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A aderência dos laudos periciais contábeis produzidos por uma Unidade Gestora do
Exército Brasileiro aos preceitos da legislação brasileira

EDUARDO MARCOLINO DA MAIA


Centro Universitário Internacional (Uninter)
CLEIDINEI AUGUSTO DA SILVA
Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN)/ Associação Educacional Dom Bosco ( AEDB)
IDALBERTO JOSÉ DAS NEVES JÚNIOR
Universidade Católica de Brasília (UCB)

Resumo
A verdade fornece, normalmente, sempre a melhor justiça para a sociedade. A busca pela
verdade exige que o profissional atuante em perícias contábeis mantenha-se atualizado e
capacitado a fim de promover auxílio adequado na solução de litígios contábeis. O Laudo e o
Parecer Pericial Contábil podem vir a servir como meio de prova para o decisor e deve seguir
regras normativas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Este trabalho teve como
objetivo verificar se os Laudos Periciais Contábeis, realizados na Academia Militar das
Agulhas Negras (AMAN), no período de 2014 a 2017, estão em conformidade com as
Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) de Perícia Contábil, NBC TP 01 e NBC PP 01 e,
visou também secundariamente, identificar se a legislação do Exército Brasileiro (EB) que
regula a matéria, está em consonância com as NBC. Os procedimentos metodológicos da
pesquisa contemplaram a análise de 5 (cinco) Laudos Periciais elaborados de 2014 a 2017 em
uma IES do EB e a aplicação de questionários de pesquisa de campo às Inspetorias de
Contabilidade e Finanças do Exército Brasileiro (ICFEx), distribuídas estrategicamente em
todas as Regiões Militares Nacionais, onde se procurou averiguar o nível de aderência às
exigências contidas nas NBC. Os principais achados da pesquisa indicam que os laudos
verificados nos aspectos de sua apresentação, estrutura e encerramento, estavam em
conformidade com as exigências mínimas de acordo com as normas vigentes. Constatou-se
que não houve descumprimento das NBC na redação dos Laudos Periciais elaborados na
AMAN. Porém, verificou-se a necessidade do Exército Brasileiro (EB), por meio de suas
ICFEx, padronizar procedimentos para evitar possíveis controvérsias entre as partes
interessadas.
Palavras chave: perícia contábil, laudo pericial contábil, CFC, NBC TP 01 e NBC PP 01.


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1  Introdução
A Contabilidade surgiu no início da existência humana devido à necessidade do homem
em obter informações a respeito de suas riquezas (Sá, 2000). Sendo assim, a contabilidade
surge da necessidade do homem controlar o seu patrimônio, composto por bens, direitos e
obrigações. A perícia contábil pode ter surgido junto com a contabilidade. Porém, segundo
Alberto (2000), não se pode afirmar com certeza, que a perícia contábil surgiu juntamente
com os primórdios da civilização, como se suspeita em relação à Contabilidade.
A perícia contábil é uma das especialidades da Contabilidade. Para atuar em perícia é
pertinente que o profissional tenha domínio adequado da matéria para poder analisar,
averiguar e concluir de forma adequada e consistente o resultado de seu trabalho que é
materializado em um laudo ou um parecer contábil. Para isso, vislumbra-se a necessidade de
que o Perito possua competências profissionais embasadas especialmente pela ética, moral,
imparcialidade, honestidade e responsabilidade. Historicamente, a perícia é utilizada quando
há a necessidade de conhecimentos especializados com a finalidade de solucionar
controvérsias. Segundo Hoog (2017), o perito em contabilidade foi denominado de “louvado”
por força de norma jurídica, Decreto 8.821 de 1882, que trata da regulamentação da lei sobre
as sociedades anônimas.
A perícia judicial foi introduzida no Brasil através do Código de Processo Civil (CPC),
em 1939. Infelizmente, ainda nos dias de hoje, prejuízos continuam sendo causados para a
Administração Pública e causando enormes danos à população de uma forma geral. Assim, o
Profissional de Contabilidade, na função de perito, exerce um importante papel de combate a
possíveis danos ao Patrimônio Público. Tal função despertou interesse em verificar se a
execução da perícia na Administração Pública estaria sendo cumprida em consonância com as
disposições do CFC.
A administração pública possui características que exigem de seus gestores uma maior
precaução para evitar prejuízos em nome do Estado, ou seja, deseja-se que atos
administrativos estejam absolutamente alinhados com a legislação em vigor. Assim, visualiza-
se que as perícias realizadas na administração pública se mostram de grande importância para
a sociedade, pois estão inseridos os interesses coletivos.
A AMAN exerce gestão de vultosos recursos financeiros federais e administra
grandioso patrimônio público, concorrendo assim, para uma importante manutenção dos
interesses coletivos em prol da eficiência, eficácia e efetividade na aplicação dos recursos
administrados objetivando graduar os bacharéis em ciências militares, conhecidos por Oficiais
da Linha Bélica do EB.
Diante dessa situação-problema, a questão de pesquisa procura evidenciar uma resposta
para a seguinte indagação: qual é a aderência às exigências contidas nas NBC TP 01 e
NBC PP 01, nos Laudos Periciais Contábeis realizados na Academia Militar das
Agulhas Negras (AMAN), no período de 2014 a 2017?
Assim, o objetivo principal deste artigo foi verificar se os Laudos Periciais Contábeis
realizados na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), no período de 2014 a 2017,
estavam em conformidade com as NBC TP 01 (2015b) e NBC PP 01 (2015a). E como
objetivo secundário buscou-se identificar se a legislação do Exército Brasileiro (EB) que
regula a matéria está em consonância com as NBC TP 01 e PP 01, no que se refere à
elaboração correta do Laudo Pericial e ao cadastro de Profissional junto ao CFC.
Portanto, o presente estudo justifica-se, particularmente, por ter como diferencial a
realização de pesquisa pioneira no âmbito de uma Unidade Gestora(UG) de recursos
financeiros do EB, no caso em tela, de uma instituição de ensino superior militar, a AMAN,
visando à análise de Laudos Periciais elaborados de entre os anos de 2014 à 2017, quanto à
conformidade com a legislação do CFC.


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2 Fundamentação Teórica
A elaboração de laudos periciais contábeis compreende a reunião e estudo de vasta
legislação requerendo do perito uma constante atualização de conhecimentos sobre o tema a
ser abordado. Assim, cada tipo de perícia exigirá um estudo detalhado para elucidar os
questionamentos impostos e, com isso, promover adequado assessoramento técnico imparcial
e transparente para a autoridade julgadora de uma lide.

2.1 Fundamentos da Perícia Contábil


Hoog (2017) afirma que o termo “perícia” vem do latim peritia, que significa
conhecimento adquirido pela experiência, já utilizado na Roma Antiga, onde se valorizava o
talento do saber. De acordo com Henrique & Soares (2015), a perícia contábil é uma das
funções complementares da contabilidade propriamente dita e se dedica a verificar a
veracidade e a legalidade dos registros contábeis já realizados; diz ainda que pode alcançar as
seguintes áreas: a contabilidade propriamente dita, as finanças das pessoas físicas e jurídicas,
a administração e economia de empresa, a área fiscal, previdenciária e trabalhista.
Neves Júnior et al. (2015) esclarece que perícia é a forma de se demonstrar, por meio
de laudo pericial, a verdade de fatos ocorridos, contestados por interessados, examinados por
especialistas do assunto e que servirá como meio de prova em que se baseia o juiz para
resolução de determinado processo. Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC
TP 01, CFC (2015b), a perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-
científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar
a justa solução do litígio ou constatação de fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer
técnico-contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legislação
específica no que for pertinente. A Perícia Contábil está relacionada à construção de uma
verdade sobre determinada matéria, em certo aspecto ou situação, utilizando-se de
procedimentos normatizados, técnicos e científicos, executada debaixo de responsabilidades
de profissionais formados em Ciências Contábeis.
Para Alberto (2000), Perícia Contábil é um instrumento técnico-científico de
constatação, prova ou demonstração, quanto à veracidade de situações, coisas ou fatos
oriundos das relações, efeitos e haveres que fluem do patrimônio de quaisquer entidades. O
Conselho Federal de Contabilidade regulamenta as normas profissionais e técnicas a serem
respeitadas. As normas profissionais estabelecem regras de conduta profissional e definem
critérios para a atuação do contador na condição de perito (NBC PP – do Perito Contábil) de
acordo com CFC (2015a). As normas técnicas estabelecem conceitos doutrinários que devem
ser seguidos durante a execução dos trabalhos (NBC TP – de Perícia). A finalidade das NBC é
padronizar os procedimentos contábeis, a fim de que os profissionais sejam orientados a atuar
de maneira uniforme em todo o território nacional.
Das Graças (2004) aclara que a perícia contábil possui como objetivos específicos:
a) a informação fidedigna;
b) a certificação, o exame e a análise do estado circunstancial do objeto;
c) o esclarecimento e a eliminação das dúvidas suscitadas sobre o objeto;
d) o fundamento científico da decisão;
e) a formulação de uma opinião ou juízo técnico;
f) a mensuração, a análise, a avaliação ou o arbitramento sobre o quantum monetário do
objeto; e
g) trazer à luz o que está oculto por inexatidão, erro, inverdade, má-fé, astúcia ou
fraude.
De acordo com as NBC TP 01 (2015b), os procedimentos que o perito pode adotar ao
realizar uma perícia são: o exame, a indagação, a vistoria, a investigação, o arbitramento, a
mensuração, a avaliação e a certificação. O exame é a análise de livros, registros das


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transações e documentos. A vistoria é a diligência que objetiva a verificação e a constatação


de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial. A indagação é a busca de informação
mediante entrevista com conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia. A
investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou parecer pericial
contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias. O arbitramento é a determinação de
valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico. A mensuração é o ato de
qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos e obrigações. A avaliação é o ato
de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas. A certificação
é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito contador,
conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a este profissional.

2.2 A prova pericial


A prova é o instrumento utilizado para se atestar a verdade. A perícia é um meio de
prova e está regulamentada pelo Código de Processo Civil, Brasil (2015). Criar uma prova
legal é demonstrar ou confirmar a autenticidade de alguma coisa pela qual se verificou a
exatidão por meio de cálculo. Pires (2005) afirma que o objetivo da prova pericial consiste em
elaborar um laudo técnico que expõe a materialização do estudo, do exame e da certificação
da matéria fática vinculada à contabilidade pelo perito contador, para que a certeza jurídica
possa ser alcançada de forma cada vez mais científica.
Ornelas (2011, p.08) esclarece que “a função primordial da prova pericial é a de
transformar os fatos relativos à lide, de natureza técnica ou científica, em verdade formal, em
certeza jurídica”. Nesse sentido, a elaboração de Laudo ou Parecer Contábil será a prova
pericial para auxiliar a tomada de decisão da autoridade julgadora. Segundo Henrique &
Soares (2015), no meio jurídico, as provas podem ser apresentadas de três formas: a)
Documental, b) Testemunhal e c) Técnica. É como prova técnica que se insere a Perícia
Contábil realizada por Contador legalizado. Diz ainda que se aceita como verdade contábil o
que se pode provar, de forma mais convincente que alternativas de argumentação, aplicadas
aos mesmos fatos administrativos.
O novo Código de Processo Civil, Brasil (2015), que entrou em vigor desde 16 de
março de 2016, contém 1.072 artigos e caracteriza-se por avanços relativos à celeridade
processual, à supressão de recursos meramente protelatórios e à uniformização
jurisprudencial, em particular, por meio do incidente de demandas repetitivas. A Carta
Magna, Constituição Federal de 1988, Brasil (1988), em seu artigo 5º, descreve que o
princípio do devido processo legal exige, desde a provocação do Estado-Juiz até o momento
em que a tutela jurisdicional é prestada em definitivo, que sejam disponibilizados aos
jurisdicionados todos os meios legais para a defesa de seus interesses, assegurado o
contraditório. Consequentemente, às partes deve ser facultada a produção de todas as provas
que se mostrarem necessárias à comprovação de suas alegações.
A Lei Federal nº 13.105, de 2015, Brasil (2015), prestigia o perito, exige desse
profissional uma maior transparência para a sua indicação e reforça a necessidade do
conhecimento técnico especializado, tudo em consonância com os princípios da moralidade,
publicidade, impessoalidade e eficiência, lembrando que o processo judicial, e não mais o
juiz, passa a ser o verdadeiro destinatário das provas. Em seu Capítulo XII (Das provas), do
artigo 369 até o artigo 484, trata apenas sobre a prova jurídica, explicando as possibilidades e
proibições. Dias et al. (2016) descreve que o novo CPC reconhece a importância da Perícia
Contábil, exigindo maior transparência na indicação do perito e reforçando a necessidade de
conhecimento técnico especializado.
Zanna (2017) define prova pericial como sendo algo material ou imaterial, por meio do
qual o indivíduo se convence a respeito de uma verdade ou de sua ausência. A prova válida é
a maneira pela qual cada um de nós atinge a certeza do que seja verdadeiro ou não verdadeiro.


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O conhecimento da verdade depende do método de investigação aplicado em cada caso.


Como consequência, temos que métodos mais adequados e mais inteligentes de investigação
conduzem o perito a conclusões mais precisas, mais críveis e mais verdadeiras. Quanto mais
clara e evidente for a prova, mais fácil será para o indivíduo convencer-se da certeza que ela
transmite.

2.3 Aspectos Gerais sobre atuação em Perícia Contábil


A Justiça recorre ao perito contábil quando o juiz necessita de um laudo profissional
especializado e também para atender ao pedido de uma das partes envolvidas no processo.
Ornelas (2011) afirma que o perito, seja na condição de perito do juízo ou na condição de
assistente técnico, é um dos atores do processo judicial. Contribui de forma ativa para que a
decisão final dos magistrados venha a ser a mais justa possível. Isso significa dizer que é
defeso, em seus trabalhos, externar sua opinião sobre a lide nos autos do processo. Ainda
segundo Ornelas (2011), há duas formas de atuação do perito contábil, podendo perito
contador, judicial ou arbitral, ou atuar como perito contador assistente. Assim, observa-se que
o perito é nomeado, enquanto o assistente técnico é indicado.
Conforme a associação dos peritos judiciais do estado de São Paulo, APEJESP (2018),
o perito é um profissional de área ou atuação específica que possui determinadas aptidões a
mais do que outro profissional, ou seja, tem técnica ou conhecimento, que o torna um
“expert” no assunto. O Perito tem aptidões de especialista, capaz de trazer a prova verdadeira
de qualquer fato.
O CPC, Brasil (2015), em seus artigos 156, 157 e 158, descreve a função do perito:
Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de
conhecimento técnico ou científico.
Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz,
empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo alegando motivo
legítimo.
Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas
responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em
outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais
sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de
classe para adoção das medidas que entender cabíveis.

Segundo Dias et al. (2017), com o advento do novo CPC, um perito pode ser pessoa
física, contador, devidamente registrado no órgão profissional, conforme as Normas
Brasileiras de Contabilidade – NBC PP 01, de 27 de fevereiro de 2015, CFC (2015a), e
também pode ser órgão técnico ou científico. Significa dizer que instituições universitárias,
instituições de pesquisas, escritórios contábeis, entre outras, podem realizar perícias. Sendo
assim, os órgãos que detenham conhecimentos específicos sobre a matéria periciada poderão
ser nomeados pelo juiz. Da mesma forma que o juiz deve manter lista atualizada dos peritos
que atuam como pessoa física, deverá ser mantido registro das instituições que realizam
perícias, pelo juiz, tendo em vista o art. 156, § 2º, no que se refere ao cadastro dos peritos e
órgãos técnicos. Em virtude dessa necessidade, o CFC, através da Resolução 1.502/2016,
criou o Cadastro Nacional de Peritos Contábeis, CFC (2016a), com o objetivo de oferecer à
sociedade e aos Tribunais essa lista de profissionais habilitados.
A perícia contábil é de competência exclusiva de contador em situação regular perante o
Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição. O perito contador assistente é
contratado pela parte e não precisa de aprovação pelo juiz; porém, cabe a ele apresentar seu
registro no CFC e deve possuir as mesmas qualidades técnicas e morais do perito contador.
Hoog (2017) esclarece que o perito é o profissional que se pressupõe tenha elevados
conhecimentos científicos e tecnológicos para poder iluminar os juízes nas questões de


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ciência e tecnologia. Logo, deve exalar sabedoria, pela sua percepção pericial, pois é condição
primária para ser merecedor da honraria de auxiliar a justiça.
Segundo Ornelas (2011, apud Francisco D'Auria, 1962), resumem-se no perito a
competência técnica da sua especialidade, a experiência da função e as qualidades morais,
formando um conjunto de requisitos que lhe dão a reputação necessária para ser preferido
pelas partes interessadas e pelas autoridades judiciárias. De acordo com a Lei Federal nº
13.105/2015, Brasil (2015), para o cargo de perito só pode ser nomeado o profissional que
for especializado na área de conhecimento do objeto da perícia, prestigiando a segurança e
minimizando os riscos de prejuízos às partes e ao resultado do processo. Após todo o trabalho
pericial, a apreciação depende da livre convicção do magistrado.

2.4 O Laudo Pericial Contábil no Código do Processo Civil e na Norma Brasileira de


Contabilidade de Perícia Contábil (NBC TP 01)
O laudo pericial é a peça escrita em que o perito contador expressa o objeto da perícia
de forma circunstanciada. Ele é finalizado com os resultados e as conclusões encontradas. O
laudo deve ser objetivo, impessoal, conciso e possuir rigor tecnológico. Também deve ser
argumentativo, possuir exatidão e clareza. O laudo pode ser judicial ou extrajudicial. O laudo
pericial contábil é a própria prova pericial sobre a qual as partes irão oferecer seus
comentários, aceitando-o ou não (Ornelas, 2011, p.77). Os laudos variam de acordo com sua
finalidade. Sua estrutura deverá se adequar a cada caso, além de possuir características gerais
iguais para todos: abertura, considerações iniciais a respeito das circunstâncias de
determinação judicial, descrição do objeto, quesitos, respostas que seguem os quesitos,
encerramento do laudo, assinatura do profissional e, sempre que necessário, anexos e
documentos que fundamentem e suplementem o laudo.
Alberto (2000) descreve o laudo pericial como sendo sempre uma peça escrita – é o
documento produzido, o relatório, enfim, pericial – e deve expor claramente as circunstâncias
de sua elaboração, expondo ao usuário as observações e estudos efetuados a respeito da
matéria e, principalmente, os fundamentos e as conclusões a que chegou.
Segundo a NBC TP 01, Brasil (2015b), o laudo pericial contábil e o parecer técnico-
contábil são documentos escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o
conteúdo da perícia e particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e
as buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
A NBC TP 01, Brasil (2015b), prescreve que o laudo deva conter uma estrutura mínima
fundamental para qualquer processo onde se busca o conhecimento pericial: (a) identificação
do processo e das partes; (b) síntese do objeto da perícia; (c) resumo dos autos; (d)
metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos; (e) relato das diligências
realizadas; (f) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o laudo pericial
contábil; (g) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o parecer técnico-
contábil, onde houver divergência das respostas formuladas pelo perito do juízo; (h)
conclusão; (i) termo de encerramento, constando a relação de anexos e apêndices; (j)
assinatura do perito: deve constar sua categoria profissional de contador, seu número de
registro em Conselho Regional de Contabilidade, comprovado mediante Certidão de
Regularidade Profissional (CRP) e sua função: se laudo, perito do juízo e se parecer, perito
assistente da parte. É permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a
legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileiras - ICP-Brasil.
O principal procedimento do perito se materializa com o Termo de diligência, que é o
instrumento por meio do qual o perito solicita documentos, coisas, dados e informações
necessárias à elaboração do laudo pericial contábil e do parecer técnico-contábil. O artigo 473


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do Código de Processo Civil de 2015, Brasil (2015), passou a exigir que o perito judicial
apresente o Laudo Pericial com a seguinte estrutura:
"I - A exposição do objeto da perícia;
II - A análise técnica ou científica realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se
originou;
IV - Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e
pelo órgão do Ministério Público.
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e
com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões.
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir
opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia."

Sendo assim, o laudo pode ser visto sobre dois aspectos importantes, ou seja, o laudo é a
materialização do trabalho realizado pelo perito e o laudo é a própria prova pericial. Hoog
(2017) afirma que o parecer pericial contábil também é uma peça escrita, na qual o perito
contador assistente deve visualizar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e
particularizar os aspectos e as minudências que envolvam a demanda. O parecer pericial
contábil deverá obedecer à mesma estrutura do laudo pericial contábil seguindo os mesmos
padrões e normas para a sua elaboração.

2.5 Ministério da Defesa/ Exército Brasileiro/ AMAN


O instrumento militar responsável pela defesa do Brasil é constituído pelas Forças
Armadas, compostas pela Marinha do Brasil (MB), pelo Exército Brasileiro (EB) e pela Força
Aérea Brasileira (FAB), Brasil (2017a e 2017d). Instituições nacionais permanentes e
regulares, organizadas sob a égide da hierarquia e da disciplina, as Forças Armadas atuam sob
a autoridade suprema do Presidente da República.
As Forças Armadas atuam sob a direção superior do Ministério da Defesa (MD), que
tem a incumbência de orientar, supervisionar e coordenar as atividades desenvolvidas por
essas instituições. São funções das instituições militares: assegurar a integridade do território
nacional; defender os interesses e os recursos naturais, industriais e tecnológicos brasileiros;
proteger os cidadãos e os bens do país; garantir a soberania da nação. Também é missão das
Forças Armadas a garantia dos poderes constitucionais constituídos e, por iniciativa destes,
atuar na garantia da lei e da ordem e tempo delimitado, preservar o exercício da soberania do
Estado e a indissolubilidade da Federação (BRASIL, 2017b).
O Exército Brasileiro (EB) tem como missão contribuir para a garantia da soberania
nacional, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, salvaguardando os interesses
nacionais e cooperando com o desenvolvimento nacional e o bem-estar social. A missão é
condicionada pelas dimensões continentais do Brasil, caracterizadas pela variedade de
ambientes geográficos e por uma faixa de fronteira com dez países que se estende por quase
17 mil quilômetros. Também tem atuação premente no apoio à política externa nacional,
contribuindo com o maior número de efetivos militares brasileiros em operações de paz e de
ajuda humanitária (BRASIL, 2017b).
Segundo Silva et al. (2017), a AMAN é um estabelecimento de ensino de nível superior
que tem como principal missão formar os oficiais da linha bélica do EB. Para isso, desenvolve
atividades educacionais de nível universitário, orientadas por currículos e métodos
reconhecidos pelas leis de ensino do país e em plena consonância com as mais renomadas
universidades brasileiras. Ao final do curso, de 4 anos, o militar recebe o grau de bacharel em
Ciências Militares (GUTIAN, 2005).
É na Academia Militar, que são formados os oficiais combatentes da ativa do Exército
Brasileiro, futuros comandantes dos pequenos escalões da Força Terrestre. E para atingir a


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consecução de sua razão de existir, a AMAN busca alcançar três tipos de objetivos
educacionais: os que enfatizam as formas de raciocínio e a aquisição de conhecimentos;
aqueles que destacam a habilidade motora e a coordenação neuromuscular; e os que se
relacionam às emoções e aos sentimentos; assim, tais objetivos mencionados estão ligados às
áreas cognitiva, psicomotora e afetiva, respectivamente (FONSECA JÚNIOR, 2008).
Atualmente, existem aproximadamente 1600 graduandos que são conhecidos pela
denominação de Cadetes. O Exército Brasileiro (EB) possui em sua estrutura uma Secretaria
de Economia e Finanças (SEF), que é uma unidade orçamentária do Comando do Exército e
tem como premissa básica o compromisso da qualidade da gestão dos recursos orçamentários,
financeiros e patrimoniais; dos processos e dos sistemas administrativos e das auditorias de
avaliação da gestão dos recursos disponibilizados para o Comando do Exército (Brasil, SEF,
2017).
As origens da Secretaria de Economia e Finanças (SEF) do Exército Brasileiro
remontam ao Império. O regulamento nº 112, de 22 de dezembro de 1841, deu uma nova
organização à Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, substituindo a Contadoria do
Arsenal de Guerra pela Contadoria Geral, anexa à mesma Secretaria, a qual possuía como
atribuições: "tudo o que disser a respeito à receita e despesa relativa ao pessoal do Exército, o
que for concernente ao material do mesmo Exército, o exame moral, e aritmético, liquidação,
a tomada de contas de todas as Repartições e empregados do mesmo Ministério, toda a
contabilidade respectiva à receita e despesa do Arsenal de Guerra, e sua competente
fiscalização, a organização e a distribuição do Orçamento, e Créditos – estes a cargo do
Contador” (BRASIL, 2017c).
A SEF possui organização geral conforme o Quadro 01. A AMAN é subordinada
tecnicamente, para fins de fiscalização e controle contábil-financeiro, pela 4a ICFEx,
localizada na cidade de Juiz de Fora - MG, que por sua vez, tem também enquadramento
organizacional vinculado a SEF.

Quadro 01 - Organização da SEF

Fonte: Ministério da Defesa/ EB (2017c).

A missão das ICFEx é realizar a contabilidade analítica, sob a coordenação técnica da


Diretoria de Contabilidade (D Cont), e desenvolver atividades de Auditoria e Fiscalização,
sob a coordenação técnica do Centro de Controle Interno do Exército (CCIEx), orientando e
fiscalizando as Unidades Gestoras subordinadas e vinculadas (UGV) na área do Comando
Militar a que pertencem. Estrategicamente, as doze inspetorias estão distribuídas em todas as
regiões militares do País e tem ligação funcional direta com a SEF sediada em Brasília-DF.


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Conforme o Quadro 2, são 435 (quatrocentos e trinta e cinco) Unidades Gestoras, dentre
as mais de 600 (seiscentas) OM que estão sob a égide da SEF em termos de controle e
fiscalização econômica, contábil e financeira.

Quadro 2 - Quadro de Organização das ICFEx subordinadas a SEF

Secretaria de Economia e Finanças (SEF) do Exército Brasileiro

1ª ICFEx 2ª ICFEx 3ª ICFEx 4ª ICFEx 5ª ICFEx 6ª ICFEx 7ª ICFEx 8ª ICFEx 9ª ICFEx 10ª ICFEx 11ª ICFEx 12ª ICFEx

64 UG 30 UG 76 UG 25 UG 36 UG 17 UG 42 UG 17 UG 29 UG 21 UG 45 UG 33 UG

Fonte: Elaborado pelos autores (2018), baseado em Brasil (2017c).

A realização de perícias, sob a administração do EB, normalmente ocorre após e/ou


durante a realização de sindicância, de processo administrativo ou, também, de inquérito
policial militar, momento em que surge a necessidade de especialista em matéria contábil.
Com isso, o Comandante/ Chefe/ Diretor (Cmt/ Ch/ Dir) da Unidade Gestora (UG) solicita à
Região Militar de vinculação a nomeação de Perito Contábil. Até o presente momento, não há
legislação interna que normatize a sequência dos trabalhos do perito na administração do EB,
o que pode favorecer a uma possível desconformidade com as NBC quanto à elaboração dos
laudos.
Depois de conclusos os trabalhos do perito, o Cmt/ Ch/ Dir exerce a função do juízo
sobre a causa. A perícia realizada será analisada pela ICFEx de vinculação, de maneira a
exercer um controle administrativo. Ocorre que, em não havendo uma legislação interna a
seguir padronizada, as ICFEx não possuem meios de validar ou invalidar os trabalhos do
perito, contribuindo para possíveis controvérsias entre as partes e/ou possíveis entendimentos
distintos sobre a qualidade dos laudos, acarretando possível insegurança jurídica para a
administração pública.

2.6 Outras Pesquisas Relacionadas com o tema


Acerca de achados de estudos semelhantes sobre o tema, foram localizados estudos
que abordaram a qualidade dos laudos feitos por peritos contadores, propagados por:
- Medeiros e Neves Júnior (2006) verificaram a qualidade do laudo pericial contábil na
visão dos magistrados. Os autores realizaram uma pesquisa exploratória através de consulta a
40 juízes atuantes nas comarcas da cidade do Rio de Janeiro e Brasília. Os resultados
indicaram que cerca de 70% dos magistrados tiveram a percepção que a qualidade dos
trabalhos produzidos pelos peritos contadores foi considerada boa.
- Rivas e Neves Júnior (2007) realizaram estudo com o objetivo de constatar a
importância de se apresentar um Laudo Pericial Contábil com qualidade e evidenciar a sua
influência na decisão do magistrado. Foi realizada uma pesquisa de campo, onde se estudou
14 processos (documentos analisados: Laudo Pericial; Parecer Pericial Contábil; Pedidos de
Esclarecimentos; Sentença do Magistrado) com tramitação nas comarcas do Distrito Federal e
da cidade de Fortaleza-CE. Apurou-se que os laudos conseguiram atingir a eficiência a que se
propuseram e foram extremamente elucidativos, o que representou um total de 92,86% dos
laudos analisados, podendo servir de prova e influenciar na decisão de uma lide, dada a
importância da prova técnica para a formação da convicção jurídica do magistrado, ou seja, os
autores verificaram que a maioria dos laudos periciais contábeis atende aos requisitos de


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trabalhos realizados com qualidade, tendo comprovado que essa prova pericial influencia a
decisão do magistrado.
- Martins e Ornelas (2008) verificaram se os laudos periciais contábeis em processos
judiciais envolvendo falência, cartão de crédito e sistema financeiro de habitação, distribuídos
na Comarca de Natal, estavam adequados em relação às Normas Brasileiras de Contabilidade.
Utilizou-se a metodologia de análise de conteúdo dos laudos, fazendo um confronto entre o
laudo e o que determina as Normas Periciais Contábeis emanadas pelo CFC. Com a fase
preliminar da pesquisa, foi possível transformar os dados qualitativos para dados
quantitativos, onde, foi utilizado tratamento estatístico no que se refere à análise descritiva
dos dados, bem como testes de hipóteses, realizados a partir dos testes não paramétricos (teste
de Fisher). Os resultados da pesquisa indicaram um grau de aderência satisfatório no
atendimento ao que emanam as normas periciais editadas pelo CFC.
- Dos Anjos et al. (2010) teve como objetivo analisar a utilização dos laudos periciais
contábeis em função de possuírem linguagem simples, clara, concisa e objetiva, na visão dos
magistrados das varas cíveis estaduais da cidade de Maceió – Alagoas. Foi fundamentado em
um estudo empírico em treze varas cíveis da esfera estadual, localizadas na Cidade de
Maceió/AL. Realizou-se uma entrevista por meio de questionário estruturado, sendo os dados
tratados através de estatística descritiva, em estudo de caso. Os resultados da pesquisa
indicaram que os juízes têm uma percepção satisfatória dos laudos periciais contábeis
elaborados pelos peritos contadores por eles nomeados. Entretanto, foram identificados
pontos controversos que têm influenciado no tempo para deslinde do litígio ou na decisão
judicial.
- Maciel e Lopes (2012) pesquisaram com o objetivo de verificar se os peritos contábeis
da 2ª e 3ª vara da Justiça do Trabalho, de Jaboatão dos Guararapes em Pernambuco, respeitam
a NBC TP 01 quando da elaboração dos seus laudos. Com relação à metodologia, o estudo
utilizou o método de procedimento histórico e a pesquisa de campo foi realizada com os
laudos contábeis das 2ª e 3ª varas da Justiça Trabalhista de Jaboatão dos Guararapes. Os
principais achados revelam que, apesar de estabelecer os requisitos mínimos para a elaboração
de um laudo pericial contábil, a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica de Perícia - NBC
TP 01 não foi integralmente respeitada pelos profissionais que tiveram seus laudos analisados.
- Cordeiro et al. (2013) verificaram se os laudos periciais contábeis contidos nos
processos judiciais envolvendo Sistema Financeiro de Habitação – SFH, colhidos na Justiça
Federal em Goiânia-GO nos anos de 2010 a 2012, foram elaborados de acordo com a
estrutura definida na Resolução CFC nº 1.243 de 2009. Realizaram uma pesquisa documental,
na qual foram coletados e analisados 11 (onze) laudos periciais contábeis dentre as 16
(dezesseis) Varas constantes da Justiça Federal em Goiânia – GO. Como principais
resultados, a pesquisa apurou que os laudos periciais contábeis extraídos seguem parcialmente
a estrutura exigida pela referida Resolução do CFC.
- Na pesquisa produzida para a Revista Brasileira de Gestão de Negócios, por Neves
Júnior et al.(2013), objetivou-se conhecer a opinião dos juízes que atuam na Primeira
Instância da Justiça do Trabalho acerca da qualidade e relevância do trabalho desenvolvido
pelo perito contábil. Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo com 135 juízes da
Primeira Instância da Justiça do Trabalho e em todas as regiões do Brasil. Foi utilizada, ainda,
a técnica estatística multivariada de análise de clusters. Entre os principais resultados, foi
ratificado, na opinião dos entrevistados, que o trabalho do perito é essencial para a formação
do convencimento do juiz e que o perito responde adequadamente às questões do litígio, foi
revelado que 58% dos entrevistados consideram como bons e indispensáveis o trabalho
desenvolvido pelo perito contador e que 71% dos magistrados consideram o trabalho do perito
relevante para subsidiar sua decisão.

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A pesquisa produzida para artigo publicado na Revista Pensar Contábil, pelos autores
Neves Júnior et al. (2014), teve como objetivo analisar a qualidade e a relevância do laudo
pericial contábil na visão dos magistrados que atuam no estado do Rio de Janeiro. Foi
realizada pesquisa de campo com 30 juízes, todos da comarca do Rio de Janeiro. Com os
resultados obtidos foi possível confirmar que, em geral, os magistrados estão satisfeitos com
os laudos periciais e que os levam em consideração em suas tomadas de decisão. Foram
identificados alguns aspectos que os magistrados entendem que podem ser melhorados nos
laudos, para que esses possam contribuir de forma ainda mais efetiva para a formação de seu
convencimento.
Como síntese dessas pesquisas encontradas, verificou-se uma percepção positiva e
convergente em relação à produção dos trabalhos realizados pelos contabilistas, que atuam
especialmente no ramo pericial judicial. Entretanto, ressalta-se a importância e justificativa
desta pesquisa em curso, principalmente, por tratar-se de identificação do trabalho pericial na
área da Administração Pública diretamente relacionada ao Ministério da Defesa/EB.
Portanto, após esta revisão teórica do artigo proposto, ressalta-se que no presente
estudo, buscou-se identificar a qualidade de trabalhos de perícia contábil realizados na
AMAN, em um recorte de quatro anos, verificando a aderência dos laudos periciais contábeis,
produzidos neste período especialmente relacionado às NBC TP 01, Brasil (2015b), bem
como, identificar a percepção de integrantes das diversas ICFEx do EB, listadas no Quadro 2,
no tocante ao problema da pesquisa, especialmente, quanto à existência de legislação interna
do EB relacionada à prática pericial no âmbito da administração federal, verificando a
conformidade com as normas periciais dispostas pelo CFC.

3 Procedimentos Metodológicos
Para atender ao objetivo proposto, a pesquisa adota abordagem exploratória e descritiva,
conforme Beuren (2013). Na exploratória, utiliza-se análise quantitativa elementar de dados
coletados em Laudos Periciais Contábeis produzidos na UG AMAN, no período de 2014 a
2017 e para a descritiva, usou-se análise qualitativa de discurso. Na primeira, utilizou-se
estatística descritiva básica, sobre a ocorrência de frequência de dados e na segunda, analisa-
se o discurso de profissionais para compreender melhor em que aspectos a legislação do
Exército Brasileiro (EB) que regula a matéria, está em consonância com as NBC TP 01 e
NBC PP 01, Brasil (2015b; 2015a), por meio de pesquisa de campo, com 11 (onze) ICFEx das
12 (doze) que é a população da pesquisa; optou-se excluir da pesquisa a 6a ICFEx, por ter sido
recém-criada, no ano de 2016. Registra-se que se obteve resposta amostral de nove inspetorias
das doze existentes no EB. Assim, pode-se afirmar tratar-se de uma amostra não-probalística
por conveniência conforme Freitas et al. (2000) .
Assim, no que se refere aos objetivos propostos para esta pesquisa, ela se classifica
como descritiva, pois objetivou descrever as características de restrita população. Quanto à
abordagem do problema de pesquisa, é considerada quantitativa. Do ponto de vista dos
procedimentos técnicos, Lakatos e Marconi (2003) classificam a pesquisa como documental e
bibliográfica, pois foi elaborada a partir de documentação administrativa, livros, artigos,
periódicos, internet etc.
Segundo Colauto e Beuren (2006) e Beuren (2013), a ciência possui inúmeras formas de
obter dados para subsidiar seus propósitos. Os instrumentos de coleta de dados mais
abordados pelas ciências sociais no campo da Contabilidade são: a observação, os
questionários, as entrevistas, os check-lists e a análise documental. Neste trabalho, a coleta de
dados efetivou-se via chek-list e questionário elaborados pelos autores. A coleta de dados é a
etapa da pesquisa em que se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas
selecionadas, a fim de se efetuar a coleta dos dados· previstos (LAKATOS; MARCONI,
2003).

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Com base no problema de pesquisa apresentado, examinaram-se cinco laudos periciais


produzidos que tratavam de perícia de prestação de contas, sendo que, das cinco situações
estudadas, três relacionadas a processo administrativo interno, uma ligada à sindicância e
outra oriunda de um Inquérito Policial Militar. Ademais, para o desenvolvimento do presente
estudo, foram coletadas informações de 9 (nove) das 11 (onze) ICFEx consultadas por meio
de questionário, com perguntas fechadas utilizando escala tipo Likert e abertas, que passou
por um pré-teste, com a intenção de verificar a aderência ao problema pesquisado, bem como
a coerência do instrumento utilizado.
As questões formuladas para o levantamento junto às ICFEx, com aspectos
eminentemente qualitativos, envolveram avaliações referentes à qualidade dos laudos
periciais e à regulamentação da matéria pelo EB. O referido questionário possuía nove
perguntas, por meio das quais se procurou avaliar a aderência dos laudos elaborados por
peritos do EB em consonância com as NBC TP 01 e NBC PP01, Brasil (2015b; 2015a), tudo
com a finalidade de corroborar com a busca da resposta ao problema de pesquisa proposto
neste artigo.
A pesquisa de campo foi realizada entre os meses de dezembro/2017 e Janeiro/2018.
Foram contatadas e enviado o questionário para 11 (onze) ICFEx. O objetivo foi obter a
percepção das inspetorias sobre a existência de normatização interna de Perícias Contábeis em
consonância com as NBC TP 01 e PP 01, Brasil (2015b; 2015a), e, sobre a relevância do
trabalho desenvolvido pelo perito contador, além de demonstrar, sob a visão do usuário dos
serviços, a atuação desses profissionais nos trabalhos de perícia âmbito Exército Brasileiro.
Tal ação visa assim dar suporte à análise dos cinco laudos verificados nesta pesquisa.
Destaca-se que foram utilizados procedimentos complementares para estudar o
conteúdo coletado, tais procedimentos estão relacionados com técnicas estatísticas cuja
finalidade é verificar quantitativamente se os laudos elaborados na UG AMAN estavam
aderentes à estrutura delimitada pelas resoluções do CFC que tratam de perícia. Foi utilizada a
estatística descritiva, mediante informações coletadas e analisadas pela utilização da análise
de conteúdo, o que permitiu além de uma visualização clara entre o proposto (NBC TP 01),
(Brasil 2015b), e o realizado (laudos estudados), uma confrontação se a estrutura proposta foi
aplicada nos respectivos laudos.
Utilizou-se para a confrontação um cheklist elaborado baseado no quadro para análise
de laudo dos autores Maciel e Lopes (2012) e Antonio et al. (2015). Para a pesquisa de campo
junto às ICFEx, realizou-se a confecção de questionário que foi elaborado tomando por base
as diretrizes das NBC (TP01 e PP01), Brasil (2015b; 2015a) e do Código de Processo Civil
relacionados ao tema perícia.

4 Descrição e Discussão dos Resultados


O exame dos 05 (cinco) laudos periciais contábeis, elaborados na AMAN, no período de
2014 a 2017, foi realizado na própria UG AMAN, através de leitura dos laudos propriamente
ditos. Para análise dos dados utilizou-se do recurso da análise de conteúdo, confrontando o
conteúdo dos laudos (forma) com a estrutura definida pelos fundamentos baseados nas NBC
TP 01, (2015b), que definem os seguintes requisitos: (a) Identificação do processo e das
partes; (b) Síntese do objeto da perícia; (c) Metodologia adotada para os trabalhos
periciais; (d) Identificação das diligências realizadas; (e) Transcrição dos quesitos; (f)
Resposta aos quesitos; (g) Conclusão; (h) Identificação do perito; e (i) Outras informações,
a critério do perito contador, entendidas como importantes para melhor esclarecer ou
apresentar o laudo pericial. Os resultados da pesquisa foram estruturados a partir dos dados e
pontos de verificação contidos no check-list apresentado na Tabela 1.
Concomitantemente, ao exame dos laudos, após o recebimento dos questionários
enviados às 11 (onze) Inspetorias do Exército Brasileiro (ICFEx), providenciou-se uma

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correlação das informações coletadas com os cinco laudos analisados, tudo com a finalidade
de apoiar a discussão dos resultados propostos no problema de pesquisa.
Quanto ao primeiro grupo da Tabela 1, que trata da estrutura dos laudos, pode-se
observar que foram realizados de forma adequada atendendo aos preceitos da NBC TP 01,
especialmente no tocante às exigências contidas no item 65 da Resolução CFC, fato este que
diverge dos achados dos autores Maciel e Lopes (2012). Isso é um indicativo que os laudos
produzidos nesta Organização Militar do EB, têm, pela amostragem desta pesquisa, cumprido
as formalidades previstas nas legislações sobre o tema pericial contábil. Vale dizer que os
laudos analisados não continham quesitos das partes e nem perito contador assistente,
revelando desta feita que há possibilidade de demanda para atuação de contadores que
labutam na seara de perícia.

CHECK-LIST
Primeiro Grupo: ESTRUTURA DO LAUDO Sim Freq. Não Freq.
% %
1. Contém um cabeçalho que identifica o processo? 5 100 0 0
2. É apresentado o objetivo do Laudo? 5 100 0 0
3. O perito mencionou os métodos que serão utilizados? 5 100 0 0
4. O perito evidencia quais modalidades e procedimentos de perícia foram utilizados? 5 100 0 0
5. Comunica as diligências que identificam os procedimentos adotados e a coleta de 5 100 0 0
dados?
6. Responde aos quesitos ou pontos controvertidos formulados? 5 100 0 0
7. Responde aos quesitos formulados pela requerente (autor)? 0 0 5 100
8. Responde aos quesitos formulados pela requerida (Ré)? 0 0 5 100
9. O laudo apresenta conclusão e encerramento? 5 100 0 0
10. O laudo contém bibliografia? 5 100 0 0
11. O laudo apresenta documentos? 5 100 0 0
12. O laudo apresenta anexos e apêndices? 5 100 0 0
Segundo Grupo: REQUISITOS DO LAUDO Sim % Não %
13. Apresenta objetividade? 5 100 0 0
14. O laudo é conciso (objetivo)? 4 80 1 20
15. Apresenta argumentação nas suas respostas? 5 100 0 0
16. Apresenta Exatidão (verdadeiro) em suas provas? 5 100 0 0
Terceiro Grupo: SUPOSIÇÕES LEVANTADAS Sim % Não %
17. O laudo analisado atinge o grau de eficiência a que se propõe? 5 100 0 0
18. O perito deixou margem para contestação no Laudo Pericial Contábil? 1 20 4 80
19. O Laudo foi elucidativo (explicativo) para a decisão da autoridade decisora? 5 100 0 0
20. O laudo foi devidamente assinado e rubricado em todas as páginas pelo Perito? 5 100 0 0
21. Houve assinatura em conjunto pelos peritos contadores e perito contador assistente? 0 0 5 100
22. O perito contador é devidamente habilitado perante Conselho Regional de 5 100 0 0
Contabilidade?
Tabela 1 – Resultado do Check-List dos laudos periciais examinados
Fonte: Elaborado pelos autores (2018).

Outro grupo de critérios da Tabela 1, sobre a qualidade do laudo, percebeu-se que um


dos laudos produzidos continha excesso de anexos, o que tornou o laudo de certa forma
prolixo. Quanto aos demais aspetos sobre a qualidade dos laudos produzidos, observou-se
uma pertinência de 100% quanto à objetividade, argumentação e exatidão das informações.
O último e terceiro grupo analisado no chek-list constaram de aclarar suposições
levantadas. Assim, observa-se conforme Tabela 1, que os laudos analisados atingiram o grau
de eficiência a que se propuseram, corroborando com os achados das pesquisas de Cordeiro et
al. (2013), Martins e Ornelas (2008), Dos Anjos et al. (2010) e Rivas e Neves Júnior (2007).
Um dos laudos estudados deixou margem para contestações, o que motivou a realização de
dois laudos complementares para o esclarecimento dos fatos. Os laudos foram elucidativos,
produzindo conhecimento especialista da área contábil para apoiar a decisão da autoridade

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militar que responsável pela homologação dos laudos, no caso da AMAN, o Agente Diretor
Máximo da Administração que é o Comandante da Academia Militar.
Outro aspecto verificado foi se os laudos estavam devidamente assinados e rubricados
em todas as páginas, o que foi plenamente efetivado. Foi identificado também que em todas as
perícias contábeis o contador era devidamente habilitado perante Conselho Regional de
Contabilidade; isso indica que os laudos produzidos foram realizados em consonância,
especialmente com as exigências contidas nas NBC PP01, Brasil (2015a), no aspecto de
comprovar sua habilitação profissional por intermédio da Declaração de Habilitação
Profissional – DHP, de que trata a Resolução “CFC 871/2000”.
Já em relação à pesquisa de campo junto às inspetorias de contabilidade do EB, nas três
primeiras questões, procurou-se esclarecer se existe algum tipo de Norma para a realização de
Perícia Contábil no Exército Brasileiro de forma similar às Normas de Auditoria - Manual de
Auditoria (EB10-MT-13.001 - Portaria do Comandante do Exército Nr 018, de 17/01/ 2013),
Brasil (2018), pois perícia e auditoria não se confundem. Segundo Henrique & Soares (2015),
o Contador na função de perito se preocupa somente com o(s) fato(s) da lide, não se envolve
com a organização da empresa e não aborda se os controles internos são adequados à
segurança patrimonial. O Perito não é um consultor de empresas, nem mesmo informalmente.
Inversamente, o auditor se preocupa com os sistemas de controle e o funcionamento da
administração da empresa, assemelhando-se a um consultor. A ABRACICON (2016)
esclarece que não compete ao perito a produção de provas, mas sim, examinar as provas
produzidas pelos litigantes. A pesquisa revelou que não existe legislação do EB que atenda as
NBC TP 01 e PP 01, mas sim, uma orientação administrativa para as ICFEx.
O perito militar do EB é integrante da administração pública federal e, assim como os
demais órgãos federais, o perito contador não recebe honorários extras para realizar atividade
de perícia. Verificou-se nos laudos analisados que houve uma petição similar ao modelo de
petição de honorários, previstas nas NBC PP01, Brasil (2015a); entretanto, a adaptação foi
realizada com o intuito da determinação e futura homologação do tempo necessário para a
produção do trabalho pericial, isso motivado por falta de uma legislação específica no âmbito
do MD/EB que regule o tempo necessário para produção do laudo. Aliado a esta situação,
apurou-se junto às ICFEx vantagens com a possível criação de Normas de Perícias no âmbito
do EB, já que facilitaria a padronização de critérios, procedimentos e informações para a
condução do trabalho pericial.
Outra vantagem visualizada foi "a criação de uma Norma, Diretriz ou Orientações no
âmbito do EB poderia servir como referência para todo o processo de perícia contábil. O
documento poderia normatizar todo o processo e sanar dúvidas que ainda persistem, como: a
quem solicitar a perícia contábil, situações diversas, responsabilidade pela realização,
composição de equipe. Serviria como referência principalmente para as demandas externas.
Esta norma não abrangeria a parte da técnica da perícia, que continuará seguindo as
resoluções do CFC". Assim, observa-se que os laudos estudados, de certa forma, foram
elaborados seguindo satisfatoriamente, de modo geral, às NBCs; entretanto, seria adequada a
padronização de procedimentos de forma institucional, via comando do EB, com a finalidade
de harmonizar ações formais a serem executadas pelos peritos contadores nomeados.
A quarta questão abordou se as Perícias Contábeis realizadas são feitas por Profissionais
Contadores que possuem registro no Conselho Federal de Contabilidade (CRC ativo),
obtendo-se como resposta que 100% das perícias contábeis são de fato produzidos por
profissionais em dia com o CFC. A outra parte da indagação buscou saber se os peritos
possuíam o Cadastro Nacional de Peritos Contadores (CNPC), em total conformidade com as
NBC PP 02, CFC (2016a; 2016b). Apurou-se que, aproximadamente, 67% não possuem
cadastro, isso é um indicativo da possível necessidade em regulamentar o assunto no âmbito
do EB.

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Outra indagação tratou de identificar se os encarregados de realização de Perícia


Contábil passam por algum tipo de processo de treinamento ou capacitação para atuar na
função de perito contador, sob coordenação de alguma Organização Militar. Foi apurado que
cerca de 90% dos respondentes sinalizaram não haver sido realizado nenhum tipo de
treinamento sobre o assunto. Assim, observa-se uma demanda real de treinamento dos
militares que realizam perícia, pois a atuação pericial exige adequada educação continuada em
função dos diversos ramos que o objeto da perícia contábil pode gerar. Foi apurado ainda que
os peritos que elaboraram os laudos analisados não realizaram cursos específicos coordenados
institucionalmente pelo EB.
Outro aspecto da pesquisa de campo foi verificar assuntos relacionados à qualidade dos
laudos tramitados no âmbito do EB pelas inspetorias de contabilidade. Do apurado, pode-se
observar, conforme consta no Gráfico 1, que cerca de 89% concordam em parte ou totalmente
sobre considerar que os laudos produzidos são adequados. Portanto, esta informação
aproxima-se do resultado médio, cerca de 95%, quanto ao critério qualitativo dos 5 laudos
analisados da Unidade Gestora (AMAN), indo ao encontro dos achados dos pesquisadores
Rivas e Neves Júnior (2007) que estudaram a percepção de construcão de laudos tramitados
na justiça. Isso é um indicativo que, mesmo de forma limitada, revela ser um trabalho
competente por parte dos profissionais contábeis atuantes tanto para magistrados quanto para
Gestores da Administração Militar.

60%
Concordo Totalmente
50%
Concordo em parte

40%
Não concordo nem discordo

30% Discordo em parte

20% Discordo Totalmente

10%

0%
Considera o nível de qualidade dos  Considera que os laudos estão sendo 
laudos ADEQUADOS? elaborados em completo atendimento 
às normas NBC TP 01 e PP 01, de 
2015?

Gráfico 1 - Nível de qualidade dos laudos tramitados no âmbito do EB


Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Ainda com relação Gráfico 1, destaca-se que 88% das respostas obtidas das ICFEx
consultadas tiveram a percepção de que os laudos periciais contábeis tramitados nos últimos
anos, sob a égide das respectivas Inspetorias de Contabilidade e Finanças do EB, no tocante
aos requisitos: a) apresentação do Laudo; b) estrutura mínima do Laudo; e, c) encerramento
vem sendo elaborados em completo atendimento às normas NBC TP 01, Brasil (2015b), e
NBC PP 01, Brasil (2015a).

5 Considerações Finais
O presente trabalho teve seus objetivos alcançados na medida em que houve verificação
se os Laudos Periciais Contábeis realizados na AMAN, no período de 2014 a 2017, estavam
em conformidade com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) de Perícia Contábil,
NBC TP 01 e NBC PP 01, ambas de 2015. Como resultado, foi possível constatar, por meio
da verificação dos laudos examinados, que houve adequada e compatível conformidade em
relação às NBC TP 01 e alguns aspectos das NBC PP 01, bem como atendeu aos preceitos
emanados pelo CPC.

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Quanto aos resultados obtidos pela aplicação do check-list, verificou-se que os laudos
apresentam a eficiência esperada e são elucidativos, podendo servir de prova e influenciar na
decisão de uma lide por parte do agente diretor administrativo de uma unidade direta da
administração pública federal. Porém, vale mencionar que, devido ao tamanho da amostra
deste estudo e tratar-se da análise em apenas uma unidade gestora do EB, os resultados dessa
pesquisa foram limitados e não podem ser generalizados.
A pesquisa ainda constatou que não existe legislação do EB que oriente as aplicações
das NBC TP 01 e NBC PP 01, apenas, uma orientação administrativa produzida pela
Secretaria de Economia e Finanças do Exército para as ICFEx quanto à procedimentos a
serem executados quando da elaboração de perícias contábeis. Diante deste fato e conforme
descrito anteriormente, sugere-se a instituição de uma Norma no âmbito do EB, similar ao que
já ocorre com os trabalhos de auditoria.
Cabe destacar a atuação dos peritos do EB, que executaram a elaboração dos cinco
laudos analisados, atenderam de forma satisfatória as normas e orientações do CFC, apesar da
inexistência de legislação interna para o Exército regulando o assunto quanto a prazos,
conteúdo e qualidade do laudo. Tal fato apresentado nesta pesquisa mostra-se relevante por se
tratar de um estudo inédito onde retrata o trabalho pericial em um órgão da administração
pública direta no país.
Assim, pode-se afirmar que a pesquisa realizada contribui de forma significativa para a
Força Terrestre, pois alerta para a necessidade de elaboração de legislação interna em
conformidade com o CFC e salvaguarda a administração pública perante futuras demandas
extrajudiciais e ou judiciais.
Finalizando, como sugestão para trabalhos futuros, sugere-se a reaplicação dessa
pesquisa em outras UG do EB, da MB e da FAB; também há a possibilidade de submeter esse
estudo à SEF, com intuito de gerar uma reflexão sobre a padronização e a qualidade dos
laudos periciais contábeis e sobre a fiscalização dos laudos pelas ICFEx.

Referências

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ABRACICON Saber - Edº14 - Nov/Dez 2015 - Jan 2016 Disponível em:<
https://issuu.com/abracicon/docs/af3-revista-abracicon14-fev16> Acesso em: 20 de
janeiro de 2018.

Alberto, V. L. P. (2000). Perícia Contábil. 2 ed. São Paulo: Atlas.

Antonio, C. B. J.; Priscila, F.; Webber, F. L.; Dal Piva, L. M. (2015). Perícia contábil: um
estudo de laudos periciais contábeis na comarca de lagoa vermelha. Disponível
em:<http://www.crcrs.org.br/convencao/arquivos/trabalhos/cientificos/pericia_contabil_
laudos_lagoa_vermelha%20_778.pdf> Acesso em: 07 de janeiro de 2018.

APEJESP (Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo). (2018). A profissão.
Quem é o perito? Disponível em:<
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prática. 3. ed. São Paulo: Atlas.

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BRASIL. (1988). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE


1988. Disponível
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BRASIL. (2015) Código de Processo Civil - LEI FEDERAL Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO


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