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A GRANDEZA DA ORAÇÃO

A supremacia da Oração

Uma rápida comparação desta oração de Efésios 1 com as orações de


Filipenses 1, Colossenses 1 e Efésios 3 revela que esta é a maneira habitual
na qual Paulo orava por aqueles que amava. No coração gramatical da extensa
oração de Paulo, há uma compreensão surpreendente da grandeza e
importância da oração. No v. 17, escreve: “Peço...para que o conheçam
melhor”.

É extraordinário que em todos seus escritos as orações de Paulo por seus


amigos não contém petições por mudanças em suas circunstâncias. A verdade
é que eles viviam em meio a muitos perigos e privações. Enfrentaram
perseguição, morte por enfermidade, opressão por parte de forças poderosas e
separação de seus entes queridos. Sua existência foi muito menos segura que
a nossa hoje. Entretanto, nessas orações não se encontra nem uma só petição
por um imperador melhor, por proteção contra exércitos saqueadores ou
inclusive por pão para a próxima refeição. Paulo não ora pelo bem-estar que
nós colocamos em primeiro lugar nas nossas listas de petições.

Isto significa que é incorreto orar por estas coisas? De maneira alguma. Como
bem o sabia Paulo, Jesus mesmo nos convida a pedir pelo “pão nosso de cada
dia” e para que se nos “livre do mal”. Em 1 Timóteo 2, Paulo alenta seus
leitores para que orassem para ter paz, por um bom governo e por
necessidades do mundo. Em suas próprias orações, então, Paulo não nos
prove de um modelo universal para a oração, como tampouco o fez Jesus.
Nessas orações Paulo revela o que pedia com mais frequência por seus
amigos, o que acreditava que era o mais importante que Deus poderia lhes dar.

O que é o mais importante? Conhecer a Deus melhor. Paulo o explica com


cores e detalhes. Significa ter “iluminados os olhos do coração” (Ef 1:18).
Biblicamente, o coração é o centro de controle de toda a personalidade. É o
depósito dos compromissos básicos, dos afetos mais profundos e das
esperanças fundamentais que controlam nossos sentimentos, pensamentos e
conduta. Ter “iluminados os olhos do coração” com uma verdade particular
significa que essa verdade penetrou e invadiu de maneira tão profunda os
nossos corações que transforma a pessoa por completo. Quer dizer, podemos
saber que Deus é santo, porém, quando os olhos do coração são iluminados
com relação a essa verdade, então não só conhecemos cognitivamente, mas
também descobrimos emocionalmente que a santidade de Deus é maravilhosa
e bela, e volitivamente evitamos atitudes e condutas que o desagradam ou o
desonram. Em Efésios 3:18, Paulo indica que ele quer que o Espírito lhes
conceda poder para que “possam compreender” todos os benefícios passados,
presentes e futuros que receberam quando creram em Jesus. Sem dúvida,
todos os cristãos conhecem sobre estes benefícios em suas mentes, porém, a
oração é para algo mais, é para ter um sentido mais claro da realidade da
presença de Deus e da vida compartilhada com Ele.

Paulo considera esse conhecimento de Deus como um assunto mais crítico do


que receber uma mudança nas circunstâncias. Sem este forte sentido da
vontade de Deus, as circunstâncias boas podem conduzir-nos a uma confiança
excessiva ou a indiferença espiritual. “Quem precisa de Deus?”, poderiam
concluir nossos corações os assuntos parecem estar sob controle. Por outro
lado, sem este coração iluminado, as más circunstâncias podem conduzir-nos
ao desalento e ao desespero, porque o amor de Deus seria uma abstração e
não a presença infinitamente consoladora que deveria ser. Por isso, conhecer a
Deus melhor é o que devemos ter acima de tudo em qualquer circunstância da
vida que devamos enfrentar.

A maior preocupação de Paulo, então, concerne a vida de oração dos crentes


tanto pública como privada. Crê que o bem mais precioso é a comunhão ou
companheirismo com Deus. Uma vida de oração abundante, dinâmica,
consoladora, ganha com esforço é a única que torna possível receber todos os
outros bens correta e proveitosamente. Paulo não considera a oração só como
uma maneira de obter coisas da parte de Deus, senão também como uma
maneira de obter mais de Deus mesmo. A oração é procurar “aferrar-se a
[Deus]” (Is 64:7) do mesmo modo que na antiguidade as pessoas se aferravam
ao manto de um grande homem quando recorriam a ele ou do mesmo modo
que nós abraçamos a alguém para demonstrar-lhe amor.

Ao orar desta forma, Paulo estava dando por certo a prioridade da vida interior
com Deus. A maioria das pessoas nestes tempos baseia sua vida interior em
suas circunstâncias internas. Sua paz interior depende da valoração que os
outros fazem, da posição social, da prosperidade e do desempenho na vida. Os
cristãos fazem tanto quanto qualquer outra pessoa. Paulo ensina que, para os
crentes, deveria ser o contrário. De outro modo seremos golpeados por como
vão as coisas no mundo. Se os cristão não baseiam suas vidas no inalterável
amor de Deus, então terão que “aceitar como êxito o que outros garantirem que
é e interpretar sua felicidade como eles a concebem, segundo os padrões do
mundo. Eles tombam, com razão, ante seu destino”.