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CURSO SUPERIOR DE MATEMÁTICA

PUBLICAÇÕES ELETRÔNICAS

LÓGICA APLICADA

Prof. Lúcia C. Stefani 2005
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1 SUMÁRIO

INTRODUÇÃO PROPOSIÇÕES SIMPLES E COMPOSTAS CONECTIVOS LÓGICOS TABELA VERDADE DE PROPOSIÇÕES COMPOSTAS CLASSIFICAÇÃO DE PROPOSIÇÕES ÁLGEBRA DE INTERRUPTORES ÁLGEBRA DE BOOLE: PROPRIEDADES VALIDADE DE ARGUMENTOS: REGRAS DE INFERÊNCIA FUNÇÕES BOOLEANAS PORTAS LÓGICAS CIRCUITOS INTEGRADOS SIMPLIFICAÇÃO DE FUNÇÕES LÓGICAS MÉTODO DO MAPA DE KARNAUGH PROJETOS LÓGICOS BIBLIOGRAFIA

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Exemplos: “A lua é um satélite da terra” . dominaram grande parte dessa época. “3 + 5 = 5 + 3” . • • CÁLCULO PROPOSICIONAL Proposição é um conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo. A história da Lógica encontra-se dividida em 3 períodos básicos: • Aristotélico ( ± 300 aC – 1910 ): os antigos filósofos gregos usavam em suas discussões sentenças enunciadas nas formas afirmativa e negativa. O nosso curso.) Princípio do terceiro excluído: Toda a proposição ou é verdadeira ou é falsa. Valor lógico de uma proposição: uma proposição representa-se por letra minúscula “p” e o seu valor lógico por v ( p ). Pela primeira vez é desenvolvido o cálculo sentencial. Deverão ser sentenças afirmativas. usando negação e implicação como conceitos primitivos. como a filosófica. Assim: v ( p ) = V se p é uma proposição verdadeira v ( p ) = F se p é uma proposição falsa Princípios da Lógica Matemática: 1º. “ 9 ≠ ± 3 ” Não são proposições: “Que horas são?” . O seu raciocínio dedutivo era baseado em silogismos (argumentos compostos de 2 premissas e uma conclusão). entre muitos outros. resultando assim grande simplificação e clareza.) Princípio da não contradição: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. já que ela abrange áreas distintas. exclamativa e imperativa. e um dos seus objetivos é estabelecer uma linguagem formal.2 INTRODUÇÃO O que é a Lógica? Qual o objeto de estudo da Lógica? Embora não encontremos uma resposta precisa. Este período de desenvolvimento da Lógica culminou com a publicação de Principia mathematica de Whitehead e Russel que ajudou a completar o programa sugerido por Leibniz. existem algumas afirmações do tipo: “lógica é o que é incontestável” ou “lógica é um raciocínio correto”. verificando-se . através da qual se pode expressar com clareza e precisão um juízo de verdadeiro ou falso para um determinado problema ou situação. Booleano (1840 – 1910 ): George Boole deu novos rumos à álgebra da Lógica. a Álgebra de Boole não teve qualquer utilização prática até essa época. “Como o dia está lindo!” ou “Fala mais baixo!” por serem sentenças interrogativa. Nessa época também se destacaram Augustus de Morgan e Gottlob Frege. Atual ( a partir de 1910 ): Embora existindo há mais de 100 anos. 2º. a matemática e a computacional. o que serviu de base para o desenvolvimento da teoria dos interruptores. visa conhecer a Álgebra de Boole e mostrar as suas aplicações no processamento automático de dados na área computacional. que visava dar uma base lógica para toda a Matemática. ainda que elementar. O grande interesse pela retórica e pelas questões psicológicas. sendo a partir daí aplicada na análise de circuitos de relés. respectivamente. com efeito de grande valia para a Matemática.

etc. São eles: Negação: Seja a proposição “p: Um número é par” a sua negação será: “~ p: Um número não é par” (leia não p) A tabela verdade da negação será: p V F ~p F V Conjunção Seja p: Este aluno trabalha q: Este aluno estuda chama-se conjunção e representa-se por p ∧ q à proposição: p ∧ q: Este aluno trabalha e estuda (leia p e q) Tabela verdade da conjunção: p V V F F q V F V F p∧q V F F F Disjunção Seja p: Este aluno trabalha q: Este aluno estuda chama-se disjunção e representa-se por p ∨ q à proposição: p ∨ q: Este aluno trabalha ou estuda (leia p ou q) Tabela verdade da disjunção: p V V F F q V F V F p∨ q V V V F Disjunção exclusiva (“ou” exclusivo) Seja p: Este aluno é santista q: Este aluno é carioca chama-se disjunção exclusiva e representa-se por p v q à proposição: Tabela verdade da disjunção exclusiva: p V V F F q V F V F pvq F V V F . ligadas entre si por palavras ou símbolos chamados conectivos lógicos (palavras sublinhadas nos exemplos). “Um número é par e é positivo” . Exemplos: “Um número é par”. etc. Exemplos: “Um número é par ou um número é ímpar” . CONECTIVOS LÓGICOS Chamamos conectivos ou operadores lógicos a qualquer palavra ou símbolo que se usa para formar novas proposições compostas a partir de outras proposições simples. “Um número é divisível por 2”. Uma proposição composta é formada por duas ou mais proposições simples. “Se um número é par. então é divisível por 2”. PROPOSIÇÕES SIMPLES E COMPOSTAS Proposição simples é aquela que afirma apenas um fato ou exprime apenas um juízo.3 sempre um destes casos e nunca um terceiro. “Um número é ímpar”.

O número de linhas de uma tabela verdade. → e ↔ . é divisível por 2 representa-se por p ↔ q e lê-se “ p se e somente se q” a proposição: p ↔ q: Um no. condicional e bicondicional. é possível combiná-las pelos conectivos lógicos ~ . q. cujos valores lógicos ( V ou F ) dependem do valor das proposições simples que as compõem. já é V ) ( apenas V → F = F ) ( iguais é V. . s. construindo proposições compostas. Repare que nas tabelas apresentadas anteriormente. ∨ . já é F ) ( tendo um V. constrói-se a sua tabela verdade. os conectivos: conjunção. depende do número n de proposições simples e é igual a 2n.4 p v q : Este aluno é santista ou carioca (leia p ou q) Condicional Seja p: João é santista q: João é brasileiro representa-se por p → q e lê-se “se p então q” a proposição: p → q: Se João é santista então João é brasileiro Tabela verdade da condicional: p V V F F q V F V F p→ q V F V V Bicondicional Seja p: Um no. e o no. tínhamos 2 proposições p e q .. além da negação. serão 2 2 = 4 linhas “ “ “ 3 4 5 “ “ “ “ “ “ 2 3 = 8 linhas 2 4 = 16 linhas 2 5 = 32 linhas . r. cujas tabela verdade podem ser resumidas do seguinte modo: • • • • Conjunção p ∧ q : só é V se as duas proposições são V Disjunção p ∨ q : só é F se as duas proposições são F Condicional p → q : só é F quando ocorrer V → F nessa ordem Bicondicional p ↔ q : é V se v (p) = v (q) é F se v (p) ≠ v (q) ( tendo um F. Para determinar todos os valores assumidos por uma proposição composta. é par se e somente se é divisível por 2 Tabela verdade da bicondicional: p V V F F q V F V F p ↔q V F F V RESUMINDO: No nosso curso vamos utilizar. é par q : Um no. Tendo-se 2 proposições.. disjunção. ∧ . diferentes é F ) TABELA VERDADE DE UMA PROPOSIÇÃO COMPOSTA Dadas várias proposições simples p. de linhas de cada tabela é 2 2 = 4 linhas.

CLASSIFICAÇÃO DE PROPOSIÇÕES Tautologia: proposição cuja tabela verdade é é V em todas as linhas. Os valores V e F atribuídos a p. etc. obedecerão a seguinte ordem.. ela é sempre verdadeira independentemente do valor lógico das proposições simples que a compõem. q.) Efetuar as negações ( ~ ). Contingência ou indeterminação: proposição cuja tabela verdade tem linhas V e linhas F. deve atender para a prioridade dos conectivos lógicos: 1º. 2º. independentemente das componentes..) As bicondicionais ( ↔ ). r. a prioridade é dos parênteses mais internos para os mais externos. s. 3º. dependendo das componentes. Contradição: é uma proposição que é sempre falsa.) As condicionais ( → ). ou seja. Exercícios: Faça a TV de cada uma das proposições seguintes e classifique-as: 1) ~ ( p ∧ q ) ↔ ~ p ∨ ~ q 2) 3) a → b ↔ a ∧ ~b (p ∧ q) ∨ r ↔ p ∧ (q ∨ r) 4) ( a → b ) → ( ( a ∧ ( b ∧ c ) ) → ( a ∧ ( b ∨ c ) ) ) . É claro que se a proposição tiver parênteses.) As conjunções e as disjunções ( ∧ e ∨ ).5 “ 6 “ “ 2 6 = 64 linhas . . de modo que todas as combinações sejam consideradas e nenhuma seja repetida: p V V V V V V V V F F F F F F F F q V V V V F F F F V V V V F F F F r V V F F V V F F V V F F V V F F s V F V F V F V F V F V F V F V F p V V F F q V F V F p V V V V F F F F q V V F F V V F F R V F V F V F V F Ao construir a tabela verdade de uma proposição composta. 4º.

. temos: p 0 0 1 1 q 0 1 0 1 R 0 1 1 1 R corresponde à disjunção p ∨ q fazendo 0 = F e 1 = V. q e lê-se p e q.6 5) ( p ↔ q ) ↔ ( ~ p ∨ q ) ∧ ( ~ q ∨ p ) ÁLGEBRA DE INTERRUPTORES Interruptor é um dispositivo ligado a um ponto de um circuito elétrico. Indicaremos R por p + q e lê-se p ou q. Ligação em série Estados possíveis: Chamando de T o estado da conexão entre os extremos das ligações em série. que pode assumir um de dois estados: Circuito com dois interruptores: Ligação em paralelo Estados possíveis: Chamando de R o estado da conexão entre os extremos dos paralelos. Indicaremos T por p . temos: p 0 0 1 1 q 0 1 0 1 T 0 0 0 1 T corresponde à conjunção p ∧ q fazendo 0 = F e 1 = V.

q = q .q = p + q e p + q = p. p e q se comportam da mesma forma. q) . Propriedades desta álgebra (Podem ser provadas através de TV): 1) Comutativa: p + q = q + p e p . e reciprocamente. Indicaremos q por p : p q =p 0 1 1 0 b) Quando um liga.p = p 6) Absorção: p . quando um desliga. (p + q) = p e p+p.q = p 7) Dupla negação: p = p . r 4) De Morgan: 5) Idempotência: p. o outro também desliga. r e p . q + p . q + p . (q + r) = p . o que na lógica corresponde à bicondicional tautológica. o outro liga. ou seja.7 Acoplados Consideraremos dois casos: a) Quando um liga o outro desliga. (q . r 3) Distributiva: p . são equivalentes. p 2) Associativa: p + (q + r) = (p + q) + r e p . Veja o esquema: p e q se comportam como p e ~ p na lógica proposicional. r) = (p .q p+p = p e p. (q + r) = p . Ambos se representam por p.

b + b.q 2) a. q + ( p .b = a +b a +b = a. c a + b .b Idempotência a.q + s. ( b . r ) + ( p . (b .b ). q .b = a Outras propriedades a. c ) + a.t 4) q 5) x.c + a . conforme tabela distribuída na classe: PROPRIEDADES DA ÁLGEBRA DE BOOLE Associativa a . a =0 a+ a =1 a.c + b 3) p. simplifique-as usando as propriedades anteriores e desenhe os novos esquemas simplificados: 1) ( p . c + b ) 4) ( p . p 3) ( p .0 = 0 p+0 = p Todo o conjunto ou estrutura cujas operações verifiquem as propriedades descritas. é chamado de ÁLGEBRA DE BOOLE. estão resumidas as propriedades. c = (a + b) .1 = p p+1 = p p. c + b.c Respostas: 1) p. c + ( b . c a + (b + c) = (a + b) + c Comutativa a.b. (b + c) = a .y + a + b + c ) 2) ( a + b ) .y .1=a a+1=1 a.c 6) a.0=0 a +0=a Dupla negação a = a Exercícios Represente esquematicamente as seguintes expressões.a a+b=b+a Distributiva a . q 6) ( a . b + a . (a + c) De Morgan a. p =0 p+ p =1 p.8 8) Outras propriedades: p. q ) + s . c) = (a . q + q ) ) . t 5) ( x .b=b.y + a . q + ( p + q ) ) . b) .a=a a+a=a Absorção a . b + a.b. ( x . (a + b) = a a+a. A seguir.c ) .

q.c 16) . b . e simplifique-as usando as propriedades da Álgebra de Boole: 7) 8) 9) 10) 11) 12) 13) 14) 15) 16) Respostas: 7) p.b 13) y + x 14) c 15) b + a .c 8) p.9 Escreva a expressão algébrica que determina o tipo de ligação nos circuitos desenhados.q a.r 9) b 10) b + a 11) c 12) c + a .

p → s ..). s → r |⎯ p ∧ ~ s h) p ∨ ~ q . inclui-se a como premissa provisória ( pp ) e deduz-se b. Pn |⎯ C Para que um argumento seja válido. P2 ... a |⎯ b a → b . ~ q → r . Regras de inferência: Modus Ponens ( MP ) : Modus tollens ( MT ) : Silogismo disjuntivo ( SD ) : Simplificação ( S ) : Conjunção ( Cj ) : Adição ( Ad ) : Exercícios: 1) Prove através de tabela verdade a validade dos argumentos anteriores. b |⎯ a ∧ b a |⎯ a ∨ b |⎯ q→t NOTA: Quando a conclusão é do tipo a → b . Simbolicamente escrevemos: P1 ∧ P2 ∧ P3 ∧ .. ∧ Pn ⇒ C O que equivale a afirmar que: se todas as premissas forem verdadeiras. ~ b |⎯ ~ a a ∨ b . ~ q → r |⎯ r b) p → q . designados como regras de inferência. . Pn ... A validade de um argumento pode ser provada através de uma tabela verdade. ~ s a → b . p → r .. p → ~ s |⎯ r f) p ∧ q . q → s |⎯ r ∧ s g) p ∧ ~ q . q ∨ ~ r . ~ r . ~ q |⎯ r ∨ s c) p ∧ q . e Pn se chamam premissas.. então a conclusão também tem que ser verdadeira. Como já foi visto anteriormente. C onde P1 . ~ a |⎯ b a ∧ b |⎯ a a . 2) Provar através de regras de inferência. . Representa-se do seguinte modo: P1 .. 4: 16 linhas. P2 .. comprovadamente válidos. basta verificar que P1 ∧ P2 ∧ P3 ∧ . ∧ Pn → C é uma tautologia. q → r |⎯ p e) p ∧ q . e a última C é a conclusão. por isso provaremos argumentos através de outros argumentos simples. é necessário que a conjunção das premissas implique a conclusão. e o argumento diz-se válido ou legítimo. Se essa condicional não for tautologia. uma tabela verdade pode ser um processo trabalhoso se estiverem envolvidas muitas proposições simples ( 3: 8 linhas.. o argumento é falho ou ilegítimo. q → s |⎯ ~ r → ~ q j) ~ p → ~ q ∨ r . 5: 32 linhas. r ∨ s . chamados regras de inferência.. P2 . P3 .... s ∨ ( r → t ) . É a chamada prova condicional. etc. P3 .. a validade dos seguintes argumentos: a) p → ~ q . . ~ p ∨ s . ~ r |⎯ s i) r ∨ ~ s . . ~ p → r . p → r |⎯ p ∧ r d) p ∨ q ..10 VALIDADE DE ARGUMENTOS Um argumento é uma seqüência de proposições P1 . p .

Assim como as funções reais.t.r... que serão os elementos de entrada (0 ou 1). e podem ter diferentes representações de acordo com as normas adotadas. que são dispositivos especiais existentes dentro de circuitos integrados.b 1 1 1 0 Y= a+b 1 0 0 0 Y=a ⊕ b 0 1 1 0 Inversor (negação): Porta “ e ” ou Porta “and” Porta “ ou ” ou Porta “or ” Porta “ ne ” ou Porta “nand” Porta “nou” ou Porta “nor” Porta “ou exclusivo” ou Porta “exclusive or” . . Uma função booleana é qualquer função constituída pelos operadores “+ . e a variável de saída será X = f (a. e inversão” estudados.. é chamado de Álgebra de Boole.) ou f (p.b.b. todo o conjunto ou estrutura algébrica onde se verifiquem as propriedades estudadas na álgebra de interruptores.q.c.q. elementos de saída (0 ou 1)... estas funções lógicas operam com variáveis independentes.c.b 0 0 0 1 Y=a+b 0 1 1 1 Y = a..d. As variáveis lógicas independentes (entradas) serão representadas pelas letras a.s.) ou Y = f (a.).b..11 FUNÇÕES BOOLEANAS Como já foi afirmado anteriormente. ou p.. No nosso curso usaremos as normas americanas MIL – STD – 806B (Military Standard) ou ASA (American Standard Association): PORTAS LÓGICAS: a 0 1 a 0 0 1 1 a 0 0 1 1 a 0 0 1 1 a 0 0 1 1 a 0 0 1 1 b 0 1 0 1 b 0 1 0 1 b 0 1 0 1 b 0 1 0 1 b 0 1 0 1 Y= a 1 0 Y=a.c. A sua representação gráfica é feita através de portas lógicas. e variáveis dependentes.r.....

em vez de: usa-se apenas: Exercícios: 1) Representar a função Y algebricamente. são operadas segundo a sua função específica. . c.) entram na porta lógica. em cada um dos exemplos dados: a) b) c) d) e) f) . e a porta apresenta uma única saída.. quando uma variável é invertida antes de entrar na porta. a variável dependente Y ( função lógica). as variáveis binárias independentes (a. Para simplificar.. b.12 Matematicamente.

b.d ) + c ) Respostas: 1) a) Y = a . (a + b) b) Y = a .b + c . d + (a + b) + a .c b) c) d) e) f) .c + a.c.b. ( b + c ) + ( a . (a . b . (a. b) + (a + b) .c b) Y = a . b ) f) Y = a .b.c ) ⋅ ( ( a + b .b + a.13 2) Representar através de portas lógicas as funções cuja representação algébrica é: a) Y = ( a + b ) ⋅ ( a + b ) d) Y = a . a .b) .c d) Y = (a + a.b + c .c 2) a) e) Y = a + d + a.d e) Y = ( a + b . ( b + c ) + a + b .b + a.d c) Y = a .c + a. b . (a + b) c) Y = a.b) f) Y = a + b .

a família TTL (Lógica Transistor – Transistor) é a mais conhecida. Entre os vários tipos de CIs encontrados no mercado. No seu processo de fabricação. são encapsulados em invólucros especiais constituindo unidades isoladas. Abaixo estão representados esquematicamente alguns deles: CI – 7408 CI – 7400 CI – 7432 CI – 7402 CI – 7404 CI – 7410 .14 Circuitos Integrados (CIs) As funções lógicas são atualmente implementadas por pequenos circuitos integrados que funcionam como portas lógicas.

r Com 4 variáveis: a. b Distributiva: a . SIMPLIFICAÇÃO DE CIRCUITOS LÓGICOS Forma Normal Conjuntiva (FNC = produto de somas) • • • • Dizemos que uma função booleana está na forma normal conjuntiva a n variáveis. (b + c) = a .q . Todos os outros pinos são entradas e saídas de portas lógicas. basta que usemos as seguintes equivalências notáveis: • • • Dupla negação: a = a De Morgan: a .” e “ + ”.b.d + a.b.d Qualquer função booleana pode ser escrita na FNC ou na FND.r + p. Cada pino é numerado de 1 a 14 no sentido anti-horário.r + p.b.c. Exemplos de formas normais conjuntivas: Com 2 variáveis: (a + b) ⋅ (a + b ) . não tem expressões do tipo: a + ( b .b .c. Pino 14: VCC (fonte.d + a.d + a . ( b + c) ou (a + b) .r + p.c.b + a .d ) Todas as variáveis ou seus complementos devem aparecer em todos os termos. ou seja.15 Os esquemas se referem a circuitos integrados DIP (dual in line package) com 14 terminais.d + a .d + a.c .q. Exemplos de formas normais disjuntivas: Com 2 variáveis: a. sendo os pinos 7 e 14 destinados à conexão. ou seja.b. quando: Não contém duplas negações: a As negações não têm alcance sobre as operações “.q . ou seja. ( a + b) ⋅ ( a + b) Com 3 variáveis: ( p + q + r ) ⋅ ( p + q + r ) ⋅ ( p + q + r ) ⋅ ( p + q + r ) Com 4 variáveis: (a + b + c + d ) ⋅ (a + b + c + d ) ⋅ (a + b + c + d ) ⋅ (a + b + c + d ) ⋅ (a + b + c + d ) Forma Normal Disjuntiva (FND = soma de produtos) • • • • Dizemos que uma função booleana está na forma normal disjuntiva a n variáveis. ou seja. Pino 7: GND (ground – terra.q. não tem expressões do tipo: a .b .c e a + b As operações “. b = a + b e a + b = a . a . (a + c) .b Com 3 variáveis: p. não tem expressões do tipo: a .c.b .c .c e a + b As operações “+” não têm alcance sobre as “ . ”. b + a .” não têm alcance sobre as “ + ”.c) ou (a . (c + d ) Todas as variáveis ou seus complementos devem aparecer em todos os termos. c = (a + b) .b + a.b) + (c . não tem expressões do tipo: a . 5 V).” e “ + ”. 0 V). c e a + b . quando: Não contém duplas negações: a As negações não têm alcance sobre as operações “.

Atribui-se o valor 1 a variáveis normais e 0 a variáveis complementadas. b. resultando em economia do circuito a ela correspondente. Escrever uma função booleana na FND é um passo necessário para que ela seja simplificada através de um método denominado Mapa de Karnaugh. Minimizar ou simplificar uma função booleana é reduzir ao mínimo o número de seus termos. Representa-se cada um dos termos da função na correspondente casa da tabela de acordo com os quadros abaixo.1 = ab. ela permanece normal. b. 6. ela é eliminada.16 Para completar um termo onde falte uma variável usamos as equivalências: a . Modelos de Mapa de Karnaugh para 3 e 4 variáveis: 0 0 1 1 0 1 1 0 0 0 ab cd ab cd a b cd a b cd 0 1 ab cd a bc d a bcd a bcd 1 1 abc d abc d abcd abc d 1 0 ab c d ab c d ab cd ab cd . Método do Mapa de Karnaugh Um mapa de Karnaugh é uma forma modificada de tabela verdade. c ) = abc + abc + a bc Repare que na prática. 4. Para isso procedemos do seguinte modo: 1. 2. Ex: f (a. b. coluna podem ser agrupadas com as da última coluna. Casas da 1ª.( a + a ) = abc + abc + abc + a bc E usando idempotência: Y = f ( a. Associam-se esses termos em grupos de 2. se ela é 0 em todas as casas agrupadas. 5. que nos permite representar graficamente e simplificar quando possível.(c + c ) + bc . Os métodos mais freqüentes na minimização de uma função ou expressão são: • Método algébrico – utiliza as propriedades da Álgebra de Boole. Se uma variável muda de valor em todas as casas do grupo. Cada grupo dará origem a um termo simplificado. 4 ou 8 elementos (potências de 2) que ocupem casas adjacentes. • Método do Mapa de Karnaugh. Casas da 1ª. Os 4 cantos da tabela também podem ser agrupados. Escrevemos a expressão na FND. Já foi utilizado no nosso curso na simplificação de circuitos de interruptores. se ela é 1 em todos os termos agrupados. uma função booleana. c ) = ab + bc = ab. ela permanece no termo complementada. basta acrescentar ao termo incompleto a variável que está faltando e a sua negação. c) = abc + ab c + abc + a b c = 111 + 101 + 110 + 000 3.1 + bc . linha podem ser agrupadas com as da última linha.1 = a e a + a = 1 veja o exemplo: Y = f ( a.

17 Exemplos: Simplificar através de Mapa de Karnaugh.b Z= b +c W = a . o procedimento é análogo: 5) 6) 7) 8) X = b d + bd Completar: 9) P: Y = b c + bcd + a c 10) Q: 11) R: Z= b+c W = bd + ab + cd 12) S: . as seguinte funções: 1) X = a b + ab c + ab c + bc 2) Y = b c + bc + abc 3) Z = b c + a b c + ab c + bc 4) W = a b c + a b c + a bc + ab Resolução: 1) ( X = 000 + 100 + 001 + 101 + 010 + 110 ) ( Y = 001 + 101 + 011 + 111 + 110 ) ( Z = 000 + 100 + 001 + 101 + 011 + 111 ) ( W = 000 + 001 + 011 + 111 + 110 ) 2) 3) 4) X= b +c Y = c + a.c + a.b Com 4 variáveis.b + b.

Simplificá-la pelo método algébrico ou mapa de Karnaugh. Escrever a função lógica não simplificada na sua FND ou FNC. Exemplo: X = a b c + a b c + a bc + abc = 000 + 001 + 011 + 111 ( Nas linhas que fazem parte da função atribui-se 1. Construir a tabela verdade. . Construir o diagrama lógico correspondente.18 PROJETOS LÓGICOS Ao iniciar um problema de projeto lógico.b. Estabelecer as variáveis lógicas independentes definindo seus estados lógicos 0 e 1. A mesma função pode ser representada na forma normal conjuntiva (FNC). que podem ser equacionados através de funções lógicas booleanas. 5. Estabelecer a função lógica definindo também seus dois estados 0 e 1. 2. 3. 4.c) representada na tabela. é representada pelas linhas 1 da tabela verdade. na FND e na FNC: a 0 0 0 0 1 1 1 1 b 0 0 1 1 0 0 1 1 c 0 1 0 1 0 1 0 1 Y 1 1 0 0 1 0 1 0 FND: FNC: Y= Y = Y= Y= Problemas A seguir vamos apresentar alguns problemas práticos. extraindo-se da tabela as linhas 0 que correspondem a X : X = a bc + ab c + ab c + abc ⇔ X = a bc + ab c + ab c + abc E usando lei de De Morgan: X = (a + b + c) ⋅ (a + b + c) ⋅ (a + b + c ) ⋅ (a + b + c) Exercício: Escreva uma função Y = f (a. 6. nas outras 0 ) a b c X 0 0 0 1 → ab c 0 0 1 1 → ab c 0 1 0 0 0 1 1 1 → a bc 1 0 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 → abc 1 1 1 1 A função X. constrói-se primeiro uma tabela verdade de acordo com as exigências de entrada e de saída da função que se pretende implementar. O procedimento será: 1. na forma normal disjuntiva (FND).

2) Um elevador controlado automaticamente. ausência: 0) 2. pára num andar se o comando de parada do andar for acionado ou o comando de parada instalado no painel do elevador for acionado. . Função lógica: Y: Esteira em funcionamento: 1 Esteira não funcionando: 0 3. 5) Uma lâmpada ligada a dois interruptores. não acionado: 0) b: botão 2 (acionado: 1 . Tabela verdade: a 0 0 0 0 1 1 1 1 b 0 0 1 1 0 0 1 1 c 0 1 0 1 0 1 0 1 Y 0 0 0 1 0 1 0 1 4. Diagrama lógico correspondente: Exercícios: Em cada um dos exercícios propostos analise o enunciado. Simplificando: Y = a bc + ac ⋅ (b + b) = a bc + ac ⋅ 1 Y = c ⋅ ( a b + a ) = c ⋅ ( a + a ) ⋅ (b + a ) Y = c ⋅ (b + a ) 6. ache sua tabela verdade. acende quando um e somente um dos interruptores está ligado. identifique as variáveis independentes e a função pretendida. Pergunta-se: a) Qual é a função lógica simplificada que corresponde a essa situação? b) Qual é o diagrama lógico correspondente à função encontrada? 1. não acionado: 0) c: carga na esteira (presença: 1 . 4) Uma bomba é acionada para transferir fluido do reservatório A para o reservatório B. sua FND simplificada e o diagrama correspondente: 1) Uma célula fotoelétrica dispara uma campainha quando a luz não estiver acesa ou um obstáculo bloquear o contato entre os seus pólos. 3) A lâmpada do teto acende quando qualquer das duas portas de um carro está aberta. somente quando o indicador de nível do reservatório A indica nível máximo ou o indicador de nível do reservatório B indica nível mínimo. FND: Y = a bc + ab c + abc 5.19 Exemplo resolvido: Uma esteira rolante entra em funcionamento quando pelo menos um de dois botões de comando é acionado e quando um sensor indica a presença de carga na esteira. Variáveis lógicas independentes: a: botão 1 (acionado: 1 .

B. estão desligados. aciona um alarme quando a porta principal estiver aberta ao mesmo tempo que 2 ou mais portas laterais estejam abertas.C. b) A. As situações perigosas e que acendem a lâmpada são: a) os sistemas A e B estão defeituosos. 9) O sistema de segurança de um prédio com uma entrada principal (A) e 4 portas laterais (B. que indicam condição livre da linha A e da linha B. As situações de emergência são: a) A e C defeituosos. E). D.20 6) O acionamento do sistema de alarme para o bloqueio de um trem entra em funcionamento. C.B. quando o sinaleiro A e o sinaleiro B. c) os sistemas B e D estão defeituosos. C e D. 7) O sistema de iluminação de uma sala é ligado a 4 interruptores e só funciona quando mais da metade desses estão ligados ao mesmo tempo. b) os sistemas A. 10) O sistema de refrigeração de um prédio é automaticamente desligado quando ocorre uma situação de emergência no funcionamento dos 4 sub-sistemas (A. C e D estão defeituosos. importantes e dependentes entre si. B e D defeituosos.D) que compõem o sistema geral. c) C e D defeituosos. 8) Uma lâmpada é acesa num painel de operação do metrô cada vez que ocorre uma situação de emergência no funcionamento de 4 sistemas A. Respostas: 1) X = a b + a b + ab = a + b 3) X = a b + ab + ab = a + b 5) X = a b + ab 2) Y = a b + ab + ab = a + b 4) Y = a b + ab + ab = a + b 6) Y = a ⋅ b 7) X = a bcd + ab cd + abcd + abcd = bcd + acd + abc 8) Y = (a b c d + a b c d + a b cd + a b cd ) + (a b c d + a bc d ) + (a b c d + a b cd + ab c d + ab cd ) Y = ab + acd + b d 9) X = ab c de + ab cde + ab cde + abc de + abc de + abcd e + abcd e + abcde + abcde X = abc + ade + acd + abd 10) Y = a c + a b d + c d .

1995. S. 1973. DAGHLIAN. CURY. LÓGICA E ÁLGEBRA DE BOOLE. INTRODUÇÃO À LÓGICA. ÁLGEBRA DE BOOLE: Publicação da Escola SENAI “Hessel Horácio Cherkassky” CASTRUCCI. Jacob. 1995. Paulo: Èrica.21 BIBLIOGRAFIA ALENCAR FILHO. INTRODUÇÃO À LÓGICA MATEMÁTICA. 1991. Márcia Xavier. . Edgard de. Paulo: Nobel. Paulo: Nobel. INICIAÇÃO À LÓGICA MATEMÁTICA. S. Benedito. S. S. Paulo: Atlas.