You are on page 1of 14

RITA DE CÁSSIA SOARES DA SILVA

8049271

Licenciatura em Pedagogia

EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA REFLEXÃO SOBRE O PAPEL DA ESCOLA
NA EDUCAÇÃO E NA SOCIALIZAÇÃO DE IRMÃO GÊMEOS

Rita de Cássia Soares da Silva - 8049271

Orientadora: Prof.ª Vera Lucia de Faveri F. e Silva

SÃO PAULO

2018

1

Como resultado. este artigo tem como objetivo contribuir para a reflexão e análise das relações fraternas. buscamos com esse trabalho permear o universo da educação infantil na dimensão dos irmãos gêmeos. Palavras-chave: educação infantil. O papel da escola e as relações sociais que lá ocorrem. nos depararmos com elementos deste universo. considerando alguns aspectos da formação da identidade e de como as relações interpessoais são importantes no sentido de colaborarem ou não para um desenvolvimento pleno e seguro destes irmãos. considerando irmãos gêmeos no contexto da educação infantil. que nos possibilitaram uma reflexão sobre o papel do educador. abordando algumas características deste grupo. Nesta perspectiva. socialização. são de extrema importância na formação do indivíduo.EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA REFLEXÃO SOBRE O PAPEL DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO E NA SOCIALIZAÇÃO DE IRMÃO GÊMEOS RESUMO Fundamentado na pesquisa de revisão bibliográfica. assim como os desafios encontrados no contexto da competitividade. da comparação e do estereótipo. irmãos gêmeos. 2 .

Perceber as relações fraternais é. Muitas inquietações a respeito de como devemos conduzir a educação de irmãos gêmeos permearam este trabalho. são pontos de partida que devem direcionar as práticas pedagógicas. P. nos conduz a compreender a pertinência deste trabalho. quando tratamos de educação infantil todo um universo de especificidades se descortina e encontramos inúmeras possibilidades de estudo.394 de 20 de dezembro de 1996. tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. brincar. como podemos contribuir para melhor desenvolvimento e socialização de irmãos gêmeos? O papel da escola e as relações sociais que lá ocorrem. 29: “A Educação Infantil. é refletir sobre um dos momentos mais importantes na formação do indivíduo como cidadão. Em especial.49 O presente artigo. em seus aspectos físico.INTRODUÇÃO Estudar educação infantil. Refletir de forma articulada sobre os estudos teóricos neste contexto. que possam conduzir a criança à construção do conhecimento. que o interesse pelo tema surgiu a partir das próprias experiências e angústias da autora como mãe de gêmeos. são de extrema importância na formação do indivíduo. expressar e conhecer-se. De acordo com a Lei nº 9. participar. tem como objetivo principal proporcionar uma análise reflexiva para as relações fraternas. da mesma forma? O que devemos conhecer para melhor compreendermos esse universo no contexto da escola? No entanto para melhor compreensão do tema proposto a pergunta que direciona este artigo se refere à: No papel de educadores. na educação infantil. complementando a ação da família e da comunidade” (Lei 9394/ 96. intelectual e social. Poucos são os trabalhos desenvolvidos acerca da socialização de irmãos gêmeos nesta etapa. proporcionando um espaço para vivências. entre elas: Qual é a melhor forma de conduzirmos a educação fraterna nos primeiros anos de vida? Devemos ou não separar irmão de gêmeos de sala? Como deve ser abordado o tema socialização entre irmãos? Irmãos gêmeos se desenvolvem física e cognitivamente. primeira etapa da educação básica. Art. explorar. Sabemos que conviver. psicológico. considerando irmãos gêmeos no contexto da educação infantil. artigo 29). portanto de extrema importância para o educador. 3 . focadas no campo das experiências. Vale ressaltar também.

que a partir de uma inquietação ou indagação. fontes científicas que são livros. sites. Um dos procedimentos utilizados atualmente. propõe a realização de um levantamento bibliográfico. Esse pressuposto no orienta ao caminho exploratório- descritivo da pesquisa bibliográfica. pois associa a ação e o pensamento já que “nada pode ser intelectualmente um problema se não tiver sido. teses e dissertações. para qualquer tipo de pesquisa. dois propósitos. também podem ser utilizadas as fontes de divulgação de ideias. tenha a devida credibilidade naquilo que se propôs a apresentar A revisão bibliográfica. que deve ser percorrido e explorado de forma clara. 2001. podemos entender que a pesquisa bibliográfica. que nos permita refletir sobre a educação infantil no contexto de irmãos gêmeos. 2001) Sendo assim estabelecer os procedimentos metodológicos. Este trabalho. recorreremos a Zilma de Moraes Ramos de Oliveira. sistematizada e com detalhamento das fontes a serem utilizadas. com objetivo de compreendermos os fundamentos da educação infantil. apresenta de acordo com Alves-Mazzotti (2002). um problema da vida prática” (MINAYO.se. permitindo assim a articulação com o tema 4 . é uma tarefa importante e definitiva para que o trabalho. vídeos e etc. O material coletado. Buscaremos em Vygotsky e Luria & Yudovich.METODOLOGIA Definir como direcionar um trabalho exige do pesquisador um olhar cauteloso. é uma ação científica. Fato que ocorre devido a não percepção de que realizar uma revisão bibliográfica é a base. deve ter como procedência. artigos. um deles é a contextualização do problema e o outro é análise das possibilidades para a organização do referencial teórico. pois via de regra pode-se perder o rigor científico. então obrigatório compreender que a pesquisa bibliográfica se refere a um conjunto de procedimentos organizados que não pode ser aleatório e que tem como foco o objeto de estudo em questão (LIMA. As bibliografias que nos apresente o universo dos irmãos gêmeos. MIOTO. neste caso revistas. 17). em primeiro lugar. embasamento teórico e compreensão do aprendizado e desenvolvimento. durante a investigação dos assuntos. 2007) Logo. Para tal. que não raro confunde-se apenas ao limiar da revisão de literaturas ou textos. pois estas nos guiarão em todo o processo de desenvolvimento e análise da pesquisa. p. é conhecido como pesquisa bibliográfica. dá substrato à construção do processo de ensino e até reconstrução de uma realidade. em suas obras: Educação Infantil: fundamentos e métodos e também Educação Infantil: muitos olhares. Faze. (MINAYO.

psicolinguística e educação. mas nem por isso menos relevante. com direitos e necessidades”. 2015).50 Desafios surgem diariamente no universo da educação infantil e sob esta ótica. formam a base estrutural da educação infantil e são elementos essenciais para o direcionamento e para assegurar. proporcionando um espaço para vivências e relacionamentos. que possam conduzir a criança à construção do conhecimento. apontam para a riqueza do universo e da comunicação infantil. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Alicerçamos a reflexão sobre o tema proposto. As crianças “são aquelas “figurinhas” curiosas e ativas. p. temos uma questão pouco explorada. hoje. (DAMASCENO. Atualmente. solidariedade (intelectual e comportamental) e senso crítico (autonomia. segundo Vieira (2011) as técnicas de reprodução assistida. considerando inicialmente que fundamentos éticos. assim como teses e dissertações. pensamento divergente). Estima-se que o número de gestações múltiplas aumentou em 30% nos últimos 20 anos. vale ressaltar que a infância não é uma etapa da vida composta por passividade e nem tão pouco a criança deve ser definida com um ser frágil. contribuíram para um aumento das gestações gemelares. quando nos diz que: Na educação infantil. Sendo assim a escola deve buscar uma aproximação cultural.proposto. Muitas pesquisas na área da psicologia.45) Zilma de Moraes Ramos de Oliveira. Neste pressuposto. mas também alcançar os objetivos de aprender e desenvolver. p. nos auxilia e compreender melhor os aspectos desta fase. podemos considerar que além das questões que abordam o indivíduo nas dimensões da vida em sociedade dentro e fora do ambiente escolar. políticos e estéticos. que é a compreensão do universo dos irmãos gêmeos. 2011. não só o direito à educação. em seu livro Educação Infantil: fundamentos e métodos. por consequência também houve um aumento no número de irmãos gêmeos em idade escolar. busca-se ampliar certos requisitos necessários para adequada inserção da criança no mundo atual: sensibilidade (estética e interpessoal). publicados e já revisados. (OLIVEIRA. será baseada artigos científicos. onde a linguagem e a cognição sejam também elementos estruturais para o desenvolvimento do indivíduo em cada fase da sua vida. 5 .

figuras bíblicas que aparecem em Gênesis. Seu início ocorre no momento do nascimento e no caso dos gêmeos. na mitologia e até mesmo em obras de ficção em novelas. considerada a mais importante do ciclo vital. demanda do professor um olhar sensível e pontual..30) Isto posto. 6 . P. nos apresenta um olhar relevante onde. podemos discutir que apesar dos vínculos fraternos. pois ela defende a. (SILVEIRA. Cosme e Damião entre outros. 2012). séries e livros. nos alertam sobre os riscos de tratarmos as concepções sobre os gêmeos de forma generalizadas e estereotipada. essa relação torna-se um vínculo ainda mais evidente. Apesar do exposto acima. o que nos parece uma reflexão lógica. denominado. no meio social e ainda apresenta um olhar para essa questão. o desenvolvimento se constrói na e pela interação da criança com outras pessoas de seu meio ambiente. particularmente com aquelas mais envolvidas afetiva e efetivamente em seu cuidado. pois nele encontramos os elementos necessários para o desenvolvimento de forma integral. reforça a ideia de que o homem se desenvolve a partir da sua interação com as pessoas. Dias e Fonsêca (2013). Partindo desta premissa. (OLIVEIRA. que proporciona a convivência entre as crianças da mesma faixa etária. os irmãos Corso da obra de Alexandre Dumas. apoiada nos estudos de Vygotsky. (2009. para melhor compreensão sobre a questão do desenvolvimento no contexto dos irmãos gêmeos. que é onde os irmãos estão inseridos e se constitui em uma das mais duradouras relações. Segundo ela.] aquisição de conhecimentos como um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida.. não estando pronto ao nascer. 2002) No entanto Oliveira (2009). na religião. Rômulo e Remo que de acordo com a mitologia são os fundadores de Roma. pois o processo de individualização está demarcado pela sensibilidade do educador em perceber como se desenvolve cada um dos irmãos. A exemplo temos os irmãos Esaú e Jacó. Sendo assim. Vieira e Branco (2010). que representam o mito do signo de gêmeos. a curiosidade e o interesse pelos gêmeos e nos lembra que na história da humanidade essa condição fraterna aparece nas fábulas. nem sendo adquirido passivamente graças as pressões do meio. [. Castor e Pólux. o ambiente da escola é considerado um ótimo local para proporcionar interação dos irmãos para além do subsistema. ressaltam que não é recente. devemos estar atentos ao subsistema familiar. fraterno ou fratia.

durante três meses esses irmãos foram separados e apenas um recebeu um cuidado especial. apresentavam problemas de atraso no desenvolvimento oral e toda a convivência dos mesmos se reduzia a interação entre os irmãos e ao núcleo familiar. 1987) 7 . David et al. Eles demonstram o quanto o professor deve estar atento aos processos culturais e de linguagem na organização do pensamento. O neuropsicólogo de origem russa. VISSCHER. HAY. realizada com gêmeos univitelinos. no irmão que passou por um processo de treinamento e (re) educação. Em caso de separação a relação fraterna dos gêmeos os conduziria a um estresse e de certa forma até uma angústia que poderia impactar negativamente no desenvolvimento de ambos. no texto “O vínculo entre irmãos”. sem dúvida. (1987) publicou um pequeno livro. em suas pesquisas constataram que irmãos gêmeos que ficam juntos na pré-escola. Alexander Romanovich Luria foi. não representaria de acordo com as autoras. ambos melhoraram o desenvolvimento linguístico. Um outro dado apresentado é que. um dos principais pesquisadores dos processos psíquicos do século XX. apud RODRIGUES. focado em treinamento verbal. Adriana Oliveira e Maria Cerveny (2010). Os gêmeos aos cinco anos de idade. onde apresenta a sua pesquisa acerca de linguagem e desenvolvimento intelectual. A separação conduziu os irmãos a buscarem novas formas de comunicação e curiosamente. YUDOVICH. pode-se notar uma alteração na estrutura oral e principalmente na compreensão verbal. não é garantia para um melhor desempenho e nem tampouco ao fracasso ou dificuldades no desenvolvimento. Seus trabalhos são estudados e revisitados. Elas afirmam que a relações entre irmãos não podem ser associadas de forma exclusiva a ambientes compartilhados ou não. 2014). 2007. (WEBBINK. (LURIA. Juntamente com Yudovich. até os dias de hoje. Sendo assim. apresentam maiores chances sucesso acadêmico. do que os que foram separados de forma impositiva. Esses dados. (2007). Alguns estudos afirmam que manter irmãos gêmeos na mesma sala de aula. se justifica pelo fato de que haverá maior equilíbrio emocional. reforçam a percepção que a separação dos gêmeos. além de inúmeros progressos nas operações cognitivas. um problema já que ambientes escolares em sua maioria podem não ser totalmente desligados. são importantes não apenas para a discussão sobre mantermos irmãos gêmeos separados ou não. O fato de irmãos estarem ou não na mesma sala de aula.

seja na escola ou em outro ambiente. p. ” (2007. se apropria da ideia de que não existe um conhecimento já pronto. permitindo uma melhor percepção do mundo e até uma mudança na visão do mesmo. no interior da criança. elementos que de forma articulada. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia”. No universo infantil.100) 8 . pois é a partir da internalização dos signos socialmente construídos que as funções intrapsicológicas se constituem o que vem a ressaltar a gênese social da consciência humana. Podemos entender. o que para Vygotsky se define como função interpsicológica. Isto é pais e professores. Com base neste pressuposto. primeiro. Como podemos perceber. eles estão em constantes processos de mudança. que o processo de desenvolvimento e aprendizado ocorre em primeiro lugar. 2007). no nível intelectual. Na sequência a função intrapsicológica ocorre no interior da criança. podem certamente chegar a um denominador comum. CERVENY. o desenvolvimento e o aprendizado do homem acontecem quando estamos em contato com o outro. Para que isso ocorra é necessário que se estabeleça uma interação entre as pessoas. 94). Essas informações auxiliam na reorganização dos significados. papel fundamental no desenvolvimento humano. no nível social. as opiniões se dividem. vai buscar em Vygotsky (2006). já que o tempo todo os indivíduos recebem novas informações. sempre considerando que a criança é também um sujeito histórico. “todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro. depois. considerando inclusive a relação parental. (VYGOTSKY. na interação da criança com o outro. (OLIVEIRA. ” (1994. depois. Pois Vygotsky. respeitando o espaço e as necessidades de cada um. Nos parece que o mais importante é observarmos o relacionamento e as especificidades dos irmãos. podem contribuir na compreensão o universo dos irmãos gêmeos. entre pessoas e. Para Vygotsky. p. não existe um consenso para definir qual é a melhor alternativa. pois conforme Vygotsky. 2010). portanto. e. portanto. 2007. exercem. p. a criança aprende quando se relaciona em seu ambiente uma vez que. (VYGOTSKY. Neste ponto o presente trabalho. 57-58). Zanella observa que: “Essas interações que o indivíduo estabelece com as pessoas que o cercam. “o aprendizado das crianças começa muito antes de elas frequentarem a escola.

que combinadas estruturam o processo de formação de identidade no contexto do universo escolar. No entanto cabe a escola oportunizar essa interação. p. adultos e crianças que. ainda nos lembra que a escola é um ambiente propício para o desenvolvimento cognitivo. podem ser ricas no sentido de que proporcionam identificação e aproximação. 2012) logo. MARTUCELLI. nos diz. professores e comunidade escolar. 1996.62) Sendo assim. 30) Na proposta de reflexão sobre a importância do papel da escola na socialização e na educação de irmãos gêmeos. 62. 2014) 9 . que vai além dos adultos. desde o nascimento. sentir e sua visão do mundo. É através da interação com outras pessoas. 2012. se pensarmos nas relações fraternais. pensar. não podemos deixar de pensar no pressuposto de Vygotsky. (DUBET. (OLIVEIRA. p. ” (OLIVEIRA. quando ele nos mostra que são os desafios apresentados nas interações das crianças com diferentes pessoas nas mais diversas realidades desde o seu nascimento que as conduz ao desenvolvimento e não as necessidades básicas naturais. seu conhecimento. 2009. uma vez que a mesma não se encontra alheia aos diversos contextos que acompanham o percurso das crianças neste ambiente. nos conduz quase que de forma imediata a pensarmos sobre a construção identitária. que: “Especial importância é atribuída então ao fator humano presente no ambiente. pois as experiências das crianças umas com as outras. apud LIMA. ainda a partir do pensamento de Vygotsky. participa ativamente da formação da identidade do sujeito. na dimensão de seus pares. o bebê vai construindo suas características: modo de agir. Oliveira. São essas experiências individuais ou em conjunto. pois neste espaço ocorrem mediações e relacionamentos que vão mobilizar processos externos e internos que juntos desencadearão a aprendizagem e o desenvolvimento do intelecto. p. Vygotsky (2007). criem e desenvolvam seus próprios laços e relacionamentos. por consequência geram um ambiente que favorece para que os irmãos gêmeos. elas por si só não poderiam sobrepor as relações interpessoais com os sujeitos do ambiente escolar. (OLIVEIRA. O tema socialização. Podemos de certa forma compreender que a experiência vivida na escola.

seus valores e a forma como percebem e reagem ao comportamento dos filhos. 2010. (…) e outras crianças com quem convivem” (Vieira e Branco. (Stewart. pode estar diretamente ligada a relação parental em forma de tríade. ou seja. acabam de forma imperativa influenciando na construção da identidade dos gêmeos. colegas de sala. Por fim. de acordo com Tourette (apud Cherro. Neste caso. Um exemplo do exposto acima. os grupos de socialização. no entanto vale refletir sobre a ótica de autores como Stewart (2003) que apresenta e defende que a gemelaridade pode ser definida como um fenômeno construído socialmente. no caso na construção da identidade dos irmãos. “professores. p 582). apud Vieira e Branco. onde cada irmão disputa com seus amigos de classe e com o próprio irmão. São as crenças dos pais. Se durante a vida escolar as crianças vão construindo as bases da sua identidade a partir da socialização. Não se pretende discutir aqui as questões genéticas e biológicas intrinsicamente associadas aos gêmeos. que por consequência apoiam e auxiliam na construção das identidades. Vieira e Branco (2010). ainda ressalta que as experiências dos irmãos. são estruturadas por meio das expectativas que os grupos sociais. devemos também em nosso caminho de reflexão. tanto na escola como no ambiente doméstico. é como as pessoas de modo geral possuem uma visão de que a gemelaridade obrigatoriamente é um fator de aproximação entre esses irmãos. cada gêmeo competindo. 2010). citamos aqui a questão da competitividade. tanto individualmente como mutuamente. cabe um olhar para refletirmos sobre a questão dos gêmeos neste processo. pensarmos a respeito das características que definem as relações gemelares. No que se diz respeito a competitividade. 1992). por exemplo pela atenção do seu pai e/ou sua mãe. também as atitudes e expectativas dos professores em relação as ações que acabam por via de regra participando na construção do próprio indivíduos. 2003. Neste ponto o papel do professor é importante. Entre várias. pois pode reforçar este sentimento de competição ou 10 . crenças e práticas de socialização de gêmeos monozigóticos”. Harris (2007. o que se pensa sobre o que é “ser irmão gêmeo” tem influência nas relações interpessoais com esses irmãos e a partir deste pressuposto deles com o mundo. da comparação e do estereótipo. A competição. 2010a:584). cada irmão procura alguém com que poderá ou deverá competir. citada por Vieira e Branco. em seu trabalho “Cultura. nos leva a crer que sim. Esta tríade permanece na escola. pois segundo as autoras.

já que a construção social se dá de alguma forma. “o mau” e popularidade para o rótulo positivo. 2003 Segal e Russel (1992. Uma delas é que existe um estereótipo de que um irmão gêmeo sempre saberá e compreenderá o que o outro irmão sente. a tratando-os como os dois indivíduos e não uma unidade. é muito comum que os gêmeos sejam rotulados como um sendo “bonzinho” e o outro “levado”. para além da dupla. além das próprias descobertas e necessidades. “alto e baixo”. via de regra encontramos os rótulos. mais uma vez recorrendo no erro de tratar os irmãos como unidade e não como indivíduo. neste universo. apresentam uma outra questão além da competitividade: a comparação. Segundo os autores a comparação é um dos motivos que levam as escolas a optarem por manter gêmeos em classes separadas. Logo é relevante minimizarmos essas expectativas enfrentarmos esses desafios a partir da compreensão de que é necessário perceber os irmãos gêmeos como os indivíduos. Ainda em Stewart (2003). Neste cenário tão desafiador a questão da gemelaridade. comparação e estereotipagem.ao contrário pode conduzir as angústias. que normalmente envolvem questões emocionais. Apesar do biológico. Esses rótulos podem trazer uma sensação de desprestígio para o rótulo negativo. “o bom”. (STEWART. uma vez em muitos casos. pode levar os irmãos a um processo de ansiedade e confusão. Neste caso cabe aos educadores um olhar sensível. “gêmeo” também acaba sendo entendido quase como um sinônimo para “idêntico”. principalmente no que se diz respeito a educação infantil. Juntamente com a competição. (Stewart. Esta representação. 2003). CONCLUSÃO 11 . os gêmeos são indivíduos que se veem constantemente. 2003:268). apud Stewart. Ela existe dentro e fora da dimensão escolar e pode ser de natureza pedagógica ou social. pode e deve ser equaciona pelos profissionais envolvidos. confrontados com as expectativas de terceiros. encontramos uma discussão sobre os estereótipos. ou apelidados como “gordo e magro”. um como “o sociável” e o outro como “o sério”. Vale ressaltar que constantemente se pratica erro comum quando se pensa em gêmeos. inclusive para propor uma separação de classe se for o caso. Neste contexto.

se cruzam com as ciências das humanidades que nos apresentam o fenômeno dos irmãos gêmeos como um processo de construção não só do indivíduo e das suas identidades. mas também professores. Ao nos depararmos com elementos deste universo. São muitas as possibilidades e desafios que se apresentaram durante o percurso da leitura e do desenvolvimento deste trabalho. pode contribuir de forma singela para a construção conhecimento ainda emergente sobre as relações fraternas gemelares. Esta reflexão permanece quando abordamos algumas características deste grupo. REFERÊNCIAS 12 . ou não. No entanto. No entanto. A relações fraternas neste trabalho. possibilitando abertura para novas pesquisas. apresentadas pelo prisma da gemelaridade. nos possibilitou uma discussão sobre a vantagem ou a desvantagem de mantermos ou não irmãos gêmeos na mesma sala de aula. que envolvem não só os irmãos. além de nos auxiliar a pensarmos nos irmãos gêmeos como indivíduos e não como uma unidade. De fato. que se socializa e se desenvolve a partir do meio em que convive. pude encontrar um apoio para articulação do tema. Acredito que o trabalho proposto. aparece em sua grande maioria nas áreas da medicina e psicologia. Embora a genética e os aspectos biológicos estejam presentes. uma vez que essas características somadas ao ambiente se traduzem no comportamento e ações. nos traz uma oportunidade de refletirmos sobre o papel no educador neste contexto e também. foi possível conduzir uma reflexão sobre alguns aspectos da formação da identidade e de como as relações interpessoais são importantes no sentido de colaborarem ou não para um desenvolvimento pleno e seguro destes irmãos. como podemos contribuir para a socialização dos irmãos no âmbito da educação infantil. estas bases científicas. a gemelaridade como objeto de estudo. nos permitem um olhar para o sujeito histórico. a comparação e o estereótipo. amigos e comunidade escolar. devemos estar alertas ao papel docente neste processo. Isto. como a competitividade. Isto porque foi necessário um determinado esforço para escolha das bibliografias que na sua maioria não são de pesquisadores brasileiros. mas também. foi possível identificar alguns trabalhos nacionais e com base nestes autores.

1997. Gêmeos: o que dizem os pais.senado. PREEDY.S..S. 82. DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.M.T. D.pt/bitstream/10071/9177/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Vanessa. C. LURIA. OLIVEIRA. p. desenvolvimento e aprendizagem.397-403. L. São Paulo: Scipione. 37-45 200 LURIA. Tese (Mestrado em Sociologia). S. N. p. MACHADO. DIAS. v. Infant Mental health Journal. R. 2002. LIMA. São Paulo: Cortez.leg. DAVID. Z. 25-44 BRASIL. M. A. volume 13. na escola e no grupo de pares. p. OLIVEIRA. Lisboa. Early Human Development.L. São Paulo: Cortez. K. A. 2005. A. Taubaté. V. M. Tríade de contato íntimo: apego entre mães e filhos gêmeos.. p. 2018. N.57-63. método e criatividade. Katál.S. CHERRO. 2014.ALVES-MAZZOTTI. 1992. Os processos de autonomização identitária dos irmãos gémeos: Trajetos na família. A Psicologia Experimental e o Desenvolvimento Infantil. (org). Quality of Bonding and Behavioural Differences in Twins. Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional. n.B. 2015. D. R. irmãos e eles próprios? Curitiba: CRV. A “revisão bibliográfica” em teses e dissertações: meus tipos inesquecíveis – o retorno.206-210. In: BIANCHETTI. LIMA. M. M. A bússola do escrever: desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações.. Rio Claro. DAMASCENO. jan/jun. L.iscte iul.S. 1994. técnica e arte: o desafio da Pesquisa Social. LEONTIEV. Ciência. Instituto Universitário de Lisboa.M. Rev. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico. MIOTO. M. Florianópolis v. MINAYO. 10. São Paulo: Ícone.394..9. Acesso em 30 de abril de 2018. Qualidade do ensino na educação infantil: um estudo a partir dos documentos do ministério da educação. (Org. Linguagem. Revista de Biociências. esp. Meeting the educational needs of multiple birth children.. (Org. Educação infantil: fundamentos e métodos. 2006.pd./70320/65. 2001. Disponível em: https://repositorio. Petrópolis: Vozes. 13 .1. J. 2013 HAY. C. 10 n.C.). https://www2. 2000.A. A. C. A. In: ______.M. R.) Pesquisa social: teoria. In: VIGOTSKI. FONSÊCA C. 09-30. São Paulo: Cortez. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. 2006.C.br/bdsf/botstream/handle/id.Limpo.. LEI Nº 9. Zilma Ramos de. P. OLIVEIRA. ed. Acesso em 01 de maio. R. p. Educação Infantil: muitos olhares. p.

93-112. p. L. O vínculo entre irmãos. Dissertação (Mestrado). v. meio-irmãos e coirmãos: A dinâmica das relações fraternas. Porto Alegre. Journal of Educational and Psycholigical Consultation. Zona de Desenvolvimento Proximal: Uma análise teórica de um conceito em algumas situações variadas. A. Curitiba. Linguagem.M. Aprendizagem e Desenvolvimento Intelectual na Idade Escolar. RODRIGUES. Psicologia em Revista. O relacionamento fraterno e suas características ao longo do ciclo vital da família.A. 10ª ed. 2002. A. n 3. VIGOTSKY. São Paulo. BRANCO. STEWART.M.L. Twins in the classroom: school policy issues and recommendetion. In: WAGNER. 2007. p.br/bitstream/handle/10183/115812/000963592. Florianópolis. Disponível:http://www. Família em cena: tramas. C. Irmãos ao longo da vida: construindo uma memória compartilhada – compartilhando uma memória construída. 7ª ed. S. M. In: VIGOTSKI. ZANELLA. Disponível em: www. 236f. 16. 97-110. N.OLIVEIRA.. L.L. p. A. 297f. Idênticos e diferentes: crenças. In: Irmãos. Acesso em 05 de maio. G.O.pdf. acesso em 01 de maio.O. OLIVEIRA.). S. SILVEIRA. Brasília: Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde – Universidade de Brasília... CERVANY. 2010. L. crenças e práticas de socialização de gêmeos monozigóticos. Belo Horizonte. Tese (Doutorado). Solange Castro Afeche. Tradução de José Cipolla Neto. 3.pdf. PUC-SP. p.twinslaw. E.com/Twins_Reseach__files/Twins%20in%20Classroom %20School%20Policy%20Issu es%20and%20Recommendations. SP: Ícone. 14 . SEGAL. São Paulo: Martins Fontes.Universidade Federal de Santa Catarina. 2018.M. Temas em Psicologia. New York: Palagrave Macmillan. São Paulo: Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. dez 2010. 2010. desenvolvimento e aprendizagem. Petrópolis: Vozes. L. VIEIRA. A. N. A. A formação social da mente. VIEIRA. A (Coord. 2018. 2011.B. 1992. O. Cultura. U. Percepções de gêmeos acerca de estudar ou não na mesma turma.2003.64-84.lume.. Luís Silveira Menna Barreto. LURIA.. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia). A. 2000. A. práticas e interações na socialização de crianças gêmeas. Exploring Twins: towards a social analysis of twinship. M. VIGOTSKII. LEONTIEV. 2006. no2. RUSSEL. J. 1994.ufrgs. V. 575-575. Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. R. dramas e transformações.A.