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Tecnologia da Informação e

Comunicação

2014
Editorial
Comitê Editorial
Fernando Fukuda
Simone Markenson
Jeferson Ferreira Fagundes

Autor do Original
Fabiano Gonçalves dos Santos

© UniSEB © Editora Universidade Estácio de Sá


Todos os direitos desta edição reservados à UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá.
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, e mecânico, fotográfico e gravação ou
qualquer outro, sem a permissão expressa do UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá. A violação dos direitos autorais é
punível como crime (Código Penal art. 184 e §§; Lei 6.895/80), com busca, apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98 – Lei
dos Direitos Autorais – arts. 122, 123, 124 e 126).
Tecnologia da Informação e
Comunicação
Capítulo 1: Ciência, Tecnologia e Sociedade.... 7

ri o Objetivos de aprendizagem........................................ 7
Você se lembra?................................................................. 8

1.1  Conceitos de ciência, tecnologia e sociedade.................. 9
1.2  Relacionamento entre ciência, tecnologia e sociedade........ 11
1.3  Evolução social, científica e tecnológica.................................. 13
Su

1.4  Neutralidade.................................................................................. 14
1.5  O determinismo tecnológico............................................................. 15
1.6  A associação em rede............................................................................ 17
Atividades....................................................................................................... 20
Reflexão............................................................................................................. 21
Leitura recomendada............................................................................................. 22
Referências.............................................................................................................. 22
No próximo capítulo.................................................................................................. 23
Capítulo 2: Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento.................. 25
Objetivos da sua aprendizagem.................................................................................... 25
Você se lembra?............................................................................................................. 25
2.1  Definição de sociedade da informação e sociedade do conhecimento.................... 26
2.2  Sociedade em rede................................................................................................... 30
2.3  Modelos de sociedade da informação...................................................................... 34
2.4  Reestruturação produtiva e sociedade da informação............................................. 38
2.5  Cadeias de negócio................................................................................................. 38
2.6  OCDE.................................................................................................................... 40
2.7  O livro verde da sociedade da informação no Brasil.......................................... 42
Atividades................................................................................................................ 42
Reflexão................................................................................................................ 44
Leitura recomendada........................................................................................ 44
Referências.................................................................................................... 44
No próximo capítulo................................................................................. 44
Capítulo 3: A Revolução Digital.......................................................... 45
Objetivos da sua aprendizagem......................................................... 45
Você se lembra?............................................................................. 45
3.1  A Internet........................................................................... 46
3.2  O conhecimento digitalizado........................................ 59
3.3  Tecnologia Onipresente............................................................................................. 60
Atividades........................................................................................................................ 62
Reflexão........................................................................................................................... 64
Leitura recomendada........................................................................................................ 64
Referências....................................................................................................................... 64
No próximo capítulo........................................................................................................ 65
Capítulo 4: Tecnologias da Informação e Comunicação............................................. 67
Objetivos da sua aprendizagem....................................................................................... 67
Você se lembra?............................................................................................................... 67
4.1  Conceito de TIC........................................................................................................ 68
4.2  Aplicações das TICs.................................................................................................. 70
4.3  O impacto das TICs na sociedade............................................................................. 74
4.4  Relação dialética entre a sociedade e as TICs.......................................................... 80
Atividades........................................................................................................................ 83
Reflexão........................................................................................................................... 84
Leitura recomendada........................................................................................................ 85
Referências bibliográficas................................................................................................ 85
No próximo capítulo........................................................................................................ 86
Capítulo 5: Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade.... 87
Objetivos da sua aprendizagem....................................................................................... 87
Você se lembra?............................................................................................................... 88
Introdução........................................................................................................................ 89
5.1  Aspectos éticos e legais relacionados ao exercício profissional na área de TI......... 90
5.2  Mercado de trabalho na área de TI e tendências....................................................... 94
5.3  Mercado de trabalho................................................................................................. 95
5.4  Perfil Profissional...................................................................................................... 96
5.5  Regulamentação da profissão na área de Tecnologia da Informação..................... 100
5.6  TI Verde e Sustentabilidade.................................................................................... 102
5.7  Uso de TI em prol do meio ambiente...................................................................... 106
5.8  Estratégias empresariais de TI “Verde” ................................................................. 109
5.9  Usando a TI para sustentabilidade ambiental..........................................................111
Atividades...................................................................................................................... 112
Reflexão......................................................................................................................... 113
Leituras recomendadas................................................................................................... 113
Referências bibliográficas.............................................................................................. 114
ã o Prezados(as) alunos(as)
Todos possuem conceitos variados sobre
os termos ciência, sociedade e tecnologia.
aç Ao consultarmos o Dicionário Aurélio, encon-
ent
tramos a seguinte definição:
“Um conjunto organizado e relativo aos conhecimen-
tos de certas categorias que estão relacionados com os
res

fatos ou fenômenos.”
Toda ciência, para definir-se como tal, deve necessariamen-
Ap

te recortar, no real, seu objeto próprio, assim como definir as


bases de uma metodologia específica: ciências físicas e naturais.
A sociedade, por sua vez, pode ser definida:“Reunião de homens,
de animais, que vivem em grupos organizados; corpo social. Con-
junto de membros de uma coletividade, sujeitos às mesmas leis. Cada
um dos diversos estágios da evolução do gênero humano.” E a ciência:
“Estudo dos instrumentos, processos e métodos empregados nos diver-
sos ramos industriais.”
Portanto, podemos perceber claramente que a ciência está diretamente
relacionada ao conhecimento, à sociedade, aos seres humanos e à tecno-
logia, às técnicas, aos métodos, processos e instrumentos.
Nesta disciplina, estudaremos um pouco sobre este importante assunto:
Ciência, sociedade e tecnologia. Ambientaremos o aluno neste tema, pro-
curando mostrar-lhe que a tecnologia, de que tanto gostamos, precisa ser
contextualizada juntamente com outros elementos.

Bons estudos!
Ciência, Tecnologia e
Sociedade
Vamos estudar a ideia de neutralidade

C da ciência. A questão da neutralidade da ci-


ência está no centro do debate entre os estudos
CCC
sobre as características da ciência e seu papel na
sociedade.
CC C

A questão principal é se a ciência é ou não influenciada


pelo contexto sociocultural, pelos valores sociais, inte-
CCC

resses políticos e econômicos. Tal discussão é importante


porque a visão da ciência neutra tem implicações na escolha
dos temas, na política que define as prioridades de pesquisa e in-
fluencia as relações entre o ambiente científico e os outros setores
da sociedade.
É importante sabermos que a questão da neutralidade da ciência está
relacionada a um modo de produzir conhecimento sobre os fenômenos
da natureza baseado na matemática, que procurou definir leis gerais de
alcance universal para controlar e transformar a natureza. Esse modo
de fazer ciência separa a natureza (objeto) da sociedade (sujeito). Ve-
remos que a visão dominante de ciência neutra, autônoma e universal
está sendo negada pelo próprio avanço do conhecimento, com o surgi-
mento de novas teorias nas ciências naturais que superam as anteriores,
e por fatos históricos que estão relacionados ao uso da ciência para fins
político-militares no desenvolvimento de armas e aplicação no processo
de produção capitalista.

Objetivos de aprendizagem
Neste capítulo, vamos estudar os seguintes assuntos:
▪▪ conceitos de ciência, tecnologia e sociedade;
▪▪ relacionamento entre ciência, tecnologia e sociedade;
▪▪ evolução social, científica e tecnológica;
▪▪neutralidade;
▪▪ determinismo tecnológico;
▪▪dialética;
▪▪ associação em rede.
Você se lembra?
Há alguns anos passava um seriado na televisão cujo protagonista
era um cientista maluco com dois ajudantes: um rato de laboratório gi-
gante e uma assistente. Embora bem-humorado, o seriado era interessante
porque ele, juntamente seus auxiliares, fazia várias experiências para
mostrar as leis da física, química, matemática, mecânica e outras. Era bas-
tante interessante e lúdico para quem lhe assistia. Ele mostrava a ciência
na prática. Vamos estudar um pouco sobre a ciência neste capítulo.
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

1.1  Conceitos de ciência, tecnologia e sociedade


As três palavras: ciência, tecnologia e sociedade formam um con-
junto muito mais abrangente do que podemos imaginar. Existem vários
autores com diferentes abordagens para tratar cada uma delas separada-
mente e em conjunto. Porém, nosso estudo será baseado numa definição
geral e com aplicações nas áreas de informática a fim de dirigir e orientar
os alunos desta área sobre estes conceitos importantes.
Podemos iniciar observando que não é possível separar os conheci-
mentos científicos e artefatos tecnológicos, pois entendemos que ambos
estão relacionados. Onde há ciência, há tecnologia, e neste caso tecnolo-
gia não é apenas equipamentos de hardware ou infraestruturas complexas.
A palavra tecnologia é derivada do grego tekhne, “relativo à arte,
aos trabalhos de artesão” mais logos, “estudo, tratado, palavra”. Portanto
tecnologia significa “estudo da técnica”.
Segundo o dicionário Michaelis, tecnologia pode ser definida como
“aplicação de conhecimentos científicos à produção em geral” (EDITO-
RA MELHORAMENTOS, 2009).
A palavra ciência provém do latim scientia e seu significado é “co-
nhecimento” ou qualquer “conhecimento sistemático”. Esse conhecimen-
to é adquirido por meio de métodos científicos, geralmente estudados na
disciplina “Metodologia científica”, presente em vários cursos de gradua-
ção e pós (strictu ou latu sensu).
Segundo (CHIBENI, 2014), existe uma definição estrita na qual a
ciência é tratada como o conhecimento claro e evidente de alguma coisa
fundamentado por princípios evidentes e demonstrações ou por raciocí-
nios experimentais ou mesmo pela análise da sociedade e fatos humanos.
Desta forma, aparecem três tipos de ciência: as ciências formais, as mate-
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máticas e as sociais.
A ciência é um campo de estudo muito abrangente. Existem vários
autores, desde a Antiguidade, que pesquisam este assunto, inclusive do
ponto de vista filosófico. Para os cientistas tradicionais, a definição mais
empregada é a definição estrita, citada no parágrafo anterior.
Entre as correntes filosóficas que tratam da ciência, existe uma cha-
mada empirismo. No empirismo, basicamente, a ciência e suas teorias
são objetivas, testadas e previstas empiricamente.
Dentro do empirismo, encontramos o positivismo, que, fundamen-
tado pelos estudos do filósofo Augusto Comte, defende a ideia central que
o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro.
9
Tecnologia da Informação e Comunicação

Ou, ainda, o positivismo busca,


Segundo o
a partir da razão, formular leis dicionário Michaelis (2009), o
para conhecer e ordenar a empirismo é um “Sistema filosófico
realidade. Ainda, o posi- que nega a existência de axiomas como
princípios de conhecimento, logicamente in-
tivismo defende o uso da dependentes da experiência”. Outra definição
ciência a fim de governar é “Conhecimentos práticos devidos meramen-
as relações humanas. E, te à experiência”.Ou seja, quando tratamos
de algo empírico, estamos lidando com algo
dessa forma, entramos na
que foi testado experimentalmente. ”.
terceira palavra da tríade
tecnologia, ciência e socie-
dade.
Antes de tratarmos da pa-
lavra sociedade, é necessário comentar
que essas posições filosóficas são objetos de críticas por vários autores, os
quais defendem suas ideias filosóficas de acordo com outras abordagens.
Porém, como nosso contexto aqui é outro, vamos adotar a linha exposta
neste texto.
Quando apresentamos a definição de ciência que vamos usar nesta
disciplina, citamos que existem três campos da ciência, e um deles é cha-
mado de ciências sociais. Como podemos perceber, o termo sociais está
relacionado ao termo sociedade e, por sua vez, sociedade, na verdade,
origina-se de uma palavra latina: societas, a qual significa “associação
de amizade com vários”. Portanto, a sociedade é o assunto de estudo das
ciências sociais, em especial a sociologia.
Segundo FONSECA (2010), a sociedade constrói a ciência e a tec-
nologia e, ao mesmo tempo, a ciência e a tecnologia constroem a socieda-
de. Esta frase mostra bem como a tríade está relacionada. De acordo com
CAMARGO (2014), a sociedade pode ser resumida como um sistema de
interações humanas culturalmente padronizadas [...] A sociedade é um
sistema de símbolos, valores e normas, como também um sistema de posi-
ções e papéis.
A sociedade, na verdade, pode ser interpretada sob diversas formas.
Algumas das formas são: positivismo, como vimos rapidamente, e outras
como: funcionalismo, sociologia compreensiva, marxismo (histórico-crí-
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tica), estruturalismo, pós-estruturalismo, fenomenologia, existencialismo,


hermenêutica, genealogia, perspectiva pós-moderna e outras, de acordo
com os seus principais fundamentadores. Portanto, é outro campo de estu-
do bastante amplo que foge do nosso contexto.
10
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

A sociedade portanto constitui-se de um conjunto baseado em regras


e constituído de pessoas, as quais constroem conhecimentos pela ciência
por meio da tecnologia. Vamos ver este relacionamento no próximo tópico.
Portanto, em vista dos vários estudos envolvendo ciência, sociedade
e tecnologia, apareceu o movimento CTS na tentativa de obter maiores
atitudes envolvendo discussões, questionamentos e críticas em relação ao
que é chamado de tecnociência.
O movimento CTS surgiu por volta de 1970 com o objetivo de
ter como lema a necessidade do cidadão de conhecer os seus direitos e
obrigações, de poder pensar por si mesmo e de adquirir uma visão crítica
da sociedade da qual participa e vive e, principalmente, poder ter a dis-
posição de transformar sua realidade, para melhor. Esse movimento tem
ganhado muita força no contexto educacional.

1.2  Relacionamento entre ciência, tecnologia e


sociedade
Embora tenhamos apresentado os termos ciência, tecnologia e so-
ciedade separadamente no tópico anterior, já podemos perceber que eles
não podem ser totalmente separados.
Porém, podemos estudá-los em duas grandes categorias: a primeira
fazendo uma análise do elemento determinante da dinâmica da relação, a
ciência e tecnologia (C&T), e a segunda categoria, a sociedade.
A primeira forma de abordagem supõe que a C&T caminha de for-
ma própria, podendo ou não influenciar a sociedade de alguma maneira.
Na segunda abordagem, a C&T em si e não somente o uso que se
faz dela é socialmente determinada. Em razão dessa função que existe en-
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tre a C&T e a sociedade em que foi gerada, ela tende a copiar as relações
sociais existentes e até mesmo inibir a mudança social.
Essas duas abordagens dão origens a duas ideias variantes do mes-
mo tema: a neutralidade da C&T e do determinismo tecnológico, e a
neutralidade do construtivismo. Iremos abordar esses assuntos posterior-
mente.
Podemos perceber que existe um forte relacionamento entre os ter-
mos. Eles estão ligados por uma relação dialética. A tradução da palavra
dialética leva a “caminho entre as ideias”. É um método de diálogo no
qual a atenção é voltada para a contraposição e contradição de ideias e
pensamentos que levam a outras ideias. Porém, por ser outro termo filo-
11
Tecnologia da Informação e Comunicação

sófico de que estamos tratando nesta disciplina, ela é usada por diferentes
doutrinas filosóficas e assume e, portanto, significados distintos.
Quando dizemos que a relação entre ciência, tecnologia e sociedade
é dialética, estamos estabelecendo a seguinte relação:
• a sociedade determina os impactos na ciência e na tecnologia;
• a ciência determina os impactos na sociedade e na tecnologia;
• a tecnologia determina os impactos na sociedade e na ciência.

Usando uma figura como representação, temos:

Ciência

Tecnologia Sociedade

Figura 1 – Relação dialética entre ciência, tecnologia e sociedade

A figura 1 tenta representar, de maneira muito simples, a relação


dialética entre os termos. As setas da figura indicam um duplo sentido si-
multâneo que indica o que “determina” e o que é “determinado”.
Estudaremos este conceito mais à frente, no capítulo 4.
Uma vez de posse do conhecimento adquirido a respeito da relação
entre ciência, sociedade e tecnologia, devemos entender que cada termo
reflete um momento histórico em nossa evolução moderna, carregado de
crenças, valores, argumentos e conhecimentos próprios do cenário e do
período evolutivo em questão.
Portanto, há conceitos diferentes sobre sociedade, ciência e tecno-
logia, variando de acordo com o período histórico, a cultura, o contexto
e a abordagem que lhes são atribuídos. Sociedade, ciência e tecnologia
mantêm uma relação dialética contínua entre si, em constante interação e
determinação mútua de impactos em sua evolução.
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Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

1.3  Evolução social, científica e tecnológica


Como já comentamos, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia
tem ocasionado muitas transformações na sociedade moderna com refle-
xos nas áreas econômicas, políticas e sociais.
Normalmente, consideramos a ciência e a tecnologia os maiores
propulsores de todas essas transformações, pois proporcionam a evolução
do desenvolvimento do saber humano e do próprio homem. Portanto, de
certa forma, damos muito crédito a esses dois fatores. E isso pode ser
perigoso, porque muitas pessoas ainda possuem dificuldades em perceber
que, por trás desses avanços, amplamente divulgados pela mídia, podem
se esconder interesses políticos, sociais e econômicos.
Vários autores abordam o estudo das relações entre ciência, tec-
nologia e sociedade por duas abordagens principais, como já citamos no
tópico anterior:
• “com foco na C&T”, onde existem duas variantes associadas a ela: a
neutralidade da C&T e do determinismo tecnológico. Neste foco, a
C&T é caracterizada com o seu avanço próprio podendo ou não in-
fluenciar a sociedade de alguma maneira.
• “com foco na sociedade”, com a tese fraca da não neutralidade, tam-
bém denominada construtivismo, e a tese forte da não neutralidade.
Neste foco, a C&T é socialmente determinada.

Foco na C&T Foco na Sociedade


A C&T avança contínua, linearmente e O desenvolvimento da C&T não provém
sem mudança, seguindo um caminho do seu interior, e sim é influenciado pela
próprio. sociedade.
As características da C&T são social-
A C&T não influencia a sociedade (neu- mente determinadas (tese fraca da não
tralidade da C&T).
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neutralidade).
Devido à sua funcionalidade, ela inibe a
A C&T determina o desenvolvimento mudança social (tese forte da não neu-
econômico (determinismo tecnológico). tralidade).
Tabela 1 – Diferentes abordagens no estudo das CTS (DAGNINO, 2011).

13
Tecnologia da Informação e Comunicação

Tecnociência é um conceito que tem sido bastante usado


no campo de estudo da ciência e tecnologia; retrata o contexto social
e tecnológico da ciência. Principalmente depois do período da Segun-
da Guerra Mundial, a comunidade científica se viu forçada a distinguir
o que era ciência e o que era tecnologia. Como vimos, a ciência é
confundida com a tecnologia, porém são distintas. Na prática, é im-
possível separá-las, pois o desenvolvimento e o progresso de cada uma
residem na sua cooperação mútua. Dessa forma, precisam ser tratadas
como uma unidada, a tecnociência!
A evolução social, científica e tecnológica trata das questões
envolvendo estes termos e, principalmente, da relação deles com o
impacto da C&T na sociedade. É interessante abordar estas questões
envolvendo também valores éticos, estéticos e culturais existentes na
tecnologia.

1.4  Neutralidade
A ideia da neutralidade na C&T nasceu juntamente com a própria
ciência, no século XV, em oposição ao pensamento religioso, marcante na
época. O pensamento religioso era considerado obviamente não neutro,
porque exercia grande influência na realidade social.
O Iluminismo foi um dos primeiros movimentos que questionaram o
pensamento religioso e abordaram o assunto neutralidade. O positivismo,
movimento que já foi citado anteriormente, contribuiu para reforçar a neutra-
lidade. O positivismo aceita que a subjetividade deve estar dentro dos limites
da objetividade e, da forma como prega, aceita a realidade do jeito que ela é e
assim reforça que a ciência é uma expressão de uma verdade absoluta.
A ideia da neutralidade aceita que a C&T não se relaciona com o
contexto no qual ela é gerada. Além disso, ficar longe deste contexto é
um objetivo e uma forma de se fazer ciência corretamente. Outra coisa é
realmente isolar a C&T da sociedade. Dessa forma, existe uma impossibi-
lidade da percepção dos interesses da sociedade e seu envolvimento com
o desenvolvimento da C&T, indeterminando assim a sua trajetória.
Portanto, essa ideia leva a um contexto em que não é possível o de-
senvolvimento alternativo de uma C&T que esteja num mesmo ambiente.
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Quer dizer, a C&T é única. Qualquer diferença: geográfica, cultural, ética


e outras fica em segundo plano e deveria ser adaptável à C&T. Sendo as-
sim, as contradições seriam resolvidas de uma maneira natural por meio

14
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

de caminhos apontados pela própria


Conexão:
ciência e através de conhecimentos e Abaixo apresentamos alguns links
técnicas que se acumulariam com o interessantes para você entender um
passar do tempo e que acabariam pouco mais sobre a neutralidade da ciência:
http://www.mindmeister.com/pt/248053930/neutra-
por superar os antigos sem que lidade-cient-fica. Esse link mostra um mapa mental
fossem colocados em questão a a respeito da neutralidade. É muito interessante!
ação e os interesses da sociedade https://www.youtube.com/watch?v=WMhyK4t473U.
Esse vídeo mostra quanto a ciência pode ser usada
no processo inovador. para o bem ou para o mal.
Portanto, por meio deste https://www.youtube.com/
ponto de vista, a ciência e a tecno- watch?v=afmqmxinT2Y. Um vídeo bem
humorado a respeito da metodologia
logia não são nem boas nem más, são científica.
neutras. A sua evolução seria o resulta-
do de um desnivelamento que aumentaria
com o passar do tempo, numa progressão, e numa descoberta contínua e
frequente da verdade e desta forma única, universal, e que fosse compatí-
vel com o progresso.
Logo, a neutralidade é uma teoria na qual a ciência é imparcial, es-
tabelecida e feita por observações simples, por fatos e experimentações a
fim de se obterem conclusões científicas.
Porém, como já abordamos brevemente, o cientista está sujeito a um
contexto no qual são inseridas as suas concepções políticas, religiosas e
filosóficas, consciente ou não, para poder gerar a ciência, e não somente
por meio de observações.

1.5  O determinismo tecnológico


De maneira geral, o determinismo tecnológico é uma suposição de que
os novos avanços tecnológicos, sejam eles conceituais ou físicos, como os
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sistemas computacionais, gadgets móveis etc, seja um meio de comunicação,


afetam a vida das pessoas de alguma forma.
Por exemplo, vamos supor que um determinado cliente liga para o
call center de sua operadora de cartões de crédito.
O cliente se identifica e diz ao atendente que possui um determinado
problema e gostaria de resolvê-lo o mais breve possível.
Veja se você já passou por esta situação:
O atendente então responde que não pode fazer nada, pois o problema
que gerou a reclamação do usuário não foi gerado pelo atendente, e sim pelo
sistema. E pior: pede ao usuário que ligue mais tarde porque o sistema, que
gerou o problema, está fora do ar e nada pode ser feito naquele momento!
15
Tecnologia da Informação e Comunicação

Esta situação é muito comum, não é?


Como pode o homem criar máquinas e sistemas para uma finalida-
de particular e limitada e estes controlarem e mudarem nossos hábitos e
formas de pensar e agir? Isto é o determinismo tecnológico! Neste caso, o
sistema tem vida própria? Por que não pode ser feito nada?
É claro que são perguntas exageradas, pois o atendente muitas vezes
não tem mesmo poder ou autonomia, mas é uma situação bem caracterís-
tica, onde ficamos totalmente dependentes de uma máquina.
Aliás, por trás de qualquer máquina ou sistema existirá sempre a
participação humana, o responsável intelectual por tê-la criado, inclusive
com as falhas as quais são de responsabilidade de seus criadores.
 ALE1969 | DREAMSTIME.COM

Figura 2 – A junção entre a tecnologia e a participação humana.

Ainda para ilustrar o determinismo tecnológico, vamos observar um


pouco nossa sociedade. Podemos notar que existem muitas pessoas que
estão cada vez mais isoladas e, de uma certa maneira, o aparecimento e a
popularização da Internet acentuou este comportamento.
A Internet, de fato, facilita muitas coisas: o trabalho em casa, a co-
municação entre pessoas distantes por meio de voz e vídeo, solicitar ser-
viços e produtos sem sair de casa e recebê-los dentro de um prazo deter-
minado, porém isso tem tornado as pessoas mais individualistas, de modo
que o contato físico passa cada vez mais a ser virtual.
Porém, segundo os autores em que estamos nos baseando para este
capítulo, a Internet apenas acentuou um comportamento de individualiza-
ção que já era histórico. A Internet é apenas um reflexo da modernidade
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neste caso, ou, usando os termos que temos estudado, a tecnologia seria
apenas mais um fator que estimula essa tendência individualista.
Ainda usando o “ciberespaço” como exemplo, perceba o cresci-
mento acelerado dos comunicadores pessoais. Há alguns anos era o ICQ,
16
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

depois o MSN e agora temos os comunicadores das redes sociais como o


Facebook Messenger e via telefone celular o Whats App, que, aliás, per-
tence ao Facebook. O Facebook percebeu o tamanho sucesso deste aplica-
tivo que comprou a empresa que o desenvolvia.
No uso desses comunicadores, até mesmo a linguagem empregada
nos diálogos é nova, cheia de abreviaturas e neologismos. Para os deter-
ministas, toda essa tecnologia está, na verdade, acabando com a estrutura
da linguagem e do idioma. Para os não deterministas, a linguagem dos
comunicadores só estaria envolvida neste ambiente, uma vez que na vida
real não afetaria o idioma atual.
Porém, neste caso, existem outros problemas para serem acrescenta-
dos na situação: existem problemas na educação e problemas sociais que,
somados à extrema liberdade desses comunicadores e forma de escrita,
acabam por endossar a deturpação do idioma.
De maneira geral, cada tecnologia possui sua linguagem, sua pro-
posta e seu objetivo. Para finalizar este exemplo, não podemos negar
que os meios de comunicação têm influência na forma e no conteúdo nas
mensagens e, não considerar isso, é ignorar um processo de modernização
existente. Porém, também não é possível “culpar” a tecnologia como a
única responsável pelas mudanças que há no mundo.

1.6  A associação em rede


A visão que tem ganhado destaque nos estudos sobre ciência, tecno-
logia e sociedade é a chamada associação em rede.
A sociedade atual tem experimentado o intenso uso das redes de
relacionamentos. E isto não vem apenas da Internet, aparece em vários
aspectos da sociedade moderna. É claro que as redes sociais digitais cor-
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roboram para esta afirmativa, mas, como citado, é possível ver o aumento
das relações inter-pessoais em vários âmbitos da sociedade.
A associação em rede, por sua vez, prega que a tecnologia está inserida
e associada a esta rede de relacionamentos. Neste caso, não apenas as pessoas
estão envolvidas, mas atores não humanos também. Portanto, ampliam-se a
atuação da tecnologia e suas mudanças. Vários elementos da sociedade pas-
sam a ser envolvidos, como, por exemplo, o campo técnico, o científico, o
econômico, o político, militar e o organizacional. Estes elementos, então, se
associam em redes para a construção de elementos tecnológicos.
É evidente que as novas tecnologias fizeram surgir muitas possibi-
lidades para a análise de redes sociais e, consequentemente, redes de co-
17
Tecnologia da Informação e Comunicação

laboração. O advento da Internet é de fato o elemento mais significativo.


As comunidades virtuais que são formadas são promovidas com suporte
tecnológico valendo-se de elementos técnicos.
Segundo REIS (2008), a associação em rede é uma visão pela qual
a tecnologia é vista inserida numa rede de relações, na qual concorrem
os diferentes aspectos da vida em sociedade, tendo como protagonistas
diferentes atores, que se movimentam em redes, movidos por interesses
específicos.
Atualmente, temos percebido a proliferação das redes sociais. No
trabalho dos autores da figura 4, as redes sociais são analisadas como
forma de colaboração científica. Uma rede social atualmente pode ser
definida como uma estrutura social constituída de pessoas ou mesmo or-
ganizações ligadas por um ou vários tipos de conexões que compartilham
objetivos comuns.
WIKIPEDIA

Figura 3 – Representação dos nós de uma rede social

A análise das redes sociais é uma técnica importante na análise da


sociologia moderna. É um conceito antigo, proveniente do século passado,
porém que tomou grande proporção no final do século XX e também passou a
ser observada por meio de outro paradigma pelas ciências sociais.
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A figura “geométrica” que a rede acaba tendo, como mostrado na


figura 3, é um grafo. O grafo é uma estrutura que possui muitos estudos

18
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

e algoritmos de percursos. Um deles possibilita o cálculo da distância de


cada nó, ou de cada participante da rede, ou da determinação do ponto
central.
BALANCIERI, BOVO, et al. (2005) contribuíram com um trabalho
que resultou na figura 4. Esta figura mostra um quadro com as perguntas
feitas pelo estudo e autores que possuem pesquisas para respondê-las.
Estas perguntas, como podemos perceber, estão relacionadas com a tríade
ciência, tecnologia e sociedade, de que estamos tratando neste capítulo
aliada com a questão das redes sociais e colaborativas.
Desse modo, percebe-se que as TICs podem vir a ser uma base para
o desenvolvimento de sistemas em várias áreas de interesse para as redes
sociais.
Autores Questões de interesse às TICs
MEDOWS; O que é cooperação científica? Caracteriza-se por traba-
O’CONNOR, 1971 lhos cooperativos identificados por artigos coassinados
SUBRAMA NYAM, O que caracteriza uma coautoria em um artigo? Há uma
1983 variedade de formas de colaborar.
LUUKONE N ET AL., Por que pesquisadores colaboram? Fatores cognitivos, eco-
1992 nômicos e sociais, com diferenças por áreas do conhecimento.
O que influencia a formação de redes? Exemplo: padrões
KATZ, 1994 de financiamento das agências e necessidade de comparti-
lhar equipamentos também influenciam a formação de redes.
O que é uma rede? É concebida como uma coesão tênue
WEISZ; ROCO, 1996 com diferentes indivíduos ou grupos conectados por vínculos
de diversas naturezas.
Como se comportam os vértices da rede? O grau de coo-
KATZ; MARTIN, peração varia com a natureza do trabalho (experimentalistas
1997 cooperam mais que teóricos).
O que é uma rede? Rede definida como conjunto de pessoas
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NEWMAN, 2000 ou grupos com conexões originadas por diferentes formas de


relacionamento social.

Figura 4 – Principais conclusões sobre os estudos de redes sociais, sob a ótica das
possibilidades das TICs (BALANCIERI, BOVO, et al., 2005).

Uma vez que obtemos os conceitos e relacionamentos entre ciência,


tecnologia e sociedade e alguns dos muitos elementos que são usados para
estudá-las, vamos desenvolver algumas atividades.

19
Tecnologia da Informação e Comunicação

Atividades
01. Faça uma breve pesquisa sobre a formação da ciência moderna. Você
vai encontrar referências que mostram que apareceram formas de conheci-
mento que se diferenciavam do conhecimento tradicional da Idade Média.
Tente escrever quais características da ciência moderna permanecem até
nossa época.






02. Pesquise a neutralidade da ciência, assunto que vimos neste capítulo.


Escreva um texto argumentando contra ou a favor da neutralidade da ciên-
cia, respondendo à seguinte pergunta: a busca do conhecimento é indepen-
dente de interesses pessoais, econômicos e políticos ou procura atender a
objetivos específicos? O que você acha disso?





03. Explique as implicações da visão de neutralidade da ciência na rela-


ção entre ciência e sociedade.





04. Procure na Internet a palavra “tecnologia”. O que você encontrou?


Liste os três primeiros links e faça um resumo do que eles contêm sobre
tecnologia. Eles possuem alguma relação entre si?

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20
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

05. Vamos fazer uma experiência. Pense em um período do seu dia (ma-
nhã, tarde ou noite) e com quais tecnologias você interage. Depois, imagi-
ne esse mesmo período sem as tecnologias às quais você está habituado a
usar e escreva um texto explicando.






06. Escreva um breve texto que responda à seguinte questão: quais são as
relações entre a ciência, a tecnologia e a sociedade?






Reflexão
Vimos que a ideia de neutralidade da ciência tem sua origem no
modo de produzir conhecimento científico, que procurava identificar as
leis que determinam o mundo, o que permitia que a sociedade pudesse
controlar e transformar a natureza. De acordo com esse objetivo da ciên-
cia, de conhecer as leis de funcionamento da natureza para poder dominar
os fenômenos naturais, as ciências naturais foram úteis para o desenvol-
vimento da sociedade industrial. Exemplificamos como os estudos da
mecânica foram importantes para o desenvolvimento da navegação e da
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indústria do sistema capitalista. Entretanto, a ciência moderna deixou


como herança uma forma de conceber o mundo na qual a sociedade se
vê separada da natureza e o progresso significa controlar e transformar
a natureza. Também foi passada uma visão determinista, na qual a evo-
lução social e econômica da sociedade é resultado do desenvolvimento
científico e tecnológico. Mostramos que a ciência não é neutra, isto é,
ela é influenciada pelos interesses econômicos, políticos e valores de
um determinado período. Disponível em: <http://webcache.googleu-
sercontent.com/search?q=cache:0PvvD6VYvyEJ:www.sedis.ufrn.br/
bibliotecadigital/pdf/TICS/CTS_LIVRO_Z_WEB.pdf+&cd=1&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br>.
21
Tecnologia da Informação e Comunicação

Leitura recomendada
A ilha. Direção de Michael Bay. EUA: Dreamworks Distribution LLC, 2005.
Na verdade, não é uma leitura, e sim um filme. Nele é mostrada uma situação
na qual cientistas e empresários criam clones humanos. O filme pode ser uma
boa sugestão para se pensar a respeito dos limites da ciência e os impactos na
sociedade.
PINHEIRO, N. A. M.; SILVEIRA, R. M. C. F.; BAZZO, W. A. O contexto
científico-tecnológico e social acerca de uma abordagem crítico-
reflexiva. Disponível em: <http://www.rieoei.org/deloslectores/2846Maciel.pdf>.
Acesso em: 17 maio 2014. Este artigo faz uma reflexão muito interessante a
respeito de tecnociência.

Referências
BALANCIERI, et al. A análise de redes de colaboração científica sob
as novas tecnologias de informação e comunicação: um estudo na Pla-
taforma Lattes. Ciência da Informação, v. 34, n. 1, out. 2005. ISSN
1518-8353.

CAMARGO, O. Sociedade. Brasil Escola, 2014. Disponível em:


<http://www.brasilescola.com/sociologia/sociedade-1.htm>. Acesso
em: 18 maio 2014.

CHIBENI, S. S. O que é ciência. Campinas, 2014. Disponível em:


<http://www.unicamp.br/~chibeni/textosdidaticos/ciencia.pdf>. Aces-
so em: 18 maio 2014.

DAGNINO, R. Aulas. Instituto de Geociências ― Unicamp, 2011.


Disponível em: <http://www.ige.unicamp.br/site/aulas/138/UM_DE-
BATE_SOBRE_A_TECNOCIENCIA_DAGNINO.pdf>. Acesso em:
19 maio 2014.

EDITORA MELHORAMENTOS. Dicionário Online Michaelis. Di-


cionário Online Michaelis, 2009. Disponível em: <http://michaelis.
Proibida a reprodução – © UniSEB

uol.com.br/>. Acesso em: 18 maio 2014.

22
Ciência, Tecnologia e Sociedade – Capítulo 1

FONSECA, R. Ciência, tecnologia e sociedade. Rede de tecnologia


social, 2010. Disponível em: <http://www.rts.org.br/artigos/arti-
gos_-_2009/ciencia-tecnologia-e-sociedade>. Acesso em: 17 maio
2014.

REIS, D. R. Gestão da inovação tecnológica. 2. ed. São Paulo: Mano-


le, 2008.

No próximo capítulo
No próximo capítulo, iremos discutir e conhecer temas bastante
importantes para a nossa formação profissional. Trata-se do estudo da
sociedade da informação e do conhecimento e seus impactos de maneira
geral. Até lá!
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23
Tecnologia da Informação e Comunicação

Minhas anotações:
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24
Sociedade da
Informação e Sociedade do
Conhecimento
2 A jornalista Sally Burch fez a seguinte per-
gunta no livro Desafios de palavras: “Estamos
lo
vivendo uma época de mudanças ou uma mudança
de época?”. Esta pergunta é intrigante e serve para
ít u

introduzirmos este capítulo. A popularização da Internet,


a necessidade de estar o tempo todo on-line, o mercado nos
Cap

induzindo a comprar os últimos e mais modernos gadgets


para permanecer on-line, as redes sociais digitais; enfim, é uma
onda de muita tecnologia que estamos vivendo. É uma nova era
da sociedade, e os termos “sociedade da informação” ou “socieda-
de do conhecimento” acabam aparecendo naturalmente.
Neste capítulo, vamos estudar alguns tópicos desse assunto, o qual é
muito mais abrangente e detalhado na academia, e que aqui vamos ter
uma noção desta interessante área.
Bons estudos!

Objetivos da sua aprendizagem


Neste capítulo, vamos estudar os seguintes assuntos:
• definição de sociedade da informação e sociedade do conhecimento;
• sociedade em rede;
• modelos de sociedade da informação;
• reestruturação produtiva e sociedade;
• cadeias de negócio;
• OCDE;
• o livro verde.

Você se lembra?
Você já ouviu falar do Mosaic? Netscape? Já ouviu falar do
Archie? Webcrawler? Estes foram os primeiros grandes pro-
dutos que os usuários utilizavam para acessar à Internet e,
certamente, foram os softwares que deram um grande
impulso para a sociedade da informação da forma
que conhecemos hoje.
Tecnologia da Informação e Comunicação

2.1  Definição de sociedade da informação e


sociedade do conhecimento
Antes de definirmos os termos sociedade da informação e sociedade
do conhecimento, é interessante conhecermos os conceitos de dados, in-
formação e conhecimento.
Segundo SETZER (2001), dado é:
(...) uma sequência de símbolos quantificados ou quantificáveis.
Portanto, um texto é um dado. De fato, as letras são símbolos
quantificados, já que o alfabeto, sendo um conjunto finito, pode por
si só constituir uma base numérica (a base hexadecimal emprega
tradicionalmente, além dos 10 dígitos decimais, as letras de A a E).
Também são dados fotos, figuras, sons gravados e animação, pois
todos podem ser quantificados a ponto de se ter eventualmente di-
ficuldade de distinguir a sua reprodução, a partir da representação
quantificada, com o original. É muito importante notar-se que, mes-
mo se incompreensível para o leitor, qualquer texto constitui um
dado ou uma sequência de dados (...)

Ainda segundo o autor, dado é uma entidade matemática puramente


sintática, ou seja, os dados podem ser descritos por estruturas de represen-
tação.
Assim sendo, podemos dizer que o computador é capaz de arma-
zenar dados. Estes dados podem ser quantificados, conectados entre si e
manipulados pelo Processamento de Dados.
Podemos definir dado também como unidades básicas a partir das
quais as informações poderão ser elaboradas ou obtidas. São fatos brutos,
ainda não organizados nem processados.
Já a informação seria:
(...) uma abstração informal (isto é, não pode ser formalizada atra-
vés de uma teoria lógica ou matemática), que está na mente de
alguém, representando algo significativo para essa pessoa. Note-se
que isto não é uma definição, é uma caracterização, porque “algo”,
“significativo” e “alguém” não estão bem definidos; assumo aqui
um entendimento intuitivo (ingênuo) desses termos. Por exemplo,
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26
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

a frase “Paris é uma cidade fascinante” é um exemplo de informa-


ção – desde que seja lida ou ouvida por alguém, desde que “Paris”
signifique para essa pessoa a capital da França (supondo-se que o
autor da frase queria referir-se a essa cidade) e “fascinante” tenha a
qualidade usual e intuitiva associada com essa palavra.

Assim, a informação depende de algum tipo de relacionamento,


avaliação ou interpretação dos dados.
Veja também que informação e dado mantêm relações:
(...) Se a representação da informação for feita por meio de dados,
como na frase sobre Paris, pode ser armazenada em um computador.
Mas, atenção, o que é armazenado na máquina não é a informação,
mas a sua representação em forma de dados. Essa representação
pode ser transformada pela máquina, como na formatação de um
texto, o que seria uma transformação sintática. A máquina não pode
mudar o significado a partir deste, já que ele depende de uma pessoa
que possui a informação. Obviamente, a máquina pode embaralhar
os dados de modo que eles passem a ser ininteligíveis pela pessoa
que os recebe, deixando de ser informação para essa pessoa. Além
disso, é possível transformar a representação de uma informação de
modo que mude de informação para quem a recebe (por exemplo, o
computador pode mudar o nome da cidade de Paris para Londres).
Houve mudança no significado para o receptor, mas no computador
a alteração foi puramente sintática, uma manipulação matemática
de dados. Assim, não é possível processar informação diretamente
em um computador. Para isso é necessário reduzi-la a dados. No
exemplo, “fascinante” teria que ser quantificado, usando-se por
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exemplo uma escala de zero a quatro. Mas então isso não seria mais
informação (...).

Podemos agrupar dados isolados e torná-los consistentes ao se


transformarem em informações. Por exemplo, se tivermos um conjunto de
dados que descreva a temperatura do ambiente num local, horário e data,
poderíamos ter a seguinte relação:

27
Tecnologia da Informação e Comunicação

15h10 Em Ribeirão Preto, SP,


no dia 3 de fevereiro,
às 15h10 estava uma
3 de fevereiro
temperatura de 24o.

Processamento
Entrada Classificar Saída
(dados) Filtrar (informações)
Organizar

Ribeirão
24o Preto/SP

Assim, o conjunto de dados inicial foi organizado de maneira que


“faça sentido” àqueles que o estiverem lendo. Isto os torna informação.
No entanto, a representação no computador é feita baseada nos da-
dos. E como fica o conhecimento?
Caracterizo conhecimento como uma abstração interior, pessoal, de
algo que foi experimentado, vivenciado, por alguém. Continuando
o exemplo, alguém tem algum conhecimento de São Paulo somente
se já visitou.

Dessa maneira, o conhecimento precisa ser descrito por informações.


(...) A informação pode ser inserida em um computador por meio
de uma representação em forma de dados (se bem que, estando na
máquina, deixa de ser informação). Como o conhecimento não é
sujeito a representações, não pode ser inserido em um computa-
dor. Assim, neste sentido, é absolutamente equivocado falar-se de
uma “base de conhecimento” em um computador. O que se tem é,
de fato, é uma tradicional base (ou banco) de dados”. Um nenê de
alguns meses tem muito conhecimento (por exemplo,reconhece a
mãe, sabe que chorando ganha comida, etc.). Mas não se pode dizer
que ele tem informações, pois não associa conceitos. Do mesmo
modo, nesta conceituação não se pode dizer que um animal tem in-
formação, mas certamente tem muito conhecimento. (...)
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A informação, segundo o autor, associa-se à semântica, enquanto


o conhecimento está associado à pragmática, ou seja, algo existente no
mundo real. Então, será que é impossível aos computadores manipularem

28
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

conhecimento? Será que não há computadores capazes de armazenar tais


conhecimentos?
O termo “sociedade da informação” surgiu na década de 1970, nos
EUA e Japão, a respeito do que seria a “sociedade pós-industrial” e quais
seriam suas características principais.
O conceito da sociedade da informação e do conhecimento também
aparece com os evidentes avanços das tecnologias de informação e da
comunicação.
Uma das características mais marcantes deste conceito é a partici-
pação dos indivíduos e sua integração e adaptação às novas tecnologias.
Portanto, como consequência, surge deste tipo de ambiente uma necessi-
dade muito grande de desenvolver habilidades para controlar e armazenar
dados, e a capacidade de criar combinações e aplicações da informação.
A sociedade da informação e do conhecimento está baseada em uma
rede dinâmica de relacionamentos na qual a compreensão e a intervenção
humanas extrapolam o ambiente natural e cultural e entram no ambiente
do ciberespaço.
No ciberespaço, os relacionamentos sociais são ampliados e reali-
zados por meio de vários recursos de tecnologia: imagem, som, vídeo etc.
Mesmo distantes, os indivíduos são compensados com a rapidez da inte-
ração e da informação em máquinas cada vez mais modernas e cheias de
recursos. Atualmente, os smartphones e tablets têm ampliado ainda mais
o alcance da rede. Com estes equipamentos móveis e a facilidade de aces-
so à Internet, os limites territoriais passam a não existir. Porém, o acesso
às informações e a produção de conhecimentos delimitam outro tipo de
fronteira: a digital.
As novas tecnologias fazem parte da nossa vida de uma maneira
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muito presente tanto no campo individual quanto no campo da estrutura


econômica e social. Como exemplo, o conhecimento é um fator de produ-
ção. Isto ocorre porque a automação fez com que a informação tenha sido
transformada em matéria-prima no processo de produção e manufatura de
bens e serviços. Neste processo, a manipulação da informação ocorre por
meio da inserção, remoção e atualização dos conteúdos para buscar resul-
tados eficientes desse modo.
Portanto, observa-se que a qualificação não está mais limitada à
execução de tarefas, pois isto foi automatizado, então novas capacidades
e qualificações são exigidas da sociedade para a inserção de profissionais
neste novo ambiente de produção. Neste novo ambiente, foram atribuídos
29
Tecnologia da Informação e Comunicação

outros valores às ideias e sua concretização. O conceito de capital intelec-


tual, da década de 1980, aparece como uma forma de mostrar e reforçar
estes recursos intangíveis.
O capital intelectual pode ser quantificado e qualificado por meio
do capital humano, o qual é medido por meio do nível de qualificação, de
habilidades e conhecimentos e capacidade de geração de ideias de cada
indivíduo.
Assim, como consequência desse novo ambiente, as empresas
perceberam a necessidade de valorização do capital humano porque as
inovações não eram mais conseguidas por meio de equipamentos e de tec-
nologia, e sim por meio da capacidade e habilidade humanas de estruturar
ideias e fabricar conhecimento.
Portanto, somente a tecnologia não garante a produção de informa-
ções e conhecimentos. Neste novo contexto, existem múltiplas informa-
ções acessíveis em um curto período de tempo que, ao serem manipuladas
e interpretadas, tendem a gerar conhecimentos.
Esta interpretação identifica as inter-relações do significado existen-
te em cada informação e quais os impactos ao ambiente ela pode causar.
As características e necessidades da sociedade da informação mostram
que na sua estrutura existe além, do consumo de tecnologia, o acesso às
novas formas de relacionamentos sociais e aos novos meios de produção.

2.2  Sociedade em rede


Na década de 1990, o sociólogo espanhol Manuel Castells escreveu
a trilogia “Sociedade em rede – A era da informação: economia, sociedade
e cultura”. Neste livro, o autor propõe que, a partir das décadas de 60 e 70,
um novo mundo começa a surgir no qual a sociedade, economia e cultura
estão inter-relacionadas devido à tecnologia, aparecendo assim uma socie-
dade em rede, também chamada de sociedade informacional.
A economia interdependente é a nova característica desse novo
mundo, onde vários países passaram a desejar fazer parte do crescimento
na produção e no comércio. Essa participação teve sucesso por causa das
tecnologias. A economia global fez com que surgissem regras econômicas
comuns no mundo todo.
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Segundo Castells, existe uma redefinição nas relações produtivas


de poder e experiência no meio dos três pilares (economia, sociedade e
cultura). As relações de produção foram transformadas em uma forma de

30
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

capitalismo informacional e, para que elas sejam entendidas, faz-se neces-


sária a análise do processo produtivo, do trabalho e do capital.
Segundo Castells,
a sociedade em rede está baseada em uma sociedade em que as
estruturas sociais e as atividades principais estão organizadas
em torno das redes de informação eletronicamente processadas. A
sociedade em rede se caracteriza pela globalização das atividades
econômicas decisivas e sua organização em redes; pela flexibilida-
de e instabilidade do trabalho, bem como por sua individualização;
pela chamada cultura da “virtualidade real e pela transformação
das bases materiais da vida: o espaço e o tempo mediante a consti-
tuição de um espaço de fluxos e de um tempo atemporal

CASTELLS (1999) propõe três modos de desenvolvimento que


possuem os elementos específicos para o aumento da produtividade:
• agrário: sua resultante é o aumento de trabalho e de terra;
• industrial: seu desenvolvimento resulta de novas fontes de energia na
produção e na circulação de produtos;
• informacional: sua origem de produtividade está nas tecnologias de
geração de:
• conhecimento;
• processamento de informação;
• comunicação de símbolos.

Segundo CASTELLS (1999), o


Conexão:
uso dessas tecnologias passou por https://www.youtube.com/
três fases: a automação de tare- watch?v=kXyGmZablp0. Esse vídeo tra-
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fas, a experiência e a reconfigu- ta da revolução da tecnologia da informação e


baseia-se no livro de Manuel Castells.
ração de aplicações. https://www.youtube.com/watch?v=6GBEF1aizwo.
A primeira e a segunda Nesse vídeo, o doutor em sociologia Marcos Troyjo
fala sobre a integração do homem à era digital.
fases (automação de tarefas e
https://www.youtube.com/watch?v=WuHQjrPnRtA.
experiência) se baseavam no Nesse vídeo, podemos ouvir o próprio Manuel
aprendizado pelo uso, isto é, o Castells falar sobre a colaboração pela Internet.
Encontra-se em espanhol porém de fácil
conhecimento era adquirido pelo compreensão.
tempo de trabalho em determina-
do produto.
Para a terceira fase (reconfiguração
de aplicações), o aprendizado é gerenciado pela
31
Tecnologia da Informação e Comunicação

elaboração, na concepção do conhecimento interagindo com o próprio co-


nhecimento. A terceira fase permitiu o desenvolvimento de novas aplica-
ções, que podiam ser implementadas com maior rapidez, isso fez com que
os usuários se apropriassem da tecnologia, compreendendo melhor seus
fundamentos e a capacidade de traduzi-las para seu cotidiano.
A sociedade em rede também permitiu a constituição de novas for-
mas de comunicação à medida que as possibilidades de novos conheci-
mentos e aplicações evoluíam abrindo novos horizontes profissionais.
Como exemplo, temos a combinação das redes sociais e de seus
meios de comunicação que estão moldando as organizações e as estruturas
importantes em todos os seus níveis: individual, organizacional e social.
Temos também uma lógica própria desse trabalho em rede, em que
alteramos bastante os conceitos das operações e dos resultados nos pro-
cessos de produção. Pode-se afirmar que as redes transformaram-se em
um modelo de comunidade na sociedade atual.
Segundo CASTELLS (1999):
O tema das comunidades é ventilado, mas também delicado e le-
vanta todo tipo de suspeitas, ironias e perigos. A verdade é que a
Internet é apenas um instrumento que estimula, e não muda, certos
comportamentos; ao contrário, é o comportamento que muda a In-
ternet

E ainda acrescenta:
A sociabilidade está se transformando em nova maneira de relação
pessoal, por meio da qual se formam laços eletivos diferentes da-
queles formados no trabalho ou no ambiente familiar, como andar
de bicicleta ou jogar tênis”.

Hoje é muito comum encontrarmos pessoas que fazem parte de al-


guma rede social como o Facebook, Twitter, Linkedin e outras. E isto tem
feito o conceito de redes sociais se modificar atualmente sob diferentes
perspectivas. A proliferação das redes sociais e sua popularização maciça
é resultado de vários avanços na área de TI, tanto na parte de software,
quanto de hardware e redes.
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32
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

Numa rede social, observamos as diversas possibilidades que po-


dem ser compartilhadas, como:
• informações e conhecimento;
• interesses;
• ações para alcançar objetivos comuns etc.

A estrutura de uma rede social é formada por pessoas e organizações


conectadas através de algum tipo de relação ou interesse, possibilitando o
compartilhamento de valores e objetivos em comum.
Mas também é necessário entender que uma rede social possui siste-
mas abertos, podendo simplesmente, de uma hora para outra, desmanchar
rapidamente os relacionamentos não hierárquicos de uma rede virtual.
Em uma sociedade em rede nem tudo funciona ou trabalha de forma
correta, pois também possui suas vantagens e desvantagens:
• Vantagens: o uso das redes possui efeitos benéficos quando abre por-
tas para:
• aprendizado;
• interação social ou profissional;
• criação de redes de contatos;
• exposição positiva da imagem;
• divulgação de trabalhos, conhecimentos, produtos ou ideias;
• trocas de opiniões e compartilhamento de diferentes visões so-
bre um mesmo tema;
• mobilização social, e outros

• Desvantagens
• gerar uma exposição exagerada ou negativa;
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• facilitar crimes como pedofilia ou estelionato;


• compulsão;
• redução na produtividade durante o trabalho;
• ser levado a cometer atos insanos como por exemplo agendar
manifestações violentas;
• trocar informações relacionadas com crime digital;

33
Tecnologia da Informação e Comunicação

2.3  Modelos de sociedade da informação


Segundo POLIZELLI e OZAKI (2009), existem três modelos de
sociedade da informação resultantes do que foi estudado até aqui sobre o
assunto: o modelo americano, com foco no mercado; o modelo europeu,
baseado nas instituições; e o modelo asiático, que privilegia as cadeias de
negócios.
Os Estados Unidos foram o primeiro país a avançar na área de
computação, principalmente durante e após a Segunda Guerra Mundial, e
também a área de negócios, representada por hardware e software. Devido
a isso, os EUA se transformaram na principal referência da sociedade da
informação para os modelos de negócio desse segmento.
Além disso, foi nos EUA que houve os primeiros desenvolvimentos
relacionados com a comunicação entre os computadores, como as redes,
posteriormente a Internet e os sistemas de computadores pessoais.
O modelo americano passou por algumas eras: a era do papel, a era
do sistema de computação em massa e a era do computador.
A era do papel mostra a importância do conhecimento desde a época
da colonização pelos peregrinos no século XVII. Nesta época, começou a
ser desenhado um dos grandes valores da administração pública daquele
país: a governança por meio de informações escritas e publicadas.
Nesse período é que o conhecimento começou a ser relacionado com
as pessoas. Somente um cidadão bem-informado fazia parte da elite, e o
conhecimento residia no que era impresso: nos contratos, nos acordos e de-
mais atividades de pessoas relacionadas com a igreja, advogados e médicos.
Durante a Guerra de Independência,vários planfetos eram usados para
informar as pessoas a respeito do andamento das ações dos envolvidos.
Em razão da educação e das atividades relacionadas, nos EUA, serem
bem desenvolvidas, isso propiciou o desenvolvimento de uma grande rede
de bibliotecas públicas, aumentando assim a rede de conhecimento. Como
consequência, a imprensa também teve avanços e, por causa da crescente
necessidade de comunicação, os correios e telégrafos também passaram a
ter maior importância.
Conforme a sociedade e as atividades em geral evoluíam, questões
como a proteção dos direitos autorais começaram a aparecer. Ainda na área
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legal, também apareceu um conjunto de leis para proteção de encomendas


que eram enviadas pelo correio, surgindo também um sistema de catálogos
e compras a distância. Empresas como a Sears resultaram desse processo. A

34
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

Sears é hoje uma grande loja de departamentos e, desde aquela época, de-
senvolveu uma grande rede de comunicação, informação e logística.
De 1850 a 1870, ocorre a Segunda Revolução Industrial no país, ala-
vancando assim um grande crescimento econômico relacionado principal-
mente com o desenvolvimento da indústria bélica, da indústria editorial e
da mecânica.
Durante as guerras, foi desenvolvida uma rede de coleta de infor-
mações que contribuiu para a cultura de valorizações dos registros, contri-
buindo para a expansão das empresas, gerando a criação de monitoramen-
to do sistema de inovações.
Alguns dos inventos mais importantes do século XIX apareceram
nos EUA por meio dessa infraestrutura que foi criada ao longo do tempo.
Os inventos eram protegidos por patentes e estão exemplificados nas figu-
ras a seguir.
WIKIPEDIA

Figura 1 – Cartão perfurado


WIKIPEDIA
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Figura 2 – Máquina analítica

35
Tecnologia da Informação e Comunicação

WIKIPEDIA

Figura 3 – Fotograma e cinema


WIKIPEDIA

Figura 4 – Maquina de escrever

Uma vez que o sistema de patentes provocou uma explosão de in-


venções, apareceu então a era da comunicação em massa.
Outras invenções também contribuíram para a aceleração das co-
municações, principalmente com o uso da eletricidade. Invenções como
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o fonógrafo, telefone, computador, a luz elétrica residencial, o rádio e a


televisão aceleravam cada vez mais o acesso à informação.

36
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

As invenções ampliaram muito a velocidade das comunicações dos


negócios e começavam a dar uma face mais próxima a que conhecemos
por escritórios e empresas.
O desenvolvimento do computador nos Estados Unidos abre uma
nova abordagem estratégica de implantações de tecnologias inéditas com
início nos anos 1920.
Sendo assim, uma nova era passa a ser concebida: a do computador.
Os projetos militares foram os maiores patrocinadores da indústria
da computação e os pioneiros no que é chamado de “modelo de gestão de
TI com base em encomendas”.
Em 1950, o modelo de negócios com base no mercado foi adotado
por essa indústria, em particular nos escritórios para a parte de produção,
contabilidade e finanças.
Em 1952, a GM instalou o primeiro computador para o controle de
operações comerciais.
Nos anos 50 e 60, as aplicações para computador de grande porte,
os mainframes, sustentam o seguimento de software e assim um novo tipo
de negócio é gerado, o de comercialização de tecnologias.
A constatação de que essa cadeia de negócios seria irreversível le-
vou as empresas e universidades, com o apoio do governo, a organizar a
ARPANET, que foi a precursora da Internet como conhecemos hoje.
Os resultados desse novo tipo de negócio começam a aparecer em
várias inovações: o ATM (Auto Teller Machine – caixa eletrônico) na área
bancária, o POS (Point Of Sale – ponto de venda) e a automação.
Em 1971, quatro supercomputadores localizados em universidades
americanas permitiram a troca de informações entre os cientistas.
Em 1987, o NSF (National Science Foundation) assume a responsa-
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bilidade de manter o backbone dessa rede.


Foi o pontapé incial da World Wide Web, ampliando toda essa rede
com a escala global.
Em 1993, é criado o navegador Mosaic, pela Universidade de Illi-
nois, tornando possível o acesso à Internet, levando a um crescimento
exponencial do número de computadores conectados à rede.
Outra inovação, decorrente da Internet, é o e-Governmebt (governo
eletrônico), o qual disponibiliza informações para os cidadãos, de docu-
mentos, estatísticas e serviços em geral.
Os grandes laboratórios passam a contar com um ambiente de inter-
câmbio digital.
37
Tecnologia da Informação e Comunicação

E com a consolidação da indústria de TI no mundo, as pesquisas se


orientaram para produtos e soluções específicao, ampliando os estudos
voltados para as tecnologias básicas e os fundamentos de negócios.
Entre os modelos de sociedade da informação, o americano é o que
mais se destaca. Sendo assim não iremos nos aprofundar nos modelos asi-
ático e europeu.

2.4  Reestruturação produtiva e sociedade da


informação
A era do computador, apesar de ter sido uma época produtiva e po-
sitiva, teve seus impactos críticos nos anos 1980 e 90, principalmente na
economia, no emprego e nos processos trabalhistas. Isso ocorreu porque o
uso da tecnologia da informação atuou diretamente em alguns processos
como o redesenho da produção em massa e introduziu novas formas de
organização da produção e dos mercados de trabalho devido à globaliza-
ção.
Alguns autores chamam esse paradoxo de “Reestruturação produ-
tiva”. Esse conceito tem relação com as novas formas de organização da
produção possibilitada pelas TICs.
Alguns autores mostram que as organizações perceberam duas es-
tratégias para o uso das novas tecnologias a fim de reestruturar a produ-
ção:
• a primeira estratégia privilegiou o emprego da tecnologia sobre as
relações de trabalho;
• a segunda estratégia foi marcada por uma abordagem de redução dos
riscos, em que a ideia seria o de combinar o uso dos equipamentos
com novas relações de trabalho mais horizontais, voltadas para a tro-
ca de informações entre departamentos.

2.5  Cadeias de negócio


Já mencionamos as cadeias de negócio anteriormente, e não pode-
mos deixar de tratá-las sem falar do capitalismo americano.
Uma grande força do capitalismo americano é o espírito empreen-
Proibida a reprodução – © UniSEB

dedor de seus executivos, que são permanentemente encorajados a inves-


tir e a competir nas mais diferentes áreas da economia, fazendo com que
alguns negócios assumam proporções inéditas.

38
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

A área de tecnologia da informação e comunicação (TIC) oferece


grandes oportunidades de crescimento sustentável e competitividade para
as empresas.
Entretanto, a tecnologia por si só, sem alinhamento estratégico
com o negócio, não faz sentido. Introduzir novos artefatos de har-
dware e software não garante aumento de produtividade do pessoal e
melhoria de processos. Para que as iniciativas de tecnologia tenham
sucesso, é necessário estabelecer uma linguagem comum e definir um
mapa unificado entre o negócio e a TIC. Uma forma de buscar esse
alinhamento e demonstrar o valor das iniciativas de TIC é utilizar uma
matriz de valor focada em duas dimensões: criticidade do empreendi-
mento e prática de inovação.
Existem três questões polêmicas sobre tecnologia da informação e
comunicação:
1. A TIC muda realmente os conceitos básicos da estratégia de
gestão?
Tecnologia e negócio são de naturezas diferentes. Enquanto a tecno-
logia avança rapidamente, as práticas de negócios evoluem de forma mais
lenta e são mais estáveis.

2. A TIC gera efetivamente novos benefícios e vantagens compe-


titivas para as empresas?
Gira em torno da discussão sobre como medir o retorno de investi-
mento das iniciativas de TIC nas áreas de negócios.

3. A disseminação da tecnologia não transforma a TIC numa


commodity (mercadoria), que desta forma reduz sua importância re-
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

lativa?
Essa questão é polêmica e a que mais contribui para que a TIC
tenha uma imagem de uma área para suporte aos negócios, sem muita
importância estratégica relativa. Se a área de tecnologia é reativa (casual)
às solicitações das áreas de negócios, sempre teremos a impressão de que
as soluções são uma commodity (mercadoria), mesmo que essa solução
introduza inovações tecnológicas (novas formas de tecnologia).
Devido ao sucesso do modelo de capitalismo americano, muitas so-
ciedades vêm adotando esse padrão, do qual o Brasil faz parte.

39
Tecnologia da Informação e Comunicação

No geral, baseia-se em redes de negócios de grandes empresas líde-


res em parceria com universidades para desenvolvimento de projetos.
Seu foco passa a ser no cliente e os produtos e serviços, a serem
adequados a esse cliente e aos seus desejos.
Também temos a inovação como a mola-mestre nesse modelo, em
que fornecedores e empresas líderes se aliam em cadeias de negócios para
consolidar posição no mercado.

2.6  OCDE
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Eco-
nômico) é uma organização com sede em paris que agrega 34 países que
adotam os princípios da democracia representativa e da economia de livre
mercado.
A OCDE sucede uma outra organiza-
ção chamada OECE (Organização
Europeia para a Cooperação Democracia
Econômica), que foi formada representativa é a forma de
exercer o poder político por meio de
em 1947 com o objetivo de
representantes eleitos pela população.
sustentar o Plano Marshall Economia de livre mercado é uma forma de
após a Segunda Guerra prática da economia quando existe pouca ou
Mundial. nenhuma intervenção dos governos. Neste caso,
todas as ações econômicas e individuais respei-
A OCDE é, na ver- tam a transferência de dinheiro, bens e serviços
dade, um fórum entre os voluntariamente. Porém, quando há contratos
países participantes que fo- voluntários, o cumprimento é obrigatório. A
propriedade privada é protegida pela
menta políticas públicas en- lei e ninguém pode ser forçado a
tre os países que apresentam os trabalhar para terceiros.
maiores IDHs (Índices de Desen-
volvimento Humano). A organização
ajuda no desenvolvimento e na expansão econômica dos países partici-
pantes para proporcionar ações que possibilitem a estabilidade financeira
e o fortalecimento da economia global.
A organização possui um conselho formado por um representante
de cada país, além de um representante da Comissão Europeia. A organi-
zação não trata somente dos aspectos econômicos, mas também promove
Proibida a reprodução – © UniSEB

projetos nas áreas social, ambiental, de educação e geração de emprego.


Entre os principais objetivos, estão:

40
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

• promover o desenvolvimento econômico;


• proporcionar novos postos de emprego;
• melhorar a qualidade de vida;
• contribuir para o crescimento do comércio mundial;
• proporcionar acesso à educação para todos;
• reduzir a desigualdade social;
• disponibilizar sistemas de saúde eficazes.

Atualmente, os países-membros são: Áustria, Bélgica, Dinamarca,


França, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países
Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça, Turquia, Alemanha, Espa-
nha, Canadá, EUA, Japão, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, México,
República Checa, Hungria, Polônia, Coreia do Sul, Eslováquia, Chile,
Eslovênia e Israel.
A OCDE influencia o desenvolvimento da sociedade da informação por
meio de fóruns e congressos que estruturam as ações dos países-membros.
Quando a OCDE foi criada, a sociedade da informação atuava em qua-
tro pontos devido ao contexto dos anos 1990, com a Internet se consolidando
e com sua formação ligada a questões de infraestrutura, preços e regulação:
• Infraestrutura
• Recursos públicos
• Governo
• Implementações

Europa
· Liderança institucional
· Rede de inovação
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Bases dos modelos de


sociedade da informação EUA
· Liderança do setor
· Infraestrutura privado
· Agências públicas
· Recursos humanos · Política das infovias
· Regulamentação
· Governo (legislação)
Ásia
· Redes de fornecedores
· Ação de fomento do
Estado
1995 1997 1999

Figura 5 – Workshops da OECD e os modelos de sociedade da informação.

41
Tecnologia da Informação e Comunicação

2.7  O livro verde da sociedade da informação no


Brasil
No Brasil, foi elaborado um documento chamado “Livro Verde da
Informação”, como uma proposta para a sociedade da informação brasi-
leira. O documento sofreu influência da sociedade da informação ameri-
cana e europeia daquele período.
O objetivo do documento é esclarecer os objetivos do projeto e
apresentar uma proposta política, traduzindo uma oferta de desenvolvi-
mento da informática e da Internet no Brasil.
Em 1991, a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) criou o backbone
brasileiro.
Em 20 de dezembro de 1994, a Embratel lança um serviço experi-
mental para conhecer melhor a Internet.
Em 1995, a Internet é aberta ao setor privado no Brasil para a explo-
ração comercial. A RNP fica responsável pela infraestrutura básica de inter-
conexão e informação em âmbito nacional, tendo o controle do backbone.
Em 1999, é lançado o Programa Sociedade da Informação (Sociin-
fo), com o objetivo maior de integrar o desenvolvimento econômico e so-
cial ao acesso às TICs e uso delas e promoção da inclusão social por meio
da inclusão digital.
O Livro Verde, em relação ao setor privado, assumia a nova econo-
mia com base na economia de mercado, na globalização e no comércio
internacional.
A elaboração do Livro Verde estimulou alguns avanços, em particu-
lar nas ações do governo eletrônico, Internet para pesquisadores e aumen-
to da população com acesso à rede.

Atividades
01. O que são sociedade da informação e sociedade do conhecimento?




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Governo eletrônico, ou e-gov, consiste nas ações das TIC aliada ao conhecimento
nos processos internos de governo e que são relacionadas com a entrega dos produtos e
serviços do governo para os cidadãos, indústria e demais componentes da sociedade.

42
Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento – Capítulo 2

02. Qual foi a contribuição de Castells e como ele a entende?








03. Quais foram os três modos de desenvolvimento propostos por


Castells? Escolha um desses modos e explique-o?






04. Onde se originou a base da crise, segundo Castells?








05. O que você entende por “O modelo americano de sociedade da infor-


mação”?



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06. Leia “A era do papel” e elabore uma conclusão sobre o assunto?








43
Tecnologia da Informação e Comunicação

Reflexão
Vimos que, no modelo americano da sociedade da informação, do
qual sofremos grande influência, existiram algumas eras: era do papel,
era da informação etc. Com base nisso e verificando que a tecnologia se
desenvolve muito rápido, assim como a ciência, na sociedade, será que
no futuro teremos alguma outra grande mudança a tal ponto de caracteri-
zar outra era? Qual seria esta “nova era”? E não estamos nos referindo à
“nova era” (new age)! Fica a dica para esta reflexão.

Leitura recomendada
Os seguintes livros são bem interessantes e complementam os assuntos
que abordamos neste capítulo.
LÉVY, P. A inteligência coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

Referências
CASTELLS, M. A sociedade em rede – a era da informação. 10. ed.
edição. Ed. Paz e Terra, 1999.
POLIZELLI, D. L.; OZAKI, A. M. Sociedade da informação – os de-
safios da era da colaboração e da gestão do conhecimento. São Paulo: Saraiva,
2008.
STAREC, C.; GOMES, E.; BEZERRA, J. Gestão estratégica da in-
formação e inteligência competitiva. São Paulo: Saraiva, 2006.
SETZER, V.W. Os meios eletrônicos e a educação: uma visão alternativa.
São Paulo: Editora Escrituras, Coleção Ensaios Transversais. V. 10, 2001.

No próximo capítulo
Estudaremos, no próximo capítulo, sobre a revolução digital e ex-
ploraremos um pouco a Internet, negócios eletrônicos e outros assuntos
relacionados. Observaremos que esses temas estão totalmente relaciona-
dos ao que abordamos anteriormente: a sociedade da informação.
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44
A Revolução Digital
A Internet foi criada no final da
década de 1960. Na verdade, podemos

3 dizer que foi a primeira versão da Internet,


chamada de Arpanet, usada pelos militares. O
lo
que nós conhecemos por Internet ganhou propor-
ções maiores a partir da década de 90, com o advento
ít u

da World Wide Web (www). Desde então, nossas vidas


mudaram.
Cap

A Internet passou a ser usada como vitrine e lojas pelas


empresas; passou a publicar imagens, vídeos, áudios de uma
maneira muito acessível, de modo que ganhou a população mun-
dial. Até mesmo pessoas comuns poderiam ter seu próprio site e
publicar suas opiniões, fotos e demais elementos pessoais de uma
maneira muito rápida e prática.
As comunicações ganharam outra proporção, apareceram os progra-
mas de bate-papo. Esses programas demandaram novos recursos e hoje
é possível ter voz, áudio e vídeo pelo telefone, assim como tinha Dick
Tracy nos quadrinhos a partir da década de 30 ou a tripulação da Star
Trek, em Jornada nas Estrelas.
É ou não é uma revolução digital? Vamos estudar um pouco sobre isso
neste capítulo.

Objetivos da sua aprendizagem


Neste capítulo, vamos estudar os seguintes assuntos:
• a Internet;
• negócios digitais;
• o conhecimento digitalizado;
• tecnologia onipresente.

Você se lembra?
Você sabe o que é um protocolo? Como a Internet funciona?
Quando foi a primeira vez que você usou a Internet e para
qual fim? Hoje você a usa para quê? Pense nestas per-
guntas.
Tecnologia da Informação e Comunicação

3.1  A Internet
A Internet, assim como muitos elementos da Tecnologia da In-
formação atual, provém de um projeto para a área militar dos Estados
Unidos. A ideia deste projeto era ter uma forma de comunicação entre as
bases militares que fosse eficiente e infalível a ataques nucleares.
Na década de 1960, a Defense Advanced Projects Research Agency
(DARPA) patrocinou um projeto para desenvolver uma tecnologia de rede
que permitisse que pesquisadores, em várias localizações no país, pudes-
sem compartilhar informações.
Esta tecnologia também deveria ser resistente a falhas. O resultado
deste projeto foi a ARPANET, lançada em setembro de 1969. A ARPA-
NET conectava computadores em quatro localizações:
• UCLA
• Stanford Research Institute
• UC Santa Barbara
• Universidade de Utah

Nos anos que se seguiram, a quantidade de computadores conecta-


dos cresceu de maneira bem rápida. Em 1972, foi introduzida a ferramenta
de e-mail que se tornou a maior aplicação da rede. Em 1973, a ARPANET
conectou-se à University College of London, no Reino Unido, e ao Royal Ra-
dar Establishment na Noruega, tornando-se internacional. Em 1986, a NSFnet
(a grande rede da National Science Foundation) foi conectada à ARPANET,
e o resultado passou a ser conhecido como Internet. Com o tempo, diversas
outras companhias se conectaram à Internet (CAPRON e JOHNSON, 2004).
Na arquitetura de funcionamento da Internet, os principais back-
bones (circuito de transmissão de alta velocidade análogo ao sistema de
rodovias estaduais) conectam-se a redes regionais. Estas redes regionais,
por sua vez, dão acesso a provedores de serviços, grandes empresas e ins-
tituições públicas. Os pontos de acesso à Internet (NAPs – Network Acess
Point) e as Trocas de Internet Metropolitana (MAE – Metropolitan Area
Exchanges) são grandes Hub, em que o backbone intercepta redes regio-
nais e locais e em que os proprietários dos backbones se conectam uns aos
outros (LAUDON e LAUDON, 2007).
Proibida a reprodução – © UniSEB

As pessoas se conectam à Internet de duas maneiras:


• ISP (Internet Service Provider – Provedor de serviços de Internet): é
uma organização comercial com conexões permanentes com a Inter-
net e que vende conexões a assinantes.
46
A Revolução Digital – Capítulo 3

• Por meio de suas empresas, universidades ou centros de pesquisa que


tenham domínios próprios.
Backbone

MAE Hubs regionais (MAEs and NAPs)


Domínio Domínio
nyu.edu provedor local
Linha
T1 Host Host
regionais regionais

Linha
telefônica
comum

Rede do campus
POP3 SMTP Residência
Mail Mail

Escritórios Cliente IP Cliente IP

Figura 1 – Arquitetura da Internet


LAUDON e LAUDON, 2007.

A Internet baseia-se na pilha de protocolos TCP/IP. Todos os com-


putadores recebem um IP único (Internet Protocol), que é representado
por um número de 32 bits, com séries de 0 a 255, separadas por pontos. O
endereço 64.233.164.104 pertence ao Google, por exemplo.
Quando um usuário envia uma mensagem a outro usuário da Internet,
a mensagem é decomposta em vários pacotes por meio do TCP. Cada pacote
contém seu endereço de destino. Os pacotes são enviados a um servidor de
rede, que encaminha para quantos servidores forem necessários até que todos
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os pacotes cheguem ao destino e a mensagem seja remontada.


Como vai você? Servidores Como vai você?
A B C Z A B C

A B
A B C A B C
A B C Y A B C

X
C
Gateway Gateway
Bem, obrigado! Bem, obrigado!
X Y Z X Y Z

Figura 2 – Comutação por pacotes


LAUDON e LAUDON, 2007.

47
Tecnologia da Informação e Comunicação

Para os usuários de Internet, seria muito difícil guardar os endereços


baseando-se apenas em números. Devido a isto, foi criado o Sistema de
Nomes de Domínio (Domain Name System – DNS), que converte os en-
dereços IP em nomes de domínios.
O DNS possui uma estrutura hierárquica:
• no topo está o domínio raiz;
• no domínio de primeiro nível, temos nomes com dois ou três caracte-
res, como .edu, .gov, e códigos de país, como .br, .uk, .ca etc;
• no domínio de segundo ,nível temos duas partes designando o nome
de primeiro nível e o nome de segundo nível;
• um nome de hospedeiro (host) na base da hierarquia indica um com-
putador específico da Internet ou na rede privada.

Domínio-raiz

Domínios de
edu com gov org net primeiro nível

Domínios de
expedia google congress segundo nível

Domínios de terceiro nível


sales.google.com sales Hospedeiros

computer1.sales.google.com Computer 1

Figura 3 – Sistema de nomes de domínio da Internet


LAUDON e LAUDON, 2007.

A Internet baseia-se na arquitetura cliente/servidor. As pessoas aces-


sam à Internet por meio de aplicações clientes, como o navegador. Todas
as informações trocadas (dados das aplicações, mensagens de e-mail, etc.)
ficam armazenadas na máquina cliente ou em um servidor.
Os clientes que acessam à Internet atualmente não o fazem apenas
por computadores, mas também por diversos dispositivos, como os ta-
blets, celulares etc.
Proibida a reprodução – © UniSEB

Quando você conecta seu computador cliente na Internet, passa a ter


acesso a uma variedade de serviços, como e-mail, grupos de discussão,
mensagens instantâneas, vídeos, redes sociais, serviços do governo, pági-
nas de comércio eletrônico e serviços corporativos.
48
A Revolução Digital – Capítulo 3

Cada serviço na Internet é implementado por um conjunto de pro-


gramas e pode funcionar a partir de um único servidor ou de servidores
diferentes.
As redes corporativas compreendem um conjunto de várias redes
diferentes (desde a rede telefônica até a Internet e as redes locais) que co-
nectam grupos de trabalho, departamentos ou escritórios.
Uma rede corporativa pode oferecer aplicações comerciais aos seus
clientes. Por exemplo, pode ser um portal onde o cliente, através de seu
navegador web, acessa relatórios sobre as vendas da empresa.
Para isso, a empresa precisa de uma arquitetura com sistemas
backend. Esse tipo de sistema funciona no servidor como uma aplicação.
Ele se conecta a bases de dados, faz transações com outros sistemas etc.
Além disso, você precisará de um servidor de aplicações que tratará o en-
vio de informações de uma aplicação cliente não apenas como requisições
de páginas, mas como requisições de informações a programas.
Servidor
Servidor de banco Sistemas
Cliente Internet Servidor de aplicativo de dados back-end

PDA · Servidor
· Navegador Web Web (HTTP)
· Outro software · Simple Mail
cliente Transfer Vendas
Páginas Produção
Protocol (SMTP) Web
· Domain Name Contabilidade
Serving (DNS) RH
· File Transfer
Protocol (FTP)
· Network News Arquivos
Transfer Protocol de
(NNTP) correio
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Figura 4 – Modelo cliente servidor na Internet


LAUDON e LAUDON, 2007.

3.1.1  Internet, intranets e extranets


A intranet de uma empresa é uma rede privada que utiliza a mesma
tecnologia da Internet (ou tecnologia semelhante) para conectar computa-
dores, recursos e aplicações de uma rede, tornando-os disponíveis somen-
te ao seu público interno.
Uma intranet deve ser protegida por medidas de segurança como fi-
rewalls, mecanismos para autenticação e controle de acesso, permitindo ape-
nas que usuários autorizados possam fazer uso dos recursos disponíveis.
49
Tecnologia da Informação e Comunicação

As principais diferenças entre a Internet e a intranet são relaciona-


das ao conteúdo (que é restrito na intranet e liberado na Internet).
As empresas podem usar intranets para diversos fins, como:
• ensino eletrônico;
• repositório de dados;
• TV corporativa;
• comunicação instantânea (por texto ou voz);
• divulgação de notícias;
• gerenciamento de projetos;
• conectar aplicativos;
• etc.
Já a extranet pode ser considerada como um ponto de conexão ex-
terno a uma intranet, ou seja, um ponto onde a intranet fica passível de
acesso ao público externo (como clientes, fornecedores, parceiros comer-
ciais etc.). O acesso da extranet também deve ser controlado. Afinal, se
não fosse assim e o acesso fosse público, estaríamos falando da Internet!
As extranets fornecem recursos até parecidos com os das intranets,
como troca de informações, ensino eletrônico, transmissão de dados, co-
municação instantânea, dentre outros.
Quando uma empresa conecta sua intranet à intranet de outra em-
presa, podemos dizer que há a formação de uma extranet (claro, se a co-
nexão for com o fim de prover os recursos citados e, ainda, com a devida
proteção – se for pública, não faz sentido chamá-la de extranet).

Internet Intranet da Filial

Intranet da Matriz

Extranet
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Intranet do cliente ou fornecedor

Figura 5 – Extranet composta de intranets diferentes

50
A Revolução Digital – Capítulo 3

Em geral, a conexão A C
para uma extranet exige a Internet
chamada rede privada vir-
tual (VPN: Virtual Private
Dados
Network).
Dados
Em uma VPN, a co-
nexão entre os elementos
computacionais é prote-
gida. Assim, você pode
trafegar dados sobre a in-
B D
fraestrutura pública da In- Figura 6 – Criação de uma VPN

ternet protegendo-os com


mecanismos de criptogra-
fia. Mesmo que algum “intruso” tente observar os dados, estes estarão
“embaralhados” de maneira que não farão nenhum sentido.

3.1.2  A Wold Wide Web (WWW)


A World Wide Web é o mais conhecido serviço de Internet. É um
padrão universalmente aceito para armazenar, recuperar, formatar e apre-
sentar informações usando uma arquitetura cliente/servidor. Neste padrão,
páginas Web são formatadas por meio do hipertexto que possui links, vin-
culando documentos.
Para “navegarmos” na Web, precisamos de um browser (navega-
dor). O software faz as requisições de objetos usando a arquitetura cliente/
servidor na web.
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Figura 7 – Tela do Internet Explorer

51
Tecnologia da Informação e Comunicação

A figura 7 mostra a tela do Internet Explorer, o navegador web que


vem junto com o Windows. O Internet Explorer é o navegador mais usado
no mundo.
Ao digitarmos um endereço no navegador, o que acontece é o se-
guinte:
• o endereço é o URL de um objeto: http://www.estudeadistancia.com;
• esta URL define um endereço único de um site ou arquivo na Internet;
• o servidor usa o DNS para traduzir o endereço do computador host na
Internet;
• feito isso, ele usa o protocolo apropriado para solicitar ao servidor o
objeto desejado pelo usuário.

As páginas web são baseadas numa linguagem-padrão chamada


Linguagem de Marcação de Hipertextos (hypertext markup language –
HTML). Esta linguagem é interpretada pelo navegador, que exibirá os
resultados na tela de seu computador.
O protocolo acima especificado é o HTTP (protocolo de transferên-
cia de hipertexto – hypertext transfer protocol), que é um padrão de comu-
nicações usado para transferência de páginas web.

3.1.2.1  Negócios digitais

Como já citamos, é comum lermos na Internet sobre e-commerce e


e-business e encontrarmos textos que confundem suas definições e usos.
Como são palavras provenientes do inglês, vamos traduzir os termos
separadamente e dar o significado de cada um deles para entendermos a
diferença entre eles.
Segundo o dicionário online MICHAELIS:
Business: 1 serviço, trabalho, profissão, ocupação. 2 assunto, ne-
gócio. important business / negócios importantes. 3 negócio, atividade
comercial, comércio. he went into business / ele ingressou no comércio. 4
empresa, firma, estabelecimento industrial ou comercial. 5 loja. 6 direito
de agir, interesse. 7 ação em representação teatral.
Commerce: 1 comércio, negócio, tráfico. 2 intercâmbio (comercial
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ou cultural). 3 relações pessoais. I have no commerce with him / não te-


nho relações com ele.

52
A Revolução Digital – Capítulo 3

Como podemos perceber, são termos diferentes. Enquanto “busi-


ness” trata do negócio como um todo, do assunto, “commerce” é apenas
a parte da troca comercial, do intercâmbio, como é mostrado em uma das
traduções, e seria a parte principal da definição. Portanto, de certa forma,
o e-commerce é uma parte integrante do e-business. Dá para perceber que
um termo é bem relacionado com o outro. Porém, é natural que os termos
se confundam, pois a infraestrutura usada para ambos é praticamente a
mesma.
Segundo os autores (LAUDON e LAUDON, 2007), e-business
refere-se ao uso de tecnologia digital e de Internet para executar os prin-
cipais processos de negócios de uma empresa. Neste contexto, todas as
atividades relacionadas com a gestão interna da empresa e até mesmo com
os fornecedores fazem parte do e-business incluindo o e-commerce que,
segundo os autores, lida com a compra e a venda de mercadorias e servi-
ços pela Internet.
A figura 1.1 tenta estabelecer o relacionamento entre e-business
e e-commerce e seu relacionamento com o mundo exterior, que são os
clientes e usuários da empresa a qual possui processos baseados em
e-business. Como podemos ver, o e-business engloba outros conceitos já
vistos anteriormente em outras disciplinas como ERP, SCM, CRM e BI.
A integração desses sistemas com os processos de negócio e aliados à es-
tratégia corporativa, além de outros fatores que veremos no capítulo, são
fatores críticos de sucesso para o bom funcionamento do esquema apre-
sentado na figura 8.

E-Business
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E-Commerce
Processos de negócio,
estratégias integradas, Trocas eletrônicas, Mundo
comércio eletrônico,
tecnologias atuais, loja virtual, interface externo
Sistemas ERP, CRM, com o mundo
SCM externo

Figura 8 – Relacionamento entre e-business, e-commerce e o mundo externo à empresa.

53
Tecnologia da Informação e Comunicação

Uma vez que definimos e mostramos as diferenças entre os termos,


vamos agora a algumas questões relacionadas com a disciplina.
Toda organização tem suas preocupações imediatas e estratégicas.
Lembre-se de que quando nos referimo à estratégia, estamos consideran-
do ações a longo prazo. O que é melhor? Preocupar-se com o lucro atual
e reduções de custo imediatas ou o posicionamento da organização daqui
a alguns anos? E se estamos tentando analisar a situação daqui a alguns
anos, como a Internet e o mundo digital estarão incluídos nesta análise?
Para ajudar nesta análise, gostaria de apresentar alguns dados esta-
tísticos sobre as redes sociais atualmente.
Segundo o site Socialnomics (BBC BRASIL, 2012), o Facebook
ultrapassou o número de 1 bilhão de usuários (número muito maior que
a população de vários países juntos, incluindo o Brasil) e, dentro deste
número, em média uma pessoa gasta cerca de 6 horas por mês “dentro” do
Facebook.
As redes sociais são usadas basicamente para entretenimento pes-
soal, porém é excelente para as empresas divulgarem produtos e serviços.
Além disso, muitas redes sociais possuem APIs, as quais permitem que
as empresas desenvolvam formas de integração com seus sistemas inte-
grados ou de comércio eletrônico. Enfim, é uma grande possibilidade de
negócio.
Portanto, perante esses dados, as empresas não podem de forma
nenhuma descartar a entrada no mundo digital. Trata-se de um posiciona-
mento estratégico e de sobrevivência.
Mas resta saber se as empresas Conexão:
estão preparadas atualmente Conheça um pouco algumas APIs
para esta mudança. dos principais sites:
Google Maps: https://developers.google.com/
A entrada no mundo maps/. É possível encontrar muitas formas de embutir
digital significa repen- os mapas do Google em aplicações desenvolvidas pelos
programadores.
sar os processos, os
Facebook: http://developers.facebook.com/. Possibilita que os
relacionamentos com programadores integrem seus sistemas ao Facebook.
fornecedores, com clien- Java API: http://docs.oracle.com/javase/7/docs/api/index.html.
tes, a tecnologia usada API da linguagem Java. Por meio desta API, os programa-
dores podem escrever diversos tipos de aplicações para
internamente, as pessoas e
Proibida a reprodução – © UniSEB

diferentes plataformas.
seu grau de relacionamento Twitter: https://dev.twitter.com/. Com esta API é
com essa nova realidade, en- possível conhecer as formas de integração
do Twitter com outras aplicações.
fim, um novo paradigma.

54
A Revolução Digital – Capítulo 3

A tecnologia ainda é um campo inexplorado para alguns gerentes e


estes, se não entenderem devidamente os benefícios e possibilidades que
ela oferece, certamente serão obstáculos para o avanço nesta área. Cabe
ao gestor de TI intervir neste difícil processo.
Esta mudança de paradigma que deve acontecer nas empresas está
relacionada com uma divisão sugerida por KALAKOTA & ROBINSON
(2002) em períodos do e-commerce:
• Primeira etapa (1994-1997): o que ocorreu foi uma corrida das em-
presas para garantir sua presença na Internet. De uma certa forma, não
importava como seria o relacionamento pós-contato com o cliente ou
interessado, o importante era estar presente na Internet!
• Segunda etapa (1997-2000): o foco foram as transações eletrônicas:
comprar e vender na Internet. Porém, um problema muito sério ocor-
reu nesta época e várias empresas “.com” acabaram por desaparecer
após o “boom” inicial da Internet. Como já vimos na disciplina de
Sistemas de Informações, não basta ter um bom sistema de venda sem
que exista uma estrutura de supply chain suficientemente preparada
para suprir as demandas de clientes e usuários.
• Terceira etapa (2000-até hoje): o foco deste período está relaciona-
do com a lucratividade. Uma vez que as empresas “.com” suportaram
as crises anteriores, a meta agora é saber como a Internet afeta a
lucratividade. Isto afeta não apenas a parte de compra e venda (e-
commerce), mas todos os processos envolvidos nesta tarefa, inclusive
os processos de retaguarda, também chamados de back office.

Como já foi comentado, as apessoas estão cada vez mais conectadas


e é natural que essa vida on-line seja explorada pelas empresas e ativida-
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

des como o e-business e e-commerce tomem força e ganhem outras pro-


porções. Por outro lado, com o avanço da tecnologia, muitos elementos
tecnológicos que fundamentam as atividades digitais ficam mais baratos
e acessíveis para as empresas que querem entrar nesse ramo ou mesmo
expandir o que já existe.
Esta nova economia trouxe novos tipos de negócios e organizações,
e consequentemente a forma de lidar com esse novo contexto fez com que
aparecessem novos modelos de negócio.
Rappa (2010) fez uma taxonomia (classificação) envolvendo os
tipos de modelos de negócio deste novo cenário. Porém, temos de tomar
cuidado com um detalhe: esta área é muito volátil. Embora o trabalho de
55
Tecnologia da Informação e Comunicação

Rappa seja muito interessante e é um dos poucos que faz esta classifica-
ção, novos modelos têm aparecido, os quais não foram contemplados na
taxonomia proposta por ele.
O quadro 3.1 apresenta a taxonomia proposta por RAPPA (2010)
apud SIQUEIRA e CRISPIM (2012). Observe cada modelo e suas va-
riantes:

Variantes Descrição
Comércio misto
Modelo de negócio tradicional basea-
do em instalações físicas e que utiliza
a rede como mais um canal de comer-
cialização para os seus produtos. [Li-
vrariaSaraiva.com.br]

Comércio virtual

Comercialização de produtos/serviços
Modelo comerciante exclusivamente pela Internet. [Subma-
rino.com.br]
Modelos de negócios
que envolvem a comer-
cialização de serviços ou Comércio virtual
puro Comercialização de produtos digitais
produtos tangíveis/digi- ou serviços cuja entrega é realizada
tais para pessoas físicas pela própria Internet. É a forma mais
ou jurídicas. Pode ser pura de Comércio Eletrônico, uma vez
que todo o processo do negócio é rea-
um negócio totalmente lizado on-line. [Symantec.com]
baseado na Internet ou
com reforço de uma loja Mercantil
tradicional.
Empresas que vendem produtos ou
serviços para outras empresas (B2B)
utilizando-se a Internet como canal de
comercialização.[Quickpack.com]

Mercantil direto
Empresas produtoras de mercadorias
que se utilizam da web como canal di-
reto de venda para o consumidor final,
eliminando total ou parcialmente os
intermediários. [Dell]
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56
A Revolução Digital – Capítulo 3

Shopping virtual

Site que reúne diversas lojas virtu-


ais. A receita é obtida através de taxa
mensal + comissão sobre as vendas
realizadas ou pagamentos por anún-
cios. [Shopfacil.com.br, Amazon.com]

Leilões on-line Ambiente virtual que possibilita a ofer-


ta de mercadorias e a realização de
Modelo corretagem lances até se chegar à melhor oferta
disponível. A receita é obtida através
Modelos de negócios de taxas de cadastramento + comis-
chamados de facilita- são no caso de empresas (B2B) ou
dores de negócios na comissão sobre venda no caso de
Internet. São sites que pessoas físicas (C2C). Possui varian-
tes como o Leilão reverso. [Superbid.
facilitam e estimulam net / Mercadolivre.com.br]
a realização de transa-
Portal vertical
ções, através da manu-
tenção de um ambiente Possibilita a interação entre empresas
virtual; coloca em do mesmo setor e incentiva transa-
ções através de negociação direta ou
contato e aproxima os leilões. Variantes: Agregador de com-
fornecedores e os poten- pras ― reúne compradores para obter
ciais compradores. maior volume e melhor negociação.
[Chemconnect.com]
Geralmente um cor-
retor cobra uma taxa Metamediários Aproxima compradores e vendedores;
(mensal/anual) ou a receita é geralmente obtida através
comissão por transação de comissões sobre as transações
realizada. realizadas pelo site. É o caso dos
Corretores Financeiros, que facilitam
a realização de investimentos, dispo-
nibilizando acesso a fornecedores de
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

serviços financeiros (investshop.com.


br) como compra de ações, seguros,
investimentos. Além de sites que dão
prêmios aos consumidores (dotz.com.
br) para incentivar a compra em sites
parceiros. Outra variante são os agen-
tes de transação financeira [Paypal.
com], que também se enquadram nes-
ta categoria.

57
Tecnologia da Informação e Comunicação

Portais genéricos São grandes portais de conteúdo que


oferecem conteúdo gratuito ou parcial-
mente gratuito, além de serviços como
mecanismo de busca [Google.com,
Modelo publicidade Buscape.com.br] e servidores de e-mail.
[Hotmail/Yahoo].
Oferece produtos e Portais especiali- Sites especializados em determinado
serviços, geralmente zados público ou segmento de mercado. Ge-
gratuitos. Gera gran- ram menos volume de tráfego que os
de volume de tráfego genéricos, mas com um perfil de pú-
e normalmente obtém blico mais concentrado, o que é valo-
rizado pelos anunciantes. [maisde50.
receita através de com.br]
anunciantes. Quando
Modelos afiliados Portais afiliados fornecem um link
não gratuito, a forma de para compras em portais comercian-
cobrança pode ser por tes parceiros – é um modelo de remu-
assinatura ou neração por desempenho, se o afiliado
“on-demand”. não gerar compras, ele não represen-
ta custo para o comerciante parceiro.
Variações incluem programas de in-
tercâmbio, pay-per-click e partilha de
receitas de banner. [Amazon.com]
Open Source Softwares desenvolvidos colaborati-
vamente por uma comunidade de pro-
gramadores que compartilham código
abertamente. Em vez de licenciar o có-
digo fonte através de taxa, o modelo de-
Modelo Comunidade pende da receita gerada a partir de ser-
viços relacionados como integração de
O modelo comunitário sistemas, suporte ao produto, tutoriais e
baseia-se na lealdade documentação de usuário. [Red Hat]
do usuário. A receita Conteúdo aberto Conteúdos acessíveis abertamente,
pode basear-se sobre desenvolvidos colaborativamente por
a venda de serviços e uma comunidade global de usuários
que trabalham voluntariamente. [Wiki-
produtos auxiliares ou pedia.com]
contribuições voluntá-
Serviços de rede Sites que possibilitam a um indivíduo
rias, ou pode ser vin- social se conectar a outros indivíduos com in-
culada à publicidade e teresses em comum (professional, pas-
assinaturas de serviços satempo, romance). Serviços de rede
premium. sociais podem fornecer oportunidades
de publicidade contextual e assinaturas
de serviços premium. [LinkedIn, Fa-
cebook, Orkut]. Outra variante são sites
de compras coletivas [Groupon.com,
PeixeUrbano.com.br].
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Quadro 3.1 – Taxonomia dos modelos de negócio


RAPPA (2010) apud SIQUEIRA e CRISPIM (2012).

58
A Revolução Digital – Capítulo 3

3.2  O conhecimento digitalizado


Podemos perceber que todo o conhecimento que estamos mostrando
com as tecnologias e avanços da ciência está relacionado com a mente das
pessoas e como elas processam as informações.
Portanto, o conhecimento digitalizado, na verdade, é um processo
complexo que necessita de ferramentas de tecnologia corretas e apro-
priadas, de forma que o conhecimento possa ser apresentado e mostrado,
armazenado, indexado, recuperado, compartilhado e também disponível
para a sociedade.
A tecnologia da informação possui vários recursos para poder digi-
talizar o conhecimento e novos recursos aparecem todo o tempo.
A área de gestão do conhecimento tem ganhado bastante destaque,
pois necessita dessas ferramentas e de material humano que as conheça e
as utilize a fim de formar os sistemas gerenciadores de conhecimento.
A revolução digital, assunto que trataremos em seguida, possui
como base as ferramentas que permitem a digitalização do conhecimento
e a convergência tecnológica.
Notamos que cada vez mais a mobilidade tem baseado várias ativi-
dades relacionadas com a comunicação, com a produção, com os serviços
e outros, e isso tem como consequência o aparecimento contínuo de novos
e modernos smartphones, com funções que excedem a simples comunica-
ção.
Os jovens das Geração Y e mais novos têm aproveitado estas faci-
lidades. Eles já são nativos digitais e lidam com os aparelhos celulares e
demais dispositivos com um desembaraço natural. Usam as redes sociais
de maneira maciça para várias finalidades, principalmente para comunica-
ção, interação e diversão.
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Esta geração possui características marcantes como:


• independência e forte interação em rede;
• abertura intelectual;
• colaboração;
• interligação dos intelectos para a conscientização organizacional;
• cultura da inovação.

Este conhecimento digitalizado tem influenciado a tecnologia de


forma que ela fique cada vez mais onipresente na sociedade.

59
Tecnologia da Informação e Comunicação

3.3  Tecnologia Onipresente


Existe um termo na área de com-
putação de que certamente você não Conexão:
ouviu falar chamado de computação Saiba mais sobre tecnologia
vestível:
ubíqua. Mas certamente você é um
http://www.neanderthalnews.com.
usuário deste tipo de conceito, mas br/?p=21910: relógio com Android
não sabia que tinha esse nome! http://www.tecmundo.com.br/acer/40880-acer-pode-
Este termo foi usado pela revelar-tecnologia-vestivel-no-inicio-de-2014.htm
http://www.google.com/glass/start/: Site do
primeira vez na década de 1980 Google Glass
e permanece até hoje, porém, com http://blogs.estadao.com.br/link/amazon-
outro nome. Ela também é conhe- inaugura-secao-de-tecnologia-vestivel/
cida como computação pervasiva,
tecnologia calma, everyware ou também
encontramos como inteligência ambiental.
Chega de suspense! A computação ubíqua tem como princípio
tornar a interação entre homem e computador invisível, ou seja, tenta
integrar a informática ao máximo na vida das pessoas de forma que ela
se torne invisível. Atualmente, com tanta tecnologia que nos rodeia, isso
é extremamente aplicável. Temos atualmente a tecnologia “vestível”,
aquela que está embutida em relógios de pulso com boa parte dos recursos
dos smartphones presentes, roupas inteligentes que se adaptam ao clima,
calçados com chip eletrônicos para ajudar atletas, temos também como
grande exemplo o Google Glass, e outros.
O termo “invisível” da computação ubíqua não significa que a
tecnologia não será visível aos nossos olhos, mas a tecnologia estará tão
impregnada na vida das pessoas que ela praticamente não será notável,
tornando-se onipresente.
Porém, para chegar a essa “invisibilidade”, é uma longa jornada, mas
estamos caminhando com passos largos nessa estrad. Por exemplo, o Google
Glass já é vendido na Internet e os outros exemplos mencionados. O primeiro
passo para essa invisibilidade é o uso de interfaces naturais, ou seja, deixar
que a forma de interação com o computador seja a mais natural possível.
Outro exemplo: em alguns aviões militares, o sistema de mira da
artilharia do avião já pode ser controlado pelos olhos do piloto. É um
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exemplo de interface natural.


A interface natural pode ser por meio da fala, dos gestos (veja os no-
vos vídeo-games e seus jogos de dança, tiro com arco, e outros) e outros
modos e, desta forma, o teclado e o mouse não seriam mais necessários.
60
A Revolução Digital – Capítulo 3

O outro passo é permitir um tipo de computação que seja sensível


ao contexto, ou seja, os dispositivos usados seriam dotados de sensores
que captam o ambiente do usuário e respondem a este ambiente. No am-
biente, podem estar pessoas ou objetos e os sensores seriam capazes de
captar qualquer movimentação do ambiente e processar as informações.
Isso implica rapidez de processamento do computador e dispositivos pe-
quenos e práticos dotados de tecnologia sem fio e ligados a computadores
de maior processamento.
O reconhecimento de voz e a escrita eram grandes desafios enfren-
tados pela ciência e tecnologia porque os erros de voz principalmente com
a dicção do usuário eram difíceis de serem modelados, assim como a es-
crita. Mas com o lançamento do Iphone 4S da Apple, parece que algumas
barreiras foram superadas. O Siri é um aplicativo embarcado do Iphone, o
qual não tem apenas sistema de reconhecimento de voz, ele é usado como
um “assistente inteligente” e executa algumas solicitações do usuário. Por
exemplo, algumas perguntas como “Vai chover hoje?” ou ainda “Preciso
levar guarda-chuva hoje?”, nesse caso o aplicativo irá consultar a previsão
do tempo e responder às questões conforme foi pedido. Ou se for dito
“Me acorde às 6 da manhã” ou ainda “Aniversário da minha esposa em 20
de dezembro”, nesse caso o aplicativo irá ajudar o usuário a não perder o
horário nem esquecer o aniversário da esposa.
WIKIPEDIA
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Figura 9 – Exemplo de dispositivo vestível

61
Tecnologia da Informação e Comunicação

Atividades
01. O que é comércio eletrônico?






02. O que são negócios eletrônicos?








03. Compare as respostas das perguntas 1 e 2. Negócios eletrônicos é um


sinônimo de comércio eletrônico? Explique.






04. O que é computação ubíqua?








05. Como funciona o software como serviço?





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62
A Revolução Digital – Capítulo 3

06. Para que serve o DNS (Domain Name System)?








07. Pesquise e responda às questões: o que é http? Por que ele é importante?






08. O que é Internet?








09. O que é WWW?







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10. Compare as respostas das perguntas 9 e 10. www e Internet são sinô-
nimos? Explique.






63
Tecnologia da Informação e Comunicação

Reflexão
A revolução digital é sem dúvida muito interessante. Com o advento
da Internet e a possibilidade da expansão de oportunidades, negócios e
serviços, muitas atividades relacionadas com a tecnologia apareceram.
Realmente é interessante poder conversar com outras pessoas do outro
lado do mundo em tempo real vendo a imagem delas, como era mos-
trado nos seriados e desenhos antigos. Pode parecer muito natural para
a Geração Y, Z, mas para quem conheceu os telefones a disco e sabe da
dificuldade que era fazer uma ligação telefônica no início da década de 80
vai entender. Até os mais novos devem ficar espantados com a tecnologia
vestível e o seu grande exemplo, o Google Glass. É realmente uma revo-
lução digital!

Leitura recomendada
O artigo “The computer for the 21st century” de Mark Weiser é onde o
termo computação ubíqua apareceu pela primeira vez. Vale a pena dar uma lida
neste excelente artigo. Disponível em: <http://wiki.daimi.au.dk/pca/_files/weiser-
orig.pdf>.
Quer saber sobre uma tecnologia que vai modificar bastante os telefones
celulares e outros dispositivos? Leia o Grafeno nestes dois links: http://info.
abril.com.br/noticias/ciencia/2013/07/como-o-grafeno-mudara-o-mundo.shtml e
http://e-fisica.fc.up.pt/fisica_na_up/conteudos/grafeno.
Aprenda um pouco sobre a “Internet das coisas”. É muito interessante:
http://www.ibm.com/midmarket/br/pt/pm/Internet_coisas.html

Referências
BBC BRASIL. BBC Click: Facebook está perto de 1 bilhão de usuá-
rios. BBC Brasil, 2012. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portu-
guese/videos_e_fotos/2012/04/120426_videoclickebc.shtml>. Acesso
em: 10 Maio 2012.

CAPRON, H. L.; JOHNSON, J. A. Introdução à informática. São


Paulo: Prentice Hall, 2004.
Proibida a reprodução – © UniSEB

LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informações geren-


ciais. São Paulo: Pearson, 2007.

64
A Revolução Digital – Capítulo 3

KALAKOTA, R.; ROBINSON, M. E-Business: estratégias para alcan-


çar o sucesso no mundo digital. Porto Alegre: Bookman, 2002.

RAPPA, M. Business Models on the Web: Managing the digital en-


terprise, 2010. Disponível em: <http://digitalenterprise.org/models/
models.html>. Acesso em: 12 maio 2014.

No próximo capítulo
No próximo capítulo, vamos estudar os conceitos de TIC (Tecno-
logia da informação e comunicação), e descobrir suas principais áreas de
aplicação e analisar os impactos que elas exercem na sociedade.
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65
Tecnologia da Informação e Comunicação

Minhas anotações:
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66
Tecnologias da
Informação e
Comunicação
4 Neste capítulo, vamos estudar um con-
ceito muito importante e atual conhecido por
lo
TIC – Tecnologias da informação e comunicação.
As TICs são empregadas em vários setores da nossa
ít u

sociedade, e uma das que tem mais recebido mais influ-


ência é a área de Educação. A Educação a Distância (EAD)
Cap

tem utilizado muito os produtos gerados pelas TIC. Quem


imaginava, há 10 anos, que poderíamos ter salas de aula on-line
com a participação de vários alunos e professores debatendo ao
mesmo tempo, e em lugares diferentes?
Refletiremos os conceitos, suas aplicações e impactos na sociedade.
Bons estudos!

Objetivos da sua aprendizagem


Neste capítulo, analisaremos os seguintes temas:
• Conceito de TIC;
• Impacto das TICs na sociedade;
• Relação dialética entre a sociedade e as TICs;
• Aplicação das TICs;

Você se lembra?
Provavelmente você já deve ter pensado em como a tecnologia nos
envolve nos dias de hoje. Em todo lugar que vamos, a trabalho ou a
passeio, temos algum tipo de contato com tecnologia. Você já tentou
imaginar como seria se não tivéssemos tantos aparatos tecnológi-
cos? Como seria?
Tecnologia da Informação e Comunicação

4.1  Conceito de TIC


Já citamos anteriormente que TIC significa Tecnologia da Informa-
ção e Comunicação. Pesquisando na Internet sobre o conceito de TIC,
vamos perceber que as definições são muito parecidas e convergentes.
Segundo o site Infoescola, TIC é um conjunto de recursos de tecno-
logia integrados usados para o mesmo objetivo. As TICs usam o software,
hardware e Internet em várias áreas da sociedade, especialmente na edu-
cional. (PACIEVITCH, 2014).
Segundo a Wikipedia, as TICs representam todas as tecnologias que
se relacionam com os processos de comunicação das pessoas. A Wiki-
pedia também possui uma outra definição semelhante ao site Infoescola
e também cita que as TICs estão aplicadas em
vários setores, em especial no setor da edu-
Conexão:
cação. (WIKIPEDIA, 2012). Faça esse teste. Use o
De acordo com o Portal Educa- seu navegador e pesquise
ção, as TICs podem ser conceituadas pela palavra “TIC” na Internet.
Você observará que a maioria dos
como uma junção dos meios de co- resultados relacionará as TICs com
municação, tecnologias, serviços e a área educacional.
Use diferentes mecanismos de
produtos que possuem como objetivo pesquisa, como o Google,
disponibilizar funções automatizadas Bing, Yahoo, e compare os
para o auxílio das pessoas (PORTAL resultados.

EDUCAÇÃO, 2014).
Em qualquer área, as TICs buscam mini-
mizar os processos e possibilitar o acesso à informação e ao conhecimen-
to. Além disso, também busca resolver problemas, apoiar as áreas do co-
nhecimento e principalmente facilitar o acesso à Internet e às tecnologias
de comunicação.
Assim como qualquer outra área, as TICs passaram por várias fases
até chegarem à forma que temos hoje. Desde o início, com os primeiros
computadores valvulados e que ocupavam uma grande área, até meados
da década de 1990, o termo mais usado era “computação”, porém, com o
surgimento e popularização da Internet, esta área do conhecimento passou
a ser chamada de “tecnologia da informação e comunicação”.
Sem dúvida, as TICs provocaram uma revolução no que se refere
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ao acesso à informação. Diminuíram caminhos que antes eram tortuosos

68
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

e demoravam para serem percorridos. Por exemplo, a Internet permite


conectar por voz, vídeo e som pessoas separadas fisicamente por milhares
de quilômetros em poucos segundos, o que até pouco tempo atrás era im-
pensável.
E é claro que apresentam impacto na educação. Um professor pode
dar sua aula para vários alunos simultânea e geograficamente dispersos
por meio de um canal eletrônico como a Internet, via satélite e outras for-
mas e interagir com eles em tempo real.
Da mesma forma, as empresas podem utilizar estes mecanismos
como apoio à divulgação e comercialização de seus produtos e serviços.
A tomada de decisão fica facilitada, pois a informação é mais rápida, mais
precisa, mais ágil.
Ainda continuando com a definição de TIC, como já foi citado, tra-
ta dos procedimentos, métodos e equipamentos utilizados para o proces-
samento da informação e comunicação aos seus interessados.
O uso das TICs e a maneira como as organizações em geral, pessoas
e a sociedade como um todo as usaram influenciou profundamente o apa-
recimento da chamada “sociedade da informação”.
Temos percebido quanto o ser humano, a informação e o computa-
dor estão conectados. Na verdade, isto é a base da Sociedade da Informa-
ção. Notamos um crescente uso de computadores e uso das telecomunica-
ções, o que nos proporciona ter mais acesso à informação.
Autores como Pierre Levy e Manuel Castells definem a tecnologia
da informação e comunicação como sendo o conjunto de procedimentos,
métodos e equipamentos que processam a informação e propagar no con-
texto da Revolução Informática, Revolução Telemática ou Terceira Revo-
lução Industrial. Desenvolveram-se gradualmente desde a segunda meta-
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

de da década de 1970 e, principalmente, nos anos 90 do mesmo século.


Estas tecnologias tornaram mais ágil e menos palpável o conteúdo
da comunicação, por meio da digitalização e da comunicação em redes
para a captação, transmissão e distribuição das informações que podem
assumir a forma de texto, imagem estática, vídeo ou som.

69
Tecnologia da Informação e Comunicação

4.2  Aplicações das TICs


As TICs podem ser aplicadas em três áreas, conforme explicita a
figura 1 e segundo (RAMOS, 2008):

Áreas de
aplicação das
TICs

Controle e
Computação Comunicação
automação

Figura 1 – Áreas de aplicação das TICs


RAMOS, 2008.

Na figura 1, existem diversos exemplos de aplicações em cada área


que revolucionaram o quotidiano de pessoas e empresas.
O termo computação provém da palavra computar, que significa cal-
cular ou contar. Um computador é o instrumento que faz essa função. Um
computador não é um sistema inteligente por definição. A vantagem que
ele possui sobre nós é que as operações que ele executa são extremamente
rápidas. Estas operações são programadas por pessoas e, é claro, podem
estar sujeitas a erros.
A palavra informática significa o tratamento da informação por
meios automáticos. Considerando o estado atual da tecnologia, o com-
putador e os sistemas eletrônicos em geral são o meio usado para este
tratamento.
O computador representa a parte física da computação, também
chamado de hardware. O hardware é, portanto, o conjunto de componen-
tes eletrônicos e mecânicos que formam o computador. Além do hardware
temos o software, que representa a parte lógica, intangível, ou seja, o con-
junto de instruções e dados que são processados pelo hardware. O softwa-
re é o que transforma o computador útil para as pessoas.
Normalmente encontramos a palavra hardware associada a todos os
equipamentos incorporados em produtos que necessitam de processamen-
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to computacional, como, por exemplo, equipamentos hospitalares, parte


eletrônica de automóveis, telefones celures e outros.
Existe um termo, pouco falado, mas definido por RAMOS (2008),
chamado burótica. A burótica é a junção das palavras bureau (escritório)
70
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

com a palavra informática. Sendo assim, burótica é a aplicação da infor-


mática em ambientes de escritório com o objetivo de realizar as tarefas
típicas desse ambiente, como, por exemplo, a organização de dados, o
processamento de texto, a reprodução de documentos, a transmissão e
recepção de informação sob diversas formas e execução de tarefas asso-
ciadas à gestão.
WIKIPEDIA

Figura 2 – Sala de videoconferência

A figura 2 mostra uma aplicação das TICs em relação à burótica.


Trata-se de uma sala equipada com telão, projetor multimídia e aparelhos
de vídeoconferência. Dessa forma, funcionários que estejam longe fisica-
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mente podem reunir-se e fazer a reunião com som e imagem.


A figura 2 também tem relação com a outra grande aplicação das
TICs: a comunicação. A comunicação, desde a antiguidade, é uma necessi-
dade básica do ser humano e consiste na interação que existe entre dois ou
mais participantes em termos de transmissão e recepção de informação.
As telecomunicações têm se desenvolvido de maneira muito rápida
nos últimos anos. Atualmente, são usados diversos meios, como linhas
telefônicas, cabos coaxiais, cabos de fibra ótica, cabos submarinos e siste-
mas de rádio e de satélite.
A seguir, apresentamos alguns exemplos de tecnologias e serviços
de telecomunicações:
71
Tecnologia da Informação e Comunicação

• Tecnologia ADSL: neste tipo de tecnologia, é possível usar linhas


telefônicas convencionais para transmitir dados em alta velocidade;
• Telefones celulares: usam sistemas de rádio para efetuar a comunica-
ção sem fios;
• EDI (Eletronic Data Interchange): Atualmente existem vários servi-
dores de diferentes empresas que trocam informações entre si e per-
mitem estreita colaboração entre fornecedores e clientes;
• O serviço de videoconferência permite a ligação de som e imagens
em tempo real, o que elimina custos de viagem e gastos de tempo.

Outra palavra usada muito pouco, mas que contém um conceito im-
portante, é telemática. Como já é possível perceber, trata-se da junção das
palavras telecomunicações e informática.
Novamente, não é difícil perceber quanto as duas palavras estão
relacionadas. A Internet é um exemplo. É uma grande rede de computado-
res interligados mundialmente que oferece os mais variados serviços por
meio de softwares e equipamentos apropriados.
A última aplicação das TICs é o controle e automação. Esta área
compreende o controle de mecanismos e de processos industriais. Alguns
exemplos típicos desta área são: robótica, a simulação de veículos, o con-
trole de processos por computador, o controle de processos na indústria
química e farmacêutica, além de outros.
A robótica, em especial, é um termo criado pelo escritor Isaac Asimov
no seu livro Eu, Robô (1948). Este livro virou filme nos anos 90 e é muito
interessante. A robótica é uma área bastante abrangente, pois envolve ou-
tras áreas, como a eletrônica, mecânica, eletricidade, física e, além disso,
trata de sistemas (software) compostos de máquinas e partes mecânicas
que são controladas eletronicamente.
Essa tecnologia tem sido muito empregada em montadoras de veí-
culos e indústrias em geral. É uma área em constante desenvolvimento e
tem se mostrado bastante interessante porque reduz o custo de produção e
até mesmo de problemas de trabalho, aumentando a qualidade e a produ-
tividade.
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72
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

WIKIPEDIA

Figura 3 – Um robô industrial e uma tela do software de controle

A figura 3 mostra um exemplo de robô industrial e uma tela de um


software de controle do robô. Normalmente estes softwares são desen-
volvidos e operados por trabalhadores do conhecimento (LAUDON e
LAUDON, 2011).
Os trabalhadores do conhecimento são representados pelos enge-
nheiros, cientistas, arquitetos e outros que contribuem com o seu conhe-
cimento e normalmente projetam produtos ou serviços e criam novos
conhecimentos para a empresa.
Outra área importante das TICs no mundo atual são as aplicações
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CAD/CAM (Computer aided design – desenho assistido por computador


e computer aided manufacturing – manufatura assistida por computador).
Nesta área, encontram-se as aplicações de criação de produtos industriais,
de construção civil (plantas e demais desenhos), desenho industrial e
publicidade. Nestas áreas, o CAD/CAM ajuda muito nos cálculos e na
criação de documentação técnica (desenhos). Em muitos casos, os produ-
tos podem ser visualizados em 3D ainda na fase de concepção, o que traz
muitas vantagens para os projetistas.

73
Tecnologia da Informação e Comunicação

WIKIPEDIA

Figura 4 – Imagem 3D de um sistema CAD.

No caso do CAM, as aplicações residem no campo industrial, prin-


cipalmente na manufatura. O robô mostrado na figura 3 é um exemplo da
aplicação do CAM na indústria. O CAM permite gestão automatizada das
informações e diversos parâmetros relevantes para a produção, bem como
o controle dos equipamentos.

4.3  O impacto das TICs na sociedade


A sociedade como um todo, em particular as organizações, tem pas-
sado por muitas mudanças. Vamos citar alguns fatos relacionados com as
TICs para fundamentar esta afirmação.
Em 2009, as empresas dos EUA investiram quase 1 trilhão de dó-
lares em hardware e software e isso significa mais da metade de todo o
capital daquele país para investimento. Segundo (LAUDON e LAUDON,
2011),�����������������������������������������������������������������
os EUA gastaram 275 bilhões de dólares em consultorias e servi-
ços. Estamos falando de 2009 e certamente na metade da segunda década
dos anos 2000 esta quantia deve ter mudado, e para mais.
Dessa forma, todo este investimento é refletido no ambiente da so-
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ciedade de alguma maneira.


Um fator que comprova isso é a quantidade de abertura de contas
de celulares que ultrapassa o número de aparelhos fixos instalados. Apa-
relhos como os smartphones, softwares de mensagens instantâneas, víde-
74
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

oconferências e outros são fundamentais para os negócios e a sociedade


atualmente. Imagine um grande evento esportivo sem o uso maciço da
tecnologia! Não seria possível nos dias atuais.
Para se ter uma ideia, em 2008 mais de 75 milhões de empresas
tinham um site registrado na Internet. O número de usuários de Internet
cresce de forma muito rápida e há autores que dizem que se você ou sua
empresa não estiver conectado, você não está sendo tão eficiente quanto
poderia.
Os jornais tradicionais ainda existem, porém perde leitores para a mo-
dalidade on-line diariamente. Segundo estatísticas, 106 milhões leem parte
da notícia on-line, 70 milhões leem todo o jornal de maneira on-line e mais
de 1 bilhão de pessoas possui uma conta em alguma rede social digital.
Na área empresarial, as TICs exercem uma grande influência.
Como exemplo, na área de sistemas de informações, os autores
LAUDON e LAUDON (2011) destacam:
• A plataforma de computação em nuvem aparece como uma das gran-
des áreas de inovação empresarial;
• Crescimento do software como serviço;
• Plataforma móvel digital para competir com o PC como sistema ope-
racional;
• Gerentes adotam colaboração on-line e software de redes sociais para
melhorar a coordenação, colaboração e compartilhamento de conhe-
cimentos;
• Aplicações de inteligência empresarial aumentam cada vez mais;
• Reuniões virtuais aumentam;
• Aplicações da Web 2.0 são amplamente adotadas pelas empresas;
• Teletrabalho ganha força no ambiente de trabalho;
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

• Cocriação do valor de negócios: neste caso, a fonte de valor de ne-


gócios passa de produtos para soluções e experiências, e de recursos
internos para redes de fornecedores e colaboração com os clientes.

Mas, sem dúvida, a área em que as TICs possuem maior destaque,


principalmente nas referências bibliográficas, é a área da educação.
Nos últimos anos, notamos o grande aumento do ensino a distância
(EAD) não só no Brasil, mas em todo o mundo. Podemos perceber a grande
oportunidade de estudos pela Internet por meio da disponibilização de cur-
sos de graduação a distância e até mesmo a oportunidade de cursar assuntos
específicos, oferecidos por grandes faculdades espalhadas no mundo.
75
Tecnologia da Informação e Comunicação

Software como serviço (SaaS): os softwares são distribu-


ídos on-line como um serviço de Internet e não mais como um produ-
to “encaixotado” ou sistema customizado.
Web 2.0: a web 2.0 é um termo utilizado há pouco tempo para
representar uma nova geração de serviços e formas de interação pela
Internet. Apesar de ter várias abordagens em torno do conceito, para o
usuário final a maior mudança é poder usar a web como se fosse um
sistema em desktop.
Computação em Nuvem ou Cloud Computing: é um conceito an-
tigo que foi reinventado há pouco tempo. A computação em nuvem usa
recursos compartilhados na Internet para prover recursos de armazena-
mento, processamento e outros para os usuários finais.

Sites como o Coursera, que oferece várias possibilidades de estudo


de assuntos específicos e até mesmo cursos completos, estão cada vez
mais populares na Internet. Alguns oferecem cursos gratuitos e outros
possuem um esquema de ser gratuito até certo ponto e depois ter algum
tipo de pagamento. Esta modalidade de curso tem sido chamada de Open-
CourseWare (OCW).
Atualmente, existe um termo usado nas empresas chamado BYOD
(Bring Your Own Device – Traga seu próprio equipamento). Você também
vai encontrar esse termo como consumerização de TI. Este termo é muito
interessante para analisarmos o grande impacto que as TICs exercem na
sociedade como um todo.
Nos dias atuais, com o barateamento dos equipamentos como tele-
fones celulares, tablets e computadores, eles têm se tornado mais acessí-
veis para as pessoas. Como exemplo, a quantidade de celulares existentes
no Brasil é maior que o número de habitantes! É
muita coisa!
Conexão:
Acontece que as pessoas acabam
Alguns sites que oferecem
sendo influenciadas pela tecnologia dis- cursos de qualidade gratuitos e
ponível, compram esses dispositivos pagos:
www.coursera.org
mais modernos e gostariam de ter a
www.veduca.com.br
oportunidade de usá-los em todos os
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ocw.mit.edu: portal de cursos do MIT


ambientes que frequenta. ocw.unicamp.br
Se a pessoa é aluno de uma es-
cola, certamente que gostaria de levar
seu dispositivo às aulas para poder usar os
76
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

recursos de Internet durante a aula como anotações, criação de figuras etc.


Se vários alunos da mesma classe usam o recurso com sabedoria durante
a aula, eles podem compartilhar as anotações e ter uma experiência de
aprendizado melhor. No ensino presencial, notamos que o uso de laptops
e tablets como substitutos aos cadernos tradicionais tem aumentado cada
vez mais entre os alunos.
O mesmo pode ocorrer nas empresas ou seja, o funcionário pode
possuir um laptop ou tablet e ter o desejo de usá-lo como ferramenta de
trabalho. Muitas vezes o aparelho levado pelo usuário é muito mais mo-
derno do que aqueles oferecidos pela empresa.
Essa é uma discussão abrangente, pois envolve vários assuntos: se-
gurança de informações, ética e outros, porém não podemos desconsiderar
que é uma realidade.
De acordo com algumas fontes (STANISCI, 2010), as TICs têm
causado um grande impacto na educação, em alguns países de uma ma-
neira bastante interessante. Segundo o site, todas as crianças e jovens em
idade escolar no Uruguai já possuem o seu próprio computador pessoal,
assim como os professores da rede pública. Esta iniciativa faz parte de um
plano do governo uruguaio e tem apresentado bons resultados.
Interessante também é que o governo brasileiro também tem um
programa semelhante, chamado de “Um computador por aluno”, porém
ainda não foi “pra frente” como aconteceu naquele país. Segundo o site
do UCA (Um Computador por Aluno – www.uca.gov.br), os dados mais
recentes são de 2010.
No caso do Uruguai, os computadores foram adaptados às necessi-
dades dos estudantes. Trata-se de laptops à prova d’água e com teclados
de tamanho reduzido para melhor uso das crianças.
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Ainda na área da educação, existem vários produtos atuais que aju-


dam tanto professores e alunos no dia a dia em sala de aula.
Um dos exemplos é o ambiente virtual de aprendizagem (AVA).
AVA é um conceito, e não um produto de uma empresa. O AVA também
pode ser conhecido como LMS (Learning Management System) em al-
guns ambientes. Trata-se de um software que agrupa em uma mesma pla-
taforma vários tipos de recursos, que podem ser usados pedagogicamente.
Dentro dele é possível integrar vários tipos de mídias, linguagens e recur-
sos além de apresentar informações organizadas e desenvolver interações
entre alunos e formadores.

77
Tecnologia da Informação e Comunicação

Ainda em relação ao impacto das TICs na sociedade, observe o grá-


fico 1. Ele mostra um significativo aumento em quatro anos em relação ao
número de usuários que usam o computador todos os dias da semana, em
contraposição ao decréscimo de usuários que usam pelo menos uma vez
por semana.
São dados nacionais e importantes que concordam com o que esta-
mos tentando mostrar no texto, ou seja, a tecnologia impacta sensivelmen-
te a sociedade moderna.

100
Todos os dias ou Pelo menos uma
90 quase todos os dias vez por mês
80 Pelo menos uma Menos de uma
vez por semana vez por mês
67 69
70
60
60 58
53
50

40 35
30 30
30 24 23
20
10 9 9
10 7 7
2 3 2 1 1
0
2008 2009 2010 2011 2012

Gráfico 1 – Proporção de usuários de Internet, por frequência do acesso individual (2008


– 2012).
Disponível em: <http://www.cetic.br/publicacoes/2012/tic-domicilios-2012.pdf>.

Veja o ���������������������������������������������������������
gráfico 2������������������������������������������������
e observe o grande aumento de usuários que pos-
suem acesso à Internet da própria casa.
Tanto o gráfico 1 quanto o gráfico 2 são proporcionais ao número
de usuários de Internet considerados no período (81 milhões em 2012
segundo o TIC Domícilios e Empresas 2012, disponível em http://www.
cetic.br/).
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78
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

100
Em casa Centro público
90 de acesso gratuito
Centro público
80 de acesso pago 74
70 68

60 56
48 48
50

40 45 35
42
27
30
19
20

10 4 4 4 6 4
0
2008 2009 2010 2011 2012

Gráfico 2 – Proporção de usuários de Internet, por local de acesso individual (2008 – 2012).
Disponível em: < http://www.cetic.br/publicacoes/2012/tic-domicilios-2012.pdf>.

O site Socialnomics (QUALMAN, 2013) possui vários vídeos


mostrando alguns dados muito expressivos a respeito do uso das mídias
digitais no mundo moderno. Seguem alguns dados presentes na pesquisa
feita pelo site:
• O Facebook possui mais de 1 bilhão de usuários;
• Se o Facebook fosse um país, ele teria a terceira maior população do
mundo e o dobro da população dos EUA;
• Mais de 50% da população do mundo têm menos de 30 anos;
• A cada dia, 20% das pesquisas do Google nunca tinham sido feita antes;
• Em 10 anos, 40% das empresas da Fortune 500 não existirão mais;
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• A mídia social ultrapassou a busca por pornografia na Internet;


• Um a cada cinco casais se conhecem pela Internet; 3 em cada 5 casais
gays se conhecem pela Internet;
• Um a cada cinco divórcios culpa o Facebook;
• A cada segundo, duas pessoas se cadastram no Linkedin;
• A cada minuto, 72 horas de vídeos são postados no Youtube;
• Se a Wikipedia fosse um livro, ela teria 2,25 milhões de páginas;
• Lady gaga, Justin Bieber e Katy Perry têm mais seguidores no Twitter
do que toda a população da Alemanha, Turquia, África do Sul, Cana-
da, Argentina, Reino Unido e Egito ... juntos!

79
Tecnologia da Informação e Comunicação

O site apresenta outras estatísticas. São números grandiosos e até


mesmo assustadores e que mostram quanto a tecnologia está presente na
vida das pessoas. Essas informações na mão de pessoas que sabem tra-
balhar os dados, são preciosíssimas para as empresas que trabalham com
marketing e comunicação.
Existem muitas outras aplicações das TICs na sociedade. Em cada
área do conhecimento, podem-se citar vários exemplos e aplicações.
Apresentamos alguns exemplos, mas você vai perceber que há muitos
outros semelhantes. Observe-os e analise o impacto que eles causam no
seu dia a dia.

4.4  Relação dialética entre a sociedade e as TICs


A palavra dialética provém da junção de duas palavras: do grego
dia, que significa “troca”, e lekticós, que significa “apto à palavra”. Então,
o termo dialética tem a mesma raiz de diálogo.
Uma relação dialética implica uma contínua relação recíproca em
que nenhum dos elementos participantes podem ser entendidos isolada-
mente e fora do contexto da sua realidade e sem as relações constantes de
determinação mútua.
A relação dialética entre sociedade, ciência, informação e tecnologia impli-
ca que cada um dos termos desta relação estão relacionados uns com os outros e
não podem ser entendidos separadamente, como mostrado na figura 5.

A tecnologia A sociedade
determina determina
impacto na impactos na
ciência e na ciência e na
sociedade tecnologia

A ciência determina
impactos na
sociedade e na
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tecnologia

Figura 5 – Relação dialética entre ciência, tecnologia, informação e sociedade

80
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

Observe um exemplo desta relação: o telefone celular.


É uma necessidade básica da sociedade, do ser humano. Por meio
de investigações científicas e experimentos, acumulando-se o conheci-
mento ao longo dos tempos, foi inventado o telefone, que possibilita a
comunicação em longas distâncias.
Ao longo do tempo, essa tecnologia foi se aprimorando, tornando a
comunicação mais rápida, mais confiável, mais audível e estabelecida de
diversas formas: via cabos, via satélite etc.
A ciência possibilitou esse avanço, inclusive deu às pessoas a opor-
tunidade de se comunicarem em deslocamento, ou seja, com mobilidade.

Como funciona o celular?


Como o nome já nos dá a dica, ele funciona por meio de células.
O aparelho celular nada mais é do que um aparelho de rádio de ondas
curtas. O aparelho fica conectado a uma central que identifica o apa-
relho na região em que a central atua (a célula). Com o uso de várias
centrais, várias células, é possível a comunicação de um aparelho a
outro lugar. Quando a distância de uma célula à outra é muito grande,
a comunicação é interrompida e ocorre o que chamamos popularmente
de “perda de sinal”. Conforme o usuário do telefone se movimenta, de
célula para célula, existe uma sincronização de sinais entre as centrais
e isso permite ao usuário se deslocar enquanto fala.

Este avanço é claro que foi possível com o uso da tecnologia. Con-
forme a ciência avançava, a tecnologia caminhava juntamente. Já vimos
esse assunto no primeiro capítulo.
Portanto, a sociedade começou a demandar esta necessidade: de
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fazer com que as pessoas se comunicassem em qualquer lugar que esti-


vessem, usando o seu próprio aparelho, dando origem assim à telefonia
celular móvel.
E assim, com o uso cada vez maior do celular, outras facilidades
foram incorporadas a ele, sempre com o auxílio da tecnologia, com o su-
porte da ciência.
Atualmente, podemos tirar fotos com o celular e, em alguns casos,
as fotos possuem qualidade melhor do que muitas câmeras fotográficas
tradicionais, trocar mensagens instantâneas e rapidamente, acessar à In-
ternet, sincronizar contatos e agenda, enfim, muitas possibilidades, até
mesmo assistir à televisão!
81
Tecnologia da Informação e Comunicação

É interessante notar que essas facilidades possibilitaram até mesmo


a troca de função do telefone celular: muitas pessoas preferem usá-lo para
trocar mensagens instantâneas do que falar pelo telefone.
Esse é um exemplo de como a tecnologia muda o comportamento
das pessoas e da sociedade.
O exemplo nos mostra que a sociedade demandou uma necessidade
de novos conhecimentos por meio da ciência e esta demandou o desenvol-
vimento de novas tecnologias de comunicação. O aparelho celular, então
representante da tecnologia e ciência na relação, fez com que novos com-
portamentos e formas de comunicação aparecessem na sociedade.
Dessa forma, mostra-se a relação dialética entre tecnologia, infor-
mática, comunicação e sociedade. A figura 6 apresenta um esquema do
que seriam as células na telefonia celular.
Estações rádio base
Células

Sinal

Figura 6 – Esquema de rede de telefonia celular

Neste texto, tentamos mostrar as diferentes abordagens sobre a re-


lação entre ciência, sociedade e tecnologia. Porém, é importante entender
que cada uma das abordagens reflete um momento histórico na evolução
do homem atual e, como tal, as abordagens incluem crenças, valores, ar-
gumentos e conhecimentos próprios do cenário e do período evolutivo da
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ocasião.
De qualquer forma, podemos chegar a algumas conclusões impor-
tantes para o profissional da área de TIC:

82
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

Existem conceitos diferentes a respeito da sociedade, da ciência e


da tecnologia que variam de acordo com o período histórico, a cultura, o
contexto e a abordagem que lhes são atribuídos. A tecnologia, informação
e a ciência, juntamente com a sociedade, mantêm uma relação dialética
contínua entre si que está em constante interação e determinação mútua de
impactos em sua evolução.

Atividades
01. Dê um exemplo de aplicação das TICs na área de comunicação dife-
rente do que vimos no texto. Explique-o.








02. Dê um exemplo de aplicação das TICs na área de computação diferen-


te do que vimos no texto. Explique-o.






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03. Qual a diferença entre computação, informática e tecnologia da infor-


mação?






83
Tecnologia da Informação e Comunicação

04. Além dos exemplos dados no texto, qual outra aplicação das TICs
você poderia comentar? Dê um exemplo e comente-o.






05. No texto, usamos o aparelho celular para explicar a relação dialética


entre as TICs e a sociedade. Comente outro exemplo que explica essa re-
lação.






06. Existem muitas aplicações das TICs na educação. Pesquise algumas


delas na Internet e comente aquela aplicação que você achou mais interes-
sante. Explique o motivo.






Reflexão
As TICs têm dado origem a uma autêntica revolução em diversas
profissões e atividades na investigação científica, na concepção e gestão
de projetos, no jornalismo, na medicina, nas empresas, na administração
pública, na arte e na escola. Certamente estamos cercados pela tecnologia.
Porém, resta-nos saber aproveitar suas oportunidades e poder estabelecer
uma relação de paz entre a sociedade e as TICs. De fato, as TICs são um
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fator de inovação em vários segmentos da sociedade que proporcionam


novas práticas de trabalho, de comportamento que nos fazem aprender a
obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir novas com-
petências.
84
Tecnologias da Informação e Comunicação – Capítulo 4

Leitura recomendada
O livro Eu, Robô é uma leitura bastante interessante. A robótica possui
três leis fundamentais, elaboradas pelo autor, Isaac Asimov, que são bastante
discutidas no livro. O livro teve uma adaptação para o cinema que, mesmo sendo
um filme de ação, trata dessas três leis.
No link http://www.edrev.info/reviews/revp49.pdf, temos uma resenha so-
bre o livro A Galáxia Internet de Manuel Castells. Trata de um texto em que o
leitor vai encontrar vários assuntos relacionados com as transformações sociais
que fizeram a Internet aparecer no final do século XX.
O livro O que é virtual?, de Pierre Levy, é uma excelente obra sobre as
questões de que tratamos neste capítulo. Existe uma resenha interessante em
http://www.citador.pt/biblio.php?op=21&book_id=948 que pode dar uma noção a
respeito do livro.

Referências bibliográficas
LAUDON, K.; LAUDON, J. Sistemas de informações gerenciais. 9.
ed. São Paulo: Pearson, 2011.

PACIEVITCH, T. Tecnologia da informação e comunicação. Infoes-


cola, 2014. Disponível em: <http://www.infoescola.com/informatica/
tecnologia-da-informacao-e-comunicacao/>. Acesso em: 10 jun. 2014.

PORTAL EDUCAÇÃO. Tecnologias da informação e comunicação.


Portal Educação, 2014. Disponível em: <http://www.portaleducacao.
com.br/informatica/artigos/53824/tecnologias-de-informacao-e-comu-
nicacao-tics>. Acesso em: 10 jun. 2014.
EAD-14-Tecnologia da Informação e Comunicação – Proibida a reprodução – © UniSEB

QUALMAN, E. Social Media Video 2013. 2013. Disponível em:


<http://www.socialnomics.net/2013/01/01/social-media-video-2013/>.
Acesso em: 10 jun. 2014.

RAMOS, S. Conceitos básicos em TIC. Livre, 10 jan. 2008. Disponível


em: <http://livre.fornece.info/>. Acesso em: 10. jun. 2014.

85
Tecnologia da Informação e Comunicação

STANISCI, C. MEC apresenta ações para estimular uso das TICs nas
escolas durante conferência. 2010. Disponível em: <http://blogs.esta-
dao.com.br/ponto-edu/mec-apresenta-acoes-para-estimular-uso-das-
tics-nas-escolas-durante-conferencia/>. Acesso em: 10 jun. 2014.

WIKIPEDIA. Tecnologias da informação e comunicação. Wikipedia,


2012. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologias_da_
informa%C3%A7%C3%A3o_e_comunica%C3%A7%C3%A3o>.
Acesso em: 10 jun. 2014.

No próximo capítulo
No próximo capítulo, estudaremos algumas questões relacionadas
com a ética, aspectos legais e profissionais envolvidos na relação e uso
das TICs. Além disso, analisaremos TI Verde e sustentabilidade, que é um
assunto bastante importante atualmente.
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86
Aspectos Éticos,
Legais e Profissionais, TI
Verde e Sustentabilidade
5 É um dever do profissional de qualquer
área da TI conhecer alguns aspectos além dos
lo
aspectos técnicos. Durante a época dos estudos na
graduação, muitos alunos anseiam pela parte técnica e
ít u

não dão a devida atenção aos elementos que farão parte


do seu cotidiano após a conclusão do curso.
Cap

Os aspectos relacionados com o exercício da profissão, como


conhecer as principais referências de informação da área de TI,
tratar com temas ambientais, é muito importante.
Neste capítulo, iremos tratar de alguns destes assuntos e tentar
despertar o interesse em áreas que, assim como as demais, mais
técnicas, também demandam bons profissionais. Ainda mais na área
de regulamentação da profissão no Brasil, que já é um assunto bem
antigo, como veremos.
Esperamos que você aproveite bastante os ensinamentos deste capítulo,
pois certamente eles irão fazer parte de sua vida profissional posterior-
mente.

Objetivos da sua aprendizagem


O objetivo deste capítulo é estudar os seguintes tópicos:
• aspectos éticos e legais relacionados ao exercício profissional na área
de TI;
• mercado de trabalho na área de TI e tendências;
• regulamentação da profissão na área de Tecnologia da Informação;
• TI Verde e Sustentabilidade;
• informatização das Empresas;
• conceito de sustentabilidade;
• conceito de Tecnologia da Informação (TI) Verde ou Com-
putação Verde;
• melhores práticas e experiências em TI Verde.
Você se lembra?
Em 1992, houve uma conferência no Rio de Janeiro chamada Eco
92. Você já era nascido(a)? Os objetivos desta conferência eram discutir e
tomar decisões a respeito da degradação ambiental já existente e garantir
melhor qualidade de vida para as próximas gerações. Foi a primeira vez
que mundialmente foi discutida a questão da TI Verde e sustentabilidade
na área de TI. Quando puder, procure saber sobre a Eco 92, pois é uma
excelente fonte de informação!
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Introdução
Alguns assuntos a serem tratados neste capítulo são bem antigos. E,
para conhecê-los melhor, precisamos saber de algumas referências nacio-
nais e mundiais na área de computação.
O termo “Tecnologia da Informação” é recente. É um termo muito
usado comercialmente, porém academicamente é um conceito relativa-
mente novo. Se formos procurar a respeito da história da tecnologia da
informação, vamos achar os mesmos componentes e fatos da história da
“computação”, que é o termo original.
Tocamos nesse assunto porque mundialmente existem algumas
associações de classe que são muito influentes na área de computação e
informática e surpreendentemente ignoradas pela maioria dos “profissio-
nais de TI”. Essas organizações são a IEEE (Institute of Electrical and
Electronic Engineers), ACM (Association of Computing Machinery),
IEEE Computer Society e nacionalmente a SBC (Sociedade Brasileira de
Computação).
São essas associações que estudam
Conexão:
os currículos de cada área da compu- Para conhecer um pouco mais
tação, recomendando disciplinas e sobre as associações aqui menciona-
sequenciamento de estudos, elabo- das, convidamos você a acessar os links:
IEEE (Institute of Electrical and Electronic
ram códigos de ética como referên- Engineers): www.ieee.org
cia, criam os padrões (de rede por IEEE Computer Society: www.computer.org
exemplo) usados no nosso dia a dia, ACM (Association of Computing Machinery):
possuem comunidades ativas e cola- www.acm.org
SBC (Sociedade Brasileira de Compu-
borativas em prol do desenvolvimento tação): www.sbc.org.br
da área de computação e informática
nacional e mundialmente.
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Conhecer essas associações, talvez pos-


suir uma afiliação, é muito importante. Por exemplo, citamos o caso dos
padrões de rede: um profissional da área de rede deve (e tem de) conhecer
o padrão IEEE 802.11. Como vemos, o IEEE é quem criou e publicou este
padrão, mundialmente aceito e usado.
Nestas associações, existem comunidades de profissionais, acadê-
micos e demais colaboradores que, como dissemos, estudam, colaboram e
organizam publicações que podem ser consultadas a fim de nos guiar em
várias áreas.
Portanto, para estudar os assuntos deste capítulo, usaremos essas
associações como referência.
89
Tecnologia da Informação e Comunicação

5.1  Aspectos éticos e legais relacionados ao exercício


profissional na área de TI
Os sistemas de computação estão cada dia mais presentes na nossa
vida. Em todo lugar que vamos, a passeio ou não, conseguimos identificar
algum elemento que esteja informatizado ou on-line.
E será cada vez “pior”. Há benefícios e malefícios dessa invasão
tecnológica que sofremos. Ao mesmo tempo que é bom sabermos a loca-
lização física e geográfica de um parente pelo celular, é ruim saber que os
nossos passos estão sendo armazenados em um banco de dados. Quando
gostamos de um determinado assunto numa rede social e o marcamos,
essa preferência também é armazenada e, posteriormente, com o conjunto
do que gostamos, é possível para os computadores traçarem um possível
perfil que possuímos e assim nos atingir com informações a respeito da-
quele perfil.
E por aí vai, esse conjunto de dados acumulados é chamado atu-
almente de Big Data. Porém, isso nos leva a pensar em algumas coisas.
Querendo ou não, estamos sendo rastreados e por que não dizer vigiados?
Isso é bom? É ruim? Como profissionais da computação, precisamos ado-
tar algumas posturas, principalmente em relação à ética.
A ética em computação pode abranger, de acordo com MASIERO
(2000) e ACM (1992), os seguintes assuntos:
• Profissionais da computação
• Usuários e clientes
• Ser humano

A ética é uma área bastante estudada e cheia de discussões. Para o


nosso contexto, vamos tentar aplicá-la à nossa área de computação e in-
formática. Em primeiro lugar, se vamos aplicá-la, estamos nos referindo
à conduta diária de uma pessoa. No campo profissional, a aplicação se dá
com a conduta da pessoa a qual está atribuída a uma determinada profis-
são em particular.
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No caso da ética em computação, como já vimos, podemos conside-


rar principalmente o profissional em computação e seus usuários.
Neste caso, os principais pontos de discussão que envolvem a ética
em computação, de acordo com MASIERO (2000), ACM (1992), SBC
(2013). são:

90
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Segundo a entrevista do filósofo Mario Sergio Cortella


para o Instituto Ethos, disponível em http://www.rts.org.br/entre-
vistas/entrevistas-2007/mario-sergio-cortella/, Ética é o conjunto de
valores e princípios que utilizamos para decidir nossa conduta em sociedade.
É o que orienta nossas ações em relação às três grandes questões da vida
humana ― querer, dever e poder ―, que são exatamente os territórios da
nossa ação. (...) Aquilo que nos faz conviver de forma fraterna. A palavra
“ethos” significa, portanto, o lugar onde nos abrigamos, no qual é preciso
haver princípios e valores que permitam a convivência. Esse conjunto de prin-
cípios e valores é exatamente o que chamamos de ética, ou seja, as regras
da casa. A palavra “ética” remonta à ideia de vida coletiva. Seria impossível
pensar em ética se só existisse o indivíduo. A ética faz sentido apenas porque
vivemos em conjunto. Portanto, ética tem a ver com o plural, não com o sin-
gular.”

• Desenvolvimento de sistemas: as questões éticas neste caso envol-


vem a responsabilidade com o cliente e sua participação a fim de
garantir um produto adequado e com qualidade, além de reduzir os
riscos no desenvolvimento.
• Automação de decisões: neste caso, elementos como o nível de auto-
mação de um sistema estão envolvidos a fim de garantir a distribuição
adequada entre as tarefas executadas pelo computador e pelo usuário.
Além disso, envolve garantir o conteúdo correto para a correta toma-
da de decisão.
• Violação da informação: estas questões envolvem o acesso aos
dados armazenados a fim de garantir a confidencialidade dos dados
envolvidos; a violação da comunicação, para garantir e respeitar a
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segurança da comunicação; e os danos ao sistema computacional,


principalmente relacionado, com vírus.
• Internet: as questões tratam de conteúdos de sites, para poder garan-
tir a veracidade e qualidade da informação, e do comércio eletrônico,
para garantir a segurança e integridade das transações e o estabeleci-
mento de regras bem definidas.
• Sistemas críticos: são sistemas em que as falhas podem causar danos
severos (inclusive morte) e danos ao meio ambiente. Exemplos: sis-
temas de controle de aeronaves, sistemas médicos, controle químico
etc. Neste caso, eles precisam de técnicas de avaliação e desenvolvi-
mento que garantam a segurança do sistema.
91
Tecnologia da Informação e Comunicação

Os problemas com relação à ética na computação estão relacionados


ainda com a forma de como os problemas éticos tradicionais são agrava-
dos ou transformados pela TI. Além disso, envolvem a definição de polí-
ticas sobre o que é e o que não é adequado sobre o uso de TI. Ainda men-
cionam como o impacto da TI atua sobre os valores humanos, tais como
saúde, riqueza, oportunidades, liberdade, democracia, conhecimento, pri-
vacidade, segurança, realização pessoal etc., além de atuarem nos padrões
de conduta de profissionais da computação, ou seja, a ética profissional.
Para tanto, as associações de classe elaboraram códigos de ética de
referência, que são documentos com várias diretrizes orientadoras em vá-
rios aspectos: pessoais, de postura, ideias que são moralmente aceitas ou
toleradas pela sociedade. Dessa forma, o indivíduo pode ser enquadrado
em uma postura politicamente correta e compatível com a boa imagem
que a organização ou profissão deseja ocupar.
Normalmente ele é elaborado pela sua entidade de classe ou orga-
nização competente de acordo com as atribuições da atividade desempe-
nhada.
No caso da computação e informática, um código de ética normal-
mente adotado é o da ACM (1992). Este documento trata basicamente do
comportamento do profissional de TI. O código da ACM trata de:
• Imperativos morais gerais
De acordo com a ACM, os tópicos são:
• devo contribuir para a sociedade e o bem-estar humano;
• devo evitar causar mal/danos a outros;
• devo ser honesto e digno de confiança;
• devo ser justo e agir para não discriminar;
• devo honrar direitos de propriedade, incluindo copyrights e
patentes;
• devo dar crédito adequado à propriedade intelectual;
• devo respeitar a privacidade dos outros;
• devo honrar acordos de confiança.
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• Responsabilidades profissionais específicas


• devo tentar atingir a máxima qualidade, eficácia e dignidade
nos processos e produtos de trabalho profissional;
• devo adquirir e manter competência profissional;
• devo conhecer e respeitar as leis relacionadas ao trabalho pro-
fissional;
92
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

• devo aceitar e prover avaliação (“review“) profissional apro-


priada;
• devo dar avaliações de sistemas de computadores e seu impac-
to de forma compreensiva e completa, incluindo uma análise de
possíveis riscos;
• devo honrar contratos, acordos e responsabilidades designadas;
• devo melhorar o conhecimento público da computação e de
suas consequências;
• devo acessar recursos de computação e comunicação apenas
quando receber autorização para tal.

• Imperativas de liderança organizacional


• articular responsabilidades sociais dos membros de uma unida-
de organizacional e encorajar a aceitação plena dessas respon-
sabilidades;
• gerenciar recursos humanos e materiais para projetar e cons-
truir sistemas de informação que melhorem a qualidade de
vida;
• reconhecer usos autorizados dos recursos computacionais e de
comunicação de uma organização;
• assegurar que usuários e outros que serão afetados por um sis-
tema tenham suas necessidades claramente articuladas durante
a avaliação e o projeto de requisitos; eventualmente, o sistema
deve ser validado contra esses requisitos;
• articular e dar suporte a políticas que protejam a dignidade de
usuários e outros afetados por um sistema computacional;
• criar oportunidades para que os membros da organização
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aprendam os princípios e limitações de sistemas computacio-


nais.

O código de ética recomendado pela ACM é interessante, porém há


um problema que ocorre no Brasil: a falta de regulamentação da profissão.
Sendo assim, o que adianta adotar um código de ética que pode não ser
seguido pelos profissionais regulamentados? No Brasil nem todos concor-
dam com a regulamentação e isso ocasiona vários debates desde a década
de 1980. No próximo tópico, iremos estudar um pouco mais sobre o mer-
cado de trabalho e a regulamentação da profissão.

93
Tecnologia da Informação e Comunicação

5.2  Mercado de trabalho na área de TI e tendências


A TI é uma área que envolve programadores, engenheiros de
software, administradores de rede, entre outros. Há muita confusão quan-
do se fala dos profissionais de TI. É comum confundi-los com os pro-
gramadores, por exemplo. Mas o programador é uma carreira específica
dentro do universo da Tecnologia de Informação.
Tecnologia da Informação (TI) é a área de conhecimento
responsável por criar, administrar e manter a gestão da infor-
mação através de dispositivos e equipamentos para acesso,
operação e armazenamento dos dados, de forma a gerar in-
formações para tomada de decisão (WIKIPEDIA, 2014).

As profissões dessa área não são regulamentadas, como acontece


com diversas outras áreas de conhecimento. Este fato torna difícil o mape-
amento da área de atuação dos profissionais de tecnologia. Veremos isso
no próximo tópico.
Observando as vagas disponíveis para estes profissionais, é possível
selecionar algumas áreas e profissões de TI, com suas ramificações. A
figura 1 mostra um QR code que liga para a página de carreiras e salários
na área de TI da Info Exame. Convido você a acessar o link e observar a
tabela.

Figura 1 – Tabela de cargos e salários da Info Exame


Disponível em: <http://info.abril.com.br/carreira/salarios/>.

As empresas que utilizam os serviços de profissionais de TI tam-


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bém dividem as funções e cargos em níveis, de acordo com a capacidade


profissional dentro do cargo, por exemplo: o cargo Analista de Sistemas
costuma ser dividido em Analista de Sistemas Trainee, Analista de Sis-
temas Júnior, Analista de Sistemas Pleno e Analista de Sistemas Sênior.
Geralmente, a remuneração é diferenciada de acordo com o nível: quanto
maior o seu nível, maior a remuneração.
94
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Há também os profissionais freelancers e autônomos, que, motiva-


dos pelo perfil empreendedor, atuam na prestação de serviços formais e
informais, movimentando grande volume de recursos do mercado.
O Mercado de trabalho de TI tem crescido muito nos últimos anos,
demonstrando a importância cada vez maior desta área para os negócios.

5.3  Mercado de trabalho


Até 2015, o mercado brasileiro de TI experimentará taxa de cresci-
mento anual de 9,9%. As companhias da América Latina vão investir 384
bilhões de dólares em TI até 2015 e o Brasil responderá por mais de 40%
dos negócios (TI INSIDE, 2012).
Entre as tecnologias que vão levar a maior parte dos orçamentos
estão soluções para cloud computing, mobilidade, redes sociais e geren-
ciamento de Big Data.
O setor de Sistemas da Informação foi o que teve maior índice de
crescimento em toda a economia nacional, alcançando 4,9% em 2012
(JORNAL DO BRASIL, 2012). Esta é uma oportunidade importante para
o setor se estruturar cada vez mais, solucionando problemas como o défi-
cit de mão de obra, a falta de regulamentação e o aumento dos salários de
entrada da categoria.
É um mercado estratégico, que precisa se organizar melhor. As pro-
fissões precisam ser regulamentadas e os salários ajustados para a realidade
do mercado. A média dos salários dos trabalhos de TI é de R$ 2.950 reais,
o que representa muito pouco, quando comparado com os salários de ou-
tras profissões estratégicas (BRASSCOM, 2012). Em tempo, a Brasscom
é a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e
Comunicação e recomenda um código de ética para os seus associados.
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Segundo pesquisa feita na CATHO (2014), utilizando 5 palavras-


-chave para os cargos, verificou-se a existência das seguintes vagas para
os profissionais da área de TI:
• Webdesigner – 269 vagas • Programador – 2.552 vagas
• TI – 19.534 vagas • E-commerce – 115 vagas
• Internet/Web – 800 – vagas • Gestor de TI – 159 vagas

Todas as vagas estão distribuídas entre todas as carreiras da área de


TI, como gerência, desenvolvimento, infraestrutura, consultoria, seguran-
ça, entre outras.

95
Tecnologia da Informação e Comunicação

Além do número de vagas disponíveis, também podemos observar


os valores salariais para estes profissionais no guia salarial, que traz a re-
muneração média oferecida aos profissionais das áreas de tecnologia no
mercado brasileiro, como mostra o link da figura 1.
Ao comparar a pesquisa salarial com guias de anos anteriores, é
possível perceber que houve uma valorização salarial média de 20% dos
profissionais de TI. Vinte por cento em função da alta demanda por estes
profissionais.
Os salários variam de acordo com o cargo
exercido pelo profissional. Observe nova-
mente a tabela do link da figura 1. As Conexão:
A seguir, são apresentados
faixas salariais apresentadas para alguns sites em que são divulgadas
cada cargo representam a média vagas exclusivas na área de informática e
nacional de salário bruto, não in- dicas para a carreira:
www.apinfo.com
cluem bônus e podem variar de
www.ceviu.com.br
acordo com a região e tamanho da www.profissionaisti.com.br
empresa. Veja a seguir a tabela: http://info.abril.com.br/noticias/carreira/10-dicas-
Além da tabela anterior, é para-iniciar-a-carreira-em-ti-06022012-3.shl
possível verificar os valores apre- http://geracaotec.sc.gov.br/?p=546
http://freelati.com/
sentados pela empresa Catho, que fez
um estudo com mais de 260 mil profis-
sionais em 4 mil cidades de todo o país, onde
se verificou a média salarial dos profissionais que atuam no Brasil, em
abril de 2014. Nesta pesquisa, é apresentada a remuneração detalhada de
cada cargo aliada a uma determinada área específica. O ranking faz parte
da “40ª Pesquisa Salarial e de Benefícios da Catho On-line”. Nesta pes-
quisa, o profissional respondeu a um formulário eletrônico com questões
sobre o cargo, remuneração, benefícios, cidade, faturamento da empresa,
sexo, idade, escolaridade, idiomas, entre outros dados.

5.4  Perfil Profissional


Qual é o perfil do profissional de TI? Esta pergunta é importante e
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precisa ser refletida pelos profissionais que desejam atuar neste Mercado.
Os profissionais da área de TI passaram, ao longo das últimas dé-
cadas, a alinhar cada vez mais a área técnica com a área de negócios. A
figura deste profissional como um “nerd” do final dos anos 1970 e início
dos anos 1980 deu lugar a um profissional com formação mais abrangente
e conhecimentos em várias áreas, como: administração, economia, gestão
96
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

de projetos, liderança, empreendedorismo, fluência em idiomas, oratória,


redação, gestão de pessoas, responsabilidade social e ambiental, entre
outras.
A área de TI não é vista mais hoje como uma área de suporte ou de
bastidor. É uma área estratégica dentro das organizações, com forte pre-
sença nos níveis gerenciais da empresa.
As carreiras relacionadas à área de Tecnologia da Informação são
bem diversificadas, o que faz com que o perfil destes profissionais varie
muito, de acordo com as suas áreas de atuação.
Um programador, por exemplo, tem um perfil mais técnico e foca-
do. Esta função exige concentração e o domínio profundo das tecnologias
disponíveis. Seu relacionamento será mais fortemente com os integrantes
de sua equipe de desenvolvimento, portanto uma visão ampla de negócio,
geralmente, não faz parte do perfil deste profissional. Já o Analista de Sis-
temas possui um perfil com ampla visão dos negócios e das necessidades
da empresa e de gestão empresarial. Seu relacionamento pode ultrapassar
as fronteiras da área de TI, pois ele interage com as outras áreas da empre-
sa, sendo necessário que ele tenha um perfil de solucionador de eventuais
conflitos que possam aparecer.
O profissional de TI pode levar a sua carreira para três grandes áre-
as: técnica, atuando na área de programação; desenvolvimento e análise
de sistemas; estratégica, na gestão do departamento de tecnologia em uma
grande empresa; ou uma mistura de ambas, ao criar seu próprio empreen-
dimento.
Algumas pesquisas mostram exigências do mercado, sendo impor-
tante ressaltar, como, por exemplo, a fluência em outro idioma, a experi-
ência profissional, a formação acadêmica e as certificações.
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O conhecimento da língua inglesa é obrigatório e é aceitável que


se conheçam também outros idiomas. A experiência profissional tam-
bém é muito importante e o desligamento amigável do emprego anterior
também representa um ponto positivo, pois é comum o contato entre os
contratantes para discutirem sobre a atuação do profissional. A formação
acadêmica, com formação de nível técnico ou superior, também é uma das
características importantes no perfil do profissional desta área. Por fim, as
certificações funcionam como complemento à formação acadêmica e re-
presentam uma forma de o profissional acompanhar as mudanças tecnoló-
gicas disponíveis no Mercado. Enfim, a formação profissional, juntamente

97
Tecnologia da Informação e Comunicação

com a experiência e as certificações, é um ponto chave no que se espera


dos profissionais desta área.
Além destas exigências essenciais ao profissional de TI, é possível
citar outras características fundamentais para o sucesso na profissão, tais
como capacidade técnica, boa expressão oral e escrita, capacidade de
negociar, noções de gestão empresarial, trabalho em equipe, formação e
aperfeiçoamento continuado, networking, responsabilidade social e am-
biental.
As capacidades técnicas são fundamentais, mas a habilidade de
se relacionar, de negociar e de se comunicar é essencial para estes pro-
fissionais. Comunicar-se bem com os diferentes agentes envolvidos no
processo, como clientes, gestores e outros profissionais, além de ser capaz
de mediar situações de conflitos, são características que diferenciam os
profissionais desta área.
Ter noções de gestão empresarial é outra característica importante,
pois os profissionais precisam possuir conhecimento dos processos em-
presariais para que possam criar e desenvolver ferramentas que possam
agilizar processos e reduzir custos, gerando, assim, diferenciais competiti-
vos para a empresa. Para aqueles que pretendem desenvolver suas carrei-
ras na área gerencial, é necessário o desenvolvimento de uma ampla visão
sobre a empresa em que atuam, para que o departamento de TI torne-se
uma área estratégica, gerando resultados para a organização. Ter conheci-
mento de planejamento, organização, coordenação e controle é fundamen-
tal para a gestão dos recursos na área de TI.
Para aqueles profissionais que desejam atuar na área técnica, é ne-
cessário o aprofundamento nas linguagens de programação atualizadas,
com o conhecimento de novos métodos para o desenvolvimento de solu-
ções e construção de aplicativos. Já para aqueles que desejam empreender
seu próprio negócio, é imprescindível o desenvolvimento de habilidades
para avaliar oportunidades, dimensionar mercado, conseguir financia-
mento e capital de risco, construir times, conhecer as implicações legais e
aprender a lidar com o crescimento de seu empreendimento.
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Independentemente dos caminhos escolhidos, os profissionais de TI


também precisam desenvolver e exercitar valores que facilitem o trabalho em
equipe, como cooperação, colaboração, aceitação de outras ideias e opiniões,
aberturas a críticas, comprometimento e suscetibilidade a mudanças.
O profissional da área de TI tem de estar também em constante
aperfeiçoamento de suas técnicas, pois a área de tecnologia sofre grandes
98
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

mudanças num curto período. O profissional deve estar atento a toda e


qualquer tendência importante para o mercado e sempre aberto às possibi-
lidades de mudança.
A capacidade de criar e explorar redes de relacionamentos é muito
importante no cenário de tecnologia, pois o profissional passa a ter um
leque maior de recursos que ele pode utilizar a seu favor em diversos mo-
mentos de sua carreira. Por fim, os profissionais de TI também precisam
estar cientes de suas responsabilidades sociais e ambientais, buscando fer-
ramentas, processos e recursos que reduzam o consumo, que promovam
maior eficiência e ganhos ambientais e investimento em mecanismos que
promovam o desenvolvimento social.
A tabela 1 mostra a evolução da carreira sugerida para um profis-
sional que queira seguir a carreira de CIO (Chief Information Officer, ou
seja, o profissional responsável por toda a área de TI de empresa).
Perfil técnico
Investimento em certificações em todas as etapas são im-
prescindíveis. Participação em grande número de projetos,
5 ajudando assim na aquisição de experiência e visão crítica.
Fluência em inglês e espanhol. Curso técnico ou superior.
Atuação em segmentos mais específicos, como telecomunica-
ções, redes ou projetos. Upgrades de certificações para o setor
5 a 10 escolhido. Especialização nas áreas de administração, econo-
mias e marketing. Talvez seja necessária uma nova graduação
ou certificação.
Investir em expressão oral e comunicação. Upgrades de
10 a 15 certificação nas áreas de sociologia ou psicologia.
Tempo de merca-
do em anos A essa altura, você já é um especialista referencial em TI.
Talvez seja uma boa hora para mestrado e doutorado. Parti-
15 a 20 cipe do máximo de fóruns e eventos na área. Você já possui
todos os requisitos para atuar como CIO.
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Em média, com 20 anos de atuação de carreira, o profis-


sional já atingiu todos os seus objetivos e pode começar
20 a 25 a pensar em diversificar sua atuação, como, por exemplo,
prestar consultoria ou investir no seu próprio negócio.
Seguir com a carreira, buscar novos desafios, estar atento
+ de 25 às tendências e conhecer todos os detalhes de gestão de
processos.

99
Tecnologia da Informação e Comunicação

Perfil de negócios
No início da carreira, a atitude e a personalidade chamam a
atenção dos gestores para os profissionais com potencial.
5 Uma pós-graduação de alto reconhecimento ou no exterior
é um grande diferencial.
O ideal seria ser coordenador de alguma área ou projeto. O
ideal é abandonar o posto de executar para tornar-se um ges-
5 a 10 tor. Relacionar-se com as pessoas. MBA em área complemen-
tar à sua formação.
Não se acomode. Nesse ponto, você já conhece a empre-
Tempo de merca- 10 a 15 sa amplamente. Adquira mais competências em gestão de
do em anos negócios.
É o momento de tomar decisões importantes com critério
15 a 20 e rigor. A fase mais crítica da profissão não permite erros.
O auge da carreira para quem superou todos os obstáculos
20 a 25 exige excelência na relação com as pessoas. Sua especia-
lização agora são as pessoas.
Preocupe-se com o seu legado. A questão agora é conduzir
uma sucessão produtiva. Esteja atento a outras experiên-
+ de 25 cias e atitudes. Tenha bom senso, seja flexível e assuma
riscos.

Tabela 1 – Evolução do perfil profissional (BAUER, 2006)

Como o mercado da tecnologia de informação tem crescido muito


nos últimos anos e tem, igualmente, sofrido grandes transformações do
ponto de vista técnico e tecnológico, é natural que o perfil dos professio-
nais demandados pelo setor também venha se transformando ao longo do
tempo. Algumas novas habilidades são cada vez mais solicitadas na pro-
fissão: capacidade de adaptação, autodesenvolvimento, jogo de cintura e
proatividade.
Verifica-se que há várias características inerentes ao perfil de TI. E
estas características precisam ser abordadas para auxiliar os futuros pro-
fissionais da área no norteamento de uma carreira de sucesso e de muitas
conquistas.

5.5  Regulamentação da profissão na área de


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Tecnologia da Informação
No tópico sobre código de ética, citamos que somente o código de
ética não é suficiente para garantir uma boa conduta nas organizações e
projetos. É interessante que, assim como existe em outras profissões, que
haja uma regulamentação da profissão.
100
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Este assunto é discutido no Brasil há muito tempo e até hoje não


existe nenhum acordo sobre ele. Existem projetos de lei, porém a prática é
que não há regulamentação suficiente para a área de computação e infor-
mática no Brasil.
A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) mostra-se desfavorá-
vel à regulamentação. De acordo com o seu ponto de vista, a regulamenta-
ção traria burocratização e limites nas funções do profissional. É claro que
existem opositores e já existem no Congresso projetos para a criação do
CONIN (Conselho Nacional de Informática), CREI (Conselho Regional
de Informática) e do CONFREI (Confederação Nacional de Informática).
Existem prós e contras de cada lado e os argumentos favoráveis e
não favoráveis são bem convincentes. Os motivos favoráveis que susten-
tam a criação da regulamentação são:
• os serviços prestados seriam de melhor qualidade;
• formandos qualificados teriam emprego garantido;
• a ética profissional seria mais bem estabelecida;
• trabalhadores anti-profissionais ou anti-éticos não teriam vez no mer-
cado;
• um conjunto de normas técnicas seria criado;
• unificação das variadas profissões da área e nomenclatura apropriada;
• fim da separação entre os profissionais de computação e demais pro-
fissões regulamentadas;
• criação de um conselho de classe específico com normas mais cabí-
veis para a área.

E os desfavoráveis:
• um diploma não é garantia de qualidade, assim como a falta dele não
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significa falta de profissionalismo;


• há uma grande dificuldade em definir quem exerce a profissão devido
a grande quantidade de programadores informais que atuam em ou-
tras áreas;
• seria estabelecido um currículo mínimo, que num contexto dinâmico
como o da informática, torná-se-ía obsoleto rapidamente;
• a velocidade das mudanças no setor dificultaria a definição das atri-
buições do profissional e a legislação não conseguiria acompanhá-las
com seu ritmo lento;
• a sociedade já possui leis suficientes para punir um mal profissional
da informática;
101
Tecnologia da Informação e Comunicação

• normas Técnicas e um código de ética podem ser estabelecidos sem a


necessidade de regulamentação da profissão;
• há necessidade de testes de qualidade apenas para os “produtos”, os
softwares, não para os profissionais;
• devido a reserva de mercado, bons profissionais ficariam fora do mer-
cado;
• a fiscalização só pode ser realizada por outros integrantes da classe.
• aumento do preço dos produtos produzidos pelos “profissionais qua-
lificados”;
• a necessidade de registro para exercer a profissão criaria reserva de
mercado para profissionais estrangeiros, auxiliando o crescimento do
desemprego no Brasil;
• as normas técnicas não poderão dar garantia de qualidade total aos
programas, pois a natureza destes não permite que os programadores
assumam total responsabilidade pelos problemas (bugs) que venham
a apresentar.

5.6  TI Verde e Sustentabilidade


Existem vários tipos de projetos na área de informática que variam
em tamanho (do escopo, duração, equipe, etc) e quantidade de recursos
(humanos e/ou materiais). Durante o planejamento destes projetos, fazem-
se análises do atual parque tecnológico disponível e, muitas vezes, é ne-
cessária a substituição de alguns equipamentos, como servidores, desktops
e compra de outros dispositivos. É claro que isso varia de caso para caso.
Para não divagarmos em uma situação empresarial, vamos tomar
como exemplo a nossa situação doméstica: a informática evolui, nosso te-
lefone celular passa a ficar obsoleto, vemos uma propaganda de um novo
celular mais potente, com mais recursos etc. O que fazemos com o antigo
aparelho? Ou descartamos, literalmente, vendemos ou damos algum des-
tino para ele.
Mas e o que ocorre com este aparelho? Vira lixo em algum depósito
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de lixo da cidade? É devidamente reaproveitado como material de recicla-


gem? Não sabemos ao certo, não é?
Esse foi um pequeno exemplo de um simples celular. Agora imagi-
ne, em um grande projeto, onde são inseridos servidores, desktops, equi-
pamentos de rede etc.? Perceba que, quanto mais equipamentos usarmos,
mais vamos precisar de energia elétrica para mantê-los funcionando? Os
102
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

aparelhos eletrônicos dissipam calor, mesmo que pouco, mas dissipam.


E sabemos que a alta temperatura no nosso computador faz com que ele
literalmente trave e pare de funcionar, mas e em um data center? Preci-
saremos de mais refrigeração, quer dizer, ar-condicionado e mais energia
elétrica!
A energia elétrica infelizmente não é de graça e, se de mais energia
precisamos, mais fontes de energia serão necessárias. Como sabemos que
a maioria da geração de energia elétrica no Brasil provém de hidrelétricas,
quer dizer que mais recursos destas usinas serão necessários ou talvez
mais usinas deverão ser construídas. Enfim, é uma reação em cadeia.
Contando que a TI está sendo cada vez mais utilizada e nunca retro-
cede, mais recursos naturais serão necessários a cada momento.
É claro que isso sensibiliza a comunidade ambientalista e também
aqueles que têm maior consciência sobre o meio ambiente. Não podemos
ficar parados? Mas como atuar em uma situação que necessita de mais
recursos sem agredir tanto o meio ambiente? É aí que entra a TI Verde!
TI Verde refere-se a tudo que está relacionado com o meio ambien-
te e TI. É o estudo e a prática de projetos, manufatura, uso e descarte de
computadores, servidores e subsistemas associados (monitores, impresso-
ras, dispositivos de armazenamento, dispositivos de rede e sistemas de co-
municação) eficiente e eficazmente com o mínimo (ou sem) de impacto no
meio ambiente. Esta definição foi dada por San Murugesan (Murugesan,
2008) em um dos textos mais clássicos sobre TI Verde.
Uma forma de se conseguir essa eficiência e eficácia no lidar com
produtos de TI e não prejudicar o meio ambiente é usar os conceitos de
sustentabilidade, como mostra o Guia para o Gestor de TI Sustentável
(Itautec, 2011).
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O assunto é tão importante que algumas empresas estão selecionando


os seus fornecedores, os quais devem possuir algum plano de descarte de seus
produtos. Isso, na verdade, faz parte de uma política corporativa principal-
mente relacionada com os padrões da ISO, os quais a empresa possa ter.
Segundo o Guia, a TI sustentável está diretamente relacionada ao
desenvolvimento e à implementação de estratégias e ações que são conse-
quências dos seguintes pontos de vista:
• Econômico: que garante um equilíbrio de custo-eficiência. Dessa for-
ma, os negócios obterão maior vantagem competitiva e a reputação da
empresa será consolidada.

103
Tecnologia da Informação e Comunicação

• Ambiental: que gera padrões de aquisição e uso dos equipamentos


e seus impactos na natureza em todo o seu ciclo de vida (fabricação,
uso e descarte).
• Social: que gera padrão e cultura de sustentabilidade nos stakeholders
e, principalmente, nos funcionários, colaboradores e na cadeia de va-
lor.

Redução de espaço 47

Melhoria do desempenho
55
e uso de sistemas

Redução de emissão de carbono e


56
impacto ambiental

Redução de custos 73

Consumo e redução de energia 75

0 20 40 60 80 100

Gráfico 1 – Razões e benefícios para se utilizar a TI Verde (Murugesan, 2008). Adaptado.

O gráfico 1 mostra algumas razões e benefícios para se usar a TI


Verde de acordo com Murugesan (Murugesan, 2008). Pelo gráfico, perce-
bemos que:
• 75% referem-se à redução do consumo de energia;
• 73% para diminuir custos;
• 56% para diminuir a emissão de carbono e impacto ambiental;
• 55% para melhorar o uso e desempenho dos sistemas;
• 47% para economizar espaço físico.

Porém, como elaborar uma estratégia para se conseguir algum resul-


tado com TI Verde? Murugesan sugere adotar a abordagem holística para
a TI Verde, conforme a figura 2.
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104
Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Manufatura

Manufatura TI Verde Manufatura

Manufatura

Figura 2 – Abordagem holística da TI Verde (Murugesan, 2008). Adaptado.

Conforme mostra a figura 2, para compreendermos os impactos


ambientais que envolvem a TI, precisamos passar pelos quatro caminhos
complementares:
Uso (Green Use): relacionado com a redução de energia de compu-
tadores e sistemas de informações e os usa de uma maneira ecologicamen-
te correta.
• Descarte (Green Disposal): relacionado com o reaproveitamento de
computadores ou equipamentos antigos. Existem várias possibilida-
des de reaproveitamento de computadores antigos.
• Projeto (Green Design): relacionado com o projeto de equipamentos
(computadores, servidores etc.) com uso eficiente de energia e am-
bientalmente correto.
• Manufatura (Green Manufacturing): relacionado com a manufatu-
ra de componentes eletrônicos, computadores e outros equipamentos
derivados com o mínimo impacto ao meio ambiente.

Toda vez que você observar nos seus estudos sobre holística,
encontrará uma abordagem na qual o sujeito principal do estudo é um
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ser ou entidade indivisível e que precisa de outras partes que o comple-


mentam. Ou seja, para se entender o sujeito do estudo, ele deve ser en-
carado e entendido como uma coisa só, e não é pelo estudo de compo-
nentes separados que iremos entender sobre o todo. Uma empresa, por
exemplo, pode ser entendida de acordo com a abordagem sistêmica
(podemos estudar os departamentos separadamente para entendê-la).
Na visão holística, que é a percepção da realidade, a visão sistêmica
seria uma forma de operacionalizar esta visão. No nosso caso, vamos
entender a TI Verde como um assunto único, mas que depende de com-
ponentes para o entendimento.

105
Tecnologia da Informação e Comunicação

Focando os esforços nos quatro componentes apresentados, a sus-


tentabilidade desejada poderá ser alcançada do lado da TI e do lado dos
fornecedores. Para as empresas que aderem à TI Verde almejarem os re-
sultados esperados, precisam estar de acordo com o ciclo de vida mostra-
do na figura 3.

Projeto Verde

Manufatura
Usar material
verde de
reprocessado
computadores

Reciclagem,
Reimplantação, Reaproveitamento, Recusar
reprocessamento
reúso atualização partes
de materiais

Uso criterioso
Descarte
de informática

Doação

Figura 4 – Ciclo de vida da computação “verde” (Murugesan, 2008). Adaptado.

5.7  Uso de TI em prol do meio ambiente


O maior objetivo é reduzir o consumo de energia tanto em ambien-
tes pequenos quanto em grandes data centers. Vamos mostrar algumas
dicas em relação a esses dois ambientes.
EM relação a PCs, podemos reduzir significativamente o consumo de
energia adotando algumas medidas pessoais, que, em conjunto, irão apresen-
tar bons resultados: um deles é o simples fato de desligar o PC quando ele não
estiver sendo usado! Pode parecer uma coisa boba, mas em muitas empresas
o consumo de energia pode ser reduzido bastante se os usuários desligarem
seus PCs na hora do almoço, em intervalos e outros horários. Muitas pessoas
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não desligam seus computadores simplesmente pelo fato de não gostarem de


ter de religá-los quando voltar a usá-los!
Além de gastarem energia desnecessariamente, os computadores
e monitores, quando estão ligados, liberam calor, sendo necessário um
maior esforço do ar-condicionado para poder refrigerar adequadamente o
ambiente.
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Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Uma alternativa é usar softwares ou formas de economia de energia


quando os computadores não estão sendo usados. A maioria dos sistemas
operacionais modernos oferece uma forma de economia de energia. Po-
rém, é uma ação que depende do usuário e também de uma política cor-
porativa para enfatizar isso. Até mesmo o uso de protetores de tela pode
colaborar para a redução de energia.
Uma outra alternativa é usar equipamentos como thin clients para
o usuário. Os thin clients possuem muitas vantagens em relação ao uso
de máquinas tradicionais, entre elas, além do consumo de energia, ter um
considerável MTBF – o que pode ser o fator diferencial neste caso.
Os data centers serão cada vez mais usados daqui para frente.
Quanto mais aplicações de Internet aparecerem, maior será a sua procura.
Com isso, as empresas que detêm data centers precisarão se preocupar,
até mesmo por questões de funcionamento, com políticas ambientais ade-
quadas. Logo, a energia elétrica para mantê-los será cada vez maior e tudo
o que já falamos relacionado com energia caberá neste exemplo também.
Algumas alternativas para aumentar a eficiência de data centers
podem ser feitas, entre elas usar equipamentos com maior eficiência
energética, melhorar a parte de uso de ar-condicionado e alternativas de
refrigeração a ar e água nos equipamentos, principalmente em servidores,
investimento em softwares de gerenciamento de energia, e até mesmo ter
projetos de arquitetura para os data centers que propiciem melhor apro-
veitamento das condições climáticas, além, é claro, de possuírem métricas
para monitorar o consumo de energia. Parece uma tarefa fácil, mas a Ges-
tão de TI nestes casos é fundamental, e o gestor será uma peça-chave para
coordenar todos esses esforços.
Segundo o site Data center Information (Techtarget, 2012), uma
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recente pesquisa detectou que:


• mais de 50% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que
economizam energia por meio de virtualização de servidores;
• 32% fizeram esforços para melhorar o uso e a eficiência dos sistemas
de refrigeração;
• 17,5% implementaram políticas de desligamento dos servidores que
não estavam sendo usados;
• 11% tentaram usar energia DC (por meio de baterias) no data center;
• Somente 7,7% tentaram usar refrigeração líquida para aumentar a efi-
ciência geral do data center.

107
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O uso de refrigeração por líquido é muito mais eficiente que a refri-


geração tradicional (a ar). Porém, este tipo de alternativa não tem sido tão
utilizado porque a complexidade de projetar sistemas com esta tecnologia
é mais complexa e isso “assusta” um pouco os envolvidos. Contudo, se a
computação de alta densidade tem se tornado cada vez mais frequente, é
necessário que os gestores de TI comecem a lidar com esta complexidade
também.
Uma alternativa que foi comentada anteriormente para data centers
é o projeto da estrutura física ecologicamente eficiente. O termo é encon-
trado como “eco-friendly design” e pode ser feito usando-se borracha sin-
tética para o teto e pintura, tapetes que contenham baixo VOC, bancadas
e mobília feitas de produtos reciclados, e sistemas elétricos e mecânicos
que gerenciam energia eficientemente.
Projetos ecológicos também usam luz natural como forma de ener-
gia ou também energia eólica. Empresas que adotam este tipo de energia
têm incentivos do governo e conseguem vantagem competitiva, pois os
clientes têm procurado parceiros que sejam ecologicamente corretos.
Os funcionários do data center também devem ser influenciados
e adotarem medidas ecológicas e a adotarem métricas para a redução de
calor e descartarem material que tenham propriedades tóxicas, como é o
exemplo de muitos tipos de plásticos que usamos no dia a dia.
A virtualização é um grande fator para a redução de energia, segun-
do o site da Computerworld (Computerworld, 2009). Esse site é apenas
um dos muitos que tratam deste tipo de alternativa. Como você já deve ter
visto em outras disciplinas, a virtualização ocorre quando usamos várias
máquinas virtuais hospedadas em uma máquina física. O uso de virtuali-
zação de servidores nos data centers é muito vantajoso porque diminui a
necessidade de espaço físico e economiza energia, além de simplificar a
organização do data center.
Muitas empresas têm procurado o uso de data centers para entrarem
na “onda verde” e usufruírem de suas facilidades como forma ecológica de
estarem compatíveis com o meio ambiente em relação a seus servidores.
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Existe um grupo criado pelas grandes empresas de data center


chamado Green Grid (www.thegreengrid.org), cujo objetivo é propagar o
conhecimento das melhores práticas do uso de energia em data centers,
assim como estabelecer padrões na construção, operação e outras ativida-
des relacionadas com data centers ecologicamente corretos.

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Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

Outra prática que pode ser adotada é reutilizar equipamentos an-


tigos. O descarte simples destes equipamentos é prejudicial ao meio
ambiente porque eles apresentam internamente componentes que são alta-
mente corrosivos, dentre outros fatores.
Atualmente, existem várias alternativas para o reaproveitamento de
equipamentos antigos, principalmente PCs. Uma alternativa é transfor-
mar máquinas antigas em thin clients, como mostrado no site (Open Thin
Client, 2012). Existem várias formas de implementar esta possibilidade e,
principalmente a comunidade Open Source, com o uso de Linux, oferece
várias maneiras para isso. Vale a pena pesquisar mais sobre isso. Portanto,
é interessante reaproveitar ao máximo os equipamentos antigos.
Outra abordagem que pode ser usada para diminuir os impactos ao
meio ambiente e endossar a TI Verde é projetar novos computadores com
componentes mais modernos e que tenham menor grau de agressão ao
meio ambiente. O projeto deve contemplar também um balanço entre a
viabilidade econômica, taxa de agressão ao meio ambiente e desempenho
dos componentes. O projeto de componentes “verdes” chega a ser uma
prática de negócio a ser explorada pelas empresas.
As empresas fabricantes são também cobradas por questões “ver-
des”. Sendo assim, também procuram desenvolver formas de produção
menos poluentes e agressivas. Os projetos acabam sendo finalizados com
componentes com alta taxa de atualização e reúso. Um exemplo é a evo-
lução dos núcleos de processadores nos PCs (saíram dos single core para
os quad core) por razões tecnológicas e de consumo de energia. Esta alter-
nativa é contrária à evolução de aumentar o clock do processador: quanto
mais rápido, mais energia consome. Portanto, dividir as tarefas em mais
núcleos e não degradar a performance desejada é uma forma de aumentar
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a “velocidade” geral do computador. Existem outras formas na produção


de hardware também.

5.8  Estratégias empresariais de TI “Verde”


Como já comentado, cada empresa pode desenvolver uma estratégia
holística sobre a TI Verde e esta estar alinhada com uma política ambiental
corporativa mais abrangente.
A estratégia deve desenvolver uma política de TI Verde com objetivos,
claros, metas, planos de ação e cronogramas. Em grandes empresas, onde este
tipo de iniciativa é mais facilmente suportads e aplicada, existem profissionais
específicos para cuidar da implementação desta política “verde”.
109
Tecnologia da Informação e Comunicação

Para inserir a empresa na TI Verde, Murugesan (Murugesan, 2008)


sugere uma combinação de uma ou mais das seguintes abordagens:
• Abordagem tática incremental: a empresa preserva o que já existe
de infraestrutura e políticas e insere pequenas e simples medidas para
alcançar níveis moderados de objetivos ambientais, como redução de
energia, por exemplo. Estas medidas incluem adotar políticas de ge-
renciamento de energia dos equipamentos, desligar os computadores
quando não estiverem em uso, até mesmo adotar uso de lâmpadas
fluorescentes compactas na iluminação dos ambientes e manutenção
de uma temperatura adequada no ambiente de trabalho. São medidas
relativamente fáceis de serem implantadas e com baixo custo.
• Abordagem estratégica: é feita uma auditoria da infraestrutura da
TI e de como é o seu uso em uma leitura ambiental. Com base nisso,
é feito um planejamento abrangente que engloba os aspectos mais
amplos da TI Verde por meio da implementação de novas iniciativas
diferentes. Como exemplo, uma empresa pode partir para ter equipa-
mentos mais aderentes às políticas ambientais por meio da compra de
fornecedores que também possuem políticas semelhantes e também
desenvolver políticas para a operação e descarte de equipamentos.
Embora a redução do consumo de energia seja o objetivo principal,
nesta abordagem podem ser priorizadas as áreas de marketing, marca,
criação, entre outros, mostrando que a empresa tem preocupação e
projetos ambientais.
• Abordagem de “imersão total” na TI Verde: essa abordagem am-
plia consideravelmente os conceitos da abordagem estratégica. Neste
caso, medidas aprofundadas podem ser tomadas como políticas para a
compensação de emissão de gás carbônico e neutralização das emis-
sões de gás nocivos à camada de ozônio, plantio de árvores e uso de
energia proveniente de fortes naturais, como, por exemplo, a energia
solar e a energia eólica. Assim, até mesmo os funcionários em suas
rotinas domésticas são incentivados a pensar “verde”. Há também por
meio de outros incentivos para isso, como a doação de softwares para
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gerenciamento de energia de seus computadores pessoais, doação de


sementes para o plantio de árvores em suas residências etc.

Empresas menores também podem fazer sua parte adotando medi-


das incrementais simples e aumentando as possibilidades e projetos aos
poucos para adquirir status de empresa que adota a TI Verde.
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Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

5.9  Usando a TI para sustentabilidade ambiental


Este último tópico também é importante porque, além da própria TI
se tornar “verde”, ela pode suportar e alavancar outras iniciativas ambien-
tais, oferecendo modelagem inovadora, simulação e ferramentas de apoio
à decisão, como:
• softwares para análise, modelagem e simulação de impacto ambiental
e gestão de riscos ambientais;
• plataformas para a gestão ambiental de comércio de emissões, ou in-
vestimento ético;
• ferramentas de auditoria e relatórios de consumo de energia e de pou-
pança e para o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa;
• sistemas de conhecimento de gestão ambiental, incluindo sistemas de
informação geográfica e padrões de metadados ambientais;
• ferramentas e sistemas de planejamento urbano;
• tecnologias e padrões para redes interoperáveis ​​de monitoramento
ambiental e inteligente em redes de sensores;
• integrar e otimizar as já existentes redes de monitoramento ambiental.

Além de mover-se para uma direção mais “verde” e alavancar ou-


tras iniciativas ambientais, a TI poderia ajudar a criar uma consciência
verde entre seus profissionais, empresas e público em geral, auxiliando
na construção de comunidades, envolvendo grupos em decisões parti-
cipativas, bem como campanhas de apoio à educação verde. Com base
nestas ideias, algumas ferramentas, como portais ambientais, blogs, wikis
e simulações interativas sobre o impacto ambiental de uma atividade, po-
deriam ser criadas para oferecer assistência e usar a TI como uma forma
de criação de uma consciência “verde”.
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A TI é uma parte do problema ambiental, e também pode ser uma


parte da solução. A TI Verde será obrigatória nas empresas em um futuro
muito próximo. Tornar a TI “verde” é, e continuará a ser, uma necessida-
de, não uma opção. A TI Verde representa uma mudança dramática nas
prioridades na indústria de TI. Até agora, a indústria tem apostado em
poder de processamento de equipamentos e gastos com equipamentos as-
sociados e não existe claramente uma preocupação com outros requisitos,
tais como energia, refrigeração e espaço de centro de dados. No entanto, a
indústria de TI terá de lidar com todos os requisitos de infraestrutura e do
impacto ambiental de TI e seu uso.

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Tecnologia da Informação e Comunicação

Os desafios da TI Verde são enormes, mas os recentes desenvol-


vimentos indicam que a indústria de TI tem vontade e convicção para
enfrentar os problemas ambientais de frente. As empresas podem se bene-
ficiar tomando esses desafios como oportunidades estratégicas. O setor de
TI e os usuários devem desenvolver uma atitude positiva para lidar com as
preocupações ambientais e adotar posturas “verde” juntamente com suas
políticas e práticas.

Atividades
01. Após a leitura dos temas, faça uma reflexão sobre o perfil do profissio-
nal do mercado de TI e o seu mercado de atuação.







02. Você conhece alguma empresa que tem iniciativas relacionadas com
TI Verde? Quais as atividades que ela realiza para isso?







03. Quais medidas básicas que você proporia a uma pequena empresa
para que iniciasse nos conceitos de TI Verde?


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Aspectos Éticos, Legais e Profissionais, TI Verde e Sustentabilidade – Capítulo 5

04. Quais são os benefícios reais para uma empresa ao adotar os conceitos
de TI Verde?





Reflexão
A TI está em constante evolução; assim, no momento em que você
estiver lendo este texto, provavelmente o que foi nele mencionado como
atual, será assunto já ultrapassado e outro estará no lugar. TI Verde e ques-
tões éticas, bem como a gestão da carreira em TI, são, na sua essência,
problemas que sempre existiram mas tratados de uma forma diferente.
Conforme o mundo evolui, os conceitos e tecnologias, ainda mais na nos-
sa área, evoluem conjuntamente e você, como futuro profissional de TI,
terá de estar “antenado” com relação a essas mudanças. Ao escolher uma
profissão, é importante que haja interesse em se aprofundar em tudo aqui-
lo que a cerca. Conhecer o mercado, o perfil do profissional e aquilo que
se espera dele é fundamental para que se construa uma carreira de suces-
so, pautada no que há de mais novo. O interesse e a busca de crescimento
levam os profissionais a buscarem uma qualificação cada vez melhor. Este
capítulo buscou trabalhar um pouco desta realidade, trazendo elementos
essenciais para que se iniciasse uma discussão sobre a trajetória que vocês
irão trilhar profissionalmente.

Leituras recomendadas
Os links a seguir possuem vários textos relacionados com os assuntos
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tratados neste capítulo. Recomendamos sua leitura para você obter maior deta-
lhamento do que foi visto e guias de inspiração para os seus projetos.

• http://info.abril.com.br/ti-verde/. Este link da Info Exame mostra várias


reportagens na área de TI Verde que podem ajudá-lo a entender os tópicos apre-
sentados por meio de vários estudos de casos e novas tecnologias.

• http://cpsustentaveis.planejamento.gov.br/. Portal do governo sobre tex-


tos de portarias, decretos, resoluções e toda a legislação referente às normas de
sustentabilidade ambiental que devem ser aplicadas às compras públicas, inclu-
sive na área de informática.
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Tecnologia da Informação e Comunicação

• http://blogs.intel.com/blog/2009/09/16/operacao-de-data-center-de-alta-
temperatura/. O blog da Intel é cheio de dicas e textos sobre TI Verde. Neste
link é apresentado um artigo específico para a gestão de data centers que
possuem alta temperatura.
• http://computerworld.uol.com.br/gestao/2009/10/04/ti-verde-5-dicas-
para-manter-sua-empresa-sustentavel/. Artigo com cinco dicas para tornar uma
empresa sustentável na área de tecnologia.

Os links a seguir estão relacionados com a parte de carreira e possuem


várias dicas:
• http://carreiradeti.com.br/
• http://www.profissionaisdetecnologia.com.br/blog/
• http://ogestor.eti.br/
• http://computerworld.com.br/carreira/
• http://info.abril.com.br/corporate/
• http://idgnow.uol.com.br/
• http://www.michaelpage.com.br/

Não deixe de ler os códigos de ética da ACM e SBC que estão listados nas
referências deste capítulo.

Referências bibliográficas
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Association of Computing Machinery - About, 1992. Disponível
em: <http://www.acm.org/about/code-of-ethics>. Acesso em: 3 maio
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BRASSCOM. Brasscom na mídia. BRASSCOM, 2012. Disponível em:


Proibida a reprodução – © UniSEB Interativo

<http://www.brasscom.org.br/brasscom/Portugues/detNoticia.php?cod
Noticia=44&codArea=2&codCategoria=26>. Acesso em: 3 maio 2014.

INFORMATION SYSTEMS AUDIT AND CONTROL ASSOCIA-


TION. Cobit 5 Home, 2012. Disponível em: <www.isaca.org>. Acesso
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MURUGESAN, S. Harnessing green IT: Principles and practices. IT


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Ética. Sociedade Brasileira de Computação, 2013. Disponível em:
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TI INSIDE. Gastos com TI devem crescer 6% em 2013 no Brasil. TI


Inside, 2014. Disponível em: <www.tiinside.com.br/29/10/2012/gas-
tos-com-ti-devem-crescer-6-em-2013-no-brasil/ti/308262/news.aspx>.
Acesso em: 3 maio 2014.

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Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnologia_da_
informa%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 3 maio 2014.

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