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CADERNO DE PROCESSO CIVIL III – PROF.

SANDRO KOZIKOSKI

Aula 19/08 Processo Civil

Recursos

- Natureza jurídica e função

Recurso: percorrer novamente um curso


O recurso tem natureza jurídica de ônus processual e é ao mesmo tempo um direito.
É um desdobramento de uma determinada relação jurídica que já esteja em andamento.
Há uma decisão judicial e, na medida em que esta decisão gera uma insatisfação ou
sucumbencia, faculta-se àquela pessoa o pedido de revisão, a modificação daquela
decisão desfavorável.
O recurso não é uma imposição da lei, é um ônus para a parte interessada. Ninguém é
obrigado a recorrer, aquele que o faz está buscando a melhor sorte em um cenário de
sucumbência.
Recurso serve para garantir um duplo grau de jurisdição, ter maior segurança jurídica e
uma possibilidade de reconhecer erros ou equívocos da decisão.
Na medida que não tenha interposição de um recurso, mantém a decisão proferida.

OBS: Diferença entre dever e ônus


A satisfação de um ônus vai em encontro com a satisfação de um interesse próprio,
enquanto a satisfação de um dever é em prol de um interesse alheio.

Recurso se posiciona como um desdobramento com base no direito de ação e no direito


fundamental de defesa.
Os diferentes recursos previstos abstratamente pretendem satisfazer uma determinada
finalidade, qualquer morosidade originada pelos recursos decorre do mau uso e do abuso
do recurso. Não é a supressão de uma modalidade de recurso que conduz a um cenário
de maior celeridade na prestação jurisdicional. É ingênuo pensar que suprimindo o tempo
dinâmico o processo ficará mais célere.

- Sucedâneos recursais

Ao suprimir determinada modalidade processual, os advogados se valem dos sucedâneos


recursais, ou seja, são aqueles utilizados também para impugnações de decisões judiciais,
fazendo o recurso faltante.
Ex: O próprio mandado de segurança foi aproveitado diante ausência de figura recursal,
sendo inicialmente empregado na forma de sucedâneo recursal. Mesmo a lei prevendo
expressamente que não cabe o mandado de segurança contra decisão judicial, há
determinadas situações excepcionais que comportam impetrar o mandado de segurança
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quando houver decisões judiciais de caráter teatrológico.

Ex: As ações impugnativas autônomas muitas vezes também se fazem como recurso
fosse.

Os recursos são previstos no CPC (artigo 496) e são repetidos em legislação especial.

Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos:


I - apelação;
II - agravo;
III - embargos infringentes;
IV - embargos de declaração;
V - recurso ordinário;
Vl - recurso especial;
Vll - recurso extraordinário;
VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário.

Os sistemas jurídicos são obrigados a trabalhar com dois vetores antagônicos, sendo
estes os valores essenciais os quais a matéria de recurso trata: segurança jurídica X
celeridade processual.
Para dar carga no valor segurança, ampliando as hipóteses recursais, esvazia-se
consequentemente o tempo de resposta jurisdicional X acelerar o tempo de resposta
jurisdicional levaria uma diminuição do leque recursal.
O legislador tenta balancear ambos os vetores impondo limites. Desse modo, não há
como impor insurgências recursais continuadas através de instâncias sucessivas, já que
isso comprometeria o trânsito em julgado.

- Efeito suspensivo
A decisão judicial que é passível de revisão, ou seja, ainda sub judice, não pode produzir
um efeito imediato. Em contrapartida, o beneficiado quer extrair desde logo a fruição, o
beneficio gerado por aquele provimento. Os recursos suspensivos impedem que a decisão
produza alguma eficácia imediata.
Conceder ou não o efeito suspensivo a determinado recurso? O legislador suprime o
efeito suspensivo em alguns casos e concede em outros, isso porque ora se pretende dar
grau para valor segurança e ora para o valor efetividade.

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- Definição de coisa julgada
Art. 467. Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a
sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.

- Definição de recurso
Especificamente no caso dos recursos, o legislador não positivou expressamente o
conceito de recursos. Por isso, os manuais vão utilizar a definição do professor Barbosa
Moreira: “os recursos representam remédios voluntários* e idôneos, a ensejar dentro da
mesma relação jurídica processual a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a
integração da decisão judicial”.
*Recursos são sempre voluntários, ninguém é obrigado a recorrer, aquele que o faz busca
uma melhor sorte e é preciso sempre uma iniciativa daquele que quer interpor recurso.

- Reexame necessário ou remessa obrigatória.

A remessa obrigatória pode gerar o mesmo resultado prático do recurso, por forca do
reexame necessário um determinado Tribunal pode cassar uma decisão judicial por
considerá-la lesiva, com a devolução ao juízo de origem ou o Tribunal poderá aplicar o
efeito substitutivo, ou seja, ele proferir uma decisão em que prevalece frente a decisão
substituída. Em outras palavras, uma vez aceito o reexame ele produz os mesmos efeitos
do recurso, causando a cassação da sentença ou a sua reforma. O reexame necessário
ocorre somente nos casos envolvendo a Fazenda Pública e apenas quando houver
decisão condenatória que gere prejuízo ao ente público.
O CPC de 39 chamava essa figura de recurso de oficio, porque o juiz colocava no
dispositivo da sentença, depois de firmar sua convicção, recorrendo de oficio para o
tribunal competente. O próprio magistrado manifestava insurgência contra a decisão recém
proferida. Atualmente, essa figura foi repaginada com a nomenclatura de reexame
necessário ou remessa obrigatória e encontra-se no art. 475 CPC.

Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de
confirmada pelo tribunal, a sentença:
I - proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, e as respectivas
autarquias e fundações de direito público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa
da Fazenda Pública (art. 585, VI).
§ 1Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja
ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocá-los.
§ 2Não se aplica o disposto neste artigo sempre que a condenação, ou o direito
controvertido, for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem
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como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa do
mesmo valor.
§ 3Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em
jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal ou em súmula deste Tribunal ou
do tribunal superior competente.
Dessa forma, sentenças proferidas contra entes fazendários não produz eficácia imediata
e é necessário que o juiz submeta aquele provimento ao tribunal competente. É necessário
ter esse reexame porque essas situações possuem um interesse público, vez que o
contribuinte que pagará indiretamente as sucumbênciais do processo.
No reexame necessário ou remessa obrigatória, independentemente de haver recurso
voluntário, cabe ao juiz caminhar os autos do processo para o Tribunal, se não esta
decisão não transita em julgado. Por isso, sua natureza jurídica seria de condição de
eficácia da sentença. Caso o juiz esqueça, o momento da execução daquela sentença vai
ser obstado na ausência do recurso, já que sempre será obrigatório evocar aqueles autos
com a submissão daquela decisão ao tribunal competente. Uma das justificativas para
fundamentar esse caráter obrigatório seria o fato de que em muitos Municípios sequer há
procuradores de carreira, sendo muitas vezes meramente contratados advogados
públicos por fora, com isso, qualquer falha ou perda de prazo desses advogados geraria
uma perda ao erário, sendo, portanto, justificável a manutenção do instituto. Porém, a
doutrina muito critica esse instituto por ser uma vantagem excessiva em prol da Fazenda
e por quebrar a isonomia pública.
A nomenclatura de Fazenda Publica envolve as três esferas governamentais (União,
Estados, DF e municípios). O Estado muitas vezes se organiza de forma a prevalecer o
critério de descentralização, então temos unidades de competência administrativa e
autonomia que denominamos de autarquias. Dessa forma, quando há uma sentença
condenatória contra uma dessas autarquias (INSS, por exemplo) ou fundações de Direito
Público, estas são equivalentes ao conceito de Fazenda Pública, cabendo, portanto, o
reexame necessário. Entretanto, as sociedades de economia mista (Banco do Brasil, por
exemplo) ou empresas públicas (mutuário do FSH da Caixa Econômica) não comportam o
reexame necessário, ficando fora desse instituto. Essa exclusão se justifica com base nos
princípios que regem a ordem econômica no Brasil, a CF determina que se o Estado
quiser se inserir na condição econômica, deverá fazê-lo em igualdade de condições, logo,
não pode ter vantagem competitiva em relação as demais empresas.

Diferença entre recurso e remessa obrigatória:


1- Enquanto o recurso possui natureza voluntária, a remessa obrigatória possui natureza
compulsória, funcionando como beneficio em prol da Fazenda Pública e se caracterizando
como uma das hipóteses de prerrogativas da Fazenda.
2- O ente público pode recorrer voluntariamente? É possível ter a coexistência de reexame
necessário e recurso voluntário? Sim. Pode haver a concomitância de ambos. Vale

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ressaltar que a Fazenda publica se beneficia interpondo o recurso voluntário porque ela
ganha a oportunidade de se manifestar.
Portanto, essa seria a segunda diferença entre esses dois institutos, no reexame
necessário o processo compulsoriamente é remetido ao Tribunal, já no recurso voluntário
ganha-se a possibilidade de fazer um arrazoado, uma possibilidade de fundamentar os
erros e equívocos daquela decisão, ou seja, ganha uma oportunidade de argumentação.

- Exceções do art. 475


Não se aplica o reexame obrigatório em condenações de valor certo e inferiores à 60
salários mínimos. Com isso, não é em qualquer caso de condenação da Fazenda Pública
que haverá reexame, apenas naqueles de condenações substanciais.
A outra exceção envolve a jurisprudência dos tribunais superiores. O legislador considerou
desnecessário remeter ao tribunal a matéria que já está sumulada e decidida no tribunal
superior, que é responsável por decidir as respectivas controvérsias. Essa exceção envolve
o STF e os tribunais de cúpula (tribunais de Brasília).
A última exceção trata da Lei 12153 (Lei dos Juizados da Fazenda Pública): nas causas
em que trata essa lei não haverá reexame necessário. Portanto, o reexame só está sendo
aplicado na justiça comum, não é aplicado nem nos Juizados Federais e nem nos
Juizados da Fazenda Pública. Nos Juizados Estaduais obviamente também não, vez que
envolve particulares.

OBS: NOVO CPC


Manteve o instituto do reexame necessário, porém, vai considerar em seu texto a
graduação e a capacidade econômica dos entes governamentais. Para alguns municípios
pequenos o valor de 60 salários mínimos é considerável, para outros não. Por isso, o novo
CPC estabeleceu faixas para o § 2o, tratando de forma diferente os entes federais (união,
estado e município vão ser tratados de formas diferentes).

- Tribunais superiores

Depois do reexame necessário existe recurso subsequente? Depende, só se existir ofensa


a lei federal ou ofensa a Constituição. Depois dos Tribunais de 2 grau sobra o acesso ao
Tribunais superiores, sendo que este acesso não é automático, nem sempre há um acesso
ao Tribunal subsequente. Os Tribunais superiores devem ser pensados como cortes de
sobreposição, sendo completamente diferente de uma 3 ou 4 instância. As hipóteses de
recurso especial são muito especificas, taxativas e restritivas.
Os Tribunais superiores existem para uniformizar. Como vivemos numa Federação, é
necessário um mecanismo de salvaguarda que possa garantir a aplicação uniforme do
direito federal e garantir uma aplicação coerente da Constituição. As competências
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recursais desses tribunais superiores são focadas no direito objetivo e não no direito
subjetivo. Ele foca em garantir a integridade do direito objetivo, federal e, mais
especificamente no caso do STF, a Constituição. O tribunal tem o foco de proteger a lei
federal, com isso, na modificação da decisão, o interesse da parte é visto de forma
secundaria, indireta e oblíqua.

- Diferença entre recurso e ações impugnativas autônomas

Os meios de impugnações das decisões judiciais se desdobram em recursos e em ações


impugnativas autônomas. Os recursos são interpostos dentro da mesma relação jurídico
processual. Os recursos não criam uma nova relação jurídica processual, por isso,
precisamos estabelecer um condicionante de gênero e espécie. A diferença entre uma e
outra é que no recurso você desdobra uma relação processual que já estava em
andamento, já na ações impugnativa autônoma cria-se uma nova relação jurídico
processual, sendo assim, a apresentação das ações impugnativas precisa seguir os
ditames do art. 282 (requisitos da petição inicial) e está sujeita ao pagamento de custas.
Ex: uma decisão determina a prisão civil do devedor de alimentos. Interessado pode usar
o recurso cabível, porém, suponha que aquele sujeito queira discutir outras matérias além
daquelas interpostas pela decisão judicial. O advogado pode optar tanto pelo agravo de
instrumento como pelo habbeas corpus civil (remédio constitucional quanto a liberdade de
ir e vir é cabível em casos de prisão por dívida). Primeiro o advogado vai fazer o recurso,
se não der certo ele vai tentar o HC (o habbeas corpus não tem prazo, basta que exista o
ato coator). Com isso, algumas situações práticas recomendam o emprego da via recursal
e também do emprego de ações impugnativas autônomas.
OBS: Lembrando que no HC a estrutura dos sujeitos processuais muda. O advogado
impetra o HC em favor do paciente tal contra o ato coator do juízo responsável pela prisão.
É uma nova relação jurídico processual.

Ex: embargos de terceiro da mulher casada.

Art. 1.046. Quem, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de
seus bens por ato de apreensão judicial, em casos como o de penhora, depósito, arresto,
seqüestro, alienação judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha, poderá
requerer Ihe sejam manutenidos ou restituídos por meio de embargos.
§ 3Considera-se também terceiro o cônjuge quando defende a posse de bens dotais,
próprios, reservados ou de sua meação.
Execução de um cheque sem fundo, credor ajuíza uma ação de execução de titulo
extrajudicial, penhora de bens deferida. Penhora o imóvel do cônjuge que não tinha nada
relacionado com aquele cheque. Os embargos de terceiro podem ser postos pelo
cônjuge/terceiro (pessoa estranha à constituição daquela dívida), quem atuará em juízo em
defesa de sua meação. Cônjuge pede proteção de forma a atacar uma decisão judicial.
Logo, esse terceiro entra com uma ação impugnativa autônoma, cria-se uma nova relação
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jurídica processual distinta da anterior. Sujeito passivo é aquele que agiu gerando ato de
coação indevida, então é o exequente da medida inicial. Ressaltando que só cabe esse
embargo se a dívida não for contraída em prol da unidade familiar.

Processo Civil III – 21/08/2014

➢ Ponto 1 – Conceito de Recurso – Continuação

• Utilização dos recursos e vícios presentes nas decisões.


Na aula passada estávamos contextualizando a parte de recursos, algumas distinções
importantes. Também estávamos falando de recurso voluntário e da figura do exame
necessário. Em seguida, tratamos da diferenciação entre recurso e reexame necessário e
ações impugnativas autônomas. Naquele material da semana passada, na definição
conceitual de Barbosa Moreira, lá foi dito que os recursos são remédios voluntários
inidôneos interpostos pelos membros da relação interprocessual para ensejar a reforma, a
invalidação e o esclarecimento ou a integração da decisão judicial.

Vamos observar o seguinte: os recursos servem para corrigir diferentes tipos de vícios de
decisão judicial. Ainda que do ponto de vista da linguagem coloquial a gente possa usar
essas expressões como sinônimas, na verdade, aqui, quando se fala em reforma, por
exemplo, isso tem um sentido técnico processual. Logo, isso é diferente da anulação, que
acarreta outras consequências processuais. Então, Barbosa Moreira diz: “Os recursos
servem para propiciar a anulação, a reforma, o esclarecimento ou a integração da decisão
judicial”. Então, já dá para deduzir que isso pode corrigir diferentes tipos de decisão
judicial.

• Utilização dos recursos para impugnar ocorrência de error in procedendo erro de


procedimento, vícios da atividade procedimental): ANULAÇÃO/INVALIDAÇÃO da
decisão .

Começaremos a aula de hoje com a discussão que é mais relevante: as hipóteses de


reforma e anulação. Percebam, na linguagem coloquial a gente pode considerar esses
nomes como sinônimos, mas quando eu falo que uma decisão foi anulada, então eu
posso deduzir que ela deixou de existir, que ela deixou de ter eficácia. Ora, se a decisão
foi anulada, outra terá que ser proferida. Afinal de contas, o judiciário não pode se ater a
lógica do não julgo, a tutela jurisdicional adequada sempre tem que ser prestada. À
medida que existem vícios na decisão que gerem anulações, isso implicará que outra
decisão seja tomada no lugar.

Exemplo 1 - Decisão foi proferida por juiz impedido. Alguém se insurgiu, conseguiu
demonstrar o impedimento e, então, pediu a anulação. Ora, na medida que eu tiro do
mundo jurídico aquela decisão, outra tem que ser proferida.

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Pergunta: E quem é responsável pela prolação da outra decisão?”
Resposta: O juízo que tiver anteriormente prolatado a decisão viciada, não
necessariamente o mesmo magistrado. Mesmo porque nessa hipótese de impedimento
terá que ser designado outro magistrado no caso concreto.

Já nos casos em que tiver prolatado outros tipos de vícios na decisão como, por exemplo,
decisão que aplica lei de forma errada no caso concreto, ou seja, eventualmente há
aplicação de direito material que não guardava relação o caso concreto. Para essa
situação se falhou o critério de julgamento, aí, a gente vai pleitear que seja feita a reforma
da decisão. A diferença em termos práticos é a seguinte: quando ocorre a reforma,
prevalece uma substituição da decisão recorrida por outra, mas prevalece a decisão dada
pelo órgão julgador, não haverá um retorno dos autos para a instituição de origem.

Exemplo 2 – Juiz proferiu uma sentença sem fundamentação.


A constituição federal (art 93, IX 1) diz que todas as decisões são fundamentadas. Quando
a gente tem a decisão sem fundamentação, na verdade, a gente tem apenas um
arremedo de decisão porque eu vou ter, quando muito, um dispositivo. O que falhou? Não
foi o critério de julgamento exatamente, mas sim, o procedimento que foi adotado no caso
concreto. Se falhou um procedimento, eu vou estar falando de um “erro in procedendo”,
ou seja, erro em procedimento ou julgamento.

Quando se tem um vício no procedimento, você tem um ERRO IN PROCEDENDO e a


sua consequência processual é a anulação da decisão. Para a hipótese de anulação eu
não tenho substituição porque desapareceu a decisão e outra terá que ser proferida no
seu lugar.

• Error in iudicando (erro de julgamento, vícios de conteúdo), resultando na REFORMA


da decisão judicial.

Se eu falar em vício de conteúdo (vício no critério decisório) é ERRO IN IUDICANDO


acarretando uma reforma da decisão. Para a reforma, considera-se o art. 512 do CPC 2.
Esse artigo diz que a decisão do órgão julgador prevalece e fica no lugar da decisão
recorrida. É, na verdade, uma decisão substituta.

• Utilização dos recursos e vícios presentes nas decisões.

1 “IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e


fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo
não prejudique o interesse público à informação”
2 Art. 512. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão
recorrida no que tiver sido objeto de recurso.
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Pergunta: Mas para essas situações não seria recomendável/prudente que o órgão
julgador, eventualmente o tribunal, passasse desde logo dizer qual era a solução (não sei
se é exatamente isso) adequada para o litígio?
Resposta: Se a gente pulasse uma etapa e o tribunal anulando uma decisão resolvesse o
conflito pelas suas convicções, então, eu teria uma supressão de instância e estaria diante
de uma hipótese de relativização do duplo grau de jurisdição. Então, para os casos
de erros procedimentais pede-se no recurso a anulação da decisão. Para os casos de
falha de critério no julgamento (erro quanto ao conteúdo da decisão) o pedido feito no
recurso é a reforma. Veja que isso pode ser ajustado de acordo com o caso concreto.

Exemplo – O juiz aplicou a técnica de julgamento antecipado da lide (art. 330, CPC) 3.
Utilizou essa técnica por entender que a matéria colocada em julgamento era apenas
cessão de direito. E o pior, o juiz diz assim “o caso comporta julgamento antecipado da
lide, no entanto, observa-se que o autor não produziu provas, portanto, julgo procedente o
pedido.” Tem algo esquisito aqui? Se o caso necessita de produção de prova, então, não é
caso de antecipação, mas se você procurar nos sites de jurisprudência você encontrará
quilos e quilos de jurisprudência nesse sentido.

Pergunta: Então, na hipótese de aplicação errônea do julgamento antecipado da lide o que


vai ser pedido para o órgão julgador?
Resposta: Anulação. Uma vez pedida a anulação, o processo retorna para a instância de
origem, para o mesmo juízo, sendo que pode ser o mesmo magistrado ou não (ex: o juiz
se aposentou e foi substituído). É importante salientar que os casos de reforma são mais
simples porque prevalece a substituição.

OBS: Nomenclatura: Costuma-se usar a seguinte nomenclatura:


- JUÍZO “A QUO” – Significa aquele que proferiu a decisão recorrida.

- JUÍZO “AD QUEM” – Aquele que ficará incumbido de julgar o recurso.

CUIDADO! Não se pode identificar o juízo a quo como de primeira instância e o juízo
ad quem como de 2º grau.

Exemplo: Estrutura da Justiça Comum

3 Art. 330. O juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença: I - quando a questão de
mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de fato, n ão houver necessidade de produzir prova
em audiência; II - quando ocorrer a revelia (art. 319).
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Imaginem o caso da estrutura da justiça comum. Temos varas cíveis, de família, fazendo
pública etc. Nos casos da Justiça Federal têm-se as varas federais como juízo de primeira
instância; acima desses órgãos jurisdicionais de primeira instância eu tenho os órgãos de
2ª instância e os TRF’s.4 E, acima desses órgãos de segundo grau, eu tenho os tribunais
de sobreposição. Vamos considerar só os da justiça comum, não vou falar da justiça
especializada (TST, TSE...)

Se o juiz da vara federal profere uma sentença. Então, na medida que uma pessoa quer
interpor um recurso, cabe uma apelação contra essa decisão, ele terá que se reportar ao
tribunal regional federal competente com jurisdição sobre aquela vara. Ele vai pedir o que
na hipótese desse recurso de apelação? Vai pedir dependendo do tipo de vício. Vai pedir
a invalidação ou a reforma de uma decisão. Ele vai estar vinculado o seu pedido.

Para a caracterização e análise dessa pretensão recursal a gente vai se referir à esse
órgão [TRF] como sendo o responsável pelo julgamento, com tem competência para
apreciar aquele recurso, ou seja, esse é o juízo “Ad quem”. E esse aqui [vara federal] é o
juízo “a quo”, aquele que proferiu a decisão recorrida.

A partir daí eu vou ter uma determinada decisão do TRF. A gente chama essa decisão de
acórdão, tem essa menção no art. 1635 do CPC. Mas imaginem que esse acórdão também
violou norma federal e ainda norma constitucional. O interessado ,no caso concreto,
pretende direcionar um recurso para o STJ e outro pra o STF, mas é claro que esse
acesso não é automático.

Pergunta: Mas quando eu me reporto a outro tipo de recurso aqui, seja o recurso especial
(dirigido ao STJ) ou o recurso extraordinário (dirigido ao STF), como fica a terminologia
para o caso desse outro recurso?
4 Atualmente os TRF’s estão em número de 5 por causa de uma liminar do ministro Joaquim
Barbosa que suspendeu a EC 73 e, por isso, não foram criados o sexto e o sétimo tribunal regional
federal.

5 Art. 163. Recebe a denominação de acórdão o julgamento proferido pelos tribunais.


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Resposta: O tribunal de origem que deu causa à decisão do qual se recorre ele será
enquadrado como juízo “a quo” e o juízo que recorre como “ad quem”. Então, vocês só
não podem cometer esse erro de nivelar o juízo a quo com o de 1ª instância e o juízo ad
quem com o de 2ª instância. Feito essas resalvas, a nomenclatura não muda, sempre que
se falar em juízo a quo está falando daquele que proferiu a decisão recorrida e quando se
fala em juízo ad quem está falando de tribunal ou órgão com competência recursal.

• Obter ainda ESCLARECIMENTO ou a INTEGRAÇÃO da decisão.


São os casos que vão autorizar embargos de declaração. Pq? Quando eu estiver diante
de uma decisão confusa/esquisita/estranha se pede o ESCLARECIMENTO via embargos
de declaração. Quando eu estiver diante de uma decisão CITRA PETITA (decisão que não
julgou tudo q foi pleiteado) se pede uma integração (q a sentença seja completada). O
remédio cabível aqui também são os embargos de declaração.

A figura dos embargos de declaração aparece no art. 5356 do CPC. Esse artigo contempla
um remédio que é voltado para o aperfeiçoamento da decisão judicial. Por que? Porque o
objetivo aqui é que se esclarece as eventuais hipóteses de obscuridade ou contradição,
como também, que se complete aquelas decisões que não julgaram toda a extensão do
que foi pedido. Então, dependendo do vício na decisão você pode pedir a anulação, a
reforma, o esclarecimento ou a integração.

PERGUNTA: Quem fica responsável pelo julgamento dos embargos de declaração?


RESPOSTA: O próprio órgão jurisdicional.

Eu quero que vocês pensem na lógica do órgão jurisdicional, e não necessariamente na


pessoa do mesmo juiz. Trataremos desse debate mais adiante, mas o que se fala é o
seguinte: Para o embargo de declaração vale o princípio da identidade física do juiz que
tomou contato com a prova e foi responsável pelo julgamento. Olha, é sempre
bom/recomendável que o juiz que tomou contato com a prova fique vinculado ao
julgamento do embargo de declaração, mas isso é uma norma programática, visto que, em
inúmeras situações concretas será necessário pedir esclarecimentos para quem não pode
esclarecer.
Exemplo: O juiz está em seu último dia antes de se aposentar e está de saco cheio do
trabalho. Ele resolve limpar a pilha de processos e começa a proferir diversas sentenças
só dispositivas, com jurisprudências nada haver etc....e manda publicar. O que vamos ter
no dia seguinte? Um monte de embargos de declaração. Como o juiz não está mais
investido de jurisdição, é claro que quem irá julgar será o seu sucessor, mas ainda assim
quem irá julgar o desembargo de declaração é o juízo.

Então, para o embargo de declaração essa distinção entre juízo a quo e juízo ad quem fica
relativizada, ela mais ou menos desaparece. Porque não seria razoável que essa

6 Art. 535. Cabem embargos de declaração quando: I - houver, na sentença ou no acórdão,


obscuridade ou contradição; II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.
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atividade passasse para o tribunal acima, pois não é possível que ele esclareça o que o
outro quis dizer. Pode parecer que o desembargo de declaração seja meio forçado, mas,
na prática, aparecem diversas situações que recomendam o seu uso.

Na verdade, o problema do embargo de declaração é que eles acabam pessoalizando a


crítica, ou seja, quando alguém diz que a decisão é omissa/contraditória/obscura o órgão
tende a assumir pessoalmente a crítica, quando, na verdade, ele deveria ver que não é
uma crítica pessoal, é uma crítica da decisão. É humano que alguns juízes se sentirem
incomodados, mas tem também alguns advogados que abusam porque tem algumas
situações que não eram casos para pedir embargo de declaração. Mas essa discussão
não é importante para agora.

O importante é observar que os recursos podem corrigir eventuais vícios da decisão


judicial e cada vício vai acarretar um tipo de pedido específico a ser feito.

Pergunta de aluno: Pode falar que os embargos de declara ção podem ser julgados pelo
juízo a quo?
Resposta: Pode falar isso, na verdade, é que aqui é como se quase se confundissem
porque o juízo a quo e o juízo ad quem ficassem centrados no mesmo acórdão.

2) JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS


• Exame dos requisitos ou pressupostos de admissibilidade antecede o exame de
mérito do recurso.

Quando alguém interpõe um recurso ele está formulando um pedido. Toda vez que se
pede um recurso, o que está sendo pedido é que se formule uma nova decisão. Então,
esse mérito recursal, para que ele seja examinado/adentrado ao mérito do recurso tem
que estar presente em determinados requisitos ou pressupostos, portanto, fala-se numa
análise prévia que antecede o exame de mérito.

Os manuais de processo civil utilizam essas duas terminologias: requisitos de


admissibilidade do recurso ou pressupostos (no sentido por algo que anteceda). Não
vamos brigar por isso porque estamos falando da mesma coisa.

Mas preciso estar atento que ao falar disso é até intuitivo que façamos um paralelismo
com o juízo admissibilidade da petição inicial. O professor de processo insistia em dizer
que se a petição inicial estivesse com defeitos ela poderia ser aditada, ou seja,
emendada. Inclusive a jurisprudência atualmente admite a emenda da emenda etc...existe
uma certa complacência com os vícios da petição inicial. Por que? Porque o que está em
jogo é a questão do acesso â justiça, então, a jurisdição tem que ser prestada.

No entanto, quando se fala de recurso, a gente precisa desconfiar de uma questãozinha


básica: se eu estou falando de recurso é porque uma decisão já foi proferida e se uma
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decisão já foi proferida, então, a jurisdição já foi prestada. Então a lógica muda, a
racionalidade é outra. Então, a racionalidade do sistema jurídico brasileiro é que faltando o
exame de um ou mais pressupostos, então, não haverá exame de mérito. Logo, em
termos práticos, não se confere ao recorrente uma segunda chance, uma oportunidade de
ele emendar o defeito que foi considerado presente no recurso/ a falta de uma
determinada exigência legal e assim por diante.

Para falar de 2 pressupostos bem óbvios:


1) Tempestividade: Que é a questão de prazo.
Ora, para que o recurso seja examinado, ele tem que ser pedido dentro do prazo. Se
perder o prazo, prevalecerá a decisão recorrida.
2) Preparo: Ligado ao pagamento de taxas judiciais

O judiciário não terá pena dele porque a jurisdição já foi prestada se o recorrente que
protocolou o recurso esqueceu de fazer o recolhimento das custas. Então, também tem a
prevalência da decisão recorrida. Em matéria de juízo de admissibilidade não há essa
possibilidade de segunda chance.

REGRA GERAL: Não se conhecem de recurso que não esteja presente os pressupostos
de admissibilidade.

EXCEÇÃO: É claro que há exceções (professor não falou)

• O juízo de mérito do recurso não se confunde com o juízo do mérito da lide.


O juízo de mérito do recurso não se confunde com o juízo do mérito da lide porque o
mérito do recurso pode estar apenas relacionado com uma questão processual.

Exemplo: O autor da ação pediu para produzir determinada prova pericial. O juiz da ação
disse que a prova pericial era desnecessária. Então, o autor, que está zeloso pelos seus
interesses e pretende não ter nenhum tipo de risco para demonstração do fato constitutivo
do seu direito, resolve interpor um agravo de instrumento contra aquela decisão
interlocutória que negou a prova. Qual é o mérito desse recurso? O mérito do recurso é
apenas a análise da pertinência ou não da prova, não tem nenhuma ligação com o mérito
da lide.

Haverá recursos em que a coisa se confunde, pois o mérito do recurso é o mérito da lide.
Mas pode ser que não, pode ser que eu esteja diante apenas de uma questão processual.

Exemplo 2: O juiz pode apreciar prescrição de ofício. O autor deduz a sua petição inicial, o
juiz de plano indefere a petição inicial e extingue o processo com resolução de mérito (na
forma do art 2697, IV do CPC) por entender que aquela pretensão está prescrita. Nesse
caso nós vamos ter uma sentença. O autor não concorda com a prescrição, ele deseja

7 Art. 269. Haverá resolução de mérito: IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição;
13
uma análise do tribunal competente e ele interpõe recurso de apelação. Qual que é o
mérito dessa apelação? Só a prescrição. O tribunal só examinará se há ou não prescrição.
Caso o tribunal mantenha a decisão pelo reconhecimento da prescrição, isso pode
acarretar trânsito em julgado, no entanto, se o tribunal afastar a prescrição, o caso volta
para o juízo "a quo" afim de que aquela demanda tenha o seu processamento.

Então, isso deixa claro que o mérito do recurso não é igual ao mérito da lide, o mérito da
lide diz respeito à pretensão/ao pedido que foi apresentado ao juízo, já o mérito do recurso
pode ser uma questão extremamente secundária. Como vimos, no 1º exemplo que eu dei,
ele estava apenas discutindo a questão da produção ou não de uma prova, logo, o mérito
do recurso é diferente do mérito da lide.

• O exame dos requisitos ou pressupostos de admissibilidade: matéria de ordem pública

Pergunta: O que isso significa em termos práticos?


Resposta: Significa que, independentemente de alguém arguir ou suscitar essas matérias,
é dever do juízo "ad quem" verificar a presença dos requisitos ou pressupostos de
admissibilidade. E, para ser sincero, eles não vão ter nenhum pudor em fazer isso, pelo
contrário, na análise geral eles costumam até usar planilhas de checklist. Por que os
tribunais tem essa tendência para a filtragem e não para o exame do mérito? É óbvio.
Quando o recurso é protocolado fora do prazo, o juiz só precisa fazer um parágrafo ou
uma decisão sumarizada e está decidido a "parada", ou seja, um processo a menos na
pilha. Se no caso estão presentes todos os requisitos, aí é um "saco" porque aí terá que
examinar o mérito. Isso dá trabalho! Portanto, os tribunais costumam usar planilhas de
checklist de requisitos e pressupostos de admissibilidade. Nelas se analisam se está ok a
tempestividade, o preparo, a regularidade formal, cabimento etc.

Obs: Jurisprudência Defensiva: A jurisprudência defensiva é uma ideia que atualmente


vem sendo colocada nos tribunais. O uso abusivo dessa prerrogativa de não conhecer o
recurso e em alguns casos se cria até alguns artificialismos. É importante destacar que os
tribunais não tem pudor quanto a uma injustiça no caso concreto, na verdade, os tribunais
estão extremamente atolados por conta dos altos volumes de reclames/recursos e, por
isso, eles tem usado desses artifícios. Vamos também lembrar que, dentro de um cenário
complexo atual, também há pressões de órgãos de fiscalização - até externos como o CNJ
- que cobram metas de produtividade. Essas metas de produtividade acarretam uma
espécie de jurisdição fictícia, a jurisdição da repetição é a jurisdição do faz de conta.

Para quem faz estágio no tribunal, pergunta se eles têm a possibilidade de fazer decisão
no atacado. Como ela funciona? Eu distribuo uma determinada ação, nos casos dos
processos eletrônicos, então, eu tenho que dar algumas informações para o sistema sobre
o mérito/natureza daquela pretensão (ex: natureza previdenciária). Então, o sistema
automaticamente classifica os processos.

14
Na verdade, os casos de processo eletrônico são bem legais porque pulam diversas
etapas como a autuação. Por conta disso, no dia seguinte o processo já está pronto para
ser decisivo. Você acha que o juiz vai ler? Ele não vai ler, ele já tem a decisão
parametrizada que se “linka” com a citação do órgão de previdência, INSS. Aí o INSS faz
o que? Direito da repetição. Ele já tem a defesa padrão para esse tipo de matéria e, com
isso, no dia seguinte já tem a defesa postada no sistema. Você acha que o juiz vai ler a
defesa postada no sistema? Não, a justiça federal vai puxar uma sentença no banco de
sentenças (anexa a sentença). Dessa forma, um processo pode durar uns 10 dias.

Mas sabe um detalhe? O sistema da Justiça Ferderal permite que o juiz liste todos os
processos dessa matéria através de um comando no programa. Minha cunhada mostrou
como funciona, o "senhorzinho" do balcão classifica o processo e depois disso não tem
como altera-la, mesmo que vocÊ faça reclamações porque já está tudo parametrizado.
Com essa classificação, ela consegue anexar uma decisão para 10, 15 processos que são
"iguais".

Então, a gente pode brincar de decisão. É uma decisão de ficção porque a gente finge que
provoca o judiciário e o judiciário finge que julga. Mas só os juízes que fazem isso? Não.
Os advogados por conta do modelo de advocacia específico (por ex. captação
massificada) e até de outros fatores como o de coletarização da advocacia brasileira que
induz captação abusiva e induz petição sobre uma matéria que já foi julgada e que não tem
a menor possibilidade de conseguir decisão diversa. Mas o que o advogado faz? Distribui
mesmo assim para pegar o dinheiro do cidadão. Isso gera toda essa repetição que a
gente fala aqui. Sabe qual é o pior? Essa brincadeira chega ao STJ e ao STF,
avolumando as instâncias superiores.

Por isso que eu falei que a gente precisa estar muito consciente que o exame desses
requisitos ou pressupostos é feito no "fio da navalha", se puder filtrar ele será filtrado. Não
estou dizendo que a JF só faz isso, mas é possível a decisão parametrizada, tanto que
tem código de barra na decisão judicial. Esse código de barra é classificatório porque o
CNJ coloca a produtividade como critério para a promoção pessoal. Inclusive, já se sabe
de antemão que se é decisão parametrizada você está produzindo pouco. Caso contrário,
uma pessoa que trabalha na vara previdenciaria (é uma vara homogênea) teria uma
produtividade absurda se comparada com uma pessoa que esteja numa competência
comum (muitos processos diferentes).

Aí precisamos refletir sobre alguns aspectos, pois os manuais de processo gostam de


"contar história" para a gente. Então, tem alguns manuais que dizem assim: há atividade
jurisdicional e há atividade administrativa. Na verdade, é tudo junto. É claro que a matéria
jurisdicional apresenta um espaço para essa matéria de cunho organizacional e na Justiça
Federal, em particular, tem sido muito difundida a ideia de juiz gestor, que o juiz é gestor
de quase um sistema de produção fordista. Deseja-se um processo rápido, mas o
processo tem o seu próprio tempo, têm coisas que não podem ser aceleradas, então, nos
15
precisamos fazer novas leituras para desconfiar dessas conversas fiadas que aparecem
nos manuais.

Quando é modelo de processo eletrônico, então, a gente tem uma atividade jurisdicional
parametrizada e o que importa mesmo é a racionalidade do sistema.

Então, os requisitos de admissibilidade representam matéria de ordem pública aferível em


qualquer tempo e grau de jurisdição. Aliás, não é sequer necessário que o recorrido (a
parte contrária) diga: "olha, tribunal vocês esqueceram de dar o filtro do recurso
intempestivo". Independente de o recorrido falar ou não, é claro que ele pode falar, ele
está falando em sentido de advertência, mas independente de ele estar colocando ou não,
a questão é de ordem pública, ou seja, significa que ela é aferida de ofício em qualquer
tempo e grau de jurisdição.

• Natureza do pronunciamento em matéria de juízo de admissibilidade: PROVIMENTO


DECLARATÓRIO (Atesta-se situação pré-existente/ eficácia ex-tunc);

Em matéria de juízo de admissibilidade o provimento jurisdicional é sempre declaratório. O


que isso significa em termos práticos? Quem declara, declara algo pré-existente. Quando
o juiz declara numa ação de investigação de paternidade que existe vínculo parental, na
verdade, esse vínculo já existia anteriormente. Então, vocês estão lembrando que os
provimentos declaratórios eles são de caráter retroativo. Eles têm eficácia ex-tunc. Isso
pode ter conseqüências relevantes no processo.

Exemplo: Eu protocolei um recurso de apelação. O recurso de apelação está ainda no


modelo de processo físico e ele vai ser encaminhado para um tribunal de 2º grau. O
protocolo foi na data de hoje, aí ele será encaminhado para o tribunal, vai ser
distribuído ... Suponha então, por conta do excesso de processos, esse processo corra no
tribunal daqui a 3 anos. Quando chega a sua vez, o assessor o pega da pilha e come ça a
olhá-lo. O que ele faz? Aplica o checklist que eu comentei anteriormente e constata que o
recurso foi protocolado fora do prazo. Quando eu digo que o provimento em mat éria de
juízo de admissibilidade é declaratório, o tribunal está dizendo que esse recurso já era
intempestivo.

obs: Alguns tribunais, por exemplo, o TJ/SP está com um tempo médio de 5 anos para
julgar uma apelação a contar da apelação. O TJ/SP atolado do jeito que é, não dá conta do
volume de causas.

PERGUNTA: Qual era a data em que ocorreu o trânsito em julgado do processo? Será a
data que ocorreu o processo no tribunal ou será no momento em que eu fiz o protocolo
intempestivo?
RESPOSTA: Se eu digo que eficácia é retroativa, quer dizer que é nesse instante que eu
tenho trânsito em julgado. Isso pode ser relevante para cálculo de juros moratórios de
16
outras situações específicas do processo. Eu estou explicando o motivo de ser
declaratório: Se é declaratório, retroage. Se retroage, isso pode caracterizar o momento
de trânsito em julgado. Isso tem consequências práticas relevantes. Certo? Então, não é o
tribunal que está tornando o recurso intempestivo, ele já o era. Não é o tribunal que está
dizendo que o recurso é deserto por falta de custas, ele já o era. O tribunal não tem o
poder de mudar essas coisas.

PERGUNTA DE ALUNO: Nesse caso o transito em julgado ocorreria no momento em que


acabou o prazo no dia seguinte e não necessariamente no protocolo (não entendi muito
bem a pergunta)
RESPOSTA: Sim, numa situação ideal o movimento processual já protocolado pelo
escrivão, secretária etc...já poderia acompanhar: "olha, esse processo está há 15 dias em
aberto, decorrido o prazo ele poderia bater o carimbo certificando o trânsito em julgado.
Só que a confusão é tamanha que pode acontecer que alguém protocole o recurso fora do
prazo, alguém acha que esta tudo certo e ele passa a ser processado como se fosse
tempestivo desde do início. Por conta disso que ocorre a bizarrice de ficar muito tempo
aguardando uma coisa óbvia. O tribunal deveria evitar que isso ocorresse porque o
processo que chega na mesa do relator já deveria ter passado por uma triagem prévia.

Ainda há pessoas que insistem pelo julgamento dos processos pela ordem cronológica e
no novo CPC passa a ter um dispositivo expresso que fala sobre ordem cronol ógica de
julgamento. É lógico que isso foi pressão da OAB. O discurso que encontramos por aí é o
seguinte: alguns autores falam que se deveria acabar com a influência maléfica de alguns
advogados que tem condições de fazer embargos auriculares ou tráfico de influência e
que estabelecem que deve ser usado o critério cronológico. Mas eu tenho uma crítica que
ninguem pensou: As vezes a gente bate na porta do juiz e o juiz diz "n ão atendo", ainda
mais na primeira instância. No STF é super tranqüilo, é só marcar um horário para a
reunião. O único que não atendia era o Joaquim Barbosa. No STJ também é fácil, mas é
um pouco mais difícil. Mas hoje acabou o problema dos juízes. O advogado se encontra
com o juiz e fala do processo, mas aí o juiz fala "adoraria te ajudar, mas estou seguindo a
lei e o critério de ordem cronológica. Algo mais?". Acabou a conversa

• Via de regra, tal exame é realizado de forma desdobrada ou bipartida (perante o juízo
a quo e perante o juízo ad quem)
O juízo de admissibilidade do recurso, via de regra, é feito em dois momentos distintos:
desdobrado ou bipartido.

Por questões de racionalidade e logística é muito mais fácil o recurso perante o juízo a
quo. Como a gente tem ainda o modelo de processo físico, o que o legislador concedeu?
Se alguém tem interesse em fazer uma apelação, ele tem 2 possibilidades: protocolar a
apelação no próprio juízo a quo ou protocolar no juízo ad quem. Para os advogados que
atuam nas comarcas dos centros não faz a menor diferença, mas para os advogados que
17
atuam nas comarcas interioranas aí a coisa muda de figura porque, se ele mora numa
cidade do interior e deseja apelar por uma decisão do juízo, ele não precisa se deslocar
até a sede do tribunal, ele vai fazer o protocolo da peça no juízo a quo.

Pergunta: Mas o juízo a quo vai fazer o que?


Resposta: Nesse ponto é importante lembrar do art. 463 8 do CPC que traz a seguinte
ideia: “depois de proferir a sentença o juízo cumpriu o ofício jurisdicional e ele não pode
mais alterar a decisão”.

Pergunta: Então, o que o juízo a quo fará a partir desse instante?


Vamos usar como exemplo um sentença cível proferida por um juiz do interior. A parte
interpôs a apelação e então ele fará o juízo de admissibilidade.Então, a partir da análise do
checklist que eu falei anteriormente, nos podemos ter 2 cenários:
1) o recurso pode ser admitido
2) o recurso pode não ser admitido.

Se os requisitos estiverem presentes o que ele fará com o recurso? Remessa pro juízo ad
quem. Se ele não admitir, aí, para algumas situações, teremos outra decisão judicial
passível de recurso, mas não vamos detalhar isso agora. Então, quando o recurso passa
por essa triagem no juízo a quo, ele segue para o juízo ad quem.

Mas eu acabei de falar que o juízo de admissibilidade é bipartido ou desdobrado. Então, o


que o juízo ad quem fará o que? A mesma coisa. Eu já falei que o juiz pega a planilha e
verifica também se os requisitos de admissibilidade estão presente ou se estão ausentes.
Talvez eu tenha trânsito em julgado se eu não tiver os requisitos de admissibilidade. No
entanto, se ele contiver os requisitos, aí ele passa a ser admitido e passamos para a
etapa seguinte que é o juízo de mérito. Só que nesse juízo de mérito teremos 2
possibilidades: 1) O recurso pode ser provido; 2) Recurso desprovido.

Então, repetindo, em matéria de juízo de admissibilidade, o exame desses requisitos ou


pressupostos, via de regra, ele acontece desdobrada ou bipartida. Isso significa que essa
análise é feita em 2 oportunidades distintas.

PERGUNTA: Como se criou a metodologia de interposição?


RESPOSTA: Protocolo. A apresentação do protocolo no juízo a quo, num primeiro
momento, caberá ao órgão a quo apenas para determinar a admissão ou não do recurso.
Se o recurso é admitido, ele seguirá para o tribunal. Vejam que o órgão a quo não irá
analisar o mérito porque não é papel dele, como já dizia o art 463 (se proferiu sentença,
então já cumpriu o ofício jurisdicional). A partir daí ele só cuida dos aspectos logísticos, ou
seja, ele fará esse recurso chegar ao juízo competente.

8 Art. 463. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:I - para Ihe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte,
inexatidões materiais, ou Ihe retificar erros de cálculo; II - por meio de embargos de declaração .
18
No caso do juízo ad quem...a gente já falou que o juízo ad quem também exerce essa
análise pois, afinal de contas, é dele a competência para o exame de mérito. Ora, quem
pode mais, também pode menos. Então, se ele tem possibilidade de mudar o mérito da
decisão, é lógico q ele pode realizar esse exame quanto aos requisitos ou pressupostos.

Pergunta: Se é o órgão ad quem que dará a palavra final por que faz esse juízo prévio na
esfera do juízo a quo?
Resposta: Filtragem. O que puder ser filtrado na origem, então melhor pq isso não
sobrecarregará o tribunal respectivo. Mas, quando o tribunal realiza o exame e diz assim:
"não estão presentes os requisitos ou pressupostos". Isso significa a inadmissão do
recurso. Quando o tribunal admite o recurso, aí nos passamos para a etapa seguinte que
é o juízo de mérito, e aí só podemos ter 2 cenários. É claro que ainda poderá ter os
provimentos parciais, mas ainda se enquadra como provimento.

PERGUNTA DE ALUNO: NÃO ENTENDI


Professor: Mas a maior parte dos casos segue
Aluno: Não, mas o primeiro não faz esse juízo de admissão e o segundo faz. A parte
prejudicada pode recorrer disso?
Professor: Os casos de inadmissão por entender que faltou um requisito ou pressuposto,
normalmente eles despertam a possibilidade de outro recurso. Aí você não vai mais
recorrer contra a decisão originária, mas contra essa decisão aqui.

Eu tenho uma sentença, resolvo recorrer da sentença. A sentença é protocolada no juízo a


quo. O juizo a quo: 1) Admite ou 2) não admite. Se admite manda para o juízo ad quem. O
juízo ad quem: 1) Fase preliminar - i) admite ou ii) não admite; Se admite >> 2) Fase de
mérito: i) provimento ou ii) não provimento. Mas, vocês conseguem enxergar que se o
juízo a quo não admite o recurso, vocês conseguem entender que é diferente do que eu
tenho aqui na sentença. São 2 decisões proferidas em momentos distintos. Esse quadro
pode parecer chato ou complexo, mas ele é praticamente imutável.

Exemplo: Acórdão do TJ/RJ. Eu quero recorrer o acórdão e interpor um recurso especial


para Brasília. Aonde é que eu vou protocolar o recurso especial? Imaginem se todos os
advogados do Brasil inteiro precisassem ir para Brasília protocolar uma peça. É claro que
com o processo eletrônico toda essa leitura muda, mas com o processo físico isso é um
custo adicional, é tempo, é dinheiro etc. Então protocola-se o recurso especial no próprio
tribunal que admite ou não. Se for o caso de admissão, manda para o juízo ad quem
(STJ). STJ (admissão> juízo de mérito/ não admissão). Ou seja, esse quadro parece
chato, mas ele se repete para a maior parte dos recursos.

obs: A gente fala de admissão e inadmissão para ficar mais fácil em termos didáticos, só
que nos tribunais eles costumam usar uma nomenclatura diferente. Fala-se em "não
conhecimento" e "conhecimento" do recurso. O que significa um recurso não conhecido?
Um recurso que não foi examinado no mérito porque faltou algum ou alguns requisitos ou
19
pressupostos de admissibilidade. Já o recurso conhecido foi o que passou para a fase de
análise do mérito, então, passa-se para a fase de provimento e improvimento. Nas
jurisprudências aparece dessas formas: Recurso conhecido e improvido; recurso não
conhecido; recurso conhecido e provido. Dessa forma, vc consegue acompanhar mais ou
menos a história do processo porque se ele foi provido é porque houve mudança na
sentença anterior. Ou seja, Conhecido ou não conhecido seriam categorias análogas a
admissão ou não admissão, só que por questões de tradução os tribunais costumam usar
uma terminologia diferente.

obs: ART. 1023, NCPC:


O Art. 1.023 diz que “A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau,
conterá” isso quer dizer, a apelação continua a ser apresentada no juízo a quo...é a
mesma metodologia. Mas se vocês olharem o parágrafo quarto vocês vão ver certas
mudanças: § 4o Concluídas, quando for o caso, as providências dos §§ 1o a 3o deste
artigo, o juiz determinará a remessa dos autos ao tribunal independentemente de juízo de
admissibilidade".

Então, o projeto do novo CPC traz uma mudança aqui em relação ao sistema atual
(análise sendo feita em 2 momentos diferentes). O que o juiz de primeiro grau vai fazer? A
atividade dele vai ficar mais simples ainda porque ele vai superar tudo isso aqui, pois
todos os recursos vão seguir para o tribunal, aí só o tribunal que fará o juízo de
admissibilidade.

Os responsáveis por essa mudança no CPC eles estavam arguindo o seguinte: “Quando
a gente tem o juízo desdobrado, nos casos em que se tem inadmissão, geralmente
alguém recorre. Então, o que eles queriam "matar" esse outro recurso aqui, Se vai ter um
recurso de qualquer jeito, pq sempre alguém recorre, então que vá um recurso defeituoso,
fora de prazo...não importa”. Daí, a triagem passa a ser direta no tribunal, pulando essa
etapa prévia. Então, hoje o modelo vigente é de juízo de admissibilidade desdobrado, já o
CPC projetado ele supera essa questão e a admissibilidade passa a ser feita em instância
única, antecedendo o exame de mérito. O restante é mais ou menos igual ao que já foi
comentado aqui.

Transcrição Processo 26/08/2014

Critério Classificatório dos Recursos:

Ele cita o autor como Barbosa Moreira que fala sobre os pressupostos intrínsecos e
extrínsecos, e se formos consultar o livro do Humberto Theodoro Jr, ele classifica como
objetivos e subjetivos.

Na prática, isso não foge muito pois são os mesmos itens e temas, o que muda é a forma
de ajustá-los.

20
Se usarmos o critério pressupostos intrínsecos e extrínsecos, estaremos fazendo uma
análise em relação ao conteúdo da decisão judicial. Se eu falo de um pressuposto
extrínseco, seria em relação a algo de fora dessa decisão judicial. Porém se eu falo de um
pressuposto intrínseco, seria de algo relacionado à alguma parte da decisão judicial.

Por exemplo: Exigência de Preparo (pagamento de custas). Esse procedimento não tem
nada vinculado ou relacionado diretamente com a decisão judicial, então é um pressuposto
extrínseco. Mas se formos analisar a legitimidade para recorrer, devemos verificar quem a
decisão judicial prejudicou, levando a classifica-lo como um pressuposto intrínseco.

Pressupostos Extrínsecos:

1) Tempestividade: Para que um recurso seja conhecido e analisado ele deve ter sido
proposto dentro do prazo fixado em lei.

Em matéria de prazo nós sabemos que eles são próprios, fixados em lei e capazes
de gerar preclusão. Já os prazos do juiz são tidos como impróprios, pois a não
observância não vai gerar nulidade, no máximo o juiz vai levar um puxão de orelha
do CNJ, mas são medidas de caráter administrativo. O que se tem na Teoria
brasileira é que os prazos são próprios, peremptórios (gera preclusão) e cogentes
(não podem ser alterados pelas partes).

O projeto do Novo CPC contém uma regrinha na sua parte geral que vai ao
encontro daquela ideia de flexibilização procedimental. Diz que as partes mediante
consenso, tem a possibilidades de mudar os prazos processuais, o que gera uma
controvérsia inicial, se isso vale para todos os procedimentos processuais.

Mas voltando ao nosso sistema vigente, a inobservância do prazo gera um


processo denominado ‘’intempestividade’’, ou seja, ele assim será se for
protocolado fora do prazo previsto em lei. Os Tribunais Superiores criaram uma
categoria que é um pouco diferente disso levando em conta a ideia de
jurisprudência defensiva, pois eles estavam com um volume de trabalho enorme e
acabaram criando alguns artificialismos jurídicos. Algumas interpretações que são
até forçadas no sentido de não enfrentar mérito do recurso que foi posto para
julgamento. O STF então criou uma categoria de ‘’extemporaneidade’’, que é
diferente da intempestividade.

Quando estamos falando de um prazo recursal, estamos falando de uma janela do


tempo. Temos então a intimação das partes, como o dies a quo do prazo (termo
inicial) e temos o dies ad quem como o término do prazo. Inicialmente o conceito de
intempestividade foi desenvolvido para falar dos atos processuais realizados fora
21
desse prazo definido em lei. Só que, com esse sistema de informatização do
judiciário, os advogados para dar uma maior satisfação ao cliente, ou até mesmo
para tentar acelerar o tempo de tramitação, muitas vezes sem a intimação inicial,
passaram a preparar seus recursos.

Então esses recursos precipitados no tempo passaram a ser considerados pelo


STF como recursos extemporâneos. O Tribunal Superior não tem nenhum motivo
legal para não conhecer desse recurso, pois ele não é intempestivo, não está para
além do prazo. Se pensarmos em um determinado acórdão proferido por
determinada corte, e ele foi publicado no sistema de informática. O advogado com
base naquele acesso ao sistema e vendo que aquela informação que ele obteve é
prejudicial a ele, precipita o recurso. Ele não foi ainda formalmente intimado, sequer
começou a correr o prazo para ele, mas ele estará agindo dentro de uma
perspectiva de boa-fé. O STF então criou esse conceito de extemporaneidade com
o objetivo de filtrar um certo volume de trabalho.

Esse critério foi muito criticado e pressionado por diversos grupos que pediam a
extinção desse critério, e atualmente o próprio STF não utiliza mais esse critério.

A Corte que criou esse critério já não o utiliza mais, ela deixou de empregar esse
critério enquadrado na chamada ‘’jurisprudência defensiva’’. Só que as cortes
inferiores gostaram da ideia, elas passaram a utiliza-lo como fator de não
conhecimento do recurso. Atualmente, depois do STF deixar de utiliza-lo, a situação
se modificou um pouco, porém algumas vezes as cortes estaduais, o utilizam. Isso
seria punir aquele que tentou colaborar com a prestação jurisdicional, agindo de
boa-fé, e sempre se entendeu que as partes podem se dar por intimadas dos atos
processuais.

Não há um prazo único para os diferentes tipos de recursos, temos algo parecido
no sistema atual no art. 508 do CPC, dizendo que para a maioria o prazo é de 15
dias e especifica alguns recursos. Ele funcionaria teoricamente como uma regra
geral, um parâmetro. Mas temos algumas exceções, como os Embargos de
Declaração (5 dias), o Agravo (10 dias). As entidades fazendárias (Fazenda pública
estadual, federal) utilizam o artigo 188( prazo em dobro). Nos casos em que
existem os litisconsortes, também ocorre essa prerrogativa do prazo em dobro,
desde que tenha gerado sucumbência a todos eles e desde que estejam assistidos
por diferentes advogados, terão o prazo em dobro. Então o artigo 191 fala desse
caso e aponta os requisito objetivo (sucumbência de todos) e o subjetivo (diferentes
procuradores).

Essa situação gera alguns problemas as vezes. Imaginemos uma situação de uma
ação proposta contra 2 réus( ação de usucapião) e são dois os proprietários do
imóvel. A partir dai eles tem o prazo de defesa em dobro, mas o sistema de
acompanhamento processual cria sua própria rotina e pode fazer a contagem pelo

22
prazo simples, que pode gerar uma ideia de perda de prazo falsa. Por exemplo, vai
ocorrer a juntada do último mandado de citação cumprido, em tese começou o
prazo de defesa para ambos. Mas o sistema pode contar somente 15 dias, gerando
um erro. O que se recomenda é que a parte que deseja q utilizar o prazo em dobro,
compareça ao cartório e comunique a sua vontade para evitar algum problema. Não
é uma hipótese de prazo judicial (laudo pericial que é fixado pelo juiz ) , mas sim um
prazo judicial.

Tem uma Súmula do STF que diz que para que se tenha o prazo em dobro, é
preciso que ambos os litisconsortes tenham sofrido sucumbência. Por exemplo, em
um caso de sentença improcedente em relação a um dos réus e condenatória para
outro, esse caso seria de um prazo simples, pois somente um estaria se
prejudicando (sofrendo sucumbência), de acordo com a Súmula 641 do STF (o
prazo volta a ser contado como simples).

*Exceção da Exceção: Em relação ao artigo 188 do CPC; Isso é valido para o


cenário da Justiça Comum, mas na Lei dos Juizados em relação a Fazenda Pública,
no art.7 ela prevê que não haverá a contagem de prazo em dobro. Na Lei de Justiça
Gratuita(1.060/50), o Defensor Público tem o prazo em dobro. Nesse caso, o
defensor pode ter mais dificuldade em entrar em contato com seu cliente, tendo
em vista um volume maior de processos e contato reduzido.

O projeto do novo CPC pretende simplificar esses prazos processuais no seu artigo
1.007, que prevê todos os prazos de 15 dias, EXCETO, os embargos de
declaração.

Em relação a contagem de prazo, temos que considerar que para a contagem do


prazo recursal, valem as regras gerais de contagem de prazo (art.184 do CPC). O
artigo 506 do CPC prevê o início da contagem do prazo (leitura da sentença,
intimação, publicação). A lei do processo eletrônico (11.419/2006) cria uma rotina
diversa no cenário dos prazos recursais pois existem duas formas de comunicação
dos atos processuais: intimação via diário eletrônico e através de acesso ao site. A
partir dessa intimação que começa a correr o prazo para a prática do ato, ele tem
10 dias para ter acesso a essa informação.

2) Regularidade Formal: Seria a forma de apresentação do recurso. Via de regra os


recursos são apresentados através de petição escrita, meio escrito ou eletrônico.
Por exceção admite-se a apresentação de 2 recursos na forma oral: Art. 523-Agravo
Retido, é um agravo utilizado para evitar preclusão, impugnar decisões
interlocutórias de menor complexidade (geralmente proferidas em audiência)-termo
23
de audiência ou gravação de voz e imagem; Lei dos Juizados Especiais (9.099),
quando o juiz proferir sentença em audiência o advogado pode interpor embargos
de declaração logo após, mas na prática ela raramente ocorre.

A lei 9.800/99 de Sistema de Transmissão de Dados no Art. 4 prevê que a


responsabilidade do material transmitido(via fax) é do advogado, ou seja, a
qualidade(toner,bobina) e se efetivamente a peça chegou no cartório.

A primeira lei que autorizou atos processuais por meio eletrônico foi a 10.259/2001 que
criou a Lei dos Juizados Federais e lá permitiu que existisse o modelo de processo
eletrônico. Em seguida, por meio de resoluções ficou permitido o envio de alguns atos via
e-mail, o que gerou algumas complicações pois a peça era impressa e anexada aos autos,
o que gerava um gasto de papel.

Depois veio uma mudança no CPC que falava da intimação eletrônica e por fim a lei
11.419/06 que generalizou o peticionamento eletrônico.

• Ausência de Assinatura nas peças processuais: Um recurso sem assinatura está


regularmente apresentado ou existe um vício que vai impedir o seu conhecimento?

R: Entende-se que essa situação pode ser resolvida chamando o advogado para
assinar a peça, porém se ele não comparecer teremos um caso de irregularidade
formal. A jurisprudência de acordo com a Súmula 115 (nas instâncias excepcionais
não se aplica o artigo 13 do CPC- advogado sem procuração nos autos assina a
peça de recurso especial- não conhecem do recurso) do STJ passou a pensar
sobre esse caso.

Essa Súmula nem fala de recurso sem assinatura (em branco) porém serve de
base para o entendimento desse caso concreto, mas a jurisprudência passou a
aceitar a intimação para regularização.

Atualmente o STJ já aceita a assinatura digital como critério de identificação, pois


não faz sentido a pessoa imprimir o arquivo eletrônico, assinar para depois enviar
para o cartório.

3) Preparo: Recolhimento das custas recursais (taxa judiciária). Regra do art. 511 do
CPC.

Esse dispositivo prevê que no ato da interposição do recurso deve ocorrer a comprovação
do pagamento. Problema: Advogado tem prazo para apresentação do recurso porém não
tem mais para pagamento no banco (expediente até 16 h) .Os Tribunais consideravam
esse recurso deserto, até que foi provocado o recurso especial repetitivo(multiplicidade de
recursos que se repetem) - art 543 alínea c. Entende-se que o preparo pode ser feito até
o primeiro dia útil subsequente a interposição do recurso. De início a jurisprudência era
contra esse entendimento, mas depois de muitos recursos não conhecidos, com base na
24
leitura do verbo ‘’ comprovar’’ no art. 511 e não ‘’ pagar’’, mudou-se o entendimento.O
STF até editou uma Súmula 484 a respeito disso.

No cenário de processo eletrônico podemos ter algo parecido também. Podemos praticar o
ato processual até a meia-noite do dia do fim do prazo, não há uma limitação do horário de
expediente. Vamos supor que eu esteja trabalhando no escritório 9 horas da noite e esteja
terminando um recurso. Após a sua finalização, decido pagar as custas do preparo no
Internet Bank( serviço online de pagamento), eu posso fazer isso no mesmo dia que irei
postar o recurso? Não, pois temos uma limitação do horário de pagamento na Internet.
Como sairia essa guia? Guia paga? Não, vai sair guia AGENDADA. Um pagamento
agendando não é um pagamento realizado, olha o problema.... Hoje, alguns advogados
estão tendo problema com essa outra situação porque o pagamento agendado está sujeito
a uma provisão de fundos do dia em que foi realizado o seu agendamento. Esse seria um
problema novo, assim como temos também um problema antigo.

Se formos pensar com coerência e de acordo com a Súmula 484, ela também poderá ser
aplicada nesse cenário de processo eletrônico, e a guia agendada deverá ser considerada
guia PAGA .

• Não pagamento : O que acontece se não houver o pagamento ? ? ? Fala-se então


em Recurso DESERTO. A palavra ‘’deserção’’ no processo civil tem esse
significado, recurso deserto é aquele apresentado sem o recolhimento das custas
e a consequência será o seu não conhecimento.

Mas o CPC no seu art. 519 prevê que se o recorrente conseguir provar o chamado ‘’ justo
impedimento’’ capaz de justificar o não pagamento de custas, o juiz poderá relevar a
deserção e fixará um novo prazo para pagamento. O que seria justo impedimento para um
pode não ser para outro, o que vem gerando muita discussão.

EX: Advogado vai pagar o preparo e vê que não tem dinheiro na carteira, seria esse um
caso? ?

Para ele sim ( hahahahaha) , mas o que os Tribunais passaram a fazer, foi analisar esse
caso sob um ponto de vista objetivo(critérios). Ou seja, não é um problema de ordem
subjetiva, mas sim objetiva.

EX: Banco em greve(afetará a todos) – critério objetivo

Temos outra situação no parágrafo 2 do art. 511 , que prevê o pagamento a


menor(insuficiente), deve ser dada uma segunda chance para correto pagamento de
custas e não ser declarada de cara a deserção- prazo de 5 dias da intimação.

A dúvida hoje em dia é o que se considera ‘’ diferença’’ a ser recolhida e se isso seria um
valor menor do que o que foi recolhido ou se pode ser maior também. Como a lei não
distinguiu, tem que se considerar as duas situações, a não ser que seja considerada
litigância de má-fe.

25
ESSE PARÁGRAFO NÃO PODE SER UTILIZADO EM JUIZADOS ESPECIAIS. O
enunciado 80 do fórum permanente dos JEC’S considera a inaplicabilidade desse artigo
em Juizados.

O Art. 1020 do Novo CPC, continua o mesmo tipo de tratamento do art. 511 ; Ela prevê
também a não necessidade de preparo de custas para a Fazenda Pública. O inciso III,
regula uma situação complicada em relação ao porte de remessa e retorno . O art 519
passa a integrar um texto inteiro regulando o recurso. Prevê também que o equívoco de
preenchimento de guia não significa deserção.

Aula de Processo Civil – 02/09

- Pressuposto de admissibilidade intrínseca


Quando falamos em aspectos intrínsecos, estamos falando que está relacionado a algum
aspecto da decisão recorrida.

- Cabimento
Primeiro pressuposto intrínseco fala-se do cabimento do recurso. O recurso deve ser
cabível.

Ex: no caso do mensalão muito se discutiu se eram ou não cabíveis os tais embargos
infringistes de forma a garantir o duplo grau de exame.

(a) Recorrabilidade do ato


Ato decisório deve ser do tipo recorrível.
Pode ser que o interessado no caso concreto queira recorrer de uma determinada
decisão, mas por critérios legislativos, aquela decisão não seja do tipo recorrível.

Ex: Os Juizados Especiais são micro sistemas normativos com aplicação subsidiaria do
CC. Nestes Juizados os juízes são obrigados a tomar decisões que se assemelham à
decisões interlocutóriais, porém, os diplomas legais dos Juizados não trataram
especificamente de um recurso de impugnação de decisão interlocutória. Dessa forma,
os despachos intelocutórios são do tipo recorrível ou não? Não, a pretensão de recursar
para ser examinada no mérito exige que seja um ato decisório do tipo recorrível.
Já especificamente no caso da lei 12.153, Lei dos Juizados da Fazenda Pública, existe
um dispositivo determinando que não cabe recurso contra as decisões interlocutórias,
logo, o interessado que quiser impugnar estas matérias deve fazer através do recurso
final. Nesse Juizado o legislador concentrou a via recursal para evitar procrastinação.

(b) Adequação
26
Interessado deve usar o recurso correto diante daquela espécie judicial. Necessidade de
usar o recurso adequado de modo que se a decisão for recorrível e o interessado interpor
um recurso errôneo, esse recurso não será aceito para julgamento. Além disso, a
decisão inicialmente atacada irá prevalecer porque houve equivoco do
interessado/advogado. Essa é a regra geral.
No sistema recursal, das sentenças são decisões finais impugnáveis cabe apelação
(recurso ordinário mais amplo) e das decisões interlocutoras impugnáveis via agravo.

Obs: Classificação dos atos decisórios.

Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos.


§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e
269 desta Lei. (Redação dada pelo Lei nº 11.232, de 2005)
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve
questão incidente.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a
requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem
de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando
necessários. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

É a “pedra de toque” dos recursos porque para cada tipo de ato decisório, em principio, a
lei irá reservar uma modalidade própria de recurso.

Ex: No âmbito dos Juizados Especiais, quando não há previsão recursal nas Leis 9.099
e 10.259 e havendo um problema gerado por aquela decisão em que ofende um direito
líquido e certo do sujeito, ela irá usar um sucedâneo recursal/ação impugnativa
autônoma. Então, nos Juizados especiais, na falta de previsão legal de recurso
prepondera-se o uso do mandato de segurança contra ato judicial.
Entretanto, quando lemos a Lei 11.016 (Lei do Mandato de segurança), existe
expressamente a previsão determinando que não cabe mandato de segurança contra ato
judicial, porque a gente pressupõem que contra ato judicial cabe o recurso.
Só que como o sistema gerou lacunas e inconsistências, a doutrina aplica esse mandato
excepcionalmente quando a decisão judicial for teatrológica, ou seja, uma decisão muito
abusiva e que ofenda direito liquido e certo. Então, o mandato de segurança pode ser
aplicado em caráter excepcional.

- Legitimidade para recorrer (art. 499 CPC ou art. 1009 do Novo CPC)

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Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e
pelo Ministério Público.
§ 1º Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o seu interesse de
intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial.
§ 2º O Ministério Público tem legitimidade para recorrer assim no processo em que é
parte, como naqueles em que oficiou como fiscal da lei.

1. Hipóteses de legitimidade recursal ordinária:

(a)Legitimidade das partes

Parte é quem formula o pedido e em face de quem o pedido é formulado (autor e réu).
Para que as partes tenham legitimidade para recorrer é preciso que elas tenham tido
sucumbência, prejuízo. O que legitima a parte a recorrer não é o simples fato dela ser
parte, mas sim o fato dela ter sofrido prejuízo.
Quando existe sucumbência no processo? Quando foi agredida/frustada uma
determinada expectativa processual. Não seria meramente gerar prejuízo para a parte, as
vezes, apenas o fato dela não ter conseguido um cenário melhor já a legitima à recorrer.
Conceito de sucumbência está dentro da ideia técnica de quebra de expectativa.

(b)Legitimidade do terceiro prejudicado

É um conceito de exclusão, logo, quem não seja o MP e quem não seja parte para fins
processuais.

Art 499 § 1º Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o seu


interesse de intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial.

Para ser terceiro prejudicado é preciso que comprove o nexo de interdependência entre a
decisão judicial e a situação que foi ocasionada à ele. O terceiro deve ser diretamente
afetado pela decisão judicial.
Terceiro interessado deve demonstrar o interesse recursal para poder recorrer, mas e se
ele não interpor o recurso? Ele perde o direito material? O recurso do terceiro prejudicado
é pra ele uma faculdade, caso ele não interponha o recurso em prazo preclusivo, ele não
fica impedido de buscar a proteção do seu direito por uma ação própria, ele pode usar
uma ação impugnativa autônoma caso queira ampliar o debate probatório.
O recurso do terceiro prejudicado tem que ser feito no prazo do recurso da parte, se ele
perder o prazo tem que ir pela ação impugnativa autônoma.

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STJ Súmula nº 202 - 17/12/1997 - DJ 02.02.1998
Mandado de Segurança - Terceiro - Condição à Interposição de Recurso
A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à
interposição de recurso.

Obs.: Coisa julgada


Se não houve coisa julgada no processo, o terceiro prejudicado não vai poder defender
seus interesses contra a coisa julgada formada naquele processo alheio.

Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando,
nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido
citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença
produz coisa julgada em relação a terceiros.

A coisa julgada vincula as partes do processo, ela não prejudica e não beneficia terceiros.
A coisa julgado que atribuiu um direito entre 2 sujeitos vale apenas no contexto da lide
originária. A coisa julgada não é oponível à terceiros. A coisa julgada apenas impede a
rediscussão do tema entre essas pessoas processuais, a coisa julgada não é oponível à
outras lides, isso porque a coisa julgada só pode ser oponível àqueles que se
submeteram ao contraditório, que puderam se fazer ouvir.

As regras que regem o recurso do terceiro prejudicado são as mesmas regras que regem
para as partes (Ex: a contagem de prazo é a mesma para as outras partes do processo,
etc)

Ex: Fazenda Pública sofre uma condenação judicial e quem paga a conta ao final são os
contribuintes. O fato do Estado ter sofrido uma sucumbência não habilita o contribuinte a
interpor recurso em processo alheio, pois o nexo de interdependência pressupõem que
aquela pessoa seja atingida diretamente pela decisão judicial. O contribuinte não é
atingido diretamente, ele é alcançado de uma forma reflexa/indireta, nem ao menos sabe
quando essa decisão irá impactar a arrecadação pública, logo, ele é um terceiro mas
não é um terceiro prejudicado por não ser afetado diretamente.

Ex: clube de futebol é condenado em uma declamatória trabalhista. O torcedor pode


pensar que prevalecendo a condenação, irá faltar dinheiro para a contratação de
reforços para o clube e etc. Esse torcedor não pode participar da reclamatória trabalhista
ao ponto de recorrer e tentar reverter o quadro de sucumbência porque ele não será
afetado diretamente, o interesse é meramente subjetivo, não é um interesse direto frente

29
a decisão.

E se o torcedor for sócio? Mesmo cenário do contribuinte. Você não sabe quanto que
aquela condenação pode reverter em termos de custeio da parcela paga ao clube na
mensalidade, não quer dizer que o sócio tenha que se cotizar com a despesa.

Ex: No condomínio que perde uma determinada ação. Os condôminos não podem ainda
assim recorrer porque eles não são afetados diretamente pela decisão judicial.

Ex: possibilidade do adquirente recorrer da liminar de sequestro.


Um particular comprou um bem imóvel e acabou registrou esse documento no cartório
imobiliário. Entretanto, o antigo proprietário se envolveu em um litígio e houve uma
decisão de sequestro daquele imóvel. Esse terceiro é um terceiro prejudicado porque ele
tem interesse direto em afsgar aquela ordem judicial de sequestro, possui o nexo de
interdependência.

(c) Legitimidade do Ministério Público


Na legislação especial vai ter os princípios que regem a entidade do Ministério Público, o
principio da unidade e da independência funcional (em 1 grau de jurisdição opina uma
coisa e em 2 grau de jurisdição a manifestação opinativa é contrária).

• MP recorrendo como fiscal da lei.


Art. 83. Intervindo como fiscal da lei, o Ministério Público:

I - terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo;

II - poderá juntar documentos e certidões, produzir prova em audiência e requerer


medidas ou diligências necessárias ao descobrimento da verdade.

Casos em que ele é fiscal da lei, ou seja, está fiscalizando para que a lei seja
corretamente aplicada. O MP apresenta em juízo um parecer, uma manifestação
opinativa. Essa manifestação não vinculante para o juiz, logo, ele pode acolher ou não
este parecer ministerial. Se o parecer não for acolhido na decisão judicial, o MP tem a via
do recurso.

STJ Súmula nº 99 - 14/04/1994 - DJ 25.04.1994


Ministério Público - Legitimidade - Recurso - Fiscal da Lei
O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que oficiou como
fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte.

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É óbvio que o MP nunca será fiscal em casos os quais ele formulou o pedido, em que é
parte. Ou ele atua como parte ou atua como fiscal da lei.

• MP recorrendo como parte.


Quando o Ministério Público atua como parte, ele está atuando como um substituto
processual.

Art. 81. O Ministério Público exercerá o direito de ação nos casos previstos em lei,
cabendo-lhe, no processo, os mesmos poderes e ônus que às partes.

MP exerce o direito de ação, logo, vai em juízo e formula pedido e pretensão. O MP é o


representante da sociedade organizada e possui incumbências, principalmente na área
dos direitos transindividuais, coletivos no sentido latu senso. Com isso, se o MP elaborar
um pedido e este pedido dele como parte não for acolhido, ele teve sucumbência e pode
recorrer.

Ex: Então, quando ele entra com uma ação civil pública para pedir que uma determinada
industria cesse o dano ambiental, o MP está agindo como um substituto processual, pois
ele não pede exatamente algo para si, mas sim pedindo a tutela de um direito alheio e
difuso (são de todos e não são de ninguém ao mesmo tempo).

2. Hipóteses de legitimidade recursal extraordinária:


Outros entes que possuem interesse em recorrer, mas não se encaixam nas hipóteses
tradicionais do art. 499 CPC.

(a)Art. 23 do Estatuto da OAB (lei 8.906/1994)


Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência,
pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta
parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu
favor.

As verbas honorárias de sucumbência pertencem ao advogado, salvo se compactuado


ao contrário com reversão da verba de sucumbência diretamente pra parte. É diferente
dos honorários contratuais, vez que nestes rege a autonomia da vontade.

Ex: foi julgada uma ação procedente e o autor conseguiu tudo aquilo que queria, porém,
a verba honorária foi situada no percentual mínimo (art. 20, § 3). O autor vai desejar o
quanto antes o transito em julgado, entretanto, o advogado pode almejar o aumento da
verba honorária.
31
Art. 20. A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que
antecipou e os honorários advocatícios. Esta verba honorária será devida, também, nos
casos em que o advogado funcionar em causa própria.
§ 3º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez por cento (10%) e o máximo de
vinte por cento (20%) sobre o valor da condenação, atendidos:

Com isso, a jurisprudência, com base no fato do estatuto da OAB determinar que essas
verbas pertencem aos advogados, determinou que o advogado pode recorrer em nome
próprio contra a decisão que fixou os honorários para obter um aumento.
Advogado não é parte, nem MP e nem terceiro extraordinário, é apenas uma parte
legítima extraordinária.

(b) CADE
É uma autarquia federal responsável por garantir a livre concorrência. O CADE tem a
prerrogativa de comparecer em processo alheio e recorrer das decisões que possam
parecer prejudiciais à concorrência. O CADE não é parte, nem MP e nem terceiro
extraordinário porque não é alguém que sofre prejuízo, é apenas uma parte legítima
extraordinária autorizada pela lei para recorrer pela defesa da livre concorrência.
CADE não pede nada pra ele, somente atua em situações lesivas a livre concorrência e
proteção do consumidor.

- Interesse recursal
É caracterizado pelo binômio necessidade e utilidade.
É preciso que o recurso seja útil para quem dele se utiliza.
Se a decisão gera sucumbência o recurso pode ser necessário. Entretanto, em algumas
situações, a decisão judicial não cria um prejuízo concreto e ainda assim o recurso pode
ser cabível.
Barbosa Moreira: para a caracterização do interesse recursal é necessário um olhar
prospectivo, analisar o que pode ser obtido com o recurso. Se o recurso pode de alguma
frua gerar uma situação melhor do que aquela que tem com a decisão recorrida, o
recurso pode ser aceito para julgamento.

Ex: mesmo a sentença sendo completamente procedente em todos os seus pedidos, mas
com honorários fixados em seu grau mínimo, o autor pode recorrer dessa sentença? O
autor do ponto de vista formal conseguiu tudo aquilo que esperava, do ponto de vista
formal ele não sofreu sucumbência, porém, materialmente a situação dele pode ainda
ser melhorada com a a interposição do recurso para tentar aumentar a verba honorária.
O autor não sofreu formalmente prejuízo, mas materialmente sim.
32
É possível melhorar a situação desse recorrente? Se a resposta for afirmativa há
interesse recursal.

Obs: e nos casos de pedido alternativo? Quando há mais de um pedido e a sentença


pode acolher de qualquer um deles. Se a sentença entregou para o autor o pedido A que
foi formulado em caráter alternativo ao pedido B, esse autor não pode recorrer pois não
há interesse recursal. Pedido formulado em caráter alternativo quer dizer que de
antemão o autor já se dava por satisfeito com qualquer um deles.

E nos casos de pedido subsidiário? Quando há um pedido principal e um subsidiário. O


juiz acolheu o pedido subsidiário, mas não acolheu o principal. Ele pode recorrer para
insistir no pedido principal. Ainda que não tenha prejuízo, é possível em tese melhorar a
situação daquela pessoa.

- Ausência de fatos modificativos e impeditivos da pretensão recursal


3 circunstancias que podem frustar ou impedir o direito de recorrer:

(a)Desistência

Art. 501. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos
litisconsortes, desistir do recurso.

Depois de protocolado o recurso, a qualquer tempo, mas antes do julgamento, a parte


pode dele desistir.
A partir de que instante podemos falar de desistência? Pressupõem um recurso
interposto, logo, só pode ter depois da interposição de recurso.

Obs.: desistência do recurso e desistência da ação


Quem pode desistir do recurso é o recorrente, qualquer que seja ele. Quem pode desistir
da ação é o autor.
Enquanto o recurso não for pautado para julgamento pode ter desistência. Até que
momento é possível a desistência da ação? Depende. Enquanto o réu não foi citado é a
qualquer tempo, depois que o réu for citado somente com a concordância do réu e após
o saneamento há uma restrição do parágrafo único do art. 264.

Art. 264. Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o
consentimento do réu, mantendo-se as mesmas partes, salvo as substituições permitidas
por lei.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

33
Parágrafo único. A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma hipótese será
permitida após o saneamento do processo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)

Quando há desistência da ação o processo é extinto de que forma? Sentença sem


resolução de mérito, é possível a propositada de uma nova demanda.

Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº
11.232, de 2005)
Vlll - quando o autor desistir da ação;

E o que ocorre quando há desistência do recurso? Prevalece a decisão transcorrida.


E por que na desistência do recurso não precisa ter a oitava/manifestação favorável do
recorrido? Porque a desistência do recurso supostamente favorece sempre o recorrido.
Ambas as desistências se materializam através de petições simples com uma lauda.

Ex: uma advogada entrou com um mandato de segurança para discutir um determinado
crédito tributário. No processo em questão o contribuinte depositou o valor controverso
em juízo para não sofrer sanções do fisco. Se ele saísse vitorioso, levanta o dinheiro ou
se perdesse, converte-se o depósito em renda e estaria pago o tributo. O juiz de primeiro
grau denegou a segurança. A advogada interpôs recurso de apelação.
Neste meio tempo, um dos entes do art. 103 propôs diretamente no STF uma ação de
inconstitucionalidade questionando a mesma lei constituidora do tributo. A ação no
Supremo foi procedente e a lei foi declarada inconstitucional, sendo que esta decis ão do
supremo gera coisa julgada erga omnes, oponível a toda coletividade de pessoas.
Quando a advogada teve ciência da decisão do STF, ela compareceu no Tribunal e
desistiu do recurso. Com isso, o dinheiro depositado converteu-se em renda do fisco
automaticamente. No caso da desistência do recurso prevaleceu a sentença que negava
a segurança pleiteada.
Com isso, aquela ação do STF não teve efeito erga omnes para o caso concreto da
advogada porque quando ela desistiu do recurso, ela aceitou a decisão anterior. Se ela
fosse esperta teria desistido da ação/ desistido do mandato de segurança e pedido o
levantamento do dinheiro alegando que errou o jogo de palavras.

O que vale mais? A sentença do STF ou a sentença do juiz ca comarca de primeiro


grau? Ambas refletem a jurisdição do Estado e a coisa julgada não tem gradação
dependendo do órgão o qual ela emana.

(b)Renúncia
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Art. 502. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte.

Uma vez proferida determinada decisão judicial e se o recurso é voluntário, a parte pode
de antemão renunciar o direito de recorrer, logo, não pode depois voltar atrás.
A renúncia comunicada no processo serve como fato impeditivo da pretensão recursal,
porque o CPC trabalha com uma lógica de preclusão, ou seja, determinados atos podem
ser prejudiciais a outras atos seguintes que eventualmente poderiam ser praticados.
A partir de que instante podemos falar de renuncia? A partir do momento em que decisão
foi proferida. Só conhecendo a decisão pode-se renunciar do direito de recorrer.
Se renuncia para apenas aquela decisão. A menos que tenha uma renuncia irrestrita que
tenha abrangência o suficiente para alcançar fatos futuros e ainda assim ela seria
discutível, vez que o direito de renunciar pressupõem que você conheça a decisão
judicial que você está desistindo.

(c) Aquiescência

Art. 503. A parte, que aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou a decisão, não
poderá recorrer.
Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem reserva alguma, de um
ato incompatível com a vontade de recorrer.

Nos casos de aquiescência, eventual recurso seguinte também não poderá ser aceito.
A palavra aquiescência é utilizada no sentido de aceitação da sentença.
O legislador não quis exemplificar as situações que seriam compatíveis a aquiescência
da sentença. Aqui devemos considerar uma coerência do comportamento da parte. Se
por qualquer razão ela revelar um comportamento que seja equivalente ao de aceitar a
decisão judicial, ela não poderá voltar atrás depois e interpor recurso.
Ou se faz uma coisa ou se interpõem recurso. Se ela praticou algum ato que revele
aceitação da decisão judicial, ela não pode depois voltar atrás.

Ex: ação de despejo julgada procedente. Réu deposita as chaves em juízo para
caracterizar que desocupou o imóvel. Depois desse deposito não se poderia aceitar um
recurso interposto. Esse comportamento é valorado e computado como uma aceitação
da sucumbência no mínimo tácita.

AULA PROCESSO CIVIL III – 04/09/14

CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS


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Os manuais de processo civil usam parâmetros diferentes para classificar os recursos;
Existem doutrinador argentino chamado Genaro Carrió que diz que as classificações não
são necessariamente verdadeiras ou falsas; Elas não observam necessariamente esse
binário. As classificações podem ser mais ou menos úteis. Eu poderia classificar os
recursos como aqueles que são autuados com capa amarela e aqueles que são autuados
com capa azul. Não sei se essa distinção seria relevante, mas, do ponto de vista
classificatório, pelo menos quatro critérios têm que ser tomados como referência:
Quanto à extensão:
1. Recursos totais ou parciais: considera a questão da sucumbência e da insurgência
do recorrente.

• Recursos totais: impugnam toda a extensão da sucumbência sofrida pelo


recorrente. Ex: se não houver nenhum tipo de delimitação, podemos dizer que
o recurso pede a reforma/ anulação da decisão se enquadra como um recurso
total;

• Recursos parciais: se enquadram aqui aquelas situações em que o recorrente


estará limitando o seu pedido, a sua insurgência recursal. Então os recursos
parciais são aqueles que atacam apenas uma fração da sucumbência que a
parte sofreu.

Distinção extraída do art. 505 CPC: “A sentença pode ser impugnada no todo
ou em parte”. Este artigo está relacionado ao recurso de Apelação, mas a regra
que é colocada é considerada como integrante da Teoria Geral dos Recursos. É
como se a gente pensasse assim: o recurso pode ser total ou parcial. Se eu
tenho, por exemplo, uma ação de indenização em que o autor pediu e obteve
dano material e dano moral, pode ser que a insurgência do réu seja contra os
dois capítulos da sentença ou pode ser que ele apenas queira recorrer dos
honorários advocatícios. Se eu tenho um recurso que ataca tão somente a
questão envolvendo honorários advocatícios, por mais absurdo que possa ser
o restante da decisão, o tribunal não pode alterar. Isso, porque aqui é como se
a gente transpusesse a leitura do dispositivo para a seara recursal. O que diz o
princípio dispositivo? “Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão e
quando provocado e nos moldes em que houve a provocação”. Não pode
haver prestação jurisdicional sem pedido. Então eu transponho esse tipo de
leitura do princípio dispositivo para o segundo grau de jurisdição. Esse tipo de
distinção será útil mais tarde quando estivermos estudando o efeito devolutivo
da apelação, porque a questão fica mais técnica e essa questão simples terá
que ser retomada.

Quanto à fundamentação:
2. Fundamentação livre ou vinculada

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• Fundamentação livre: hipótese em que o recorrente pode construir
argumentativamente aquilo que melhor lhe aprouver. Nesses casos o
recorrente pode dirigir qualquer tipo de crítica à decisão recorrida. Ele pode
criticar a decisão recorrida como melhor lhe interessar. Eventualmente
pode-se falar que a decisão é nula, que a decisão comporta reforma, que a
decisão não aplicou a lei material ao caso concreto, que a decisão aplicou
errado um dispositivo de lei ao caso concreto etc. A a maior parte dos
recursos são considerados de fundamentação livre.

• Fundamentação vinculada: são a exceção à regra dos recursos de


fundamentação livre. Nesse caso, para o recorrente exercer a sua
fundamentação ele que tem que se ater à hipótese de cabimento específica
do recurso. É como se a gente pensasse assim: para interpor recurso
extraordinário é preciso olhar o que está previsto na Constituição; Aí a CF
vai dizer: cabe recurso extraordinário nos casos de contrariedade à
Constituição. Então é aquela matéria que tem que ser arguida no recurso
extraordinário; Eu não posso querer abordar um assunto fora daquela
hipótese de cabimento.

Exemplo sobre embargos de declaração:


Art. 535 CPC: Cabem embargos de declaração quando:
I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição;
II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.
Nesse caso você pode falar de três coisas: obscuridade, contradição ou
omissão. Se você quiser falar, por exemplo, que o juiz aplicou uma lei
errada, você tem que utilizar outro recurso.

Art. 496 CPC: São cabíveis os seguintes recursos:


I - apelação;
I - agravo;
III - embargos infringentes;
IV - embargos de declaração;
V - recurso ordinário;
Vl - recurso especial;
Vll - recurso extraordinário;
VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário.
37
Apelação: recurso de fundamentação livre; O apelante pode criticar a sentença como
melhor lhe aprouver. Pode dizer o seguinte: a sentença é nula porque não foi
fundamentada; A sentença foi fundamentada de forma errada; a sentença aplicou lei de
direito material inaplicável; interpretou dispositivos de direito material fora dos parâmetros
da jurisprudência atual; aplicou lei revogada ou inconstitucional etc. Aqui o recurso segue
apenas a lógica do interesse do recorrente.
Agravo: recurso de fundamentação livre. Para as decisões interlocutórias o agravante
também tem a referida liberdade; Ele pode dizer assim: quando o juiz concedeu a liminar
na primeira instância ele não fez nenhum tipo de fundamentação própria, então a decisão é
nula porque não tem fundamentação; Ou ele pode seguir com os demais argumentos
mencionados acima.
Embargos infringentes (art. 530 CPC): são cabíveis apenas quando houver decisão
de tribunal de 2º grau por maioria de votos que implique em reforma de sentença de mérito
e anulação decisória. Para esse caso já tem que saber qual foi a decisão tomada por
maioria de votos e aí tem alguns condicionantes.
Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado,
em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória.
Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência.
Embargos de declaração: fundamentação vinculada
Recurso ordinário: fundamentação livre
Recurso especial: fundamentação vinculada
Recurso extraordinário: fundamentação vinculada
Embargos de divergência em Resp ou em RE: fundamentação vinculada (tanto no
âmbito do STF quando do STJ). Na via do recurso especial só dá para discutir ofensa à lei
federal; Se eu disser para o STJ que o tribunal local apurou as provas dos autos de forma
errada; Matéria de prova não cabe no contexto que autoriza aquele recurso, então estaria
fora do que é permitido.

Quanto ao objeto:
3. Comuns ou opcionais
OBS: normalmente os manuais chamam esses recursos comuns de ordinários e os
excepcionais de especiais. Por que o prof. Está evitando essa terminologia e privilegiando
a outra? Para que a gente não confunda aqueles recursos que têm o nome stricto sensu
de ordinário e especial com o gênero classificatório. Aqui eu estou falando de gênero
classificatório, então por questões didáticas o melhor é diferenciar. Quem segue o rol do
art. 496 pode chegar a esse mesmo tipo de classificação. Assim, a apelação, agravo e
embargos infringentes são recursos comuns; Já os embargos de declaração são recursos

38
excepcionais. O art. 496 do CPC é uma espécie do gênero dos recursos ordinários. Por
isso que nós estamos evitando essa nomenclatura.
O que difere uma categoria da outra? Os manuais falam muito que os recursos comuns
são aqueles que se bastam com a mera sucumbência; Ou seja, o que autoriza alguém a
interpor aquela ação? O simples fato desta ter sofrido prejuízo. O que autoriza alguém a
interpor agravo? O simples fato de a pessoa ter sofrido prejuízo; a ideia de sucumbência
em si.
E para o recurso especial? Para que eu tenha acesso ao STJ não é suficiente que eu
apenas tenha sofrido prejuízo; Só isso não me abre essa 3ª instância/grau de jurisdição. Na
verdade eu teria que levar na via do recurso especial que além da minha sucumbência em
si houve ofensa à lei federal.
E com relação ao recurso extraordinário (dirigido para o STF)? Eu não tenho acesso ao
STF apenas porque eu quero; Apenas porque a decisão não foi adequada aos meus
interesses. O que vai me autorizar a interpor o recurso extraordinário é uma sucumbência
qualificada pela ofensa à Constituição. Se no caso concreto a decisão que me gera
prejuízo também ofende à Constituição eu não tenho uma sucumbência simples, mas sim
uma sucumbência qualificada. Por isso que aqui quanto ao objeto esses outros recursos
são considerados excepcionais. Isso porque eles pressupõem um algo a mais, um “plus”,
que é essa qualificação dada à sucumbência. Em termos práticos (não é muito
adequado/correto) a gente pode pensar assim: eu posso apelar porque eu quero, porque
eu sofri prejuízo. Agora, para os recursos extraordinários não é porque eu quero. Eu posso
até querer, mas eu tenho que ver se na situação específica se houve aqueles requisitos
previstos na CF ou na lei que seja aplicável ao caso.
Pergunta do aluno: é possível dizer que todo recurso constitucional é vinculado também?
(Não sei se é exatamente isso – difícil de entender no áudio)
Resposta: Quase sempre é possível fazer essa vinculação porque normalmente os
recursos de fundamentação livre serão considerados comuns e os de fundamentação
vinculada serão tidos por excepcionais. Via de regra dá para fazer esse paralelo. Pode ser
que a gente tenha uma ou outra situação excepcional que a gente irá adequar à medida
que formas trabalhar recursos em espécie. O mais importante é pensar assim (tipo o
comercial da Skin): por que eu posso apelar? Porque eu quero; Porque eu sofri a
sucumbência. Por que eu vou recorrer para o STF ou STJ (RE ou Resp.)? Aí já não é
porque eu quero, uma vez que quanto ao objeto esses recursos são considerados
excepcionais. É preciso que o caso concreto revele aquele “plus”. Pode ser uma ofensa à
CF, à Lei Federal etc.

Quanto ao momento de interposição:


OBS: Momento de interposição é diferente de prazo. Recurso principal ou adesivo
4. Recurso adesivo: Previsto no art. 500 CPC. Já começa com um problema de
nomenclatura porque quando alguém diz assim: “eu vou aderir a um movimento”

39
pressupõe-se o que nessa fala? Que ela tem comunhão de interesses com aquele
movimento/com aquela coisa a qual se adere. O recurso adesivo foi
impropriamente chamado dessa forma no Brasil e pode despertar algum tipo de
confusão. No entanto, qual é a lógica/ o que está por trás desse dispositivo do art.
500 do CPC? Ele trata das situações envolvendo sucumbência recíproca (para
autor e réu). Se não há sucumbência recíproca não há recurso adesivo.

Art. 500. Cada parte interporá o recurso, independentemente, no prazo e


observadas as exigências legais. Sendo, porém, vencidos autor e réu, ao
recurso interposto por qualquer deles poderá aderir a outra parte. O recurso
adesivo fica subordinado ao recurso principal e se rege pelas disposições
seguintes:
I - será interposto perante a autoridade competente para admitir o recurso
principal, no prazo de que a parte dispõe para responder;
II - será admissível na apelação, nos embargos infringentes, no recurso
extraordinário e no recurso especial;
III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal, ou se for
ele declarado inadmissível ou deserto.
Parágrafo único. Ao recurso adesivo se aplicam as mesmas regras do recurso
independente, quanto às condições de admissibilidade, preparo e julgamento
no tribunal superior.

Ex: No caso concreto há uma sentença julgando parcialmente procedente o


pedido formulado pelo autor. Então digamos que se trate de uma ação de cobrança e que
o autor está pedindo R$ 100.000,00 e que a sentença reconheceu R$ 60.000,00.
Pensando na questão da sucumbência aqui podemos dizer que o autor sucumbiu 40% e
o réu em 60%. Então nesse caso ambos podem apelar. Assim, intimadas as partes nós
poderíamos ter o recurso de apelação do autor + recurso de apelação do réu, cada qual
tentando defender o que lhe interessa no caso concreto. Quando nós temos a
interposição desse recurso prevalece o juízo de admissibilidade prévia e em seguida as
partes serão intimadas para dar resposta (contrarrazões). Como aqui eram dois recursos,
eventualmente nós poderíamos ter duas contrarrazões (a do autor + a do réu). Isso tudo
antes de o processo ser encaminhado ao tribunal. Vencida essa etapa e com o ju ízo de
admissibilidade positivo haveria o encaminhamento para o juízo ad quem;
No entanto, o art. 500 CPC criou a técnica do recurso adesivo para criar uma
lógica de estímulo negativo. Nos casos de sucumbência recíproca imaginou-se que com
essa figura, com a possibilidade de alguém aderir ao recurso alheio, isso funcionaria
como um estímulo negativo. É como se alguém pensasse assim: “não vou recorrer
porque posso desencadear também o interesse da outra parte no recurso”. Assim,
ambos deixariam de recorrer e “aceitariam” a decisão. Como visto, com a sucumbência

40
recíproca ambos podem recorrer, mas imaginem uma hipótese em que apenas o réu
tivesse recorrido. O que o juiz vai fazer? Intimar a parte contrária para oferecer as
contrarrazões. Aí nós vamos ter as contrarrazões do autor. Ocorre que o advogado do
autor pode perceber o seguinte: com o recurso alheio o processo seguirá de qualquer
jeito para o tribunal então vou aproveitar e apresentar conjuntamente com as
contrarrazões o recurso adesivo. Então o recurso adesivo se coloca como um recurso
tardio no seguinte sentido: aquele que não recorreu no início, mas que poderia fazê-lo, na
medida em que ele visualizar o recurso alheio, ele tem uma segunda chance. Vale
ressaltar, no entanto, que essa segunda janela de oportunidades é diferente da primeira.
Então aqui não se fala de prazo, mas sim de momento de interposição do recurso.
A primeira parte de art. 500 do CPC (“Cada parte interporá o recurso,
independentemente, no prazo e observadas as exigências legais”) está falando dessa
primeira janela de oportunidades, que abre para ambas as partes. A segunda parte do
art. 500 CPC (“Sendo, porém, vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer
deles poderá aderir a outra parte”) fala da sucumbência recíproca. O verbo “aderir” deve
ser entendido aqui como “pegar carona”, seguir a oportunidade e não como indicador de
comunhão de interesses; Mesmo aquela parte que não iria recorrer o faz porque o
recurso da outra parte já será encaminhado para o tribunal de qualquer jeito.
De onde surgiu essa figura? Do direito português e alemão. No entanto em
Portugal e na Alemanha a nomenclatura é melhor porque lá eles falam em recurso
subordinado. No Brasil eles rotularam como adesivo e aí parece que o recorrente
adesivo tem o mesmo interesse que o recorrente principal e não é isso; Cada um está
buscando a sua própria sorte. Apenas o que ocorre é que aquele que não recorreu no
início ganha uma segunda chance.
O art. 500 CPC ao dizer que (“O recurso adesivo fica subordinado ao recurso
principal”) indica o quê? Note-se que supostamente quem interpôs o recurso adesivo
apenas foi motivado pelo recurso alheio porque em tese ele estava aceitando a decis ão
originária. Se acontecer de esse recurso não ser conhecido porque não houve
recolhimento de custas ou por qualquer outro defeito, o adesivo também não será
admitido. Isso porque as duas partes já tiveram a oportunidade de interpor o recurso.
Além disso, o prazo para responder o recurso alheio (art. 500, I CPC) é outro prazo,
referente a essa segunda janela de oportunidades. No mesmo prazo de resposta eu
posso apresentar duas peças separadas: 01 para as contrarrazões e 01 para o recurso
adesivo.
OBS: Na prática o recurso adesivo é mais comum nas apelações, muito embora
seja possível em outras hipóteses também (art. 500, II CPC). Além disso, na prática, é
mais comum para as partes que perderam o prazo inicial e/ou que a princípio não
queriam pagar custas e que aproveitam a situação principalmente para pedir aumento de
honorários advocatícios.

PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DA TEORIA GERAL DOS RECURSOS

41
Leitura recomendada: Ronald Dworkin (regras X princípios) à critérios de resolução de
antinomias.
1. Princípio do duplo grau de jurisdição: assegura a possibilidade de reexame das
decisões jurídicas desfavoráveis; Controle dos atos decisórios.
Garantia constitucional? Mero princípio infraconstitucional do Direito Brasileiro? Se
nós entendermos como garantia constitucional é difícil restringir a interposição de
recursos. É uma cláusula essencial do devido processo legal? A
doutrina/jurisprudência brasileira diverge sobre o tema.
Obs: Pacto San José da Costa Rica (Direitos Humanos) – art. 8º9
STF: os tratados internacionais são normas supralegais. Assim, coloca o segundo
grau de jurisdição como um princípio supralegal.
Professor acredita que é um princípio infraconstitucional que comporta
relativização.
Novo CPC: debate sobre a aplicação de efeito suspensivo à apelação.
Consequência da retirada desse efeito: posso recorrer, mas já sofro os efeitos da
sentença; Ela é auto-executável (a parte não tem como “ganhar tempo”). A própria
Câmara não quer que o efeito suspensivo da sentença seja retirado.
9 ARTIGO 8 – Pacto San José da Costa Rica
Garantias Judiciais
1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo
razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente
por lei, na apuração de qualquer acusação pena formulada contra ela, ou para que se determinem
seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.
2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não
se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena
igualdade, às seguintes garantias mínimas:
a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por tradutor ou intérprete, se não
compreender ou não falar o idioma do juízo ou tribunal;
b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada;
c) concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para a preparação de sua
defesa;
d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de
sua escolha e de comunicar-se, livremente e em particular, com seu defensor;
e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado,
remunerado ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio nem
nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei;
f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presente no tribunal e de obter o
comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz sobre
os fatos.
g) direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; e
h) direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior.
3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza.
4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não poderá se submetido a novo
processo pelos mesmos fatos.
5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os
interesses da justiça.
42
Novo CPC: tendência de manter o duplo grau de jurisdição, mas buscar inibir o uso
abusivo dele.
Pontos positivos:
• Segurança jurídica: a partir da possibilidade de revisão haveria uma maior
adequação da decisão judicial (tribunal colegiado, com juízes mais
experientes e que ascenderam na carreira por mérito: mais debate,
decisões qualitativamente melhores, possibilidade de correção de decisões
proferidas de má-fé).
Críticas:
• Jacques Derrida (autor francês): “desconstrutivismo no discurso jurídico”.
Debate radical: coloco em xeque mesmo as “verdades” mais óbvias (ex: lei
da gravidade). Você “tensiona” os argumentos; Os testa. De fato a questão
da segurança jurídica é verdade na prática? Ela tem que ser pensada como
princípio estruturante da sociedade e não simplesmente do meio jurídico.
Será que as indefinições/mudanças no processo não geram maior
insegurança? (Ex: sentença favorável cassada pelo tribunal superior).
Tribunais colegiados de fato geram mais debate? Art. 55710 – possibilidade
de decisão monocrática do relator (a exceção está virando regra). Hoje
residualmente nós temos julgamentos colegiados. E mesmo nos
julgamentos colegiados o debate é muito reduzido. Nós trocamos o
subjetivismo de um grau pelo o do outro. Hoje o TST trabalha muito com
julgamento por extensão, por exemplo; Assim chega a julgar até 8.000
processos em uma tarde. Outra questão: o juiz mais experiente julga
necessariamente melhor? No ponto de vista científico não é possível fazer
esse prognóstico.

OBS: Próxima aula: continuação dos princípios

Aula do dia 09/09


3)PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DA TEORIA GERAL DOS RECURSOS (continuação)

10 Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente,


prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do
Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior.
§ 1o-A Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência
dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao
recurso.
§ 1o Da decisão caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o julgamento do
recurso, e, se não houver retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo voto; provido o
agravo, o recurso terá seguimento§ 2o Quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o
tribunal condenará o agravante a pagar ao agravado multa entre um e dez por cento do valor corrigido da
causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor.
43
> PRINCÍPIO DO SINGULARIDADE (OU UNIRRECORRIBILIDADE)

- Consagração explícita no CPC de 1939 (art 809) de modo que a parte não poderia
"usar ao mesmo tempo, de mais de um recurso"

Na legislação antiga constava uma regra didática onde a parte não poderia "usar ao
mesmo tempo, de mais de um recurso". Então, esse princípio aponta que para cada
decisão judicial haverá apenas 1 recurso cabível. O problema é que quando a gente fala
dessa lógica de unirrecorribilidade a gente pressupõe um sistema processual
suficientemente claro a ponto de evitar qualquer tipo de confusão, mas na prática, por
questões de dubiedade das palavras ou então diante de lacunas constante no
ordenamento, aí esse princípio cederá espaço para o PRINCÍPIO DA FUNGIBIIDADE.
Quando a gente olha esses 2 princípios podemos considerar que há um conflito entre
eles, só que dentro daquela lógica prepositiva de Dworking a antinomia dos
princípios é apenas aparente, então, para a maior parte das situações concretas
prevalecerá o princípio da unirrecorribilidade. Apenas alguns casos usaremos o
princípio da fungibilidade, este por sua vez aponta uma leitura totalmente diversa porque
ele permite aceitar o recurso erroneamente interposto como se correto fosse.

>> Princípio da Unirrecorribilidade - um só recurso


>> Princípio da Fungibilidade - Nos casos de dúvida subjetiva, no caso dos recursos
erroneamente interposto como se correto fosse.

- CPC adotava o critério finalístico, a partir da classificação do art 162 do CPC


("pedra de toque" do sistema recursal/CARMONA)

Se formos considerar o princípio da unirrecorribilidade, onde há apenas um único recurso,


nós estamos estabelecendo um sistema processual que contém uma classificação dos
atos decisórios absolutamente claros. Por conta disso, a doutrina considera esse princípio
a "pedra de toque" do sistema recursal porque o art 162 11 trata da classificação dos atos

11 Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos.


§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei.
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a
cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser
praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessários.
44
decisórios identificados no rol do 267 12 e 26913. No art 51314 diz que na sentença caberá
apelação, ai voltando para o art 162, §2º " Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no
curso do processo, resolve questão incidente.". Então, temos a seguinte classificação,
onde se percebe o princípio da unirrecorribilidade, ou seja, para cada decisão caberá um
recurso.

:> Sentença: situações previstas nos arts. 267 e 269


>> Decisões Interlocutórias: situações que não estão arroladas nos art 267 e 269 -> cabe
AGRAVO

- Alteração do conceito de sentença (lei 11232/05)


Essa lei trabalhou a execução dos títulos executivos judiciais e ela inaugurou o conceito
de cumprimento de sentença para os títulos judiciais. Essa lei permitiu que se fale em
PROCESSO SINCRÉTICO e, por conta de várias outras alterações, foram alterados
também os arts. 267 e 269 do CPC. Antes de 2005 era comum conceituar sentenças pela
sua CONSEQUENCIA. Se vocês verificarem as edições dos manuais de processo mais
antigos, normalmente, os autores apontavam que a "sentença é o ato que extingue o
processo, com ou sem a resolução de mérito", então, eu não estou apontando o que é
sentença, mas qual a consequência que ela gera (aspecto finalístico). Então, esse
aspecto finalístico foi SUBSTITUÍDO por uma lógica de IDENTIFICAR O CONTEÚDO DO
ATO DECISÓRIO.
12 Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005)
I - quando o juiz indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;
III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor abandonar a causa por mais de 30
(trinta) dias;
IV - quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do
processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada;
Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das
partes e o interesse processual;
Vll - pela convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996)
Vlll - quando o autor desistir da ação;
IX - quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal;
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 1o O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o arquivamento dos autos, declarando a extinção do processo, se a
parte, intimada pessoalmente, não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao no II, as partes pagarão proporcionalmente as custas e, quanto ao
o
n III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e honorários de advogado (art. 28).
§ 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de
mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe
caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento.
§ 4o Depois de decorrido o prazo para a resposta, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da
ação.
13 Art. 269. Haverá resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005)
I - quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
II - quando o réu reconhecer a procedência do pedido; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
III - quando as partes transigirem; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
V - quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação.
14 Art. 513. Da sentença caberá apelação (arts. 267 e 269).
45
- Problema dos atos decisórios identificáveis no rol dos arts 267 e 269 do CPC;
possibilidade de sentenças parciais?
Se fizermos uma leitura desses artigos atualmente veremos as hipóteses em que se dará
a ocorrência de sentença sem resolução de mérito (art 267) e com resolução de mérito (art
269). Portanto, sentença deixa de ser trabalhada pelo seu aspecto finalístico e passa a
ser trabalhada com um aspecto conteúdista.

EX1: Reconhecimento de Legitimidade passiva

Em termos práticos, isso acarreta o seguinte caso concreto. De acordo com o art 267, VI:
"quando não ocorrer qualquer das condições da ação como a possibilidade jurídica, a
legitimidade das partes e o interesse processual;" haverá extinção do processo sem
resolução de mérito. Numa hipótese de litisconsórcio passivo, o juiz ao receber a petição
inicial, considera um dos réus como parte ilegítima. Então, o juiz diz: "Diante da
ilegitimidade passiva de C, extinguo o processo sem resolução de mérito EM RELAÇÃO à
ELE". Esse ato decisório, do ponto de vista da classificação atual do CPC, se identifica
como sentença. O problema é que é apenas uma sentença PARCIAL pq o processo
SEGUIRÁ ADIANTE EM RELAÇÃO AOS OUTROS SUJEITOS DO PROCESSO.

O que são sentenças parciais? É um ato decisório cujo o conteúdo se identifica com a
regra do art 267 ou do 269. Mas apesar de ser uma sentença parcial, apesar do recurso
cabível ser a apelação, para manter uma coerência do sistema recursal, a gente tem uma
decisão agravável. Então, depois da lei 11.232, o STJ passou a entender que para
esses casos nós temos que entender aí o cabimento de AGRAVO DE
INSTRUMENTO.

A possibilidade de sentenças parciais no sistema pode causar uma quebra dessa lógica
que o princípio da singularidade quis apontar, pois, a partir disso, questiona-se sobre qual
é o recurso cabível. Por que? Porque se houver interposição de apelação, todo o
processo será levado para a análise do tribunal e isso inclusive prejudicará os
demais figurantes que permaneceram na relação processual. Mas, quem olha do
ponto de vista da regra do art 267, não vai ter nenhuma dúvida em afirmar que o processo
chegou ao fim para aquele que foi excluído. Com isso, foi flexibilizado a lógica trazida pelo
princípio da singularidade porque, apesar dele funcionar como uma diretriz para a maioria
de casos, ele não era aplicado para os casos com dúvida objetiva. Para estes casos,
aplica-se o princípio da fungibilidade.

EX2: O autor formula vários pedidos. O juiz deve conhecer prescrição de ofício (art 219,
§5º15) e reconhece que um dos pedidos está prescrito e declara a prescrição em relação a

15 Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando
ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
§ 5º O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição.
46
alguns pedidos. Qual a natureza jurídica desse ato decisório q reconheceu a
prescrição de um dos pedidos? De acordo com o art. 269, IV, a prescrição extingue o
processo com resolução de mérito. Mas, o pronunciamento pela prescrição, ainda que
parcial, se enquadra como sentença. Então, se for assim, qual o recurso cabível? Na
verdade, como dito antes, à medida que ocorre a apelação contra este ato decisório, se
quebra um pouco a lógica do sistema porque haverá uma apelação que levará TODO
o processo para o tribunal, paralisando inclusive os pedidos que não foram
julgados.

Então, essa lei veio para aperfeiçoar o processo de execução dos títulos judiciais, mas
como eles tinham a intenção de aperfeiçoar a tutela executiva, eles acabaram, na
verdade, mudando o conceito legal de sentença e despertando um problema sério nessa
lógica da singularidade. Na verdade, a gente pode inclusive pensar pela lógica de quem
está ou quem foi excluído do processo. Voltando ao primeiro exemplo, qual a natureza
jurídica desse ato decisório? Para quem fica no processo é uma mera decisão
interlocutória, mas para quem foi excluído, trata-se de sentença. Então, começo a
quebrar a lógica q para cada tipo de decisão há um só recurso cabível. O exemplo
dois também se encaixa aqui porque quando o juiz quebra a sentença ao adiantar a
prescrição ou decadência, que normalmente é vista como uma decisão prolatada numa
fase mais adiantada do processo, ele está realizando uma sentença parcial.
Aparentemente, está julgando apenas um dos pedidos e isso podia levar o processo como
um todo para o tribunal.

- Julgado do STJ deliberando pelo uso de agravo de instrumento, mesmo no caso que
exclui litisconsorte (STJ, REsp. 645.388-MS. Rel. Min. Hélio Q. Barbosa)
Processo

REsp 645388 / MS
RECURSO ESPECIAL
2004/0029113-0
Relator(a)

Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA (1127)


Órgão Julgador

T4 - QUARTA TURMA
Data do Julgamento

15/03/2007
Data da Publicação/Fonte

DJ 02/04/2007 p. 277
Ementa

47
RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO CABÍVEL. FUNGIBILIDADE.
EXCLUSÃO POR ILEGITIMIDADE. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. AGRAVO DE
INSTRUMENTO.
1. "(...) I - O ato pelo qual o juiz exclui litisconsorte tem
natureza jurídica de decisão interlocutória, sujeita, portanto, a
interposição do recurso de agravo. II - não se admite o princípio da
fungibilidade recursal se inexistente dúvida objetiva na doutrina e
na jurisprudência a respeito do cabimento do recurso na espécie.
Inaplicável, ademais, referido princípio, em virtude do recurso
inadequado não ter sido interposto no prazo próprio" (REsp
164.729/SP, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira).
2. Ainda que observadas as alterações produzidas no Código de
Processo Civil pela Lei n. 11.232/2005, máxime a redação dada ao §1º
do artigo 162, percebe-se que o legislador manteve a referência às
decisões extintivas do processo, com ou sem a resolução do mérito.
Todavia, o que se verifica na espécie, como fartamente destacado, é
a continuidade do feito; daí, porque, o manejo do recurso de
apelação, ao invés do agravo de instrumento, não autoriza a adoção
da fungibilidade recursal, porque consubstancia erro grosseiro.
3. Recurso não conhecido

> PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE


- Com a lei 11.232/05 o princípio da singularidade passou a ser RELATIVIZADO por
conta dessas hipóteses de decisões parciais, pois hoje elas são vistas pelo seu aspecto
conteúdista. Então, quando a gente pede um processo judicial, normalmente, não vem
escrito q é uma sentença. Normalmente, está escrito "visto os autos e examinado x,y...".
Isso é uma decisão, apesar de não estar escrito. Além disso, eu tenho que saber a
natureza jurídica daquele ato decisório se eu quiser interpor o recurso cabível. Só
que essa lei passou a admitir o conceito de sentença parcial, o que complica a nossa
vida. Isso foi modificado porque a doutrina da época considerou que a sentença
deveria ser definida pelo seu conteúdo, e não, por seu aspecto finalístico (O
professor considera essa crítica procedente, mas que isso acabou bagunçando o sistema
recursal).

Então, via de regra: um só recurso para cada decisão. Se houver dúvida subjetiva - que
não é uma dúvida de índole particular, que não é uma dúvida de um doutrinador específico,
mas sim, nesses casos em que a própria doutrina e a jurisprudência chegam à um
consenso - seria uma grande sacanagem o órgão julgador apenas julgar o que considera
cabível. Então, a gente tem uma COMPLEMENTARIEDADE entre os dois princípios. O
princípio da fungibilidade é aplicado para essas situações de dúvida objetiva. Se eu
tenho alguma dúvida do q fazer no caso concreto, então eu tenho que estudar mais.
Agora, se eu for estudar a situação e vejo que não há consenso nas doutrinas e
48
jurisprudência, então, eu uso o princípio da fungibilidade. Que funciona como uma
técnica de salvamento, na prática. Qual é o conceito? É salvar o recurso erroneamente
interposto como se fosse o correto, para que em última análise, permitir o exame da
questão material q esteja subjacente ao caso. Com isso, foi flexibilizado a lógica trazida
pelo princípio da singularidade porque, apesar dele funcionar como uma diretriz para a
maioria de casos, ele não era aplicado para os casos com dúvida objetiva. Para estes
casos, aplica-se o princípio da fungibilidade. Logo, não vai importar qual é o entendimento
do órgão julgador pois, se há dúvida objetivo, então não conhecer o recurso interposto
porque eu acho como correto algum outro é uma grande injustiça.

Esse princípio está expressamente previsto no CPC de 39, mas se vocês checarem o
CPC 73 ele define com mais clareza as regras. De fato, essas regras são colocadas de
maneira bem taxativa, o problema é que existem situações limítrofes que apresentam
dúvidas sobre a própria natureza jurídica do ato decisório.
Exemplo: Incidência de falsidade documental

Quem oferece um incidente de falsidade vai arguir que o documento é falso e o juiz vai
decidir essa decisão incidental. Essa decisão ela não se enquadra nos rols dos art 267 e
269. Então, não há a menor dúvida q a decisão q julga o incidente de falsidade é
apenas uma decisão interlocutória. Mas, a situação se complica quando eu analiso art
39516 do código porque eu posso ficar com dúvida, no entanto, não é sentença, é decisão
interlocutória. Então, percebam que por conta dessa integridade da lei, dessa falta de
integridade do sistema jurídico, quem trabalha com a interpretação literal do art 395 e
queira recorrer uma decisão como essa pode interpor uma apelação, mas quem fizer a
leitura pelo art 162,§ 1º17 vai interpretar que é apenas uma questão incidental e vai
interpor um AGRAVO. Quando se analisa os julgados do STJ, você percebe que há
casos em que a parte interessada se insurgiu via apelação e outros que se insurgiu via
agravo. Para esses casos que podemos enxergar como dúvida objetiva.

Pergunta: Mas esse caso específico é pacífico entender que o princípio da fungibilidade é
aplicável?

Professor: Todo caso que podemos compreender como uma hipótese de dúvida
objetiva, ele tem um tempo em que a dúvida se coloca e aquela dúvida tem q se
pacificar num sentido ou outro. Essa dúvida do exemplo, eu diria que ainda se aplica a
técnica de fungibilidade, agora a tendência q tem sido pacificada é pelo cabimento do
agravo. Mas se você perguntar isso daqui a 10 anos, creio que não se aplicará mais o
princípio da fungibilidade porque à medida que há a integralidade do sistema, a técnica da
fungibilidade deixa de ser importante. Só que a gente não pode ter a ingenuidade de crer

16 Art. 395. A sentença, que resolver o incidente, declarará a falsidade ou autenticidade do


documento.
17 Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos.
§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei
49
que novos casos não surgiram. Por exemplo, a lei de falência diz "a sentença que decreta
falência (...)" quem vai estudar o processo falimentar a decisão q decreta a falência não
termina pelo processo alimentar, pelo contrário, ela começa por conta do processo
alimentar. Se o juiz decreta a falência a partir daí passa a ser um monte de coisa
(Arrecadação da massa falida, habilitação dos credores etc). Então, essa lei é
relativamente recente e ela cometa uma impropriedade chamando de sentença uma
decisão interlocutória que inaugura o processo alimentar. Caso o falido queira recorrer,
qual é o recurso q ele poderá se valer? Agravo. Mas é absurdo ele usar apelação? Não,
porque se ele trabalhar pela redação do texto ele poderia seguir com aquele outro recurso
e para isso é aplicável a técnica fungibilidade.

ex: Problema recente de parametrização (Lei federal e CF/88 tratam do mesmo tema
como direito adquirido, coisa julgada, ato jurídico perfeito)

Eu tenho um acórdão no tribunal que negue vigência a ato jurídico perfeito. Qual é o
recurso a ser interposto? Especial alegando ofensa à lei federal ou extraordinário
alegando q houve ofensa À constituição? Talvez ambos, mas para essas situações é
possível aplicar o princípio da fungibilidade. Os casos que atualmente temos pela via
de salvamento do princípio de fungibilidade talvez daqui a 10 anos eles não sejam mais.
Então, À medida que o sistema evolui e novas leis vão surgindo, há a possibilidade
de aplicação dessa técnica porque ela é uma técnica de salvamento/residual.

- Hipóteses que podem ensejar aplicação do princípio da fungibilidade em matéria


recursal:
O art. 17 da Lei n. 1.060/1950 dispõe que “caberá apelação das decisões proferidas em
conseqüência da aplicação desta lei”. Então, quando alguém vai a juízo e pede assistência
judiciária gratuita obriga que o juiz profira uma decisão interlocutória acolhendo ou
indeferindo o pedido. Qual é a natureza jurídica desse ato q indefere a assistência
judiciária? Eu não consigo identificar esse ato no rol dos arts 267 ou 269, então, não é
sentença, é uma simples decisão interlocutória. Até porque se a parte recolher as
custas, não há nenhum problema de seguir o processo. Então, apesar de considerarmos
que é um caso de decisão interlocutória, o texto da lei diz que cabe apelação. Aí,
quando se faz pesquisa de jurisprudência, vocês vão ver que alguns operadores seguiram
a lógica literal do art 17 e pediram apelação e outros que seguiram a lógica do art 162 do
CPC e interporam agravo. É para isso q o tribunal tem que ter a complacência de
aceitar qualquer que seja o recurso interposto, ainda q o tribunal no íntimo
considere que é o outro.

QUAL É A PREMISSA QUE PERMITE A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA


FUNGIBILIDADE? OCORRÊNCIA DE DÚVIDA OBJETIVA, QUE É AQUELA
PRESENTE NA JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. Se for uma dúvida pessoal, vai ser
considerado que houve uma violação do princípio da unirrecorribilidade e terá q sofrer as
consequências desse não saber.
50
> PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS

- Consagração implícita deste princípio e seu conceito de que o recorrente não


poderá ser prejudicado por força do “próprio” recurso;
O nome do princípio já é elucidativo, mas eu tenho q considera-lo como um todo porque,
se eu abreviar, eu vou chegar numa lógica oposta do q ele busca garantir. Então, esse
princípio protege o seguinte: Quem interpõe um recurso é porque está diante de uma
situação que gerou sucumbência e está buscando uma decisão mais favorável.
Portanto, seria muito injusto que a parte q interpõe um recurso tivesse a sua
situação piorada/ agravada, ou seja, que a parte sofresse um gravame por força do
exame do seu próprio recurso. Então, o PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO
IN PEJUS é um princípio IMPLÍCITO do nosso sistema recursal q garante que, por força
de interposição do próprio recurso, que a parte não tenha agravada a sua situação, em
outras palavras, que a parte não venha sofrer um gravame maior do q aquele q já foi
imposto.

PERGUNTA: E quando as duas partes querem interpor um recurso?

Professor: Se eu tenho uma decisão que gerou sucumbência recíproca (as duas partes do
processo recorreram) é natural q eu tenha 2 recursos e o tribunal possa perfeitamente
dar provimento a 1 recurso q vai gerar reflexo na situação alheia. Para esses casos
haverá ofensa À esse princípio? NÃO, porque apenas pela força do PRÓPRIO
recurso a parte não poderá ter sua situação agravada, mas nada impede que isso
ocorra por conta do provimento do recurso alheio.

PERGUNTA: Mas (não entendi a pergunta)

Professor: Sim, quando houver os 2 recursos, eles vão ser distribuídos lá no tribunal por
uma mesma relatoria (até porque estão acumulados no mesmo processo) e nos teremos
um julgamento simultâneo de ambos. Espera-se q o tribunal tenha o mínimo de coerência.
Na maioria das vezes acaba sendo prejudicial para o recurso alheio.

PERGUNTA: E no caso do recurso adesivo também permite isso?

Professor: Também porque você continua falando na proteção do princípio porque por
força do PRÓPRIO recurso é que não poderá ter uma situação agravada e nada
impede q isso ocorra por conta do provimento do recurso alheio.

- Aplicação, inclusive, na esfera do reexame necessário (Súmula 45 do STJ18);

18 Súmula 45 do STJ "No reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a condenação imposta à Fazenda
Pública."
51
Então, esse princípio ele é aplicável aos recursos, mas, vimos no início do semestre, que o
instituto do reexame necessário ou da remessa obrigatória (utilizado em casos em q a
fazenda pública esteja sofrendo sucumbência em uma sentença, então, ela não terá
eficácia até passar pelo crivo do tribunal ad quem) não é recurso porque ele é
compulsório/automática e recurso é automático.

Então, se questionou, num primeiro momento, se o princípio da proibição da


reformatio in pejus era aplicável no reexame necessário mesmo ele não sendo
recurso. Mas tem q pensar assim: Qual é a lógica do reexame necessário? Evitar que a
fazenda pública venha a sofrer prejuízo em certas decisões equivocadas. Então, esse
instituto está em favor da fazenda pública, então, quando há este instituto, o tribunal no
máximo mantém a decisão contrária a fazenda, mas faz sentido que conhecendo o
reexame ele decida por agravar a situação da fazenda pública. Aí, depois de muita
discussão, o STJ editou a súmula 45 que diz q o princípio da proibição da reformatio
in pejus é também aplicável no reexame. Em que medida? Quando há o reexame, o
tribunal escolhe uma das opções: ou ele caça a sentença prejudicial à fazenda pública ou
ele mantém como ela estava. Mas o que ele não pode fazer? ele não pode
agravar/piorar o estado de sucumbência q estava ali colocada porque aí o instituto
estaria sendo deturbado porque, em tese, ele é para beneficiar a coletividade que,
em última análise, responde pelos prejuízos q a fazenda venha a sofrer.

OBS: NÃO CONFUNDAM O PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS


COM O PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO BENÉFICA AO RÉU (IN DUBIO PRO REO).
PORQUE O PRIMEIRO É APLICÁVEL PARA O RECORRENTE, POUCO IMPORTANDO
QUEM ELE SEJA AUTOR OU RÉU.

Por fim, vale ressaltar, q o princípio da proibição da reformatio in pejus, por ser um dos
princípios informativos da teoria geral dos recursos, é aplicável ao cenário dos processos
judiciários e não necessariamente no cenário dos processos administrativos. Quando
a gente fala de proc. adm, seja aquele q tenham a regência da lei 9.784/99 [...]a atividade
administrativa como um todo é pautada no princípio da estrita legalidade, por isso, os
manuais de dto adm dizem que a administrar é aplicar a lei por ofício. Então, o
administrador público não tem opção, em tese, só há uma opção a ser considerada. O
reflexo desse raciocínio é o seguinte: Numa hipótese de processo administrativo
disciplinar movido contra determinado servidor. Após instalado a sindicância e o processo
administrativo disciplinar, seja aplicado a este servidor uma penalidade de puxão de
orelha. Caso ele queira recorrer da decisão, o administrador, como ele não tem
opção valorativa (atividade estritamente vinculada a ponto de haver apenas uma lei
de regência da situação concreta), mas se aquela penalidade foi aplicada de maneira
equivocada, o recurso dele poderia ser considerado inclusive para uma situação de
maior agravamento da pena como, por exemplo, uma exoneração do serviço público
ou algo muito mais grave. Então, em vez de puxão de orelha, uma suspensão de 90
dias, por ex.
52
Então, o que eu quero dizer o seguinte: PARA O PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR VOCÊS DEVEM CONSIDERAR QUE EM PRINCÍPIO NÃO SE APLICA O
PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS. Por que? Porque a atividade
administrativa é estritamente vinculada e, por isso, só há uma lei regente ao caso
concreto. Isso poderia implicar, eventualmente, uma situação de agravamento por conta
do recurso recorrente.

obs: A lei 9.784/99 é aplicada em âmbito federal, já no âmbito estadual alguns


Estados fizeram leis similares, assim como alguns municípios, mas a maioria não
têm. O art 64 da lei 9.784

No entanto, existem leis de processo administrativo disciplinar que CONTEMPLAM uma


garantia similar ao do processo judicial. Por exemplo, o art. 64 da lei 9784/99 diz "O
órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou
revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua
competência". Vamos nos ater no verbo modificar. O órgão responsável pela análise do
recurso administrativo pode modificar, ou seja, em tese pode existir um agravamento
da decisão imposta anteriormente. Então, no âmbito há esse dispositivo que afasta a
aplicação do princípio da reformatio in pejus. Mas é possível que a lei de regência de
uma corporação, por ex., a PM, apresentasse uma lei de regência mais garantista
encapando a lei federal? Sim, desde que a gente compreenda essa lei dentro do
âmbito da concorrência dada aquele ente.

NÃO CONFUNDIR: o princípio da proibição da reformatio in pejus não é aplicável ao


processo administrativo, mas eu não estou dizendo q não seja aplicado ao
processo judicial envolvendo matéria administrativa. Existe muita diferença pois eu
posso ter um processo judicial que só envolva a matéria administrativa como, por ex.,
servidor público. Existe um monte de leis que falam sobre só sobre matéria administrativa
e o servidor público pode estar discutindo seus direitos em juízo. No âmbito do
processo, se ele recorre de uma decisão, aí não se pode pela via do recurso q ele
interpôs, piorar/agravar a sucumbência q ele sofreu. Se é processo administrativo
FORA do judiciário então aplica-se o princípio de estrita legalidade e o art 64 da lei
9784/99.

> PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE

- Desdobramento do princípio do contraditório e da ampla defesa.


O princípio da ampla defesa é analisado no sentido de que a parte poder ser ouvida em
juízo, então, o princípio da dialeticidade é só um desdobramento disso aplicado no âmbito
da teoria geral dos recursos. Isso implica em dizer que, em termos práticos, todas as
vezes que uma pessoa recorre, então, deve ser assegurado o direito da parte contrária
oferecer contrarrazões de recurso ( ela pode oferecer as suas razões pela manutenção
53
da decisão judicial e, provavelmente, pedir a cassação ou reforma de uma decisão).
Então, a parte ouvida tem a faculdade de se manifestar (não é obrigatório) e oferecer
as suas contrarrazões de recursos. Em outras palavras, esse princípio da
dialeticidade garante que a outra parte seja ouvida na forma de CONTRARRAZÕES
DE RECURSOS.

Qual o prazo das contrarrazões? Por questões de isonomia, é o mesmo prazo dado ao
recorrente. O art. 508 do CPC atual diz que o prazo para responder o recurso é de 15
dias, igual ao prazo dado para se recorrer na maioria dos casos elencados.

Art. 508. Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordinário, no recurso


especial, no recurso extraordinário e nos embargos de divergência, o prazo para
interpor e para responder é de 15 (quinze) dias.

É importante apontar que o art 508 apresenta 2 núcleos verbais: "para interpor"
"responder recurso". É claro que tem que se manter a simetria com prazos distintos nos
casos de exceção com prazos distintos.

- A exceção dos embargos de declaração (CPC, art. 53719), que dispensam a


manifestação do “embargado”.

Os Embargos de declaração são EXCEÇÃO ao princípio da dialeticidade. O art 537 do


CPC diz que interpostos os embargos de declaração, os autos irão diretamente seguir à
conclusão para a análise do juiz responsável, ou, se eles forem apresentados em tribunal,
eles serão apresentados em mesa. O que esse artigo contempla? No caso de embargo
de declaração não se fala em CONTRARRAZÕES DE EMBARGO, não se garante a
oitiva do embargado, logo, não se dialeticidade nesses casos.

Mas porque nesse caso o legislador dispensou a manifestação da parte contrária?


1) Porque há interesse das duas partes no aperfeiçoamento da tutela jurisdicional.

Espera-se que aquilo seja um problema que cresce há anos. Se eu falo que a decisão é
obscura, contraditória ou que há um ponto omisso, então, na verdade, essa situação
apresenta problema para ambos as partes. Então, ninguém iria resistir ao aperfeiçoamento
da lógica processual, visto que, a lógica dos embargos é aperfeiçoar a decisão e ninguém
em tese quer ser contrário a essa premissa

2) Quem tem q julgar é o juiz, de modo que o embargado não exatamente iria
contribuir.
Quem tem que esclarecer o ponto omisso é o juiz, (não entendi) seria a oitiva do
embargado. O embargado não teria muito para contribuir com o reparo

19 Art. 537. O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias; nos tribunais, o relator apresentará os
embargos em mesa na sessão subseqüente, proferindo voto.
54
Pergunta: No caso dos embargos declaratórios, a parte prejudicada não poderia requerer
a multa ou só poderia ser aplicada de oficio?

Professor: A doutrina costuma compreender que a multa do art 538 é aplicada de ofício. A
parte pode até atravessar uma petição para informar q a outra parte passou dos limites,
mas essa petição não é ela q vai ser determinante para a aplicação da multa desse artigo
porque é o juiz que pode considerar a conduta improba e aplicar de ofício. A parte pode
até pedir, não há problema, mas ele não é determinante, assim como os demais
casos de litigância de má-fé.

> PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIEDADE


Em princípio, a gente sempre considera que a interposição do recurso gera uma
preclusão, ou seja, a parte tem a oportunidade de recorrer e depois que faz uso dessa
prerrogativa ela exerceu o seu direito e não é dado uma segunda chance para completar
ou aditar a peça recursal porque o processo civil trabalha num modelo de modelo (quem
praticou o ato, praticou. Satisfatório ou não, aquela oportunidade se fecha. No entanto,
em alguns casos concretos, a jurisprudência teve que aceitar certos casos em que a
parte teve oportunidade de complementar ou aditar recurso já interposto.

Ex: Imagine que uma sentença tenha sido proferida, publicada e intimado as partes. No
prazo recursal, uma delas interpõe embargos de declaração (prazo de 5 dias) e a outra, q
não viu nenhum defeito naquele ato decisório, desde logo interpôs apelação (15 dias).
Esses recursos têm prazos diferentes, mas isso não é um problema para o processo
eletrônico (porque quando eu for "postar" a minha apelação e vejo que já existe um
embargo de declaração da outra parte, eu vou esperar q ele seja decidido), no entanto, as
coisas se complicam no processo físico porque se eu for ao fórum após o prazo de 5 dias
e pergunto se há algum embargo de declaração e recebo uma resposta negativa do
funcionário. Mas, na verdade, os embargos estão esperando a juntada em um lugar que
não foi inicialmente localizado. O QUE ACONTECE NESSE CENÁRIO? O embargo
consiste em algum esclarecimento e pode ser que eles resultam em alguma
modificação na decisão originária, por conta disso, aquele que precipitou o seu
recurso terá uma chance de aditar as suas razões e esse aditamento é norteado por
esse princípio da complementaridade.

Nelson Nery Jr que primeiro escreveu sobre esse princípio e a doutrina como um todo
assimilou essa ideia.

Pergunta: Mas esse aditamento está vinculado ao embargo de declaração?

Professor: Só é possível esse aditamento de razões nos casos em que ocorreu uma
mudança na decisão originária.

55
- Assimetria em matéria de prazo
Destaco que esses casos podem ser mais recorrentes nos casos de assimetria de prazo.

ex: Utilizando o mesmo exemplo anterior, mas vamos considerar a hipótese q


determinado particular está sendo demandando pelo MP. Por ex, ação de improbidade
administrativa e o MP como parte ajuizou essa ação contra o réu.
Foi proferida a sentença, publicada e as partes intimadas. Mas o advogado particular é
intimado via diário de justiça e o MP detém a prerrogativa de chamadas pessoais (art 236,
§2º20), ou seja, não há o mesmo tempo a quo para os dois lados. Então, a parte q foi
intimada antes interpõe apelação e depois o MP é intimado através das prerrogativas
dadas pelo art 263, mas os prazos da parte já se exauriram. Então, o MP interpõe
embargos de declaração e eles são acolhidos e a outra parte pode aditar o seu
recurso.

PROBLEMA: O problema com esse princípio é se ele é bem aceito ou não, mas sim, qual
o prazo para ser realizado esse aditamento pois há divergência entre a doutrina e
alguns julgados. A confusão existe porque não há tratamento legal sobre a matéria e
alguns autores defendem que o prazo para aditar seja o mesmo prazo que ele tinha para
recorrer, mas há alguns julgados apontando que para esse cenário deve ser usado o
prazo dado no art. 18521 do CPC (Quando a lei não prevê prazo específico, o prazo será
de 5 dias)

Pergunta: E se inicialmente ocorreu revelia e, posteriormente, o embargo de declaração


foi provido?
Professor: Tem que se considerar que nos casos de revelia geralmente se tem aquela
fluência de prazos independentemente de novas intimações. Então o art. 32222 coloca
essa situação, portanto, você estaria falando de um réu revel que compareceu no processo
e está representado pelo advogado e então ele tem direito de ser intimado nos atos
específicos. Não terá nenhum problema se o revel interpuser algum embargo de
declaração. É isso que você está perguntando?

Pergunta: Então, mudando agora a pergunta...se, por exemplo, eu não apelo no prazo de
15 dias e o MP, posteriormente, interpõe embargo declaração q é provido pelo juiz...só q
eu não apelei, meu direito precluiu, mas agora tenho interesse em interpor recurso por
conta dessa modificação causada pelo provimento do embargo de declaração.

20 Art. 236. No Distrito Federal e nas Capitais dos Estados e dos Territórios, consideram-se feitas as intimações
pela só publicação dos atos no órgão oficial.
§ 2o A intimação do Ministério Público, em qualquer caso será feita pessoalmente.
21 Art. 185. Não havendo preceito legal nem assinação pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática de
ato processual a cargo da parte.
22 Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono nos autos, correrão os prazos independentemente de intimação,
a partir da publicação de cada ato decisório. (Redação dada pela Lei nº 11.280, de 2006)
Parágrafo único O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se
encontrar.
56
Professor: Isso se encaixa no q vamos falar na próxima aula que é sobre os efeitos dos
recursos. Seu exemplo é um caso do efeito interruptivo e decorre do caput do art 538
do CPC q diz o seguinte " Os embargos de declaração interrompem o prazo para a
interposição dos recursos seguintes". No exemplo que eu dei uma das partes não
sabia o que uma das partes acabou fazendo, é um caso de HIPÓTESE DE CASUÍSMO
(Cada parte adotou um comportamento e isso gerou um recurso precipitado). Então, eu
tenho q ir para a teoria geral do processo e relembrar sobre qual a diferen ça entre
interromper prazo e suspende-lo.

Na interrupção de prazo, quando o fator de interrupção é cessado, a nova contagem


se dará do zero/do início, ou seja, a nova contagem se dará por inteiro. Se eu falo em
suspensão, terminada a suspensão, volta a ser contado o prazo pelo período
remanescente. Então, para responder a sua pergunta: A parte que não tinha recorrido,
mas que viu o seu adversário interpor o embargo de declaração, essa parte sabe que o
prazo recursal está interrompido e depois de julgado os embargos de declaração, ela terá
uma nova chance por inteira porque os embargos INTERROMPEM OS PRAZOS PARA
QUALQUER DAS PARTES. Então, alguém q não tenha recorrido, mas viu q o seu
adversário interpôs embargo intempestivo, logo, após serem julgados por essa mesma
instância, haverá outra intimação e aí terá nova recontagem do prazo recursos a partir do
zero. Por conta disso, a parte q não recorreu antes, pode recorrer agora.

OBS: ISSO NÃO TEM NADA A VER COM O RECURSO ADESIVO PORQUE ESTE É
INTERPOSTO NO PRAZO DE RESPOSTA DO RECURSO ALHEIO. AQUI ESTAMOS
FALANDO DE EFEITO DE RECONTAGEM.

Pergunta: Então não há o efeito preclusivo?

Professor: Não é preclusão porque você tem q pensar que os embargos de declaração
corrigem alguns pontos da decisão. Imagine q eu tenho uma ação de alimentos e o réu
foi condenado a pagar verba alimentar de dez salários mínimos, mas a parte não sabe se
10 salários mínimos estaduais ou nacional e, por conta disso, interpõe embargo de
declaração. Ai o juiz diz que é nacional por conta de x, y e z. Agora q eu entendi, eu
continuo insatisfeito e farei um outro recurso (um outro tipo). Logo, não há preclusão
para mim porque, veja, o prazo para o embargo de declaração é de 5 dias, mesmo q
eu interponha no quinto dia, eu ainda tenho prazo para interpor uma apelação, por
exemplo. Então, mesmo sem o embargo de declaração, eu ainda teria q continuar a
contar o prazo.

Pergunta: Mas o prazo originário teria preclusão.


Professor: Não há preclusão porque com a interposição dos embargos eles interrompem o
prazo. Aí a nova contagem recomeçara do zero e você não fala em preclusão.
57
> PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA DA DECISÃO DE MÉRITO (NOVO CPC)
Novo CPC contém um conjunto de regras esparsas que permitiriam a construção de um
novo princípio. Essas novas regras são para solucionar aqueles casos de
jurisprudência defensiva. Portanto, não seria exagero falar de um princípio voltado para
um exame de mérito.

Atualmente se fala muito em jurisprudência defensiva, onde o julgador pode evitar o


exame de mérito. O sistema recursal do novo CPC pode ainda verificar princípios novos,
apesar de ainda existir discordância sobre a nomenclatura, podemos afirmar que há o
surgimento de um princípio de prevalência da decisão de mérito.

Conceito: No novo CPC as hipóteses de jurisprudência defensiva tendem a ser


evitadas. Então, sempre que for possível, o juiz deve julgar o mérito do recurso.

Mas não é assim hoje? Não necessariamente porque, por mais q eu fale de
instrumentalidade das formas, a praxis/o modus operandi dos tribunais brasileiros foi
sempre de praticar uma jurisprudência defensiva, ou seja, uma jurisprudência para
tentar esvaziar as quantidades númericas que hoje empacam o cotidiano das
cortes. Então, essa coisa de recurso antes do prazo que não poderia ser reconhecido; o
recurso em que a parte preparou a guia, mas preencheu de forma equivocada...para tudo
isso o novo cpc coloca regras taxativas.

Por exemplo, preencheu errado a guia? Então o juiz não pode considerar deserto o
recurso, no máximo, pode ouvir a fazenda pública (questiona-la se identificou um depósito
no dia x, tal hora) para saber se ele é deserto ou não. O que isso significa em termos
práticos? A substituição de 1 modelo q acaba prejudicando o jurisdicionado por esse
paradigma do princípio da prevalência da decisão de mérito. Pode ser q seja mudado o
nome.

Aula do dia 16/9

Recursos em Espécie:

Trabalhamos até aqui, as questões envolvendo Teoria Geral, mas agora vamos partir
para a sequência da análise dos recursos em espécie. Então a gente considera mais ou
menos como referência aquela regra do Art. 496.’’ São cabíveis os seguintes recursos:
I - apelação;
II - agravo; (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)
58
III - embargos infringentes;
IV - embargos de declaração;
V - recurso ordinário;
Vl - recurso especial; (Incluído pela Lei nº 8.038, de 25.5.1990)
Vll - recurso extraordinário; (Incluído pela Lei nº 8.038, de 25.5.1990)
VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso
extraordinário. (Incluído pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)’’
Esse artigo estabelece um rol taxativo dos recursos e coloca em primeiro plano a Apelação.
Quando então trabalhamos o tema envolvendo a apelação, muitas dessas questões destacadas
acabam sendo referência para o exame de outros recursos em espécie. Então vamos mais ou
menos estudando por comparação, as outras figuras recursais frente a apelação.

Recursos em espécie:

• 1)Apelação :

a) Cabimento:

A classificação das decisões judiciais é a ‘’pedra de toque’’ do sistema recursal. Ou


seja, se conhecemos a classificação do Art. 162, a ponto de distinguirmos as sentenças
das demais decisões, fica mais fácil trabalhar aqui a figura da apelação.
Art. 162 ‘’Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e
despachos.
§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267
e 269 desta Lei. (Redação dada pelo Lei nº 11.232, de 2005)
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve
questão incidente.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou
a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória,
independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo
juiz quando necessários. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)
Aquele conceito que já foi passado da apelação: Apelação é aquele recurso cabível para atacar
sentença( ato decisório que encerra o procedimento em 1 instância) .Já falamos em aulas passadas
que durante muito tempo o Legislador procurou definir ‘’sentença’’ não propriamente por suas
características, mas sim pelo aspecto finalístico. Então se pegarmos algumas petições de manuais
de alguns anos atrás, era comum lá, os autores falarem: Sentença é o ato que extingue o
processo( com ou sem resolução de mérito) .Na verdade, esse tipo de definição é considerada
59
finalística, pois não está se dizendo em si, o que é uma sentença, mas sim, ao que ela se presta. Só
que esse conceito trabalhado muito tempo pela doutrina brasileira, também foi alvo de muitas
críticas, pois sempre foi esquisito falar que a sentença encerra o processo. Se alguém insatisfeito
resolver recorrer dessa sentença, ai segue o baile. Na prática, o que é que a sentença encerra?(se é
que encerra algo)

R: No máximo ela encerra a fase de conhecimento na 1 instância. A partir dai, com a interposição
do apelo, o caso será deslocado a um Tribunal de 2 Grau.

Retomando, então ‘’APELAÇÃO é o recurso cabível para impugnar decisão . Os artigos : 267 e 269
do CPC, trabalham aquelas situações, cujos conteúdos nós podemos considerar como sendo
sentença.

• Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela
Lei nº 11.232, de 2005)
I - quando o juiz indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;
III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor
abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;
IV - quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa
julgada;
Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;
Vll - pela convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996)
Vlll - quando o autor desistir da ação;
IX - quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal;
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 1o O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o arquivamento dos autos, declarando
a extinção do processo, se a parte, intimada pessoalmente, não suprir a falta em 48
(quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao no II, as partes pagarão
proporcionalmente as custas e, quanto ao n o III, o autor será condenado ao pagamento
das despesas e honorários de advogado (art. 28).
§ 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não
proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que
a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responder á
pelas custas de retardamento.
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§ 4o Depois de decorrido o prazo para a resposta, o autor não poderá, sem o
consentimento do réu, desistir da ação.
• Art. 269: Haverá resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005)
I - quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;(Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
II - quando o réu reconhecer a procedência do pedido; (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)
III - quando as partes transigirem; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; (Redação dada pela Lei
nº 5.925, de 1º.10.1973)
V - quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação. (Redação dada
pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

O pronunciamento judicial reconhece prescrição. Então a gente deduz lá do Art. 269, ‘’ IV - quando
o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição’’, que se for prescrição de toda a pretensão do
autor, vai se encerrar o procedimento em 1 instância. Esse ato decisório se enquadra como
sentença.

Apelação pode ser aplicada para impugnar quaisquer tipos de sentenças, sejam elas proferidas no
processo de conhecimento , do processo cautelar, ou das pouquíssimas sentenças conhecidas de
extinção da execução. Vejam só, como se encerra o processo de execução?

R: O Artigo 794 prevê que :’’ Extingue-se a execução quando:


I - o devedor satisfaz a obrigação;
II - o devedor obtém, por transação ou por qualquer outro meio, a remissão total da
dívida;
III - o credor renunciar ao crédito.
Como na prática, os processos de execução continuam perambulando por ai pelos fóruns e sempre
temos o problema de que se há patrimônio, da execução pode surgir algum tipo de resultado.
Porém, se não houver patrimônio(é necessário que esse patrimônio seja passível de constrição),
então eles quase nunca se encerram. Mas se houver sentença e surgir a necessidade recorrer, o
recurso cabível também é a apelação.

Então , esse conceito aqui colocado é bastante amplo, abrangente.

Eu destaquei pra vocês, aquilo que aparece nos manuais clássicos. O professor Luiz
(não compreendi) chama a apelação de ‘’Recurso Padrão’’. Já o professor Nelson Luiz
Pinto chama de ‘’Recurso Típico’’, enquanto o professor Jose Carlos Barbosa Moreira
chama de ‘’ Recurso por Excelência’’. Percebemos então que essas expressões são
equivalentes, mas o que a doutrina quer destacar com isso?

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R: Quer destacar que o estudo da apelação, serve de parâmetro para o exame das demais figuras
recursais. Ou seja, alguns temas aqui aplicados para o estudo da Apelação, vão servir para exame
das outras modalidades.

Princípio da Ampla Devolutividade

Temos que considerar que a Apelação é um recurso de ‘’ampla devolutividade’’, podendo ser
parcial ou total. Se olharmos o Art. 505,

Art.505 ‘’ A sentença pode ser impugnada no todo ou em parte.’’, percebemos essa característica.

percebemos que é facultado ao interessado discutir sobre toda a sucumbência sofrida ou sobre
alguns de seus capítulos. Quando se fala em ‘’ampla devolutividade’’, é preciso lembra que a
Apelação pode servir para pedir a anulação da sentença(nos casos de erro de procedimento); ou
para pedir a reforma da sentença(quando não se concorda com o critério de julgamento aplicado).

Não sei se vocês vão se recordar, mas quando estávamos nas primeiras aulas falando do conceito
de recursos, destacamos que eles podem servir para atacar diferentes vícios das decisões
judiciais(procedimentais ou de conteúdo). Algumas vezes, posso não estar concordando com o
procedimento adotado pelo juiz . EX: ele realizou o julgamento antecipado da lide, quando não era
o caso(falha de procedimento). Mas podem ter casos em que o procedimento foi correto, mas eu
não concordo com o critério adotado por ele, ai pediria a REFORMA.

Nada impede que os pedidos sejam feitos de forma combinada, baseando-se numa lógica de
eventualidade. Quando se trabalha a defesa do réu, fala-se desse princípio, pois ele só tem uma
chance de defesa, fazendo com que ele apresente defesas excludentes entre si. Mas a gente tolera
uma certa esquizofrenia discursiva diante do fato de que há um momento preclusivo para a defesa.
Então se dá ao interessado apenas uma oportunidade para recorrer, é possível que a parte
interessada peça a anulação. Porém se o Órgão não entender que essa seja cabível, que se
conceda então, a sua reforma. Esses pedidos podem vir articulados na apelação.

O mais importante nesse artigo 505 do CPC, é o entendimento do ‘’ tantum devolutum quantum
apellatum’’, um brocardo em latim que é antigo mas continua valendo, apesar de não ser a língua
que falamos. Mas ele serve aqui pra marcar o seguinte: Se o apelante delimitou o seu pedido, o
Tribunal não poderá julgar pedidos outros que não foram objeto de impugnação. Na prática,se a
decisão judicial tiver diferentes capítulos, o Tribunal poderá transitar e eventualmente modificar os
pedidos ou capítulos impugnados. Aqueles que não foram objeto de impugnação, serão

62
considerados como preclusos, ainda que se entenda que o critério adotado não foi adequado, se o
mesmo não foi objeto de impugnação. Decisão não recorrida é decisão que não pode ser revista.

Pergunta/comentário da aluna sobre ‘’erro material’’(narrou muita coisa de uma experiência de


julgamento de um recurso sobre erro material)

Pergunta: Nesse caso de erro material, se o advogado entrou com recurso errado, o que deveria
ter acontecido?

R: Se tratando de juizado, a principiologia que o rege , é diferente da comum(civil). Ela aponta para
um pouco mais de informalidade, pois senão não dá para aceitar o que aconteceu na sua narrativa.
O que eu entendi é que ‘’jogaram no processo uma sentença, com matérias que não eram
discutidas no caso. Na prática, alguém copiou e colou, colocaram no modelo errado e assinaram
como sentença com um fundamento esquisito. Nesses casos, quando há uma fundamentação
inadequada a gente pode falar em até duas coisas: 1) a interposição de um recurso cabível para
alegar a nulidade do julgamento, pois aquela sentença não está fundamentada corretamente no
caso concreto. 2) pedido de reforma da sentença, pois a regra de direito material possivelmente
aplicada ali, não tem nada a ver com o caso concreto.

Ex: é como se eu aplicasse a regra de despejo num divórcio, ou seja, o discurso não vai casar né .
Então ele poderia pleitear a anulação ou reforma. No caso concreto consideraram que foi feito o
Recurso Inominado de forma errônea e consideraram corretos os embargos de declaração, para
que o magistrado de 1 grau, adequasse a sua fundamentação.

Na aula passada falamos sobre essa questão de fungibilidade, porque nós temos que ver essas
questões com mais flexibilidade. Senão caímos na lógica de que todo mundo pode errar, menos o
advogado.’’ Não importa se a sentença julgou algo que nunca pediram, o que não se pode é errar o
recurso.’’ Isso vem sendo mitigado pelo princípio da fungibilidade. O que a Turma Recursal fez, foi
considerar que houve erro de direito. Possivelmente eles entenderam que essa matéria é passível
de apreciação ex officio, determinaram a devolução a juízo ‘’a quo’’.

Poderiamos evitar maiores problemas com o conhecimento do recurso, pois a sentença era nula,
por um erro de aplicação do direito. Devemos ver também que nem toda violação de direito
material é de ordem pública. Tem situações em que o Tribunal pode anular o processo não
exatamente por aquilo que as partes pediram, mas porque uma situação de ordem pública.

Vamos pensar numa situação hipotética envolvendo um menor incapaz. Durante toda a etapa
inicial do processo, ao invés de se ter a participação do MP, ele não foi chamado para se
manifestar. O processo então chegou numa fase em que foi proferida uma sentença, e a parte
insatisfeita interpôs recurso. O tribunal só pode julgar o que foi pedido, não pode julgar algo que
não foi pedido, mas quando envolver matéria de ordem pública, pode ser enfrentado em qualquer
etapa. Esse processo então ficou sem a oitiva do MP. Nesse caso, o tribunal focado no ‘’ tantum
devolutum quantum apellatum’’, não tem outra alternativa senão anular todo o processo, pois
essa falha é passível de ser apreciada ex officio. Quando temos esse erro procedimental, o

63
processo volta para a primeira instância, para o MP ser ouvido e depois de uma nova sentença e
outro recurso, ele pode chegar ao Tribunal pela segunda vez.

Pergunta do aluno:

-Esse então seria o efeito translativo?

R: Sim, esse vai ser o efeito translativo. É porque vamos falar aqui na sequência, os efeitos típicos
do recurso. Esses efeitos são: efeito devolutivo e o efeito suspensivo. Só que eventualmente,
podem ocorrer essas situações que eu expliquei, ai seria o efeito translativo, ou seja, o exame de
uma nulidade, gera um julgamento que vai comprometer não só a decisão judicial, mas também
vai contaminar outros atos processuais.

• Por que se dá esse nome ao efeito (translativo)?

R: Porque você não está somente caçando uma decisão judicial. Você está eventualmente
anulando toda uma fase de procedimentos.

Imaginem essa situação: Um caso que teve um julgamento com base na revelia, e o réu estava
arguindo desde o início do processo, a nulidade da citação. Ai, o juiz de 1 grau não acolheu o
argumento da nulidade dessa citação e proferiu sentença contra esse réu. Esse réu apela dessa
sentença, mas continua insistindo na questão da nulidade da citação. Se o Tribunal conhecer da
matéria de ordem pública, reconhecendo a nulidade da citação, ele não vai estar caçando somente
uma sentença, mas também outros atos processuais.

O Art. 513 do CPC diz ‘’ Da sentença caberá apelação (arts. 267 e 269).’’

O texto do código projetado é mais ou menos parecido (art. 1022) que diz no caput a mesma coisa
do atual. O que aparece de novidade, é o parágrafo primeiro que diz assim ‘’ As questões
resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de
instrumento, têm que ser impugnadas na apelação.’’ Na prática, esse artigo do Código projetado
nos remete a um outro modelo de preclusão.

Vamos imaginar uma situação : Alguém apresentou petição inicial (distribuição); Quando o réu foi
citado, ele ofereceu impugnação ao valor da causa e contestação. Num primeiro momento, o juiz
da causa rejeitou a impugnação ao valor da causa.Nós temos um incidente, que inclusive no
modelo atual é autuado a parte. Dessa decisão que julga o incidente, o sistema vigente comporta o
recurso de agravo de instrumento ou agravo retido para impugnação. Cabe ao interessado
impugnar a matéria aqui, quando ela está sendo julgada.

Com a proposta do novo código, esse tipo de matéria, não é impugnada de plano. Uma vez
proferida a sentença, e o interessado resolver apelar, ele pode impugnar o conteúdo da sentença e
das decisões anteriores que não tenham sido objeto de agravo de instrumento. O modelo atual
trabalha com um sistema de preclusão, ou seja, decisão não impugnada é decisão preclusa.
Ninguém atualmente consegue imaginar uma apelação discutindo questões superadas na relação
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processual. O que o legislador quis com o novo código foi que se tivesse que se ‘’encher o saco’’ do
Tribunal , que fizesse isso de uma vez só, não por meio de recursos interlocutórios, mas sim por
meio de um recurso final. É como se concentrássemos o acesso ao Tribunal apenas por ocasião do
recurso final.

O processo trabalhista sempre foi assim, desde o advento da CLT(década de 40), se trabalhou um
modelo de preclusão diferente do aplicado na jurisdição ordinária. No caso do processo civil temos
a lógica da preclusão. Quando eu tenho uma decisão interlocutória da qual eu não goste, o modelo
atual remete a interposição de um recurso (agravo de instrumento ou retido), e se eu não o fizer
ocorrerá a preclusão. O advogado trabalhista, quando ele está numa audiência e seu adversário
apresenta uma testemunha suspeita, ele oferece uma contradita, que será julgada pelo juiz na
hora. Se ele rejeitar essa contradita, o advogado falará para consignar em ata o seu protesto,
evitando a preclusão. Ele pode avaliar depois a conveniência ou não de recorrer desse ato, pois se
sair uma sentença favorável a ele, estará tudo bem. Porém, se ele perder com a prova irregular, ele
pegará um fato já superado(testemunha suspeita), pois ele tem a prerrogativa por ter feito o
protesto em audiência, que não existe no processo cível. Esse novo modelo quer evitar que
questões pequenas cheguem ao Tribunal ‘’picadas’’ em prol de um modelo de recorribilidade
concentrada( um único recurso no final).

Pergunta da Aluna: Se eu entrar com um agravo de instrumento e eu perco, posso voltar com esse
debate na apelação?

R: Aqui Não, temos que verificar que ele fala que somente podemos suscitar isso no final, se você
não fez uso do agravo. Porque se você fez uso do agravo, está recorrida a matéria, já teve acesso
ao juízo ‘’ad quem’’.

Vou complicar um pouco, pois vocês tem que ver que essas questões podem ser discutidas em
contrarrazões. Ex: O réu ofereceu impugnação ao valor da causa, através de contestação. O juiz
julgou improcedente essa impugnação, logo o autor não teve que recolher nenhuma diferença
monetária de custas e o processo caminhou. Na sentença o pedido do autor foi considerado
improcedente, levando o mesmo a apelar. Quem vai oferecer contrarrazões? O réu ? Mas vejam
bem, ele pode chamar atenção ao valor da causa errado. O valor da causa não tem nada a ver com
a sentença por si só, em princípio nas contrarrazões, iria somente contrargumentar o que foi
defendido na apelação, mas ele pode também indicar isso, pensando em uma chance do Tribunal
reconhecer essa apelação da parte autora( lógica do ‘’mas vai que .....’’);

Não vou trabalhar novamente a recorribilidade das sentenças parciais, pois já trabalhamos isso
quando falamos de fungibilidade;

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b)Forma de interposição do Recurso: Por meio de petição escrita (impressa ou
digital) .Ela tem que seguir o que está previsto no Art. 514 :A apelação, interposta por
petição dirigida ao juiz, conterá:
I - os nomes e a qualificação das partes;
II - os fundamentos de fato e de direito;
III - o pedido de nova decisão.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)
Apelação sem pedido de nova decisão é considerada INEPTA e será considerado irregular e
não será aceito para julgamento.

• Local de protocolo: A apelação é protocolada na 1 Instância, pois é muito mais fácil para o
advogado que está lá nas comarcas interioranas protocolar o recurso diretamente no
processo. Se exigíssemos que essa apelação tivesse que ser protocolada diretamente no
órgão julgador, o interessado teria que se deslocar até a sede do tribunal. É claro que no
cenário de processo eletrônico, esse é um problema que tende a desaparecer, mas no
cenário atual, isso faz toda a diferença. Então a peça da apelação é apresentada no juízo ‘’a
quo’’.

• E o juízo ‘’a quo ‘’ fará o que a partir dai ?

R: Ele cuidará do juízo de admissibilidade. Reparem só: o juiz que proferiu sentença,
intimou as partes, e um dos interessados interpôs apelação, esse juiz não tem mais a
prerrogativa de mudar ou alterar o que ele decidiu, pois prevalece a regra do Art 463 do
CPC : Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: (Redação dada pela Lei nº 11.232,
de 2005)
I - para Ihe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou Ihe
retificar erros de cálculo;
II - por meio de embargos de declaração.
Ou seja, quando são proferidas essas decisões (sentenças, acórdãos e decisões interlocutórias,
depois de publicadas, o juiz não pode mais alterá-las, a não ser nessas duas hipóteses elencadas
acima (do art 463), podendo faze-las ‘’ex officio ‘’

• Uma hipótese de inexatidão material: nome errado. Ex: José da Silva propôs ação de
despejo contra o Fulano de tal. Na inicial estava tudo correto mas na sentença erraram o
nome. Nesse caso o padrão de julgamento do juiz ficou claro, o que ocorreu foi somente
uma inexatidão material, no sentido de uma falta de correspondência entre o nome correto
da parte e o atribuído na sentença. A fundamentação não entra nessa questão, pois se ele
pudesse mudar essa fundamentação, ele poderia mudar o sentido dela e isso não é
aceitável, pois poderia até modicar uma procedência/improcedência. Em alguns casos

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podemos ter até casos de erro de digitação de endereço em casos de despejo, pois as teclas
podem estar próximas ou por falta de atenção do digitador.

• O erro de cálculo entra mais ou menos nessa mesma lógica: não se pode mudar o
critério.Se eu tiver falando de uma ação de alimentos por exemplo, em que o juiz
sentenciou ‘’ Condeno o réu ao pagamento das parcelas de alimentos vencidas no importe
de X reais. Porém ao fazer essa conta, ele errou na operação de multiplicar, basta que
alguém ali provoque o tema através de uma petição avulsa ou ele mesmo pode corrigir esse
erro caso perceba. A correção desse erro aritmético não muda o sentido dessa decisão.

Mas se ele estiver falando assim: Com relação ao pagamento das parcelas vencidas, ao invés do
Igpm coloco outro índice. Ai não tem nada a ver com erro de cálculo, seria uma hipótese de
mudança de critério de julgamento, padrão de decisão( o art. 463 não autoriza isso) .

Então, esse juiz não poderá modificar nada, no máximo poderá cuidar de uma situação de logística.
Presentes todos os pressupostos recursais, ele recebe o recurso, intima a parte contrária, uma vez
oferecidas as contrarrazões ou não, ele mandará o processo para o Tribunal.

Com relação a sistemática de interposição do recurso(procedimento na 1 instância),


devemos considerar o Art. 518 :‘’ Interposta a apelação, o juiz, declarando os efeitos em
que a recebe, mandará dar vista ao apelado para responder. (Redação dada pela Lei nº
8.950, de 13.12.1994)
§ 1o O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em
conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal
Federal. (Renumerado pela Lei nº 11.276, de 2006)
§ 2o Apresentada a resposta, é facultado ao juiz, em cinco dias, o reexame dos
pressupostos de admissibilidade do recurso. (Incluído pela Lei nº 11.276, de 2006)
Com relação ao caput desse art. quando ele fala : ‘’declarando os efeitos em que a recebe...’’,
devemos perceber que no sistema atual, os efeitos do recurso de apelação são dados pela lei e não
são atribuídos por um critério decisório do juiz(ele não tem discricionariedade). Isso significa que
os efeitos da apelação são ‘’ope legis’’ (pela lei) e não ‘’ope iudicis’’(pelo juiz através de um critério
valorativo).

• Efeito da apelação: No que diz respeito ao seu efeito, o Art. 520 diz : ‘’A
apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no
entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que:
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
I - homologar a divisão ou a demarcação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)

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II - condenar à prestação de alimentos; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
III - (Revogado pela Lei nº 11.232, de 2005)
IV - decidir o processo cautelar; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
V - rejeitar liminarmente embargos à execução ou julgá-los improcedentes; (Redação
dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)
VI - julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem. (Incluído pela Lei nº
9.307, de 23.9.1996)
VII - confirmar a antecipação dos efeitos da tutela; (Incluído pela Lei nº 10.352, de
26.12.2001)’’
Nesse artigo fala-se no seu duplo efeito (devolutivo e suspensivo) e essa é a regra geral. O que eu
quero deixar claro é que no modelo atual, o juiz não tem discricionariedade, ele não vai fazer por
‘’achismo’’ ou valoração. O sistema atual não dá margem ao juiz, para ele decidir qual efeito
atribuir à sentença. Quando se fala no duplo efeito(1 parte do dispositivo) ou somente no
devolutivo(2 parte do dispositivo), ele está na prática, aplicando a regra do art. 520 ou regra de
legislação especial. Depois disso temos as hipóteses de EXCEÇÃO: Quando não há a hipótese de
efeito suspensivo automaticamente., o que significa dizer que a sentença desde logo passa a
produzir eficácia(é auto exequível) .

Ainda vou retomar esse tema, porém só quero ressaltar que quem lê apressadamente o art. 518,
quando se fala que o juiz ‘’ declara os efeitos da apelação’’, pode imaginar que aquilo revela um
juízo discricionário, porém ele é um JUÍZO VINCULADO, ou seja, o juiz seguirá os critérios da lei.
Para os casos do duplo efeito, é o duplo efeito e para os casos do efeito devolutivo, o efeito
devolutivo. Não importa se no processo tem um amigo ou um inimigo dele, advogado gente boa
ou chato.

O efeito DEVOLUTIVO está ligado a matéria que será devolvida para a apreciação do tribunal. Já o
efeito SUSPENSIVO está ligado ao fato de a decisão judicial produzir ou não alguma eficácia
imediata.

Eu não vou falar detalhadamente desses efeitos , mas com estou tratando do recurso, vou
somente tecer alguns comentários. Esse é um dos temas que tem gerado maior debate no novo
CPC, pois muitos defenderam o fim do efeito suspensivo de forma automática. O código vigente
coloca o efeito suspensivo para maior parte dos casos, quase como uma maneira absoluta. Então
qual a consequência dessa escolha para o código atual? Se eu interponho o recurso e ele é
recebido no duplo efeito, se a sentença não vai produzir eficácia imediata, eu estaria protelando o
resultado final do caso, afastando o objeto litigioso daquela parte que saiu vencedora. Então, a
doutrina critica muito a regra do art.520 que coloca o juiz de 1 grau como um instrutor do
processo, como se fosse um figurante na ação processual, pois a decisão que vale mesmo é a do
Tribunal, a que vem depois. Não importa muito no sistema atual a qualidade dos argumentos que

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aparecem na apelação, pois se eu apelar e colocar um argumento minimamente aceitável, eu já
estou protelando essa eficácia.

Alguns autores defendem que a sentença tem que ser auto exequível de imediato, e buscaram
inspiração no Código italiano que defende essa ideia de execução imediata da sentença, não
impedindo que a parte ‘’vencida’’ busque um melhor resultado com um apelação. Quando
jogamos um efeito suspensivo de maneira geral, estamos deixando a seguinte mensagem: Existe a
sentença, mas a decisão que vale mesmo é a do Tribunal. Seria quase como um incentivo ao uso
desses recursos ordinários, um estímulo ao recurso de apelação. O máximo que a pessoa pode
perder entrando com uma apelação e ‘’ perdendo’’, seria pagar os juros moratórios, mas são
baixos, pois não há uma sucumbência agregada.

A opção do novo cpc de atribuir o efeito devolutivo às sentenças, contribui com a celeridade, não
necessariamente e prol da segurança jurídica, pois você permite que parte vitoriosa inicie os atos
de execução e o Tribunal depois dê provimento ao recurso. Pode ser que você tenha que desfazer
os atos já iniciados, mas alguns pensadores afirmar que esse é um risco que vale a pena ser
corrido.

Uma última coisa que eu gostaria de ressaltar, a gente continua fazendo reformas legislativas de
‘’orelhada’’, pois a discussão aqui segue um dogmatismo exegético: de um lado o time dos que
acham que deve ser assim e do outro lado o time dos que acham que deve ser assado. Mas aqui
não seria um caso de se considerar as estatísticas ? O que elas dizem a respeito do í ndice de
sentenças reformadas? Os dados do CNJ dizem que o índice de reforma tem ficado em torno de 15
%, ou seja, apenas 15 % das sentenças são modificadas, o que leva a entendermos que esse efeito
suspensivo fica ‘’sobrando’’, protelando algo. Mas tem alguns Tribunais que seguem uma lógica
inversa, são os chamados ‘’ pontos fora da curva’’, por exemplo, o Tribunal do Piauí com 89 % de
índice de reforma. Nesse caso o efeito suspensivo faz sentido pois deve estar ocorrendo muita
presepada que vai contra a lógica da segurança jurídica.

O que eu quero falar é que não precisa ser tão extremista e radical, como se fosse uma fé religiosa.
Acho que os efeitos deveriam ser mais estudados hoje em dia, sujeitos a uma análise estatística.

Aula do dia 30/9


• Efeitos da apelação
Conceito de efeito devolutivo:
Está relacionado com a devolutividade da matéria decidida ao Poder Judiciário. Todo
recurso SEM EXCEÇÃO é dotado de efeito devolutivo, isso porque o recurso envolve um
pedido feito pelo recorrente para que seja proferida uma nova decisão judicial, ou seja,
ele está devolvendo a matéria recorrida para uma nova apreciação do poder judiciário.

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Essa expressão devolutiva vem do modelo de processo do Direito Peninsular Português.
Quando se tinha a provação de uma decisão, muitas vezes, como a corte com
competência para rever esse pensamento estava muito distante, as partes que estavam
envolvidas no litígio faziam pedido de reconsideração para a própria autoridade, ou seja,
estamos falando ai da própria devolução da matéria, quando quem tinha decidido o caso
recebia o recurso e devolvia-se para ele a competência de analisar o caso. A partir dai a
ideia de devolutividade foi expandida para explicar até o modelo de duplo grau de
jurisdição.

• Distinção quanto ao plano da extensão (plano horizontal) e da profundidade (plano


vertical)

a) Plano horizontal: órgão ad quem não pode promover a alteração da sentença, com
respeito àquilo que não foi objeto do pedido de nova decisão
Essa devolutividade pode se dar numa perspectiva horizontal, ou seja, para o mesmo
órgão que então tinha proferido a decisão. O cáput do art. 515 do CPC fala do efeito
devolutivo em sua perspectiva horizontal
Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada.

Ou seja, vale dizer que é feita nos limites da impugnação feita pelo recorrente.

Já falamos no plano classificatório que os recursos podem ser totais ou parciais,


portanto, cabe ao apelante limitar o objeto de sua insurgência. O sujeito pode recorrer
apenas de um capítulo da sentença ou recorrer de toda extensão da sentença.

Nesse caso, o recurso é limitado a só um capitulo da decisão, ou seja, o Tribunal só


poderá alterar está parte em houve a impugnação.

No plano horizontal, a devolutividade é limitada ao pedido que está sendo feito pelo
apelante. Dentro daquilo que foi pedido o tribunal pode transitar e eventualmente mudar a
sentença recorrida.

Ex: Apelante pode recorrer apenas sobre a verba honorária.

Ex: Embargos de declaração são julgados pelo mesmo juízo que proferiu a decisão
embargada, com isso, há ai uma devolutividade horizontal vez que só é possível que o
órgão julgador analise o ponto omisso, contraditório ou oposto.

b) Plano vertical: órgão ad quem pode examinar todas as questões que foram
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suscitadas e debatidas perante o juízo a quo

Ou pode se efetivar na perspectiva vertical, ou seja, quando há uma devolutividade para


um órgão de hierarquia superior. Os parágrafos primeiro e segundo falam do efeito
devolutivo no plano vertical.
o
§ 1 Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões
suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por
inteiro.
o
§ 2 Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas
um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais.
Ou seja, independentemente da sentença ter apreciado todos os fundamentos da causa
de pedir, todas as nuances e todos os fundamentos da defesa, a devolutividade dessas
outras matérias é plena.

Isso pode implicar em uma situacao que o Tribunal mantenha a decisão originária, mas
por fundamento diverso. O Tribunal transita por todos os argumentos colocados pelas
partes, ele não fica refém ao argumento que foi eleito pela sentença recorrida.

Ex: uma inicial de acidente de trânsito em que o autor alega a culpa do Réu por este
dirigir sem habilitação e embriagado. O juiz julga procedente o pedido do autor e define
que quem teve culpa foi o réu em virtude dele trafegar embriagado, ou seja, a sentença
fala apenas de um fundamento da causa de pedir do autor. Réu recorreu. O que
acontece? Esses dois parágrafos falam que o Tribunal poderá examinar matéria que não
tenha sido suscitada e debatida na sentença, desde que ela conste no processo. Assim,
aquele fundamento que não foi considerado pela sentença pode ser aplicado pelo
Tribunal. Com isso, nesse caso, o Tribunal pode manter a condenação do réu e
reconhecer que não foi efetivamente comprovado a embriaguez, mas que diante da falta
de habilitação ficaria presumida a culpa.

RESUMO: No plano horizontal, a devolutividade fica sempre marcada pelo pedido feito
pelo apelante, ou seja, o Tribunal não pode julgar matéria que não tenha sido objeto de
um pedido especifico. É o principio dispositivo aplicado no âmbito recursal: nenhum juiz
prestará a tutela jurisidicional senão e quando provocado. O Tribunal só pode dispor
sobre aquele capítulo que foi objeto do recurso.

No plano vertical, a devolutividade é sempre plena, no sentido dela permitir que o Tribunal
transite livremente em relação a quaisquer argumentos das partes, quer eles tenham sido
ou não enfrentados pela sentença.
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A ideia de livre convencimento do juiz determina que o juiz pode construir uma t écnica
argumentativa de eleger um determinado fundamento como sendo suficiente para aquela
decisão que ele esta proferindo. Assim, mesmo uma causa de pedir/defesa ampla que
envolva varias matérias, a fundamentação pode girar em torno apenas de alguns
aspectos da causa de pedir ou dos fundamentos de defesa.
Com isso, o plano vertical pode transitar em relação a todas as questões ventiladas no
processo. O Tribunal pode inclusive chegar no mesmo prognostico da decisão recorrida,
mas por fundamentos diferentes e isso é possível porque o Tribunal não fica refém das
questões enfrentadas pela sentença. Isso porque se o tribunal ficasse refém das
questões enfrentadas pela sentença recorrida, o Tribunal faria tão somente uma espécie
de conferência do caso e todos sabemos que a atividade julgadora vai muito al ém dessa
mera conferencia do raciocínio silogístico adotado pela decisão recorrida.

RESUMO: Todo recurso sem exceção é dotado de feito devolutivo, o que vai diferenciar
um recurso de outro é o âmbito da devolutividade. Existem recursos que são capazes de
devolver todo o conteúdo da decisão judicial e recursos em que a devolutividade é
restrita e pontual.

Ex: no caso do acidente de transito, a petição inicial pediu dano material e dano moral. A
sentença julgou esses dois pedidos procedentes e fixou verbas de sucumbência para o
réu. A condenação imposta para o réu tem toda a extensão, logo, o réu pode recorrer de
toda a sucumbencia sofrida, mas o réu pode também fracionar sua insurgência. Ele pode
somente não concordar com a condenação envolvendo o dano material ou só estar
insatisfeito com as verbas de sucumbencia.
Vamos supor que o réu só recorra do dano material. O tribunal vai pode rever o restante
daquela decisão judicial? Os demais capítulos ficam preclusos, porque ai teríamos uma
coisa julgada progressiva, ou seja, não foi matéria de insurgência da parte que sucumbiu
e não poderá mais ser alterada.

Entao voltando, nesse caso concreto (apelação só aos danos materiais), a


devolutividade é plena no aspecto vertical, porque ainda que a sentença tenha usado um
único argumento para fundamentar a sua decisão, o Tribunal pode analisar as demais
questões ventiladas no processo. Nesse exemplo, supondo que juiz vai condenar o réu a
responder pelo ato ilícito porque não estava habilitado e em função disso o autor foi
vitimado. Dessa forma, em função dessa devolutividade ampla, no recurso de apelação,
as demais questões postas na inicial e na defesa podem ser sopesadas pelo juiz. E por
conta disso o Tribunal vai condenar também o réu aos danos materiais porque aqui

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existia indício de prova de que o Réu estava embriagado, de que transpôs sinal de
transito e todos os outros argumentos da inicial ou defesa que desejar.
O tribunal transita entre todos os fundamentos da causa de pedir e da defesa, ainda que a
sentença não tenha apreciado essas matérias. Lógico que seria razoável esperar que a
sentença de primeira instancia tivesse enfrentando todos os argumentos colocados pelas
partes, isso seria o ideal, porém, na pratica, o livre convencimento motivado aponta para
a ideia de que o juiz pode pinçar o seu convencimento sopesando uma prova em
detrimento de todas as coisas, acaba abrindo espaço para um decisionismo.

• O efeito devolutivo e o art. 515, § 3o, do CPC.


Art. 515, § 3o: “Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267)
(LEIA: quando tivermos uma sentença terminativa, uma sentença de carência de ação), o
tribunal pode (LEIA: deve) julgar desde logo a lide, se a causa versar questão
exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”.
Essa regra foi acrescentada pelo CPC em 2001 porque muitas vezes quando tinha uma
sentença de carência de ação ou carência de legitimidade, se o tribunal afastar o decreto
de carência ou ilegitimidade, ele não podia prosseguir em relação ao restante da questão
de mérito, porque falava-se que se não houve apreciação do mérito, o tribunal não podia
adiantar um pronunciamento nesse sentido sob pena de supressão de instancia, o duplo
grau falava mais forte.
Com esse novo parágrafo, nos casos de cassação da sentença de carência, se a lide já
está madura para julgamento, ou seja, falamos ai da teoria da causa madura no sentido
de haver provas pré constituídas que sejam suficientes para o exame de mérito. Assim, se
há provas suficientes que permitam que o Tribunal examine o mérito, o Tribunal pode
prosseguir no julgamento. Neste caso, o Tribunal não só meramente cassa a sentença de
carência da primeira instancia, ele vai proferir um acórdão com pronunciamento de mérito.
E nesse caso em que o Tribunal prosseguiu na atividade de julgamento e se pronuncia
sobre o mérito há uma relativizaçao do duplo grau de jurisdição, porque o mérito daquele
litígio estará sendo apreciado em uma instancia única, ele não foi apreciado na instancia
de primeira grau e estará sendo decidido diretamente no tribunal.

Ex: Naquele caso do acidente, por exemplo, o réu diz que vendeu o carro antes do
acidente e por isso seria parte ilegítima. Vem a sentença proferindo a ilegitimidade com a
extinção do julgamento baseando-se no art. 267. Quem pode apelar? O autor. Nesta
apelação o autor consegue provar que aquele réu é parte legitima para aquela pretensão
que ele formulou. Assim, se o Tribunal cassa a sentença de carência, ele em tese poderia
prosseguir a apreciar o mérito da questão para saber se aquele autor tem ou não o direito
a indenização ou o Tribunal poderia devolver aquela situação a primeira instancia para que
esta examino o mérito do litígio.

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• Polemicas e debates sobre esse parágrafo terceiro:
1- Quando surgiu esse dispositivo muita gente falou que ele era inconstitucional por ferir o
duplo grau de jurisdição. Nesse caso, voltamos a uma questão já trabalhada aqui
anteriormente, a questão é saber se o duplo grau tem ou não matriz constitucional.
O que sabemos é que nesse parágrafo o legislador procurou privilegiar a celeridade do
julgamento final do mérito. Uma justificativa para esse parágrafo seria o fato de que se o
Tribunal apenas tivesse que simplesmente devolver aquele processo para a primeira
instancia, ele teria que aguardar a provação de uma nova sentença, agora sim de mérito, e
esta poderia inclusive ser objeto de outro recurso de apelação. É por isso que falamos da
Teoria da causa madura, ou seja, se a prova colocada no processo for suficiente, o
Tribunal pode prosseguir no julgamento.

2- Prevaleceu também outro debate na doutrina brasileira. Lá no parágrafo terceiro


encontramos o verbo “poder na frase “o tribunal pode julgar desde logo a lide”. Ai fica a
discussão se isso seria um poder dever ou uma faculdade.
Alguns autores começaram a interpretar a regra de que esse dispositivo traria tão somente
de uma faculdade do tribunal de prosseguir no mérito. Entretanto, hoje já prevalece o
entendimento de que é uma questão de poder-dever, sendo que a justificativa desse
entendimento se baseia na Emenda 45 que chancelou o principio da razoável duração dos
processos, o que implica em dizer que há uma necessidade de filtragem das regras. Com
isso, o Tribunal deve prosseguir no julgamento da causa em relação a analise de mérito
sempre que a causa estiver madura.

3- Mesmo resolvendo essa questão do dever-poder, temos outro problema. No recurso de


apelação a parte irá atacar a decisão recorrida, mas quais os argumentos que ela irá
colocar? A parte tem que intuir que o tribunal pode prosseguir em relação ao mérito. O
apelante terá que preparar a sua apelação com dois capítulos: na parte inicial ele irá pedir
a cassação da sentença terminativa e no mérito pedir a prolação de uma decisão favorável.
Nesse debate se seria poder-dever existe uma questão pragmática, o apelante precisa
saber o que deveria fazer. Quando você apela da sentença de carência, você irá
demonstrar que estão sim presentes os pressupostos processuais e as condições da ação,
porém, com o parágrafo terceiro determinando que é um poder-dever no sentido
categórico, isso reflete em termos da argumentação prática.
Como tem prevalecido o entendimento de que é um poder-dever, então a peça de atuação
tem que estar dividida em duas partes: uma delas atacando a sentença de carência,
pedindo a cassação dela e no mérito o julgamento favorável.
Pro apelado o problema se repete. Na sentença de carência ele irá insistir na ideia de
carência e também conjecturar com a possibilidade, em tese, de o tribunal prosseguir no

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julgamento. O apelado nas contrarrazoes vai dizer que é hipótese de carência da ação,
mas, em atenção ao principio da eventualidade, com Tribunal realmente prosseguindo no
julgamento, no mérito também vai defender que este apelante não tem razão. Portanto,
esta pergunta de que o pode é faculdade ou poder-dever envolve questões pragmáticas
do dia a dia da advocacia. E ainda, tem prevalecido o entendimento de que é um poder-
dever.

• Superada questão preliminar, o tribunal está autorizado a prosseguir no


julgamento, com o exame do “mérito” da lide (superação do “duplo grau”).
Quando há essa analise de mérito teremos um acórdão que estará desalinhado com a
sentença. A sentença meramente cuidou da questão da carência, ficou limitada e com uma
argumentação restrita, já o acórdão tratou de muitas outras materiais e tratou das questões
todas envolvendo o mérito. E mais, essas questões de mérito foram trabalhadas agora
pela primeira vez, de forma inédita, sem que as partes tivessem debatido isso na primeira
instancia.
Por isso que falamos que esse dispositivo também relativiza o duplo grau de jurisdição. É
uma novidade que quebrou um pouco mais os dogmas tradicionais do processo, tais
como a ideia que de que o acórdão deve sempre guardar correspondência com a decisão
recolhida e que o julgamento de mérito tem que se colocar nas duas instâncias. Na prática,
atualmente, esse texto de lei permite que o exame de mérito se concretize apenas no
tribunal.

Ex: O réu se defendeu com a argumentação de que ele é parte ilegítima para responder
pelo prejuízo do acidente de carro, está falando em ilegitimidade. Se o juiz acolher o
argumento de ilegitimidade, ele não adentrará nas questões de mérito, como por exemplo
analisar a extensão do dano, qual é o valor da indenização e etc. O que esse parágrafo
traz é uma situação em que o tribunal possa superar a sentença de carência e esteja
também autorizado a enfrentar o mérito.

RESUMO: Para alguns autores que se posicionaram logo quando a regra entrou em
vigência (2001) determinava que isso era uma faculdade, ou seja, que se o tribunal não
quiser, ele não é obrigado a enfrentar mérito. Já em 2004, quando veio a diretriz
constitucional da razoável duração do processo como um direito fundamental, a doutrina
mudou de posicionamento e começou a defender que é um poder-dever. Com isso,
apesar do texto falar pode, a maioria da doutrina entende que é um poder-dever e que o
tribunal deve adentrar no mérito se a causa estiver madura para julgamento.

Em que situações a causa não está madura para julgamento?


Sentença de inépcia da petição inicial, o réu nem sequer foi citado. Nesse caso o tribunal
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não pode aplicar o parágrafo terceiro, porque senão haveria sérios problemas para o
contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. O Tribunal estaria julgando mérito
sem o réu ter sido citado para acompanhar o caso.

RESUMO: Em algumas situações o tribunal terá que simplesmente cassar a sentença sem
resolução de mérito e devolver o caso para a primeira instancia, já para outras situações,
quando a causa estiver madura para julgamento, o tribunal pode prosseguir com a analise
de mérito.

Se o tribunal superar a sentença de carência e deixar de aplicar o parágrafo terceiro?


Você pode interpor embargos de declaração e alegar que já seria caso de prosseguir em
relação a questão de mérito e que o tribunal esqueceu disso. Se o tribunal por questão
argumentativa dizer que essa analise do mérito é meramente uma faculdade a parte pode
interpor recurso especial, dirigido ao STJ, e alegar negativa de vigência, porque ai o texto
de lei não foi aplicado na situação concreta.

• Efeito suspensivo do recurso de apelação.


Ligado a suspensão da eficácia da sentença recorrida. Quando dizemos que um recurso é
do tipo suspensivo, significa, em termos práticos, dizer que uma vez ele sendo interposto,
ele estará suspendendo a eficácia da decisão judicial.

• Efeito suspensivo: a possibilidade de interposição do recurso obsta a produção de


eficácia por parte da decisão recorrida.
O debate que se coloca é o seguinte: se os recurso é suspensivo, ele impede que as
sentenças judiciais sejam auto executáveis e isso pode contribuir para uma melhor
segurança jurídica, no sentido de evitar que uma decisão ainda pendente de apreciação e
passível de questionamento esteja desde logo produzindo efeitos.
Só que o efeito suspensivo também traz uma consequência perversa, ele retarda a eficácia
de julgamento e os juízes das instancias ordinárias ficam sendo apenas preparadores da
decisão final, porque a decisão que irá prevalecer é aquela da qual não se tenha mais
chances recursais.

• Novo CPC e uma análise crítica sobre o efeito suspensivo


Há hoje um debate muito grande sobre a manutenção ou não da apelação. O direito
brasileiro, desde o regulamento 737/1850, sempre trabalho com a lógica de que a
apelação será suspensiva, ou seja, a apelação em princípio suspende a eficácia da
sentença. Entretanto, atualmente, nos debates de criação do projeto do novo CPC, na
versão Senado (a primeira versão do novo CPC), o legislador tirou o efeito suspensivo em
76
prol da maior efetividade das sentenças, porém, quando foi para a Camara Revisora, a
casa dos Deputados, colocaram de volta o efeito suspensivo.
Sobre a conveniência ou não de adoção do efeito suspensivo temos que sopesar que
trabalhamos numa lógica de construção de um novo CPC dentro de uma dogmática
exegética, ou seja, os membros da comissão reformista, cada qual embuido de
argumentos relevantes, acaba achando alguma coisa e no final fica uma decisão na base
de um certo subjetivismo, um “eu acho que assim e isso é melhor”.
Para o professor o efeito suspensivo deveria estar ligado as taxas ou índices de reforma
das decisões judiciais. Um dos índices que o CNJ divulga coloca o percentual de
sentenças reformadas como 15% quando há recurso, ou seja, apenas 15% dos recursos
são providos. O que esse numero revela? Será que é o caso de manter o efeito
suspensivo? Essa taxa média de reforma da sentença aponta para o fato de que somente
um número pequeno de recursos acaba sendo provido. Se isso for uma constante que
possa ser oponível e aplicada para todo o sistema judiciário é possível que este efeito
suspensivo esteja sobrando.
O CNJ também coloca umas situações de tribunais que estão num patamar totalmente
diverso. No Tribunal do Piauí, a taxa de reforma das sentenças é de 80 à 90%. Se
considerarmos que a maior parte das apelações é provida, então o efeito suspensivo
deverá ser mantido em prol de uma segurança jurídica nesse estado em particular.
Entao, o que tem acontecido é que o debate está indo para um dogmatismo exegético, a
gente usa argumentos e todos os argumentos podem ser razoáveis e dignos de atenção,
mas usamos essencialmente argumentos da repetição, ou seja, “isso foi assim, sempre foi
assim, é razoável que seja assim” e continuamos colocando essa discussão para o futuro.
O efeito suspensivo não é da natureza intrínseca do recurso, ele é tao somente uma
construção jurídica, ou seja, é meramente um produto cultural, é assim porque alguém um
dia queria que fosse assim. Por isso que esse debate não deve ser colocado pelo viés da
reprodução do conhecimento tradicional. O mais eficiente seria atrelar a permanência ou
não do efeito suspensivo ás taxas de reforma das decisões judiciais. E essa é a opinião do
professor, porque de fato o debate segue outro caminho da reprodução exegética.

• Regra geral, no caso da apelação, é a “suspensividade” (crítica da doutrina,


inspirada no modelo italiano).
Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no
entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: (Redação
dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

• Efeito suspensivo: regras especiais (CPC, art. 520).


O texto do CPC traz sete incisivos que são casos de exceção em que se fala tao somente
do efeito devolutivo. Além desses casos especificados no CPC, também existe nas
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legislações especiais cenários que para certos tipos de procedimento também se trabalhou
apenas com o efeito devolutivo.

Ex: A lei de locações. No procedimento das ações de despejo, a apelação interposta pelo
réu tem tão somente o efeito devolutivo. O réu pode recorrer, mas a apelação interposta
não obsta que seja expedido um mandato de despejo. Em termos práticos, o que falamos
é “você pode até recorrer, mas desde que saia agora”. É claro que isso gera um grau de
transtorno caso o recurso seja provido, isso porque as partes terão que ser restituídas no
status anterior e isso pode gerar prejuízos, perdas e danos e contratempos.
Isso tudo depende do tipo de processo que a gente quer, pode ser mais garantista ou
mais célere. Infelizmente, a celeridade e segurança estão em pratos diferente da balança,
se você da carga em um, você deixa outro desprotegido. Quando você prevê a segurança
jurídica, você está deixando de dar o objeto da decisão para o outro.
O professor Luiz Guilherme Marinoni trabalha a questão da distribuição do tempo de
duração do processo. Ele colocou o seguinte debate: quando nós temos um sistema
recursal que dá ênfase para o efeito suspensivo, na prática, o autor da demanda está
carregando nas costas todo o ônus de duração do processo, basta que alguém continue
recorrendo e que este recurso seja dotado de efeito suspensivo para que aquele autor não
tenha acesso ao bem da vida que ele está perseguindo. Quando você tira o efeito
suspensivo, em tese, você reparte um pouco melhor a distribuição do tempo de duração do
processo.

• Momento da suspensão
O efeito suspensivo decorre do que? Decorre da mera interposição do recurso, do
recebimento desse recurso ou do provimento? Ele está presente a partir de que instante?
Do provimento não é, porque senão estaríamos em um cenário em que apenas os
recursos providos teriam gerado efeito suspensivo. Na pratica não é isso o que acontece,
o simples fato de alguém recorrer já impede por si só que a parte tire proveito da decisão
recorrida.
Está relacionado com a admissão? Também não, porque se você considerar isso você teria
que trabalhar em um cenário temporal em que a decisão está produzindo eficácia desde
logo. Se você dizer que o efeito suspensivo só vem com a admissão, é como que se
durante o intervalo de tempo da publicação da sentença até a interposição da apelação a
decisão estivesse gerando eficácia.
Ex: Na data do dia 30/9 foi publicada uma sentença e as partes foram intimadas. Se a
parte interpor apelação no decimo quinta dia do prazo, e se a admissão do recurso
ocorresse numa data adiante, isto seria inviável na prática, porque seria o mesmo que
dizer que aquela sentença teve eficácia por 15 dias.
Com isso, a doutrina defende que o efeito suspensivo decorre tao somente da mera
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expectativa de que o recurso seguinte cabível seja dotado de efeitos suspensivos.
Quando foi proferido uma decisão judicial, para vocês saberem se estará ou não havendo
esse efeito suspensivo, voces tem que analisar qual é o recurso seguinte. Esse recurso
seguinte é do tipo suspensivo ou não? Se o recurso seguinte for do tipo suspensivo, esse
cenário de mera expectativa de haver um recurso suspensivo já suspende a eficácia da
decisão. Se a parte não recorreu, a partir o instante da término do prazo de interpor
recurso já ocorreu o transito em julgado e aquela decisão anterior já estará produzindo
seus efeitos. É quase que como tivesse um efeito suspensivo sobrestado no tempo,
independentemente de alguém ter pedido o recurso ou não, essa suspensão ocorre
temporariamente e automaticamente. Essa é a posição majoritária da doutrina brasileira.
Se isso não for deste jeito, nesse lapso temporal que vai do tempo zero, da prola ção da
decisão, até o dia da interposição do recurso, a qual pode decorrer dai 15 dias, se esse
efeito só vem com a apresentação do recurso, é como se você entendesse que a partir da
prolação da decisão você já pode executar o efeito da sentença e tirar uma série de
consequências praticas daquela decisão. Por isso que a doutrina pratica defende que o
efeito suspensivo depende da análise do recurso seguinte, quando você olha pro art. 520
você consegue entender que a maioria dos casos o simples fato de haver uma apelação
do tipo suspensiva, ela sobresta a eficácia da sentença.

• Eficácia dos recursos na segunda instância.


Imagine que agora estamos falando de acórdão no tribunal. Proferido esse acórdão
devemos analisar quais as possibilidades de recurso posteriores a esse acórdão. As vezes
pode ter o recurso especial ou as vezes tem o recurso extraordinário, mas ai o art. 497 do
CPC diz que ambos os recursos não impedem que a decisão produza eficácia desde logo.
Entao, você pode até interpor esses dois recursos, mas ai o acórdão já está produzindo
efeitos. Por isso, o correto é imaginar o cenário seguinte, verificar qual é o recurso cabível
na sequência para extrair a temporalidade do efeito suspensivo.
Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da
sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo,
ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.038, de
25.5.1990)

• Efeito suspensivo: regras especiais (CPC, art. 520).


Voltando ao art. 520:
• Inciso I: ações de divisão e demarcatórias.
I - homologar a divisão ou a demarcação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
Por que o legislador sacou fora o efeito suspensivo? Porque a ação de demarcação e
homologação da divisão de terras são baseadas em provas periciais, então há uma
79
probabilidade muito pequena que estas sentenças venham a ser reformadas. Por isso,
neste caso o legislador privilegiou celeridade processual em detrimento da segurança.

• Inciso II. ações de alimentos.


II - condenar à prestação de alimentos; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)
• Particularidades:
Esse inciso há varias peculiaridades em função desse verbo “condenar”. Esse verbo
remete a ideia de condenação, logo, quando não há sentença condenatória, voltamos para
a regra geral.

Quando falamos de uma ação de alimentos poderíamos ter no mínimo quatro tipos de
situações:
• a) ação de alimentos;
Ação daquele que não tinha alimento, foi em juízo e pediu a condenação do réu ao
pagamento de alimentos. Aqui se pede condenação, logo, é uma sentença condenatória
que determina pagamento de quantia. Se houver apelação ela será recebida no efeito
devolutivo. Em termos práticos o réu pode apelar, mas ele é obrigado a efetuar o
pagamento desde logo porque essa sentença já é auto executável.

• b) ação de majoração de alimentos;


Ação daquele que já tinha um título que lhe garantia os alimentos e foi em juízo para
aumentar o valor dos alimentos. Aquele que possui titulo executivo e pede a majoração
dos alimentos. Nesse caso sairia uma sentença condenando a pagar mais, logo, o réu
condenado a pagar uma quantia maior terá seu recurso apenas no efeito devolutivo. A
sentença que majora é condenatória e por ser condenatória aplica-se o inciso II e não o
cáput. Em termos práticos, durante o processamento do recurso do réu condenado a
pagar uma quantia maior, ele terá que pagar o valor novo majorado.

• c) ação de exoneração de alimentos;


Ação em que aquele obrigado ao pagamento dos alimentos foi em juízo e diz que ele não
tem mais obrigação de pagar, ele pede para ser exonerado da prestação alimentar. O
cidadão obrigado a pagar alimentos pede uma sentença de natureza declaratória, não é
condenatória. Se ela é declaratória não aplica o inciso II, vale a regra do cáput. Em termos
práticos, o autor pedindo exoneração de alimentos e o réu apelando, o recurso desse réu
será recebido no duplo efeito, efeito devolutivo e suspensivo. Como essa sentença de
exoneração vai sofrer o efeito suspensivo, aquele que pagava vai continuar pagando, isso
porque o efeito suspensivo retirou a eficácia daquela sentença.

80
Ex: essa situação acontece quando quem recebia alimentos atinge a maioridade.

• d) ação de redução de alimentos.


Ação em que aquele obrigado a pagar um determinado valor diz que não pode mais pagar
aquele valor estipulado e pede para diminuir o valor dos alimentos.
Se o juiz julga procedente esse pedido de redução de alimentos, qual é a natureza desta
sentença? A sentença é declaratória, então, como não tem condenação aplicamos o cáput,
entrando o efeito suspensivo e devolutivo. Em pratica o sujeito vai ter que continuar
pagando o mesmo valor que ele vinha pagando anteriormente.
Ex: essa quarta situação envolve o sujeito que estava obrigado a pagar uma pensao
alimentícia e constituiu outra família. Ele alega que não tem como mais pagar aquele valor
de pensão, pede a redução dos alimentos.

Ps.: Os alimentos são irrepetíveis, quem consumiu consumiu. Não é possível pedir ação de
regresso em casos que envolvam alimentos pagos. É uma questão de direito material em
que se subtende-se que eles foram utilizados para subsistência.

Que tipo de alimentos são esses? Os alimentos decorrentes das relações parentais, de
afinidade ou decorrentes de atos ilícitos (alimentos indenizativos)?
Ex: Pedir indenização pela morte do pai que morreu em uma acidente causado por um
caminhão. Vai pedir indenização pelo tempo em que aquela pessoa teria expectativa de
vida, ou seja, pede alimentos. Sentença julga procedente o pedido de alimentos desses
parentes. Em contrapartida, a empresa que pagaria esses alimentos interpõem apelação.
Essa apelação tem efeito suspensivo ou não?
O que os juízes fazem é aplicarem aos alimentos indenizativos um raciocínio diverso aos
alimentos decorrentes das relações parentais ou de afinidade. O que esse juiz está
declarando? Ele está falando que o sujeito que pede alimentos indenizativos precisa
menos do que aquele que tem alimentos em decorrência de relação de afinidade ou
parental. Para o professor isso é completamente errado, isso porque o Direito civil não
hierarquiza os alimentos. Se não há hierarquia, por que o processo civil tende a dar
tratamento distinto para situações em que o hipossuficiente está com o mesmo problema?
Isso ocorre por uma questão ideológica em que o capital acaba prevalecendo e também
pelo discurso da repetição já falado anteriormente. Não é da natureza das coisas que seja
assim, é apenas uma questão cultural.

• Inciso III. revogado (Lei n. 11.232/2005).

• Inciso IV. Sentença que julgue o processo cautelar.


81
IV - decidir o processo cautelar; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

• Inciso V: necessidade de leitura conjugada com a regra do art. 739-A do CPC.


V - rejeitar liminarmente embargos à execução ou julgá-los improcedentes; (Redação
dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)

• Inciso VI: ação de instituição de arbitragem (art. 7o da Lei n. 9.307/96).


VI - julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem. (Incluído pela Lei nº 9.307, de
23.9.1996)

• Inciso VII: sentença que confirmar os efeitos da antecipação da tutela


VII - confirmar a antecipação dos efeitos da tutela; (Incluído pela Lei nº 10.352, de
26.12.2001)
O recurso é tão somente devolutivo porque a antecipação dos efeitos da tutela já dada
antes já está produzindo efeitos.
Com o beneficiado já está usufruindo de um determinado bem da vida, essa sentença que
substitui o provimento antecipatório e o confirma não tem o seu recurso um efeito
suspensivo. Essa apelação não pode ter efeito suspensivo porque se não ela estaria
tirando os efeitos práticos daquele beneficio que já tinha sido antes dado para alguém. Por
isso, quando há confirmação dos efeitos da tutela aplicamos um continuismo até que o
tribunal julgue essa apelação.
O texto fala “confirmar”, ou seja, significa manter algo que já havia sido dado antes.
Entretanto, na prática, alguns juízes concedem a antecipação dos efeitos da tutela na
sentença, já que esta pode ser concedida a qualquer tempo. Isso acontece muito em
matéria de direito previdenciário. Quando o juiz na sentença abre um capitulo para
conceder a tutela, ele está querendo assegurar o benefício para que a parte durante o
tempo de tramitação de recurso não sofra esse efeito suspensivo e tenha acesso ao
pedido. Em outras palavras, o juiz dá o beneficio junto com a sentença para que se houver
a apelação, esta será recebida no efeito só devolutivo mas que se garanta para aquele
interessado um determinado benefício.
Claro que nessa situação não é muito precisa no ponto de vista da etimologia das
palavras, vez que o texto fala em “confirmar” e ai não seria uma confirmação, porque em
tese foi dado no mesmo momento. Com isso, a doutrina avançou para definir que o texto
deste inciso se aplica tanto para os casos de decisão antecipatória dada antes, como
também para decisão antecipatória simultânea a sentença, ai não seria necessariamente
uma confirmação.
Claro que para usufruir do beneficio deste inciso, a parte deve pedir a tutela antecipada
na sua inicial. Nesse caso que estamos falando, a parte pediu a tutela antes, mas o juiz
82
que deixou de dar antes e deu diretamente na sentença.
A doutrina majoritária diz que não é possível ter antecipação de tutela ex officio por conta
do artigo 273 que pressupõem o requerimento da parte. Em tese, se o juiz pudesse dar de
ofício a tutela, ele estaria gerando para a parte que ele esta beneficiando o princípio da
responsabilidade objetiva, porque quem pede um provimento de urgência assume um
risco de que eventualmente ele poderá indenizar a parte contrária pelos prejuízos que ele
possa gerar, e é por isso que o juiz não pode dar de oficio. Se pediu tudo bem, porque ai a
pessoa iria arcar com as consequências do seus atos.
Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os
efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se
convença da verossimilhança da alegação e: (Redação dada pela Lei nº 8.952, de
13.12.1994)
I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou (Incluído pela Lei nº
8.952, de 13.12.1994)
II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto prop ósito protelatório
do réu. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

Aula do dia 02/10/2014

O professor iniciou a aula informando que foi tratado o ponto sobre os efeitos t ípicos do
recurso de apelação e seu efeito devolutivo (Art. 520). Depois disso, falou que dentro das
exceções falada na aula passada não há efeito suspensivo nelas. Começou a aula falando
sobre o Art. 1.025 do novo CPC para complementar a aula passada e fechar o tópico em
questão.

NCPC (Câm. Deputados). Art. 1.025. A apelação terá efeito suspensivo.


§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente
após a sua publicação a sentença que: I – homologa divisão ou demarcação de terras; II –
condena a pagar alimentos; III – extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes
os embargos do executado; IV – julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; V
– confirma, concede ou revoga tutela antecipada; VI – decreta a interdição.
§ 2º Nos casos do § 1º, o apelado poderá promover o pedido de
cumprimento provisório depois de publicada a sentença.
§ 3º Nas hipóteses do § 1º, o apelante poderá formular pedido de efeito suspensivo: I – na
petição de interposição do próprio recurso; ou, II – por petição autônoma, que
deverá ser instruída com os documentos necessários ao conhecimento da
controvérsia, quando formulado depois de sua interposição, mas antes da
distribuição do recurso ao relator.

83
§ 4º Nas hipóteses do § 1º, a eficácia da sentença poderá ser suspensa
pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento
do recurso, ou, sendo relevante a fundamenta ção, houver risco de dano grave ou
difícil reparação.
§ 5º Quando o pedido for formulado por peti ção autônoma e os autos
já estiverem no respectivo tribunal competente para julgar o recurso de apelação, é
dispensável a formação do
instrumento de que trata o § 3º, inciso II.
§ 6º A apreciação do pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso de apelação
nas hipóteses do § 1º competirá ao: I – juiz prolator da decisão apelada, no período
compreendido entre a interposição do recurso em primeiro grau e a distribuição ao relator
no tribunal de segundo grau; II – relator designado, depois da distribuição do recurso no
tribunal de segundo grau.

No sistema que está sendo discutido no Senado eles tinham tirado o efeito suspensivo
como regra geral da apelação. Nessa versão da Câmara dos Deputados voltoou o efeito
suspensivo e eles foram de alguma forma ainda mais zelosos em prol da segurança pq o
texto do art. 1.025 fala que mesmo nos casos em que a apelação não seja dotada do
efeito suspensivo, em tese é possível q esse efeito seja concedido pelo relator (Art. 1025,
§4º, primeira parte).

O sistema atual então ele tem o efeito suspensivo em decorrência da lei. Mas no padrão
que está sendo trabalhado no 1025, se vcs observarem o §3º, ele fala que mesmo nos
casos em que não subsistem os efeitos suspensivo o efeito suspensivo pode ser pedido
para o relator. Então, esse modelo que está sendo proposto é ainda mais garantidor em
prol da segurança jurídica do que o regime atual. Então, passa o formulário de pedido para
o relator que eventualmente possa conceder o efeito suspensivo dentro dos parâmetros q
estão sendo apontado e isso vai evitar q aquela decisão produza eficácia imediata. Na
verdade, isso evita a EXECUÇÃO PROVISÓRIA DO JULGADO.

> PROCESSAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA E SÚMULA IMPEDITIVA DE RECURSO.


Art. 518. Interposta a apelação, o juiz, declarando os efeitos em que a recebe, mandará
dar vista ao apelado para responder.
§ 1o O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em
conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal
Federal. (Renumerado pela Lei nº 11.276, de 2006);
§ 2o Apresentada a resposta, é facultado ao juiz, em cinco dias, o reexame dos
pressupostos de admissibilidade do recurso.

Agora vamos falar de outro tema que é conexo com o processamento da apelação e ainda
está ligado nessa fase inicial de admissão. Nas aulas anteriores nos tratamos da admissão
84
por recurso de apelação. Então eu falei do art. 518 do CPC que fala que interposta a
apelação, o juiz intima o apelado para oferecer as contrarrazões e aí se estiverem
presentes os demais requisitos e pressupostos o recurso é encaminhado para o tribunal.
Só que a lei 11.276/06 ela criou a súmula impeditiva de recursos. Então, na verdade, esse
recurso está previsto no §1ª do 518 do CPC. O que se coloca nesse artigo é q o juiz pode
deixar de receber, pode inadmitir a apelação, todas as vezes em q a sentença apelada
estiver alinhada com o entendimento do STF OU STF.

Pq ela é chamada de SÚMULA IMPEDITIVA DE RECURSO? Pq ela projeta uma eficácia


que impede o processamento desse recurso de apelação.

O que se procurou ambientar para explicar a regra? Se essa sentença está alinhada com
entendimento sumulado dos tribunais superiores, haveria uma probabilidade muito
reduzida dela vir a ser aceita no tribunal ad quem. Por conta dessa perspectiva alta de
que ela venha a ser confirmado, o legislador preferiu bloquear o processamento da
apelação. Essa apelação, ainda que protocolada nos autos, ela não é encaminhada para o
tribunal. Nesse caso, vejam que o juiz não está somente analisando os pressupostos de
admissibilidade comuns (análise de preparo, tempestividade, regularidade formal etc), na
verdade, ele está olhando o mérito da apelação e se o apelante está discutindo o
fundamento da sentença alinhada com a súmula do tribunal superior. Então, a tarefa do
juiz, que antes era feita no automático, ela aumentou um pouco mais.

Se vcs conversarem com um advogado mais antigo, ele irá relatar q esse despacho de
admissão da apelação era muitas vezes feito por carimbo nos autos pq o juiz se limitava a
apenas verificar os pressupostos comuns e já aceitava a apelação. Pq não havia interesse
no juiz em verificar os fundamentos jurídicos tragos na apelação e muito menos no que
estava alinhado nas súmulas dos tribunais superiores pq isso era preocupação do tribunal
e o juiz não se preocupava com essa tarefa. Mas, por conta do princípio de duração
razoável do processo, da acelaração do tempo final de duração da demanda, se criou a
técnica da súmula impeditiva de recurso. Veja que NÃO ESTAMOS FALANDO DE
SÚMULA VINCULADA - que continua apenas de prerrogativa do Supremo. O que se diz
aqui é q A SÚMULA - DE QUALQUER TRIBUNAL - SEJAM AS SÚMULAS VINCULANTES
OU AS NORMAIS (Jurisprudência dominante localizada no FINAL DOS COMP ÊNDIOS)
TODAS ELAS SENDO UTILIZADAS COMO FUNDAMENTO DECIS ÓRIO NA
SENTENÇA, ELAS VÃO BLOQUEAR A POSSIBILIDADE DE INSURGÊNCIA DA PARTE
CONTRÁRIA.

EXEMPLO1 : AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE -


No caso concreto, o juiz pediu prova pericial por meio de teste de DNA. Intimou o r éu para
o fornecimento de material genético e o réu não compareceu para o exame. O juiz valorou
o não comparecimento como uma PRESUNÇÃO DA EXISTÊNCIA DE

85
VÍNCULO/PARENTESCO biológico23. Se o juiz fundamentar sentença na súmula 301 e a
sentença for de procedência o réu, em tese, poderia apelar. Pq em tese? Pq, caso seja
protocolada a apelação, qual é a etapa seguinte q o juiz deve adota? A do § 1º do Art. 518.
O que implica em dizer que essa apelação será INADMITIDA NA ORIGEM. Então, como
se imagina q aquele seria o entendimento do tribunal, evita-se que o processo chega-se a
ele com esse desfecho provado. Na verdade, esse desfecho provado ele é antecipado
para a primeira instância.

Pergunta: Eu posso não querer fazer o teste e não ser o pai... (inaudível)
Professor: Aqui nós temos que separar a solução dada no art. 518, §1º - em prol da
valorização das súmulas julgadas nos tribunais superiores - do problema contextual ligado
a essas questões do direito ao reconhecimento da ascendência genética, do direito à
prova e do contraponto da direito a intimidade. O que o supremo teve que enfrentar essas
situações, inclusive em HCs, pq muitas vezes determinados juízos num afã de fazer a
prova pericial determinavam condução coercitiva da pessoa a ponto de se extrair dela
material genético para exame de tipagem. Então, o STF compreendeu que há um direito
fundamental à intimidade só que como na outra ponta tb há direitos fundamentais
igualmente dignos para a proteção, então, dentro desse conflito de direitos fundamentais,
o STF solucionou o vácuo legislativo e aí resolveu valorar na base de uma presunção de
que existe a relação de parentesco. Então, como a parte afasta a presunção? Se
submetendo ao exame. Essa jurisprudência acabou prevalecendo e, logicamente, ela
acabo virando súmula vinculada como passo seguinte.

EXEMPLO 2: Pessoa foi fazer compras no supermercado e teve o seu carro furtado.
Nesse caso se discute se é de responsabilidade ou não do estabelecimento o roubo
de pertences, visto q muitas vezes nós temos uma placa escrita "não nos
responsabilizamos por pertences roubados..etc". Dentro da ambiência da proteção
consumerística, o estacionamento é uma comodidade em prol da atividade-fim do
estabelecimento. Então, se houvesse uma recusa em idenizar do estabelecimento,
poderia ter uma ação civil indenizatória cobrando o prejuízo. Após o contraditório, o juiz
resolveu aplicar na sentença a súmula 130 do STF "Olha, esse caso, diante da proteção
consumerísta, considerando que o furto ocorreu durante o período de estadia daquela
pessoa na dependencia do estabelecimento, então, presume-se a culpa do
estabelecimento, conforme súmula 130 do STF".

23 Já ocorreu uma discussão no STF se a pessoa podia ser obrigada a se submeter ao teste. O STF
compreendeu que isso era invasivo demais e quebraria o direito de intimidade. Mas como na outra
ponta tem o direito fundamental de conhecimento da ascendência genética. Então, o STF se
orientou da seguinte forma: se a pessoa recusa de ir ao teste, ninguém pode obriga-la de maneira
coercitiva, só que a recusa é considerada como uma presunção da existência do vínculo biológico
de parentesco. Por isso, o STJ, depois de observar o jurisprudência do SUPREMO e de pautar a sua
própria jurisprudência, ele editou a SÚMULA 301: " Em ação investigatória, a recusa do
suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade."
86
O que gera trazer a súmula 130 do STF, de acordo com o art 518, §1º? Ainda que o
estabelecimento apele, na prática, a ação "não vai pra frente", ela fica INADMITIDA NA
ORIGEM. Por isso que o nome do dispositivo é SÚMULA IMPEDITIVA DO RECURSO. É
como se a gente estivesse dando uma maior importância para as matérias sumuladas nos
tribunais superiores. Imagina-se que com ida do processo para o tribunal, o tribunal
chegaria a essa mesma conclusão e, por isso, antecipa-se a inadmissão.

PERGUNTA: E o que não está regrado/ disciplina pelo art. 518,§1º?

Bom, eu dei 2 exemplos que podem ser resolvidos por um única súmula e aí fica fácil
pensar na aplicabilidade do art.518,§1º. No entanto, existem n situações (maioria dos
casos que envolvem aplicação de súmula) em q a matéria discutida não se resolve no
entendimento sumulado, pois eu posso ter sentenças complexas cuja a fundamentação
em parte esteve alinhado com o entendimento sumulado e em outra parte está tratando
de outros assuntos que não necessariamente tem o respaldo de súmulas do superior.
Então, O QUE FAZER COM UMA EVENTUAL APELAÇÃO INTERPOSTA?

EXEMPLO 3: Ação revisional de contrato bancário.24

Quando temos esse tipo de ação, temos uma discussão de n matérias pq a pessoa está
discutindo sobre deteriminados conteúdos de cláusula contratual, cláusula de vencimento
antecipado da dívida, prática sobre capitalização de juros, cumulação de determinados
índices com correção monetário...). Na verdade, a causa de pedir dessas ações revisionais
é bastante ampla. O que vai acontecer na sentença proferida nessas situações? Vamos ter
uma sentença tb bastante complexa pq ela vai tratar de matérias variadas e aí que tem um
problema pq para algumas dessas matérias sumuladas pode haver súmula de tribunal
superior e para outras não. Por exemplo: Para a capitalização de juros tem a súmula 121
do STF. Incidência de comissão de permanência e correção monetária tem a súmula 30 do
STJ. Ma, cads vão surgir tb questões que são do caso concreto e o juiz tem q fazer a sua
fundamentação não necessariamente na interpretação do direito dado pelo tribunal
superior, mas teve q se basear no conjunto probatório, argumento de doutrinas, na
verdade, outros tipos de PRECEDENTES DE TRIBUNAL Q NÃO SÃO PRECEDENTES
SUMULADOS. A confusão vem daí, pois, por exemplo, se eu tiver uma sentença de
procedência TOTAL numa ação como essa, caso o banco resolva apelar, ADMITI-SE OU
NÃO O RECURSO? Ao meu ver, e aqui é a leitura da melhor leitura dogmática do tema,
seria o juiz receber o recurso PARCIALMENTE E INADMITI-LO NAQUELES CAPÍTULOS
EM QUE ELA ESTEJA ALINHADO À SUMULAS DO TRIBUNAL SUPERIOR.

No entanto, isso dá um trabalho para fazer pq quando eu falo em admissão parcial da


apelação o juiz não vai fazer rasgar a sentença em duas partes e dizer "olha, essa parte vc
pode analisar, mas essa aqui não pode pq ela está alinhada com súmula". Então, a

24 Dado importante: 30% das ações nos tribunais se referem à contratos bancários (Ação revisional de conta corrente,
ação revisional de conta de crédito). Então, dá para imaginar que isso impacta o cotidiano dos tribunais.
87
inadmissão PARCIAL É UMA INADMISSÃO POR FICÇÃO pq o processo segue como um
todo para o tribunal, mas na prática a gente considera que uma parte está preclusa e outra
é ainda passível de revisão pela corte. Esse dispositivo cria então uma espécie de COISA
JULGADA PROGRESSIVA pq a coisa julgada não se forma de uma vez só, ela se forma
por capítulos (tem q se considerar os cap. sumulados e os não sumulados). Na prática, os
juízes não aplicam o art 518 nas situações complexas pq eles não estão acostumados com
essa situação, eles consideram que o único trabalho deles é fazer chegar a sentença para
o tribunal.

> Recurso de apelação e julgamento de demandas repetitivas.

Cotidianamente os tribunais proferem sentenças, que vão aos pouco sendo sedimentadas
e que numa hora viram súmulas. Os demais precedentes, qnd o juiz de primeiro grau
CITA na sentença um acórdão do STF ou STJ isso NÃO É SUFICIENTE PARA O
IMPEDIMENTO DA APELAÇÃO. Entenderam a questão da gradação? Só súmulas nesses
casos!

O NCPC ele vai além pq ele fala o seguinte " que haverá inadmissão da apelação nos
casos de entendimento sumulado ou JÁ JULGADOS MEDIANTE REGIME DE RECURSO
REPETITIVO".

Os recurso repetitivos nós vamos examinar mais adiante, mas há uma técnica que é
adotada pelos tribunais superiores de seleção de casos paradigmáticos com
sobrestamento de todos os demais processos similares q versam sobre a mesma mat éria.
Então, qnd temos uma leva de processos envolvendo o mesmo tema, por ex. casos
envolvendo direitos individuais homogêneos, não há sentido prática em mandar todos os
casos para o tribunal superior. É como se a corte de origem tivesse o seguinte papel: ela
tem que pinçar aqueles casos q sejam REPRESENTATIVOS da controvérsia e onde os
argumentos tenham sido melhor explicitados e depois disso esses casos são
encaminhados para o tribunal superior. Os demais ficam estancados na origem, eles vão
aguardar o julgamento daquele recurso selecionado. É como se a gente tivesse uma
técnica de julgamento por AMOSTRAGEM, não vão se julgar centenas de processos
iguais, é melhor separar os casos mais ilustrativos envolvendo a mesma matéria. Depois
do julgamento da tese no tribunal superior, aquela decisão se projeta para os demais
casos similares. Então, vejam q essas técnicas elas são construídas em prol da seguinte
lógica: MAIOR VALORIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DE TRIBUNAL SUPERIOR.

OBS: Esse tema do art 518 é muito comentado em provas de concurso e tende a ficar
mais visado pq o NCPC d á uma INTERPRETAÇÃO AMPLIADA PARA ESSAS
SITUAÇÕES.

PERGUNTA: PQ O INSTITUTO SE CHAMA DE SÚMULA IMPEDITIVA DE RECURSO?


Não é que a súmula do tribunal impede, é que o juiz que aplicou a súmula caso ele
88
vislumbre a interposição de recurso na sua sentença, então, ele impede o processamento
imediato da apelação. De alguma maneira ele está precipitando um pronunciamento dos
tribunais superiores.

PERGUNTA: E se a parte que interpôs o recurso de apelação eventualmente não


concordar com essa técnica de inadmissão? A pessoa pode considerar que o caso
dela não se encaixa nessa situação e o juiz considerou meramente uma jurisprudência.
Vamos exemplicar: Imaginem que o juiz de primeiro grau tenha citado súmula já revogada
(o STJ cte revoga e modifica a sua jurisprudência), por exemplo, os dtos compromissários
e os registro de compromisso de compra e venda na matrícula do imóvel25. Há algum
tempo atrás o STJ tinha dito que dava proteção ao promitente comprador
independentemente dele ter levado a registro o seu ctto particular (súmula 84 do STJ). No
entanto, hj o STJ utiliza uma linha bem diferente que é da súmula 375 que fala q o dto do
promissário comprador só serão oponíveis perante 3º se houve o registro do ctto particular
perante a matrícula do imóvel. Então, pode haver, pragmaticamente, que o juiz aplicou
uma súmula q já não é mais o entendimento do tribunal superior.

Para essa situação, a parte recorrente ela pode atacar essa outra decisão, a de
inadmissão de recurso? SIM!Ela vai interpor o recurso (AGRAVO OU ALGO NESSE
SENTIDO) não mais para discutir a decisão anterior recorrida, mas para discutir a decisão
de INADMISSÃO. O que ela vai falar nesse recurso contra a decisão de inadmissão
"PELO AMOR DE DEUS, MEU CASO É DIFERENTE PQ A SÚMULA NÃO É APLICÁVEL
A MINHA SITUAÇÃO".

Súmula 375: "O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do


bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente." - Essa súmula protege o
adquirente de boa-fé que tenha feito o registro dos seus dtos perante matrícula imobiliária
e cadastro de proteção de bem etc.

Existe uma outra situação mais complexa (q nem vou exigir em prova)...há uma
ingenuidade no Brasil que a jurisprudência por si só melhora o ambiente de segurança
jurídica. Eu acho que a aprender com a COMMON LAW para criar uma cultura
precedentialista que seja capaz de se adaptar a realidade brasileira. Mas esses verbetes,
esses enunciados de súmula, eles tem uma pretensão universializante que as vezes cai
no mesmo problema da lei. Ora, se a lei não nos dá necessariamente a segurança jurídica
desejável, o que nos impele a afirmar que a jurisprudência irá garantir? Olhem a súmula
vinculante 12 STF. O art 206, IV fala da gratuidade das universidades públicas e a súmula

25 Há um dilema na matéria de direitos de reais sobre se o contrato de gaveta que não é necessariamente averbado na
matrícula do imóvel se ele merece proteção e se ele é oponível perante 3º. Pq, percebem, a prática brasileira consagrou
os cttos de gaveta (as vezes as pessoas compram o imóvel com base num compromisso de compra e venda) e não
transfere pq quer economizar para não pagar imposto, dívida de 3º e tem medo q o imóvel seja alcançado. Então,
eventualmente, o imóvel fica com a titularidade do antigo proprietário. Aí esse antigo prop. se envolve num tipo de
problema que desperta uma ação judicial (ex: execução de título extrajudicial, ação de cobrança...) aí a justiça acha o
imóvel e vai lá no âmbito da execução judicial e faz a penhora. Isso eventualmente colide com o dto do promissário
comprador (aquele q tem o ctto na gaveta).
89
vinculante confirma isso. Aí a gente imagina que essa súmula vai abarcar e resolver
realidades que são muito complexas, por exemplo, a universidade pode cobrar por curso
de língua a parte? pode cobrar taxa de vestibular? Então, vejam que mesmo que o juiz
faça a linkagem do caso concreto com a súmula de tribunal superior, pode ser q o caso
em si revele particularidades q não se exaurem no conteúdo sumulado. É por isso que a
gente tb tem que pensar que a decisão de INADMISSÃO ELA COMPORTA RECURSO
PQ ELA TEM Q TER UM CONTROLE DESSA ATIVIDADE DECISÓRIA.

Súmula Vinculante 12: "A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola
o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal."

Essa súmula que eu dei de exemplo, está intencionada a resolver certas questões, mas
não quer dizer que ela apazigúe de forma geral n outros problemas correlatos e as vezes
a gente pinça esses enunciados imaginando que eles são totalizantes e acabam
resolvendo o caso concreto. A realidade, no entanto, é muito mais complexa e exige
soluções mais sofisticadas.

> Recurso de apelação e julgamento de demandas repetitivas. (ART 285-A, CPC)

285-A. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver


sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser
dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente
prolatada. (Incluído pela Lei nº 11.277, de 2006)
§ 1º Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não
manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação. (Incluído pela Lei nº 11.277,
de 2006)
§ 2º Caso seja mantida a sentença, será ordenada a citação do réu para responder ao
recurso. (Incluído pela Lei nº 11.277, de 2006)

Os comentaristas do CPC dizem que esse artigo chancelou o "ctrl c + ctrl v" pq qnd se
tem sentença sobre determinada matéria ela pode ser reproduzida para demais situações
envolvendo direito individual homogêneo com o mesmo pano de fundo, com a mesma
temática. Então, o texto redacional não é um primor pq ele fala q qnd houver "sentença de
total improcedência em outros casos idênticos", mas se são casos idênticos deveria
ocorrer extinção do processo sem resolução de mérito por litispendência. Então, na
verdade, esse artigo está falando de casos similares, parecidos q envolvem a mesma
causa de pedir. São essas petições padronizadas q muitas vezes geram sentença
padronizadas.

ALUNO: PERGUNTA INAUDÍVEL


Professor: É para a primeira instância esse artigo pq ele fala assim qnd no juízo houver
casos análogos ele pode DISPENSAR A CITAÇÃO DO RÉU, não precisa chamar o réu e
90
ele profere aquele padrão decisório q utilizou em outros casos. Os manuais de processo
ensinam que a citação válida é pressuposto para a constituição válida do processo. Vamos
fazer um adendo: citação válida só é requisito para sentença de procedência, mas, se a
sentença é de improcedência (a favor do réu), então, para esses casos que são
padronizados e repetitivos, não há necessidade de chamar de juízo pq já se sabe o tipo de
defesa q ele irá apresentar e que a sentença seria a mesma futuramente.

Se vcs procurarem na internet por enunciado nº 2 do FUNAJE. Com a criação dos


juizados especiais federais foram criados enunciados próprios do juizado. Esses casos de
direito da repetição são engraçados pq o enunciado nº2 foi escrito qnd não tinha processo
eletrônico dos JEF's, então, qnd há essas causas repetitivas o procurador do ente
fazendário normalmente faz um "ctrl c + ctrl v". O enunciado 2 diz q pode ser deixado a
defesa em secretária, então, não precisa mais necessariamente ter o nome da parte, ter o
número dos autos de identificação, basta q se imprima um monte de defesa, contestação e
deixa lá na secretaria do órgão dos Juizados Federais. Apareceu um caso novo,
envolvendo uma matéria, o tiozinho da distribuição autua o novo caso e já junta
contestação. Para q citar a fazenda pública pq ela vai apresentar a mesma defesa de
sempre e isso está no enunciado nº2. É meio que assim: se surgir processo, já está aí a
defesa. É uma jurisdição da ficção pq a gente finge que alguém vai ler aquilo, o processo
está parametrizado do começo ao final. Então. essa mesma racionalidade é que explica o
caso do 285-A pq se pensa assim "se a sentença vqai ser o modelo tal, então, para que
eu vou chamar o réu, vou ter despesas".

Enunciado nº. 2: "Nos casos de julgamentos de procedência de matérias repetitivas, é


recomendável a utilização de contestações depositadas na Secretaria, a fim de possibilitar
a imediata prolação de sentença de mérito."

- Crítica: O texto dessa lei é ruim26 pq intuitivamente eu posso pensar que cada ju ízo
está autorizado a criar a sua própria jurisprudência sobre determinado assunto. Isso
seria o caos! Então, como podemos fazer uma interpreta ção desse artigo de acordo
com os parâmetros constitucionais? Uma INTERPRETA ÇÃO DE SALVAMENTO DO
ART 285-A.O artigo pode ser aplicado qund o juiz considerou que é um
entendimento já passificado em tribunal superior. Isso evita que cada ju ízo
individualmente considerado cria a sua própria jurisprudência.

- O NCPC mantém esse instituto e diz o q eu acabei de falar. A partir de agora n ão é


sentença do juízo, é sentença que esteja CONSIDERANDO MATÉRIA JÁ PASSIFICADA
EM TRIBUNAL SUPERIOR.

EXEMPLO: Caso que envolve assinatura básica de serviço de telefonia fixa comutada.

26 Tem uma ADIN, mas ela nunca teve liminar e até hj está empilhada, mas está tudo bem pq a gente presume a
constitucionalidade da lei, não a inconstitucionalidade.
91
A discussão desse caso é que se diz que o código do consumidor proíbe a venda casada
de produtos, então, é proibido que a pessoa assine uma linha e já tenha q levar o pacote x,
y, z. Por quanto disso ocorreram muitas ações que requisitavam a devolução do dinheiro
da assinatura básica com serviços comutados. Só esqueçaram um detalhe: o serviço de
telefonia ele é passivo tb, tem um serviço passivo q está a sua disposição pq vc não o uso
apenas qnd vc liga, mas qnd tb te ligam e. por isso, que se tem a questão da tarifa. Aí
alguns dizem que a cobrança seria feita na ligação de origem, mas aí tb tem lligação a
cobrar tb. Por conta dsso, a jurisprudência disse que não cabe essa história de repetição,
mas uma coisa é o tribunal superior falar isso e outra um juiz individualmente falar isso

O que isso tem haver com apelação? É q o art 285-A diz assim: "qnd houver sentença de
total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser dispensada a citação (do réu) e
proferida sentença". Nesse caso, o RÉU PODE APELAR. E o q ele vai dizer na apelação?
"Juiz, meu caso é totalmente diferente do caso q vc considerou".

Então, a gente fala de apelação um dos parágrafos do 285-A fala em JUÍZO DE


RETRATAÇÃO. O juiz que fez a sentença pode ter a humildade de dizer que juntou o
modelo errado e ele pode se retratar sem a remeça da sentença para o tribunal.

ESSES DOIS MECANISMOS (Súmula impeditiva de recurso e julgamento de demandas


repetitivas) ELES QUEBRAM O PADRÃO NORMAL DE PROCESSAMENTO DA
APELAÇÃO.

> Processo de Apelação em 2ª Instância


Agora, eu só vou adiantar rapidamente o que ocorre no processo de apelação em 2ª
instância. Essa parte está no ponto 9 (Recurso extraordinário). A gente já viu q a apelação
tem o pedido feito na primeira instância, q o juiz pode aceitar ou não (juízo de
admissibilidade) receber o recurso de apelação, ele pode ou não aplicar essa regra do
518, §1º etc. Uma vez recebido o recurso..então é isso q nós vamos nos preocupar agora.

No caso da segunda instância, o código não fala exclusivamente do recurso de apelação.


O CPC tem um capítulo que é chamado de "da ordem dos processos no tribunal" então o
capítulo é GENÉRICO e ele fala sobre todos os tipos de recuso e sobre as ações que
eventualmente tramitam em tribunal de 2ª jurisdição e tb tribunal superior. Na prática, essa
matéria começa no art.547 e termina no art. 565. Então, esse capítulo ele regulamenta a
ordem que será aplicado para os recursos e para essas ações. Logo, tb vamos falar de
como se dá os julgamentos colegiados pq eles são ainda (ou pretendem ser) a regra geral.
Eu já falei antes, qnd comentei sobre duplo grau de jurisdição, que há uma forte tendencia
de monocratização dos julgamentos, cada vez mais nós temos espaço para julgamentos
monocráticas em detrimento dos julgamentos colegiados. Só que ainda temos a obrigação
de conhecer como os casos tramitam na competência funcional dos tribunais.

92
- Chegando um recurso no tribunal, teremos OS SEGUINTES ATOS:
1) REGISTRO (art. 547, CPC)

Art. 547. Os autos remetidos ao tribunal serão registrados no protocolo no dia de sua
entrada, cabendo à secretaria verificar-lhes a numeração das folhas e ordená-los para
distribuição.
Parágrafo único. Os serviços de protocolo poderão, a critério do tribunal, ser
descentralizados, mediante delegação a ofícios de justiça de primeiro grau.

É o primeiro ato e foi pensado como uma necessidade de uma nova autuação,
necessidade de uma nova identificação númerica etc. O CNJ criou o padrão de registro
numérico único dos processos e que começa em sua origem e deve se manter até o final,
independente se passar pelo tribunal A, B ou C. Ainda assim, há espaço para o registro no
sentindo que foi apresentado aquele recurso, q chegou aquele processo nos autos do
tribunal e aí é feito a numeração das folhas e ordenação para a distribuição.

2) DISTRIBUIÇÃO (art 548)


Esse segundo ato é que marcará a ESCOLHA DO RELATOR RESPONSAVÉL PELO
CASO.

Art. 548. Far-se-á a distribuição de acordo com o regimento interno do tribunal,


observando-se os princípios da publicidade, da alternatividade e do sorteio.

- Publicidade: Ato processual público que qualquer pessoa pode acompanha-lo. É lógico
que hoje a distribuição é feita por meio de sorteio eletrônico, então, é lógico q esse
acompanhamento é relativo pq não se chega ao ponto de se querer auditar os programas
internos de distribuição etc.

- Alternatividade: Os processos são identificados por matéria, por tipo de recurso e eles
serão distribuídos aos integrantes do tribunal de modo que no final de um determinado
espaçamento de tempo cada qual daqueles juízes tenha recebido a mesma quantidade de
trabalho por matéria. Então se a gente tem um tribunal de 100 juízes, verifica-se quem tem
competência cível e daqueles que tem competência cível nós vamos pegar o cenário das
apelações que são classificadas por natureza de recurso (apelação, agravo etc). Então,
distribuí uma apelação para o juiz, ele sai do sorteio seguinte, distribuí para outro juíz e
aquele tb sai do sorteio seguinte e assim por diante até q todos tenham uma rodada
daquele tipo de recurso. Como o sistema é eletrônico e, na verdade, ele considera o
intervalo de tempo, então, todos terão o mesmo volume de trabalho.

- SORTEIO: Mas vejam só, a distribuição serve para indicar o relator, mas a gente tem que
observar que no momento em que se escolhe o relator do caso, eu já saberei de antemão
quais serão os demais juízes do quórum do julgamento e qual será o órgão. Pq? Pq todos
os juízes estão vinculados a um determinado órgão fracionário. Então, eu tb falo em
93
SORTEIO PARA SE EVITAR UM CERTO DIRIGISMO. Qnd não se tinha os modelos de
software de gestão eletrônica da distribuição o sorteio era feito com aquele globo comum
em bingo (comum tb em quermesses), aí sorteavão caso x e se colocava uma etiqueta em
cima. Aí eu sorteio o seguinte, pego outra etiqueta e coloco aqui e pronto (nesse momento
ele faz gesticulações em sala para explicar, tentei explicar o melhor possível). Logo, é
óbvio q os sistemas manuais davam margem a um sistema de fraudel, por isso, esse
modelo eletrônico é mais confiável. É claro q eu não posso ser ingênuo e achar que não
possa haver nenhum tipo de manipulação, mas fica um pouco mais difícil e não é uma
coisa tão extensível assim, fácil de ser praticado.

obs: Eu falo em ÓRGÃO FRACIONÁRIO para não falar em turma, câmara e assim por
diante pq, via de regra, os tribunais chamam os seus órgãos fracionários de câmara
(câmaras cível, criminal etc). As câmaras vão sendo criadas por especialização e de
acordo com a necessidade e contingência da Corte. A Justiça Federal chama esses órgãos
de TURMAS. Então, a gente está falando das mesmas composições fracionárias, apenas
mudam-se os rótulos, por isso, é melhor falar em Órgãos Fracionários.

3) REMESSA DOS AUTOS PARA O RELATOR

Art. 549. Distribuídos, os autos subirão, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, à


conclusão do relator, que, depois de estudá-los, os restituirá à secretaria com o seu "visto".

Parágrafo único. O relator fará nos autos uma exposição dos pontos controvertidos sobre
que versar o recurso.

O que o relator faz? Relatório, é lógico. E pq relatório? pq, na verdade, a técnica de


julgamento dos tribunais foi pensada de forma colegiada, não foi no sentido que todos os
julgadores teriam que examinar todos os autos, por isso, se faz o relatório q é oponível
para todos os demais pares/votantes. Aí, na sessão de julgamento, nos teremos a
discussão das informações colocadas no relatório.

4) REMESSA DOS AUTOS AO REVISOR

Art. 551. Tratando-se de apelação, de embargos infringentes e de ação rescisória, os autos


serão conclusos ao revisor.

§ 1o Será revisor o juiz que se seguir ao relator na ordem descendente de antigüidade.

§ 2o O revisor aporá nos autos o seu "visto", cabendo-lhe pedir dia para julgamento.

94
§ 3o Nos recursos interpostos nas causas de procedimentos sumários, de despejo e nos
casos de indeferimento liminar da petição inicial, não haverá revisor. (Redação dada pela
Lei nº 8.950, de 13.12.1994)

Percebe-se que não há sorteio do revisor, então, quem será o revisor? No art. 551, §1º diz".
Será revisor o juiz que se seguir ao relator na ordem descendente de antigüidade". Pode
parecer confuso, mas é bem simples. É assim: Os juízes chegam no tribunal em
momentos diferentes e a CF consagra a promoção por merecimento e antiguidade, então,
a medida q os juízes chegam, eles vão sendo alocados em determinados órgãos
fracionários.

Exemplo: 1ª câmara cível do TJ/RJ. Aí eu tenho lá o juiz mais antigo, 2º mais antigo e
assim sucessivamente numa ordem decrescente de antiguidade. Então, o que esse artigo
diz é...supondo por hipótese que tenha sido sorteado esse indivíduo como relator de uma
ação (apontou para o quadro, não sei para que juiz) quem será o seu revisor natural na
ordem seqüencial? Será o juiz que se seguir a ele na ordem decrescente de antiguidade.
Então, aqui nós já temos a vinculação desses dois juízes ao julgamento daquele caso
concreto. Mas o artigo 555 diz que Agravo e Apelação têm que ser votados com 3
participantes (o quórum de votação tem q ser 3). Então, o juiz que se seguir a eles será
categorizado como TERCEIRO VOTANTE. O 3º votante como não tem um nome especial
ele é chamado de VOGAL. Esses dois últimos não são votados, mas eles já chegam
automaticamente na pauta de julgamento pq o órgão fracionário está composto dentro de
uma sequência.

PERGUNTA: E se for sorteado o mais novo da turma, não tem ninguém depois dele
naquela sequência de antiguidade? Aí, para q a gente tenha ALTERNATIVIDADE no
volume de trabalho, será o revisor dele O MAIS ANTIGO. O que faz sentido pq vai dar
cultura para o tribunal, pontuar as jurisprudências já existentes, vai passar um pouco da
experiência etc. E aí, logicamente, o segundo mais velho terá a condição de vogal.

Então, como isso funciona DE FORMA CÍCLICA, acaba q todos tiveram o mesmo volume
de trabalho, seja na condição de relator, revisor ou vogal.

O mais antigo do tribunal tb tem uma competência administrativa pq ele fica com as
incumbências de presidente do órgão fracionário, então, ele terá algumas atividades como
do controle da pauta, de alinhar com a secretaria quais são os casos q irão para
determinada sessão de julgamento. quantos são e assim por diante

OBS: QUANDO FALAMOS DO CRITÉRIO DE ANTIGUIDADE, ESTAMOS FALANDO DO


CRITÉRIO DE ANTIGUIDADE DE ACORDO COM A CHEGADA AO TRIBUNAL, NÃO É O
CRITÉRIO DE ANTIGUIDADE NA CARREIRA. Pq não pode ser o critério de antiguidade
na carreira? Pq os tribunais tem o chamado QUINTO CONSTITUCIONAL. Então, 1/5 dos
95
seus membros são compostos por egressos do MP e da advocacia . Naturalmente, essas
pessoas têm menos tempo de judicatura, mas com a chegada ao tribunal, eles passam a
ter um tempo de "casa". Então, esse tempo de quem vai exercer qual tarefa é determinado
por esse tempo de casa.

ALUNO: É comum eles mudarem câmara, turma...? Pq, caso contrário, eles sempre ficam
nesse ciclo.
Professor: Essa pergunta tem q ser considerada dentro da seguinte perspectiva: Depende
da cultura de cada tribunal. Cada tribunal tem um perfil e uma característica própria (o
prof. diz q pode falar, mas não pode provar isso) pois tem tribunais q adquirem identidade
própria, como um viés mais vanguardista da sua jurisprudência ou mais conservador, seja
pelo perfil de rotatividade e os demais membros internos tb vão dar os critérios de remoção
de um juiz, de uma câmara cível ou criminal etc. Então, eu diria q não é comum, mas q tb
não é raro. Não tem nada de excepcional nisso, ocorrendo de forma mais intensa em um e
menos em outro por questão de cultura própria.

ALUNO: Pergunta inaudível


Professor: Tem os 2 lados da moeda. Eu já falei isso antes qnd tratei do duplo grau de
jurisdição. O fato de eles terem uma estrutura colegiada traz facilidade e problemas.
Facilidades como os juízes já se conhecerem, já sabem suas posições etc, no entanto, tem
o lado ruim pq vc começa a ter sedimentação da jurisprudência (vc pode gerar estagnação,
em vez de gerar oxigenação).

OBS: O revisor tem um ato muito importante q ele vai praticar q é o seguinte: ELE VAI
PEDIR DIA PARA O JULGAMENTO.
Notem que o relator faz o relatório. O relatório não é o voto dele, é relatório. Ele relata o q?
Relata os parâmetros do caso e dos argumentos do recurso. Em seguida, os autos v ão
para o revisor que faz a revisão e pede dia para o julgamento. O que é isso? Ele vai pedir
para o presidente do órgão fracionário, ao qual eles estiverem vinculados, q seja incluído
aquele caso na pauta de julgamento. Nesse momento, o presidente vai articular com a
secretaria do tribunal. Ele fala "aqui nós vamos colocar a sessão de dia x", então, eles vão
distribuindo o trabalho de acordo com a capacidade de cada tribunal.

PERGUNTA: Mas quantos casos eles julgam por tarde, tem um limite disso? De novo,
cada tribunal tem a sua própria identidade. Tem tribunais q julgam muitos casos numa
tarde e outros menos. É claro que as câmaras especializadas irão julgar mais casos que
as não especializadas (câmara residual). Tb tem a velocidade relacionada com a matéria,
por exemplo, no tributário tem muita matéria repetida enquanto que no direito de família
cada caso é um caso. Então o presidente do tribunal ele ajusta isso com o chefe de
secretaria q esteja vinculado. Então, eles vão colocar lá uma média de 200 a 300
julgamentos.

5) INCLUSÃO EM PAUTA
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Art. 552. Os autos serão, em seguida, apresentados ao presidente, que designará dia para
julgamento, mandando publicar a pauta no órgão oficial.

§ 1o Entre a data da publicação da pauta e a sessão de julgamento mediará, pelo menos,


o espaço de 48 (quarenta e oito) horas.

§ 2o Afixar-se-á a pauta na entrada da sala em que se realizar a sessão de julgamento.

§ 3o Salvo caso de força maior, participará do julgamento do recurso o juiz que houver
lançado o "visto" nos autos

O art. 552 ele fala q tem q ter um intervalo mínimo de 48h entre a intimação das partes e a
sessão de julgamento: ""§ 1o Entre a data da publicação da pauta e a sessão de
julgamento mediará, pelo menos, o espaço de 48 (quarenta e oito) horas."

"Os autos serão, em seguida, apresentados ao presidente, que designar á dia para
julgamento, mandando publicar a pauta no órgão oficial" (AS PARTES PRECISAM SER
NOTIFICADAS SOBRE A PUBLICAÇÃO DESSA PAUTA" .

Pergunta: Pq há necessidade dessas 48h? Pq pode ser q o advogado esteja no interior, o


recurso veio de uma comarca do interior. Então, ele tem q se preparar, tem q chegar na
capital, tem direito de colocar a sua palavra (sustentação oral).

OBS: SE NÃO FOR OBSERVADO ESSE TEMPO DE 48H, O JULGAMENTO É NULO,


DE ACORDO COM A SÚMULA 117 DO STJ.

SÚMULA 117 DO STJ: A inobservância do prazo de 48 horas, entre a publicação de pauta


e o julgamento sem a presença das partes, acarreta nulidade.

obs: Tem uma outra situação que gera muita nulidade por conta desse artigo é que os
sistemas informáticos do tribunal faz o seguinte: Vinculam o processo e catalogam os
advogados. Isso ocorre no Registro, então, o processo X, tem parte Y e advogado Z. Aí,
eles consideram q digitar nomes pode dar problemas pq eu posso digitá-lo errado, aí, a
intimação pode vir errada, então, vamos fazer por número da OAB. Então, se ocorrer uma
distração do servidor na secretária, ele pode errar o número da OAB e intimar o advogado
errado. Aí depois de um tempo o caso baixa para a instância de origem certificaram q não
teve recurso em trânsito em julgado. Então, nesse caso, a certidão tem q ser
desconstituída depois pq não teve a prévia intimação. Tem muita jurisprudência e casos
nesses sentidos. Eles anulam com o mesmo caso da súmula 117 pq não teve a intimação
prévia em 48h de antecedência. Mas o advogado não sabe? As vezes sabe, mas as vezes
não. As vezes ele pode saber, mas espera para ter anulação.

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ex: Em vez de intimar o advogado de número 123456/RJ, eles intimam o advogado
123456/SP.

Transcrição processo- aula de 07/10/2014

Então estávamos tratando na aula passada o processamento dos recursos em Segunda Instância.
Na verdade nós trabalhamos isso de forma a continuar a explicação. No programa que eu passei
para vocês isso constava em um tópico adiante, logo nós entramos nesse tópico para darmos
prosseguimento ao raciocínio. Eu estava falando dos principais atos que ocorrem nessa tramitação
na Segunda Instância. Nós falamos do registro, da distribuição, da manifestação do revisor, da
inclusão do processo em pauta (entre o dia que ela é marcada e o aviso das partes tem que ter um
mínimo de 48 h). Temos uma Súmula que trata dos casos em que a parte não recebeu essa
comunicação prévia.

Súmula 117 do - 27/10/1994 - DJ 07.11.1994


Prazo entre a Publicação da Pauta e o Julgamento - Presença das Partes - Nulidade
A inobservância do prazo de 48 horas, entre a publicação de pauta e o julgamento sem a
presença das partes, acarreta nulidade.

Qual o sentido dessa regra para falar dessa comunicação prévia da pauta?

R:Permitir que os advogados possam estar presentes na sessão de julgamento e acompanhar ou


até mesmo oferecer sustentação oral.

No dia da sessão de julgamento é possível que haja a sustentação oral. Essa sustentação muitas
vezes é questionada se vale mesmo a pena. Temos hoje em dia essa situação de volume enorme
de trabalho e eu acho que vale a pena sim. É sempre interessante usar esse recurso não para
repetir as questões batidas e explicadas, sobre as quais os Tribunais já possuem um
posicionamento, mas sim para explorar o conjunto probatório e chamar a atenção para alguma
peculiaridade do caso. Veja que temos uma realidade que é paradoxal, pois quando há a
designação da pauta de julgamento, os relatores acabam levando para o dia da sessão a sua
proposta de voto pronta, preparada. Na verdade eles tem a minuta do acórdão já previamente
redigida, elaborada pelas assessorias e etc.

Qual a vantagem de oferecer sustentação oral se de alguma maneira a minuta já está previamente
definida?

Aluna: Ué, mas seria o voto de um só !

98
Professor: Sim, de um só e os juízes tem essa humildade de muitas vezes quando há uma
peculiaridade de um caso, o próprio relator adapta o voto na hora da sessão ou se ele não se sentir
confortável pede vistas novamente, e é quase como uma retirada do caso de pauta para que ele
possa estuda-lo melhor. Como vivemos nessa realidade de muita massificação do judiciário, fugir
desses votos padronizados é uma tarefa que inicialmente compete ao advogado, cabe a ele dar o
destaque que ele achar que o caso mereça.

• Sessão de Julgamento:

O CPC lida com a matéria no art. 554 :’’ Na sessão de julgamento, depois de feita a exposição da
causa pelo relator, o presidente, se o recurso não for de embargos declaratórios ou de agravo de
instrumento, dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente e ao recorrido, pelo prazo
improrrogável de 15 (quinze) minutos para cada um, a fim de sustentarem as razões do recurso.’’

Já falamos que nos casos de apelação e agravo são 3 os juízes votantes e o processo funciona da
seguinte forma: Anunciado o caso para julgamento feito pelo presidente (ex: anúncio do número
25 da pauta), o caso volta para o relator que irá realizar a leitura do relatório (preparado
anteriormente e anexado aos autos). Mas nessa oportunidade, com a leitura do relatório, os
demais votantes tem condições para que possam se inteirar do caso.

Na Justiça Cível quando há a intenção de oferecer a sustentação oral, tem um prazo preclusivo para
pedir a palavra ali na Sessão. Os órgãos jurisdicionais atualmente tem uma complexidade enorme,
devido ao volume de processos que são pautados, muitas vezes, os pedidos e o uso da palavra já
obedecem uma metodologia própria, tem umas peculiaridades como inscrição prévia e etc. O
tratamento legal fala apenas em: terminada a leitura do relatório, o advogado levanta a mão e
pede a palavra a Vossa Excelência para fazer sua sustentação oral. O presidente do órgão defere o
uso da palavra ao advogado, e ai o Código dá um prazo de 15 minutos para cada uma das partes, e
se houver litisconsórcio esse prazo pode ser dividido entre eles ou somente um advogado fala por
todos.

Então funciona assim: Leitura do Acórdão – pedido da palavra para sustentação oral- sustentação
oral- devolução da palavra ao relator(leitura do seu voto).

O art. 554 diz: ‘’ Na sessão de julgamento, depois de feita a exposição da causa pelo relator, o
presidente, se o recurso não for de embargos declaratórios ou de agravo de instrumento, dará a
palavra, sucessivamente, ao recorrente e ao recorrido, pelo prazo improrrogável de 15 (quinze)
minutos para cada um, a fim de sustentarem as razões do recurso.’’

Terminada essa etapa, vamos ter em seguida, a coleta dos votos. O art. 556 do CPC diz ‘’ Proferidos
os votos, o presidente anunciará o resultado do julgamento, designando para redigir o acórdão o
relator, ou, se este for vencido, o autor do primeiro voto vencedor.’’

Qual é a ordem de votação? Relator, Revisor e Vogal.

99
Uma vez proferidos os votos, o presidente do órgão fracionário, anuncia o julgamento. Ele diz:’’ A
Câmara, por maioria ou unanimidade conheceu do recurso/não conheceu do recurso; deu
provimento ou negou. Nessa oportunidade fica definido quem irá lavrar o acórdão, pois a estrutura
do CPC foi formatada dentro da seguinte lógica: Como é um órgão colegial (ocorreu um debate
anterior), o acórdão viria do que ficasse acordado no julgamento em conjunto. O CPC diz que
quem lavrará o acórdão será o relator, ou se ele ficou vencido, o 1 juiz que tenha defendido a tese
que foi vencedora.

Por que é assim?

R: Pois seria muito estranho pedir para um votante que não concorda com uma determinada tese,
ter que lavrar um acórdão sobre uma matéria que ele discorda, por isso que se tem essa questão
de preferência. Ou seja, quando for julgamento por maioria, se o relator ficou vencido, o
responsável pela lavratura do acórdão seria o juiz da tese vencedora(pode ser o revisor ou o 3
votante).

Enquanto não for proclamado o resultado final do julgamento, é licito a qualquer dos juízes,
rever o seu posicionamento. Nós podemos ter o seguinte caso: O relator apresentando uma
proposta de voto, em seguida o revisor apresenta suas ponderações e ressalvas e uma proposta de
voto oposta a do relator. Essa proposta diversa poderia fazer com que o relator mudasse de
opinião e o CPC no art. 555 que diz: ‘’ No julgamento de apelação ou de agravo, a decisão será
tomada, na câmara ou turma, pelo voto de 3 (três) juízes. (Redação dada pela Lei nº 10.352, de
26.12.2001)

§ 1o Ocorrendo relevante questão de direito, que faça conveniente prevenir ou compor


divergência entre câmaras ou turmas do tribunal, poderá o relator propor seja o recurso julgado
pelo órgão colegiado que o regimento indicar; reconhecendo o interesse público na assunção de
competência, esse órgão colegiado julgará o recurso. (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)

§ 2o Não se considerando habilitado a proferir imediatamente seu voto, a qualquer juiz é


facultado pedir vista do processo, devendo devolvê-lo no prazo de 10 (dez) dias, contados da data
em que o recebeu; o julgamento prosseguirá na 1 a (primeira) sessão ordinária subseqüente à
devolução, dispensada nova publicação em pauta. (Redação dada pela Lei nº 11.280, de 2006)

§ 3o No caso do § 2o deste artigo, não devolvidos os autos no prazo, nem solicitada


expressamente sua prorrogação pelo juiz, o presidente do órgão julgador requisitará o processo e
reabrirá o julgamento na sessão ordinária subseqüente, com publicação em pauta. (Incluído pela
Lei nº 11.280, de 2006)

O § 2o desse artigo é o famoso auxílio dos universitários, pois prevê a retirada de pauta daquele
processo para ‘’vistas’’ do juiz. Nesse caso o julgamento é suspenso e será retomado quando o
processo retornar ao órgão julgador.

100
Pergunta da Aluna: Professor, mas esse pedido de vista tem um momento específico para ocorrer,
por exemplo, depois da sustentação oral do advogado?

R: Então, isso tem que ocorrer antes de serem proclamados os votos. Com ou sem sustentação,
depois do voto do relator- passa a palavra ao revisor, se o revisor não se sentir preparado para
proferir sua decisão, ele pode pedir vistas, retirando o processo de pauta, ele é suspenso, e é
dispensada nova publicação de pauta. Pode acontecer um caso de ocorrer o voto do relator e do
revisor, mas quando chega na vez do 3 votante , ele pode pedir vistas. Pode ocorrer do relator
votar num sentido e o revisor em outro diverso, logo, esse 3 votante tem a responsabilidade do
desempate e pode querer pedir vistas para ter mais certeza e confiança do seu voto.

O § 3o foi acrescentado no CPC porque teve um ex ministro do STF que ficou conhecido como
‘’engavetador geral da república’’, pois quando ele se aposentou, tinham processos conclusos no
gabinete com pedidos de vistas há mais de 4 anos, pois não havia uma previsão de sanção para
quem fizesse isso. Esse era um método para retardar o julgamento e não para uma melhor análise
do caso concreto. A lógica então é assim: Se o responsável pelo pedido de vistas não trouxer o caso
na 1 sessão subsequente, ele pode ter o processo requisitado.

• EMENTA:

O art. 563 diz’’ Todo acórdão conterá ementa’’. A ementa foi considerada produtiva num cenário
de não informatização como temos atualmente. Hoje em dia, para que se faça a pesquisa de
jurisprudência de uma corte, é só entrar em um site de busca, digitar as palavras-chaves e você
verá os julgamentos realizados na semana anterior. Mas numa lógica de mundo analógico, a
ementa foi trabalhada através de palavras chaves para facilitar a catalogação da jurisprudência. Se
você fala em : Responsabilidade Civil; Culpa Concorrente; essas palavras já dão uma ideia do teor
da matéria em questão, para facilitar a catalogação.

Mas temos que considerar que a ementa é parte do acórdão, mas quando houver divergência ou
ela não for fidedigna ao conteúdo do acórdão, o que é que vale?

R: Sempre o conteúdo que vale, pois na prática, é como se a gente imaginasse a ementa com uma
finalidade diversa. Em algumas situações não é raro ver advogados interpondo embargos de
declaração contra um determinado acórdão para dizer que o conteúdo da ementa não bate com o
do acórdão. Tecnicamente esses embargos seriam até desnecessários, pois o que vale é o
conteúdo da decisão, principalmente no seu dispositivo e fundamentação. Na realidade a ementa
poderia ser retificada, corrigida a posteriori, pois ela não é parte essencial da decisão, apesar do
texto do art. 563.

Se vocês falarem com algum relator ou desembargador que a ementa que eles fizeram não ficou
muito adequada, apesar dela já ter sido publicada, seria oportuno que ela fosse retificada. Mas
eles não vão entender isso nunca, pois eles trabalham em uma lógica de que acórdão e ementa
são uma coisa só.
101
Com relação ao conteúdo do acórdão, o art. 564 diz : Lavrado o acórdão, serão as suas conclusões
publicadas no órgão oficial dentro de 10 (dez) dias.’’ No caso de ter um acórdão não unanime, é
possível que se publique o voto divergente. No Brasil consagrou-se uma metodologia em que
apesar de voto ser tomado pela decisão da maioria, é aceitável que se tenha a publicação desse
voto oposto. Alguns países do mundo, tem práticas forenses muito distintas, como por exemplo a
Suprema Corte Norte Americana, que tem o acórdão assinado pelo chefe da Corte e os acórdãos
são muito bem construídos e escritos para que não se tenha excessos. Se pegarmos alguns
acórdãos emblemáticos do STF, vamos ter uma dificuldade muito grande para precisarmos os
chamados ‘’argumentos determinantes da decisão’’. Se olharmos o julgado do STF que chancelou
a hipótese do casamento gay, temos que todos os ministros apresentaram seus votos enormer e
alguns deles tem mais de 100 páginas. Tem uma série de informações que ficariam melhor
enquadradas como sociologia jurídica e uma certa redação literata, numa linguagem rebuscada
que dificulta o conhecimento dos ‘’ fundamentos determinantes’’. Então quando temos esse
modelo que permite a divulgação do voto divergente, o acórdão vira um mosaico que dificulta um
padrão de uniformidade da jurisprudência. É a hora de se pensar em uma ‘’ Teoria da Decisão
Judicial’’, pois os acórdãos que temos são muito confusos e bagunçados com muita coisa
desnecessária e seria interessante que se abandonasse essa prática de lavratura do voto
divergente. Percebam que o problema entre o público e o privado no Brasil transparece na decisão
judicial. A divergência é saudável, mas estou falando da publicação do acórdão com os votos
divergentes, isso tende a gerar um problema na construção de sentido da decisão judicial. O
integrante do colegiado deixa de representar um grupo para se posicionar no campo do privado.

Pergunta da Aluna: Essa publicação da tese divergente tem alguma relação com os embargos
infringentes?

R: Sim, pois esses embargos são muitas vezes motivados por esse voto divergente. Mas vejam,
podemos ter esses embargos de divergência e o dispositivo da decisão não ser unanime. O votante
as vezes pensa em não divergir pois isso dá mais problema, pois pode aumentar o volume de
trabalho dele e ele não quer isso para a vida dele. Mas vamos ver isso mais pra frente.

Quero tratar agora dos incidentes que podem ocorrer no julgamento perante os Tribunais. Quando
falamos disso sempre pensamos nos casos da 1 instância : Impugnação ao valor da causa,
suspeição do juiz. Mas eles ocorrem também nos Tribunais. Vamos falar dos principais, o 1 é o de
uniformização de jurisprudência previsto nos art. 476 e seguintes.

Incidentes na 2 Instância:

1) Incidente de Formação de Jurisprudência: É o que dá origem às Súmulas, jurisprudência


dominante, bastante comuns no STF e no STJ. Temos uma mudança dessa sequência
tradicional que foi imposta até aqui. O Art. 476 diz ‘’ Compete a qualquer juiz, ao dar o voto

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na turma, câmara, ou grupo de câmaras, solicitar o pronunciamento prévio do tribunal
acerca da interpretação do direito quando:

I - verificar que, a seu respeito, ocorre divergência;

II - no julgamento recorrido a interpretação for diversa da que Ihe haja dado outra turma,
câmara, grupo de câmaras ou câmaras cíveis reunidas.

Parágrafo único. A parte poderá, ao arrazoar o recurso ou em petição avulsa, requerer,


fundamentadamente, que o julgamento obedeça ao disposto neste artigo.

A legitimidade aqui é conferida a qualquer juiz votante e também às partes, de acordo com o
seu parágrafo único. É como se a parte disse ao Tribunal que seria melhor resolver a bagunça ali
instaurada antes de avaliar o seu recurso. Por que as partes não fazem isso? Temos que fazer uma
ressalva pois muitas vezes temos escritórios especializados em uma matéria e eles poderiam
promover uma jurisprudência quase que própria. Os juízes não usam pois é um trabalho extra
( suspende o julgamento, apura a tese, e só depois continua o julgamento com a tese).

O que a jurisprudência criou? Ela criou um padrão de interpretação, em que o incidente é


uma faculdade e não uma obrigação, pode ser deixada de lado sempre que o órgão puder apreciar
o caso por outros fundamentos. Se olharmos o art. 477 que diz:’’ Reconhecida a divergência, será
lavrado o acórdão, indo os autos ao presidente do tribunal para designar a sessão de julgamento.
A secretaria distribuirá a todos os juízes cópia do acórdão.’’ Esse presidente já é outro, não é o
mesmo da sessão de julgamento do outro recurso. Já o art. 478 diz’’ O tribunal, reconhecendo a
divergência, dará a interpretação a ser observada, cabendo a cada juiz emitir o seu voto em
exposição fundamentada.

Parágrafo único. Em qualquer caso, será ouvido o chefe do Ministério Público que funciona perante
o tribunal.’’

O Tribunal agora dá uma interpretação, tendo em vista que o julgamento do caso concreto foi
paralisado, saiu para o âmbito desse Plenário Maior, e se ele decidir por maioria absoluta de seus
membros, a tese vencedora será objeto de Súmula. As Súmulas da jurisprudência são enunciados
breves que são dominantes

Depois da votação do incidente , retoma-se o julgamento do caso concreto, aplicando-se a


tese jurídica julgada anteriormente.

2) Incidente de uniformização preventiva prevista no art. 555 § 1o’’ Ocorrendo relevante


questão de direito, que faça conveniente prevenir ou compor divergência entre câmaras ou turmas
do tribunal, poderá o relator propor seja o recurso julgado pelo órgão colegiado que o regimento

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indicar; reconhecendo o interesse público na assunção de competência, esse órgão colegiado
julgará o recurso.’’ (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)

Esse incidente tem algumas características próprias: gera o deslocamento da competência


para o julgamento do caso, que ao invés de ser julgado no órgão fracionário, será apreciado pelo
Órgão Plenário Maior.

Imaginem um tema que possa gerar polêmica, mas que ainda não tenha enfrentamento dos
Tribunais brasileiros. Quando vocês veem certas leis que surgem e eventualmente vão sendo
colocadas em prática, e despertam um cenário de polêmica, na medida em que esses casos
chegam no cotidiano de uma corte, o relator tem que ter a sensibilidade de prevenir a divergência
jurisprudencial. Aqui nós estamos falando de divergência já instaurada, confusão já está formada
nesse primeiro cenário. Aqui a lógica é de prevenir a divergência.

Vamos imaginar a Lei Maria da Penha, na possibilidade de aplicação das medidas protetivas
para casais gays. Isso já foi muito discutido e hoje se entende que há a possibilidade de aplicação
dessas medidas protetivas para esses casais. Mas se esse tema de julgamento chega numa corte de
2 grau, o relator pode perfeitamente imaginar que aquele tema já vai despertar posições
diferentes, e medida que os recursos são distribuídos para diferentes órgãos fracionários, mas a
lógica é de evitar a divergência.

O que é defendido nesse § 1o’ é que ao invés desse órgão fracionário julgar o tema sozinho,
desloca-se o tema para órgão plenário maior, aonde vai estar toda a galera reunida e lá imagina-se
que eles terão uma oportunidade de debater previamente o assunto e evitar que ocorram a partir
daí posições diferentes sobre a matéria.

Esse incidente de uniformização pode ser suscitado por qualquer juiz(relator, revisor ou
vogal) e também pelas partes interessadas. Aqui esse outro incidente pode ser tomado apenas
pela provocação do relator(legitimidade restrita). Vocês podem notar que o legislador foi bastante
preocupado com essa questão da divergência jurisprudencial, pois isso gera um efeito cascata no
âmbito das instâncias de 1 grau, e para evitar todos os problemas dai decorrentes, são pensadas
todas essas técnicas de padronização.

3) Incidente de Declaração de Inconstitucionalidade: Previsto no Art. 480 ‘’ Arguida a


inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator, ouvido o
Ministério Público, submeterá a questão à turma ou câmara, a que tocar o conhecimento
do processo’’ e seguintes do CPC. Temos então um incidente que terá que ser resolvido
antes de decidir o caso concreto. Na prática vocês já devem ter estudado essa matéria,
quando viram em constitucional aquela cláusula da reserva de plenário no art. 97 da
Constituição Federal ‘’ Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.’’ Na verdade o sistema de
104
controle da constitucionalidade brasileiro tem a matriz no modelo americano(difuso)
quando se fala que é dado a qualquer juiz a possibilidade de constatar qualquer
inconstitucionalidade no ato normativo. Mas quando o juiz assim o faz ele simplesmente
deixa de aplicar a norma tida como ‘’ inconstitucional’’. É bem diferente falar que a norma
não será aplicada e termos a declaração de sua inconstitucionalidade. O que podemos
resumir é o seguinte: é dado a qualquer juiz a possibilidade afastar a lei ou ato normativo
do caso concreto, mas percebam que afastar não é declarar a norma inconstitucional,
devido a cláusula de reserva de plenário, só podendo ser declarada por maioria absoluta
dos membros do plenário.

A cláusula de reserva de plenário foi pautada num ambiente de controle difuso, pois se nós
entendêssemos que um juiz de 1 grau pudesse declarar a inconstitucionalidade, ele teria ,mais
poderes que os membros do STF. Num sistema de controle difuso, todo juiz é um juiz
constitucional, mas quando o juiz do caso concreto deixa de aplicar lei ou ato normativo que
reputa inconstitucional, temos o afastamento daquela regra do caso concreto ( afastamento inter
partes).

Essa declaração é vinculante às demais instâncias do Poder Judiciário. Se a declaração de


inconstitucionalidade foi pronunciada pelo TJRJ, aquela lei é inconstitucional para todos os juízes
aqui do estado. Mas uma declaração de inconstitucionalidade vindo do STF, é como se fosse o
resultado de uma ADIN e por ai vai. Estava prevalecendo no Brasil uma certa ideia de
discricionariedade judicial quanto a instauração ou não desse incidente. Os Tribunais, de um modo
geral, tinham um pouco de preguiça de suscitar esse incidente pois ele é trabalhoso e chato, e ai
eles acabavam usando dos famosos ‘’puxadinhos hermeneuticos’’, ou seja, os ‘’jeitinhos’’. Falava-se
assim ‘’ aqui eu deixo de aplicar...’’, e isso é afastar uma regra, e é por isso que existe a Súmula
Vinculante 10 do STF ‘’ Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.’’ Eles criaram uma
Súmula para dizer o que a CF já disse, para evitar que as Cortes de 2 grau façam o controle de
constitucionalidade dissimulado, sem um incidente próprio. Essa Súmula é considerada tautológica
pois repete o texto do art. 97 para dizer para as Cortes seguirem o procedimento do art. 480 do
CPC, é um puxão de orelha para quem não o segue.

4) Incidente de conversão do julgamento em diligência : Definido no parágrafo único do art.


560 do CPC’’ Qualquer questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do
mérito, deste não se conhecendo se incompatível com a decisão daquela. (Redação dada
pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

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Parágrafo único. Versando a preliminar sobre nulidade suprível, o tribunal, havendo
necessidade, converterá o julgamento em diligência, ordenando a remessa dos autos ao juiz, a
fim de ser sanado o vício. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973)

O processo chega no Tribunal, registro, distribuição, relator,etc etc etc. Imagine que
o relator constate nulidade sanável, o juiz determinará a conversão do julgamento em diligência
para corrigir aquele problema. Ex: Foi interposta apelação na 1 instância, o juiz recebendo a
apelação disse’’ Recebo a apelação. Encaminhe-se os autos ao Tribunal Competente, mas
esqueceram de intimar as partes contrárias para oferecimento de contrarrazões. A falta de
resposta do recurso cabível é nulidade absoluta ou relativa? Relativa né! O art. 560 diz que se o
Tribunal receber esse tipo de nulidade, não dará sequência ao julgamento, primeiro tem que
ocorrer a correção dessa nulidade.

Pergunta da Aluna: Depois que apresenta contrarrazões tem que passar tudo de novo por aqueles
trâmites para checar?

R : No modelo vigente, o parágrafo 2 do art 518 diz ‘’ § 2o Apresentada a resposta, é facultado ao


juiz, em cinco dias, o reexame dos pressupostos de admissibilidade do recurso. Por exemplo ,o
apelante protocolou o seu recurso fora do prazo, o juiz não viu que era intempestivo, mandou
ouvir o apelado. Esse apelado vai abrir uma preliminar nas contrarrazões falando que esse recurso
não merece ser conhecido, porém essas contrarrazões serão encartadas no processo, mas o juiz
tem 5 dias para reexaminar antes de enviar para o Tribunal.

Falamos até agora sobre aquilo que quebra o padrão e foge da lógica da sequência da ordem do
processo no Tribunal.

• Julgamento Monocrático:

Vamos falar dos poderes do relator e da regra do Art. 557’’ O relator negará seguimento a
recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou
com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal
Superior. (Redação dada pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998)

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§ 1o-A Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com
jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá
dar provimento ao recurso. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998)

§ 1o Da decisão caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o


julgamento do recurso, e, se não houver retratação, o relator apresentará o processo em mesa,
proferindo voto; provido o agravo, o recurso terá seguimento. (Incluído pela Lei nº 9.756, de
17.12.1998)

§ 2o Quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o tribunal condenará o


agravante a pagar ao agravado multa entre um e dez por cento do valor corrigido da causa,
ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo
valor. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998)

Ele está falando da singularização dos julgamentos, dos julgamentos monocráticos, decisões de
gabinete. Vimos que no modelo do CPC o legislador pensou no encaminhamento do caso a um
julgamento colegiado. Em prol da celeridade o legislador tem criado técnicas para fugir do
julgamento colegiado. As pesquisas estatísticas que estão sendo feitas mostram que aquilo que foi
pensado como regra de exceção, hoje acaba representando a maior parte dos julgamentos
praticados nos Tribunais brasileiros. Quando surgiu essa regra do art. 557, falou-se ai em
inconstitucionalidade dele por ferir o duplo grau de jurisdição. De fato, estamos substituindo uma
decisão de 1 grau por uma decisão de um outro juiz do Tribunal. Mas isso foi deixado de lado logo
pois esse artigo deixa o colegiado como uma retaguarda para aqueles casos em que a posição do
relator é de inconformismo, e o art. 557 chancela uma espécie de recurso dirigido pelo colegiado.

Esse artigo tem 3 núcleos desses poderes do relator : 1)Negativa de Seguimento: ele pode negar
seguimento a recurso manifestamente inadmissível(intempestivo, sem preparo, sem regularidade
formal), improcedente*, prejudicado ou em confronto** com Súmula ou jurisprudência( Tribunal
ou STF).

*Nós sempre pensamos nessa categoria como uma questão de mérito, ‘’ O julgamento foi pela
improcedência da causa’’, logo imaginamos o vocábulo improcedência com uma análise de mérito
da questão. Ele quer dizer que o recurso improcedente não precisa ser levado pro plenário,** mas
para interpretarmos de uma forma coerente com a regra temos que alinhar com a questão do
papel da jurisprudência desses Tribunais Superiores. Se eu estou sustentando no recurso uma tese
contrária ao entendimento Sumulado imagina-se que quando meu recurso chegar no colegiado,
ele seja previsível.

A doutrina já discutiu muito texto desse artigo e os autores enxergam problemas variados nessa
redação. O texto fala em ‘’jurisprudência dominante no Tribunal Superior’’, não fala só ‘’Súmula’’.

Como eu considero uma jurisprudência como sendo dominante?


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R: Seria pelo sentido de constância, de considerar um cenário e que nele há uma constância de
repetição daquele entendimento nas diversas oportunidades em que a Corte foi chamada a se
manifestar. Não posso só confiar no critério aritmético pois posso fazer uma pesquisa e constato
que para um determinado assunto tem 3 julgados do STJ tratando da matéria (2 num sentido e
outro no oposto).Eu poderia fazer um cálculo estatístico e dizer que 66% dos julgados acerca da
matéria estão na tese A, mas ele não dá exatamente esse sentido de constância que é muito
importante. E mais do que isso, o sentido de jurisprudência dominante tem que ser marcado no
tempo, pois já vi petições em que a pessoa cita ‘’ De acordo com o julgado do Tribunal da
Guanabara, (transcreveu o entendimento)- ou seja , MUITO ANTIGO. Nesse caso pode ser que não
tenhamos uma constância para aquela tese. Muitos julgados anteriores a Constituição de 1988 não
servem para trabalhar esse tema aqui, pois ela constitucionalizou um monte de matérias, deu
outros parâmetros interpretativos.

Por exemplo, o tema de família. Vamos pensar nos dias atuais, qualquer discussão relacionada a
esse tema foi muito modificada e um entendimento antigo já não serve como parâmetro, pois o
ambiente era outro totalmente diferente. Hoje temos a proteção da família no texto
Constitucional(qualquer forma de organização familiar) e a facilitação dessas diferentes formas de
união.

2) Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com Súmula ou jurisprudência


dominante, o relator poderá dar provimento ao recurso se a decisão recorrida é que diverge
da jurisprudência dominante e das Súmulas. Nesse cenário, a tese do recurso é alinhada com
a jurisprudência, o que divergiu foi a decisão recorrida. É como se eu dissesse ‘’ O juiz de 2
grau proferiu uma sentença diferente do entendimento sumulado pelo STJ ou STF.’’ Para estes
casos o relator pode dar provimento ao recurso monocraticamente sem a participação do
colegiado.

3) O relator também pode negar provimento ao recurso – Art. 557 § 1o Da decisão caberá
agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o julgamento do recurso, e, se não
houver retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo voto; provido o
agravo, o recurso terá seguimento. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) . Então, quando
ocorre esse julgamento? Naquela etapa preliminar em que o caso chegou ao gabinete do
relator, A sequência é a seguinte: feito o registro do processo, distribuição, e o próximo ato é
o envio do caso para o gabinete do relator. Nessa oportunidade já o relator pode aplicar essas
técnicas de julgamento monocrático. Só que o relator está vinculado a um órgão fracionário,
mas se eu estiver descontente com a posição desse relator, ocorrerá uma interposição de
agravo para o órgão colegial, que funciona como uma retaguarda. O relator deu o primeiro
combate e o órgão colegial é chamado para analisar a decisão.

O § 2o ‘’Quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o tribunal condenará


o agravante a pagar ao agravado multa entre um e dez por cento do valor corrigido da

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causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do
respectivo valor. (Incluído pela Lei nº 9.756, de 17.12.1998) ‘’ Se uma pessoa teve um
recurso julgado monocraticamente e recorre e o colegiado considera que ali só há intenção
protelatória, ele pode ser taxado por essa multa prevista. Você deveria atacar o julgamento
do relator e questionar os pontos defendidos por ele(contextualizar o erro do relator).

Esse tipo de técnica dos julgamentos monocráticos, está previsto para a Justiça Ordinária, e
não foi pensado no do âmbito dos Juizados Especiais. A lei dos Juizados Especiais fala de
um sistema recursal diferente ( Colégio recursal de 3 juizes), mas eu considero que essa
técnica deveria ser aplicada para eles pois propicia celeridade . Apesar de não haver
previsão expressa, o art 557 tem sido utilizado por analogia.

Aula do dia 21/10

Aula passada:

- processamento da apelação em segunda instância

- incidentes que podem ocorrer na 2ª instância (ponto final do programa): incidente da


uniformização de jurisprudência; arguição de inconstitucionalidade (art. 480 CPC)

Art. 480. Argüida a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do


poder público, o relator, ouvido o Ministério Público, submeterá a questão
à turma ou câmara, a que tocar o conhecimento do processo.

AGRAVO (ponto 5 do programa):

Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos: I - apelação;


II – agravo;
III - embargos infringentes;
IV - embargos de declaração;
V - recurso ordinário;
Vl - recurso especial;
Vll - recurso extraordinário;
VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso
extraordinário

109
Quando se fala em Agravo, está-se falando do prejuízo/ ofensa gerada para a parte. Nesse
caso, a ofensa em si serviu como nomenclatura para o próprio recurso, como uma figura de
linguagem da língua portuguesa. Então é importante fazer a seguinte leitura: o nome do recurso é
Agravo, mas existem as suas variáveis, que na verdade descrevem modalidades de interposição
distintas. Então, no CPC atual há uma referência ao “Agravo Retido”, ao “Agravo de Instrumento” e
aos chamados “Agravos Internos”. Porém é importante notar que trata-se do mesmo recurso, pois
a gênese de todas essas figuras é uma só: o Agravo é usado para impugnar decisões
interlocutórias, quaisquer que sejam elas. O que muda de uma figura para outras é o
procedimento (forma de interposição). Então, uma coisa sou eu falar no Agravo, outra coisa sou
eu adicionar as suas adjetivações. Quando nós nos deparamos com as suas adjetivações, na
verdade nós estamos trabalhando técnicas procedimentais distintas. Agravo é o gênero.

O Agravo surgiu na experiência do Direito medieval português para evitar que as apelações
tivessem um uso deturpado. Isso porque sempre se pensou nas apelações contra as decisões finais
dos processos (sentenças). Porém, como ao longo da relação processual o juiz é obrigado a
resolver diversos incidentes, logo percebeu-se que havia uma necessidade de uma figura recursal
para atacar essas decisões interlocutórias. Então essa figura migrou para o ordenamento jurídico
brasileiro, inicialmente através das Ordenações e depois no CPC de 1939 falou-se em três tipos de
Agravo: 1) Agravo de Petição; 2) Agravo no Auto do Processo; 3) Agravo de Instrumento. Já o CPC
de 1973 buscou simplificar essas figuras processuais que eram consideradas muito complexas.
Sendo assim, ele eliminou do Processo Civil o “Agravo de Petição”; Mudou a nomenclatura do
chamado “Agravo no Auto do Processo”, que passou a se chamar “Agravo Retido” e manteve a
nomenclatura do “Agravo de Instrumento”. Atualmente, o “Agravo de Petição” só é encontrado no
processo trabalhista porque ele é previsto na CLT. No processo trabalhista ele serve para impugnar
as decisões interlocutórias que são proferidas na fase de execução. Quando o processo trabalhista
está na fase de execução e o juiz eventualmente delibera pela penhora de um bem, delibera por
uma forma de expropriação, resolve os incidentes da fase executiva, a parte que se sentir
prejudicada por esse tipo de decisão fará uso do chamado Agravo de Petição. Para o Processo Civil
atual, no entanto, não se usa esse expediente. O CPC de 1973 trabalhou a figura do Agravo Retido,
manteve o Agravo de Instrumento e apontou em alguns artigos esparsos os chamados Agravos
Internos, Inominados e Regimentais. Quando se fala dessa terceira categoria, nós estamos falando
da impugnação de decisões monocráticas, pelas decisões proferidas pelo relator (no âmbito dos
tribunais), baseado na regra do art. 557 CPC.

Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente


inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com
súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do
Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior.
§ 1o-A Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com
súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal

110
Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao
recurso.
§ 1o Da decisão caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão
competente para o julgamento do recurso, e, se não houver
retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo
voto; provido o agravo, o recurso terá seguimento.
§ 2o Quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o
tribunal condenará o agravante a pagar ao agravado multa entre um
e dez por cento do valor corrigido da causa, ficando a interposição de
qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor.
Ou seja, o CPC de 1973 fez referência a três tipos de Agravo, mas esse recurso talvez tenha
sido o que mais sofreu revisões legislativas. Quando foi pensado o CPC de 1973 e que se falou no
Agravo de Instrumento, a interposição dele se dava da seguinte forma: quando a parte quisesse
agravar de instrumento contra uma determinada decisão interlocutória, a parte apresentava uma
petição dirigida ao juiz que proferiu a decisão interlocutória dizendo assim: “Não gostei. Quero
interpor agravo de instrumento contra essa decisão. Desde logo indico para traslado (para se
fazerem as cópias) as seguintes peças dos autos (....)” . Então a sistemática da interposição se dava
da seguinte forma: a parte apresentava um requerimento para o juiz, pedindo que o cartório, a
serventia jurisdicional extraísse fotocópias das peças tais, tais e tais (que ele enumerava – todas
aquelas que ele desejasse que fossem fotocopiadas); O Juiz, recebendo aquela manifestação,
intimava a parte contrária dizendo assim: “Olha, o fulano não gostou da decisão que eu proferi. Ele
está dizendo que deseja que a matéria seja apreciada pelo Tribunal e por isso interpôs o agravo,
indicando tais peças. E você, indica quais peças?”. Aí a parte contrária indicava também as peças
para que fossem fotocopiadas (não existia processo eletrônico!). Depois de feitas as nomeações
respectivas, o juiz intimava novamente aquele interessado (o agravante) para que ele fizesse o
recolhimento de custas. Então, com alguma sorte, o agravo chegava no Tribunal alguns meses
depois. A parte que quisesse questionar essas decisões interlocutórias tinha um acesso retardado
ao Tribunal porque dependia da serventia jurisdicional. Então os advogados começaram a reclamar
por um acesso mais rápido e imediato ao Tribunal. Então, isso influenciou a redação da Lei
9.139/95, que mudou radicalmente a forma de interposição do Agravo de Instrumento. Porque o
Agravo de Instrumento replica um caderno processual, contendo peças que são levadas para a
apreciação imediata do tribunal. Assim, o Agravo de instrumento passou a ser de
responsabilidade da parte, ou melhor, do seu advogado. Sendo assim, essa lei facilitou muito a
forma de interposição do agravo de instrumento. Então, quando o advogado se depara com uma
decisão que lhe é desfavorável, na verdade é ele que corre contra o tempo. Se ele tiver alguma
diligência, logo após tomar ciência de decisão já pode estar com todas as peças e até com a minuta
do Agravo para protocolo no Tribunal. O Agravo de Instrumento quebrou também uma outra lógica
da Apelação, porque a gente sempre falou aqui que a apelação é protocolada no juízo a quo (no
mesmo juízo que proferiu a sentença impugnada). O Agravo de Instrumento foi pensado dento de

111
uma lógica de acesso imediato à Corte que irá julgá-lo. Então, quando a parte apresenta as peças e
a minuta diretamente no Tribunal, ganha-se na questão da agilidade.

Ex: ação de alimentos em que foi fixado verba alimentar em decisão interlocutória
(alimentos provisionais) na base de X salários mínimos para a parte ré efetuar o pagamento. Aí
quando a parte é intimada para aquele processo, já sabe que há uma decisão obrigando-lhe a
pagar X reais a título de verba alimentar. Nesse caso, o advogado orientará o seu cliente dizendo
que existem duas situações: você pode se defender no processo através da contestação (defesa
tradicional), mas essa decisão está proferindo eficácia imediata, portanto, caso você não tenha
como fazer o pagamento desta verba alimentar, terá que recorrer desde logo. Caso contrário, esses
alimentos vão se acumulando e podem chegar até ao caso de decretação de prisão cível etc. Então,
qual é o recurso indicado para esse cenário? Como a ideia aqui é que a parte tenha acesso
imediato ao Tribunal, ela vai formar um instrumento de agravo, ou seja, vai fotocopiar as peças do
processo originário para evitar que o processo originário saia do local em que se encontre, que ele
possa continuar tramitando, mas com um instrumento em si a parte tem condição de levar aquela
matéria, aquele tema, diretamente ao Tribunal.

A partir daí, as Cortes de 2º grau começaram a reclamar, pois começaram a receber um


número crescente de Agravos de Instrumento. O que antes era difícil (burocrático) quanto à
interposição, chegada no Tribunal, foi simplificado. E aí essa simplificação deu tão certo que a
Associação dos Magistrados do Brasil passou a pressionar pela restrição quanto ao cabimento de
Agravo. Aí, 10 anos depois, a Lei 10. 352 restringiu o cabimento de Agravo, que foi aumentado pela
Lei 11. 187/05. O que se viu foi um movimento legislativo contrário, desta vez, tentando restringir
o cabimento de Agravos de Instrumento. Então, o que se teve foi uma situação cíclica: primeiro o
legislador buscou facilitar o acesso às Cortes de 2º grau; Depois buscou-se limitar as hipóteses de
cabimento de Agravo de Instrumento para permitir que os Tribunais dedicassem o seu tempo aos
recursos mais importantes. O problema é que em um mesmo processo originário pode-se ter
vários Agravos de Instrumento.

Além disso, desde 1973 o CPC passou por inúmeras alterações e diversas leis ampliaram os
poderes do juiz de 1º grau. Sendo assim, é natural que nós tenhamos mais tutelas de urgência, por
exemplo, e isso replica no número de Agravos que chegam à 2ª instância. Quando o CPC de 1973
foi criado só eram admissíveis alguns tipos de Liminares, como as do procedimento cautelar, as
liminares das ações possessórias, alguns procedimentos especiais que tinham a prerrogativa de
liminar (ex: despejo). O procedimento ordinário não permitia a concessão de provimentos de
urgência. Porém, em 1994, foi generalizado no Brasil o cabimento de Tutela Antecipada. Hoje a
maioria das decisões contêm algum pedido de Liminar, algum tipo de tutela de urgência. E as
decisões de 1º grau podem ser concessivas do que a parte autora pediu negando o que foi
solicitado. É evidente, portanto, que alguém vai se sentir prejudicado com essa Liminar e isso
deságua em uma recorribilidade interlocutória (recurso de Agravo para o Tribunal de 2º grau).
Então, o que o legislador fez foi: ampliar os provimentos de urgência e ampliar os poderes dos
juízes; Mas isso acabou sobrecarregando as Cortes de 2º grau, que passaram a se preocupar com

112
o volume de recursos de agravo. É por isso que a lei mais recente, de 2005, foi em um viés
contrário, buscando restringir o seu cabimento (Lei 11.187/05).

O Agravo serve para impugnar as decisões interlocutórias No entanto, como eu identifico as


decisões interlocutórias no Direito Brasileiro? Por um critério de exclusão. Isso porque o art. 162
CPC (se reporta aos arts. 267 e 269 do CPC, que trazem o rol das decisões denominadas sentenças)
indica que todas as decisões que sejam capazes de gerar prejuízo/ gravame para alguém, mas que
não se enquadram no rol das sentenças, são interlocutórias.

Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões


interlocutórias e despachos.
§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações
previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei.
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do
processo, resolve questão incidente.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no
processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei
não estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista
obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de
ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessários.

Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito


I - quando o juiz indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência
das partes;
III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir,
o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;
IV - quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e
de desenvolvimento válido e regular do processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou
de coisa julgada;
Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a
possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse
processual;
Vll - pela convenção de arbitragem;
Vlll - quando o autor desistir da ação;
IX - quando a ação for considerada intransmissível por disposição
legal;

113
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 1o O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o arquivamento dos
autos, declarando a extinção do processo, se a parte, intimada
pessoalmente, não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao no II, as partes pagarão
proporcionalmente as custas e, quanto ao n o III, o autor será
condenado ao pagamento das despesas e honorários de advogado
(art. 28).
§ 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de
jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria
constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na
primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá
pelas custas de retardamento.
§ 4o Depois de decorrido o prazo para a resposta, o autor não
poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação.

Art. 269. Haverá resolução de mérito:


I - quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;
II - quando o réu reconhecer a procedência do pedido;
III - quando as partes transigirem;
IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição;
V - quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação.

Ex: Juiz julga exceção de incompetência territorial do juízo  decisão interlocutória

Julgamento de impugnação ao valor da causa  decisão interlocutória

(In)deferimento de provas  decisão interlocutória

(In)deferimento de liminar (qualquer tipo)  decisão interlocutória

Não há portanto, um rol exaustivo de quais são as decisões interlocutórias agraváveis. Na verdade,
como existe mais de um tipo de agravo, o operador do direito tem que estar atento a qual
modalidade de agravo que será cabível diante de uma situação concreta. É preciso pensar assim:
existe um tipo de agravo mais elaborado, mais formal, que é o agravo de instrumento; Existe o
114
agravo mais simples, que é o Retido e, para os provimentos em 2º grau e perante os Tribunais
Superiores, para impugnação das decisões monocráticas, há o Agravo Interno ou Inominado ou
Regimental ou Agravinho (sinônimos!). O último é aquele que é voltado para a impugnação das
decisões monocráticas.

Para saber quando é cabível uma ou outra forma de agravo é preciso checar o interesse
recursal da parte agravante.

Art. 522 CPC. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo


de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão
suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem
como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos
efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua
interposição por instrumento.
Parágrafo único. O agravo retido independe de preparo.

O agravo é o gênero do recurso que serve para impugnar decisões interlocutórias. Em


princípio, no art. 522 o legislador optou pela recorribilidade das interlocutórias por meio do Agravo
Retido (foi pensado para ser a regra geral). Porém, como o acesso aos Tribunais de 2º grau por
meio do agravo estava muito facilitado e isso estava sobrecarregando os Tribunais em 2ª instância,
o legislador buscou restringir esse acesso, colocando como primeira opção o agravo retido. O
legislador, ao colocar o agravo retido como primeira opção deu uma “deixa” para destacar o
seguinte: “olha, se, no entanto, a situação concreta for suscetível de causar à parte lesão grave e
de difícil reparação, ou se for o caso de inadmissão da apelação será tolerável o agravo de
instrumento”. Portanto, o CPC não define claramente quando é cabível o agravo retido ou o de
instrumento, destacando apenas esse discernimento. Ou seja, se a situação concreta exigir um
posicionamento imediato do tribunal, o recurso cabível é o agravo de instrumento. Do contrário,
se for possível esperar, pode-se empregar o agravo retido. Por que esse agravo tem esse rótulo?
Porque ele permanece retido nos autos, não é processado de imediato. Aí alguém pode pensar:
qual a relevância prática de se interpor um recurso que não será processado de imediato? Evitar a
preclusão. O que se deve avaliar no caso concreto é se é possível o agravo de instrumento ou se a
parte deve se contentar com o agravo retido.

Ex: a parte pediu a produção de uma determinada modalidade probatória, como uma prova
pericial. O juiz disse que não há necessidade de produção daquela prova naquele momento; Essa
prova é impertinente e protelatória. Se o juiz indefere nós estamos falando de uma decisão
interlocutória que prejudicou a parte que pediu a produção de provas. Mas qual é a atitude que o
advogado deve adotar nesse caso? Se ele está tolido de produzir a prova isso não quer dizer
necessariamente que o desfecho do caso está prejudicado porque ele pode conseguir um
resultado favorável na demanda mesmo sem a produção daquela prova. No entanto, é melhor ele
se precaver e interpor um agravo retido, evitando a preclusão. Ele faz isso ao invés de pedir para o
Tribunal de imediato a produção daquele prova que foi indeferida, assim, o agravo dele
115
(processado de forma oral ou escrita) fica retido nos autos, não sendo processado de imediato. O
agravo retido tem uma devolutividade imprópria porque ele não devolve a matéria para uma nova
apreciação no instante seguinte. Sendo assim, o processo segue adiante até o proferimento da
sentença. Pode ser que esta seja favorável à parte que havia pedido a prova indeferida e aí não
haverá nenhum prejuízo, não havendo necessidade de insistir naquela temática. Porém, caso ele
tivesse se deparado com uma sentença desfavorável, teria uma razão a mais para levar aquele
tema para o Tribunal, reiterando o seu interesse na temática. Então, quando o processo chegar no
Tribunal, ele usará da mesma oportunidade para tartar de duas questões: a incidental (que não
ficou preclusa) e a decisão final (outro recurso – bastante provável). Isso porque o recurso final
“leva de carona” os agravos que tenham ficado retidos, pendentes de apreciação. Aí o tribunal terá
que julgar primeiro os agravos retidos e depois, se for o caso, julgar a apelação oponível contra a
decisão final. Por outro lado, se a parte se der por satisfeita com a sentença, o agravo que ela havia
interposto fica sem efeito, pois desapareceu o interesse recursal, ele não é mais útil/necessário
(art. 523 CPC).

Art. 523. Na modalidade de agravo retido o agravante requererá que


o tribunal dele conheça, preliminarmente, por ocasião do julgamento
da apelação.
§ 1o Não se conhecerá do agravo se a parte não requerer
expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua
apreciação pelo Tribunal.
§ 2o Interposto o agravo, e ouvido o agravado no prazo de 10 (dez)
dias, o juiz poderá reformar sua decisão.
§ 3o Das decisões interlocutórias proferidas na audiência de
instrução e julgamento caberá agravo na forma retida, devendo ser
interposto oral e imediatamente, bem como constar do respectivo
termo (art. 457), nele expostas sucintamente as razões do
agravante.
Ou seja, o agravo retido fica retido nos autos do processo. Ao fim deste, se houver
interesse, a parte deverá reiterá-lo com uma petição simples ou um item no seu recurso
(apelação). Se a pessoa não reiterar, imagina-se que não é mais necessário processar o
agravo; É como se houvesse uma desistência tácita.
Ex: decisões proferidas na audiência. O juiz indefere a oitiva de uma testumunha ou
acolhe uma contradicta. O que o advogado pode fazer? Pode interpor um agravo de
instrumento, mas às vezes não vale a pena; O agravo retido está de bom tamanho. É a
mesma lógica do “Protesto” que aparece muito em filmes americanos que envolvem
Tribunal do Júri. A diferença é que no agravo retido a parte tem que indicar os motivos
pelos quais está recorrendo. Isso pode ser feito oralmente na própria audiência.
OBS: é possível converter uma modalidade de recurso em outra (art. 527, II CPC)
O primeiro prognóstico do problema da parte deve ser feito pelo advogado. Cabe a ele
verificar o tipo de interesse recursal da parte. Se o advogado perceber que a situação desperta ou
116
exige uma resposta imediata do tribunal, ele terá que interpor agravo de instrumento. Este tipo de
agravo já permite uma resposta imediata do tribunal, sendo protocolado diretamente no juízo ad
quem (Corte de 2ª instancia).

Ex: ação de execução de título extra-judicial. Busca patrimônio do devedor. Suponhamos


que na execução é feita a penhora de um bem na qual a parte reside com a sua família. Sendo
assim, de forma equivocada, houve a penhora de bem de família. Diante de uma situação como
essa, o advogado não pode esperar uma resposta tardia do tribunal. Há a necessidade de fazer

Ex: Ação de inventário. Um herdeiro insatisfeito com o plano de partilha feito pelo
inventariante pede a remoção do inventariante. Não adianta esperar que o inventário chegue ao
fim, que a partilha seja homologada, para aí sim recorrer para o Tribunal pedindo a remoção do
inventariante: até chegar nisso o inventário já acabou! O interesse recursal da parte exige uma
resposta imediata do tribunal.

Ex: Comerciante  ação de falência. Suponha que o juiz, por decisão liminar, faz o decreto
de quebra. Na verdade o decreto de quebra é um decreto de falência. O sujeito não pode deixar de
ser comerciante e perder o acesso aos seus bens, que serão revertidos em proveito da massa falida
para depois recorrer; Ele precisa de uma resposta imediata do Tribunal para reverter ou bloquear
essa situação. Por isso que o agravo de instrumento é tão útil para os advogados. Além disso, ele é
bem simples de ser proposto (especialmente nos processos eletrônicos).

Sobre o art. 527 CPC: estabelece um checklist/ roteiro para o juiz. Ele é fruto de decisão de
gabinete (monocrática). Quando é possível negar seguimento a um recurso (inciso I)? Se ele for
intempestivo, protocolado sem preparo (exceção: justo impedimento), protocolado sem as peças
obrigatórias, por exemplo. Inciso II: imperativo categórico (não é uma mera possibilidade). O que é
converter o agravo de instrumento em agravo retido? Essa conversão é fictícia. O agravo retido não
é encaminhado ao tribunal, enquanto que o de instrumento tem as fotocópias e replica um
caderno processual. Então, o que ocorre na prática? Primeiro o julgador irá verificar se estão
presentes todos os pressupostos recursais. Depois, ele passa para o inciso II, onde ele irá verificar
se o caso demanda urgência e desperta a análise imediata ou se situação concreta é daquelas que
não desperta interesse recursal, podendo aguardar uma decisão que será proferida mais adiante.
Isso, porque se o advogado fez o diagnóstico errado da situação (fez o agravo de instrumento
quando era possível fazer uso do agravo retido), a correção do erro dele se dará com a regra do
inciso II. Por isso que eu disse que quem faz o primeiro prognóstico da situação da parte é o
advogado. Caso ele “forçe a barra” para que seja entendido que trata-se de situação de urgência, o
relator pode dizer que não, que a situação pode esperar e, portanto, ele converte o recurso, que
volta para a 1ª instância (tribunal originário). Por isso que se fala na conversão; Com ela é como
se o recurso permanecesse retido. O que faz com que ele não seja julgado naquele momento ali.
No inciso III há ainda uma diferença importante para o recurso de apelação porque os efeitos deste
estão previstos em lei. O juiz não tem discricionariedade quando recebe a apelação, apenas aplica
a regra do art. 520 CPC (será recebida no duplo efeito ou no efeito devolutivo nos casos especiais).
Nesse sentido, o recurso de agravo tem efeito suspensivo? Efeito suspensivo automático não,
117
mas o relator, presentes os requisitos da urgência, pode agregar efeito suspensivo a ele. Por isso
que os advogados gostam tanto do agravo de instrumento! Isso porque além de promover acesso
imediato ao Tribunal, pode haver esse pronunciamento liminar do relator, afastando uma decisão
proferida pelo tribunal de 1º grau.

Ex: Licitação  AGU volta e meia impetra agravo de instrumento e obtém liminar com efeito
suspensivo no Tribunal, havendo a cassação da decisão de 1ª instância.

Inciso III: O que o juiz de 1ª instância faz no seu dia a dia (lógica simplificada)? Defere ou
indefere as pretensões das partes. Sendo assim, as suas decisões ou têm um viés negativo ou
positivo. Quando eu peço para o juiz e ele defere o meu pedido, a parte contrária pode pedir a
suspensão dessa decisão que está produzindo efeitos. Mas quando eu peço algo para o juiz e ele
nega o meu pedido não há produção de efeitos. No entanto, eu posso recorrer para o Tribunal e
pedir para que ele me dê em antecipação de tutela o que o juiz de 1º grau não deu.

Ex: Leilão com irregularidades  demanda urgência! Suspende-se a decisão para depois o
tema ser julgado pelo colegiado (dá menos trabalho do que revisar todo o leilão).

Ex: Ação possessória  invasão de uma área. Aí o proprietário ou possuidor ajuíza ação de
reintegração de posse, mas o juiz indefere. A parte ainda assim pode recorrer para o Tribunal.
Como se trata de decisão interlocutória e há urgência, trata-se de caso de agravo de instrumento.
Nesse sentido, a parte levará as provas para o Tribunal de 2ª instância, indicando a verossimilhança
do seu direito e mostrando o problema de urgência existente. Se essa situação se consolidar no
tempo haveria prejuízos para a parte. O Tribunal nesse caso irá seguir o roteiro do 527 e
constatará: não é hipótese de negação de seguimento; não é possível fazer a conversão porque há
problema de urgência; o que ele faz (inciso III)? Não é efeito suspensivo, mas o relator pode
antecipar a tutela jurisdicional (antecipar a decisão que seria dada pelo colegiado mais adiante).
Nesse sentido, o relator pode atribuir efeito suspensivo para as decisões positivas (que estão
gerando efeitos) e antecipar a tutela recursal para as decisões negativas (que não foram
concedidas). No último caso, pede-se que o Tribunal dê a decisão que foi negada pela Corte de 1ª
instância.

Art. 527. Recebido o agravo de instrumento no tribunal, e distribuído


incontinenti, o relator:
I - negar-lhe-á seguimento, liminarmente, nos casos do art. 557;
II - converterá o agravo de instrumento em agravo retido, salvo
quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave
e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da
apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida,
mandando remeter os autos ao juiz da causa;
III - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso (art. 558), ou deferir,
em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal,
comunicando ao juiz sua decisão

118
IV - poderá requisitar informações ao juiz da causa, que as prestará
no prazo de 10 (dez) dias;
V - mandará intimar o agravado, na mesma oportunidade, por ofício
dirigido ao seu advogado, sob registro e com aviso de recebimento,
para que responda no prazo de 10 (dez) dias (art. 525, § 2o),
facultando-lhe juntar a documentação que entender conveniente,
sendo que, nas comarcas sede de tribunal e naquelas em que o
expediente forense for divulgado no diário oficial, a intimação far-se-á
mediante publicação no órgão oficial;
VI - ultimadas as providências referidas nos incisos III a V do caput
deste artigo, mandará ouvir o Ministério Público, se for o caso, para
que se pronuncie no prazo de 10 (dez) dias.
Parágrafo único. A decisão liminar, proferida nos casos dos incisos II
e III do caput deste artigo, somente é passível de reforma no
momento do julgamento do agravo, salvo se o próprio relator a
reconsiderar

Ex: Juiz autoriza a penhora do faturamento de um empreendimento comercial. A


jurisprudência hoje “fixou” um número de 30% para essas penhoras e suponha-se que o juiz tenha
aplicado esse entendimento. No entanto, isso varia em casos de empresas maiores ou menores e é
muito comum o juiz confundir os conceitos contábeis (ex: faturamento vs. lucro). E isso pode
acabar premeditando o fim dessa empresa! E essa empresa gera empregos, arrecada tributos etc.
Nesse sentido, cabe qual modalidade de agravo? Muitas vezes não dá para esperar o colegiado
julgar e o agravo deve ser o de instrumento.

Próx. Aula: peças do agravo de instrumento e art. 525 CPC.

Prova: 06/11.

Aula do dia 23/10

PONTO 05) Recurso de agravo.

Na aula anterior falamos de uma certa contextualização que deve ser feita no primeiro
momento pelo advogado para saber se emprega o agravo retido ou de instrumento. Em
seguida falamos que caso se faça opção inadequada, ou seja, a situação concreta não
desperta nenhum tipo de risco imediato, o relator, ao seguir a sequencia do art. 527,
poderá determinar a conversão do agravo de instrumento em retido. Também
119
comentamos que no agravo retido a interposição se dá de forma simples, basta a
apresentação nos autos e ele fica sujeito a hipótese do requerimento de reiteração (art.
523).

O agravo é um recurso interposto contra uma decisão do processo que está na primeira
instancia e esse processo permanecerá nessa primeira instância. A recorribilidade é em
apartado, sendo que é necessário levar informações que o tribunal não possui.

- “Formação” do instrumento

É chamado de agravo de instrumento justamente porque o agravante, na pessoa de seu


advogado, terá que apresentar ao tribunal não só a minuta em si do recurso, mas do
caderno processual respectivo. O legislador criou essa técnica para evitar que a todo
momento que pudesse surgir uma impugnação houvesse um deslocamento dos autos da
primeira instancia ao tribunal.

Isso tudo dentro da lógica de recorribilidade em apartado, ou seja, o processo originário


continuara a tramitar no tribunal de origem.

• Diferença entre agravo e apelação

Temos que pensar por analogia. A apelação é inserida nos próprios autos do processo, o
juiz de 1ª instancia já expediu sua sentença única e já cumpriu com o ofício jurisdicional,
assim, após a interposição de apelação, o juiz apenas cuidará da logística e fará chegar ao
tribunal. Já no agravo não há apenas uma decisão interlocutória no processo, elas podem
ser inúmeras e se a cada momento de interposição de agravo os autos saíssem
fisicamente da 1ª instancia para o tribunal de destino, nós teríamos paralisações
sucessivas.

Então, a ideia de recorribilidade em apartado é que marca a figura do agravo de


instrumento. Ou seja, recorribilidade em autos distintos, não se trata de um processo
novo. O recurso nada mais é do que um desdobramento de uma relação processual já
existente, mas como é uma só relação processual, nada impede que ela se exteriorize na
forma de 2 ou mais autos, ainda que esses autos sejam factuais e contextualizados no
que diz respeito a impugnada de decisões interlocutoras pontuais.

Ex: ação de falência. Há uma etapa do chamamento dos credores, quando ele deve
demonstrar o seu crédito. Portanto, há uma etapa de julgamento dos créditos, toda vez
que o juiz julga a habilitação de crédito, ele está proferindo uma decisão interlocutória com
hipótese cabível do recurso de agravo. Qual modalidade de agravo? Se fosse agravo

120
retido nós estaríamos dizendo para o credor o seguinte “você não ter sido reconhecido
como credor, fique tranquilo, só aguardar o término do processo de falência com o
pagamento de todas as dívidas possíveis e esvaziamento da massa falida, ai sim você
pode recorrer ao tribunal”. Não tem como, a resposta é o agravo de instrumento para
propiciar que esse credor desde logo se dirija ao tribunal. Ele vai levar ao tribunal com
esse agravo não todo o caderno processual, só o contexto daquela decisão agravada e
demonstração de seu credito.

Art. 525 do CPC refere-se:

Art. 525. A petição de agravo de instrumento ser á instruída: (Redação dada pela Lei n º
9.139, de 30.11.1995)

I - obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respectiva


intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado;
(Redação dada pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995)

II - facultativamente, com outras peças que o agravante entender úteis. (Redação dada
pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995)

a) Peças obrigatórias: (i) certidão de intimação; (ii) procurações das partes; (iii)
decisão
agravada.

Peças obrigatórias, cada uma tem a sua finalidade:

1- A própria decisão agravada. Sem esta o tribunal não tem como analisar o efeito
devolutivo do recurso.

Finalidade: analisar o feito devolutivo do recurso.

2- A procuração do agravante e agravado, porque o juiz da causa tem acesso aos autos e
sabe quem tem poderes de representação para peticionar no processo, como a
recorribilidade é feita em apartado, quando surge essa figura no tribunal, ele precisa
saber se quem peticionou esse agravo é um advogado habilitado e o agravante será
chamado a responder o agravo, por isso, é necessário ter procuração.

Finalidade: saber se quem está recorrendo tem ou não poderes e no caso da parte
contrária vai servir para intimá-lo na pessoa de seu advogado.
121
O cotidiano traz riquezas de situações, as quais devemos nos precaver para não ter o
recurso negado. Falamos na aula anterior que se faltar as peças obrigatórias, o relator
poderá negar seguimento ao agravo. Um recurso defeituoso dificilmente será corrigido,
só existe uma oportunidade única para recurso e essa é uma oportunidade é preclusiva.

Exceções:

1- Pode ser que não tenha a peça processual do agravado. Quando tem a procuração lá
na primeira instancia, só pegamos os documentos e xerocamos para juntar ao agravo.
Mas e quando não se formou o contraditório pleno na primeira instância?

Ex: alguém ajuiza uma ação possessória alegando esbulho ou turbação em sua posse.
Ele ajuiza a ação e faz o endereçamento à um determinado réu. Logo depois o juiz nega
a concessão da liminar. Quando temos uma negativa, temos uma decisão interlocutória.
Ele precisa de um provimento de urgência, logo, o recurso é o agravo de instrumento. O
sujeito vai xerocar as peças do caderno processual até aquele momento.

O que acontece nesse exemplo? O autor vai agravar para o tribunal numa fase em que o
réu ainda não foi citado. Assim, o setor de análise do gabinete do relator ao verificar o
checklist vai notar que não há procuração do agravado. Nesse caso, em tese, poderia
haver uma decisão denegatória do agravo por faltar uma peça obrigatória. Um advogado
zeloso junta um translado integral dos autos e pede na primeira instancia uma certidão
explicativa, onde o juiz a quo declarará que até o presente momento não houve
constituição de advogado por parte do réu. Com essa certidão o tribunal tem essa
informação de que ele deixa de apresentar peça obrigatória não por descuido, mas por
um contexto factual do caso concreto.

2- Outro cenário seria de um particular litigando com o poder público:

Ex: Existem leis específicas que dispensam aos advogados a exibição de procuração. A
União não dá procuração aos seus advogados, a delegação do advogado da união
decorre exclusivamente de lei. Nesse caso específico, se tratando de um processo
envolvendo a Fazenda Pública, pode acontecer contextualmente que a pessoa irá
procurar no caderno processual a procuração do advogado da união e não irá encontrar.
Não tem necessidade que ela esteja, haja vista que a delegação que é dada para esse
advogado decorre de lei. Assim, nesse cenário poderá ser desconsiderada a exigência
de procuração de ambas as partes, mas convém que isso seja explicado por meio de
certidão.

122
Esses são dois exemplos simples cuja situação cotidiana acaba discutindo a
admissibilidade de agravo por supostamente faltar peça obrigatória. O correto então é
que se houver algumas dessas situações, que se leve ao tribunal uma certidão
explicativa para que o tribunal não nega o prosseguimento do agravo.

Nesses casos o próprio agravado não poderia, quando fosse chamado, esclarecer a
situação? O tribunal não irá fazer uma valoração se foi apenas um esquecimento da
outra parte ou não. Ele não vai poder distinguir o que foi esquecimento, má fé, lapso ou
descuido. O tribunal analisa a lógica de que deve estar presente as peças essenciais no
agravo. Por isso, para evitar uma inadimissão, o agravante terá o cuidado de informar
para o tribunal os motivos de ter deixado as peças obrigatórias.

Outra diferença entre apelação e agravo:

No caso da apelação esse problema não existe, porque a lógica da apelação é:


interposição da apelação, posteriormente a intimação da parte contrária para oferecer
contrarrazões e só depois os autos seguirem para o tribunal. Quando chega no tribunal já
há a manifestação de ambas as partes.

No caso do agravo é diferente, o mecanismo da lei 9.139 buscou propiciar uma resposta
imediata do tribunal. Como é o advogado que extrai essas peças e forma o agravo de
instrumento, ele não combina com seu ex adverse se ele quer mandar também algum
documento junto ao tribunal. Quando ele protocola o agravo, ele tem sua peti ção de
recurso construída unilateralmente com os documentos obrigatórios e facultativos. O
agravado só virá a se manifestar depois. Por isso que nessa fase inicial de
admissibilidade o relator irá checar as peças obrigatórias, dai a importância da certidão
explicativa.

3- Certidão de intimação

Como estamos falando de agravo, o tribunal tem que checar uma coisa básica: o recurso
foi apresentado dentro do prazo? Ele é tempestivo?

Finalidade: garantir a tempestividade do agravo.

Outra diferença entre apelação e agravo:

123
Esse problema não existe no caso da apelação. A apelação é interposta nos autos e o
processo como um todo sobe para o tribunal. Como o agravo é formado em apartado, ou
seja, o advogado que extrai as peças e diz que está recorrendo de uma determinada
decisão, ele tem o ônus de mostrar para o tribunal que ele está recorrendo
tempestivamente. Assim, para simplificar o acesso imediato ao tribunal, o agravante faz
prova de sua tempestividade, ele apresenta a certidão de quando ele foi intimado sobre a
decisão que recorre. Ele demonstra para o tribunal que o recurso dele é tempestivo.

Ex: Certidão mostra que foi intimado no dia 10, interpôs recurso no dia 18, como são 10
dias para recorrer, o recurso é tempestivo.

É certidão de quando houve a intimação, uma coisa é ter o ato em si da intimação em


um processo que continuará na primeira instancia. Intimação está documentada no
processo de origem. Essa certidão é de certa forma a publicação. Assim, quando você
se dirige ao tribunal, você deve demonstrar que sua insurgência é tempestiva, que está
sendo feita dentro do prazo.

Exceção:

Essa certidão de intimação é de fato obrigatória? Será que eu não posso falar de
tempestividade presumida?

Ex: a decisão agravada está datada no dia 20/10 e protocolou o agravo no dia 23/10. É
intuitivo que aquele agravo é tempestivo, isso porque não decorreu automaticamente 10
dias entre a prolação da decisão judicial e a interposição do agravo.

Por isso, o STJ está caminhando para uma jurisprudência consolidada julgada em
repetitivo. Em um recurso especial repetitivo foi julgado que há sim a possibilidade de
considerar a tempestividade presumida em certos casos, como, por exemplo, quando n ão
ocorrer o interstício de 10 dias entre a decisão recorrida e a interposição do recurso.

Portanto, para certos casos pode ser dispensada a certidão obrigatória do art. 25, I.
Apesar de dispensável pela jurisprudência do STJ, é sempre desagradável que o foco do
recurso desvirtue para uma questão processual. Não raro o judiciário cria um
deslocamento da questão de mérito para discutir uma questão processual muito
secundária. Por isso que o professor aconselha que na prática os advogados continuem
colocando certidões porque vai evitar uma discussão secundária que pode obstar a
análise de mérito do recurso.

124
OBS: Recurso especial repetitivo é uma técnica para sedimentar jurisprudência das
cortes superiores. Quando existem situações de vários processos discutindo a mesma
matéria, o tribunal superior pode dar destaque à alguns desses casos e julgar aquele
caso emblemático. Sendo que aquela decisão vai ser estendida aos casos similares.

b) Peças facultativas.

São aquelas que servem para mostrar o que se pretende no recurso. Aqui não teríamos
como elencar quais são as peças facultativas a serem apresentadas com o agravo, mas
é intuitivo. Essas peças vão se delimitar no caso concreto, sendo peças que servem
para demonstrar o direito que se quer fazer valer. São documentos recomendáveis para a
sua situação específica.

Ex: na ação de alimentos, vamos pensar num caso com uma liminar fixando alimentos
provisórios que ele não tem condições de pagar sem prejuízo do próprio sustento. Esse
réu vai ao tribunal agravar alegando que o valor está além da sua capacidade de
pagamento. O que ele tem que demonstrar ao tribunal? Provas e documentos factuais
que comprovem sua impossibilidade de pagamento. Ele vai então anexar seu contra
cheque, extratos bancários, etc.

Sigilo de dados existe sim, porém, nada impede que o sujeito exiba voluntariamente, ela
vai abdicar do sigilo de dados.

Ex: Num processo de execução há uma autorização de penhora de um bem de família.


A lei 9.009 garante a proteção do bem de família, com isso, na necessidade de interpor
recurso numa hipótese como essa, é necessário a presença de peças facultativas
anexadas para provar que aquele é um bem de família. Pode ser que nesse caso ela
tenha que provar que é o único imóvel que tem, para isso vai ter que buscar as certidões
nos cartórios de registro de imóvel daquela comarca com as certidões negativas de todos
os cartórios, tendo uma única positiva, aquela a qual o sujeito reside com a família.

c) Peças essenciais

Professor vai citar essa categoria intermediária que está fora do texto da lei.

125
Se você vai recorrer ao tribunal, é razoável que você demonstre o contexto da lide onde
foi proferido aquela decisão agravada. Como isso se dá em termos práticos? Você vai
levar ao tribunal cópia da petição inicial, cópia da contestação, etc. São peças que não
foram destacadas com ênfase pelo legislador, mas são importante para que o tribunal
saiba em que contexto foi proferida aquela decisão interlocutória.

Art. 525. A petição de agravo de instrumento será instruída: (Redação dada pela Lei nº

§ 1o Acompanhará a petição o comprovante do pagamento das respectivas custas e do


porte de retorno, quando devidos, conforme tabela que ser á publicada pelos tribunais.
(Incluído pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995)

Tem que ter o preparo do agravo. Se faltar o preparo, o recurso é deserto e nao tem
como corrigi-lo.

§ 2o No prazo do recurso, a petição será protocolada no tribunal, ou postada no correio


sob registro com aviso de recebimento, ou, ainda, interposta por outra forma prevista na
lei local. (Incluído pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995)

Como o agravo é direcionado direto para o tribunal, ele admite postagem no correio. Essa
regra foi pensada para os advogados das comarcas interioranas, evitando que ele tenha
que se deslocar até a capital só para interpor o agravo.

Nesse recurso interposto pelo correio o prazo baseia-se na data de postagem.

• Formação deficiente: ônus do agravante.

E se faltar as peças obrigatórias? Sem as peças, o recurso não será aceito para
julgamento. Ai teremos uma decisão denegatória, denegativa de seguimento (art. 527,
inciso I)

• Art. 526 do CPC

Art. 526. O agravante, no prazo de 3 (tr ês) dias, requererá juntada, aos autos do
processo de cópia da petição do agravo de instrumento e do comprovante de sua

126
interposição, assim como a relação dos documentos que instruíram o recurso.
(Redação dada pela Lei nº 9.139, de 30.11.1995)

Depois de protocolado o agravo de instrumento, o trabalho do agravante não se encerra.


O agravante no prazo de 3 dias ainda vai ter que mostrar ao juízo de primeiro grau que
ele interpor o agravo.

Pra que serve essa comunicação ao juízo de primeira instância?

• Objetivo da regra:

a) propiciar o juízo de retratação por parte do magistrado de 1o grau;

Vale ressaltar que uma vez interposta a sentença, o juiz não pode alterá-la. O juiz
cumpriu com seu dever jurisdicional. Como estamos falando de decisão interlocutória, ela
não é uma decisão final do processo, então ela é provisória, dessa forma, o agravo de
instrumento permite o chamado juízo de retratação (professor ressaltou que essa parte é
muito importante).

Diferentemente do que acontece com a apelação, o juiz quando a recebe ele não pode
mudar a sentença que ele proferiu. No agravo a lógica é outra, como não há ainda uma
decisão final daquele processo, essa decisão interlocutória tem caráter provisório e pode
ser substituída por uma decisão contrária inclusive.

Esse art. 526 vai desencadear o juízo de retratação. Portanto, o juiz a quo é convidado a
repensar o que ele tinha antes decido.

Se acontecer a situação do juiz a quo se retratar, o recurso que ja foi protocolado no


tribunal ficará prejudicado, perde o objeto, ou seja, não terá mais necessidade de julgar o
seu mérito. Nada impede que o juiz a quo considere os argumentos aludidos e modifique
a sua decisão. Quando ele modifica, ele faz juízo de retratação positivo. Ele também
pode manter a decisão recorrida, seria o juiz de retratação negativo.

É obrigatório que o juízo a quo faça essa manifestação. Protocolado o recurso, o sujeito
é obrigado a comunicar o recurso apartado e o juiz terá que se manifestar sobre a
decisão anterior. Sendo que, caso ele exerça o juiz de admissão positivo, o juiz terá que
informar e comunicar ao tribunal sobre sua retratação e justificar o motivo dele estar
mudado a sua opinião. O tribunal não faz juízo de valor, a ação ainda é na presidência
daquele juízo de primeira instância.

127
b) facilitar o acesso do agravado às peças formativas do instrumento de agravo.

Como estamos falando de recorribilidade em apartado, ou seja, a ação originária


continua tramitando no juízo a quo e o agravo é protocolado no juízo ad quem. O
agravado vai ter que ser chamado para se manifestar sobre aquele recurso.

Quando falamos de advogados que residem na comarca do tribunal, o acesso a minuta


do agravo é fácil, basta que ele vá lá ao tribunal e tenha acesso aos documentos. Para
os advogados interioranos, essa diligencia seria extra e imprevista. Então, quando se fala
na comunicação ao juízo a quo e apresentação da íntegra do agravo de instrumento, o
agravado, quando elaborar as suas contrarrazões, não terá que ir até a capital, basta
que se dirija ao local de tramite de seu processo.

Art. 526 Parágrafo único. O não cumprimento do disposto neste artigo, desde que
argüido e provado pelo agravado, importa inadmissibilidade do agravo. (Inclu ído pela Lei
nº 10.352, de 26.12.2001)

Esse art. 526 surgiu com a Lei 9139/05 e foi inserido o parágrafo único que não existia
antes de 2005. A punição caso ele não comunique o juízo em 3 dias seria a inadmissao
do recurso. Hoje é o agravado que informa que o agravante não juntou no prazo de 3
dias a petição do art. 526. Ele apresenta ao tribunal uma certidão dada pelo juiz a quo
informando que não houve essa manifestação imposta pelo texto da lei. O tribunal vai
ficar sabendo por essa certidão.

Hoje surgiu uma dúvida entorno desse parágrafo único. O parágrafo não fala qual é o
prazo que o agravado tem para apresentar essa informação de que o agravante não
comunicou o juízo a quo.

Temos duas correntes de pensamento: A primeira diz que o agravado tem que falar no
prazo da resposta dele, no prazo das contrarrazões. A segunda diz que o agravado pode
falar isso a qualquer tempo enquanto não julgado definitivamente o agravo, já que a lei
não fala especificamente de prazo. Para o professor a melhor corrente seria aquela que
determina que é possível a qualquer tempo, isso porque a lei não estipula um prazo e
pelo fato de ser matéria de ordem pública, não tem porque limitá-la à um prazo não
estipulado em lei.

128
Após a interposição do agravo, este vai ser julgado a partir dai pelo tribunal, e o relator
vai seguir o roteiro do art. 527:

Vale ressaltar que esse art. 527 é uma sequência exata do tramite do agravo no tribunal.

Art. 527. Recebido o agravo de instrumento no tribunal, e distribu ído incontinenti, o


relator: (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)

I - negar-lhe-á seguimento, liminarmente, nos casos do art. 557; (Reda ção dada pela Lei
nº 10.352, de 26.12.2001)

II - converterá o agravo de instrumento em agravo retido, salvo quando se tratar de


decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos
casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apela ção é
recebida, mandando remeter os autos ao juiz da causa; (Reda ção dada pela Lei nº
11.187, de 2005)

III - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso (art. 558), ou deferir, em antecipa ção de
tutela, total ou parcialmente, a pretens ão recursal, comunicando ao juiz sua decis ão;
(Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)

IV - poderá requisitar informações ao juiz da causa, que as prestar á no prazo de 10


(dez) dias; (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001)

V - mandará intimar o agravado, na mesma oportunidade, por of ício dirigido ao seu


advogado, sob registro e com aviso de recebimento, para que responda no prazo de 10
(dez) dias (art. 525, § 2o), facultando-lhe juntar a documenta ção que entender
conveniente, sendo que, nas comarcas sede de tribunal e naquelas em que o expediente
forense for divulgado no di ário oficial, a intimação far-se-á mediante publicação no
órgão oficial; (Redação dada pela Lei nº 11.187, de 2005)

VI - ultimadas as providências referidas nos incisos III a V do caput deste artigo, mandar á
ouvir o Ministério Público, se for o caso, para que se pronuncie no prazo de 10 (dez) dias.
(Redação dada pela Lei nº 11.187, de 2005)

Art. 527 do CPC. Com a distribuição, o relator estará autorizado a:

a) negar seguimento ao agravo nos casos do art. 557 do CPC;

129
Primeira hipótese que o relator pode fazer é negar seguimento liminarmente ao agravo.
Inicialmente vai verificar todos aqueles requisitos essenciais e gerais de todos os
recursos.

b) converterá o A.I. em Agravo retido;

Se estão presentes todos os requisitos, a assessoria vai passar para a análise da


urgência, vai verificar se tem ou não situação de urgência e a possibilidade de converter
ou não o agravo de instrumento em retido.

c) poderá atribuir efeito suspensivo ou antecipar a tutela recursal;

Se de fato for caso de urgência, ele não poderá fazer a conversão. Vai passar para o
inciso III, onde há a analise do contexto concreto. O relator pode atribuir efeito suspensivo
ou conceder a antecipação da tutela recursal.

d) coleta de informações do juiz da causa;

O relator poderá solicitar informações ao juízo da causa. Esse dispositivo foi pensando
como se houvesse uma possibilidade de ampliar a convicto do tribunal com informa ções
novas.

Na prática, o juízo de primeira instancia simplesmente declara o seguinte despacho "eu


proferi a decisão agravada pelos fundamentos ali contidos”. Ou seja, na pratica não
serve pra nada, aquilo que foi pensado originalmente não é aplicado, o que temos é
meramente um oficio de troca de correspondência oficial sem utilidade.

e) intimação do agravado – alteração do dispositivo (“documentação” que o agravado


entender conveniente);

Outra diferença entre o procedimento da apelação e do agravo:

Na apelação, o apelante e apelado se manifestam antes da chegada do recurso no


tribunal. Com o agravo é diferente, primeiro o agravante peticionou, o processo chegou
no tribunal, ele foi autuado, passou pela análise preliminar, o relator passou por todo o
roteiro do art. 527 e só depois de tudo isso ter acontecido é que o agravado será
chamado para se manifestar. O agravado vai oferecer contrarrazões e agravo.
130
Com as contrarrazões ele poderá apresentar os documentos que ele tenha interesse e
possa provar que a decisão agravada seja mantida.

Ele pode apresentar documentos inéditos que não constavam no caderno processual
original? Pode, mas também depois vai ter que levar esses documentos inéditos para a
primeira instância. E se ele apresentar esses documentos inéditos com as contrarrazões,
o relator terá que dar vista ao agravante.

OBS: Agravante pede a reforma da decisão agravada e agravado pede a permanência da


decisão agravada.

f) intimação do Ministério Público.


Quando for o caso, será intimado o representante do MP.

• Novo CPC

NCPC (Câm. Deputados). Art. 1.028. Al ém de outras hipóteses previstas em lei, cabe
agravo de instrumento contra decisão interlocutória que:
I – conceder, negar, modificar ou revogar a tutela antecipada;
II – versar sobre o mérito da causa;

III – rejeitar a alegação de convenção de arbitragem;


IV – decidir o incidente de desconsidera ção da personalidade jurídica;
V – negar o pedido de gratuidade de justi ça ou acolher o pedido de sua revoga ção;
VI – determinar a exibição ou posse de documento ou coisa;
VII – excluir litisconsorte;
VIII – indeferir o pedido de limita ção do litisconsórcio;
IX – admitir ou n ão admitir a intervenção de terceiros;
X – versar sobre competência;
XI – determinar a abertura de procedimento de avaria grossa;
XII – indeferir a petição inicial da reconvenção ou a julgar liminarmente improcedente;
XIII – redistribuir o ônus da prova nos termos do art. 380, § 1o; [tal parágrafo permite ao
juiz atribuir o ônus da prova diversamente do tradicional, em casos previstos em lei ou em
razão de peculiaridades da causa, relacionadas à impossibilidade/dificuldade/maior
facilidade de obtenção de prova por uma das partes]
XIV – converter a ação individual em ação coletiva;
131
XV – alterar o valor da causa antes da senten ça;
XVI – suspender o curso do processo na forma do art. 1.050, § 4o; [este parágrafo trata
da suspensão – por até um ano – dos processos em primeiro grau de jurisdi ção que
tratem de controvérsia que é objeto de recurso representativo de controv érsia discutido
no âmbito do STJ ou do STF]
XVII – tenha sido proferida na fase de cumprimento de senten ça e nos processos de
execução e de inventário;
XVIII – resolver o requerimento previsto no art. 990, § 4o. [o parágrafo trata do pedido de
prosseguimento do processo, em caso de este ter sido suspenso por conta de incidente
de resolução de demandas repetitivas a ser julgado pelo tribunal de justi ça ou tribunal
regional federal]

Porque o legislador foi elencando essas situações em cada inciso?

Muitas das discussões aqui eram controvertidas porque elas caiam naquele contexto de
sentenças parciais. Então, para evitar dúvida o legislador previu o cabimento do agravo
de instrumento nestes casos.

NCPC (Câm. Deputados). Art. 1.029. O agravo de instrumento ser á dirigido diretamente
ao tribunal competente, por meio de peti ção com os seguintes requisitos:
I – os nomes das partes;
II – a exposição do fato e do direito;

III – as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido; IV


– o nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo.

É equivalente ao art. 524 do CPC atual, a grande diferença é a extinção do agravo


retido. O novo código prevê para os casos ali elencados o cabimento do agravo de
instrumento. A supressão do agravo retido tem uma leitura mais ampla a ser feita.

O agravo retido serve para evitar preclusão e é aplicado em decisões interlocutoras de


menor importância, quando nem se sabe ao certo a relevância e impacto delas ao
desfecho final do caso.

Quais são as formas de preclusão que temos no processo vigente?

A preclusão temporal, quando você não pratica o ato no tempo e momento oportuno
quando você tem a oportunidade de faze-la.
132
Ex: art 511, parágrafo 2º. Se o preparo for feito a menor, a pessoa será intimada a
complementar. Depois de transcorrido o prazo para complementação é que será
decretada a deserção do recurso. O decurso do prazo se compara com a preclusão
temporal, como se fosse uma preclusão tácita.

A preclusão consumativa, depois que você consumou a pratica de um ato, você não tem
como mais repeti-la.

A preclusão lógica, quando você pratica uma ato em determinada linha, você não pode
depois adotar uma postura oposta.

Ex: renuncia o direito de recorrer, logo, não pode depois querer interpor recurso.

O novo CPC mudou o sistema de preclusão.

O novo CPC vai abolir com o agravo retido. Isso quer dizer que não vai poder recorrer
sobre essas decides interlocutórias ao longo do processo? Claro que não, ele poderá
faze-lo. A sinalização dada pelo legislador é que ou ele deverá desde logo interpor
agravo de instrumento contra as decisões mencionadas no art. 1029, ou para as outras
que não despertam situação de urgência e risco imediato, ele apenas fará o registro do
seu protesto. Quando for o caso de ter a decisão final, ele irá verificar se ainda faz
sentido recorrer daquelas decisões menores que ficaram pra trás. Se ele entender que
sim, quando ele recorrer da decisão final, ele irá não só decorrer da sentença em si,
como de todos os pronunciamentos anteriores colocados no processo.

A Justiça do Trabalho já tem esse modelo com a CLT. O sistema de preclusão da JT é


diferente do sistema do processo civil. Quando o advogado trabalhista se deparar com
uma decisão insatisfatória, ele apenas sinaliza o protesto de que não gostou da decisão
e ainda o faz de forma tempestiva. Ele não está vinculado a apresentar fundamentos ou
motivações do porquê ele não gostou da decisão, é só um registro daquilo. Assim, o
processo irá caminhar adiante, caso ele ganhe a ação, mesmo com aquele problema que
ficou para trás, as discussões dele sobre aquele assunto provavelmente desapareceram,
porém, caso ele perca a ação no mérito, talvez ele ainda tenha um argumento a mais
para ser explorado.

O novo CPC mudou o sistema de preclusão.

Muitos vão dizer que o novo CPC extinguiu o agravo retido, porém, na verdade ele fez
muito mais do que isso, ele derrubou e modificou o sistema de preclusão. O acesso ao
133
tribunal continua sendo garantido as decisões com aspecto de urgência (art. 1028) e as
menores vão ser recorridas ao tribunal em um único momento (art. 1029). Podemos falar
que o legislador aposta no principio novo, o da recorribilidade concentrada. Ao inv és de ir
para o tribunal vários incidentes de agravo e depois mais a apelação final, a ideia é que
se concentre as manifestações no tribunal em uma única oportunidade. Invés de ficar
analisando questões pontuais picadinhas, o tribunal irá analisar tudo de uma vez. Esse
novo principio foi feito com objetivo de descongestionar o tribunal, sendo que exigiria
também dos mesmos uma maior qualidade e atenção no julgamento dos casos, vez que
estaria julgando um número menor de processos em função da concentração.

• Os agravos internos.

Estamos falando daqueles que são usados não contra as decisões de primeira instancia,
mas sim os agravos que são usados contra as decisões interlocutoras proferidas no dia a
dia do tribunal. Interposto contra as decisões de gabinete, as decisões monocráticas do
relator. Ou seja, é uma modalidade de agravo utilizada na esfera dos Tribunais, voltada
ao controle dos atos decisórios do relator.

Esse recurso aparece na doutrina sobre diversas nomenclaturas: agravo interno,


inominado, regimental, “agravinho”, etc. Já existe um processo no tribunal e as vezes o
texto da lei não da qualificação adjetiva, por isso, inominado. Sao regimentais porque as
vezes são repetidos no regimento interno de cada corte. Sao chamados de agravando
para distinguir do agravo de instrumento.

Objetivo desse agravo: existe para que tenhamos um controle das decisões monocráticas
do relator. O juiz natural do recurso é o órgão colegial, então, quando um relator se
pronuncia sobre uma determinada questão, se este pronunciamento monocrático gerou
uma insatisfação, a pessoa prejudicada poderá se reportar ao órgão colegiado. Se não
fosse assim, não teríamos a garantia do duplo grau de jurisdição para as situações em
que o relator se pronuncia monocraticamente. Caso a decisão do relator gere
insatisfação, existe a possibilidade de recorrer ao colegiado.

Esses agravos estão sujeitos aos prazos previstos nos segmentos internos dos tribunais.
O texto de lei do CPC não dá mais nenhum detalhamento sobre esse agravo, não fala
sobre prazo ou requisitos de admissibilidade. Os dispositivos ligados ao agravo interno
não dão exatamente os demais detalhadamentos, por isso, esses prazos específicos são
contemplados no regimento interno do tribunal e o padrão é a recorribilidade em 5 dias.

134
Ex: art. 527, Parágrafo único. A decisão liminar, proferida nos casos dos incisos II e III do
caput deste artigo, somente é passível de reforma no momento do julgamento do agravo,
salvo se o próprio relator a reconsiderar. (Redação dada pela Lei nº 11.187, de 2005)

Ou seja, nos pronunciamentos baseados nos incisos II e III não cabe recurso, por
exclusão, o inciso I cabe recurso se o relator negou o prosseguimento daquele agravo
(ex: intempestivo, sem preparo, faltou alguma peça, etc). Contra esta decisão do inciso I
caberá agravo interno.

Pode o regimento interno do tribunal trabalhar decisão procedimental?

Art. 22. da CF Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agr ário, marítimo, aeronáutico,
espacial e do trabalho;

A regra é que os direitos, deveres e ônus processuais só podem ser criados pela União.
Só que o art. 24 trata nas competências concorrentes entre União e Estado a
possibilidade de legislar sobre procedimentos. Falar de prazo ou forma d tramitação,
quem vai julgar no âmbito da corte são todos procedimentos, não é uma criação de uma
regra inédita do direito processual, é disciplinar aquilo que está na lei geral do CPC.
Portanto, os regimentos internos podem trabalhar situações procedimentais por conta da
deixa da constituição federal em seu art. 24, inciso IX ou XXI (professor não sabe qual) e
pelo art. 125, quando fala da auto organização dos tribunais em que cada tribunal pode
se organizar dentro da sua autonomia.

Aula do dia 28/10

PONTO 6 - EMBARGOS INFRINGENTES

• Embargos: expressão polissêmica:

Se vcs fizerem uma varredura na legislação brasileira vcs vão encontrar mais de 40
institutos que começam com o vocábulo embargos. Então, nem sempre, esses diversos
institutos terão a mesma natureza jurídica.

- VOCÁBULO EMBARGO UTILIZADO EM INSTITUTO COM NATUREZA JURÍDICA DE


RECURSO
135
O que interesse para a teoria recursal é q 3 recursos começam com o vocábulo embargo,
mas que tem características próprias e cabimento bem definido:

a) art. 530 - embargos infringentes;

Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o ac órdão não unânime houver
reformado, em grau de apela ção, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente
ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos ser ão restritos à matéria objeto
da divergência

b) art 535 - embargos de declaração;

Art. 535. Cabem embargos de declaração quando: I - houver, na sentença ou no acórdão,


obscuridade ou contradição; II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz
ou tribunal.

c) art. 546 - embargos de divergência.

Art. 546. É embargável a decisão da turma que: I - em recurso especial, divergir do


julgamento de outra turma, da se ção ou do órgão especial; Il - em recurso extraordin ário,
divergir do julgamento da outra turma ou do plen ário. Parágrafo único. Observar-se-á, no
recurso de embargos, o procedimento estabelecido no regimento interno.

- VOCÁBULO EMBARGO UTILIZADO EM INSTITUTO COM NATUREZA JURÍDICA DE


DEFESA

No entanto, por vezes o legislador definiu que a palavra embargo significa defesa,
ou seja, algo parecido com uma constestação no sentido lato sensu. Por exemplo, o art.
1.102 quando ele fala da defesa oponível na chamada ação monitória. Quando vcs
estiverem trabalhando os procedimentos especiais, perceberão que a ação monitória é
cabível quem tenha prova escrita sem eficácia de título executivo. Por exemplo, alguém
escreve em um bilhete "prometo pagar a quantia x em tal data". O bilhete escrito dessa
forma (sui generis) não tem os requisitos formais de um título executivo, mas por se tratar
de obrigação reconhecida em documento escrito da emissão do devedor, o art. 1. 102
permite o emprego da ação monitória. O que tem de peculiar no procedimento dessa
ação? Uma vez ajuizada, o devedor é chamado para se defender. Qual é a defesa q ele irá
apresentar? Embargos. Logo, no caso do art. 1.102 o vocábulo "embargo" está servindo
para rotular um instituto de natureza de defesa típica, como se fosse uma contestação.

136
Art. 1.102-C. No prazo previsto no art. 1.102-B, poder á o réu oferecer embargos, que
suspenderão a eficácia do mandado inicial. Se os embargos n ão forem opostos, constituir-
se-á, de pleno direito, o título executivo judicial, convertendo-se o mandado inicial em
mandado executivo e prosseguindo-se na forma do Livro I, T ítulo VIII, Capítulo X, desta
Lei. :§ 1o Cumprindo o réu o mandado, ficará isento de custas e honorários advocatícios;§
2o Os embargos independem de pr évia segurança do juízo e serão processados nos
próprios autos, pelo procedimento ordin ário. § 3o Rejeitados os embargos, constituir-se- á,
de pleno direito, o título executivo judicial, intimando-se o devedor e prosseguindo-se na
forma prevista no Livro I, Título VIII, Capítulo X, desta Lei.

- VOCÁBULO EMBARGO UTILIZADO EM INSTITUTO COM NATUREZA JURÍDICA DE


AÇÃO - art.1.046

A) EMBARGOS DE TERCEIRO

Art. 1.046. Quem, não sendo parte no processo, sofrer turba ção ou esbulho na posse de
seus bens por ato de apreensão judicial, em casos como o de penhora, dep ósito, arresto,
seqüestro, alienação judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha, poderá
requerer Ihe sejam manutenidos ou restituídos por meio de embargos.

Embargo de terceiro servem para q aquele q não era parte no processo e foi
alcançado por um determinado ato de constrição pela decisão judicial (afetado em seu
patrimônio ou posse). Notem só q nesses caso, os embargos de terceiro estão
representando uma nova relação jurídica processual: A ação de embargos de terceiros.

B) EMBARGOS À EXECUÇÃO - Art 736

Art. 736. O executado, independentemente de penhora, dep ósito ou caução, poderá opor-
se à execução por meio de embargos.
Qndo forem estudar o processso de execução, vcs vão tb estudar o modelo atual da
defesa do executado qnd ele se defende por meio de embargos à execução. ESSES
EMBARGOS À EXECUÇÃO TEM NATUREZA JURÍDICA DE AÇÃO.

RESUMO: LEGISLADOR EM VÁRIAS PASSAGENS DA LEGISLAÇÃO E EM


DIVERSOS INSTITUTOS ELE FAZ EMPREGO DO VOC ÁBULO EMBARGO, MAS VCS
SEMPRE TERÃO Q OBSERVAR CONTEXTUALMENTE O REGIME JUR ÍDICO DESSA
FIGURA PQ NEM SEMPRE VCS NEM SEMPRE ESTAR ÃO DIANTE DA MESMA
NATUREZA JURÍDICA.

137
• “Denominador comum” entre os diferentes institutos (Pontes de Miranda):
movimento horizontal dirigido aos próprios juízes ou juízo.
Em todas essas situações rotuladas pelo legislador por embargo, nós estamos falando
de certos pedidos que são feitos perante A PROPRIA AUTORIDADE JUDICIÁRIA QUE
DECIDIU/AUTORIZOU/ACEITOU algo. É como se fosse uma espécie de MOVIMENTO
HORIZONTAL DIRIGIDA À PRÓPRIA AUTORIDADE JUDICIÁRIA QUE DEU CAUSA AO
OFERICIMENTO DE EMBARGO. Então, se verifica uma certa COERÊNCIA na utilização
desse vocábulo. PONTES DE MIRANDA identificou esse denominador comum entre os
instittutos que são rotulados com o emprego da palavra embargo.

PERGUNTA: Para quem q se oferece embargos de declaração (correção de decisão


judicial? PARA A MESMA AUTORIDADE JUDICIAL que proferiu a decisão embargada.

- para quem q se oferece embargos da ação monitória? PARA A MESMA AUTORIDADE


JUDICIAL q aceitou aquele documento escrito como hábil para a ação monitória.

- para quem q se oferece embargos de terceiro? PARA A MESMA AUTORIDADE


JUDICIAL que decretou a ação constritiva

- para quem q se oferece embargos à execução? PARA A MESMA AUTORIDADE


JUDICIAL que aceitou o processamento da execução de título extrajudicial.

No entanto, para a nossa matéria, o que é importante é vcs saberem que A


PALAVRA EMBARGO NEM SEMPRE REPRESENTARÁ A MESMA NATUREZA
JURÍDICA E QUE HÁ 3 RECURSOS QUE COMEÇAM COM ESSE VOCÁBULO.

B) CONCEITO DE EMBARGOS INFRINGENTES


Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o ac órdão não unânime houver
reformado, em grau de apela ção, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente
ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos ser ão restritos à matéria objeto
da divergência

Esse recurso é previsto no art 530 no CPC. Ao observar a letra desse artigo,
percebe-se que é um recurso sui generis pq é cabível apenas nos tribunais segundo grau
e ele é oponível apenas em certas situações específicas (depois do julgamento de
apelação ou, eventualmente, após a apreciação de ação rescisória).

• Subsistem no Brasil, embora tenham sido suprimidos em Portugal no ano de


1939:

138
Esse recurso veio do direito português. Na verdade, no ano de 1976, foi modificada
a legislação portuguesa, então, o brasil que buscou inspiração nessa legislação,
atualmente, é o único país do mundo que ainda mantém um recurso com essas
características que são: ele é cabível DEPOIS que o tribunal julgou ou a apelação ou
depois de ação rescisória.

• Requisitos para o cabimento dos “embargos infringentes”.

a) Cabimento diante dos acórdãos que apreciem apelação ou ação rescisória;

b) Acórdãos por maioria de votos (2x1); " Cabem embargos infringentes quando o acórdão
não unânime" - Acórdão é um tipo de decisão específico (art. 555) onde participam 3 juízes.
Se são 3 q votam e não existe empates, então só há 2 placares aceitáveis: unanimidade
(3x0) ou por maioria de votos (2x1). Então, qund se tratar de decisão não unânime (por
maioria de votos) talvez seja cabível os embargos infringentes.

c) Acórdãos que tenham reformado “sentença de mérito” (excluindo-se, assim, o


cabimento diante dos acórdãos substitutivos de sentenças terminativas ou processuais); "
houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado
procedente ação rescisória" - Para ser cabível não se considera que houve apenas
votação por maioria de votos, mas também, que a decisão tenha REFORMULADO, ou
seja, MODIFICADO A SENTENÇA OU MODIFICADO O TÍTULO Q DEU ORIGEM A
AÇÃO RESCISÓRIA.

d) Acórdãos que tenham julgado procedente a ação rescisória.

Polêmica resultante ainda da sua adoção:

A) defendendo a manutenção: posição de Vicente Greco Filho / “síndrome da


unanimidade” nos Tribunais de 2o grau; ressalva do prof. Athos Gusmão Carneiro
(recurso não raro provido).

Há uma discussão muito forte sobre a conveniência ou não de manter esses tais
embargos infringentes, pois alguns autores são a favor da manutenção desse recurso pq
eles consideram que os tribunais estejam assolados por uma uma síndrome da
unanimidade pq é muito comum ter decisões unânimes pq divergir dá trabalho (fica
obrigado a lavrar voto apartado e ele assume um ônus de trabalho a mais do q ele já tem),
então, por razões pragmáticas, é comum que os votantes SIGAM o relator. Qnd então há
um voto divergente, alguns AUTORES falam q isso demonstra q a situação deva ser
olhada com mais cuidado. De acordo com o prof. Athos Gusmão Carneiro esses recurso
não raro são provido.
139
B) pela supressão: prof. Egas D. Moniz de Aragão;

- Importância da compreensão da regra do art. 530 do CPC: súmula 207 do STJ.

> VCS TEM QUE CONHECER O ART 530 NÃO PARA SABER AS HIPÓTESES DE
CABIMENTO, MAS É QUE SE VCS FOREM INTERPOR RECURSO PARA OS
TRIBUNAIS SUPERIORES (AÍ INTERESSA PQ HÁ MUITA INTERPOSIÇÃO DOS
RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIOS) VCS TEM Q SABER JÁ SE EXAURIU
A INSTÂNCIA LOCAL. Então, qnd estivermos falando do recurso especial ou
extraordinário, precisamos destacar que o ACESSO AOS TRIBUNAIS SUPERIORES
NÃO PODE PULAR ETAPAS. Só vai aceitar esses recursos diante das decisões finais.
Logo, se a parte tinha disponível para ser utilizado os embargos infringentes, mas deixou
de usá-los e depois, equivocadamente, empregou recurso especial ou extraordinário
ocorre uma PRECIPITAÇÃO dos OUTROS RECURSOS (o tribunal não VAI CONHECÊ-
LOS pois vão trabalhar com a lógica de q não faz sentido trabalhar numa instância de
sobreposição se vc tinha ainda chance de resolver seu problema na INSTÂNCIA LOCAL).

> Súmula 207 do STJ: "É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos
infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem."

Os embargos infringentes tem um emprego estatístico desprezível, não é apenas


baixo, é quase insignificante. Na maior parte dos tribunais não há mais do q na média 200
desse recurso por ano. Esses números são irrisórios perto da grandeza numérica das
apelações, agravos etc. Só que, na verdade, chegam aos tribunais superiores milhares de
recursos especiais e extraordinários. Então, ao se questionar se é cabível ou não recurso
especial ou extraordinário, deve-se perguntar primeiro se exauriu todos os recursos na
instância local, ou seja, no direito brasileiro NÃO EXISTE RECURSO ESPECIAL OU
EXTRAORDINÁRIO PER SALTO, ou seja, PULANDO ETAPAS.

• Restrições operadas quanto ao cabimento.

> Lei n. 10.352/2001 restringiu suas hipóteses de cabimento.


Como o legislador não teve coragem de acabar com esse recurso, ele restringiu o seu
cabimento.

- Regra do “alinhamento de votos” ou princípio da “desconformidade”.

Essa regra é utilizada para explicar a lógica da necessidade de desempate. Se eu estou


falando de uma causa

140
sentença > apelação >> 3x0
>> 2x1

> Nas hipóteses de “concordância” com o posicionamento da sentença (ou alinhamento


de posições), são incabíveis os embargos infringentes.

>> Critério do alinhamento de votos (ou “regra futebolística”): “somatória das


instâncias”: É chamado dessa forma pq a forma de se pensar é parecida com os
campeonatos de futebol em que a vitória é de quem obtém mais pontos nos dois jogos
finais, mas aqui há a soma dos votos entre as duas instâncias

a) 1a situação: necessidade de “desempate”


Sentença + 1 x 2 = 2 x 2 (sentença reformada = são cabíveis os embargos).

Essa situação em q eu considero a posição do juiz de primeira instância + a posição


do voto divergente na segunda instância contra os 2 votos a favor da reformulação da
sentença é considerada como um EMPATE TÉCNICO. É como se ocorresse uma situação
de penalti para desempatar o jogo, então, qnd ocorre esse 2x2 eu chamo outros
julgadores para desempatar, ou seja, eu peço embargos infringentes.

Por isso q o texto do art 530 é auto explicativo " quando o acórdão não unânime
houver reformado', logo, só é cabível se ocorrer reformulação e o placar ficar 2 (juiz da 1ª
instância + voto divergente no acórdão) x 2 (maioria dos votos do acórdão)

b) 2a situação: dispensabilidade dos “embargos infringentes”.

Sentença + 2 x 1 = 3 x 1 (sentença confirmada = não são cabíveis os embargos)

Por conta disso, tb se infere que quando há confirmação da sentença não se pode
falar em embargos infringentes pq é como se eu falasse que há 3 votantes com a mesma
opinião (o juiz da sentença + a maioria dos votos x o voto divergente na apelação).

> AÇÃO RESCISÓRIA

O mesmo pensamento pode ser usado na ação rescisória pq se eu tenho um


julgamento de mérito que pretende rescindi-la, então, eu considero a posição do juiz da
sentença de mérito como 1 julgador e qnd 2 juízes no tribunal estão julgando
PROCEDENTE a ação rescisória a gente cai no EMPATE TÉCNICO: 2X2 (2 JUÍZES
pensam de um jeito x 2 juízes pensam de outro).
141
2 (= 1 voto do Juiz da sentença de mérito + 1 voto divergente da ação q julgou
procedente a ação rescisória) x 2 (2 votos que julgaram a ação rescisória procedente)

• PROCEDIMENTO E EFEITOS

> CABIMENTO : ART 530 “quando o acórdão [não unânime] houver[ reformado], em grau
de [apelação], a [sentença de mérito], ou houver [julgado procedente a ação rescisória]. Se
o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de divergência”.
Então, verificar, nessa ordem:
1º - Em qualquer processo cabe embargos infringentes? Não, apenas nos processos que
ao chegarem na instância superior, ou seja, apenas em casos de APELAÇÃO E AÇÃO
RESCISÓRIA.
2º - Em qualquer acórdão? Não, tem se verificar a REFORMA.
3º - Tem que se fazer o contraste entre as posições votantes para a gente se chegar
nesse tipo de resultado (Se houver EMPATE TÉCNICO)

obs: Requisitos para o cabimento dos “embargos infringentes”.

a) Cabimento diante dos acórdãos que apreciem apelação ou ação rescisória; b)


Acórdãos por maioria de votos (2x1); c) Acórdãos que tenham reformado “sentença
de mérito” (excluindo-se, assim, o cabimento diante dos acórdãos substitutivos de
sentenças terminativas ou processuais); d) Acórdãos que tenham julgado
procedente a ação rescisória.

> PRAZO: 15 DIAS:

Pq os embargos infringentes se enquadram na Regra geral do art. 508 "Art. 508.


Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordin ário, no recurso especial, no
recurso extraordinário e nos embargos de diverg ência, o prazo para interpor e para
responder é de 15 (quinze) dias"

Art. 531. Interpostos os embargos, abrir-se- á vista ao recorrido para contra-raz ões; após,
o relator do acórdão embargado apreciará a admissibilidade do recurso.

> CONTRARRAZÕES

Art. 531, PRIMEIRA PARTE" Interpostos os embargos, abrir-se-á vista ao recorrido para
contra-razões..."

Princípio da dialecidade (qnd alguém interpõe recurso, deve ser chamada a outra
parte para se conhecer contrarrazões"

142
> EXAME DE ADMISSIBILIDADE

ART 531, SEGUNDA PARTE "após, o relator do acórdão embargado apreciará a


admissibilidade do recurso."

Então, depois de ouvido o embargado, o relator, q tinha atuado no caso da apelação


ou da ação rescisória, fica fazendo o papel do juízo a quo pq é ele q vai cuidar do juízo de
admissibilidade. Então, é ele q verifica se o recurso os requisitos formais (se foi
protocolado no prazo e etc). Se sim, ele encaminha os embargos para julgamento, mas aí
q entra em cena o art. 533.

> Inadmissão do processamento dos embargos por força de decisão monocrática:


cabimento de “agravo interno” -

Art. 532. Da decisão que não admitir os embargos caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para
o órgão competente para o julgamento do recurso.

>> Admissão: processamento conforme dispuser Regimento Interno (CPC, art. 533).

Art. 533. Admitidos os embargos, ser ão processados e julgados conforme dispuser o


regimento do tribunal (Ou seja, o CPC não traz a forma de julgamento desse tipo de
recurso, mas notem que ele NÃO FALA DO QUÓRUM DE JULGAMENTO DO ÓRGÃO
FRACIONÁRIO QUE IRÁ JULGA-LO ETC, ele remete isso para q a matéria seja tratada
regimentalmente. O que o legislador fez isso? pq os tribunais tem composições numéricas
muito diferente, podendo ter uns tribunais grandões (TJ/RJ, TJ/SP) e outros pequenos
(TJ/ACRE - 11 JULGADORES). Logo, ele não determinou para não amarrar a matéria
localmente, ou seja, a matéria é jogada para o âmbito do regimento local. )

Art. 534. Caso a norma regimental determine a escolha de novo relator, esta recair á, se
possível, em juiz que não haja participado do julgamento anterior. (Para se evitar a
tendência inata do ser humano de se agarrar as suas próprias posições/convicções, sejam
elas quais forem. )

- POSICIONAMENTO DO NOVO CPC - TRANSFORMOU DE NATUREZA RECURSAL


EM INCIDENTE

NCPC (Câmara Deputados). Art. 955. Quando o resultado da apelação for, por
decisão não unânime, no sentido de reformar sentença de mérito, o julgamento terá
prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, a
serem convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número
suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às
143
partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os
novos julgadores.

O embargo infringentes voltaram, mas com uma feição diferente. O art 955
TRANSFORMA os embargos infringentes com NATUREZA RECURSAL como UM MERO
INCIDENTE EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PQ? pq o texto do art. 955 diz o seguinte "o
julgamento terá [prosseguimento em sessão] a ser designada com a presença de [outros
julgadores]...", então, ele dá uma feição como se fosse um incidente na apelação ou ação
rescisória, logo, não tem mais o formalismos como nova peça, novo prazo, novo sorteio,
novo relator e tratamento como hj está previsto. É como se falasse: "estamos empatados?
então chama mais gente para votar". Então, não mais votado por 3 juízes, mas pelo
número de julgadores do regimento interno q otribunal prevê.

Aluno: pergunta inaudível


Professor: Quem recebe os embargos infringentes é o relator que tenha atuado na
apelação e na ação rescisória. É como se ele fosse o juiz de primeira instância, mas vc
desloca/pula para a instância seguinte. Então, o relator antigo recebe os embargos
infringentes, mas não necessariamente ficará responsável por conduzir os
embargos, dali para frente a preferência é q se tenha novo relator.
Aluno: Aí ele se comporta como juízo a quo?
Professor: Sim, aí ele cuidará daqueles requisitos de admissibilidade.

Pergunta: Ele pode mudar o acórdão q antes ele tinha proferido? NÃO. Julgou, então está
julgado. Aí terá o julgamento via embargos infringentes

PONTO 7 - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

ART 535 -
Art. 535. Cabem embargos de declara ção quando: (Redação dada pela Lei nº 8.950, de
13.12.1994)

I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; (Redação dada pela


Lei nº 8.950, de 13.12.1994)

II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal. (Reda ção dada
pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)

- SUI GENERIS: Pq eles não deveriam gerar nenhum tipo de embaraço entre advogados
e juízes, mas cotidianamente é que os embargos de declaração criam certos desgastes
entre os operadores do direito.

144
- Problematização da teoria da decisão judicial

Qual é a função deles? Visam o aperfeiçoamento da sentença, o saneamento de


certas impropriedades contidas na decisão: omissão, obscuridade ou contradição.
Exigência de clareza e precisão nas decisões judiciais. Detectar o exato “conteúdo
material” das decisões. No art 280 do código de 39 dizia que as sentenças e acórdãos
devem ser claros e precisos, aí o legislador de 73 achou desnecessário por considerar
que isso é um raciocínio lógico jurídico pq é claro q as sentenças tem q ser claras para
serem entendidas pelo destinatário final, logo, não há necessidade de se expressar isso.
Infelizmente, o perfil sócio-educacional do destinatário final brasileiro não é muito alto e a
ciência jurídica ainda utiliza complicações como o latim, uma língua morta. Isso é esquisito
pq a linguagem como fenômeno de comunicação ela vai se modificando com o tempo, por
exemplo, vosmicê > você > vc (internet). Lidamos com isso como se fosse fácil
compreender essa linguagem, ainda mais com uma população q, de acordo com o IBGE,
boa parte é analfabeta funcional. Logo, o nosso linguajar não alcança o nosso público.

Crítica do professor: Construção de uma teoria da decisão judicial pq os tribunais


brasileiros tem praticados algumas coisas muitos difíceis de assimilar. Por exemplo, qnd
pegamos um julgamento importante do STF (ex: julgamento q possibilitou o casamento
homoafetivo) o objeto é simples, apesar da complexidade social por trás, mas cada
votante escreveu acórdãos com mais de 100 laudas. Aí eu não consigo quais são os
fundamentos determinantes daquela decisão. Aqui há a declaração de voto, em outros
países é a decisão da corte. Eu não sei se eles se mataram para chegar nessa decisão,
mas é a decisão da corte. Uma decisão simbólica, sem exageros e q eu consigo ver quais
foram os fundamentos da decisão. Isso é teoria da decisão, mas aqui a gente até coloca
poesia.

Aluno: Mas linguagem erudita não serve para se isolar um pouco?


Professor: Sim, eu falei aqui q a linguagem jurídica é hermética, fechada. A linguagem é
usada para manter o poder (Foucault). Popper fala na filosofia do direito de o objetivo
para se construir essa linguagem hermética e fechada é para se construir um discurso de
poder e da perpetuação disso. Então, o q eu quero dizer é que simbolicamente o STF tem
um recado diferente a dar pq se ele arroga a si essa prerrogativa de se fazer esse lirismo
na decisão judicial, aí as instâncias locais acham-se no direito de também fazer isso,
perpetuando esse modelo. Então, quando eu falo de embargos de declaração, é preciso
abrir espaço para uma discussão de um problema da teoria geral do direito. Não estou
falando q cada um tem q falar do seu jeito pq tem q tem o mínimo de técnica.

Os embargos de declaração acabam levando a uma queda de braço entre juízes e


advogados pq o juiz tem um excesso de trabalho e acaba replicando modelos de
sentença e aí acaba dando a sentença com os fundamentos do caso anterior. O advogado
sem saber o q fazer diz q o advogado foi obscuro, ininteligível, contraditório em certa
145
passagem ou ainda diz q ele deixou de decidir sobre algo. Aí o juiz PESSOALIZA a
crítica, toma pra si. Eles precisam entender q a crítica não é o juiz, mas sim, da
decisão (OBJETIVAR A CRÍTICA). Por exemplo, o juiz fixa na sentença de alimentos q a
quantia será de 3 salários mínimos, aí é interposto embargos de declaração questionando
se é 3 salários mínimos regionais ou nacionais. Aí o embargo de declaração serve para
esclarecer isso.

• Natureza jurídica:

> Discussão quanto à natureza jurídica dos “embargos de declaração”, Problemas


decorrentes da redação originária do CPC de 1973: previsão dos embargos
declaratórios nos arts. 464 e 465 e 535 do CPC.

Já houve muita discussão sobre este tema pq alguns autores entendiam q esse
recurso por ser muito restrito (focado na resolução da obscuridade, contradição ou
omissão) e a devolutividade q ele gera é reduzida. Afinal de contas, o órgão julgador só vai
se focar nisso. No CPC de 73 ele falava de embargos de declaração em duas partes
distintas (oponíveis contra sentença e contra acórdões) e isso gerou uma discussão sobre
sua natureza. HJ não dúvida q ele tem NATUREZA JURÍDICA DE RECURSO

> Superação a partir da redação do art. 496, inciso IV, do CPC.


Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos: IV - embargos de declara ção

No entanto, não foi solucionado um problema q é o seguinte: No art. 535 ele fala
assim "Art. 535. Cabem embargos de declara ção quando: I - houver, na sentença ou no
acórdão, obscuridade ou contradição; II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-
se o juiz ou tribunal.". Dentro dessa lógica dogmática para o juízo formalista é claro q está
previsto expressamente q cabe embargo de declaração contra sentenças e acórdãos,
MAS NÃO FOI NADA DITO SE CABE OU NÃO CONTRA DECISÕES
INTERLOCUTÓRIAS.

Mas antes q alguém me atribua um discurso contraditório pq em uma aula passada


eu falei q CONTRA DECISÃO INTERLOCUTÓRIA CABE AGRAVO, mas isso é quando eu
quero atacar, reformar, anular a decisão interlocutória. No entanto, quando eu só quero
entende-las? Por exemplo, o juiz num processo de execução autorizou a penhora sobre
faturamento da empresa, só q juiz não estuda contabilidade e aí alguém pode ficar na
dúvida pq o juiz estava falando de faturamento bruto ou líquido. Isso faz uma tremenda
diferença.

Então, quando eu quero compreender a decisão interlocutória eu posso


compreender q cabe o embargo de declaração já que não está previsto mas tb não tem
nada proibindo. Se o interesse recursal da parte é buscar a reforma ou anulação da
146
decisão interlocutória, o recurso cabível é o agravo. Mas isso não é lógico? Não, pq alguns
juízes mais formalistas vão considerar q só cabe agravo contra decisão interlocutória.

- Argumentos para justificar o cabimento dos embargos dec. diante das decisões
interlocutórias:

a) possibilidade diante dos “acórdãos interlocutórios” (contra-senso);


Imaginem q foi publicada a sentença x. Se ela causar prejuízo a alguém, então a
gente sabe q é possível interpor APELAÇÃO e essa apelação será julgada pelo tribunal por
meio de um ACÓRDÃO. Quando eu tenho uma decisão interlocutória q causa uma
situação de urgência ou lesão grave, então eu posso interpor um AGRAVO DE
INSTRUMENTO. O tribunal irá julgar o meu agravo de instrumento por meio de um
ACÓRDÃO. Mas será q eu posso dizer q esse acórdão aqui, no sentido de natureza
judicial, é igual ao anterior? NÃO, ELES SÃO DIFERENTES. Pq? Pq esse é um acórdão
QUE FAZ A SENTENÇA (ACÓRDÃO FINAL) E O último faz como se fosse uma decisão
interlocutória (ACÓRDÃO INTERLOCUTÓRIO).

Então é como se a gente dissesse que se o juiz do acórdão se equivou, então cabe
embargo de declaração. E se esse juízo (apontou para o quadro) se equivou tb cabe pq é
a mesma decisão interlocutória. A mesma não, ela substitui a outra.

b) possibilidade de o juiz de 1o grau esclarecer ou integrar a sentença (ato decisório


“mais importante”):

PRINCÍPIO DE INTEGRIDADE DO ORDENAMENTO JURÍDICO: Esse princípio


diz q o sistema tem q me dar as respostas dogmáticas q eu busco. Então, eu aceito q o
juiz de primeiro grau corrija a sentença - que é o pronunciamento mais importante q ele
faz - então, será q eu não poderia falar, numa lógica empírica, de quem pode mais tb pode
menos. Se eu transformar o raciocínio da chamada teoria dos poderes implícitos q vem do
constitucionalismo americano para o direito civil ("quem pode mais, pode menos"), então,
acho q ele pode modificar as decisões interlocutórios.

Obs: Posicionamentos doutrinários favoráveis à admissão dos embargos decl.


diante das decisões interlocutórias: Cândido DINAMARCO, Barbosa MOREIRA, Egas
MONIZ DE ARAGÃO, Luiz Rodrigues WAMBIER, Teresa A. WAMBIER, Humberto
THEODORO JR., Manoel Caetano FERREIRA FILHO, etc.

• NOVO CPC

PARA ELIMINAR ESSE PROBLEMA, o NCPC diz em seu art. 1038 "cabe embargo de
declaração contra TODAS AS DECIS ÕES JUDICIAIS" independente de eu rotula-la
147
como decisão interlocutória, sentença ou acórdão. Não é q eu elimino essas classificações,
mas é que essas classificações é da DOUTRINA. A burrice ao interpretar o art. 535 é q a
gente imagina q há uma ontologia naquela classificação como se um biologo foi na selva e
pegou uma espécie, criou em laboratório, recriou e a partir dali classificou e descreveu
todas as suas particularidades. Não é assim pq o direito é um produto cultural, é uma
linguagem, é aquilo q nós falarmos q é, por isso não é uma ciência exata q dá para se criar
um conhecimento científico daquilo. Logo, SENTENÇA, ACÓRDÃO etc são conceitos
jurídicos POSITIVOS. Então, decisão EMBARGÁVEL é uma construção q algum dia
alguém fez e, a partir da repetição, criou-se uma VERDADE.

• Supressão do elemento “dúvida” (estado subjetivo de difícil aferição):


permanência no art. 48 da Lei n. 9.099/95 e art. 30, II, da Lei n. 9.307/96 e a opção
pelos critérios “objetivos” de admissibilidade dos embargos.

O texto atual ele não fala do elemento DÚVIDA pq a redação do CPC DE 73 falava no
cabimento de 4 hipóteses: omissão, obscuridade, contradição e dúvida. Bom, a omissão e
a contradição são objetivas ("ou elas estão lá ou elas não estão"), já a dúvida é algo
subjetivo, sou eu q considero q a decisão. Então, foi retirada a dúvida pq dava muita
confusão. No entanto, no art 48 da Lei n. 9.099/95 (JEC) foi baseada no CPC, mas aí
veio a reforma dele e esqueceram de modificar isso no anteprojeto do JEC. Então, acabou
ficando com o cabimento de 4 hipóteses no Juizado Especial e aí os operadores fazem de
conta q não existe e aí quando alguém fala em dúvida a assemelha a obscuridade.

Aula do dia 30/10/2014

Bom estávamos na aula passada falando do ponto 7, estava tratando do cabimento de embargos
de declaração. Por último nós falamos do artigo 575, porque ele vem hoje com uma espécie de
lacuna pois ele não prevê especificamente o cabimento de embargos de declaração contra as
chamadas decisões interlocutórias. Superado esse problema, e tendo em vista que vimos a
possibilidade de uma interpretação supletiva, mas os que temos que examinar são aqueles vícios
que autorizam o emprego dos embargos declaratórios. Falamos do problema que o Código de
1973 falava do elemento dúvida e replicado na Lei de Juizados. Com relação ao tema
‘’Obscuridade’’, temos aqui a principal dificuldade para verificar se são ou não cabíveis os
embargos de declaração, pois esse tema envolve um certo subjetivismo. O que eu posso
considerar obscuro pode ser muito claro para outra pessoa. Eu que não entendo nada de f ísica
quântica vou ter dificuldade em assimilar qualquer discurso a respeito do tema, mas ele pode ser
muito familiar para outras pessoas. Dentro dessa lógica, se a gente transpor esse tipo de raciocínio
para o ambiente do poder judiciário, são cabíveis as considerações que falamos na aula passada a
respeito da necessidade de construir uma ‘’ Teoria da Decisão Judicial’’, e que inclusive
recomende aos operadores do direito, o uso de uma linguagem coloquial, com frases simples e

148
que possam evitar o emprego daquelas palavras que tem ambiguidade. Por exemplo: o camelo
aqui trabalhou demais. O camelo é um animal que anda no deserto. É óbvio que o mesmo
vocábulo ai está inserido numa construção frasal e claro que temos significados diversos para essa
mesma palavra usada com 2 sentidos muito diferentes. O idioma português é traiçoeiro na medida
em que ele pode induzir leituras diferentes para um mesmo termo e por ai vai.

Então a questão aqui da obscuridade envolve no 1 plano uma dificuldade maior da sua
caracterização. Em 2 plano um pouco de humildade na aceitação do cabimento de embargos de
declaração, pois as vezes o juiz parte de uma ingênua pressuposição de que ele está sendo muito
claro. Assim como qualquer outra pessoa que esteja discursando(professor, jornalista,
apresentador, radialista, presidente) podem ter uma falsa impressão de que estão passando uma
mensagem clara e o destinatário não está entendendo nada. Mas aqui vale um pouco do que já foi
dito antes. Do ponto de vista dogmático, a obscuridade, pode estar presente, tanto na
fundamentação da decisão, como no dispositivo. Então seria possível tanto interpor embargos de
declaração na medida em que eu não compreendi o fundamento decisório, como eventualmente
se o dispositivo daquela decisão não ficou exatamente muito claro.

Nos casos seguintes quando o Código fala de contradição e omissão é mais fácil constatar a
ocorrência dessas hipóteses no caso concreto. Percebam que a contradição é objetivável, quando
é que eu tenho contradição? R: Quando eu tiver 2 passagens contidas na decisão judicial que
sejam excludentes entre si.

Então se eu falo em obscuridade a gente cai numa certa margem de discussão se ela é ou não
obscura. Quando a gente fala de contradição, é mais fácil para evidenciar isso, fica bem mais fácil
de demonstrar, pois basta que eu contraponha aquelas passagens que sejam excludentes entre si.
Mas é preciso que essas passagens excludentes sejam internas(contidas na própria decisão
embargada). Vejam que na aula passada eu falei um pouco da responsabilidade dos juízes de
enxergarem com um pouco de tolerância os embargos de declaração, pois muitas vezes eles
rejeitam na suposição de que aquilo que eles decidiram antes foi muito claro. Há um pouco de
excesso na postura de julgamento dos juízes, mas os advogados também tem responsabilidades
nesse estado de coisas, pois ele faz uso desses embargos de declaração, fala na ocorrência de
contradição, mas pode não ser uma hipótese real de cabimento dos embargos. Muitas vezes o
advogado fala numa ‘’pseudo ‘’ contradição e usa elementos externos a essa decisão para
sustentar o cabimento desses embargos de declaração. Uma das hipóteses mais frequentes em
que isso acontece é quando diz ao juiz assim: ‘’ Vossa excelência está sendo contraditório com o
texto da lei . Na verdade estou me valendo de um elemento externo a decisão para falar do
cabimento dos embargos. Eu posso até estar correto, com razão, mas temos que ter a percepção
de que para uma hipótese como essa os embargos de declaração não são um remédio adequado,
149
pois quando dizemos ‘’ O juiz está sendo contraditório com o texto da lei’’, pode ser que ele esteja
deixando de aplicar a lei porque ela é inconstitucional, não é aplicada ao caso concreto, foi
revogada tacitamente por outra, ou porque trata de hipótese distinta. Se eu considero que o juiz
aplicou a lei de forma errada ao caso concreto, o recurso cabível não são os embargos, e pode ser
que eu tenha uma opção de um recurso seguinte. Imaginem que um juiz de 1 grau tenha aplicado
errado a lei, não posso usar embargos para esse caso, pois pode ser a que a decisão dele seja
muito clara na fundamentação que ele adotou. Pode ser que ele tenha utilizado a técnica do
direito anglo-saxão de distinção, e o vaso concreto não se amolda àquele juízo de subsunção da
norma à hipótese descrita. Se ele diz o porque de estar aplicando a lei, posso me valer de outro
recurso (apelação, recurso especial, recurso extraordinário e etc). Os advogados cometem alguns
erros que enchem o saco, pois imagine isso num efeito cascata numa quantidade enorme de
processos. Outro erro muito forçado que muitas vezes o advogado tenta caracterizar contradição:
‘’ Vossa excelência está sendo contraditório com a prova A, B ou C’’, não tem nenhuma contradição
nesse caso. Pois o que entra em cena é a gente considerar o chamado ‘’princípio do livre
consentimento’’, no qual o juiz aprecia livremente a prova. Então, se ele aprecia livremente a
prova, ele pode estar deixando evidenciado o porque ele deixou a prova A em detrimento da prova
B. Se eu não concordo com o critério valorativo que ele adotou, os embargos de declaração não
são adequados e ele deveria utilizar um outro recurso. Se eu estou falando de uma sentença e eu
digo ‘’ A sentença é contraditória com a prova X do processo’’, isso não seria um caso de embargos
de declaração. Se eu quero discutir o critério de julgamento adotado pelo juiz teria que interpor
apelação, ou outro recurso. O que eu estou dizendo é que é frequente os advogados forjarem
embargos de declaração, é como se eles tivessem dado aquela cavadinha do penalty, tentar criar
uma situação falsa. Há a situação de posturas exageradas de juízes, mas ocorrem muitos abusos
por parte dos advogados. Falamos aqui que todo acórdão conterá ementa, às vezes o texto da
ementa não corresponde ao que foi decidido, mas seria só um problema de má elaboração dela. Ai
o advogado diz assim ‘’ A ementa é contraditória ao conteúdo’’, mas não há contradição nisso, pois
o que vale sempre é a fundamentação do acórdão. A ementa existe para fins classificatórios,
estatísticos e etc. Logo , quando houvesse essa ‘’pseudo’’ contradição, eu poderia então pedir uma
simples correção dessa ementa. É claro que existem acórdãos ruins também, exemplo: Acórdão do
TJ SP: tem 3 laudas. A 1 lauda tem uma ementa de 3 linhas, a 2 lauda tem uma fundamentação de
3 parágrafos e a 3 lauda tem uma assinatura e um campo de dispositivo com uma única frase.
Como esse acórdão é muito pobre, a gente tenta entender o que está subentendido em uma
ementa ou algo parecido, e ai os advogados acabam fazendo o uso dos embargos nesse caso. O
que eu to falando é que tecnicamente seria a hipótese de uso de outro recurso, e essas situações
que eu falei estão ali no roteiro que foi passado.

A 3 Hipótese de cabimento dos embargos: Omissão- Aqui é mais fácil de caracterizar o cabimento
dos embargos de declaração. Pois omissão significa uma decisão citra petita, que não enfrentou
todos os pedidos formulados pelas partes ou que não julgou todas as questões relevantes. Para
esse caso, os embargos de declaração servem para integrar a decisão anterior.
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Quando a gente fala de obscuridade ou contradição vou ter uma decisão que se presta para
esclarecer o que ficou decidido(decisão embargada). Com a omissão eu busco a integração do
julgado, busco o julgamento daquilo que ainda não foi decidido.

Do ponto de vista prático vou ter : decisão judicial – interposição dos embargos pela parte
interessada- juiz ou tribunal vão proferir outra decisão. Qual a natureza jurídica dessa última
decisão aqui?

R: Ela é integrativa(conserva a eficácia da anterior), ou seja, formalmente elas são dissociadas do


tempo. Do ponto de vista formal elas até são distintas, mas materialmente elas passam a
representar uma só decisão. Então, quando perguntamos a natureza jurídica da decisão que
julgou os embargos de declaração, a resposta é : depende. Pois se essa decisão anterior aqui era
uma sentença essa decisão integrativa vai conservar a mesma natureza jurídica da anterior. Mas se
eu estou falando de uma decisão interlocutória(já vimos que cabe embargos de declaração contra
decisão interlocutória), então essa decisão aqui integra a anterior. É muito importante que vocês
percebam isso pois pode ser que depois que eu tenha entendido o que foi julgado, quem sabe eu
queira recorrer com um outro recurso. Esse outro recurso vai atacar qual decisão?

R: A decisão materialmente una, aquela que se dá com a justaposição das duas. Pois senão eu
poderia ficar com a impressão de que esse outro recurso aqui só poderia atacar essa aqui. Se é
uma decisão integrativa, essa outra figura recursal vai atacar os fundamentos que estão aqui nessa
decisão, mas também podem ser atacados os fundamentos colocados aqui. Materialmente é uma
só decisão, mas formalmente ela é dupla. ]

- Pergunta inaudível R: Quando a gente pensa aqui neste outro cenário, a possibilidade agora de
interpor um novo recurso, se eu to dizendo que esse recurso pode atacar os fundamentos dessa
decisão, e também aqueles da decisão integrativa, talvez você esteja preocupado com a questão
desse prazo aqui, que surge entre o julgamento dessa decisão, e essa outra. Mas ai temos uma
questão prejudicial: o efeito interruptivo dos embargos de declaração. No art. 538 ele diz: ‘’ Os
embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por
qualquer das partes. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)

Parágrafo único. Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal,


declarando que o são, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de
1% (um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é

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elevada a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso
ao depósito do valor respectivo. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994).’’

Interromper o prazo significa que quando for o caso de se reiniciar essa contagem, ela se dará
por inteiro, devolvendo por inteiro a oportunidade.

Mais um detalhe: a jurisprudência brasileira fixou o raciocínio de que os embargos de


declaração servem para julgar questão não decidida ou pedido não decidido. E o dilema é que uma
determinada questão ou pedido, podem estar assentados em mais de um argumento. Temos uma
jurisprudência que se enquadra como técnica defensiva dos tribunais em que os Tribunais
Superiores começaram com o raciocínio e isso se espalhou em outras instâncias e escalões do
judiciário. Os tribunais superiores começaram com a seguinte racionalidade: Tribunal e juiz tem
que julgar. Tribunal não exerce função consultiva, não está obrigado a enfrentar um a um os
argumentos colocados pelas partes. Os Tribunais Superiores sem saber o que fazer com esse caso
dos embargos de declaração, começaram a usar essas técnicas defensivas. Não tem nada de
errado em julgar os pedidos e as questões, pois as vezes o advogado para justificar uma questão
prejudicial ou pedido que ele está formando, se vale de diferentes argumentos. Os argumentos
podem ser de índole doutrinária(a interpretação desse dispositivo de lei, de acordo com a
doutrina é ...), de jurisprudência, de provas nos autos... estamos agregando argumentos para um
único objetivo.

O juiz quando vai julgar vai ter que decidir a questão em si. Não precisa dizer necessariamente
que a doutrina erra em um ponto por um motivo e não aplica a outra por um outro motivo, ou a
prova dos autos apontou uma outra coisa. Ele poderia dizer o seguinte ‘’ Considero que a
jurisprudência mais recente seria outra...’’, ou seja, com um único argumento ele matou 3
argumentos anteriores, isso tem gerado um fator de desgaste entre juízes e advogados, pois o
advogado as vezes quer ver enfrentado cada um de seus argumentos colocados em sua peça.
Quando se fala de omissão, é porque ele alega que o juiz não enfrentou todos os argumentos
apontados por ele. Mas veio uma jurisprudência que se construiu no Brasil que diz assim :’’ o que
se espera do juiz é o julgamento das questões e não o enfrentamento um a um de todas as
questões’’ ou pelo menos isso não seria necessariamente obrigatório, mas se a autoridade
judiciária quiser fazê-lo nada a impede. É lógico que é mais fácil dizer ‘’ o juiz não é obrigado a
enfrentar um a um todos os argumentos’’, do que ele ter que enfrentar todas as questões
analiticamente.

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O CPC traz o dever de fundamentação, basta que eu tivesse uma fundamentação mais geral
que eventualmente pudessem ter sido repelidos todos os argumentos usados pelas partes.
Imaginem uma ação de responsabilidade civil, na qual a parte pede indenização por culpa do réu.
A culpa do réu, que é a questão a ser decidida, pode estar sendo construída por diferentes
argumentos. A parte pode dizer que o condutor do veículo agiu com culpa porque dirigia sob
excesso de velocidade e esse excesso de velocidade é questão de julgamento?

R: Não necessariamente, mas a culpa é. A parte autora pode dizer que a culpa do réu vem do
fato dele ter infringido uma regra de trânsito, mas pode ser que isso não seja uma questão de
julgamento, pois a culpa é a questão principal de julgamento. E ele poderia dizer que ele estava
dirigindo sem estar habilitado. Imaginem que o juiz na sentença tenha dito: ‘’ Quem está dirigindo
sem habilitação presume-se culpado’’, ou seja com um único argumento matou 3. É dentro dessa
lógica que está a jurisprudência atual, que distingue pedido, questão e argumento. Com base
nisso se construiu essa racionalidade de que não é necessário o enfrentamento um a um dos
argumentos. Isso tem gerado um desconforto para a parte dos advogados, pois ao mesmo tempo
que tem um problema pragmático no volume de trabalho dos juízes, temos também decisões
lacônicas (generalistas), pois se aplicarmos o ‘’copia e cola’’ no caso concreto, o juiz não está
obrigado a enfrentar todos os argumentos e questões, e você conseguiria rejeitar embargos de
declaração que são sérios( tem uma certa pertinência).

• Art. 499 do Novo CPC:

Dentro desse tema o Novo CPC prevê no art 499(versão Câmara dos Deputados NÃO ACHEI.
Ou seja, fala que o juiz ou o tribunal passam a ser obrigados a enfrentar um a um todos os
argumentos usados pelas partes. Não se considera fundamentado, as decisões generalistas
cabíveis a qualquer hipótese. A associação dos magistrados não viu isso, passou no debate e o
pessoal colocou depois. Quando eles acordaram para o problema, eles se desesperaram pois isso
pode ser um grande problema para a prestação dos serviços jurisdicionais. Não basta citar o artigo
da lei ou da jurisprudência, mas tem que explicar o motivo de ter usado um argumento e o de não
ter utilizado um outro. Talvez seja o único artigo que eles desejam tirar desse projeto do Senado.
Nós podemos ter aqui uma situação que do ponto de vista prático pode atrasar e atrapalhar o
andamento da prestação jurisdicional, pois os juízes têm um volume de trabalho muito maior do
que o aceitável. Para que essa regra possa ser minimamente otimizada, os advogados têm a
responsabilidade de apontarem os argumentos contrários a aqueles que alguém tenha trazido. Se
o juiz tem que fundamentar todas os seus argumentos, as peças da parte contrária passam a ser
fundamentais. O juiz não pode mais dizer ‘’ o contrato faz lei entre as partes’’ pois isso seria um
conceito indeterminado. Quem vê precedente não vê fundamento determinante, o fato de eu ter
um precedente, não me permite conhecer exatamente quais são os seus fundamentos. Então esse
153
artigo pode ser a grande pedra no sapato dos juízes doravante, pois esse artigo exige um dever de
motivação substancial, ou seja, não basta ter uma decisão formalmente fundamentada, mas
preciso também de uma substancialmente fundamentada. Quando se fala em levar em
consideração o argumento da parte, entra em cena um aspecto de contributividade. O advogado e
as partes têm algo a contribuir na construção da decisão judicial. Possivelmente vocês ainda
ouvirão muito sobre esse dispositivo e ele vai exigir que a gente construa uma nova ‘’Teoria da
Decisão Judicial’’, pois preciso saber o que é uma fundamentação adequada.

• Requisitos de Admissibilidade dos Embargos de Declaração:

O Art. 536 do CPC diz ‘’ Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida
ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a
preparo. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994)’’

Ela deve ser escrita como regra geral, pois excepcionalmente nos Juizados tem a possibilidade do
modo oral, mas isso não tem significância prática nenhuma.

Por que não há a necessidade de recolhimento de custas?

R: Pois supostamente o erro foi do judiciário e não teria porque fazer a pessoa arcar com esse ônus
e os atos judiciais para o julgamento desses embargos são mínimos.

• Procedimento: Art, 537 ‘’ O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias; nos tribunais,
o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subseqüente, proferindo voto.’’

Fica subentendido que não haverá espaço para contraditório, são uma exceção ao
princípio da dialeticidade, pois supostamente a correção do problema aproveita para
todos, e não teria o porquê de alguém ser contra um esclarecimento ou a integração da
decisão embargada.

• Efeitos:

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1) Geram o efeito devolutivo restrito a matéria embargada: (todos os recursos são dotados de
efeito devolutivo)- nesse caso ela é LIMITADA a solução do ponto omisso, obscuro ou
contraditório, a ideia é a de correção desses pontos, se possível, sem outras mudanças no
conteúdo da decisão embargada.

2) Gera o efeito interruptivo: A interposição desses embargos desde que tempestiva interrompe
o prazo para os recursos seguintes. Temos que fazer uma comparação com o que está na lei
9.099 (Juizados). Eu já comentei na aula passada que o anteprojeto daquilo que acabou sendo
transformado na lei 9.099, foi apresentado no Congresso no ano de 1994. Só que nesse
mesmo ano foi editada uma lei 9.850 que mudou vários dispositivos do sistema recursal. Antes
o Código falava na suspensão de prazo, mas o anteprojeto, buscando aquele regime que
constava nessa lei, trouxe lá a situação dos Juizados. No âmbito dos Juizados, quando temos a
decisão judicial, se a parte contrária interpor embargos de declaração suspendem o prazo
judicial. No regime da jurisdição comum, eles interrompem. O legislador então alterou o
Código e esqueceu de mudar o anteprojeto em tramitação, mas acabou sendo aprovado
daquela forma. Depois de julgados os embargos de declaração nos Juizados, a parte queira
fazer o uso do chamado recurso inominado. Esse recurso, de acordo com o art. 42 da lei 9.099
tem prazo de 10 dias para ser interposto. Como eu conto esse prazo?

R: Se os embargos de declaração suspendem o prazo para o recurso seguinte, recomeço a


contagem com o desconto do que antes já tinha fluido. Ou seja, a parte tem 5 dias para
interposição de embargos de declaração, se a pessoa interpõe no 3 dia do prazo, depois de
julgados os embargos, ela vai ter os 10 dias , menos os 3 que decorreram aqui. Então no
sistema dos juizados, é mais complexo contar prazo, pois tenho que considerar sempre o que
já tinha antes fluido. Com o sistema do Código da justiça ordinária, fala-se em interrupção. A
diferença entre suspender e interromper o prazo, está no marco zero da contagem do prazo
seguinte. Com a interrupção, tem cessado o fator interruptivo e a nova contagem do prazo se
inicia por inteiro. Então se eu to falando da necessidade de interpor apelação. Se eu to falando
de um acórdão que eu tenha que me dirigir a um tribunal superior, interpor recurso especial
ou extraordinário, qual será o prazo desses recursos? R: O prazo integral pois pouco importa se
esses embargos foram interpostos no 1 ou no 2 dia, e a parte final do art. 558 diz que esse
efeito interruptivo aproveita para todo mundo. Tanto pra parte embargante, como para a outra
que não fez uso dos embargos de declaração. Por exemplo: eu tenho uma sentença de
procedência parcial( nenhuma das duas ganhou totalmente), e uma delas interpõe embargos
de declaração. A outra quando percebe que seu adversário interpôs embargos de declaração,
não precisa correr com o recurso seguinte, pois esta interrupção também está contando para
ela. Depois de julgados os embargos de declaração, aquele que tinha interesse em se dirigir ao
Tribunal, agora sim poderá fazer uso do seu recurso.

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Mas afinal de contas, o que é que caracteriza o efeito interruptivo? R: É a mera interposição
dos embargos? É o conhecimento deles? Ou é o julgamento de mérito deles? Vamos
responder de trás pra frente. Não é o provimento pois pouco importa se os embargos de
declaração vão ser providos ou não. E também não está relacionado ao conhecimento ou não ,
pois isso pode gerar as vezes algumas confusões. O que a jurisprudência e doutrina falam é
que a única coisa que precisa ser observada é a interposição tempestiva ! Quando
falamos dessa situação de aproveitar ambas as partes, imaginem que estou acompanhando o
site de um determinado Tribunal e eu vejo que foi anotada uma movimentação de embargos
de declaração. Essa anotação foi feita ali no site, não fui ver o processo físico. Eu que quero
continuar recorrendo ainda naquele caso, como vi que o efeito interruptivo aproveita para
todos vou esperar deitado para ver o que acontece. Mas se aqueles embargos foram
intempestivos, eles não interromperam prazo nenhum. Como eu fiquei esperando, acabo me
deparando com o trânsito em julgado e vou ficar impossibilitado de continuar recorrendo.

Pergunta inaudível R: Se os embargos de declaração foram apresentado e você sem saber o


que seu adversário fez, fizer o uso do recurso seguinte, de alguma maneira você precipitou
esse recurso. Outra armadilha materializada é a súmula 418 do STJ’’É inadmissível o recurso
especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem
posterior ratificação.’’ Quer dizer que esse recurso precipitado não será admitido sem essa
petição simples de ratificação. Essa súmula foi inicialmente criada para o recurso especial, mas
os Tribunais de 2 grau gostaram pois isso pode cair naquele cenário que venho falando aqui de
jurisprudência defensiva, ou seja, com essa técnica consigo peneirar um monte de caso. O STJ
editou essa Súmula no ano de 2009, e eles a aplicam para casos anteriores a ela. Isso é maior
bizarrice pois é quase uma reformatio in pejus, ou seja, nesse caso você exige que as pessoas
adivinhassem que no ano de 2009 isso fosse ocorrer 3 anos depois no futuro.

3) Efeitos infringentes: como efeitos modificativos. Ao julgar o ponto omisso, obscuro ou


contraditório, os embargos serão capazes de gerar uma mudança drástica, significativa e
relevante. Concretamente vão existir cenários em que essa mudança radical será necessária.
Exemplo: Réu alegou resilição?como matéria de defesa, mas o juiz julga procedente o pedido
do autor e esquece de examinar o que a parte ré alegou. Ai esse réu interpõe embargos de
declaração para falar que o juiz se esqueceu de examinar a matéria. O juiz ao reexaminar e
fazer contas constata que realmente ele tinha razão e constata essa resilição. Então a sentença
que era de procedência, passou a ser de improcedência . Fala-se em emprestar esse efeito aos
embargos de declaração.

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O STF vive com muita matéria de repetição e aconteceram algumas coisas no passado que
preocuparam (decisões desconectadas de razões), então eles criaram uma roupagem para corrigir
um defeito que eles próprios tinham gerado.

• Embargos de Declaração Protelatórios ou procrastinatórios: Como é simples


interpor embargos de declaração, há muito abuso de uso, então naquela reforma de
1994 foi acrescentado um parágrafo no art. 538 do CPC ‘’ Os embargos de declaração
interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes.
(Alterado pela L-008.950-1994)

Parágrafo único - Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal,


declarando que o são, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1%
(um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é elevada
a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao
depósito do valor respectivo.’’ mas se a parte insistir essa multa pode aumentar até 10%. Essa é
uma multa que pune o litigante de má-fé (cabível também contra o Poder Público e contra a parte
autora), pois ela reprime essa conduta do atraso. O valor dessa multa vai para a parte contrária
pois é ela que está sendo penalizada com essa interposição de embargos de declaração. A lei de
fundos de preservação de direitos difusos prevê que o dinheiro que for para o Ministério público
nesse caso, vai para esse fundo de proteção, e o que é feito a partir dai é ‘’confuso’’ hahaha,

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