Escola Superior de Educação e Desenvolvimento Humano Curso de Complemento de Formação Cientifico Pedagógica Educadores de Infância ± Turma 2 Módulo de Dificuldades

Especificas de Aprendizagem

UM ESTUDO DE CASO OBSERVAÇÃO PSICOMOTORA

Docente: Mestre José Santos Discente: Célia Conrado

Lisboa, Outubro 2010

Estudo de Caso

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INDICE

INDICE ................................ ................................ ................................ ................................ ...... 2 1- INTRODUÇÃO ................................ ................................ ................................ ....................... 3 2- Fundamentação Teórica................................ ................................ ................................ ....... 5 2.1 - Unidades funcionais de Lúria ................................ ................................ ........................ 5 2.2 - Enquadramento da Bateria Psicomotora................................ ................................ ....... 8 2.2.1 Tonicidade ................................ ................................ ................................ ............ 9 2.2.2 Equilibração ................................ ................................ ................................ ........ 11 2.2.3 - Lateralização................................ ................................ ................................ ........ 12 2.2.4 - Noção do Corpo................................ ................................ ................................ ... 13 2.2.5 - Estruturação Espácio-temporal ................................ ................................ ............ 15 2.2.6 - Práxia Global................................ ................................ ................................ ........ 17 2.2.7 - Práxia Fina ................................ ................................ ................................ ........... 18 3- Estudo de Caso................................ ................................ ................................ ................... 20 3.1 - Caracterização da Criança................................ ................................ ........................... 20 3.2- Perfil Psicomotor ................................ ................................ ................................ ......... 21 3.3- Programa de Intervenção ................................ ................................ ............................ 27 4- Conclusão ................................ ................................ ................................ .......................... 31 5- Referências Bibliográficas ................................ ................................ ............................... 34 6- Anexos ................................ ................................ ................................ ............................... 35 Anexo I ................................ ................................ ................................ ........................... 36 Anexo II ................................ ................................ ................................ .......................... 43 Anexo III ................................ ................................ ................................ ......................... 48 Anexo IV ................................ ................................ ................................ ......................... 52

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1- INTRODUÇÃO
No âmbito do módulo de Dificuldades Específicas de Aprendizagem foi-nos proposto a realização de um estudo de caso de forma a obtermos o perfil funcional de uma criança, por nós escolhida, partindo depois para a definição das áreas de intervenção prioritárias, criando um plano de intervenção e acção adequado ao desenvolvimento de competências que minimizem as áreas em que a crianças demonstra mais dificuldade. A fim de obtermos o perfil funcional usaremos como base a Bateria Psicomotora desenvolvida por Vítor da Fonseca. Assim este trabalho será iniciado por uma breve fundamentação teórica onde consta a apresentação das unidades funcionais de Lúria, base da Bateria Psicomotora bem como o enquadramento desta. Num segundo ponto será desenvolvido o Estudo de Caso, começando por uma pequena caracterização da criança, partindo para a definição do seu perfil psicomotor tendo como base a aplicação da BPM e avançando com algumas propostas de intervenção. Em virtude de, no presente não estar no directo com crianças, propus-me realizar este estudo de caso com elemento de uma família que acompanho no âmbito da reinserção social. Após contactos com os pais e professores da criança todos chegaram á conclusão que este seria um estudo que podia ser útil também para a sinalização e posterior encaminhamento para os apoios educativos da referida criança, facto que facilitou em muito a minha observação e obtenção dos dados necessários para a realização do trabalho proposto. Assim o trabalho realizado tem como base a obra de Vítor da Fonseca. Vítor da Fonseca foi Professor Catedrático com Agregação no Departamento de Educação Especial e Reabilitação da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Regente das seguintes disciplinas da Licenciatura e do Mestrado: Perturbações do Desenvolvimento, Psicomotricidade e Dificuldades de Aprendizagem.

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Da sua formação académica podemos destacar o Doutoramento em Educação Especial e Reabilitação, Mestrado em Ciências de Educação na área de Dificuldades de Aprendizagem em Chicago. Autor de várias obras e artigos no domínio da Psicomotricidade, da Antropologia, das Perturbações do desenvolvimento, das Dificuldades de Aprendizagem, da Estimulação Precoce, da Educação Especial, da Psicopedagogia, da Neuropsicologia e da Educação Cognitiva. Face ao exposto, Vítor da Fonseca é sem dúvida um ícone no estudo e na avaliação psicomotora que nos servirá de base para o nosso estudo de caso, uma vez que usaremos a Bateria Psicomotora por ele desenvolvida.

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2- Fundamentação Teórica
Segundo Fonseca (1999) a aprendizagem resulta numa resposta que é consolidada no cérebro. O cérebro é, por excelência, o órgão de aprendizagem, que funciona como um todo, não existindo regiões exclusivas. A aprendizagem resulta portanto de complexas operações neurofisiológicas e neuropsicológicas que associam, combinam e organizam estímulos com respostas, assimilações com acomodações, gnósias com práxias, etc. (Fonseca, 1999). Assim é importante o conhecimento das estruturas e das funções do órgão que o coordena e organiza ± o cérebro. (Fonseca, 1999). De seguida desenvolver-se-á uma pequena abordagem acerca das principais estruturas cerebrais e respectivas funções.

2.1 - Unidades funcionais de Lúria

Lúria (1973 e 1980, in Fonseca 1990) é considerado como um dos pioneiros das ciências que estudam o sistema nervoso, tendo já dedicado mais de 40 anos ao estudo de doentes com lesões cerebrais. Publicou inúmeras obras sobre as relações cérebro comportamento, e estas revolucionaram o conhecimento da neurologia e da psicologia clássica, originando um novo ramo científico, a psiconeurologia. Ele sugere que estudando as relações cérebro - comportamento e as relações corpo - cérebro talvez se possa compreender melhor o que faz do homem um ser tão complexo e completo. O cérebro humano é composto, segundo Lúria, por unidades funcionais básicas, e cada uma delas possuindo uma função particular e peculiar. Dessa forma, Lúria (1973 in Fonseca, 1990), dividiu o cérebro em três unidades funcionais.

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esta unidade trabalha em estreita colaboração com os sistemas corticai superiores em s todas as actividades conscientes do ser humano (Fonseca. 1990. assim. Fonte: Fonseca. já que a sua rede nervosa tem a função de modificar gradualmente o estado da actividade cerebral. Está relacionada com a regulação tónica e com a função de vigilância. 1990. que contribuem para a manutenção de um estado de alerta mínimo. sem intervir nas tarefas de processamento da informação ou de planificação da acção. A primeira unidade funcional envolve as estruturas do tronco cerebral. de modo a seleccionar o que é relevante e permitir a realização ou a mudança de determinada actividade. A função de alerta solicita. da medula e do cerebelo. a integração de toda a informação interna e externa. Figura 2 ± A segunda unidade de Lúria. assim a sua integridade é fundamental para todo o processo de aprendizagem.Estudo de Caso 2010 Figura 1 ± A primeira unidade de Lúria. a primeira unidade é responsável pelo processo de atenção selectiva. envolvendo as áreas corticais dos dois hemisférios cerebrais. Por outro lado. sem o qual nenhuma actividade humana é possível. A manutenção de um estado de alerta e de vigilância mínimo é essencial para a activação dos sistemas selectivos de conexão. Fonte: Fonseca. A segunda unidade funcional está localizada no cérebro posterior. 1990). Esta primeira unidade não tem carácter de especificidade. Em resumo. Nas zonas posteriores e laterais dos Página 6 . 1990). os quais permitem que qualquer actividade mental seja processada e organizada (Fonseca.

armazenamento e integração da informação sensorial. pois cada zona nuclear está adaptada para receber um determinado tipo de informação sensorial (Fonseca. Em resumo o processamento dos estímulos. Desta forma esta unidade engloba os analisadores tactiloquinestésico e visual. A esta unidade são atribuídas as funções de codificação. e da perceptiva. 1990. 1990) Esta segunda unidade funcional compreende funções de recepção. 1990). bem como a recepção da informação auditiva (Fonseca. auditiva e tactiloquinestésica. Fonte: Fonseca. ou seja da informação visual. codificação e armazenamento da informação. Ao contrário da primeira esta unidade é bastante específica em termos de modalidade sensorial.Estudo de Caso 2010 hemisférios. Figura 3 ± A terceira unidade de Lúria. 1990). localizam-se as superfícies dos órgãos sensoriais. Página 7 . comportamentos essenciais de todo e qualquer processo cognitivo (Fonseca.

a noção do corpo e a estrutura espácio-temporal. A cada unidade funcional. 1990). dos mecanismos que constituem a base dos processos mentais da psicomotricidade.A terceira unidade é fundamental para programar. A BPM é um instrumento de observação que procura obter o perfil psicomotor da criança e. qualitativamente a disfunção psicomotora que caracteriza a aprendizagem da criança. tentando atingir uma compreensão aproximada do modo como trabalha o cérebro e simultaneamente. segundo o modelo de organização cerebral apresentado por Lúria. 1990) . o grau de integridade dos sistemas funcionais complexos. que procuram demonstrar a relação entre o modelo psiconeurológico de Lúria e a BPM. sendo que. a segunda compreende a lateralização. As três unidades trabalham em conjunto. Encontra-se localizada nas regiões anteriores do córtex. e a terceira unidade funcional compreende a práxia global e a práxia fina (Fonseca. regular e verificar a actividade mental. uma sem as outras não funciona correctamente. segundo Fonseca (1990). organizando as formas mais complexas de actividades. 2. ao mesmo tempo. dependendo umas das outras.2 . em termos filogenéticos e ontogenéticos. Deste modo a primeira unidade funcional compreende a tonicidade e a equilibração. procura analisar. de forma a este corresponder aos fins para que foi organizado (Fonseca. É esta estrutura dinâmica que permite ao ser humano reagir activamente à informação recebida e criar intenções. programar as acções e regular o comportamento. por isso é a última estrutura que se desenvolve. Elas trabalham com uma inter-relação dinâmica. correspondem vários factores psicomotores. formular estratégias. exactamente à frente do su central e da lco região frontal.Enquadramento da Bateria Psicomotora A Bateria Psicomotora é um instrumento cuja base é um conjunto de tarefas que.

1990). que se encontram em permanente interacção de reciprocidade com complexos sistemas de referência. atetotiformes. Stambak. que fundamentam a integração da psicomotricidade em níveis mais hierarquizados do cérebro.1 Tonicidade A tonicidade está directamente relacionada com a medula vertebral. movimentos involuntários coreiformes. Mesmo encontrando-se em repouso. Assim. pelo que os sinais obtidos pela BPM não se reportam apenas ao perfil hipertónico ou hipotónico. bloqueios. Ajuriaguerra e Saint-Anne Dargassies in Fonseca (1990) distinguem duas formas de tonicidade: a de repouso. inibindo-a e regulando-a. A partir da organização tónica o sistema nervoso vai sofrendo complexos processos de maturação vitais para o movimento. André-Thomas. entre outros. que o educador possa observar (Fonseca.27). de carácter permanente e a de actividade. e com a tensão muscular. p. constitui ³o alicerce de todas as actividades práticas´. de origem essencialmente reflexa e de variável intensidade. eixo principal do nosso corpo. 1990). de ruptura da atitude. Da mesma forma é errado desenvolver a ideia que a acção resulta de um músculo isolado e acreditar que é possível determinar a partir de que movimento o deslocamento de um segmento corporal. preparando-a.Estudo de Caso 2010 2. uns Página 9 . corresponde a uma variação do tónus ou a um movimento real (André-Thomas & Ajuriaguerra. suportando os padrões anti-gravitacionais e toda a actividade e estruturas motoras futuras (Fonseca. incluindo a detecção de paratonias. é impossível separar motricidade de tonicidade e postura de atitude de movimento voluntário. que para Le Bouche referido por Oliveira (2008. partindo do principio de que toda a motricidade parte de uma tonicidade. o que tão sabiamente justifica a sua inclusão como primeiro factor da BPM. o músculo apresenta um estado de relativa tensão. A tonicidade estabelece-se no primeiro ano de vida e reflecte o primeiro grau de maturidade neurológica do ser humano. A observação atenta e cuidada de sinais atípicos na tonicidade da criança poderá ajudar o educador a compreender vários problemas de desenvolvimento psiconeurológico.2. designado de tono ou tónus muscular. sobre o qual agem os músculos. 1990). apoiando-a. in Fonseca.

O mesmo autor menciona que a persistência de reacções tónico-emocionais. De igual forma. em 1978. sob os quais o educador necessita de intervir eficaz e atempadamente. simultâneos e alternados) e das sincinésias (que referem-se. 1990). às reacções parasitas de imitação dos movimentos Página 10 . as assimetrias são mais visíveis. bloqueios respiratórios. como a função que permite a realização de movimentos vivos. a nível dos membros superiores poderá revelar ligeiras alterações. a função de dominância a nível da lateralização. Neste caso. como a capacidade de relaxamento passivo dos membros e das suas proximidades distais perante mobilizações. como o maior comprimento possível que se pode imprimir a um músculo afastando as suas inserções). em 1974. 1962. entre outros. passividade (designada por Ajuriaguerra e Stambak. com as suas respectivas implicações na práxia fina. paratonias. defensividade táctil. oscilações e balanços activos e bruscos realizados pelo observador). o que justifica com toda a legitimidade o estudo do tónus de suporte e dos subfactores de extensibilidade (definida por Ajuriaguerra. instabilidade e impulsividade. com a psicomotricidade (Fonseca. como movimentos faciais exagerados. disdiadococinésias. expondo claramente. como sinais de ligeiras alterações da maturação. segundo Ajuriaguerra e Soubiran. o tónus exige um estudo mais exaustivo. gesticulações. paratonia (denominada por Ajuriaguerra. como a impossibilidade ou a incapacidade de descontracção voluntária) e o tónus de acção e dos subfactores das diadococinésias (definida por Quirós e Schrager. em 1955. entre outros. sincinésias. tiques. em 1952. são declaradamente indicativos de uma disfunção tónica. A frequência desses sinais e das suas assimetrias podem reflectir-se ao nível da lateralização e da práxia global (Fonseca. Perante tamanha complexidade envolvida. que se traduzirão em problemas de desenvolvimento da preensão. Citem-se as situações de hipoextensibilidade ou hiperextensibilidade dos membros inferiores ou da presença de paratonias que poderão sugerir problemas posturais e de desenvolvimento das aquisições locomotoras. a existência de sinais tónicos desviantes ou atípicos.Estudo de Caso 2010 mais relacionados com a aprendizagem simbólica e outros mais. Sinais de hiperactividade e hipoactividade são casos extremos que expõem a importância crucial da tonicidade no comportamento e na aprendizagem. 1990).

na postura bípede. Para Fonseca (2001). precisa de automatizar as suas funções antigravíticas antes de processar informações simbólicas e. o controle dos padrões posturais desenvolve-se. marcha controlada pesada e rígida. Encontrando-se a integridade funcional do sistema vestibular comprometida. de olhos fechados. perdem harmonia. como segundo factor da BPM. como tal. como a noção do corpo.2 Equilibração A equilibração. encarregue dos ajustes posturais anti-gravitacionais e do autocontrole nas posturas estáticas e dinâmicas (locomoção). precisão e eficácia (Fonseca. Para Fonseca (1990). os olhos e a cabeça não podem estabilizar as condições posturais que permitem a captação e o processamento da informação sensorial e como tal surgirão alterações no processo de interacção e de aprendizagem (Fonseca. descritos na BPM (Fonseca. para estar apto e disponível para aprendizagens mais complexas. movimentos de compensação dos braços Página 11 . tal não é possível. alargamento da base de sustentação. como uma condição básica da organização psicomotora. a estruturação espácio-temporal e as práxias. factores da segunda e da terceira unidades funcionais do modelo de Lúria. vendo-se forçado a activar os centros superiores para manter a postura. a noção do corpo. A equilibração e a tonicidade constituem a organização motora que sustenta a lateralização. citado por Fonseca (1990).Estudo de Caso 2010 contralaterais e de movimentos peribucais ou linguais). perda de direcção e de orientação posturo-espacial. 1990).2. pertence à primeira unidade de Lúria e é definida pelo próprio. transfere as funções motoras mais simples para centros automáticos. 2. Se por algum motivo. a presença de movimentos da cabeça mais incessantes e menos inibidos. conseguindo aos sete anos manter-se em equilíbrio. 1990). as funções psicomotoras mais elaboradas. entre o primeiro e o segundo ano de vida e vão complexificando e aprimorando ao longo da infância. 1990). a estruturação espácio-temporal e as práxias. O cérebro.

são explicitamente sinais atípicos de desintegração sensorial e psicomotora. reequilíbrios. em 1971. não só na formação da auto-imagem e na estruturação dentro do meio ambiente como no desenvolvimento cognitivo. reacções tónico-emocionais. o olho e o ouvido (sequência referida por Fonseca. designando-se de lado dominante.2. requer uma orientação controlada do corpo em situações de deslocamentos no espaço com os olhos abertos). equilíbrio estático (que segundo Fonseca. por volta dos quatro. que se resume ao facto de usarmos. ao mesmo tempo da organização perceptivo-espacial. O factor de equilibração na BPM compreende o estudo dos subfactores da imobilidade (definida por Guilman. em tarefas desempenhadas com a mão (a lateralização surge no primeiro ano de vida.3 . é a propensão que o ser humano tem para utilizar preferencialmente mais um lado do corpo do que o outro. 1990). emocional e linguístico. (Fonseca. entre outros. exige as mesmas capacidades da imobilidade nas mais variadas situações) e equilíbrio dinâmico (que para Fonseca. pois são aspectos preponderantes.Lateralização Da perspectiva da motricidade. das práxias e. a lateralização (terceiro factor da BPM. mas apenas se estabelece. mais um lado do corpo em detrimento do outro. 2. 1990). constantemente. de discriminação e de exploração pelo comprometimento.Estudo de Caso 2010 mais amplos. Todos possuímos uma assimetria funcional (os movimentos realizados pelos lados direito e esquerdo do corpo não ocorrem com a mesma frequência). com o pé. cinco anos). Os Página 12 . ou seja. 1990. segunda unidade de Lúria) retrata o predomínio operacional que domina todas as formas de orientação do indivíduo (Fonseca. 1990. como a capacidade de inibir de forma voluntária todo e qualquer movimento durante um curto espaço de tempo). do controlo do equilíbrio e por conseguinte. 1990 e que se assumem como subfactores na BPM). Fonseca (1990) refere ainda que podem surgir diversos problemas de orientação. Para o educador mais importante do que determinar uma explicação para a dominância. é observar se a criança apresenta uma igualdade em relação à sua lateralização e se tem o predomínio motor de um hemicorpo.

A importância da integridade da lateralização atinge uma dimensão considerável no acesso à linguagem. que o hemisfério direito dedica-se exclusivamente à integração motora para o hemisférico esquerdo se responsabilizar por outras funções. a criança começa a compreender as noções cognitivo-verbais Página 13 . Essa representação constrói-se a partir de variadíssimas informações sensoriais. sobretudo ao nível da manipulação de instrumentos. nomeadamente. uma forma de expressão da individualidade de cada ser humano. as linguísticas. A especialização hemisférica desenvolve-se de tal forma. reduzi-lo ao seu aspecto biológico e orgânico. extra e interceptivas. visto que nele tem origem as mais variadas e diversificadas acções e cria uma sensação de confiança e de domínio. Definindo-se como a organização das sensações relativas ao seu corpo relacionado com os dados do mundo exterior. Assim. não sendo correcto. que contribuiu. em 1911. à medida que o corpo obedece à criança.Estudo de Caso 2010 movimentos globais tendem a perder a precisão e a eficácia e a orientação espacial torna-se confusa. à medida que o descobre. entende-se que o desenvolvimento do esquema corporal é a representação que cada indivíduo tem do seu corpo.Noção do Corpo O corpo é. permitindo-lhe situar-se na realidade onde se insere. (Fonseca. A expressão esquema corporal surgiu. na relação com os outros e com o meio.2. 1990).4 . essenciais para o desenvolvimento e realização plena do indivíduo. Visualizando o seu corpo como ponto de referência para se situar e situar os objectos no espaço e no tempo. uma fonte de inúmeras emoções e estados interiores. indiscutivelmente. de análise e de armazenamento de informações vindas do corpo. 2. proprioceptivas. que facultam ao indivíduo ter consciência do seu corpo e das suas possibilidades. Encerra em si. a organização do esquema corporal tem um papel importante no desenvolvimento da criança. no âmbito das investigações do neurologista Henry Head. utiliza e controla. de forma marcante para a compreensão dos fenómenos de recepção.

depois. pressupõe a identificação táctil do corpo. Com o objectivo de pesquisar sinais disfuncionais proprioceptivos.Estudo de Caso 2010 relativas a noções como em cima. sem participação dos pés. adaptado da prova clássica de dismetria de Ozeretzky in Fonseca (1990). ou seja. Ajurriaguerra in Fonseca (1990) alega que as alterações no esquema corporal têm consequências mais sérias. traduzindo-se em perturbações e atrasos a esse nível. propõe o factor de noção de corpo e os subfactores sentido cinestésico. no equilíbrio. reconhecimento direita±esquerda. táctilo-quinestésicos e vestibulares e de determinar a representação que a criança tem do seu corpo. a imitação de gestos pretende ³«o estudo do sentido posicional e do sentido dos movimentos´. 1990). dentro. ou seja. A criança que não consegue interiorizar o seu corpo pode apresentar problemas a nível práxico (dissociação e coordenação dos movimentos) e gnosiológico (da representaçã o mental do corpo. imitação de gestos e desenho do corpo. nomeadamente no desenvolvimento da linguagem. Na perspectiva de Bergés e Lézine in Fonseca (1990). Jenkins in Fonseca (1990). pretende estudar a componente facial da noção do corpo. a compreensão do sentido posicional e o sentido do movimento dado pelos proprioceptores. O subfactor da auto-imagem. que Fonseca (1990). fora. Segundo. entre outras. e.´ (Fonseca. refere-se à Página 14 . Daqui se depreende que uma perturbação no esquema corporal pode condicionar negativamente a aquisição dos esquemas dinâmicos envolvidos na aprendizagem da leitura e da escrita. em baixo. esquerda. na coordenação e na incapacidade de controlo respiratório. a criança pode experimentar dificuldades na percepção ou controle do corpo. direita. Não tendo consciência do seu próprio corpo. o sentido cinestésico pertence à sensibilidade cutânea e subcutânea. dos objectos e do mundo) (Fonseca. 1990). A prova de reconhecimento direita-esquerda. antes. primeiro e último. auto-imagem. segundo o mesmo autor ³«refere-se ao poder discriminativo e verbalizado que a criança tem do seu corpo como um universo espacial interiorizado e socialmente mediatizado. todo o espaço extracorporal imediato que é possível alcançar somente com os movimentos harmoniosos dos braços.

da superfície. Página 15 . colocando-os no lugar adequado ou movimentando-os. que a organização espacial constitui o primeiro passo para a abstracção. aperfeiçoamos as nossas capacidades de generalização e abstracção. primeiro intuitivamente. enquanto lhe é familiar e o infinito em relação ao universo perdendo-se no tempo (Neto. Envolverá quer o espaço relativo ao corpo.2. Para a criança compreender a posição dos objectos no espaço. do volume e da velocidade e constitui a base da formulação de determinados conceitos matemáticos. para poder usar o seu corpo como ponto de referência. da conservação da distância. a organização espacial intervém nos processos de localização. precisa. Como explica. 2002).Estudo de Caso 2010 capacidade de análise e retenção visual de gestos e de posturas desenhados no espaço e à sua respectiva transposição motora através da cópia gestual bilateral e simultânea das duas mãos. através do desenho. É por assim dizer.Estruturação Espácio-temporal Os conceitos de organização espacial e organização temporal surgem na sequência da noção do corpo. de reconhecimento visioespacial. depois lógica e conceptualmente. impreterivelmente. finito. fica capacitada para a organizar-se perante o mundo que a cerca e a organizar esses elementos. à medida que. directamente acessível. de ter uma boa imagem corporal. 2. constituindo o último factor da segunda unidade funcional. 1990). quer o espaço circundante. de orientação. à base de observações e comparações e. Por último.5 . Fonseca (1990). A criança toma consciência da situação dos elementos entre si e como tal. anteriormente descrita. reflectindo o seu nível de integração do esquema corporal bem como toda a sua experiência psicoafectiva (Fonseca. o desenho do corpo reporta-se à representação que a criança faz do seu corpo. Somos capazes de situarmo-nos no meio em que vivemos através das relações espaciais que estabelecemos entre as coisas. Transformamos o conhecimento do corpo em conhecimento do espaço.

como o instante.Estudo de Caso 2010 Entende-se que. dias. meses e anos) e um aspecto de vivência. Estão ligadas a todo o instante. a criança selecciona. minutos. A nossa vida é uma sequência de mudanças e as nossas actividades estão directamente ligadas à estruturação temporal. que necessitam uma intervenção efectiva e assertiva. Os momentos de mudança são referenciados pela palavra tempo e nós estamos inseridos nesses momentos. semanas. Ao inverso tornar-se-á uma repetidora de palavras: identificaas mas não consegue integrá-las no tempo. das noções dos momentos exactos do tempo. separa e classifica os objectos. o momento exacto e a simultaneidade. a estruturação espacial é inseparável da estruturação temporal nos processos de aprendizagem. a renovação cíclica de certos períodos e o ritmo constituem o pilar de aprendizagem de vários conceitos linguísticos orais e escritos (Oliveira. Um educador atento perceberá que quando a criança é organizada no tempo mas não no espaço. A localização dos factos passados ou o planeamento de acontecimentos futuros só será exequível a partir da construção do conceito do tempo. cometendo omissões. a cada movimento. compara. a duração dos intervalos. que requer um desenvolvimento cognitivo mais avançado. uma dimensão convencional (relativa a segundos. a criança atinge uma maior orientação temporal e adquire a capacidade de trabalhar a nível simbólico. Pela representação mental dos momentos do tempo e das suas relações. adições e inversões. agrupa. a ordem e a sequência. torna-se uma leitora pobre: demora muito tempo para ler e torna-se muito dependente do contexto. A aquisição de conceitos como a simultaneidade. 2008). de sucessão. horas. A organização temporal constrói-se consoante a assimilação das ideias de duração e velocidade. A estruturação temporal pressupõe uma dimensão lógica (com o conhecimento da ordem e da duração dos factos). Página 16 . Através de um trabalho mental. prévio aos dois anteriores e com percepção e memória da sucessão e da duração dos acontecimentos na ausência dos elementos convencionais. de duração e de alternância entre objectos e acções. como afirma Fonseca (1990). Passa a tomar consciência das relações no tempo: das noções e relações de ordem.

de representação topográfica e de estruturação rítmica.Práxia Global Entende-se por práxia. 1990). Página 17 . Essa capacidade é dividida em dois grupos: práxia ou coordenação global e práxia ou coordenação fina. implica a realização intencional de uma sequência de acções para atingir um fim (Ayres in Fonseca. ao qual corresponde uma resposta motora harmoniosa e rítmica (Mendes & Fonseca in Fonseca. atribui o conceito de representação topográfica à capacidade espacial semiótica e à capacidade de interiorização e realização de uma trajectória espacial. A organização espacial diz respeito "a capacidade espacial concreta de calcular as distâncias e os ajustamentos dos pianos motores necessários para os percorrer.2. de retenção e de revisualização. o indivíduo precisa mover-se no espaço com habilidade e equilíbrio. de estruturação dinâmica. 1990). O mesmo autor também define estruturação dinâmica como a capacidade de memorizar visualmente sequências de estruturas espaciais simples. num período de tempo curto. como subfactores da estruturação espácio-temporal obtêm-se dados relativos ao pensamento relacional.6 . 1990). às capacidades de organização e de ordenação. de quantificação e de categorização (Fonseca. 1992). 1990). que constituem o sexto e sétimo factores da BPM. que por conseguinte. Não é um automatismo. de representação. de sequencialização da informação.Estudo de Caso 2010 Em síntese. resultado de um planeamento cortical e de um sistema de auto-regulação. 2. de processamento e de julgamento da distância e da direcção. através das tarefas de organização. pondo em jogo as funções de análise espacial. mas sim um movimento voluntário e consciente. e refere que a estruturação rítmica ³compreende a capacidade de memorização e reprodução motora de estruturas rítmicas´ (Fonseca. Para se relacionar com os objectos da cultura em que vive. dominar os gestos e manusear os instrumentos. a capacidade para planificar ou levar a efeito uma actividade pouco habitual e. planificação motora e verbalização simbólica da experiência´ (Fonseca. propostas na BPM. da terceira unidade funcional. respeitando determinadas coordenadas espaciais e objectais da sala.

aconselha-se a observação de determinados aspectos. de acordo com as características do objecto a lançar e do alvo (planeamento motor) (Fonseca. A dismetria resulta da observação das duas tarefas anteriores e.7 . segundo Lúria. Observando a qualidade da execução de uma tarefa motora e das suas diferentes formas de realização. define para uma -se realização dispráxica como a ³inadaptação visioespacial e visioquinestésica dos movimentos orientados face a uma distância ou a um objecto´ (Fonseca. encontra-se mais relacionada com as tarefas motoras sequenciais globais. citado por Fonseca (1990). distonias. tendo como objectivo a realização e automatização de movimentos globais complexos que envolvem vários grupos musculares. executados num certo período de tempo.Práxia Fina Página 18 . como dissociação. a sua disponibilidade corporal e mental e contribuindo para o aprimoramento da práxia global. entre outros. de coordenação óculo-pedal. localizada predominantemente na zona pré-motora. descritas na BPM (Fonseca. 1990). afectivo e cognitivo (Fonseca 1990). 1990). despertando a sua espontaneidade. de dismetria e de dissociação. as tarefas dos subfactores de coordenação óculo-manual.2. Na presença de sinais dispráxicos. segundo. A capacidade de individualizar vários segmentos do corpo que participam na planificação e na execução motora de um ou vários gestos sequencializados é denominada. respectivamente (práxia global) com as capacidades perceptivo-visuais de avaliação da distância e de precisão do lançamento. como dismetrias. A coordenação óculo-manual e a coordenação óculo-pedal envolvem a coordenação apendicular do membro dominante superior ou inferior. 2. dissincronias. 1990). pelo mesmo autor.Estudo de Caso 2010 A práxia global. O educador deve incentivar a criança a agir de forma global perante uma situação. por exemplo. poder-se-á obter valiosas informações sobre a organização psicomotora e entender as suas repercussões no desenvolvimento motor. sem a sua intervenção excessiva.

em relação à rapidez e à precisão). manipular. 2008). 1990). integrada no desenvolvimento motor e na aprendizagem. e velocidade-precisão (compreende duas tarefas de coordenação práxica do lápis. em relação às outras partes do corpo. como a leitura. capacita a criança para realizar diversas acções como sentir. Esta estreita relação entre a práxia fina e a percepção visual é fundamental para o desenvolvimento psicomotor e para as aprendizagens académicas. discriminar. primordiais para a aprendizagem escolar.Estudo de Caso 2010 A práxia fina encontra-se relacionada com a progressiva evolução da coordenação óculo-manual. empurrar. Página 19 . A zona do córtex responsável pelo controle dos movimentos da mão é. envolvendo a sua localização táctilo-quinestésica e a sua motricidade melódica. Esses movimentos são acompanhados meticulosamente pela visão. bater. envolvendo a preferência manual e a coordenação visiográfica) (Fonseca. 2008). lançar. um órgão de apropriação e de interacção com o meio. Este factor é constituído por três subfactores: coordenação dinâmica manual (refere-se à dextralidade das duas mãos. tamborilar (pressupõe uma tarefa de motricidade fina. puxar. riscar. à agilidade dos dedos e à sua respectiva coordenação com as capacidades visioperceptivas. O mesmo acontece com o polegar e os restantes dedos. que incide sobre o estudo da dissociação digital sequencial. o que patenteia a importância dos movimentos das mãos nas actividades voluntárias (Brandão in Oliveira. entre outras. nomeadamente Fonseca (1990) e Oliveira (2008). comparativamente maior. como é salientada por vários autores. segurar. apanhar. a escrita e o cálculo. Sendo a mão. independente e harmoniosa). sobretudo em actividades de velocidadeprecisão e coordenação dinâmica manual (Oliveira.

passando grande parte dia em casa apenas com a mãe e o irmão. facto que levou á realização do Cariótipo de duas das menores (aguardando-se os resultados). Página 20 . Os seus progenitores são primos direitos. estando comprometida a sua progressão escolar. não tendo um espaço próprio. bem como de outras competências básicas. A avaliação realizada pela professora titular no fim do passado ano lectivo refere que a Ionara possui dificuldades acentuadas ao nível da concentração. duas irmãs e um irmão mais novo.Estudo de Caso 2010 3. Aos cinco anos de idade a Ionara Seabra foi internada devido a cefaleias recorrentes tendo sido detectado períodos de ausência que poderiam sugerir situações de amnésia. A Ionara habita com os pais. atenção. O irmão com apenas três anos já revela grave atraso na aquisição da linguagem.Caracterização da Criança A Ionara Seabra é uma criança de etnia cigana com sete anos e seis meses. A gravidez da Ionara Seabra não foi desejada mas aceite de inicio. compreensão e memorização. facto que leva a que esta partilhe o quarto com as duas irmãs. Actualmente frequenta pela segunda vez o primeiro ano do ensino básico. contudo não houve continuação do acompanhamento médico para diagnóstico conclusivo.Estudo de Caso 3. Nunca frequentou estabelecimento de educação Pré-Escolar. uma vez que não adquiriu os pré-requisitos necessários á sua transição de ano. havendo problemas comprovados de consanguinidade.1 . Uma das irmãs tem diagnóstico de Esclerodermia. bem como muitas dificuldades na comunicação oral e escrita e na articulação de sons. contudo a mãe negligenciou a gravidez desde o segundo trimestre. a outra tem um atraso global de desenvolvimento. tudo isto tendo em conta a sua idade cronológica. O parto decorreu normalmente como podemos verificar na ficha de anamnese (anexo I). num apartamento muito pequeno tendo em conta o número do agregado familiar.

A nível da actividade e participação revela dificuldades graves ao nível da imitação. realizou-se no período da actividade de enriquecimento curricular de Estudo Acompanhado. calculo.Estudo de Caso 2010 Essa avaliação mostra ainda que a nível da socialização a Ionara se revelou uma criança tímida e envergonhada com muitas dificuldades em relacionar-se com os colegas e com os adultos com que partilha os mesmos espaços na escola. da aquisição de conceitos. emocionais. após preenchimento de ficha de anamnese em conjunto com a mãe da Ionara. Este é um pequeno resumo da situação em que a Ionara se encontra aquando da aplicação da BPM. cada factor e subfactor é cotado de 1 a 4.2. por ser considerado o momento mais propício para estabelecer a interacção com a Ionara sem interferir no bom funcionamento das actividades lectivas. Seguem-se os resultados obtidos pelos vários factores. de percepção. da aprendizagem através da interacção com os objectos. atenção. Mostra que necessita de mais tempo para se adaptar a novos contextos e rotinas. concentração. A Ionara mostrou-se bastante receptiva às tarefas propostas. atenção. apresentar-se-á um quadro resumo com a cotação obtida em cada um dos factores psicomotores. Esta avaliação foi reiterada pela avaliação com referência à CIF. escrita. Depois realiza-se a soma e respectiva média arredondada. cognitivas de nível superior. psicomotoras. Página 21 .Perfil Psicomotor A aplicação da BPM. cognitivas básicas. No sentido de facilitar a apresentação dos resultados obtidos. posteriormente realizada após o término do passado ano lectivo. resolução de problemas. entre outras. mentais de linguagem e de cálculo. Após a realização de cada tarefa proposta pela BPM. nomeadamente nas funções de memória. (anexo II) Segundo a referida avaliação a Ionara revela deficiência grave ao nível das funções mentais específicas. da leitura. A comunicação encontra-se também bastante comprometida. 3.

no que concerne á tonicidade. desenvolve e regula. Perfil 4 1ª Unidade 2ª Unidade 3ª Unidade Tonicidade Equilibração Lateralidade Noção de Corpo Estruturação Espaço-temporal Praxia Global Praxia Fina Quadro 1 ± Cotação dos factores psicomotores 3 2 X X 1 X X X X X Tonicidade Factor Psicomotor Subfactores Cotação 3 3 Tonicidade Extensibilidade Passividade Paratonia Diadococinésias Sincinésias 3 2 2 Total 2. Desta forma.Estudo de Caso 2010 A fim de complementar a informação será apresentado um gráfico do perfil psicomotor onde. Tendo em conta que a tonicidade é o alicerce fundamental da organização da psicomotricidade poderá haver um comprometimento da realização das tarefas relativas aos seguintes subfactores. a Ionara apresenta resultados pouco conclusivos.5 Quadro 1 ± Cotação dos factores Tonicidade Estes resultados revelam um desempenho satisfatório contudo as diadococinésias e as sincinésias apresentam um grau de desempenho baixo. sabendo-se no entanto que não tem controlo voluntário nas acções que constrói. mais facilmente se verificam as clivagens entre as áreas fortes e as áreas fracas. Equilibração Página 22 . Daí ser um factor a exigir uma intervenção prioritária.

com a instabilidade postural não é possível a apropriação do conhecimento. dinâmicas e de origem social (Fonseca. segundo Fonseca (1990). provavelmente devido aos deficits de força e coordenação. Também demonstrou evidentes dificuldades em manter a posição de ³bicos de pé´. a Ionara apresenta um perfil dispráxico. Contudo na performance relativa ao equilíbrio estático. Lateralização Factor Psicomotor Subfactores Cotação Ocular E Lateralização Auditiva E Manual E Pedal E Total 4 Quadro 3 ± Cotação dos factores Lateralização A lateralização como resultado da integração bilateral postural do corpo é peculiar no ser humano e está implicitamente relacionada com integrações sensoriais complexas e com aquisições unilaterais muito especializadas. A intervenção ao nível deste factor é essencial na medida em que. apresenta um desempenho diminuto. não havendo harmonia de movimentos.Estudo de Caso 2010 Factor Psicomotor Subfactores Cotação 3 Equilibração Imobilidade Equilíbrio Estático Equilíbrio Dinâmico 2 2 Total 2 Quadro 2 ± Cotação dos factores Equlibração No que se refere a este factor psicomotor. Foram evidentes os desequilíbrios e reajustes constantes. uma vez que se perdem todas as referências para que o cérebro possa processar a informação. Página 23 . com bastantes dificuldades de controlo motor. 1990). Destaca-se a imobilidade onde obtém uma realização adequada e satisfatória. essencialmente no que respeita ao apoio num só pé.

Este resultado parece um pouco desfasado tendo em conta o desempenho das tarefas anteriores. como o reconhecimento da direita e da esquerda. Página 24 . a Ionara não consegue reconhecer as noções de direita e esquerda. permitiu observar que o membro/órgão que contacta mais frequentemente com o mundo exterior é o esquerdo. A noção do corpo é constituída com base numa aprendizagem motora integrada e consciente. É importante destacar o bom desempenho da Ionara na tarefa da auto-imagem e imitação de gestos. estas não foram determinantes para a realização de outras tarefas. estando o seu lado predominante perfeitamente definido.Estudo de Caso 2010 A realização do conjunto de provas inerentes a cada um dos subfactores psicomotores. tendo totalizado dois pontos no total dos subfactores. Contudo a Ionara não demonstrou qualquer hesitação na realização das presentes tarefas. parecendo assim não ser possível o estabelecimento de relações correctas e adequadas com o meio envolvente. em termos médios. Noção do Corpo Factor Psicomotor Subfactores Cotação Noção do Corpo Sentido Reconhecimento AutoImitação Cinestésico D-E Imagem de gestos 3 1 3 3 Desenho corpo 2 Total 2 Quadro 4 ± Cotação dos factores Noção do Corpo Como podemos constatar a cotação relativa à noção do corpo. No subfactor desenho do corpo pode-se confirmar as suas limitações ao nível da organização do corpo (anexo IV). assim sendo o baixo resultado obtido neste factor é o espectável. podemos ainda constatar que apesar de haver grandes dificuldades na realização de algumas tarefas. Apesar de ter o lado dominante perfeitamente definido. este facto não se verifica na Ionara. revela um desempenho com dificuldades.

Durante as tarefas foram evidentes hesitações e momentos de paragem na realização motora. já esperado devido aos resultados obtidos até aqui. que por sua vez possui uma grande influência na aprendizagem da matemática. já que as tarefas propostas apelam á memorização e atenção. Os resultados obtidos demonstram que o Ionara possui um baixo controlo na estruturação espacial. que refere que o factor lateralização e noção do corpo estão comprometidas não é possível estabelecer uma adequada estruturação espácio-temporal. As dificuldades de cálculo foram evidentes o que contribui para o fraco sucesso da Ionara neste factor psicomotor. podemos verificar e confirmar as limitações ao nível deste factor psicológico.Estudo de Caso 2010 Estruturação Espácio-Temporal Factor Psicomotor Subfactores Cotação Organização Espacial 2 Estruturação Espácio-temporal Estruturação Dinâmica 2 Representação Estruturação Topográfica Rítmica 1 1 Total 1 Quadro 5 ± Cotação dos factores Estruturação Espácio-Temporal De forma semelhante ao factor psicomotor anteriormente apresentado. Este resultado está de acordo com a visão de Fonseca (1990). Práxia Global Factor Psicomotor Subfactores Cotação Práxia Global Coordenação Coordenação Dismetria ÓculoÓculo-pedal manual 1 2 2 Quadro 6 ± Cotação dos factores Práxia Global Total Dissociação 1 1 Ao nível do factor práxia global a Ionara tem um desempenho muito baixo. Página 25 .

Portanto não seria de esperar um resultado superior no que diz respeito a este factor psicomotor.precisão limitada. denotando-se bastantes hesitações e irregularidades na realização das tarefas. traduz uma disfunção psiconeurológica da organização táctil e proprioceptiva. sendo provável que a frequência de dispraxias nas crianças com dificuldades de aprendizagem seja mais óbvia. Práxia Fina Factor Psicomotor Subfactores Cotação Coordenação Dinâmica Manual 1 Práxia Fina Tamborilar 2 Velocidade de precisão 1 Total 1 Quadro 7 ± Cotação dos factores Práxia Fina Uma vez mais podemos atestar sinais evidentes de perfil dispráxico.Estudo de Caso 2010 Como podemos observar pelos resultados obtidos na BPM. Página 26 . com repercussões no comportamento sócio-emocional e no potencial de aprendizagem. diminuindo o seu potencial de aprendizagem. O mesmo autor refere que o desenvolvimento da práxia fina é um processo de maturação lento. o que. que interfere com a capacidade de planificar acções. uma vez que este é o inequívoco produto final dos restantes factores. bem como a coordenação dinâmica manual. De acordo com Fonseca (1990). A Ionara apresenta um perfil dispráxico. segundo Fonseca (1990). a práxia fina traduz o factor mais hierarquizado da BPM. Durante as tarefas a Ionara evidenciou uma velocidade . o Ionara possui limitações em vários outros factores pelo que o seu nível de concentração e a sua capacidade de planificar acções em novas situações encontra-se visivelmente afectada.

a estruturação espácio -temporal.Estu s 2010 Quadro 8 ± Perfil Psi omotor Após apresentação dos vários factores e subfactores e reali ada a soma e respectiva média. conclui se que a Ionara revela um perfil dispráxico. Assim podemos referir que segundo esta observação e aplicação da BPM. a equilibração.3. revela a forma como o cérebro processa e integra informações sensoriais. de laterali ação. Estes resultados motores são um conjunto de manifestações motoras que encerram problemas e processos de integração e de elaboração.Pr r d Intervenç ¤  2 0 . 1990) Perante o perfil psicomotor dispráxico com que nos deparamos. onde abundam múltiplas áreas fracas. haverá problemas de integração sensorial não conseguindo captar. ou seja. cumpre-nos elaborar um plano de intervenção que englobe áreas como a tonicidade. P i 27 £¢ ¡   ¥  © § § ¦ ¨ ¥ 3. revelando já a presença de vários sinais desviantes. Havendo problemas de equilíbrio. surgiu a possibilidade de se elaborar um plano de intervenção psicomotora em meio aquático. Face a um cenário tão deficitário como a Ionara nos apresenta. e laborar ou expressar a informação de forma conveniente. a práxia global e a práxia fina. (Fonseca. a noção do corpo. a Ionara é -se uma criança com dificuldades de aprendi agem ligeira.

temporariamente. com diferentes sentidos e direcções. como nos aspectos psicomotores. a utilização de diferentes posicionamentos e de diferentes partes do corpo em contacto com a água. psicológicos e sociais. a espasticidade e a rigidez e permite uma melhor manutenção da circulação sanguínea nas zonas mais afectadas. emocional e social. estando então evidentes na Página 28 . por outro lado. As noções temporais estão directamente relacionadas com a noção de ritmo. Equilibração ± a posição horizontal condiciona algumas alterações ao nível das sensações labirínticas. o processo de diferenciação e especialização de funções dos hemisférios direito e esquerdo é facilitado. promovendo a integração da informação e. Lateralização ± este meio permite uma intensa estimulação proprioceptiva e exteroceptiva. Noção do Corpo ± os movimentos realizados na água. Assim. Esta actividade facilita e apoia a realização de movimentos de difícil execução em terra. Práxia Global e Práxia Fina ± estes dois factores estão intimamente relacionados com aspectos como a coordenação motora. a agilidade e a perícia. permitem adquirir uma maior consciencialização do corpo e de si própria. como nos movimentos propulsivos. bem como a participação em novas situações de aprendizagem. consequentemente. Tonicidade ± a água aquecida reduz. Pretende-se proporcionar á Ionara uma experiência complexa e completa e um maior conhecimento de si própria e das suas capacidades. Assim o plano de intervenção para a Ionara em meio aquático engloba os sete factores psicomotores. Estruturação Espácio-Temporal ± as noções espaciais são desenvolvidas através da exploração do meio aquático e da realização de deslocamentos em diferentes trajectórias. envolvido tanto no controlo respiratório. A intervenção em meio aquático pretende incidir no desenvolvimento global da Ionara tanto nos aspectos fisiológicos e funcionais. o desenvolvimento cognitivo.Estudo de Caso 2010 A actividade aquática promove sensações de prazer e bem-estar físico. das sensações oculares e das sensações do tónus de manutenção. o meio aquático permite que a criança mude tranquilamente de posição. mesmo debaixo de água. promove o contacto corporal e a comunicação com outras crianças.

bolas. Desenvolver a capacidade de realizar deslocamentos em diferentes trajectórias. OBJECTIVOS: y y y y y y y y y Promover a intimidade e relação com o outro. Materiais ± Piscinas Municipais. rolos. Melhorar a tonicidade. Desenvolver movimentos activos dentro de água. brinquedos vários. materiais a usar na piscina ± pranchas. Página 29 . Aperfeiçoar os movimentos finos. ringues. Professor de Natação. sentidos e direcções. Desenvolver a função respiratória. flutuadores. desenvolvendo o tónus muscular. Desenvolver o equilíbrio. Desenvolver a desinibição no meio aquático. Desenvolver a coordenação motora global. Desenvolver o esquema corporal. A reflexão sobre a forma de execução é também fundamental para o desenvolvimento destes domínios. y RECURSOS: y y Humanos ± professora do Ensino Especial. bóias.Estudo de Caso 2010 aprendizagem de habilidades aquáticas.

objectos que não flutuam«). Mergulhar para apanhar objectos. Relaxamento 5m a 10m Flutuação Equilíbrio nos colchões Página 30 . saltar. com ou sem ajuda. andar em roda. Actividades psicomotoras 20 m a 30 m Em decúbito dorsal e ventral coordenar os movimentos inferiores e superiores. com a ajuda de flutuadores. Aquecimento: 5m Exercícios de grupo: andar. Jogos de categorização (objectos que flutuam.  Jogos em grupo (com bolas. Arrumar o material. com ringues). Batimento de pernas em decúbito ventral.Estudo de Caso 2010 SESSÃO TIPO (a realizar uma vez por semana. fazer um comboio« Soprar brinquedos que flutuem na água. Movimentação na água em decúbito ventral. até ao fim do ano lectivo) Exemplos de actividades Batimentos de pernas no bordo da piscina. Movimentação em decúbito dorsal.

de um maior aprofundamento. Reconhece-se que vários domínios da contextualização teórica mereciam. a consciencialização da acção e explorando todas as formas possíveis de expressão (Oliveira. com a evolução dos conceitos das práticas psicomotoras. Página 31 . produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio. Inicialmente. Apesar de chegar o momento de dar como concluído este estudo de caso permanece a forte sensação de ³ainda haver muito a dizer e a fazer´.Estudo de Caso 2010 4. a Psicomotricidade compreendia o corpo nos seus aspectos neurofisiológicos. triste ou nervosa. de enquadramento teórico e conceptual e a segunda de aplicação prática. Determinadas ³as coordenadas´ foi necessário aplicar alguns instrumentos que possibilitassem um melhor enquadramento da caracterização da Ionara. torna-se premente uma breve síntese sobre o trabalho dividido em duas partes principais: a primeira. quando no recreio. 2008). Esta mediação corporal veicula os laços entre o corpo e a mente. define-se como um meio de tomada de consciência. tendo a noção do espaço que irá fazer. entre o espaço e o tempo. quando percorre o corredor para apanhar o seu brinquedo preferido. entre o real e o imaginário. espírito. calcula a distância e a força necessária para chutar a bola e marcar golo na baliza do adversário. outras correlações seriam plausíveis de se verificarem. quando na folha de papel. lançar esta temática em contextos mais amplos. certamente. desde os primeiros tempos de vida. Actualmente. valorizando a intencionalidade. esta ciência é concebida como a integração superior da motricidade. desenha o seu corpo e todo o espaço à sua volta estamos perante provas irrefutáveis qu a e Psicomotricidade. para emitir e receber significados. no presente momento. O enquadramento teórico forneceu os pontos cardeais para a aplicação prática. faz parte integrante da nossa vida. fundamental na vida. Concomitantemente. anatómicos e locomotores coordenando-se e sincronizando-se no espaço e no tempo. Mas. natureza e sociedade.Conclusão Quando a criança demonstra através do seu corpo que está alegre. enriquecendo o discurso aqui produzido e quem sabe. que une o corpo a todos os seus aspectos: mente. resultando num complexo processo de maturação.

que este estudo. Assim as repercussões dos resultados obtidos são preocupantes. da combinação e da sequencializacão de padrões motores. das posições. da discriminação. Competências como a tomada de consciência. Perante tais considerações. pois o desenvolvimento psicomotor é caracterizado pela maturação que integra o movimento. sustentadas no modelo de organização funcional de Lúria. é de suma importância que a Ionara usufrua de uma intervenção psicomotora. A criança deste estudo apresenta um perfil dispráxico na maioria dos factores psicomotores. a parte principal desta caminhada. quer a nível da exploração do seu potencial activo. quer a nível da prevenção e do tratamento. Ciente das limitações que este estudo de caso encerra em si.Estudo de Caso 2010 E porque o caminho se faz caminhando e não através da análise de mapas e roteiros ou da visualização das recordações vivenciadas por terceiros. das mudanças de direccionalidade. Segundo. são fundamentais para o normal desenvolvimento das aprendizagem curriculares e sociais. A observação realizada com a aplicação da Bateria Psicomotora permitiu determinar os factores psicomotores que se encontram alterados ou até mesmo comprometidos numa criança de 7 anos com graves problemas de desenvolvimento global. o ritmo. o reconhecimento dos objectos. a construção espacial. revelando um profundo comprometimento das suas aprendizagens. a compreensão e uso das noções espácio-temporais. a imagem do nosso corpo e a palavra. apresenta-se na definição do perfil psicomotor da Ionara. A criança necessita de integrar todos os subsistemas psicomotores. se assuma como o Página 32 . cumpre-me lançar um duplo desafio a todos aqueles que forma directa ou indirecta trabalham e acompanham a Ionara: primeiro. a exploração e a orientação do corpo no espaço. indicam claramente que existe uma forte correlação entre perfil psicomotor e aquisição de competências necessárias ao bom desenvolvimento global da criança. da memorização. combiná-los e organizá-los espácio-temporalmente para poder realizar as aprendizagens espectáveis para o seu nível de desenvolvimento. estando conscientes dos resultados deste estudo com base na aplicação da BPM urge a necessidade de todos contribuírem para que a intervenção multidisciplinar seja uma realidade. As investigações de Fonseca. tendo em conta a sua idade cronológica.

termina-se aqui o roteiro.Estudo de Caso 2010 primeiro de muitos. que suscitem interesse e investimento em estudos semelhantes. possam constituir alicerces para ³novas viagens´. que se acreditam serem de reconhecido cariz utilitário para vários profissionais de Educação. esperando sinceramente que a curiosidade em constatar. Retomando a metáfora da viagem presente nesta fase final. na prática. extensíveis a outras crianças com possíveis dificuldades de aprendizagem. Página 33 . os aspectos citados ao longo do trabalho.

Manual de Avaliação Motora. Neto. Fonseca. (2002). Página 34 . Fonseca. Lisboa: Âncora Editores. Manual de Observação Psicomotora. Lisboa: Editorial de Noticias. Lisboa: Âncora Editora. (2001). 13a Edição.Referências Bibliográficas Fonseca. S. G. Oliveira.(2008). de C. Paulo: Artmed. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque psicopedagógico. Psicomotricidade . Vítor (1999). F. Petrópolis: Editora Vozes. Insucesso Escolar ± Abordagem Psicopedagógica das dificuldades de aprendizagem.Perspectivas Multidisciplinares. Vítor.Estudo de Caso 2010 5. Vítor (1990).

Anexos Página 35 .Estudo de Caso 2010 6.

2 ± AGREGADO FAMILIAR  N E P REN ES .N.059 Localidade: Setúbal Telefone da residência: 968301847 Vive ao cuidado de: Pais Mãe: Bertília Lourenço Ribeiro Data de nascimento: 02-05-1972 Naturalidade: Lisboa Estado civil: Casada Profissão: Desempregada Tm 933346936 Pai: Luis Miguel Lourenço Seabra Data de nascimento: 30/08/1973 Naturalidade: Setúbal Estado civil: Casado Profissão: vendedor Ambulante Tm 968301847 Nacionalidade: Portuguesa Habilitações literárias: 8º Ano Nacionalidade: Portuguesa Habilitações literárias: 5º Ano 1. BI I ÇÕES PR ISSÃ Bertilia Ribeiro Mãe 02-05-72 5º Ano Desempregada Página 36           .Estudo de Caso 2010 Anexo I I E N NESE - i ii Nome: Ionara Lourenço Seabra Nome pelo qual a criança é habitualmente tratada: Ionara Data de nascimento 05 / 01 / 2003 Naturalidade Setúbal Nacionalidade Portuguesa Morada: Rua Ema Grill nº 52 3º Esq Código Postal 2910 .

mili Tipo de habitação: Apartamento camarário Nº de divisões da casa: 3 Qual a divisão em que a criança passa a maior parte do tempo: Sala A criança dorme em quarto próprio ? Não Se não. medo de dormir sozinha) ? Falta de espaço tendo em conta o número de elementos do agregado familiar. proximidade e entreajuda 2. e quais os motivos ( falta de espaço.Estudo de Caso 2010 Luis Seabra Ionara Seabra Misael Seabra Jessica Seabra Pai Irmã Irmão Irmã 30-08-73 05-01-03 05-06-07 07-10-92 8º Ano 1º Ano 4º Ano Desempregado Estudante A cargo Estudante Observações : Os pais são primos direitos 2 i i S i .1 ± Antecedentes familiares Doenças/deficientes Diabetes Alcoolismo Tuberculose Toxicodependência Epilepsia Mãe Pai Outro parentesco Página 37 . com quem compartilha o quarto. Relação da criança/pais: Próxima Tempo dedicado à criança: Mãe: Sempre disponível Pai: Quando Solicitado Outros: Irmãos Relação criança / irmãos: Relação de cumplicidade.

D. mental Paralesia cerebral ' #&% # "! $ $ Irmã . mas aceite Não aceite Vigiada Sem intercorrências Com intercorrências X  X Quais ? ______________________  X  Duração da gravidez: 38 semanas Observações : negligência desde o 2º Trimestre 3.T.2 Período Neo -Natal Parto: Local: Hospital S. Motora Def. Auditiva Def.Estudo de Caso 2010 Asma Alergias D.1 ± Período pré ± natal Gestações anteriores : 2 Gravidez: Desejada Não desejada. Cardíacas Def. Bernardo Setúbal Página 38 .Anaisa X Outros (doenças crónicas).E l mi Irmã mais velha 3 i 3. Visual Def.S.

5 cm _Perímetro cefálico 34.5 cm Índice de APGAR no 1º minuto: 9 5º minuto:10 10º minuto:______ Reanimação:__N____ Coloração da pele : _Normal________ Sinais traumáticos: Não Teve convulsões:Não Observações:_______________________________________________________________ _ Icterícia: _______ Incubadora:_____ Durante: Quais?_____________________________________ 3.570 Kg Comprimento: 49. em adormecer x acorda durante a noite  Cólicas X Deglutição Alergias Outras  ____________ Alimentos rejeitados :________________ Horas de deitar 00 H de levantar 08H n º de horas de sono diurno 0H Adormece sozinha X tem algum hábito para adormecer ____________________ Página 39 .Estudo de Caso 2010 Parto assistido ? SIM Por: Obstetra de serviço Duração :10 a 12 Horas Tipo de parto: Eutócito: ___X___ Distócito: ______________ Desenvolvimento do parto : Natural: __X____Provocado: _____Manobras Obstétricas:___________________________________________________________ Complicações durante o parto: Anóxia : ______ Hipóxia: ___________ Placenta Prévia: ___________Circular do cordão umbilical: ____________Outras:___________ Peso à nascença: 3.3 Período Pós-Natal Alimentação: Materna X Biberão Mista  Introdução da papa 5 meses Introdução da sopa 4 meses Introdução de alimentos sólidos: 10 meses Dificuldades: Choro Sucção Dentição: Tardia Observações: No momento já com várias cáries e necessidade urgente de tratamento Sono:Actualmente Calmo agitado dif.

Estudo de Caso 2010 Usa chupeta outras situações ______________________________________ Observações: Revela necessidade de um maior número de horas de sono.2 .1 ± Psicomotor: Com que idade a criança: Sorrir: 3 m Controlar a cabeça ________virar-se _________segurar o objecto_________ Sentar-se com apoio 5m sem apoio 7m gatinhar ______pôr-se de pé com apoio 9m Andar com apoio ______sem apoio 12m correr _____subir/descer escadas Observações : Praxia Global comprometida 4.Linguagem: Primeiras vocalizações 6m imitar sons 8m Primeiras palavras c/ significado 14 meses Construir frases simples ____________________________________________________ Revela: Discurso adequado à idade x Do material verbal Outras situações : articulação correcta das palavras boa compreensão voz rouca  omissão/substituição/troca de fonemas X gaguez Página 40 . comprometendo o seu estado de vigília a atenção no período escolar. 4 l im l l 4.

Estudo de Caso 2010 Observações: 5 mi Alimentação: Come c/ colher e garfo e faca X não necessita de ajuda durante a refeição X Alimentação diversificada X mantém-se à mesa durante a refeição X Higiene: Controle vesical diurno X Controle vesical nocturno X Controle anal X Lava as mãos e a cara X escova os dentes X toma banho sozinho Despir / vestir : Despe-se sem ajuda X despe-se/veste-se sozinho (sem botões e fecho )  Distingue avesso / direito X distingue frente / atrás X Despe-se/ veste-se sozinho ( incluindo botões e fecho ) Necessita de ajuda no que diz respeito a botões e atacadores 6 i i li i 6. mental tosse convulsa asma papeira enterites difteria viroses X meningite def.1 -Doenças: Sarampo Convulsões Hepatite Def. visual   pneumonia rubéola encefalite otites X amigdalite def. auditivo varicela X bronquite epilepsia def. motor X diabetes Internamentos X quantos? 1 Duração do internamento: 12H Página 41 .

Fátima Varela Centro de saúde Vale do Cobro Telefone _____________________ Consultas de Especialidade X Quais _______________________________ Apoio terapêutico _Não Apoio Educativo: Sim X Não local ________________________________________ Dados recolhidos em conjunto com: Educadora: Célia Conrado Enc. Observações: 6.Estudo de Caso 2010 Intervenções cirúrgicas Quais ___________________ Outras situações Em Outubro 2008 internamento devido a cefaleias recorrentes tendo sido detectado períodos de ausência que poderiam sugerir situações de amnésia. não houve continuação do acompanhamento para diagnóstico conclusivo. Médico de família Dra. de Educação: Bertília Ribeiro Página 42 .2.

3 ± Deficiência grave. 8 ± Não especificada1. 2 ± Deficiência moderada. 2 Este quantificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico. o valor que considera mais adequado à situação. 9 ± Não aplicável2 1 Deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da deficiência. à frente de cada categoria. 4 ± Deficiência completa. 1 ± Deficiência ligeira. 1 0)( Funções do Corpo (Funções Mentais Globais) Funções da consciência 4 Funções da orientação no espaço e no tempo b117 Funções intelectuais b122 Funções psicossociais globais b125 Funções intrapessoais b126 Funções do temperamento e da personalidade b134 Funções do sono (Funções Mentais Específicas) b140 Funções da atenção b144 Funções da memória b147 Funções psicomotoras b152 Funções emocionais b156 Funções da percepção b163 Funções cognitivas básicas b164 Funções cognitivas de nível superior b167 Funções mentais da linguagem b172 Funções do cálculo Capí ul 2 ± Funções sensoriais e dor b210 Funções da visão b215 Funções dos anexos do olho b230 Funções auditivas b235 Funções vestibulares b250 Função gustativa b255 Função olfactiva b260 Função proprioceptiva b265 Função táctil b280 Sensação de dor Capí ul 3 ± Funções da voz e da fala b310 Funções da voz b320 Funções de articulação b330 Funções da fluência e do ritmo da fala 6 6 5 5 778 9778 Página 43 0 1 Quantificadores 2 3 4 8 9 76 í ul 5 ± Funções Mentais x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x 4 2 3 .Estudo de Caso 2010 Anexo II MODE O DE UN ION Nome: Ionara Lourenço Seabra IDADE h kli I (CIF-CJ ± DGIDC) Data de Nascimento: 05 / 01 / 2003 Idade: 7 anos e 5 meses Funções N Assinale com uma cruz (X). de acordo com os seguintes qualificadores: 0 ± Nenhuma deficiência.

não especificadas x b430 Funções do sistema hematológico x b435 Funções do sistema imunológico x b440 Funções da respiração x Capí ul 5 ± Funções do aparelho digestivo e dos sistemas metabólicos e endócrino b515 Funções digestivas x b525 Funções de defecação x b530 Funções de manutenção do peso x b555 Funções das glândulas endócrinas x b560 Funções de manutenção do crescimento x Capí ul 6 ± Funções genito-urinárias e reprodutivas b620 Funções miccionais x Capí ul 7 ± Funções neuromusculoesqueléticas e funções relacionadas com o movimento b710 Funções relacionadas com a mobilidade das articulações x b715 Estabilidade das funções das articulações x b730 Funções relacionadas com a força muscular x b735 Funções relacionadas com o tónus muscular x b740 Funções relacionadas com a resistência muscular x b750 Funções relacionadas com reflexos motores x b755 Funções relacionadas com reacções motoras involuntárias x b760 Funções relacionadas com o controlo do movim.Estudo de Caso 2010 Capí ul 4 ± Funções do aparelho cardiovascular. dos sistemas hematológico e imunológico e do aparelho respiratório b410 Funções cardíacas x b420 Funções da pressão arterial x b429 Funções cardiovasculares. Involuntário x b770 Funções relacionadas com o padrão de marcha x b780 Funções relacionadas com os músculos e funções do movim. x Outras Funções do Corpo a considerar A A A A @ @ @ Assinatura: ________________________________________________________ Data: _____ / _____ / _____ @ Página 44 . voluntário x b765 Funções relacionadas com o controlo do movim.

4 ± Dificuldade completa. 3 ± Dificuldade grave. Actividade e Participação Capítulo 1 ± Aprendizagem e aplicação de conhecimentos d110 Observar d115 Ouvir d130 Imitar d131 Aprender através da interacção com os objectos d132 Adquirir informação d133 Adquirir linguagem d134 Desenvolvimento da linguagem d137 Adquirir conceitos d140 Aprender a ler d145 Aprender a escrever d150 Aprender a calcular d155 Adquirir competências d160 Concentrar a atenção d161 Dirigir a atenção d163 Pensar d166 Ler d170 Escrever d172 Calcular d175 Resolver problemas d177 Tomar decisões Capítulo 2 ± Tarefas e exigências gerais d210 Levar a cabo uma tarefa única d220 Levar a cabo tarefas múltiplas d230 Levar a cabo a rotina diária d250 Controlar o seu próprio comportamento Capítulo 3 ± Comunicação d310 Comunicar e receber mensagens orais d315 Comunicar e receber mensagens não verbais d325 Comunicar e receber mensagens escritas d330 Falar d331 Produções pré-linguísticas d332 Cantar d335 Produzir mensagens não verbais d340 Produzir mensagens na linguagem formal dos sinais d345 Escrever mensagens d350 Conversação d355 Discussão d360 Utilização de dispositivos e de técnicas de comunicação Capítulo 4 ± Mobilidade d410 Mudar as posições básicas do corpo d415 Manter a posição do corpo d420 Autotransferências d430 Levantar e transportar objectos d435 Mover objectos com os membros inferiores d440 Actividades de motricidade fina da mão d445 Utilização da mão e do braço d446 Utilização de movimentos finos do pé d450 Andar Página 45 0 x x 1 Quantificadores 2 3 4 8 9 x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x . à frente de cada categoria. o valor que considera mais adequado à situação. 8 ± Não especificada1. 1 ± Dificuldade ligeira. 2 ± Dificuldade moderada.Estudo de Caso 2010 Acti i ade e Participação Nota: Assinale com uma cruz (X). 9 ± Não aplicável2 1 Deve ser utilizado sempre que não houver informação suficiente para especificar a gravidade da dificuldade. 2 Este quantificador deve ser utilizado nas situações em que seja inadequado aplicar um código específico. de acordo com os seguintes qualificadores: 0 ± Nenhuma dificuldade.

1 ± Facilitador/barreira ligeiro. 4 ± Facilitador/barreira completo. construção e acabamentos de prédios de utilização pública e155 Arquitectura. para cada categoria considerada. Assinale. medicamentos) e115 Para uso pessoal na vida diária e120 Para facilitar a mobilidade e o transporte pessoal e125 Para a comunicação e130 Para a educação e135 Para o trabalho e140 Para a cultura. o valor que considera mais adequado à situação. 2 ± Facilitador/barreira moderado. com (.Assinale com uma (X). à frente de cada categoria. 8 ± Não especificada. 3 ± Facilitador substancial/barreira grave. social e cívica d910 Vida comunitária x d920 Recreação e lazer x Outros aspectos da Actividade e Participação a considerar x x x x x x x x x x x x x x Factores Ambientais Nota: As diferentes categorias podem ser consideradas enquanto barreiras ou facilitadores.) se a está a considerar como barreira ou com o sinal (+) se a está a considerar como facilitador. de acordo com os seguintes qualificadores: 0 ± Nenhum facilitador/barreira. a recreação e o desporto e150 Arquitectura. 9 ± Não aplicável Factores Ambientais Capítulo 1 ± Produtos e Tecnologias e110 Para consumo pessoal (alimentos. construção e acabamentos de Página 46 Barreira ou Facilitador + + + + + - 0 x 1 Quantificadores 2 3 4 8 9 x x x x x x x x .Estudo de Caso 2010 d455 Deslocar-se Capítulo 5 ± Autocuidados d510 Lavar-se x d520 Cuidar de partes do corpo x d530 Higiene pessoal relacionada com as excreções x d540 Vestir-se x d550 Comer x d560 Beber x d571 Cuidar da sua própria segurança x Capítulo 6 ± Vida doméstica d620 Adquirir bens e serviços d630 Preparar refeições d640 Realizar o trabalho doméstico d650 Cuidar dos objectos domésticos Capítulo 7 ± Interacções e relacionamentos interpessoais d710 Interacções interpessoais básicas x d720 Interacções interpessoais complexas d730 Relacionamento com estranhos d740 Relacionamento formal d750 Relacionamentos sociais informais x Capítulo 8 ± Áreas principais da vida d815 Educação pré-escolar d816 Vida pré-escolar e actividades relacionadas d820 Educação escolar d825 Formação profissional d835 Vida escolar e actividades relacionadas d880 Envolvimento nas brincadeiras Capítulo 9 ± Vida comunitária.

Estudo de Caso 2010 prédios para uso privado Capítulo 2 ± Ambiente Natural e Mudanças Ambientais feitas pelo Homem e225 Clima x e240 Luz e250 Som Capítulo 3 ± Apoio e Relacionamentos e310 Família próxima + x e320 Amigos + e325 Conhecidos. colegas e membros da comunidade e440 Atitudes individuais de prestadores de cuidados + pessoais e assistentes pessoais e450 Atitudes individuais de profissionais de saúde + e465 Normas. colegas. pares. práticas e ideologias sociais + x Capítulo 5 ± Serviços. pares. Sistemas e Políticas e515 Relacionados com a arquitectura e a construção e540 Relacionados com os transportes e570 Relacionados com a segurança social e575 Relacionados com o apoio social geral e580 Relacionados com a saúde e590 Relacionados com o trabalho e o emprego e595 Relacionados com o sistema político Outros Factores Ambientais a considerar e430 Pessoas em posição de autoridade x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Página 47 . dos membros da família próxima e420 Atitudes individuais dos amigos e425 Atitudes individuais de conhecidos. vizinhos e membros + da comunidade e330 Pessoas em posição de autoridade + e340 Prestadores de cuidados pessoais e assistentes + pessoais e360 Outros profissionais + Capítulo 4 ± Atitudes e410 Atitudes individ.

Desvios Posturais: Pequeno desvio postural no ombro direito Página 48 CB Aspecto somático EC . harmoniosa e controlada (excelente) hiperpráxico.EspaçoTemporal 3ª Praxia Global Unidade Praxia Fina Escala de Pontuação: 1 Realização imperfeita.Estudo de Caso 2010 Anexo III Bateria Psicomotora (BPM) (Vítor da Fonseca. incompleta e descoordenada (fraco) 2 Realização com dificuldades de controle (satisfatório) 3 Realização controlada e adequada (bom) perfil apráxico perfil dispráxico perfil eupráxico perfil 4 Realização perfeita. econômica. 1992) Nome: Ionara Lourenço Seabra Sexo: F Data de Nascimento 05/01/2003 Idade 7 Anos 5 Meses Escolaridade 1º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico Observador Célia Conrado Data da Observação 09 de Junho de 2010 PERFIL 1º Unidade Tonicidade Equilibração 2ª Lateralização X X X X X 4 3 2 X X 1 Unidade Noção de Corpo Estr.

Estudo de Caso 2010 Controle Respiratório: Inspiração Expiração Apnéia 4 4 4 3 3 3 2 2 2 1 1 1 DURAÇÃO 50m FATIGABILIDADE 4 3 2 1 TONICIDADE: Hipotonicidade Hipertonicidade Extensibilidade: Membros Inferiores Membros Superiores Passividade: Paratonia: Membros inferiores Membros superiores Diadococinesias: Mão Direita Mão Esquerda Sincinesias: Bucais (Axiais) Contralaterais (de imitação) 4 4 3 3 2 2 1 1 4 4 3 3 2 2 1 1 4 4 3 3 2 2 1 1 4 4 4 3 3 3 2 2 2 1 1 1 EQUILIBRAÇÃO: Imobilidade Equilíbrio Estático: Apoio Retilíneo Página 49 4 3 2 1 4 3 2 1 .

Estudo de Caso 2010 Ponta dos pés Apoio num pé Equilíbrio Dinâmico: Marcha Controlada Evolução no banco: 1) para frente 2) para trás 3) Lado direito 4) Lado esquerdo Um só pé (E) Um só pé (D) Pés juntos para frente Pés juntos para trás com olhos fechados D E 4 4 3 3 2 2 1 1 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 LATERALIZAÇÃO: 4 3 2 1       NOÇÃO DE CORPO: Ocular Auditiva Manual Pedal Inata Adquirida D D D D D D E E E E E E      Sentido Cinestésico Reconhecimento D e E Auto-imagem (face) Imitação de Gestos Desenho do corpo 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 ESTRUTURAÇÃO ESPACIO-TEMPORAL:     Organização Estruturação Dinâmica Representação Topográfica Estruturação Rítmica 4 4 4 4 3 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 Página 50 .

Estudo de Caso 2010 As estruturas rítmicas: 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 PRAXIA GLOBAL: Coordenação óculo-manual Coordenação óculo-pedal Dismetria 4 4 4 3 3 3 2 2 2 1 1 1 Dissociação: Membros Superiores Membros Inferiores Agilidade 4 4 4 3 3 3 2 2 2 1 1 1 PRAXIA FINA: Coordenação Dinâmica Manual Tempo:______________ 4 3 2 1 Tamborilar Velocidade e precisão 4 4 17 14 4 4 3 3 3 3 2 2 2 2 1 1 1  Número de pontos  Número de cruzes Página 51 .

Estudo de Caso 2010 Anexo IV Desenho do corpo Página 52 .

Estudo de Caso 2010 Página 53 .

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