhuma formação, o que leva a uma
baixa remuneração e uma alta rotatividade, pois não há pers-
pectiva em termos de carreira.

Sendo assim, em muitas realidades escolares a formação exigida


para a atuação com crianças de 0 a 5 anos é praticamente nula. De uma
forma geral, as legislações e propostas aqui apresentadas podem auxiliar
na mudança desse quadro.

A formação do professor de Educação Infantil


atual: alternativas
Como referência para a formação de professores da Educação In-
fantil, temos o artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na-
cional n. 9.394/96:
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação bá-
sica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de
graduação plena, em universidades e institutos superiores de
educação, admitida, como formação mínima para o exercício

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 76 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 76 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 6

do magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras sé-


ries do Ensino Fundamental a oferecida em nível médio, na
modalidade normal.

Como se pôde conferir, a formação de professores deverá ser,


prioritariamente, realizada em nível superior. No entanto, conside-
rando-se a diversidade cultural brasileira e as diferentes formações de
educadores existentes nos diversos estados do país, também são aceitos
professores formados em nível médio, no curso Normal, substituto do
curso de Magistério.
O que se tem percebido, na
prática, é que municípios e ins- Saiba mais
tituições particulares que con-
Segundo resultados do Censo Educacional de
tratam professores de Educação 2009, disponível em: <http://www.inep.gov.br/
Infantil têm preferido os que pos- basica/censo/Escolar/Sinopse/sinopse.asp> (o
suem formação superior. O Plano último divulgado pelo Governo Federal até o
Decenal da Educação (PDE), ela- presente momento), no Brasil, até 2009 (ano
borado pelo governo e promul- do último dado divulgado), temos 6.699.109
gado em 2001, traça as metas da crianças matriculadas nas creches e pré-esco-
educação brasileira ao longo de las do país. É um numero muito grande de 77
uma década e sinaliza que todos pequenos cidadãos que precisam de um bom
os professores da educação básica atendimento, com qualidade e com chances de
(que possui a Educação Infantil desenvolver todo seu potencial com o auxílio
como a primeira etapa) devem de professores com sustentável
ser formados em cursos superio- formação teórica.
res até o fim do Plano, em 2010
(BRASIL, 1993).
Porém, amplamente discutido na realidade da escola de crianças
pequenas, o PDE, no que diz respeito à formação de professores, não
se mostrou passível de execução no Brasil, visto que uma grande parte
dos profissionais que trabalha nessa área, especialmente nas creches,
nas quais muitas pessoas não habilitadas prestam atendimento a uma
grande parcela da população, não possui formação específica.
Isso não significa dizer que os profissionais devem ser aceitos nas
realidades de trabalho com somente a formação de nível médio. Signi-
fica, como aponta o Referencial Curricular Nacional para a Educação
Infantil (1998, p. 39), que:
As diferentes redes de ensino deverão colocar-se a tarefa de
investir de maneira sistemática na capacitação e atualização

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 77 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 77 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

permanente e em serviço de seus professores (sejam das cre-


ches ou pré-escolas), aproveitando as experiências acumuladas
daqueles que já vêm trabalhando com crianças há mais tempo
e com qualidade.

A formação do docente para atuar na Educação Infantil é questão


urgente em nosso meio educacional e, também, em outros países, so-
bretudo no continente europeu. Acompanhe o que destacam Cristine
Pascal e Anthony Bertron (apud SANCHES, 2003, p. 57):
Há clara evidência de que a qualidade do professor é um de-
terminante central na qualidade e eficiência dos programas de
Educação Infantil [...] se quisermos melhorar a qualidade da
educação de crianças pequenas devemos nos preocupar com a
qualidade de seus professores. Na Europa, os países estão reco-
nhecendo isso e tomando medidas para melhorar os cursos de
formação de professor de Educação Infantil.

O objetivo de trazer à tona citações que indicam que outros países


também estão se mobilizando para melhorar o atendimento e a educa-
ção ofertada às crianças de 0 a 5 anos é fornecer elementos de reflexão,
78 para verificarmos como a necessidade disso é iminente. Formar o pro-
fissional da Educação Infantil é um dos desafios de todas as instâncias
educativas da atualidade.
Em outras palavras, é necessário conceber o professor como ele-
mento primordial da equipe de mudanças e isso nos remete a algumas
implicações:
●● valorização da atuação docente por parte das instâncias públi-
cas e de ensino, no que se refere a investimentos que traduzam
condições dignas de vida e de trabalho;
●● implantação e adequação de programas institucionalizados
que possibilitem o domínio de suas habilidades e a aquisição
de quantas forem necessárias para contribuir com a formação
do indivíduo polivalente que o mercado de trabalho exige;
●● capacitação não somente para comunicar, mas, também, para
desenvolver práticas voltadas para a realidade do contexto so-
cial de sua atividade profissional;
●● necessidade iminente de revisão de sua prática e de sua forma-
ção profissional, baseada na reflexão.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 78 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 78 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 6

A partir da década de 90 do século XX, a formação dos professo-


res trouxe muitas discussões acirradas. Pesquisadores centralizaram suas
investigações com o objetivo de responder à pergunta: O que se espera
do profissional docente, na atualidade? De forma geral, as indicações
desses autores apontam para o caminho no sentido de que os professo-
res devem ter consonância com a educação de seu tempo, sendo media-
dores e pesquisadores, competentes e reflexivos.
A reflexão sobre a prática pedagógica tem sido, ultimamente, o con-
ceito mais adotado por pesquisadores e formadores de professores, quando
se referem às tendências de formação do educador. Atualmente, torna-se
difícil encontrar referências escritas sobre propostas de formação de pro-
fessores que, de algum modo, não incluam o conceito de reflexão como
um elemento estruturador. Sendo assim, estamos de acordo com Freire
(1997, p. 43), quando afirma que “na formação permanente dos professo-
res, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”.
A necessidade de formar professores que reflitam sobre a própria
prática é um instrumento essencial ao desenvolvimento do pensamento
e da ação docente (SCHÖN, 1995). Os conhecimentos e competências 79
adquiridos pelo professor, antes e durante sua formação inicial, têm
se mostrado insuficientes para o
exercício de suas funções ao lon-
go de toda a carreira. Diferente- Saiba mais
mente do que se pensava antes, Você pode saber mais sobre Donald Schön e
o professor está longe de ser um sua teoria sobre reflexão na ação. Basta ler o
profissional acabado e amadure- texto de Vasconcelos (2010), disponível no site:
cido no momento em que recebe <http://www.ipv.pt/millenium/17_ect9.htm>.
a sua habilitação profissional.
Essa nova visão do professor como alguém que está em permanen-
te desenvolvimento teve a contribuição de vários fatores: as já citadas
mudanças na sociedade, que causaram mudanças na escola (não só em
sua estrutura, como em seu próprio conceito), bem como as novas teo-
rias pedagógicas que desencadearam pensamentos acerca da função do
professor, reconhecendo a complexidade e as dificuldades dessa função
e, também, a complexidade de sua formação.
Sendo um dos autores que teve o maior peso na difusão do concei-
to de reflexão, Schön (1995) propôs o conceito de “reflexão-na-ação”,

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 79 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 79 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

como o processo pelo qual os professores aprendem a partir da análise


e interpretação de sua própria atividade.
Em consonância com Schön e desejando ultrapassar as antigas
concepções sobre formação de professores, que não se mostraram efica-
zes, delineou-se outro tipo de formação, chamada de “formação conti-
nuada” (NÓVOA, 2002). Pontuando como seu eixo central a pesquisa
em educação, essa formação valoriza o conhecimento do professor, em
um processo de interação e reflexão, buscando contribuir para uma
análise do próprio fazer docente.
Para que se possa formar sob essa perspectiva, Nóvoa (2002) jul-
gou ser fundamental considerar os professores a partir de três eixos es-
tratégicos: a pessoa do professor e sua experiência; a profissão e seus
saberes e a escola e seus projetos. Segundo ele,
A formação não se constrói por acumulação (de cursos de
conhecimento ou de técnicas), mas sim através de um tra-
balho de reflexão crítica sobre práticas e de (re)construção
permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão impor-
80 tante investir na pessoa a dar estatuto ao saber da experiência
(NÓVOA, 2002, p. 38).

Dessa forma, entendemos a formação continuada como uma ati-


tude de permanente reflexão, não como um acúmulo de cursos. Para
formar é preciso respeitar os professores como pessoas; assim, podemos
ter a eficácia de uma formação contextualizada, que busque transfor-
mação e que permita ao professor conhecer o grupo no qual está in-
serido, estabelecendo novos paradigmas e tendo, muitas vezes, como
consequência, um ressignificar de suas práticas pedagógicas.
Como destaca Freire (1997), o professor não é um receptador de
formação. Ele deve ser o sujeito de sua formação, respeitado por suas
potencialidades e necessidades diversas. O desenvolvimento profissio-
nal é, assim, uma perspectiva em que se percebe a necessidade de cres-
cimento e de aquisições diversas, é um processo que tem no próprio
professor o sujeito capital. Dessa forma, todo curso de capacitação de
professores deve compreender possibilidades de reflexão, alianças entre
teoria e prática e continuidade.
Dentro dessa perspectiva, Nóvoa (2002) enfoca que desenvolver prá-
ticas pedagógicas mais eficientes e manter-se atualizado são, atualmente,

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 80 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 80 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 6

os principais desafios do professor. A formação continuada é necessária,


mas difícil em função do complicado equilíbrio entre inovação e tradi-
ção. Para o autor, existem dois polos fundamentais de desenvolvimento
na formação de professores: o primeiro, a pessoa professor como agente
de mudanças; o segundo, a estrutura escolar como espaço de mudança.
O autor defende a ideia de que o desenvolvimento profissional depende,
ainda, do local onde é realizada a prática pedagógica, uma vez que o cres-
cimento profissional também é feito pela reflexão com os colegas.
Sendo a escola um espaço no qual se aprende e se ensina, e consi-
derando que a capacidade de trabalhar em grupo é uma competência
que os professores precisam desenvolver, Nóvoa (2002, p. 44) afirma:
“tem faltado uma dimensão coletiva, não no sentido corporativo, mas
na perspectiva da colegialidade docente. Não me refiro a dinâmicas
voluntárias de colaboração, mas sim à instauração de culturas de rotinas
profissionais que integrem esta dimensão.” Sem esse pilar de reflexão,
a formação não atinge seu objetivo, que é o de promover mudanças de
pensamento e, consequentemente, da ação educativa.
81

Síntese
Neste capítulo, conhecemos alguns pressupostos acerca da forma-
ção do profissional da Educação Infantil da atualidade e estabelecemos
boas bases para reflexões acerca dessa temática, passando por seu con-
texto histórico até chegarmos às características da formação profissional
do educador infantil de nossos dias, delineando algumas perspectivas
atuais. Destacou-se que, mesmo que a formação de professores não fosse
uma obrigatoriedade legal, poderia ser considerada como uma obrigato-
riedade moral, uma vez que a garantia de uma Educação Infantil de qua-
lidade passa, seguramente, pela formação adequada de seus professores.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 81 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 81 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 82 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 82 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

7
Parceria e
avaliação na
Educação Infantil
C omo forma de ampliar os conhecimentos sobre a Educação
Infantil brasileira de nossos tempos e possibilitar reflexões acerca de
práticas pedagógicas e ações educativas, este capítulo apresenta consi-
derações sobre dois temas bastante relevantes na educação de crianças
de 0 a 5 anos: a questão da avaliação formativa e a fundamental parceria
entre a escola e a família da criança.

83
A avaliação formativa na Educação Infantil
De acordo com o que determina o artigo 31 da LDB n. 9.394/96,
sobre a avaliação na Educação Infantil, “na Educação Infantil a avalia-
ção far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvi-
mento [da criança], sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso
ao Ensino Fundamental”.
Uma ideia que podemos extrair do texto da lei é a de que a avalia-
ção na Educação Infantil não tem caráter de reprovação nem de acesso
para o Ensino Fundamental. Isso, na prática educativa, denota duas
considerações:
1. Por não ter caráter de nota, a avaliação pode ser feita com mais
registros e acompanhamentos, validando, a todo momento, as pe-
quenas alterações que ocorrem no desenvolvimento da criança.
2. Como os profissionais da educação brasileira convivem há
muito tempo com a mensuração do conhecimento (a trans-
formação em algo que possa ser medido), muitas vezes, ao se
depararem com uma avaliação sem essa necessidade, acabam
não a validando como um instrumento de ação pedagógica.

Fund_Educ_Infantil.indd 83 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 83 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Como podemos perceber nas práticas educativas e nos resultados


oriundos dessas práticas, amplamente divulgados pela mídia (Prova
Brasil, Provinha Brasil e o ENEM, por exemplo), não é tarefa fácil
realizar a avaliação em nenhum dos nívieis da educação brasileira, nem
na Educação Infantil.
Algumas perguntas nos remetem à necessidade de conceituar “ava-
liação”: O que se entende por avaliação? Para que ela serve no ambiente
escolar e, especificamente, no contexto da Educação Infantil?
As ideias de avaliação trazidas pelo Referencial Curricular Nacional
para a Educação Infantil destacam que os professores devem ter um olhar
sensível e reflexivo sobre a criança, procurando compreender e aceitar
seus sinais de aprendizagem, de carinho, de vivências, de esperanças.
Veja, a seguir, um trecho do texto sobre avaliação proposto pelo
volume 2 do Referencial (1998, p. 66):
No que se refere à avaliação formativa, deve-se ter em conta que
não se trata de avaliar a criança, mas sim as situações de aprendi-
zagem que foram oferecidas. Isso significa dizer que as expectati-
vas com relação à aprendizagem devem estar sempre vinculadas
84 às oportunidades e experiências que foram oferecidos a ela.

Observa-se que, no início do


Saiba mais texto, está presente a expressão
Prova Brasil, Provinha Brasil e Exame Nacional “avaliação formativa” e é esse for-
do Ensino Médio (ENEM) são avaliações mato de educação que será expli-
diagnósticas realizadas pelo Ministério da citado a seguir.
Educação para mapear a aprendizagem
dos alunos brasileiros.
A avaliação formativa tem
um papel muito importante no
Para saber mais sobre a Prova Brasil, acesse: processo de aprendizagem e fun-
<http://provabrasil.inep.gov.br/>. ciona não só com os resultados
Para informações sobre a Provinha Brasil, da aprendizagem, mas, também,
acesse: <http://provinhabrasil.inep.gov.br/>. com o próprio processo de apren-
dizagem. Por isso, costuma-se di-
Para maiores informações sobre o ENEM,
acesse: <http://www.enem.inep.gov.br/>.
zer que avaliação não é produto
(resultado somente), é processo.
Sendo assim, na avaliação formativa, muito mais do que medir o
desempenho dos alunos, o processo de avaliação deve mostrar a forma
como eles atuam durante a aprendizagem, permitindo uma reorienta-
ção da ação pedagógica.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 84 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 84 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 7

Dessa forma, salienta-se que a avaliação não é somente responsabi-


lidade dos estudantes. É responsabilidade, também, do professor, pois
os resultados demonstrados serão os reorganizadores da ação docente.
Vale ressaltar que essa avalia-
ção não significa que o aluno não Saiba mais
deva ser corrigido, ou que não se Para conhecer mais sobre esse estilo de avalia-
deva indicar a ele os próprios er- ção, acesse o endereço: <http://revistaescola.
ros, mas o contexto da formação abril.com.br/img/planejamento/hadji.doc> e
necessita que haja reflexão em leia uma entrevista com Charles Hadji, um dos
cima do que não deu certo, do maiores representantes da avaliação forma-
que não foi aprendido. De acor- tiva. Com certeza, as ideias dele farão você
do com Jussara Hoffmann (1996, pensar sobre o assunto (NOVA ESCOLA, 2010).
p. 77), especialista no assunto:
A questão que deve ser feita é se tal correção favorece a com-
preensão e o desenvolvimento da autonomia dos alunos. Ou
seja, se o fato de o educador apontar ou ratificar suas respostas
contribui para a possibilidade de o estudante tomar consciên-
cia das contradições.
Conceber a avaliação como um elemento de aprendizagem faz
85
com que eliminemos aquela versão de que a avaliação busca os erros e
os culpados. Ela é, então, substituída por uma dinâmica que transfor-
ma o trabalho docente e dá uma nova chance à aprendizagem.
Há uma consideração importante a se fazer. Quando falamos em
avaliar, na Educação Infantil, é comum que algumas pessoas confundam
a própria avaliação com o meio que será usado para transmitir os resul-
tados, e isso nos passa a ideia de que a avaliação, nessa modalidade de
educação, seja somente composta de pareceres, notas, bolinhas coloridas
e outras formas que representam os conceitos. O formato que será esco-
lhido pela escola para demonstrar seus resultados é menos importante
do que o formato da própria avaliação e da teoria que a sustenta. Sem
dúvidas, para que a avaliação na Educação Infantil seja de qualidade, é
preciso ressignificá-la em práticas pedagógicas igualmente eficazes.

A importante relação entre família e escola no


universo da Educação Infantil
A família é o primeiro grupo social do qual a criança faz parte.
Porém, nos dias atuais, torna-se árdua a tarefa que se propõe a concei-
tuar “família”.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 85 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 85 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

A família, por ser uma entidade dinâmica, que está sempre se


alterando e formando-se diferente, apresenta muitas características e
especificidades e, de um modo geral, pode ser considerada por dois
aspectos: o primeiro, como entidade social em constante mudança, e
o segundo, como um grupo social concreto por meio do qual se efeti-
vam vínculos que resultam de três tipos de relação de parentesco: con-
sanguinidade (irmãos), descendência (pais e filhos) e afinidade (casal)
(SAMBRANO, 2006, p. 140).
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, em seu
volume 1, “Introdução” (1998, p. 76), destaca a importância de se re-
jeitar a ideia de que existe somente um tipo de família, uma vez que
os enfoques mais recentes compreendem a família como “uma criação
humana mutável, sujeita a determinações culturais e históricas, que se
constitui tanto em espaço de solidariedade, afeto e segurança, como em
campos de conflito, lutas e disputa”.
A escola teve, portanto, seu papel ressignificado, considerando as
mudanças da sociedade. Hoje em dia, ela também atende a uma de-
86 manda que antes era exclusiva das famílias e não há como negar isso,
embora nem sempre os educadores da Educação Infantil concordem. O
fato é que itens como alimentação e higiene, que antigamente eram de
exclusiva responsabilidade da família, passaram a fazer parte, também,
do rol de atribuições da escola, principalmente nas camadas sociais me-
nos favorecidas.
Antigamente, a instrução dos filhos era dever exclusivo dos fami-
liares e, com o tempo, o aumento de conteúdos e a redefinição das
famílias, a escola passou a ter a função educativa. Porém, é importante
salientar que, apesar das transformações pelas quais passaram, as fa-
mílias continuam funcionando como o eixo principal na formação da
identidade pessoal e social de seus membros, cabendo à escola a função
de transmitir os conhecimentos sociais e historicamente acumulados
pela humanidade e de proporcionar oportunidades de relacionamentos
sociais. O que se deve que deixar claro, portanto, é que a escola é um
espaço de aprendizagens.
Na cultura brasileira, quando falamos sobre criança e desenvolvi-
mento infantil estamos nos referindo a dois contextos básicos: família
e instituição educacional, “não somente pela tradição imposta a esses

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 86 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 86 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 7

ambientes, mas, sobretudo, por serem espaços privilegiados e frequen-


temente únicos, nos quais a vida cotidiana acontece” (SAMBRANO,
2006, p. 139).
Particularmente falando do relacionamento social criança do uni-
verso da Educação Infantil, é fundamental entender que a família cum-
pre um papel de mediadora entre a criança e a sociedade e é o primeiro
espaço de aprendizagem infantil no que se refere a hábitos, costumes,
valores, papéis sociais, atitudes e linguagem, além de desenvolver na
criança, por meio da interação, as bases de sua personalidade e identi-
dade (SAMBRANO, 2006).
Tome-se, como exemplo, uma professora que percebe a seguin-
te característica em seu aluno: fala utilizando gestos para se explicar
melhor e usa determinadas expressões. A princípio, o comportamento
desse aluno pode ser estranho à professora, mas quando se conhece
pessoas do mesmo ambiente familiar, compreende-se: muitas vezes,
os gestos e hábitos dos alunos são os mesmos que seus pais ou demais
familiares demonstram.
Nessa etapa do desenvolvimento infantil, é normal que as famí- 87
lias tenham contato estreito com as escolas. Via de regra, quase que
diariamente, os familiares tomam ciência do desempenho das crianças
nas atividades escolares, bem como de suas necessidades no ambiente
escolar. Pais e escolas devem, portanto, caminhar juntos em prol do
desenvolvimento de seus filhos, destacando que, mesmo em contextos
diferentes, possuem objetivos comuns em relação à mesma criança.
A relação afetiva é importantíssima na educação de crianças (já
falamos sobre isso quando tratamos sobre Henry Wallon). Por isso, pre-
cisamos ficar muito atentos em nossos espaços de Educação Infantil,
não só para a construção de vínculos afetivos entre crianças e seus pro-
fessores e o ambiente educativo, mas, também, e com um grande grau
de importância, entre as famílias e os educadores.
Deve-se considerar que, historicamente, no Brasil, a mãe permane-
ce no ambiente familiar como a pessoa que mantém acesa a afetividade
na família. A cultura brasileira prega que, geralmente, é da mãe a res-
ponsabilidade do cuidado e do afeto para com os filhos. Isso é bastante
percebido nas escolas, pois, quase que exclusivamente, a mãe funciona
como o elo entre a família e a instituição de Educação Infantil.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 87 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 87 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Outro destaque importante para as reflexões aqui propostas é dado


por Mamede (2010, [s. p.]), quando afirma que as “instituições de Edu-
cação Infantil, além de prestarem atendimento direto às crianças, pre-
cisam ter ações coletivas e individuais, no sentido de apoiar mulheres e
homens nos cuidados e educação de seus filhos”. Obviamente, destaca
a autora, não se trata de ensinar às famílias um modelo de “como uma
criança deve ser educada, mas sim de dialogar com elas, trazendo algum
conhecimento técnico para que possa ser confrontado com o saber dos
pais e das famílias” (MAMEDE, 2010, [s. p.]).
Esse diálogo entre família e escola é o ponto principal da construção
de vínculos afetivos, que vão se fortalecendo ao longo do tempo. Infeliz-
mente, entretanto, tem-se observado que a corresponsabilidade educativa
das famílias e da escola de Educação Infantil orienta-se mais para acusa-
ções recíprocas do que para uma busca de soluções. Segundo Oliveira
(2002, p. 177), “as equipes da escola apesar de reconhecerem a impor-
tância do trabalho com a família, costumam considerá-la despreparada e
menos competente que o professor, particularmente em se tratando de
famílias de baixa renda ou famílias formadas por pais adolescentes”.
88
Acompanhe o quadro a seguir, que aponta situações em que a ação
dos pais e professores pode prejudicar o desenvolvimento da criança.
Ação dos pais e/ou Consequência para
professores as crianças
Pais ou professores se antecipam, Quando pais ou professores
tentam adivinhar o que aconteceu tentam adivinhar o que aconteceu,
na escola ou família, ficando na perturbam a criança, pois estão
posição de críticos julgadores dificultando a sua “autoria” (ela
(“aconteceu isso por causa não é escutada e, principalmente,
disso...”). respeitada no que diz).
Quando pais e professores ficam na
Pais ou professores ficam na posição de polícia ou juiz, bloqueiam
posição de juízes. e inibem a criança, gerando culpa,
pois ela fica na posição de “delatora”.
Quando pais ou professores ficam
Pais ou professores são ausentes ou em uma posição de indiferença e
indiferentes aos fatos que ausência, podem criar, na criança,
acontecem na escola e com a apatia, desinteresse, aborrecimento,
criança. sentimentos de incapacidades,
desvalia, rejeição e inadequação.
Fonte: adaptado de Anderle (2010).

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 88 6/7/2010 13:52:14


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 88 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Capítulo 7

Considerando o exposto acima, é fundamental que haja parceria


entre escola e família. Porém, é preciso atentar que cada família tem o
direito de optar, à sua maneira, como quer viver e, assim, escolher como
criar seus filhos. No entanto, tem também o direito de ter acesso aos
conhecimentos que as apoiem em sua missão. A escola pode auxiliar os
pais a educarem seus filhos. No entanto, também precisa estar ciente
das mudanças pelas quais a família passou para que possa realizar um
trabalho eficaz.
Observe o quadro a seguir, que mostra alguns momentos em que
há a relação família-instituição, que tem como foco principal a forma-
ção da criança, e fornece sugestões de contato entre ambos. Destaca-
mos que essas não são os únicas modos de contato, mas, sim, formas
que podem auxiliar o professor a estabelecer os tão necessários víncu-
los afetivos.
Os momentos de entrada e saída das
crianças da instituição devem revelar um
Contatos
clima de informalidade e familiaridade,
rotineiros para estabelecimento e manutenção da 89
relação com os pais.
Momento privilegiado, mais consistente e
organizado, de transmissão de informações
Reunião de pais
entre instituição e familiares. É uma
estratégia formal e de comunicação direta.
Reuniões de Espaço e momento para informações sobre
conselho da escola a gestão da escola.
São relevantes para as famílias, pois
refletem as expectativas delas com relação
Comemorações
à aprendizagem e ao desempenho das
crianças.
Bilhetes ou boletins são informativos
transmitidos sobre o ambiente
Mensagens
institucional para o familiar, e vice-versa.
informativas É momento que propicia dessa relação,
pois ocorre com frequência.
O profissional pode utilizar o contexto
familiar para explicar, suscitar
Trabalho do
questionamentos e soluções,
professor reportando-se a conceitos e realidades
vivenciadas pelas crianças em suas casas.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 89 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 89 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

Diariamente, a criança transmite


informações, julgamentos, sentimentos,
Informações da expectativas, percepções, aprendizagens,
própria criançA vivências, queixas e experiências
referentes aos dois ambientes pelos quais
transita cotidianamente.
Fonte: adaptado de Sambrano (2006).

Um ponto importante do relacionamento entre família e escola é


o que propõe Sambrano (2006): “Há que se considerar que a parceria
entre escola e família pode se tornar acessível à medida que os profissio-
nais assumirem a iniciativa pelo relacionamento e construírem estraté-
gias que o viabilizem”.
Como se vê, cabe à escola dar o primeiro passo, abrir as portas
de seu ambiente para os pais e recebê-los sem prejulgamentos. Quem
ganha com isso? A criança da Educação Infantil, que terá as duas ins-
tâncias sociais mais importantes de sua vida aliadas em prol do seu
desenvolvimento e felicidade.
90

Síntese
Reflexões sobre dois pontos importantes na Educação Infantil de
nossos tempos foram propostas neste capítulo: a avaliação formativa
e a relação família-escola. Sobre avaliação, destaca-se a alternativa da
avaliação formativa como parte da aprendizagem do aluno e não mais a
visão tradicional, que considera ser determinante a avaliação. Teceu-se
ainda, considerações sobre a importância da relação entre a família e a
escola para o pleno desenvolvimento da criança, com destaque para os
vínculos afetivos, indispensáveis nesse contexto.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 90 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 90 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Referências

ABREU, M. Educação Infantil no Brasil: legislação, matrículas, finan-


ciamento e desafio. Consultoria Legislativa, ago. 2004. Disponível em:
<http://apache.camara.gov.br/portal/arquivos/Camara/internet/publi-
cacoes/estnottec/pdf/2004_10128.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
ANDERLE, S. S. Volta às aulas. Psiocopedagogia On-line – o por-
tal da educação e saúde mental. Disponível em: <http://www.psico-
pedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=440>. Acesso em: 28
maio 2010.
91
ANGOTTI, M. Educação Infantil: para quê, para quem e por quê?
Campinas: Alínea, 2006.
ANTUNES, C. Vygotsky, quem diria?! Em minha sala de aula. Petró-
polis: Vozes, 2002.
BARBOSA, E. M. Desenvolvimento Infantil: reflexões teóricas, rela-
ções e contextos. In: ANGOTTI, M. Educação Infantil: para que,
para quem e por quê? Campinas: Alínea, 2006.
BIAGGIO A. M. B. Psicologia do desenvolvimento. Petrópolis: Vo-
zes, 1976.
BISSOLI, M. de F. Educação Infantil: espaço de desenvolvimento
de múltiplas linguagens para professores e crianças. Disponível em:
<http://www.alb.com.br/anais16/sem13pdf/sm13ss15_01.pdf>. Aces-
so em: 28 maio 2010.
BONETTI, N. O professor de Educação Infantil um profissional
da educação básica: e sua especificidade? Disponível em: <http://
www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT07-1779--
Int.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.

Fund_Educ_Infantil.indd 91 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 91 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

BRASIL. Ministério da Educação. Disponível em: <http://www.mec.


gov.br/>. Acesso em 25 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Conselho Federal de Educação. In-
dicação n. 45, de 4 de junho de 1974.
______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Edu-
cação. Câmara de Educação Básica. Resolução n. 5, de 17 de
dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares para a Edu-
cação Infantil. Brasília, 17 dez. 2009. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_
download&gid=2298&Itemid>. Acesso em: 28 maio. 2010.
______. Ministério da Educação. Lei n. 4.024, de 20 de dezembro de
1961. Fixa as Diretrizes e Bases da educação nacional. Brasília, 20 dez.
1961. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
L4024.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Lei n. 5.692, de 11 de agosto de
1971. Fixa as Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus e dá
92 outras providências. Brasília, 11 ago. 1971. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/Ccivil_03/LEIS/L5692.htm>. Acesso em: 28
maio 2010.
______. Ministério da Educação. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de
1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília,
20 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Leis/L9394.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Lei n. 11.114, de 16 de maio de
2005. Altera os artigos 6º, 30, 32 e 87 da Lei n. 9.394, de 20 de dezem-
bro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do Ensino
Fundamental aos seis anos de idade. Brasília, 16 maio 2005. Disponí-
vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/
Lei/L11114.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Lei n. 11.274, de 6 de fevereiro de
2006. Altera a redação dos artigos 29, 30, 32 e 87 da Lei n. 9.394, de
20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da educa-
ção nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o Ensino
Fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 92 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 92 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

idade. Brasília, 6 fev. 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.


br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm>. Acesso em: 28
maio 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. O que é o Plano Decenal da Edu-
cação para Todos? Brasília, 1993. Disponível em: <http://www.do-
miniopublico.gov.br/download/texto/me001700.pdf>. Acesso em: 24
jun. 2010.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Coor-
denação Geral de Educação Infantil. Revista Criança. Brasília, n. 38,
jan. 2005. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
rev_crian_38.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. De-
partamento de Políticas de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Coordenação Geral do Ensino Fundamental. Ensino Fundamental de
nove anos – orientações gerais. Brasília, jul. 2004. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.
pdf>. Acesso em: 28 maio 2010. 93
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Di-
retrizes para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica.
Brasília: MEC/SEB, 2000.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pa-
râmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação
Infantil. Brasília, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/
arquivos/pdf/Educinf/miolo_infraestr.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. ­­­______. Brasília, 2006. (Encarte 1) Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparinfestencarte.
pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâ-
metros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. Brasília,
2006. v. 1. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
Educinf/eduinfparqualvol1.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. ______. Brasília, 2006. v. 2. Disponível em: <http://portal.
mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol2.pdf>. Acesso
em: 28 maio 2010.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 93 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 93 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Polí-


tica Nacional de Educação Infantil: pelo direito das crianças de zero
a seis anos à Educação. Brasília, 2006. Disponível em: <http://portal.
mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfpolit2006.pdf>. Acesso
em: 28 maio 2010.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamen-
tal. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Bra-
sília: MEC/SEF, 1998.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental.
Referências para a formação de professores. Brasília: MEC/SEF, 1999.
CARDOSO FILHO, R. O primeiro jardim de infância do Brasil
(1862): um lugar de memória? Disponível em: <http://www.faced.ufu.
br/colubhe06/anais/arquivos/151RonieCardosoFilho.pdf>. Acesso em:
28 maio 2010.
COMENIUS, I. A. Didactica magna. Disponível em: <http://www.
ebooksbrasil.org/eLibris/didaticamagna.html>. Acesso em: 25 maio 2010.
94 COSTA, S. F. A política de Assistência Social no contexto da Edu-
cação Infantil: possibilidades e desafios para um trabalho socioeducati-
vo. Disponível em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_v6n2_selma.htm>.
Acesso em: 28 maio 2010.
GADOTTI, M. História das ideias pedagógicas. São Paulo: Ática,
2004.
FERRARI, M. Comênio – o pai da didática moderna. Nova Escola,
São Paulo, edição especial, out. 2008a. Disponível em: <http://revista-
escola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/pai-didatica-moderna-
423273.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Friedrich Fröebel – o formador das crianças pequenas. Nova
Escola, São Paulo, edição especial, out. 2008b. Disponível em: <http://
revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/formador-
criancas-pequenas-422947.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Jean-Jacques Rousseau – o filósofo da liberdade como valor supre-
mo. Nova Escola, São Paulo, 22. ed., out. 2008c. Disponível em: <http://
revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/filosofo-liberdade-
como-valor-supremo-423134.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 94 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 94 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

FERRARI, M. Pestalozzi – o teórico que incorporou o afeto à sala de


aula. Nova Escola, São Paulo, 22. ed., out. 2008d. Disponível em:
<http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-inicial/teorico-
incorporou-afeto-sala-aula-423096.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.
______. Maria Montessori. Educar para Crescer, São Paulo, 1 jul.
2008e. Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendi-
zagem/maria-montessori-307444.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.
FERREIRA, A. de A. A reforma do ensino livre. Jus Navigandi, n. 932,
21 jan. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.
asp?id=7865>. Acesso em 28 maio 2010.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepcão dialética do desenvolvi-
mento infantil. São Paulo: Vozes, 2002.
HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos
de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.
95
HOFFMANN, J. M. L. Avaliação na pré-escola: um olhar sensível e
reflexivo sobre a criança. 7. ed. Porto Alegre: Mediação, 1996.
INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira. Enem ­– Exame Nacional do Ensino Médio. Disponível em:
<http://www.enem.inep.gov.br/>. Acesso em: 28 maio 2010a.
______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Aní-
sio Teixeira. Prova Brasil. Disponível em: <http://provabrasil.inep.gov.
br/>. Acesso em: 28 maio 2010b.
______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Aní-
sio Teixeira. Provinha Brasil. Disponível em: <http://provinhabrasil.
inep.gov.br/>. Acesso em: 28 maio 2010c.
______. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Aní-
sio Teixeira. Sinopses estatísticas da educação básica. Disponível em:
<http://www.inep.gov.br/basica/censo/Escolar/Sinopse/sinopse.asp>.
Acesso em: 28 maio 2010d.
KISHIMOTO, T. M. (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a edu-
cação. São Paulo: Cortez, 1997.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 95 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 95 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

KRAMER, S. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce.


2. ed. Rio de Janeiro: Achiamé, 1993.
LA TAILLE, Y. et al. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas
em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
LOBO, C. M. N. das N.; CARVALHO, S. R. A. Educação Infantil:
caminhos percorridos no cotidiano da prática docente. Niterói: Inter-
texto, 2005.
MACHADO, M. L. de A. A Formação dos profissionais docentes e
não docentes da Educação Infantil. In: MOVIMENTOS INTERFÓ-
RUNS DE EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL. Educação Infan-
til: construindo o presente. Campo Grande: UFMS, 2002.
MACHADO, M. L. A pré-escola é não é escola: a busca de um cami-
nho. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
MAMEDE, M. M. A criança na família e a família da criança. Dis-
ponível em: <http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2001/edi/
editxt2.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
96
MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA (1932).
Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb07a.htm>.
Acesso em: 28 maio 2010.
MARANGON, C.; LIMA, E. Fernando Hernández. Educar para Cres-
cer, São Paulo, 1 ago. 2002. Disponível em: <http://educarparacrescer.
abril.com.br/aprendizagem/materias_296380.shtml?page=page2>.
Acesso em: 28 maio 2010.
MICHAELIS. Dicionário de português. Linguagem. Disponível em:
<http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua
=portugues-portugues&palavra=linguagem>. Acesso em: 28 maio 2010.
NOVA ESCOLA. Na hora de avaliar, deixe os preconceitos de lado.
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/img/planejamento/ha
dji.doc>. Acesso em: 28 maio 2010.
NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom
Quixote, 2002.
OCULTURA. Iluminismo. Disponível em: <http://www.ocultura.
org.br/index.php/Iluminismo>. Acesso em: 28 maio 2010.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 96 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 96 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

OLIVEIRA, Z. M. R. de et al. Creches: crianças, faz de conta & cia.


Rio de Janeiro: Vozes, 2002.
OLIVEIRA, Z. M. R de. Educação Infantil: fundamentos e métodos.
São Paulo: Cortez, 2002.
OMB. Organização Montessori do Brasil. Disponível em: < http://
www.omb.org.br/>. Acesso em: 28 maio 2010.
PALACIOS, J.; PANIAGUA, G. Educação Infantil: resposta educati-
va à diversidade. Porto Alegre: Artmed, 2007.
PASCHOAL, J. D.; MACHADO, M. C. G. As brincadeiras e as lin-
guagens da criança na proposta de jardim de infância de Rui Bar-
bosa (1883). Disponível em: <http://www.alb.com.br/anais16/sem13-
pdf/sm13ss11_05.pdf>. Acesso em: 28 maio 2010.
PIAGET, J. A formação da simbologia na criança. Rio de Janeiro:
Zahar, 1978.
RAMALHO, P. John Dewey. Educar para Crescer, São Paulo, 1 jul.
2008. Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendi-
97
zagem/john-dewey-307892.shtml>. Acesso em: 28 maio 2010.
REFORMA DO ENSINO. Disponível em: <http://www.projetome-
moria.art.br/RuiBarbosa/glossario/r/reforma-ensino.htm>. Acesso em:
28 maio 2010.
RENASCIMENTO. Disponível em: <http://www.historiadaarte.com.
br/renascimento.html>. Acesso em: 28 maio 2010.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Disponível em: <http://www.cultura-
brasil.pro.br/revolucaoindustrial.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
SALOMÃO, J. C. Considerações históricas a respeito da política
educacional brasileira para a Educação Infantil e a formação de seus
docentes. Disponível em: <http://www.cesuc.br/revista/ed-1/CONSI-
DERACOESHISTORICAS.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2010.
SAMBRANO, T. M. Relação institucional de Educação Infantil e fa-
mília. In: ANGOTTI, M. Educação Infantil: para que, para quem e
por quê? Campinas: Alínea, 2006.
SANCHES, E. C. Creche: realidade e ambiguidade. Petrópolis: Vozes,
2003.

Fundamentos da Educação Infantil

Fund_Educ_Infantil.indd 97 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 97 of 100
www.cliqueapostilas.com.br
Fundamentos da Educação Infantil

SÃO PAULO. Decreto n. 17.698, de 26 de novembro de 1947. Aprova


a Consolidação mandada elaborar pelo Decreto n. 17.211, de 13 de
maio de 1947. São Paulo, 26 nov. 1947. Disponível em: <http://www.
jusbrasil.com.br/legislacao/225200/decreto-17698-47-sao-paulo-sp>.
Acesso em: 28 maio 2010.
______. Parecer CNE n. 4, de 16 de fevereiro de 2000. Diretrizes
Operacionais para a Educação Infantil. São Paulo, 16 fev. 2000. Dispo-
nível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/diretrizes_p0619-
0628_c.pdf>. Acesso em: 24 jun. 2010.
SCHÖN. Formar professores como profissionais reflexivos. In: NÓ-
VOA, A. Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote,
1995.
SOUZA, P. N. P. de; SILVA, E. B. da. Como entender a aplicar a
nova LDB. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
VASCONCELOS, C. C. A reflexão: um elemento estruturador
da formação de professores. Disponível em: <http://www.ipv.pt/
98 millenium/17_ect9.htm>. Acesso em: 28 maio 2010.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins
Fontes, 1998.
WALLON, H. As origens do pensamento na criança. São Paulo: Ma-
nole, 1989.
WALKER, D. Comenius: o criador da didática moderna. Disponível
em: <http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/comeniusdw.html>. Acesso
em: 28 maio 2010.
WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Jean Piaget. Disponível em: <http://
pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget>. Acesso em: 28 maio 2010a.
______. A enciclopédia livre. Célestin Freinet. Disponível em: <http://
pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lestin_Freinet>. Acesso em: 28 maio
2010b.
______. A enciclopédia livre. John Dewey. Disponível em: <http://
pt.wikipedia.org/wiki/John_Dewey>. Acesso em: 28 maio 2010c.

FAEL

Fund_Educ_Infantil.indd 98 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 98 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 99 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 99 of 100
www.cliqueapostilas.com.br

Fund_Educ_Infantil.indd 100 6/7/2010 13:52:15


02 CONVALIDAÇÃO - 2 PROVA - 07/06/2010 - Page 100 of 100