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Ondas e Óptica

Experiência 1: Pêndulo Simples e Amortecido


Pêndulo Simples

Roteiro adaptado: Profa. Leila T. Thieghi

1. Introdução

Uma propriedade fundamental do pêndulo simples é sua capacidade de manter o período de oscilação
aproximadamente constante se a amplitude de oscilação for pequena. Conta a história que Galileu, ao assistir
a missa na catedral de Pisa todos os domingos, reparava que um candelabro balançava devido à corrente de
ar, o que o motivou a estudar o movimento oscilatório de um pêndulo. Ele percebeu que independente da
distância percorrida pelo pêndulo, o tempo para completar o movimento é sempre o mesmo. Galileu não
tinha nenhum cronômetro ou relógio que lhe permitisse medir o tempo em suas experiências, por isso
controlou o tempo com suas pulsações. Devido a esta propriedade, o pêndulo foi durante muito tempo a base
de medida do tempo, tendo sido empregado por muitos anos na construção de relógios.

Sua equação diferencial é dada por:

(1)

Figura 1: diagrama de forças


atuando em um pêndulo simples.

Conforme visto na parte teórica deste curso, esta constância do período do pêndulo vêm da
aproximação sen()   (com o ângulo dado em radianos). Até quando esta aproximação é válida? Veja a
tabela 1, onde são mostrados os valores , sen() e sua razão entre 1o e 40o.

 (graus)  (rad) sen() sen()/


1 0,017453 0,017452 99,9949%
2 0,034907 0,034899 99,9797%
5 0,087266 0,087156 99,8731%
10 0,174533 0,173648 99,4931%
15 0,261799 0,258819 98,8616%
20 0,349066 0,342020 97,9816%
30 0,523599 0,500000 95,4930%
45 0,785398 0,707107 90,0316%
Tabela 1: valores de ângulo e seus respectivos valores da função seno

O objetivo do experimento de hoje é medirmos até que amplitude esta aproximação é válida, dentro
do contexto do laboratório e quais são as grandezas físicas que determinam o valor do período de oscilação
do pêndulo simples.

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Experiência 1: Pêndulo Simples e Amortecido


2. Materiais necessários
Por grupo:

01 Tripé Universal Wackrritt com haste 01 Trena


02 Massas metálicas acopláveis com peso de 50g 01 Gancho de lastro pequeno
01 Escala angular pendular (com parafuso-imã) 01 Gancho de lastro grande
02 Braços verticais móveis com manípulos 01 Fios flexíveis sem gancho 0,8 m
01 Cronômetro 01 Fios flexíveis sem gancho 0,44 m

Coletivo: Barbante, Fita crepe, Balança

3. Procedimento experimental
I. Os grupos devem montar o arranjo experimental de acordo com as instruções do professor
II. Grupos 1 e 2: medidas serão realizadas com fio flexível de 0,44 m, enquanto grupos 3 e 4
com fio de 0,8m.
III. Número de massas colocadas para oscilar para cada grupo:

Grupo 1 2 3 4
Massas 1 3 2 1

IV. Cada membro do grupo irá realizar uma medida de 10 períodos do pêndulo nos mesmos
ângulos da tabela 1
V. Para o relatório, o grupo irá preencher uma tabela conforme esboçado abaixo:
Ângulo de oscilação 
o o o
Integrante 1 2 5 10o 15o 20o 30o 45o
Tempo de 10 oscilações do pêndulo (s)

Período médio (1 oscilação)


(s)
Desvio padrão T (s)
Desvio padrão da média
(s)

VI. Fazer um gráfico, com barras de erro, no papel milimetrado do período médio de oscilação,
 , em função do ângulo .
VII. Os resultados de  devem ser levados à lousa. Compare o seu resultado com os
resultados obtidos pelos outros os grupos.
VIII. Discutir a validade do experimento e quais são as grandezas físicas responsáveis pelo valor
do período de oscilação do pêndulo simples.

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Experiência 1: Pêndulo Simples e Amortecido

Pêndulo Amortecido

4. Introdução

Até agora pressupomos que o pêndulo está livre de forças dissipativas permanecendo oscilando por
tempo infinito o que descreve o movimento harmônico simples (MHS). Entretanto como você notaram, ao
passar do tempo, a amplitude de oscilação diminui até parar em decorrência do atrito proveniente da
resistência do ar ou de forças internas que atuam no sistema. Esse movimento é denominado de movimento
harmônico amortecido (MHA).
O módulo da força de atrito usualmente depende da velocidade, sendo que em muitos casos ela é
linearmente proporcional à velocidade do corpo (-bv).
Considerando a força de atrito podemos escrever a equação do movimento harmônico aplicando a 2ª
Lei de Newton:
(2)
Ou seja,
(3)

Onde, bv é a força amortecedora, e b é a constante de amortecimento, - kx, é a força restauradora, e k é a


constante elática (no caso do pêndulo k = mg/L). Reescrevendo 3, obtemos

(4)

Que é uma equação diferencial linear com solução

(5)

Sendo

(6)

A amplitude A(t) do movimento decresce de um fator

(7)

A figura 2 descreve o deslocamento x(t) para o oscilador harmônico simples amortecido (MHA). A
amplitude diminui exponencialmente com o tempo a partir do valor inicial xm.

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Experiência 1: Pêndulo Simples e Amortecido

Figura 2: Deslocamento para o oscilador harmônico simples [Roteiros de Experimentos – UDESC]

O intervalo de tempo t, durante o qual a amplitude se reduz ao valor de 1/e de seu valor inicial A, ou
seja, 37% A, é chamado de vida média (τ) da oscilação, isto é,

5. Procedimento Experimental:

I. Use o mesmo aparato do pêndulo simples.


II. Coloque o pêndulo para oscilar a partir de  = 60
III. Anote o ângulo de oscilação  a cada 1 minuto até o pêndulo parar.
IV. Calcule o a amplitude de oscilação para cada . (A= L; explique de onde vem essa relação no
relatório)
V. Faça um gráfico de A × t.
VI. Sabendo a massa m do sistema oscilante, determine a constante de amortecimento b, pelo gráfico
A× t.
VII. Calcule o tempo de vida média τ para a oscilação.
VIII. Compare seus resultados com os obtidos pelos outros grupos.

Referências
Vuolo, J. H., Fundamentos da Teoria de Erros, Editora Edgard Blücher Ltda, São Paulo, 2000.

Tipler, P.A. e Mosca, G., Física para Cientistas e Engenheiros, 6ª edição, Vol. 1, Editora LTC, São Paulo, 2009.