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No Diário de Santa Faustina algo nos chama a atenção: "O Amor é a flor e a

Misericórdia é o fruto"

6ª OBRA DE MISERICÓRDIA CORPORAIS Mt 25 36 (25,31-46)


Em Mateus 25:34-46, Jesus insiste na necessidade de observar as seis primeiras
obras de misericórdia corporais:

34. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai,
possuí como herança o reino que vos está destinado desde a fundação do mundo.
35. Pois tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era
forasteiro, e recolhestes-me;
36. estava nu, e vestistes-me; enfermo, e visitastes-me; preso, e viestes ver-me.
37. Então perguntarão os justos: Senhor, quando te vimos faminto, e te demos de
comer; ou com sede, e te demos de beber?
38. Quando te vimos forasteiro, e te recolhemos; ou nu, e te vestimos?
39. Quando te vimos enfermo, ou preso, e fomos visitar-te?
40. O Rei responderá: Em verdade vos digo que quantas vezes o fizestes a um
destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.
41. Dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos,
para o fogo eterno, destinado ao Diabo e seus anjos.
42. Pois tive fome, e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era forasteiro, e não me recolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo e
preso, e não me visitastes.
44. Também eles perguntarão: Senhor, quando te vimos faminto, com sede,
forasteiro, nu, enfermo, ou preso, e não te servimos?
45. Então lhes responderá: Em verdade vos digo que quantas vezes o deixastes de
fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.
46. Irão estes para o suplício eterno, porém os justos para a vida eterna.

VISITAR OS PRESSOS
Socorrer os prisioneiros
Ficará à direita de Deus, no grupo dos bem-aventurados, aquele que visitou os
que estavam na prisão (Mt 25, 36).
Hoje o acesso nos presídios não é livre, há um certo rigor e triagem para visitas
à presidiários. Porém, nossas dioceses ainda são deficientes em se tratando de uma
pastoral carcerária efetiva, e dinâmica.
Os presidiários são lembrados em época de eleição, com falsas promessas de
novos presídios a serem construídos, caso o candidato ganhe a eleição. E, quando
acontecem as rebeliões que, quanto mais violentas e longas, mais espaço terão na
mídia. Inclusive inspirando filmes premiados. Mas, a realidade dos presos, logo cai no
esquecimento.
Há pouco tempo, um presidiário que na prisão acompanha meu programa de
rádio, escreveu-me partilhando: “minha família não me visita, porque têm vergonha
de mim, mas eu também tenho deles...”
A obra de misericórdia socorrer os prisioneiros, também se estende ao socorro
às famílias dos presidiários (as); auxiliando economicamente as que necessitam, e
ajudando-as a superarem os preconceitos.

Visitar os presos. Em primeiro lugar, é preciso desarmar-se de preconceitos e


julgamentos. Ao visitar os presidiários expressamos e oferecemos a misericórdia de
Deus, que vai além da justiça, e continua a amar a pessoa, mesmo no erro e no
pecado.

Caminhar com Maria

Maria é a “peregrina da fé” (LG 58). “Assim, ela progrediu... na peregrinação da fé e manteve fielmente sua união com
o Filho até a cruz, junto à qual se manteve erguida (cf. Jo 19,25), sofrendo profundamente com seu Unigênito e
associando-se ao seu sacrifício com entranhas de Mãe...” (LG 58). Como criatura humana, mulher, filha de Israel,
através de seu itinerário humano, ela se abriu à Palavra de Deus. Neste caminho, foi chamada à fé e aprendeu a ser
discípula, de etapa em etapa, desde o “sim” da anunciação e da exultação do Magnificat até a angústia silenciosa do
Calvário. “É a discípula mais perfeita do Senhor.” (DAp 266).

A caminhada, a romaria, é um símbolo que expressa quem somos: povo de Deus a caminho. “A decisão de caminhar
em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um
encontro de amor.” (DAp 259). O olhar do peregrino repousa, num silêncio profundo, sobre a imagem da Mãe. É
somente uma imagem, mas remete à Mãe, a Virgem de Nazaré. Sente-se acolhido. Sente-se envolvido pelo amor
misericordioso de Deus. Ali deixa a dor, o peso e renova a esperança e os sonhos de uma vida melhor. Quem vai ao
encontro da Mãe, nunca retorna de mãos vazias. “Um breve instante condensa uma viva experiência espiritual.” (DAp
259).

Formar comunidade com Maria

Em nossas comunidades e em nossas famílias sempre encontramos uma imagem de Maria. Isto porque, “como na
família humana, a Igreja-família é gerada ao redor de uma mãe, que confere ‘alma’ e ternura à convivência familiar.”
(DAp 268). Maria é inspiradora de um jeito de formar comunidade. Com ela o cristão aprende a ser discípulo do Filho.
Ela congrega e aponta para o Filho: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” (Jo 2,5). Temos a sua companhia que nos ensina
a sermos acolhedores e misericordiosos. Comunidades para cultivar nossa fé, para escutar e meditar a Palavra, para
celebrar a Eucaristia, para formar amigos e para viver a caridade. Uma comunidade cristã será sempre uma
comunidade mariana.

Servir como Maria

Maria, como ícone da Igreja, nos recorda que o cristão é servidor. Ele é “a serva do Senhor.” (Lc 1, 38). Ela não ficou
indiferente quando na festa de Caná faltou vinho (cf. Jo 2,3) e permaneceu solidária, diante da cruz do Filho (Jo 19,
25). Sim, a comunidade dos cristãos deve cuidar e promover a vida. Não podemos, depois de nos encontrarmos como
Cristo na sua Palavra e na Eucaristia, ficarmos indiferentes ao Cristo que sofre nos mais pobres. Procuremos nos
perguntar: que situações de sofrimento existem próximas de nós, que pedem nosso cuidado e atenção? A caridade é
a marca distintiva do cristão: ou vivemos a caridade ou não somos cristãos.

Bem-vindos, romeiros de todas as paróquias da Diocese e de tantos outros lugares!Maria, Nossa Senhora de Fátima,
interceda pelas necessidades de cada um. Na sua companhia e com seu exemplo, formarmos comunidade servidora
da vida.
“… estava na prisão e viestes a mim”. Quem visita um preso, visita Jesus prisioneiro dos homens por causa
dos nossos pecados. (Jo 18) Sim, Jesus foi privado da liberdade desde o horto das oliveiras, até sua morte de
Cruz, a liberdade de Cristo foi retomada somente depois da Sua morte. Quantos presos se encontram na mesma
situação de Jesus, com penas altíssimas, com prisão perpétua, sem nenhuma perspectiva de futuro e liberdade.
Lembremo-nos que Jesus assumiu também o delito destes presos e que, nossa parte é levar este conhecimento
até eles. Disse o Papa Francisco: “Confesso que muitas vezes penso… nas pessoas que vivem nas
prisões.”[i] Dificilmente em uma de suas viagens apostólicas o Papa deixa de visitar uma prisão, certamente é
uma tentativa do Papa, para que seja transformada a mentalidade dos cristãos em relação aos encarcerados.
A evangelização do preso sem dúvida alguma pode transforma-lo e libertá-lo, não os livrando das grades
externas, mas das grades internas, de seus corações. “Na história da Igreja, muitos chegaram à santidade através
de experiências duras e difíceis, abram a porta de seu coração a Cristo e será Ele a reverter a sua situação“[ii].
Para que um preso abra a porta a Cristo, é preciso que Cristo seja levado até ele.
As mensagens de encorajamento do Santo Padre aos presos nos chamam a buscar a transformação de nossa
mentalidade em relação aos irmãos e irmãs privados da liberdade. A obra de misericórdia exige a visita, a
presença, o calor humano que somente outro humano pode dar a quem está no ‘gelo’ da reclusão, da solidão, do
abandono e da indiferença. Todo cristão é convidado, a pelo menos uma vez na vida visitar uma prisão, e assim,
compartilhar da dor daqueles que ali se encontram.
Na prisão, o tempo parece estar parado, parece que não passa nunca, mas a dimensão real do tempo não é a
do relógio. Diz ainda o Papa: “Estejam certos de que Deus nos ama pessoalmente; para Ele a sua idade e cultura
não têm importância, nem mesmo o que vocês foram, as coisas que fizeram, as metas que alcançaram, os erros
que cometeram, as pessoas que feriram. Não se fechem no passado; transformem-no em caminho de
crescimento, de fé e de caridade. Deem a Deus a possibilidade de fazê-los brilhar através desta experiência”.
Outro aspecto desta obra de misericórdia é a família do preso. Visitar a família é indiretamente visitar o detento,
a família também se torna prisioneira do preconceito, da indiferença, do medo… Os pais, as esposas e os filhos
além de sofrerem pelo motivo que causou a prisão do familiar, sofrem diretamente com as consequências de
sues delitos. Quantas esposas e filhos passam fome, são desalojados, perdem emprego… Façamos como o
Papa, pensemos neles, rezemos por eles, façamos uma visita e o tudo que está ao nosso alcance.

Ter misericórdia não é ter pena da alguém. Longe disto, ter e exercitar a
misericórdia é ter compaixão, e solidariedade para com a necessidade do outro. Mais
do que só dar esmola, é descer até a carência física, espiritual e material da outra
pessoa envolvendo-a com nosso ser e elevando-a à dignidade e à vida.

DISSE O PAPA FRANCISCO

“É o mistério da misericórdia divina”, disse o Pontífice em seu último encontro com os


detentos em Ciudad Juárez, em sua recente visita ao México. “Não há lugar onde a sua
misericórdia não possa chegar, não há espaço nem pessoa que ela não possa tocar”.

- Enterrar os mortos
Crer na ressurreição da carne, na vida eterna, faz parte da oração pela qual
professamos nossa fé.
No Livro de Tobias encontramos o seguinte: Tobitcom uma solicitude toda
particular, sepultava os defuntos e os que tinham sido mortos (Tb 1, 20).
O Novo Catecismo da Igreja Católica, assim diz: “Os corpos dos defuntos devem
ser tratados com respeito e caridade, na fé e na esperança da ressurreição. O enterro
dos mortos é uma obra de misericórdia corporal que honra os filhos de Deus, templos
do Espírito Santo” (CIC § 2300).
Cada pessoa é templo do Espírito Santo e mesmo depois de morta, seu corpo
merece respeito.
A Igreja permite a cremação do corpo, desde que não seja um ato que se faça
numa manifestação de contrariedade à fé na ressurreição dos mortos (CIC § 2301). A
doação gratuita de órgãos não é um desrespeito ao corpo quando desejada pela
própria pessoa, é uma pratica legitima, incentivada pela Igreja como meritória.
Acredito seriamente que o velório, ou guarda do corpo é muito válido,
importante e edificante, tanto para o morto, como para os familiares.
Da parte do falecido pelas orações feitas em seu favor, da parte dos familiares
pela oportunidade de perdão, conversão e reflexão. Sobre isto aprenderemos mais
nas obras espirituais. São elas: instruir, aconselhar, consolar, confortar, perdoar,
suportar com paciência, e rezar pelos mortos (esta ultima é item apresentado no
capitulo IV do catecismo de São Pio X).No momento limito-me apenas em citá-las.
Em outro artigo, refletiremos detalhadamente sobre elas.
Finalizando este artigo, partilho com você, caro(a) leitor (a), algo que marcou-
me muito na infância. Certo dia, minha mãe na sua simplicidade, disse-me: “filho,
Jesus Cristo, às vezes desce do céu e se veste com roupas de mendigo, anda pelas
ruas e bate nas casas pedindo esmola. Nunca se desfaça de uma pessoa pobre”.
Certamente, para alguns não passará de “lorota”, mas há muito de verdade neste
ensinamento. “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era
peregrino e me acolheste, nu e me vestiste...(Mt 25, 35-40).”

“Sede misericordiosos, como vosso Pai do céu é misericordioso.” (Lc 6, 36). A certeza
de que nosso Deus é Pai misericordioso é uma das verdades centrais de nossa fé
cristã. O modo como Deus é e age tem a marca da misericórdia. Porém, o Ano da
Misericórdia quer nos educar para uma vida marcada pela misericórdia, por isso:
“sede misericordiosos”, ou “bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 6,7). A
Tradição da Igreja convencionou apresentar sete obras de misericórdia corporais e
sete obras de misericórdia espirituais. Tratarei, hoje, das obras de misericórdia
corporais, mostrando como, para cada uma delas podemos viver a compaixão.
Dar de comer a quem tem fome. A comida é uma necessidade humana básica. A
existência de pessoas que passam fome é um escândalo para a humanidade. As
iniciativas sociais e, em nossa Igreja, para dar de comer aos famintos, são muitas.
Disse Jesus: “Eu estava com fome e vocês me deram de comer.” (Mt 25,35).
Dar de beber a quem tem sede. Trata-se mais do que oferecer um copo d´água. Diz
nosso Papa que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial,
fundamental e universal.” (Laudato Si, 30).
Vestir os nus. Quanto desperdício na compra de roupas desnecessárias! Vê-se
muita generosidade na doação de roupas e agasalhos. Isto é bom. Melhor se nos
educássemos, como nos diz o Papa para a “sobriedade feliz” (LS 224), não sendo
“consumistas desenfreados” (LS 227). Afinal, disse Jesus: “Por que vocês ficam
preocupados com a roupa?” (Mt 7,28).
Acolher os peregrinos. Esta é uma atitude bíblica muito estimada. No livro do
Gênesis, conta que Abraão e Sara, ao acolherem os três peregrinos, acolheram o
próprio Deus e foram abençoados com o filho que tanto esperavam. Hoje, abrir as
portas para acolher os migrantes é um desafio sobretudo para as sociedades mais
industrializadas. Não pode um cristão e nossas comunidades ter preconceitos para
acolher os que são obrigados a migrar em busca de melhores condições de vida para
suas famílias.
Visitar os enfermos. Os relatos dos evangelhos nos mostram Jesus muito
envolvido, próximo dos enfermos. Ele os tocava e os curava. Os cristãos têm uma
longa tradição de cuidado com os doentes e idosos. Quantas vidas doadas, ontem e
hoje, pelos enfermos, muitas no anonimato. Bela é a missão da pastoral que visita
os doentes.
Visitar os presos. Em primeiro lugar, é preciso desarmar-se de preconceitos e
julgamentos. Ao visitar os presidiários expressamos e oferecemos a misericórdia de
Deus, que vai além da justiça, e continua a amar a pessoa, mesmo no erro e no
pecado.
Enterrar os mortos. No Livro de Tobias encontramos o seguinte: “Tobit com uma
solicitude toda particular, sepultava os defuntos e os que tinham sido mortos.” (Tb 1,
20). Mas, sobretudo,trata-se de auxiliar os familiares e amigos a elaborarem o luto,
sendo suporte neste momento difícil, partilhando as palavras de Jesus sobre a
Ressurreição.
Enfim, neste Ano da Misericórdia, “abramos os nossos olhos para ver as misérias do
mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-
nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda.” (Papa Francisco, O rosto da
misericórdia, 15).
O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos
acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da
ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de
Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia
feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia
divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.
Escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, Maria foi preparada desde sempre, pelo
amor do Pai, para ser Arca da Aliança entre Deus e os homens. Guardou, no seu
coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus. O seu
cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se
estende « de geração em geração » (Lc 1, 50). Também nós estávamos presentes
naquelas palavras proféticas da Virgem Maria. Isto servir-nos-á de conforto e apoio
no momento de atravessarmos a Porta Santa para experimentar os frutos da
misericórdia divina.
Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das
palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a
quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria
atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos,
sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve
Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos
misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho
Jesus.

OBRAS ESPIRITUAIS
Perdoar as Injurias
Perdoar (as injustiças de boa vontade)
O perdão é uma exigência do Evangelho, e uma condição para entrar no Reino.
Jesus nos dá essa lição ao ensinar a oração do Pai Nosso: “Se perdoardes aos
homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não
perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.” (Mt 6, 14-15)
Se nós não perdoamos, impedimos que o perdão de Deus chegue a nós.
São Paulo também nos exorta: “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos
mutuamente toda vez que tiverdes queixas contra os outros. Como o Senhor vos
perdoou, assim perdoai também vós” (Col 3, 13).
Pedir perdão a Deus é fácil, mas conceder o perdão aos outros na maioria das vezes
é difícil, e agimos como o servo mau que foi perdoado no muito que devia, e não
soube perdoar seu próximo no pouco que lhe era devido (Mt 18, 23-35).
Perdoar de coração deveria nos levar a esquecer toda injustiça sofrida, mas nem
sempre conseguimos, e nem sempre voltamos a um relacionamento normal com a
pessoa perdoada, isso não deve nos impedir de, à luz do Espírito Santo, exercitar e
aprimorar o perdão, pois nem sempre e na maioria das vezes um ato de vontade
pode eliminar uma lembrança.
No dialogo com Pedro, Nosso Senhor Jesus ensina que devemos perdoar sempre e
sem limites (Mt 18, 21-22).
Negar o perdão nos leva um ato de injustiça com Deus, conosco e com os irmãos.

- Suportar com paciência (as adversidades e fraquezas do próximo)


Para viver o evangelho de Jesus é preciso ser paciente. Esta obra espiritual nos
exorta a suportar com paciência os que estão próximos a nós, com todos as suas
limitações, fraquezas, defeitos, adversidades e misérias.
Isto não quer dizer que devemos nos omitir de orientar, encorajar, oferecer
oportunidades e servir de suporte, para que, essas limitações e fraquezas sejam
superadas.
Neste sentido São Paulo escreve: “Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os
desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com
todos”(1Tes 5, 14).
Ainda, segundo São Paulo, quando estamos fortes, devemos suportar as fraquezas
dos que são fracos, e não agir a nosso modo. (Rm 15, 1). Ajamos então como
discípulos de Jesus, que tomou sobre si as nossas fraquezas e carregou nossas
dores (Is 53, 4).
São Pedro nos diz: “Que mérito teria alguém se suportasse pacientemente os açoites
por ter praticado o mal? Ao contrário, se é por ter feito o bem que sois maltratados,
e se o suportardes pacientemente, isto é coisa agradável aos olhos de Deus” (1Pd 2,
20).
Sejamos acolhedores e pacientes com todos.

- Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos


Na oração sacerdotal Jesus rogou a Deus pelos seus e por todos que em todos os
tempos viriam a ser seus discípulos, isto é por todos nós (Jo 17). Em várias outras
passagens dos Evangelhos Jesus retirava-se para rezar, entre elas cito: Mt14, 23; Mt
26,36; Mc 6,46; Lc 3,21; Lc 5,16.
Na Carta aos Efésios, São Paulo recomenda que se intensifiquem as suplicas e
pede por ele oração (Ef 6, 18-19).
Podemos até identificar uma pessoa pela oração que ela faz, a oração egoista,
indica um espírito egoísta. Orações que mais parecem lista de compras ou de
presentes: Senhor quero isto, isto e aqulo.
O ser humano, é sempre mais preocupado com suas próprias necessidades, mas
através desta obra de misericórdia espiritual, somos exortados a rezar pela
humanidade, rezar por aqueles que nem conhecemos; rezar pela reparação e
expiação dos pecados do mundo; pela conversão dos pecadores; pelo Papa e
ministros ordenados que conduzem a Igreja de Deus; pelas vocações sacerdotais e
leigas; pelas autoridades; pelos que sofrem e pelos que se recomendam às orações.
Rezar pelos mortos: Este ensinamento se apóia, também,na prática da oração pelos
defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu)
mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que
fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46).
Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu
sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados,
eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as
esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos
defuntos (CIC 1032).
A Igreja não tem dúvida desta realidade por isso, desde o primeiro século reza pelo
sufrágio das almas do Purgatório.
As almas merecem a lembrança e orações dos seus. As orações que fazemos por
elas, as ajudam a alcançar o repouso eterno, o refrigério e a luz que não se apaga.
Ao socorrer com oração as almas do Purgatório praticamos a caridade em toda sua
extensão.
Rezar pelas almas é o melhor meio de salvar a nossa, pois como nos ensinou Santo
Ambrósio "Tudo o que damos por caridade às almas do Purgatório converte-se em
graças para nós, e, após a morte, encontramos o seu valor centuplicado".
Que as obras de misericórdia corporais e espirituais nos ajudem a sermos mais
perfeitos e assim construirmos um mundo novo e bem melhor.
Perdoar as Injurias
Jesus Cristo ressuscitado, que se manifesta aos discípulos mostrando as feridas da crucifixão e dando aos
discípulos o Espírito Santo que lhes permitirá perdoar os pecados (cf. João 20, 19-23), revela que perdoar significa
fazer do mal recebido uma ocasião de dom. No perdão não se trata de atenuar a responsabilidade de quem
cometeu o mal: o perdão perdoa, precisamente, aquilo que não é desculpável, aquilo que é injustificável — o mal
cometido e que permanece como tal, assim como permanecem as cicatrizes do mal infligido. O perdão não
elimina a irreversibilidade do mal sofrido, mas assume-o como passado e, fazendo prevalecer uma relação de
graça sobre uma relação de represália, cria as premissas de uma renovação da relação entre ofensor e ofendido.
O perdão, portanto, opõe-se ao esquecimento (só se pode perdoar aquilo que não foi esquecido) e supõe um
trabalho da memória. A recordação do mal sofrido abre caminho ao perdão, na medida em que elabora o sentido
do mal sofrido: com efeito, nós, humanos, não somos responsáveis pela existência do mal ou pelo facto de o
termos sofrido injustamente (e até na infância ou em situações de total incapacidade de nos defendermos, talvez
de pessoas das quais deveríamos esperar apenas bem e amor), mas somos responsáveis por aquilo que fazemos
do mal por nós sofrido. O trabalho de recordação que desemboca no perdão pode, assim, libertar o ofendido da
coação a repetir, que o levaria a efetuar o mesmo em seu redor e a infligir a outros o mal que ele próprio, a seu
tempo, sofreu. Por detrás do ato através do qual a pessoa perdoa já está uma cura da memória: não
permanecemos vítimas da recordação endurecida e obstinada, transformada em fixação; não ficamos dominados
pelo ressentimento. Ao mesmo tempo, o perdão implica um «deixar andar», um romper não com a recordação,
mas com o contrato de dívida de quem cometeu o mal. O ato do perdão mostra-se assim capaz de curar não só
o ofensor, mas também o ofendido.

PERDOAR AS INJURIAS.
Vivemos num mundo onde há uma presença do bem do mal, dos bons e dos maus.
Nós mesmos sofremos pela presença de forças do mal dentro de nós, que muitas vezes
nos levam a fazer o mal que não queremos e a não fazer o bem que gostaríamos de
fazer.

Infelizmente pode ocorrer que em algum momento de nossa vida soframos


injustiças, ingratidões, ofensas, calúnias e injúrias. Estas atitudes ferem o nosso
coração, e essas feridas emocionais produzem emoções de raivas, de mágoas, de
ódios, de ressentimentos e até de vinganças.

Essas emoções de desamor são muito prejudiciais à nossa vida pessoal. Causam males ao
nosso psíquico, ao nosso emocional, e até à nossa saúde física.

O remédio para curar essas feridas emocionais se chama perdão. Quando nós nos decidimos
perdoar, e de fato perdoamos de coração, e repetimos esse perdão dentro de nós mesmos mais
vezes, conseguimos vencer aqueles sentimentos tão negativos de raivas, mágoas,
ressentimentos, ódios e vinganças. Curar essas feridas é uma bênção para nós. Perdoar essas
injúrias e ofensas se constitui numa excelente obra de misericórdia que, Aliás, além de nos fazer
um grande bem, recebemos a promessa de Jesus que diz: “Bem aventurados os misericordiosos
porque alcançarão misericórdia”. Além de fazermos um bem importante para nós mesmos, nos
tornamos merecedores da misericórdia divina.