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TERCEIRA EDIÇÃO

FAZENDO FICHAMENTO
“UMA ARTE AGORA REVELADA”
Márcio Campos

2013

EDIÇÃO PARA INTERNET

Porem Quando entendemos o Maravilhoso Processo do Fichar. ou até mesmo interpretação de texto. Boa Leitura! . quando ouvimos o professor pedir um fichamento de um livro. é o mesmo de mandar-nos em uma missão suicida no Camboja.Muitas Vezes o fichamento é Confundido com Resumo. descobrimos o quão importante é essa ferramenta no processo de aprendizado. um conteúdo bem fichado é um conteúdo que jamais será esquecido.

Que esse material seja um marco na dura jornada da criação de um TCC. para todo estudante. “ Marcio Campos .“ Dedico a todos que lutam muito na guerra pelo conhecimento e que não desistem mesmo na iminência de uma batalha perdida.

O fichamento é uma maneira excelente de manter um registro de tudo que você lê. Além desses termos. esses termos . Muitos alunos se mostram ansiosos sobre o que significa na prática fazer um fichamento. sobre fichas.resumo e interpretação esclarecimento. Alguns acham que fichamento é o mesmo que resumo. ao qual ele poderá recorrer em diferentes momentos de sua vida acadêmica ou profissional. por um tempo considerável. de um texto ou mesmo de um tema.FICHAMENTO „UMA ARTE‟ Um fichamento é um trabalho intelectual. O fichamento no âmbito da atividade de estudo e pesquisa visa à documentação e à classificação de um conteúdo. individual. consideram que fichamento nada tem a ver com resumo e só diz respeito à interpretação do texto e. o que pode ser entendido como "relevante" ou "importante" em um texto. onde o aluno tem oportunidade de sistematizar suas leituras. e a dúvida faz sentido porque. Depois de você fazer um bom fichamento de um texto. Ele é basicamente o arquivo do texto que você lê contendo a referência e o que você entendeu do conteúdo do texto de uma obra. assim. é preciso que se explicite um pouco mais. O que fará com que você ganhe tempo. A relevância deve ser avaliada tendo em vista o propósito do texto. exigindo . se formos seguir a definição do dicionário. Outros ao contrário. de tal forma que tenha consigo um material de consulta permanente. até mesmo o dicionário acima citado indica que fichar é resumir. Opcionalmente. você nunca mais precisará recorrer ao original novamente. O termo lembra que o exercício de registrar esses elementos se deu. ou livro. para fazer o fichamento de uma obra ou texto você poderá: aparecem também como objeto de dúvida. Além disso durante o processo de fazer o fichamento você pode adquirir uma compreensão maior do conteúdo do texto. como vimos.

título do texto. devemos registrar a referência bibliográfica. grifando. Registro de idéias que tivemos a partir do texto. identificar a estrutura lógica do texto/revelar o plano lógico da obra em estudo. ano de publicação são elementos considerados essenciais para referenciar um livro que estamos lendo. Transcrições do texto que poderão ser usadas posteriormente como citação em nosso próprio trabalho. local da editora. ou publicado em atas de congresso e o texto que estamos lendo estiver em meio convencional (papel) ou em meio eletrônico. . pode conter: Indicação da referência bibliográfica. a qualquer momento em que consultamos nossas anotações. editora. feito da maneira mais ampla. para elaborar o resumo que consta do fichamento o estudante/leitor deve: . esses fatores devem ser levados em consideração quando formos construir a referência. . ou seja. em termos gerais. Resumo Podemos dizer. se estivermos lendo um artigo de revista. Ler o texto novamente. A referência bibliográfica é o conjunto de elementos que identificam um texto. Ler o texto inteiro uma vez ininterruptamente 2. 3. Mas. Referências bibliográficas O primeiro elemento do fichamento deve ser a identificação do texto lido. resumidamente. Registro de comentários e críticas ao texto. Assim: autoria do texto lido. Fazer o fichamento O fichamento. edição. É importante registrarmos a referência bibliográfica no fichamento porque isso nos permite saber. qual é a origem ou a fonte das anotações.1. de jornal. que. Resumo do texto. identificar o objetivo do texto. fazendo anotações e procurando entender o que o autor quer dizer em cada parágrafo.

comentários. negrito ou itálico. podem. Registro de idéias e problematização Esta parte do fichamento é aquela em que o leitor registra as idéias que vai tendo a partir da leitura do texto. acréscimos ou comentários: [ ] c) ênfase ou destaque: grifo.. A problematização do texto pode ser entendida. . ser escrito na linguagem própria de quem está fazendo o resumo. ser fiel às idéias do autor. gerar a necessidade de pesquisa adicional. interpolações.. Procedimentos para a transcrição A NBR 10250 que trata dos procedimentos relacionados às citações padroniza os modos pelos quais devemos registrar as supressões. A transcrição para citação É interessante fazer sínteses em torno de alguns temas de interesse do aluno e/ou de temas destacados pelo autor. problematizaçao que é objeto de estudo no exercício do resumo. aqui. temas/conceitos relacionados com a disciplina para a qual o texto foi lido.] b) interpolações. captar os conceitos fundamentais. . ênfase ou destaque que aplicamos nas transcrições: a) supressões: [. No caso em que reproduzimos uma frase que contém elementos em destaque . Esse registro de trechos de texto lido no fichamento pode ser: literal e não-literal. como questões que são levantadas sobre o tema do texto. podemos fazer citações literais e não-literais. inclusive conceitos. estas também chamadas conceituais ou paráfrases. A problematizaçao do texto feita pelo aluno não deve ser confundida com a problematização do tema feita pelo autor. Essas questões podem dar origem a discussões e. também.. Dessa forma.

7). à p. Observar que o texto de Morais não foi usado tal qual se encontra no documento consultado. Neste sentido. Para comprovar a veracidade da transcrição devemos consultar a fonte indicada por quem está fazendo a citação. Bervian. 7 da obra publicada por Morais no ano 2000. As transcrições literais são também chamadas transcrições formais (Cervo. p. podemos fazer citações nãoliterais ou citações conceituais. no caso o texto de Morais. As citações conceituais também são chamadas paráfrases. Tenho de citar literalmente a passagem. assim: [grifo do autor]. o leitor é remetido à p. para que haja possibilidade de confronto com a paráfrase anteriormente estabelecida: . explicitar a intenção subjacente do autor é uma das tarefas da crítica (MORAIS. grifo ou itálico) é necessário que registremos esse dado entre colchetes. onde encontrará o texto na sua integridade. Exemplo: Para Morais (2000. mascara. assim: [grifo nosso]. 8). o critério de comprometimento visa analisar qual o grau de envolvimento do autor de um texto com o seu discurso e isso não é difícil de ser realizado dado que "[ou] não é dificil para o leitor ou leitora de algum recurso intelectual distinguir o que vem do ceme vivo de convicções do que vem de encarceramentos doutrinários". citação conceitual ou paráfrase Quando queremos usar apenas a idéia ou o conceito desenvolvido por um autor. Citação não literal. Citação literal A transcrição literal é a transcrição de expressão. No caso do destaque ter sido dado por quem está citando. 2000. 8. 1983. p. frase ou parágrafo tal qual está no texto que estamos lendo. p.(negrito. também é preciso registrar esse dado entre colchetes. Exemplo: Um texto deve ser entendido também por aquilo que ele oculta. É a cópia exata do trecho citado. 142). embora com supressões. Notar que o que vem sob aspas é cópia do texto de Morais. Para se aprofundar mais sobre a questão da leitura.

Se não organizarmos e sistematizarmos o nosso conhecimento e os nossos dados. o que realmente deve ser destacado. p. um "sonambulismo estéril" (2000. Nesse caso. postura paradoxalmente encontrada por séculos nas escolas. ensejando. perdendo-se assim. a fim de compreender a lógica. os termos textuais são transcritos entre aspas. Nesta citação temos como transcrição literal apenas o que vem sob aspas. o esquema de exposição das idéias. Exemplo: Morais em seu texto A criticidade como fundamento do humano mostra a importância da crítica para o abandono da postura passiva do leitor. complementares e progressivos: momento de análise textual e de análise temática. Quando lemos alguns textos científicos. É nesse primeiro momento de reconhecimento do texto que se torna necessário procurar – no dicionário – as palavras que não sabemos. podemos dividir esta tarefa em momentos distintos. Muitas vezes. O trabalho cientifico depende de leituras. de fontes de informação. ou seja: sonambulismo estéril.Chamam-se citações mistas aquelas que inserem na síntese de um texto alguns termos ou expressões textuais tirados dos documentos. Lembre-se: só podemos escrever se lermos. podemos ter algumas dificuldades na apreensão do conteúdo e das informações transmitidas. Neste momento. os textos ficam com muitos destaques. se tivermos dados. ou em obras de referência – os conceitos que desconhecemos. o restante da frase é uma paráfrase. assim como o raciocínio do autor. onde procuramos entender o texto como um todo. 2). é bom assinalar os conceitos principais que o autor está utilizando e como os define . não teremos sobre o que e do que falar. Para facilitar. A análise textual é o primeiro momento da leitura. assim. ou acadêmicos. ao assumirem como verdade inquestionável as falas dos autores admitidos como guias intelectuais e até morais dessas mesmas escolas. ou para nos ajudar na compreensão dos textos. e – em dicionários especializados. Se tudo é importante. 1 1 Cuidado com o “grifa-texto”! Use o grifa-texto somente para as idéias e argumentos principais. por que grifar? .

dentro dessa pasta. p. São Paulo: Cortez. depois.). Sugestão de Fichamento: 1. O Fichamento é um modo de coletar e deseparar o conhecimento. já a terá pronta (no computador pode usar copiar – colar). é necessário criar um mínimo de organização dos dados que coletamos para.. destaque do autor. “a análise textual pode ser encerrada com uma esquematização do texto cuja finalidade é apresentar uma visão de conjunto da unidade”. não terá que consultar novamente a localização do livro.. 2000. deve ser acompanhada de anotações. Antonio Joaquim. as referências bibliográficas de acordo com as normas ABNT. de aproximadamente 15 X 20 cm. crie uma pasta “Fichamentos”. rev. e se precisar voltar à biblioteca. Como pensamos em organizar o conhecimento. 53. ou em arquivos de computador. no computador. Metodologia do trabalho científico. separe os textos – criando outras pastas – de acordo com os temas e sub-temas que compõe a sua pesquisa. Guardar as informações em caderno é mais complicado. é necessário criar e definir um lugar como sendo o seu lugar de arquivo e de consulta. permitem a criação de ordem alfabética por titulo. em cadernos. O caderno impede esta organização. se estraga mais rapidamente. que se vende em papelarias). 2 SEVERINO. como forma de organização do conhecimento adquirido. Assim. ter acesso a eles. logo no início do seu documento. . o uso das fichas ou nomes de arquivos. Independente do modo como armazenará as informações (em pastas.. por tema ou por autor. aproveite para anotar o número do Tombo.Essa leitura pode e. como estamos pensando em constante manuseio do material. Assim. conforme avançamos na pesquisa e nas nossas leituras. a menos que use fichário. Se for livro de biblioteca. Em caso de computador. e ampl. A durabilidade do papel não é grande e. 2 As anotações e esquematização inicial são realizadas através do Fichamento: Como expusemos. E. gavetas.. Antes de iniciar a leitura do texto. 21ª ed. quando fizer a bibliografia do trabalho. anote. seja por meio de anotações em fichas (com papel mais duro.

de pequenas frases. Comece a fazer as anotações. nos concentraremos mais na fidelidade da anotação do que em prestar atenção à exposição. E. o Fichamento permite a leitura e a compreensão do texto em dois momentos essenciais: a) um fragmentado (durante a leitura e nas anotações do texto). quanto mais informação tiver sobre o conteúdo do seu documento. ao invés de buscar na memória. Introdução. Ou seja. Quando lemos um livro. assim como as anotações pontuais que fazemos nesse percurso. No Fichamento não se anota tudo que está no livro. Deixe claro o que é a sua redação e o que é do “autor”. A outra vantagem do Fichamento é no processo de compreensão da leitura. terá anotações já prontas para recorrer. A anotação pode ser tópica. lemos em seqüência as diferentes palavras. de conceitos-chave. retomar rapidamente os pontos obscuros. um documento. terá uma visão global. A idéia que deve organizar as anotações é a mesma que utilizamos para as anotações em sala de aula. Se copiar uma frase mais longa. Ainda que gaste tempo para fazer as anotações. parágrafos. no caso de dúvida. Este “dissecar” do texto é parte do processo de leitura. Se anotarmos “tudo” o que o professor disser. pela leitura do Fichamento teremos um entendimento geral em poucos minutos. não compreendidos ou fazer uma citação. não reescrevemos. Quando consultar o seu Fichamento poderá. Conforme for anotando. (veremos adiante) 3. não esqueça de utilizar aspas. Assim. desenvolvimento e conclusão.2. posteriormente ganhará um tempo muito maior. Se demoramos um dia para ler um texto. um texto. . indique as páginas do documento original. dentro de cada parte. pois. ficar procurando em livros ou artigos. melhor. prestamos atenção na fala do professor e fazemos anotações pontuais das partes importantes. Assim. sempre fazemos por partes. Deixe um espaço em branco para fazer um pequeno resumo. Ao finalizar o Fichamento e ao ler as suas anotações. b) um mais geral e compreensivo (na leitura do Fichamento). Lembre-se: o Fichamento é a criação de um documento para consulta posterior. frases. itens e capítulos.

em primeiro lugar. redija um pequeno resumo. o Fichamento fica composto da seguinte estrutura: 1. é possível fazer uma leitura e análise temática. Assim. Existem idéias secundárias. de informação. qual é a(s) sua(s) proposição fundamental ou tese(s)? 5. cujo objetivo é se aprofundar no entendimento do texto. Em qualquer momento da leitura. técnico? 3. Qual o problema que o autor pretende desenvolver? Ou seja. A partir dessa leitura textual. entendê-lo. de acordo com a ABNT. como apresenta sua(s) idéia(s) central(is). A partir disso. Volte ao item dois (que tratamos acima) e complete o espaço que deixou em branco. como constrói a estrutura de argumentos para fundamentá-la(s)? 6. Qual o tema ou assunto? Do que ele está falando e como apresenta a sua perspectiva? 2. argumentações complementares que auxiliam na construção da(s) tese(s)? Resumindo: Sobre o que o autor está falando? Qual a questão que pretende responder? Frente a esta questão. Para orientar o entendimento do texto. 3. o que levou o autor a escrever seu texto e qual tipo de questão que procura responder com sua argumentação? 4.Ao finalizar a leitura e as anotações. jornalístico. leia o Fichamento e. importa entender o que e como o autor expõe suas idéias. Se ele defende determinada(s) tese(s). Um pequeno resumo compreensivo do texto como um todo. 2. propomos algumas questões a serem respondidas após sua leitura: 1. O „endereço‟ da obra. Qual o tipo de texto? Acadêmico. a partir de um entendimento mais amplo. As partes específicas que compõe o texto e a referência das páginas. qual a sua resposta? Como fundamenta as suas . o fundamental é. Quer concordemos ou não com as suas idéias.

p. ficará mais fácil responder as questões de entendimento. temos duas saídas: 1. p. Lucília H. e em GARCEZ. 23-45. cit. Se não conseguir responder. São Paulo: Martins Fontes. O texto era ruim e não tinha coerência. leia o original. 2. 3 3 Boa parte das informações que trouxemos estão em SEVERINO. . do C.afirmações e suas respostas? Seus argumentos são convincentes? Existem outras idéias que compõem o texto? Após ter feito o Fichamento. Para uma exposição mais detalhada. Você não entendeu o texto e tem que reler (o mais provável). op. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2002.. problema central e nem objeto de estudo claramente definido (pode acontecer). 47-61.