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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA 1ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE PAULISTA-PE.

Processo nº 0002207-69.2011.8.17.1090

JALISON JOSE BARBOSA, devidamente qualificado no processo em epígrafe,


vem respeitosamente e com devido acatamento à presença de Vossa Excelência, por intermédio
de seu procurador, consubstanciado nas disposições emergentes do artigo 5º, inciso LXVI, da
Constituição Federal1, artigo 321 e seguintes, do Código de Processo Penal 2, dentre outras
disposições legais aplicáveis ao caso sub examem, submeter à apreciação deste Douto Juízo, o
presente PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA 3, decretada por força do
disposto nos artigos 310, inciso II, 312 e 313, inciso III, todos do Código de Processo Penal, e/ou,
se for o caso, lhe seja concedida sua LIBERDADE PROVISÓRIA o que faz pelos motivos de fato
e de direito a seguir aduzidos:

1. BREVE SUMÁRIO PROCESSUAL

No bojo dos aludidos autos, este é o resumo:

Preso em flagrante em 22.03.2011 (custodiado até a presente data). A sua denúncia foi
recebida em 18/04/2011, e, de fato, finalizada a instrução criminal com sua prenuncia em
02/03/2018, os autos se encontram conclusos para o julgamento em plenária, após cumprimento
do disposto no art. 422 do CPP, desde 09/05/2018.

1
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

2
Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória,
impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282
deste Código.

3
Art. 316 - O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como
de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.
Diante do exposto, evidenciamos:

a. O exorbitante excesso de prazo para eventual formação de culpa, isto é, PRESO POR MAIS
DE 7 ANOS. Fato que caracteriza CONSTRANGIMENTO ILEGAL;

b. A PRISÃO CAUTELAR COMO EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA QUE SEQUER FOI


IMPOSTA;

2. DO MERITO

2.1 DO EXCESSO DE PRAZO PARA O TÉRMINO DA AÇÃO PENAL. CONSTRANGIMENTO


ILEGAL CONFIGURADO

O encerramento na instrução criminal significa que o réu esteja na iminência de receber do


Estado a prestação jurisdicional, consubstanciada numa sentença. Há julgados que reputam
encerrada a instrução a partir de quando o processo alcança a fase de alegações finais. Outros se
contentam com a oitiva das testemunhas da acusação.

NO CASO DOS AUTOS, ENTRE A DENÚNCIA E A PREVISÃO DO JULGAMENTO EM


PLENÁRIA EXISTE UM CRESCENTE E DESARRAZOADO LAPSO TEMPORAL!!!

Por essa razão, a aplicação quase que automática da Súmula 52-STJ pode propiciar, em
determinadas situações, violação ao princípio da razoável duração do processo, aninhado no art.
5º, LXXVIII, da Constituição Federal.
Atento a isso, o STJ vem, paulatinamente, flexibilizando o teor da Súmula 52, reconhecendo
eventual excesso de prazo mesmo nos casos em que a instrução esteja encerrada.

Neste sentido, temos:

HABEAS CORPUS. CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. TESES DE EXCESSO DE PRAZO NA


FORMAÇÃO DA CULPA E AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DA PRISÃO
PREVENTIVA (ART. 312 DO CPP). RÉU PRESO EM FLAGRANTE EM 17/12/2009. INSTRUÇÃO
ENCERRADA NO ANO DE 2013. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
FLEXIBILIZAÇÃO DA SÚMULA 52 DO STJ.
PREJUDICADA A ANÁLISE DO SEGUNDO FUNDAMENTO APRESENTADO NESTE
WRIT.CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO.
1. É sabido que, encerrada a fase instrutória, tem aplicação a Súmula 52 deste Tribunal
Superior; tal entendimento, contudo, deve ser mitigado, visando atender aos princípios da
razoabilidade e da dignidade da pessoa humana, na medida em que é direito do acusado
ser julgado em prazo razoável ou ser posto em liberdade.
2. No presente caso, as informações constantes nos autos dão conta de que se trata de uma ação
penal com apenas um único réu, que foi preso em flagrante em 17/12/2009, pela suposta prática
do crime de tráfico de drogas, com denúncia recebida em 24/2/2010, interrogatório do réu colhido
somente em 16/4/2013 - 3 anos e 4 meses após a da data da prisão -, alegações finais
apresentadas pelo Parquet em 10/10/2013 e conclusos ao Juízo desde a data de 17/11/2016, sem
que, até o presente momento (ano de 2017), fosse entregue a prestação jurisdicional.
3. Assim, resta evidenciado o reclamado constrangimento ilegal, à vista do excesso de prazo no
julgamento do paciente.
4. Fica prejudicada a análise quanto ao outro fundamento - ausência dos requisitos autorizadores
da prisão preventiva -, em razão do reconhecimento do constrangimento ilegal por excesso de
prazo.
5. Ordem concedida para relaxar a prisão do paciente, por excesso de prazo, nos autos da
Ação Penal n. 42-71.2010.8.06.0126/0, em trâmite perante a 2ª Vara Criminal da comarca de
Mombaça/CE, se por outro motivo não estiver custodiado.

(STJ - HC 169.327/CE, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
27/06/2017, DJe 01/08/2017)

É cediço que a questão do excesso de prazo está relacionado com o direito de o réu preso ser
julgado (ter definida sua situação) no tempo mais breve possível, em homenagem ao princípio do
devido processo legal, dentro de um parâmetro de razoabilidade.

Porquanto, é importante destacar o art.5º, inciso LXXVIII da CF/88 “a todos, no âmbito judicial e
administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação.”

A REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA PARA FAZER CESSAR CONSTRANGIMENTO


ILEGAL, EM VIRTUDE DE EXCESSO DE PRAZO, É MEDIDA DE JUSTIÇA!!!

Neste sentido o STF entende:

E M E N T A: “HABEAS CORPUS” – PRISÃO CAUTELAR QUE SE PROLONGA POR MAIS DE


07 (SETE) ANOS – PACIENTES QUE, EMBORA PRONUNCIADOS, SEQUER FORAM
SUBMETIDOS, ATÉ O PRESENTE MOMENTO, A JULGAMENTO PERANTE O TRIBUNAL DO
JÚRI – INADMISSIBILIDADE – EXCESSO DE PRAZO CARACTERIZADO – SITUAÇÃO QUE
NÃO PODE SER TOLERADA NEM ADMITIDA – DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO DE
QUALQUER RÉU, MESMO TRATANDO-SE DE DELITO HEDIONDO, A JULGAMENTO PENAL
SEM DILAÇÕES INDEVIDAS NEM DEMORA EXCESSIVA OU IRRAZOÁVEL – DURAÇÃO
ABUSIVA DA PRISÃO CAUTELAR QUE TRADUZ SITUAÇÃO ANÔMALA APTA A
COMPROMETER A EFETIVIDADE DO PROCESSO E A FRUSTRAR O DIREITO DO ACUSADO
À PROTEÇÃO JUDICIAL DIGNA E CÉLERE – PRECEDENTES (RTJ 187/933-934, Rel. Min.
CELSO DE MELLO – HC 85.237/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.) – MAGISTÉRIO DA
DOUTRINA (Odone Sanguiné, José Rogério Cruz e Tucci, Luiz Flávio Gomes e Rogério Lauria
Tucci) – OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE, DE LESÃO EVIDENTE AO “STATUS LIBERTATIS” DOS
PACIENTES EM RAZÃO DE OFENSA À CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 5º, INCISO
LXXVIII), À CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (ARTIGO 7º, n. 5) E AO
PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS (ARTIGO 9º, n. 3) – PARECER DO
MINISTÉRIO PÚBLICO PELA CONCESSÃO DA ORDEM – “HABEAS CORPUS” DEFERIDO. –
Nada pode justificar a permanência de uma pessoa na prisão, sem culpa formada, quando
configurado excesso irrazoável no tempo de sua segregação cautelar (RTJ 137/287 – RTJ
157/633 – RTJ 180/262-264 – RTJ 187/933-934), considerada a excepcionalidade de que se
reveste, em nosso sistema jurídico, a prisão meramente processual do indiciado ou do réu,
mesmo que se trate de crime hediondo ou de delito a este equiparado. – O excesso de
prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto,
de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu –, traduz situação anômala
que compromete a efetividade do processo, pois, além de tornar evidente o desprezo
estatal pela liberdade do cidadão, frustra um direito básico que assiste a qualquer pessoa:
o direito à resolução do litígio sem dilações indevidas (CF, art. 5º, LXXVIII) e com todas as
garantias reconhecidas pelo ordenamento constitucional, inclusive a de não sofrer o
arbítrio da coerção estatal representado pela privação cautelar da liberdade por tempo
irrazoável ou superior àquele estabelecido em lei. – A duração prolongada, abusiva e
irrazoável da prisão cautelar de alguém ofende, de modo frontal, o postulado da dignidade
da pessoa humana, que representa – considerada a centralidade desse princípio essencial
(CF, art. 1º, III) – significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor-fonte que conforma e
inspira todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País e que traduz, de modo
expressivo, um dos fundamentos em que se assenta, entre nós, a ordem republicana e
democrática consagrada pelo sistema de direito constitucional positivo. Constituição Federal
(Art. 5º, incisos LIV e LXXVIII). EC 45/2004. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Art.
7º, ns. 5 e 6). Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (Art. 9º, n. 3) Doutrina.
Jurisprudência. (Grifos Nossos).

(STF - HC 142177, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 06/06/2017,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-212 DIVULG 18-09-2017 PUBLIC 19-09-2017)

POR FIM, DEVE-SE PREZAR O DIREITO CONSTITUCIONAL, POIS NINGUÉM SERÁ


PRIVADO DA LIBERDADE SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL. A MANUTENÇÃO DESTA
MEDIDA DESTOA DOS PADRÕES DA RAZOABILIDADE, POIS NÃO HÁ QUALQUER
PLAUSIBILIDADE EM SE MANTER ENCARCERADO O REQUERENTE HÁ MAIS DE 7
ANOS!!!

3. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer:

3.1 Seja REVOGADA A PRISÃO PREVENTIVA, com fundamento no artigo 5º, incisos XXXV, LIV
e LXVI da Constituição da República por CONSTRANGIMENTO ILEGAL POR EXCESSO DE
PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA, com devida expedição de ALVARÁ DE SOLTURA em favor
do acusado JALISON JOSE BARBOSA.

Termos em que,
Pede deferimento.

Paulista-PE, 19 de outubro de 2018.

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SILVIO BATISTA DA SILVA
OABPE 38925