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Os tribunais da contra-insurgência e suas sentenças de plantão

Aderbal Souza Jr & André Queiroz

Como detectar os signos de acirramento do estado de exceção no Brasil que
experimentamos? Questão que nos parece fundamental: ​quando começa
isto? ​Será que podemos tecer um marco originário, uma data sacada do
calendário do tempo através da qual pudéssemos situar os modos de
conformação social e/ou subjetiva que experimentamos no Brasil? Será que
teríamos de levantar as pistas de construção do modelo de Estado a este
país de dimensão continental e nos utilizarmos dos aportes analíticos que
Florestan Fernandes indica sob a esfera/égide do ​patrimonialismo - ​qual
seja: a de que o modo operacional, o “que fazer” que qualifica a esfera
pública se conformou tão somente como coextensiva dos
interesses/privilégios/e agenda político-administrativo-burocrática dos
grandes oligopólios internacionais e seus agentes locais (as ​oligarquias
agroexportadoras e suas burguesias compradoras​), ​o que é dizer em
síntese: o Estado como comitê de gerenciamento dos negócios destas
camadas sociais?! Será que podemos dizer isto? Não seria espelhar o que,
bem antes de Florestan Fernandes, diagnosticaram Marx & Engels no seu
programa de ação para as classes proletárias organizadas, o seu Manifesto
Comunista?! Admitamos que as teses de Florestan caminham de forma
complementar com a analítica de Marx & Engels, e mais do que isto,
apostemos que os esforços de Florestan resultam de sua tentativa de
investigar a gênese histórica do Estado brasileiro sem deixar de lado o
acúmulo interpretativo que o pensamento marxiano lhe possibilitou.
Todavia, permanece a questão em aberto: ​quando começam os modos de
funcionamento do Estado de Exceção ​no Brasil de ‘agora mesmo’?
Responder que, estruturalmente, desde sua gênese histórica pode nos lançar
à direção de um genérico ceticismo político, ou o que se equivale, à de um
niilismo de extração pequeno-burguesa: como se então nada nos restasse
senão o desconsolo dos ‘catastrofismos’ ou, o seu corolário contraposto, o
cinismo de uma auto-justificada participação ao coro dos contentes (lógica
enunciativa que o expressa: ​se não pode vencê-los, una-se a eles; não há
resistência contra o poder)​ . ​Não pretendemos atuar deste modo.

Nosso ensaio, embora curto, se pretende peça operacional que sirva ao
aporte crítico para um plano de ação. Todavia insiste a questão: ​onde os
começos da Exceção, seus aplicativos acionados na economia de gestos e
rituais institucionais em acorde contínuo e quase que não dissonante -
espécie de pacto de frações das elites financeiras e políticas; de
declaração de guerra das burguesias através de um ajuste inequívoco de
suas plataformas institucionais, seus plenos poderes costurados na direção
​ uando começa isto? Esta junção entre o
do tecido social como um todo? Q
planejamento macropolítico e as ações capilarizadas ao nivel
​ ituá-lo a uma data destacável no calendário das horas
micropolítico? S
parece artimanha de escamoteamento que sobretudo se presta para recobrir
os interesses escusos de certos agentes políticos que, a seu modo, se
travestem sob o oportuno ‘lugar de vítima’. Por exemplo, os atores
hegemônicos do petismo que protagonizam os relatos vitimais em torno do
Golpe de Estado de 2016, ou de forma mais detalhada, e ​em plano
sequência, ao apontar que o golpe se inicia no exato instante em que fora
confirmado o resultado do pleito eleitoral para a presidência da república:
com a vitória da candidata petista e que a oposição das forças capitaneadas
em torno do PSDB que não firmaram acordo e resolveram aplicar a
fórmula do ‘sangramento ostensivo e diário’ através da campanha massiva
dos oligopólios da comunicação - estas cinco ou seis famílias que detém a
barganha da ‘informação’ no Brasil. Era o ano de 2014. O que se silencia a
este relato são os modos do chamado presidencialismo de coalização
sobreinvestidos pelo petismo em suas gestões nas diversas esferas da ação
parlamentária: dos municípios, aos estados da federação, e ao próprio
governo federal. O que é dizer, entre outros, que inúmeros dos atores
diretos do chamado ​golpe de Estado faziam parte do governo petista.
Assim como se escamoteia também que as políticas encetadas na esfera
macroeconômica por Dilma Rousseff em seu ​the day after à​ vitória
eleitoral de 2014, incluso com a assunção de atores/agentes do mercado
financeiro à frente dos seus ministérios é quase que a xerox autenticada das
plataformas eleitorais do candidato oposicionista. Na ocasião chegou-se a
mencionar o que seria uma espécie não declarada de ​estelionato eleitoral.
Questão que fica em suspenso: qual o rebatimento destas medidas nas bases
de sustentação política e social do Partido dos Trabalhadores?

Dando continuidade aos relatos petistas, em plano sequência, e sob o
argumento da ação narrativa que se intensifica em seus tons e efeitos
dramáticos, teríamos outro falso começo, no que tange ao golpe de Estado
através do qual os modos da Exceção se aprofundava no país - o segundo
ato a compor a tessitura do discurso petista seria a estapafúrdia sessão de
17 de abril de 2016 na Câmara dos Deputados - verdadeira câmara dos
horrores nas que os arcaísmos proto-fascistas despejavam em cascata da
boca dos parlamentares justificando o seu voto e a aposta num horizonte
por vir. Cena torpe, sem sombra de dúvida, na que personagens
draconianos ensejaram o seu cordel desencantado de artimanhas. Os votos
de libertação da ‘República corrompida’ evocavam a deus, ao papagaio do
vizinho, ao filho e ao avô, ​em síntese: a família a tradição a propriedade
como arcabouços invioláveis e inegociáveis desde os quais deveria ser
defendido, com unhas e dentes os interesses nacionais​, e leia-se nas
entrelinhas, através dos capangas de toda ordem (milícias, matadores a
soldo, bandas pára militares, grileiros e agentes do Estado, juizes togados,
desembargadores, ministério público, polícias federais estaduais municipais
e institutos correlatos) se estaria promovendo o resguardo do tesouro
nacional. Tragicômica pantomima! Era o ano de 2016. Questão que se
silencia no relato petista é o avanço das políticas de ​(in)s​ egurança pública
com vultosos recursos destinados ao seu planejamento ostensivo e
distribuição estratégica como um dos principais, senão o principal vetor
‘societário’ na gestão das principais cidades brasileiras. Medidas como a
criação de mais uma corporação militarizada de opressão do Estado, a
Força Nacional - com matriz orçamentária provinda diretamente do
governo federal (planejada no âmbito do Ministério da Justiça),
utilizando-se de ampla logística operacional de formação de contingentes
dispostos de várias outras corporações militares (os chamados ‘grupos de
elite das polícias militares e judiciárias estaduais e dos bombeiros) para
atuar ostensivamente, de forma repressiva, no “controle de distúrbios
civis”, sempre que solicitada pelas instâncias administrativas dos governos
estaduais, assim como por Ministros de Estado segundo o Decreto
Presidencial 7.957, de 12 de março de 2013. Importante ressaltar ainda que
a criação da Força Nacional se deu pelo Decreto 5.289, no ano de 2004,
durante o primeiro dos mandatos do governo presidencial de Luís Inácio da
Silva. Seria de um exagero retórico apontarmos a insurreição popular de
Junho de 2013 (e seus desdobramentos nas manifestações anti-copa do
mundo de 2014) como sendo o laboratório desta ​ola represiva p​ or parte do
Estado brasileiro na forma de seus governos de turno​? Em que escaninho
interpretativo depositar a avalanche de ações opressoras por parte dos
agentes do Estado em sua sanha assassina? Teríamos de nos situar aos
costumeiros argumentos que falseiam a realidade de um cálculo
administrativo-operacional sob o pretexto de ‘excessos cometidos” por um
ou outro policial, por um ou outro guarda municipal, por um ou outro
​ as que nada corresponderia às diretivas que partem de
agente pretoriano m
comandos situados dentro das esferas de tomada de decisão governamental
e dos corredores labirínticos da inteligência estratégico-militar, hiper
guarnecida, esta, pelos cálculos assentados aos cofres públicos. Assim
como pelas parcerias público-privadas que multiplicam seus bandos de
auto-defesa (políciais militares e/ou civis a trabalhar em esquemas de
segurança com verbas da Federação de Comerciantes: FECOMERCIO) e
que retroalimentam e se interpõem por meio de decisões verticais
impetradas contra a população em geral, sobretudo, claro está, contra os
seus agrupamentos mais vulnerabilizados - pois que tal militância atua na
reafirmação cotidiana da necessária e fundamental soberania popular ?!
Serão estes os inimigos a abater pela Razão de Estado?

Sigamos de perto o testemunho de Igor Mendes, militante político do
MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário), e um dos 23
condenados no processo judicial que buscou intimidar e neutralizar a luta
de massas nas jornadas de 2013 e 2014. Em seu pequeno livro chamado
Resistir é preciso, I​ gor Mendes afirma:
“(...) Nos 696 protestos registrados especificamente em junho de 2013,
houve oito mortos, 837 pessoas feridas, 2.608 pessoas detidas e 117
jornalistas detidos ou feridos. Lista como algumas das principais violações
perpetradas pelo Estado: 1) Falta de identificação dos policiais; 2)
Detenções arbitrárias, como detenção para averiguação, prática extinta
desde o fim da ditadura militar; 3) Criminalização da liberdade de
expressão por meio do enquadramento de manifestantes em tipificações
penais inadequadas às ações do ‘infrator’; 4) Censura prévia, por meio da
proibição, legal ou não, do uso de máscaras e vinagre por manifestantes
no protesto; 5) Uso de armas letais e abuso de armas menos letais; 6)
Esquema de vigilantismo nas redes sociais montado pelos políciais locais,
pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e também pelo Exército
assim como gravações realizadas pelos polícias durante os protestos; 7)
Desproporcionalidade do efetivo disposto para o policiamento do protesto
com o número de manifestantes; 8) Policiais infiltrados nas manifestações
que, por vezes, causavam e incentivavam tumulto e violência; 9) Maior
preocupação policial com a defesa do patrimônio do que com a segurança
e integridade física dos manifestantes; 10) Ameaças e até mesmo
sequestros foram relatados” ​(MENDES, I. pp.15-17).

Era o ano de 2013, e tão logo, o de 2014. As medidas de Exceção estavam
deflagradas, atuando de vento em popa na contenção do levante de massas
que o Brasil não experimentava há tempos. Não irá tardar para que o
Estado use de suas prerrogativas de repressão para constranger o
movimento multitudinário que tomava de assalto às ruas e que lançava à
cara do ​suposto e auto-referido governo popular ​sua indiferença pelas reais
e materiais e concretas demandas. Enquanto as massas exigiam o direito à
cidade, o acesso irrestrito por um sistema de transporte que tornasse viável
o trânsito de massas a todos os espaços da urbe, o governo de turno
acelerava a tramitação da hedionda lei 13.260/2016 em cujos parágrafos
torna de difícil e controversa a tipificação do agente de delito - o inimigo a
combater, medida flagrantemente utilizada para buscar circunscrever por
meio de suas alíneas os movimentos sociais organizados. Era a conhecida
Lei Antiterrorismo referendada pelo governo de Dilma Rousseff.

Mas voltemos, ainda, ao relato do golpe segundo os intérpretes qualificados
do petismo. Seguindo o fluxo narrativo - ​story baord decupado -​ a
confirmação do impedimento da presidenta no Senado Federal, e tão logo,
as ​prisões preventivas e para averiguação de parlamentares e
ex-parlamentares, assim como dos parceiros e negocistas/financiadores do
grande capital local (executivos de Organizações como a Odebrecht e JBS,
entre outras) envolvidos nas práticas semi-legais e comezinhas de
financiamento de campanha, e dos pregões internos de planejamento
estratégico de ações governamentais, as ações coercitivas da Polícia
Federal, a prisão do ex-presidente Luís Inácio da Silva em segunda
instância, sem que estivesse completada a farra judiciária e seus transcursos
labirínticos e auto-referenciados, a suspensão dos seus direitos políticos, a
falta de provas, e tanto mais. Segundo os publicistas do petismo, com a
prisão de Luís Inácio, iniciava-se, no Brasil, um tempo de prisão política,
de arbitrariedade jurídica - sob o manto de uma ditadura togada.

Todavia, o que a este relato não se descreve? Que o hipertrofismo da
judicialização da política no Brasil não se inaugura nas ações voltadas
contra o PT e seus atores adjacentes. Afinal onde colocar as 2.608 pessoas
detidas por se manifestarem contra as medidas de governo no seu conluio
com os interesses do grande Capital estrangeiro e local? Ou ainda mais que
isto: que a chamada ‘seletividade’ judicial não é prática ​novidadesca no
Brasil de ‘agora agorinha’ - uma vez que se sabe que o Brasil ocupa os
primeiríssimos lugares em população carcerária no mundo. E a maior
parcela destes prisioneiros são inequivocamente sacados das zonas mais
desfavorecidas da chamada sociedade civil. Tampouco se pode esquecer
que a arbitrariedade das ações policiais, conectadas de forma umbilical com
a máquina punitiva-judiciária, com suas prisões sem mandato judicial, ou
com mandatos judiciais preparados a toque de caixa numa espécie de
manufatura sentencial seja, moeda em fluxo corrente, utilizada como
dispositivo de controle persecutório para com as camadas mais baixas e
vulneráveis da população, sobressaltando ainda, a contumaz perseguição
aos movimentos populares organizados, na cidade e no campo - quase que
invariavelmente atacadas de morte em suas lideranças -, assim como as
diversas formas de criminalização de setores de mídias não empresariais e
não oligopólicas que atuam na produção de contra-relatos de comunicação,
tais como os casos de video-ativistas presos e intimidados por atuar como
elementos de reverberação das demandas dos setores invisibilizados da
população.

E eis que permanece a questão: ​a Exceção ​e seus trâmites começam a que
curva no giro das horas, a que lustro no calendário do tempo? Não será
necessário buscar dar vazão aos relatos contra-hegemônicos, às margens
dos discursos do petismo (e do lulismo) que parecem descrever os
princípios do trauma quando se lhe bate à carne os desdobramentos de um
jogo de cartas nos quais o Partido dos Trabalhadores foi hábil
prestidigitador, embaralhando os naipes, acordando parcerias, subtraindo os
espaços às alteridades políticas radicais, e subsumindo do mapa das ações
da militância organizada da esquerda não-liberal e/ou progressista o que
não se conformou de sob o manto de seus princípios neo-reformistas ao
interior da máquina de Estado?
Seria necessário falar da insurreição popular de 2013. Todavia os espaços
deste ensaio não nos permitem. Não temos dúvida de que as táticas de
sobrecodificação da direita se apoderaram do 2013. Se lhe colaram os
adesivos os mais torpes - como se fosse representativos de uma viragem na
ocupação das ruas, qual seja, como se as jornadas de 2013 representassem o
despertar das demandas represadas da direita e da extrema-direita.
Acrescentamos que também na narrativa fomentada pelo petismo algo
desta interpretação perniciosa se equivale. Tratava-se de fazer calar às
massas que rechaçaram de diversos modos os limites de uma política
circunscrita a agenda institucional burguesa - com seu toma-lá-dá-cá de
favores e benesses, distribuindo um ​quinhãozinho d​ e ações afirmativas de
inclusão social em medida inversamente proporcional aos bilhões de
recursos do orçamento público da União que se voltavam ao rentismo e que
através das políticas de altos juros se voltavam ao favorecimento dos
grandes conglomerados financeiros. ​Uma das questões que não ousa calar
é a que interpela se se gastou mais recurso com tais medidas afirmativas,
​ erbas
ou com a verba de publicidade acerca destas mesmas medidas? V
estas que salvaram da bancarrota uma das mais hediondas das corporações
oligopólicas da ‘informação’, leia-se publicidade e propaganda, que se
chama Organizações Globo.

Mas quando será que começa a Exceção? Cada qual ao seu modo, Nicos
Poulantzas e Giorgio Agamben sugerem que nas próprias plataformas
judiciárias da chamada democracia representativa a sua presença é
permanente – espécie de dispositivo contra-insurgente a deter as
resistências que extrapolam os limites de regulação e controle societário da
chamada ‘democracia formal burguesa e seu correlato administrativo fiscal
penal, o Estado Democrático de Direito. De modo que é então que, quase
que por automatismo de procedimento operacional, se faz valer as ações de
Exceção, os arroubos de toda ordem, ou no limite, e por que não dizer de
outro modo, o que se nos apresenta é a verdadeira veste da nudez de
Leviatã, suas instituições a funcionar em alta voltagem de arbítrio, mas
arbítrio este que sempre a ela esteve previsto, colado, referendado, alineado
contratualmente?!

Sentenças como as de agora - como esta que condena os 23 manifestantes
sob argumentos pífios como os de que eles são portadores de
personalidades desviadas pois que, em sendo provindos de classe média,
não teriam porque se organizarem e combaterem às políticas de Estado;
procedimentos suspensórios de direitos fundamentais como o da
experimentação da liberdade de organizar-se politicamente, mesmo que a
uma reunião de bairro ou de colégio são expressão do que senão da
violência em sua dimensão cruenta e desmedida. As acusações são torpes -
a de formação de organização criminosa, ou de associação criminosa; a da
corrupção de menores de idade; a roteirização mass-mediática da
construção do personagem criminoso e periculoso em conformidade com a
barganha judiciário-penal compõe a cartelização publicitária que se
reinveste por sobre o tecido social, buscando promover certo consenso
passivo que forneça a legitimação para todo e qualquer forma de arbítrio do
poder de Exceção. Mas o que se quer com tal dispositivo? Fazer calar, fazer
encaixar na fornalha da indiferença e/ou nas hordas de um proto-fascismo
levas de gentes que se compõe como a dupla metade de uma mesma banda:
de um lado da moeda, a lumpen-burguesia (e seus projetos
lumpen-desenvolvimentistas e lumpen-entreguistas) e do outro lado, seu
avesso complementar, a lumpen-massa - evangelizada pelas hostes
neopentecostais que lhes fornece a mão-de-obra de grupos criminais de
ajuste de contas e de barbarização das camadas populares que se
organizam.

Questão a ver é como e quando que se está a fornecer, húmus e insumo,
para esteio do neo conservadorismo de corte proto-fascista. Não será, entre
outras por esta espécie de politização arcaizante do ódio de classe
travestido em discurso moral em defesa da ordem e de combate aos
inimigos que se inventa, diuturnamente, para sanha dos linchamentos?!
Sabemos que não existe vácuo em política. O petismo abandonou de há
tempos todo e qualquer trabalho de base. Talvez a questão vá além deste
quase consenso sugerido no verbo ‘abandonar’. Questão é: o petismo, em
algum momento, foi outra coisa que não isto? Espécie de barganha de
conciliação intra-burguesa às custas de uma contumaz política de
contenção, apequenamento e caricarurização das lutas que ensejem um
povo não subalternizado e submisso...