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Regina Jakubovicz

TRATAMENTO DAS AFASIAS - FONO HOSPITALAR

Funcionamento da reabilitação cerebral
Sinapses neuronio ativo ===> “disparo”  corrente elétrica ou (Potencial de ação)
As sinapses podem ser: estimuladoras ou inibidoras
 Em media cada neuronio possui 1 000 sinapses
Existem 10 bilhões de neurônios e mais de 10 trilhões de sinapses
 Cada neuronio tem poucas conexões. Eles se comunicam com pequenos grupos de outros neurônios

O neurônio e as sinapses
Hipóteses sobre os mecanismos de recuperação cerebral
1- Redundância do SNC (mecanismos de ativação e inibição) neste caso haveria uma restituição
funcional
2 - Reorganização do SNC  haveria uma substituição de funções (Luria)
3 - Aumento da diasquisis (choque sistêmico) - Diasquisis  Menos aferencias  estado de choc.
Como a lesão diminui as aferencias de certos centros conexos, isso acaba resultando num estado
geral de “choque” nas sinapses.
4 - Plasticidade cerebral  transferência de um hemisfério para o outro

Alterações comportamentais na afasia
1) Fragilidade emocional  choro ou riso inapropriado sem haver uma causa emocional
que justifique. Reação acima da expectativa por um baixo limiar emocional
OBS: costuma diminuir com as melhoras dos sintomas lingüísticos.
2) Reação catastrófica  reação inadequada que geralmente aparece quando o paciente enfrenta
situações com as quais não consegue lidar. Exemplo: quebrar coisas, agitar-se, gritar, etc.
3) Dependência  O paciente sente-se inseguro, não sabe mais tomar atitudes. Acha que
não pode mais fazer nada sozinho.
4) Mecanismos de defesa  atitudes que são tomadas para se defender, como: isolar-se ou
envolver-se em atividades inapropriadas; abrir um livro que não pode ler, copiar qualquer coisa, lavar
os tapetes, etc.
5) Condições psicóticas  Exaltação em excesso ou depressão, falar sozinho, violência sem motivo
aparente, etc. Essa atitudes costumas aparecer quando já existiam tendências anteriores de
temperamento depressivo ou psicoses ou neuroses pré mórbidas.
6) Perda da memória  Inabilidade para evocar nomes ou lugares familiares. O afásico lembra-se dos
fatos e dos compromissos que tem mas não consegue nomeá-los.
7) Egocentrismo  só lida ou se envolve em situações que tenham importância para o paciente. Volta-
se para si mesmo.
8) Dificuldade com o abstrato  só consegue lidar com as coisas ou assuntos bem concretos (o que
pode ver e sentir). Não consegue imaginar ou simbolizar.
9) Inconsistência das respostas  consegue dar a resposta certa ou executar bem uma tarefa num dia ou
numa hora e a seguir não consegue mais. Não há retenção do aprendizado.

ALTERAÇÕES VERBAIS
Perseveração  continuar com ato ou palavra que era apropriado a uma situação anterior mas não é
mais à próxima. Dificuldade em mudar de atitude.
Estereotipias  repetir sempre a mesma palavra ou gesto, seja apropriado ou não. Fica sendo a única
forma de comunicação.

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Tema de predileção  falar sempre do mesmo assunto ou ficar repetindo a mesma palavra misturada
a outras. Ligada à dificuldade em mudar de assunto.
Ecolalia  repetir a ultima palavra ou frase escutada.

Características da aprendizagem na afasia
 fadigam-se com muita freqüência
 lentidão na aprendizagem (esperar que o paciente se ligue”)
 muitas vezes acontecem perseverações
 dificuldade em reter o aprendizado
 dificuldade em compreender conjuntos
 presença dos déficit associados (hemiplegia, hemianopsia, agnosia ou apraxia)
 comportamentos variados de uma hora para outra de um dia para outro
 problemas com a memória a curto e a longo prazo
 precisam ser estimulados a acreditar na recuperação
 geralmente deprimidos e ansiosos
 tendência a reações catastróficas
 condicionam-se com facilidade
 dificuldades em organizar o pensamento

Dados para o prognostico
Considerações sobre a etiologia:
 a importância da zona lesada
 o tempo decorrido depois da lesão
 o grau de severidade da afasia
 a idade do paciente
 a personalidade do paciente
 os hábitos lingüísticos anteriores
 os interesses
 a capacidade do paciente a adaptar-se ao distúrbio
 a motivação para falar
 a possibilidade de contar com a família
 o nível de inteligência

Tratamento dos distúrbios articulatórios
Há uma progressão que facilita:
1. Usar as vogais antes das consoantes
2. Usar antes os fonemas anteriores (p-b-m) que são mais visíveis que os posteriores (q-g-rr)
3. Seguir as etapas seqüências, fazendo:
Diagramas  gestos  fazer o som  pedir a repetição  pedir a produção
4. usar o mínimo de deslocamento muscular:
Si ===> se ===> sa
Em vez de su ===> sa ===> si
5. Fazer mapas articulatórios:

Tratamento para os distúrbios articulatórios na repetição
Trabalhar o traço distintivo de cada fonema isoladamente, para depois usar o gesto articulatório em
palavras:

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 trabalhar o sopro expiratório para realizar os fonemas: /s/-/j/-/x/ ch.
 treinar a elevação da ponta de língua para os fonemas: /t/-/d/-/n/- /l/ .
 manter o contato dento-labial mais firme para os fonemas: /f/-/ v/ .
 trabalhar a pressão dos lábios para fonemas bilabiais: /m/-/p/-/b/.
 facilitar a constrição do velo para os fonemas velares: /g/-rr-/k/.

 Começar os exercícios de repetição usando monossilábicos ===> pé - pa - lá - sol - etc
 Pedir para repetir palavras com a mesma zona articulatória. ===> mapa - lata - garra
 Tentar com palavras similares ==> mato - gato - pato – rato

DEPOIS DA MELHORA

Trabalhar em grupos consonantais ===> prato - flor
Usar sintagmas curtos ===> vem cá - sai daí - como vai
Usar frases longas ====> eu vou beber água agora

O que facilita neste nivel:
 dar um suporte visual (gestos, desenhos)
 Combinar a leitura com a repetição  : auditivo + visual
 Esconder as seqüências silábicas:  Per nan bu co
 mover os cartões com sílabas:  copa » cabana

O modelo lingüístico tríplice:

CONTEÚDO

USO FORMA

Conteúdo  a compreensão da linguagem
Forma  aspectos fonologicos semânticos e morfo-sintaticos da linguagem
Uso  a pragmática, as formas e funções da comunicação

Conteúdo da linguagem
particular
Conhecimento do objeto
categorias

Relação entre os objetos qualidades
quantidades

Relação entre os fatos tempo
causa
modo
O CONTEÚDO da linguagem pode ser trabalhado levando o paciente a falar sobre o que ele sabe dos
objetos e/ou eventos.

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A FORMA da linguagem pode ser trabalhada visando a:
Fonologia fonemas e silabas
Morfologia verbos – adjetivos - advérbios - preposições - artigos
Sintaxe pronomes – conjunções - sujeitos e complementos

Exercícios para os distúrbios da morfo/sintaxe
Adjetivos  pedir as qualidades de pessoas e objetos (grande - vazio - útil)
Advérbios  exercícios com os lugares: em cima / em baixo; de tempo: antes / depois; de modo:
depressa / devagar, etc
Preposições  exercícios para preencher as lacunas: casa de campo - ir para o interior
Conjunções  exercícios para preencher as lacunas: entrar ou sair - Maria e João, etc
Artigos  usar ou combinar o masculino ou feminino: o livro - a casa - os amigos –
Pronomes  usar um ou outro : ele/ ela - nós / eles – nossos / deles, etc

Exercícios para distúrbios semânticos ( vocabulário)
Para facilitar ===> respeitar a freqüência de uso na língua usando:
exercícios com antônimos : grande / pequeno , etc
exercícios com classes : roupas } casaco - calça - meia
 Exercícios de análise / síntese: serve para beber água  copo - puxa a carroça  cavalo
Exercícios de associações: o inverno faz pensar em  em lareira, em casaco
Um ventilador faz pensar em que  vento em calor
 Exercícios usando os verbos: quebrar o ..... lavar ........ ler o ..... Escrever
 Exercícios usando os adjetivos: o clima é ...... a carne ........ o dia está ..... esta rua ........

Exercícios de associações sintáxicas e semânticas
Com associações:
 O inverno faz pensar em que: lareira, casaco, tomar vinho;
 O ventilador faz pensar em que: calor, vento, verão.
Com verbos:
 Coisas que podemos quebrar:> o prato, o copo, a cadeira.
 Coisas que podemos lavar;> a mão, o cabelo, a louça .
Com adjetivos:
 Um clima pode ser: > ameno, frio, quente,
 o dia está: lindo, com sol, chuvoso, etc.
Com classes:
 Dizer o nome de pessoas da sua família,
 Dizer o nome de animais domésticos,
 Dizer o nome de meios de transportes, terrestres, marítimos, aéreos, etc.

Trabalhar: a construção gramatical para aumentar o enunciado nos casos telegraficos.
Exercícios de: substituições no paradigma
===> Verbo O homem lava o carro
O homem puxa o carro
O homem dirige o carro
===> Predicado
O homem lava a mão

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O homem lava a janela
O homem lava o carro
===> sujeito a moça espera o ônibus
o rapaz espera o ônibus
Pedro espera o ônibus
===> pronome
o homem lê o livro sentado
ele lê o livro sentado na cadeira
ela lê o livro sentada na cadeira verde
===> concordância
eu gosto de banana
nos gostamos de banana ouro
nos vamos sair de noite
eu vou sair com você de noite

Exercícios para masculino/feminino, singular/plural.
Usar o/a – os/as – um/uns – uma/umas?

Conceito de numeração:
Responda:
Quantos dedos temos na mão -
Quantas horas tem um dia -
Quantos andares tem seu edifício -
Quantos cigarros tem um maço -
Meia dúzia de maçãs, quantas maçãs são?
Uma dúzia de bananas, quantas bananas são?
Quantos números tem um relógio?
Quantas pontas tem um quadrado?

USO da linguagem (pragmatica)
A pragmática estuda as relações entre a linguagem e o contexto em que a linguagem é usada -
Divisão :
1 . O contexto
 lingüistica
 paralinguistca
 extralinguistica
2 . A dinâmica do contexto  a estrutura da conversação
3. Entrada de informações no contexto  o significado do discurso

Formas do discurso:
Exposição [ explicações do sujeito ]
Descrição [ ajuda a imaginar ]
Narração [ apresenta os eventos ]
Argumentos [ provam algum ponto de vista ]

Regras de cooperação entre falante e ouvinte:
 Fazer a conversação nem mais nem menos informativa que o necessário

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 Tentar ser o mais fiel possível
 Não fugir do tópico
 Procurar ser compreendido evitando: ambigüidades obscuridades; exemplo: “faça uma pose de
Napoleão (imagina-se que o ouvinte conhece Napoleão...)

Para trabalhar as funções pragmaticas :
Comentários  está bem - não serve - Não gosto -
Pedidos  passe o sal - sai da frente - diga onde está
Informações  quem pegou ? - quanto custa?
Solução de problemas  se chover .... se fizer calor.... Se você estiver com fome ...

Para trabalhar com o contexto:
Perguntar  você quer sair ? - você gosta assim ?
Informar  eu quero sair - fica muito longe
Declarar  é difícil - é caro - é gostoso
Propor  vamos ao shopping ? - que tal jogar ?
Descrever  o dia está nublado - está chovendo
Protestar  não concordo - não fica legal assim

A COMPREENSÃO AUDITIVA
Processamento primário  psico-fisiológico- aspectos da intensidade, freqüência e duração
do som
Processamento secundário  aspectos da cognição
> associações
> categorização
> reconhecimento
> retenção
> memória
> estado de alerta e de vigília

PARA FACILITAR A COMPREENSÃO
1. Repetir várias vezes - usar a redundância
2. Controlar o barulho de fundo
3. Dosar o tempo de atenção
4. Procurar falar sempre de frente para a pessoa
5. Usar de vez em quanto sinais de alerta (“olha para mim”ou “atenção agora” )
6. Falar com o paciente em ritmo de fala mais lento
7. Fazer muitas pausas (para dar tempo ao paciente de processar a informação)
8. Usar gestos significativos
9. Dar sempre um feedback para que o paciente possa saber se está acertando ou não
10. Tentar não mudar a rotina do atendimento
11. Usar desenhos ou escrever como apoio
12. Ensinar ao paciente a fazer perguntas para quando ele não estiver compreendendo

Exercícios para trabalhar a compreensão:
 responder que sim ou que não
 discriminar sons fonemicos: fa / va - fim / sim - mulher / colher

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 combinar o que escuta com o que está escrito : “o coração bate forte”
 designar : imagens iguais e imagens diferentes
 apontar numa só imagem  o carro - o sinal - o guarda - o pedestre - o hidrante

Separar os que têm o mesmo conceito: mesa - laranja - cama - limão - cadeira - banana
Apontar o que serve para : beber - dormir - comer - vestir - lavar
Escutar e realizar as ordens dadas:
- “coloca o lápis na caixa”
- “abre a gaveta e coloca o lápis na caixa”
- “abre a gaveta, coloca o lápis na caixa e a
borracha em cima da mesa”
Compreensão de texto lido  ler e perguntar
Exercícios de múltipla escolha  casa de: tijolo - palha - madeira

Exercício com audio-visual para compreensão

Olha a figura e responda ou aponte:
1 – Quantos pessoas existem na sala?
2 – Que horas são?
3 – Quem está escrevendo?
4 – Quem assiste televisão?
5 – Onde ela está sentada?
6 – Onde ela está deitada?
7 – Qual o instrumento que ele toca?
8 – Quantas janelas existem na sala?
9 – Qual o móvel que tem livros?
10 – Quantos quadros tem na parede?
11 – Como ela vê TV?
12 – Como ela lê o jornal?

Alexia  Foi, inicialmente, definida pelo neurologista francês Dejerine. O exame postmortem indicou
uma lesão no giro angular esquerdo. O paciente dizia palavras e letras corretamente, só que elas não
tinham significado para ele.

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Alexia pré angular
Não consegue ler mas consegue escrever, consegue soletrar apesar de não ler, as vezes não lê números
as vezes pode fazer leitura proprioceptiva.
Alexia angular
Alexia total (não consegue soletrar, nem ler palavras por outros canais), perda da leitura de números
escrita impossível (nem ditado nem copia ), desorientação direita/esquerda
Alexia pós angular
Dificuldade para ler palavras de importância sintática (preposições, advérbios, adjuntos), consegue ler
nomes e verbos, compreende mais a leitura silenciosa, dificuldade na sequenciação das palavras, lê
melhor palavras com significado concreto do que palavras isoladas

Podemos concluir que o cérebro tem áreas especificas para:
 Ler a letra ou a palavra
 Ler os números
 Escrever a letra ou a palavra
 Ler em silencio ou em voz alta
 Soletrar

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 Compreender a leitura
 Copiar letras, palavras ou frases

Para facilitar a leitura : Escolher material de leitura de acordo com:
 Comprimento da palavra
 Apresentação visual da letra (maiúscula ou minúscula, cursiva ou de forma)
 A classe da palavra
 A freqüência do uso na linguagem
 Se a palavra é concreta ou abstrata
 Se a palavra é familiar ou não

Exercícios para a reconstrução da leitura
Usando letras soltas:
Isolar grafemas:
r de rico - qui de quilo – fi de fila
Substituir grafemas:
MESA  tirar o M e colocar o P  pesa
PULO  tirar o U e colocar o O  polo
Adicionar grafemas:
CANTO  encanto
Contar silabas:
eu – rancho – encanto – carroça
Identificar o fonema omitido
Marte  arte - Nave  ave
Ler a inversão de :
on  no al  la es  se
Produzir uma rima:
pino  sino casa  asa
laço  maço nata  lata
Reconhecer qual não rima:
tinta – fogo – pinta – par - menino – soco – pepino

Exercícios de percepção visual e auditiva
Ditado de pseudo palavras:
ampo – predra – gosme – vixo – gigange
Parear o certo com o errado:
bulusa – harvero– empergo – barrcoa
blusa –– arvore – emprego - barraco
Marcar as palavras verdadeiras:
bulusa – blusa – bulsa – arvore vlusa –
busa - bharco – barraco – varco – barco
barrco

Apontar as letras e as sílabas escutadas
 a - pa – o - po – i - pi
Escutar letras em seqüência e apontar a seqüência correta de acordo com o modelo dado
(modelo: aioe)  aoie - oiae – aioe - aeioe

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Identificar letras que não pertencem à seqüência no modelo dado :
abcdfe  abcdgf – abcdfe - adecbf.
Parear a palavra escutada e escrita com a figura
bule – bala – bico – bota- bola
Construir palavras usando as sílabas:
so - la - ca - ga - pa - le - to - la - fa ci - po - do – ra - lo - da - ma -bi - go - ta - na - ba – co -

Repostas  sola – lapa – ralo – cidade - barato, colado, etc.

Ler palavras com confusão visual:
carro – cara – carta - corta – curta – carpa - capa

Fazer leitura de frases morfo-sintáticas, como:
afirmativas  vou sair agora,
negativas  acho que não vou sair agora, relativas  a moça, que saiu agora, vai voltar

Procurar as palavras:
BOLA – BOLO – DOCE – SUCO – VELA

B H N H B R V C
O W K D O C E W
L X I T L W L M
A S U C O K A K
W D T R W N W H

Parear a frase escrita com a figura que corresponde:
“Gosto de tomar chá de manhã.” “O café no bule está bem quente”
“Detesto queijo fedido” - “ Ontem tomei um drinque gostoso”

Ler um parágrafo curto e depois responder às perguntas:
“Os 3 meninos brincam no jardim. Eles sobem a pequena colina e descem deslizando na grama. Às
vezes descem deitados, ou sentados ou de bruços”.
 Onde os meninos brincam ?
 É um menino só ?
 Qual é a brincadeira ?
 Eles descem sempre da mesma maneira?
 Como eles descem?

Ler e completar com sílabas:
BAL - PAL - NAL - SAL - BO – ZOL - BOL
Eu leio o jor_____.
A cozinheira põe o _____na comida.
Ele gosta muito de jogar fute_____.
Para pescar eu jogo o an_____.

Completar copiando a palavra certa:

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O caminhão tem _______________ .velas
A casa tem _______________ . asas
O barco tem _______________ . rodas
O cavalo tem _______________ . janelas
O avião tem _______________ . patas

Exercícios iniciais com a escrita

 Copiar figuras geométricas
 Desenhar uma casa, ou uma arvore
 Copiar letras, palavras e frases
 Copia de memória (exposição de 10 seg)
 Escrever o nome das figuras
 Escrever as palavras ditadas
 Soletrar as palavras lidas
 Escrever a palavra soletrada
 Escrever uma frase ditada
 Escrever um parágrafo ditado

O espaço de escrita
Todas as formas de escrita são espaciais, todas exigem um “lugar” em que a escrita se inscreva.
Nos primórdios da história o espaço de escrita foi a superfície de uma tabuinha de argila ou madeira ou a
superfície polida de uma pedra. Mais tarde, foi a superfície interna contínua de um rolo de papiro ou de
pergaminho.
Com a descoberta do livro é a superfície branca de uma página de papel.
Atualmente, com a escrita digital, surge um novo espaço de escrita: a tela do computador

Papel versus tela na aprendizagem
O texto no papel é escrito e lido da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma página após a outra.
O texto no computador é escrito e é lido de forma multilinear, multi-seqüencial, acionando-se links que
vão trazendo telas numa multiplicidade de possibilidades, sem que haja uma ordem predefinida.
Na dimensão do texto no papel identifica-se claramente o seu começo e seu fim – a página é uma
unidade estrutural.
O hipertexto, ao contrário, tem a dimensão que o leitor lhe der: seu começo é ali onde o leitor escolhe.
Com um clique inicia a primeira tela e termina quando o leitor fecha, com um clique, uma tela.
Enquanto a página é uma unidade estrutural, a tela é uma unidade temporal. Lévy (1993)

A escrita, a afasia e o computador

 Quando o paciente tem preservado o conhecimentos das letras e seu significado.
 Quando a dificuldade está na organização da linguagem escrita, (organização e criação de
frases).
 Quando o paciente domina perfeitamente o computador.
 A partir de um certo ponto do tratamento pode-se usar o computador para fazer alguns
exercícios.

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 Nesta fase a família e a Internet ajudam muito, pois muitas vezes os exercícios podem ser
criados e corrigidos pelo terapeuta ou alguém da família e depois enviados via e-mail pela
Internet

Exercícios no computador
 Teclar nas letras que pertencem à palavra: TESOURA
Exemplo: q-w-e-r-t-y-u-i-o-p-a-s-d-f-g-h-j-k-l-ç-z-x-c-v-b-n-m-
 Teclar as palavras soletradas pelo terapeuta e depois ler a palavra.
 Escolher entre varias frases escritas no computador. qual corresponde a que foi falada pelo
terapeuta.
 Escrever no computador uma frase ditada.
 Escrever frases no computador sobre as figuras.
 Organizar as frases escritas no computador para que tenham sentido.
 Escrever o resumo de uma historia contada pelo TP.
 Fazer resumo de noticias do jornal.

Afasia global (não fala, não compreende, não lê, não escreve)
Trabalhar com uma figura ou duas ou mais:

 ler a palavra
 escrever seu nome
 combinar a figura com outra igual
 dizer o nome da figura
 repetir o nome
 fazer o gesto do objeto
 desenhar o objeto
 copiar o nome

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CASOS DE DEMENCIA
Exercícios para a cognição -
O que se faz :
 quando se tem fome -
 quando se tem sede -
 quando se está alegre -
 quando se está triste -
 quando se tem vontade de dormir -
 quando faz frio -
 quando a sala está escura -
 quando o despertador toca -

Responda as seguintes perguntas:
 Por que vamos ao mercado?
 Por que fechamos as janelas?
 Por que vamos ao hospital?
 Por que lemos o jornal?
 Por que existem telhados nas casas?
 Por que os leões estão enjaulados?
 Por que vamos a uma biblioteca?
 Por que tomamos remédios?
 Por que lavamos as mãos?

Relação de causa e efeito. O que acontece se:
 Se eu não jogar o lixo fora .....
 Se a porta estiver fechada.........
 Se você sair de casa muito tarde......
 Se o leite derramar no chão............
 Se você vestir casaco e estiver muito calor.....
 Se você não encontrar a chave do carro ..
 Se não chover por muito tempo.........
 Se você chegar atrasado no teatro...........

Procure uma solução para estas situações :
Você está no super mercado e de repente alguém grita pega ladrão, o que você faz:
 sai correndo
 fica onde está
Você sai para comprar pão e ao chegar na padaria dizem que acabou o pão, o que você faz:
 compra uma broa
 não compra nada
Quando você precisa sair de casa descobre que está chovendo, o que você faz:
 Precisa sair mas desiste
 procura um guarda-chuva
Você chegou em casa com muita fome e descobriu um bolo confeitado em cima da mesa, o que você faz:
 come assim mesmo
 procura outra coisa para comer

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O que você precisa para:
Pregar um botão na roupa
 Passar uma camisa
 Abrir uma lata
 Esquentar o café
 Fazer um bolo
 Pendurar um quadro na parede
 Fazer um curativo
 Descascar uma fruta

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Orientação espacial.

Diga se é verdade ou se é mentira:

 A televisão está embaixo da janela.
 A cama está perto da porta.
 A mesa está perto da cama.
 A televisão está embaixo da mesa.
 O telefone está sobre a mesa.
 A janela está em cima da cama.

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 A cadeira está em frente à porta.
 O tapete está embaixo da cama
 A porta fica na frente da cômoda
 A televisão está sobre a mesa
 A televisão está ao lado da cadeira
 A colcha está sobre a cama
 A cômoda está ao lado da televisão
 A cadeira está atrás da cama
 Tem um travesseiro sobre a cama

Trabalhar com o audio-visual:
 Exercícios de repetição do texto
 Leitura em conjunto com o TP
 Explicação oral das figuras
 Perguntas sobre cada figura
 Tampar o texto e pedir para dizer o que está acontecendo em cada quadro
 Pedir para contar a historia toda sem olhar as figuras.
 Se for o caso, dar as figuras sem o texto para escrever o dialogo sozinho em casa

CONCEITO DE RECUPERAÇÃO

Expectativas diferentes em vários segmentos da sociedade
Sociedade  só aceita indivíduos pluriaptos
Família  deseja o paciente como era antes
Fonoaudiologo  quer o melhor que o paciente puder dar

O SUCESSO DA TERAPIA DEPENDERÁ:

 Dos problemas lingüísticos X não lingüísticos
 Da compreensão do terapeuta sobre a personalidade anterior do paciente
 Da paciência de toda a equipe e do paciente
 Da continuidade do esforço
 Da empatia mútua
 Da cooperação familiar e social

Conselhos para a família
 Simplifique as coisas. Não ofereça muitas escolhas, as vezes as tarefas podem ser divididas.
 Mantenha o senso de humor. Uma coisa é rir de alguém e outra rir com alguém.
 Mantenha a saúde geral preservando as habilidades físicas como dietas, exercícios físicos, etc.
 Procure manter a independência da pessoa o mais possível evitando as tarefas que não consegue
realizar.
 Evite confrontação. Discutir não adianta, distraia se fizer algo incorreto.
 Evite o aparecimento de crises, exemplo: ter de correr para chegar a algum lugar,ser rodeado por
muitas pessoas ao mesmo tempo, entrar em ambientes estranhos,etc.
 Estabeleça rotinas. Se a situação for conhecida ou previsível, haverá menos chance de aumentar
a confusão mental.

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