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XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Geotecnia e Desenvolvimento Urbano


COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

Estudo da Influência do Soquete Automático nos Parâmetros de


Compactação
Beatriz Ferreira Pantoja
Universidade Federal do Pará, Belém, Brasil, beatrizpantoja20@gmail.com

Reginaldo César Lima Álvares Júnior


Universidade Federal do Pará, Belém, Brasil, regislima7@hotmail.com

Robson Ferreira Andrada


Universidade Federal do Pará, Belém, Brasil, robsonfandrada2009@hotmail.com

RESUMO: A compactação é um dos mais baratos e simples métodos de melhoramento do solo,


com aumento de resistencia e redução da permeabilidade. Essa pesquisa tem como objetivo
apresentar a viabilidade do uso de compactador automático, e também um paralelo entre os
parâmetros de compactação no ensaio com este compactador automático e o compactador manual
descrito na DNER-ME 162/94. Sendo selecionados três tipos distintos de solos que submetidos a
compactção em proctor normal. Sendo conclusivo que o soquete automático apresentou resultados
mais uniformes e próximos ao esperado, tendo esses resultados sido consequência da constante
transmissão de energia ao longo de todo o corpo de prova. Para futuros estudos recomenda-se o uso
diferentes níveis de energia de compactação, de modo que se verifique se haverá diferenças nos
valores de massa especifica aparente seca, quando exposto a níveis de proctor intermediário e
modificado, verificando assim a a influência quanto ao nível de energia, já que não foi possível,
nesta pesquisa, a realização de níveis de energias superiores a proctor normal.

PALAVRAS-CHAVE: Compactação, Ensaios de laboratório, Soquete automático.

1 INTRODUÇÃO método mecânico mais utilizado devido ao seu


baixo custo e simplicidade de execução em
O solo é um dos principais materiais usados na relação aos demais, é utilizada em diversos
contrução civil, contudo nem sempre é possível aplicações desde barragens de terra, aterros
utiliza-lo em sua disposição natural. bases e sub-bases para rodovias, etc.
Estabilidade, resistência, compressibilidade e A compactação consiste na expulsão de
permeabilidade são as propriedades do solo que vazios de ar dos poros do solo através de
mais interessam aos engenheiros civis, a sua esforço mecânico. Este processo permite ao
compreensão é fundamental para tornar sua material máxima densidade, maior resistência
utilização viável e eficaz. Com o intuito de estável e melhorias em várias outras
faze-lo apresentar as características necessárias propriedades. Variações na energia de
para resistir aos esforços que deverá ser compactação, no teor de umidade, a
submetido, existem inumeras tecnicas de constituição do solo e o método de compactação
melhoramento do solo. Estes métodos vem utilizado podem influenciar de maneira
sendo utilizados à décadas para o incremento significativa na estrutura e no comportamento
das propriedades do solo como material de mecânico desses solos. A realização do ensaio
construção, podem ter princípios químicos, em laboratório proporciona os dados básicos
mecânicos ou físicos. A compactação é o para este controle em campo das propriedades
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de interesse, durante a execução do compactação de proctor normal. As incertezas a


empreendimento. Do ensaio de compactação cerca dos resultados obtidos pelo maquinário,
obtemos três dados: a relação da umidade (h%) devido às caracteristicas peculiares deste
e da densidade aparente seca ( ) para um certo equipamento, motivou este estudo.
nível de energia, a umidade ótima (uót) e o peso
esspecifico seco máximo ( ) de
compactação, sendo o primeiro uma relação 2 MATERIAIS E MÉTODOS
gráfica entre o segundo e o terceiro parametro.
(K. H. Head, 2006) 2.1 Amostras Utilizadas

As amostras de solos utilizadas, provenientes de


material de empréstimo utilizado em obra de
rodovia no sudeste do Pará, são nomedas:
Amostra A, Amostra B e Amostra C. Os
resultados da caracterização das mesmas estão
dispostos na Tabela 1. Referente as suas
caracteristica granulometicas temos a
informação disposta na Tabela 2. Estes ensaios
seguiram as diretrizes das seguintes normas:
DNER-ME 041/94: Preparação de amostras de
solos para ensaios de caracterização, DNER-
ME 080/94: Análise granulométrica dos solos,
DNER-ME 122/94: Solos - Determinação do
limite de liquidez, DNER-ME 082/94: Solos -
determinação do limite de plasticidade, DNER-
ME 093/94: Determinação da densidade real e
Figura 1. Imagem do soquete automático. DNER-ME162-94: Ensaio de compactação
utilizando amostras trabalhadas. Fundamentado-
se nestes resutados, de acordo com o Sistema
Um modelo antigo de soquete automático Unificado de Classificação dos Solos (SUCS),
(Figura 1) encontrado no laboratório de os solos A e B pertencente ao grupo CH e o
mecânica dos solos da universidade federal do solo C ao grupo CL.
pará (UFPa), foi utilizado como objeto de
estudo desta pesquisa. O ensaio de compactação Tabela 1. Resultados da caracterização.
Solo δ LL LP hót
Proctor por impacto é realizado por uma pessoa,
(%) (%) (g/cm³) (%)
esta irá homogenizar a amostra e proceder os
Solo A 2,659 79,2 43,4 1,356 33,06
golpes com o soquete nas devidas camadas. A Solo B 2,646 74,8 36,6 1,359 31,63
utilização do soquete automático torna esse Solo C 2,678 66,4 34,5 1,550 25,85
procedimento mais eficaz devido a diminuição
do tempo do procedimento e da eliminação da
variavel humana relatica á variação de Tabela 2. Porcentagens de tamanho de partícula.
resultados para diferentes operadores. Devido a Solo Argila Silte Areia Pedregulho
falta utilização desde maquinário por anos se (%) (%) (%) (%)
optou por testa-lo com intenção de verificar sua Solo A 79,72 6,85 13,43 0
Solo B 72,14 6,40 21,46 0
calibração para ensaios de compactação por Solo C 52,94 6,88 21,57 18,61
impacto. Deste modo foram realizados ensaios
com três amostras a partir de uma enegia de
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2.2 Soquetes válidas. Tendo em vista as características das


amostras utilizadas optou-se pela utilização das
Soquete Manual: Para fins de comparação foi se formulacões dos autores Sridharan and Nagaraj
utilizado o soquete metálico cilíndrico, de face (2005), as quais estão, respectivamente,
interior plana de diâmetro igual a 5,08 cm ± representadas pelas equações 1 e 2 para
0,01 cm, massa de 4,536 kg ± 0,01 kg, e com a e para o .
altura de queda igual a 45,72 cm ± 0,15 cm,
conforme descrito na DNER-ME 162/94. (1)
Soquete Automático: O soquete mecânico
consiste em soquete automático não (2)
padronizado em norma, que faz a compactação
da amostra de maneira sincronizada dos golpes,
golpeando toda a área superior da amostra e 3 RESULTADOS
girando o cilindro antes do próximo golpe.
Os parâmetros de compactação obtidos nos
2.3 Metodologia ensaios com o soquete automático (SA) e
calculados pelas formulações de estimativas
Os ensaios de compactação Proctor por impacto (PE) estão dispostos na tabela 3. As curvas de
foram realizados de acordo com a norma compactação por SA dos solo A, B e C estão
DNER-ME162-94 para uma energia normal de representadas na figuras 2.
compactação, segui-se o mesmo procedimento
tanto para o soquete manual como para o Tabela 3. Resultados da caracterização das amostras
soquete automático com intuito de minimizar o SA PE
efeito de outras variáveis ao processo. Além Solo
hót (%) hót (%)
disto, a partir de pesquisa bibliográfica a cerca (g/cm³) (g/cm³)
Solo A 1,355 30,43 1,148 39,93
dos parámeros de compactação selecionou-se
Solo B 1,480 23,82 1,304 33,67
metodologias de estimativa para calcular os Solo C 1,545 24,65 1,3524 31,74
possiveis parâmetros de compactação destas
amostras, servindo estes como base comparativa
para ambos os resultados dos ensaios em
laborátorio
Baseando-se nos resultados obtidos fez-se
a comparação das compactações entre os dois
procedimentos e entre os parâmetros calculados,
consideram-se as variações do teor de umidade
ótima (hót(%)), do peso especifico seco máximo
( ), e da configuração das curvas h% X .
Este estudo foi realizado no laboratório de
mecânica dos solos da Universidade Federal do
Pará (UFPa).

2.2.1. Métodos de Estimativa Figura 2. Curvas de compactação por SA.

Existem diversos métodos para estimativa de


propriedades de compactação na literatura, 4 ANÁLISES E DISCUSSÕES
sendo necessária uma pesquisa minuciosa a
cerca de qual população de dados estas são 4.1 Configuração de curvas
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Para a análise das configurações das curvas dos


solos estutados observou-se suas disposição nos
ramos seco e úmido e paridade das curvas
obtidas. As curvas dos Solo A, B e C que foram
auferidas por meio do soquete manual e do
automático estão plotadas, respecticamente, nas
figuras 3, 4 e 5. A partir desta verificação visual
percebe-se que para os solos A e C, temos uma
proximidade relativa maior, enquanto a amostra
B apresenta curvas dispostas de maneira a Figura 5. Curvas de compactação do Solo C.
representar diferença de energia de
compactação. 4.2 Peso especifico seco máximo ( )e
O método de ensaio por impacto é Umidade ótima (hót(%))
realizado de modo a transmitir a energia ao solo
através do impacto do soquete, sendo usada a Os dados obtidos pela estimativa estão
hipótese que a energia potencial é totalmente dispostos na coluna “PE” da tabela 3. Ao
transferida no processo (Lopes, 2014). A contrastar esses resultados tem-se que a
ocorrência de travamento do soquete manual, formulação para o desvalora os valores
devido a consistência do solo, gerou na cerca de 12% a 13% em relação ao PE, porém
diminuição de enegia de impacto em virtude do ao comparar as razões dos valores medidos
aumento do atrito lateral com as paredes do sobre os calculados (SA/PE e SM/PE) para um
soquete. Um comportamento similar é mesmo solo temos uma relação de equivalência
constatado nos ramos úmidos das amostras para as amostras A e C. Esta correnpodência
argilosas (A e B), fato represetado pela inflexão não ocorre para o solo B, fato já evidenciado na
visualizada nas curvas dos mesmos. etapa de comparação de configurações de curva.
Quanto a esta mesma relação para o fator
umidade ótima a formulação superestima o
valor de umidade com está proporção variando
ente 7% e 29%. Devido a esta grende
variabilidade optou-se pela não utilização desde
parâmetro para análise, uma vez que a
formulação não apresentou precisão para os
solos ensaiados.
Como exposto anteriormente, na figura 6
é possivel visualizar que a razão entre pesos
Figura 3. Curvas de compactação do Solo A. especificos seco, referente a SA/SM, para as
amostras A e C estão na reta equivalente a razão
1. Para a razão SA/PE temos uma afastamento
que se aproxima da reta equivalente a razão
0,88, como os valores estimados são
dependentes do LP do material esta disposição
retilínea pode apenas indicar variação retilinea
desta caracteristica entre as amostras. O ponto
referente ao solo B se encontra abaixo da reta
indicando um valor SA maior que SM, como
Figura 4. Curvas de compactação do Solo B. visto anteriormente esta diferença provêm da
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perda de energia de impacto do martelo manual


durante o ensaio.

Figura 6. Comparação de valores de peso específico seco.

5 CONCLUSÃO
Figura 6. Comparação de valores de peso específico seco.
A repetibilidade e a reprodutibilidade são
Nos valores de umidade ótima as razões esseciais aos procedimentos de investigação
SA/SM estão acima da reta, isto representa que laboratorial. Tendo esta afirmação como norma,
os valores encontrados a partir soquete manual o ensaio realizado com soquete automatico
são menores que o equipamento estudado. Para exibiu resultados uniformes no que se diz
os solos A e C a diferença de valores de respeito as curvas e não apresenta perda de
umidade em, respectivamente, em 2,6% e 1,2%, eficiencia na trasmição de energia ao solo ao
fato que pode estar relacionado a dependência longo do procedimento. Além deste fator, o uso
maior do operador no SM. Esta relação não do soquete automático mostrou menor
pode ser considerada pequena visto que pode influência do manuseio do operador tornado-o
gerar erros na fase de execução da compactação uma opção preferível em questões de eficiencia.
em campo uma vez que, segundo Almeida Ou seja, a partir desta análise o SA evidenciou
(2017), as diretrizes para a aceitação do grandes vantagens em sua utilização e coerência
procedimento de compactação realizado em de resultados.
campo a umidade calculada in situ e a umidade Para futuros estudos recomenda-se o uso
ótima encontrada em laboratório (hó𝑡) não diferentes níveis de energia de compactação, de
podem variar em mais de 2%. modo que se verifique se haverá desemelhaças
nos valores de massa especifica aparente seca e
umidade, quando exposto a níveis de proctor
intermediário e modificado, verificando assim a
a influência quanto ao nível de energia, já que
não foi possível, nesta pesquisa, a realização de
níveis de energias superiores a proctor normal.

REFERÊNCIAS

Sridharan, A., & Nagaraj, H. B. (2005). Plastic limit and


XIX Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
Geotecnia e Desenvolvimento Urbano
COBRAMSEG 2018 – 28 de Agosto a 01 de Setembro, Salvador, Bahia, Brasil
©ABMS, 2018

compaction characteristics of fnegrained soils.


Proceedings of the Institution of Civil Engineers -
Ground Improvement, 9, 17–22
DNER-ME 162: Solos – compactação utilizando
amostras trabalhadas. Norma rodoviária. MT –
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. Rio
de Janeiro - RJ, 1994
DNER-ME 041: Preparação de amostras de solos para
ensaios de caracterização. Norma rodoviária. MT –
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. Rio
de Janeiro - RJ, 1994
DNER-ME 080: Análise granulométrica dos solos,
Norma rodoviária. MT – Departamento Nacional de
Estradas de Rodagem. Rio de Janeiro - RJ, 1994
DNER-ME 122: Solos - Determinação do limite de
liquidez, Norma rodoviária. MT – Departamento
Nacional de Estradas de Rodagem. Rio de Janeiro -
RJ, 1994
DNER-ME 082: Solos - determinação do limite de
plasticidade, Norma rodoviária. MT – Departamento
Nacional de Estradas de Rodagem. Rio de Janeiro -
RJ, 1994
DNER-ME 093: Determinação da densidade real, .
Norma rodoviária. MT – Departamento Nacional de
Estradas de Rodagem. Rio de Janeiro - RJ, 1994
Head, K. H.. Manual of Soil Laboratory Testing. Third
Edition. London: Whittles Publishing, 2006
Lopes, S. P. G. .Validação do compactador de Harvard
no estudo da compactação de solos. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Civil). Instituto Superior de
Engenharia de Coimbra,2014.
Almeida, F. M. de. Energias de compactação de solos
destinados a estruturas de pavimentos asfálticos.
Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade
Federal de Uberlândia, 2017