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TRANSFORMAÇÕES NA EDUCAÇÃO E CÓDIGOS DE MODERNIDADE

A conferência que me foi encomendada tem dois propósitos: falar sobre as


transformações fundamentais na educação, neste momento de transição, para
todos os países da América Latina, e aprofundar uma reflexão sobre os
códigos da modernidade. Não vou falar nada que seja especialmente
desconhecido de todos neste auditório. Transformar as coisas não é fazer
nada de novo; é tomar as mesmas coisas e organizá-las de outra forma. A
mudança surge quando decidirmos organizar as velhas coisas de uma outra
maneira, com outras finalidades, outros propósito. Falarei primeiramente das
transformações fundamentais para melhorar um sistema educacional.
TRANSFORMAÇÕES

Bernardo Toro:
“A educação não pode produzir, por si mesma, as modificações, mas nenhuma
modificação é possível na sociedade sem os educadores.”
A 1ª transformação - indispensável é que mudemos a nossa própria percepção de
educadores como grupo profissional. Falando especificamente de Brasil, seus
educadores constituem o maior grupo profissional do País. São dois milhões de
educadores; nenhuma outra profissão atinge sequer a metade do número de
profissionais em educação. Além do mais, os profissionais da educação estão
distribuídos em todo o território nacional. É a única profissão presente em todos os
municípios, todos os bairros, todos os lugarejos mais longínquos. A audiência da
educação no Brasil é maior do que a audiência de qualquer rede de televisão. Além
disso, os educadores têm permissão para fazer coisas que só a eles são permitidas
numa sociedade, a saber, mudar a maneira de pensar, mudar os modos de sentir,
mudar os modos de agir de toda uma população. O educador é o único profissional a
quem a sociedade solicita que modifique os modos de pensar, sentir e agir das
pessoas. Por ser a profissão de maior contingente, a mais bem distribuída, a que tem
mais acesso à sociedade e sobretudo a que pode mudar o pensamento, as ações e o
sentimento das pessoas, pode-se arriscar a seguinte afirmação: qualquer coisa para o
bem ou para o mal do Brasil é possível se os educadores agirem articuladamente. A
educação não pode produzir, por si mesma, as modificações, mas nenhuma
modificação é possível na sociedade sem os educadores. O projeto de
desenvolvimento do Brasil não é possível somente por meio da educação, mas sem a
educação também não é possível. Então a primeira transformação consiste em que os
educadores se entendam, agindo articuladamente.
“O educador é o único profissional a quem a sociedadesolicita que modifique
os modos de pensar, sentir e agir das pessoas”
A 2ª transformação - seria uma redefinição da profissão de educador. É uma tese
difícil a que vou expor. A docência não é a profissão do educador: dar aulas numa sala
não é nossa profissão. O que é um profissional? É uma pessoa que domina os
conhecimentos, as habilidades, as capacidades, as competências, os instrumentos e
os valores para resolver sistematicamente um problema importante para a sociedade.
É a importância desse problema que confere valor a uma profissão, seja essa
importância real ou uma crença da sociedade. No Brasil, um jogador de futebol é bem
pago porque a sociedade valoriza o futebol. Marcar gols é resolver um problema
importante para a sociedade brasileira. Qual é o problema importante que o educador
tem de resolver na sociedade? Certamente não será dar aulas. O problema que ele
deve resolver é um só: garantir que as crianças aprendam o que têm de aprender, no
momento certo, e que o façam com felicidade. Essa é a nossa profissão. Dar aulas é
apenas uma estratégia profissional; não é a nossa profissão. Devemos fazer o que for
necessário para resolver nosso problema como educadores. Se é necessário dar
aulas, demos aulas. Assim como a consulta médica não é a profissão do médico, mas
apenas uma estratégia profissional, também a docência não é nossa profissão.
“Assim como a consulta médica não é a profissão do médico, mas apenasuma
estratégia profissional, também, adocência não é nossa profissão”.
A 3ª transofrmação - está relacionada com a segunda: a sociedade brasileira e nós,
educadores, em especial, temos de assegurar que haja muito mais tempo para a
aprendizagem. Poderíamos chamar essa transformação de “ampliação do tempo de
aprendizagem”. Todos nós, educadores, devemos entender, em primeiro lugar, que o
tempo escolar não é nosso, mas dos alunos. É um princípio de ética profissional
respeitar esse tempo que não é nosso. Não é ético nem lícito tomar o tempo dos
alunos para qualquer atividade nossa e não deles. O Brasil – e a Colômbia também –
tem um dos períodos escolares mais curtos do mundo. A criança japonesa tem o triplo
do tempo para aprender. Não é possível sair da pobreza e do subdesenvolvimento
com o tempo de aprendizagem de países como o Brasil e a Colômbia. Não se trata de
simplesmente estar mais tempo na escola, mas de o tempo escolar ser mais rico em
todos os sentidos. Só uma sociedade que não se preza, não se respeita, diminui o
tempo de aprendizagem de suas crianças.
“Todos nós, educadores,devemos entender, em primeiro lugar, que o tempo
escolar não é nosso,mas dos alunos”.
A 4ª transformação - refere-se ao enfoque pedagógico. Temos de passar da
aprendizagem frontal para a aprendizagem cooperativa em grupos. A educação frontal,
o ensino magistral, é um modelo que foi bom historicamente, mas já não serve mais. A
educação como sistema é uma invenção relativamente recente. Quando os livros eram
raros e caros, o conhecimento era localizado em zonas muito distanciadas. Não havia
comunicação de conhecimentos como hoje. Era necessário formar um educador que
conhecesse tudo; era preciso centrar todo o conhecimento em uma pessoa; tudo era
muito oneroso. À medida que a sociedade aprendeu a plasmar o conhecimento em
materiais de custo razoável, não faz sentido que uma pessoa se sobrecarregue de
conhecimentos. O conhecimento hoje é facilmente materializado em objetos. A
educação demanda que as crianças e os jovens aprendam a produzir conhecimentos
e a dominar aqueles que estão materializados nos objetos. E que aprendam a usar a
sua inteligência para relacionar esses conhecimentos, não para reproduzi-los. A
educação demanda pessoas capazes de lidar com os conhecimentos, de assumir
posições, de argumentação. Pessoas que sejam capazes de construir o conhecimento
e de construir realidades. E isso somente se consegue por meio do trabalho em
grupos de aprendizagem cooperativa. Essa transformação é muito dolorosa para nós,
educadores, acostumados a ser o centro da educação. É preciso aceitar que o centro
da educação é o aluno. Passar do modelo magistral ao da aprendizagem cooperativa
é o grande desafio do Brasil e de toda a América Latina em relação a seus sistemas
educacionais.
“ Passar do modelo magistral ao da aprendizagem cooperativa é o grande
desafio do Brasil e de toda a América Latina em relação a seus sistemas
educacionais”
A 5ª transformação - consiste em fazer da educação um bem público. Em nenhum
país da América Latina existe uma educação pública, incluindo o Brasil. Expliquemos
nosso pensamento. Em primeiro lugar, não existe educação gratuita. Toda educação é
paga; nenhum professor público trabalha gratuitamente. Todos recebem seus salários;
se são bons ou não, isso é uma outra história. O cidadão que paga uma escola
particular para seu filho está pagando duas vezes a educação: uma vez nos impostos,
outra ao colégio. Em segundo lugar, se aceitamos como público aquilo que convém a
todos de igual forma, a educação será pública no dia em que for de igual qualidade
para todos. Se aceitamos que a educação particular é de melhor qualidade do que a
pública, estamos aceitando também que não há educação pública. Um serviço público
não pode discriminar a população. Por isso, os países da América Latina não podem
ser considerados países com educação pública. A América Latina aceita a
discriminação: uma educação de pior qualidade para os que vivem na pobreza.
Somente poderíamos dizer que temos uma educação pública no dia em que ela
tivesse a mesma qualidade da educação particular. Um indicador disso seria que os
professores pusessem seus filhos na escola pública. Podemos estabelecer leis,
normas, estratégias e políticas de qualidade, mas somente a decisão de todos os
educadores oficiais é que pode tornar possível a boa qualidade da educação para os
filhos das classes populares. A educação pública tem de ser sempre de qualidade,
precisamente porque é a educação das classes populares que têm o problema de não
poder substituir aquilo que a escola não lhes oferece, aquilo que a escola lhes sonega.
Os alunos provenientes das classes dominantes têm recursos para compensar a má
qualidade da escola. Essa é uma das grandes transformações que devemos fazer:
tornar possível a educação pública na América Latina e, em especial, no Brasil. Até o
momento ela não existe. Há professores pagos com recursos públicos, mas isso não é
suficiente para caracterizar a educação pública.
“... se aceitamos como público aquilo que convém a todos de igual forma, a
educação será pública no dia em que for de igual qualidade para todos”.
A 6ª transformação - consiste em formar nos alunos uma mente internacional. Nós
somos a última geração semi-rural ou semi-urbana. Temos uma cultura rural que se foi
urbanizando, mas não somos ainda urbanos de todo. Por isso, para nós é difícil
aceitar que o mundo realmente se globalizou. Hoje tudo se internacionalizou: as
finanças, o mercado, as comunicações. O conhecimento circula assim como o ar.
Existe um único mercado, um único mundo. Faz-se necessário, então, que nossos
alunos comecem a se formar com uma mente internacional. Cada profissão, cada
trabalho, cada profissional, por mais regional que possa parecer, deve ter
competitividade mundial. Os jogadores brasileiros de futebol podem provir de bairros
de periferia, de famílias paupérrimas, porém, pelo fato de terem um futebol de
competitividade internacional, eles são o que são perante o mundo. Qualquer
profissão a que uma pessoa se dedique, ela deve fazê-lo com uma visão internacional.
E isso deve ser formado. Sob esse ponto de vista são muito importantes os
professores de História, Geografia e de línguas estrangeiras. Costumamos dar muito
relevo ao estudo da Europa, da Ásia, da América do Norte – e de seus personagens
históricos -, e quando estudamos a América Latina não o fazemos com o mesmo
empenho, com a mesma paixão. Temos a consciência de negarmos a nós mesmos;
continuamos querendo ser como os outros e não nos decidimos a ser como somos. É
importante que a História seja mostrada como tendo sido feita por nossos iguais, pelo
povo. A criança deve descobrir que a sociedade se faz com trabalho, com a vida
cotidiana. E que isso é feito por pessoas comuns; assim, a criança se sentirá também
capacitada e responsável pelo seu país. E pelo mundo. Do ponto de vista das línguas
os alunos estudam anos de inglês e no final não sabem nem falar, nem ler, nem
escrever. Sobretudo quando se trata das classes populares. É com as crianças das
classes populares que devemos nos preocupar. Elas precisam do inglês para
pertencerem ao mundo. Quer queiramos, quer não, o Inglês é o esperanto do século
XXI; É a língua internacional em todos os setores da vida. Isso é responsabilidade dos
professores de língua inglesa.
“Existe um único mercado, um único mundo. Faz-se necessário, então, que
nossos alunos comecem a se formar com uma mente internacional”.
A 7ª transformação - refere-se à criação de uma cultura de qualidade, de precisão e
de beleza. Já falei de qualidade e de precisão. Agora falo de beleza. A estética, a
beleza, não é possível para uma sociedade até que ela se aceite a si mesma. Quando
uma sociedade quer ser como outra e não como ela é, não há como construir a sua
própria estética. O problema de muitos países da América Latina é não aceitar cultural
e geneticamente que são uma mistura de Europa, África, América e Ásia. Não
aceitamos que somos mestiços, que somos índios, que somos africanos. Fomos
conquistados não só por Portugal e Espanha. Aceitemos o que somos. Assumamos
nossa consciência mestiça. Expressemos isso na educação, nos nossos livros, na
decoração de nossas escolas. Só aceitamos nossa mestiçagem na música, na dança
e no futebol. E somos excelentes! É necessário fazer uma educação que expresse o
que somos esteticamente. A iconografia dos textos escolares e a decoração das
escolas não expressam nossa estética. Nunca nos ensinam sobre a cultura africana
que herdamos. É como se isso não existisse. Construir uma cultura estética implica
uma transformação na nossa consciência: aceitarmos que somos mestiços.
“É necessário fazer uma educação que expresse o que somos esteticamente. A
iconografia dos textos escolares e a decoração das escolas não expressam
nossa estética”.
A 8ª transformação - consiste em orientar todas as ações e planos para o projeto
ético proposto na Constituição brasileira. Historicamente, a educação na América
Latina esteve separada do desenvolvimento e do projeto de nação. O País vai para um
lado, a educação para outro. Uma Constituição é, antes de tudo, um projeto cultural. A
melhor Constituição de um país é aquele que o povo mesmo constrói. A Constituição
brasileira sintetiza a consciência brasileira, e a educação deve contribuir para
possibilitar esse projeto, que é de cidadania e de produtividade e desenvolvimento.
Todo o sistema educativo deve estar orientado para contribuir com o projeto contido
na Constituição. A educação deve contribuir para a soberania. E soberania é a
capacidade que tem uma sociedade de dar-se a si mesma a ordem social e as leis que
ela mesma quer para si. A educação deve contribuir para fundar essa soberania,
baseada na Constituição que a própria nação se impôs – por isso é legítima. Cidadão
não é apenas aquele que pode votar. Votar é um direito seu, mas não é a cidadania. O
cidadão é uma pessoa capaz de criar, com as demais, a ordem social que ela mesma
quer viver, cumprir e proteger. Quando o professor, com seu aluno, gera na escola as
regras a serem ali cumpridas por todos, ele está ensinando e o aluno aprendendo a
ser cidadão, a ser soberano. A dignidade da pessoa humana é outro projeto da
Constituição. O maior projeto ético do século XX não foram os satélites, nem a
televisão, nem o computador. A invenção maior do século XX é a Revolução Universal
dos Direito Humanos, no dia 10 de dezembro de 1948. Nossa revolução apenas
começa – pela primeira vez um projeto de Humanidade! Nosso dever é vigiar para que
os Direitos Humanos sejam respeitados cotidianamente; eles estão na Constituição.
Não é possível fazer uma Constituição divorciada dos Direitos Humanos. Uma grande
transformação é que todas as nossas ações na escola se orientem para fazer da
educação um instrumento para a consecução do projeto proposto na Constituição.
“O cidadão é uma pessoa capaz de criar, com as demais, a ordem social que ela
mesma quer viver, cumprir e proteger”.
A 9ª transformação - diz respeito à garantia da apropriação do conhecimento, no
momento certo. A educação existe porque o conhecimento não é natural, mas artificial.
Todo conhecimento é artificial, inclusive o mais importante de todos: a língua, o falar.
Luria diz que a criança que fala corretamente para a sua idade está em condições de
aprender qualquer coisa. Se ele não aprende não é problema de inteligência, mas do
ensino. O êxito escolar é possível para todas as crianças. O conhecimento é um
produto. Nós temos de aprender e ensinar a guardar, a acumular o conhecimento. Eis
a importância das bibliotecas, dos museus, arquivos, publicações de toda ordem. Para
não se ter de começar sempre do zero. Isso é formado na escola. O sistema
educacional é uma organização que a sociedade criou para garantir que as novas
gerações se apropriem do melhor conhecimento produzido pela geração antecedente.
É um legado, uma herança que se deixa. Isso implica aceitar que o conhecimento é
um produto. E a educação deve garantir que a geração possa se apropriar do
conhecimento no momento certo.
Agora podemos abordar os códigos da modernidade, ou seja, o que uma criança deve
aprender para o século XXI. Existe um acordo internacional sobre isto: o que ela deve
aprender ao longo de sua formação. O que ela deve aprender não são conteúdos, mas
habilidades, capacidades e competências. A perspectiva é de que o século XXI será
um século urbano; a era rural acabou. No campo, manipula-se a realidade
diretamente. Na cidade, manipulam-se os símbolos dessa realidade.
“O conhecimento é um produto. E a educação deve garantir que a geração
possa se apropriar do conhecimento no momento certo”.
PRIMEIRO CÓDIGO

Para participar do século XXI todas as crianças devem ter altas competências em
leitura e escrita. Este é o problema mais sério da América Latina. A diferença atual
entre essas competências por parte das crianças da Europa e da América Latina é
abismal. O fracasso não é dos alunos, mas da escola, dos professores, dos métodos.
Nós é que devemos mudar. A leitura e a escrita são hoje problema de sobrevivência.
Não se admitem mais desculpas para o fato do analfabetismo. Isso transforma o
professor das primeiras séries no mais importante da escola, e toda a atenção da
diretoria deve estar voltada para essa grande meta da educação: a alfabetização
urgente das crianças.
SEGUNDO CÓDIGO

Refere-se a altas competências em cálculo matemático e em solução de problemas de


toda ordem. Nós não temos ensinado às crianças a resolução de problemas, e é isso
que precisa ser ensinado em várias áreas do conhecimento. O profissionalismo
consiste em resolver problemas. A leitura e a escrita, o cálculo matemático e a
resolução de problemas são aprendizagens que todas as crianças devem ter.
TERCEIRO CÓDIGO

Refere-se a altas competências em expressão escrita, em três aspectos: precisão para


descrever fenômenos e situações, precisão para analisar e comparar e precisão para
expressar o próprio pensamento. Essas competências são tidas como os indicadores
mais importantes da competência profissional. Elas são fundamentais para vida
urbana, entre símbolos e signos. É essencial que as crianças das primeiras séries
escrevam, todos os dia, pelo menos de seis a dez linhas de sua própria criação.
Temos de gerar uma tradição de leitura e escrita, não apenas uma habilidade. A
criança deve, diariamente, expor pensamento por escrito.
QUARTO CÓDIGO

Consiste na capacidade para analisar o ambiente social e criar governabilidade; isso


significa formação política e democracia. Governabilidade é a capacidade de um país
de elaborar suas leis e cumpri-las, e a capacidade de um povo de solucionar seus
próprios conflitos sem violência. Isso é possível quando a criança desde pequena
aprende a analisar, criticar e comparar ambientes sociais. Isso é formação política, e é
fundamental para a produtividade. É preciso não confundir formação política com
formação partidária. Formação política significa formar pessoas capazes de, junto com
outras, criar a ordem que elas mesmas vão viver, cumprir e proteger.
QUINTO CÓDIGO

É a capacidade para a recepção crítica dos meios de comunicação de massa.


Atualmente culpamos a televisão pelo não-aprendizado das crianças. Pesquisas,
entretanto, provam que a televisão desenvolve habilidade de aprendizagem, o alto
nível auditivo, o alto nível de discriminação visual, a capacidade de estabelecer
seqüências, de formular hipóteses, de tirar conclusões parciais e totais. Tudo isso a
televisão desenvolve em alto nível. Não faz sentido desligar a televisão. Os valores, as
crianças os aprendem no contato com os adultos que as rodeiam. O sistema de
valores de uma sociedade emerge de seu sistema de punições e recompensas. As
crianças vão valorizar a cooperação, a amizade, a solidariedade segundo o sistema de
premiações dos adultos, não de acordo com o discursos desses adultos. Esse
sistema de recompensas e punições pode ser explícito ou implícito. Então, o que
temos de fazer é observar e discutir programas de televisão com as crianças. Alguns
minutos por dia são suficientes para desenvolver nas crianças esse espírito crítico.
SEXTO CÓDIGO

Refere-se à capacidade para planejar, trabalhar e decidir um grupo. Esse código exige
a passagem do método frontal para o método da aprendizagem cooperativa em
grupos. Todo o Ocidente admira a capacidade dos japoneses para trabalhar em grupo.
Essa capacidade não se aprende na empresa, aprende-se na escola. Isso é uma
cultura que não se ensina pelo discurso, pela aula magistral, mas pela aprendizagem
cooperativa dos grupos.
SÉTIMO CÓDIGO

Relaciona-se à capacidade para localizar, acionar e usar a informação acumulada. No


futuro, a criança não precisará ter o conhecimento no cérebro. O conhecimento estará
materializado nos livros, computadores, vídeos, filmes, fibras óticas. O que a criança
precisará é de ter capacidade para localizar, acionar e usar essa informação
acumulada.

Estes sete códigos: alta competência em leitura e escrita; alta


competência em cálculo matemático e solução de problemas; alta
competência em expressão escrita; capacidade para analisar o
ambiente social e criar governabilidade; formação político-
democrática; capacidade para recepção crítica dos meios de
comunicação de massa; capacidade para planejar, trabalhar e decidir
em grupo; e finalmente, capacidade para localizar, acionar e utilizar a
informação acumulada são as sete coisas que todas as crianças
devem saber para o século XXI – E DEVEM APRENDÊ-LAS JÁ. Tudo isso
é possível, para todas as crianças. Todas as transformações são
possíveis para o Brasil se os professores trabalharem de forma
articulada. E por uma razão: os professores são as pessoas que e
numa sociedade modificam os modos de pensar, de sentir, de agir,
de atuar.

Texto não revisado pelo autor.


Tradução e síntese: Guido de Almeida
In: Revista Dois Pontos. Jul/Ago de 1996.