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NPJ

ESTADO DO PARÁ
DEFENSORIA PÚBLICA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA
COMARCA DE BELÉM – ESTADO DO PARÁ

LIDIANIE GONÇALVES NERY, brasileira, solteira, Assistente Social,
portador(a) da carteira de identidade n.º 221379 e do CPF n.º 453.182.202-15,
Fone: (91) 98162-4580, e-mail lidianienery@hotmail.com, residente e domiciliado(a)
no(a) Travessa José Pio, n° 187, Bairro Umarizal, CEP 66050-240, nesta cidade,
vem, por intermédio da Defensoria Pública do Estado, em cooperação com o NPJ-
ESTÁCIO/FAP propor a presente AÇÃO DE INTERDIÇÃO COM PEDIDOD DE
CURATELA PROVISÓRIA, em face de sua filha, THAIS NERY DE SOUSA,
brasileira, solteira, estudante, portador(a) da carteira de identidade n.º 7202570 e
do CPF n.º 007.640.902-32, Fone: 98162-4580, residente e domiciliado(a) no(a)
mesmo endereço da Requerente, pelos motivos de fato e de direito a seguir
expostos.

DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

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Tv. Padre Prudêncio, nº. 154, Belém/PA, 66.019-000. Telefone/Fax: (91)3201-2700
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Inicialmente pleiteia os benefícios da Justiça Gratuita assegurado pela
Constituição Federal, artigo 5º, LXXIV, Lei Federal 1.060/50, e artigos 98 e 99, § 3º,
do CPC/15, por não ter condições de arcar com as custas processuais e honorários
advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de suas famílias, conforme atestado
de hipossuficiência econômica em anexo.

DAS PRERROGATIVAS LEGAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA

A DEFENSORIA PÚBLICA possui as prerrogativas legais da dispensa
de apresentação de mandato e prazos em dobro, intimação pessoal mediante
entrega dos autos com vista, além de outras, (cf. Lei Complementar Federal n.º
80/94; Lei Complementar Estadual n.º 54/2006; Lei n.º 1.060/50; e CPC/15).

DA LEGITIMIDADE ATIVA

2. DA NECESSIDADE DA TUTELA ANTECIPADA

Requer a Antecipação da tutela nos termos do art. 273, CPC, diante de
incapacidade física e mental da Interditanda, sendo totalmente dependente em
relação ao aprendizado, a fala e em relação a coordenação motora, precisa de
ajudar para se locomover, não tendo condições físicas e mentais de ficar se
locomovendo até a escola e nas terapias.
Assim sendo, diante da urgência do caso, necessário se faz a concessão tutela
antecipada, com a imediata nomeação de sua mãe a Sra. LIDIANIE GONÇALVES
NERY como sua curadora, com a expedição imediata do termo de tutela provisória,
única forma de evitar prejuízos irreversíveis ao paciente.

DOS FATOS

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Requerente é mãe da interditanda, e cuida sozinha de sua filha desde
o seu nascimento.

A Interditanda, após ser acometida por uma doença no momento do
seu nascituro, acabou tendo paralisia cerebral e cominou em transtorno expressivo
de linguagem, passou a sofrer incapacidade de suas faculdades físicas e mentais,
pois a mesma não possui capacidade para se deslocar sozinha, possui dificuldades
cognitivas na fala e escrita acometendo a coordenação motora, conforme se
constata no atestado anexo CID F80.1 + G 80.

Registre-se que a senhora LIDIANIE GONÇALVES NERY exerce os
devidos cuidados necessários para com a saúde da Interditanda, sendo ela
dependente dela para os mais simples atos da vida cotidiana, portanto, é pessoa
mais indicada para cuidar dos seus interesses.

Informa-se que a Interditanda não possui qualquer patrimônio, tendo
apenas seus objetos pessoais, pois trata-se de uma jovem de 19 anos e cursa o
primeiro ano do ensino médio e possui o acompanhamento de um tutor em suas
atividades escolares.

Assim é que a Requerente, com os devidos documentos que atestam
o perfeito estado físico e psicológico, depois de cumpridas todas as formalidades
legais de praxe e comprovada que a Interditanda não pode atualmente reger-se sem
ajuda, vem requerer a sua.

DO DIREITO

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O Código Civil Brasileiro trata a matéria nos artigos 1.767 ao 1.783 e
art. 1.783-A, estatuindo todos os termos da interdição, tratando da curatela e
também da tomada de decisão apoiada, tudo com as alterações da Lei n.º
13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência, que impactou profundamente o
conceito de capacidade civil, reconstruindo e ampliado o mesmo, inaugurando um
sistema normativo inclusivo.
Em verdade, o objetivo do estatuto foi homenagear o princípio da
dignidade da pessoa humana, com objetivo de fazer com que a pessoa com
deficiência deixasse de ser rotulada como incapaz, para ser considerada – em uma
perspectiva constitucional isonômica – dotada de plena capacidade legal, ainda que
haja necessidade de adoção de institutos assistenciais específicos, como a tomada
de decisão apoiada e a curatela, para a prática de atos na vida civil.
Nessa nova perspectiva a pessoa com deficiência é aquela que tem
impedimento de natureza física, mental, intelectual ou sensorial e não deve ser mais
considerada civilmente incapaz, vez que a deficiência não afeta a capacidade civil
da pessoa.

Ainda que, para atuar no cenário social, precise se valer dos institutos
assistenciais e protetivos como a tomada de decisão apoiada ou a curatela, a
pessoa deve ser tratada, em perspectiva isonômica, como legalmente capaz.
O Código de Processo Civil/2015 trata a matéria no artigo 747 e
seguintes ( Procedimento de Jurisdição Voluntária – Da Interdição).

Assim constata-se a possibilidade jurídica do pedido e a subsunção
dos fatos à legislação civil, sendo o/a Requerente legitimado(a) para propor a ação,
salientando-se a necessidade de ser o/a Demandante curador(a) do Interditando.

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DA NECESSIDADE DA TUTELA PROVISÓRIA / CURATELA PROVISÓRIA/
TUTELA DE EVIDÊNCIA

Pelo que já exaustivamente mencionou-se nesta, verifica-se que o (a)
Requerente, além de ter direito previsto, pretende também a curatela provisória da
Interditanda tendo em vista que é pessoa de conduta séria e ilibada, pretensão esta
que é inteiramente passiva de receber deferimento pelas informações
retromencionadas.

Face a necessidade da antecipação de uma tutela, pode-se pugnar
pela TUTELA PROVISÓRIA, que será de EVIDÊNCIA, por razões de que o objeto
posto ao judiciário tem grande possibilidade de êxito, tudo em razão da petição
inicial ser instruída com prova documental suficiente dos fatos, conforme art. 311,II,
CPC/2015 e seu parágrafo único.

Portanto, uma vez que o processo de interdição tem o fim precípuo de
proteger a pessoa e os interesses do (a) Interditando (a), e tendo em mente que o
(a) mesmo (a) necessita desde logo da nomeação de quem a represente civilmente,
é medida de direito a decretação liminar da interdição.

DO PEDIDO

Diante de todo o exposto, requer:

1. Os benefícios da Justiça Gratuita, nos termos da Lei nº 1.060/50;
2. Seja dispensada a juntada de instrumento de mandato, bem como
seja esta Defensoria intimada pessoalmente de todos os atos do processo,

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contando-se em dobro todos os prazos, (cf. Lei Complementar Federal n.º 80/94;
Lei Complementar Estadual n.º 54/2006; Lei n.º 1.060/50; e CPC/15);

3. O deferimento liminar da CURATELA
PROVISÓRIA, nomeando NOME DA REQUERENTE, para o encargo, mediante a
lavratura dos respectivos termo e compromisso.
4. Intimação do Ilustre Representante do Ministério Público para
intervir em todos os procedimentos do feito;
5. A realização de audiência para o interrogatório da Interditanda,
garantindo-lhe o direito de eventual impugnação;

6. Ao final, que seja julgado totalmente procedente o pedido para
decretar a definitiva interdição de NOME e SOBRENOME, designando a
Requerente NOME e SOBRENOME Curadora da Mesma.

Pretende provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

Dá-se à causa o valor de R$ 880,00.

Nesses termos,

Pede deferimento.

Belém,

Defensor Público

Documentos acostados à inicial:
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a) Declaração de hipossuficiência;
b) RG, CPF e Comprovante de Residência da Requerente;
c) Declarações de Idoneidade Moral da Requerente;
d) Atestado de Sanidade Física e Mental da Requerente;
e) RG, CPF, Título de Eleitor (original) e Certidão de Nascimento da Requerida;
f) Atestado de Insanidade Física e Mental da Requerida;
g) Declaração de anuência da genitora da Requerida.

RELAÇÃO DE QUESITOS A SEREM QUESTIONADOS EM EXAME PERICIAL

1. A interditanda é portadora de alguma enfermidade ou debilidade física e
mental?
2. Caso a resposta do item 1 seja positiva, a patologia apresentada é capaz de
impedir que a interditanda possua o necessário discernimento para os atos da
vida civil? O impedimento é total ou parcial? Se parcial, para quais atos?
3. Outrossim, a incapacidade apresentada possui caráter transitório ou
permanente?

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