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EFEITO DOS PAINÉIS DE VEDAÇÃO NAS CARACTERÍSTICAS DINÂMICAS

DE EDIFICAÇÕES DE CONCRETO ARMADO

Paulo Victor Almeida de Sousa

Dissertação de Mestrado apresentada ao


Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos necessários
à obtenção do título de Mestre em Engenharia
Civil.

Orientador(es): Michèle Schubert Pfeil

Rio de Janeiro
Janeiro de 2014
EFEITO DOS PAINÉIS DE VEDAÇÃO NAS CARACTERÍSTICAS DINÂMICAS
DE EDIFICAÇÕES DE CONCRETO ARMADO

Paulo Victor Almeida de Sousa

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO


LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA
(COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE
DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE
EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.

Examinada por:

________________________________________________
Profa. Michèle Schubert Pfeil, D.Sc.

________________________________________________
Prof. Alexandre Landesmann, D.Sc.

________________________________________________
Profa. Eliane Maria Lopes Carvalho, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL


JANEIRO DE 2014
Sousa, Paulo Victor Almeida de
Efeito dos Painéis de Vedação nas Características
Dinâmicas de Edificações de Concreto Armado/ Paulo
Victor Almeida de Sousa. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2014.
XIV, 92 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Michèle Schubert Pfeil
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de
Engenharia Civil, 2014.
Referências Bibliográficas: p. 88 – 92.
1. Dinâmica. 2. Edifícios. 3. Alvenaria. I. Pfeil,
Michèle Schubert. II. Universidade Federal do Rio de
Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Civil. III.
Título.

iii
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais por todo amor e por me ensinarem que o conhecimento é um dos bens
mais preciosos que podemos ter.

À minha namorada Bárbara, que soube ser paciente e companheira durante os anos
dedicados ao mestrado.

À professora Michèle Pfeil pela sua orientação, com ensinamentos valiosíssimos que
levarei por toda a vida, além de muita paciência para entender as dificuldades de tempo
de aluno de tempo parcial.

À professora Eliane Carvalho, por toda sua ajuda e orientação na elaboração deste
trabalho.

Aos colegas Rodolfo e Wilson, por toda a ajuda durante as disciplinas cursadas.

À empresa CSP Projetos e Consultoria, que através do Eng° César Pinto incentivou e
disponibilizou tempo para que pudesse cursar o mestrado.

iv
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

EFEITO DOS PAINÉIS DE VEDAÇÃO NAS CARACTERÍSTICAS DINÂMICAS


DE EDIFICAÇÕES DE CONCRETO ARMADO

Paulo Victor Almeida de Sousa

Janeiro/2014

Orientador(es): Michèle Schubert Pfeil

Programa: Engenharia Civil

Este trabalho apresenta um estudo baseado em modelagem numérica sobre a


influência dos painéis de alvenaria de vedação na rigidez e nas características dinâmicas
de edifícios em concreto armado para análises em estados limites de serviço (ELS). Os
painéis de alvenaria foram modelados por meio de elementos de casca considerando
diferentes possibilidades de ligação com os elementos em concreto armado e
alternativamente através do conceito de diagonal equivalente cuja área de seção
transversal equivalente em concreto é determinada por meio de um modelo analítico
simplificado. Um estudo paramétrico efetuado em modelos de pórticos de um andar
com parede de alvenaria de diversas relações largura por altura, com e sem abertura,
conduziu a uma proposta de cálculo de área de diagonal ajustada de modo a representar
diferentes condições de ligação. Modelos numéricos tridimensionais em elementos
finitos foram elaborados para analisar estruturas aporticadas de dois edifícios
residenciais com concepções diferentes: (i) Estrutura convencional; (ii) Estrutura com
vigas chatas e pórticos de fachada e núcleo central. Os resultados obtidos demonstraram
a validação do modelo de diagonal equivalente ajustado, bem como a contribuição das
alvenarias na rigidez global da estrutura, e suas consequências nas características
dinâmicas para fins de análises em ELS.

v
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

EFFECT OF MASONRY PANELS ON THE DYNAMIC PARTICULARS OF


REINFORCED CONCRETE BUILDINGS

Paulo Victor Almeida de Sousa

January/2014

Advisor: Michèle Schubert Pfeil

Department: Civil Engineering

In the present work the effect of masonry infills in the stiffness and the dynamic
characteristics of reinforced concrete (RC) building structures is studied through
numerical modeling focusing serviceability limit states. The masonry infills were
modeled by means of shell finite elements considering different conditions in the
connections to the RC structure represented by frame elements and alternatively by the
concept of equivalent diagonal whose area is determined through a simplified
mathematical model. A parametric study performed for a single story infilled frame
with several width to height ratios, with and without openings, led to a proposal of an
adjustment factor in the diagonal area calculation to take into account the masonry to
frame connection. Three-dimensional finite element numerical models were developed
to analyze framed structures of two residential buildings with different concepts: (i)
conventional structure, (ii) structure with flat beams and frames and façade core. The
results demonstrated the validation of the equivalent diagonal adjusted model, and the
contribution of the masonry in the overall stiffness of the structure, and their
consequences on the dynamics for the purpose of analysis in SLS.

vi
Sumário
Lista de Figuras ............................................................................................................. ix
Lista de Tabelas ............................................................................................................ xii
Lista de Símbolos ......................................................................................................... xiv
Capítulo 1 – Introdução ............................................................................................. 1
1.1 Cenário do tema e motivação .................................................................................. 1
1.2 Objetivos e metodologia ......................................................................................... 2
1.3 Apresentação do trabalho ........................................................................................ 2
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica............................................................................ 4
2.1 Elementos de vedação ............................................................................................. 4
2.1.1 Tipos de Vedação ............................................................................................... 4
2.1.2 Blocos para paredes de alvenaria ....................................................................... 7
2.2 Características mecânicas de blocos e da alvenaria de vedação ........................... 10
2.2.1 Blocos cerâmicos e de concreto isolados ......................................................... 11
2.2.2 Prismas e paredes ............................................................................................. 12
2.2.3 Alvenaria de bloco cerâmico de vedação revestida de argamassa ................... 15
2.2.4 Painel de alvenaria de bloco de concreto de vedação revestido de argamassa 17
2.3 Técnicas de execução de “encunhamento” ........................................................... 18
2.4 Influência dos painéis de alvenaria de vedação no comportamento de estruturas:
modelo de diagonal equivalente ................................................................................... 20
Capítulo 3 – Modelos numéricos de painéis de alvenaria ..................................... 25
3.1 Introdução ............................................................................................................. 25
3.2 Características geométricas dos pórticos em estudo ............................................. 26
3.3 Modelo II de pórticos com painel de alvenaria ..................................................... 29
3.3.1 Tipo de elemento finito e ligações ................................................................... 29
3.3.2 Módulo de deformação longitudinal e espessura da alvenaria ......................... 31
3.3.3 Resultados para os painéis sem abertura .......................................................... 31
3.3.4 Painéis com abertura ........................................................................................ 32
3.4 Formulação do modelo de diagonal equivalente................................................... 33
3.5 Determinação da variação de kh com a geometria dos painéis de alvenaria isolados
36
3.5.1 Geometria dos painéis ...................................................................................... 36
3.5.2 Curvas de rigidez lateral kh para painéis com e sem aberturas ........................ 37

vii
3.6 Aplicação do modelo de diagonal equivalente aos pórticos em estudo ................ 40
3.7 Fator de ajuste da rigidez lateral do painel em função da ligação alvenaria x viga
superior ......................................................................................................................... 45
3.8 Comparação entre a formulação para rigidez equivalente deste trabalho e as da
literatuta ........................................................................................................................ 48
3.9 Painel não confinado ............................................................................................. 49
Capítulo 4 – Exemplo de edificação 1 ................................................................... 51
4.1 Breve descrição da estrutura ................................................................................. 51
4.2 Modelos numéricos ............................................................................................... 54
4.3 Resultados em termos de frequências naturais da edificação ............................... 61
Capítulo 5 – Exemplo de edificação 2 ................................................................... 69
5.1 Breve descrição da estrutura ................................................................................. 69
5.2 Modelos numéricos ............................................................................................... 71
5.3 Resultados em termos de frequências naturais da edificação ............................... 77
Capítulo 6 – Conclusões ........................................................................................... 85
Referências Bibliográficas ........................................................................................... 88

viii
Lista de Figuras

Figura 2. 1 – Exemplo de divisória: (a) modular; (b) gesso acartonado. ......................... 5


Figura 2. 2 – Exemplo de parede de concreto moldada no local. ..................................... 6
Figura 2. 3 – Exemplo de parede pré-moldada de concreto. ............................................ 6
Figura 2. 4 – Exemplo de tijolo de barro. ......................................................................... 8
Figura 2. 5 – Exemplo de tijolo baiano de 8 furos (a) e bloco com furos na vertical (b). 9
Figura 2. 6 – Exemplo de bloco de concreto. ................................................................. 10
Figura 2. 7 – Exemplo de encunhamento com tijolo maciço (COSTA et al., 2005)...... 19
Figura 2. 8 – Exemplo de encunhamento com argamassa industrializada ..................... 19
Figura 2. 9 – Exemplo de encunhamento com argamassa industrializada com aditivo
expansor (COSTA et al., 2005). ..................................................................................... 20
Figura 2. 10 – Modos de ruptura da alvenaria de preenchimento de pórtico: ruptura por
esmagamento nos cantos e ruptura por compressão diagonal (ASTERIS et al., 2011). 21
Figura 2. 11 – Modelo de diagonal equivalente ............................................................. 22
Figura 2. 12 – Pórtico preenchido com abertura (LIAUW e LEE, 1977 apud TANAKA,
2011). .............................................................................................................................. 24
Figura 3. 1 – Pórtico em concreto armado...................................................................... 26
Figura 3. 2 – Deslocamentos do Pórtico em concreto armado sem painel de vedação. . 28
Figura 3. 3 – Gráfico de rigidez lateral – pórtico sem preenchimento ........................... 28
Figura 3. 4 – Painel preenchido com alvenaria – ligação rígida..................................... 30
Figura 3. 5 – Painel preenchido com alvenaria – ligação semi-rígida. ........................... 30
Figura 3. 6 – Painel preenchido com alvenaria – ligação descolada no topo. ................ 31
Figura 3. 7 – Curvas de rigidez lateral para os pórticos com ligações rígida, semi-rígida
e descolada no topo sem aberturas. ................................................................................ 32
Figura 3. 8 – Exemplo de aberturas nos painéis. ............................................................ 33
Figura 3. 9 – Curvas de rigidez lateral para os pórticos com ligações rígida, semi-rígida
e descolada no topo com aberturas. ................................................................................ 34
Figura 3. 10 – (a) Quadro diagonal; (b) Placa sob cisalhamento puro. .......................... 34
Figura 3. 11 – Modelo representando elementos diagonais equivalentes. ..................... 35
Figura 3. 12 – Painéis sem abertura e com abertura de porta sujeitos a cisalhamento
(MOREIRA, 2002). ........................................................................................................ 37
Figura 3. 13 – Painéis com abertura de janela ................................................................ 38

ix
Figura 3. 14 – Deslocamento x a/h no topo dos painéis. ................................................ 39
Figura 3. 15 – Curvas de rigidez lateral kh x a/h. ........................................................... 40
Figura 3. 16 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel
sem abertura. ................................................................................................................... 42
Figura 3. 17 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel
com abertura de porta. .................................................................................................... 42
Figura 3. 18 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel
com abertura de janela. ................................................................................................... 43
Figura 3. 19 – Curvas de Rigidez lateral dos modelos com painéis sem abertura. ........ 43
Figura 3. 20 – Curvas de rigidez lateral dos modelos com painéis com abertura de
janela............................................................................................................................... 44
Figura 3. 21 – Coeficientes de ajuste α x a/h para painéis sem abertura. ....................... 46
Figura 3. 22 – Coeficientes de ajuste α x a/h para painéis com abertura (E=7000 MPa).
........................................................................................................................................ 47
Figura 3. 23 – Rigidez lateral dos pórticos sem abertura – Diagonais corrigidas. ......... 48
Figura 3. 24 – Relação largura efetiva (w/d) da diagonal x parâmetro h de rigidez
relativa entre o pórtico e o painel ................................................................................... 49
Figura 3. 25 – Modelo numérico do painel de 7m com alvenaria isolada de 3m. .......... 50
Figura 4. 1 – Corte Vertical da estrutura do edifício exemplo 1
(CARVALHO&BATTISTA, 2002). .............................................................................. 52
Figura 4. 2 – Esboço do posicionamento dos painéis de alvenarias. .............................. 52
Figura 4. 3 – Planta de forma do pavimento tipo do edifício em análise. ...................... 53
Figura 4. 4 – Modelo em elementos finitos – estrutura (Modelo 1). .............................. 56
Figura 4. 5 – Modelo em elementos finitos – estrutura + paredes (Modelo 2A). .......... 57
Figura 4. 6 – Modelo em elementos finitos – estrutura + diagonais (Modelo 3). .......... 58
Figura 4. 7 – Corte A conforme indicado na Figura 4. 2: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).......................................................................... 59
Figura 4. 8 – Corte B conforme indicado na Figura 4. 2: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).......................................................................... 60
Figura 4. 9 – 1º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,52 Hz). ................ 64
Figura 4. 10 – 1º modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,52 Hz) ............ 64
Figura 4. 11 – 2º Modo de vibração e perspectiva - Modelo 1 (f=0,64 Hz) ................... 65
Figura 4. 12 – 2º modo de vibração em vista superior - Modelo 1 (f=0,64 Hz)............. 65
Figura 4. 13 – 3º Modo de vibração em perspectiva - Modelo 1 (0,79 Hz) ................... 66
x
Figura 4. 14 – 3º modo de vibração em vista superior - Modelo 1 (f=0,79 Hz)............. 66
Figura 5. 1 – Corte vertical da estrutura do edifício exemplo 2 ..................................... 69
Figura 5. 2 – Planta de forma do pavimento tipo do edifício em análise. ...................... 70
Figura 5. 3 – Posicionamento dos painéis de alvenaria do pavimento tipo do edifício em
análise e definição dos eixos de referência. .................................................................... 70
Figura 5. 4 – Modelo em elementos finitos - estrutura (Modelo 1)................................ 72
Figura 5. 5 – Modelo em elementos finitos - estrutura + paredes (modelo 2A)............. 73
Figura 5. 6 – Modelo em elementos finitos - estrutura + diagonais (Modelo 3). ........... 74
Figura 5. 7 – Corte A, conforme indicado na Figura 5.3: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).......................................................................... 75
Figura 5. 8 – Corte B, conforme indicado na Figura 5.3: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).......................................................................... 76
Figura 5. 9 – 1º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,75 Hz). ................ 80
Figura 5. 10 – 1º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,75 Hz). .......... 80
Figura 5. 11 – 2º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,82 Hz). .............. 81
Figura 5. 12 – 2º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,82 Hz). .......... 81
Figura 5. 13 – 3º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,97 Hz). .............. 82
Figura 5. 14 – 3º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,97 Hz). .......... 82

xi
Lista de Tabelas
Tabela 2. 1 – Resistência mínima à compressão de blocos de concreto. ....................... 12
Tabela 2. 2 – Módulos de deformação longitudinal para blocos cerâmicos segundo
algumas pesquisas nacionais (PARSEKIAN, 2002). ..................................................... 15
Tabela 2. 3 – Módulos de deformação longitudinal para blocos de concreto segundo
algumas pesquisas nacionais (PARSEKIAN, 2002). ..................................................... 15
Tabela 2. 4 – Incremento de resistência devido à influência do revestimento ............... 16
Tabela 2. 5 – Comparativo entre os processos de encunhamento (COSTA et al., 2005).
........................................................................................................................................ 20
Tabela 2. 6 – Expressões para a largura w da diagonal equivalente (ver a Figura 2. 11),
apud ASTERIS et al., 2011. ........................................................................................... 23
Tabela 3. 1 – Propriedades geométricas dos elementos em concreto armado. ............... 27
Tabela 3. 2 – Variação do comprimento “a”. ................................................................. 36
Tabela 3. 3 – Áreas da diagonal equivalente para painéis de alvenaria de blocos
cerâmicos (E=2000 MPa). .............................................................................................. 41
Tabela 3. 4 – Áreas da diagonal equivalente para painéis de alvenaria de blocos de
concreto (E=7000 MPa). ................................................................................................ 41
Tabela 3. 5 – Coeficientes α para painéis de alvenaria de blocos cerâmicos sem abertura.
........................................................................................................................................ 45
Tabela 3. 6 – Coeficientes α para painéis de alvenaria de blocos de concreto com
abertura de janela. ........................................................................................................... 45
Tabela 4. 1 – Propriedades dos elementos do edifício do exemplo 1............................. 55
Tabela 4. 2 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria
de bloco de concreto (E=7000 MPa). ............................................................................. 61
Tabela 4. 3 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria
(E=2000 MPa). ............................................................................................................... 62
Tabela 4. 4 – Comparativo entre os modelos com diagonais corrigidas rígidas,
corrigidas semi-rígidas e sem correção para blocos de concreto (Ealv=7000 MPa). ...... 62
Tabela 4. 5 – Comparativo entre os modelos com diagonais corrigidas rígidas,
corrigidas semi-rígidas e sem correção para blocos cerâmicos (Ealv=2000 MPa)......... 63
Tabela 4. 6 – Relações entre frequências. ...................................................................... 63
Tabela 5. 1 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria
(Ealv=7000 MPa). ............................................................................................................ 77

xii
Tabela 5. 2 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria
(Ealv=2000 MPa). ............................................................................................................ 78
Tabela 5. 3 – Comparativo entre os modelos com diagonais Corrigidas Rígidas,
Corrigidas Semi-Rígidas e Sem Correção (E=7000 MPa). ............................................ 78
Tabela 5. 4 – Comparativo entre os modelos com diagonais Corrigidas Rígidas,
Corrigidas Semi-Rígidas e Sem Correção (E=2000 MPa). ............................................ 79
Tabela 5. 5 – Relações entre frequências. ...................................................................... 79

xiii
Lista de Símbolos
A Área da seção transversal de um determinado elemento
a Largura do pórtico bidimensional (eixo a eixo dos pilares)
Ad Área da diagonal equivalente
E Módulo de deformação longitudinal
Ealv Módulo de deformaçãolongitudinal da alvenaria
Ecs Módulo de deformação longitudinal do concreto
F Força aplicada nos painéis bidimensionais
f Frequência natural
fb Resistência à compressão individual dos blocos de vedação
fbk Resistência à compressão característica individual dos blocos de vedação
Fh Força resultante horizontal
fp Resistência à compressão de prismas dos blocos de vedação
fpk Resistência à compressão característica de prismas dos blocos de vedação
h Distância de eixo a eixo entre a viga superior e a inferior do pórtico bidimensional
I Momento de inércia de um determinado elemento
kg Rigidez lateral do pórtico bidimensional
kh Rigidez lateral do painel
αrig Fator de ajuste da rigidez lateral do painel para ligação rigida
αsrig Fator de ajuste da rigidez lateral do painel para ligação semi-rigida
Δ Encurtamento da diagonal equivalente
δi Deslocamento medido nos cantos do pórtico bidimensional
η Fator de eficiência dos prismas
λh Parâmetro de rigidez relativa entre o pórtico e o painel de alvenaria
ρ Massa específica do material

xiv
Capítulo 1 – Introdução

1.1 Cenário do tema e motivação

O cálculo e dimensionamento de edificações em concreto armado têm evoluído


consideravelmente nos últimos anos, sobretudo devido aos grandes avanços
computacionais, em conjunto com o surgimento de softwares específicos que
simplificam e agilizam substancialmente o trabalho de todo engenheiro projetista de
estruturas.

Devido a este fato, os mesmos engenheiros passaram a ter um maior controle do


comportamento estrutural, possibilitando projetos de estruturas cada vez mais esbeltas,
situação que não ocorria no passado. A projeção para essa tendência é a ocorrência de
edificações suscetíveis a problemas relacionados à vibração, questão esta que também
vem recebendo atenção através de diversas pesquisas numéricas e experimentais.

Os painéis de vedação, como o próprio nome sugere, historicamente sempre


tiveram sua rigidez ignorada nas estruturas usuais de concreto armado, sendo
considerados somente como um carregamento. Estudos como o de CHAKER (1999)
mostraram que a consideração da interação entre os painéis de alvenaria de vedação
íntegros e a estrutura conduz a ganhos bastante significativos na rigidez lateral das
edificações em relação a um modelo da estrutura de concreto amado apenas. Uma
importante consequência deste fato é o aumento das frequências fundamentais de
vibração levando as edificações a uma condição de menor susceptibilidade às ações
dinâmicas devidas ao vento e aos estados limites de vibrações excessivas decorrentes
destas ações. É importante ressaltar que este trabalho não aborda a contribuição das
alvenarias em estado limite último, quando as mesmas não estariam mais íntegras.

Apesar de ainda não normatizada, a consideração da influência dos painéis de


vedação torna-se cada vez mais necessária e imprescindível na avaliação do
comportamento global das estruturas de edificações em situações de estados limites de

1
serviço tais como vibrações excessivas devidas a ações sísmicas, explosões e ação do
vento.

1.2 Objetivos e metodologia

Apesar do avanço computacional no setor da engenharia estrutural citado


anteriormente, ainda constitui tarefa árdua a simulação numérica de painéis de
alvenaria. Em uma simulação tridimensional em elementos finitos, por exemplo, tais
painéis são discretizados em elementos de casca. Além do tempo demandado na
modelagem, existe ainda um tempo de processamento e esforço computacional
consideráveis, reduzindo portanto a produtividade do engenheiro estrutural.

Devido ao bom momento econômico do país, com o mercado da construção civil


extremamente aquecido, os prazos estão cada vez mais reduzidos e qualquer ganho em
produtividade constitui fator de suma importância para prover competitividade no
mercado de trabalho.

O objetivo principal aqui proposto é avaliar modelos simplificados para analisar


a influência dos painéis de vedação no comportamento em estados limites de serviço de
estruturas de concreto armado de edificações para concepções estruturais correntes.
Estes modelos numéricos simplificados baseiam-se no conceito de diagonais
equivalentes que representem as propriedades estáticas e dinâmicas dos painéis. Além
do ganho de rigidez lateral do edifício, busca-se agilizar consideravelmente tanto a
modelagem numérica quanto o tempo de processamento do sistema de equações na
obtenção dos esforços solicitantes, deslocamentos e frequências naturais, dentre outras
respostas da estrutura.

1.3 Apresentação do trabalho

A presente dissertação apresenta 6 capítulos, além de referências bibliográficas.

No capítulo 2 são apresentados estudos e referências normativas relativas à


determinação das características mecânicas dos blocos cerâmicos e de concreto, mais

2
particularmente a resistência à compressão e o módulo de deformação longitudinal. São
abordadas também as técnicas de ligação entre a alvenaria e viga superior de concreto
armado (encunhamento) e os estudos referentes à influência dos painéis de alvenaria de
vedação no comportamento de estruturas e simulação dos mesmos como diagonais
equivalentes. Considera-se a hipótese de que os painéis de alvenaria encontram-se
íntegros.

No capítulo 3 são apresentados os painéis básicos dos quais através de


formulação específica são geradas as curvas de rigidez lateral, parâmetro fundamental
para o cálculo das diagonais equivalentes.

São apresentadas as formulações e calculadas as áreas da seção transversal a ser


considerada para cada tipo de geometria de painel.

Para avaliação do método proposto, são apresentados pórticos bidimensionais


onde são avaliados isoladamente, preenchidos com alvenaria para 3 situações de ligação
parede-estrutura e finalmente com as diagonais equivalentes representativas dos painéis,
sugerindo coeficientes de ajuste das rigidezes dessas diagonais para cada tipo de ligação
parede-estrutura.

Nos capítulos 4 e 5 são analisados diferentes edifícios reais para avaliação


qualitativa do desempenho estrutural no que diz respeito ao comportamento dinâmico,
efetuando análises comparativas entre os modelos com e sem alvenaria de vedação.

No capitulo 6 são apresentadas as conclusões e sugestões para trabalhos futuros.

3
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica

2.1 Elementos de vedação

2.1.1 Tipos de Vedação

A ABNT NBR 155575–4/2013 define os sistemas de vedação vertical interno e


externo como partes da edificação habitacional que limitam verticalmente a edificação e
seus ambientes, como as fachadas e as paredes ou divisórias internas.

Esta mesma normatização cita ainda que: “Mesmo sem função estrutural, as
vedações podem atuar como contraventamento de estruturas reticuladas, ou sofrer as
ações decorrentes das deformações das estruturas, requerendo assim uma análise
conjunta do desempenho dos elementos que interagem. Podem também interagir com
demais componentes, elementos e sistemas da edificação, como caixilhos, esquadrias,
estruturas, coberturas, pisos e instalações. As vedações verticais exercem ainda outras
funções, como estanqueidade à água, isolação térmica e acústica, capacidade de fixação
de peças suspensas, capacidade de suporte a esforços de uso, compartimentação em
casos de incêndio etc.”.

Segundo CLEIDE (2010) as vedações verticais possuem os seguintes elementos


constituintes:
 Vedo – O elemento que caracteriza a vedação vertical;
 Esquadria – Permite o controle de acesso ao ambiente;
 Revestimento – Elemento que possibilita o acabamento decorativo da
vedação (pode incluir o "sistema de pintura").

As suas funções principais são criar condições de habitabilidade para o edifício,


protegendo os ambientes internos contra a ação indesejável dos diversos agentes
atuantes (calor, frio, sol, chuva, vento, umidade, ruídos, intrusos e etc.) e servir de
suporte para os sistemas prediais, conferindo proteção quando os mesmos forem
embutidos.

4
Os elementos de vedação devem possuir características técnicas dentre as quais
se cita:
 Resistência mecânica
 Isolamento térmico e acústico
 Resistência ao fogo
 Estanqueidade
 Durabilidade

As vedações dividem-se em basicamente 2 grupos:

a) Divisória – São vedações leves, estruturadas, obtidas por acoplamento a seco


de placas manuseáveis, podendo ser desmontáveis ou removíveis, monolíticas ou
modulares. Os tipos mais comuns são:
 Divisórias modulares: Podem ser do tipo Eucatex (Figura 2. 1 (a)), PVC,
dentre outros materiais.
 Divisórias de gesso acartonado: São constituídas por placas de gesso,
pré-fabricadas a partir da gipsita natural, parafusadas em uma estrutura metálica leve
(Figura 2. 1 (b)).

b) Parede – Tipo de vedo mais utilizado, se auto-suporta, é monolítica,


definitiva, pode ser exterior ou interna. Podem ser maciças ou de alvenaria.

(a) (b)
Figura 2. 1 – Exemplo de divisória: (a) modular; (b) gesso acartonado.

5
As paredes maciças podem ter como material constituinte o concreto, concreto
celular, solo-cimento, dentre outros. Podem ser de 2 tipos:

 Moldadas no local: Obtidas por moldagem no local, empregando-se


fôrmas laterais, com a possibilidade de uso de diferentes materiais (ver Figura 2. 2).

Figura 2. 2 – Exemplo de parede de concreto moldada no local.

 Pré-fabricadas ou Pré-moldadas: São aquelas constituídas pelo


acoplamento de painéis pré-moldados ou pré-fabricados (ver Figura 2. 3).

Figura 2. 3 – Exemplo de parede pré-moldada de concreto.

As Paredes de alvenaria são constituídas de unidades denominadas blocos


aderidas entre si por argamassa. A alvenaria pode servir como vedação, sendo
destinada a suportar somente seu peso próprio e pequenas sobrecargas de utilização
(armários e etc) e também ter função estrutural, sendo responsável por suportar (além de

6
seu peso próprio) todos os carregamentos das lajes e prover a estabilidade global da
edificação. Este sistema construtivo é um dos mais antigos utilizados pela humanidade.

As unidades componentes da alvenaria podem ser as seguintes:


 Bloco cerâmico
 Bloco de concreto
 Bloco de concreto celular
 Bloco de solo-cimento
 Pedra

Atualmente no Brasil existem 2 (dois) tipos preponderantes de materiais para


execução de alvenaria de vedação: Alvenaria de vedação em blocos cerâmicos e em
blocos de concreto (DRUSZCZ, 2002).

2.1.2 Blocos para paredes de alvenaria

Bloco cerâmico de vedação

Os blocos cerâmicos para vedação constituem as alvenarias externas ou internas


que não têm a função de resistir outras cargas verticais, além do peso da alvenaria da
qual faz parte. São quase sempre usados com furos na direção horizontal mas podem
também pode serem utilizados com furos na direção vertical.

O bloco cerâmico é, sem dúvida, um dos materiais de construção mais utilizados


no Brasil. Junto com o concreto, dá origem às estruturas de concreto armado e aparece
em edificações com as mais diversas finalidades, como residências, prédios baixos e
altos, instalações industriais e outros.

No Brasil, segundo dados oficiais da ANICER – Associação Nacional da


Indústria Cerâmica, existem aproximadamente 6.903 cerâmicas e olarias, sendo 4346
destinadas à fabricação de blocos/tijolos, gerando uma produção de 4.000.000.000 de
peças por mês e consumindo 7.800.000 toneladas de argila no mesmo período. São
gerados 293 mil empregos diretos e perto de 900 mil indiretos. A indústria de cerâmica

7
vermelha tem faturamento anual de R$ 18 bilhões e representa 4,8% da indústria da
construção civil.

A seguir apresenta-se a definição dos componentes da alvenaria cerâmica de


vedação mais comuns utilizados na construção (CORBACHO, 2014):
a) Tijolos de barro

É feito em forma de ferro, com barro queimado, em fornos de alta temperatura.


Proporciona bom isolamento acústico e térmico. No entanto, como as peças são
menores, consomem mais argamassa e tempo de mão-de-obra, além de que seu peso
elevado exige uma estrutura mais forte, que consome mais material (Figura 2. 4).

Figura 2. 4 – Exemplo de tijolo de barro.

b) Tijolo baiano ou tijolo comum

É o tipo de tijolo mais barato do mercado, mas tem altos índices de quebra e por
isso contribui muito com o aumento de entulho no canteiro de obras. Geralmente são
assentados com os furos na direção horizontal e encontrados os de 6 e de 8 furos, mas
há uma grande variedade de tijolos vazados. Os tijolos apresentam capacidade térmica
superior e menor absorção de água que os blocos de concreto, além de serem mais leves
(Figura 2. 5 (a)).

8
(a) (b)
Figura 2. 5 – Exemplo de tijolo baiano de 8 furos (a) e bloco com furos na
vertical (b).

c) Bloco cerâmico de vedação com furos na vertical (Figura 2. 5 (b))

São assentados com furos na direção vertical para permitir uma alvenaria mais
racionalizada, onde não há rasgos nas paredes posteriores a sua produção. Como os
furos estão na vertical as tubulações elétrica e hidráulica vão “caminhar” por estes furos.

Bloco de concreto de vedação

Segundo a ABNT NBR 6136/2006 bloco vazado é o componente da alvenaria


cuja área líquida é igual ou inferior a 75% da área bruta (ver Figura 2. 6), sendo a área
bruta igual à área da seção perpendicular aos eixos dos furos, sem desconto das áreas
dos vazios e área líquida igual à área da seção perpendicular aos eixos dos furos,
descontadas as áreas médias dos vazios.

Os blocos de concreto podem ser utilizados como elemento de alvenaria de


vedação ou como elemento de alvenaria estrutural, dependendo da resistência à
compressão. O bloco de concreto é mais resistente que o tijolo baiano e necessita de
menos argamassa de assentamento e reboco, porém não possui uma boa resposta
térmica, esfriando no inverno e esquentando no verão, além de ser um produto de difícil
manuseio (em média 40% mais pesado que os modelos cerâmicos). Tem como
vantagem a economia no revestimento, pois este pode ser aplicado diretamente sobre a
peça, com boa aderência e precisão, proporcionando um menor consumo de argamassa

9
de assentamento em relação aos blocos cerâmicos. De acordo com POZZOBON (2013)
em estudo sobre vários tipos de paredes de alvenaria, o peso da parede em alvenaria de
blocos de concreto (14x19x39) foi 14% maior que a parede em alvenaria de blocos
cerâmicos (9x14x19), apesar do peso unitário dos blocos de concreto ser cerca de 40%
maior. Isto ocorre por causa da economia de argamassa proporcionada pelo bloco de
concreto, diminuindo o peso total parede.

Figura 2. 6 – Exemplo de bloco de concreto.

2.2 Características mecânicas de blocos e da alvenaria


de vedação

Ao presente trabalho interessam as características de rigidez de uma parede de


alvenaria solicitada por cargas horizontais em situação de serviço e com pequenos
deslocamentos laterais. Sendo prismas vazados por furos paralelos a uma das três
direções de suas arestas, os blocos de alvenaria possuem comportamento mecânico
anisotrópico. Considerando o problema de deformação no plano da parede tem-se um
comportamento ortotrópico definido pela direção dos furos dos blocos, com maior
rigidez na direção paralela aos furos. A modelagem numérica da parede de alvenaria
apresentada no Capítulo 3 é feita considerando um modelo macroscópico da parede
como constituída de um material homogêneo e isotrópico e por isso será tomado o
menor valor de modulo de deformação, o que corresponde ao da direção perpendicular
aos furos dos blocos, independente de como é feito o assentamento dos mesmos na
parede.

10
Além das características geométricas e mecânicas dos blocos, a rigidez lateral da
parede depende ainda dos seguintes aspectos (SANTOS, 2003):
- qualidade da execução da alvenaria;
- rigidez da argamassa das juntas de assentamento nas direções vertical e
horizontal e aderência aos blocos;
- tipo de ligação da parede com os componentes do pórtico estrutural, seja de
concreto armado ou de aço, especialmente da ligação com a viga superior;
- rigidez da argamassa de revestimento.

Os valores de módulo de deformação de paredes de alvenaria são em geral


especificados por recomendações e normas de projeto como proporcionais à sua
resistência à compressão. Encontram-se na literatura resultados de ensaios
experimentais em termos de resistência e da rigidez à compressão de blocos isolados, de
prismas e de paredes de alvenaria e ainda resultados em termos da contribuição da
argamassa de revestimento. Estes aspectos são descritos neste item 2.2 com o objetivo
de justificar os valores de módulo de elasticidade da parede de alvenaria utilizados nas
modelagens numéricas apresentadas mais adiante neste trabalho.

2.2.1 Blocos cerâmicos e de concreto isolados

De maneira a prever o desempenho mecânico de uma parede, fazem-se


necessários os conhecimentos de funcionamento de cada componente envolvido, bem
como suas especificações e métodos de ensaios.

Diante disso, o principal ensaio de caracterização é o de resistência à


compressão, que pode ser realizado em blocos individuais, prismas (utilização de 2 ou
mias blocos assentados com argamassa) ou paredes (SILVA, 2004).

Resistência à compressão de blocos cerâmicos de vedação

A determinação da resistência à compressão individual (fb) deve seguir o ensaio


da ABNT NBR 15270–3/2005. Segundo a ANBT NBR15270–1/2005 a resistência à
compressão dos blocos cerâmicos de vedação, calculada na área bruta, deve atender aos
valores mínimos:

11
 Para blocos usados com furos na direção horizontal ≥ 1,5 MPa.

 Para blocos usados com furos na direção vertical ≥ 3,0 MPa.

Resistência à compressão de blocos de concreto

Segundo a ABNT NBR 6136/2007 os blocos de concreto são classificados em 4


Classes: classe A, Classe B, classe C e classe D. As classes de A à C tratam de blocos
com função estrutural e a classe D os blocos sem função estrutural, para uso em
elementos de alvenaria acima do nível do solo.

Os ensaios de resistência à compressão devem ser realizados conforme a ABNT


NBR 12118/2010 e o valor da resistência característica fbk deve atender aos limites de
resistência da Tabela 2. 1:

Tabela 2. 1 – Resistência mínima à compressão de blocos de concreto.

Resistência
Classe característica
Fbk (MPa)
A ≥ 6,0
B ≥ 4,0
C ≥ 3,0
D ≥ 2,0

2.2.2 Prismas e paredes

Resistência à compressão de prismas e paredes de blocos cerâmicos

FERRAZ (2011) ensaiou prismas de blocos cerâmicos vazados com doze furos
na direção horizontal, para alvenaria de vedação e possuía as dimensões nominais de 14
cm x 19 cm x 29 cm. Foram adotados dois tipos de argamassa para as juntas: a
industrializada e a dosada na obra com traço 1:3:8 (cimento:cal:areia). Os resultados
apresentaram média de resistência à compressão de 0,3 MPa para os dois tipos de
argamassas, muito abaixo das prescrições normativas.

12
DAMASCENO (2006) ensaiou prismas de blocos cerâmicos vazados com seis
furos na direção horizontal (entre outros), para alvenaria de vedação, tendo como
objetivo principal avaliar os parâmetros que influenciam a resistência à compressão
desses prismas. O programa experimental constituiu em moldar prismas de dois e três
blocos cerâmicos, e rompê-los à compressão simples. A resistência média obtida foi de
1,7 MPa.

MOTA (2006) realizou ensaios de prismas de blocos cerâmicos com furos na


horizontal sem e com vários tipos de revestimentos. A resistência média obtida para os
prismas nus (sem revestimento) foi de 1,96 MPa, sendo a resistência individual do bloco
de 2,85 MPa.

MOTA (2013) ensaiou prismas e unidades de blocos cerâmicos de vedação com


furos na direção horizontal. A resistência média obtida para os prismas sem
revestimento foi de 1,02 MPa, para uma resistência individual do bloco de 2, 49 MPa.

Conforme se pode observar, a resistência do prisma é menor que a resistência de


um bloco individual, de onde se retira o fator de eficiência do prisma, definido como a
relação entre a resistência do prisma e a resistência do bloco.

Resistência à compressão de prismas e paredes de blocos de concreto

NETO (2006) avaliou a resistência à compressão de prismas de alvenaria


compostos por blocos de vedação de concreto em prismas de 3 blocos alinhados. Para
os prismas sem revestimento, a tensão média obtida foi de 2,54 MPa, com fator de
eficiência (η) de 0,81.

Módulo de elasticidade da alvenaria de blocos cerâmicos e de blocos de


concreto

Para blocos cerâmicos, a ABNT NBR 15812/2010 em seu item 6.2.1 determina
o valor do módulo de deformação longitudinal de 600 x fpk, limitando seu valor máximo
a 12 GPa.

13
Para blocos de concreto, a ABNT NBR 15961–1/2011 em seu item 6.2.1
determina o valor do módulo de deformação longitudinal de 800 x fpk, limitando seu
valor máximo a 16 GPa.

Tanto a ABNT NBR 15812-1/2010 quanto a ABNT NBR 15961–1/2011


recomendam para verificações de estados limites de serviço (ELS) reduzir o módulo de
deformação em 40% para considerar de forma aproximada os efeitos da fissuração.

WOLDE-TINSAE et al. (1993) apud PARSEKIAN (2002) analisaram cerca de


2.500 ensaios de prisma e recomendaram a adoção de Em = 500 x fp para tijolos
cerâmicos maciços, Em = 550 x fp para blocos cerâmicos vazados grauteados ou não, Em
= 550 x fp para blocos de concreto grauteados e Em = 700 x fp para blocos de concreto
vazados.

A norma norte-americana ACI–530 especifica a doção de Em = 700 x fp para


alvenaria de blocos cerâmicos e Em = 900 x fp para alvenaria de blocos de concreto. A
norma britânica BS–5628 especifica Em = 900 fp para todos os tipos de alvenaria
(PARSEKIAN, 2002).

PARSEKIAN (2002) realizou extenso levantamento de ensaios de resistência à


compressão e módulo de elasticidade para diversos tipos de alvenaria. A Tabela 2.2 e a
Tabela 2.3 apresentam resumidamente alguns destes resultados, conforme o interesse
desta pesquisa.

14
Tabela 2. 2 – Módulos de deformação longitudinal para blocos cerâmicos segundo
algumas pesquisas nacionais (PARSEKIAN, 2002).

Tipo de fp E Média de
Fonte E/fp Observações
bloco (MPa) (MPa) E/fp
2,40 3593 1497
bloco
GOMES 3,10 2775 895 ensaios de parede
cerâmico 1152
(1983) 2,60 2448 942 (fp e E)
vazado
2,90 3692 1273
5,85 3661 626
bloco ensaios de
FRANCO 5,52 2900 525
cerâmico 529 prisma (fp) e
(1987) 5,57 2816 506
perfurado parede (E)
4,82 2204 457
bloco 5,95 3326 559 ensaios de
MULLER
cerâmico 5,70 2523 443 478 prisma (fp) e
(1989)
vazado 5,37 2326 433 parede (E)

Tabela 2. 3 – Módulos de deformação longitudinal para blocos de concreto


segundo algumas pesquisas nacionais (PARSEKIAN, 2002).

Tipo de fp E Média de
fonte E/fp Observações
bloco (MPa) (MPa) E/fp
blocos 6,40 6846 1070 ensaios de
ALY (1983) vazados de 9,30 7434 799 972 prisma (fp) e
concreto 9,80 10259 1047 parede (E)
4,28 3900 911
4,83 4200 870
blocos
MEDEIROS 4,97 5500 1107 ensaios de
vazados de 984
(1993) 4,64 4300 927 parede (fp e E)
concreto
5,26 5100 970
6,52 7300 1120
10,56 9100 862
8,60 6712 780
blocos 8,17 4499 551
MOHAMAD ensaios de
vazados de 8,74 3373 447 660
(1998) prisma (fp e E)
concreto 11,70 9167 784
10,80 5809 538
8,84 5848 662

2.2.3 Alvenaria de bloco cerâmico de vedação revestida de argamassa

MOTA (2013) realizou ensaios de diversos prismas de blocos cerâmicos com as


seguintes características: P1 (prismas nus), P2 (prismas chapiscados nas duas faces); P3

15
(prismas chapiscados e revestidos nas duas faces, com a espessura do revestimento 2,0
cm e o traço fraco); P4 (prismas chapiscados e revestidos nas duas faces, com a
espessura do revestimento 2,0 cm e o traço utilizado médio); P5 (prismas chapiscados,
revestidos nas duas faces, com a espessura do revestimento 3,0 cm e o traço fraco); P6
(prismas chapiscados e revestidos nas duas faces, com a espessura do revestimento de
3,0 cm e o traço médio).

A Tabela 2. 4 contém os resultados de resistência dos prismas em termos das


forças que os conduziram à ruptura. Verifica-se elevação na resistência mecânica devido
à argamassa de revestimento com 3 cm de espessura e traço médio, em 322,9 %.

Tabela 2. 4 – Incremento de resistência devido à influência do revestimento


(MOTA, 2013).
Relação entre
Incremento
Tipo de prisma resistências
(%)
(Res.Pi/Res.P1)
P1 1,000 -
P2 1,264 26,4
P3 2,762 176,2
P4 3,677 267,7
P5 3,189 218,9
P6 1,229 322,9

MOTA et al. (2006) Realizaram ensaios para verificar a influência do


revestimento na resistência à compressão axial das paredes de alvenaria de vedação,
empregadas com função estrutural, utilizando blocos cerâmicos vazados assentados com
furos na horizontal. Em suas conclusões o autor descreve um aumento da resistência à
compressão dos prismas, de acordo com o aumento da espessura da camada de
revestimento, e de forma substancial com o enriquecimento do seu traço. Outro ponto
importante destacado é a influência da argamassa de revestimento na resistência á
compressão da alvenaria, que é inversamente proporcional à resistência à compressão
do bloco.
AZEVEDO (2010) realizou ensaios de prismas de 2 e 3 blocos com
revestimentos armados e não armados. Foi observado que os revestimentos
contribuíram para aumentar a capacidade de carga vertical dos elementos. O incremento

16
de carga de carga referente ao reforço dos prismas com revestimento de 2 blocos foi de
165 %.

CAVALHEIRO, MÜLLER (1991) apud OLIVEIRA (2001) estudaram a


influência do revestimento na resistência de pequenas paredes de blocos cerâmicos
comuns, tipo vedação (furos na horizontal) assentados em sua menor e em sua maior
face. Para os blocos assentados em sua menor face, o acréscimo de resistência foi de
22% e do módulo de deformação longitudinal de 70%.

2.2.4 Painel de alvenaria de bloco de concreto de vedação revestido de argamassa

OLIVEIRA (2001) realizou pesquisa sobre o uso de revestimentos resistentes de


argamassas de cimento e areia na reabilitação de paredes de alvenaria, quando
solicitadas à compressão axial, compressão diagonal e flexão de painéis. O objetivo dos
ensaios foi observar o comportamento estrutural de paredes de blocos de concreto
revestidas com diversos tipos de argamassa de cimento e areia, os quais resultaram de
combinações de argamassa de resistência baixa ou mias elevada, entre outros. Um dos
estudos utilizava dois tipos de argamassas não armadas, uma chamada de argamassa
forte e outra chamada de argamassa fraca. Para as paredes revestidas com argamassa
não armada, foram obtidas resistências à compressão em torno de 20% maiores.

NETO (2006) realizou ensaios de prismas de blocos de concreto de vedação.


Algumas de suas conclusões foram:

 O revestimento aumenta efetivamente à resistência à compressão dos prismas,


como ficou comprovado no teste de análise de variância e no fato de todos os
tratamentos com revestimento apresentarem um melhor desempenho dos
prismas no ensaio.

 Quanto à espessura do revestimento, a de 1,5 cm foi mais eficiente que a de 3,0


cm no que se refere à contribuição para a resistência à compressão axial,
decorrente da deficiência da aderência da argamassa de revestimento ao
chapisco quando essa tinha 3,0 cm.

17
Diante da grande variação dos valores dos módulos de deformação longitudinal
encontrados na bibliografia apresentados nesse item 2.2, serão usados nesta pesquisa os
dois valores descritos a seguir:
 Ealv=2000 MPa para painéis preenchidos com alvenaria de baixa resistência à
compressão (blocos cerâmicos);
 Ealv=7000 MPa para painéis preenchidos com alvenaria de alta resistência à
compressão (blocos de concreto).

2.3 Técnicas de execução de “encunhamento”

A região do encontro entre a parede de alvenaria e a viga superior do pavimento


é um local bastante suscetível à fissuras. Isto pode ocorrer principalmente devido ao fato
de a estrutura transmitir esforços os quais está submetida à alvenaria e a retração da
argamassa.

Para prevenir este tipo de patologia, faz-se necessário empregar materiais e


técnicas que possam absorver estes esforços e maximizar a aderência entre estas partes
da construção, processo chamado de encunhamento. COSTA et al. (2005) apresentam
alguns tipos tradicionais para o encunhamento.

a) Tijolo maciço

Esta alternativa é tecnicamente mais eficiente no combate a patologias, pois os


tijolos estão posicionados no mesmo sentido da deformação trabalhando a compressão
(Figura 2. 7), ocorrendo um alivio das tensões. As desvantagens são o maior custo do
tijolo maciço em relação ao furado e a redução da produtividade.

18
Figura 2. 7 – Exemplo de encunhamento com tijolo maciço (COSTA et al., 2005).

b) Argamassa industrializada

É a mais utilizada na grande maioria das construções. É de fácil execução, mas


por tratar-se de material muito rígido e pouco deformável, tende a fissurar (Figura 2. 8).

Figura 2. 8 – Exemplo de encunhamento com argamassa industrializada


(COSTA et al., 2005).

c) Argamassa industrializada com aditivo expansor

É de execução similar a argamassa tradicional e custo relativamente baixo.


Algumas possuem as seguintes limitações: Não se pode aplicar quando a temperatura do
substrato estiver ou atingir nas próximas 24 horas uma temperatura inferior a 5°C ou
superior a 38°C, não pode receber a adição de cimento ou agregado, e o produto não
pode ser aplicado com base encharcada de água (Figura 2. 9).

19
Figura 2. 9 – Exemplo de encunhamento com argamassa industrializada com aditivo
expansor (COSTA et al., 2005).

A Tabela 2. 5 apresenta um quadro comparativo entre os sistemas.

Tabela 2. 5 – Comparativo entre os processos de encunhamento (COSTA et al., 2005).

Argamassa Argamassa com aditivo


Tijolo Maciço
Industrializada expansor
-Facilidade
PRÓS

Não dá patologia facilidade


- Custo
- Não é expansiva
CONTRAS

Custo - Muito Rígida


- Custo - Controle
Treinamento
- Infiltrações

2.4 Influência dos painéis de alvenaria de vedação no


comportamento de estruturas: modelo de diagonal
equivalente

A partir da década de 1950, diversos pesquisadores propuseram modelos


matemáticos para simular os painéis de alvenaria. Um dos primeiros estudos realizados
neste sentido foi o de POLYAKOV (1960), que com base em ensaios realizados pelo
próprio sugeriu que o efeito dos painéis de enchimento de alvenaria em estruturas
submetidas a carregamentos laterais pode ser simulado por um elemento diagonal.

20
Esta modelagem decorreu da observação de que o comportamento da estrutura
sob carga crescente se caracteriza pelo descolamento entre o pórtico e a alvenaria,
exceto em apenas dois cantos opostos, formando um elemento diagonal resistente (ver a
Figura 2. 10).

B A

D C

Figura 2. 10 – Modos de ruptura da alvenaria de preenchimento de pórtico: ruptura por


esmagamento nos cantos e ruptura por compressão diagonal (ASTERIS et al., 2011).

HOLMES (1961) desenvolveu a ideia de diagonal equivalente com um


procedimento simples para cálculo da carga de ruína e deflexão lateral de um pórtico de
aço preenchido com alvenaria ou concreto sob carga lateral. Considerando um pórtico
quadrado em que a força de interação pórtico – alvenaria varia linearmente do valor
máximo nos cantos B e D à zero nos cantos A e C (ver a Figura 2. 10). Holmes (1961)
obteve a área da seção retangular da diagonal equivalente de mesmo material do
preenchimento igual a t x w, sendo t a espessura da parede, w a largura igual d/3 com d
igual ao comprimento da diagonal.

ASTERIS et al. (2011) apresentam o estado da arte no tema de macro-modelos


para simulação de pórticos com preenchimento. SMITH (1962) (apud ASTERIS et al.,
2011) observou a partir de uma grande série de ensaios experimentais em pórticos de
aço preenchidos de alvenaria cerâmica que a relação w/d varia entre 0,10 a 0,25. Ainda
nos anos de 1960 e com outros pesquisadores, Smith propôs que a largura efetiva w da
diagonal fosse escrita como uma função dos comprimentos de contato entre a parede e o
painel, sendo estes comprimentos de contato dependentes do parâmetro h de rigidez
relativa entre o pórtico e o painel dado por

21
( EI ) painel sen 2
h  h 4 (2.1)
4 ( EI ) p hw

onde
= rigidez à flexão do pórtico.
= rigidez à flexão do painel de alvenaria.
= altura do painel.

( ) = inclinação da biela.

A Figura 2. 11 apresenta o modelo proposto, bem como suas variáveis.

Figura 2. 11 – Modelo de diagonal equivalente


(adaptado de ASTERIS et al., 2011).

A Tabela 2. 6 apresenta algumas das mais aceitas propostas de expressões para a


largura w da diagonal equivalente, em geral escrita em função do parâmetro h. Estas
expressões foram propostas com base em resultados experimentais apenas ou em
conjunto com modelos analíticos, em geral visando representar a contribuição da
alvenaria na rigidez de edificação para análise sísmica e, portanto, considerando danos
no contato pórtico – alvenaria. Complementarmente, Deccanini & Fantin (1986)
propuseram também expressões para a condição de alvenaria íntegra (ver a Tabela 2. 6).
Para esta condição de alvenaria íntegra, MOREIRA (2002) apresentou uma formulação
para cálculo da rigidez ''EA'' da diagonal equivalente com base na expressão analítica do
deslocamento lateral de um quadro com diagonal sob cisalhamento puro e no ajuste a
modelos de elementos finitos de casca representando painéis com e sem aberturas. Esta
é também a abordagem adotada no presente trabalho (ver o Capítulo 3).

22
Tabela 2. 6 – Expressões para a largura w da diagonal equivalente (ver a Figura
2. 11), apud ASTERIS et al., 2011.
Autor (es) Ano Expressão para w Eq.
1
Holmes 1961 w d (2.2)
3
0,064
Smith & Carter 1969
w  0,58 1 h   0,445
hh 
' 0,335d z 1 h  (2.3)

Mainstone 1971 w  0,16d h 0,3 (2.4)

0,95 sen2
Liaw & Kwan 1984 wd (2.5)
2 h

Alvenaria íntegra:

w  d 0,085  0,748 / h  para h  7,85 (2.6)

Deccanini & w  d 0,130  0,393 / h  para h  7,85


1986
Fantin Alvenaria fissurada:

w  d 0,010  0,707 / h  para h  7,85 (2.7)

w  d 0,040  0,470 / h  para h  7,85


Flnagan & w , C=constante empírica,
1999, 2001 Ch cos (2.8)
Bennet função do deslocamento lateral relativo
entre pisos de uma edificação.

Além de abordarem pórticos totalmente preenchidos, LIAW e LEE (1977)


realizaram ensaios e investigações analíticas de painéis de preenchimento com a
presença de aberturas, bem como a presença ou não de conectores, e propuseram um
modelo de cálculo de largura de diagonal equivalente para estes casos. No
desenvolvimento deste modelo consideraram que os materiais são homogêneos e
isotrópicos e que há separação entre o pórtico e o painel, exceto nos cantos
comprimidos onde as forças de contato são concentradas. Para o caso do painel com
abertura de porta, o modelo substitui a diagonal equivalente por barras horizontais e
verticais ligadas por barras rígidas conforme ilustra a Figura 2. 12.

23
Figura 2. 12 – Pórtico preenchido com abertura (LIAUW e LEE, 1977 apud
TANAKA, 2011).

THIRUVENGADAM (1985) propôs modelos aproximados para avaliação das


primeiras frequências naturais e modos associados de quadros preenchidos. Estes
modelos previam a substituição do painel de alvenaria por múltiplas estruturas
equivalentes e são definidos pelo próprio autor como um avanço em relação aos
modelos de estruturas equivalentes apresentados por pesquisadores anteriores. Estes
modelos, porém, são naturalmente mais trabalhosos.

Conforme estes estudos apresentados, dentre outros da literatura técnica não


mencionados, diversas técnicas foram propostas para cálculo da diagonal equivalente.
Contudo, independentemente do valor a ser adotado, uma das principais e unânimes
conclusões é a grande contribuição na rigidez do pórtico provida pelos painéis de
enchimento quando este está submetido a carregamento lateral.

24
Capítulo 3 – Modelos numéricos de
painéis de alvenaria

3.1 Introdução

Este capítulo apresenta um modelo analítico para determinação da rigidez axial


das diagonais equivalentes para simulação da contribuição dos painéis de alvenarias
confinados por pórticos de concreto armado na rigidez lateral dessas estruturas,
denominado modelo I. Os principais parâmetros da formulação proposta são ajustados
por modelos numéricos refinados em que os painéis de alvenaria são representados por
elementos finitos de casca planos e os pilares e vigas por elementos de barra,
denominado modelo II.

Tais análises foram concebidas objetivando-se avaliar a influência da alvenaria


de vedação na rigidez global de estruturas aporticadas de concreto armado através de
um estudo paramétrico, considerando diferentes relações entre largura e altura dos
painéis de alvenaria confinados sem e com aberturas de portas e janelas. Procurou-se
utilizar faixas de variação de maneira a cobrir dimensões comumente utilizadas na
prática das edificações.

Devido a grande complexidade da ligação na interface pórtico-painel, são


adotadas por questões práticas simplificações que resultam em três tipos de ligações
básicas: ligação rígida, ligação semi-rígida e ligação descolada no topo, que serão
devidamente elucidadas posteriormente. Os painéis básicos são preenchidos com as
alvenarias (cada uma com sua determinada ligação pórtico-painel).

As análises são constituídas das seguintes etapas:


 Inicialmente foi obtida a curva de rigidez lateral (kh) x relação (a/h) entre a
largura (a) e altura (h) dos pórticos de concreto armado sem alvenarias (item
3.2);

25
 Obtenção das curvas kh x a/h para os pórticos de concreto armado preenchidos
com alvenarias de dois tipos de materiais, tijolo cerâmico e bloco de concreto,
sem e com aberturas representativas de portas e janelas, considerando diferentes
tipos de ligações entre as alvenarias e os elementos do pórtico (item 3.3);
 Formulação do modelo analítico para o cálculo da rigidez ''EA" das diagonais
equivalentes (item 3.4);
 Determinação através de modelos numéricos refinados das curvas kh x a/h dos
painéis de alvenaria isolados (item 3.5);
 Aplicação do modelo de diagonal equivalente proposto aos pórticos dos itens 3.2
e 3.3. Foi feita a comparação dos resultados obtidos com os modelos I e II (item
3.6);
 Finalmente foram determinados fatores de ajuste para considerar o pórtico
preenchido em função do tipo de ligação (rígida e semi-rígida) entre a alvenaria
e os elementos de concreto (item 3.7).

Ao final apresenta-se um exemplo de cálculo de rigidez lateral de pórtico com


painel de alvenaria não confinado, isto é, não conectado a um dos pilares do pórtico.

3.2 Características geométricas dos pórticos em


estudo

Inicialmente, foram analisados painéis bidimensionais confinados por pórticos


com dimensões típicas de estruturas de concreto armado sem e com aberturas
representativas de porta e janelas, aplicando forças unitárias conforme mostrado na
Figura 3. 1. O coeficiente de rigidez lateral é calculado.

Figura 3. 1 – Pórtico em concreto armado.

26
Os pórticos típicos conforme ilustração da Figura 3. 1 apresentam as seguintes
características:

 Pórtico em concreto armado, fck = 35 MPa;


 ''a'' (vão de eixo a eixo entre os pilares) variando de 2 a 7m;
 ''h'' (distância entre as vigas inferior e superior) constante igual a 3m;
 Apoios rotulados a meia altura do "pavimento inferior", de modo a
representar condições de contorno que levem a diagramas de momentos
fletores típicos em pilares de edifícios;
 Duas cargas de 1 kN aplicadas nos encontros viga-pilar, conforme a
Figura 3. 1;
 Módulo de elasticidade secante do concreto calculado conforme o item
8.2.8 da ABNT NBR 6118/2007 igual à Ecs = 0,85.5600 (fck)1/2 =
28000000 kN/m².

As propriedades geométricas dos elementos em concreto estão descritas na Tabela 3. 1.

Tabela 3. 1 – Propriedades geométricas dos elementos em concreto armado.


a (m)
2 3 4 5 6 7
A (cm²) 480 720 960 1200 1440 1680
VIGAS
I (cm4) 14080 48300 121900 250800 451000 738300
A (cm²) 900 900 900 900 900 900
PILARES 4
I (cm ) 67500 67500 67500 67500 67500 67500

Para o cálculo da rigidez lateral são tomados 4 (quatro) deslocamentos,


conforme Figura 3. 2.

A rigidez lateral kG fica definida como:

kG= (3. 1)

onde i (i=1,4) são os deslocamentos ilustrados na Figura 3. 2.

27
Figura 3. 2 – Deslocamentos do Pórtico em concreto armado sem painel de vedação.

Para os pórticos sem preenchimento foram elaborados modelos numéricos com


elementos de pórtico plano os quais foram analisados com o programa SAP 2000. Com
os deslocamentos obtidos foram calculados os valores de kG (Eq. 3.1) mostrados na
Figura 3. 3 em função da relação a/h.

140

120

100
Rigidez (kN/cm)

80

60

40

20

0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a/h

Figura 3. 3 – Gráfico de rigidez lateral – pórtico sem preenchimento

Observa-se na Figura 3. 3 que a rigidez lateral cresce de forma aproximadamente


linear com a relação a/h.

28
3.3 Modelo II de pórticos com painel de alvenaria

Os pórticos básicos do item 3.2 serão preenchidos com alvenaria de dois tipos de
materiais, tijolo cerâmico e bloco de concreto, considerando diferentes tipos de ligações
e aberturas.

3.3.1 Tipo de elemento finito e ligações

Todos os modelos apresentados neste trabalho foram modelados e processados


com o software SAP2000 V.15 (2011). As paredes foram simuladas com elementos
finitos de casca com aproximadamente 6x6 cm de lado e as vigas e pilares com
elementos de barra.

Com o intuito de avaliar o grau de influência da contribuição da alvenaria em


relação aos pórticos de concreto armado, foram estudados os painéis básicos descritos
no item 3.2, agora preenchidos com alvenaria de vedação de espessura igual a 15 cm.

De maneira prática, foram adotados três tipos de ligações na modelagem


computacional:

a) Rígida: Elementos contínuos ligando o pórtico à alvenaria (Figura 3. 4);

b) Semi-rígida: Alvenaria ligada ao pórtico por intermédio de molas espaçadas


cerca de 50 cm com propriedades elásticas de rigidezes normal (1,68 x 1011 kN/m) e
cisalhamento 50250 kN/m) e com rigidez à flexão nula (Figura 3. 5);

c) Descolada no topo: Similar ao item "b", porém com a alvenaria totalmente


desligada do pórtico em toda a face superior (Figura 3. 6).

29
Figura 3. 4 – Painel preenchido com alvenaria – ligação rígida.

Detalhe A
Molas com coeficientes de
rigidez normal e cisalhante

Elemento plano Elemento


de membrana de pórtico

(a) Modelo II (b) Detalhe “A” da ligação


semi-rígida

Figura 3. 5 – Painel preenchido com alvenaria – ligação semi-rígida.

30
Detalhe B
Sem ligação entre alvenaria
e viga superior

(a) Modelo II (b) Detalhe “B” da ligação


descolada no topo

Figura 3. 6 – Painel preenchido com alvenaria – ligação descolada no topo.

3.3.2 Módulo de deformação longitudinal e espessura da alvenaria

Foi adotada espessura das paredes de 15 cm. No que se refere ao módulo de


deformação longitudinal, sabe-se que a alvenaria é um material ortotrópico. Porém,
como simplificação adotou-se o menor valor do módulo de deformação longitudinal de
maneira isotrópica (igual em todas as direções) considerando os valores definidos no
item 2.2, ou seja, Ealv=2000 MPa para os painéis de alvenaria em blocos cerâmicos e
Ealv=7000 MPa para os painéis de alvenaria em blocos de concreto.

3.3.3 Resultados para os painéis sem abertura

Apresentam-se na Figura 3.7 os resultados gráficos de rigidez lateral x a/h para


os painéis básicos preenchidos com alvenaria, sem a presença de aberturas.

Como se pode observar comparando a Figura 3. 3 com a Figura 3. 7, a


consideração da alvenaria como um elemento resistente juntamente com o pórtico de
concreto armado agregou substancialmente rigidez lateral ao conjunto. Para os painéis
com ligação rígida, verificou-se uma maior contribuição, sobretudo para os painéis com
as maiores relações a/h. Já as configurações semi-rígida e descolada no topo

31
apresentaram o mesmo comportamento de rigidez lateral, motivo pelo qual a partir de
então adotaremos somente uma delas, a semi-rígida.

8000
Rigidez (kN/cm) 7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a/h

Rígido Semi-rígido Desc. Topo

(a) E=2000 MPa


8000
7000
Rigidez (kN/cm)

6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-Rígido Desc. Topo

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 7 – Curvas de rigidez lateral para os pórticos com ligações rígida, semi-rígida
e descolada no topo sem aberturas.

3.3.4 Painéis com abertura

Nas edificações, de maneira geral, existem diversas aberturas de portas e janelas


presentes nas alvenarias. Adotou-se como padrão inserir aberturas nas alvenarias dos
painéis básicos com áreas da ordem 10% da área total do painel. A Figura 3. 8 apresenta
o esquema de um painel típico com abertura.

32
Figura 3. 8 – Exemplo de aberturas nos painéis.

São apresentadas na Figura 3. 9 as relações obtidas de rigidez lateral x a/h para


os painéis preenchidos com alvenarias dotadas de aberturas. Pode-se observar que a
presença de aberturas provoca uma redução na rigidez quando comparado com painel
sem abertura (Figura 3. 7), no entanto se mantém bastante superior à rigidez do pórtico
sem alvenaria (ver Figura 3. 3).

3.4 Formulação do modelo de diagonal equivalente

De maneira similar à MOREIRA (2002) desenvolve-se um modelo analítico de


diagonal equivalente ao painel de alvenaria trabalhando em cisalhamento puro.
Considera-se um quadro com barras rotuladas como mostrado na Figura 3. 10 (a) no
qual a diagonal fornecerá a rigidez lateral correspondente ao painel de alvenaria
analisado isoladamente por meio de um modelo numérico, por exemplo o modelo de
painel sem abertura da Figura 3. 10 (b). A rigidez lateral kh de cada painel analisado é
obtida com os resultados do modelo numérico através de:

(3. 2)

onde Fh é a força resultante horizontal e é o deslocamento horizontal no topo.

33
8000
7000

Rigidez (kN/cm)
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-rígido

(a) E=2000 MPa


8000
7000
Rigidez (kN/m)

6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-Rígido

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 9 – Curvas de rigidez lateral para os pórticos com ligações rígida, semi-rígida
e descolada no topo com aberturas.

Figura 3. 10 – (a) Quadro diagonal; (b) Placa sob cisalhamento puro.

34
A contribuição da diagonal à rigidez lateral do quadro do encurtamento Δ dado
por:

(3. 3)

Onde E é o módulo de deformação longitudinal do material, Ad é a área da seção


transversal e P é o esforço axial na diagonal, que pode ser escrito como Fh/cosα. Sendo
assim tem-se para o deslocamento horizontal:

(3. 4)

A partir do qual pode-se obter a área Ad da diagonal equivalente de material cujo


módulo de deformação longitudinal é E:

(3. 5)

A Figura 3. 11 mostra a representação do modelo com 2 (duas) diagonais. Com a


utilização deste modelo, deve-se dividir por 2 (dois) as áreas das diagonais encontradas
com a Equação (3.5).

F/2 F/2

Figura 3. 11 – Modelo representando elementos diagonais equivalentes.

35
3.5 Determinação da variação de kh com a geometria
dos painéis de alvenaria isolados

3.5.1 Geometria dos painéis

Considerando que possa ser adotado, para a expressão (3.5), o módulo de


deformação longitudinal E dos elementos de barra diagonais, simulando o efeito dos
painéis de alvenaria, valores característicos do concreto ou do aço, a obtenção da rigidez
axial EA de cada barra se resumirá, portanto, em se determinar a área da seção
transversal. O método descrito a seguir se baseia primeiramente na obtenção da rigidez
lateral kh para um painel de alvenaria com suas características geométricas. Devem-se
levar em conta as propriedades específicas dos materiais envolvidos, e como forma de
descrever o método será considerado o seguinte exemplo:

Considere 3 (três) modelos de painéis de alvenaria distintos: um painel sem


abertura, outro painel com abertura de porta (valor constante de 0,70 m x 2,10 m) (vide
Figura 3. 12) e um terceiro painel com diversas aberturas de janelas (Figura 3. 13).
Todos os painéis são sujeitos às condições de vinculação e carga conforme esboço
mostrado na Figura 3.12. Foram novamente utilizados 2 (dois) módulos de deformação
longitudinal do painel de alvenaria, E=2000 MPa para blocos cerâmicos e E=7000 MPa
para blocos de concreto.

Para construir as curvas de kh dos painéis sem e com aberturas representativas de


portas e janelas, tomou-se 10 modelos em elementos finitos de casca variando-se o
comprimento do vão “a”, conforme medidas anotadas na Tabela 3. 2. Os demais
parâmetros são mantidos constantes (h = 3,0 m; e espessura do painel = 0,15 m; F = Σ fi
= 10 kN).

Tabela 3. 2 – Variação do comprimento “a”.


Modelos A B C D E F G H I
a (m) 2,0 3,0 4,5 6,0 7,0 9,0 10,5 12,0 15,0

36
F F

h h

a a

Figura 3. 12 – Painéis sem abertura e com abertura de porta sujeitos a cisalhamento


(MOREIRA, 2002).

3.5.2 Curvas de rigidez lateral kh para painéis com e sem aberturas

O refinamento da malha é definido segundo um número de elementos de tal


forma que conduza a adequada convergência de deslocamentos. A Figura 3. 14
apresenta as curvas para deslocamentos tomados no topo dos painéis após esses
modelos serem analisados via MEF.

A Figura 3. 15 apresenta as curvas de rigidez lateral kh x a/h para painéis de


alvenaria com porta, sem porta e com janelas para os dois tipos de alvenarias
considerados, tijolos cerâmicos (E=2000 MPa) e blocos em concreto (E=7000 MPa).

37
Painéis a Dimensões janelas
(m) bj x hj (m)

15,0 1,90 x 1,20

12,0 2,00 x 1,20

10,5 1,70 x 1,20

9,0 2,25 x 1,20

7,0 1,80 x 1,20

6,0 1,50 x 1,20

4,5 2,20 x 1,90

3,0

2,0 0,90 x 1,20

Figura 3. 13 – Painéis com abertura de janela

38
0.002

deslocamento (m)
0.0015

0.001

0.0005

0
0 1 2 3 4 5 6

a/h

S/ aberturas C/ abertura de porta C/ abertura da janela

(a) E=2000 MPa.

0.002
deslocamento (m)

0.0015

0.001

0.0005

0
0 1 2 3 4 5 6
a/h

S/ aberturas C/ abertura de porta C/ abertura da janela

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 14 – Deslocamento x a/h no topo dos painéis.

39
1400000
1200000

Kh (kN/m²)
1000000
800000
600000
400000
200000
0
0 1 2 3 4 5 6
a/h

S/ abertura C/ abertura de porta C/ abertura de janela

(a) E=2000 MPa.


1400000
1200000
1000000
Kh (kN/m)

800000
600000
400000
200000
0
0 1 2 3 4 5 6
a/h

S/ abertura C/ abertura de porta C/ abertura de janela

(a) E=7000 MPa


Figura 3. 15 – Curvas de rigidez lateral kh x a/h.

3.6 Aplicação do modelo de diagonal equivalente aos


pórticos em estudo

Neste item foram calculadas as áreas das diagonais equivalentes. De posse das
mesmas, foi possível atribuir as propriedades das diagonais equivalentes simulando
painéis de alvenaria de vedação que serão inseridas nos pórticos em estudo do item 3.2 e
então calculadas as rigidezes laterais.

Com as curvas de rigidez lateral da Figura 3. 15 foi possível determinar a área da


diagonal equivalente para cada geometria de painel com e sem abertura, descritas na

40
Tabela 3. 3 e Tabela 3. 4 para painéis de alvenaria de blocos cerâmicos e de concreto,
respectivamente.

Tabela 3. 3 – Áreas da diagonal equivalente para painéis de alvenaria de blocos


cerâmicos (E=2000 MPa).
Painéis sem abertura
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2,00 2,33
Área (m²) 0,0068 0,0122 0,0205 0,0260 0,0370 0,0481
Painéis com abertura de porta
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2,00 2,33
Área (m²) 0,0042 0,0095 0,0125 0,0178 0,0255 0,0358
Painéis com abertura de janela
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2,00 2,33
Área (m²) 0,0030 0,0046 0,0069 0,0088 0,0116 0,0154

Tabela 3. 4 – Áreas da diagonal equivalente para painéis de alvenaria de blocos de


concreto (E=7000 MPa).
Painéis sem abertura
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2 2,33
Área (m²) 0,0237 0,0427 0,0717 0,0911 0,1295 0,1682
Painéis com abertura de porta
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2 2,33
Área (m²) 0,0147 0,0333 0,0438 0,0623 0,0892 0,1252
Painéis com abertura de janela
a (m) 2 3 4 5 6 7
a/h 0,67 1,00 1,33 1,67 2 2,33
Área (m²) 0,0105 0,0161 0,0242 0,0307 0,0405 0,0539

41
Após produzidas as curvas de rigidez lateral, as mesmas são apresentadas
isoladamente (Figura 3. 16 à Figura 3. 18) e depois de forma comparativa (Figura 3. 19
e Figura 3. 20) juntamente com as curvas obtidas para os modelos rígido e semi-rígido
com e sem aberturas.

4500
4000
3500
Rigidez (kN/cm)

3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a /h

Diagonal (E=7000 MPa) Diagonal (E=2000 MPa)

Figura 3. 16 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel


sem abertura.

4500
4000
3500
Rigidez (kN/cm)

3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a /h

Diagonal (E=7000 MPa) Diagonal (E=2000 MPa)

Figura 3. 17 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel


com abertura de porta.

42
4500
4000
3500

Rigidez (kN/cm)
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Diagonal (E=7000 MPa) Diagonal (E=2000 MPa)

Figura 3. 18 – Curvas de rigidez lateral do modelo com diagonal equivalente: Painel


com abertura de janela.

8000
7000
Rigidez (kN/m)

6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-rígido Diagonal

(a) E=2000 MPa


8000
7000
Rigidez (kN/m)

6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-rígido Diagonal

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 19 – Curvas de Rigidez lateral dos modelos com painéis sem abertura.

43
8000
7000

Rigidez (kN/m)
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rígido Semi-rígido Diagonal

(a) E=2000 MPa


8000
7000
6000
Rigidez (kN/cm)

5000
4000
3000
2000
1000
0
0 2 4 6 8
a (m)

Rigido Semi-Rigido Diagonal

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 20 – Curvas de rigidez lateral dos modelos com painéis com abertura de
janela.

Observou-se que os modelos de diagonal equivalente obtiveram um


comportamento semi-rígido para baixas relações a/h, e conforme essa relação aumenta,
a tendência é a de funcionamento intermediário entre a situação rígida e semi-rígida.

Os painéis com abertura de porta apresentam aproximadamente o dobro da


rigidez lateral dos painéis com abertura de janela de mesma relação a/h (comparar a
Figura 3. 17 e a Figura 3. 18). De modo a simplificar as análises os painéis com abertura
de porta serão tomados com rigidez igual à dos painéis com abertura de janela.

44
3.7 Fator de ajuste da rigidez lateral do painel em
função da ligação alvenaria x viga superior

De acordo com o processo de execução da alvenaria, podem-se ter os pórticos


trabalhando de forma rígida ou semi-rígida. Na tentativa de calibrar a diagonal, levando-
a a funcionar ora de maneira rígida, ora semi-rígida, são propostos coeficientes α
multiplicadores da área da diagonal equivalente de acordo com a Tabela 3. 5 e Tabela 3.
6, que foram determinados do seguinte modo:

( igidez do modelo ígido )


α rig= (3. 6)
( igidez do modelo Diagonal )

( igidez do modelo Semi- ígido )


α s.rig= (3. 7)
( igidez do modelo Diagonal )

Tabela 3. 5 – Coeficientes α para painéis de alvenaria de blocos cerâmicos sem abertura.


E=2000 MPa E=7000 MPa Média
a/h α rig α s.rig α rig α s.rig α rig α s.rig
0,67 3,84 1,51 3,25 1,44 3,55 1,48
1,00 2,79 1,35 2,45 1,24 2,62 1,30
1,33 1,83 0,69 1,80 0,70 1,81 0,70
1,67 2,05 0,67 1,92 0,62 1,99 0,65
2,00 2,13 0,59 1,91 0,52 2,02 0,56
2,33 2,10 0,51 1,80 0,43 1,95 0,47

Tabela 3. 6 – Coeficientes α para painéis de alvenaria de blocos de concreto com


abertura de janela.
E=2000 MPa E=7000 MPa Média
a/h α rig α s.rig α rig α s.rig α rig α s.rig
0,67 3,54 1,49 3,35 1,53 3,45 1,51
1,00 2,54 1,84 2,47 1,46 2,51 1,65
1,33 1,49 0,63 1,60 0,66 1,55 0,65
1,67 1,64 0,66 1,59 0,59 1,62 0,63
2,00 1,81 0,79 1,64 0,67 1,73 0,73
2,33 1,88 0,77 1,63 0,63 1,76 0,70

45
Nas Figura 3. 21 e Figura 3. 22 apresentam-se os gráficos dos valores obtidos de
α em função do módulo E (igual a 2000 MPa e 7000 MPa) e da relação geométrica a/h,
para os casos com e sem aberturas.

Observa-se nestas figuras que para a ligação Rígida com a/h < 1,33 o fator de
correção α varia segundo lei linear e para a/h > 1,33 apresenta tendência a um valor
constante. Para ligações Semi- ígidas na faixa de valores a/h < 1,33 o fator α apresenta
não-linearidade em relação a a/h.

4.5
4
3.5
3
2.5
α

2
1.5
1
0.5
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a/h

α Rig. α S. Rig.

(a) E=2000 MPa


4.5
4
3.5
3
2.5
α

2
1.5
1
0.5
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

α Rig. α S. Rig.

(b) E= 7000 MPa


Figura 3. 21 – Coeficientes de ajuste α x a/h para painéis sem abertura.

46
4.5
4
3.5
3
2.5

α
2
1.5
1
0.5
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5

a/h

α Rig. α S. Rig.

(a) E=2000 MPa


4.5
4
3.5
3
2.5
α

2
1.5
1
0.5
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

α Rig. α S. Rig.

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 22 – Coeficientes de ajuste α x a/h para painéis com abertura (E=7000 MPa).

Após o cálculo e aplicação de α aos modelos de diagonais, foram


produzidos os gráficos de rigidez lateral kh x a/h para os modelos com as diagonais
corrigidas.

Observou-se a tendência das curvas dos modelos das diagonais de ajustarem-se,


com boa aproximação, aos modelos rígido e semi-rígido no caso de E=2000 MPa,
atestando a validade do uso do coeficiente de ajuste α. Para o caso de E=7000 MPa com
ligação rígida o modelo de diagonal corrigida não representou de maneira satisfatória o
modelo II.

47
8000
7000
6000

Rigidez (kN/cm)
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rigido Semi-Rigido Diag. Cor. Rig. Diag. Cor. S.Rig.

(a) E=2000 MPa


8000

7000

6000
Rigidez (kN/cm)

5000

4000

3000

2000

1000

0
0 0.5 1 1.5 2 2.5
a/h

Rigido Semi-Rigido Diag. Cor. Rig. Diag. Cor. Srig.

(b) E=7000 MPa


Figura 3. 23 – Rigidez lateral dos pórticos sem abertura – Diagonais corrigidas.

3.8 Comparação entre a formulação para rigidez


equivalente deste trabalho e as da literatuta

A Figura 3. 24 apresenta os gráficos das curvas w/d x λh:


 Em linhas tracejadas, ilustram-se as Equações (2.2), (2.4) e (2.7) da
Tabela 2.6, propostas na literatura visando análises de estruturas sob ação
sísmica;
 Em linhas cheias são mostradas os valores obtidos para os pórticos aqui
utilizados (preenchidos com alvenaria sem aberturas) com a Equação

48
(3.5) e adicionalmente com os ajustes em função da ligação entre a
alvenaria e o pórtico: rígida e semi-rígida.

1.4
1.2
1.0
0.8
w/d
0.6
0.4
0.2
0.0
0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0

λh

eq.3.5 e Moreira (2002) Mainstone (1971)


Holmes (1961) Deccanini & Fantin (1987)
eq.3.5 ajuste rígido eq. 3.5 ajuste semi-rígido

Figura 3. 24 – Relação largura efetiva (w/d) da diagonal x parâmetro h de


rigidez relativa entre o pórtico e o painel

Observa-se inicialmente que os exemplos pórticos aqui utilizados encontram-se


numa estrita faixa do fator h, entre 3,0 e 3,5.

Na Figura 3. 24 observa-se que os valores fornecidos pela Equação (3.5) são


maiores ou iguais aos das formulações existentes na literatura que consideram
descontinuidades nas ligações alvenaria-pórtico. Os valores ajustados para ligação
rígida são sempre bem maiores do que os das formulações da literatura, como esperado.
Já os valores obtidos com o ajuste para ligação semi-rígida apresentam boa comparação.

3.9 Painel não confinado

A Figura 3. 25 apresenta um caso típico de painel de vedação não confinado pela


estrutura de concreto armado. Neste item efetua-se uma análise com o objetivo de
verificar se esse tipo de painel também apresenta alguma contribuição na rigidez lateral
da estrutura.

49
Para este estudo, foi escolhido o painel de 7m de largura (Econc=28 GPa),
contendo isoladamente um painel de alvenaria rigidamente ligado de 2m de largura com
módulo de elasticidade longitudinal de 2000 MPa, conforme a Figura 3. 25.

Painel de alvenaria não-confinado com


2m de largura. Pórtico em
concreto
armado com
altura de 3m de
1,5 m dos viga à viga.
apoios
(rotulados)
à viga
inferior.

Figura 3. 25 – Modelo numérico do painel de 7m com alvenaria isolada de 3m.

O painel da Figura 3. 25 apresentou a de rigidez lateral de 473,39 kN/cm. Como


o pórtico não preenchido apresentou rigidez de 119,23 kN/cm (Figura 3. 3), conclui-se
que para este caso houve contribuição na rigidez lateral, porém muito menor que a
contribuição da alvenaria confinada, que apresentou rigidez de 2645,5 kN/cm (Figura 3.
7(a)).

50
Capítulo 4 – Exemplo de edificação 1

Neste capitulo foram aplicados os estudos de diagonal equivalente do capitulo


anterior a um exemplo de edificação em concreto armado. A estrutura foi inteiramente
modelada em elementos finitos, tendo suas alvenarias ora simuladas com elementos de
casca, ora com elementos de pórtico para representar as diagonais equivalentes.

4.1 Breve descrição da estrutura

A estrutura em concreto armado do edifício, com 40 metros de altura, é uma


estrutura aporticada convencional com pórticos cruzando a estrutura nas direções
longitudinal e transversal, sendo constituída de 02 blocos principais separados por uma
junta transversal de dilatação térmica, conforme mostra a Figura 4. 1. Cada um desses
blocos tem uma meia-torre com 10 pavimentos tipo (vide planta - Figura 4. 3), 01
pavimento de uso comum - PUC e mais 02 pavimentos inferiores de garagem; estes três
últimos com área projetada maior do que a torre. Além desses 02 blocos principais há, a
partir do nível do PUC para baixo, um terceiro bloco separado por uma outra junta de
dilatação térmica paralela a primeira e passando junto a um dos bordos de uma piscina.
Este bloco, também com estrutura de concreto armado, contém, além da piscina, uma
área de lazer com jardineiras e, uma extensão das garagens, área das lojas e as rampas
de acesso ao prédio, para pedestres e para automóveis e níveis inferiores. A Figura 4.2
apresenta uma planta com posicionamento estimado (não se obteve acesso ao projeto de
arquitetura) dos painéis de alvenaria de vedação. Nota-se desta figura que os painéis
aporticados apresentam relação a/h variando entre 0,50 e 2,0 aproximadamente, sendo a
maioria em torno de 1,2.

51
Figura 4. 1 – Corte Vertical da estrutura do edifício exemplo 1
(CARVALHO&BATTISTA, 2002).

Corte A

Corte A

Figura 4. 2 – Esboço do posicionamento dos painéis de alvenarias.

52
Figura 4. 3 – Planta de forma do pavimento tipo do edifício em análise.

53
4.2 Modelos numéricos

A estrutura foi discretizada com pilares em elementos finitos de barra, vigas em


elementos finitos de barra, lajes em elementos finitos de casca e paredes de contenção
em elementos finitos de casca.

Para captar de maneira mais precisa as características que determinam o


comportamento de uma estrutura, tanto estaticamente quanto dinamicamente, devem-se
considerar todas as condições de contorno que dizem respeito às fundações, por
exemplo, modelando estacas (obviamente quando existirem) e molas com seus devidos
coeficientes de rigidez representando as propriedades mecânicas do terreno no qual se
apoia a estrutura. Entretanto a consideração da interação solo-estrutura ainda não é
prática comum no meio profissional de projeto estrutural. Como o enfoque do presente
trabalho é o da contribuição dos painéis de alvenaria no comportamento estrutural a
interação solo-estrutura não será considerada para fins de simplificação da modelagem.
Por praticidade, os apoios dos pilares serão considerados indeslocáveis em suas bases
em todas as direções tanto para a translação quanto para a rotação.

O modelo numérico básico é o da estrutura em concreto armado. A partir deste


foram consideradas 3 (três) modelagens para os painéis de alvenaria:

 Modelo 1: Painéis de alvenaria considerados apenas como massas


concentradas nos quatro nós de canto dos painéis;

 Modelo 2A: painéis de alvenaria modelados com elementos de casca e


ligação rígida;

 Modelo 3A: painéis de alvenaria modelados por diagonais equivalentes


corrigidas para ligação rígida;

 Modelo 3B: painéis de alvenaria modelados por diagonais corrigidas para


ligação semi-rígida.

54
 Modelo 3C: painéis de alvenaria modelados por diagonais sem correção.

Para todos estes modelos, foi considerada a massa da estrutura de concreto


armado, somada a massa equivalente ao revestimento de piso e teto igual a 0,1 t/m² e
alvenarias. Não foi considerada a massa correspondente à carga de utilização da
estrutura. As Figuras 4.4, a 4.6 ilustram os modelos 1, 2A e 3 em perspectiva e as
figuras 4.7 e 4.8 ilustram o modelo 3A visto por planos de pórticos preenchidos por
diagonais.

A avaliação da influência dos painéis de alvenaria será feita em termos de


frequências naturais. Isto porque esta influência somente pode ser considerada para fins
de estados limites de serviço como, por exemplo, situações de vibrações excessivas
devidas ao vento.

As propriedades físicas dos materiais utilizados estão descritas na Tabela 4. 1.

Tabela 4. 1 – Propriedades dos elementos do edifício do exemplo 1.


Elemento E (MPa) ρ (t/m³)
Concreto armado 28000 2,50
Alvenaria de blocos cerâmicos com e=15 cm 2000 1,20
Alvenaria de blocos de concreto com e=15 cm 7000 1,20

Sendo “e” a espessura da parede de alvenaria.

A simplificação de adotar o mesmo peso específico para a parede de alvenaria de


blocos cerâmicos e de concreto justifica-se segundo POZZOBON (2013), conforme
mencionado no item 2.1.2.

55
Figura 4. 4 – Modelo em elementos finitos – estrutura (Modelo 1).

56
Figura 4. 5 – Modelo em elementos finitos – estrutura + paredes (Modelo 2A).

57
Figura 4. 6 – Modelo em elementos finitos – estrutura + diagonais (Modelo 3).

58
Figura 4. 7 – Corte A conforme indicado na Figura 4. 2: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).

59
Figura 4. 8 – Corte B conforme indicado na Figura 4. 2: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).

60
4.3 Resultados em termos de frequências naturais da
edificação

Na Tabela 4. 2 e na Tabela 4. 3 são apresentados os resultados comparativos


entre os modelos de estrutura não preenchida (Modelo 1) e estrutura preenchida com
alvenaria (Modelo 2A). Na Tabela 4. 4 e na Tabela 4. 5 apresentam-se os resultados
comparativos entre os modelos com diagonais corrigidas Rígidas (Modelo 3A),
Corrigidas Semi-rígidas (Modelo 3B), e sem correção (Modelo 3C). Na Tabela 4. 6
apresentam-se relações entre freqüências obtidas dos diversos modelos.

A Figura 4. 9 e a Figura 4. 10 apresentam o 1º modo de vibração do Modelo 1


em perspectiva e em vista superior, respectivamente. Nota-se a preponderância da
flexão longitudinal, porém com uma pequena torção que pode ser explicada pela
assimetria dos pilares na região dos elevadores. A Figura 4. 11 e a Figura 4. 12
apresentam o 2º modo de vibração do modelo 1. O centro de torção localiza-se próximo
aos pilares da região dos elevadores, por conta da maior rigidez dos mesmos. Já a
Figura 4. 13 e a Figura 4. 14 apresentam o 3º modo de vibração do modelo 1 com
preponderância para a flexão transversal, porém com razoável torção devido aos pilares
mais rígidos estarem descentralizados em planta.

Tabela 4. 2 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria


de bloco de concreto (E=7000 MPa).
Modelo 1 Modelo 2A
Descrição da Descrição da
N* f 1(Hz) N* f (Hz)
forma modal forma modal 2A
Flexão Flexão
1 0,52 1 1,39
longitudinal transversal
2 Torção 0,64 2 Torção 2,08
Flexão Flexão
3 0,79 3 2,21
transversal longitudinal
2º de Flexão 2º de Flexão
4 1,66 4 4,24
longitudinal transversal
2º de Flexão
5 2º de Torção 2,07 5 7,18
longitudinal
2º de Flexão
6 2,56 6 2º de Torção 7,71
transversal

61
Tabela 4. 3 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com
alvenaria (E=2000 MPa).
Modelo 1 Modelo 2A
Descrição da Descrição da
N* f 1(Hz) N* f (Hz)
forma modal forma modal 2A
Flexão Flexão
1 0,52 1 1,20
longitudinal transversal
2 Torção 0,64 2 Torção 1,56
Flexão Flexão
3 0,79 3 1,60
transversal longitudinal
2º de Flexão 2º de Flexão
4 1,66 4 3,72
longitudinal transversal
2º de Flexão
5 2º de Torção 2,07 5 5,09
longitudinal
2º de Flexão
6 2,56 6 2º de Torção 5,47
transversal

N*: Número do modo de vibração.

Tabela 4. 4 – Comparativo entre os modelos com diagonais corrigidas rígidas,


corrigidas semi-rígidas e sem correção para blocos de concreto (Ealv=7000 MPa).

Modelo 3A Modelo 3B Modelo 3C


Descrição
Descrição da Descrição da
N* f3A(Hz) N* f3B(Hz) N* da forma f3C(Hz)
forma modal forma modal
modal
Flexão Flexão Flexão
1 1,26 1 1,15 1 1,16
transversal transversal transversal
2 Torção 1,71 2 Torção 1,50 2 Torção 1,54
Flexão Flexão Flexão
3 1,93 3 1,63 3 1,76
longitudinal longitudinal longitudinal
2º de
2º de Flexão 2º de Flexão
4 3,85 4 3,57 4 Flexão 3,58
transversal transversal
transversal
2º de
2º de Flexão 2º de Flexão
5 5,89 5 5,03 5 Flexão 5,29
longitudinal longitudinal
longitudinal
2º de
6 2º de Torção 6,11 6 2º de Torção 5,14 6 5,44
Torção

62
Tabela 4. 5 – Comparativo entre os modelos com diagonais corrigidas rígidas,
corrigidas semi-rígidas e sem correção para blocos cerâmicos (Ealv=2000 MPa).

Modelo 3A Modelo 3B Modelo 3C


Descrição
Descrição da Descrição da
N* f3A(Hz) N* f3B(Hz) N* da forma f3C(Hz)
forma modal forma modal
modal
Flexão Flexão Flexão
1 1,16 1 1,01 1 1,02
transversal transversal transversal
Flexão Flexão
2 Torção 1,44 2 1,16 2 1,22
longitudinal longitudinal
Flexão
3 1,52 3 Torção 1,19 3 Torção 1,27
longitudinal
2º de
2º de Flexão 2º de Flexão
4 3,62 4 3,16 4 Flexão 3,19
transversal transversal
transversal
2º de
2º de Flexão 2º de Flexão
5 4,67 5 3,61 5 Flexão 3,89
longitudinal longitudinal
longitudinal
2º de
6 2º de Torção 4,92 6 2º de Torção 3,85 6 3,99
Torção

Tabela 4. 6 – Relações entre frequências.


E=7000 MPa E=2000 MPa
Modos de
f2A/f1 f3A/f2A f3A/f3B f3B/f3C f2A/f1 f3A/f2A f3A/f3B f3B/f3C
Vivração
1º de Flexão
1,76 0,91 1,10 0,99 1,52 0,97 1,15 0,99
Transversal
1º de Torção 3,25 0,82 1,14 0,97 2,44 0,96 1,24 0,98
1º de Flexão
4,25 0,87 1,18 0,93 3,08 0,95 1,28 0,91
Longitudinal
2º de Flexão
1,66 0,90 1,08 1,00 1,45 0,97 1,15 0,99
Transversal
2º de Torção 3,72 0,79 1,19 0,94 2,64 0,90 1,28 0,96
2º de Flexão
4,33 0,82 1,17 0,95 3,07 0,92 1,29 0,93
Longitudinal

63
Figura 4. 9 – 1º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,52 Hz).

Figura 4. 10 – 1º modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,52 Hz)

64
Figura 4. 11 – 2º Modo de vibração e perspectiva - Modelo 1 (f=0,64 Hz)

Figura 4. 12 – 2º modo de vibração em vista superior - Modelo 1 (f=0,64 Hz)

65
Figura 4. 13 – 3º Modo de vibração em perspectiva - Modelo 1 (0,79 Hz)

Figura 4. 14 – 3º modo de vibração em vista superior - Modelo 1 (f=0,79 Hz)

66
Pôde-se notar a partir dos dados da Tabela 4. 2 à Tabela 4. 6:

 A presença da alvenaria afeta de modo significativo a rigidez da estrutura


conduzindo a valores de frequências naturais fundamentais em flexão
transversal, flexão longitudinal e torção bem maiores do que as obtidas
pelo modelo considerando os painéis de alvenaria apenas como massa;
 Observando a descrição da forma modal do 1º modo de vibração dos
modelos 1 e 2A na Tabela 4. 2, nota-se que a consideração da alvenaria
na modelagem global da estrutura pode mudar as formas modais da
mesma. Neste caso, isto foi possível devido a grande contribuição de
rigidez da alvenaria na direção longitudinal;
 As relações f2A/f1 apresentaram valores de 1,70 (E=7000 MPa) e 1,50
(E=2000 MPa) para a flexão transversal (FT), valores de 4,30 (E=7000
MPa) e 3,0 (E=2000 MPa) para a flexão longitudinal (FL) e valores de
3,5 (E=7000 MPa) e 2,5 (E=2000 MPa) para o modo de torção (T). A
contribuição maior das alvenarias para a FL deve-se ao fato dos pilares
estarem preponderantemente com sua menor inércia nesta direção;
 A não consideração das alvenarias no modelo global da estrutura
subestima de maneira bastante considerável as frequências naturais;
 Para E=2000 MPa, o modelo com diagonal equivalente corrigida para
ligação rígida representou bem o modelo II. Já para E=7000 MPa
ocorrem diferenças já evidenciadas na Figura 3.42, a ser verificado o
motivo destes resultados;
 O modelo com diagonal equivalente corrigida para ligação semi-rígida
(Modelo 3B) forneceu, conforme esperado, valores de frequências
naturais menores do que os obtidos com ligação rígida (Modelo 3A),
com valores de redução variando na faixa entre 8% e 17%;
 O modelo de diagonal sem correção (Modelo 3C) apresentou valores
aproximadamente iguais ao modelo com diagonais corrigidas semi-
rígidas (Modelo 3B). Observa-se na Figura 3.34 e Figura 3.35 que para
a/h<1,2, faixa em que se encontra a maioria das alvenarias dessa
edificação, os valores de kh se aproximam muito nesses casos;

67
 Observa-se que a não consideração da rigidez da alvenaria resulta em
frequências naturais abaixo de 1Hz, o que segundo as normas vigentes
faria com que houvesse a necessidade da analise dinâmica da estrutura
sob a ação do vento. No entanto, com a consideração da rigidez da
alvenaria as frequências naturais apresentam valores acima de 1Hz,
podendo ser considerada a ação do vento como equivalente estático.

Os resultados comparativos entre o modelo II e o modelo com diagonal


equivalente corrigida para ligação rígida permitem concluir que este último modelo,
pela simplificação introduzida na modelagem, é um modelo aceitável para análises de
estado limite de utilização.

68
Capítulo 5 – Exemplo de edificação 2

Neste capitulo foram aplicados os estudos de diagonal equivalente a um outro


exemplo de edificação em concreto armado. Para este exemplo escolheu-se uma
estrutura com lajes planas, que vem sendo cada vez mais utilizada nos últimos anos.

5.1 Breve descrição da estrutura

A estrutura em concreto armado do edifício, com 26 metros de altura, é uma


estrutura em lajes planas apoiadas em vigas somente na região central e na periferia,
conforme mostra a Figura 5. 2. Esta edificação possui pavimento semi-enterrado e
térreo com área projetada maior do que a torre, 06 pavimentos tipo, piso da cobertura e
teto da cobertura, conforme a Figura 5. 1. A resistência característica fck é de 35 MPa. A
Figura 5. 3 apresenta a disposição dos painéis de alvenaria considerados, bem como a
definição dos eixos de referência. Na parte interna da edificação as divisórias são de
gesso acartonado (dry-wall) enquanto que na periferia e na região dos elevadores e
escadas existem paredes de alvenaria com relação a/h variando entre 1,00 e 1,90
aproximadamente.

Figura 5. 1 – Corte vertical da estrutura do edifício exemplo 2


69
Figura 5. 2 – Planta de forma do pavimento tipo do edifício em análise.

Corte A Corte A
Corte B

Corte B

Figura 5. 3 – Posicionamento dos painéis de alvenaria do pavimento tipo do edifício em


análise e definição dos eixos de referência.

70
5.2 Modelos numéricos

Além das premissas adotadas no item 4.2 do capitulo anterior, foram adotadas as
seguintes simplificações de modo a facilitar a modelagem:
 As formas dos pavimentos semi-enterrado, térreo, piso da cobertura e teto da
cobertura foram consideradas iguais a do pavimento tipo (inclusive o pé-direito
estrutural);
 Admitiu-se que as divisórias em paredes de gesso acartonado (drywall) têm peso
desprezível e que não contribuem para a rigidez lateral do sistema. Alvenarias
com contribuição de massa e rigidez somente na periferia e caixas de elevador e
escada;
 As curvas de rigidez lateral, áreas das diagonais e coeficientes de ajustes são
calculados conforme o capitulo 3, sendo suprimidas suas respectivas
demonstrações.

Foram realizadas as mesmas análises da edificação do exemplo 1. As Figuras


5.5, 5.6 e 5.7 ilustram os modelos 1, 2A e 3 em perspectiva e as Figuras 5.7 e 5.8
ilustram o modelo 3A visto por planos de pórticos preenchidos por diagonais.

71
Figura 5. 4 – Modelo em elementos finitos - estrutura (Modelo 1).

72
Figura 5. 5 – Modelo em elementos finitos - estrutura + paredes (modelo 2A).

73
Figura 5. 6 – Modelo em elementos finitos - estrutura + diagonais (Modelo 3).

74
Figura 5. 7 – Corte A, conforme indicado na Figura 5.3: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).

75
Figura 5. 8 – Corte B, conforme indicado na Figura 5.3: Vista de um dos planos
preenchidos com diagonais (Modelo 3).

76
5.3 Resultados em termos de frequências naturais da
edificação

Assim como no capitulo 4, são apresentados os resultados comparativos entre os


modelos de estrutura não preenchida, estrutura preenchida com alvenaria sem aberturas
e diagonal equivalente. Na Tabela 5.1 e na Tabela 5.2 são apresentados os resultados
comparativos entre os modelos de estrutura não preenchida (Modelo 1) e estrutura
preenchida com alvenaria (Modelo 2A). Na Tabela 5.3 e na Tabela 5.4 apresentam-se os
resultados comparativos entre os modelos com diagonais corrigida Rígidas (Modelo
3A), Semi-Rígidas (Modelo 3B) e sem correção (Modelo 3C).

A Figura 5.9 e a Figura 5.10 apresentam o 1º modo de vibração (flexão em X) do


Modelo 1 em perspectiva e em vista superior, respectivamente. A Figura 5.11 e a Figura
5.12 apresentam o 2º modo de vibração do modelo 1 (flexão em Y). Observa-se que
devido a dupla simetria em planta, os modos de flexão em X e Y são bastante
semelhantes tanto em termos de valores de freqüências quanto na forma modal. Já a
Figura 5.13e a Figura 5.14 apresentam o 3º modo de vibração (torção) do modelo.

Tabela 5. 1 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria


(Ealv=7000 MPa).

Modelo 1 Modelo 2A
Descrição da Descrição da
N* f 1(Hz) N* f2A(Hz)
forma modal forma modal
1 Flexão em X 0,75 1 Flexão em X 1,42
2 Flexão em Y 0,82 2 Flexão em Y 1,66
3 Torção 0,97 3 Torção 1,87
2º de Flexão em 2º de Flexão em
4 2,31 4 4,77
X X
2º de Flexão em 2º de Flexão em
5 2,70 5 5,24
Y Y
6 2º de torção 2,97 6 2º de torção 6,71

77
Tabela 5. 2 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com alvenaria
(Ealv=2000 MPa).

Modelo 1 Modelo 2A
Descrição da Descrição da
N* f 1(Hz) N* f2A(Hz)
forma modal forma modal
1 Flexão em X 0,75 1 Flexão em X 1,14
2 Flexão em Y 0,82 2 Flexão em Y 1,41
3 Torção 0,97 3 Torção 1,52
2º de Flexão em 2º de Flexão em
4 2,31 4 3,57
X X
2º de Flexão em 2º de Flexão em
5 2,7 5 4,40
Y Y
6 2º de torção 2,97 6 2º de torção 5,14

Tabela 5. 3 – Comparativo entre os modelos com diagonais Corrigidas Rígidas,


Corrigidas Semi-Rígidas e Sem Correção (E=7000 MPa).

Modelo 3A Modelo 3B Modelo 3C


Descrição da Descrição da Descrição da
N* f (Hz) N* f3B(Hz) N* f Hz)
forma modal 3A forma modal forma modal 3C(
1 Flexão em X 1,35 1 Flexão em X 1,19 1 Flexão em X 1,21

2 Flexão em Y 1,54 2 Flexão em Y 1,39 2 Flexão em Y 1,45

3 Torção 1,76 3 Torção 1,51 3 Torção 1,57


2º de Flexão 2º de Flexão 2º de Flexão
4 4,46 4 3,78 4 3,83
em X em X em X
2º de Flexão 2º de Flexão 2º de Flexão
5 4,71 5 4,30 5 4,46
em Y em Y em Y
6 2º de torção 5,99 6 2º de torção 4,90 6 2º de torção 5,24

78
Tabela 5. 4 – Comparativo entre os modelos com diagonais Corrigidas Rígidas,
Corrigidas Semi-Rígidas e Sem Correção (E=2000 MPa).

Modelo 3A Modelo 3B Modelo 3C


Descrição da Descrição da Descrição da
N* f (Hz) N* f3B(Hz) N* f (Hz)
forma modal 3A forma modal forma modal 3C
1 Flexão em X 1,13 1 Flexão em X 1,00 1 Flexão em X 1,00

2 Flexão em Y 1,32 2 Flexão em Y 1,17 2 Flexão em Y 1,22

3 Torção 1,42 3 Torção 1,25 3 Torção 1,29


2º de Flexão 2º de Flexão 2º de Flexão
4 3,53 4 3,07 4 3,10
em X em X em X
2º de Flexão 2º de Flexão 2º de Flexão
5 4,10 5 3,68 5 3,83
em Y em Y em Y
4,04
6 2º de Torção 4,53 6 2º de Torção 3,87 6 2º de Torção

Tabela 5. 5 – Relações entre frequências.


E=7000 MPa E=2000 MPa
Modos de
f2A/f1 f3A/f2A f3A/f3B f3B/f3C f2A/f1 f3A/f2A f3A/f3B f3B/f3C
Vivração
1º de Flexão em
1,89 0,95 1,13 0,98 1,52 0,99 1,13 1,00
X
1º de Flexão em
2,02 0,93 1,11 0,96 1,72 0,94 1,13 0,96
Y
1º de Torção 1,93 0,94 1,17 0,96 1,57 0,93 1,14 0,97

2º de Flexão em
2,06 0,94 1,18 0,99 1,55 0,99 1,15 0,99
X
2º de Flexão em
1,94 0,90 1,10 0,96 1,63 0,93 1,11 0,96
Y
2º de Torção 2,26 0,89 1,22 0,94 1,73 0,88 1,17 0,96

79
Figura 5. 9 – 1º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,75 Hz).

Figura 5. 10 – 1º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,75 Hz).

80
Figura 5. 11 – 2º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,82 Hz).

Figura 5. 12 – 2º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,82 Hz).

81
Figura 5. 13 – 3º Modo de vibração em perspectiva – Modelo 1 (f=0,97 Hz).

Figura 5. 14 – 3º Modo de vibração em vista superior – Modelo 1 (f=0,97 Hz).

82
Tabela 5. 1 – Comparativo entre os modelos não preenchido e preenchido com
alvenaria (Ealv=7000 MPa).

Modelo 1 Modelo 2A
Descrição da Descrição da
N* f 1(Hz) N* f2A(Hz)
forma modal forma modal
1 Flexão em X 0,75 1 Flexão em X 1,42
2 Flexão em Y 0,82 2 Flexão em Y 1,66
3 Torção 0,97 3 Torção 1,87
2º de Flexão em 2º de Flexão em
4 2,31 4 4,77
X X
2º de Flexão em 2º de Flexão em
5 2,70 5 5,24
Y Y
6 2º de torção 2,97 6 2º de torção 6,71

Tabela 5. 2Pôde-se notar a partir dos dados da Tabela 5. 2 e da Tabela 5. 3:

 A presença da alvenaria de periferia afeta de modo significativo a rigidez da


estrutura (embora menores que no exemplo de edificação 1) conduzindo a
valores de frequências naturais fundamentais em flexão nas direções X e Y e
torção bem maiores do que as obtidas pelo modelo considerando os painéis de
alvenaria apenas como massa;
 As relações f2A/f1 apresentaram valor médio em torno de 2,0 (E=7000 MPa) e
1,6 (E=2000 MPa) para todos os modos de vibração (flexão nas direções X e Y e
torção).. Isso é devido à simetria em planta e ao fato que os painéis de alvenaria
estarem localizados preponderantemente na periferia, influenciando de forma
semelhante os modos de flexão e torção;
 O modelo com diagonal equivalente corrigida para ligação rígida representou
bem o modelo II para os dois valores dos módulos de elasticidade da alvenaria,
com valores mais próximos para E=2000 MPa. Esse comportamento já havia
sido verificado na edificação do exemplo 1;
 O modelo de diagonal sem correção (Modelo 3C) apresentou valores
aproximadamente iguais ao modelo com diagonais corrigidas semi-rígidas
(Modelo 3B) com comportamento semelhante ao verificado no exemplo 1;

83
 Neste caso, a consideração da alvenaria na modelagem global da estrutura não
mudou as formas modais da mesma, devido à forte tendência de retangularidade
tanto da estrutura quanto na distribuição das alvenarias;
 A não consideração das alvenarias no modelo global da estrutura (de forma
análoga ao exemplo 1) subestima de maneira bastante considerável as
frequências naturais;
 O modelo com diagonal equivalente corrigida para ligação semi-rígida forneceu,
conforme esperado, valores de frequências naturais menores do que os obtidos
com ligação rígida.
 Observa-se que a não consideração da rigidez da alvenaria resulta em
frequências naturais abaixo de 1Hz, o que segundo as normas vigentes faria com
que houvesse a necessidade da analise dinâmica da estrutura sob a ação do
vento. No entanto, com a consideração da rigidez da alvenaria as frequências
naturais apresentam valores acima de 1Hz, podendo ser considerada a ação do
vento como equivalente estático.

Os resultados comparativos entre o modelo II e o modelo com diagonal


equivalente corrigida para ligação rígida no exemplo de edificação 2 permitem concluir
que este último modelo, pela simplificação introduzida na modelagem, é um modelo
aceitável para análises de estado limite de utilização também para essa edificação.

84
Capítulo 6 – Conclusões

Neste capítulo são apresentadas as considerações finais sobre o estudo realizado,


bem como as conclusões obtidas pelas análises das modelagens numéricas dos 2
edifícios em concreto armado. Finalmente, fazem-se sugestões para o desenvolvimento
de trabalhos futuros.

Foi realizado um estudo paramétrico para pórticos em concreto armado com


dimensões usuais. Estes pórticos foram analisados isoladamente e depois preenchidos
com painéis de alvenaria com blocos cerâmicos e blocos de concreto simulados com
elementos finitos de casca sem e com aberturas, adotando diferentes ligações estrutura x
painel. Posteriormente foram criadas diagonais modeladas com elementos finitos de
barra simulando os painéis de alvenaria (diagonal equivalente). Para a alvenaria em
blocos cerâmicos foi adotado módulo de elasticidade igual a 2000 MPa e para alvenaria
em blocos de concreto, 7000 MPa, ambos sendo considerados de forma isotrópica. Com
base nos resultados apresentados para os painéis modelados com diagonais e para os
painéis modelados com elemento de casca, obtiveram-se coeficientes de ajuste das
diagonais, com o intuito de aproximar os resultados dos modelos com diagonais aos
modelos com placa para as ligações rígida e semi-rígida.

Verificou-se que o método da diagonal equivalente para simulação de painéis de


alvenaria apresentou resultados satisfatórios nos pórticos simulados no que diz respeito
a rigidez lateral. Os valores encontrados sugerem um funcionamento intermediário entre
o modelo de paredes rígido e o semi-rígido (o modelo descolado no topo apresentou
valores semelhantes aos do modelo semi-rígido). Claramente o painel de alvenaria
enrijeceu os pórticos, com incrementos de rigidez lateral que chegaram a cerca de 20
vezes no caso de alvenaria cerâmica modelada de forma rígida e 60 vezes no caso de
alvenaria de blocos de concreto modelada de forma rígida.

Com o objetivo de avaliar a influência dos painéis de alvenaria no


comportamento global (características dinâmicas) de edificações em concreto armado
para diferentes concepções estruturais, foram estudados dois tipos de edifícios, e foram
novamente simulados os painéis de alvenaria de blocos cerâmicos e de blocos de

85
concreto. No exemplo de edificação 1 a concepção estrutural é tradicional, com pórticos
bem definidos nas duas direções em planta que conferem estabilidade global à
edificação. As alvenarias estão distribuídas preferencialmente no interior da edificação.
Já no exemplo de edificação 2 a concepção estrutural é mais atual, com lajes apoiadas
em vigas existentes somente na periferia e caixas de elevador e escada, com alvenarias
apoiadas somente sobre estas vigas.

No exemplo de edificação 1 acontecem diversos tipos de aberturas em painéis de


alvenaria diferentes dos padrões estudados no capitulo 3. Acredita-se que este fato tenha
influenciado na correlação de valores de frequências naturais entre o modelo com
diagonais e o modelo com paredes em ligação rígida. Para valores abaixo de 1Hz,
importantes para definir a necessidade de análise dinâmica para ação de vento, a
consideração da parede na modelagem na modelagem do edifício aumentou a
frequência do modo de vibração de flexão longitudinal em 208% para Ealv=2000 MPa, e
325% para Ealv=7000 MPa. Os modelos com diagonais corrigidas simulando os painéis
com Ealv=7000 MPa apresentaram diferenças em torno de 10% a 20% em relação ao
modelo II com painéis de alvenaria (Modelo 2A). Já os modelos com diagonais
corrigidas simulando os painéis com Ealv=2000 MPa apresentaram melhores resultados,
com diferenças de 3% a 8%.

No exemplo de edificação 2, mesmo ocorrendo consideração da alvenaria


somente na periferia e nas caixas de elevador e escada houve razoável acréscimo nas
frequências naturais do edifício, chegando a incrementos em torno de 100 % para todos
os modos de vibração dos modelos com Ealv=7000 MPa, e 60% para os modelos com
Ealv=2000 MPa.

O modelo com diagonal equivalente corrigida para ligação rígida representou


bem o modelo II para os dois valores dos módulos de elasticidade da alvenaria, com
valores mais próximos para Ealv=2000 MPa, do que para Ealv=7000 MPa .

Com base nos estudos realizados na presente dissertação, são apresentados os


seguintes tópicos como sugestões para trabalhos futuros:

86
 Ensaios de pórticos de concreto armado preenchidos com blocos
cerâmicos e blocos de concreto destinados a vedação em escala natural
submetidos a carregamentos laterais, com o intuito de avaliar o
comportamento do conjunto, sobretudo no que diz respeito aos
deslocamentos, resistência a compressão e módulo de elasticidade das
paredes de alvenaria.
 Investigar a ligação alvenaria x estrutura de concreto, de maneira a
estabelecer coeficientes de rigidez normal e cisalhante para estas
ligações.
 Elaborar modelos mais refinados, com interação solo-estrutura e
consideração da alvenaria como um material ortotrópico, entre outros.

87
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