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DIREITO PENAL

MILITAR
Aula 1 – Parte Geral

Rogerio de Vidal Cunha


Oficial de Justiç
Justiça Federal
Justiç
Justiça Militar da União
2a Auditoria da 3a CJM
Carta a El - Rei de Portugal
- O Militar
Senhor, umas casas existem, no vosso reino onde
homens vivem em comum, comendo do mesmo
alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um
toque de corneta se levantam para obedecer. De noite, a
outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da
vontade fizeram renuncia como da vida. Seu nome é
Sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento
físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente
esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que
os poetas não se cansam de celebrar.
Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os
corações mais cansados sentem estremecer alguma
coisa dentro de
si. A gente conhece-os por militares...
Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que
comem; como se os cobres do pré pudessem pagar a
Liberdade e a Vida. Publicistas de vista curta acham-
nos caros de mais, como se alguma coisa houvesse
mais cara que a servidão. Eles, porém, calados,
continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si
mesma. Pelo preço de sua sujeição eles compram a
liberdade para todos e defendem da invasão estranha e
do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede
agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram,
algum dia o farão. E, desde hoje, é como se fizessem.
Porque por definição o homem da guerra é nobre. E
quando ele se põe em marcha, à sua esquerda vai a
coragem, e à sua direita a disciplina."
(Trecho da carta escrita por Moniz Barreto, em 1893,
publicada no jornal do Exército de Portugal, nº 306)
POR QUE UM DIREITO PENAL
PARA OS MILITARES ?
"Assim como há uma sociedade civil fundada sobre a liberdade, há
uma sociedade militar fundada sobre a obediência, e o juiz da
liberdade não pode ser o da obediência. "
"George Clemenceau"

Pode-se usar para explicar a necessidade de normas penais


especiais para os militares a Teoria Tridimensional do
Direito de Miguel Reale:
O Direito é:

FATO + VALOR + NORMA


FATO
 O fato é que os integrantes das instituições militares são os únicos seres
humanos de quem a lei exige o sacrifício da própria vida A nenhum
funcionário público, na verdade a nenhum cidadão, exceto aos militares,
lei alguma impõe deveres tão especiais, deveres que podem implicar a
obrigação de morrer e até de matar.

VALOR
 A vida, portanto, é o bem supremo do indivíduo, o maior valor tutelado pelo direito e,
por isso, os crimes contra a vida são os mais graves na legislação de todos os países
civilizados.
 Entretanto, para os integrantes das Forças Armadas, que são obrigados, em
determinados momentos, a morrer e a matar, há um outro valor que se sobrepõe à
própria vida. Este valor é a Pátria. Essa é uma circunstância absolutamente única,
especial, singular, incontornável.
 E existência desse valor, não poder dar-se sem a que as Forças Armadas(FFAA) e
Auxiliares(PM BM) organizem-se com base na HIERARQUIA E DISCIPLINA, que são
os valores fundamentais de tais instituições constitucionalmente assegurados(CF art.
142)

NORMA
Da conjugação desses fatos e valores surge a necessidade de normas específicas
para a tutela da Hierarquia e Disciplina pilares das FFAA, seja no campo Penal como
Processual e mesmo Administrativo( Regulamentos Disciplinares)
DO CRIME SEGUNDO AS CONCEPÇÕES FINALISTAS E PÓS FINALISTAS (
FUNCIONALISTA)
Dolosa
Conduta
Culposa
Resultado
Nexo de Causalidade
Tipicidade: a) Formal: Adequação Típica
TIPICIDADE
b) Material: Criação de Riscos não
permitidos( Imputação Objetiva), Ofensa
relevante ao bem jurídico( Princípio da
Insignificância), Conduta Socialmente
reprovada(Adequação Social)

Estado de Necessidade
Legitima Defesa
Ilicitude(Antijuricidade)
Estrito Cumprimento de dever legal
CRIME
Excludente do Comandante

Imputabilidade

CULPABILIDADE Exclusão : Obediência


Potencial Consciência da Ilicitude
Hierárquica

Exigibilidade de Conduta Coação Moral Irresistível


Diversa
Estado de Necessidade
CRIME MILITAR
VISÃO GERAL
 Vários são os critérios para a definição de crime militar:
 A) RATIONE PERSONAE: leva em conta a condição de militares dos envolvidos
e dos deveres que lhe são inerentes

 B) RATIONE LOCI: Leva em consideração o local da ocorrência do delito( ex.


área sob administração militar)

 C) RATIONE LEGIS: São crimes militares aqueles que a lei define assim.

 D) RATIONE MATERIAE: exige que se verifique a dupla qualidade, no ato e no


agente.

 E) RATIONE TEMPORIS: são militares aqueles praticados em determinados


momentos, como no caso de guerra declarada.

A Constituição de 1988 adota o critério do ratione legis( Art. 125) ao definir que
compete a Justiça Militar processar e julgar os crimes militares DEFINIDOS EM
LEI.
Assim, são crimes militares aqueles que a lei atribuiu tal característica. O que não
significa que a lei tenha abandonado os demais critérios, pois no art. 9º eles
são utilizados como circunstância para a definição do crime militar.
CRIME MILITAR
 Por sua vez a constituição refere-se a uma espécie de crime militar
os PROPRIAMENTE MILITARES, dando-lhe efeitos relevantes( como
a dispensa de ordem escrita e fundamentada para a prisão de seus
autores) daí a necessidade de sistematização do crime militar em:

CRIMES PROPRIAMENTE MILITARES

CRIMES TIPICAMENTE MILITARES

CRIMES IMPROPRIAMENTE(ACIDENTALMENTE)
MILITARES
CRIME PROPRIAMENTE MILITAR:
A Constituição Federal no art. 5º , LXI, permite a prisão independente de
mandado judicial, nos crimes propriamente militares, definidos em lei,
contudo, até o momento o conceito legal não sobreveio, dividindo-se a
doutrina no que vem a ser o crime propriamente militar:
TEORIA CLÁSSICA:

CLÁUDIO AMIM, CÉLIO LOBÃO , JORGE C. ASSSIS : Crime que só pode ser
cometido por militar, por consistirem em violações de deveres que lhe são
próprios.
TEORIA DE JORGE ROMEIRO
JORGE ROMERO, Celso COIMBRA : Crimes em que a ação penal só pode ser
promovida contra militar

Nos parece mais adequada cientificamente a teoria clássica do que a do prof.


Romero até mesmo pelo fato de que não pode pode buscar a definições de
direito material com base na legitimidade subjetiva da ação penal. Contudo é a
que melhor explica a posição do crime de insubmissão que só pode ser
cometido por civil.
EXEMPLOS

Violência contra superior Recusa de obediência


Art. 157. Praticar violência Art. 163. Recusar obedecer a
contra superior: ordem do superior sobre assunto
ou matéria de serviço, ou
relativamente a dever imposto
em lei, regulamento ou instrução:

Deserção Abandono de posto


Art. 187. Ausentar-se Art. 195. Abandonar, sem ordem
o militar, sem licença, da superior, o posto ou lugar de
unidade em que serve, ou serviço que lhe tenha sido
do lugar em que deve designado, ou o serviço que lhe
permanecer, por mais de cumpria, antes de terminá-lo:
oito dias:
CRIMES TIPICAMENTE MILITARES
 São aqueles que somente estão previstos no Código
Penal Militar, sem que exista equivalente no Código
Penal Comum. Ex. Deserção, Insubmissão, Violência
contra superior, Furto de uso, Dano Culposo etc, ou os
que possuem definição diversa na lei penal comum

Art. 268. Causar incêndio em CÓDIGO PENAL COMUM


lugar sujeito à administração
militar, expondo a perigo a Art. 250 - Causar incêndio,
vida, a integridade física ou o expondo a perigo a vida, a
patrimônio de outrem: integridade física ou o
patrimônio de outrem:

Desaparecimento, consunção ou extravio CÓDIGO PENAL


Art. 265. Fazer desaparecer, consumir ou COMUM
extraviar combustível, armamento, munição,
peças de equipamento de navio ou de aeronave
ou de engenho de guerra motomecanizado: NÃO HÁ TIPO
IGUAL
Crime tipicamente militar não é sinônimo de crime
propriamente militar, pois podem haver crimes previstos
somente no CPM que podem ser , dependendo das
circunstâncias, praticados por civis.

Ex. : o crime de Ingresso clandestino Veja-se esse crime só é


Art. 302. Penetrar em fortaleza, previsto no CPM, mas pode
quartel, estabelecimento militar, ser praticado por qualquer
navio, aeronave, hangar ou em outro pessoa, mesmo que Civil
lugar sujeito à administração militar,
por onde seja defeso ou não haja
passagem regular, ou iludindo a
vigilância da sentinela ou de vigia:
CRIMES IMPROPRIAMENTE MILITARES
 São também chamados de ACIDENTALMENTE
militares, e são aqueles que encontram-se
previstos tanto no CPM como no CPB com a
mesma definição. Ex. Homicídio, furto,
apropriação indébita.
CPM - Homicídio simples CPB - Homicídio simples
Art. 205. Matar alguém: Art 121. Matar alguém:

O QUE FAZ O CRIME IMPROPRIAMENTE MILITAR CRIME MILITAR ?

O PRECEITO SECUNDÁRIO, OU SEJA O ENQUADRAMENTO DA


CONDUTA EM UMA DAS HIPÓTESES DO ART. 9º, II OU III

Ex. O CIVIL MATAR MILITAR EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE, EM


ÁREA SOB ADMINISTRAÇÃO MILITAR ( CPM ART. 9º , III, “b”)
CRIME MILTAR: CRITÉRIOS DE DEFINIÇÃO
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo


diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o
agente, salvo disposição especial;

Neste inciso encontram-se definidos os crimes propriamente


militares e os tipicamente militares.
Aqui o que vai definir a existência de crime militar é a sua ausência
de previsão no Direito Penal Comum( Ex. Deserção) , ou a sua
previsão de modo diverso( Ex. Crime de Incêndio- Área sob a
administração militar)

 SUJEITOS DO CRIME: QUALQUER PESSOA , ressalvada disposição


em especial, que são justamente os crimes propriamente militares
que, por sua natureza só podem ser cometidos por militares.
Contudo o STF entende que o civil não pode cometer o crime de
dano culposo(HC 67579 ), mesmo que não exista a restrição no tipo.
 LOCAL: Qualquer local, mesmo que fora do Território Nacional, eis
que o CPM adota o princípio extraterritoriedade( CPM art. 7º)
II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com
igual definição na lei penal comum, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado,


contra militar na mesma situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em


lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou
reformado, ou assemelhado, ou civil;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em


comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do
lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou
reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

d) por militar durante o período de manobras ou exercício,


contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado,


contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem
administrativa militar;
f) revogada. (Vide Lei nº 9.299, de 8.8.1996)
O Inciso II trata dos crimes impropriamente ( acidentalmente )
militares , já que considera como crime militares aqueles que
possuam a mesma definição.

Neste inciso e no inciso III, como se verá, não basta a mera


tipicidade legal ( ou seja, a previsão no CPM do crime, é necessário
que o preceito primário( crime) seja complementado por uma das
circunstâncias previstas nas alíneas dos Incisos(preceito
secundário).

Além disso só são crimes militares os DEFINIDOS NO CÓDIGO PENAL


MILITAR, não se aplicando as leis esparsas ( Ex. Abuso de
Autoridade, Tortura, Crimes Ambientais), mesmo que cometidos por
MILITAR DA ATIVA CONTRA MILITAR DA ATIVA, ou em ÁREA SOB
ADMINISTRAÇÃO MILITAR - STJ: SÚMULA 172

Nesse dispositivo o SUJEITO ATIVO será


sempre MILITAR DA ATIVA, e o sujeito
passivo dependerá de cada uma das alíneas.
A) por militar em situação de atividade ou
assemelhado, contra militar na mesma situação ou
assemelhado;
O conceito de Militar é o do art. 22 do CPM (qualquer pessoa que, em tempo de
paz ou de guerra, seja incorporada às forcas armadas, para nelas servir em posto,
graduação, ou sujeição à disciplina militar. ) ampliado, pela CF/88 aos Milicianos (
Militares Estaduais)

Para a lei 6.880/81( Estatuto dos Militares – Art. 6º- são equivalentes as
expressões "na ativa", "da ativa", "em serviço ativo", "em serviço na ativa", "em
serviço", "em atividade" ou "em atividade militar".

Aqui adota-se o critério RATIONE PERSONAE , destacando-se que


pouco importa que um ou outro militar esteja de folga, férias, licença,
agregado, o que importa é que não esteja REFORMADO ou na RESERVA.
Também é irrelevante o conhecimento da condição de militar dos sujeitos,
salvo para aplicação do art. 47, I do CPM ( qualidade de superior)

 O STJ tem entendimento de que se os militares estão de folga, e o


crime ocorre fora de área sob administração militar não há crime militar.
Mas não é o que predomina na doutrina nem no STM.
Lembrar que também é considerado MILITAR DA ATIVA o Reformado
ou da Reserva, empregado na administração militar

Art. 12. O militar da reserva ou reformado, empregado na administração


militar, equipara-se ao militar em situação de atividade, para o efeito da
aplicação da lei penal militar.

Fora essa hipótese , o Militar reformado ou da Reserva é equivalente a Civil,


ressalvada as suas Prerrogativas de Posto ou Graduação

Por. Ex. Oficial GENERAL da reserva


Art. 13. O militar da reserva, ou
reformado, conserva as
que comete crime militar( Art. 9º, III),
responsabilidades e prerrogativas do continua com a prerrogativa de ser
posto ou graduação, para o efeito da Julgado pelo STM. O Oficial reformado
aplicação da lei penal militar, quando
continua sendo julgado pelo Conselho
pratica ou contra ele é praticado
crime militar. Especial, etc.
CRIME COMETIDO POR MILITARES FEDERAIS x MILITARES
ESTADUAIS

EX. SOLDADO FN AGRIDE TENENTE DA BRIGADA


DUAS POSIÇÕES
E Policiais Militares
de Estados Diversos?

STM : COMPETÊNCIA DA
JMU
CRIME MILITAR ( Ambos
são da ativa, mesmo de
estados diferentes)
STF : COMPETÊNCIA DA Mas o Militar réu é julgado
Justiça Comum pela Justiça Militar de seu
estado, mesmo que
É a predominante na
cometido o crime em
doutrina nacional outro
A QUESTÃO DO PM TEMPORÁRIO

O Soldado PM Temporário é o jovem que é recrutado pelas Polícias Militares


dos estados para prestar serviço auxiliar voluntário (SAV) nas unidades
respectivas.
O SAV baseia-se na Lei Federal nº 10.029, de 20 de outubro de 2000, e através
dela os estados podem contratar temporariamente homens e mulheres para
prestarem serviços administrativos.

O PM TEMPORÁRIO É MILITAR DA ATIVA?

Para o TJM-SP o PM-Temp é Para a doutrina, com razão, não


militar (APELACAO CRIMINAL Nº é, pois não é INTEGRANTE das
005453/05 ) aplicando o art. 22 Forças Auxiliares, sendo mero
do CPM c/c a Legislação VOLUNTÁRIO, que não possui
Estadual qualquer vínculo administrativo
com as Polícias Militares
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito
à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou
assemelhado, ou civil;

CRTIÉRIO DE DEFINIÇÃO: RATIOCI LOCI ( ÁREA SOB ADMINISTRAÇÃO


MILITAR)

Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA

Sujeito Passivo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA

CIRCUNSTÂNCIA: Crime ocorrido em ÁREA SOB A


ADMINISTRAÇÃO MILITAR

Ex. Soldado PM que, no interior de Viatura , agride


fisicamente Civil , ou Sd FN que no interior de Unidade Militar
agride fisicamente Oficial da Reserva
O que é área sob a administração militar?
É aquela que integra o patrimônio das instituições militares ,
ou os que foram confiados às sua administração.

É o local onde as instituições militares desenvolvem as suas


atividades institucionais, como quartéis , navios e aeronaves
militares, campos de treinamento, paióis , viaturas etc.

Os imóveis residenciais(
PNR) destinados aos As unidades de
Militares enquadram-se no moraria( Apts) não,
conceito? pois a casa é asilo
As áreas comuns:
Corredores, Salões inviolável do indivíduo
de Festa, recepção
SÃO DUAS SITUAÇÕES: , enquadram-se
Ressalvado se
ambos forem
militares( Art.
9o, II, “a”)
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão
de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à
administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;

Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA.


Mas não basta ser militar da ativa, ele deve estar em uma das
situações enumeradas na alínea “c”.

MIILITAR EM SERVIÇO: é o que se encontra exercendo função do cargo


militar, decorrente de qualquer ato normativo ou ordem verbal ou escrita de
superior hierárquico ( ex. conservação, limpeza, manutenção, administração ,
condução de veículos)

OU EM RAZÃO DA FUNÇÃO: Mesmo de folga o militar tem obrigações


relacionadas com a sua atividade, em especial os POLICIAIS MILITARES . Assim,
mesmo que fora de serviço( folga p. ex.) o militar POSSUI O DEVER JURÍDICO
DE AGIR ( CPP art. 301, CPPM art. 243) em caso de flagrância delitiva. Assim , p.
ex. o Militar , de folga, que após impedir um crime ( entrou em situação de
atividade) causa lesão ao preso, comete crime militar.
FORMATURA: Alinhamento e ordenação da tropa. É toda reunião do
pessoal em forma, armado ou desarmado (RISG, art. 253).

d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra


militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

Sujeito Ativo: MILITAR DA ATIVA , com a mesma ressalva da alínea anterior

Local: Qualquer local

CIRCUNSTÂNCIAS

PERÍODO DE MANOBRAS: PERÍODO DE EXERCÍCIOS: é o


são as movimentações de necessário ao adestramento da
tropa destinada ao tropa , incluindo marchas,
treinamento. treinamentos com material bélico
etc.
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o
patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa
militar;
Sujeito ativo: MILITAR DA ATIVA

Local: QUALQUER LUGAR

CIRCUNSTÂNCIAS

Patrimônio sob a Ordem Administrativa


administração militar Militar
São os que pertencem às
É a regularidade da organização,
instituições militares, ou que
existência ou finalidade das
estejam legalmente sob a sua
Instituições Militares, bem como as
guarda.
suas funções institucionais
Ex. no RS parte das viaturas da PM
são locadas, portanto, não são do
Estado, mas estão sob a
administração da PM
CRIME MILITAR - CONT.
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra
as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no
inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem


administrativa militar;

b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de


atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da
Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;

c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância,


observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;

d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em


função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e
preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente
requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior.

Crimes militares em tempo de guerra

Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a
vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. (Incluído
pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)
CRIMES MILITARES COMETIDOS POR CIVIS

Ao contrário do que se pode , a princípio, imaginar os Civis podem


cometer crimes militares, pois como já visto, o legislador adota o
critério RATIONE LEGIS, e nada impede que a lei atribua a civis o
cometimento de crimes militares

Mas não pode a lei atribuir genericamente à Civis deveres compatíveis


somente com os militares, mas , por outro lado , pode exigir de todo o
cidadão que abstenha-se de condutas prejudiciais às INSTITUIÇÕES
MILITARES, que possuem relevância constitucional.

Assim, somente quando a conduta do civil ofender as instituições


militares é que poderá ser processado pela Justiça Militar.

Por ex. Um civil, em área sob a administração militar furta o veículo de


outro civil. Comete Crime Militar?
Não, pois não há ofensa às INSTITUIÇÕES MILITARES.
E NA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL?
 O art. 125 da CF/88 deu à JME competência para
processar e julgar somente POLICIAIS MILITARES E
BOMBEIROS MILITARES, não admitindo o julgamento de
civis.

 Assim, se um civil , em área sob administração militar


estadual , mata Policial Militar, responde no Júri.

 Contudo, a Justiça Militar Federal tem competência para


Processar e Julgar civis. Assim, e civil , em área sob a
administração militar mata militar da ativa responde da
JMU.
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou
por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais
não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos
seguintes casos:

Os civis, militares da reserva e reformados só cometem crimes militares


quando suas condutas atentarem contra as INSTITUIÇÕES MILITARES
Assim, se forem contra as
IM, são crimes militares os
Consideram-se instituições previstos só no CPM , ou
militares as Forças Armadas, com definição diversa, (
constituídas pela Marinha, CPM art. 9º, I), bem como
Exército e Aeronáutica, os que tenham a mesma
estruturadas em ministérios e, definição do CPB( Art. 9º,
também, os altos órgãos II), presentes as
militares de administração, circunstâncias do inciso III)
planejamento e comando.
STM, Rec. Crim. 60656, MG, Rel:
Min. Cherubim Rosa Filho, D.J.
26/04/93)
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem
administrativa militar;

Aplica-se o mesmo disto em relação ao Inciso II, “e”, invertendo-se somente o


sujeito ativo, que pode ser somente Civil ou Militar reformado ou da reserva.

b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de


atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou
da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;

Art. 27. Quando este Código se


Os conceitos de “lugar sujeito refere a funcionários, compreende,
à administração militar” e para efeito da sua aplicação, os
juízes, os representantes do
“militar em atividade” já foram Ministério Público, os funcionários e
oferecidos. auxiliares da Justiça Militar.
Já o conceito de Servidor da
Justiça Militar é dado pelo Art.
27 do CPM. Célio Lobão, contesta a
constitucionalidade deste dispositivo,
ao argumento que no caso dos
servidores da JM não há ofensa às IM
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão,
vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento,
acantonamento ou manobras;

Sujeito Ativo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA

Sujeito Passivo: Militar da ativa em uma das circunstâncias abaixo:

Local: QUALQUER LUGAR CIRCUNSTÂNCIAS

FORMATURA: Alinhamento e ordenação da tropa. É toda reunião do


pessoal em forma, armado ou desarmado (RISG, art. 253).
PERÍODO DE PRONTIDÃO: é um estado de alerta em que as tropas
estão prontas para operações
VIGILÂNCIA E OBSERVAÇÃO: dizem respeito a um estado de espreita,
de constante observação
EXPLORAÇÃO: é o reconhecimento de um terreno.
ACAMPAMENTO: é o estacionamento temporário de tropas com o
aproveitamento das condições naturais.
ACANTONAMENTO: é o estacionamento temporário de tropas com o
aproveitamento de instalações já existentes.
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar
em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de
vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou
judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em
obediência a determinação legal superior.

Sujeito Ativo: CIVIL, MILITAR REFORMADO OU DA RESERVA

Sujeito Passivo: Militar da ativa em uma das circunstâncias abaixo:

Local: QUALQUER LUGAR


01- Função militar: é o exercício das obrigações
inerentes ao cargo militar. ( Lei 6.880/80 Art. 23. )
CIRCUNSTÂNCIAS
02- garantia e preservação da ordem pública:
É hipótese prevista pelo art. 142 da CF/88 , na qual as FFAA atuam não na defesa da
Pátria contra agressões externas, mas sim para a garantia da Estabilidade do País
atuando na garantia da Lei e da Ordem. Os requisitos para a atuação das FFAA está
prevista na no art. 15 da Lei Complementar 97/99.
03- obediência a determinação legal de
superior: Nesse caso exige-se que a ordem seja legal ( não para o seu cumprimento
pois mesmo que ilegal o militar deve cumpri-la) mas para a qualificação do crime
militar pelo civil.
CRIMES CONTRA A VIDA COMETIDOS CONTRA CIVIS

Segundo o Art. 9º, II ( crimes


acidentalmente militares) o homicídio
cometido por militar da ativa , em
serviço, contra civil é crime militar. Art. 9º. ...........................

Contudo, em virtude de pressões de Parágrafo único. Os crimes


Organismos Internacionais, de que trata este artigo,
desconhecedores da realidade da Justiça quando dolosos contra a vida
Castrense( cujo maior defeito è a falta de e cometidos contra civil,
visibilidade), pressionaram o Governo serão da competência da
Federal que , em 1996 editou a lei justiça comum.
9.299/96, que incluiu um parágrafo único
ao art. 9º do CPM:
É CONSTITUCIONAL ESSA NORMA?

STM STF
Segundo o STM essa norma é Já segundo o entendimento do STF,
Inconstitucional, pois se o crime a lei 9.299/96 ao determinar a
enquadra-se em uma das competência do Júri para os crimes
circunstâncias do art. 9º do CPM, é, dolosos contra a vida cometidos
portanto, CRIME MILITAR, e a contra civis, o exclui do rol de
competência para o seu julgamento crimes militares( HC 260404-MG)
é da JM a quem, segundo a CF/88
compete, exclusivamente , julgar os
crime militares definidos em lei.
IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
Civil Mata Militar da Ativa em área Militar de serviço mata Civil que
sob a administração militar: invade Unidade Militar:
CRIME MILITAR - JM CRIME COMUM - TJ
DO ERRO EM DIREITO PENAL MILITAR
CONCEITO DE ERRO: é a
falsa percepção da realidade, ERRO SOBRE OS ELEMENTOS DO TIPO
sendo a ignorância a ele
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo
equiparada para fins penais. do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei.

No Direito Penal Comum, o legislador


de 1984, inclinando-se à concepção
finalista ( Welzel) do delito, dividiu o
erro em :

ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO


Art. 21 - O desconhecimento da lei é
inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se
inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço.
DO ERRO EM DIREITO PENAL MILITAR
Erro de direito
Art. 35. A pena pode ser atenuada ou
substituída por outra menos grave
quando o agente, salvo em se
tratando de crime que atente contra
Já o Legislador do Código o dever militar, supõe lícito o fato,
Penal Militar, seguindo a linha por ignorância ou erro de
do CP de 1969( que nunca interpretação da lei, se escusáveis.
entrou em vigor) manteve-se
ligado à concepção naturalista
do delito(Causalismo) e adotou
a classificação do erro oriunda Erro de fato
do direito romano, dividindo o Art. 36. É isento de pena quem,
erro em : ao praticar o crime, supõe, por erro
plenamente escusável, a inexistência
de circunstância de fato que o
constitui ou a existência de situação
de fato que tornaria a ação legítima.
ERRO DE DIREITO
Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída
por outra menos grave quando o agente, salvo em se
tratando de crime que atente contra o dever militar,
supõe lícito o fato, por ignorância ou erro de
interpretação da lei, se escusáveis.

O erro de direito, dentro do conceito analítico de crime, atua na CULPABILIDADE,


eis que retira do agente o CONHECIMENTO DA ILICITUDE DO FATO. Aqui o agente
atua com dolo(vontade livre e consciente) mas acredita, por erro, ou ignorância,
que a sua conduta não é ilícita.

Exemplo: Militar da Ativa que , em área


sob a administração militar, encontra
Se o erro for
determinado bem e acreditando que, por
escusável(invencível) a
tê-lo encontrado é seu (“achado não é
pena é atenuada ou
roubado”), não o entrega a autoridade
substituída por outra
competente no prazo de 15 dias. ( CPM
menos grave.
art. 249, § único)

Observar que no Código Penal Comum, o erro de proibição excluí a


pena, ao passo que o erro de direito somente a atenua. E se for
crime contra dever militar, não produz qualquer efeito.
ERRO DE DIREITO E O DEVER MILITAR
O Código Penal Militar não admite o instituto do ERRO DE DIREITO
aos crimes contra o DEVER MILITAR.
O conceito de crimes contra o dever militar,
segundo ROMEIRO, implica em todos os crimes
propriamente militares, pois são os crimes que
dizem respeito aos deveres da vida militar. E
não só os assim tipificados no CPM ( Art. 183 a
204)

MAS QUAL O FUNDAMENTO PARA TANTO?


A vedação em relação aos crimes que envolverem os deveres
militares , ocorre em virtude do ADESTRAMENTO por que
passam todos os militares no qual lhe são repassados os
conhecimento necessários a poder discernir sobre a ilicitude ou
não de suas condutas, relativas à LEI PENAL MILITAR. Daí
presumir-se que, pelo adestramento, o militar obtém a
potencial consciência da ilicitude relativa a seus deveres.
ERRO DE FATO
ERRO DE FATO ESSENCIAL
Na primeira parte do dispositivo, o
É isento de pena
Art. 36. agente erra em relação ao próprio
tipo penal, o erro ou a ignorância
quem, ao praticar o excluem o próprio dolo do agente, ou
crime, supõe, por erro seja, a sua vontade final é maculada
plenamente escusável, pelo erro.
a inexistência de Ex. SD que deixa de entregar à
circunstância de fato autoridade competente aparelho
celular que achou acreditando tratar-
que o constitui ou a existência se do seu.( CPM art. 259, § único)
de situação de fato que tornaria a ação
legítima. Aqui , assemelha-se com o erro de
Erro culposo
1º Se o erro deriva de culpa, a este tipo do Código Penal comum,
título responde o agente, se o fato é contudo, como o CPM é inspirado no
punível como crime culposo. causalismo, o Dolo, encontra-se na
Erro provocado
2º Se o erro é provocado por
CULPABILIDADE, e não no tipo, daí
terceiro, responderá este pelo crime, a isentar-se de PENA o agente.
título de dolo ou culpa, conforme o caso.
ERRO DE FATO
ERRO DE FATO ESSENCIAL
Na segunda parte do dispositivo
Art. 36. É isento de pena quem, ao estamos diante das chamadas
praticar o crime, supõe, por erro
plenamente escusável, a inexistência de
DISCRIMINANTES PUTATIVAS, nas
circunstância de fato que o constitui quais o agente, por errada
compreensão da realidade fática
ou a existência acredita que ao agir estar acobertado
por uma das excludentes da Ilicitude:
de situação de
São Excludentes da ilicitude :
fato que tornaria •LEGITIMA DEFESA
a ação legítima. •ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER
Erro culposo
1º Se o erro deriva de culpa, a este
LEGAL
título responde o agente, se o fato é
punível como crime culposo.
•ESTADO DE NECESSIDADE
Erro provocado
•EXERCÍCIO REGULAR DE UM
2º Se o erro é provocado por
terceiro, responderá este pelo crime, a DIREITO
título de dolo ou culpa, conforme o caso.
•DESCRIMINANTE DO Cmt
ILICITUDE
 Causas de Exclusão(CPM art. 42):

Art. 42. Não há crime quando o agente pratica o fato:


I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento do dever legal;
IV - em exercício regular de direito.
Parágrafo único. Não há igualmente crime quando o comandante de
navio, aeronave ou praça de guerra, na iminência de perigo ou
grave calamidade, compele os subalternos, por meios violentos, a
executar serviços e manobras urgentes, para salvar a unidade ou
vidas, ou evitar o desânimo, o terror, a desordem, a rendição, a
revolta ou o saque.

As questões mais relevantes em Direito Penal Militar, em relação às excludentes


da ilicitude são do ESTADO DE NECESSIDADE e o chamada EXCLUDENTE DO
COMANDANTE.
ESTADO DE NECESSIDADE
O direito penal comum, com a reforma de 1984, adotou a teoria unitária para o Estado de
Necessidade, somente o reconhecendo como excludente da ilicitude. Já o direito penal militar
acolheu a TEORIA DIFERECIADORA, eu divide o estado de necessidade em EXCLUDENTE da
Ilicitude e EXCULPANTE que elimina a CULPABILIDADE do Agente.

Art. 43. Considera-se em estado de Art. 39. Não é igualmente culpado


necessidade quem pratica o fato para quem, para proteger direito próprio
preservar direito seu ou alheio, de ou de pessoa a quem está ligado por
perigo certo e atual, que não estreitas relações de parentesco ou
provocou, nem podia de outro modo afeição, contra perigo certo e atual,
evitar, desde que o mal causado, por que não provocou, nem podia de
sua natureza e importância, é outro modo evitar, sacrifica direito
consideravelmente inferior ao mal alheio, ainda quando superior ao
evitado, e o agente não era direito protegido, desde que não lhe
legalmente obrigado a arrostar o era razoavelmente exigível conduta
perigo. diversa.

Aqui a questão se opera na


Aqui o bem jurídico defendido é culpabilidade( inexigibilidade de
superior ou igual ao sacrificado, conduta diversa) pois o bem
excluindo a ilicitude da conduta. jurídico sacrificado é inferior ao
bem defendido, mas apesar disso
Ex. Militar que para socorrer não se pode exigir do autor outra
colega ferido subtrai veículo da conduta.
unidade.
Ex. Militar que deserta para
Vida é maior que patrimônio ajudar família financeiramente.
A EXCLUDENTE DO COMANDANTE:
O parágrafo único do art. 42
O Comando é a soma de autoridade,
do CPM prevê uma forma de deveres e responsabilidades de que o
exclusão de ilicitude exclusiva militar é investido legalmente quando
do direito penal militar. conduz homens ou dirige uma
organização militar.
O Cmt tem o dever de manter a tropa
eficiente( CPM Art. 198), tendo os seus
subordinados a obrigação de obedecer(
CPM art. 163). Daí que o Cmt que, para
Parágrafo único. Não há garantir a eficiência da tropa em uma
igualmente crime quando o das situações citadas, pode exercer de
comandante de navio, aeronave seu direito de comando, inclusive por
ou praça de guerra, na iminência meios violentos.
de perigo ou grave calamidade,
compele os subalternos, por
meios violentos, a executar
serviços e manobras urgentes,
Equiparação a comandante
para salvar a unidade ou vidas, ou Art. 23. Equipara-se ao comandante, para o
evitar o desânimo, o terror, a efeito da aplicação da lei penal militar, toda
desordem, a rendição, a revolta autoridade com função de direção. ( ex. Ten.
Comandando fração de tropa é , para essa fração
ou o saque.
Cmt)
EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE
Art. 38. Não é culpado quem comete A coação aqui obrigatoriamente
o crime: é MORAL, já que a coação física
Coação irresistível exclui o DOLO pois não há
a) sob coação irresistível ou vontade. Aqui exclui-se a
que lhe suprima a faculdade de agir culpabilidade pela inexigibilidade
segundo a própria vontade; de conduta diversa.
Obediência hierárquica
b) em estrita obediência a
ordem direta de superior hierárquico, A grande peculiaridade do DPM é
em matéria de serviços. que nos crimes em que há
1° Responde pelo crime o violação do dever militar, o
autor da coação ou da ordem. agente não pode invocar coação
2° Se a ordem do superior tem irresistível senão quando física
por objeto a prática de ato ou material. (Art. 40)
manifestamente criminoso, ou há
excesso nos atos ou na forma da
execução, é punível também o Isso ocorre pois ao Militar existe a
inferior. obrigação de agir, bem como de
sacrifício da própria vida em
defesa de seus deveres militares.
ODEBIÊNCIA HIERARQUICA
As forças militares se organizam com
b) em estrita obediência a ordem base na Hierarquia e na Disciplina,
direta de superior hierárquico, em
sendo a obediência à cadeia de
matéria de serviços.
comando essencial a sua
2° Se a ordem do
funcionalidade.
superior tem por objeto a
prática de ato Se no DP comum, a ordem não deve ser
manifestamente manifestamente ilegal, no DPM essa
criminoso, ou há excesso nos ordem não pode ser MANIFESTAMENTE
atos ou na forma da execução, é CRIMINOSA, pois ao militar não é dado
punível também o inferior.
questionar a legalidade dos atos de
seus superiores. Já que possui o dever
Em relação a obediência hierárquica
destacam-se dois sistemas: O das de OBEDIÊNCIA. Se acredita na
baionetas cegas, no qual não é ilegalidade da ordem que recebeu em
dado nunca ao subordinado matéria de serviços deve sempre seguir
questionar suas ordens e o das a cadeia de comando.
Baionetas Inteligentes, que o
admite. O Brasil adota um sistema Mas se a ordem for MANIFESTAMENTE
misto, pois a princípio não admite CRIMINOSA pode negar-se a cumpri-la,
contestetação, salvo se a ordem for mas se o fizer, adere a vontade do
manifestamente criminosa. Superior e responde com ele pelo crime.
DAS PENAS
Código Penal Militar
As penas no direito penal militar
Art. 55. As penas principais são: são bem diferentes das do direito
a) morte; comum, pois refletem
b) reclusão; peculiaridades da vida na caserna.
c) detenção;
d) prisão;
e) impedimento; Além disso, só o DPM admite a
f) suspensão do pena de Morte, que será aplicada
exercício do posto, graduação, somente em caso de GUERRA
cargo ou função; DECLARADA.
g) reforma.

Art. 56. A pena de morte é


executada por fuzilamento.
Ao contrário do CP comum que prevê a a
existência de 3 Regimes de
cumprimento de pena( Fechado, Semi-
Aberto e Aberto) o CPM só prevê o
Código Penal Militar regime FECHADO para cumprimento da
pena a que for o militar . Pelo art. 59 as
Art. 55. As penas principais são: penas de detenção ou reclusão, de até 2
a) morte; anos são convertidas em PRISÃO, sendo
b) reclusão; cumpridas na forma dos incisos. A pena
superior a 2 anos é cumprida em
c) detenção; PENITENCIÁRIA MILITAR, ou , na sua
d) prisão; falta em presídio civil.
e) impedimento; Mas se for cumprida em
f) suspensão do exercício estabelecimento civil( por militar ou
do posto, graduação, cargo ou civil) aplica-se a Lei de Execuções
função; Penais( Lei 7.210)
g) reforma. A diferença entre detenção e reclusão só
diz respeito ao máximos e mínimos de
pena, quando não previstos no tipo.

Ex. Art. 181( Arrebatamento de Preso)


Reclusão até 4 anos Art. 58. O mínimo da pena de
reclusão é de um ano, e o máximo
Ex. Art. 223(Ameaça) pena detenção até de trinta anos; o mínimo da pena
6 meses de detenção é de trinta dias, e o
máximo de dez anos.
A pena de impedimento sujeita o
condenado a permanecer no recinto
da unidade, sem prejuízo da
instrução militar.
Código Penal Militar
Art. 55. As penas principais são: A pena de impedimento é aplicada
nos crime de insubmissão ( CPM Art.
a) morte;
183), e impõe ao condenado a
b) reclusão; obrigação de permanência no recinto
c) detenção; da Unidade Militar , recolhendo-se
d) prisão; após a sua instrução diária .
e) impedimento;
f) suspensão do exercício
do posto, graduação, cargo ou É pena privativa de liberdade, pois,
função; ainda que não seja recolhido a
g) reforma. estabelecimento penal militar o
insubmisso tem a sua liberdade de
locomoção reduzida, eis que não
pode ausentar-se do recinto da
unidade.
Trata-se de pena não privativa de
liberdade em que há a suspensão
Código Penal Militar temporária do exercício (afastamento)
Art. 55. As penas principais são: do Oficial( posto) ou do Praça(
Graduação) de suas funções.
a) morte;
Art. 64- A pena de suspensão do exercício do
b) reclusão; posto, graduação, cargo ou função consiste na
c) detenção; agregação, no afastamento, no licenciamento
d) prisão; ou na disponibilidade do condenado, pelo
tempo fixado na sentença, sem prejuízo do seu
e) impedimento; comparecimento regular à sede do serviço. Não
f) suspensão do exercício será contado como tempo de serviço, para
qualquer efeito, o do cumprimento da pena.
do posto, graduação, cargo
ou função;
g) reforma.
Contudo, se a pena de suspensão não
puder ser cumprida em virtude da reforma
ou reserva do sentenciado, ela converte-se
em detenção de 6 meses a 1 ano.( § único)

Reforma é a passagem
Ex. de Crimes com tal apenamento:
compulsória do Militar para a
reserva, segregando-o do Art. 204( Exercício de Comercio por Oficial)
Convívio de seus pares. So é
Art. 324 (Inobservância de lei, regulamento
admitida aos Militares com
ou instrução )
Estabilidade Assegurada.
PENAS ACESSÓRIAS
Com a reforma de 1984 o Código Penal Comum, deixou de prever a
Figura das Penas Acessórias, que são aquelas decorrentes da imposição
de uma das penas principais já estudadas.
Tomar cuidado com essa regras pois o Art. 142
da CF reza:
VI - o oficial só perderá o posto e a patente
Art. 98. São penas acessórias: se for julgado indigno do oficialato ou com
I - a perda de posto e patente; ele incompatível, por decisão de tribunal
II - a indignidade para o militar de caráter permanente, em tempo de
paz, ou de tribunal especial, em tempo de
oficialato; guerra;
III - a incompatibilidade com o VII - o oficial condenado na justiça
oficialato; comum ou militar a pena privativa de
IV - a exclusão das forcas armadas; liberdade superior a dois anos, por sentença
V - a perda da função pública, ainda que transitada em julgado, será submetido ao
eletiva; julgamento previsto no inciso anterior;
VI - a inabilitação para o exercício de função
pública;
VII - a suspensão do pátrio poder, tutela ou
curatela;
VIII - a suspensão dos direitos políticos.
Assim, se o Oficial for condenado a pena
igual ou inferior a 2 anos, é submetido ao
Oficial Incompatível é aquele Conselho de Justificação, sendo após a
inconciliável com o Oficialato. decisão desse conselho submetida a
Indigno é aquele, torpe sórdido, Tribunal Militar( STM, TJM ou TJ). Se a
não merecedor dessa condição pena for superior a 2 anos o MP
representa diretamente ao tribunal.
Essa pena acessória é aplicada
Art. 98. São penas acessórias: aos Praças das FFAA
I - a perda de posto e patente; condenados a penas privativas
II - a indignidade para o de liberdade superiores a 2 anos
oficialato; ( CPM art. 102)
III - a incompatibilidade com o
oficialato;
IV - a exclusão das forcas
armadas;
V - a perda da função pública, Contudo as Praças das Forças
ainda que eletiva; Auxiliares somente podem perder a sua
VI - a inabilitação para o Graduação por decisão do Tribunal
exercício de função pública; Militar( Art. 125 da CF/88).
VII - a suspensão do pátrio
poder, tutela ou curatela;
VIII - a suspensão dos direitos
políticos. Com a exclusão das FFAA, o militar
passa a cumprir pena em Presídio civil,
ficando sujeito ao regramento da LEP,
inclusive com direito à progressão de
regime.
 Inaplicabilidade das Penas Restritivas de direito no DPM

O Código Penal Militar não Esta Corte tem entendimento firme no


previu , ao contrário do CPB, sentido de não aceitar a aplicação da Lei
as penas RESTRITIVAS DE nº 9.714/98, que dispõe sobre penas
DIREITO, sendo entendimento restritivas de direitos, não só em razão da
pacífico no STM de que são especialidade e autonomia do Direito
incompatíveis com a realidade Penal Militar, mas, também, por sua
castrense. incompatibilidade com as peculiaridades
atinentes à vida militar e ao militar. ( STM
Ap. 2004.01.049688-2 )

Contudo, a maioria da doutrina critica esse entendimento, pelo menos, em


relação aos Civis, pois entende que, nesse caso, a substituição da pena
corporal por outra restritiva de direitos em nada prejudica a Organização e a
Disciplinas Militares.
CONCURSO DE CRIMES
Concurso de crimes
Concurso Material(CM): O agente
Art. 79. Quando o agente, mediante , com várias condutas pratica
uma só ou mais de uma ação ou omissão, vários crimes. Ex. Sd que furta bem
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou
da Unidade e logo após deserta.
não, as penas privativas de liberdade
devem ser unificadas. Se as penas são da
mesma espécie, a pena única é a soma de
Concurso Formal: O agente com
todas; se, de espécies diferentes, a pena
única e a mais grave, mas com aumento uma só ação pratica mais de um
correspondente à metade do tempo das crime . Ex. Soldado que por
menos graves, ressalvado o disposto no negligência atropela vários colegas.
art. 58.

O CPM dá o mesmo tratamento ao concurso material e formal( de forma


diferente do Direito Penal Comum), adotando o critério da exasperação
das penas quando diferentes( pega-se a maior e aumenta-se até a metade
do tempo da menos grave), e o critério da cumulação quando idênticas(
somam-se todas as penas)
Ex. Réu é condenado à pena de 3 meses de detenção por lesão corporal( CPM art. 209)
e 6 meses pelo crime de calúnia( CPM 214). Qual a sua pena? Como as penas são
idênticas( DETENÇÃO) soma-se: penal final 9 meses.
Ex. Réu é condenado a 6 meses de detenção por lesões corporais, e a 6 anos de
reclusão por homicídio. Qual a sua pena? Sua pena será a do mais grave acrescida da
metade da pena do menos grave(3 meses). Pena final 6 anos e 3 meses.
CRIME CONTINUADO
Crime continuado A figura do crime continuado é ficção legal pela
Art. 80. Aplica-se a regra qual o agente, comete vários crimes, contudo,
do artigo anterior, quando o em virtude de condições de tempo, lugar e
agente, mediante mais de uma maneira de execução, a lei considera-os como
ação ou omissão, pratica dois um crime único. Ex. Soldado que arromba
vários armários de seus colegas e deles
ou mais crimes da mesma
subtrai valores.
espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de Contudo o CPM, em sentido totalmente
contrário ao CP, não considera o crime
execução e outras semelhantes,
continuado determinando a aplicação das
devem os subseqüentes ser regras do concurso de crimes, ou seja ,
considerados como continuação SOMA DE TODAS AS PENAS.
do primeiro.
Mas a doutrina e jurisprudência,
Parágrafo único. Não há entendendo a regra draconiana, mandam
crime continuado quando se aplicar a regra do art. 71 do CP,
trata de fatos ofensivos de bens considerando como existente um crime
jurídicos inerentes à pessoa, único, aplicando somente uma das penas
salvo se as ações ou omissões exasperada de 1/6 s 2/3.
sucessivas são dirigidas contra
a mesma vítima. STM Ap 2000.01.048459-0 UF: BA No caso de
crime continuado deve ser aplicado
subsidiariamente o art. 71 do Código Penal, o
que possibilitou a redução da pena. Apelo
parcialmente provido. Decisão majoritária.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
PRESCRIÇÃO
Em relação à prescrição no DPM, a situação mais digna de nota é a prescrição nos
crimes de DESERÇÃO E INSUBMISSÃO

Art. 131. A prescrição começa a Art. 132. No crime de deserção, embora


correr, no crime de insubmissão, do decorrido o prazo da prescrição, esta só
dia em que o insubmisso atinge a extingue a punibilidade quando o desertor
idade de trinta anos. atinge a idade de quarenta e cinco anos, e,
se oficial, a de sessenta.
No crime de insubmissão o termo
inicial da prescrição não será a Já na deserção o prazo prescricional
data de consumação do delito, mas corre normalmente, mas somente
sim o momento em que o agente poderá ser declarado quando o
completar 30 anos. Após essa data desertor completar 45 anos.
o prazo prescricional será o do art.
125 do CPM( 4 anos).
Em ambos os casos as regras só se aplicam aos acusados enquanto não
capturados( trânsfugas) com a captura o prazo passa a ser o do art. 125 do CPM.
Essas regras são necessárias pois ambos os crimes são permanentes, e não
fosse assim seriam imprescritíveis.