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ESTADO DE MATO GROSSO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTA FLORESTA DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Tatiane Aparecida Klossoski

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA
GALENO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 37º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

A América fé descoberta em 1492. Três anos após o descobrimento, Cristóvão Colombo dirigiu uma campanha militar que dizimou os índios da ilha Dominicana,sendo que alguns dos que sobraram, acabaram sendo vendidos como escravos. A ocupação portuguesa e espanhola combinava a propagação da fé cristã e o saqueio das riquezas nativas. O sofrimento imposto aos índios foi enorme.Muitos se suicidaram, outros sucumbiram diante da escravidão e grande parte era derrotada por bactérias e vírus vindo da Europa. O desnível do desenvolvimento entre os conquistadores e os índios pode explicar o motivo de tais derrotas. A população de índios, por conta disso, sofreu perdas enormes, reduzindo-se assustadoramente. Num primeiro momento após o descobrimento, os principais objetos de exploração foram os metais, particularmente a prata, Potosí (na Bolívia) e o ouro preto – Minas Gerais ( no Brasil). Nesse processo, a maioria dos índios pereceu.Alguns tentaram resistir, mas eram impiedosamente massacrados, como, por exemplo,o líder indígena Tupac Amaru, que

encabeçou um movimento revolucionário, mas acabou sendo executado e mutilado, junto com sua família e partidários, em praça publica. É importante ressaltar que grande parte dos metais explorados na América Latina servia somente para enviar aos paises europeus. No caso brasileiro quem se beneficiou, particularmente, foi para a Inglaterra. Alem do mais, quase tudo o que era consumido no Brasil, vinha da Inglaterra, inclusive as vestimentas dos escravos negros que trabalhavam nas minas brasileiras. A busca do ouro e da prata foi o motor principal das conquistas, e quando se descobriu a rapidez e facilidade de plantar cana-de-açúcar, passaram a explorar isso também, o que trouxe como consequência o aumento do numero de escravos negros trazidos da áfrica. Note-se que o açúcar era tratado como um artigo de luxo, muito caro e cobiçado pelas elites européias. Até meados do século XVII o Brasil foi o maior produtor mundial de açúcar,assim um dos principais compradores de escravos, visto que os índios logo morriam ante a escravidão. O negocio açucareiro no Brasil era predominante financiado por capital holandês. Os holandeses faziam as instalações, traziam os escravos, refinavam o açúcar. Em 1630 os holandeses tentaram invadir o Brasil, mas foram expulsos e levaram consigo o negocio do açúcar, que instalaram nas Antilhas. As Antilhas ficaram condenadas ao mercado de açúcar até os dias de hoje, prisioneiros da monocultura, que trouxe desemprego e pobreza. Cuba conseguiu se livrar dessa monocultura após a revolução, tal como de males como analfabetismo e o desemprego. A reforma agrária de 1959 deu inicio a um processo de diversificação da economia cubana. O açúcar proveniente da América Latina acarretou grande acumulação de capital pelos europeus e até pelos Estados Unidos. Em principio do século XIX a Inglaterra passou a encabeçar uma campanha antiescravista, visto que sua industria já necessitava de mercados internacionais com maior poder aquisitivo.

No ano de 1888 foi abolida a escravidão no Brasil, mas não o latifúndio. A maioria dos trabalhadores vivia e trabalhava em condições semelhantes à escravidão. Narra o autor também sobre a borracha. O Brasil havia conquistado o Acre e assim possuía quase a totalidade das reservas de borracha do mundo. Para a exploração de borracha foi utilizada mão-de-obra nordestina. Pouco tempo depois os ingleses roubaram algumas sementes de seringueira e levaram para a Ásia. O Brasil passou, assim, a não exercer mais o controle sobre o produto. Outros produtos explorados foram o cacau e o café. O cacau principalmente na Venezuela. Também no Brasil havia plantações de cacau. No tange ao café, no Brasil, um dos principais produtores da América Latina, além da mão-de-obra escrava foi utilizada a dos imigrantes vindos da Europa. O café foi um grande negocio no Brasil e levou os cafeicultores a constituírem uma nova elite social no país. Note-se, porem, que empresas estadunidenses estavam por trás do negocio, apesar de que era o Estado brasileiro que suportava todos os ônus negativos do negocio. Alguns revolucionários como Sandino, na Nicarágua e Zapata, no México, iniciaram lutas contra a exploração dos imperialistas e latifundiários. Os Estados Unidos e as empresas estadunidenses investem na América Latina com a finalidade de obter matéria-prima de que necessitam para suas industrias dos mais diversos ramos, visto que não possuem matéria-prima na quantidade que necessitam. Neste processo, se vale dos mais variados meios para controlar os mercados, inclusive roubar e instituir governos como bem entendem, chegando até incentivar guerras, como a Guerra do Pacífico em 1879 a 1883 e a Guerra do Chaco em 1932 a 1935. Com o avanço da tecnologia e desenvolvimento bélico, as matérias-primas de interesse passaram a ser as mais variadas como o estanho, ferro, gás natural e principalmente o petróleo. No momento em que começaram os movimentos de independência na América Latina, e posteriormente com a independência conquistada, os ingleses lucraram muito.

Enviavam os produtos que fabricavam para faturar enormes quantias com os mais novos mercados. A enorme quantidade de produtos ingleses nos países latino-americanos se deveu ao fato de que estes países não estabeleciam barreiras que protegessem suas industrias como impostos sobre estas mercadorias estrangeiras, ou quando os havias, eram insignificantes, possibilitando inclusive que o produto estrangeiro fosse mais barato que o nacional. Como consequência, as industrias nacionais foram arrasadas. Observa o autor, citando Friederich List, que o principal produto inglês,assim, foi o “livre comercio”, que na realidade beneficiava os próprios ingleses, pois na medida que enriqueciam, a América Latina se afundava cada vez mais. Houve algumas tentativas de proteger o mercado interno como uma lei alfandegária na argentina, em 1835, que resultou em ataques militares franceses e ingleses. Entretanto, na América Latina, destacou-se um pais em que não mandavam as oligarquias, tampouco o capital inglês, o Paraguai. Neste país não havia grandes latifúndios particulares, as terras erram, quase em sua totalidade, do estado, o analfabetismo era o menor da América Latina e de nodo geral toda a população desfrutava de uma boa vida ou não passava necessidades. Essa situação preocupava a Inglaterra, por não poder penetrar naquele marcado, e às oligarquias dos países vizinhos, pelo Paraguai servir de “má influencia”. Foi então que se formou a tríplice aliança entre Argentina, Brasil e Uruguai, em 1865, para destruir o Paraguai, com total apoio moral e financeiro dos ingleses. O Paraguai resistiu bravamente, mas acabou sucumbindo, com sua população quase que totalmente aniquilada. Por fim, os países da tríplice aliança sofreram uma barranca rota financeira, ficando ainda mais dependentes da Inglaterra; já o Paraguai, passou a ser explorado e não se recuperou até hoje. Galeno cita que enquanto os estados unidos nada enviaram à Inglaterra, possibilitando assim um desenvolvimento local mais aprimorado, a América Latina enviou a maioria das matérias-primas de que a Europa necessitava para seu desenvolvimento econômico, impossibilitando o desenvolvimento local.

A partir do final da II Guerra Mundial houve na América Latina um recuo dos interesses europeus, em beneficio dos estadunidenses. Consequentemente houve uma diminuição nos gastos com o serviço publico e a mineração e um aumento com relação ao petróleo e a industria manufatureira. O capital estadunidense tomou os setores chaves das industrias locais,para daí, comandar todo o resto e ditar as regras. Nota o autor que os capitalistas dos Estados Unidos concentraram-se, na América Latina, mais agudamente que no próprio país e estão desvinculados de qualquer idéia ou sentimento de nacionalismo. O fator prejudicial nisso tudo foi o fato do crescimento industrial na América Latina ter sido, de modo geral, trazido de fora, e não desenvolvido internamente. Houve alguns governos nacionalistas que tentaram fazer contrapeso a isto, mas de uma forma ou de outra, acabaram liquidados. Eram poucas as empresas que não estavam ligadas ao capital estadunidense e mesmo assim, muitas dessas que não tinham vínculos com o capital estadunidense acabaram sendo engolidas por empresas estrangeiras, as quais desfrutavam de maiores benefícios pelo tratamento que lhes davam o Estado, em nome do desenvolvimento, e isto ficou claro no Brasil. Observa Galeno que veio a incrementar o controle capitalista sobre a América Latina, o fundo monetário internacional (FMI), instituição controlada pelos estados unidos, que prometeu e promete milagres e veio, na realidade, a institucionalizar um controle financeiro sobre o mundo; na América Latina determina políticas financeiras a serem adotadas pelos governos, determinando quais as áreas e o quanto investir. Um outro modo de subtrair dinheiro da América Latina tem sido a instalação de bancos estadunidenses nesses países; consequentemente esses bancos acabam exercendo real influencia sobre os mercados internos. Assim, a detenção dos recursos financeiros, se mostra a mais eficaz forma de dominação por meio da qual se instala e se derrubam governos, ditaduras, por meio de que se destrói a industria nacional em detrimento da estrangeira, por meio de que se institui salários de fome, para que paises latinos americanos vendam os produtos baratos para o exterior, mas comprem caros os de que necessitam, exportem o melhor produto e fique com o de pior

qualidade. Enfim, desta maneira os paises imperialistas, principalmente os Estados Unidos, vêm comandando setores estratégicos e decisões políticas na América Latina. Por fim, concluiu o autor, que o principal fator que permite essa exploração é a falta de unidade entre países latino-americanos, principalmente no campo econômico, visto que esses países comercializam mais com os Estados Unidos e Europa, do que entre si.