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UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ
Departamento ECASE

2017

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


SUMÁRIO

ANÁLISE DAS DEMONTRAÇÕES CONTÁBEIS

1.INTRODUÇÃO.......................................................................................................04
1.1 Demonstrações Contábeis - Conceito e Finalidade.........................06
1.2 Elaboração e Divulgação das Demonstrações Contábeis.................................07
1.3 Balanço Patrimonial (BP)................................................................................07
1.3.1 Conceito........................................................................................................07
1.3.2 Grupos de Contas do Balanço.......................................................................08
1.3.3 Apresentação do Balanço Patrimonial.......................................................................08
1.4 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).............................................11
1.5 Demonstração dos Lucros ou Prejuizos Acumulados (DLPA)..........................12
1.6 Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL)............................13
1.7 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) ..........................................................14
1.8 Técnicas Contabeis ............................................................................................16
2. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS .......................................17
2.1 Conceito.............................................................................................................18
2.2 Importância da Análise Contábil ...................................................................18
2.3 Interpretação dos Indicadores Obtidos..................................................18
2.4 Usos e Usuários da Análise.....................................................................19
3. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS..............................................................................................................19
3.1 Definição e Objetivo........................................................................................19
3.2 Produtos da Análise..........................................................................................20
3.3 Funções da Análise das demonstrações Contábeis ..........................................20
3.4 Validade e Limitações da Análise..................................................................20
3.5 Pressupostos Básicos para o Desenvolvimento da Análise..............................21
3.6 Principais Processos de Análise .......................................................................22
4. METODOLOGIA DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS.....21
4.1 Etapas da Análise .............................................................................................22
5.ETAPAS DO PROCESSO DE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS E CONTÁBEIS .............................................................................22
5.1 Aspectos a serem Considerados na Análise das Demonstrações Contabeis......23
6. ANÁLISE VERTICAL.......................................................................................... 23
6.1 Objetivo da Análise Vertical ............................................................................24
7. ANÁLISE HORIZONTAL ...................................................................................27
7.1 Objetivos da Análise Horizontal..................................................................27
7.2 A análise Horizontal e a Inflação .......................................................................30
7.2 Relação entre Análise Vertical e análise Horizontal .............................31
7.4 Análise Vertical/Análise Horizontal das Demonstrações Contábeis na Previsão
de Insolvência ............................................................................................................32
8. ANÁLISE POR QUOCIENTES ............................................................................33
8.1 Objetivos da análise por Quocientes ou Índices.......................................35
8.2 Descrição dos Índices ...............................................................................35
8.2.1 Índices de Estrutura de capitais ou Índices de Endividamento..........................37
8.2.2 Indicadores de Liquidez (ou Solvência) ....................................................43
8.2.3 Quocientes de Rotatividade.............................................................................49
8.2.3.1 Quocientes de Rotatividade na Empresa Comercial.......................................49
8.2.3.2 Quocientes de Rotatividade na Empresa Industrial.......................................55
8.3 Quocientes de Rentabilidade (ou Lucratividade).......................................58
9. A IDENTIDADE DO SISTEMA DUPONT.......................................................67

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9.1 Rentabilidade do P. L. (RPL)...........................................................................71
9.2 Taxa de Retorno.............................................................................................72
9.2.1 Análise da Margem Versus Giro................................................73
10. COMO AVALIAR OS ÍNDICES.........................................................73
10.1 Tipos de Comparação de Índices ............................................................74
10.2 Análise na sua Globalidade .......................................................................75
10.3 Processos de Avaliação de Índices Financeiros........................................75
10.4 Índices-Padrão...................................................................................................76
10.5 Quocientes Combinados....................................................................................79
11. ANÁLISE DE CAPITAL DE GIRO ..........................................................80
11.1 Diferença entre Capital de Giro Líquido e Capital de Giro Próprio..................81
11.2 Os ciclos da Empresa: A Inter-relação entre o Ciclo Financeiro e o Ciclo
Econômico .....................................................................................................81
11.3 Necessidade de Capital de Giro (NCG) ............................................................82
11.4 Reclassificação do Ativo Circulante...................................................................84
11.5 Apuração da Necessidade de Capital de Giro (NCG).........................................87
11.6 Cálculo do Saldo de Tesouraria .......................................................................89
11.7 Desdobramento da Análise da Necessidade de Capital de Giro .......................92
11.8 Efeito Tesoura (ou Overtrading ).......................................................................93
BIBLIOGRAFIA........................................................................................................98

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

1. INTRODUÇÃO

O papel da contabilidade é controlar o patrimônio das empresas fornecendo dados por


meio de Demonstrativos Contábeis que se apresentam em forma de quadros técnicos de
modo sucinto, objetivo e sistematizado, a situação patrimonial, financeira, econômica e dos
fluxos de caixa das entidades.

Diferentemente da contabilidade a Análise das Demonstrações Contábeis, baseia-se em


raciocínio científico na busca por um diagnóstico que permita a avaliação do desempenho
econômico e financeiro, patrimonial e de desempenho operacional da entidade analisada à
qual se referem as demonstrações objeto da análise.

Na maioria das ciências o diagnóstico é dado seguindo uma metodologia, assim é com a
análise. Como em qualquer diagnóstico, é necessário conhecer os sintomas do problema, que
são traduzidos pelos indicadores, índices e quocientes, calculados a partir dos dados
fornecidos pelas demonstrações financeiras. Por isso, o grau de confiabilidade nos dados
extraídos dos demonstrativos contábeis é de suma importância na Análise das
Demonstrações Contábeis.
A Contabilidade como é conhecida pela maioria das empresas, executa tarefas rotineiras
de apuração e registro dos fatos contábeis, obedecendo para tanto alguns princípios e
convenções (restrições aos princípios) que as regem.
O conjunto das doutrinas oficiais contábeis denominadas Normas Brasileiras de
Contabilidade (NBC) são aprovadas periodicamente pelas Resoluções do Conselho Federal
de Contabilidade (CFC), órgão que tem como objetivo orientar, normatizar e fiscalizar o
exercício da profissão contábil, aqui resumidos:
Postulados: Princípios: Convenções:
 Entidade  Custo como base de valor;  Objetividade
 Continuidade  Denominador comum monetário;  Materialidade
 Realização da Receita;  Conservadorismo
 Confronto das despesas e das receitas e  Consistência
com os períodos contábeis
 Competência

Os registros de fatos ocorridos nas empresas obedecem a princípios e postulados e as


regras determinadas pelos órgãos competentes sem a devida preocupação de relacioná-los
com a política de procedimentos e práticas gerenciais das empresas, ou seja, o que ocorre na
prática é a criação de duas divisões nas empresas, um Departamento Contábil e um
Departamento Financeiro, distintos entre si.
Ainda hoje a Contabilidade não é considerada como instrumento de apoio ao
administrador para a tomada de decisões, mas simplesmente como um instrumento
necessário para se atender a uma série de exigências legais e burocráticas. Como a
complexidade do mundo financeiro exige análises mais acuradas, os contadores deveriam
participar mais efetivamente nas finanças empresariais a fim de entender as implicações de
novos contratos financeiros, das decisões econômicas e do impacto sobre as demonstrações
financeiras.

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As informações geradas e fornecidas pela Contabilidade dão suporte à Administração
Financeira na tomada de decisões quanto à investimentos, financiamentos, pagamento das
obrigações, momento de substituição de ativos obsoletos, nível de estoque, fluxo de caixa
dentre outras.
Vale dizer que o administrador financeiro, no que diz respeito à empresa, está preocupado
em manter a sua solvência (Liquidez) e em maximizar a sua riqueza (Rentabilidade), tendo
como ponto de partida as informações oriundas da Contabilidade.
Algumas ocorrências que servem de comparativo entre a Contabilidade e a
Administração Financeira (pertinentes ao Brasil):
Contabilidade X Administração Financeira
Regime de Competência X Regime de Caixa
Depreciação Fiscal X Depreciação pelo uso
Rentabilidade (Lucratividade) X Liquidez (Solvência)
Resultado do Exercício X Fluxo de Caixa
Administração Patrimonial X Administração do Capital de Giro
Análise de resultados X Planejamento
Realidade X Cenários
Consistência Legal X Estratégia Global

A Análise das Demonstrações Contábeis transforma os dados levantados pela


contabilidade em informações, subsidiando e orientando as decisões de investimentos e
financiamentos. Portanto, a análise começa onde termina a contabilidade. O grau de
excelência da análise é dado, exatamente, pela qualidade e extensão das informações que
conseguir gerar.

A preocupação inicial dos profissionais ligados à contabilidade está relacionada com a


preparação das Demonstrações Contábeis obedecendo os princípios e convenções de
contabilidade geralmente aceitos, atendendo ao fisco e à auditoria externa. Os usuários estão
interessados nas informações que são extraídas das demonstrações contábeis.
As demonstrações financeiras fornecem uma série de dados sobre a empresa, obedecendo
às normas contábeis e a análise transforma esses dados em informações.
 Dados são números ou descrição de objetos ou eventos que, isoladamente, não
provocam nenhuma reação no leitor.
 Informações representam, para quem as recebe, uma comunicação que pode produzir
reação ou decisão, frequentemente acompanhada de um efeito surpresa.
A tarefa do analista das Demonstrações Contábeis se inicia onde termina a atividade
do contador. O processo de análise começa a partir da elaboração das Demonstrações
Contábeis pela contabilidade. A figura 1 abaixo demonstra o fluxo do processo Contábil e de
Análise.
Figura 1: Sequência do processo contábil e de Análise.

Informações
Fatos ou eventos Demonstrações Técnicas de financeiras para a
Econômico- Processo financeiras = Análise de tomada de
financeiro dados Balanços
contábil decisões

Fonte: MATARAZZO, 2010 p.4.

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1.1 Demonstrações Contábeis - Conceito e Finalidade

As DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, também chamadas de DEMONSTRAÇÕES


FINANCEIRAS ou RELATÓRIOS CONTÁBEIS-FINANCEIROS, se apresentam em
forma de quadros técnicos que informam sucintamente de modo objetivo e sistematizado a
situação patrimonial, financeira, econômica e dos fluxos de caixa de uma entidade, visando
atender, principalmente usuários externos, os quais podem ser pessoas físicas ou jurídicas,
tais como investidores, acionistas minoritários, fornecedores, credores por empréstimos ou
financiamentos, em geral, não têm acesso às informações contábeis-financeiras que atendam
necessidades específicas.
O Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) 26 (R1) dá
a seguinte definição sobre Demonstrações Contábeis: Demonstrações Contábeis de
Propósito Geral são aquelas cujo propósito reside no atendimento das necessidades
informacionais de usuários externos que não se encontram em condições de requerer
relatórios especificamente planejados para atender às suas necessidades peculiares.
Ainda de acordo com CPC 26 (R1) a apresentação das Demonstrações Contábeis (DC)
em seu item 9, define a finalidade das DC abaixo reproduzidas:
“As demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição
PATRIMONIAL e FINANCEIRA e do DESEMPENHO da entidade. Seu objetivo é de
proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos
fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações
e tomadas de decisões econômicas. As demonstrações contábeis também objetivam
apresentar os resultados da atuação da administração, em face de seus deveres e
responsabilidades na gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados”.
Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam informação da
entidade acerca do seguinte: Ativos; Passivos; Patrimônio líquido; Receitas e despesas,
incluindo Ganhos e Perdas; Alterações do Capital próprio mediante integralizações dos
proprietários e distribuições a eles; e Fluxos de caixa.
Essas informações, juntamente com outras constantes das notas explicativas, ajudam os
usuários das DC a prever os futuros fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o
grau de certeza de sua geração”.

Dessa forma, é possível, por meio da leitura das Demonstrações Contábeis (DC)
identificar:
a) A Situação Patrimonial - se refere aos bens, direitos e obrigações pertencentes à
entidade em dado momento (regra geral, ao final do ano-calendário). Os quais são
evidenciados na demonstração contábil denominada Balanço Patrimonial.
b) A Situação Financeira - se refere ao potencial que uma entidade possui de quitar suas
dívidas com terceiros, podendo esse potencial ser avaliado pelas informações obtidas
do balanço patrimonial da entidade, que fornecerá, dentre outras coisas, os valores
dos recursos aplicados no Caixa e Equivalentes de Caixa, bem como outros ativos
que se converterão em dinheiro no curto ou longo prazos, seja por recebimento (ex.:
duplicatas a receber) ou por vendas (ex.: mercadorias), além de indicar todas as
dívidas a pagar, classificadas no passivo da entidade.
c) A Situação Econômica (ou Situação de Desempenho) se refere ao Resultado, isto é,
ao lucro ou prejuízo da entidade referente a dado período (normalmente de 1 ano),
evidenciado na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício).
d) Os Fluxos de Caixa correspondem aos movimentos de entradas e saídas de
disponibilidades (dinheiro) numa entidade ao longo de determinado período, sendo
esses movimentos evidenciados da DFC (Demonstração dos Fluxos de Caixa).

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1.2 Elaboração e divulgação das Demonstrações Contábeis

Não há de se confundir elaboração das demonstrações contábeis com divulgação dessas


demonstrações. A primeira é o ato de confeccionar as demonstrações, a divulgação é o ato de
colocar as demonstrações contábeis da entidade à disposição de seus usuários, visando
fornecer à esses usuários um conjunto mínimo de informações de natureza patrimonial,
econômica, financeira, legal, fiscal, física e social que lhes permitam o conhecimento e a
análise da situação da entidade.

Com relação à época da Elaboração o art. 176 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por
Ações) determina que, ao final de cada exercício social, a diretoria da companhia fará
elaborar, com base na escrituração mercantil, as demonstrações contábeis, devendo ser
publicadas com a indicação dos valores correspondentes do exercício anterior. A lei das S.A.
não determina quando as companhias devem encerrar seus exercícios, estabelecendo apenas
no seu art.175 que o exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data será fixada pelo
estatuto, sendo, na prática adotado o ano-calendário como exercício social, isto é, de 1º de
janeiro à 31 de dezembro.

Com relação à Divulgação (ou Publicação) das demonstrações, esta é efetuada uma vez
por ano, visto que o art. 132 da Lei nº 6.404/76 determina que, anualmente, nos 4 (quatro)
primeiros meses seguintes ao término do exercício social, deverá haver uma Assembleia
Geral Ordinária (AGO) para, entre outras coisas, examinar, discutir e votar as demonstrações
financeiras, que deverá comunicar, até 1(um) mês antes da data marcada para a assembleia,
por anúncios de acordo com a lei. A lei ainda determina que a cópia da DC será publicada
até 5 (cinco) dias, pelo menos, antes da data marcada para a realização da AGO. Essa
publicação, portanto, deve ser feita até 25 de abril do ano seguinte ao exercício social ao qual
se refere tais demonstrações.

O Conjunto das Demonstrações Contábeis definidos pela Lei nº 6.404/76, Lei das
Sociedades Anônimas em seu art. 176, elenca os seguintes demonstrativos:

 Balanço Patrimonial;
 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)
 Se companhia aberta, Demonstração do Valor Adicionado (DVA)

1.3 Balanço Patrimonial (BP)


1.3.1 Conceito

O BP é a demonstração contábil que evidencia o Patrimônio de uma entidade em


dado momento, ou seja, o Ativo (A), o Passivo Exigível (P) e o Patrimônio Líquido
(PL) da entidade ao final de determinado período contábil (normalmente em 31 de
dezembro de cada ano), sempre observando o perfeito equilíbrio entre a soma total
do Ativo e a soma total do Passivo Exigível com o Patrimônio Líquido, isto é, A = P
+PL.

Um dos modos de apresentar o balanço patrimonial é em forma de colunas


justapostas, onde, convencionalmente, o ATIVO (A) é posto do lado esquerdo e o
PASSIVO EXIGÍVEL (P) e o PATRIMÔNIO LÍQUIDO (PL), são postos do lado
direito.

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Considerando a equação patrimonial “PL = S + P”, ou seja, a soma do “P + PL” é
comumente denominada no balanço patrimonial de “Total do Passivo”, visto que no
balanço o PL é considerado “Passivo não Exigível”. Somente no contexto do
balanço é que a a expressão Passivo pode também incluir o PL, pois o Passivo é
equivalente somente ao “Passivo Circulante + Passivo Não Circulante”.

1.3.2 Grupos de Contas do Balanço

ATIVO
 CIRCULANTE
 NÃO CIRCULANTE
 Realizável a Longo Prazo
 Investimentos
 Imobilizado
 Intangível
PASSIVO EXIGÍVEL
 CIRCULANTE
 NÃO CIRCULANTE

PATRIMÔNIO LÍQUIDO (= Passivo não Exigível)

1.3.3 Apresentação do Balanço Patrimonial


Um dos modos de apresentar o BP é em forma de coluna justapostas, onde,
convencionalmente, o ATIVO (A) é posto do lado esquerdo e o PASSIVO EXIGÍVEL (P) e
o (PL) são postos do lado direito.

ATIVO
As contas do Ativo (Circulante e não Circulante) são agrupadas de acordo com a sua
rapidez de conversão em dinheiro, isto é, de acordo com seu grau de liquidez. Assim, os
grupos seguem uma ordem Decrescente de Liquidez, ou seja, representam os bens
numerários (dinheiro) e depois, aqueles que são mais rapidamente convertidos em
numerários.
ATIVO CIRCULANTE - é composto por 3 (três) partes:
 Disponibilidades
Representam os bens numerários: Caixa (em espécie ou cheques de terceiros);
Bancos conta Movimento; Aplicações de Liquidez Imediata.
 Direitos realizáveis no curso do exercício seguinte
Equivalem aos Direitos pessoais da empresa contra terceiros realizáveis no
exercício seguinte - (Duplicatas a Receber; ICMS a Recuperar); e aos direitos reais
realizáveis no exercício seguinte – (Mercadorias, Matérias-primas, Material de
Almoxarifado, etc.)
 Aplicações de recursos em Despesas de exercício seguinte
Representam, em geral, as despesas pagas no exercício atual, cuja competência se
refere ao exercício seguinte.
ATIVO NÃO CIRCULANTE é composto por 4 (quatro) subgrupos
 Ativo Realizável a Longo prazo
Direitos realizáveis, regra geral, após o término do exercício seguinte, derivados de
duplicatas que serão recebidas após o termino do próximo exercício, matérias-primas

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que serão utilizadas na produção futuramente, aplicações financeiras com resgate
após o exercício seguinte. Também derivadas de vendas, adiantamentos ou
empréstimos à coligadas, sócios, diretores etc.
 Ativo Investimentos
Composto pelas participações permanentes em outras sociedades e os direitos de
qualquer natureza não classificáveis no ativo circulante (e também não classificáveis
no ativo realizável a longo prazo) tais como ações de outras empresas, coligadas,
controladas, etc.; propriedades para investimento destinados a aluguel, arrendamento
e ou para uso futuro na expansão da empresa, obras de artes etc.
 Ativo Imobilizado
Composto pelos bens corpóreos (tangíveis) destinados à manutenção das atividades
da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade (bens de uso), tais
como imóveis, benefícios em imóveis de terceiros, veículos, moveis e utensílios,
dentre outros.
 Ativo Intangível
Composto pelos bens incorpóreos (intangíveis) destinados a manutenção das
atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade (fundo de
comércio adquirido – goodwill): fundo de comercio, patentes, concessões obtidas,
softwares.

PASSIVO
As contas do Passivo (Circulante e Não Circulante) são agrupadas de acordo com sua
exigibilidade. Assim os grupos uma ordem Decrescente de exigibilidade, ou seja, pela
ordem decrescente de vencimento e o Patrimônio Líquido (Passivo não Exigível) - Não há
de se falar em ordem de exigibilidade.
PASSIVO CIRCULANTE
 É composto pelas obrigações exigíveis no exercício seguinte, isto é, das dívidas que
a empresa terá que pagar até o encerramento do próximo exercício.
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
 Composto pelas obrigações vencíveis em prazo maior, após o termino do exercício
seguinte, a classificação tem sempre por base
PATRIMONIO LÍQUIDO (PL) - as contas mais conhecidas desse grupo são as seguintes:
CONTAS POSITIVAS:
Capital Social
 Corresponde ao valor total de ações ou quotas subscritas na constituição da
sociedade, o qual poderá ser alterado posteriormente. Desse total, a parte ainda não
integralizada é chamada de Capital a Integralizar (ou a Realizar).
Reservas de Capital
De modo geral, as reservas representam valores acumulados no patrimônio líquido para
uso posterior. Dependendo de como a reserva surgiu e de como será utilizada, temos:
 Reserva de Capital – constituídas por valores originários dos sócios ou de terceiros,
os quais entram no PL da companhia, sem transitar por contas de resultado. De
acordo com o § 1º. do art. 182 da Lei no. 6.404/76, são reservas de capital:
 Ágio na emissão de ações;
 Alienação de bônus de subscrição;
 Alienação de partes beneficiárias.

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Reservas de Lucros
De acordo com o § 4º. do art. 182 da Lei no. 6.404/76, serão classificados como Reservas
de Lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. As reservas de
lucros descritas no artigo citado são as seguintes:
 Reserva Legal (art.193);
 Reservas Estatutárias (art.194);
 Reserva para Contingências (art.195);
 Reserva de Incentivos Fiscais (art.195-A);
 Reservas de Retenção de Lucros (art.196);
 Reserva de Lucros a Realizar (art.197).
Reserva Especial
É constituída em substituição ao dividendo obrigatório, no caso em que a companhia não
dispõe de recursos financeiros favoráveis ao pagamento dos mesmos.
Ajustes de Avaliação Patrimonial (saldo credor)
CONTAS RETIFICADORAS (NEGATIVAS) DO PL:
 Capital a Integralizar (ou Realizar);
 Prejuízos Acumulados;
 Ações em Tesouraria – são ações de emissão própria adquirida por uma companhia,
no limite do saldo de lucros acumulados e reservas, exceto a reserva legal para
revenda futura (§ 1º. do art. 30 da Lei no. 6.404/76);
 Ajustes de Avaliação Patrimonial (saldo credor)

ESTRUTURA BÁSICA DO BALANÇO PATRIMONIAL


ATIVO TOTAL PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO
ATIVO CIRCULANTE: PASSIVO CIRCULANTE:
Disponibilidades, contas a receber de clientes, Duplicatas e contas a pagar, tributos a recolher,
estoques e outros valores a receber e a realizar, empréstimos e financiamentos e outras obrigações
dentro do prazo de um ano. Estão em constante giro, vencíveis dentro do prazo de um ano.
sua conversão em dinheiro será no máximo até o
final do próximo exercício social.
ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Realizável a Longo Prazo: Empréstimos e financiamentos bem como outras
São bens e direitos a receber ou a realizar com prazo obrigações com vencimento superior a um ano e
superior a um ano. receitas menos despesas diferidas.
Investimentos: Ações e Cotas de outras empresas
Propriedades não utilizadas nas operações
Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Bens e direitos adquiridos e que não se destinam a Valor das entradas de capital, menos as ações
venda, para utilização nas atividades operacionais da mantidas em tesouraria, mais as avaliações não
companhia, líquidos das depreciações, amortizações contabilizadas em resultados e lucros retidos, tanto
e exaustões, e das perdas por desvalorizações (antigo como reservas quanto na rubrica lucros acumulados
ativo fixo). e prejuízos acumulados, se houver.
Intangível
Direitos que tenham por objeto bens incorpóreos
(marcas, patentes, fundo e comércio adquirido etc.)
líquido das amortizações e das perdas por
desvalorizações.

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RESUMO DO BALANÇO PATRIMONIAL


ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
Caixa Fornecedores
Bancos Contas a Pagar
Aplicações Financeiras Empréstimos e Financiamentos
Clientes (Duplicatas a Receber) Dividendos a Pagar
(-) Provisão Devedores Duvidosos Obrigações Sociais a Recolher
(-) Desconto de Duplicatas Obrigações Tributárias a Recolher, etc.
Estoques
Impostos a Recuperar
Despesas Pagas Antecipadamente, etc.
ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
Contas a Receber de Longo Prazo Contas a Pagar de Longo Prazo
Intercompany Empréstimos
Intercompany
Resultado de Exercícios Futuros, etc
ATIVO PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
INVESTIMENTOS: Capital Social
Participações em Outras Companhias Reservas de Capital
Propriedades par Investimento Reservas de Lucros:
Outros Investimentos Permanentes Reserva Legal
IMOBILIZADO: Reservas Estatutárias
Imóveis Reservas para Contingências
Móveis e Utensílios Ajustes de Avaliação Patrimonial (saldo credor)
Equipamentos (-) Capital a Integralizar (ou a Realizar)
Veículos (-) Prejuízos Acumulados
Marcas e Patentes (-) Ações em Tesouraria
INTANGÍVEL: Ajustes de Avaliação Patrimonial (saldo
Fundo de Comércio devedor), etc.
Patentes
Softwares, etc.

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1.4 Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
A DRE é uma demonstração dos aumentos e reduções causados no Patrimônio
Líquido pelas operações da empresa, ou seja, é a demonstração contábil que evidencia a
apuração do lucro ou prejuízo de uma empresa referente a dado período (normalmente, 1
ano).
Este resultado é obtido mediante a confrontação, segundo o princípio contábil da
competência, de todas as receitas com todas as despesas1 de um determinado período.
Portanto, ao final de cada período todas as despesas e receitas serão transferidas para a
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), segundo uma forma de apresentação que as
ordena de acordo com sua natureza, fornecendo informações significativas sobre a empresa.
Desse modo, as modificações no Patrimônio Líquido causadas pelas receitas e despesas
afetam a riqueza dos proprietários, elas são retratadas na DRE que é uma peça de caráter
eminentemente econômico (relacionado a resultados) e não financeiro (relacionado a
dinheiro). As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários dispõem que a DRE
deverá ser elaborada em consonância com os padrões internacionais de contabilidade,
descriminando os seguintes elementos:

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE


1-RECEITA OPERACIONAL BRUTA
(-) Devoluções (vendas anuladas)
(-) Abatimentos (descontos concedidos após a entrega de produtos ou serviços)
(-) Impostos (que têm como base de cálculo o valor das vendas de produtos ou serviços)
(= ) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA (Segundo o conceito 8 do CPC 30 (R1))
(-) Custos Operacionais (Custos de Produtos, de Mercadorias, Serviços Vendidos)
(=) Resultado Bruto Operacional (Lucro ou Prejuízo)
(-) Despesas Operacionais
Despesas com Vendas
Despesas Gerais e Administrativas
Outras Despesas
Outras Receitas
Receitas de Equivalência Patrimonial
Despesas de Equivalência Patrimonial
(=) Resultado Antes das Receitas e Despesas Financeiras
(-) Despesas Financeiras
(+) Receitas Financeiras
(=) RESULTADO ANTES DO IR E CSSL
(-) Despesa com Imposto de Renda e Contribuição Social
(=) Resultado Líquido das Operações em Continuidade (= Lucro ou Prejuízo Líquido das
Operações Continuadas)
OPERAÇÕES DESCONTINUADAS
(+) Resultado Líquido das Operações Descontinuadas (Lucro ou Prejuízo Líquido das
Operações descontinuadas)
(-) Participações Estatutárias sobre o Lucro (Lei 6.404/76, art. 187)
(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO
EXERCÍCIO)
Resultado Básico por Ação (segundo CPC 41 – Resultado por Ação)
Resultado Diluído por Ação (segundo CPC 41 – Resultado por Ação)

Obs.: Pela obrigatoriedade da adoção das normas internacionais de contabilidade imposta


nos Pronunciamento Técnicos do CPC, nao existem os conceitos de “Receita Bruta” e
“Receita Líquida”: 30. Para fins de divulgação na demonstração do resultado, a RECEITA
inclui somente os ingressos brutos de benefícios econômicos recebidos e a receber pela
entidade quando originários de suas próprias atividades. As quantias cobradas por conta

1
Neste caso, entendem-se despesas como sendo os custos, as despesas, as deduções, ou seja, todos os
itens com saldo devedor, constantes na DRE.

12
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
de terceiros – tais como tributos sobre vendas (ex.: PIS e COFINS não recuperáveis),
tributos sobre bens e serviços (ex.: ISS), e tributos sobre valor adicionado (ex: ICMS, PIS e
COFINS, todos recuperáveis) não são benefícios econômicos que fluam para a entidade,
não resultam em aumento de patrimônio líquido. Portanto, são EXCLUIDOS da receita.

1.5 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)


Ao passo que a DRE visa à evidenciação da apuração da apuração do resultado (apuração
do lucro ou prejuízo), a DLPA visa às DESTINAÇÕES desse resultado. O ponto de partida
das destinações do resultado (lucro ou prejuízo) é a conta “Lucros (ou Prejuízos)
Acumulados”. Essa conta funciona como uma ponte ligando a DRE à DLPA
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados
Lucros (ou Prejuízos)Acumulados (saldo em 31/12/X!)
(+) Ajustes de Exercícios Anteriores (art.186, § 1º)
(+) Reversões de Reservas de Lucros
(+) Lucro Líquido do Exercício [ (-) Prejuízo Líquido]
(-) Destinações para Reservas Legal
(-) Outras Reservas de Lucros
(-) Dividendos Distribuídos (a pagar ou já pago)
(-) Parcela dos lucros pata aumento do Capital Social
= Lucros (ou Prejuízos) Acumulados (saldo em 31/12/X2)

O ponto de partida das destinações do resultado (lucro ou prejuízo) é a conta Lucros (ou
Prejuízos) Acumulados. Essa conta é uma espécie de “ponte” que liga a DRE à DLPA. Ao
final de das destinações, a cona “Lucros Acumulados deve ficar com saldo “zero”. A Lei nº
6.404/76 determina em seu § 6º do art. 202, determina que os lucros não destinados nos
termos dos arts. 193 a 197 deverão ser distribuídos como dividendos.

1.6 Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL)


A DLPA evidencia somente alterações na conta “Lucros e Prejuízos Acumulados”, mas
considerando que o patrimônio líquido possui outras partes não referenciadas naquele
demonstrativo, tais como Capital Social, Reservas de Capital, Reserva Legal, Reserva
Estatutária, etc. e que poderá ser substituída pela DMPL, esta apresenta as variações de
todas as contas do PL ocorridas entre dois balanços, independentemente da origem da
variação, seja ela oriunda de amento de capital mediante aporte de recursos ou de
incorporação de lucros gerados no exercício.

DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL)

Capital Reservas de Reservas Lucros ou Outros Total


Social Capital; de Lucros Prejuízos Resultados
Realizado Gastos com Acumulados Abrangentes
emissão de
Ações; Ações
em Tesouraria
Saldos em 31.12.X0

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


 Aumento de Capital:
- com Integralização -
- com Reservas
- com lucros
 Gasto c/ emissão de
ações
 Ações de Tesouraria
adquiridas
 Ações de Tesouraria
Vendidas
 Reserva de Capital
 Reserva Legal
 Dividendos
 Lucro Líquido (X1)
 Ajustes de Avalição
Patrimonial
Saldos em (31.12.X1)

1.7 Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)


A DFC é demonstração que tem por objetivo evidenciar as alterações ocorridas nas
disponibilidades de uma empresa, através da descrição dos fluxos de entradas de
disponibilidades (recebimentos) e dos fluxos de saídas de disponibilidades (pagamentos), os
quais são denominados de Fluxo de Caixa.

Modelo de Fluxo de Caixa – Método indireto


Fluxo de caixa das atividades operacionais:
Lucro líquido antes do IR e CS
Ajustado pela:
Depreciação (encargo não desembolsável)
(+/-) Resultado de Equivalência patrimonial
(+) Variação monetária passiva
(-) Variação monetária ativa
(+/-) ganhos e perdas de capital
(+) apropriações e provisões de despesas

Resultado Operacional antes das variações no capital circulante líquido


(+/-) redução (aumento) nas contas a receber
(+/-) redução (aumento) dos estoques
(+/-) redução (aumento) nas despesas do exercício seguinte
(+/-) redução (aumento) nas contas a pagar

Caixa gerado pelas Operações


(-) juros pagos
(-) imposto de renda e contribuição social

= Caixa Líquido proveniente das atividades Operacionais

Modelo de Fluxo de Caixa – Método direto

14
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Fluxo de caixa das atividades operacionais:
(+) dinheiro recebido nas vendas de mercadorias
(+) dividendos e juros sobre o capital próprio
(-) dinheiro pago aos fornecedores
(-) dinheiro pago em despesas operacionais

Caixa gerado pelas Operações


(-) juros pagos
(-) imposto de renda e contribuição social pagos

Caixa Líquido proveniente das atividades operacionais

Além das demonstrações relacionadas, ainda compõem o conjunto de demonstrações:

a) Notas Explicativas - não são demonstrações financeiras, mas um complemento


àquelas demonstrações. São informações complementares e/ou esclarecimentos sobre a
situação patrimonial e resultados que a empresa auferiu no exercício, destacadas na
parte inferior das demonstrações financeiras. Visam esclarecer os dados das
demonstrações contábeis, como por exemplo: os principais critérios de avaliação dos
elementos patrimoniais, os investimentos relevantes em outras sociedades. Deverão
indicar:
 Critério de avaliação dos elementos patrimoniais, como, Estoques; Depreciação;
Amortização e Exaustão; Provisão para encargos; Provisões para risco; Ajustes para
atender as perdas prováveis na realização de elementos do Ativo; Avaliação dos
elementos patrimoniais.
 Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes: Devem conter informações
precisas sobre as sociedades coligadas e controladas, bem como suas relações com a
empresa.
 O aumento de valor de elementos de Ativo resultante de novas avaliações
 Os ônus reais constituídos sobre elementos do Ativo, as garantias prestadas a terceiros e
outras responsabilidades eventuais ou contingentes.
 A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo
deverão ser destacadas.
 O número, as espécies e as classes das ações do Capital Social: Quanto ao valor nominal,
 Quanto às espécies; Quanto à diversificação de classe; Quanto à forma.
 As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício.
 Os Ajustes de Exercícios Anteriores.
 Os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir
a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.
 Outras notas explicativas, não obrigatórias pela Lei das Sociedades Anônimas, como,
discriminação do valor atual da contraprestação de leasing não capitalizado.

b. Quadros Analíticos Suplementares

Nesses quadros são apresentados detalhes de itens que constam das Demonstrações
Financeiras, como:
 Composição de Estoques;
 Composição de Ativo Imobilizado;
 Projetos em Execução;
 Demonstrações Financeiras avaliadas a preço de reposição, etc.

c. Informações entre Parênteses

Normalmente são anotações curtas que compõem o próprio corpo das Demonstrações
Financeiras, no sentido de evidenciar mais informações.

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d. Parecer dos Auditores Independentes – Obrigatório apenas para as companhias abertas.
São elaborados por contadores contratados para emitir es opiniões sobre a correção e
veracidade das demonstrações financeiras. Esses profissionais, idôneos e sem vínculo com a
empresa, atestam que foram examinadas as demonstrações financeiras da empresa e que elas
estão de acordo com os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, com as Normas
internacionais da contabilidade e se há uniformidade e relação ao exercício anterior. Isso dá
ao usuário maior segurança, pois foi atestada que são reais os dados nelas contidas. As DF
das Companhias. Abertas serão obrigatoriamente auditadas por auditores Independentes, sem
nenhum vínculo permanente com a empresa, registrados na Comissão de Valores
Mobiliários.
e. Relatório da Administração ou Relatório da Diretoria - Por meio destes relatórios, a
diretoria presta informação aos acionistas sobre os diversos aspectos do desempenho e de
perspectivas da sociedade relativas a estratégias de vendas, compras produtos, expansão,
efeitos conjunturais, legislação, política financeira, recursos humanos, resultados alcançados,
planos, metas etc.
São informações normalmente de caráter não financeiro que abrangem:
 Dados estatísticos diversos;
 Indicadores de produtividade;
 Desenvolvimento tecnológico;
 A empresa no contexto socioeconômico;
 Políticas diversas: recursos humanos, exportação etc.;
 Explicativas com relação ao futuro;
 Dados do orçamento de capital;
 Projetos de expansão;
 Desempenho em relação aos concorrentes, Balanço Social etc.

1.8 Técnicas Contábeis


Sabendo-se que a Contabilidade é uma ciência e que é conceituada e estudada de forma
abstrata, que todo o conjunto de demonstrativos contábeis têm sua origem na confecção da
contabilidade formal, constatam-se, então, que a sua materialização ou concretização se dá
através de suas técnicas, quais sejam:

Escrituração Contábil - técnica contábil exercida com a finalidade de efetuar o registro,


através do lançamento, dos fenômenos ou fatos que afetam o patrimônio de uma entidade.
Saliente-se que estes fenômenos para se constituírem em objeto da escrituração devem ser
passíveis de valoração monetária;

 Demonstração Contábil - também chamada de evidenciação, é a técnica que se


encarrega de informar aos usuários da informação contábil a situação do patrimônio e suas
mutações. Através de demonstrações e outros relatórios, as pessoas que mantêm relação de
interesse com a entidade, são providas com as informações contábeis indispensáveis ao
processo decisório;

Auditoria Contábil - constitui-se num conjunto de procedimentos técnicos exercidos com


o objetivo de emitir parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis, buscando a
confirmação da veracidade das informações sobre a posição patrimonial e financeira, o
resultado das operações e recursos de uma entidade. Esta técnica não se restringe apenas ao
aspecto formal das demonstrações, sendo de competência do auditor, o aprofundamento do
trabalho de modo a evidenciar a fidedignidade das informações, isto é, se existem e quanto
valem, efetivamente, os elementos patrimoniais representados por tais informações;

16
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Análise Contábil - técnica que permite, através da utilização de instrumentos diversos, a
decomposição a comparação e a interpretação das demonstrações contábeis ou gerenciais e
suas extensões, com vistas a avaliar o desempenho e as tendências da entidade, para atender
determinado objetivo.

ESCRITURACAO CONTÁBIL

Registra os fatos contábeis produzidos pelo patrimônio

DEMONSTRACAO CONTÁBIL

Elabora relatórios contábeis sobre o patrimônio


TÉCNICAS
CONTÁBEIS
AUDITORIA CONTÁBIL

Verifica a expressão da verdade dos relatórios contábeis

ANÄLISE CONTÁBIL

Decompõe, compara e interpreta os relatórios contábeis

Desse modo, a partir desta fase inicial de estudo de conceitos básicos, objetivos e
finalidades das Demonstrações Contábeis, ou Demonstrações Financeiras ou Relatórios
Contábeis que de forma técnica e sistematizada informam sucintamente a situação
patrimonial, financeira, econômica e de fluxos de caixa de uma entidade, o estudo passa
agora a focar na técnica de obtenção, comparação e interpretação de indicadores ou
quocientes e números índices extraídos das demonstrações contábeis, no intuito de
diagnosticar a situação econômica, financeira, patrimonial e de desempenho operacional das
entidades.

2. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

2.1 Conceito

Também chamada de Análise das Demonstrações Financeiras, ou ainda Análise de


Balanços é a técnica de obtenção, comparação e interpretação de indicadores que se
apresentaram sob forma de coeficientes, números índices ou quocientes calculados a partir
de itens extraídos das demonstrações contábeis, a fim de que se possa diagnosticar a situação
econômica, financeira, patrimonial e de desempenho operacional da entidade à qual se
referem as demonstrações objeto da análise.
Deve ser entendida e estudada de maneira abrangente, isto é, deve ser designada mais
propriamente como “Análise Contábil”, uma vez que tem como objeto de estudo, análise e
interpretação, não apenas do Balanço Patrimonial como também das demais demonstrações
contábeis ou financeiras, elaboradas pela empresa e prescritas nos textos legais.

Mesmo não sendo exigida por lei, a análise das demonstrações é essencial para que se
possa ter uma visão real da situação econômica, financeira e patrimonial de uma entidade,
tanto em termos estáticos (= situação atual), quanto em termos dinâmicos (= variação ao
longo do tempo) (FERRARI, 2014, p.66).

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ANÁLISE
CONTÁBIL
(Técnica)

Objeto Objetivo Finalidade


(Fonte de dados) (meio para (Meta a atingir)
alcançar o fim)

Demonstrações
Cálculo de números Avaliar a situação econômica,
Contábeis índices, coeficientes de financeira e desempenho da
participação e quocientes, entidade cujas demonstrações
a partir de elementos estão sendo analisadas
extraídos das
demonstrações contábeis

Fonte: FERRARI, 2014 p.65

É, portanto, a técnica de obtenção, comparação e interpretação de indicadores que se


apresentam em forma de coeficientes, números índices ou quocientes calculados a partir de
itens extraídos das demonstrações contábeis, a fim de que se possa diagnosticar a situação
econômica, financeira, patrimonial e desempenho operacional da entidade objeto da análise.
Sendo um dos elementos mais importantes para tomada de decisões relacionadas a uma
empresa.

2.2 Importância da Análise Contábil

Sua importância é configurada, dentre outros, pelos seguintes fatores:


Primórdios da contabilidade
 Desde a antiguidade já se realizavam inventários físicos;
 Realizavam-se avaliações de variações quantitativas e qualitativas dos bens
componentes de um patrimônio, materializando-se as técnicas.
Análise contábil moderna
 Utilizada desde a segunda metade do século passado;
 Os banqueiros são responsáveis, em boa parte, pela expansão da análise através de
quocientes, especialmente aqueles relacionados com valores a receber e a pagar;
 Os bancos governamentais fomentaram o desenvolvimento da análise a partir da
exigência de completa análise econômico-financeira para aprovação de projetos de
financiamentos;
 Os investidores usam dos diagnósticos e conclusões da análise sobre as
demonstrações contábeis para decidirem sobre aquisições de participações
societárias;
 Os administradores usam a análise como um “painel geral de controle” dos
fenômenos administrativos;
 As publicações especializadas de âmbito nacional tais como, MAIORES E
MELHORES (Revista Exame da Editora Abril), VALOR ECONÔMICO (Jornal
Valor Econômico) e BALANÇO ANUAL (Jornal Gazeta Mercantil) demonstram a
sua relevância.

18
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
2.3 Interpretação dos Indicadores Obtidos

Apesar da análise das demonstrações contábeis basear-se em indicadores obtidos


cálculos matemáticos, essa técnica não é uma ciência exata, pois não há forma
cientifica comprovada de relacionar tais indicadores de maneira a se dar diagnóstico
conclusivo do perfil econômico, financeiro e de desempenho da entidade analisada.

Portanto, a partir de um mesmo conjunto de indicadores, vários analistas poderão


chegar a conclusões próximas, nunca exatamente iguais ou totalmente distintas. No
caso da análise de Dados Isolados, é bem provável que os diversos analistas cheguem
a pareceres semelhantes sobre as demonstrações analisadas. Porém, na interpretação
conjunta de vários índices e quocientes referentes às demonstrações de uma mesma
empresa, há maior grau de subjetividade, implicando conclusões com maior grau de
divergência.

2.4 Usos e Usuários da Análise

A análise das demonstrações contábeis é uma ferramenta poderosa à disposição de


pessoas físicas e jurídicas relacionadas à empresa, como acionistas, dirigentes, bancos,
fornecedores, clientes e outros. Entre outros usuários das informações fornecidas pela análise
contábil, estão:
 Fornecedores – A profundidade da análise depende da importância do cliente e
proporciona bons resultados na previsão de insolvência;
 Bancos Comerciais – Sobretudo, estes precisam conhecer o risco de seus créditos
concedidos às empresas em geral, principalmente com o uso dos índices de liquidez
e endividamento;
 Bancos de Investimentos – Para análise de créditos a Longo Prazo;
 Administradores – Sempre visando à otimização da tomada de decisões, estes
precisam de resultados da análise, com os quais poderão avaliar o desempenho da
empresa ao longo do tempo, principalmente na análise dos índices de rentabilidade e
estrutura de capitais, determinando os pontos que precisam ser aprimorados
 Concorrentes – O conhecimento profundo da situação de seus concorrentes pode
ser fator de sucesso ou de fracasso da empresa no mercado;
 Sócios – Através dos índices de rentabilidade, sobretudo, tal como a rentabilidade de
capitais próprios, avaliam os retornos financeiros e econômicos de seus
investimentos na empresa. É instrumento complementar para tomada de decisões,
para auxiliar na formulação de estratégias da empresa, e tanto pode fornecer
subsídios úteis como informações fundamentais sobre rentabilidade e liquidez da
empresa.
 Governo – Este, nas três esferas, pode utilizar a análise como ferramenta auxiliar na
auditoria fiscal das empresas. Além disso, a análise pode ser utilizada pelo governo
nos processos de concorrências pública, quando há necessidade da melhor decisão
da contratação de fornecedores de bens ou serviços, a fim de evitar prejuízos em
função desses não honrarem seus contratos, dada a possível fragilidade econômica e
financeira desses fornecedores.
 Sindicatos e Associações de Classe – Para estudos específicos e estabelecimento de
padrões para as próprias empresas e negociações trabalhistas.

3. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES


CONTÁBEIS

3.1 Definição e Objetivo

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Pode-se definir a Análise das Demonstrações Contábeis como a aplicação do raciocínio
analítico dedutivo sobre os valores dos elementos patrimoniais e suas inter-relações
expressas nas demonstrações contábeis de uma entidade, e, desse modo, avalia a situação
econômico-financeira e operacional

Objetiva a tomada de decisões baseadas nas peças contábeis publicadas e analisadas,


permitindo emitir opinião acerca do estado do patrimônio analisado de onde o analista
financeiro obterá elementos que permitam julgamentos sobre o futuro da entidade objeto da
análise.

A Análise das Demonstrações Contábeis (ADC) propicia avaliações do patrimônio da


empresa e das decisões tomadas, tanto em relação ao passado – através dos demonstrativos –
como em relação ao futuro – espelhado no orçamento financeiro (MATARAZZO, 2010).

3.2 Produtos da Análise

As demonstrações contábeis apresentam-se repletas de termos técnicos, suas notas


explicativas são feitas exclusivamente para técnicos. Assim, a Análise das Demonstrações
Contábeis deve assumir também o papel de tradutor dos elementos contidos nessas
Demonstrações. Assim, os relatórios gerados escritos em linguagem corrente são o produto
da análise.
Devem ser elaborados como se fossem dirigidos a leigos, ainda que não o sejam. Sua
linguagem deve ser compreendida por dirigentes de empresas, gerentes de bancos, gerentes
de crédito, dentre outros.
Os relatórios, produtos da análise, devem conter exclusivamente informações em vez de
dados, devendo expor:
 Situação Financeira.
 Situação Econômica.
 Desempenho.
 Eficiência na utilização dos recursos.
 Pontos fortes e fracos.
 Tendências e perspectivas.
 Quadro evolutivo.
 Adequação das fontes às aplicações dos recursos.
 Causas das alterações na situação financeira.
 Causas das alterações na rentabilidade.
 Evidência de erros da administração.
 Providencias que deveriam ser tomadas e não foram.
 Avaliação de alternativas econômico-financeiras futuras.

3.3 Funções da Análise das Demonstrações Contábeis

 Decomposição
Consiste na determinação ou cálculo de índices (percentuais, coeficientes,
quocientes, etc.), indicadores econômico-financeiros, que evidenciam a situação da
empresa;
 Comparação
Consiste na confrontação dos resultados apresentados pelos indicadores econômico-
financeiros da empresa com dados da própria empresa (dinâmica dos fatos) e de
outras empresas de preferência as concorrentes;
 Interpretação
Consiste na definição de juízo de valores, onde o analista estabelece diagnóstico e
conclusões sobre a situação da empresa, com base nos indicadores da empresa e de
outras empresas (concorrentes de preferência).

20
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
3.4 Validade e Limitações da Análise Contábil

A análise somente é válida e merecedora de crédito à medida que o analista consiga:


 Estabelecer uma tendência (série histórica) dentro da própria empresa;
 Comparar os índices e relacionamentos realmente obtidos pela empresa com os mesmos
índices e relacionamentos expressos em termos de metas;
 Comparar os índices e relacionamentos realmente obtidos pela empresa com os da
concorrência e de outras empresas, que podem ser de amplitude nacional ou
internacional;
 Com base nos resultados obtidos, estabelecer diagnósticos e conclusões acerca da
situação da empresa.

Considerando que, se de um lado a análise pode apontar mais problemas a serem


investigados do que soluções, e que por outro lado, se convenientemente utilizada, pode
transformar-se num poderoso “painel de controle da administração”, a análise encontra as
seguintes limitações para alcançar suas finalidades:
 Os registros e demonstrações contábeis nem sempre são fidedignos;
 As demonstrações contábeis nem sempre são auditadas, principalmente por auditores
independentes;
 Possibilidade de erros nos valores iniciais e finais de elementos das demonstrações
contábeis;
 Dificuldade de comparação com outros índices, por ausência ou fragilidade de índices
padrões;
 Ausência de dados do passado da empresa, onde a análise de apenas um exercício, por
exemplo, é muito pouco reveladora.

3.5 Pressupostos Básicos para o Desenvolvimento da Análise

O analista deve ser cauteloso ao emitir sua opinião sobre o estado do patrimônio avaliado
a partir de processos ou aspectos gerais no seu trabalho em função das variáveis apresentadas
pelos diversos tipos de empresa e, desse modo deve considerar:
 A natureza jurídica da organização (S/A, LTDA., etc.);
 O ramo de negócio da empresa;
 A dimensão e alcance da empresa;
 As condições de giro do negócio;
 O processo de formação do resultado;
 As condições legais (leis que atingem para restringir ou incrementar as atividades);
 As condições econômicas (conjunturas gerais dos negócios);
 A localização da empresa (mercado no qual atua).

3.6 Principais Processos de Análise

São três os processos de análise mais utilizados:


 Análise vertical;
 Análise horizontal;
 Análise por quocientes.

Outras técnicas também devem contribuir para a conclusão e diagnóstico, a saber:


1. Análise de Rentabilidade: análise do Retorno Operacional dos Investimentos (ROI);
2. Análise de Alavancagem Financeira;
3. Análise da Demonstração do Fluxo de Caixa; e
4. Análise Prospectiva.

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4. METODOLOGIA DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

O analista, tal como um cientista, compara cada indicador com um padrão próprio
desenvolvido e aprimorado e, em seguida, ponderando conjuntamente seus indicadores,
elabora suas conclusões. Desse modo, a sequência lógica fica assim estabelecida: coleta e
exame, cálculo de índices e quocientes, diagnostico e decisão.

A etapa de tomada de decisão nem sempre será feita imediatamente após suas conclusões,
pois, provavelmente poderá ser tomada por outra pessoa.

Sabendo-se que a análise se baseia no raciocínio científico, a figura abaixo vem


demonstrar uma sequência usada em qualquer processo e pela maioria das ciências.
Figura 2: Processo de tomada de decisão:

1 2 3 4
Escolha de Comparação Diagnóstico ou
indicadores com padrões conclusões Decisões

ANÁLISE

Fonte: MATARAZZO, 2010, p.7.

As três primeiras etapas devem ser feitas sempre em sequência e devem estar
perfeitamente coordenadas, cada uma delas se vale de técnicas próprias. A elaboração do
diagnóstico ou conclusões deve estar sustentada em comparações com padrões e as decisões
são confirmadas nesse diagnóstico.

4.1 Etapas da Análise

O processo de Análise das Demonstrações Contábeis e, por consequência, a tomada de


decisões obedecem a seguinte sequência:

1ª Etapa – Escolha dos Indicadores – Cálculo de índices econômico-financeiros


(percentuais, coeficientes, quocientes, etc.) baseados nos dados extraídos das Demonstrações
Financeiras;

2ª Etapa – Comparação com Padrões - Comparam-se os indicadores calculados com


índices-padrão da atividade, divulgados em publicações especializadas;

3ª Etapa - Diagnóstico ou conclusão – Ponderação das diferentes informações e


estabelecimento de diagnóstico ou conclusões que são apresentados em forma de relatórios;

4ª Etapa – Decisões - Tomada de decisões baseadas nos dados fornecidos pelos relatórios e
informações técnicas geradas pela análise.

Essa sequência deve ser obedecida para que a análise seja consistente e confiável e está
estabelecida da seguinte maneira:

 Extração de índices das demonstrações financeiras;


 Comparação dos índices obtidos com padrões;
 Ponderação das diferentes informações e conclusão e diagnóstico ou conclusões;

22
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Tomada de decisões.

Para se alcançar uma análise consistente deverá ser construída uma base padrão de
índices que serão elementos de referência para as comparações. A falta de padrões pode
comprometer a qualidade da análise, pois não é possível afirmar determinada situação sem
elementos de referência.

5. ETAPAS DO PROCESSO DE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A Análise das Demonstrações Contábeis surgiu por motivos eminentemente práticos e


mostrou-se desde logo um instrumento de grande utilidade. Para proceder à análise das
Demonstrações Contábeis, primeiramente, o analista precisa definir o que se pretende obter
com a análise, conhecer seus métodos, quem são seus usuários, qual a validade,
confiabilidade, extensão e profundidade da análise.
Pode-se afirmar que a Análise das Demonstrações Contábeis é um instrumento que
possibilita conhecer a evolução dos negócios das empresas e possibilita uma melhor análise e
avaliação das políticas e estratégias de negócios adotadas pela administração da entidade.
Por meio da análise das Demonstrações Contábeis também é possível realizar uma avaliação
das possíveis áreas de risco da empresa.
Alguns dos índices que surgiram inicialmente e permanecem em uso até hoje. Com o
passar do tempo, porém, seguindo a tendência natural da sociedade moderna, as técnicas de
análise foram aprimoradas, refinadas e tornaram-se objeto de estudo das universidades;
fazem parte destas técnicas os avançados conhecimentos de estatística e matemática
(MATARAZZ0, 2012).
No Brasil, a Editora Abril (Melhores e Maiores), a Gazeta Mercantil e o Jornal Valor
Econômico vêm publicando índices das principais empresas brasileiras, que servem de
parâmetro para uma análise mais conclusiva com os padrões do mercado.

5.1 Aspectos a serem considerados na Análise das Demonstrações Contábeis


Devem ser considerados na análise das Demonstrações Contábeis os aspectos internos e
externos.
 Aspectos Internos
 Informação da cultura da empresa (organização familiar, profissional ou mista;
predomínio de um único dirigente, etc.) que acabam condicionando o tipo de
organização e a capacidade da empresa para enfrentar os desafios que lhe são impostos.
 Custo interno do dinheiro, isto é, a inflação própria da empresa e os custos próprios para
captação de recursos externos.
 Aspectos Externos
 Situação presente e futura da economia nacional e internacional e suas influências no
mercado interno, nas exportações e nas importações realizadas pela empresa.
 Grau de suscetibilidade da empresa à inflação, à recessão, ao câmbio, às altas taxas de
juros, às pressões sociais, etc.
 Situação do ramo de negócios ao qual a empresa pertence e estágio de vida econômica
em que se encontram posicionados seus produtos (infância, maturidade ou senilidade,
que determinam a ascensão, estabilidade ou decadência das atividades).
 Potencial tecnológico e financeiro da empresa face aos grandes grupos nacionais ou das
corporações internacionais.

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 Reflexos das políticas governamentais nos negócios da empresa, a saber:
• reserva de mercado X abertura aos produtos estrangeiros;
• restrição para importações X confisco cambial;
• preços liberados X tabelamento;
• aumento da carga tributária e/ou dos encargos sociais;
• restrições com vistas à preservação do meio ambiente etc.
Unindo-se os aspectos acima citados aos dados extraídos das demonstrações contábeis, o
diagnóstico sobre a situação da empresa poderá ser muito mais preciso.

6 . ANÁLISE VERTICAL

Também chamada de ANÁLISE DE ESTRUTURA, essa análise objetiva o estudo da


estrutura das demonstrações contábeis, através do cálculo de COEFICIENTES DE
PARTICIPAÇÃO, os quais são obtidos pela comparação entre itens homogêneos (ativo com
ativo, passivo com passivo, receita com receita etc.) extraídos das demonstrações contábeis
com totais referentes às mesmas.

Resumindo, a análise vertical se limita à comparação das partes com o todo. Tal
comparação consiste na determinação dos resultados obtidos pela operação matemática de
divisão entre valores das partes componentes das demonstrações e totais da mesma natureza
referentes às respectivas demonstrações.

Desse modo, se o objetivo for saber a participação dos estoques no ativo circulante,
procede-se à divisão do valor daqueles pelo valor deste. Se for a participação do ativo
circulante em relação ao ativo total, do mesmo modo, efetua-se a divisão do valor do ativo
circulante pelo valor do ativo total. Se a finalidade for o conhecimento da participação do
lucro operacional na receita líquida, procede-se da mesma maneira, dividindo-se o valor do
lucro operacional pela receita líquida.
Assim, operando cálculos semelhantes a esses, está sendo efetuada a análise vertical, ou
conhecendo a estrutura dos demonstrativos.

6.1 Objetivo da Análise Vertical

O principal objetivo da análise vertical é mostrar a importância de cada conta em relação


à demonstração financeira a que pertence e, através da comparação com padrões do ramo ou
com percentuais da própria empresa em anos anteriores, permitindo, assim, inferir se há itens
fora das proporções normais.

A análise vertical evidencia a participação, em porcentagem, de cada elemento no


conjunto. Pode ser feita em qualquer Demonstração Financeira, mas alcança melhor
resultado quando efetuada na DRE.

O percentual de cada conta mostra sua real


importância no conjunto

Também denominada como Análise por Coeficientes é a análise que permite a


comparação de cada elemento do conjunto em relação ao conjunto ou ao total do grupo a que
pertence. Mostra a importância de cada conta na demonstração financeira a que pertence.

Por exemplo, no Balanço Patrimonial, a Análise Vertical abrange cálculos de percentuais

24
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
de todas as contas, podendo relacioná-las tanto ao total do Ativo ou do Passivo como ao total
do grupo a que pertencem, conforme o caso, indicando a Estrutura de Ativo e Passivo, bem
como de suas modificações, evidenciando os recursos tomados – financiamentos – e as
aplicações desses recursos – investimentos.

Quando aplicado ao Balanço Patrimonial, essa análise possibilita avaliar dados


relevantes quanto à aplicação dos recursos a disposição da empresa, mostrando a composição
detalhada dos recursos tomados pela empresa, qual a participação dos capitais próprios e de
terceiros, qual o percentual de capitais de terceiros a curto e longo prazo, qual a participação
de cada um dos itens de capitais de terceiros (fornecedores, bancos, etc.).

Assim, se a Análise Vertical é de elementos do Ativo observa-se a proporção de


investimento Permanente e de Circulante em comparação ao Total do Ativo, ou ainda
dentro do Permanente qual a proporção existente entre investimentos em itens operacionais
e não operacionais, ou seja, aplicações que não contribuem para a manutenção da atividade
operacional da empresa.

Esse tipo de análise propicia a comparação da porcentagem dos itens do Ativo em relação
a outras empresas, basicamente as concorrentes (empresa do mesmo ramo de atividade) e,
desse modo, é possível saber se os investimentos da empresa analisada são ou não
compatíveis aos da concorrência, se a alocação dos recursos do Ativo é típica ou não para
seu ramo de atividade, se o custo é mais elevado que o de outras empresas do mesmo ramo,
obtendo-se, então, um indicador relevante para melhor administração. Ou seja, se aplicada
no Ativo permite detectar a política de investimento da empresa em relação aos estoques,
duplicatas, imobilizado, enquanto no Passivo permite visualizar a política financeira de
obtenção de recursos.

No Ativo Circulante, é possível observar onde se concentram as aplicações em cada um


dos itens principais, como Disponibilidades, Estoques e Duplicatas a Receber.

Desse modo, a análise vertical do BP permite visualizar, do lado do passivo, a parcela de


participação de cada fonte de recursos, isto é, de capital de terceiros e de capital próprio.
Assim, quando se analisa o Passivo Exigível é possível conhecer a participação de cada
credor em relação ao total do grupo, aponta qual o principal credor, o crescimento ou a
redução das dívidas a curto prazo e em relação aos recursos totais, indicando a melhora ou
piora da composição de endividamento.

“Se forem examinados os últimos exercícios, pode-se verificar alguma mudança na


política de obtenção e aplicação de recursos da empresa”.

Quanto ao Patrimônio Líquido é possível avaliar se houve aumento ou diminuição, por


exemplo, da participação do Capital Próprio em relação ao PL.

A análise vertical da Demonstração do Resultado do Exercício mostra as variações de um


ano para o outro, por exemplo, do lucro bruto, do lucro operacional, das despesas
operacionais e do lucro líquido em relação ao total das receitas líquidas. Essa técnica permite
a análise de cada item de Custos e Despesas constantes na DRE e comparadas,
percentualmente, com a Receita Operacional Líquida (ROL), destacando-se a influência de
cada uma dessas despesas e dos custos no resultado obtido pela empresa.

“Trata-se de uma análise simples, porém, revestida de grande utilidade, uma vez que
oferece visão da estrutura de lucros, custos e despesas da empresa em termos de
proporção em relação às vendas líquidas. Por exemplo, a redução do lucro líquido ou a
estagnação de um período para outro pode ser resultado de um aumento excessivo de
algum item de despesa, podendo ser facilmente verificado através da análise vertical”.

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Exemplo prático 1: Supondo os seguintes valores obtidos do balanço patrimonial de uma
determinada empresa Beta:

ATIVO 31.12.X2 AV - %
Ativo Circulante 173.257 18,68 %
Realizável a Longo Prazo 302.941 32,67%
Imobilizado 451.302 48,65%
TOTAL 927.500 100%
PASSIVO
Passivo Circulante 180.996 21,67%
Passivo não Circulante 274.200 29,56%
Patrimônio Líquido 472.304 51%
TOTAL 927.500 100%

 Entre os outros coeficientes de participação, o do Patrimônio Líquido foi obtido


dividindo-se o seu valor pelo total do passivo, ou seja:
R$ 472.304 ÷ 927.506 = 51%, tratando-se de uma empresa intensiva de capital, isto é,
uma empresa em que mais de 50% das origens dos recursos patrimoniais se concentram
no seu capital próprio.

 Pode-se observar que o grupo com maior participação é o Imobilizado correspondendo


a 48,65% do total do Ativo.

 Pode-se também verificar que apenas 18,68% dos recursos aplicados no patrimônio
constituem aplicações no curto prazo (ativo circulante), indicando que a empresa tem
baixo capital de giro, ao passo que os recursos correntes (passivo circulante)
representam 21,67% das origens dos recursos patrimoniais, tornando-se evidentes
indícios de uma má situação financeira da empresa, pois há uma grande tendência de
insolvência a curto prazo, ou seja, há grande possibilidade de a empresa apresentar
sérias dificuldades para pagar suas dívidas a curto prazo.

 Porém, para que se possa precisar melhor a real situação financeira da empresa, não
basta apenas a análise vertical do balanço. Seria necessário fazer outro tipo de análise
(análise por quocientes), a fim de que se definisse um quadro mais completo da
empresa.

 Supondo, no exemplo, que o Ativo Circulante tenha a seguinte composição:


Disponibilidade 60.640
Clientes (Duplicatas a receber) 76.233
Estoques 36.384

Calculando, por exemplo, o coeficiente de participação dos estoques, obtém-se:


1) Em relação ao Ativo Circulante: R$ 36.384 ÷ R$173.257 = 21%
2) Em relação ao Ativo Total: R$ 36.384 ÷ R$ 927.500 = 3,92%

Aplicação da Análise Vertical no Balanço Patrimonial

Exemplo prático 2: DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) da empresa Beta em


31/12/X1, a qual não possui operações em descontinuidade:

31.12.X2 %

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UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Receita Líquida 1.476.551 100%
(-) Custos das Mercadorias Vendidas (702.620) 47,6%
= Lucro Bruto 773.931 52,4%
Despesas Operacionais
Despesas Comerciais 367.482 24,9%
D.G. Administrativas 74.255 5%
(-) Outras Despesas (baixa de imobilizado) 24.452 1,67%
Total das Despesas (466.189) 31,57%
= Lucro antes das Despesas e Receitas Financeiras 307.842 20,85%
(-) Despesas Financeiras (73.827) 5%
Lucro ante do IR e CSL 234.015 15,85%
(-) Despesa com IR e CSSL (17.551) 1,19%
LUCRO LÍQUIDO EXERCICIO 216.464 14,66%

A Análise Vertical da DRE deve ter como ponto de partida a Receita Líquida de Vendas.

No exemplo, pode-se tirar, dentre outras as seguintes conclusões:

1- 52% da Receita de Vendas foram consumidas por custos operacionais, no caso,


CMV (Custo das Mercadorias Vendidas), encontrando-se, portanto, 48% como
participação do Lucro Bruto.

2- O Lucro antes do IR e CSL coincidente com o Lucro Operacional, haja vista que
pelas regras contábeis determinadas pelos pronunciamentos técnicos do CPC todas
as despesas e receitas são consideradas operacionais (não existindo mais no Brasil o
conceito de despesas e receitas não operacionais), conclui-se que a Margem
Operacional de lucro é de 15,85%, ou seja, 84,15% da Receita de Vendas foram
consumidas por custos e despesas operacionais.

3- Sendo a participação do Lucro Líquido de 14,66%, conclui-se que a Margem


Líquida de lucro é de 14,66%, ou seja 85,34% da receita de Vendas foram
consumidas por custos e despesas operacionais e tributos.

Se aplicada a análise vertical em vários exercícios sociais será possível verificar quanto
da receita de vendas foi consumido pelas despesas no decorrer dos anos, essas informações
também indicam economias ou descontroles nas despesas. Lembrando que as economias,
associadas ao aumento da receita de vendas, propiciam o aumento da rentabilidade. O
descontrole de gastos em proporção maior que o aumento das vendas têm impacto direto no
Lucro Líquido do Exercício.

7. ANÁLISE HORIZONTAL

A análise horizontal, ou análise das proporções, permite examinar as variações das


contas, tanto do Balanço Patrimonial como da Demonstração do Resultado do Exercício, ou
seja, visa ao estudo da EVOLUÇÃO dos elementos que compõem as demonstrações ao
longo dos exercícios sociais.

Também denominada como análise por meio de Números-Índice e tem por finalidade
evidenciar a evolução dos itens das Demonstrações Contábeis ao longo dos anos,
possibilitando o acompanhamento do desempenho de cada uma das contas que compõem a
demonstração analisada, ressaltando as tendências evidenciadas, de evolução ou retração, em
cada uma delas.

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Número-índice é uma operação estatística, utilizada pela Análise de Balanços, que consiste
em substituir os valores constantes das contas de cada exercício por um número percentual
que facilita a comparação entre eles.

Os números índices são obtidos a partir de um exercício social tomado como base, onde
todos os itens componentes das demonstrações nesse exercício são fixados em 1 ou 100% e,
a partir daí, são determinados os demais índices referentes às demonstrações dos outros
exercícios sociais, normalmente subsequentes ao exercício tomado como base.

A Análise Horizontal baseia-se, portanto, na evolução de cada conta de uma série de


demonstrações financeiras em relação à demonstração financeira anterior e/ou em relação a
uma demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga de série.

Enquanto a Análise Vertical é feita pela comparação de cada elemento em relação ao


total, em um mesmo período, a Análise Horizontal compara a evolução dos valores de cada
demonstração em análise ao longo de vários períodos.

7.1 Objetivos da Análise Horizontal

A análise horizontal tem como principais objetivos:

 Mostrar a evolução dos Itens das Demonstrações Contábeis ao longo de vários


períodos, e pela comparação entre si, permitir tirar conclusões sobre a evolução da
empresa.

 Possibilita o acompanhamento do desempenho de cada uma das contas que


compõem as demonstrações analisadas, indicando que a evolução de cada conta
mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências.

Enquanto a Análise Vertical é feita pela comparação de cada elemento em relação ao


total, em um mesmo período, a Análise Horizontal compara a evolução dos valores de cada
demonstração em análise ao longo de vários períodos.

Como já citado, o processo se resume à, iguala-se o primeiro índice ou cifra a 100 e, por
meio de uma regra de três simples encontra-se a evolução (com base em 100) de cada índice
ou cifra. Por esse método torna-se mais simples visualizar a evolução percentual da série
analisada. A variação de cada item do demonstrativo é percebida pelo resultado, maior que
100 ou menor que 100. A parcela que exceder a 100 indica um crescimento do item
analisado, a parcela que se apresentar menor que 100, indica um decréscimo.

Aplicação da Análise Horizontal no Balanço Patrimonial

Exemplo prático 1: Supondo os seguintes valores obtidos do balanço patrimonial da


empresa Beta em 3 exercícios subsequentes

ATIVO 31.12.X0 31.12.X1 31.12.X2


Ativo Circulante 95.664 100% 129.146 135 173.257 181
Realizável Longo Prazo 47.832 100% 61.224 128 302.941 633,3
Imobilizado 334.824 100% 368.306 110 451.302 134,8
TOTAL 478.320 100% 558.676 116,8 927.500 194
PASSIVO
Passivo Circulante 127.925 100% 182.276 142,5 180.966 141,5
Passivo não Circulante 135.000 100% 115.800 85,78 274.200 203

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UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Patrimônio Líquido 215.395 100% 260.600 121 472.304 256,4
TOTAL 478.320 100% 558.676 116,8 927.500 194

Desse modo, no exemplo acima, pode-se verificar que no balanço da empresa em


31/12/X0 o Ativo Circulante era de R$ 95.664: no balanço de 31/12/X1, de R$ 129.146; e,
no balanço de 31/12/X2, de R$ 173.257, desconsiderando os efeitos da inflação e tomando o
exercício de 20X0 como base fixa, determinam-se os índices da seguinte forma:

20X0: Índice = R$ 95.664 ÷ R$ 95.664 = 1 ou 100%

20X1: Índice = R$ 129.146 ÷ R$ 95.664 = 1,35 ou 135%

20X2: Índice = R$ 173.257 ÷ R$ 95.664 = 1,81 ou 181%

A conclusão que se tira pelos resultados acima é que o Ativo Circulante nos exercícios de
20X1 e 20X2 cresceu, respectivamente 35% e 81%, em relação ao exercício de 20X0.

A determinação das séries com base 100 é muito interessante para itens, por exemplo, da
DRE. Onde é possível conhecer a evolução das despesas e dos custos em relação às vendas
(e outros), tornando evidente ao analista as principais alterações no comportamento dos itens
daquela demonstração. As variações encontradas poderão ser positivas ou negativas.

Cabe lembrar que os percentuais de variação encontrados na análise horizontal


devem ser analisados com cuidado, pois nem sempre os maiores percentuais são os mais
relevantes, pois dependerá do peso da participação do item no total da demonstração
financeira.

A grande importância da Análise Horizontal é possibilitar o conhecimento da evolução de


cada item ao longo de vários períodos.

Pergunta: Qual a evolução do Balanço Patrimonial em relação ao exercício anterior?

R.: Por meio da regra de três simples é possível calcular a evolução com base em 100 para o
exercício de 20X0

A Análise Horizontal no Balanço Patrimonial mostra a quais itens a empresa vem dando
maior ênfase na alocação de seus recursos e, comparativamente, de quais recursos adicionais
vem se valendo. É interessante observar na Análise Horizontal do Balanço,
comparativamente, os seguintes itens:
- Crescimento total do Ativo Permanente e do Ativo Circulante e de cada um dos seus
principais componentes;
- Crescimento do Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo Prazo comparativamente
ao crescimento do Ativo Permanente;
- Crescimento do Ativo Circulante em comparação do Passivo Circulante;
- Verificação de quanto cada balanço da série contribuiu para a variação final obtida
entre o primeiro e o último balanço.

Aplicação da Análise Horizontal na Demonstração do Resultado do Exercício

A Análise Horizontal se mostra muito mais eficaz, em termos de informação, quando


aplicada na DRE, principalmente, porque o analista poderá comparar a evolução do principal
item da DRE, ou seja, a Receita de Vendas, com a com a evolução dos demais itens daquele
demonstrativo e, desse modo, concluir se o Lucro Líquido se comportou de maneira linear
no período, ou se, apesar da variação (positiva ou negativa) do item principal, a variação dos
demais itens podem impactar positiva ou negativamente o resultado final, o Lucro Líquido.

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Exemplo prático 2: Supondo os seguintes valores obtidos da Demonstração do Resultado
do Exercício da empresa Beta em 3 exercícios subsequentes

Análise Horizontal da Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Beta


31/12/X0 31.12.X1 31.12.X2

Receita Líquida de Vendas 793.596 100% 991.995 125 1.476.551 188


(-) Custos das Vendas (357.118) 100% (505.917) 141,6 (702.620) 196,75
LUCRO BRUTO 436.478 486.078 111,4 774.031 177,3
Despesas Operacionais
Despesas de Vendas 126.975 100% 158.144 124,5 387.482 305
D.G. Administrativas 118.399 100% 102.781 86,8 74.255 62,7
Outras Despesas 40.000 100% 24.452 61
TOTAL DAS DESPESAS (285.374) 100% (221.214) 77,5 (466.189) 163,4

Lucro antes das Despesas e 151.104 100% 264.864 175,3 307.842 203,7
Receitas Financeiras
(+/-) Despesas Financeiras (15.552) 100% (65.736) 422,7 (73.827) 474,7
LAIR 135.552 100% 199.128 146,9 234.015 172,6
Provisão p/ IR (10.166) (14.934) (17.551
LUCRO LÍQUIDO 125.386 100% 184.194 146,9 216.464 172,6

Tomando como exemplo somente o valor da Receita de Vendas verificada na DRE de


três exercícios consecutivos, pode-se observar que em 31/12/X0 a receita de vendas de
31/12X0 era de R$ 793.596: na DRE de 31/12/X1, de R$ 991.995; e, na DRE de 31/12/X2,
de R$ 1.476.651, desconsiderando os efeitos da inflação e tomando o exercício de 20X0
como base fixa, determinam-se os índices da seguinte forma:

20X0: Índice = R$ 793.596 ÷ R$ 793.596 = 1 ou 100%

20X1: Índice = R$ 991.995 ÷ R$ 793.596 = 1,25 ou 125%

20X2: Índice = R$ 1.476.551 ÷ R$ 793.596 = 1,86 ou 188%

Pergunta: Qual a evolução da Receita Operacional Líquida no decorrer dos três exercícios?

R.: Por meio da regra de três simples é possível calcular a evolução. Com base em 100 para
o exercício de 20X0, verifica-se um aumento de Receita na ordem de 25% no exercício de
20X1 e de 88% para o exercício de 2.0X2.

Esse mesmo raciocínio aplicado em todos os itens da DRE informa como se comportaram
todos os componentes desse demonstrativo indicando se a empresa apresentou uma
tendência de crescimento, decrescimento ou estagnação.

 Receita Liquida de Vendas: Houve aumento de 88% em relação ao exercício de


31/12/X0.
 Custos Operacionais: O crescimento neste item foi maior que o crescimento
apresentado em suas vendas o que proporciona piora no resultado operacional bruto.
 Despesas Operacionais: Apresentou um crescimento de 163,4% em relação à
31/12/X0, o que demonstra que esse item cresceu um pouco menos que as vendas
operacionais líquidas, verificando-se que houve economia principalmente no item de
Despesas Gerais e Administrativas, mas um descontrole nas Despesas com Vendas,
que apresentou uma variação de 305% se comparado ao ano anterior. Apesar do
aumento das Despesas com Vendas, a soma das despesas Operacionais apresentou
variação menor que a apresentada pela Receita de vendas.

30
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Despesas Financeiras: Esse item demonstra que houve um certo descontrole na
utilização de recursos de terceiros onerosos com crescimento muito acentuado na
ordem 474%.
 Lucro Líquido do Exercício: O reflexo do aumento nas vendas líquidas da empresa
Beta, associado ao controle de suas despesas foi o que proporcionou um resultado
líquido melhor que o apresentado no ano anterior com aumento de 72,6%.

7.2 Análise Horizontal e a Inflação

Com relação às formas de se efetuar a análise horizontal, existem duas possibilidades:


 Análise Horizontal de Evolução Nominal
 Análise Horizontal de Evolução Real

A diferença entre as formas citadas reside no fato de que na análise de evolução nominal
não são considerados os efeitos da variação do poder aquisitivo da moeda (inflação ou
deflação), ao passo que na evolução real, são considerados tais efeitos.

Quando se compara uma série de um mesmo índice (quocientes) não são detectados
grandes problemas com a inflação, pois os índices são grandezas inflacionadas de um ano
sobre outras grandezas inflacionadas naquele mesmo ano, é possível então afirmar que a
comparação de um mesmo índice, apurado em vários anos, não prejudica a Análise
Horizontal, entretanto, há casos em que se deve levar em conta a inflação para a Análise
Horizontal.

Essas situações ocorrem na comparação de valores em moeda corrente ($) de um ano para
o outro, pois a inflação pode concorrer para um crescimento aparente ou para a redução dos
valores da análise. Quando comparados valores em cifras de um ano para outro,
simplesmente, são comparados valores cujo poder aquisitivo da moeda é diferente em cada
período, sendo então conhecido, somente o crescimento nominal e não o crescimento real
dos itens analisados.

Para se conhecer o crescimento real, isto é, o crescimento quando se leva em conta a


inflação dos itens das demonstrações financeiras é necessário converter os valores dos itens
em uma mesma moeda, ou seja, em moeda de mesmo poder aquisitivo.

Aplicar o deflacionamento significa trazer valores do último período para o período mais
antigo, todavia, a técnica mais recomendada é converter em moeda do último ano. Dessa
forma, é feito o inflacionamento dos valores.

Para se inflacionar os valores será necessário conhecer as taxas oficiais da inflação (IGP,
IGPM, dentre outras) e aplica-las aos períodos anteriores.

7.3 Relação entre Análise Vertical e Análise Horizontal

A análise Vertical e a Análise Horizontal quando aplicadas simultaneamente propicia um


nível de detalhes que, se não permite essa visão ampla da empresa, possibilita localizar
pontos específicos de falhas, problemas e características da empresa e explicar os motivos de
a empresa estar em determinada situação.

Não se deve tirar conclusões exclusivamente de Análise Horizontal, ou exclusivamente


da análise Vertical, pois, determinado item mesmo apresentando grande variação, pode ser
irrelevante dentro da demonstração financeira a que pertence. Desse modo, é desejável que
as conclusões baseadas na Análise Vertical sejam complementadas pelas da Análise
Horizontal e, portanto, seja feita uma leitura única.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Na Demonstração de Resultado, por exemplo, pequenos percentuais podem ser
significativos, mas ao mesmo irrelevantes para a apuração de um bom resultado. Pode
ocorrer crescimento das despesas administrativas de um período para outro num percentual
que chame a atenção do analista se comparado ao crescimento das vendas no mesmo
período, porém, a Análise Vertical pode indicar que mesmo com esse crescimento o
percentual das despesas administrativas em comparação com as vendas líquidas no período,
não trouxe diminuição de resultado nesse mesmo período.

Em resumo, a Análise Vertical e a Análise Horizontal devem ser usadas como uma só
técnica de análise, por isso denomina-se Análise Vertical/Horizontal. Essa análise, portanto,
encerra alguns objetivos específicos destacando-se:

a) Indicar a estrutura do Ativo e Passivo, bem como suas modificações.

O balanço evidencia os recursos tomados – financiamentos – e as aplicações desses


recursos - investimentos. A Análise Vertical mostra, de um lado, a composição detalhada
dos recursos tomados pela empresa, a participação percentual dos capitais próprios e de
terceiros, qual o percentual de capitais de terceiros a curto e longo prazo, a participação de
cada um dos itens de capitais de terceiros (fornecedores, bancos, etc.). Por outro lado, a
Análise Vertical demonstra quantos por cento dos recursos totais foram destinados ao Ativo
Circulante e quanto ao Ativo Permanente.

No Ativo Circulante, a Análise Vertical mostra qual porcentagem de investimento foi


destinada a cada um dos itens principais, como Estoques e Duplicatas a Receber. A análise
do percentual de cada item do Ativo permite detectar a política de investimento da empresa
em relação aos estoques, duplicatas, imobilizado, enquanto no Passivo permite visualizar a
política financeira na obtenção de recursos.

É interessante na Análise Horizontal do balanço observar comparativamente os seguintes


itens:
 Crescimento dos totais do Ativo Permanente e do Ativo Circulante e de cada um dos
seus componentes;
 Crescimento do Patrimônio Líquido comparativamente ao do Exigível Total;
 Crescimento do Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo Prazo comparativamente
ao crescimento do Ativo Permanente;
 Crescimento do Ativo Circulante em comparação com crescimento do Passivo
Circulante;
 Analisar em detalhes o desempenho da empresa

b) Analisar em detalhes o desempenho da empresa.

A Análise Vertical atinge seu ponto máximo de utilidade quando aplicada à DRE. Toda a
atividade de uma empresa gira em torno das vendas. São elas que determinam o que a
empresa pode consumir em cada item de despesas. Por isso, na Análise Vertical da DRE
igualam-se as Vendas a 100 e os demais itens têm seu percentual calculado em relação a
elas.

O controle rigoroso desses percentuais em relação às vendas é ferramenta importante para


alcançar metas de melhores resultados, estabelecidas pelas empresas. Ponto importante na
análise horizontal da DRE são as tendências de crescimento de vendas no decorrer dos vários
exercícios analisados, que podem indicar um crescimento no volume de vendas, um
decrescimento ou ainda uma estagnação.

7.4 Análise Vertical/Horizontal das Demonstrações Contábeis na Previsão de


Insolvência

32
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
A regularidade de comportamento dos diversos itens das demonstrações financeiras é
sinal de estabilidade e segurança. A excessiva flutuação representa elevação do risco
empresarial.

A insolvência de uma empresa ocorre pela incapacidade de solver suas obrigações, ou


seja, pela falta de disponibilidades no momento do vencimento da dívida. A impontualidade
a curto prazo deve-se à falta de capacidade da empresa em obter numerário necessário para
cumprir compromissos assumidos. Dadas as naturais incertezas e irregularidades da
atividade empresarial toda empresa pode, em determinados momentos, passar por esse tipo
de problema. Normalmente essa carência de moeda é suprida por empréstimos bancários de
emergência. O que deve ser preocupante é a falta crônica de dinheiro.

A perspectiva a longo prazo da insuficiência de entradas em caixa face às saídas


comprometidas, caracteriza a insolvência. Via de regra, a falta de dinheiro a curto prazo
deve-se a cinco motivos:
 Desempenho de vendas aquém do esperado;
 Falta de controle de despesas;
 Prejuízos;
 Má administração do Ativo e Passivo Circulantes;
 Excesso de investimento no Ativo Permanente.

Toda empresa tem um fluxo de caixa – movimento de entrada e saída de numerários – em


que as entradas devem se equilibrar com as saídas. Sempre que ocorrer uma das hipóteses
citadas acima, essa harmonia é quebrada e só não será corrigida se a empresa for incapaz de
obter empréstimos adicionais necessários.

A harmonia referida pressupõe certa regularidade no comportamento dos diversos itens


de balanço e de resultados. Por exemplo, um brusco aumento de Duplicatas a Receber tem
inevitáveis consequências sobre o Caixa, enquanto aumenta o valor das duplicatas, deixa de
entrar dinheiro no caixa.

Um aumento exagerado de Ativo Permanente, em relação a outros itens do balanço,


provoca sangria do Caixa, rompendo o equilíbrio entre ingressos e saídas. Um aumento de
despesas fora de proporções normais tem idêntico reflexo. Assim, nada mais lógico que
estudar os comportamentos dos diversos itens do balanço e da demonstração de resultados
para se encontrar os motivos que levam determinada empresa à insolvência. A irregularidade
de comportamento de diversos de seus itens é um sinal de alerta.

A prática mostra que grande parte das empresas que vão à insolvência apresenta
irregularidade de comportamento de diversos de seus itens. Existindo regularidade, há
grande chance de a empresa manter equilíbrio em seu fluxo de caixa.

8 ANÁLISE POR QUOCIENTES

Sendo o processo de análise mais completo e, portanto, o mais utilizado, visa o


conhecimento da situação patrimonial, economica e financeira e de desempoenho da
entidade, atraves do cálculo de quocientes, tambem chamados de indices, os quais podem ser
obtidos pela comparação simples ou complexa entre itens de demonstraçoes contabeis
distintas, porem, na maioria dos casos, referentes a um mesmo exercicio social. Difere,
pooius da análise vertical ou horizontal, pelo fato de que nessas a comparação é entre
elementos homogêneos.

Na análise vertical ou horizontal engloba sempre dados de um mesmo demonstrativo,


sempre se compara, por exemplo, o ativo circulante com o total do ativo, o patrimonio
líquido com o total do passivo. Isto é, sempre num mesmo grupo.

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No caso da análise por quocientes, pode-se comparar o valor da receita de vendas com o
valor do ativo, a fim de medir o retorno que aquela deu sobre este investimento. O que
comprova que na análise por índices trabalha-se com elementos heterogêneos. Outro
exemplo é a relação, mediante operação matemática do ativo circulante e o passivo
circulante de um mesmo balanço o que informaria a capacidade de a empresa pagar suas
dívidas de curto prazo utilizando os recursos aplicados no ativo circulante.

A análise econômico-financeira, portanto, utiliza as informações contidas nos vários


demonstrativos financeiros ou contábeis da entidade (BP, DRE e outras demonstrações). Os
índices financeiros são as ferramentas primárias para uma análise econômico-financeira. Ao
se analisar as demonstrações financeiras, a primeira tarefa é determinar qual informação se
procura e, portanto, os índices são balizadores na avaliação da medida do desempenho.

Os índices ou quocientes são relações que se estabelecem entre duas grandezas, uma vez
que a apreciação de certas relações em percentuais é mais relevante que a observação de
montante, por si só.

Esses índices permitem avaliar o desempenho passado, presente e projetado da empresa,


seja em uma análise comparativa com os “padrões do ramo” em que atua, seja uma análise
de serie temporal (comparação entre o desempenho atual e o desempenho passado da
empresa, visando determinar suas tendências presentes e futuras).

Índices também podem ser entendidos como a relação entre contas ou grupos de contas
das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação
econômica ou financeira da empresa. Os índices servem como medida dos diversos aspectos
econômicos e financeiros da empresa.

O cálculo de índices permite avaliar o desempenho passado, presente e projetado da


empresa, seja comparativamente com “padrões do ramo” que atua, seja em uma análise
temporal (comparação entre desempenho atual e desempenho passado da empresa, visando
determinar suas tendências presentes e futuras).

Para um satisfatório diagnóstico sobre a situação da empresa é necessário um conjunto de


índices que permita conhecer essa situação. O grau de profundidade da análise é que vai
indicar o número de índices necessários. A análise por índices tem rendimento decrescente à
medida que se acrescentam novos índices, quando, por exemplo, se dobra o número de
índices, não se consegue dobrar a quantidade de informações.

A análise das Demonstrações Contábeis pode ser subdividida em Análise da Situação


Financeira e Análise da Situação Econômica. Inicialmente, analisa-se a situação financeira
separadamente da situação econômica. No momento seguinte, juntam-se as conclusões
dessas duas análises e chega-se a um diagnóstico.

Quocientes (ou Índices) de Endividamento

Quocientes (ou Índices) Liquidez


QUOCIENTES (ou INDICES)
SIMPLES Quocientes (ou Índices) de Rotatividade

Quocientes (ou Índices) de Rentabilidade

Quocientes (ou Índices) de Interesse de


Investidores em Ações

34
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Os índices são divididos em:

 Índices que evidenciam aspectos da situação financeira;


 Índices que evidenciam aspectos da situação econômica.

 Os Quocientes da Situação Financeira são divididos em:

 Índices de Estrutura de Capitais ou Endividamento – Indicadores de nível de


endividamento da empresa.
 Índices de Liquidez – Indicadores da capacidade de pagamento da empresa.

 Os Quocientes da Situação Econômica são:

 Índices de Rotatividade - Indicadores de quantos dias a empresa demora, em média


para receber vendas, pagar compras e renovar seus estoques.

 Índices de Rentabilidade – Indicadores das taxas de retorno, de margem e de


atividade empresarial.

 Outros Índices de Interesse de Investidores em Ações

8.1 Objetivos da Análise por Quocientes ou Índices

 Mensurar a saúde financeira total do negócio;


 Endereçar as principais áreas de negócios que afetam a lucratividade da empresa e sua
força de ganhos;
 Avaliar a posição de liquidez da empresa, bem como da situação de fluxo de caixa;
 Identificar uma condição de alavancagem da empresa (mix de endividamento de sua
estrutura financeira);
 Contribuir para avaliação total do risco creditício.

A análise segue uma metodologia a partir da coleta de dados e cálculos dos diversos
índices de modo a alcançar seus resultados, por isso devem ser considerados os meios e as
formas desenvolvidas para tal finalidade. Assim devem ser considerados o que segue:

A análise por meio de índices pode ser:

 Absoluta – quando avalia de forma fria se o índice é bom ou ruim apenas pelo seu
resultado algébrico.
 Relativa – quando avalia um índice comparando-o com outros.

 Por meio da análise comparativa de índices são aplicadas:

 Comparativa com Padrões - compara um índice com de outras empresas similares


(mesmo ramo de atividade, mesma região geográfica, etc.).
 Comparativa Evolutiva – analisa a evolução dos índices da empresa ao longo do tempo.

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8.2 Descrição dos Índices

Os índices que demonstram o nível de endividamento da empresa são fornecidos por


grupos de índices identificados como: Índices de Estrutura de Capitais ou Índices de
Endividamento.

Os índices desse grupo mostram as linhas de decisões financeiras em termos de obtenção


e aplicação de recursos. É por meio desses indicadores que são apreciados o grau de
endividamento da empresa.

Sabendo-se que o Ativo (Aplicação de recursos) é financiado por Capitais Próprios e


Capitais de Terceiros [Passivo Circulante + Passivo não Circulante (E.L.P.) ]
reconhecidos como fontes (Origens) de recursos, a análise possibilita a abordagem de as
algumas variáveis importantes na definição da capacidade de endividamento.

Variáveis:
 Geração de recursos - Uma empresa capaz de gerar recursos para amortizar as dívidas
tem mais capacidade de endividar-se.

 Liquidez - Se uma empresa aplica os recursos de terceiros em seu giro comercial e


dispõe de bom capital próprio, investido do Ativo Circulante, então o efeito negativo
sobre a liquidez será menor que no caso da empresa que aplica em sua Ativo
Imobilizado todos os recursos próprios e mais parte de capitais de terceiros. Neste caso
a liquidez tende a ser afetada e, consequentemente, aumenta o risco de insolvência.

 Renovação – Uma empresa capaz de renovar as dívidas vencidas, não terá problemas
de insolvência, porque, quando a empresa recorre a Capitais de Terceiros, faz isso por
insuficiência de Capitais Próprios, e assim, terceiros passam a financiar parte do Ativo.
Se para pagar esses terceiros for necessária a redução do Ativo, normalmente as
empresas não o querem fazer. Assim, a alternativa é manter o nível de Capital de
Terceiros renovando empréstimos ou tomando empréstimos novos para pagar antigos.
Quando isso não é possível a empresa torna-se incapaz de cumprir seus compromissos,
sobrevindo a iliquidez. Do sucesso de renovar empréstimos ou tomar novos pode
depender a continuidade da empresa.

 Na análise do endividamento é necessário detectar as características dos seguintes


indicadores:

 Empresas que recorrem a dívidas como complemento dos Capitais Próprios para
realizar aplicações produtivas no seu Ativo (ampliação, expansão, modernização,
etc.) - este endividamento é sadio, mesmo quando elevado, pois as aplicações
produtivas deverão gerar recursos para saldar o compromisso assumido.

 Empresas que recorrem à dividas para pagar outras dividas que estão vencendo. -
Por não gerarem recursos para saldar compromissos, elas recorrem a empréstimos
sucessivos. Permanecendo este círculo vicioso, a empresa será uma séria candidata a
insolvência, consequentemente, à falência.

A partir do conhecimento do nível de endividamento da empresa, importante se faz


conhecer a análise da composição do endividamento, informação bastante significativa para
tomada de decisão.

Na classificação do balanço patrimonial existem dois grupos que identificam os capitais


de terceiros aplicados na estrutura de capitais: O Passivo Circulante e o Exigível a Longo

36
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Prazo. As proporções existentes entre eles trazem informações dos níveis de decisão da
estrutura do endividamento, a saber:

1- Endividamento a Curto Prazo - normalmente utilizado para financiar o Ativo


Circulante;
2- Endividamento a Longo Prazo - normalmente utilizado para financiar o Ativo
Permanente (Fixo).

A proporção favorável seria a de maior participação de dívidas a Longo Prazo,


propiciando à empresa tempo maior para gerar recursos que saldarão seus compromissos.
Aplicações em itens com retorno a Longo Prazo, como expansão, modernização, devem ser
financiados com recursos a Longo Prazo e não com Passivo Circulante.

Se a composição do endividamento apresentar significativa concentração no PC (Curto


Prazo) a empresa poderá ter reais dificuldades num momento de reversão de mercado. O que
não aconteceria se as dívidas estivessem concentradas no Longo Prazo, pois a empresa teria
mais tempo para replanejar a sua situação, sem necessidade de, por exemplo, liquidar seus
Estoques numa venda forçada, ou assumir outras dívidas a Curto Prazo que, certamente terão
juros altos, que aumentará as despesas financeiras, diminuindo, assim, sua rentabilidade.
Existem inúmeros índices que podem ser calculados para avaliar as situações econômicas
e financeiras das empresas. Para essa metodologia foram adotados alguns índices, a saber:

8.2.1 - Índices de Estrutura de Capitais ou Índices de Endividamento.


 PARTICIPAÇÃO DE CAPITAIS DE TERCEIROS SOBRE RECURSOS TOTAIS
– PCT/RT
Visa a participação do capital de terceiros em relação à soma de todos os recursos
(origens) aplicados na empresa, ou seja, a percentagem oriunda de capitais de terceiros
em relação ao patrimônio da empresa ou ao Ativo Total.

Participação CT/RT = Exigível Total


Exigível Total + PL

Ou

Endividamento Geral = PC + ELP x 100


Ativo Total

Indica: Qual a proporção entre Capitais de Terceiros e Capitais Totais (Exigível Total +
Patrimônio Líquido), isto é, quanto a empresa utiliza de capitais de 3ºs para cada real de
todos os recursos aplicados. Se multiplicado por 100, qual o percentual de capital de
terceiros em relação aos recursos totais a disposição da empresa.

Esse índice pode ser chamado de Índice de Grau de Endividamento, visto que mede o
grau de endividamento da empresa.

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Interpretação: Quanto menor, melhor.
Também identificado como Endividamento Total, este indicador de grande relevância,
relaciona o Exigível Total (ET) = (Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo) com os
Fundos Totais Providos por capitais próprios – Patrimônio Líquido (PL) e capitais de
terceiros (PC + ELP). Expressa a porcentagem que o endividamento representa sobre os
fundos totais.
Expressa, também, a porcentagem do ativo total financiada com recursos de terceiros. O
resultado é apresentado em porcentagem e representa a participação de recursos financiados
por terceiros. É um bom indicador de risco da empresa.
Se o indicador é “bom” ou “ruim” depende fundamentalmente do momento econômico e
financeiro. Em determinados períodos o capital de terceiro é mais barato que o capital
próprio e vice-versa. Cada empresa deve encontrar seu melhor ponto de financiamento.
Exemplo 1:
Ativo R$ 150.000
Passivo Circulante R$ 50.000
Passivo não Circulante R$ 40.000
Patrimônio Líquido R$ 60.000

Participação de Capitais de Terceiros sobre os Recursos Totais


PC + ELP = 50.000 + 40.000 = 0,60
Ativo 150.000

O resultado encontrado, se multiplicado por 100, dará a resposta em porcentagem, ou seja,


0,60 x 100 = 60%. A empresa apresenta-se financiada por capitais de terceiros de curto
prazo e longo prazo na ordem de 60% em relação a todo capital investido (recursos totais).

 CAPITAIS DE TERCEIROS/CAPITAIS PRÓPRIOS – PCT/PL


Essa é outra forma de encarar a dependência da empresa de recursos de terceiros. Se o
indicador, durante vários anos, for consistente e acentuadamente maior que um,
denotaria uma dependência exagerada de recursos de terceiros. É um dos indicadores
mais utilizados para retratar o posicionamento das empresas com relação aos capitais
de terceiros.

PCT = Exigível Total


Patrimônio Líquido

Indica: Qual a proporção entre Capitais de 3ºs. e Capitais Próprios (PL), isto é, quanto a
empresa utiliza de capitais de 3ºs. para cada real de Capital Próprio.

Esse índice pode ser chamado de Índice de Grau de Endividamento, visto que mede,
também, o grau de endividamento da empresa.

Interpretação: Quanto menor, melhor.


.
Exemplo 2:

38
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Ativo R$ 135.000
Passivo Circulante R$ 12.000
Passivo não Circulante R$ 48.000
Patrimônio Líquido R$ 75.000

Exigível Total = 12.000 + 48.000 = 0,80


PL 75.000
Para cada R$ 1,00 de capital próprio, a empresa utiliza R$ 0,80 de capitais de terceiros. Em
geral, valores menores do que 1 (um) representam um bom endividamento. No entanto, em
que grau esse endividamento é bom ou não, dependerá do ramo de atividade da empresa, seu
porte, do teor desse endividamento e de diversos outros fatores. Lembrando que a
interpretação de valores de índices de análise é dotada de grande grau de subjetividade, visto
que o mesmo valor de determinado índice pode ser bom para uma empresa e ruim para outra
do mesmo ramo. Daí a interpretação de um único índice não revela a real situação da
empresa, sendo necessário o cálculo de diversos outros.
Exemplo 3:
Ativo R$ 150.000
Passivo Circulante R$ 50.000
Passivo não Circulante R$ 40.000
Patrimônio Líquido R$ 60.000

Capitais de Terceiros/Capitais Próprios =


Exigível Total = 50.000 + 40.000 = 1,50
PL 60.000

Para cada R$ 1,00 de capital próprio, a empresa utiliza R$ 1,50 de capitais de terceiros,
revelando um elevado grau de endividamento, isto é, os ativos da empresa estão muito mais
vinculados a capital de terceiros do que a capitais próprios, encontrando-se em pior situação
que do exemplo 2, onde o endividamento foi menor do que 1 (0,80), mostrando menor
dependência de capitais de terceiros.

 COMPOSIÇÃO DE ENDIVIDAMENTO - CE – (Participação das Dívidas de Curto


Prazo sobre Endividamento Total)
Este indicador mede a participação de dívidas de curto prazo (passivo circulante) em
relação às dívidas totais (passivo exigível) e pode ser obtida pela seguinte equação:

CE = Passivo Circulante x100


Exigível Total

Indica: Qual o percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações totais, isto
é, quanto a empresa terá de pagar a curto prazo para cada real do total das obrigações.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Interpretação: quanto menor, melhor.
Representa a composição do Endividamento Total, ou seja, qual a parcela de dívidas
vence a Curto Prazo em relação ao Endividamento Total.
A empresa em franca expansão deve procurar se financiar, em grande parte, com
endividamentos de longo prazo, de forma que, à medida que ela ganhe capacidade
operacional adicional com a entrada em funcionamento dos novos equipamentos e outros
recursos de produção, tenha condições de começar a amortizar suas dívidas.
Exemplo 4:
Ativo R$ 135.000
Passivo Circulante R$ 12.000
Passivo não Circulante (ELP) R$ 48.000
Patrimônio Líquido R$ 75.000

Participação das Dívidas de Curto Prazo sobre o Endividamento Total


PC x 100 = 12.000 x 100 = 20%
ELP 48.000

O resultado encontrado indica que 20% do montante de dívida da empresa vencem no Curto
Prazo e, portanto 80% tem vencimento no Longo Prazo, ou seja, terá maior prazo para
produzir recursos financeiros para quitar suas dívidas, haja vista o percentual maior de
dívidas vencendo no longo prazo.

 IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – IPL

No caso de ser menor que 100, a IPL mede a parcela do capital próprio (patrimônio
líquido) necessária para financiar o ativo fixo. Já, no caso de ser maior que 100, a IPL
indica que há capitais de terceiros financiando parte do ativo fixo, visto que todo o
patrimônio líquido não é suficiente para financiar os referidos recursos. De outro
modo, a IPL também indica quanto foi investido no ativo permanente para cada R$ 100
pertencente aos sócios ou acionistas da empresa. Assim, obteve-se a seguinte formula
para o cálculo:

IPL == Ativo
AtivoPermanente
Permanente__
(Fixo)_
x 100x 100
Patrimônio
PatrimônioLíquido
Líquido

Indica: Qual a parcela do Patrimônio Líquido (PL) foi utilizada para financiar a compra do
Ativo Fixo ou Permanente (AP), isto é, quanto a empresa imobilizou no Ativo Permanente
para cada $ 100 de Patrimônio Líquido.

Interpretação: Quanto menor, melhor.

Exemplo 5:
Ativo Permanente (Fixo) R$ 82.000
Ativo Realizável a Longo Prazo (RLP) R$ 22.000
Patrimônio Líquido R$ 75.000

40
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

IPL= *Ativo Fixo x 100 = 82.000 - 22.000 x 100 = 80%


PL 75.000
Onde:

*Ativo Fixo = Ativo não Circulante – Ativo Realizável a Longo Prazo

Ou

*Ativo Fixo = Ativo Investimentos + Ativo Imobilizado + Ativo Intangível

80% do capital próprio (PL) financiam todo o ativo fixo ou imobilizado. De outro modo para
cada R$1,00 pertencente aos sócios da empresa, foram investidos R$ 0,80 no ativo fixo.
Graficamente estaria assim composto:

AC + ARLP PÇ + PNC
20% PL
Ativo Fixo 80% (PNC + PL)

Observa-se na estrutura do capital acima que 20% do capital próprio estariam financiando
paetê do AC e do ARLP, sendo o restante do AC e ARLP financiados por capitais de
terceiros.

A interpretação deste quociente deve ser direcionada ainda a verificar a existência ou não
do Capital Circulante Próprio – CCP.

CCP é a denominação que se dá ao excesso de Patrimônio Líquido sobre o Ativo


Permanente, então, CCP = PL – AP.

Quanto maiores os recursos investidos pela empresa no Ativo Permanente/Fixo (AP),


menos recursos próprios restarão para o Ativo Circulante (AC) e, em consequência, maior
será a dependência a capitais de terceiros financiando o Ativo Circulante.

O ideal em termos financeiros é a empresa dispor de PL suficiente para cobrir o Ativo


Permanente e ainda lhe restar Capital Circulante Próprio, suficiente para financiar Ativo
Circulante. Por suficiente entende-se que a empresa deve dispor da necessária liberdade de
efetuar operações de compra e venda, sem necessidade de obtenção de empréstimos.

Se o CCP ficar negativo, a empresa poderá perder a liberdade financeira, mas não quer
dizer que esteja em situação complicada. Essa situação pode ocorrer quando a empresa está
expandindo ou se modernizando e poderá ser corrigida com adequado financiamento de
longo prazo que suprima a necessidade de Capital Circulante Liquido (CCL), cobrindo
assim, seus compromissos a curto prazo tendo, portanto, tempo suficiente para que os
investimentos no Ativo Permanente gerem lucros, que permitirão a remuneração dos capitais
de terceiros tomados para pagamento a longo prazo.

Obs.: Em certos ramos de atividade, como transportadoras, ferrovias, siderúrgicas,


produtoras de energia elétrica, é normal Imobilizar além do Patrimônio Líquido. O grau de
Imobilização o varia de acordo com o ramo de atividade.

 IMOBILIZAÇÃO DOS RECURSOS NÃO CORRENTES – IRNC

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Este indicador mede quanto a empresa aplicou em seu Ativo Permanente/Fixo
utilizando todos os recursos oriundos do Passivo Total (ELP + PL).

Conforme já é de conhecimento, no balanço patrimonial, o passivo “total” (lado direito


do balanço) se divide em circulante, não circulante e patrimônio líquido. Esse passivo total
também pode ser chamado de Origens (ou fontes) dos recursos, as quais são aplicadas no
ativo total da empresa. Desse modo, o ativo total pode ser chamado de Aplicações dos
recursos.

Admitindo que o passivo são origens de recursos, podem-se dividir tais recursos em
Correntes e Não Correntes. Partindo-se do princípio que o passivo circulante corresponde ao
conceito de recursos “correntes", conclui-se que os recursos “não correntes”
correspondem à soma do passivo não circulante mais o patrimônio líquido. Daí estabeleceu-
se a seguinte fórmula para o cálculo da IRNC.

Pode ser medido pela seguinte fórmula:

IRNC = Ativo Permanente/Fixo x 100


Passivo Não Circulante + PL

Indica: Qual a parcela do Passivo Total foi utilizada para financiar a compra do Ativo
Permanente, isto é, quanto a empresa imobilizou no Ativo Permanente (AP) para cada $ 100
das suas fontes de recursos (ELP + PL).
Interpretação: Quanto menor, melhor.

Exemplo 5:
Ativo Permanente (Fixo) R$ 82.000
Passivo não Circulante R$ 30.000
Ativo Realizável a Longo Prazo (RLP) R$ 22.000
Patrimônio Líquido R$ 75.000

IRNC= *Ativo Fixo x 100 = 82.000 - 22.000 x 100 = 57%


PNC 30.000 + 75.000

57% dos recursos não correntes financiam todo o ativo fixo. Graficamente estaria assim
composto:

AC + ARLP PÇ + PNC
43% PL
Ativo Fixo
57% (PNC + PL)

 GARANTIA DE CAPITAIS DE TERCEIROS - GCT

Este indicador mede garantia dada pelo Patrimônio Líquido em honrar seus
compromissos para com terceiros, pode ser obtido pela seguinte equação:

42
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

GCT = Patrimônio Líquido___


Exigível Total

Indica: A garantia dada pela empresa aos seus credores.


Interpretação:
 Quando o índice encontrado for Maior que 1 - Indica predominância de recursos próprios
aplicados na empresa.

Nesse caso a empresa encontra-se em situação financeira satisfatória, pois seu grau de
endividamento é baixo, inexistindo a necessidade de recursos externos para o giro de seu
negócio.

 Quando o índice encontrado for Menor que 1 - Indica existência de maior participação
de capitais de terceiros que próprios aplicados na empresa.

Do ponto de vista de lucro, pode ser vantajoso para a empresa trabalhar com uma maior
participação de capitais de terceiros isso se, a remuneração (juros) paga a esses capitais for
menor do que o lucro obtido com a sua aplicação nos negócios.

Isso acontece quando capital de terceiros é composto de “exigíveis não onerosos”, ou


seja, exigíveis que não geram encargos financeiros explicitamente para a empresa (não há
juros nem correção monetária: fornecedores, impostos, encargos sociais a pagar etc.)

Uma participação de Capital de Terceiros, exagerada em relação ao Capital Próprio,


torna a empresa vulnerável a qualquer mudança na economia. Normalmente, as instituições
financeiras não estão dispostas a conceder financiamentos para as empresas que
apresentarem esta situação desfavorável. Em geral, as empresas que vão à falência
apresentam endividamento elevado em relação ao PL.

8.2.2 Indicadores de Liquidez (ou Solvência) - Indicadores da capacidade de pagamento


da empresa.

O objetivo geral dos quocientes deste grupo é avaliar a situação Financeira da empresa,
medindo em geral, a capacidade de a empresa pagar suas dívidas a Curto e/ou Longo Prazos,
utilizando os recursos aplicado no ativo.

Os índices deste grupo mostram a base da situação financeira da empresa. São índices
que a partir do confronto dos Ativos Circulante (AC) e Realizável (R) com as Dívidas Totais
(ET), procuram medir quão sólida é a base financeira da empresa. Pode-se ainda dizer que,
quando a análise dos quocientes de Estrutura de Capitais (Endividamento) indicar um grau
de endividamento aceitável, provavelmente a análise dos Quocientes de Liquidez mostrará
grau de solvência satisfatório.

Uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de apresentar boa capacidade
de pagar dívidas, mas, em função de outras variáveis, tais como prazo, renovação de dívidas
etc., poderá não estar, obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia.

Esses índices são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, isto é,
constituem uma apreciação sobre se a empresa tem capacidade de saldar seus compromissos.
Essa capacidade de pagamento pode ser avaliada num longo prazo, num curto prazo e em
prazo imediato. Regra geral, quanto maior for o valor dos índices de liquidez, maior será a
capacidade de a empresa pagar suas dívidas, e, consequentemente, melhor sua situação
financeira.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


No entanto, como exceção à regra, há possibilidade de em alguns casos um elevado valor
do índice não ser bom resultado, tendo em vista que pode representar, entre outras coisas,
excesso de créditos com prazo alongado para recebimento, ou ainda, excesso de dinheiro não
aplicado em estoques ou no mercado financeiro quando há um alto índice de inflação.

Acerca da solidez da empresa devem ser observados certos aspectos:


 Alto grau de endividamento nem sempre é sinal de insolvência;
 Poderá apresentar baixo grau de liquidez a Curto Prazo, mas bom grau de liquidez a
Longo Prazo e vice-versa;
 Poderá apresentar alto grau de liquidez, mas não dispor de dinheiro para saldar seus
compromissos imediatos.

Os índices de liquidez mais conhecidos são os seguintes:


 Liquidez Geral;
 Liquidez Corrente;
 Liquide Seca;
 Liquidez Imediata;
 Solvência.

 LIQUIDEZ GERAL – LG
Mede a capacidade de a empresa pagar suas dívidas a curto e longo prazos, utilizando
os recursos aplicados no ativo circulante e realizável a longo prazo.

Liquidez Geral = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo


Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo

Indica: A capacidade de pagamento da empresa a Longo Prazo, considerando tudo o que a


empresa converterá em dinheiro (a Curto e Longo Prazo), e relacionando com tudo que a
empresa assumiu como dívida.
Interpretação: Quanto maior, melhor.

Para que seja considerada com boa situação financeira, é necessário que a liquidez geral
seja superior a 1. Lembrando, no entanto, que todos os resultados na análise são relativos.

No entanto, havendo despesas a apropriar no ativo circulante e/ou no ativo realizável a


longo prazo, a formula adequada será a seguinte:

LG = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo – Despesas a Apropriar


Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo

Com relação aos direitos e obrigações de Longo Prazo é necessário verificar a


procedência desses saldos, pois os direitos poderão ser oriundos de empréstimos
concedidos a empresas coligadas, diretores, acionistas cujos prazos não tenham
vencimentos, ou sejam a curto prazo, o mesmo poderá ocorrer no Exigível a Longo Prazo,
podendo ser empréstimos tomados de diretores, acionistas ou de terceiros, mediante
emissão de debêntures conversíveis sem ações, que não correspondam a saída de
numerários para serem liquidados.

Sendo o índice apurado maior que a unidade, revela a existência de Capital de Giro
Próprio (capital próprio aplicado no giro da empresa), ou seja, que parte do capital de giro
da empresa é financiada com recursos próprios. Sendo o índice inferior a 1, fica evidente a
utilização de capitais de terceiros para financiamento de seu giro.

44
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

O indicador de liquidez geral não faz restrição de prazo. Compara todas as dívidas (a
curto e a longo prazo) com a soma de todos os valores disponíveis e realizáveis.
Este indicador serve para detectar a saúde financeira (no que se refere à liquidez) de
longo prazo do empreendimento. Mede quanto a empresa possui de recursos não aplicados
em ativos permanentes para cada real de dívida. É aferida pela divisão da soma do ativo
circulante com o realizável em longo prazo e com duplicatas descontadas.
Para possibilitar maior qualidade a esse indicador recomenda-se analisar o perfil dos
elementos, separando-os em períodos próximos de dois ou três anos, dos que se referem a
períodos maiores, de até 10, 15 anos. Além da análise do perfil de longo prazo, deve-se
também fazer a análise da natureza do realizável a longo prazo, pois pode contar com dados
de realização levando a zero, perto da condição de permanência.

 SOLVÊNCIA – S
Mede a capacidade de a empresa pagar suas dívidas a curto prazo (PC) e a longo prazo
(PNC), utilizando os recursos totais aplicados no patrimônio, isto é, utilizando todo o
(Ativo Circulante e Ativo não Circulante).

Solvência = Ativo Circulante + Ativo não Circulante


Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo

Indica: A capacidade da empresa pagar suas dívidas a curto prazo (PC) e a longo prazo
(PNC), utilizando os recursos totais aplicados no patrimônio, isto é, utilizando todo o (Ativo
Circulante e Ativo não Circulante).
Interpretação: Quanto maior, melhor.

Exemplo 1:
Ativo Circulante (AC) R$ 11.000
Ativo não Circulante (ANC – RCP) R$ 34.000
Passivo Circulante (PC) R$ 18.000
Passivo não Circulante (PNC – ELP) R$ 42.000

S= AC+ANC = 11.000+34.000 = 0,75


PC+PNC 18.000+42000
Para cada real de capitais de terceiros, a empresa dispõe de R$ 0,75 de recursos aplicados no
ativo. Observa-se que a solvência é menor do que 1 (um), significando que a empresa se
encontra numa situação de “passivo a descoberto”, isto é, o Ativo total, não cobre todo o
Passivo exigível, ficando este a “descoberto”.

 LIQUIDEZ CORRENTE – LC
Mede a capacidade de a empresa pagar suas dívidas a curto prazo, utilizando os
recursos aplicados no ativo circulante.

Liquidez Corrente = Ativo Circulante


Passivo Circulante

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Indica: Quanto a empresa possui de Ativo Circulante para cada $1,00 de dívida a curto
prazo.
Interpretação: Quanto maior, melhor

Exemplo 2:
Ativo Circulante (AC) R$ 40.000
Passivo Circulante (PC) R$ 25.000

LC = AC = 40.000 = 1,60
PC 25.000
Para cada real de capitais de terceiros de curto prazo (PC), a empresa dispõe de R$ 1,60 de
recursos aplicados no ativo circulante (AC). Observa-se a liquidez corrente é maior do que 1
(um), significando que a empresa, teoricamente, se encontra numa situação favorável de
liquidez, isto é, o Ativo Circulante, cobre todo o Passivo Circulante.
É um índice muito divulgado e frequentemente considerado como o melhor indicador da
situação de liquidez da empresa.
No entanto, havendo despesas a apropriar no ativo circulante, tais como “Seguros a
vencer”, “Alugueis a vencer” etc. essas devem ser desconsideradas no cálculo da LC, tendo
em vista que o objetivo geral dos índices de liquidez é medir a capacidade de a empresa
pagar suas dívidas utilizando recursos do ativo que se representam em forma de dinheiro ou
que poderão ser conversíveis em dinheiro, coisa esta que não acontece com as despesas a
apropriar (ou despesas pagas antecipadamente), dado que essas despesas não se converterão
em dinheiro e sim em despesas propriamente ditas, integrando desse modo o resultado.
Assim, o cálculo mais real da LC é feito mediante o uso da seguinte formula:
LC = Ativo Circulante - Despesas a Apropriar
Passivo Circulante
Qualquer indicador acima de 1,00 é considerado bom, pois indica capacidade de
pagamento de todas as dívidas de curto prazo. Um indicador na ordem de 1,50 pode ser
considerado bom, porém, pode ser até considerado excessivo por indicar imobilização
exagerada de capital de giro.
A liquidez corrente revela se a empresa tem boa situação financeira, ou seja, operando
com segurança no curto prazo ou dentro do seu ciclo financeiro.

Direcionado também a verificar a existência de Capital Circulante Líquido, encontrado


também através da diferença entre Ativo Circulante e Passivo Circulante.

CCL = Ativo Circulante – Passivo Circulante

Quando se diz que os investimentos no Ativo Circulante são suficientes para cobrir as
dívidas, pode parecer que, se a empresa liquidasse seu Ativo Circulante, pagaria inteiramente
suas dívidas de curto prazo e ainda sobraria algum disponível. Mas tal afirmativa é muito
simplista e distanciada da realidade. Porque:

 Em 1º lugar porque estaria sendo totalmente desconsiderado o fator tempo que atua de
várias formas:
 É impossível vender instantaneamente todos os estoques (não há vendedores,
faturistas ou clientes interessados em comprar tudo de uma vez);

46
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 É impossível receber todas as duplicatas já emitidas como as que serão emitidas, por
que existe um ciclo financeiro na economia (as empresas esperam os recebimentos
de seus clientes para disporem de recursos e, por sua vez, cumprirem seus
compromissos com fornecedores, os assalariados esperam seus salários para
pagarem suas prestações, etc.);
 As empresas arcam com várias despesas proporcionais ao tempo, alugueis, salários,
tributos que aumentam o Passivo Circulante.

 Em 2º lugar porque os valores de liquidação não são necessariamente os valores


contábeis registrados no Ativo e Passivo Circulantes, pois existem prazos para os
vencimentos dos direitos e das dívidas. Por outro lado, os valores a vista certamente são
outros.

 Em 3º lugar deve-se considerar que nem todos os valores serão convertidos em


dinheiro ou não recuperáveis, como:
 Impostos a Recuperar – só poderão ser compensados com obrigações do mesmo
gênero;
 Despesas Antecipadas;
 Investimentos: é necessário conhecer o tipo, a solidez das instituições, se os valores
são compatíveis com a realidade, etc.

Considerando todos esses aspectos, mesmo quando o Índice de Liquidez Corrente é


superior a “1” (um), a empresa em determinado momento poderá não dispor de dinheiro
suficiente para saldar suas dívidas, quando os recursos do AC entrarem em caixa em
momento diferente da saída para pagamento do PC. O ideal é que as entradas de caixa sejam
equivalentes às saídas, mas nem sempre se converte em uma situação real.

Cabe, portanto, à administração financeira alcançar cotidianamente esse ideal,


manobrando os prazos de recebimento e pagamento e renovando empréstimos junto a
instituições financeiras. Se a folga financeira for pequena ou o quociente for inferior a “1”
(um), a empresa poderá encontrar dificuldades para cumprir compromissos, bem como
captar dinheiro no mercado.

A margem de folga para manobras de prazos visa equilibrar as entradas e saídas de


caixa, quanto maiores os recursos, maior essa margem, maior segurança da empresa, melhor
situação financeira.

 LIQUIDEZ SECA – LS
Mede a situação de liquidez da empresa utilizando os recursos aplicados no ativo
circulante, sem contar com seus estoques, visto que algumas empresas podem em
muitas ocasiões, ter dificuldades para realizar financeiramente seus estoques.

Liquidez Seca = Ativo Circulante – Estoques


Passivo Circulante

Indica: Quanto a empresa possui de Ativo Circulante Líquido (Disponível + Investimentos a


Curto Prazo + Clientes), para cada $1,00 de Passivo Circulante.
Interpretação: quanto maior, melhor.

Obs.: Ativo Circulante Líquido = (Ativo Circulante – Estoques)


Este índice visa medir o grau de excelência da situação financeira de uma empresa. Esta é
uma variável muito adequada para se avaliar, conservadoramente.

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Exemplo 3:
Ativo Circulante (AC) R$ 40.000
Estoque de Mercadorias R$ 12.000
Passivo Circulante (PC) R$ 25.000

LC = AC - Estoque = 40.000 – 12.0000 = 1,40


PC 25.000
Sem contar com os estoques, para cada real de dívidas a curto prazo, a empresa dispõe de
R$ 1,40 de recursos aplicados no ativo circulante.
Por outro lado, são eliminadas as influências e distorções que a adoção deste ou daquele
critério de avaliação de estoques poderia acarretar, principalmente se os critérios foram
mudados ao longo dos períodos. Para empresas que trabalham com estoque reduzido (just in
time), esse indicador perde relevância.
Se abaixo de certos limites, mantidos os padrões do ramo, um índice muito baixo pode
indicar alguma dificuldade de liquidez, porém, se índice de Liquidez Seca conjugado com
índice de Liquidez Corrente pode demonstrar uma empresa com situação financeira
satisfatória.
 RECORDANDO CONCEITOS:
Estoques: Na empresa comercial, Estoques significam mercadorias à disposição para
vender. Na industrial, eles representam matéria-prima, produtos em processo de
elaboração e produtos acabados. Numa prestadora de serviços, Estoques são os
materiais de consumo disponível e necessário para o desempenho eficaz da sua
atividade.
Os métodos de avaliação de estoques são definidos por legislação própria. Para que
não haja distorções quanto à sua avalição e, portanto, impactem nos resultados econômicos
apurados, para mais ou para menos, conforme verificado no quadro abaixo:
Métodos de Avaliação de Estoques
Critério Características Estoque Legislação
PEPS Primeiro que entra, primeiro Valorizado pelas últimas entradas ACEITA
que sai.
UEPS Último que entra, primeiro que Valorizado pelas primeiras entradas NÃO ACEITA
sai.
MÉDIO Média ponderada de diversas Valorizado pelo preço médio do ACEITA
compras mercado
REPOSI Preço corrente do mercado para Valorizado pelo preço médio NÃO ACEITA
ÇÃO repor o estoque corrente de mercado

Da mesma forma que no cálculo da LC, no cálculo da LS, havendo despesas a apropriar
(ou despesas pagas antecipadamente) essas devem ser desconsideradas. Assim, a fórmula
mais real no cálculo desse índice é a seguinte:
LC = Ativo Circulante - Estoques - Despesas a Apropriar
Passivo Circulante
Eliminando-se os estoques e as despesas antecipadas do numerador, são eliminadas fontes
de incerteza.

48
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

 LIQUIDEZ IMEDIATA - LI
Mede a capacidade imediata de a empresa pagar suas obrigações a curtíssimo prazo. A
maior necessidade de um maior ou menor valor para esse índice está intimamente
relacionada ao ramo de atividade da empresa.

Liquidez Imediata = Disponibilidades


Passivo Circulante

Indica: Quanto a empresa possui de Disponibilidades (Caixa + Bancos conta movimento +


Aplicações Financeiras de Resgate Imediato), para cada $1,00 de Passivo Circulante.
Interpretação: quanto maior, melhor
Obs.: Disponibilidades = Caixa + Bancos + Aplicações de Liquidez Imediata
Revela a porcentagem das dívidas a curto prazo (circulante) em condições de serem
liquidadas imediatamente. Utiliza os dados de caixa, bancos e aplicações financeiras
disponíveis para fazer face ao total do passivo circulante. Este indicador representa o valor
do quanto se dispõe, imediatamente, para saldar as dívidas de curto prazo. Somente uma
avaliação mais detalhada poderia indicar um parâmetro claro de qual é o mínimo aceitável.
Regra geral, as empresas que realizam grande parte de suas operações à vista têm
maior necessidade de elevados índices de liquidez imediata. Da mesma forma as
instituições financeiras também necessitam de elevados valores para tais índices.
Para uma melhor análise recomenda-se reparar as dívidas (PC) em prazos
correspondentes ao vencimento de 30, 60, 90, 180 e até 1 (um) ano. Porém, o melhor
instrumento para prever o fluxo suficiente de fundos é o orçamento de caixa.
Nem sempre um elevado índice de liquidez imediata traduz uma situação
favorável. Países com elevados índices de inflação, uma elevada liquidez imediata
pode representar dinheiro não aplicado no mercado financeiro, ou em estoques,
gerando prejuízos em razão da perda do poder aquisitivo da moeda.
Exemplo 4:
Caixa R$ 8.000
Bancos conta Movimento R$ 20.000
Passivo Circulante (PC) R$ 25.000

LI = Disponibilidades = 8.000 – 20.0000 = 1,12


PC 25.000
Para cada real de dívidas a curto prazo, a empresa dispõe de R$ 1,12 em dinheiro.
Dependendo do ramo de atividade da empresa esse é um resultado que pode ser considerado
bom ou não.

8.2.3 Quocientes de Rotatividade

Os quocientes de rotatividade, também chamados de índices de giro, têm por objetivo


geral medir a velocidade de renovação de recursos.

Desse modo, no estudo dos índices de rotatividade, o foco será na avalição do

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desempenho da empresa em relação ao Ciclo Operacional (COP) e ao Ciclo Financeiro
(CF).

Os quocientes de rotatividade são obtidos pelo confronto dos elementos da DRE com
elementos do BP, evidenciando o tempo necessário para que os elementos do Ativo se
renovem. Neste grupo estudam-se quantos dias a empresa demora, em média, para receber
suas vendas, para pagar suas compras e para renovar seus estoques.

Para fins de análise, quanto maior for a velocidade de recebimento de vendas e de


renovação de estoques, melhor. Quanto mais lento for o pagamento de compras, desde que
não corresponda a atrasos, melhor. Os índices e cálculos de atividades consideram o ano
tendo 360 dias.

8.2.3.1 Quocientes de Rotatividade – Na empresa Comercial

 RE – PRAZO DE ROTAÇÃO (OU GIRO) DE ESTOQUES – Mede o giro dos


estoques, ou seja, a quantidade de vezes que os estoques se renovam dentro de
determinado período (normalmente, dentro de exercício social = 1 ano). Pode ser
determinado pela seguinte fórmula:

RE = CMV
EM

Sendo: RE = Rotação de Estoques


CMV = (Custo das Mercadorias Vendidas) = EI + C – EF
EI = Estoque Inicial
EF = Estoque Final
C = Compras
EM (Estoque Médio) = (EI + EF)/2

Exemplo: Dados extraídos dos registros contábeis da Comercial Matrix Ltda.:

Estoque de Mercadorias (Balanço de 31/12/X1) = R$ 45.000


Estoque de Mercadorias (Balanço de 31/12/X2) = R$ 35.000
Compras (no exercício de 20X2) = R$ 230.000

RE = 45.000 + 230.000 – 35.000 = 240.000 =6


45.000 + 35.000 40.000
2

Interpretação: Ao longo do exercício social de 20X2, a empresa renovou seus estoques 6


(seis) vezes em média, ou seja, comprou mercadorias e revendeu por completo, em média 6
vezes.

 PMRE – PRAZO MÉDIO DE ROTAÇÃO (OU RENOVAÇÃO DE ESTOQUES) –


Representa a quantidade média de dias dentro de um exercício social que a empresa
demora para renovar todo seu estoque. Admitindo que o exercício social tenha 360
dias. Pode ser determinado pelas seguintes fórmulas:

Indica, em média, quantos dias a empresa leva para vender seus estoques.

PMRE = 360 dias x Estoques Médios


Custos das Vendas

50
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Ou
PMRE = 360 dias
RE

Estoque de Mercadorias (Balanço de 31/12/X1) = R$ 45.000


Estoque de Mercadorias (Balanço de 31/12/X2) = R$ 35.000
Compras (no exercício de 20X2) = R$ 230.000

Estoques médios: Estoque Inicial + Estoque Final = 45.000 + 35.000 = 40.000


2 2

CMV = EF + C – EF = 45.000 + 230.000 – 35.000 = 240.000

PMRE = 360 dias x 40.000 = 60 dias OU PMRE = 360 dias = 60 dias


240.000 6

Interpretação: A cada 60 dias, em média, a empresa renova todo seu estoque, isto é, vende
todo seu estoque e adquire novamente mercadorias para revenda em média a cada 60 dias.

 RC – ROTAÇÃO DE CLIENTES – Representa em média a quantidade de vezes que a


empresa realiza dentro do exercício social vendas completas de seus estoques a prazo,
ou seja, a quantidade média de vezes que a empresa recebe integralmente no prazo de 1
ano as vendas realizadas a prazo. Pode ser determinado pela seguinte fórmula:

RC = Vendas a Prazo
Média de Clientes

Onde:
Média de Clientes = (SIC + SFC) /2
SIC = Saldo Inicial de Clientes (ou Duplicatas a Receber no balanço anterior)
SFC = (Saldo Final de Clientes (ou Duplicatas a Receber no balanço atual)

Considerando ainda os dados do balanço da Comercial Matrix Ltda.:

Duplicatas a Receber (Saldo em 31/12/X1) = R$ 35.000


Duplicatas a Receber (saldo em 31/12/X2) = R$ 25.000
Vendas a Prazo (Exercício social de 20X2) = R$ 90.000

RC = 90.000 = 3
45.000 + 35.000
2

Interpretação: Ao longo do exercício social de 20X2, a empresa realizou em média 3


vendas a prazo completas, isto é, vendeu a prazo e recebeu as respectivas vendas de seus
clientes em média 3 vezes no ano de 20X2.

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 PMRV – PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS – Também chamado
de Prazo Médio de Rotação de Clientes (PMRC) ou Prazo Médio de Recebimento de
Clientes (PMRC), esse índice expressa o tempo médio decorrido entre as vendas e os
recebimentos e pode ser obtido pelas seguintes formulas.

Indica, em média, quantos dias a empresa concede aos seus clientes para os
recebimentos

PMRV = 360 dias x Duplicatas a Receber Medias


Vendas a Prazo

Ou

PMRV = 360 dias


RC

Assim, considerando ainda o exemplo da Comercial Matrix Ltda.:

Duplicatas a receber Médias = 35.000 + 25.000 = 30.000


2

PMRV = 360 dias x 30.000 = 120 dias OU PMRV = 360 dias = 120 dias
90.000 3

Interpretação: A cada 120 dias, em média, a empresa realiza uma venda completa, isto é,
vende a prazo e recebe de seus clientes essas vendas a prazo a cada 120 dias, em média.

Por meio dos cálculos acima apresentados pode-se verificar uma importante informação,
qual seja, o Ciclo Operacional de empresas comerciais, a saber:

 CO – CICLO OPERACIONAL – No caso de uma empresa Comercial representa o


tempo que a empresa leva para vender todos seus estoques adquiridos e receber as vendas
desses estoques de seus clientes, ou seja, o tempo que a empresa leva desde a compra das
mercadorias até o recebimento de suas vendas.

O esquema abaixo permite o entendimento do Ciclo Operacional (COP)

Compra PMRE Vende PMRV Recebe


= 1 Ciclo

No caso de uma empresa comercial, o COP representa o tempo que a empresa leva para
vender todos seus estoques adquiridos e receber as vendas desses estoques dos clientes, ou
seja, o tempo que a empresa leva desde a compra das mercadorias até o recebimento de suas
vendas. O referido período, neste caso, pode ser calculado, com razoável aproximação,
através da seguinte fórmula:

52
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
CICLO OPERACIONAL (COP) = PMRE + PMRV

Assim, considerando ainda o exemplo da Comercial Matrix Ltda.:

COP = 60 dias + 120 dias = 180 dias

Interpretação: A cada 180 dias, em média, a empresa fecha o seu ciclo operacional, ou seja,
compra mercadorias para revenda, revende todo o estoque e recebe as vendas de seus
clientes.

 RF – ROTAÇÃO DE FORNECEDORES – Representa a quantidade em média de


vezes que a empresa realiza dentro do exercício social compras a prazo completas de seus
estoques, ou seja, a quantidade média de vezes que a empresa paga integralmente as
compras realizadas a no período de 1 ano.

RF = Compras a Prazo
Média de Fornecedores

Onde:
Média de Fornecedores = (SIF + SFF) /2
SIF = Saldo Inicial de Fornecedores (saldo de Fornecedores no balanço anterior)
SFF = (Saldo Final de Fornecedores saldo de Fornecedores no balanço atual)

Considerando ainda os dados do balanço da Comercial Matrix Ltda.:

Fornecedores (Saldo em 31/12/X1) = R$ 11.000


Fornecedores (saldo em 31/12/X2) = R$ 7.000
Compras a Prazo (Exercício social de 20X2) = R$ 36.000

RC = 36.000 =4
11.000 + 7.000
2
Interpretação: Ao longo do exercício social de 20X2, a empresa realizou em média 4
compras a prazo completas, isto é, comprou a prazo e pagou as respectivas compras a seus
fornecedores em média 4 vezes no ano de 20X2.

Obs.: Para se calcular o valor das compras caso não conste dos dados disponíveis nas
informações contábeis:

CMV = EI + C - EF, então C = CMV – EI + EF

 PMPC – PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS – Também chamado


de Prazo Médio de Rotação de Fornecedores (PMRF), esse índice pode ser obtido pela
seguinte fórmula.

Indica, em média, quantos dias a empresa demora para pagar suas compras.

PMPC = 360 dias x Fornecedores Médios


Compras a Prazo

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Ou

PMRV = 360 dias


RF

Ainda considerando o exemplo da Comercial Matrix Ltda.:

Fornecedores Médios = 11.000 + 7.000 = 9.000


2

PMPC = 360 dias x 9.000 = 90 dias OU PMPC = 360 dias = 90 dias


36.000 4

Interpretação: A cada 90 dias, em média, a empresa realiza uma compra a prazo completa,
isto é, compra a prazo e paga de seus fornecedores a cada 90 dias, em média.

A associação dos quocientes do ciclo operacional com o PMPC complementa as


informações geradas por esse tipo de índices, ou seja, é possível verificar o ciclo
financeiro.

 CF – CICLO FINANCEIRO - Representa o tempo decorrido entre o momento em que a


empresa paga o fornecedor e o momento em que recebe as vendas entendem-se como o
período em que a empresa financia seu negócio.

CICLO FINANCEIRO (CF) = (PMRE + PMRV) - PMPC

Assim, considerando ainda o exemplo da Comercial Matrix Ltda.:

CF = 60 dias + 120 dias – 90 dias = 90 dias

Interpretação: A cada 90 dias, em média, a empresa fecha o seu ciclo financeiro, ou seja,
compra mercadorias para revenda, revende todo o estoque, recebe as vendas de seus clientes
e paga seus fornecedores a cada 90 dias, em média.

Entendendo o Ciclo Financeiro (CF):

O Ciclo Financeiro pode ser identificado sob duas óticas: Ciclo Financeiro Desfavorável e
Ciclo Financeiro Favorável.

 Ciclo Financeiro Desfavorável

No caso de o Prazo Médio de Renovação de Estoques (PMRE) ser MENOR que o Ciclo
Operacional (COP), o valor do Ciclo Financeiro é sempre DESFAVORÁVEL, visto que o
prazo da compra até o pagamento é MENOR do que o da compra até o recebimento, ou seja,
a empresa tem que pagar a seus fornecedores antes de receber de seus clientes, obrigando-
a a recorrer, em alguns casos, a capitais de terceiros para financiar parte de suas atividades e
saldar seus compromissos.

 Ciclo Financeiro Favorável

54
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
No caso de o Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC) ser MAIOR que o Ciclo
Operacional (COP), o Ciclo Financeiro é sempre FAVORÁVEL, visto que o prazo da
compra até o pagamento é MAIOR do que o da compra até o recebimento, isto é, a empresa
recebe de seus clientes antes de pagar seus fornecedores, representando o ciclo financeiro o
tempo que a empresa dispõe de FOLGA DE CAIXA. É como se os fornecedores deixassem
seu dinheiro com a empresa durante todo o ciclo financeiro, sem cobrar juros.

 GIRO DE CAIXA (GC)


Representa o número de vezes que uma empresa realiza seu ciclo financeiro ao longo do
exercício social. Desse modo, supondo que o exercício tenha 360 dias, seu cálculo pode ser
feito com o uso da seguinte fórmula:

CG = 360 dias
Ciclo Financeiro (CF)

Assim, considerando ainda o exemplo da Comercial Matrix Ltda.:

PMPC = 360 dias = 4 vezes


90 dias

Interpretação: Ao longo do exercício social de 20X2, a empresa realizou em média 4 vezes


seu ciclo financeiro, isto é, vendeu e recebeu comprou a prazo e pagou as respectivas
compras a seus fornecedores em média 4 vezes no ano de 20X2.

Nota: No cálculo dos chamados “prazos médios” cabe lembrar:


 Que o multiplicador “360” é utilizado quando o período sob análise corresponder a
um ano. Se semestral, o multiplicador será “180”.

8.2.3.2 Índices de Rotação ou Atividade – na Empresa Industrial

Maior que todos os outros tipos de empresa, a empresa industrial adquire as Matérias
Primas (MP) de terceiros que integrarão os produtos em fabricação, os quais quando
concluídos integrarão os estoques de produtos prontos, que serão vendidos e. se forem a
prazo, posteriormente serão recebidos. Portanto, o ciclo operacional na indústria pode ser
entendido da seguinte maneira:

Compra
de MP
(1) PMRMP
Fabricação (prod.
em fabricação)

(2) PMRPF
= 1 Ciclo Operacional
Estocagem
(produtos prontos)

(3) PMRPP

Vendas
(produtos prontos)
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(4) PMRV
Recebimento de
Clientes

(1) PMRM – PRAZO MÉDIO DE ROTAÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS –


Representa o tempo médio que MP compradas são integralmente utilizadas na
produção.
Admitindo-se que o exercício social tenha 360 dias:

PMRMP = 360 dias onde RMP = MPA


RMP Estoque Médio

MPA = EIMP + CMP - EFMP

MPA = Matéria Prima Aplicada


Estoque Médio= EIMP + EFPM
RPM = Rotação da Matéria-prima
2
EIMP = Estoque Inicial da Matéria-prima
CPM = Compra de Matéria-prima
EFMP = Estoque Final de Matéria-prima

(2) PMRPF – PRAZO MÉDIO DE ROTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO


- Representa o tempo médio que os produtos em fabricação demoram em ficar prontos,
ou seja, o tempo médio para se fabricar os produtos.
Admitindo que o exercício social tenha 360 dias:

PMRPF = 360 dias RPF = CPA


RFP Onde Estoque Médio

CPA = EIPF + CP - EFPF

RPF = Rotação de Produtos em Fabricação


Estoque Médio= EIPF + EFPF
CPA = Custo da Produção Acabada
2
CP = Custo de Produção
EIPF = Estoque Inicial Produtos em Fabricação
EFPF = Estoque Final Produtos em Fabricação

(3) PMRPP – PRAZO MÉDIO DE ROTAÇÃO DE PRODUTOS PRONTOS -


Representa o tempo médio para esvaziar os estoques, ou seja, o tempo médio para

56
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
vender todo o estoque de produtos prontos.
Admitindo que o exercício social tenha 360 dias:

PMRPP = 360 dias RPP = CPV


RPP onde Estoque Médio

CPV = EIPP + CPA - EFPP

RPP = Rotação de Produtos Prontos


Estoque Médio = EIPP + EFPP
CPA = Custo da produção Acabada
2
CPV = Custo da produção Acabada
EIPP = Estoque Inicial Produtos Prontos
EFPP = Estoque Final Produtos Prontos

Todos os quocientes acima estudados acima compõem o que se conhece por Ciclo
Operacional e o Ciclo Econômico de uma indústria, assim conceituado:

CICLO OPERACIONAL (COP) de uma indústria é composto por todas as fases


operacionais da empresa, isto é, inicia com as compras das matérias-primas e termina no
recebimento das vendas dos produtos prontos, pode ser calculado com razoável
aproximação, mediante o uso da seguinte fórmula:

COP = PMRMP + PMRPF + PMRPP + PMRV

O CICLO ECONÔMICO (CE) de uma indústria é o tempo transcorrido desde a compra


de matérias-primas até a venda dos produtos prontos, ou seja, esse tipo de ciclo está
relacionado ao tempo transcorrido entre as transações de compra e venda independentemente
dos pagamentos ou recebimentos em dinheiro. Assim pode-se calcular esse Ciclo da seguinte
forma:

CE = PMRMP + PMRPF + PMRPP

(4) PMRV – PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS – Também chamado


de Prazo Médio de Rotação de Clientes (PMRC) ou Prazo Médio de Recebimento de
Clientes (PMRC), expressa o tempo médio decorrido entre as vendas e os recebimentos e
pode ser obtido pelas seguintes formulas. (A formula para seu cálculo é idêntica ao
estudo no PMRV em empresas comerciais)

O CICLO FINANCEIRO pode ser identificado, assim como na empresa comercial, sob
duas óticas: Ciclo Financeiro Desfavorável e Ciclo Financeiro Favorável.

 Ciclo Financeiro Desfavorável


No caso do Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC) ser MENOR que o Ciclo
Operacional (COP), o valor do Ciclo Financeiro é sempre DESFAVORÁVEL, visto que o
prazo da compra até o pagamento é MENOR do que o da compra até o recebimento, ou seja,
a empresa tem que pagar a seus fornecedores antes de receber de seus clientes, obrigando a

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mesma a recorrer, a capitais de terceiros para financiar parte de suas atividades e saldar seus
compromissos.

 Ciclo Financeiro Favorável


No caso do Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC) ser MAIOR que o Ciclo
Operacional (COP), o Ciclo Financeiro é sempre FAVORÁVEL, isto é, quanto MAIOR
MELHOR, visto que o prazo da compra até o pagamento é MAIOR do que o da compra até
o recebimento, isto é, a empresa recebe de seus clientes antes de pagar seus fornecedores,
representando o ciclo financeiro o temo que a empresa dispõe de FOLGA DE CAIXA. É
como se os fornecedores deixassem seu dinheiro com a empresa durante todo o ciclo
financeiro, sem cobrar juros da mesma.

 GIRO DE CAIXA (GC)


Representa o número de vezes que uma empresa realiza seu ciclo financeiro ao longo do
exercício social. Desse modo, supondo que o exercício tenha 360 dias, seu cálculo pode ser
feito com o uso da seguinte fórmula:

GC = 360 dias
Ciclo Financeiro (CF)

Assim como ocorre na empresa comercial, na indústria, respeitando seu ramo, seu
segmento e suas variáveis próprias, o estudo dos Ciclos de Atividades traz oportunidades de
informações que a empresa necessita para administrar sua produção de maneira que tenha
perfeitamente equilibrados os Ciclos Operacional e Financeiro.

8.3 Quocientes de Rentabilidade (ou Lucratividade)


 Introdução

Todas as empresas, no sistema capitalista, visam à obtenção de lucros para expansão das
atividades. As operações empresariais devem, além de serem seguras e líquidas, têm de ser
rentáveis. A realização de operações não rentáveis compromete, a médio prazo, a própria
situação de liquidez da empresa.

Uma empresa deve manter relações adequadas de custos em relação à receita ou


margens. Mudanças para cima ou para baixo dos níveis de receitas devem conduzir a
tendências adequadas dos níveis de despesas nas áreas de custo variável. Se estas relações de
custo são ou não favoráveis, podem ser medidos pelos coeficientes chamados de Margem.

Esses quocientes objetivam avaliar a situação ECONÔMICA da empresa. Tais índices


medem, em geral, os retornos dos capitais através de lucros ou receitas. Dessa forma, a
grande maioria desses índices relacionam elementos extraídos do balanço patrimonial com
elementos da demonstração do resultado do exercício.

Esses índices são segmentados em 2 (dois) grupos: Lucratividade e Rentabilidade

1- Lucratividade – Os índices de lucratividade ajudam a determinar quão efetivamente uma


empresa produz lucro a partir de seus recursos. Informam a lucratividade em relação às
vendas, ou seja, índice de “margem de lucro” que mede a lucratividade em relação ao

58
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
investimento. Esses coeficientes podem ser usados para estimar a habilidade de uma
empresa em controlar as despesas e converter vendas em lucros.

Os índices de lucratividade mostram o lucro auferido pela empresa em relação aos


recursos obtidos pelas vendas em determinado período de tempo. Esses índices relacionam
os diversos níveis de lucro da empresa com seu tamanho expresso por meio de suas vendas.
Tais índices relacionam o lucro bruto, o lucro operacional, o lucro líquido e o Ebtida com as
vendas líquidas, a saber:

 GIRO DO ATIVO – GA

GA = Receita de Vendas
Ativo Total

Indica: quanto a empresa vendeu para cada $1 de investimento total no ativo


Interpretação: quanto maior, melhor.

Obs. 1: No caso de uma DRE apresentada de modo “tradicional”, conforme art. 187 da Lei
nº 6.404/76 a Receita de Vendas corresponde ao conceito de “Receita Líquida”, isto é, a
Receita Bruta menos DEDUÇÕES, onde essas deduções são as seguintes:
 Devoluções de Vendas
 Abatimentos sobre Vendas
 Descontos Incondicionais Concedidos
 Impostos e Contribuições sobre Vendas (ICMS, PIS e COFINS)

Direcionado a verificar se o volume de vendas realizadas foi adequado ao Capital


investido, deve-se saber que o volume de vendas ideal para cada empresa é aquele que lhe
proporcione lucratividade suficiente para cobrir todos os gastos e oferecer boa margem de
lucro. Não se pode afirmar que uma empresa esteja vendendo pouco ou muito observando,
apenas, o volume absoluto de suas vendas.

O volume de vendas deve ser compatível com o ramo de atividade da empresa. O ideal é
que esse índice seja superior a 1 (um) o que demonstra que o volume de vendas superou o
valor do capital investido.

Exemplo 1: A Comercial XY Ltda. apresentou as seguintes informações em 31/12/X2


(valores em reais)

DRE em 31/12/20X

Receita de Vendas 156.000


(-) Custos das Vendas (82.000)
LUCRO BRUTO 74.000
Despesas Operacionais
(-) Despesas de Vendas (11.000)
(-) Despesas Gerais e Administrativas (40.000)
Outras Receitas 12.000
Outras Despesas (5.000)
TOTAL DAS DESPESAS (44.000)

Lucro antes das Despesas e Receitas Financeiras 30.000

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(+) Receitas Financeiras 19.000
(-) Despesas Financeiras (4.000)
Lucro antes do IR e da CSSL (LAIR) 45.000
(-) IR e CSSL (10.800)
LUCRO LÍQUIDO 34.200

Dados do Balanço Patrimonial da Empresa Comercial XY Ltda. Em 31/12/X2

Ativo Circulante 35.000


Ativo Realizável a Curto Prazo 16.000
Ativo Investimentos 12.000
Ativo Imobilizado 26.000
Ativo Intangível 7.000
Passivo Circulante 57.000
Passivo não Circulante 15.000
Patrimônio Líquido 24.000

Giro do Ativo (GA) = 156.000 = 1,63


96.000

Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo total da empresa, esta obteve uma
receita de vendas de R$ 1,63.

O índice de GA é reconhecido como um índice de eficiência – Indica quanto a empresa


vendeu para cada $1,00 de investimento total. O ideal é que esse índice seja superior a 1
(um), o que demonstraria que o sucesso de uma empresa depende em 1° lugar de um volume
de vendas adequado e, o volume de vendas tem relação direta com o montante de
investimento.

O volume de vendas ideal para cada empresa é aquele que lhe proporciona lucratividade
suficiente para cobrir todos os gastos e oferecer boa margem de lucro. O desempenho
comercial de uma empresa pode variar de um exercício para outro dependendo de alguns
fatores, externos ou internos, tais como:

 Retração de mercado como um todo - o mercado passou a comprar menos


produtos, diminuindo as vendas de todas as empresas do ramo;
 Perda de participação de mercado – perda de mercado para seus concorrentes que
têm preços mais competitivos ou melhores produtos;
 Estratégia da empresa – a empresa aumenta os preços, diminuindo o volume, mas
com margem maior, compensando assim, as quedas das vendas. A vantagem dessa
medida, quando bem-sucedida, é manter ou aumentar o lucro, com muito menor
volume e, portanto, menor risco.

 GIRO DO ATIVO OPERACIONAL – GAOP

GAOP = Receita de Vendas


Ativo Operacional

Indica: quanto a empresa vendeu para cada $1 de ativo operacional.


Interpretação: quanto maior, melhor.

60
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Obs.: Ativo Operacional = Ativo Circulante + Ativo Imobilizado + Ativo Intangível

Giro do Ativo Operacional = Receita de Vendas = 156.000 = 2,29


Ativo Operacional 35.000+ 26.000 + 7.000

Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo operacional da empresa, esta obteve
uma receita de vendas de R$ 2,29.

 MARGEM BRUTA – MB

MB = Lucro Bruto x 100


Receita de Vendas

Também chamado de Lucratividade Bruta, esse índice:


Indica: a margem de lucro de uma empresa nas vendas de seus produtos. Esse índice indica
a capacidade da empresa transformar receitas de vendas em lucro bruto.
Interpretação: Quanto maior, melhor

Esse coeficiente mostra as relações entre Lucro Bruto x Vendas Líquidas. O inverso deste
coeficiente sinaliza o CMV e/ou CPV em relação às vendas liquidas. Uma margem bruta
maior indica um baixo custo de vendas. Testa a eficiência da empresa em usar suas despesas
para produzir e distribuir seus produtos, mercadorias ou serviços.

MB = 74.000 x 100 = 47,44%


156.000

Interpretação: Nas operações com as vendas de mercadorias a empresa alcançou uma


lucratividade bruta de 47,44%, ou seja, o lucro bruto das vendas corresponde a 47,44%.

Para obter lucratividade, uma empresa comercial deve primeiro controlar sua seus custos
e distribuir despesas em relação aos seus níveis de vendas. Muitos custos e despesas são
variáveis e aumentam ou diminuem conforme o volume de vendas. Nem sempre um volume
alto de vendas é sinônimo de lucratividade garantida e vice-versa.

 MARGEM OPERACIONAL – MOP

MOP = Lucro Operacional x 100


Receitas Líquidas

Também chamado de Lucratividade Operacional, esse índice:


Indica: a capacidade de a empresa transformar receitas de vendas em lucro operacional.
Interpretação: Quanto maior, melhor

Obs.: Lucro Operacional (LOP) coincide com Lucro antes do I.R. e CSSL.

MOP = 45.000 x 100 = 28,85%


156.000

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Interpretação: 28,85%, da receita de vendas se transformaram em lucro operacional.

 Margem Líquida – ML

ML = Lucro Líquido___ x 100


Receitas Líquidas

Também chamado de Lucratividade Líquida, esse índice


Indica: a margem de lucro líquido de uma empresa nas vendas de seus produtos e ou
mercadoras. Ou seja, a capacidade de a empresa transformar receitas de vendas em lucro
líquido. Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos.
Interpretação: Quanto maior, melhor

ML = 34.200 x 100 = 21,92%


156.000

Interpretação: 21,92%, da receita de vendas se transformaram em lucro líquido.

 A margem de lucro líquido mostra a percentagem do resultado líquido produzido


pelas vendas líquidas;
 O coeficiente de margem líquida mede a eficiência total da empresa em dispender
numerário (despesas) para fazer dinheiro (vendas), mostra o desempenho da empresa
em controlar custos em relação aos níveis de vendas;
 Baixas margens líquidas podem ser causadas por vários fatores operacionais, como,
excessiva despesa de vendas, custos de carregamento de estoques, custos
eventualmente altos relativamente ao preço competitivo, despesas de marketing
podem estar fora de medida relativamente ao volume de vendas que estão sendo
gerados. Publicidade, demonstrações e outros custos promocionais podem não gerar
vendas suficientes;
 Muitos negócios têm dificuldade de controlar seus custos gerais e administrativos. A
maioria desses custos é fixa por natureza, portanto um declínio de vendas resulta em
cobertura inadequada destas despesas fixas.

Esse quociente revela a margem de lucratividade obtida pela empresa em função de


seu faturamento. O confronto desse quociente com índice de Giro do Ativo evidencia que:

 Quando o Giro do Ativo (GA) for superior a 1 (um), a situação é aparentemente


favorável, mas se o quociente Margem Líquida for inferior a 1 (um), indica que a
situação favorável do Giro do Ativo não é suficiente para cobrir custos necessários à
sua obtenção.

 Quando o Giro do Ativo for inferior a 1 (um), aparentemente é uma situação


desfavorável, o que poderá não corresponder a realidade se o quociente Margem
Líquida for superior a 1 (um), revelando que, embora as vendas tenham sido baixas
em relação ao Capital investido, foram suficientes para cobrir custos necessários à
sua obtenção.

Nem sempre um volume alto de vendas é sinônimo de Lucratividade garantida e


vice-versa. A empresa poderá, estrategicamente, reduzir seu volume de vendas para obter
maior lucratividade, quando essa redução de vendas também implicar redução de gastos.
Expressar a lucratividade em termos absolutos tem uma utilidade informativa
bastante reduzida. De maneira geral, devemos relacionar um lucro de um empreendimento
com algum valor que expresse a dimensão relativa do mesmo, para analisar a performance

62
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
da empresa no período. O melhor conceito de dimensão poderá ser o volume de vendas, ou
valor do ativo total, ou valor do patrimônio líquido, ou ainda o valor do ativo operacional,
dependendo da aplicação de for feita.

2- Rentabilidade – Os índices de rentabilidade revelam o retorno obtido pela empresa sobre


o capital investido. Ou seja, mostram o lucro auferido pela empresa na utilização de seus
ativos. As empresas investem em ativos (estoques, contas a receber, imobilização etc.) na
busca da obtenção de lucros. Demonstram o êxito obtido pelo capital investido. Estes
coeficientes podem ser usados para estimar a habilidade de uma empresa em gerenciar
seus investimentos e expandir suas atividades.

O objetivo desses indicadores é medir a capacidade econômica da empresa, ou o êxito


obtido pelo capital investido. Todas as empresas, no sistema capitalista, visam a obtenção de
lucros para expansão das atividades. De nada adianta uma operação segura e líquida, se não
for rentável.

O Lucro a ser utilizado no cálculo para medir o desempenho da empresa pode ser o lucro
líquido; ou o lucro operacional; ou o lucro operacional antes de deduzir as despesas
financeiras e até mesmo o Ebtida em relação ao capital investido, podendo-se considerar o
total do ativo ou o ativo operacional.
O Ebtida do inglês (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortizing),
Seu cálculo se expressa em sua própria denominação, cuja tradução é “Lucro antes
dos juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) ”, é uma métrica muito
utilizada pelos analistas de mercado e investidores para avaliar o desempenho de um
negócio, sendo destacada pelas empresas quando da publicação do relatório anual.

O Ebtida ganhou status de indicador de geração de caixa de uma empresa. Trata-se de


uma ferramenta analítica que mostra a capacidade de geração de caixa operacional da
empresa, ou seja, o quanto ela gera de recursos apenas com sua atividade fim (core
business), considerando que o Ebtida elimina o impacto das despesas de depreciação e da
amortização, que não implica saída de caixa, mas diminui o lucro da empresa. Além disso,
elimina o efeito do resultado financeiro e tributário sobre o lucro da empresa, bem como o
impacto das transações não ligadas à atividade fim da empresa, como o resultado de
equivalência patrimonial, amortização de ágio, etc.

O Ebtida é utilizado essencialmente para analisar o desempenho das organizações, pois


ele é capaz de medir a produtividade e a eficiência da empresa, um ponto que é essencial
para o empresário que pretende investir. O termo é bastante utilizado por analistas
financeiros em análise de balanço de contabilidade de empresas de capital aberto. Assim,
formula de cálculo do Ebtida é a seguinte:

Lucro Operacional
(+) Despesas financeiras líquidas
(+) Despesas de depreciação e amortização
(+)/(-) Resultado de equivalência patrimonial
= Ebtida

 MARGEM EBTIDA – ME

ME = Ebtida x 100
Receita de Vendas
Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago
Considerado como a capacidade de geração de caixa operacional e utilizado essencialmente
para analisar o desempenho das organizações, medindo a eficiência da empresa. Esse índice,
Indica: a eficiência da empresa em gerar recursos apenas com sua atividade fim.
Interpretação: Quanto maior, melhor
Dessa forma, verifica-se a possibilidade de diversas combinações a fim de medir o
desempenho de uma empresa, sendo que a empresa é quem decide em utilizar aquela que
atenda melhor a revelar a rentabilidade do negócio.

EBTIDA = Lucro Operacional + Despesas financeiras líquidas + Despesas de Depreciação e


amortização (+/-) Resultado de Equivalência Patrimonial.

Obs.: No caso em estudo não se destacam Despesas de Depreciação e amortização e


Resultado de Equivalência Patrimonial.

Aplicado ao exemplo: EBTIDA= 45.000 + 4.000 = 49.000

ME = 49.000 x 100 = 31,41%


156.000

Interpretação: 31,41%, da receita de vendas se transformaram em geração de lucro somente


com suas atividades.

 RETORNO (OU RENTABILIDADE OU LUCRATIVIDADE) DO ATIVO (RA)

Também chamado de “Rentabilidade (ou Lucratividade) sobre o Investimento Total”,


esse índice indica quanto a empresa obteve de Lucro Líquido para cada R$ 100 de
investimento total. É uma medida do potencial de geração de lucro da parte da empresa.

RA = _ Lucro Líquido x 100


Ativo Total Médio

Indica: Quanto a empresa obteve de lucro para cada $100 aplicados no Ativo investido.
Interpretação: quanto maior, melhor.

Obs.: Quando da análise comparativa de dois ou mais exercícios sociais é aconselhável


medir o Ativo Médio entre os exercícios. Assim:

Ativo Total Médio = ( Ativo Inicial + Ativo Final)


2

No exemplo da Comercial XY Ltda., representado por um único exercício foi utilizado o


valor do ativo total do exercício informado e apurado a seguinte rentabilidade do ativo:

64
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
RA = 34.200 x 100 = 36%
96.000
Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento total do ativo, a empresa obtém R$ 0,36
de lucro líquido. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 36%, sobre
seu investimento total no ativo.

 PAY-BACK (PB)

Corresponde ao do retorno integral do investimento total do ativo. A esse período


denominado de pay-back pode estabelecer a seguinte relação:

PB = 100 / Retorno do Ativo (RA)

No caso já comentado, o retorno do investimento total, calculado no tópico anterior,


alcançou 36%, ou seja, em um ano, o lucro líquido deu um retorno percentual sobre tudo que
foi aplicado no ativo.

Interpretação: Foi possível calcular que o retorno do investimento se dará em 2,78 anos = 2
anos e 9 meses.

PB = 100 / 36 = 2,78 anos

 RETORNO (OU RENTABILIDADE) OPERACIONAL DO ATIVO (ROA)

O Retorno Operacional do Ativo (do inglês Return on assets - ROA) estabelece a


eficiência dada pela administração ao dinheiro utilizado nas operações da empresa. A gestão
de uma empresa é considerada eficaz quando o gerenciamento de seus ativos gera um
retorno adequado a seus investimentos. Esse índice é calculado pela seguinte formula:

ROA = Margem Operacional x Giro do Ativo

Calculado sobre o exemplo anterior da Comercial XY Ltda., obteve-se:

ROA = 29% x 1,63 = 0,47 (ou 47%)

Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo total, a empresa obtém um lucro
operacional de 0,47. De outro modo, o lucro operacional deu um retorno de 47% sobre o
investimento total no ativo.

Obs.: Lembrando que Margem Operacional = Lucro Operacional (LOP) / Receita de


Vendas (V) e Giro do Ativo = Receita de Vendas (V) / Ativo (A), assim:

ROA = LOP x V = LOP


V A A

Aplicando-se a formula acima se encontra o seguinte ROA:

ROA = 45.000 = 0,47

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96.000

Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo operacional, a empresa obtém um lucro
operacional de 0,47. De outro modo, o lucro operacional deu um retorno de 66% sobre o
investimento total no ativo.

Os índices ROI e ROA revestem-se de grande importância na medida em que avaliam a


atratividade econômica do negócio e permitem comparar empresas de qualquer tamanho.

A gestão de uma empresa é considerada eficaz quando o gerenciamento de seus ativos


gera um retorno adequado a seus investimentos. Ou seja, o tamanho do ativo per si não
diz nada. O que importa é o retorno auferido pela utilização do ativo, isto é, a
maximização do uso desse ativo em prol da geração de lucro.

 RETORNO (OU RENTABILIDADE) DO ATIVO OPERACIONAL (RAOP)

Esse índice indica quanto a empresa obtém de lucro operacional para cada R$ 100,00 de
investimento no seu ativo operacional. Seu cálculo pode ser feito mediante o uso da seguinte
relação:

ROAP = Margem Operacional x Giro do Ativo Operacional

Obs.: Lembrando que Margem Operacional = Lucro Operacional (LOP) / Receita de Vendas
(V) e Giro do Ativo Operacional = Receita de Vendas (V) / Ativo Operacional (AOP),
assim:

ROAP = LOP x V = LOP


V AOP AOP

Aplicando-se a formula acima encontra-se o seguinte ROAP:

ROAP = 45.000 = 0,47


68.000
Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo operacional, a empresa obtém um lucro
operacional de 0,66. De outro modo, o lucro operacional deu um retorno de 66% sobre o
investimento operacional no ativo.

 RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – RPL

RPL = Lucro Líquido x 100


Patrimônio Líquido Médio

Indica: Quanto a empresa obteve de lucro para cada $100 de Capital Próprio médio
investido.
Interpretação: quanto maior, melhor.

O papel do Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido é mostrar qual a taxa de


rendimento do Capital Próprio. Essa taxa pode ser comparada com a de outros rendimentos

66
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
alternativos no mercado, como Caderneta de Poupança, CDBs, Letras de Câmbio, alugueis,
Fundos de Investimentos, etc. Com isso, pode ser avaliado se a empresa oferece
rentabilidade superior ou inferior a essas opções.

Quanto maior esse quociente, maior o grau de rentabilidade apurado pela empresa em
relação ao Capital Próprio investido.

Obs.: Quando da análise comparativa de dois ou mais exercícios sociais é aconselhável


medir o Patrimônio Líquido Médio entre os exercícios. Assim:

Patrimônio Líquido Médio = ( Patrimônio Líquido Inicial + Patrimônio Líquido Final)


2

No exemplo da Comercial XY Ltda., representado por um único exercício social foi utilizado
o valor do ativo total do exercício informado e apurado a seguinte rentabilidade do ativo:

RPL = 34.200 x 100 = 142,5%


24.000
Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento total do ativo, a empresa obtém R$ 1,42
de lucro líquido. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 142,5%,
sobre seu Patrimônio Líquido.

9. A IDENTIDADE DO SISTEMA DUPONT – Margem Versus Giro

O modelo “Margem versus Giro” da análise da rentabilidade é uma evolução do


conhecido Sistema DuPont e utilizada pela maioria das empresas no cálculo da rentabilidade
e na medida do retorno sobre o investimento. O sistema leva o nome “DuPont” pelo fato de
ter sido desenvolvido na década de 30 pela empresa DuPont. As vantagens oferecidas pelo
sistema repousam em sua simplicidade e abrangência.

A rentabilidade de todo e qualquer tipo de negócio, pequeno, médio ou grande, pode ser
expressa pela multiplicação de dois elementos: margem e giro. A margem mostra quanto o
negócio é lucrativo, e o giro, quanto a administração é eficiente em utilizar os ativos
existentes transformando-os em vendas. Isto é, não basta que o que o produto ou serviço seja
lucrativo é imperativo vender, vender e vender.

Partindo do princípio de que muitas empresas empregam sistemas de índices e padrões


dos quais decorre, em seus componentes, uma série de decisões que afetam o desempenho
operacional, os lucros globais e as expectativas dos acionistas, a DuPont publicou, há quase
um século, um gráfico que mostra os efeitos e as inter-relações das decisões, usando dois
parâmetros chave: Retorno Sobre Ativo (RSA) - (ROA - Return on Total Assets) e
Retorno sobre Patrimônio Líquido (RsPL) – (ROE - Return on Common Equity).

O ROA e o ROE são medidas de rentabilidade que refletem a utilização de financiamento

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


com capital de terceiros, ou alavancagem financeira.

Considerando que o índice de lucro líquido para com os ativos totais mede o retorno
sobre os ativos totais pós-juros e impostos, o cálculo do ROA, utilizando-se saldos finais, é
dado pela Equação 1.

LL
ROA  Equação 1
Ativo total
onde: LL = lucro líquido

O sistema adotado pela DuPont obtém o ROA a partir do produto da margem líquida
pelo giro do ativo total.

ROA = margem líquida x giro do ativo total Equação 2

O resultado será o mesmo, pois a margem líquida é obtida conforme descrito na


análise da rentabilidade:
LL
ML =
V
e o giro do ativo total, descrito em análise de atividade:

V
GA =
Ativo total

Relacionando-se as duas:

LL V
ROA  x .
V Ativo total

Já o índice ROE, que mede o retorno do lucro líquido em relação ao patrimônio líquido
da empresa, que representa também a taxa de retorno sobre o investimento dos acionistas,
pode ser obtido pela Equação 3.

LL
ROE  Equação 3
PL
onde: LL = Lucro líquido
PL = Patrimônio líquido

O cálculo do ROE, dado pela Equação 3 e no sistema DuPont, é obtido pelo produto do
ROA pelo multiplicador de alavancagem financeira (MAF), conforme Equação 1

ROE = ROA x MAF Equação 4

A vantagem do Sistema DuPont é dividir o ROE em três componentes:

68
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Margem líquida = lucro / vendas;
 Giro ativo total = eficiência do uso dos ativos;
 Multiplicador de alavancagem financeira (MAF) = Total de ativos / PL.

O Sistema DuPont de determinação do ROA e ROE, demonstrado na Figura 1, tem por


finalidade mostrar como a margem de lucros sobre as vendas, o índice de rotação dos ativos
e o uso de capital de terceiros interagem para determinar a taxa de retorno sobre o
patrimônio líquido da empresa.

Figura 1 - O Sistema de DuPont de Determinação do ROA e ROE

Vendas
Demonstração

Menos

Custos dos Lucro líquido de


produtos após o imposto de
vendidos renda
Menos

Dividido por
Despesas Margem líquida
de Resultados

Vendas
operacionais

Menos

Taxa de
Balanço Patrimonial

Despesas Multiplicado por retorno sobre o


com juros ativo total
(ROA)
Menos

Imposto de
renda

Ativo circulante
Vendas Giro do Ativo
Mais Total

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Dividido por Taxa de
retorno
Multiplicado por sobre o
Total de ativos
Ativo patrimônio
permanente líquido
líquido

Total de passivos (ROE)


Passivo e patrimônio
líquido = Total
circulante Exigível total
de ativos
Mais
Mais

Dividido por
Exigível a longo
Patrimônio líquido Multiplicador
prazo
de
alavancagem
financeira

(MAF)
Patrimônio
líquido

Fonte: Gitman (2001)

Kassai et al (1999) apresentam um modelo DuPont ajustado, conforme demonstrado na


Figura 2, mostrando que, para se deter lucro, a empresa necessita administrar sua atividade
de maneira que tenha perfeitamente equilibradas as variáveis Giro e Margem, que são
grandeza inversamente proporcionais, e, também, a Alavancagem Financeira.

Figura 2 - Modelo “DuPont” Ajustado

LUCRO

VENDAS

VENDAS

ATIVO

ATIVO

70
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

MARGEM
LIQUIDA

GIRO DO
ROE ATIVO TOTAL

ALAVANCAGEM
FINANCEIRA
PATRIMÔNIO
LÍQUIDO

Fonte: Kassai et al (1999)

Embora a tendência das empresas mundiais seja utilizar mais capital de terceiros do que
recursos próprios, no Brasil, devido às altas taxas de juros, essa tendência é vista como
arriscada e, na visão de inúmeros administradores experientes, trabalhar com endividamento
baixo e elevados índices de liquidez corrente ainda representa excelente política de
financiamento do capital da empresa.

É importante ressaltar que as empresas podem apresentar o mesmo índice de


rentabilidade medido pelo ROA ou ROE, porem com margens e giros bem diferentes. Isso
ocorre

a) Retorno sobre o Capital (RSC) – medida pelo retorno do capital tangível; e

b) Retorno sobre Ativos (RSA) – medido pela fórmula Dupont.

RSA – Este coeficiente mede o Retorno Sobre o Ativo pela avaliação do balanço patrimonial
referente aos ativos. Com esta medida o analista pode identificar quão eficazmente a
empresa está empregando seus ativos para gerar lucros.

RSA = Giro do Ativo x Margem Líquida


↓ ↓

RSA = Vendas Líquidas x RL após IR x 100


Ativo Total Vendas Líquidas

onde: RL = Resultado líquido

O RSA apresenta duas informações sobre a empresa:

1- O Giro dos Ativos para vendas – indica quantas vezes os ativos foram convertidos em
vendas em cada exercício

2- Lucro nas vendas - A combinação desses dois coeficientes, resulta o RSA. Se o nível do
RSA é muito baixo, significa que não está compensando para os proprietários em seu
negócio o risco de investimento de seu capital em ativos. O RSA mede quão eficientemente
a empresa usa seus recursos (ativos totais) para produzir resultados líquidos.

9.1 Rentabilidade do PL (RPL) - Taxa de Retorno sobra PL - ou Rentabilidade


Patrimonial.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Existem diversos critérios para se calcular a Rentabilidade do PL (RPL), com suas
vantagens e desvantagens. O analista deve arbitrar sobre o método a ser utilizado, o
importante é que seja consistente, ou seja, utilizar sempre o mesmo método.

1º Modo
RPL = Resultado Líquido x 100
P.L. Médio

Obs.: Para o cálculo do PL médio: PL Inicial + PL Final


2

2º Modo RPL = Resultado Líquido x 100


PL - RL

3º Modo
RPL = Resultado Líquido x 100
PL Médio do Exercício Anterior

RPL = Resultado Líquido x 100


4º Modo
P.L. Final

Esse coeficiente serve para estimar a efetividade do gerenciamento dos recursos em


relação às suas decisões financeiras e operacionais, indicando qual o percentual de ganho dos
acionistas sobre o capital investido.

A RPL indica a remuneração do investimento dos sócios acionistas e, portanto, mede a


taxa de retorno nos investimentos dos proprietários.

A RPL poderá ser comparada a outras taxas de rendimentos alternativos do mercado,


como, Caderneta de Poupança, RDB. CDB, Aluguéis, Fundos de Renda Fixa, etc. Com essa
comparação pode-se avaliar se a empresa oferece rentabilidade inferior ou superior essas
opções.

9.2 Taxa de Retorno

A Taxa de Retorno pode decompor-se em dois elementos que contribuirão sensivelmente


para o estudo: Margem de Lucro Líquido e Giro do Ativo

a) Margem de Lucro Líquido – Significa quantos centavos de cada real de venda


restaram após a dedução de todas as despesas (inclusive Imposto de Renda).
Evidente que, quanto maior a margem melhor.

72
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Margem de Lucro = Lucro Líquido


Vendas

Esses indicadores de Lucro sobre Vendas são conhecidos como lucratividade, ou seja,
apuram quantos centavos se ganha por real vendido.

b) Giro do Ativo – Significa a eficiência com que a empresa utiliza seus Ativos, com o
objetivo de gerar vendas reais. Quanto mais for gerado de vendas, mais eficiência na
utilização dos Ativos.

Giro do Ativo = Vendas .


. Ativo Total

Esse indicador é conhecido também como indicador de “produtividade”. Quanto mais o


Ativo gerar vendas reais, maior a eficiência na gerência e na administração do investimento
(Ativo). A ideia de é a produzir mais, vender mais, em proporção maior que os
investimentos no Ativo.

Desse modo, na combinação da Margem com Giro do Ativo encontra-se a Taxa de


Retorno sobre Investimentos.

Existem empresas que ganham mais na margem, o que pode indicar que, normalmente
ganham no preço. Já as empresas que ganham no giro visam quantidade.

A rentabilidade de uma empresa é obtida por meio de uma boa conjugação entre Preço e
Quantidade, ou seja, Margem (Lucratividade) e Giro (Produtividade).

Então:

Margem de Lucro = Lucro Líquido


Vendas
Lucro Líquido = TRI
Ativo Total
Giro do Ativo = Vendas
Ativo Total

Assim: MARGEM DE LUCRO X GIRO DO ATIVO = TRI

9.2.1 Análise da Margem x Giro

As empresas podem ter a mesma Taxa de Retorno sobre Investimentos quando


apresentam Margem e Giro totalmente diferentes:

Margem x Giro
Empresa A → TRI → 15% 0,15 x 1,0
Empresa B → TRI → 15% 0,75 x 2,0
Empresa A → TRI → 15% 0,20 x 0,75

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Assim, conforme a característica de cada empresa, o ganho poderá ocorrer numa
concentração maior sobre o giro ou sobre a margem.

Empresas que necessitam de grandes investimentos terão dificuldades em vender o


correspondente a uma vez seu Ativo durante o ano ou, ainda, necessitam de vários anos para
vender o correspondente a uma vez apenas o valor do investimento.

Empresas que dependem de grandes investimentos ganharão na margem para obter uma
boa Taxa Retorno sobre Investimento. São os casos das usinas hidrelétricas, do metrô, das
companhias telefônicas, isto é, empresas de grandes estruturas, bem como empresas que
comercializam ouro, seguradoras, butiques, hotéis de luxo, algumas companhias aéreas etc.

Como exemplos de empresas que ganham no giro encontram-se os Supermercados,


atacadistas, jornais, fast-food, etc,.

Certas empresas, dado suas características, como volume de investimento elevado,


precisam ganhar na Margem. Entretanto, existem aquelas que poderiam, no sentido de
contribuir para reativar a economia, ganhar menos na Margem, forçando o Giro maior e,
consequentemente, em volume maior de bens e serviços, propiciando mais empregos, mais
salários, enfim, estimulando a espiral produtiva.

10. COMO AVALIAR OS ÍNDICES

Existem três tipos básicos de avaliação de índices:

a) Pelo significado intrínseco;


b) Pela comparação ao longo de vários exercícios;
c) Pela comparação com índices de outras empresas – Índices-padrão.

a) Avaliação Intrínseca de um Índice - É possível, de maneira simplista, avaliar índices


pelo significado intrínseco.

No que diz respeito à situação financeira, pode-se tentar qualificar a situação financeira
de uma empresa com base no índice de Liquidez Corrente.

Assim, se uma empresa apresentar um índice LC de 1,5 pode ser reconhecida como uma
empresa líquida, isto é, para cada real de dívida há curto prazo há R$ 1,50 de investimento a
curto prazo indica, portanto, uma folga de 50%.

A folga de 50% pode ser considerada suficiente como margem de segurança à empresa,
essa conclusão é feita por intuição ou por conhecimento de outras empresas que operam bem
com esse nível de Liquidez Corrente.

Da mesma maneira pode ser considerado elevado o índice de Participação de Capital de


Terceiros, por exemplo, quando for de 200%. Conclui-se que para cada R$ 100 de capital
próprio existe R$ 200 de terceiros e que, portanto, terceiros estão investindo na empresa o
dobro dos acionistas.

Nesse caso é preciso considerar a opinião da comunidade financeira. Se os banqueiros,


gerentes de bancos ou outras pessoas que decidem créditos considerarem normal esta
participação, a empresa continuará desfrutando de créditos bancários e outros créditos. Se,
porém, esse nível for considerado excessivo, então a empresa poderá ter sérias dificuldades
financeiras.

74
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
No caso de índices de rentabilidade, pode-se julgar bom ou ruim, dependendo da
expectativa dos empresários. De qualquer maneira, a análise do valor intrínseco de um índice
é limitada e só deve ser usada quando não se dispõe de índices-padrão proporcionados pela
análise de conjunto de empresas.

b) Comparação dos Índices no Tempo

A comparação dos índices de uma empresa com os valores observados nos anos
anteriores revela-se bastante útil por mostrar tendências seguidas pela empresa. As
informações obtidas por meio dos índices de vários exercícios permitem ao analista formar
opinião a respeito das diversas políticas adotadas pela empresa, bem como tendências que
estão sendo registradas. É fundamental em qualquer avaliação que os índices sejam avaliados
conjuntamente.

c) Comparação com Padrões

A avaliação de um índice e a sua conceituação como ótimo, satisfatório, razoável ou


deficiente só pode ser feita através da comparação com padrões. Não existe o bom ou o
deficiente em sentido absoluto. O bom só é bom em relação a outros elementos. Assim, é
preciso definir um conjunto e, em seguida, comparar um elemento com os demais do
conjunto para atribuir-lhe determinada qualificação. O uso de índices-padrão é vital na
Análise de Demonstrações Contábeis. Não se pode conceber uma boa análise sem a
comparação dos índices da empresa analisada com os índices de outras empresas do mesmo
ramo de atividade.

10.1 Tipos de Comparação de Índices

 Análise Cross-Sectional
Comparação de índices financeiros de empresas diferentes no mesmo ponto no
tempo envolvendo comparação dos índices das empresas com aquelas de outras
empresas no seu setor, ou com médias setoriais.

 Benchmarking
Os índices são comparados com aqueles de um competidor-chave, ou grupo de
competidores, principalmente para identificar áreas com espaço para desenvolver o
desempenho.

 Análise de séries temporais


Avaliação do desempenho da empresa ao longo do tempo, usando análise de índices
financeiros.

 Análise combinada
Combina a análise cross-sectonial e séries temporais, permitindo a avaliação de uma
tendência para o setor.

10.2 Análise na sua Globalidade

 Comparação de Quocientes

Já é conhecida a importância das comparações de quocientes, mas para se obter uma


análise detalhada e confiável, os dados analisados devem ser comprados também com outras
informações, tais como:

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 Série histórica da mesma empresa: obtida através da análise vertical/horizontal das
demonstrações contábeis de vários exercícios.
 Padrões previamente estabelecidos pela gerência da empresa, projeções de
crescimento, metas a serem alcançadas.
 Quocientes análogos de empresas pertencentes ao mesmo ramo de atividade,
quocientes padrão do setor: necessidade de saber a posição da empresa analisada no
conjunto.

 Interpretação conjunta de Quocientes

Para interpretação conjunta de quocientes deve-se utilizar de equilíbrio e ponderação,


cada empresa é uma individualidade e como tal deve ser analisada, utilizando-se das
seguintes providencias:

a) Conhecer intimamente a empresa a analisar, o produto que transaciona, a função de


produção, operações típicas de financiamentos, características operacionais, os
estoques. Se análise for feita por analista externo, ele deve se inteirar pelo menos do
essencial.

b) Colecionar todos os índices e fazer a análise:

 Individual – análise de cada quociente comparado com o padrão do setor;


 Por grupos – análise isolada do endividamento, da liquidez, da rentabilidade e a
atividade, compare com os quocientes padrão do setor, anotar algumas conclusões
preliminares para cada grupo;
 Comparar com as metas da empresa;
 Anotar as observações e conclusões;
 Elaborar relatório em linguagem inteligível para leigos, com informações sobre a
situação econômico-financeira do período analisado e suas tendências.

10.3 Processo de Avaliação de Índices Financeiros

O processo de avaliação é feito de várias formas: Avaliação Individual de cada Índice;


Avaliação Conjunta dos Índices e Comparação com Padrões.

Uma vez calculados os índices e comparados com padrões, pode-se fazer primeiro uma
avaliação individual de cada um deles, depois uma avaliação conjunta e, assim, avaliar a
empresa e sua administração. Essa forma de avaliação é uma técnica científica, seguida por
várias ciências não só pela Análise das Demonstrações Contábeis e que, basicamente tem a
seguinte ordem: Cálculo dos Indicadores: Índices Financeiros de Participação de Capitais de
Terceiros, Liquidez, Rotação e Rentabilidade, etc.

1- Definição do Comportamento do Indicador:


 Quanto maior, melhor;
 Quanto menor, melhor;
 Ponto ótimo em torno de um parâmetro.

2- Tabulação de Padrões: é a construção de tabelas baseadas em elementos do mesmo


conjunto – índices de empresa do mesmo ramo – de maneira que permita a
comparação de índices de uma empresa com os das demais empresas.

3- Escolha dos melhores indicadores e atribuição dos respectivos pesos: A escolha


dos onze melhores índices já foi objeto de longos anos de pesquisa.

4- Determinar a Importância Relativa de cada Índice (Peso)

76
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Espera-se que qualquer análise baseada num conjunto de índices seja capaz de distinguir
as empresas saudáveis daquelas com as quais os negócios devam ser evitados.

Muitos pesquisadores têm tentado encontrar os pesos ideais; através de técnicas


matemáticas e estatísticas e, auxiliados por computadores, tomam empresas falidas e testam
quais os pesos que, se tivessem sido usados antes da falência, poderiam ter levado ao
máximo acerto possível as previsões.

Todas essas técnicas, porém, não superam a opinião dos analistas quanto à importância
atribuída a cada índice. A atribuição de pesos, pode ser altamente cientifica, porém não deixa
de ser intuitiva.

10.4 Índices–Padrão

O papel dos índices-padrão é permitir comparar uma empresa com outras semelhantes,
mas, além disso, os índices-padrão representam elementos extraordinariamente úteis para
análises macroeconômicas. A análise de Demonstrações Contábeis só será consistente e
objetiva quando os índices calculados forem comparados com índices-padrão, pois, do
contrário, as conclusões sujeitam-se a opinião do analista.

O analista tira informações das demonstrações financeiras por meio de cálculos dos
indicadores, mas, como avaliar se esses índices são bons? Qual o posicionamento dos
concorrentes? O endividamento é maior ou menor do que o das outras empresas da mesma
atividade? A grande diversidade de índices traz a necessidade de comparar nossos índices
com índices de outras empresas do mesmo ramo de atividade, que servirá de base de
comparação.

Quando se pretende obter Quocientes-Padrão confiáveis, que possam servir de parâmetro


para análise comparativa de situação econômico-financeira das entidades é preciso coletar
dados de um maior número possível de empresas que exerçam a mesma atividade, no mesmo
período e que atuem na mesma região, sob o mesmo regime econômico.

É necessário que o analista tenha muito cuidado para que possa refletir adequadamente o
comportamento médio de determinada empresa. Há casos que a situação econômico-
financeira da empresa não é boa mesmo tendo alcançado o padrão, ou é considerada ótima,
mesmo estando abaixo do padrão.

Estudar os índices-padrão significa estudar os índices de todas as empresas. Supondo-se


uma série histórica de índices-padrão de vários anos, pode-se estudar a evolução de
endividamento das empresas, da rentabilidade, da liquidez ou de qualquer outro índice que se
desejar. É possível comparar entre si vários ramos de atividade, comparar desempenho de
indústria, comércio e serviços.

Devido ao grande número de empresas, de um mesmo ramo de atividade operando no


mercado a dificuldade de comparar os índices alcançados com os índices dessas empresas é
muito grande, daí a necessidade de serem aplicados conhecimentos de Estatísticas, que diz
ser possível extrair algumas medidas de determinado universo (grupo ou conjunto) de
elementos. As medidas mais utilizadas são:

Média Aritmética: é usada, normalmente, para indicar algo que é característico do universo.
Obtida somando-se todos os elementos do conjunto e dividindo-se o resultado pelo número
de elementos.

Ex.: 1,20 + 1,35 + 1,16 + 1,15 + 1,25 + 1,02 + 1,47 + 1,79 + 1,63 + 0,98 = 1,30
10
Média aritmética = 1,30

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Moda: objetiva mostrar aquilo que é mais comum em determinado universo. Colocando-se
os elementos ordem crescente de grandeza, a moda será o elemento que maior número de
vezes ocorre no conjunto.

Ex.: Coleta dos Quocientes de Liquidez Geral de 15 empresas, assim:

1,20; 1,25; 1,27; 1,30; 1,30; 1,30; 1,55; 1,55; 1,55; 1,55; 1,62; 1,62; 1,78; 1,78; 1,78

Neste caso a Moda é 1,55, pois foi alcançada pelo maior número de empresas num universo
de 15 empresas.

Mediana: é o valor tal que, colocados os elementos do conjunto em ordem crescente,


metade fica abaixo de se e metade fica acima de si. O papel da mediana é possibilitar a
comparação de um elemento do universo com os demais, a fim de se conhecer a sua posição
relativa, na ordem de grandeza do universo.

Entretanto, a mediana isoladamente é insuficiente para comparações precisas. Por isso,


faz-se o cálculo também de outras medidas estatísticas, de mesma natureza da mediana,
como quartis, decis ou percentis. O uso de decis é o mais recomendado, pois quando
utilizados, tem-se não uma única medida de posição, mas 9 (nove), de maneira que se pode
dispor de informações que proporcionam ótima ideia da distribuição estatística dos índices
tabulados.

Ex.: Coleta dos Quocientes de Liquidez Geral de 15 empresas em um determinado período


colocados em ordem crescente:

0,86; 0,99; 1,02; 1,18; 1,20; 1,23; 1,30; 1,33; 1,35; 1,40 1,41; 1,63; 1,79; 1,81

Neste caso a Mediana é 1,30, pois é o elemento que se encontra no meio, pela ordem
crescente de grandeza.

Se for adotado, para cálculo do quociente-padrão, a média aritmética, a moda ou a


mediana, trabalha-se com uma só medida. Com o uso da técnica dos decís tem-se 9 (nove)
medidas, melhorando assim, a comparação com o desempenho de uma empresa em relação a
suas concorrentes. Se forem tomados decis, distribui-se o universo em fatias, cada uma com
10% dos elementos do universo, obtém-se assim uma ideia muito próxima de como se
distribuem os elementos em um determinado universo.

Como calcular decis:

Toma-se inicialmente o maior número possível de índices de empresas do ramo, de certa


localidade. Os decis devem ser calculados por tipo de índice.

Toma-se um determinado número de um determinado índice colocando-os em ordem


crescente de grandeza e divide-se em 10 partes, de tal modo que, o 1º decil é o valor que
deixa 10% dos elementos do conjunto abaixo de si e 90% acima. Idêntico procedimento é
utilizado para o cálculo do 2º, 3º, 4º e todos os demais, dessa maneira tem-se 10 decis.

O cálculo é efetuado da seguinte maneira: Toma-se o último elemento do 1º decil e soma-


se ao primeiro elemento do 2º decil e divide-se por 2; teremos então a 1º medida. Semelhante
procedimento é utilizado para o cálculo das demais medidas, assim, dos 10 decis teremos
nove medidas. O 5º decil corresponderá à Mediana, pois conterá a mesma quantidade de
abaixo (1º, 2º, 3º e 4º decis) e acima (6º, 7º, 8º e 9º).

78
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Ex.: Supondo que existam, em uma mesma região, 40 empresas que atuam na mesma
atividade. Para calcular o Quociente Padrão devem-se seguir os seguintes passos:

1º - Selecionar os 12 principais quocientes já estudados para o conhecimento da situação


econômico-financeira da empresa: Estrutura de Capitais (4), Liquidez (4), Rentabilidade (4);

2º - Elaborar 12 mapas, um para cada quociente, colocando-os em ordem crescente de


grandeza;

3º - Calcular os Decis para cada quociente.

Ex.: Coletados 40 Quocientes de Liquidez Geral colocados em ordem crescente, divide-se


em 10 partes, cada parte corresponde a um Decil, 0 5º Decil corresponde a Mediana, pois
conterá a mesma quantidade de decis abaixo (1º, 2º, 3º e 4º) e acima (6º, 7º, 8º e 9º):

0,76 – 079 – 0,82 - 0,91] - [0,97 – 1,02 – 1,05 – 1,11] - [1,16 – 1,18 – 1,10 – 1,24] - [1,29
- 1,33 - 1,35 – 1,38] - [1,39 – 1,41 – 1,45 – 1,49] - [1,50 - 1,54 – 1,55 – 1,60] – [1,63 –
1,67 – 1,70 - 1,71] - [1,72 – 1,76 – 1,79 – 1,80] – [1,82 -1,84 – 1,87 – 1,92] –[1,94 – 1,98 –
2,00 – 2,04

1º Decil: Média aritmética entre o 4º elemento do 1º decil – 0,91 e o 1º quociente do 2º Decil


- 0,97
0,91 + 0,97__ = 0,94
2
1º Parte terá 90% dos quocientes acima de si e 10% abaixo

E assim sucessivamente, calculam-se as médias aritméticas para cada decil


somando-se o último elemento de cada decil ao primeiro elemento do próximo e divide-se
por 2, encontra-se então a mediana de todos os decis calculados. Para aos números acima
foram encontradas as seguintes médias.

Quociente Padrão Correspondentes


aos 9 Decis
Decil Quocientes
1º 0,94
2º 1,135
3º 1,265
4º 1,385
5º 1,495
6º 1,615
7º 1,715
8º 1,81
9º 1,93

A mediana deste conjunto é representada pelo 5º decil que é 1,495, isto é, as empresas do
ramo que obtiveram Quociente de Liquidez Geral igual a 1,495 estarão operando na média
do padrão de suas concorrentes.

Trabalhando com decis reduz-se consideravelmente o número de quocientes, no caso


acima era 40 o número de quocientes alcançados e foi reduzida a apenas 9 medidas.

A avaliação dos índices de uma empresa por meio de Padrões, relativamente às demais
empresas do mesmo ramo e praça pode ser feita através do uso de tabelas de índices-padrão.
Com base nos 9 decis encontrados podem ser avaliados, com precisão, os índices
encontrados na análise da empresa objeto da análise.

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A técnica de índices-padrão não é pela procura do padrão ideal, por isso em vez de um
padrão para cada tipo de índice – Liquidez, Endividamento, Rentabilidade, etc. –
apresentam-se 9 decis. Cada decil é o padrão de comportamento de uma faixa de empresas
do ramo, entende-se então, padrão como base para avaliação e não como exemplo de ideal.

Por meio da comparação com os padrões pode-se verificar em qual faixa de mercado a
empresa se situa. O ideal seria que a empresa estivesse próxima ao índice-padrão mediano,
não estando nem muito acima ou abaixo das demais concorrentes.

10.5 Quocientes Combinados

A análise das demonstrações tem auxiliado os gerentes de crédito na tarefa de decidir se


vale a pena ou não conceder créditos a seus clientes. Tal decisão por ser muitas vezes
recorrentes, se beneficia muito de técnicas quantitativas que auxiliam a construir quadros de
referência e de decisão rápidos.

Edwards Altman desenvolveu e publicou em jornal de finanças dos Estados Unidos no


ano de 1968 uma análise discriminante e a previsão de falências de empresas. Em seu
modelo, Altamn combina certo número de quocientes de liquidez, alavancagem,
rentabilidade e rotatividade a fim de estimar a probabilidade de uma empresa ir à falência. O
modelo tem sido capaz de prever a falência com adequacidade para um período de um ou
dois anos no futuro.

Um dos modelos mais conhecidos de quocientes (índices) combinados foi elaborado no


Brasil por Stephen Charles Kanitz, do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA-US,
o qual em 1974 foi um dos precursores de análise de risco e credito em seu artigo “Como
Prever Falências” na revista Exame em dezembro daquele ano. Construiu o chamado
“Termômetro da Insolvência” ou “Termômetro de Kanitz”, modelo até hoje usado por
analistas para prever falências.

Composto de número reduzido de quocientes, conseguiu montar por meio de tratamento


estatístico de dados de algumas empresas que realmente faliram. Consiste em relacionar
alguns quocientes, atribuindo pesos aos mesmos e somando e subtraindo os valores assim
obtidos. Conforme a soma na zona de “insolvência”, de “penumbra” ou de “solvência”.
Calculado da seguinte forma:

O cálculo do Fator de Insolvência (FI) é feito mediante a seguinte equação:

FATOR DE INSOLVÊNCIA = X1 + X2 + X3 – X4 – X5

Onde:
X1 = Rentabilidade do Capital Próprio x 0,05

X1 = Lucro Líquido x 0,05


Patrimônio Líquido

X2 = Liquidez Geral x 1,65

X2 = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo x 1,65


Exigível Total

X3 = Liquidez Seca x 3,55

X3 = Ativo Circulante - Estoques x 3,55


Passivo Circulante

80
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

X4 = Liquidez Corrente x 1,06

X4 = Ativo Circulante x 1,06


Passivo Circulante

X5 = Endividamento x 0,33

X5 = Exigível Total x 0,33


Patr. Líquido

Se a soma resultar num valor compreendido entre 0 e 7, a empresa estará na faixa


de “solvência”. Se recair entre 0 e –3, estará na zona de “penumbra” e se cair na
faixa de –3 a –7, estará na zona de “insolvência”.

Com relação às limitações do termômetro de Kanitz, deve-se tomar alguns cuidados:


 Esse modelo foi desenvolvido visando exclusivamente empresas comerciais e
industriais, não se aplicando, por exemplo, a empresas prestadoras de serviços,
instituições financeiras, empresas de construção civil.
 Mesmo utilizado adequadamente numa empresa comercial ou industrial, o modelo
não deve ser considerado “definitivo” para análise da empresa, de modo que uma
análise completa é necessária a determinação de diversos indicadores.
 Para se ter mais segurança das conclusões dos resultados obtidos, é recomendável
que se faça o cálculo do Fator de Insolvência de mais de um ano (normalmente nos
três últimos anos).

11. ANÁLISE DE CAPITAL DE GIRO

Considerando-se que o Capital de Giro (CG) corresponde ao conceito de Ativo


Circulante (AC), este pode ser classificado segundo os seguintes critérios:

Quanto à apresentação:
 Capital de Giro Financeiro – composto de Disponibilidades (Caixa, Bancos,
Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata), pelas Aplicações Financeiras de Curto
Prazo (resgatadas até o término do exercício social seguinte) e pelos Empréstimos
Concedidos classificáveis no curto prazo.
 Capital de Giro Operacional - também chamado de Ativo Circulante Operacional,
é a parte do capital de giro decorrente das operações da empresa necessários para a
concretização do seu ciclo operacional, tais como: Estoques (decorrentes da operação
de produção ou compra), Duplicatas a Receber (decorrentes de vendas a prazo)

Quanto à sazonalidade:

 Capital de Giro Permanente – é a parte do capital de giro que tende a se manter


FIXA, dado que seu montante é definido pelo nível mínimo de recursos demandados
pelo ciclo operacional da empresa em suas atividades ordinárias.
 Capital de Giro Sazonal – é a parte VARIÁVEL do capital de giro, a qual surge em
função das variações temporárias nos negócios de uma empresa, tais como maior
volume de vendas em determinadas épocas do ano (natal, carnaval, verão, inverno etc.)
ou maior volume de compras de estoques para revenda em épocas de entressafra

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


11.1 Diferença entre Capital de Giro Líquido e Capital de Giro Próprio

O Capital de Giro Líquido (CGL), também chamado de Capital Circulante Líquido


(CCL), é a diferença entre Ativo Circulante e o Passivo Circulante, ou seja, (CCL = AC –
PC).

Já o Capital de Giro Próprio (CGP) ou Capital Circulante Próprio (CCP), corresponde ao


excesso do Capital Próprio (PL) sobre o Ativo Não Circulante (ANC). Lembrando que:
ANC é igual à seguinte soma:

(Ativo Realizável a Longo Prazo + Investimentos + Imobilizado + Intangível)

CGP = PL – ANC

Em função dos vários tipos de capitais citados, se representado graficamente, o balanço


patrimonial se apresentaria da seguinte forma:

PC
AC CGL = AC – PC PNC
CGP PL
ANC
Fonte: Ferrari (2014)

Observando o gráfico acima, pode-se concluir que o CGP é parte do Capital Próprio (PL)
APLICADO no Ativo Circulante, justificando assim sua denominação de “Giro Próprio”,
visto que Capital de Giro é o mesmo que Ativo Circulante, de modo que CGP também pode
ser visto como a parte do Capital de Giro (AC) financiada pelo Capital Próprio. Além disso,
do gráfico pode-se estabelecer mais duas igualdades:

1- CGL = CGP + PNC


2- CGL = PNC + PL + ANC

11.2 Os ciclos da empresa: A inter-relação entre o ciclo financeiro e o ciclo econômico

De acordo com Fleuriet et al (2003) “O ciclo físico de uma produção compreende três
fases principais: 1) armazenagem de matérias-primas; 2) transformaçao das matérias-
primas em produtos acabados; e 3) armazenagem dos produtos acabados. A natureza
dos estoques difere em cada uma das fases, existindo três de estoques: matérias-primas,
produção em andamento e de produtos acabados”.

Os ciclos econômico e financeiro correspondentes ao ciclo de producão que vem a ser um


processo contínuo, os níveis de estoques de matérias-primas, produção, produtos acabados,
contas a pagar, e contas a receber flutuarão com as vendas, programa de produção e políticas
de administração de estoques, contas a receber e contas a pagar.

Os conceitos acima servem de base para aplicação de uma análise gerencial de balanços,
ou seja, para uma análise mais acurada faz-se necessário considerar as contas do ativo e do
passivo em relação à realidade dinâmica das empresas, desse modo, as contas devem ser
classificadas de acordo com o seu ciclo, ou seja, o tempo que leva para se realizar uma
rotação. Para utilizar o modelo dinâmico de análise financeira do capital de giro é necessário
reclassificar as contas patrimoniais e circulantes e não circulantes, bem como subdividir o
grupo das contas circulantes em operacionais e financeiras (MATARAZZO, 1998),
determinando a necessidade de capital de giro.

82
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

11.3 Necessidade de Capital de Giro

A expressão Necessidade de Capital de Giro justifica-se pelo seguinte entendimento:


Quanto mais rápido as matérias-primas se transformarem em produtos acabados e esses
serem vendidos, menor serão os estoques, menor será o Ativo Circulante Operacional (ou
cíclico) e, consequentemente, Menor será a NCG (lembrando que NCG = ACO – PCO).
Quanto mais rapidamente ocorrerem recebimentos de vendas e quanto mais demorado o
prazo de pagamento de fornecedores, menores serão os CICLOS ECONÔMICOS E
FINANCEIROS da empresa, menor será o seu Ativo Circulante Operacional, maior será o
Passivo Circulante Operacional e, consequentemente, MENOR a NCG, ou seja, não há
necessidade de um grande investimento operacional em giro para que se consolidem os
ciclos econômicos e financeiros da empresa.

Também identificado como Investimento Operacional em Giro (IOG), é a diferença


entre o Ativo Circulante Operacional (ACO) e o Passivo Circulante Operacional (PCO)
– (NCG = ACO – PCO), sem este último composto por todas as dívidas ordinárias da
empresa, as quais, na maioria dos casos, não geram encargos financeiros e não estão
relacionadas à remuneração dos sócios ou de terceiros investidores em títulos da entidade,
tais como impostos a recolher; salários a pagar; fornecedores; encargos sociais a recolher etc.

NCG = ACO – PCO

Para efeitos de análise do capital de giro, o Ativo Circulante (AC) pode ser dividido em
Ativo Circulante Operacional (ACO) e Ativo Circulante Financeiro (ACF), sendo este
formado por disponibilidades e pelas aplicações financeiras resgatáveis até o final do
exercício seguinte, bem como empréstimos concedido por empresas que não sejam
instituições financeiras, sendo tais empréstimos classificados no ativo circulante, tendo em
vista que são semelhantes às aplicações financeiras.

AC = ACO – ACF

Quando se afirmar que AC = ACO + ACF, essa igualdade é sempre válida somente para
efeitos de análise do capital de giro, visto que existem contas no AC que, para fins de
análise, não são consideradas ACO e nem ACF, como por exemplo, contas a receber por
conta de venda de ativo imobilizado, dado que tais créditos não compõem o ACO, pois não
fazem parte do ciclo operacional da empresa e nem compõem o ACF, pois não são
disponibilidades nem aplicações financeiras. Para utilizar o modelo dinâmico de análise
financeira do capital de giro é necessário reclassificar as contas patrimoniais e circulantes e
não circulantes, bem como subdividir o grupo das contas circulantes em operacionais e
financeiras (MATARAZZO, 2010).

Quando, no ciclo financeiro, as saídas de caixa ocorrem antes das entradas de caixa, a
operação da empresa cria uma necessidade de aplicação permanente de fundos, que se
evidencia no balanço por uma diferença positiva entre o valor das contas operacionais do
ativo e das contas operacionais do passivo. O valor da NCG revela o montante necessário
de recursos para manter o giro dos negócios.
Com base no Modelo Fleuriet é possível:
“[...]identificar certas contas que apresentam uma movimentação
lenta, quando analisadas isoladamente ou em relação ao conjunto de
outras contas, que em uma análise de curto prazo, podem ser
consideradas como “permanentes ou não cíclicas” – realizável a

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longo prazo; investimentos; reservas de lucros, etc. Outras contas
estão relacionadas com o ciclo operacional do negócio e apresentam
um movimento “contínuo e cíclico” – estoques, clientes;
fornecedores; etc. Existem, ainda, as contas que não estão
diretamente relacionadas com a operação apresentando movimento
“descontinuo e errático” – disponível; títulos negociáveis; duplicatas
descontadas, etc. (Fleuriet, 2003)
Essa classificação proporciona ao analista a identificação de todas as contas relacionadas
ao ciclo produtivo da empresa e sustentaria uma nova leitura das demonstrações com relação
à alavancagem financeira e a utilização de capital de terceiros para melhoria do ROA
(Retorno sobre o Ativo), isto é, o produto da Margem Líquida pelo Giro do Ativo –
(ML X GA).
Para melhor entendimento são utilizados nesses exemplos os conceitos de: Financeiro e
Operacional como forma de identificar as contas que estão diretamente ligadas aos ciclos
operacionais.
Desse modo, o Balanço Patrimonial se apresentaria da seguinte maneira:
Resumo do Balanço:
ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE CIRCULANTE
FINANCEIRO FINANCEIRO
Disponibilidades Duplicatas Descontadas
Bancos conta Movimento Empréstimos Obtidos
Aplicações Financeiras Financiamentos
Empréstimos Concedidos Debentures
Dividendos a Pagar
OPERACIONAIS OPERACIONAIS
Duplicatas a Receber Fornecedores
Estoques Salários a Pagar
ICMS a Recuperar Impostos a Recolher
Contas a Pagar
ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Empréstimos à Terceiros Empréstimos
Títulos a Receber Financiamentos
ATIVO PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Investimentos Capital Social
Imobilizado Reservas
Intangível

11.4 Reclassificação do Ativo Circulante

Analisando a estrutura de Ativo e Passivo Circulantes de uma indústria constam no


Quadro 1 os dados do Balanço Consolidado da Cia. Suzano de Papel e Celulose.

Quadro 1 – Balanço Consolidado Ativo e Passivo Circulantes (R$ mil)


CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE –
Ativo Circulante 31.12.X1 31.12.X0 Passivo Circulante 31.12.X1 31.12.X0

84
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Disponibilidade 173.188 60.827 Fornecedores 91.184 96.106
Aplic. Financeiras 1.168.874 851.391 Empréstimos 1254.449 997.823
Clientes 408.822 275.231 Impostos a Vencer 13.895 9.618
Estoques 289.133 231.080 Sal e Encargos 42.428 42.597
Outras Ctas. Rec. 559.352 40.831 Contas a Pagar 79.536 31.904
Imp. Recuperar 27.601 34.294 Empr.Relacionados 640.527 326
Imp. Diferidos 138.123 53.450 Dividendos a Pagar 70.228 50.320
Desp. Antecipadas 9.037 7.296 I.R. e Cont. Social 1.926 36.154
2.765.093 1.554.400 2.194.173 1.264.848
Fonte: Balanço publicado na Gazeta Mercantil (apud De Santi Filho & Olinquevitch, 2009).

Os grupos do Ativo e Passivo Circulantes contemplam os saldos das contas Realizáveis


(Ativo) e Exigíveis (Passivo) em até 360 dias. Dentro de cada grupo os saldos são
apresentados em ordem de liquidez – no caso do Ativo – e de exigibilidade – no caso do
Passivo.

Sob a ótica a análise financeira tradicional - trabalha principalmente com os índices de


análise de balanços, que tem como foco o Ativo e Passivo Circulantes e consagra os índices
de liquidez: Imediata – focaliza as disponibilidades; Seca – focaliza os estoques; Liquidez
Geral – focaliza o curto e longo prazo; e Liquidez Corrente - focaliza o curto prazo. Este
último um dos mais conhecidos e utilizados. Usados tanto por usuários externos da
informação contábil quanto por usuários internos em seus relatórios gerenciais.

Sua configuração é a seguinte:


Instrumento INDICADOR DE LIQUIDEZ CORRENTE
Fórmula (Ativo Circulante / Passivo Circulante)
Resultado apresentado com até duas casas decimais
Aspecto analisado situação financeira de curto prazo, capacidade de
pagamento, solvência.
Conclusão quanto maior, melhor

No caso da Cia Suzano:


Liquidez Corrente em 31.12.X1: (2.785.093/2.194.173 = 1,26
Liquidez Corrente em 31.12.X0: (1.554.400/1.264.848 = 1,23

Comentários sobre o resultado dos índices referentes a 31.12.X1: a empresa


apresenta indicador de liquidez acima da unidade, evidenciando que, para cada $ 1 que deve,
a empresa tem $ 1,26 para receber, o que demonstra uma situação de solvência ou de
capacidade de financeira de pagamento de curto prazo. Houve melhora se comparado ao ano
anterior. Se comparado aos resultados disponíveis de outras empresas do mesmo setor, a
empresa Suzano apresenta situação financeira de curto prazo, medida pelo índice de liquidez
corrente melhor entre as quatro empresas consideradas.

Empresa Liquidez Corrente


Votorantim Celulose e Papel 0,88
Ripasa Celulose e Papel 1,15
Klabin 0,50

Ainda sob a ótica da análise financeira tradicional, outro instrumento é muito usado, é o
Capital Circulante Líquido – CCL, também fornece uma visão dos aspectos financeiros de
curto prazo.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Sua configuração é a seguinte:
Instrumento: CAPITAL CIRCULANTE LIQUIDO
Fórmula: (Ativo Circulante - Passivo Circulante)
Resultado: na moeda das demonstrações contábeis
Aspecto analisado: situação financeira de curto prazo, valor da folga financeira
Conclusão: deve ser positivo e quanto maior, melhor
Relação com vendas: FOLGA FINANCEIRA EM RELAÇÃO ÀS VENDAS
Fórmula: (CCL / Vendas)
Resultado: percentual, com uma casa decimal
Aspecto analisado: magnitude da folga (déficit) financeira
Conclusão quanto maior, melhor

No caso da Cia Suzano:


CCL em 31.12.X1 (valores em $ mil):
( 2.765.093 – 2.194.173) = 570.920

CCL em 31.12.X0 (valores em $ mil):


(1.554.400 – 1.264.848) = 289.552

Comentários sobre o resultado dos índices referentes a 31.12.X1: No final do ano de X1


a Empresa Suzano apresenta folga financeira, medida pelo CCL, no valor de $ 570.920 mil.
Em relação ao final do ano anterior (X0) o crescimento da folga financeira de 97%. Isso
expressa, na visão da análise financeira tradicional, expressiva melhoria na situação
financeira de curto prazo da empresa.

FOLGA FINANCEIRA EM RELAÇÃO ÀS VENDAS


CCL / Vendas em 31.12.X1 (Considerando que no ano de X1 as vendas da empresa foram de
$ 2.333.285 mil): (570.920 / 2.233.285).100 = 24,5%.

CCL / Vendas em 31.12.X0 (Considerando que no ano de X0 as vendas da empresa foram de


$ 3.114.577 mil): (289.552 / 3.114.577).100 = 9,3%.

Comentários sobre o resultado dos índices referentes a 31.12.X1: além do aumento em


valores absolutos, de $ 289.552 para $ 570.920, a folga financeira da Suzano aumentou
substancialmente em relação ao nível de atividades medido pelas vendas anuais, crescendo
de 9,3% para 24,5% das vendas.

Contudo, apesar da utilidade e da objetividade desses indicadores, eles possuem pelo


menos duas falhas:
1- Pressupõe que, para pagar os compromissos a curto prazo (expressos no Passivo
Circulante), a empresa deve realizar INTEGRALMENTE seu Ativo Circulante (isso só
ocorre quando da liquidação da empresa);
2- Avaliam o desempenho passado – são indicadores do resultado das atividades
anteriores em termos de políticas de estocagem, de compras, taxas de rentabilidade e
do nível de utilização de recursos de terceiros.

Para uma avaliação que visa o estudo da capacidade econômico-financeira de enfrentar


um período de desenvolvimento ou uma política econômica recessiva, ou seja – OLHANDO

86
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
PARA O FUTURO DA EMPRESA, é necessário estudar a composição do Ativo e do
Passivo Circulantes, relacionado os saldos contábeis com a atividade da empresa sob a ótica
financeira.

Pensando em ATIVIDADE OPERACIONAL, pode-se observar aspectos diferentes de


acordo com os negócios realizados pela empresa, assim:
1- Empresa de serviços – a atividade operacional é a VENDA de Serviços;
2- Empresa Comercial – as atividades operacionais são a COMPRA e a VENDA DE
MERCADORIAS;
3- Empresa Industrial - as atividades operacionais são a COMPRA de insumos, a
FABRICAÇÃO e a VENDA de produtos.

O critério fundamental para a classificação e avaliação é identificar a atividade


operacionais e seu efeito financeiro, relacionando, dessa forma o saldo da conta com a
respectiva atividade operacional da empresa.

Tabela 1 – Modelo de Reclassificação do Circulante


ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
Aplicações de Capital de Giro Fontes de Capital de Giro
Clientes Fornecedores
Estoques Obrigações Fiscais
Despesas Antecipadas Obrigações Trabalhistas
Outras contas a Receber Adiantamentos de Clientes
Demais contas do AC Outras Contas a Pagar
Disponibilidades Demais contas do PC
Aplicações Financeiras Operações Financeiras
Outros Valores a Receber Outros Valores a Pagar

A Tabela 1 permite o cálculo de duas variáveis empresariais chaves para a análise da


situação financeira das empresas.

Na primeira variável, sempre que as APLICAÇÕES DE CAPITAL DE GIRO forem


maiores que as FONTES DE CAPITAL DE GIRO, tem-se a indicação de que a empresa
necessita de recursos para financiar o giro dos negócios.

A reclassificação do Balanço da Cia Suzano mostrada no Quadro 2 traz, destacadamente,


os saldos que importam para a análise das necessidades líquidas de capital de giro, a saber:

Quadro 2 – Reclassificação do Ativo e Passivo Circulantes (R$ mil)

CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE - Balanço Consolidado


Ativo Circulante 31.12.X1 31.12.X0 Passivo Circulante 31.12.X1 31.12.X0
Clientes 408.822 275.231 Fornecedores 91.184 96.106
Estoques 289.133 231.080 Impostos a Vencer 13.895 9.618
Desp.Antecipadas 9.037 7.296 Sal e Encargos 42.428 42.597
Subtotal 706.992 513.607 Contas a Pagar 79.536 31.904
Subtotal 227.043 180.225
Disponibilidade 173.188 60.827 Empréstimos 1.254.449 997.823

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Aplic. Financeiras 1.168.874 851.391 Empr.Relacionados 640.527 326
Imp. Recuperar 27.601 34.294 Dividendos a Pagar 70.228 50.320
Imp. Diferidos 129.086 53.450 I.R. e Cont. Social 1.926 36.154
Subtotal 2.058.101 1.040.793 Subtotal 1.967.130 1.084.623
2.765.093 1.554.400 2.194.173 1.264.848
Fonte: Balanço publicado na Gazeta Mercantil (apud De Santi Filho & Olinquevitch, 2009).

Notas sobre a reclassificação: os Impostos a recuperar não foram considerados no


primeiro grupo, na hipótese de serem compostos por outros impostos recuperáveis que não
incidentes sobre o faturamento; as Contas a pagar foram consideradas no primeiro grupo,
dentro da hipótese de serem compostas por despesas e/ou custos.

A partir da reclassificação do Balanço Patrimonial é possível o cálculo de 2 (duas)


variáveis chave para análise da situação financeira da empresa: A Necessidade Líquida de
Capital de Giro (NLDCG) e a Tesouraria – (T)

11.5 Apuração da Necessidade de Capital de Giro - NCG

Utilizando-se dos dados apresentados no Quadro 2, observa-se que estão destacados no


primeiro grupo contas que expressam saldos que podem ser considerados como efeitos
financeiros das atividades operacionais da empresa.

Denominados de APLICACÕES DE CAPITAL DE GIRO no caso das contas do Ativo


Circulante e de FONTES DE CAPITAL DE GIRO no caso das contas do Passivo
Circulante. A partir desse entendimento é possível calcular a necessidade da empresa em
relação às fontes de recursos para aplicação no seu giro.

No caso apresentado a soma de: Clientes, Despesas Antecipadas e Outras contas a


Receber é maior do que a soma do valor de Fornecedores, Obrigações Fiscais, Obrigações
Trabalhistas, Adiantamentos de Clientes e Outras Contas a Pagar, contas identificadas como
Fontes de Capital de Giro.

Sempre que o valor das FONTES DE CAPITAL DE GIRO for maior do que o valor
das APLICAÇÕES DE CAPITAL DE GIRO, tem-se a indicação de que a empresa Não
necessita de recursos para financiar o giro dos negócios e, pelo contrário, dispõe de fontes
do próprio giro para financiar outras aplicações.

Assim, no caso da Cia. Suzano, a soma de Fornecedores, Obrigações Fiscais, Obrigações


Trabalhistas, Adiantamentos de Clientes e Outras Contas a Pagar é maior do que a soma de
Clientes, Despesas Antecipadas e Outras contas a Receber.

A diferença entre o valor das APLICAÇÕES DE CAPITAL DE GIRO e das FONTES


DE CAPITAL DE GIRO denomina-se de NECESSIDADES CAPITAL DE GIRO (NCG):

APLICAÇÕES DE CAPITAL DE GIRO


(-) FONTES DE CAPITAL DE GIRO
(=) NECESSIDADES DE CAPITAL DE GIRO (NCG)

Vale notar que o valor das NCG pode ser positivo ou negativo.

88
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Quando for positivo indica que as Aplicações de Capital de Giro são maiores do que
as Fontes de Capital de Giro, expressando que a empresa está investindo recursos
próprios no giro dos negócios, por outro lado,
 Quando for negativo, indica que as Fontes de Capital de Giro são maiores que as
Aplicações de Capital de Giro, expressando que a empresa está obtendo (se
financiando) com recursos oriundos do giro dos negócios.

No Quadro 3 encontram-se as contas da Cia. Suzano reclassificadas para fins de cálculo


da NLDCG, isto é, as contas que têm ligação direta coma atividade operacional da empresa.

Quadro 3 – Apuração da Necessidades do Capital de Giro (NCG)

CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE - Balanço Consolidado ($ mil)

Contas do Ativo e Passivo Circulantes 31.12.X1 31.12.X0


Clientes (+) 408.822 275.231
Estoques (+) 289.133 231.080
Despesas Antecipadas (+) 9.037 7.296
(=)Aplicações de Capital de Giro 706.992 513.607
Fornecedores (+) 91.184 96.106
Impostos a Vencer (+) 13.895 9.618
Salários e Encargos 42.428 42.597
(+) 79.536 31.904
Outras Contas a Pagar (+) 227.043 180.225
(=) Fontes de Capital de Giro 479.949 333.382
(=) Necessidades de Capital de Giro
Fonte: Adaptada de De Santi Filho & Olinquevitch, (2009).

Cálculo das NCG da Suzano

A apuração das Necessidades de Capital de Giro (NDG) da Indústria Suzano apresenta


valores positivos, ou seja, nos dois anos o valor das Aplicações de Capital de Giro é
superior ao valor das Fontes de Capital de Giro.

Os valores de $ 479.949 mil em 31.12.X1 e $ 333.382 em 31.12.X0 indicam o montante


dos recursos necessário para manter o giro dos negócios da empresa nas datas do balanço.
Em termos analíticos, este montante deverá ser financiado com recursos próprios e/ou de
terceiros de curto prazo e/ou com recursos de terceiros de longo prazo. As demais variáveis,
ST e Efeito Tesoura (ou Overtrading) procurarão respostas sobre formas de financiamento
das necessidades de recursos para manter o giro do negócio.

11.6 Cálculo do Saldo de Tesouraria (ST)

Complementando a análise do Capital de Giro encontra-se o conceito de Saldo de


Tesouraria (ST), que é a diferença entre o Ativo Circulante Financeiro (ACF) e o Passivo
Circulante Financeiro (PCF).

ST = ACF – PCF

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Lembrando que:
1- AC = ACO + ACF
2- PC = PCO + PCF

Subtraindo a segunda equação da primeira, obtém-se:

AC – PC = ACO – PCO + ACF – PCF CGL = NCG + ST

A variável calculada a partir da reclassificação do circulante trata das OUTRAS


CONTAS dos grupos do Ativo e Passivo Circulantes. A variável ST, sem dúvida, é a que
melhor expressa a situação financeira da empresa de curto prazo. Seu saldo positivo indica
uma situação financeira folgada; se o saldo for negativo indica a utilização de recursos de
terceiros para financiar as atividades operacionais da empresa.
.
De um lado, sempre que as DEMAIS CONTAS DO ATIVO CIRCULANTE
apresentarem saldo de valor superior às DEMAIS CONTAS DO PASSIVO CIRCULANTE,
encontram-se aplicações de recursos no curto prazo sendo realizadas pela empresa.

Nesse caso, a soma do valor do saldo das Disponibilidades, Aplicações Financeiras e


Demais Valores a Receber é superior à soma das Operações Financeiras e Demais Valores a
Pagar.

Por outro lado, sempre que DEMAIS CONTAS DO PASSIVO CIRCULANTE


apresentarem saldo de valor superior às DEMAIS CONTAS DO ATIVO CIRCULANTE,
encontram-se fontes de recursos no curto prazo financiando as atividades da empresa.

Nesse caso, a soma do valor das Operações Financeiras e Demais Valores a Pagar é
superior à soma do valor das Disponibilidades, Aplicações Financeiras e Demais Valores a
Receber.

A variável T-Tesouraria, da empresa analisada encontra-se apurada no quadro 4.


Apresenta saldo positivo nos dois anos, indicando que o saldo das Outras Contas do Ativo
Circulante é maior do que o saldo de Outras Contas do Passivo Circulante

DEMAIS CONTAS DO ATIVO CIRCULANTE


(-) DEMAIS CONTAS DO PASSIVO CIRCULANTE
(=) T-TESOURARIA

A variável T-Tesouraria está relacionada, especificamente, àquelas que não se


relacionam com a atividade operacional da empresa, ou seja, “Outras contas do AC e do
PC que, “Se constituem em entradas e saídas de caixa”. O saldo da variável T-Tesouraria
pode se apresentar positivo ou negativo, desse modo:

 Tesouraria Positiva – Indica que Outras contas do AC apresentam saldo superior ao


das outras contas do PC – Se transformarão em disponível mais do que suficiente para
liquidar as Outras Contas do PC classificados como Tesouraria. Expressa uma
situação financeira folgada.
Uma Tesouraria positiva com elevados saldos nas contas Caixa/bancos pode
indicar ineficiência na gerência de recursos financeiros.

90
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 Tesouraria Negativa – Indica que o saldo de Caixa, Bancos, Aplicações Financeiras
não é suficiente para cobrir compromissos expressos nas contas Empréstimos,
Instituições Financeiras, Duplicatas Descontadas, etc. Indica, ainda, que a empresa está
se utilizando de Outras contas do PC para financiar atividades.
 A existência de saldos negativos nesta variável não implica, necessariamente,
situação financeira apertada. O que deve ser analisado com atenção é a
proporção da Tesouraria negativa em relação a NCG e a tendência dessa
relação.

Quadro 4 – Apuração da T-Tesouraria

CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE – Balanço Consolidado ($ mil)


Contas do Ativo e 31.1
31.12.X1
Passivo Circulantes 2.X0
Disponibilidades 570.920 1.168.874 60.8
(+) Aplicações Financeiras 716.039 27 851.391
(+) Outros Valores a Receber 2.058.101 128.575
* (=) 1.254.449 1.040.793
Demais contas do Ativo 712.681 997.823
Circulante 1.967.130 86.8
OperaçõesFinanceiras 90.971 00
(+) Outros Valores a Pagar ** 1.084.623
(=) Demais Contas do (43.830)
Passivo Circulante
(=) Fontes de Capital de
Giro
Fonte: Adaptada de De Santi Filho & Olinquevitch, (2009).

* Outras Contas a receber, Impostos a Recuperar e Impostos Diferidos


**Empresas Relacionadas, Dividendos e IT e CSSL a Recolher

Cálculo da Tesouraria da Suzano

No caso da empresa analisada, os valores apurados no Quadro 4 indicam folga no


Balanço de 31.12.X1 no valor de $ 90.971 mil e uma falta de recursos no balanço de
31.12.X0, no valor de $ 43.830 mil.

É interessante uma comparação entre a folga financeira apurada pela Tesouraria e a


identificada pelo Capital Circulante Líquido (CCL).

O Valor da Tesouraria pode, também, ser obtido da seguinte forma:

Ativo Circulante
(-) Passivo Circulante
(=) Capital Circulante Líquido
(-) NLCDG
(=) Tesouraria.

Assim, no quadro 5 pode ser verificada essa comparação.

Quadro 5 –T-Tesouraria versus Capital Circulante Líquido

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE – Balanço Consolidado ($ mil)
Ativo e Passivo Circulantes 31.12.X1 31.12.X0
Ativo Circulante 2.765.093 1.554.400
(-) Passivo Circulante 2.194.173 1.264.848
(=) Capital Circulante Líquido (CCL) 570.920 289.552
(-) Necessidades de Capital de Giro ( NCG) 479.949 333.382
(=) T-Tesouraria 90.971 (43.830)
Fonte: Adaptada de De Santi Filho & Olinquevitch, (2009).

Análise Comparativas no caso da Cia Suzano


Quadro 6 – Resumo dos resultados analisados – Índices e Variáveis
CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE – Balanço Consolidado ($ mil)
Índices e Variáveis 31. 3
12.X1 1.12.X0
Índice de Liquidez Corrente 1,26 1,23
Capital Circulante Líquido 570.920 289.552
Folga Financeira em Relação às Vendas 24,5% 9,3%
Necessidades de Capital de Giro 479.949 333.382
T-Tesouraria 90.971 (43.830)
Fonte: Adaptada de De Santi Filho & Olinquevitch, (2009).

No final do ano de X1 a Empresa Suzano apresenta folga financeira, medida pelo CCL,
no valor de $ 570.920 mil. Em relação ao final do ano anterior (X0)
o crescimento da folga financeira foi de 97%. Isso revela, na visão da análise financeira
tradicional, expressiva melhoria na situação financeira de curto prazo da empresa.

O CCL usado como folga financeira é uma medida parcial, uma vez que ele somente
pode ser efetivamente realizado como valor se a empresa for liquidada pelos valores da
contabilidade da data do balanço. É o caso da Suzano. Se a empresa fosse liquidada em
31.12.X1, a folga financeira medida pelo CCL seria de R$ 570.920 mil.

Além do aumento em valores absolutos, de $ 289.552 para $ 570.920, a folga financeira


da Suzano aumentou substancialmente em relação ao nível de atividades medido pelas
vendas anuais, crescendo de 9,3% para 24,5% das vendas.

Contudo como deve ser objetivo da empresa continuar operando, muito embora os
valores da NCG sejam realizados – de forma cíclica e de acordo com os prazos embutidos
nos efeitos financeiros que determinam o saldo das contas que a compõem, a empresa
continuará investindo valores no giro dos negócios.

Assim, somente os valores efetivamente financeiros, que estão relacionados diretamente


com a atividade operacional, é que poderão ser considerados como folga financeira.

A Tesouraria positiva no balanço de 31.12.X1 indica que a empresa possui recursos de


longo prazo (de terceiros ou próprios) para dar cobertura às necessidades de recursos para o
giro dos negócios e ainda aplicar no mercado financeiro, ou simplesmente mantê-los em
caixa. No balanço de 31.12.X0, muito embora o CCL se apresentasse positivo, no valor de
R$ 289.552 mil, a Tesouraria negativa indicava a insuficiência de recursos de longo prazo
(de terceiros ou próprios) e que a empresa estava tomando recursos líquidos de curto prazo
para financiar sua atividade. Portanto não tinha folga financeira alguma.

11.7 Desdobramento da Análise da NCG

92
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Para avaliar corretamente e de forma global nas NCG é necessário desdobrá-la, assim
como já visto anteriormente a reclassificação das contas do Ativo e Passivo Circulantes
permite verificar a relação entre tais contas com o nível de atividade da empresa, ou seja, seu
faturamento.

Desse modo, se forem relacionadas as NCG com as Vendas Brutas, pode-se determinar
um parâmetro que reflete as necessidades de capitais para o giro dos negócios e suas
dimensões em relação ao nível de atividades. Esse parâmetro também será definido como
Ciclo Financeiro e tem a seguinte configuração:

__________________________________________________________________________
Instrumento: CLICLO FINANCEIRO
Fórmula: (NLDCG / VENDAS BRUTAS) X n)
Resultado: em dias (sem casa decimal)
Aspecto analisado: número de dias de vendas que se encontram aplicados
(financiados) no giro dos negócios Onde n = números de
dias das Vendas Brutas. Exemplo: se vendas anuais utilizar
360 dias, se vendas mensais 30 dias etc.
Valor das Vendas Brutas exclui as devoluções, abatimentos
e cancelamentos de vendas e inclui o valor dos impostos
faturados (impostos incidentes sobre o faturamento: IPI,
ICMS, ISS, PIS e COFINS, entre outros.

Conclusão: Calculado dessa forma está expresso em “dias de vendas”,


sou seja indica o número de dias das vendas que a empresa
destina ao financiamento das necessidades de capital de giro.
_________________________________________________________________________

No quadro 7 abaixo analisa a Demonstração do Resultado parcial


Quadro 6 – Demonstração do Resultado parcial
CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE - Balanço Consolidado ($ mil)
Contas de Resultado 31.12.X1 31.12.X0
Vendas Brutas * 2.333.285 3.114.577
(-) Impostos sobre as Vendas 264.870 449.359
(=) Receita Operacional Líquida 2.068.415 2.665.218
(-) Custos 1.118.373 1.746.439
(-) Despesas Operacionais (exceto Financeira) 299.073 332.408
Fonte: Adaptada de De Santi Filho & Olinquevitch, (2009).

*este valor deve incluir as Devoluções, Cancelamento e Abatimentos

Com base dos dados da DR e considerando os valores constantes no quadro 3 (valor da


NLDCG da Suzano, R$ 479.949 mil em 31.12.X1 e R$ 333.382 mil em 31.12.X0) pode-se
calcular o Ciclo Financeiro para as duas datas 31.12.X1 e 31.12.X0:

Ciclo Financeiro da Suzano:


31.12.X1 = 479.949 x 360 = 74 dias
2.333.285
31.12.X1 = 4333.382 x 360 = 39 dias
3.114.577

 Análise dos números do Ciclo Financeiro

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


No caso da Suzano na data de 31.1.2.X0, a empresa destinava 39 dias de seu faturamento
para financiar as necessidades de recursos para o giro dos negócios, enquanto em 31.12.X1
este número aumentos para 74 dias. Em termos de fontes e aplicações de recursos, a
evolução de 39 para 74 dias, num total de 35 dias (74 - 39), implicou um aumento no valor
dos recursos próprios investidos no giro do negócio.

 Conclusão

O Ciclo Financeiro calculado dessa forma apresenta-se como parâmetro importante, à


medida que se pode concluir que o dimensionamento dos recursos necessários para o giro
dos negócios - medido pelas Necessidades Líquidas de Capital de Giro (NLDCG) - é dado
pelo Ciclo Financeiro e pelo montante das Vendas Brutas.

11.8 Efeito Tesoura (ou Overtrading)

De acordo com Ferrari (2014.p.299), se uma empresa aumentar excessivamente suas


vendas, a ponto de o capital de giro presente não acompanhar tal crescimento na mesma
proporção, ocorrerá o chamado EFEITO TESOURA, também conhecido como Overtrading.

Esse fato ocorre quando, se propõe à produzir um muito maior do que sua capacidade
produtiva afim de atender uma determinada demanda. Lembrando que CGL = NCG + ST,
no efeito Tesoura acontece um crescimento das vendas e, consequentemente, um
crescimento da NCG, resultando um Saldo de Tesouraria negativo, ou seja, a empresa terá
mais Passivo Circulante Financeiro a curto prazo (empréstimos e financiamentos a curto
prazo) do que disponibilidades (caixa, bancos, aplicações financeiras de curtíssimo prazo)
fazendo com que aumento o risco do negócio, que se traduz por risco de insolvência.

A fórmula abaixo permite aferir o efeito tesoura:

Saldo de Tesouraria
NCG

Exemplificando: Os saldos abaixo retratam uma determinada situação:

Balanço social de 20X1 Balanço social de 20X2


ST = - R$ 3.000,00 ST = - R$ 4.500,00
NCG = R$ 5.000,00 NCG = R$ 6.000,00
Então:

- 3.000,00 = - 0,60 - 4.500,00 = - 0,75


5.000,00 6.000,00

Nesse caso, o crescimento negativo apresentado da relação ST/NCG indicaria que a


empresa está sofrendo o efeito tesoura, visto que um crescente ST negativo, pressiona a um
endividamento cada vez maior, mediante empréstimos com elevados juros, além do limite
sustentável.

RESUMO
Análise Completa da NDG

94
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
1º Passo – Separar o Ativo e o Passivo Circulante em:
Atividades Operacionais – (Relação direta com a atividade)
 Duplicatas a receber (vendas a prazo)
 Estoques (m.p., produtos em elaboração, produtos acabados);
 Fornecedores
 Obrigações Fiscais (impostos sobre vendas)
 Obrigações Trabalhistas (salários e encargos)
 *Despesas Antecipadas (relacionadas com a atividade)
 *Adiantamentos a Fornecedores
 Adiantamento de Clientes

* Se expressarem atividades permanentes, são incluídas junto com as demais, se forem


esporádicas, não.

Outras contas – Expressam saldos de operações que, uma vez realizadas (no caso do Ativo)
ou liquidadas (no Passivo), transformam-se em entrada e saída de Caixa, e não
necessariamente renovadas.
Contas Operacionais - mantêm relação direta com o nível de atividade da empresa,
expressam aplicações de recursos permanentes e são contas cíclicas, à medida que se
renovam periodicamente, de acordo com os prazos das operações.
Desse modo: “Aplicações de Capital de Giro” = Contas ativas, e
“Fontes de Capital de Giro” = Contas passivas.

2º Passo – A reclassificação do Ativo e Passivo Circulantes permite o cálculo de 2 variáveis-


chaves:
NCG e Saldo de Tesouraria – para análise da situação financeira das empresas.

1ª VARIÁVEL – NECESSIDADE CAPITAL DE GIRO – NCG


Quando: Aplicações de Capital de Giro forem maiores que as Fontes de Capital de Giro -
indicação de que a empresa necessita de Recursos para financiar o giro dos Negócios.

Quando: Fontes de Capital de Giro forem maiores que as Aplicações de Capital de Giro -
indicação da não necessidade de recursos para o giro dos Negócios,
(Aplicações de Capital de Giro - Fontes de capital de Giro) = NCG

CONCLUSÃO DA ANÁLISE DA NCG


 NCG - Constitui na principal determinante da Situação financeira da empresa revela o
nível de recursos necessários para manter o Giro dos Negócios.
 As contas que compõem a NCG – expressam operações de curto prazo e de efeitos
rápidos.

 Modificações na política de estocagem, de crédito ou de compras produzem efeitos


imediatos sobre o Fluxo de Caixa.

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2ª VARIAVEL: SALDO DE TESOURARIA: Tesouraria – T

Quando: O saldo de Outras contas do AC for superior ao saldo de Outras contas do PC =


Aplicações de Recursos a Curto Prazo.
Quando: O saldo de Outras contas do PC for superior ao saldo de Outras contas do AC =
Fontes de Recursos a Curto Prazo.
(Outras contas do AC - Outras contas do PC) = Tesouraria

Avaliação do Saldo de Tesouraria

Análise da T – Tesouraria
A variável T-Tesouraria – é resultado da reclassificação das contas do Ativo e
Passivo Circulantes – especificamente aquelas que não se relacionam com a atividade
operacional da empresa - Outras contas do AC e do PC – Se constituem em entradas e
saídas de caixa:
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
Caixa Empréstimos
Banco c/Movimento Instituições Financeiras
Outros Créditos a Receber Duplicatas Descontadas
Provisão para IR
Outras Contas a Pagar

* Outras contas poderão fazer parte de T-Tesouraria em função da reclassificação da


variável NCG.
Ativo Circulante
(-) Passivo Circulante
(=) Capital Circulante Líquido
(-) NCG
(=) T-Tesouraria

1- Tesouraria Positiva – Indica que: Outras contas do AC apresentam saldo superior ao


das outras contas do PC – Se transformarão em disponível mais do que suficiente para
liquidar as Outras Contas do PC classificados como Tesouraria - Expressa uma situação
financeira folgada.
 Uma Tesouraria positiva com elevados saldos nas contas Caixa/bancos pode
indicar ineficiência na gerência de recursos financeiros.

2- Tesouraria Negativa – Indica que o saldo de Caixa, Bancos, Aplicações Financeiras


não é suficiente para cobrir compromissos expressos nas contas Empréstimos, Instituições
Financeiras, Duplicatas Descontadas, etc. Indica, ainda, que a empresa está se utilizando
“Outras contas do PC” para financiar atividades.
 A existência de saldos negativos nesta variável não implica, necessariamente,
situação financeira apertada. O que deve ser analisado com atenção é a
proporção da Tesouraria negativa em relação a NLDCG e a tendência dessa
relação.

96
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
3- Fluxo de Tesouraria – Instrumento de grande importância para a compreensão da
situação econômico-financeira da empresa.
 Aumento de Ativo = Aplicação
 Redução de Ativo = Fonte
 Aumento de Passivo = Fonte
 Redução de Passivo = Aplicação

Por meio do Fluxo de Tesouraria é possível analisar o comportamento da situação de


liquidez da empresa, detectando aumentos e redução de folga financeira nos exercícios
analisados.

TERMÔMETRO DA SITUAÇÃO FINANCEIRA

A participação dos recursos de terceiros a curto prazo no financiamento das necessidades


liquidas de capital de giro da empresa pode ser mensurada pelo índice de Termômetro de
Situação Financeira -TSF.

A partir do índice, pode-se avaliar magnitude da tesouraria negativa em relação às


necessidades líquidas do capital de giro e, principalmente, sua tendência ao longo do tempo,
uma vez que a persistência desse tipo de financiamento pode conduzir a uma condição de
completo desequilíbrio financeiro (SANTI FILHO & OLINQUEVITCH, 1995).

O Termômetro da Situação Financeira (TSF) pode ser calculado pela fórmula:


T – Tesouraria
NCG
Quanto maior for essa relação, melhor a situação da empresa em análise
 Avaliação global da NCG
Relação entre NCG com as Vendas Brutas – parâmetro que reflete a NCG e suas
dimensões em relação ao nível de atividade.
Relação entre NCG x Vendas Brutas
NCG x nº de dias do período *
Vendas Brutas

* Período a que se refere o volume de Vendas Brutas - se anuais 360 dias, se mensais 30
dias.

Ciclo Financeiro – parâmetro expresso em números de “dias de vendas” – indica o


número de dias de seu faturamento que a empresa destina para financiar as necessidades de
recursos para o giro dos negócios.
CF = AC – PC (reclassificados)
Vendas Brutas *
* Vendas Brutas (ROB – Vendas anuladas)

CONCLUSÃO – O dimensionamento dos recursos necessários para o Giro do Negócio –


medido pela NCG é dado pelo Ciclo Financeiro e pelo Montante das Vendas.
Então:
Vendas Brutas x Ciclo Financeiro = NCG
Nº de dias do Período

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


BIBLIOGRAFIA:

CHING et al. Contabilidade e finanças – para não especialistas. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2010.

DE SANTI FILHO, A.,OLINQUEVITCH, J. L. Análise de balanço para controle

98
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
gerencial. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2009.

FERRARI, Ed Luiz. Análise das Demonstrações Contábeis. Niteroi, RJ: Impetus,


2014.

FLEURIET, Michel, KEHDY, Ricardo, BLANC, Georges. O modelo Fleuriet – a


dinâmica financeira das empresas brasileiras. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

GRIFIN, Michael P. Contabilidade e Finanças. S. Paulo: Saraiva, 2012.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 17 ed. São Paulo: Saraiva,


2015.

_______. Análise das Demonstrações Contábeis. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

MATARAZZO, Dante Carmine. Análise Financeira de Balanços – Abordagem


gerencial. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MEGLIORINI, E., VALLIM, M.A.. Administração financeira – uma abordagem


brasileira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

RIBEIRO, O.M. Demonstrações Financeiras – mudanças na lei das sociedades por


ações: como era e como ficou. São Paulo: Saraiva, 2007.

RIBEIRO, O.M. Contabilidade Geral fácil. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

SANTOS, José Odálio dos. Análise de crédito. São Paulo: Atlas, 2000
_______________.Contabilidade básica. São Paulo: Saraiva, 2005.

SANTOS, José Luiz dos, SCHIMIDT, Paulo. Contabilidade societária. 3 ed. São
Paulo: Atlas, 2009.

Publicações: Revista do Conselho Federal de Contabilidade


Revista Maiores e Melhores
Revista Valor Econômico

ANEXO 1

MODELO DE RELATÓRIOS

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Análise intrínseca dos Índices da Situação econômico-financeira encontrados na
análise das demonstrações contábeis da empresa Andriello S.A. Ind. e
Comercio. Período analisado exercício de 20X4 e 20X5.

QUADRO RESUMO DOS ÍNDICES


INDICES 20X4 20X5
Endividamento - PCT/RT 48% 49%
Garantia de Capitais de Terceiros - GCT 2,09 2,05
Imobilização do Patrimônio Líquido - IPL 43% 40%
Índice de Cobertura de Juros - ICJ 13,63 4,11
Liquidez Geral - LG 2,19 2,22
Liquidez Corrente - LC 2,17 2,21
Liquidez Seca - LS 1,43 1,57
Giro do Ativo - GA 1,57 1,45
MB (Margem Bruta) 19,85 13,92
Margem Operacional - MO 9,56 2,07
Margem Líquida - ML 3,81 0,19
Rentabilidade do PL - RPL 2,32 2,16
Poder de Ganho (GA x ML) 6% 0,27%
Prazo Médio de Renovação de Estoques - PMRE 64
Prazo Médio de Recebimento de Vendas - PMRV 83
Prazo Médio de Pagamento de Compras - PMPC 52
Posicionamento de Atividade - PA 2,84
Ciclo Operacional 147
Ciclo Financeiro 95

PCT –(Quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $100 de capital próprio investido)
Quanto menor, melhor
20X4 20X5
48 49%
 A empresa apresentou um baixo grau de endividamento nos últimos exercícios,
demonstrando pouca dependência de capital de terceiros.

GCT – (Revela a garantia dada pela empresa aos seus credores)


Quanto maior, melhor
20X4 20X5
2,09 2,05
 Um índice maior que um (1) revela uma menor participação de capitais de terceiros que
próprios na empresa. Pela própria estrutura de utilização de capitais de terceiros a
empresa em análise da grande garantia aos seus credores.

IPL – (quanto a empresa aplicou no Ativo Permanente para cada $100 de P.L.)
Quanto menor, melhor
2.0X4 2.0X5
43% 40%
 O Grau de imobilização de PL diminuiu em 2.002, demonstrando assim que a empresa
aplicou uma menor parcela em A. Permanente, apresenta um baixo grau de
imobilização. Acham-se aplicados no Ativo Permanente 40% do PL., portanto, 60%
estão aplicados no Ativo Circulante. Essa parcela de 60% é chamada de Capital de
Giro Próprio (CGP). Quanto maior for o investimento em Ativo Permanente, menos
recursos próprios estarão disponíveis para aplicação no Ativo Circulante e, em
consequência, maior será a dependência de capitais de terceiros para financiamento de
Ativo Circulante.

100
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
ICJ – Índice de cobertura de juros (mede de que forma do lucro operacional da empresa,
cobre o pagamento de juros – um valor de pelo menos 3,0 e mais próximo possível de 5,0 é o
aceitável, a inadimplência no pagamento de juros pode causar a falência de uma empresa.)
Quanto maior, melhor
20X4 20X5
13,63 4,11
 Podemos verificar que o decréscimo acentuado em seu lucro operacional, causado pela
diminuição de vendas e aumento de despesas operacionais causou uma queda muito
grande na capacidade desta empresa de pagar as despesas com juros.

Índices de Liquidez
LG – (quanto a empresa possui de A .C + R.L.P. para cada $1,00 de dívida
total)
Quanto maior, melhor
20X4 20X5
2,19 2,22

 O ILG de 2.0X5 indica que para cada $1,00 de dívida a empresa tem $ 2,22 de
investimentos realizáveis a Curto Prazo e Longo Prazo, consegue pagar todos seus
compromissos e ainda dispõe de folga. Esse índice apresentou melhora se comparado ao
índice do exercício anterior.

LC – (quanto a empresa possui de AC para cada $1,00 de PC)


Quanto maior, melhor
20X4 20X5
2,17 2,21

 Esse índice também destinado a verificar a existência de CCL mostra que a empresa
possui capacidade financeira para saldar suas dividas de curto prazo. No exercício de
20X5 apresentou melhor situação comparada ao exercício anterior, passando a ter uma
maior folga financeira.

LS – (quanto a empresa possui de Ativo Circulante Líquido para cada $1,00 de Passivo Circulante)
Quanto maior, melhor
20X4 20X5
1,43 1,57

 A empresa apresentou melhor índice no ano de 20X5, demonstrando assim que seu
Ativo Circulante Líquido (AC-Estoques) é capaz de saldar todas suas obrigações a curto
prazo com uma grande folga financeira, apresentando melhora de liquidez para o último
exercício.

Índices de Rotatividade

PMRE – (representa, em dias o prazo médio de renovação (venda) dos estoques da empresa
PMRE (PME) = 64 dias

PMRV - (indica o prazo médio, em dias, que a empresa recebe suas vendas)
PMRV (PMR) = 83 dias

PMPC – (Indica o prazo de pagamento das compras realizadas (a vista e a prazo)


PMPC (PMP) = 52 dias

A empresa analisada apresentou índices de rotatividade muito ruins, pois, o giro de


seu estoque é muito lento, o prazo de recebimento e muito longo comparado ao prazo de

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


pagamento de suas compras. A persistirem esses prazos a empresa, apesar de, no último
exercício apresentar alto grau de liquidez, poderá ter dificuldades nos próximos períodos.

Posicionamento de Atividade (Posição Relativa)

PA = PMRE + PMRV = 64,5 + 83 = 2,84 (totalmente desfavorável)


PMPC 52
O ideal que esse índice se aproximasse de 1, ou de valor menor que 1

 Nesse caso, a empresa demora para vender (PMRE) e, para receber suas vendas (PMRV),
o prazo exagerado de 147 dias (64 + 83). O prazo de quase cinco meses é seu Ciclo
Operacional. Por outro lado, suas compras são pagas em 52 dias. Em outras palavras a
empresa nem vendeu ainda (PMRE = 64 dias) e já precisou pagar salários, aluguel,
fornecedores etc. Isso evidencia problemas de capital de giro, se não agora, pois apresenta
alto grau de liquidez, mas num futuro próximo.

O Ciclo Financeiro dessa empresa é também desfavorável, pois apresenta na seguinte


situação:

Ciclo Financeiro
(PMRE + PMRV) - PMPC = Ciclo Financeiro
(64 + 83) - 52 = 95 dias

Ciclo Financeiro = O período de 95 dias que a empresa pagaria antes de receber as


vendas.

Índices de Rentabilidade
GA – (quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total)
Quanto maior, melhor
20X4 20X5
1,57 1,45

 Em 2.0X5 o volume de vendas atingiu 1,45 vezes o volume de investimento, volume


um pouco inferior ao do exercício anterior. Para se avaliar melhor o desempenho
comercial da empresa deve-se conhecer a estratégia da empresa quanto a
Volume/Margem Líquida, evidenciada pelo próximo índice analisado.

Margens – (quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de vendas)


Quanto maior, melhor

Margens Bruta Operacional Líquida


20X4 19,85% 9,56% 3,81%
20X5 13,92% 2,07% 0,19%

 A empresa apresentou queda considerável em todas as Margens medidas no último


exercício, sabendo-se que o volume de vendas teve decréscimo acentuado se comparado
ao exercício anterior, podemos dizer que a performance comercial da empresa piorou. O
decréscimo das vendas associado à falta de controle de despesas operacionais causou a
piora de resultados econômicos da empresa analisada.

RPL – (quanto a empresa obteve de lucro para cada $100 de capital próprio investido)
Quanto maior, melhor
20X4 20X5
2,32 2,16

102
UNITAU - APOSTILA - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
 A empresa apresentou no último exercício uma pior taxa de rentabilidade de seu
patrimônio se comparada ao exercício anterior, indicando que teve desempenho inferior
na rentabilidade dos capitais próprios aplicados na empresa.

Análise Comparativa com Padrões

Quadro Resumo de Índices


Índices 20X4 2.0X5 Média Padrão
Endividamento PCT 48% 49% 65%
Liquidez Geral (LG) 2,19 2,22 1,34
Liquidez Corrente (LC) 2,17 2,21 1,26
Giro do Ativo (GA) 1,57 1,45 1,68
Margem Bruta (MB) 19,85% 13,92% 20,3%
Margem Operacional 9,56% 2,07% 11,61%
(MO)
Margem Líquida (ML) 3,8% 0,19% 8,07%
Rentabilidade do 2,32% 2,16% 16,5%
P.L.(RPL)

Análise de Endividamento – PCT -

Índice de endividamento geral apresentado em 20X4 que foi de 49%, apresentou um


pequeno acréscimo em relação ao ano anterior e encontra-se muito abaixo da média do setor.

Liquidez Geral – LG

Índice de Liquidez Geral em 20X5 foi de 2,21 contra 1,34 da media do setor, bastante acima,
portanto. O que representa uma grande capacidade de pagar todas as suas obrigações, de
curto e de longo prazo.

Liquidez Corrente – LC

Índice de Liquidez Corrente em 20X5 foi de 2,22 contra 1,68 do padrão do setor, bastante
acima da média, demonstrando grande capacidade de saldar suas dívidas a curto prazo.

Giro do Ativo – GA

Comparativamente ao setor, o Giro do Ativo apresentado em 20X5 foi de 1,45 contra 1,68 de
média. Demonstrando que a Empresa Andriello tem um bom desempenho comercial, mas
ficou abaixo da média da indústria do setor de confecções. O desempenho apresentado se
persistir poderá causar grandes perdas à empresa.

Margem Líquida – ML

Apresenta ML em 20X5 de 0,19% contra 8,07% da média do setor, 7,88 pontos percentuais
abaixo dos índices alcançados por maior número de empresas do mesmo setor,
demonstrando a deficiência de administração de custos e despesas e seu desempenho de
vendas.

Rentabilidade do PL – RPL

Enquanto a média do setor para 20X5 foi de 16,5% de RPL a empresa analisada apresenta
uma rentabilidade de 2,16%, demonstrando um desempenho infinitamente inferior na
aplicação de seus recursos próprios.

Apostila - Prof. Ma. Marlene Ferreira Santiago


Além dos índices relacionados acima, temos ainda que considerar os seguintes dados:

Valor em milhares Variação X4/X5 Média Padrão

Receita Líquida de Vendas $ 29.245 - 6,58% $ 45.600

Lucro Líquido $ 55 -79,82% $ 5.298

Lucro da Atividade $ 604 -95,39% $ 3.680

Com relação às suas Vendas Líquidas nota-se que a empresa em questão apresentou
Receita Líquida de Vendas muito inferior à média do setor, apresentando uma variação
negativa em seu Lucro Líquido e no Lucro da Atividade correspondente à 95,39% e 79,82%
respectivamente, demonstrando um desempenho comercial inferior à média, demonstrou
também pouca capacidade em administrar seus custos e despesas para alcançar um patamar
considerado regular, portanto conclui-se que esta empresa deverá estar atenta, devendo tomar
decisões estratégicas, que poderá acarretar uma mudança na organização, para obtenção de
melhores resultados.

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