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29/10/2018 Adalgisa Nery – Wikipédia, a enciclopédia livre

Adalgisa Nery
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira[1] (Rio Adalgisa Nery
de Janeiro, DF, 29 de outubro de 1905 — Rio de Janeiro, RJ, 7
de junho de 1980), [1] mais conhecida como Adalgisa Nery,
foi  uma  poetisa  modernista  e  jornalista  brasileira,  mais
conhecida  por  suas  obras  Ar  do  Deserto,  de  1943,  Mundos
Oscilantes  publicado  entre  1937  e  1952,  e  A  Imaginária,  de
1959.

Índice
Biografia
Infância
Vida com Ismael Nery
Vida com Lourival Fontes
Adalgisa Nery em retrato de seu primeiro marido.
Jornalista e política
Últimos anos
Nascimento 29 de outubro de 1905
Rio de Janeiro, DF
Obras
Morte 7 de junho de 1980 (74 anos)
Condecorações Rio de Janeiro, RJ
Referências Nacionalidade  brasileira
Ligações externas Cônjuge Ismael Nery (1922­1934)
Lourival Fontes (1940­?)
Filho(s) Ivan Nery (1923­)
Biografia Emmanuel Nery (1931­)
Ocupação Escritora e jornalista
Escola/tradição Modernismo
Infância
Nascida na rua Sebastião Lacerda, no bairro Laranjeiras, Adalgisa era filha do advogado Gualter Ferreira, natural do
Mato Grosso, mas baseado no Rio de Janeiro, e da portuguesa Rosa Cancela. Sensível e imaginativa desde cedo, ela
ficou órfã de mãe aos oito anos de idade, o que lhe foi um grande impacto, registrado mais tarde em sua obra. [2]

O  segundo  casamento  de  seu  pai  se  tornou  motivo  de  conflitos  emocionais,  pois  Adalgisa  não  se  adaptou  ao
temperamento difícil da madrasta. Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como
"subversiva" por defender as "órfãs" (categoria comum nos colégios religiosos  da  época),  consideradas  subalternas  e
maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola. Portanto, a única educação formal que ela recebeu em
vida foi a do ensino primário.

Vida com Ismael Nery
Aos quinze anos, Adalgisa se apaixonou por seu vizinho, o pintor Ismael Nery, [3] um dos precursores do Modernismo
no Brasil, com quem casou aos dezesseis anos. O casamento durou doze anos, até a morte do pintor em 1934. A partir
do casamento, Adalgisa Nery mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado

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29/10/2018 Adalgisa Nery – Wikipédia, a enciclopédia livre

circuito intelectual graças a frequentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a
consequente aquisição de cultura. Porém a vida de Adalgisa foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação
conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho,
Ivan, e o caçula, Emmanuel, sobreviveram.

Em  1959  Adalgisa  Nery  publicou  o  romance  autobiográfico  A  Imaginária, [4]  que  se  tornou  seu  maior  sucesso
editorial. Adalgisa, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido
no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na
vida cotidiana.

Viúva  aos  vinte  e  nove  anos,  sem  muitos  recursos  financeiros  e  com  dois  filhos  para  criar,  Adalgisa  foi  trabalhar
primeiro  na  Caixa  Econômica,  mas  depois  conseguiu  arranjar  um  cargo  no  Conselho  do  Comércio  Exterior  do
Itamaraty. Em 1937 lançou seu primeiro livro de poesia, intitulado Poemas.

Vida com Lourival Fontes
Em 1940 Adalgisa casou com o jornalista e advogado Lourival Fontes, que era o diretor do Departamento de Imprensa
e Propaganda (DIP), criado por Getúlio Vargas em 1939, para difundir a ideologia do Estado Novo.

Seguiu o segundo marido em funções diplomáticas em Nova Iorque, de 1943 a 1945, e como embaixador no México em
1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera, José Orozco (ambos a retrataram), Frida Kahlo,
David Siqueiros e Rufino Tamayo. Em 1952 viajou novamente àquele país, como embaixadora plenipotenciária, para
representar  o  Brasil  na  posse  do  presidente  Adolfo  Ruiz  Cortines.  Recebeu  a  Ordem  da  Águia  Asteca,  nunca  antes
concedida a uma mulher, em virtude de suas conferências sobre Juana Inés de la Cruz.

O casamento com Lourival durou treze anos, e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher.

Jornalista e política
Em  razão  do  grande  sofrimento  causado  pelo  abandono  de  Lourival  Fontes,  e  apesar  de  seu  valor  literário  ser
reconhecido  não  só  no  Brasil  como  na  França,  onde  uma  coletânea  de  poemas  foi  traduzida  por  Pierre  Seghers,
Adalgisa  resolveu  destruir  a  própria  fama  e  renegar  sua  obra.  A  partir  daí,  tornou­se  jornalista,  escrevendo  para  o
jornal Última Hora e política. Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e depois,
no tempo do bipartidarismo, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1969 teve o mandato e seus direitos
políticos cassados.

Últimos anos
Pobre e desamparada, sem ter onde morar, após em vida ter doado tudo para os filhos, Adalgisa passou a residir entre
1974 e1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis,  onde  viveu  como  reclusa.  Contrariando
seu propósito de nunca mais dedicar­se à literatura, ela escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos,
um de artigos e um romance, Neblina. O romance foi dedicado a Cavalcanti, considerado "dedo­duro" pela Ditadura,
em  gratidão  pelo  acolhimento  que  lhe  dera.  No  conflito  entre  o  que  seria  "politicamente  correto"  e  a  lealdade  a  um
amigo, Adalgisa escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.

Em 1975 passou a morar na casa de seu filho mais moço, Emmanuel. Em maio de 1976, deixou um bilhete para o filho
e se internou sozinha, por livre e espontânea vontade, sem ter doença alguma, numa casa de repouso para idosos, em
Jacarepaguá.  Emmanuel,  quando  chegou  em  casa,  surpreso,  não  encontrou  mais  a  mãe.  Um  ano  mais  tarde,  ela
sofreu um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica.  Três  anos  mais  tarde,  aos  setenta  e  quatro  anos,
faleceu.

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Obras
Poemas, 1937
A Mulher Ausente (poemas), 1940
Og (contos), 1943
Ar do Deserto (poemas), 1943
Cantos da Angústia (poemas), 1948
As Fronteiras da Quarta Dimensão (poemas), 1952
A Imaginária (romance), 1959
Mundos Oscilantes (poemas) 1962
Retrato sem Retoque (crônicas), 1966
22 menos 1 (contos), 1972
Neblina (romance), 1972
Erosão (poemas), 1973

Condecorações
 Ordem da Águia Asteca

Referências
1. Schumaher, Maria Aparecida; Vital Brasil, Érico. Dicionário Mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade biográfico
e ilustrado. Zahar. pp. 19.
2. Nava, Pedro. O Círio Perfeito. Atelie Editorial, 2004. pp. 269. ISBN 8574802212
3. Mendes, Murilo; Arrigucci Júnior, Davi. Recordações de Ismael Nery. EdUSP, 1996. pp. 64. ISBN 8531403057
4. Amaral, Aracy A.. Textos do Trópico de Capricórnio: Modernismo, arte moderna e o compromisso com o lugar.
Editora 34, 2006. pp. 76. ISBN 8573263644

Ligações externas
"A gargalhada" ­ texto extraído do livro "Contos de escritoras brasileiras" (http://www.releituras.com/anery_menu.a
sp)
Obras da Autora na Poepedia ­ A Encilopedia da Poesia (http://www.poepedia.org/index.php?title=Categoria:Adalgi
sa_Nery)

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