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CONFLITO CURDO-IRAQUIANO

O conflito curdo-iraquiano consiste em uma série de guerras e revoltas, que começaram


na década de 1960 com o retorno de Mustafa Barzani do exílio e a erupção da Primeira
Guerra Curdo-Iraquiana. Apesar das tentativas de resolver o conflito através do
fornecimento de uma autonomia reconhecida aos curdos no Norte do Iraque (Curdistão
iraquiano), as negociações fracassaram em 1974, resultando na retomada das
hostilidades, conhecida como a Segunda Guerra Curdo-Iraquiana, o que resultou no
colapso das milícias curdas e a reconquista do norte do Iraque pelas tropas do governo.
Como resultado, Mustafa Barzani e a maioria da liderança do Partido Democrático do
Curdistão fugiram para o Irã, enquanto a União Patriótica do Curdistão obtinha poder
com o vácuo. A partir de 1976, as relações entre o PDC e a UPC rapidamente se
deterioraram, atingindo o clímax em abril de 1978, quando as tropas da UPC sofreram
uma grande derrota para o PDC, que teve o apoio de forças aéreas iranianas e
iraquianas.

O conflito ressurgiu como parte da Guerra Irã-Iraque (1980-1988), com os partidos


curdos colaborando contra Saddam Hussein, e o PDC também ganhando apoio militar
da República Islâmica do Irã. Em 1986, a liderança iraquiana se cansou do
fortalecimento e da não-lealdade da entidade curda no Norte do Iraque e começou uma
campanha de genocídio, conhecida como Al-Anfal, para expulsar os combatentes
curdos e se vingar contra a população curda - um ato frequentemente descrito como um
genocídio curdo com 150.000 a 200.000 vítimas.

Em 1991, na sequência da Guerra do Golfo, uma série de insurreições abalaram o


Iraque, embora apenas os curdos conseguiram alcançar um status de autonomia
reconhecida dentro de uma das zonas de exclusão aérea iraquianas, criada pela coalizão.

Na década de 1990, o conflito entre o PDC e o UPC irrompeu mais uma vez, resultando
em uma guerra civil sangrenta, que terminou em 1997. As conquistas mais valiosas do
povo curdo ocorreu em 2003 e 2005, quando, portanto, o regime de Saddam Hussein foi
derrubado, como parte da invasão do Iraque em 2003 (com assistência dos peshmergas)
e a autonomia curda ganhou reconhecimento pelo novo governo iraquiano.
Curdos no Iraque

Os curdos liderados por Mustafa Barzani estiveram em luta contra os sucessivos


regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um plano de
paz contemplando a autonomia curda. O plano seria implementado em quatro anos. No
entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas
regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin. O acordo de paz não durou, e em 1974,
o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os curdos. Além disso, em março
de 1975, Iraque e Irã assinaram o Pacto de Argel, de acordo com o qual o Irã cortava
suprimentos para os curdos iraquianos. O Iraque iniciou outra onda de arabização
enviando árabes para os campos de petróleo no Curdistão, particulamrnete aos arredores
de Kirkuk. Entre 1975 e 1978, duzentos mil curdos foram deportados para outras
regiões do Iraque.

Durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, o regime implementou políticas


anticurdos e uma guerra civil de facto eclodiu. O Iraque foi amplamente condenado pela
comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios opressivos que
utilizou tais como assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição
generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o
centro do Iraque. A campanha do governo iraquiano contra os curdos em 1988 foi
chamada Anfal ("Pilhagem de Guerra"). Os ataques Anfal levaram à destruição duas mil
aldeias e entre 50 e 100 mil curdos foram mortos.

Após o levante curdo de 1991 (em curdo: Raperîn) liderado pela União Patriótica do
Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas
recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram pelas
fronteiras. Para suavizar a situação, uma "zona de exclusão" foi estabelecida pelo
Conselho de Segurança da ONU. A região autônoma curda ficou sendo controlada
principalmente pelos partidos rivais UPC e PDC. A população curda recebeu com
prazer as tropas americanas em 2003. A área controlada pelas forças curdas foi
expandida, e os curdos agora têm o controle efetivo em Kirkuk e em partes de Mosul.
No início de 2006, as duas regiões curdas foram unidas em uma região unificada. Uma
série de consultas populares está agendada para 2007, para determinar as fronteiras
definitivas da região curda.
Curdistão iraquiano

O Curdistão iraquiano, conhecido localmente como Região do Curdistão (em curdo:


Herêmî Kurdistanî; em árabe: ‫إقليم كردستان‬, transl. Iqlīm Kurdistān) ou Curdistão do Sul
(curdo: ‫باشووری کوردستان‬, Başûrî Kurdistan) é uma região federal autônoma[1] do Iraque.
Faz fronteira com o Irã a leste, a Turquia a norte, a Síria a oeste e com o resto do Iraque
no sul. Sua capital é a cidade de Arbil (curdo: Hewlêr). A região é governada
oficialmente pelo Governo Regional do Curdistão.

A fundação da Região do Curdistão no Iraque data do acordo de autonomia feito em


março de 1970 entre a oposição curda e o governo iraquiano, após anos de combates
pesados. Mesmo após o acordo, no entanto, as guerras entre o Curdistão e o Iraque
tiraram boa parte da soberania que os curdos gozavam anteriormente. A Guerra Irã-
Iraque, durante a década de 1980, e a campanha genocida em Anfal do exército
iraquiano devastou a população do território, e após a revoltas de 1991 contra Saddam
Hussein os curdos foram forçados a fugir do país e se tornarem refugiados nas regiões
fronteiriças no Irã e Turquia. A criação da zona de tráfego aéreo interditado, após a
Guerra do Golfo (1991) facilitou o retorno destes refugiados, e o Curdistão obteve uma
independência de facto. A invasão do Iraque de 2003 e as mudanças subsequentes no
Iraque pós-Saddam levaram à ratificação da nova constituição iraquiana, em 2005,
estipulando que o Curdistão iraquiano é uma entidade federal reconhecida pelo Iraque e
pelas Nações Unidas.

O Curdistão é uma democracia parlamentar, com uma assembleia nacional com 111
cadeiras.[2] Seu presidente atual é Massoud Barzani, eleito durante as eleições locais
(realizadas a cada quatro anos) de 2005. As três províncias de Duhok, Arbil e
Sulaymania abrangem um território de cerca de 40.000 quilômetros quadrados, e uma
população de entre 4 e 6,5 milhões de habitantes. Ainda existem disputas entre o
governo central iraquiano e o governo do Curdistão a respeito de territórios de maioria
curda fora das fronteiras atuais do Curdistão iraquiano.

Como uma das principais forças econômicas do Iraque, o Curdistão tem as mais baixas
taxas de pobreza e o mais alto padrão de vida do país.[3] É a região mais estável e segura
do Iraque, e nenhum soldado estrangeiro estacionado ali foi morto, ferido ou
sequestrado desde a invasão do país, em 2003.[4] O território mantém suas próprias
relações estrangeiras, e hospeda consulados e escritórios de representação de diversos
países, entre eles as Nações Unidas, o Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Israel e
Turquia.[5]
Uso de armas químicas contra iraquianos marcou operação Anfal
da BBC Brasil

A Operação Anfal, na qual ocorreram crimes que estão levando o ex-presidente


iraquiano Saddam Hussein a julgamento, ficou conhecida como a primeira vez na
história em que um país usou armas químicas contra seu próprio povo.
Sob o comando do primo de Saddam, Ali Hassan Majid – o "Ali Químico", que também
senta no banco dos réus em Bagdá – o Iraque lançou gás mostarda e sarin contra áreas
curdas, diz a organização americana de defesa dos direitos humanos Human Rights
Watch. Cerca de 50 mil, e possivelmente até 100 mil pessoas morreram nos ataques
realizados entre fevereiro e setembro de 1988, disse a organização, que publicou um
amplo relatório sobre a operação cinco anos depois do ocorrido.
A Human Rights diz que dois mil vilarejos foram destruídos, assim como dezenas de
cidades e centros administrativos, incluindo o de Qala Dizeh, onde moravam sete mil
pessoas.

"Problema curdo"

As nove etapas da operação Anfal (que significa "Espólios de Guerra") tiveram como
objetivo resolver o que o governo iraquiano chamava de "problema curdo".
Desde que assumiu o poder, em 1968, o partido Baath, de Saddam Hussein, de
orientação pan-arabista, via na população curda do país uma ameaça à unidade nacional.
Além disso, o presidente iraquiano acreditava que os curdos estavam ajudando o seu
inimigo, o Irã, com o qual o Iraque travou uma guerra entre 1980 e 1988.
As primeiras medidas tomadas em Bagdá forçavam curdos a deixar suas casas e se
mudar para a chamada "Região Autônoma Curda". A partir do censo nacional de 1987,
alegando medidas de contra-insurgência contra rebeldes independentistas, o governo
iraquiano começou a demarcar "áreas proibidas" dentro da zona autônoma. "Os
residentes dessas 'zonas proibidas' eram curdos que, depois do censo de outubro de
1987, foram definidos como não-iraquianos, e traidores. Em 1988, eles estavam
marcados para morrer", disse a Human Rights Watch.

PUK

Em fevereiro de 1988, o Exército iraquiano lançou a operação Anfal com o assalto a


uma base do partido União Patriótica Curda (PUK). Depois, dirigiu-se ao sul do país,
encontrando pouca ou nenhuma resistência."Residentes das áreas curdas foram
arrastados pelas patrulhas da Anfal, detidos em campos temporários de identificação e
registro, e então levados a locais de execução fora da área curda. Eram sumariamente
executados e enterrados com escavadeiras", relatou a organização. "Os poucos que
conseguiam evitar as patrulhas e procuraram refúgio nas cidades e complexos
residenciais eram perseguidos, presos, e também executados."
Segundo ativistas de direitos humanos, a maioria dos curdos perseguidos era civil. "O
tratamento dado àqueles leais ao governo não era diferente, o que mostra que a política
oficial não se baseava em lealdade política, e sim em etnia." O pior incidente – que
tecnicamente não faz parte da Anfal e será julgado por outro tribunal – foi em Halabja.
A cidade havia sido capturada por rebeldes curdos apoiados pela Guarda Revolucionária
Iraniana. Em 16 de março, a cidade foi bombardeada com gases sarin, tabun e VX.
Cerca de cinco mil civis morreram na operação. Em setembro de 1988, o governo
iraquiano decretou uma "anistia" para os curdos. Mas, segundo a Human Rights Watch,
os sobreviventes da operação Anfal nunca foram autorizados a retornar a suas casas.