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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ CURSO TÉCNICO DE PETRÓLEO

TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES INDUSTRIAIS

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CURSO TÉCNICO DE PETRÓLEO Professora: Msc. Marisa Soares Borges Universidade Federal do Paraná e-mail: marisa@ufpr.br 1. Identificação da disciplina 1.1 Tratamento de Água e Efluentes Industriais • O aluno deverá compreender a importância da água para a manutenção dos seres vivos no planeta, • Entender que os recursos hídricos são recursos naturais não renováveis e devem ser preservados usando racionalmente a água, tanto na vida diária bem como na indústria, como forma de desenvolvimento sustentável, • Conhecer os processos de tratamento de água e de efluentes líquidos utilizados. 2. Pré-requisito Química Geral Aplicada 3. Objetivos Gerais Fornecer ao aluno conhecimentos básicos de gestão ambiental, tratamento de água e efluentes industriais. • • • Objetivos do tratamento, Nível do tratamento, Estudos de impacto ambiental no corpo receptor, Compreender os princípios de um sistema de gestão ambiental na indústria, Como elaborar um programa de gestão ambiental e prevenção de poluição, Conhecer sistemas de tratamento para efluentes industriais (tratamento preliminar, tratamento primário, secundário, terciário). 4. Conteúdo programático • Conhecimentos básicos e aplicações de sistema de gestão ambiental (Legislação ambiental, ISO 14001, NBR 10004), desenvolvimento sustentável, • • • Estudo de impacto ambiental, Gerenciamento de resíduos, Prevenção de poluição, Telefone: 3361-3424 Celular: 99831624

3.1 Objetivos específicos • • •

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Principais tipos de efluentes industriais e formas de tratamento.

5. Metodologia de ensino Aulas expositivas, uso de projetor, multimídia, estudos dirigidos, seminários, espaço aberto para perguntas e sugestões. No decorrer do curso serão realizadas visitas a Indústrias para conhecer Estações de Tratamento de Efluentes. 6. Avaliação A nota final resultará da média ponderada seguinte: Média das provas + nota seminário + listas de exercícios (2Pr+1S+1L)/3,5 = NF 7. Recuperação (última avaliação) Será realizada através de prova escrita de todo o conteúdo programático. 8. Cronograma • Desenvolvimento sustentável, • • • Gestão ambiental na indústria, Prevenção de poluição, minimização de resíduos na fonte, Tratamento de efluentes industriais,

8.1 Tratamento de efluentes

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As águas superficiais possuem múltiplos usos. O controle através das análises físico-químicas normalmente não é suficiente porque as condições analíticas são limitadas. p. Alguns países do oriente médio já se encontram em situação crítica e até mesmo no Brasil. incluindo não somente as águas superficiais. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Em 1987 foi publicado o “Relatório Brundland” ou o “Nosso Futuro Comum” que apresentou a proposta do “Desenvolvimento Sustentável”.ufpr. 1995. Em 1992 foi realizada a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro conhecida como a ECO-92 que tratou da crise 1 . que interagem continuamente originando novas substâncias.br 1. sendo então definido como o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades”(BRÜSEKE.33). a água disponível para consumo humano se restringe a 0. A perspectiva é de que muitas disputas e guerras sejam deflagradas nos próximos anos devido à escassez de água. servindo para o abastecimento público. 2. Para garantir a qualidade das águas e seus múltiplos usos são necessárias medidas de proteção e controle. Indiretamente. O restante da água se encontra nos oceanos e nas geleiras.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.tecnicodepetroleo. são influenciadas por fontes difusas de poluição como agrotóxicos ou resíduos sólidos. considerando-se a existência de milhões de diferentes substâncias químicas no ambiente. a cidade de São Paulo entre outras cidades já começam a enfrentar situações de racionamento de água. A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA PARA A MANUTENÇÃO DA VIDA Calcula-se que 74% da superfície terrestre sejam constituídos de água.8% do total existente no planeta. que podem estar a uma profundidade de até 4. São diretamente utilizadas como receptoras de despejos industriais e domésticos. Por mais abundantes que pareçam os recursos hídricos na superfície da terra. mas também as subterrâneas.000 metros. processos industriais e agricultura. As cargas atmosféricas também atingem as águas pelas chuvas ou mesmo diretamente através da queda de partículas em suspensão.

maior será a sua geração de resíduos. Essa crescente quantidade de esgoto urbano. cidadania. Quando se fala de desenvolvimento sustentável. Cada resíduo possui características específicas. O resultado é uma crescente deterioração nas condições ambientais com o aumento visível dos níveis de poluição. a maioria dos sistemas de esgotos existentes nas cidades brasileiras limita-se a despejar os resíduos brutos nos corpos de água. Na maioria dos casos. 2 . cultural e físico.br ambiental e suas repercussões nos diferentes âmbitos. Em geral. PROCESSOS DE TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Um dos principais problemas que qualquer cidade enfrenta é o da coleta e tratamento dos resíduos por ela gerados. gerado pelos grandes centros e depois lançados nas águas dos rios. Caso não ocorra uma profunda alteração da atual filosofia econômica. a contribuição mais otimista da sustentabilidade seria a de um adiamento da exaustão dos recursos. ainda hoje. tem que se considerar não só os aspectos materiais e econômicos. o volume de resíduos gerados supera. Quanto maior o número de pessoas que vivem em uma determinada cidade. socialmente aceitáveis e economicamente viáveis para o tratamento e a destinação final dos produtos gerados a partir dos esgotos sanitários. 3. Este encontro resultou na elaboração de um plano de ações necessárias à transição para um modelo “sustentável” de relação com o ambiente. em muito. a AGENDA 21. O “desenvolvimento sustentável” como uma solução para os problemas ambientais vem sendo discutida por diferentes segmentos da sociedade. durante muito tempo os investimentos foram realizados apenas para a construção dos sistemas de coleta. Com relação aos resíduos provenientes de esgotos sanitários.tecnicodepetroleo. a capacidade natural da assimilação do meio que circunda esses centros urbanos. moral) e o nível entrópico do sistema. valores da sociedade (ético. que levam à necessidade de diferentes formas de coleta.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. sendo responsáveis pelo agravamento dos problemas de poluição. mas o conjunto multifacetado que compõe o fenômeno do desenvolvimento: aspecto político. os quais repousam sobre parâmetros qualitativos tais como: harmonia social. representa um grande desafio para os pesquisadores e as autoridades no sentido de proporem alternativas seguras. tratamento e disposição. social.ufpr.

a cor e a turbidez indicam o estado de decomposição do esgoto. Odor. Matéria não sedimentável: não sedimenta no tempo arbitrário de 2 horas. dos despejos admitidos. A forma mais utilizada para se medir a quantidade de matéria orgânica presente é através da determinação da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). O esgoto industrial é proveniente de processos industriais. maior a DBO do corpo d'água.tecnicodepetroleo. Matéria sedimentável: sedimenta em um período razoável de tempo (entre 1 e 2 horas). Quanto maior o grau de poluição orgânica. geralmente é composto de sólidos dissolvidos. Os odores característicos dos esgotos são causados pelos gases formados no processo de decomposição.coagulantes . Variação de vazão. da extensão da rede coletora e do estado de conservação da mesma.br 3. em função de sua origem. que indica o grau de poluição de uma água residual. só será removida por processos de oxidação biológica e de coagulação. Cor.ufpr. da hora de produção ou amostragem. A composição e função de tecnologia e do produto podendo variar de orgânico a mineral.são adicionadas a água com a finalidade de se juntar ou combinar com a matéria em suspensão decantável e com a matéria não decantável e com a matéria coloidal. com isso se formam os 3 . qualidade do material empregado e principalmente da natureza da indústria. as características químicas são de origem de matéria orgânica e inorgânica. seguida de sedimentação. Turbidez. Possui características variáveis. A variação da vazão dependerá do tipo de rede. 3.1 Água residuárias ou esgoto: é o líquido conduzido pelas canalizações de esgotamento das comunidades. Características físicas: Teor de matéria sólida.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.2 Coagulação e precipitação química: é a operação pela qual as substâncias químicas formadoras de flocos .

3.3 Remoção dos sólidos grosseiros em suspensão: é feita através de crivos.br agregados às partículas em suspensão.ufpr. desintegradores. as partículas são aceleradas por uma força centrífuga. os flocos. as substâncias químicas adicionadas são solúveis e reagem com as substâncias químicas do esgoto. a remoção de óleos e graxas são feitos em tanques de retenção de gorduras. a adição de cal em esgotos contendo ferro.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. lagoas de estabilização.4 Remoção do odor e controle de doenças: deve ser feita cloração. grades. por exemplo. digestão e secagem do lodo e sistemas compactos (decantação e digestão). eletrodiálise. as substâncias dissolvidas são retiradas da solução. decantação intermediária.5 Tratamento primário: decantação.7 Tratamento terciário: são as chamadas lagoas de maturação. geralmente bolhas de ar ou compostos químicos. tanques de flotação. 3. decantadores com removedores de escuma. cloração para desinfecção. Os coagulantes se precipitam depois de reagir com outras substâncias. utilização Eficiência da unidade: O tratamento preliminar é a remoção de sólidos grosseiros.tecnicodepetroleo. Na precipitação. produz flocos que sedimentam. 3. 3. remoção de nutrientes. remoção de areia. 4 . remoção de complexos orgânicos. troca iônica. os sólidos sedimentáveis são feitos com caixa de areia e centrifugadores. processo de lodos ativados. ozonização para desinfecção. osmose reversa. 3. A separação sólido-líquido por decantação centrífuga é semelhante a sedimentação por gravidade. remoção de nutrientes. água).6 Tratamento secundário: é feito através de filtração biológica. flotação (substâncias mais leves que a de reagentes químicos e instalações biológicas. remoção de gordura. maior que a aceleração da gravidade.

se a mesma está localizada às margens de um grande rio ou de um rio de pequena vazão.10 Lagoas anaeróbias: ocorrem sem a presença do oxigênio. 3. o tratamento poderá ser dispendioso dependendo do tratamento. lagoas facultativas.8 Tratamento do lodo: espeçamento. O lançamento de despejos industriais com características adversas ao equilíbrio biológico das lagoas de estabilização deverá ser submetido a um tratamento prévio antes de seu lançamento a rede de esgoto ou no corpo receptor. 5 .ufpr. OBJETIVOS DO TRATAMENTO DOS EFLUENTES INDUSTRIAIS As condições locais de uma instalação industrial mostram as necessidades do tratamento. 3. condicionada ao uso da água a jusante do ponto de lançamento. Toda água contaminada é água poluída. A característica da vida de um rio é expressa pela quantidade de oxigênio dissolvido no seu meio e por sua capacidade de reduzir a poluição orgânica através de processos naturais. filtração condicionamento térmico. condicionamento químico. filtração por prensagem. em particular. Dependendo da atividade industrial o rio será considerado poluído (sujo) ou contaminado (que transmite doenças). os microorganismos. 4.tecnicodepetroleo. centrifugação. a vácuo. físicos e bioquímicos. a remoção da matéria orgânica se dá através dos fenômenos de fermentação anaeróbia. os processos e a experiência dos profissionais. ou CO2 e água sob condições aeróbias. oxidação úmida.br 3.9 Lagoas de estabilização: onde a matéria orgânica é estabilizada pela ação das bactérias que produzem ácidos orgânicos sob condições anaeróbias. são os fenômenos de digestão ácida. O grau de tratamento necessário será sempre em função do corpo receptor e das características do uso da água. incineração. o objetivo do tratamento é evitar a poluição. portanto.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. digestão anaeróbia. as bactérias que necessitam de oxigênio dissolvido da água para sua sobrevivência (decomposição biológica) chamada autodepuração.

tecnicodepetroleo. Quando de areia. como neutralização prépode ser necessária é a contém óleo mineral caixa de gordura grandes dimensões tanque de formação tratamento do precipitado do pH. álcalis. Efluentes sanitários Processos 6 . neutralização. predominam compostos orgânicos o lodo decantado deve ser removido e disposto adequadamente Efluentes que Processos físicos Caixas separadoras Se o óleo estiver água/óleo emulsionado. ácidos. Efluentes contém coloidal. caixa peneiras. Efluentes contém pesados metais e físico-químicos que Processos químicos Tanques material e físico-químicos cor.ufpr. lagoa de DQO < ou = 3.0 Fossa séptica. necessária redução do pH.br Tabela1: Processos de tratamento de efluentes líquidos Indicação Efluentes contém flutuantes Tipo de processo que Processos físicos sólidos de Sistema de controle observação de poluição Grades. trocador de A iônico. turbidez. filtro Resíduo biológico. estabilização lagoas biodegradável DBO aeradas.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. de dos que Processos químicos Elevação sedimento filtração compostos insolúveis Efluentes contém cianeto Efluentes contém orgânica que Processos químicos Oxidação química que Processos matéria biológicos Lodo ativado.

lago ou mar. enquanto que. que vão desde o tamanho macroscópico. forma-se um lodo de partículas insolúveis. apresenta ainda uma DBO muito alta (centenas de miligramas por litro) e é prejudicial para a biota. Cerca de 30% da DBO da água residual é removida no processo do tratamento primário. ou de 5. a água do esgoto torna-se mais clarificada. que é retirada da superfície. forma-se uma camada superficial de um líquido oleoso (produtos formados pela reação do sabão com os íons de cálcio e magnésio) menos denso do que a água. Sistema de Canalização Sanitária: O esgoto bruto recebe este tratamento. incluindo areia e lodo. No fundo da lagoa. na maioria das vezes é incinerado ou enviado para aterro sanitário. este lodo mesmo sendo rico em nutrientes para as plantas. A alta DBO devese principalmente à presença de partículas orgânicas coloidais. porém. pode conter metais pesados e outras substâncias tóxicas. na parte superior.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. 5. Na fase de tratamento secundário ou biológico. o qual. no entanto. mesmo sendo essa fase do procedimento de natureza totalmente mecânica.ufpr. O componente principal do esgoto. Após a passagem do lodo através do tratamento primário convencional.1 Tratamento primário (ou mecânico) de águas residuais: são removidas as partículas maiores.tecnicodepetroleo. seja rio. grande parte do material orgânico em 7 . além da água é a matéria orgânica de origem biológica.br biológicos Efluentes domésticos Processos biológicos Lagoas estabilização aeróbias facultativas. Ocorre na forma de partículas. até as de tamanho microscópico e que se encontram na água em suspensão na forma de colóides. antes de ser depositado em fonte de águas naturais. O lodo das fases primária e secundária do tratamento está constituído principalmente por água e matéria orgânica e da remoção de água sobrenadante. o que permite o fluxo lento através de telas e ao longo de uma lagoa.

são removidos produtos químicos específicos das águas parcialmente purificadas. o tratamento terciário pode incluir alguns ou todos os seguintes processos: • Redução da DBO por remoção da maior parte do material coloidal remanescente.1 Cloração ou irradiação com luz UV: Em alguns casos. a água produzida pelo tratamento secundário é desinfetada antes de ser bombeada para um curso de água local.tecnicodepetroleo. Com o objetivo de possibilitar as reações conduzidas pelos microorganismos. é biologicamente oxidado por microorganismos até dióxido de carbono e água. a vida aquática pode ser mantida. mantendo-se de forma deliberada no sistema uma alta concentração de organismos aeróbios. a água é aspergida sobre um leito de areia e pedregulho ou sobre um plástico coberto por bactérias anaeróbias. Em alguma extensão. ou é bem agitada em um reator de aeração (processo de lodo ativado). 5. ocorre também nitrificação. Pesquisas recentes efetuadas no Japão têm mostrado que a cloração do efluente antes de sua emissão produz alguns compostos mutagênicos. é possível que sejam rapidamente efetuados ou mesmo processos de degradação biológica que requeriam semanas para ocorrer em águas abertas. Na fase terciária.1. presumivelmente por interação das substâncias que contém cloro com a matéria orgânica que permanece na água. na qual os compostos nitrogenados orgânicos convertem-se em íons nitratos e dióxido de carbono. As reações de oxidação biológica do tratamento secundário reduzem a DBO da água poluída a menos de 100 mg/L. Em essência. Procedimentos que aplicam o tratamento terciário (avançado ou químico) de águas residuais. em um processo no qual se forma 8 . como aquele dissolvido na água. antes de sua desinfeção final. o que constitui cerca de 10% da concentração original do esgoto não tratado. Dependendo do local.ufpr. ou convertido em lodo adicional que pode ser removido com facilidade. o tratamento secundário das águas residuais envolve reações bioquímicas que oxidam grande parte do material orgânico que não havia sido removido na primeira fase. especialmente bactérias.br suspensão. usando sais de alumínio. O sistema é mantido bem aerado para acelerar a oxidação. Em resumo. Após a diluição da água tratada com uma grande quantidade de água natural.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.

com cujos redutores reage. o dicromato tem sido o oxidante mais empregado na determinação da DQO em águas e efluentes. sobre o qual a água flui. na presença de íons Ag+ como catalizador e em meio fortemente acidificado com ácido sulfúrico. a grandeza caracteriza-se como um parâmetro particular importante para estimar o potencial poluidor (no caso. Remoção de ferro por aeração efetuada a um pH elevado.tecnicodepetroleo. Parte do fósforo é removido na fase de tratamento secundário. visto que os microorganismos o incorporam como nutriente para o seu crescimento.2 Demanda Química de Oxigênio: É uma grandeza que diz respeito à quantidade de oxigênio consumido por materiais e por substâncias orgânicas e minerais que se oxidam sob condições experimentais definidas. permite avaliar o poder redutor ou consumidor de oxigênio das mesmas. Como a medida direta desse oxigênio é uma impossibilidade prática. produzido pela adição de cal. Ca(OH)2. • • Remoção de metais pesados pela adição de íons hidróxido ou sulfeto para formar hidróxidos ou sulfetos metálicos insolúveis. que poderão impedir sua oxidação. • Remoção de fosfatos. possivelmente em combinação com o uso de um forte agente oxidante .ufpr. No caso de águas.br Al(OH)3 e que opera da mesma maneira descrita anteriormente para purificação da água potável. Dessas substâncias. consumidor de oxigênio) de efluentes domésticos e industriais. 9 .Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. 5. mediante sua adsorsão ao carvão ativado. cuja função é destruir os ligantes orgânicos quelantes do íon Fe+3. o mesmo é convencionalmente substituídos por substâncias oxidantes que. normalmente por meio de sua precipitação como o sal de cálcio Ca5(PO4)3OH. assim como o impacto dos mesmos sobre os ecossistemas aquáticos. • Remoção de compostos orgânicos dissolvidos (incluindo o clorofórmio) e de alguns metais pesados. com o objetivo de promover sua oxidação para seu estado insolúvel de Fe+3.1. tendo sua quantidade medida antes e depois do contato com as amostras.

como por exemplo no efluente de esgoto. Algumas amostras com baixíssima demanda de oxigênio ou com teor de sólidos altamente heterogêneos podem necessitar ser analisadas em replicata para produzir o maior dado de confiança. o dicromato de potássio restante não reduzido é titulado com sulfato ferroso amoniacal para determinar a quantidade de dicromato de potássio consumida e a matéria oxidável é calculada em termos de oxigênio equivalente.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Muitos tipos de matéria orgânica são oxidados por uma mistura fervente de ácidos crômico e sulfúrico. Piridina e compostos relacionados de resistente oxidação e compostos orgânicos voláteis reagirão na proporção de seu contato com o oxidante. uma quantidade mais baixa pode ser usada quando a 10 . Uma amostra é refluxada em uma solução fortemente ácida com um conhecido excesso de dicromato de potássio. brometo ou iodeto podem reagir com dicromato para produzir a forma elementar do halogênio e o íon Cr+³. são os rigorosos procedimentos de digestão para análise de demanda química de oxigênio que cloreto.1 Interferentes A oxidação da maioria dos compostos orgânicos é de 95 a 100 % do valor teórico.tecnicodepetroleo. Brometo. iodeto e qualquer outro reagente que inativar o íon Ag+² pode interferir similarmente. Entretanto. As dificuldades causadas pela presença de cloreto podem ser superadas grandemente. Após a digestão.br Uma aplicação muito importante do dicromato de potássio é a titulação por excesso que visa a determinação ambiental da quantidade de oxigênio necessária para oxidar todo o material orgânico. embora não completamente. Compostos alifáticos de cadeia reta são oxidados mais efetivamente na presença de um catalisador sulfato de prata. O interferente mais comum é o íon Cl¯ . em menor período de rendimento. 5.ufpr. numa amostra de água impura. Apesar de que 1 g de sulfato de mercúrio ser especificado para 50 mL de amostra. O tempo padrão de refluxo de 2 horas pode ser reduzido se. e desta maneira inibe a atividade catalítica da prata. o mesmo resultado for mostrado. pela complexação com sulfato de mercúrio antes do procedimento refluxante. Cloreto reage com o íon Ag+² para precipitar cloreto de prata.1.2. Tais interferências tendem restringir a ação de oxidação do íon Cr2O7 por si mesmo.

1. muitos dos quais permanecem na água mesmo após a aplicação das técnicas já citadas. reagindo com os redutores na presença de íons Ag+ e como catalizador em meio fortemente acidificado com ácido sulfúrico. Se a contribuição de cloreto para a demanda de oxigênio é desprezível. ou porque as unidades utilizadas para reduzir sua dureza tenham sido recarregadas e sua descarga descartada como esgoto. Não usar o teste para amostras contendo mais do que 2000 mg/L de Cl/L. A prata. Reagente de ácido sulfúrico/sulfato de prata: A reação ocorre em meio ácido.tecnicodepetroleo. Os íons inorgânicos podem ser removidos da água (dessalinização) por meio das técnicas listadas a seguir: 11 . Padrão 5. Esta aproximação pode introduzir erros substanciais para a oclusão e arraste de substâncias de demanda química de oxigênio para amostras heterogêneas. resíduos de mercúrio.ufpr.2 Reativos utilizados: Dicromato de potássio (K2Cr2O7): é o agente oxidante que vai reduzir a matéria orgânica.1. Porque são utilizados estes reativos: Dicromato age como o oxidante. A decomposição de substâncias orgânicas e biológicas durante a fase secundária do tratamento de águas residuais resulta usualmente na produção de sais inorgânicos.br concentração de cloreto é conhecida para menos do que 2000 mg/L. 5. o cromo hexavalente e sais de mercúrio usados nas determinações de demanda química de oxigênio e criam resíduos nocivos.3 de hidrogenoftalato de potássio: é utilizado como padrão (determinação da curva). resíduos de cromo e ferro. o sulfato de prata pode ser omitido. A interferência de haleto pode ser removida pela precipitação com íon Ag+² e filtração antes de digestão.2.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.1.4 Resíduos gerados: Resíduos de prata. Ácido sulfâmico (H3NO3S): Requerido somente se a interferência de nitritos está para ser eliminada. A água também pode se tornar salobra devido ao seu uso em irrigação. Quantidades menores de amostras reduzem o resíduo. Acidez: É neutralizada quando da remoção do cromo e do ferro. Sulfato de prata (Ag2SO4) e sulfato de mercúrio (Hg) são os catalizadores da reação. 5. O maior problema está no uso do mercúrio.2.2.

Os íons sulfato migram através da membrana permeável aos ânions. Eletrodiálise: nesta técnica. Esta técnica é usada em Israel e em outras regiões para produzir água potável a partir de água salgada. Finalmente. mais concentradas (enriquecido) ou menos concentrado (purificado) em íons. Dado que através dos poros pode passar apenas água. Os íons sódio passam através da membrana permeável aos cátions e junto com os íons hidróxido produzido pela decomposição da água formam hidróxido de sódio.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. o líquido que atravessa a membrana é água pura. em zonas alternadas. Em águas poluídas. Em uma extensão interessante da eletrodiálise. a água concentrada em íons pode ser descartada como salmoura e a água purificada pode ser liberada para o meio ambiente. O líquido torna-se. a solução contaminada torna-se com o tempo cada vez mais concentrada em sal. e é uma técnica útil em hospitais e unidades de tratamento renais para produzir água livre de íons. são colocadas verticalmente e de forma alternada no interior de uma célula elétrica uma série de membranas permeáveis somente a pequenos cátions ou pequenos ânions inorgânicos.ufpr. A camada superficial da membrana tem cerca de 2 µm de espessura e é relativamente pouco porosa. Osmose reversa: A água tem sua passagem forçada sob pressão através de uma membrana que os íons não podem atravessar. e em combinação com os íons hidrogênio da decomposição da água.tecnicodepetroleo. Esta tecnologia também é empregada com o propósito de dessalinização e potabilização de água do mar. obtém-se hidróxido de sódio eletrolíticamente a partir do sulfato de sódio residual.br 6. quando comparada com o restante da estrutura. de modo que os cátions migram para o cátodo e os ânions para o ânodo. 12 . Por outro lado. Uma membrana semipermeável composta de um material orgânico polimérico. sendo finalmente descartada. Aplica-se uma corrente elétrica diretamente através da água. assim como sais de metais pesados. 7. sobre a qual aplica-se alta pressão é colocada no caminho da água contaminada. formam ácido sulfúrico. como acetato de celulose ou triacetato de celulose. é especialmente indicada para remover íons de metais alcalinos e alcalinos terrosos. O Na2SO4 aquoso e concentrado entra no compartimento central de uma célula.

a água produzida no tratamento terciário é de uma qualidade suficientemente boa para ser usada como água potável. usam os poluentes. inclusive os metais pesados presentes nas águas residuais. Os sítios de troca de uma resina catiônica encontram-se inicialmente ocupados por íons H+. As resinas de troca iônica podem ser formuladas para possuir tantos sítios catiônicos como aniônicos que funcionam da maneira já descrita anteriormente. A reutilização da água após sua purificação é particularmente comum na Europa. Assim. Alternativamente. Troca iônica: Alguns sólidos poliméricos contêm sítios que podem reter íons de maneira relativamente fraca. Em alguns casos. Quando a água poluída por íons M+ e X. possa ser trocado por um outro da mesma carga. os íons OH. esses dois íons combinam-se imediatamente para formar mais moléculas de água.br 8.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. o que torna possível que um tipo de íon. a troca iônica pode ser usada para remover sais. Uma alternativa ao processamento de esgoto através de uma planta de tratamento convencional é o tratamento biológico em um pântano artificial (construído por alagamento de terra) que contém plantas como juncos. no seu desenvolvimento. bambus e amentos.substituídos por M+ e. Normalmente. e os sítios de troca das resinas de troca aniônica estão ocupados por íons OH -.ufpr. 13 . e aumentam o pH. As plantas. Essas absorvem os metais através de seus sistemas de raízes e concentram os contaminantes no interior de suas células. A descontaminação da água é processada por bactérias e outros microorganismos que vivem entre as raízes e os rizomas das plantas. a seguir. Portanto. a água do rio no qual foram despejados os efluentes das plantas de tratamento de esgoto é utilizada como água a ser potabilizada. quando em contato com este sólido. a água que deixa a coluna de resina contém íons H+ e naturalmente.da segunda resina são substituídos por X-. o que serve para destruir certos microorganismos prejudiciais. no qual ocorre o equivalente aos tratamentos secundário e terciário. nas instalações construídas para processar o esgoto. onde a densidade populacional consumidora é elevada os suprimentos de água corrente são menos disponíveis do que na América do Norte e América do Sul. o tratamento primário destinado a filtrar e retirar sólidos e outros poluentes de uma lagoa é efetuado antes que as águas residuais sejam bombeadas até o pântano.tecnicodepetroleo.

tanques de flotação. o metal depositado pode ser reoxidado por via química. 12. 10.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. 14 . Processos biológicos: Os processos biológicos são os mais econômicos dentre os utilizáveis na remoção de matéria orgânica. quando os hidróxidos são precipitados. para formar sólidos insolúveis. Absorção em carvão ativado: O processo de adsorsão em carvão ativado pode ser usado para remover uma ampla variedade de contaminantes. A precipitação de sulfetos ou hidróxidos foi mencionada. Tratamento de Cianeto e Metais em águas residuais: Os metais de transição poluentes podem ser removidos da água pelo uso de técnicas tanto de precipitação como de redução. cianetos e metais pesados. os processos biológicos podem ser aplicados para a oxidação de compostos reduzidos como nitrogênio amoniacal e sulfetos. Remoção de óleos e graxas: É feita através de tanques de retenção de gorduras. são amplamente utilizados no tratamento de efluentes líquidos. Os poluentes químicos dissolvidos em água São em geral compostos organoclorados. decantadores com removedores de escuma. mediante a adição de peróxido de hidrogênio ou por via eletrolítica. Por esse motivo. O sistema é eficiente e operacionalmente simples. Além da remoção de matéria orgânica. A redução eletrolítica de metais leva a sua deposição no cátodo.ufpr. fenóis. orgânicos e inorgânicos.tecnicodepetroleo. 11.br 9. com a vantagem adicional de poder reutilizar a fase sorbente após tratamento conveniente. bem como na redução de nitratos (desnitrificação) e de sulfatos. invertendo-se a polaridade da célula. o lodo volumoso produzido deve ser descartado de maneira adequada. Se em lugar do metal em estado elementar deseja-se uma solução aquosa concentrada do mesmo.

área disponível para implantação do sistema e recursos a serem investidos para implementação e para manutenção do sistema. Para maior detalhamentos do projeto são necessários o conhecimento do volume de efluentes.25 mg/l 6.5 110-170 mgCaCO3/l 20.ufpr. procedência desses efluentes. Quando os projetos são realizados sem um estudo cuidadoso as conseqüências são concepções superestimadas. 200 – 500 mg/l 35 – 70 mg/l 5. PROJETOS PARA SISTEMAS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS Em estudos ou projetos deve-se definir com clareza os objetivos do tratamento dos esgotos.tecnicodepetroleo. Para dimensionar o sistema de tratamento ideal.7. e a que nível deve ser o mesmo processado. Nível do tratamento. os seguintes aspectos são de fundamental importância: Objetivos do tratamento.7.50 mg/l 55-170 mg/l 350 mg/l 50 mg/l 14 mg/l 7.0 140 mgCaCO3/l 35 mg/l 110 mg/l Faixa de concentração 700-1350 mg/l Valor típico 1100 mg/l 15 . subestimadas. 13.br CARACTERIZAÇÃO DE ESGOTOS SANITÁRIOS Tabela 2: Características químicas dos esgotos domésticos brutos Parâmetro Sólidos totais Matéria orgânica Determinação indireta DBO5 Nitrogênio Total Fósforo pH Alcalinidade Cloretos Óleos e graxas Fonte: VON SPERLING (1996).Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Estudos de impacto ambiental no corpo receptor. ou desvinculadas de outros importantes aspectos que não apenas a remoção de DBO.

a eficiência de remoção de partículas em decantadores depende da relação entre a velocidade de sedimentação dessas partículas e a taxa de escoamento superficial do líquido. NÍVEL DE TRATAMENTO A remoção dos poluentes no tratamento. reduz bastante as impurezas contidas nos esgotos. O tratamento de esgotos é usualmente classificado através dos níveis de tratamento: preliminar. Depende de vários fatores. Por exemplo. o objetivo é principalmente a remoção de matéria orgânica e eventualmente nutriente (nitrogênio e fósforo). A tendência continua sendo os decantadores primários e os floculadores. enquanto que o tratamento primário visa à remoção de sólidos sedimentáveis e parte da matéria orgânica. além de apresentar baixo custo. 14. secundário e terciário. da natureza e composição dos substratos 16 . Em ambos predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. 14. Deve-se lembrar que esta fase é de fundamental importância. 14.ufpr.1 Tratamento preliminar: objetiva apenas a remoção de sólidos grosseiros. dentre outros fatores. das propriedades químicas dos reagentes. A eficiência do tratamento está relacionada com a porcentagem de remoção de determinados poluentes no tratamento ou em uma de suas etapas.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.3 Tratamento terciário: objetiva a remoção de poluentes específicos (usualmente tóxicos ou não biodegradáveis) ou ainda. do tempo de reação e das características dos produtos formados. primário. que nelas devem ocorrer. de forma a adequar o lançamento a uma qualidade desejada ou ao padrão de qualidade vigente esta associada aos conceitos nível de tratamento e eficiência do tratamento. pois. A eficiência de unidades onde ocorrem processos químicos depende. a remoção complementar de poluentes não suficientemente removidos no tratamento secundário. diretamente relacionados às operações e processos.br 14.tecnicodepetroleo.2 Tratamento secundário: predominam mecanismos biológicos. A eficiência de processos biológicos depende similarmente. gordura e sólidos sedimentáveis (areia). das características físico-químicas do fluído a ser tratado.

Cabe ressaltar que no Brasil o tratamento terciário para esgotos domésticos é bastante raro. Patogênicos Terciário (principal) Secundário Lagoas de maturação. Nitrogênio Secundário Terciário Fósforo Secundário Terciário nitrificação biológica. processos e sistemas de tratamentos esgotos freqüentemente utilizados para a remoção de poluentes de variações. Processos físico-químicos. desinfeção com radiação ultravioleta. variações. Disposição no solo.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. de estabilizações lodos filtro ativados biológico e e e 3: Operações. 15.ufpr. processo ou sistema de tratamento Gradeamento. desinfecção com produtos químicos. OPERAÇÕES. disposição biológica.br presentes no afluente. disposição no solo. 17 .tecnicodepetroleo. Sedimentação. Remoção e desnitrificação no solo. das condições ambientais tais como pH. das características e concentração da biomassa presente nos reatores. tempo de contato entre substrato e biomassa e dos fenômenos que governam o transporte de substrato às células. Lagoas (remoção variações. processos físico-químicos. presença de nutrientes. a nível secundário. PROCESSOS E SISTEMAS DE TRATAMENTO. tratamento anaeróbico. A tabela abaixo apresenta um resumo dos principais sistemas de tratamento de esgotos sanitários domésticos. feitos em geral. Remoção de areia. temperatura. Tabela domésticos Poluente Sólidos suspensão Matéria orgânica Secundário Primário parcial) biodegradável Nível de tratamento em Preliminar Operação. disposição no solo.

cabendo ao tratamento secundário a remoção dos sólidos de decantabilidade mais lenta que persistem na massa líquida. 15. como temperatura. Existe uma grande variedade de métodos de tratamento a nível secundário. • Matéria orgânica em suspensão (DBO suspensa ou particulada). possibilitando que a matéria orgânica seja utilizada como alimento pelos microorganismos. pH.br 15. sendo que os mais comuns são: 18 . a qual é em grande parte removida no tratamento primário.3 TRATAMENTO SECUNDÁRIO O principal objetivo do tratamento secundário é a remoção da matéria orgânica a qual pode estar nas seguintes formas: • Matéria orgânica dissolvida (DBO solúvel). Empregam-se tanques de decantação e fossas sépticas. A essência do tratamento secundário para esgotos domésticos é a inclusão de uma etapa biológica. tempo de contato. A remoção de areia é feita através de unidades especiais denominadas desareanadores. Essa decomposição biológica do material orgânico requer a presença de oxigênio como componente fundamental dos processos aeróbicos. 15. A base do processo biológico é o contato efetivo entre esses microorganismos e o material orgânico contido nos esgotos. mas nem sempre inclui unidades para o tratamento primário. O tratamento secundário geralmente inclui unidades para o tratamento preliminar.tecnicodepetroleo. além da manutenção de outras condições ambientais favoráveis. protozoários e fungos. onde a remoção de matéria orgânica é efetuada por reações bioquímicas.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. a qual não é removida por processos meramente físicos.1 TRATAMENTO PRELIMINAR O tratamento preliminar objetiva apenas a remoção de sólidos grosseiros como medida de proteção dos dispositivos de transporte de esgotos (bombas e tubulações) e das unidades de tratamento subsequentes.2 TRATAMENTO PRIMÁRIO O tratamento primário destina-se a remoção de sólidos sedimentáveis e sólidos flutuantes. realizadas por microorganismos.ufpr. Uma grande variedade de microorganismos toma parte no processo: bactérias.

br 16. onde se atribui às algas. que tem de ser removido antes do lançamento dos efluentes no corpo receptor. e que exige operação mínima.tecnicodepetroleo. mas esbarra no problema de necessitar de uma grande área para sua implantação. mas em conseqüência da utilização de aeradores. a lagoa aerada pode ter o tempo de detenção (ou retenção) menor. Esta é uma alternativa simples para a construção. sem qualquer necessidade de se contratar operador especializado. Lagoa facultativa quando se dispõe de área com topografia adequada e custo acessível. 16. predomina o processo anaeróbio e na segunda o aeróbio. Lagoas de Estabilização e Variantes O uso de lagoa facultativa é uma solução simples e de baixo custo. isto 16. Na lagoa anaeróbia ocorre à retenção e a digestão anaeróbia do material sedimentável e na facultativa ocorre predominantemente a degradação dos contaminantes solúveis e contidos em partículas suspensas muito pequenas. comparadas com as lagoas facultativas 19 . provido de grade e desarenador. Devido à introdução da mecanização. 1.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. porém. Na primeira. 3 Lagoa Aerada Facultativa Esta diminui a necessidade de grande área. aumenta o seu custo de operação. É uma das melhores soluções técnicas. a função da produção do oxigênio a ser consumido pelas bactérias. 16 . Por este motivo emprega-se uma segunda lagoa que tem como função a retenção e digestão desse resíduo. Esta técnica exige o uso de tratamento preliminar. as lagoas aeradas são menos simples em termos de manutenção e operação. normalmente é empregado um tempo de detenção maior. O lodo retido e digerido na primeira lagoa tem de ser removido em intervalos que geralmente variam de 2 a 5 anos. seguida de uma lagoa facultativa. Quando o sistema incluir um decantador primário.ufpr. Na aeração há produção de lodo biológico. 2 Sistema Australiano de Lagoas Consiste numa lagoa anaeróbia. quando somente se usa grade e caixa de areia.

tecnicodepetroleo. 16.br convencionais. Parte do lodo secundário é descartada para tratamento e destino final.ufpr. 17. diferentemente das lagoas de estabilização. Nos sistemas de lodos ativados os tanques são tipicamente de concreto. 1 Lodos ativados convencional 20 . A redução dos requisitos de área é conseguida empregando certa elevação no nível de operação. O tempo de detenção típico da lagoa aerada é da ordem de 2 a 4 dias. O sistema de lodos ativados convencional ocupa áreas bastante inferiores às dos sistemas de lagoas. permita ainda que todos os sólidos sejam mantidos em suspensão no meio líquido. comparado com os outros sistemas. Caso a remoção de lodo seja periódica. e consumo de energia superior aos das lagoas aeradas. além de garantir a oxigenação. produzida no sistema e que. fazendo com que haja uma turbulência tal que. A remoção do lodo é uma tarefa trabalhosa e cara. através do decantador primário. Assim este tipo de tratamento tem como parte integrante também o tratamento primário. Os microrganismos produzem flocos que podem ser removidos facilmente por sedimentação em decantador secundário (ou flotador por ar dissolvido). parte da matéria orgânica (em suspensão. 17. além do consumo de energia elétrica. tal ocorrerá numa freqüência aproximada em torno de 3 a 5 anos. A operação deste tipo de lagoa são mais complicados devido ao fato de se ter um menor período de armazenagem na lagoa. Exige uma capacitação para sua operação.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Sistemas de Lodos Ativados e Variantes Lodos ativados baseiam-se em processo biológico aeróbio e parte do princípio que deve ser evitada a fuga descontrolada de bactéria ativa. sedimentável) dos esgotos é retirada antes do tanque de aeração. deve-se recircular de modo a se manter a maior concentração possível de microrganismos ativos no reator aerado.4 Sistemas de Lagoas Aeradas de Mistura Completa (Lagoas de Decantação) Uma forma de se reduzir ainda mais o volume da lagoa aerada é o de se aumentar o nível de aeração. Para garantir economia em termos de energia no processo de aeração.

br Dentre as variantes do processo de lodos ativados. devido à eliminação de diversas unidades.ufpr. O fluxograma do processo é grandemente simplificado. Em certos casos promove-se a recirculação do efluente do decantador secundário. Basicamente. dispositivos de distribuição lançam os esgotos sanitários que percolam por entre as peças que constituem o referido recheio. 18 Sistemas aeróbicos com biofilme O processo de filtros biológicos consiste num conceito totalmente diferente dos processos anteriores. o uso de decantador primário e secundário. desarenadores. os microrganismos são mantidos aderidos a um material suporte. adensamento do lodo (opcional) e desidratação do lodo. ocorre o contato entre os materiais a serem degradados. Enquanto o líquido percola através do leito. o que resulta numa estabilização parcial do lodo (autoconsumo da matéria orgânica celular) e numa maior eficiência do sistema na remoção da DBO. com forma. ela cresce aderida a um meio suporte. tamanho e interstícios adequados. Nos filtros de baixa carga. que permitam a livre circulação natural de ar. Ao invés da biomassa crescer dispersa em um tanque ou lagoa. sobre o qual. o filtro biológico aeróbio é composto por um leito de pedras ou de materiais inertes. 1 Filtros Biológicos de Baixa Carga 21 . ou seja. as únicas unidades de todo o processo de tratamento (líquido e lodo) são: grades. temos aeração prolongada e o emprego de fluxo intermitente (Batelada). que constitui o recheio da unidade. comparado aos sistemas de lodo ativado de fluxo contínuo. O filtro biológico configura-se em um reator denominado de leito fixo e filme fixo. de forma análoga ao sistema de aeração prolongada nos lodos ativados. No sistema de aeração prolongada por batelada.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.tecnicodepetroleo. Com isso a disponibilidade de alimentos é menor. reatores. a quantidade de DBO aplicada é menor. 18. É obrigatório.

Diferentemente do sistema de lodos ativados. os microorganismos do esgoto começam a aderir às superfícies rotativas.tecnicodepetroleo.br 18. e não do lodo sedimentado.6 metros de diâmetro. a recirculação nos filtros de alta carga é do efluente. 22 . cerca de metade da área superficial imersa no esgoto. Quando o sistema é colocado em operação. Em paralelo. Esses organismos que se degradam são mantidos em suspensão no meio líquido devido à leve turbulência provocada pelo movimento dos discos. Os sistemas de biodiscos são empregados principalmente para o tratamento dos esgotos de pequenas comunidades. com poucos milímetros de espessura. montados num eixo horizontal. Os discos giram vagarosamente. a parte exposta ao ar traz um película de esgotos. Os discos têm usualmente menos de 3. A eficiência dos filtros biológicos é através da utilização de dois ou mais filtros em série. o que aumenta a eficiência do sistema. ela se desgarra dos discos. permitindo a absorção de oxigênio através do gotejamento e percolação junto às superfícies de cada disco. Quando a camada biológica atinge uma espessura excessiva. e o restante exposto ao ar. o requisito de área é menor. o que torna difícil sua aplicação para o tratamento de grandes vazões. tem-se também uma ligeira redução na eficiência de remoção de matéria orgânica. será necessário um grande número de discos. e mantém. por receberem uma maior carga de DBO por unidade de volume de leito. ali crescem até que toda a superfície do disco esteja coberta por uma fina camada biológica. em cada instante. e a ausência de estabilização do lodo no filtro.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. sendo geralmente construídos de plásticos leves. 3 Biodiscos O processo de biodiscos consiste de uma série de discos ligeiramente espaçados.ufpr. 2 Filtros Biológicos de Alta Carga Os filtros biológicos de alta carga são conceitualmente similares aos de baixa carga. Devido à limitação no diâmetro dos discos. À medida que os discos giram. 18. No entanto.

Nos interstícios do leito do reator também evoluem flocos ou grânulos. ocorrerá a flotação e uma retenção de materiais mais leves e flotáveis como: óleos e graxas. o sistema é viável economicamente e apresenta-se como uma boa opção para pequenas quantidades de efluentes.ufpr. 2 Reator Anaeróbico de Manta de Lodo Freqüentemente denominados de Reatores Aeróbios de fluxo Ascendente (RAFA). os quais sedimentam. nestes reatores. 19. no entanto. A fossa séptica (usualmente do tipo Tanque Imhoff) remove a maior parte dos sólidos em suspensão. A matéria orgânica efluente da fossa séptica é conduzida ao filtro anaeróbio. especialmente quando não são operados adequadamente. A produção de lodo nos sistemas anaeróbios é baixa e o lodo já sai estabilizado. e sofrem o processo de digestão anaeróbica no fundo do tanque. Os sistemas anaeróbios apresentam o risco de geração de maus odores.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. onde ocorre sua remoção. uma unidade que realiza simultaneamente várias funções como: decantação e digestão de sólidos em suspensão. A eficiência do sistema fossa-filtro é usualmente inferior à dos processos anaeróbios. peças cerâmicas de material sintético ou de outros materiais que servem de suporte para microrganismos. que formarão uma espuma na parte superior. mas sim. correspondentes à aglutinação de diversas 23 . a biomassa cresce e se dispersa no meio. que irá formar o lodo.br 19. que possuem elevada participação de microrganismos que atuam na degradação dos contaminantes da água residuária. com produção de gases. A fossa séptica não é um simples decantador ou digestor. que 19. também em condições anaeróbias. A biomassa ao crescer pode formar pequenos grânulos. Tratamento Anaeróbio As fossas sépticas são unidades de escoamento horizontal e contínua. O filtro anaeróbio é constituído essencialmente por um tanque com recheios de pedras. decompondo-os anaerobiamente. podendo ser dirigido diretamente para um leito de secagem. Os microrganismos existentes serão anaeróbios e ocorrerá a digestão do lodo. 1 Sistema Fossa Séptica ( Filtro Anaeróbio) realiza a separação de sólidos. sendo este acumulado na parte inferior.tecnicodepetroleo. O sistema de fossas sépticas seguidas de filtros anaeróbicos tem sido amplamente utilizado em nosso meio rural e em comunidades de pequeno porte.

uma Estação de Tratamento de Esgoto . ou um curso d'água qualquer. pela garantia do alto tempo de detenção celular do processo. pois é responsável pelo retorno do lodo e conseqüentemente.líquidas . Em geral. não há necessidade de decantação primária.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. uma represa. A granulação auxilia no aumento da eficiência do sistema. tendem a servir de meio suporte para outras bactérias. Esse dispositivo é de fundamental importância. sendo esta a conseqüência dos fatores físicos e bioquímicos que 24 .tecnicodepetroleo. boas características de sedimentação. que pode ser um lago. o corpo receptor é um rio.ETE.ufpr. A princípio. Esses pequenos grânulos. O Reator deve ter seu afluente criteriosamente distribuído junto ao fundo. que possibilita o transporte das águas residuárias através de uma região que apresenta elevada concentração de microrganismos anaeróbios. em comparação com todos os outros sistemas de tratamento.gasosas. primários e secundários). O esgoto que chega na estação é chamado "esgoto bruto" e escoa por um tubo de grandes dimensões chamado "interceptor". o que simplifica mais ainda o fluxograma da estação de tratamento. Os riscos da geração e/ou liberação de maus odores pode ser bastante minimizado com um projeto bem elaborado e operação adequada do reator. Diferentemente dos filtros anaeróbios. Reator anaeróbio de manta de lodo é uma unidade de fluxo ascendente. mas não é fundamental para o funcionamento do reator.br bactérias. A seqüência de tubulações desde a saída do esgoto das residências até a entrada na ETE é: • Tubulação primária: Recebe as águas residuárias residenciais. por sua vez. Na parte superior do reator existe um dispositivo destinado à sedimentação de sólidos e à separação das fases sólidas . A concentração de biomassa no reator é bastante elevada o que exige pequeno volume para os reatores anaeróbios. O texto abaixo exemplifica o funcionamento de uma estação de tratamento de esgoto (tratamentos preliminares. O reator oferece condições para que grande quantidade de lodo biológico fique retida no interior do mesmo em decorrência das características hidráulicas do escoamento e também da natureza desse material que apresenta estimulam a floculação e a granulação. de maneira que ocorra o contato adequado entre os microrganismos e o substrato. deve estar situada nas proximidades de um corpo receptor.

O material excretado é consumido no fundo do tanque pelos microrganismos anaeróbios. sendo esta medida não aconselhável. algumas partículas são muito pequenas e não possuem peso suficiente para precipitarem.ufpr. geralmente na entrada da ETE. • • Na entrada da ETE. geralmente existe uma Estação Elevatória que bombeia o esgoto para cima até o nível superficial onde começa o tratamento. Por isso. Nestes digestores as bactérias e microorganismos aeróbios consomem a maior parte da matéria orgânica constituinte do lodo. o esgoto passa pelos desarenadores ou caixas de areia para a retirada dos materiais sólidos granulares. Interceptor: Este conduz o esgoto até a ETE e não pode receber nenhuma contribuição individual no caminho. Assim ocorre uma diminuição do volume do lodo que pode ser encaminhado para filtros prensa e câmaras de desidratação onde ocorre uma diminuição ainda 25 . objetos conduzidos e arrastados pelo caminho. A próxima etapa ocorre nos decantadores primários onde as partículas sólidas sedimentam no fundo do tanque. etc. No decantador o movimento da água não deve ter turbulência para facilitar a sedimentação. O primeiro procedimento consiste em deter os materiais maiores tais como galhos de árvores. Coletor tronco: Além de receber as águas dos coletores secundários. O tempo necessário para que haja a precipitação é chamado tempo de detenção e é calculado levando em conta diversos fatores. os quais ficam presos nos sistemas de gradeamento que possui malhas com espaçamentos diferentes em vários níveis. encaminhados para adensadores de gravidade e digestores anaeróbios.tecnicodepetroleo. Os sedimentos acumulados no fundo do decantador são denominados "lodos" e são retirados pelo fundo do tanque. é adicionada uma substância coagulante a fim de unir essas partículas formando outras maiores e mais densas que consigam sedimentar com seu peso próprio no decantador..Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.br • Tubulação secundária: Recebe contribuições das tubulações primárias e outras de águas residuárias das residências. Entretanto. A seguir. pode receber eventualmente algumas contribuições isoladas residencial.

durante o processo de oxidação da matéria orgânica ocorre uma liberação de gás que geralmente é reaproveitado como combustível. que determinadas bactérias eram a causa de doenças específicas. a seguir. o esgoto é levado do decantador primário para tanques de aeração onde ocorre o tratamento por "lodos ativados" que nada mais é do que a recirculação do lodo acumulado no decantador secundário. 26 . Nos digestores. os secadores térmicos. a água já tratada é despejada no corpo receptor. ocorrida na Europa em 1831. Em estações onde o tratamento primário é considerado suficiente o processo termina nesta etapa.ufpr. é um rio ou lago.br maior de seu volume e daí são encaminhados para aterros sanitários ou como esterco para agricultura. patogênicos. O escoamento até o corpo receptor é feito por uma tubulação denominada emissário. metais pesados. por exemplo. sólidos inorgânicos dissolvidos e sólidos em suspensão remanescentes. muitas vezes para abastecer equipamentos da própria estação de tratamento como. desde 1832 dispõe-se de informações sobre a utilização de soluções de cloro na desinfecção de hospitais e também ampla utilização durante a grande epidemia de cólera. 20. e ser reaproveitada para lavagem das dependências físicas da estação e seu abastecimento geral. São exemplos de tratamentos terciários: 20. em 1879. antes da disposição no esgoto. No caso da necessidade do tratamento secundário. em geral.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Na Inglaterra. Wilian Soper usou óxido de cloro para o tratamento de fezes de pacientes portadores de febre tifóide. que. No decantador secundário há novamente a sedimentação e. Esta água pode também ser tratada numa pequena estação de tratamento de água construída nas dependências da própria ETE. compostos não biodegradáveis. TRATAMENTO TERCIÁRIO O tratamento terciário visa remoção de nutrientes.tecnicodepetroleo.1 CLORAÇÃO Apesar de somente em 1880 ter sido demonstrado.

20. através de reações fotoquímicas. As dosagens de radiação ultravioleta normalmente empregadas na inativação de microrganismos em esgotos sanitários são tão pequenas.ufpr. O uso do cloro tem como problema. dentre os quais. em 1893. o uso do cloro em águas residuárias teve um crescimento vertiginoso.br Em escala de projeto. pelo intervalo de tempo de 1 minuto. empregaram esse método de desinfecção (Campos. Para que a água passe pelas membranas. em decorrência do desenvolvimento de técnicas apropriadas. servindo a uma população de mais de 38 milhões. 20.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. a primeira utilização do cloro como agente desinfetante de esgotos sanitários foi realizada em Hamburgo (Alemanha). Em 1958.3 OSMOSE REVERSA Neste processo empregam-se membranas sintéticas porosas com tamanhos de poros tão pequenos que filtram os sais (íons) dissolvidos na água.tecnicodepetroleo. O uso da radiação ultravioleta tem sido muito estudado nos países desenvolvidos. destruição de cianeto e fenóis e remoção de nitrogênio. com resultados estimulantes. O esgoto é exposto à radiação ultravioleta. No Brasil. que é efetiva na inativação de microrganismos. remoção de DBO.7 nm. podendo-se dizer que seus efeitos sobre as substâncias químicas presentes no efluente é insignificante. eficiência elevada na remoção de microrganismos patogênicos. a produção de compostos de cloro que podem provocar danos à vida aquática. que emitem a maior parte de sua energia (85 a 90 %) no comprimento de onda de 253. é necessário pressurizar a água com pressões acima de 10 kgf/cm2. em relação a formação de novas substâncias. Os fabricantes de membranas estão realizando constante esforço no 27 . 1990) O cloro pode ser usado no tratamento de águas residuárias para uma série de outras finalidades além da desinfecção. obtendo-se com isso.2 RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA A radiação ultravioleta é gerada a partir de lâmpadas de baixa pressão de vapor de mercúrio. sabe-se que a Escola de Engenharia de São Carlos tem uma linha de pesquisa. nos Estados Unidos. o controle do odor. Desde então. controle de proliferação de moscas.

são destruídos compostos por desassociações oxidante (quebra de cadeias). As altas concentrações e quantidade de ozônio produzido requerem monitoramento cuidadoso e constante.br sentido de desenvolver novos produtos que proporcionem maior eficiência na filtração. sendo facilmente absorvido pela água numa interface de bolhas (50 vezes mais rápido que o gás oxigênio).4 OZONIZAÇÃO O interesse no uso do ozônio para tratamento de efluentes deve-se ao seu alto potencial de oxidação (somente excedido pelo flúor e radicais hidroxila). Seu uso em instalações de tratamento de efluentes visa principalmente a oxidação de compostos orgânicos não biodegradáveis.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. causando a sua precipitação. exige que seja produzido no local de sua aplicação.ufpr. ou seja. Atualmente a osmose reversa é largamente empregada para melhoria de qualidade de água que participará de processo. solidifica (mineraliza) compostos orgânicos dissolvidos. Como efeito da utilização do ozônio no tratamento de efluentes.tecnicodepetroleo. Sua utilização é bastante difundida em países como França. eleva o potencial redox da água. causando microfloculação dos patogênicos e pirogênicos destruídos. aliado a outras características interessantes para esta aplicação. bem como a eliminação do O3 residual no ar por catálise. como o fato de sua pressão parcial ser bastante inferior à do gás oxigênio. Exemplificando: indústrias de alimentos e bebidas. reduz metais às suas formas insolúveis (normalização). 20. na não formação de resíduos sólidos e na sua adaptação em sistemas integrados. As principais vantagens em relação a outros métodos residem no menor consumo operacional. Itália e Espanha e mais recentemente vem ganhando forte aceitação nos Estados Unidos. Uma das dificuldades de utilizar ozônio é o fato dele ser altamente reativo e instável. 28 . Estas características impossibilitam seu transporte e armazenamento. irradiação UV ou passagem por carvão ativado. que podem ser removidos por filtração.

20. da corrosão dos eletrodos.5 TRATAMENTO ELETROLÍTICO Essa alternativa explora os fenômenos físicos e químicos que ocorrem em cubas eletrolíticas. 20. Sabe-se que vários mecanismos de ordem física.3 mm até 1. sendo este separado do líquido. através da flotação ou decantação. 20. basicamente. O conjunto dessas ações leva a formação de lodo. possibilitando a ocorrência várias reações de oxi-redução.tecnicodepetroleo. secundário ou terciário). Até que ponto pode-se afirmar que a degradação desses efluentes ocorra antes que eles atinjam as águas subterrâneas. e das reações secundárias. a questão é a toxicidade associada a esse efluente.7 mm). além de liberação de gases.9 DISPOSIÇÃO DO LODO (FASE SÓLIDA) 29 .7 SISTEMAS INTEGRADOS DE TRATAMENTO São amplas as possibilidades do emprego da associação de dois ou mais sistemas de tratamento com o objetivo de somar suas vantagens em benefício de devolver a natureza um efluente mais adequado. retenção pelas plantas e aparecimento na água subterrânea. de tratamento (primário.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.8 DISPOSIÇÃO DE EFLUENTES LÍQUIDOS As formas mais comuns de disposição final de efluentes líquidos tratados são os cursos de água e o mar.6 TROCA IÔNICA Resinas heterodispersas (granulometria entre 0. de modo a minimizar problemas como o de entupimento dos coletores dos trocadores iônicos.ufpr. química e biológica atuam na remoção dos poluentes do solo. três possíveis destinos: retenção na matriz do solo. Os esgotos aplicados no solo apresentam. da flotação. a disposição no solo é também um processo aplicado em diversos locais do mundo.6 e 0.2 mm) estão sendo substituídas pelas monodispersas (granulometria uniforme entre 0. Exemplo: Ozônio e Ultra Violeta.br 20. No entanto. 20. da migração de íons. A aplicação no solo pode ser considerada uma forma de disposição final.

20. Lodo não tratado: lodo passado apenas pela caixa de areia ou por gradeamento. entre eles está a compostagem.ufpr. seja de aspecto ou de odor. para que esta alternativa venha a ser implementada é necessária a adoção de processos que estabilizem os biossólidos. Quando bem conduzido.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Mas. podem ser citadas: Aterros Sanitários. valores em torno de 6 e 7. 30 . Quanto ao pH o lodo pode ser considerado praticamente neutro. incineração. áreas de recuperação do solo. A reciclagem dos lodos em sistemas de produção agrícola é freqüentemente citado com uma das melhores alternativas. Lodo digerido: lodo proveniente de digestor secundário.tecnicodepetroleo. também conhecida na literatura como Processo N-Viro.10 ALTERNATIVAS DE DISPOSIÇÃO FINAL PARA O LODO DE ESGOTO Dentre as diversas alternativas de disposição final de lodo de esgoto. tornando-os seguros para a aplicação proposta. com alto teor de umidade e com concentração relativamente elevada de nitrogênio e outros minerais. DEFINIÇÃO DE TERMOS “Lodo de esgoto”: denominação genérica para o resíduo sólido gerado pelos sistemas de tratamento de águas residuárias (SANEPAR. Atualmente alguns processos de estabilização de lodos de esgotos urbanos tem sido sugerido e testado. 30. 1997). Lodo ativado: lodo proveniente do decantador secundário. o lodo de esgoto pode ser caracterizado como um material bastante rico em matéria orgânica. o tratamento químico alcalino com cal e a Estabilização Alcalina Avançada com Secagem Acelerada. Trata-se de um material heterogêneo cuja composição depende do tipo de tratamento empregado para tratamento do esgoto e das características das fontes geradoras (população e indústrias). disposição no mar. aplicação em áreas agrícolas e/ ou florestais.br De uma maneira geral. produz um lodo que não apresenta características desagradáveis. o tratamento de esgoto sanitário.

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DEMANDA BIOQUÍMICA DE OXIGÊNIO (DBO) A DBO retrata a quantidade de oxigênio, requerida para estabilizar, através de

processos bioquímicos, a matéria orgânica carbonácea, tratando-se, portanto, de uma indicação indireta do carbono orgânico biodegradável. A estabilização completa da matéria orgânica leva cerca de 20 dias, correspondendo assim, à Demanda Última de Oxigênio (DBO5). Entretanto, para evitar que o teste de laboratório fosse sujeito a grande demora, e permitir uma comparação entre diversos resultados, foram efetuadas algumas padronizações: Convencionou-se, proceder à análise da DBO no 5o dia, devido ao tempo de detenção hidráulico dos rios Europeus. Para esgotos domésticos típicos, esse consumo do quinto dia pode ser correlacionado, com o consumo total final (DBOu). Determinou-se, que o teste fosse efetuado à temperatura de 20oC, já, que temperaturas diferentes interferem no metabolismo bacteriano, alterando as relações entre a DBO5 e a DBOu. Teste da DBO no dia da coleta determina-se a concentração de oxigênio dissolvido (OD) da amostra. Cinco dias após, com a amostra mantida em um frasco fechado e incubado a 20oC, determina-se a nova concentração, já reduzida, devido ao consumo de oxigênio durante o período. A diferença entre teor de OD no dia zero e no dia cinco representa o oxigênio consumido, para a oxidação da matéria orgânica, sendo, portanto, a DBO5. 30.2 DEMANDA QUÍMICA DE OXIGÊNIO (DQO) A Demanda Química de Oxigênio (DQO) indica a quantidade de oxigênio que é consumida quimicamente, por diversos compostos orgânicos, sem a intervenção de microrganismos; fornecendo na forma de oxigênio consumido, a quantidade de matéria orgânica oxidável presente na água residuária. A DQO é utilizada como uma medida do equivalente em oxigênio da matéria orgânica, contida em uma amostra, sendo esta, susceptível à oxidação, por um agente oxidante forte. Para amostras de uma fonte específica bem conhecida, a DQO pode ser associada empiricamente, à Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), carbono orgânico ou quantidade de matéria orgânica. O teste da DQO será útil para monitoramento e controle depois de estabelecida a correlação com a DBO.

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NOVAS TENDÊNCIAS PARA TRATAMENTO DE EFLUENTES Processos oxidativos avançados: Tais métodos visam mineralizar os

poluentes e converte-los em CO2, H2O e ácidos minerais. POAs são, por definição, processos fundamentados na geração de radical hidroxila, de características fortemente oxidantes. Uma das principais características deste tipo de processos está representada pela sua alta inespecificidade, permitindo a completa mineralização de inúmeros substratos de relevância ambiental, em tempos usualmente bastante curtos (segundos) (NOGUEIRA e JARDIM, 1993; BAIRD, 1999; RODRIGUES, 2001; WANG et Al, 2002). Radicais hidroxilas podem ser gerados in situ, através de processos homogêneos ou heterogêneos, irradiados ou não ex. fotocatálise heterogênea (ZAMORA et al, 1999;CHEN et al,2000; WANG et al,2002; BÉLTRAN et al,2002, citados por ZAMORA, 2003). Em geral, sistemas homogêneos e irradiados apresentam uma elevada eficiência de degradação o que, junto com a sua simplicidade operacional, concede boas características como para servir de base para o desenvolvimento de rotinas de remediação, principalmente de substratos resistentes à degradação. 32. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL NO CORPO RECEPTOR O aspecto positivo da eficiência de um sistema de tratamento de efluentes tem como vantagens, diminuição da carga orgânica lançada nos rios, Diminuição da carga microbiológica descarregada no ambiente, Geração de parques ecológicos e manutenção da capacidade de reprodução dos ecossistemas. O aspecto negativo da ineficiência de um sistema de tratamento de efluentes é a contaminação da água subterrânea por elementos contaminantes não removidos pelo sistema de tratamento, presença de elementos potencialmente tóxicos na biota e sendo transmitida ao longo da cadeia alimentar, geração de odores desagradáveis, presença de vetores, contaminação do solo, do ar e da água, ocasionando graves danos ao meio ambiente.

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LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Em 1980 os Estados Unidos estabeleceram um programa chamado superfund, com o objetivo de limpar depósito de lixos tóxicos abandonados ou ilegais, que poluíam as águas subterrâneas. Os contaminantes perigosos mais comuns nestes locais são os metais pesados: chumbo, cádmio e mercúrio e os compostos orgânicos: benzeno, tolueno, xileno, etilbenzeno e tricloroetileno. Uma substância é chamada perigosa quando constitui um risco para o

ambiente, especialmente para os seres vivos. Assim, os resíduos perigosos são substâncias que foram descartadas ou designadas como resíduos e que, representam um risco. A maioria dos resíduos perigosos são substâncias comerciais ou subprodutos resultantes de sua fabricação. A normatização brasileira praticamente é uma transcrição, com adaptações, da legislação americana promulgada no inicio da década de 80. Decorridos quase dez anos da vigência das Normas da ABNT, NBR 10004 a 10007 e atual ISO 14001 que trata dos critérios classificatórios de Resíduos, faz-se necessário promover alterações. A Norma ISO 14001 consiste de cinco elementos estruturais e sucessivos relacionados entre si, sendo assim descritos: Política ambiental – responsabilidade ambiental da organização. Planejamento – inventário da situação ambiental. Implementação e operação – estruturas apropriadas de pessoal, de organização e de processo para que os objetivos possam ser alcançados. Verificação e ação corretiva – realização de auditorias ambientais. Avaliação pela alta administração – verificação e avaliação periódica para garantir adequação e eficácia; circulo de Deming - “plan – do – check – act” (planejar – executar – avaliar – melhorar). 34. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL NA INDÚSTRIA O ponto inicial da gestão ambiental se encontra na conceitualização de um projeto de desenvolvimento, entendido como um conjunto complexo de atividades e transformações planejadas para transformar o ambiente natural e humano e que envolve o investimento de capital (tanto econômico como cultural) e de tecnologia.

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entendido como um processo ou série de etapas que envolvem múltiplos aspectos da vida social. A gestão ambiental contempla de maneira integrada todos os aspectos que compõe o meio humano e o meio natural em sua interação com os projetos de infraestrutura. Nesta ordem de idéias. que aponta o desenvolvimento sustentável e a consolidação de processos democráticos. prevenção. Os impactos ambientais. habitat e populações. mitigação ou compensação. biológica. Os grandes projetos da infra-estrutura ou os de inclusão e implementação de processos de transformação das regiões para acrescentar ou otimizar as atividades produtivas constituem projetos de desenvolvimentos por si próprios mesmo que façam parte de projetos de desenvolvimentos mais amplos tais como os que têm a ver com o desenvolvimento econômico. o impacto ambiental pode se questionar de uma maneira genérica com a introdução de fatores exógenos de mudança nas relações entre a natureza e cultura.br Tais projetos de desenvolvimento são as ações necessárias para a materialização de um modelo de desenvolvimento.ufpr. e aquelas comunidades que de alguma outra maneira se sintam afetadas pelos 34 .Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. político e social de uma nação. avaliação. ocasionadas pela construção e operação de projetos de desenvolvimento.tecnicodepetroleo. Mesmo que os possíveis arranjos disciplinares sejam numerosos. ambiente e sociedade. constituem o objeto da gestão ambiental. sobre os que devem se efetuar um processo de mudança induzido em direção a uma situação modernizante. enquanto que vetores se introduzem modificações significativas ao mesmo. se trabalhará com base em cinco divisões analíticas: física. o investimento de capital e progresso tecnológico constituem os fatores principais do desenvolvimento. Neste modelo. obriga a sua identificação e avaliação e a definição de planos e programas para o manuseio de cada impacto e em suma. cultural e política. implica em processos de participação comunitária. econômica. específicos para o contexto particular de cada projeto e sua identificação. conforme o modelo dos chamados países desenvolvidos. O fato de ser o impacto ambiental o centro da gestão. a articulação das considerações ambientais em cada uma das fases dos projetos seguindo o esquema: Diagnóstico === > avaliação dos impactos === > manuseio === > custos É importante ressaltar o fato de que a realização duma gestão ambiental responsável.

acompanhado do desenvolvimento industrial e agrícola e a intensificação de outras atividades humanas.tecnicodepetroleo. o processo de globalização e a normatização crescente ratificam a necessidade da criação de um programa de gestão de resíduos. gerando cada vez mais resíduos domésticos e industriais. atualmente percebe-se maior adesão da população aos programas de coleta seletiva de resíduos sólidos. O processo de estudos ambientais é um projeto de desenvolvimento e infraestrutura. um estudo de impacto ambiental.ufpr. passando por um dimensionamento e evolução detalhada dos impactos.br impactos derivados do projeto. E no contexto industrial. O estudo dos impactos de um projeto é um só e se desenrola através de diferentes fases. globalizado e altamente competitivo que é apontado como um agente catalisador de mudanças. Até mesmo as indústrias já estão começando 35 . deve ser construído com a comunidade e cada medida de gestão deve ser avaliada pela comunidade. Porém. obedece a lógica de prevenir ou mitigar os impactos ambientais. Portanto. de uma maneira progressiva. que versa sobre a gestão e auditoria ambiental. seguimento e evolução expostos do plano de manejo ambiental. compensar danos ou perdas e potencializa vetores de desenvolvimento em benefício da região envolvida com o projeto. Resíduos domésticos muitas vezes dispostos indiscriminadamente em áreas sem controle apropriado. A própria criação da ISO 14000. é visivelmente significativa a mudança em relação à qualidade ambiental devido a um mercado operativo.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. é um reflexo de que a questão ambiental é cada vez mais importante. A atual conscientização da sociedade com relação à questão ambiental. A disposição inadequada de resíduos têm resultado em diversos impactos ao meio ambiente. bem como os efluentes industriais. 35. PREVENÇÃO DE POLUIÇÃO A poluição ambiental tem sido apontada como um dos maiores problemas que afeta a sociedade moderna e se deve basicamente ao aumento populacional. através de um processo de informação e consulta. avançando desde o reconhecimento geral do meio no qual se circunscreve o projeto a identificação preliminar dos possíveis conflitos e impactos ambientais. até chegar-se ao projeto posto em prática.

seu reciclo e reuso. Quando uma empresa atende a legislação.tecnicodepetroleo. tem-se observado em âmbito mundial. que é bastante branda quanto aos efluentes lançados nos corpos receptores. Maior que a obrigação legal é a responsabilidade com as gerações atuais e principalmente com as futuras. uma vez que mundialmente há três grandes razões para isso: custos. grande ênfase nos programas de minimização de geração de resíduos.ufpr. Entretanto. A relação custo/benefício que um sistema de tratamento de esgotos pode propiciar.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.br a descobrir que a redução e o reciclo são alternativas melhores que a disposição final de resíduos. também da competência e honestidade. Em muitos casos as tecnologias de tratamento convencional têm suas limitações apenas transferindo estes contaminantes para outra fase. Os efluentes líquidos e sólidos de uma estação de tratamento de esgoto devem produzir o menor impacto possível a natureza e eventualmente serem reaproveitados. A iniciativa privada tem também se dedicado à exploração de sistemas alternativos de tratamento e disposição final dos mais diversos tipos de resíduos industriais e domésticos contendo metais pesados. várias alternativas de tratamento tecnológico têm se desenvolvido nestes últimos anos requerendo que se encontre um ajuste ambiental. depende com que se elabora o projeto. mas. executa-se a obra e realiza-se a operação. De duas décadas para cá é que os regulamentos ambientais tem sido mais rigorosos quanto aos riscos ecológicos e a contaminação ambiental associada à saúde humana aumentando a conscientização. legislação e imagem corporativa. 36. a tendência geral é achar que ela esta cumprindo sua obrigação. É importante salientar que em nosso país a consciência quanto às questões ambientais é mínima na população e inexistente na maioria de nossos administradores públicos. não somente do processo escolhido. Diante desse cenário. CONSIDERAÇÕES FINAIS As novas tecnologias estão sendo desenvolvidas principalmente da necessidade de proporcionar um nível mais apurado no tratamento de efluentes. 36 . Este é grande objetivo e desafio das novas tecnologias que estão sendo estudadas.

nos municípios de grande e médio porte onde o sistema convencional de coleta poderia atingir toda a produção diária de resíduos sólidos. Cenário Aproximadamente 60 milhões de brasileiros.000 habitantes e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.ufpr. moradores em 9. 16 milhões de brasileiros não são atendidos pelo serviço de coleta de lixo. coleta e tratamento dos resíduos sólidos. E uma parcela da população que têm ligação domiciliar não conta com abastecimento diário e nem de água potável com qualidade. não dispõem de coleta de esgoto. o que contribui decisivamente para a poluição dos cursos d'água urbanos e das praias.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. esse serviço não atende adequadamente os moradores das favelas.tecnicodepetroleo. Além disso. mediante a universalização do abastecimento de água e dos serviços de esgotamento sanitário. 37 . Essa deficiência está exposta especialmente nos bolsões de pobreza das grandes cidades. E. cerca de 15 milhões (3. É acentuada também a deficiência de tratamento ao esgoto coletado.br SANEAMENTO AMBIENTAL Assegurar os direitos humanos fundamentais de acesso à água potável e à vida em ambiente salubre nas cidades e no campo. Há mais carências importantes em matéria de saneamento ambiental: dos 60 milhões de brasileiros que não contam com coleta de esgoto. das ocupações e dos bairros populares. por conta da precariedade da infra-estrutura viária naquelas localidades. assim como nas cidades de até 20.6 milhões de domicílios urbanos. Quase 75% de todo o esgoto sanitário coletado nas cidades é despejado "in natura". drenagem urbana e controle de vetores e reservatórios de doenças transmissíveis.4 milhões de domicílios) não tem acesso à água encanada.

Esta segregação visa à minimização de investimentos. já que sua mistura tende a dificultar os tratamentos. devido à facilidade que pode propiciar ao tratamento final.br Outros dramas: em 64% dos municípios o lixo coletado é depositado em lixões "a céu aberto". Cuidar da Natureza é cuidar da Vida! Efluentes Hídricos de uma refinaria Principais contaminantes encontrados nos efluentes hídricos de uma refinaria A seguir os principais contaminantes de efluentes hídricos de refinaria: Óleos e Graxas Fenóis Mercaptanas Sulfetos Cianetos Chumbo Mercúrio Cromo Zinco Amônia Fosfatos Nitrito e Nitrato • • • • • • • • • • • • Segregação de efluentes hídricos Nas refinarias. A tudo isso se soma à falta de drenagem.tecnicodepetroleo. quando provoca alagamentos e enchentes nas áreas de estrangulamento dos cursos d'água. os efluentes hídricos gerados devem ser segregados em sistemas distintos. 38 .Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.ufpr. E em muitos municípios pequenos sequer há serviço de limpeza pública minimamente organizado. percebida especialmente a cada chuva mais intensa.

Nesta estação. não só pelos fatos alinhados acima (vazão e qualidade). Os sistemas de coleta são direcionados para a Estação de Tratamento de Efluentes Hídricos – ETEH. Após separar as correntes em conjuntos semelhantes. cozinhas. a necessidade de tratamentos especiais dados a cada uma no próprio lugar onde ela aparece. Entretanto. drenagem de tanques). deve-se estudá-las de forma a identificar os produtos nelas contidos e estabelecer os tipos de tratamento a serem empregados. Existe para determinadas correntes. Estes tratamentos são chamados de tratamentos “in loco” ou “in situ” e são empregados para águas contendo produtos demasiadamente tóxicos ou em concentrações elevadas. as ETEH diferem nos seus componentes. estão incluídas as fases de tratamento primário. drenagem de bombas. pode-se dizer que todas as correntes originadas dentro dos limites de uma indústria devem sofrer tratamento. existem cinco sistemas de coleta. Assim.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. conforme descrito a seguir: • Sistema de Efluentes de Processo – recebe os efluentes hídricos que tiveram contato com produtos (por exemplo: lavagem de trocadores de calor. • • Sistema de Esgoto Sanitário – recebe águas de banheiro. bem como águas de lavagem do mesmo processo. mas também pela profundidade a que se terá que levar o 39 .tecnicodepetroleo. • Sistema de Efluentes Contaminados – recebe efluentes hídricos que podem ou não estar contaminados por produtos • (por exemplo: água de chuva nos parques de armazenamento.ufpr. É bom observar que nem todas as indústrias necessitam dos mesmos tratamentos.br Normalmente. o tratamento depende não só do volume da corrente. mas também de sua qualidade. De forma geral. Sistema de Soda Gasta – recebe efluentes hídricos oriundos do tratamento cáustico de produtos. drenos de torres). secundário e terciário. • Sistema de Águas Ácidas – coleta condensados de topo de torres de fracionamento. etc. tubo vias.

Alguns produtos são de difícil metabolização. a legislação local acaba por determinar a profundidade do tratamento. algumas vezes. que. principalmente. tais como sólidos. Nos efluentes hídricos de uma refinaria. então é necessária apenas a adição de fósforo. na maioria das vezes. aplicáveis a uma refinaria de petróleo. são necessários três nutrientes básicos – nitrogênio. ao serem expostos ao ambiente. Unidade de Tratamento de Soda Gasta Este tratamento possui duas etapas: oxidação e neutralização. óleos e graxas. CO2 e H2O. serão descritos a seguir. podem ser citados os compostos orgânicos. Outro ponto que cabe salientar é o fato de que. que ao serem oxidados. participam de reações químicas e transformase em produtos estáveis. os métodos biológicos aeróbicos são os mais econômicos atualmente. também chamados de polimento. são especialmente dedicados a remover poluentes específicos. já que este será função dos níveis de poluentes possíveis de serem lançados nos corpos receptores. uma transformação parcial. que converte o óleo para compostos orgânicos oxigenados e possibilita. como o óleo. Os processos terciários. Para o desenvolvimento de qualquer organismo vivo. compostos dissolvidos. fósforo e potássio – ao lado de nutrientes secundários e micro-nutrientes. conseguindo. normalmente.tecnicodepetroleo. o nitrogênio e até o potássio.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Tratamentos Localizados Os tratamentos “in loco”. A maioria dos microrganismos não faz sua assimilação. já existe. No tratamento biológico. formam. Um outro ponto de importância refere-se à qualidade nutritiva dos efluentes hídricos. a oxidação é feita por microrganismos que consomem os poluentes como nutrientes obtendo de sua metabolização a energia necessária para sobreviver e reproduzir. Como exemplo. sua total degradação por outros organismos. ao final do processo. 40 . assim.ufpr. isto é. Os despejos industriais de refinarias possuem compostos instáveis. Os tratamentos primários têm como finalidade retirar os compostos em suspensão. Os tratamentos secundários removem.br tratamento. Existem diversas formas de tratamento secundário.

ufpr. O gás residual formado é queimado nos fornos e a água retificada é utilizada no processo de dessalgação. e reduzir. amônia (NH3) e o ácido cianídrico (HCN). cada qual provida de distribuidores. Água ácida (sour water) é um nome genérico. consiste em submeter a carga de águas ácidas a um sistema de aquecimento e de retificação ou esgotamento.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Após a neutralização. a soda gasta é misturada com um ácido forte. conseqüentemente. o de fornecer o calor necessário à vaporização dos contaminantes e o de reduzir a pressão parcial dos mesmos. para lavagem do petróleo e daí descartada para a ETEH. normalmente acima de 7. Temperatura e a pressão são variáveis importantes no processo de retificação. destinados a promover a mistura de solução de soda gasta com ar.tecnicodepetroleo. pois irá aumentar a pressão na retificadora. O arraste de hidrocarbonetos representa o maior problema para operação desta unidade. 41 .0. a fim de permitir sua reutilização nas unidades de refino. a corrente é encaminhada para a ETEH. com vapor d'água. O pH freqüentemente alcalino deve-se à presença de amônia. O ácido normalmente usado é o ácido sulfúrico (H2SO4). Unidade de Tratamento de Águas Ácidas A finalidade da unidade de Tratamento de Águas Ácidas é remover o sulfeto de hidrogênio (H2S).br A etapa de oxidação tem por finalidade oxidar NaSH (sulfeto ácido de sódio) e Na2S (sulfeto de sódio). devido ao pH. O pH é ajustado para valores próximos de 7. O processo utilizado para reduzir o teor de contaminantes dos condensados de vapor d'água das torres fracionadoras. a eficiência de esgotamento. A injeção de vapor d'água na torre retificadora tem duplo efeito. O gás residual é incinerado e a soda tratada é enviada para a etapa de neutralização. Esta oxidação é feita através da adição de ar.0. Nesta etapa. A torre de oxidação é composta de quatro seções. não muito adequado. ou seu descarte na rede de coleta. A redução na pressão ou a elevação na temperatura aumentará a eficiência de remoção dos contaminantes da carga.

graxas e os sólidos. A equalização dos efluentes tem como objetivo minimizar ou controlar as variações de vazão e as concentrações dos poluentes. Separadores tipo API 42 . A primeira etapa neste tratamento é a remoção de sólidos grosseiros. a partir do qual o efluente é bombeado para a linha de tratamento.tecnicodepetroleo. Os tratamentos são divididos em primários. são enviadas à Estação de Tratamento de Efluentes Hídricos. Separadores de Água e Óleo Os principais tipos são o API e o de Placas Paralelas. Tratamentos Primários Sua finalidade é remover. de modo a enquadrá-las nos padrões de qualidade definidos e pré-estabelecidos. através de pequenas transformações. a água é enviada ao separador de água e óleo.br Estação de Tratamento de Efluentes Hídricos – ETEH Todas as correntes poluídas. onde são submetidas aos tratamentos finais necessários à remoção dos poluentes. Essa remoção evita mais emulsionamento. de modo que se atinjam as condições ótimas para os processos de tratamento subseqüentes e haja melhoras na eficiência dos tratamentos primários. secundários e terciários.ufpr. Depois do gradeamento. através de gradeamento. todas as substâncias que possam dificultar os tratamentos secundários e terciários. Os modelos mais antigos eram do tipo API. Os separadores de água e óleo removem o óleo livre e os sólidos em suspensão. por meios puramente mecânicos. Atualmente. secundários e terciários ou de polimento. uma vez que a água deverá sofrer agitação durante seu processamento nos tratamentos secundários. que permitem o aumento de sua capacidade. A equalização é geralmente obtida através do armazenamento das águas residuais num tanque de grandes dimensões. já que ele pode ser adaptado facilmente a caixas de tipo API já existentes.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Não removem o óleo emulsionado. depois de coletadas em sistemas característicos e separadas. é empregado o tipo placas. As substâncias mais importantes aqui removidas são os óleos.

Na entrada do separador. existe um cilindro rotativo para retirada do óleo que já está sobrenadante. O óleo. O óleo. ao se utilizar uma caixa com fluxo perfeitamente laminar. colocadas e fixadas em um canal formado por um septo existente num tanque. Os sólidos são coletados numa caixa própria nos extremos do separador e dispostos. O óleo é coletado num poço e mandado para tratamento. raspa os sólidos do fundo. sem prejudicar o funcionamento de toda a unidade. Os sólidos retirados são mais finos do que os removidos no gradeamento. no outro. Seu principal constituinte é um recheio de placas planas ou corrugadas. É muito compacto e possui grande capacidade se comparado com o tipo API. por possuir menor densidade do que a água. sobe até a superfície livre do líquido em forma de grandes gotas. 43 . O equipamento em si é muito mais simples que o API moderno. geralmente. formam grandes camadas nas superfícies inferiores dos canalículos. onde a água também escoa em regime laminar. O separador de água e óleo é. enquanto que os sólidos vão para o fundo por serem mais densos. O separador do tipo API é mais barato. já que é econômico seu aproveitamento. aproximadamente). cola nas superfícies dos canalículos e forma uma camada cada vez mais grossa.tecnicodepetroleo. um separador de água. sempre em contato com o cilindro. Devido ao empuxo. menos eficiente. Com os sólidos. necessita de área de instalação muito grande. por ser mais leve do que a água vai para a superfície.br Seu princípio de funcionamento reside na separação natural do óleo por diferença de densidades. Há uma faca. Em um sentido.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. apresenta necessidade de vários células para facilitar manutenção.ufpr. 80% de óleo. óleo e sólidos. porém retém pouquíssima água (20% água. isto é. O processo é contínuo e lembra o empregado no clarificador convencional. O cilindro é feito de material que possui a propriedade de reter facilmente. que raspa o óleo deste para o poço de óleo. Um raspador é montado sobre uma ponte rolante que passeia entre os extremos do separador. em Landfarming. ocorre justamente o contrário. escorregam para baixo e depositam sobre o fundo do tanque. Separador de Placas Paralelas O funcionamento é diferente do tipo API. a ponte raspa o óleo da superfície e. na verdade. por não possuir partes móveis. A coleta do óleo também é feita por tubo flauta.

Com os sólidos presentes na água. Flotadores O princípio de funcionamento do flotador reside na formação de bolhas de ar em torno das partículas de óleo. O tipo API.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. funcionando bem. há um dispositivo que injeta ar comprimido na água pressurizada entre 2 a 4 kg/cm2. pois o ar. Esta pode ser feita externamente ao separador. como sulfato de alumínio. precisa-se maior segurança quanto ao teor de óleo presente no despejo. Logo. Tal procedimento melhora muito a eficiência do processo. o excesso de ar é liberado em forma de pequenas bolhas.ufpr. apresenta fácil manutenção de suas placas. porém a separação dos sólidos é mais deficiente porque estes têm tendência forte de descer para o fundo. admitem-se 20 ppm ou menos quando funcionando bem. Antes da corrente a ser tratada entrar no flotador. Essa segurança é proporcionada pelo uso de flotadores na cadeia de tratamento. então. onde ocorre. onde é separado da água pelo coletor de óleo. O óleo sobe à superfície. No flotador de ar dissolvido. são citadas algumas vantagens: Este separador é mais eficiente. já que este é injetado através de borbulhadores de fundo que permitem bolhas de ar bastante pequenas. é possível sua fácil separação. muito embora tenha alto custo inicial. Desta forma. a mistura água e ar são bruscamente expandidos numa válvula redutora de pressão. Normalmente. melhorando sua flutuabilidade. a solubilidade do ar aumenta. O flotador a ar disperso difere do de ar dissolvido apenas na maneira de se injetar ar. A coagulação (floculação de água) possibilita o aumento das gotas de óleo por aglutinação. acontece fenômeno idêntico ao descrito para o óleo. por ser muito mais leve do que óleo ocupa um volume apreciável e favorece a flutuação da gota de óleo. ou seja. é feita a adição de coagulantes. como a pressão é elevada. Em seguida. As bolhas são muito pequenas e envolvem as menores gotículas de óleo. ao abaixar a pressão. o que afeta pouquíssimo seu funcionamento normal por parar uma pequena parte do separador. o fenômeno inverso. No tipo placas. proporciona 40 ppm ou menos de óleo na saída e mal operado resulta em 150 ppm. Os flotadores são do tipo ar dissolvido ou do tipo ar disperso. após os separadores de água e óleo. Na massa de água. O óleo e os 44 . sulfato ferroso ou orgânicos.br A seguir. reduz também a solubilidade do ar na água. o que as torna muito mais leves.tecnicodepetroleo.

Tratamentos Biológicos O sistema baseia-se em dois princípios biológicos fundamentais: respiração e fotossíntese. Tratamentos Secundários e Terciários A fase do tratamento secundário e/ou terciário é aquela em que os poluentes dissolvidos e/ou específicos devem ser eliminados ou reduzidos. Os diluentes usados são produtos leves de baixa viscosidade (o querosene é o mais usado). repouso e drenagem.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. O primeiro constitui o processo pelo qual os organismos liberam. para evitar a formação de espuma. dos alimentos ingeridos ou acumulados. conseqüentemente. de modo a facilitar a separação das fases óleo/água. determinados organismos conseguem sintetizar matéria orgânica. em Landfarming. A temperatura do tanque deve ser controlada em 80ºC. enfraquece o filme interfacial e. utilizando a luz solar (ou artificial) como fonte de energia. cuja finalidade é reduzir a viscosidade e a densidade da fase oleosa e. conseqüentemente. A agitação proporciona uma homogeneização da mistura emulsão/diluente. O óleo recuperado é reprocessado nas Unidades de Destilação. O repouso permite a separação final das fases água/óleo. a fim de possibilitar a drenagem da água.tecnicodepetroleo. em decorrência disso.ufpr. favorece um bom contato destes produtos e. Tratamento do Óleo Recuperado nos separadores de água e óleo Os tratamentos de óleo recuperado nos separadores de água e óleo são do tipo convencional e constam. as energias necessárias às suas atividades vitais. de: aquecimento. aumentar a absorção dos agentes emulsificantes pelo óleo. A fotossíntese é o processo pelo qual. isto é. ocorre a separação das fases óleo e água. injeção de diluentes. então.br sólidos flotados são encaminhados para uma centrífuga para redução de volume e dispostos. portanto acumular energia potencial. uma boa eficiência no tratamento. O aquecimento reduz a viscosidade da fase oleosa. 45 . basicamente.

em que os organismos fotossintetizantes sintetizam matéria orgânica. Nitratos podem constituir aceptores de hidrogênio. liberando oxigênio no meio. pois todos os seres vivos. com máximo aproveitamento de energia. 46 . isto é. e CO2 pode ser reduzido a metano. sulfatos são reduzidos a sulfetos (com a conseqüente produção de odores de H2S). Organismos heterótrofos alimentam-se da matéria orgânica. em que toda a matéria orgânica é transformada em CO2. Organismos heterótrofos – animais e também vegetais. como fungos e grande parte das bactérias ingerem a matéria orgânica encontrada no meio. verificada somente em ambiente destituído de oxigênio.ufpr. sofrendo reações de redução a nitritos. como subproduto de sua atividade. a função do oxigênio é a de “aceptor de hidrogênio”.tecnicodepetroleo. A respiração é um processo universal.br A maior parte dos seres fotossintetizantes desprende oxigênio. despendem energia. pois. uma espécie de círculo vicioso. assim. esses processos de respiração (também denominados fermentação). vegetais ou animais. obtendo a energia necessária e liberando. no meio. A obtenção de matéria orgânica realiza-se através da nutrição. trata-se. Já os anaeróbios facultativos dão preferência ao oxigênio como aceptor. que será. Estabelece-se. A respiração aeróbica. no interior de uma lagoa. na transformação prévia da matéria orgânica em glicose. então. compreende a seguinte reação geral: C6 H2 O6 + CO2 ® 6 CO2 + 6 H2 O + 673 kcal Implica. máximo rendimento térmico. de respiração anaeróbica. a que é realizada em presença do oxigênio. na atmosfera. utilizam oxigênio para sua oxidação. gás carbônico necessário à fotossíntese.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. por sua vez. pois o oxigênio é extremamente tóxico aos chamados anaeróbios obrigatórios. não se verificam. Reações semelhantes podem ser realizadas. dentro desta concepção. Em presença de oxigênio. com produção de calor útil. A retirada de hidrogênio é o principal fenômeno a ocorrer em qualquer oxidação biológica e. alimentando-se de produtos de decomposição de organismos mortos. “queimada”. biologicamente. destruindo outros seres vivos. como subproduto desta atividade. utilizando outras substâncias como aceptores de hidrogênio. Neste caso. seja por predatismo. entretanto. na natureza. por ser o tipo de oxidação mais completo. característicos de certos tipos de bactérias. isto é. seja por saprofitismo.

ou pode ser uma reação de oxidação realizada paralelamente ao processo de síntese. não for muito elevada. e disto resulta o aparecimento de condições anaeróbicas. nos vegetais clorofilados. as camadas subjacentes permanecerão pobres. A quantidade de oxigênio em uma lagoa não é fixa e nem está sujeita apenas a ser reduzida. A reação geral da síntese orgânica pode ser expressa de maneira exatamente oposta à da respiração: 6 CO2 + 6 H2 O + 673 kcal ® C6 H12 O6 + 6 O2 A fonte de energia pode ser a luz. Há uma compensação por difusão a partir da atmosfera. que são proporcionais ao consumo de matéria orgânica levam à extinção total do oxigênio do meio. esteja sempre saturada de oxigênio.tecnicodepetroleo. embora a película superficial. a não ser que uma grande turbulência fragmente essa película superficial. A matéria orgânica do despejo industrial serve de alimento a bactérias aeróbicas e anaeróbicas.ufpr. sintetizam as matérias orgânicas. diretamente em contato com o ar atmosférico. O fenômeno básico de todo processo de depuração biológica é a respiração. terá suficiente oxigênio dissolvido para suportar sua respiração e. pelo contrário. Quando. nesta situação lagoa encontra-se aerada. como subprodutos. que passam a acumular na forma de moléculas de elevado conteúdo de energia potencial. as necessidades respiratórias. Mas esta é extremamente lenta.br Os seres autótrofos. levando suas partículas a regiões 47 . vegetais verdes e também muitas bactérias. em que. Se a carga lançada a um corpo manter uma lagoa. aproveitando-se de energias dispersas. de modo que. No tratamento aeróbio. por exemplo. ocorre a fotossíntese. No caso de tratamento anaeróbio.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. os subprodutos são água e gás carbônico. o grande número de bactérias que será formada. através da superfície líquida. entretanto a carga introduzida é muito grande em relação ao volume de oxigênio dissolvido. por rápida produção. trata-se de respiração anaeróbia. com conseqüente produção de gases combustíveis orgânicos. neste caso se denominado de quimiossíntese.

tecnicodepetroleo. de um caixa fechado onde o despejo é introduzido e mantido por grande tempo de residência.ufpr. para então ser utilizado pelos microorganismos que levam os compostos químicos a CO2 e H2O principalmente. Há formação de gases como metano (CH4). anaeróbias e facultativas. Em lagoas. A classificação mais usada. O oxigênio é introduzido por meios naturais ou mecânicos. não existe interferência de oxigênio livre dissolvido. É comum o metabolismo ser feito sem utilizar oxigênio nenhum. é a que reconhece três tipos fundamentais: aeróbias. O método anaeróbico mais conhecido é o que se passa nas fossas sépticas. uma vez que não consegue fazer a purificação completa do despejo. Estas últimas são lagoas em que se desenvolvem processos anaeróbicos junto ao fundo e aeróbios nas regiões mais superficiais. Processos Biológicos Anaeróbicos São aqueles em que não existe interferência do oxigênio da atmosfera. o oxigênio da atmosfera contido no despejo. Processos Biológicos Aeróbicos São os melhores e utilizam o oxigênio livre dissolvido. que devem ser ventados para a atmosfera ou queimados. A tendência do método anaeróbico é transformar compostos químicos de cadeia orgânica complexa em compostos de cadeia menor. simplesmente. Estas se constituem. para as lagoas de estabilização. no entanto pode ser aumentada pelo emprego de aeradores. O método não deve ser usado como único.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. gás sulfídrico (H2S) e fosfina (PH3). A oxidação dos despejos é feita através de microrganismos que não utilizam o oxigênio atmosférico.br mais profundas. e sim o que existe no próprio composto que vai degradar. Esses métodos são às vezes usados como fonte geradora de metano para ciclos térmicos por motivos econômicos. Dentre os métodos aeróbicos. isto é. isto é. Não devem ser usados como processo principal em efluentes industriais como os de refinaria. a turbulência é desprezível. alguns de importância mais acentuada estão descritos a seguir: 48 .

os equipamentos mais utilizados são aeradores mecânicos de superfície. borbulhadores. O tempo de residência é bastante alto – acima de 30 dias.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. superfície. então. através da fotossíntese. acarreta.br Lagoas de Aeração Natural Também conhecidas como lagoas de estabilização. São lagoas que pouco dependem de fatores climáticos. A remoção da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) nessas lagoas é de 3 a 8 vezes maior que a obtida em lagoas de aeração natural por unidade de área. como ventos e luz. como segue: a) lagoas de mistura completa – a potência de aeração é tal que permite a manutenção dos sólidos em suspensão. na deposição de sólidos no fundo onde os 49 . b) lagoas facultativas – a potência de aeração é tal que não consegue manter os sólidos em suspensão. dentre outros. A atividade de fotossíntese não apresenta. são seguras. etc. Como os aeradores conseguem forçar o ar a profundidades bastante grandes e com taxas bastante elevadas. Este tipo de lagoa pode ser subdividido em dois outros.ufpr.tecnicodepetroleo. Sua principal fonte de oxigênio é o ar atmosférico introduzido por meios mecânicos. São pouco satisfatórias para despejos com alta carga orgânica ou produtos demasiadamente tóxicos. de operação bastante simples. portanto. Devem ser rasas – 0. são bacias dotadas de aeradores mecânicos tipo cascata. importância. Lagoas de Aeração Forçada Também conhecidas como lagoas aeradas. Assim. existe sempre uma renovação dos mesmos os quais impede um melhor desempenho. Atualmente. Uma das grandes desvantagens desse processo é o fato dele deixar sem reaproveitamento os microorganismos especializados produzidos no meio. não operando com o mesmo desempenho à noite e em locais de clima frio. Sua fonte de oxigênio pode ser o ar atmosférico ou ainda a atividade dos organismos aquáticos clorofilados principalmente algas.30 a 1. essas lagoas têm tempo de residência mais baixo e profundidades maiores que as lagoas naturais – 1 a 10 dias e até 3 m. São bastante sensíveis à falta de luz.00 m – para que a luz e o oxigênio atinjam a todos os seus pontos. e pouco afetadas por variações bruscas de carga. Não são aplicadas como método principal para efluentes industriais.

sendo. Assim como no processo de lagoas forçadas. antes de ser introduzido no tanque de aeração. O processo de lodos ativados é modernamente o mais eficiente para despejos industriais. ou são removidos durante limpeza da lagoa e dispostos em Landfarming. é necessária também a adição de bicarbonato de sódio para manutenção da 50 . os mesmos componentes de uma lagoa de aeração forçada. a aeração deve normalmente ser precedida de uma clarificação ou até mesmo de filtração para remover os sólidos inertes. de cilindros rotativos imersos 40% nas piscinas. com a diferença fundamental de que o tanque de aeração opera com uma concentração maior de microorganismos. Além disto. que também é utilizado pelas bactérias para degradação da matéria orgânica e/ou da amônia. Unidade de Biodiscos A unidade de biodiscos é composta. borbulhadores de fundo ou borbulhadores e agitadores. A biomassa se desenvolve se fixando nos discos do cilindro formando-se um biofilme. O acionamento é feito por ar. uma unidade de lodos ativados utiliza em sua fase de oxidação biológica. por onde passa o efluente a ser tratado. O efluente hídrico.ufpr. é misturado com o lodo recirculado do processo e separado do decantador secundário. No caso de remoção de matéria orgânica. Devido a esta diferença o processo de lodos ativados necessita de um número muito maior de equipamentos do que nos processos com lagoa. Como a concentração de sólidos (microorganismos) no processo já é elevada. o processo de lodos ativados utiliza como equipamentos de aeração. Tanto as Lagoas aeradas.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. quanto às unidades de Lodos Ativados são sistemas de biomassa em suspensão. basicamente. entretanto de custo inicial e de operação elevados e bastante complexos. os microorganismos aí presentes são mais especializados que aqueles encontrados nas lagoas forçadas.br mesmos sofrem decomposição anaeróbica. para qualquer sistema de tratamento é necessária a adição de fosfato. É um sistema de biomassa fixa.tecnicodepetroleo. como resultado do reciclo desses microorganismos do efluente para a fase de aeração. aeradores de superfície. No caso da nitrificação em Unidade de Biodiscos. Lodos Ativados Basicamente.

a existência generalizada de situações de disposições irregulares desses resíduos em todo o mundo. apesar das aparências contrárias. seja em comunidades urbanas. está intimamente ligado a um avanço cultural da população envolvida. mas que hoje. Não é de surpreender. normalmente realizada através da adição de cal. Resíduos Sólidos Introdução A disposição final de resíduos sólidos tem se constituído num dos mais difíceis problemas de preservação ambiental. No mundo todo.tecnicodepetroleo. A existência de estoque de resíduos industriais em situação irregular ou inadequada é uma realidade de âmbito mundial. muito caras. Em lagoas e Lodos Ativados. Eram disposições tidas como adequadas.ufpr. em geral. é importante a correção de pH. No Brasil. Até meados da década de setenta.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. a geração e o descarte dos resíduos sólidos mereciam pouca ou nenhuma referência na legislação ambiental de quase todos os países. o sucesso de qualquer programa de gerenciamento de resíduos. anteriores à década de setenta. para manutenção da alcalinidade através da retenção do CO2 produzido pelas bactérias no processo de respiração.br alcalinidade. Outra característica universal é a dificuldade de eliminação desses resíduos. não é um fato alheio ao universo cultural da sociedade em que ela se dá. o primeiro regulamento legal sobre o assunto foi à portaria do Ministério do Interior – Minter 053 de 01/03/79. em função do avanço da legislação ambiental e da consciência. as tecnologias disponíveis são. A mentalidade que aceita conviver com a geração desenfreada de resíduos. As bactérias nitrificantes utilizam o carbono inorgânico em seu metabolismo. transformaram-se em problemas que requerem soluções em médio prazo. seja em indústrias. Por maiores que sejam os investimentos em instalações e máquinas. portanto. é a mesma que tolera a ineficiência e o desperdício. A geração de resíduos industriais. 51 . Por este motivo. não haverá chance de progresso sem mudança de comportamento. Esses estoques são encontrados em praticamente todas as regiões onde existam ou existiram atividades industriais.

doméstica. agrícola. e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente. As listagens 1 e 2 (a seguir) da referida norma. à temperatura ambiente. resíduos sólidos apresentam-se em estado sólido e semi-sólido.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. corrosividade. Resíduos Classe III: quaisquer resíduos que. quando amostrados de forma representativa (NBR 10007) e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada. de serviços e varrição. nesta definição. não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água. tais como: biodegradabilidade ou solubilidade em água. quando manuseados ou dispostos de forma inadequada. turbidez e sabor. os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água. aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição. Conforme a norma NBR 10004. excetuando-se os padrões de aspecto. Ficam incluídos. os resíduos são agrupados em três classes: • • • Resíduos Classe I: Perigosos Resíduos Classe II: Não Inertes Resíduos Classe III: Inertes Resíduos Classe I: são os resíduos sólidos ou misturas de resíduos que. podem apresentar riscos à saúde pública.br Normas: Resíduos Sólidos De acordo com a norma NBR 10004. provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidência de doenças. Como exemplo desses materiais podem 52 . ou exijam para isso soluções técnicas economicamente viáveis face à melhor tecnologia disponível no mercado. fornecem uma relação de resíduos sólidos industriais reconhecidamente perigosos. reatividade e patogenicidade. Resíduos Classe II: são os resíduos sólidos ou misturas de resíduos sólidos que não se enquadram na Classe I (perigosos) ou na Classe III (inertes). Resultam de atividades da comunidade. bem como determinados líquidos cujas particularidades tornam inviáveis seu lançamento em rede pública de esgotos/corpos d'água. em função de suas características de inflamabilidade. hospitalar.ufpr. Estes resíduos podem ter propriedades. comercial. cor.tecnicodepetroleo. de origem industrial. conforme teste de solubilização (NBR10006).

simples. normalmente. torna-se imprescindível o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias. com orçamentos e cronogramas a serem administrados pelos gerentes das instalações geradoras. A heterogeneidade. tijolos. O enquadramento de um resíduo na Classe I ou II. muito freqüente dos lotes e inventários acumulados. liderados pelo superintendente e com a participação e auditoria do pessoal da administração central da companhia. A partir da separação. Finalmente. A coordenação das campanhas de redução de resíduos. Atualmente. vem a identificação das melhores oportunidades de redução ou eliminação das gerações. ordenadas segundo o critério custo x benefício. foi desencadeada uma infinidade de programas de redução e eliminação de resíduos nas indústrias. Prioridades no gerenciamento interno: A segregação dos resíduos deve ocorrer no próprio local da geração. O trabalho sempre começa pela identificação dos resíduos gerados. quantificação e localização das fontes geradoras. pode-se reciclar ou reaproveitar. Diante desta realidade. Gerenciamento de resíduos sólidos Nos anos oitenta. rápida e barata. as sobras industriais refletem duas grandes preocupações de valores distintos: Ambiental: a necessidade de harmonizar a correta destinação com os conceitos ecológicos Econômico: o resíduo tem sua origem na matéria-prima adquirida e que não resultou em produto acabado. acarreta sérias dificuldades ao trabalho de coleta de uma amostra representativa. vidros. certos plásticos e borrachas que não são facilmente decompostos.br ser citados rochas. 53 .ufpr. é confiada a um comitê formado por altos gerentes.tecnicodepetroleo. A correta caracterização dos diferentes resíduos sólidos não deve ser tomada como tarefa sempre fácil. caracterização. A seguir. freqüentemente. depende das concentrações presentes de uma substância conforme NBR 10004. são estabelecidos os planos de ação.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. na mesma Empresa ou por empresas terceirizadas.

– catalisador de HDT (hidrodessulfurização de tratamento). têm-se as sucatas metálicas. coletas de amostras. são as borras. Uma outra parte é constituída pelos resíduos que são incorporados ao inventário de resíduos gerados no processo. a fim de integrar ao programa todos os gerentes. lixos de paradas e as embalagens descartáveis (caixas de madeira. Passado esse período. vento. lavagem de equipamentos. rede de drenagem em mau estado. considerado de implantação. – lã de rocha/vidro. são os catalisadores gastos e reagentes exaustos. Uma segunda parte tem origem no próprio processo. de um a dois anos. emulsões e águas oleosas oriundas de condensadores. no próprio local de geração e em instalações de propriedades das empresas geradoras.br A fase mais intensa dos trabalhos tem duração em geral. vazamentos. os programas de redução de resíduos atingem o status de atividade permanente.ufpr. por deficiência de instalações ou por procedimentos inadequados – terras das ruas levadas pelas chuvas. integrados à rotina da empresa. Por fim. A literatura técnica especializada tem apontado a tendência mundial ao tratamento e disposição final dos resíduos. Neste período. supervisores e executantes. Classe II (não inerte – listagem 2) 54 . de papelão ou sacos de papel ou plásticos e tambores de metal ou plásticos). etc. desenvolve-se um grande esforço motivacional. – borras oleosas. etc. – dissulfeto líquido (subproduto). A relação seguinte mostra o elenco dos principais resíduos gerados rotineiramente em uma refinaria: Classe I (perigosos – listagem 1) – materiais com amianto. – embalagens de produtos químicos. – cinzas de fornos e caldeiras.tecnicodepetroleo.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. dessalgadoras. drenagens de tanques. – refratários usados. Grande parte de resíduos sólidos gerados numa refinaria chega até ela sob a forma de sólidos dispersos no petróleo por ela processado.

ufpr. 55 . – lixo doméstico reciclável.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. – isolantes térmicos sem amianto. Classe III (inerte – listagem 3) – resíduos de construção civil. é incorporado a algum estoque de produto acabado. na maioria. esse processo ocorreria. como drenagem da água arrastada e sedimentação de detritos. são adequados ao reaproveitamento. praticamente. ao ser recuperada no Separador de Água e Óleo (SAO). Sempre que for evitado o lançamento de qualquer derivado na rede oleosa. em termos de disposição final.tecnicodepetroleo. indicativo da presença de emulsão. quando após passar por processo de separação simples. – lixo doméstico não reciclável. Alternativas de Disposição As descrições a seguir são. Reaproveitamento Faz-se reaproveitamento de um resíduo. ou por falha de especificação.br – catalisador de UFCC ([unidade de craqueamento] catalítico fluido). sem ser submetido a qualquer processo ou tratamento além de repouso e drenagem de fundo. referentes às borras oleosas. a custo zero. devido a este resíduo ser o de maior volume gerado anualmente e. Os resíduos lançados na rede geral de esgoto oleoso. seja por necessidade de esvaziamento de dutos e vasos. ser o maior problema da refinaria. Neste caso. não podem ser reaproveitados por apresentarem elevado teor de água e sedimentos. Não fosse a degradação do produto original para um outro de menor valor agregado. – lixo orgânico do refeitório. em conseqüência. todas as correntes ou inventários desviados de suas destinações regulares. – catalisador de HDT. serão aumentadas suas chances de ser reaproveitado. Genericamente. via de regra. – resíduos vegetais de varrição e jardinagem. o resíduo apenas passa pelo circuito dos resíduos oleosos. que quase sempre acontece. – sucata metálica.

denominada reprocessamento interno.O contato do resíduo com a água e os sólidos finamente divididos. evita que a corrente desviada entre em contato com água e detritos. Um programa de reaproveitamento deve A melhor forma de reprocessamento é aquela na qual o resíduo retorna ao processo produtivo logo em seguida à sua geração. A drenagem de equipamentos para serem entregue à manutenção. conhecidos genericamente como borras oleosas.tecnicodepetroleo.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. drenagens de tanques de petróleo e limpeza de equipamentos. Esta operação. O teor máximo de diluente empregado gira em torno de 2% do volume total da mistura. 56 . à luz das especificações dos derivados de petróleo. acarreta a emulsificação parcial do mesmo. impróprios ao reaproveitamento para incorporação ao óleo combustível (por apresentarem ponto de fulgor muito baixo). geralmente limitado pelo ponto de fulgor. muitas vezes. está intimamente relacionado com o seu não lançamento na rede de esgoto oleoso. na própria unidade em que se originou. que dispensem o uso da rede de drenagem oleosa. como ocorreria se atingisse a rede de drenagem oleosa.ufpr. os quais devem ser analisados e decididos numa segunda etapa. Nessa forma de reaproveitamento. os resíduos e mulsificados. O aumento da taxa de reaproveitamento de resíduos. são candidatos naturais ao reprocessamento.br As principais características do resíduo que condicionam seu reaproveitamento são: o ponto de fulgor e o BSW (Bottom Sediment Water). Além dos resíduos leves limpos. sempre presentes nessa rede. Via de regra. deve-se trabalhar pela não geração e redução de resíduos e novos procedimentos e investimentos para aumentar o reaproveitamento. As principais fontes de borras oleosas de uma refinaria são as dessalgadoras. o principal (e praticamente único) meio de reaproveitamento de um resíduo é sua incorporação ao óleo combustível. o resíduo desempenha o papel de diluente na redução da viscosidade do óleo combustível. deixam de ser reaproveitados por inexistência de interligações adequadas nas unidades de processo. assim como os produtos desviados por estarem fora de especificação.

como matéria-prima. essencialmente. uma vez que. A emulsão é resultante do encontro de substâncias geradoras naturais do próprio petróleo. bastante estável. deve-se considerar que o resíduo reprocessado pode estar deslocando do sistema produtivo igual volume de carga mais nobre.ufpr. O reprocessamento é sempre a alternativa a ser examinada. óleo e de partículas finas – provenientes da formação (argilas. submetidos à ação mecânica (agitação) nas diferentes etapas do processo produtivo e meios de transporte do petróleo até a refinaria. podem estabilizar emulsões. O reprocessamento de um resíduo deve ser fundamentado em critérios técnicos e econômicos. Embora deva haver formação de emulsão na rede de esgoto oleoso.tecnicodepetroleo. são adicionadas aos petróleos substâncias tensoativas. À vista da grande variabilidade de composição desses resíduos. precipitados formados “in situ”). etc) – que devem contribuir para a formação e estabilização de emulsões. Para prevenir a formação dessas emulsões ou desestabilizar as que venham a se formar. As partículas finas. é da maior importância que a refinaria disponha de instalações e procedimentos operacionais. no retorno do resíduo ao processo produtivo. a principal fonte dessa emulsão é o petróleo. Envolvem contato direto de água. Nas condições normais de produção de petróleo. O reprocessamento dessas borras seria uma tarefa das mais simples. partículas sólidas em suspensão e água. sob certas condições. que possibilitem destinações alternativas para os mesmos. a tendência mais forte é a formação de emulsões de água em óleo. além dos custos. Este fenômeno é particularmente importante no caso de emulsões de água em óleo.br Reprocessamento Consiste. 57 . não fosse a presença nas mesmas de uma fase emulsificada.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. após ser descartada a possibilidade de reaproveitamento. principalmente no que se refere à água e sedimentos. sílica. formadas durante os processos especiais de recuperação do petróleo.

sua presença na região interfacial não favorece a estabilização de emulsões do tipo água em óleo. que é. em termos de tratamento de resíduos. o resíduo incorpora mais sólido e mais água ao longo das canaletas. o maior problema das refinarias. No interior da refinaria. A presença de uma fase emulsificada. – após aquecimento. onde a emulsão é recolhida. a incorporação de sólidos finamente divididos – terra. existem contatos entre água e petróleo ou frações. nos condensadores de topo e até nas torres retificadoras e seus respectivos trocadores de calor. repouso e algumas drenagens. poeira. o resíduo retorna ao tanque de cru e daí é enviado para a unidade de destilação. até o recolhimento no SÃO (separador de água e óleo). sob a forma de emulsão. Com tantos agentes favoráveis à sua formação e estabilização. é drenada para o esgoto oleoso no parque de armazenamento de cru da refinaria.tecnicodepetroleo. 58 . nas válvulas misturadoras das dessalgadoras. favorecem a formação de emulsões de petróleo em água. Este fenômeno consiste na circulação da borra. com forte tendência a crescer após seu lançamento na rede de drenagem é inquebrável pelos processos tradicionais disponíveis na refinaria. em condições favoráveis à formação de emulsões. A afirmação acima levanta uma questão importante até agora pouco conhecida nas refinarias: – os desemulsificantes químicos.br As substâncias tensoativas (solúveis em água) promovem a formação de emulsões de óleo em água e.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. conforme a seguinte seqüência: – a borra emulsificada. monta o cenário conhecido como CICLO DA BORRA. areia – só agrava a tendência à emulsificação. recebida com o petróleo de navio ou diretamente dos campos produtores. praticamente todas as refinarias da Petrobrás. No escoamento dos resíduos líquidos. – até chegar ao SAO. convivam com problemas crônicos relacionados à eliminação dos seus inventários de borras oleosas.ufpr. ao longo das redes de drenagens. conseqüentemente. empregados nas regiões de produção de petróleo para eliminar emulsões de água em petróleo. não é de surpreender que.

só tem como alternativa ser novamente drenada para a rede oleosa. sendo em seguida enviado para os tanques de petróleo. – devido à ação dos novos emulsificantes e estabilizantes de emulsão. O melhor e mais econômico caminho para eliminação das borras oleosas emulsificadas passa. a caminho do SAO. Após período de aquecimento e decantação. necessariamente. onde são aquecidos e eventualmente drenados. uma vez que suas características favoráveis à emulsificação não foram totalmente eliminadas: – retornando ao tanque de petróleo. incorporados na rede de drenagem. são realizadas transferências para os tanques de petróleo a fim de serem reprocessado. fechando assim o ciclo. arrastando mais óleo para a rede de drenagem. a massa de resíduo oleoso que chega ao SAO e é aí recolhida aos tanques.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. é maior do que o volume drenado dos tanques e das dessalgadoras. seu reprocessamento numa unidade de destilação atmosférica ainda se apresenta problemático. seja para a sua incorporação a um estoque de produto acabado. essa emulsão é submetida a aquecimento e drenagem da água separada. – na rede oleosa. tais como poeira e argila.br – na unidade de destilação. Decantação e centrifugação Geralmente. 59 . reemulsificará na válvula misturadora e sairá incorporado à água de lavagem da dessalgadora. – reinjetado diretamente na unidade. seja para o reprocessamento do óleo recuperado. – como essa emulsão não é quebrada pela ação do campo elétrico da dessalgadora.tecnicodepetroleo. juntamente com a salmoura efluente.ufpr. reemulsificará. antes da dessalgadora. a emulsão entra em contacto com outros agentes emulsificantes (sulfetos e mercaptanas oriundos de outras correntes) e estabilizadores de emulsão. pela quebra da emulsão. Mesmo após a desemulsificação desse resíduo. ao ser submetida ao processo de dessalgação por lavagem com água. a emulsão reincorpora a água que havia perdido nos períodos de aquecimento e repouso nos tanques de resíduo. incorporando a água do lastro. – nos tanques de resíduos. os resíduos recuperados no SAO são enviados para os tanques de resíduos.

Após um tempo de decantação médio de 6 horas. ao tanque de resíduo limpo. quer como matéria-prima. é aquecida e filtrada. antes de chegar à centrífuga. até como carga inerte. o envio de um resíduo para reutilização em outra indústria. a centrifugação. como mais eficiente. As correntes de água oleosa e borras são misturadas e enviadas para um tanque de decantação. algumas vezes. – água decantada: parte da água é recirculada para a centrífuga (como água de selagem) e o restante vai para o sistema de drenagem. As bibliografias consultadas recomendam ainda a execução de uma outra fase. – óleo decantado: o óleo decantado é reconduzido ao tanque de carga. com BSW menor que 1%. A carga processada na centrífuga gera três correntes diferentes: – óleo limpo (recuperado). tanto é aplicada aos casos em que há interesse na recuperação do óleo. – borra oleosa – é uma corrente oriunda da descarga pelos bicos da centrífuga. como nas situações em que a redução do teor de água do resíduo facilitará sua incineração. que pode ser reprocessado ou utilizado como óleo de corte de viscosidade de combustíveis. ou alternativamente. A centrifugação. composta basicamente de água. os resíduos sólidos de refinarias subdividem-se em três grupos. – água oleosa – esta corrente é gerada pela água contida na carga e parte da água de selagem.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.tecnicodepetroleo. 60 . sólidos e óleo arrastado.ufpr.br Está comprovada a dificuldade em reprocessar estas borras. após somente processo de aquecimento e decantação. quer como fonte de energia ou. em função das respectivas destinações citadas anteriormente. A carga. Do ponto de vista da reciclagem. Reciclagem Entende-se por reciclagem. obtêm-se três correntes: – borra decantada: a borra separada no tanque de decantação apresenta ainda um teor elevado de água e é enviada para Landfarming ou indústria cerâmica.

Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. O segundo grupo é constituído pela borras oleosas de baixa concentração de óleo. A reciclagem dos resíduos sólidos. A identificação dos resíduos recicláveis. A segregação deve ser implantada no local da geração. Indústria de Cimento Por se tratar de uma indústria com controle de qualidade da carga e do produto mais rigoroso do que o praticado nas indústrias cerâmicas é de se esperar que venha a oferecer também maiores exigências ao descarte dos resíduos. nem sempre é econômica a purificação para o reprocessamento ou reaproveitamento. agregado ao cimento.br No primeiro grupo. de qualquer um dos grupos anteriormente descritos. Alguns catalisadores podem ser reutilizados como fonte de micronutrientes na indústria de fertilizantes ou para recuperação de metais nobres.tecnicodepetroleo. exige sempre um mínimo de gerenciamento e instalações de apoio. quando são misturados dois ou mais resíduos.ufpr. plástico. Algumas alternativas de reciclagem desses resíduos deverão estar condicionadas aos resultados dos testes de solubilização e lixiviação. metais. tais como refratários e alguns isolantes térmicos isentos de amianto. é uma boa alternativa. são colocados os seguintes materiais: papel. 61 . cabendo melhor sua utilização como energético auxiliar. o processo de descarte leva em conta a quase total e definitiva imobilização do resíduo. em geral menos de 20%. vidro. Geralmente. e isto constitui um excelente recurso para a racionalização dos descartes. na condição de carga inerte. A disposição deste último grupo de resíduos. A segregação dos resíduos recicláveis e a organização das instalações para acumulação temporária também são vitais para o bom andamento do programa de reciclagem. basta que apenas um deles seja perigoso. Neste caso. via indústria de cimento ou artefatos de cimento. O terceiro grupo é formado por catalisador gasto de UFCC e outros possíveis resíduos minerais. para que toda a mistura resultante deva ser descartada como resíduo perigoso. por mais simples que seja. quantificação e caracterização dos mesmos são aspectos de muita importância. identificação dos locais e processos de origem. Para estes.

A reciclagem. vidro e metais. – alguns catalisadores de hidrogenação ou de outros processos como merox. etc. muitas vezes é apenas uma questão de falta de folga no Landfarming ou disponibilidade de outro resíduo. com PCI menor do que 1. Em princípio. etc. É o caso mais freqüente de embalagens do tipo tambores. Os custos de incineração de emulsões. Atualmente. em geral.ufpr. o critério de descarte passa a ser ditado pelas características tóxicas dos contaminantes presentes no resíduo.200 Kcal/kg pode ser incinerado. que exerça o papel de combustível auxiliar de baixo custo. tem sido utilizada para coprocessamento de borras oleosas e reciclagem de catalisador gasto das Unidades de Craqueamento Catalítico. Passa a merecer cuidados especiais. Decidir-se pela incineração de um resíduo. dispensa maiores cuidados. 62 . esses resíduos contaminados precisam passar por um processo para eliminação da toxidez. Nestes casos.200 Kcal/kg.br Podem ser dispostos via indústria cimenteira. é apenas uma questão de análise econômica. qualquer resíduo com poder calorífico inferior (PCI) acima de 1. bombonas plásticas. apenas quando os resíduos estiverem contaminados com substâncias químicas. de poder calorífico mais alto. sem que seja necessária a queima de combustível auxiliar. petroquímica e de petróleo). Indústria de papel. além da simples segregação. garrafões. através dessas indústrias. – catalisador de Unidades de Craqueamento Catalítico. Vias de regra. os seguintes resíduos: – borras oleosas diversas. borras e resíduos sólidos impregnados com substâncias orgânicas (oriundos de indústria química. Freqüentemente. decidir entre incinerar ou não um resíduo. plástico.tecnicodepetroleo. situam-se na faixa de 40 a 100 dólares por tonelada.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.

mas também o que poderá ocorrer. composto das multas. 90% dos esgotos domésticos e industriais são despejados sem qualquer tratamento nos mananciais de água. OS REFLEXOS DA PRODUÇÃO / POPULAÇÃO E A POLUIÇÃO. restos vegetais e terra. o segundo. isto é. como elemento enriquecedor de solo. em camadas alternadas. compostos basicamente de três conjuntos de itens: o primeiro.ufpr. 63 . o terceiro. O debate sobre o tratamento e a disposição de resíduos sólidos urbanos ainda é negligenciado pelo Poder Público. A compostagem é uma modalidade de biodegradação de resíduos sólidos específica para restos vegetais e de alimentos. Os lixões. Importante notar que este conceito embute os custos citados acima mesmo que eles não sejam ainda conhecidos. A falta de água potável e de esgotamento sanitário é responsável. dos dispêndios necessários à recuperação de área degradada e indenização à população afetada. O colapso do saneamento ambiental no Brasil chegou a níveis insuportáveis. tem larga utilização tanto na agricultura como na jardinagem. não apenas o que já ocorre.tecnicodepetroleo. O composto ou solo humificado. taxas e impostos pagos devido à inobservância de requisitos legais. dívidas. e pesquisadores estudam como incluir no passivo ambiental os riscos existentes. DEFINIÇÕES INPORTANTES PASSIVO AMBIENTAL Econômico: Valores monetários. resultante da compostagem. com correção de pH e adição de nutrientes.br Compostagem Compostagem é o processo de decomposição biológica da matéria orgânica. muitos deles situados às margens de rios e lagoas. são outro foco de problemas. A compostagem gera um produto útil e de valor comercial e pode ser considerado também um processo de reciclagem de resíduo.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. que ocorre quando são dispostos. composto dos custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitem o atendimento às não-conformidades. por 80% das doenças e 65% das internações hospitalares. ações jurídicas existentes ou possíveis. Além disso. hoje.

Especial: podas de jardins. A definição de LIXO como material inservível e não aproveitável é. pois um resíduo poderá ser inútil para algumas pessoas e. com o crescimento da indústria da reciclagem. papéis.Poluição do solo: alterando suas características físico-químicas. Hospitalares: gerado por hospitais. considerado como aproveitável para outras. entulhos de construções e animais mortos. o lixo pode ser classificado em duas categorias: Orgânico Inorgânico. Como exemplo de lixo temos as sobras de alimentos. além do visual degradante associado aos montes de lixo. farmácias. considerada relativa. plásticos e outros. CLASSIFICAÇÃO Segundo o critério de origem e produção.tecnicodepetroleo. Comercial: gerado pelo setor comercial e de serviços. II e III). ao mesmo tempo.. DESTINO DO LIXO Resíduo Descartado Sem Tratamento: Caso o lixo não tenha um tratamento adequado. De acordo com a composição química. na atualidade. embalagens. etc. líquido e gasoso.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Industrial: gerado por indústrias (classe I. clínicas. Podem encontrar-se nos estados sólido.ufpr. ele acarretará sérios danos ao meio ambiente: 1º .br Lixo é todo e qualquer resíduo sólido resultante das atividades diárias do homem em sociedade. representará uma séria ameaça à saúde pública tornando-se ambiente propício ao desenvolvimento de transmissores de doenças. o lixo pode ser classificado da seguinte maneira: Doméstico: gerado basicamente em residências. 64 .

através da percolação do líquido gerado pela decomposição da matéria orgânica presente no lixo. se em contato direto com os mesmos. Resíduo descartado com tratamento: A destinação final e o tratamento do lixo podem ser realizados através dos seguintes métodos: Aterros sanitários (disposição no solo de resíduos domiciliares). com reflexos ambientais imediatos. entre Lixão e Aterro Sanitário. hospitalares). -Programas educativos ou processos industriais que tenham como objetivo a redução da quantidade de lixo produzido. ATERROS SANITÁRIOS Existe uma enorme diferença operacional. Todo o lixão coletado é transportado para um local afastado e descarregado diretamente no solo. Reciclagem orgânica (compostagem da matéria orgânica). também podem ser considerados como formas de tratamento. associado com as águas pluviais e nascentes existentes nos locais de descarga dos resíduos. 65 . O Lixão representa o que há de mais primitivo em termos de disposição final de resíduos. explosões e até de doenças respiratórias.Poluição do ar: provocando formação de gases naturais na massa de lixo. Reciclagem energética (incineração ou queima de resíduos perigosos. Reciclagem industrial (reaproveitamento e transformação dos materiais recicláveis). OBS. originando riscos de migração de gás.tecnicodepetroleo. com reaproveitamento e transformação da energia gerada). pela decomposição dos resíduos com e sem a presença de oxigênio no meio. 3º . sem tratamento algum.Poluição da água: alterando as características do ambiente aquático.br 2º . Esterilização a vapor e desinfecção por microondas (tratamento dos resíduos patogênicos.ufpr.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. sépticos.

com o seu distanciamento. vistos anteriormente. além do aspecto altamente positivo de se implantar uma educação ambiental com resultado promissores na comunidade. desenvolvendo coletivamente uma consciência ecológica.ufpr. este método enfrenta limitações por causa do crescimento das cidades. 66 . Aperfeiçoam-se os critérios e requisitos analisados nas aprovações dos Estudos de Impacto Ambiental pelos órgãos de controle do meio ambiente.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. se manifestarão.tecnicodepetroleo. que ganha cada vez mais força. Trata-se de uma técnica importante em razão da composição do lixo urbano do Brasil. surgimento de doenças e o transtorno do visual desolador por um local com toneladas de lixo amontoado.br Assim. As áreas destinadas para implantação de aterros têm uma vida útil limitada e novas áreas são cada vez mais difíceis de serem encontradas próximas aos centros urbanos. Entretanto. permitindo uma redução de volume dos resíduos e a transformação destes em composto a ser utilizado na agricultura. ou seja. proliferação de ratos e moscas. a instalação de Aterros Sanitários deve planejada sempre associada à implantação da coletiva seletiva e de uma indústria de reciclagem. como recondicionante do solo. entre outros procedimentos técnico-operacionais responsáveis em evitar os aspectos negativos da deposição final do lixo. associado ao aumento da quantidade de lixo produzido. é dessa forma que a maioria das cidades brasileiras ainda "trata" os seus resíduos sólidos domiciliares. além do fato de que os gastos com a sua operação se elevam. cujo resultado é sempre uma maior participação da população na defesa e preservação do meio ambiente. exalação do mau cheiro. o que permitirá que sua vida útil seja bastante prolongada. apesar das vantagens. todos os efeitos negativos para a população e para o meio ambiente. contaminação dos lençóis freáticos. O Aterro Sanitário é um tratamento baseado em técnicas sanitárias (impermeabilização do solo/compactação e cobertura diária das células de lixo/coleta e tratamento de gases/coleta e tratamento do chorume). O sistema de aterro sanitário precisa ser associado à coleta seletiva de lixo e à reciclagem. Devido a suas desvantagens. Infelizmente. COMPOSTAGEM A compostagem é uma forma de tratamento biológico da parcela orgânica do lixo.

É um processo que demanda custos bastante elevados e a necessidade de um super e rigoroso controle da emissão de gases poluentes gerados pela combustão. com resultados positivos. O que nos leva a economizar matériaprima e energia. Não fossem essas desvantagens.tecnicodepetroleo. a incineração seria um tratamento adequado para resíduos sólidos de alta periculosidade. RECICLAGEM.ufpr. pois além das despesas extraordinárias com a sua implantação e monitoramento da poluição gerada. O sistema de incineração do lixo vem sendo abandonado. A reciclagem e a reutilização estão sendo vistas como duas importantes alternativas para a redução de quantidade de lixo no futuro. como o Japão. 67 . além da possibilidade do aproveitamento da energia gerada na combustão. e possíveis aspectos negativos de cheiro no pátio de cura.br Pode enfrentar dificuldades de comercialização dos compostos em razão do comprometimento dos mesmos por contaminantes. como o lixo hospitalar. Em países desenvolvidos. que são processos altamente educativos. criando com isso bons hábitos de preservação do meio ambiente. tais como metais pesados existentes no lixo urbano. INCINERAÇÃO Este tratamento é baseado na combustão (queima) do lixo. REUTILIZAÇÃO E REDUÇÃO DO LIXO. leva-o a ser o maior predador do universo. A corrida desenfreada na produção de bens de consumo pelo ser humano associado à escassez de recursos não-renovaveis e contaminação do meio ambiente.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. implica também em relegar para segundo plano a coleta seletiva e a reciclagem. permitindo reduzir significativamente o volume do lixo tratado e não necessitar de grandes áreas quando comparada aos aterros sanitários. Este problema tem despertado no ser humano o pensar mais profundamente sobre a reciclagem e reutilização de produtos que simplesmente seriam considerados inservíveis. a reciclagem e reutilização já vem sendo incentivadas e realizadas há vários anos.

o que permite a economia de energia. jornal.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. Como exemplos: 68 . com o apoio da população que já está sensível a estas questões. OS 3 Rs PARA CONTROLE DO LIXO Os 3Rs para controle do lixo são REDUZIR. além de reduzir o volume de lixo.ufpr. plástico.br No Brasil já temos grupos que estão atentos aos problemas mencionados e buscando alternativas para resolvê-los. REUTILIZAR: Reutilizar significa usar um produto de várias maneiras. ETC. preferindo as de papelão que são recicláveis. Reciclar Papel. Reduzindo e reutilizando se evitará que maior quantidade de produtos se transformem em lixo. portanto. As prefeituras das cidades de São Paulo e Curitiba já iniciaram programas de coleta seletiva do lixo contando para isto. dinheiro. significa menos árvores derrubadas. REDUZIR: Reduzir o lixo em nossas casas implica em reduzir o consumo de tudo o que não nos é realmente necessário. O reaproveitamento do plástico ajuda a poupar petróleo e. REUTILIZAR e RECICLAR.) e os que não são. além da economia. dando lugar e materiais recicláveis. Mesmo que a prefeitura de sua cidade não tenha instituído a coleta de lixo seletiva.tecnicodepetroleo. Indústrias nacionais e subsidiárias estrangeiras já iniciaram programas de substituição de embalagens descartáveis. Reciclando se prolonga a utilidade de recursos naturais. que não poluem o ambiente e desperdiçam menos energia. Isto significa rejeitar produtos com embalagens plásticas e isopor. vidros. separe em 2 recipientes: os recicláveis (papel. EXEMPLOS: Cacos de vidros são usados na fabricação de novos vidros.

discos.A.br Reutilizar depósitos de plásticos ou vidro para outros fins. aproveitando ao máximo os bens de consumo. que representa a segunda seta. Após o produto ser usado ele pode ser reciclado.ufpr. recados. sendo o grupo mais poderoso no processo. Três setas compõem o símbolo da Reciclagem. como: roupas. Livros Técnicos e Científicos Editora S. móveis. Este processo consiste em fazer coisas novas a partir de coisas usadas. Leituras sugeridas: os alunos devem consultar livros. A reciclagem reduz o volume do lixo. Reutilizar envelopes. assim como economiza os materiais e a energia usada para fabricação de outros produtos. calçados. A primeira seta representa os produtores. Monografias. 2ª Edição. RECICLAR: Reciclar é uma maneira de lidar com o lixo de forma a reduzir e reusar. O símbolo de reciclagem é como um grande círculo. ou seja. vendem de volta o material usado para o produtor transformá-lo em novo produto.tecnicodepetroleo. o que contribui para diminuir a poluição e a contaminação. as empresas que fazem o produto. Eles vendem o produto para o consumidor. A terceira seta representa as companhias de reciclagem que coletam os produtos recicláveis e através do mercado. Dissertações. NÓS! Há uma grande diferença entre produto RECICLÁVEL e o RECICLADO. Instituir a Feira de Trocas para reciclar.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www. podem consultar outros tais como: Engenharia do Saneamento Ambiental – Autor: Francílio Paes Leme. bem como na recuperação natural do meio ambiente. como plantar. cada uma representa um grupo de pessoas que são indispensáveis para garantir que a reciclagem ocorra. Teses e sites da internet que tratem do tema ambiental. entre os citados nas referências. colocando etiquetas adesivas sobre o endereço do remetente e destinatário. Aproveitar folhas de papel rasuradas para anotar telefones. o Consumidor. lembretes. fazer brinquedos. 69 . leitura de Revistas.

1998. 4.br 37. Rio de Janeiro: ABES. Princípios básicos do tratamento de esgotos.. CAMPOS. 1979. 1982. Blumenau.T. Lei N. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. Conselho Nacional do Meio Ambiente. São Paulo: CETESB.M. 20 ed. Tratamento de esgotos domésticos. Washington. Revista de estudos ambientais. 1995.U. VON SPERLING. APHA/AWWA/WPCF. C. 12. Programa de Gerenciamento de Resíduos Químicos em Laboratórios de Ensino e Pesquisa. Tratamento de Efluentes. R. 2ed. M. 2003. J.3. Resolução n° 264 de 26 de agosto de 1999. 2003. R. Estudo de Caso.A. 1996.H. 6. (Dissertação de Mestrado) UFPR. Sistemas simples para tratamentos de esgotos sanitários: experiência brasileira.S. 6938. de 13 de janeiro de 1997. v. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. BORGES. W. PESSOA. 1999. 9. 3. 1997. C. 7. . n. ABES/CETESB..tecnicodepetroleo. 2. M. 77-100. Manual de tratamento de águas residuárias. Universidade Federal de Minas Gerais. BAIRD. 1.ufpr. SHIROTA. M.1. 8. P. Disposição final de lodo de esgoto. 2120. E. 11. Decreto N. M. set/dez 1999. 5. Environmental Chemistry. BRAILE. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos.. STANDARD METHODS FOR THE EXAMINATION OF WATER. P. Rio de Janeiro. Universidade Federal de Minas Gerais. REFERÊNCIAS ANDRADE NETO. C. VON SPERLING. et al.P. Professor de Química Analítica Ambiental / UFPR. ZAMORA. BRASIL. & JORDÃO E.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.P. 70 . ROCHA. Freeman and Company.. Tratamento de esgotos sanitários por processo anaeróbio e disposição controlada no solo. O. Rio de Janeiro: ABES.A. 10. 1996.

Qual o órgão de proteção ambiental existente no Estado do Paraná e quais as funções deste Instituto? 8. 3. 71 .ufpr. Se você considera que a Educação Ambiental é importante no ensino. entra os quais encontra-se a DBO e a DQO. como acontece e quais os maiores agravantes de poluição que atingem o planeta? 7. 5. Descreva com suas palavras. tratamento biológico e Qual o objetivo destes tratamentos. 10. Descreva a disciplina de Tratamento de efluentes e se esta disciplina é relevante para o curso que você está estudando. Descreva: Impacto ambiental e Poluição ambiental A qualidade da água pode ser expressa por um conjunto de parâmetros característicos.tecnicodepetroleo. Quais as medidas de controle de poluição ambiental? Descreva como você entende o tratamento químico. 6. para que serve e como se obtém estes parâmetros? 4. O que é a chuva ácida. Faça um levantamento dos problemas ambientais que existem na região em que você mora e dê sugestões de como reverter esta situação.Curso Técnico de Petróleo da UFPR Site: www.br LISTA DE EXERCÍCIOS: 1. Em que consiste. 9. Em que consiste e para que serve um sistema de tratamento de águas residuárias? 2.

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