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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

PJe - Processo Judicial Eletrônico

27/10/2018

Número: 0603040-10.2018.6.07.0000
Classe: AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral
Órgão julgador: Corregedoria Regional Eleitoral Desembargador WALDIR LEÔNCIO JUNIOR
Última distribuição : 27/10/2018
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Conduta Vedada a Agente Público
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR (AUTOR) BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA (ADVOGADO)
Coligação Pra Fazer a Diferença (AUTOR) BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA (ADVOGADO)
RODRIGO SOBRAL ROLLEMBERG (RÉU)
Ministério Público Eleitoral DF (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
10708 27/10/2018 04:39 AIJE - Ibaneis x Rollemberg - abuso - uso de veículo Petição Inicial Anexa
7 da defesa civil
EXMO. SR. DESEMBARGADOR CORREGEDOR DO TRIBUNAL REGIONAL
ELEITORAL – TRE/DF

IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR, candidato ao Governo do Distrito


Federal, devidamente registrado junto a este e. TRE/DF (Rcand 0601003-10.2018.6.07.0000,
com endereço para recebimento de intimações situado no SIG, quadra 01, lote 495, Ed.
Barão do Rio Branco, sala 17, Brasília, DF, CEP 70.610-410 e COLIGAÇÃO PRA FAZER
A DIFERENÇA (MDB/AVANTE/PP/PPL/PSL), pessoa jurídica registrada no
DRAP 0601002-25, vêm, por seus procuradores abaixo assinados, nos termos do artigo 22
da Lei Complementar 64/90, propor a presente

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORL


(por abuso do poder político)

Em face de RODRIGO SOBRAL ROLLEMBERG, candidato à reeleição para o


Governo do Distrito Federal, devidamente qualificado no RCAND 0600951-14,
EDUARDO DUTRA BRANDÃO CAVALCANTI, candidato ao cargo de Vice-
Governador do Distrito Federal, devidamente qualificado no RCAND 0600935-60, pelos
fatos e fundamentos adiante expostos.

I. Dos fatos

Trata-se da Ação de Investigação Judicial Eleitoral por meio da qual se relata o uso
de bem público em prol da campanha do candidato Rodrigo Rollemberg. Na véspera do 1º
turno da eleição, dia 06 de outubro de 2018, um veículo descaracterizado da Defesa Civil do
DF, que vinha carregado de materiais de campanha do candidato Rodrigo Rollemberg, se
envolveu em grave acidente que gerou o seu capotamento, conforme as fotos adiante
expostas:

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O acidente demandou a instauração de processo administrativo para apuração do
fato relevante de que o veículo funcional encontrava-se cheio de materiais de campanha de
Rodrigo Rollemberg. Além disso, antes da chegada da perícia, um agente da Defesa Civil

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apresentou-se em retirar os materiais. Tais fatos encontram-se relatados no processo SEI n.º
00053-00072269/2018-64, cujos dados seguem abaixo:

Tal processo tem como assunto o seguinte:

“Encaminhamento de processo relativo a comunicação de possível


ação proibida, pela Justiça Eleitoral, por parte de agente público
(Agente da Defesa Civil do Distrito Federal), observada durante o
atendimento de ocorrência de tombamento de veículo ocorrida no período
diurno do serviço do dia 06 para o dia 07OUT2018.”1

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Consta, ainda, que2:

“c) [...] Após a chegada da PMDF na pessoa do SGT. PEREIRA ROCHA,


matr. 19717/3, que ficou responsável pela cena, o Agente da Defesa Civil
MARLON MACIEL CAVALCANTI retirou do interior da viatura
alguns materiais e os guardou [...]”.
A indicação de possível ocorrência de realização de atividade proibida pela
Justiça Eleitoral, praticada em tese por uma Agente Pública (Agente da
Defesa Civil do Distrito Federal), foi registrada pelo Maj. Supervisor de Dia,
junto ao Memorando SEI-GDF n.º 72/2018-
CBMDF/COMOP/SUPERVISOR I (13571501), do qual esse signatário
ressalta a seguinte informação:
“e sugiro, salvo melhor juízo, o despacho final à COGED/CBMDF,
CONSIDERANDO TER-SE ENCONTRADO MATERIAL
DE PROPAGANDA POLÍTICA DENTRO DA VIATURA
OFICIAL, havendo suspeita de descumprimento da lei n. 9504/97,
de 30 de setembro de 1997, art. 73, inciso I: (...) Art. 73. São proibidas
aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas
tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos
pleitos eleitorais: I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido

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político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à
administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de
convenção partidária;
Em virtude do exposto pelo Supervisor de Área, bem como a fim de
esclarecer os fatos afetos a presença “[...] cartazes de propaganda
eleitoral [...]” e a retirada dos mesmos pelo Agente da Defesa Civil
MARLON MACIEL CAVALCANTI, antes da realização da perícia
por parte da PMDF, esse Oficial indica a Vossa Senhoria a necessidade de
que a presente informação seja encaminhada ao Comandante (CMT) do
Comando Operacional (COMOP), com vistas ao Controlador (CTROL) e ao
Comandante Geral (Cmt-Geral), a fim de que seja repassado à Defesa Civil o
caso em lide, para que seja avaliada a situação relatada no presente
processo por meio de um processo administrativo de apuração
disciplinar, para investigação da ocorrência ou não, da atuação
proibida pela Justiça Eleitoral, bem como o(s) responsável(eis) pela
realização da referida conduta vedada, haja vista que os citados no
presente documento, estão subordinados a referida Subsecretaria. (...)”

Como se observa, há elementos suficientes para demandar o prosseguimento da


presente Ação de Investigação para que o inteiro teor do processo SEI 00053-
00072269/2018-64 seja enviado aos autos (já que se encontra classificado como de acesso
restrito), bem como para que as testemunhas ali referidas sejam ouvidas em juízo.

II. Do direito

Além dos fatos já trazidos ao Tribunal na AIJE n.º 0603030-63.2018.6.07.0000, na


qual a prática reiterada de abuso do poder político foi demonstrada, os fatos descritos no
presente caso também se somam aos demais abusos de poder praticados por Rodrigo
Rollemberg e diversos integrantes de seu governo.

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Neste caso, faz-se necessária a expedição de intimação à Secretaria de Segurança
Pública para que forneça ao Tribunal o inteiro teor do mencionado processo SEI 00053-
00072269/2018-64 a partir do qual poderá ver a comprovação cabal da utilização de toda a
máquina pública em prol da campanha de Rodrigo Rollemberg.

Aplica-se o disposto no art. 22 da LC 64/90, segundo qual:

Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público


Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao
Corregedor-Geral ou Regional, RELATANDO FATOS E
INDICANDO PROVAS, INDÍCIOS E CIRCUNSTÂNCIAS E
PEDIR ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL para apurar
uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico OU DO PODER
DE AUTORIDADE, ou utilização indevida de veículos ou meios de
comunicação social, EM BENEFÍCIO A CANDIDATO ou de partido
político, obedecido o seguinte rito:
(...)
XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a
proclamação dos eleitos, o Tribunal DECLARARÁ A
INELEGIBILIDADE DO REPRESENTADO E DE QUANTOS
HAJAM CONTRIBUÍDO PARA A PRÁTICA DO ATO,
COMINANDO-LHES SANÇÃO DE INELEGIBILIDADE PARA
AS ELEIÇÕES A SE REALIZAREM NOS 8 (OITO) ANOS
SUBSEQUENTES À ELEIÇÃO EM QUE SE VERIFICOU, ALÉM
DA CASSAÇÃO DO REGISTRO OU DIPLOMA DO CANDIDATO
DIRETAMENTE BENEFICIADO pela interferência do poder
econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos
meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao
Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar,
se for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências
que a espécie comportar.”

Ademais, é clara a violação ao artigo 73, I da Lei nº 9.504/97, segundo a qual:

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as


seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades
entre candidatos nos pleitos eleitorais:
I - ceder ou USAR, EM BENEFÍCIO DE CANDIDATO, partido
político ou coligação, BENS MÓVEIS ou imóveis pertencentes à
administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção
partidária

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A gravidade da conduta3 e a evidente quebra de normalidade do pleito se verifica ao
se perceber que, além dos milhares de servidores comissionados, terceirizados e estagiários,
que estão sendo coagidos a participar dos eventos de campanha de Rodrigo Rollemberg,
viaturas da Defesa Civil e seus servidores comissionados foram utilizadas para promoção da
campanha do candidato, quando deveriam estar prestando serviços essenciais ao povo de
Brasília.

De qualquer forma, no decorrer das investigações, com o recebimento de cópia


integral do processo SEI 00053-00072269/2018-64 e com a oitiva de testemunhas é que se
poderá ter a dimensão exata da participação de servidores comissionados da Defesa Civil e
seus veículos na campanha do candidato Rodrigo Rollemberg, sendo certo que o abuso é
flagrante.

III. Dos pedidos

1. O recebimento e a autuação da presente Ação de Investigação Judicial Eleitoral de


acordo com o rito do art. 22 da Lei Complementar nº 64/90;

2. A citação dos réus para, querendo, apresentar defesa, conforme o art. 22, inciso I,
alínea a, da Lei nº 64/90;

3. A intimação do Secretaria de Segurança Pública para que forneça a este Tribunal a


cópia integral do processo SEI 00053-00072269/2018-64, no qual estão detalhados os fatos
aqui narrados e a partir do qual se poderá identificar o responsável direto pela conduta
vedada, já estando claramente identificado o candidato Rodrigo Rollemberg como
beneficiário.

4. Desde já ficam arroladas como testemunhas – sem prejuízo de outras - as seguintes


pessoas mencionadas no processo administrativo, cujos dados também serão obtidos com o
recebimento do processo:

3 LC 64/90. Art. 22, XVI. para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o
fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.

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• Marlon Maciel Cavalcanti, Agente da Defesa Civil;
• Sgt. Pereira Rocha, matr. 19717/3.

5. A oitiva do Ministério Público Eleitoral.

6. Ao final das investigações e processamento, que seja julgada procedente a presente ação
para condenar o representado, nos termos do art. 22, inciso XIV, da Lei Complementar nº
64/904 (cassação do registro ou diploma, inelegibilidade por 8 anos e multa).

7. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial
testemunhas e eventuais diligências.

8. Que todas as futuras intimações e publicações sejam feitas em nome de Bruno Rangel
Avelino da Silva, OAB/DF 23.067, sob pena de nulidade.

Pede deferimento,
Brasília, 27 de outubro de 2018.

Bruno Rangel Willian Guimarães


OAB/DF 23.067 OAB/PI 2.644

Taynara Tiemi Ono Juan Nogueira


OAB/DF 48.454 OAB/DF 59.392

Rodrigo Mesquita Edward Johnson Gonçalves


OAB/DF 41.509 OAB/DF 59.088

4 LC 64/90. Art. 22. (...) XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos
eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a
prática do ato, COMINANDO-LHES SANÇÃO DE INELEGIBILIDADE PARA AS ELEIÇÕES A
SE REALIZAREM NOS 8 (OITO) ANOS SUBSEQUENTES à eleição em que se verificou, além da
cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder
econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação, determinando a
remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de
ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar.

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