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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA

CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS – CESA


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA DE TÍTULOS DE CRÉDITO

RESENHA CRÍTICA DO ARTIGO


DESMATERIALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS E
TÍTULOS DE CRÉDITO: RAZÕES, CONSEQÜÊNCIAS
E DESAFIOS
Livia Sant´Anna Faria
Alexandre Ferreira de Assumpção Alves

CRATO – CE
2018
CICERO PHILIPE MENEZES GOMES DE ANDRADE

RESENHA CRÍTICA DO ARTIGO


DESMATERIALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS E
TÍTULOS DE CRÉDITO: RAZÕES, CONSEQÜÊNCIAS
E DESAFIOS

Trabalho requisitado na disciplina Títulos de


Crédito do Curso de Direito, da Universidade
Regional do Cariri.

Professora: Me. Ana Larissa da Silva Brasil

CRATO – CE
2018
2

Apesar do foco principal do estudo ser a desmaterialização dos títulos de crédito,


devido os títulos virtuais estarem sendo bastante utilizados no comércio eletrônico; muitas
discussões surgem, com as vantagens e desvantagens, que os títulos eletrônicos podem trazer
tanto para a sociedade, quanto para o mundo dos negócios e para a dignidade humana.
O que se percebe é que os títulos de crédito na forma física estão perdendo o seu
espaço no mercado financeiro com o surgimento de meios eletrônicos, e o processo de
desmaterialização dos títulos de crédito estão impactando em muitas mudanças nas regras
jurídicas para regular a nova realidade.
Em análise crítica do artigo os autores ressaltam que apesar de já haver previsão de
emissão na forma eletrônica, também chamada de escritural, de títulos de crédito no Código
Civil (Lei 10.406/02) e na Lei de Protesto de Títulos (Lei 9.492/97); ainda não existe uma lei
especial no país, ao contrário de outros países. Que a meu ver é só questão tempo, se não
vejamos:

 O Projeto de Lei nº 4.906/20011: De autoria do Senador Federal Lucio Alcantara


(PSDB/CE) dispõe sobre a validade jurídica e o valor probante do documento
eletrônico e da assinatura digital, regula a certificação digital, institui normas para as
transações de comércio eletrônico e dá outras providências.

 Projeto de Lei 9327/172: Proposta em análise na Câmara dos Deputados regulamenta o


registro eletrônico de duplicatas. A medida está prevista no do deputado Julio Lopes
(PP-RJ). “Muito embora um dos requisitos da duplicata seja o nome e o domicílio do
devedor, é inegável que o protesto indevido de título ou de título inexistente pode
acarretar severo dano a quem for apontado como devedor”, explica Lopes.
Pelo projeto, a emissão de duplicata sob a forma escritural será feita exclusivamente
por entidades autorizadas pelo Banco Central do Brasil (BCB), conforme diretrizes
definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

1
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=29955. Acesso em 13 Set. 2018
2
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2166092. Acesso em 13 Set. 2018
3
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=944325. Acesso em 13 Set. 2018
3

 Projeto de Lei 48/20153: Trata-se da proposta pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT-
MG. O PL é simples e direto: extinguir e proibir a circulação de cédulas de dinheiro,
que poderiam ser mantidas apenas para registro histórico. Para compensar, bancos e
empresas de crédito não poderiam cobrar um percentual nas operações de débito.

O direito francês talvez tenha sido o primeiro a preocupar-se com as alterações no


ordenamento jurídico, necessárias para a disciplina da desmaterialização dos títulos de
crédito. Quando em 1965, a Comissão Gilet formulou proposta de modernização do sistema
de desconto de créditos comerciais, tentou reunir agilidade do processamento eletrônico de
dados com a segurança do direito cambiário, através de instrumentos como a fatura
protestável. Assim, este sistema, implantado em 1967, foi melhorado com a introdução, em
1973, da cambial-extrato (lettre de chage-revelé), sacáveis em suporte papel ou meio
magnético.4
Ainda, o direito francês procurou minimizar a necessidade de entrega de documento
nos negócios bancários pela criação, v.g., da supracitada lettre de change-revelé, uma letra de
câmbio que não circula materialmente: o cliente já remete ao banco seus créditos sob a forma
de fitas magnéticas, acompanhadas de um borderô de cobrança.5
No artigo em comento é evidente que os autores apesar de objetivar-se a analisar
aspectos da desmaterialização dos títulos e documentos de crédito sob forma eletrônica, fica
claro que os mesmos são veemente a favor dessa prática, como mostra em vários trechos do
artigo, se não vejamos:
“Na era virtual, em que as operações são marcadas pela informatização, não é mais
possível que a matéria ainda continuasse a ser tratada como o envelhecido modelo de título
de crédito incorporado ao papel, que apesar de ter exercido grande importância no passado,

4
Coelho, Fábio Ulhoa, Curso de Direito Comercial – Direito de Empresa, 1.º vol., 10ª ed., Editora Saraiva, São
Paulo, 2006, pág. 466, apud Ripert, Georges & Roblot, René, Traité de droit commercial, 2.º vol., 14ª ed.,
LGDJ, Paris, 1991, págs. 136-137.
5
Boiteux. Fernando Neto, Títulos de Crédito em conformidade com o Novo Código Civil, São Paulo. Dialética,
2002, pág. 47.
4

hoje não mais pode nem deve ser tratado como fundamental à produção de riquezas.”
(parágrafo 2º da pag. 2)
“Conforme verificado, a desmaterialização dos títulos de crédito no Brasil foi inserida
aos poucos no cenário comercial, e o estudo visou verificar se essa prática deve realmente se
manter no ápice da utilização no mercado mundial, (e espera-se que em um futuro próximo
alcance o ápice).” (paragráfo 1º da pag. 21)
“Sendo assim, espera-se que normas e discussões possam ser proferidas quanto ao
tema para que, de fato, possibilite o seu desenvolvimento de acordo com as atitudes
tomadas pela sociedade, visando especialmente à maior circulação de riquezas, à
modernização da matéria, à preservação do meio ambiente.” (paragráfo 6º da pag. 21)
Nota- se que os autores nas suas considerações finais, positiva suas ideias utilizando-
se de quatro pilares, como demostrado no recorte supracitado, alegando “desenvolvimento”
de acordo com:
(1) As atitudes tomadas pela sociedade;
(2) À maior circulação de riquezas;
(3) À modernização da matéria;
(4) À preservação do meio ambiente.

As perguntas que me faço em relação a isso são:

 Onde fica o ser humano nessa história?

 A tecnologia evidentemente evolui, mas e a humanidade?

 Estamos evoluindo nosso lado humano e tendo orgulho dessa evolução tanto
quanto da tecnologia?

Precisamos de um movimento que valorize as características naturais do homem, que


respeite seus limites e que trabalhe dentro de um nível de tolerância individual, considerando
que somos diferentes, que suportamos coisas absolutamente distintas. Os talentos também são
individuais, devem ser exercitados, desenvolvidos e o tempo que nos prendemos à tecnologia
muitas vezes consome esses importantes momentos. Outro importante momento que não
estamos desfrutando e que nos é essencial é o ócio. David Backer, fundador da The School of
5

Life deu uma palestra em São Paulo6 sobre o tema Tecnologia e Humanidade e lembrou que
perdemos o poder da lentidão por exemplo, de cultivar o pensamento lento, perdemos também
a alegria da imperfeição, afinal estamos longe de sermos perfeitos seja no que for.
No que diz respeito aos títulos de crédito virtual e a moeda escritural; os bancos, as
tecnologias e outros operadores preparam-se para o previsível e profético fim do dinheiro
impresso. A digitalização dos pagamentos já é presente em alguns países como a Suécia,
Dinamarca e Bélgica.
Em meio a isso, considero que a substituição total e obrigatória de um meio por outro
também gera aprisionamento e exclusão, de modo que impossibilita a compra e venda àqueles
que não aderirem a esse sistema de moeda escritural obrigatória, pois a moeda escritural que
se tem hoje é um tipo de dinheiro não físico usado como meio de pagamento, ou seja, o saldo
em conta-corrente. Ela é movimentada principalmente por depósitos e transferências
eletrônicas entre contas bancárias. Outros meios de movimentação são os cheques e os cartões
de crédito e débito.
Diferente do papel-moeda, que tem curso forçado, a moeda escritural se caracteriza
como uma moeda fiduciária, portanto não é obrigatório a sua aceitação como forma de
pagamento.
E concluo meu pensamento utilizando-se da entrevista feita ao filófoso francês Jean-
Michel Besnier encontrado no site da revista O GLOBO7. Para esse professor de Filosofia da
Sorbonne, que se define como um humanista, as pessoas deveriam se questionar sobre o tema
para tentar pôr limites. Com o rápido avanço da tecnologia, os seres humanos perdem, pouco
a pouco, uma parte de sua liberdade, sem sequer se preocuparem com isso, lamenta o filósofo.

AFP: O ser humano pode perder o controle do que criou?

JMB: Sim. Não digo que vamos criar um Frankenstein, mas acho que estamos em
um mundo, no qual os engenheiros não sabem exatamente o que fazem. Fabricam criaturas
que surpreendem a eles mesmos.

AFP: Quais são as reações?

6
https://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/tecnologia-e-humanidade/. Acesso em 13 Set. 2018
7
https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/tecnologia-deixa-homem-cada-vez-menos-livre-diz-filosofo-
frances-19238566. Acesso em 13 Set. 2018
6

JMB: Uma parte da humanidade considera que é melhor despojar os humanos, já que
são os responsáveis pelas desordens ecológicas e por monstruosidades como o Holocausto.
Para eles, a tecnologia é sinônimo de esperança, já que a consideram como mais confiável e
controlável. Os transhumanistas, que esperam um dia eliminar o sofrimento e até a morte,
fazem parte dessa categoria. Mas há uma segunda categoria, à qual pertenço, que considera
que somos seres mortais e que decidimos nosso destino. A nós, os humanistas, preocupa-nos
muito o desenvolvimento desse mundo desumanizante, que não concede qualquer importância
à dignidade humana, ou à liberdade.

AFP: O que podemos fazer?

JMB: Devemos recuperar nossa autoestima, a estima dos humanos para, assim, poder
decidir o que é desejável ou não fazer, o que aprovamos e o que proibimos. Sonho com que as
pessoas sejam suficientemente inteligentes para se dar conta do que está acontecendo para,
assim,imporregras.