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ESTATUTO DO DESARMAMENTO (10.

826/03)
CRIMES DE PERIGO
 Concreto: É preciso comprovação de que o bem juridicamente protegido
foi exposto a perigo

 Abstrato: São crimes que se caracterizam pela simples prática de uma


conduta prevista como infração, sem necessidade de existência de uma
situação concreta que demonstre a exposição do bem protegido a perigo.

COMPETÊNCIA

Embora tenha sido discutido o conflito de competência no TJ-RJ, o STF


decidiu que a competência para atuar nos crimes do estatuto é da Justiça
Estadual. “O bem protegido é a segurança pública, a incolumidade pública, e,
portanto, trata-se de direito da coletividade, não da União”.

POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO

Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda
no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do
estabelecimento ou empresa:

Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

OBS: Acessório é qualquer objeto que, acoplado à arma, melhora seu


funcionamento, eficácia ou precisão. Ex: silenciador, mira.

OBS 2: Partes da arma não são considerados acessórios, bem como o coldre
da arma

OBS 3: O STF firmou entendimento no sentido de considerar crime a conduta


de portar arma de fogo desmuniciada, afirmando que não se pode negar que
uma arma de fogo, transportada pelo agente na cintura, ainda que
desmuniciada, é propícia, por exemplo, à prática do crime de roubo, diante do
seu poder de ameaça e de intimidação da vítima.

OMISSÃO DE CAUTELA

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que


menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se
apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua
propriedade:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

OBS: O crime existe ainda que o menor já tenha adquirido capacidade civil pela
emancipação

OBS 2: Não é necessário parentesco entre os sujeitos.

OBS 3: Neste crime não se admite tentativa em razão do seu elemento subjetivo
ser a culpa e por ser crime omissivo impróprio.

OBS 4: A jurisprudência afirma que é necessário o apoderamento da arma para


consumação, porém, a doutrina entende que não é necessária tal situação para
consumação por se tratar de crime de perigo abstrato.

OBS 5: Caso a conduta de deixar a arma seja feita dolosamente, a conduta se


enquadra no art. 16, parágrafo único, V.

OBS 6: É o único artigo do estatuto o qual apenas faz referência a arma de fogo
em si, excluindo seus acessórios.

PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 13

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor


responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de
registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo
ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam
sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

OBS: O artigo caracteriza a ocorrência do crime quando o proprietário ou


responsável deixa de prestar ocorrência e de comunicar à Polícia Federal. A
doutrina majoritária entende que a falta de qualquer uma das comunicações já
caracteriza o crime, sendo acompanhada pela jurisprudência.

Há precedentes em sentido contrário, os quais afirmam que uma das


comunicações já afastam a tipicidade do crime

OBS 2: É chamado de “crime a prazo”, pois exige que se passem 24 horas após
a ciência do fato.

PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,


transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar,
manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando


a arma de fogo estiver registrada em nome do agente.

OBS: A este crime se aplicam todas as observações feitas sobre o artigo 12, se
diferindo apenas sobre o elemento espacial, pois a posse é na residência ou
estabelecimento comercial se o agente for proprietário ou responsável; já o porte
é caracterizado quando a arma se encontre fora desses lugares mencionados.

OBS 2: Em relação ao exame pericial na arma de fogo, há precedentes que


afirmam que a falta de exame pericial torna o fato atípico. Porém, prevalece o
entendimento que a falta do exame não afasta o crime.

OBS 3: Porte de arma e homicídio – Prevalece o entendimento de que haverá


concurso de crimes se constatada a posse anterior de arma de fogo. Caso seja
comprovado que a arma foi adquirida exclusivamente para o crime de homicídio,
poderá ocorrer a absorção.
OBS 4: Em caso de porte simultâneo de armas, entende-se que caracteriza
crime único, sendo necessária a consideração do fato em questão para a
dosimetria da pena.

Disparo de arma de fogo

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou


em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa
conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável.

OBS: É crime de perigo abstrato, ou seja, o disparo não precisa causar situação
concreta de perigo

OBS 2: Somente se caracteriza em local habitado e suas adjacências ou em via


pública ou em direção a ela, se o local é ermo e desabitado, o fato é atípico.

OBS 3: É crime subsidiário, pois somente é aplicado se o disparo não tem como
finalidade a prática de outro crime

POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar,
manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso
proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação


de arma de fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la
equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar
ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz;

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário,


sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar;

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com


numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido
ou adulterado;

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,


acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de


qualquer forma, munição ou explosivo.

OBS: As condutas equiparadas do parágrafo único se aplicam às armas de uso


restrito e permitido.

OBS 2: É crime hediondo

Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em


depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de
qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade
comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito


deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio
irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
OBS: O sujeito ativo do crime é somente o comerciante ou industrial de arma de
fogo, acessório ou munição, abrangendo o comércio legal ou ilegal (armeiro de
fundo de quintal)

OBS 2: Não é crime habitual, e sendo assim não é necessária a repetição


reiterada para que se configure o crime

TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território


nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem
autorização da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

OBS: É o único crime do estatuto de competência da Justiça Federal

OBS 2: O favorecimento é considerado crime formal, ou seja, não se exige a


efetiva entrada ou saída da mercadoria

ADIN 3112

Esta Ação Direta de Inconstitucionalidade determinou ser inconstitucional


o art. 21 do Estatuto que estabelece “ Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18
são insuscetíveis de liberdade provisória”; e a inafiançabilidade dos crimes dos
artigos 14 e 15.