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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo


SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
22-11-2016

PROCESSO Nº 10-17.2015.6.08.0057 -CLASSE 30


NOTAS TAQUIGRÁFICAS – Fls. 1/8

RELATÓRIO

A Srª JUÍZA FEDERAL CRISTIANE CONDE CHMATALIK


(RELATORA):-
Senhor Presidente: Tratam os autos de recurso interposto por FABIO FEDERICI
em face da sentença proferida pelo Juízo da 57ª Zona Eleitoral, que extinguiu o processo sem
resolução de mérito, por ausência de interesse de agir.
Na origem, trata-se de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Processual
(Querela Nullitatis Insanabilis) na qual o ora recorrente argumenta ausência de citação válida em
processo de prestação de contas da campanha eleitoral de 2012. Alega que a notificação da
Justiça Eleitoral foi recebida por terceiro que não lhe entregou a correspondência e que o ônus de
indicar o endereço do candidato é do Ministério Público. Afirma que diante da inexistência de
citação válida, é nulo o processo que julgou suas contas de campanha como não prestadas.
Consta da sentença que a notificação da Justiça Eleitoral foi encaminhada para o
endereço constante do cadastro de registro de candidatura que fora fornecido pelo candidato e que
o fundamento da ação não prospera, razão pela qual o processo foi extinto por ausência de
interesse (adequação).
Às fls. 47/61, recurso eleitoral sustentando a inexistência de citação válida e
requerendo, com base na teoria da causa madura, que lhe seja oportunizada a apresentação de sua
prestação de contas de campanha do pleito 2012.
O Ministério Público Eleitoral que atua perante a 57ª Zona Eleitoral ofereceu
contrarrazões às fls. 63/65, requerendo a manutenção da sentença vergastada.
Às fls. 66, certidão do Cartório atestando a tempestividade do apelo.
Às fls. 69/75 a douta Procuradoria Regional Eleitoral manifesta-se pelo
desprovimento do recurso, sob o argumento de que o caso não se enquadra nas hipóteses
previstas para o cabimento da querela nullitatis insanabilis.
É o relatório.
*

VOTO

A Srª JUÍZA FEDERAL CRISTIANE CONDE CHMATALIK


(RELATORA):-
Senhor Presidente: Conforme relatado, tratam os autos de recurso interposto por
FABIO FEDERICI em face da sentença proferida pelo Juízo da 57ª Zona Eleitoral, que extinguiu
o processo sem resolução de mérito, por ausência de interesse de agir.
Na origem, trata-se de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Processual
(Querela Nullitatis Insanabilis) na qual o ora recorrente argumenta ausência de citação válida em
processo de prestação de contas da campanha eleitoral de 2012. Alega que a notificação da
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Justiça Eleitoral foi recebida por terceiro que não lhe entregou a correspondência e que o ônus de
indicar o endereço do candidato é do Ministério Público. Afirma que diante da inexistência de
citação válida, é nulo o processo que julgou suas contas de campanha como não prestadas.
Consta da sentença que a notificação da Justiça Eleitoral foi encaminhada para o
endereço constante do cadastro de registro de candidatura que fora fornecido pelo candidato e que
o fundamento da ação não prospera, razão pela qual o processo foi extinto por ausência de
interesse (adequação).
Às fls. 47/61, recurso eleitoral sustentando a inexistência de citação válida e
requerendo, com base na teoria da causa madura, que lhe seja oportunizada a apresentação de sua
prestação de contas de campanha do pleito 2012.
O Ministério Público Eleitoral que atua perante a 57ª Zona Eleitoral ofereceu
contrarrazões às fls. 63/65, requerendo a manutenção da sentença vergastada.
Às fls. 66, certidão do Cartório atestando a tempestividade do apelo.
Às fls. 69/75 a douta Procuradoria Regional Eleitoral manifesta-se pelo
desprovimento do recurso, sob o argumento de que o caso não se enquadra nas hipóteses
previstas para o cabimento da querela nullitatis insanabilis.
O presente recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de
admissibilidade, razão pela qual dele conheço.
Inicialmente, cumpre destacar que a Querela Nullitatis Insanabilis é um meio de
impugnação de decisão judicial já transitada em julgado, cabível nas hipóteses em que a decisão
impugnada estiver contaminada por vícios transrescisórios.
Segundo entendimento dominante da doutrina, as hipóteses de desconstituição da
coisa julgada por meio do ajuizamento da querela nullitatis são: a) revelia decorrente de ausência
ou nulidade de citação e b) sentença proferida sem dispositivo legal, sem assinatura do
magistrado, ou exarada por quem não exerce oficio judicante ou atividade jurisdicional.
A jurisprudência do Colendo Tribunal Superior Eleitoral também aponta nesse
sentido. Confira-se:
ELEIÇÕES 2012. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE
INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE.
DECISÃO JUDICIAL QUE DEFERIU REGISTRO DE
CANDIDATURA TRANSITADA EM JULGADO.
1. O cabimento da querela nullitatis restringe-se às hipóteses
de revelia decorrente de ausência ou de defeito na citação e de
sentença proferida sem dispositivo legal, sem assinatura do
magistrado ou exarada por quem não exerce função judicante
ou atividade jurisdicional.
2. O agravante não infirmou os fundamentos da decisão agravada.
3. Agravo regimental desprovido.
(TSE Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 50593,
Acórdão de 05/02/2015, Relator(a) Min. GILMAR FERREIRA
MENDES, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo
43, Data 05/03/2015, Página 42 )
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No caso dos autos, o recorrente alega que não foi regularmente citado para
apresentação de suas contas de campanha, uma vez que a notificação encaminhada pela Justiça
Eleitoral foi recebida por terceiro.
Não lhe assiste razão.
A jurisprudência é firme no sentido de que em sede de prestação de contas de
campanha eleitoral não há exigência de notificação pessoal do candidato, tendo em vista que se
trata de ato para cumprimento de obrigação preestabelecida em lei. Cito, a título de exemplo, os
seguintes julgados:
ELEIÇÕES 2014. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO
ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DEPUTADO
ESTADUAL. DOCUMENTOS APRESENTADOS APÓS O
JULGAMENTO DAS CONTAS. IMPOSSIBILIDADE.
MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA.
1. A jurisprudência do TSE é firme em que, julgadas as contas,
com oportunidade prévia para saneamento das irregularidades, não
se admite, em regra, a juntada de novos documentos.
2. A partir da edição da Lei nº 12.034/2009, o processo de
prestação de contas passou a ter caráter jurisdicional. Não praticado
o ato no momento processual próprio, ocorre a preclusão, em
respeito à segurança das relações jurídicas.
3. Não há exigência de notificação pessoal nos processos de
prestação de contas. Precedentes.
4. Agravo regimental desprovido.
(Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 188432,
Acórdão de 03/05/2016, Relator(a) Min. GILMAR FERREIRA
MENDES, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo
105, Data 02/06/2016, Página 64 )
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES
2014. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DESAPROVAÇÃO.
CANDIDATO. DEPUTADO ESTADUAL.
1. O agravante não ataca a fundamentação da decisão agravada que
afirmou ter sido devidamente realizada suas intimações no feito,
mediante advogado anteriormente constituído, apenas reiterando, de
forma genérica, que houve nulidade e que a matéria é de ordem
pública, podendo ser suscitada a qualquer momento. Incidência da
Súmula nº 182 do Superior Tribunal de Justiça.
2 O recorrente não interpôs recurso especial contra a decisão de
desaprovação das contas, o que ocorreu apenas em relação ao
Ministério Público, tendo ele apenas suscitado a questão alusiva à
nulidade de intimação no processo por meio de embargos de
declaração contra a decisão monocrática que apreciou o apelo do
órgão ministerial.
3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que as
matérias de ordem pública devem ser necessariamente
prequestionadas, o que não ocorreu no caso (AgR-REspe nº 8212-
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32, rel. Min. Gilmar Mendes, DJE de 19.8.2015; AgR-AI nº 528-51,
rel. Min. João Otávio de Noronha, DJE de 2.9.2014).
4. Ainda que assim não fosse, o próprio candidato reconhece que o
Tribunal a quo efetuou as comunicações processuais em nome do
advogado por ele constituído, por meio do Diário da Justiça
Eletrônico e, no ponto, não há exigência de notificação pessoal
nos processos de prestação de contas. Precedentes: AgR-AI nº
1026-17, de minha relatoria, DJE de 28.10.2015; AgR-AI nº 61-
58, rel. Min. Maria Thereza, DJE de 10.6.2015.
Agravo regimental a que se nega provimento.
(Agravo Regimental em Embargos de Declaração em Recurso
Especial Eleitoral nº 200475, Acórdão de 10/03/2016, Relator(a)
Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Publicação: DJE - Diário de
justiça eletrônico, Data 01/04/2016 )

Com efeito, a Lei nº 9.504/97 prevê que prestações de contas devem ser
encaminhadas no prazo de ate 30 dias após as eleições ou em 20 dias após a realização do
segundo turno, estipulando, inclusive, que a inobservância desses prazos impede a diplomação
dos eleitos, enquanto perdurar a omissão1.
Em que pese a notificação do candidato omisso com as contas de campanha não se
equiparar a ato de natureza citatória, não havendo necessidade de ser realizar de forma pessoal,
nos termos da jurisprudência já citada, tal fato não obsta a conclusão de que a notificação dever
ser regularmente executada, mesmo porque a Resolução TSE nº 23.376/2012 (que trata das
prestações de contas referente ao Pleito 2012) assim o determina. Confira-se:

Art. 38. As contas de candidatos, de comitês financeiros e de


partidos políticos deverão ser prestadas à Justiça Eleitoral até 6 de
novembro de 2012 (Lei nº 9.504/97, art. 29, III). [...]
§ 4º Findo os prazos fixados neste artigo, sem que as contas tenham
sido prestadas, a Justiça Eleitoral notificará, no prazo máximo de 5
dias, candidatos, partidos políticos e comitês financeiros da
obrigação de prestá-las, no prazo de 72 horas, após o que,
permanecendo a omissão, serão imediatamente julgadas não
prestadas as contas.

1
Art. 29. Ao receber as prestações de contas e demais informações dos candidatos às eleições majoritárias e dos
candidatos às eleições proporcionais que optarem por prestar contas por seu intermédio, os comitês deverão:[...]
III - encaminhar à Justiça Eleitoral, até o trigésimo dia posterior à realização das eleições, o conjunto das
prestações de contas dos candidatos e do próprio comitê, na forma do artigo anterior, ressalvada a
hipótese do inciso seguinte;
IV - havendo segundo turno, encaminhar a prestação de contas, referente aos 2 (dois) turnos, até o
vigésimo dia posterior à sua realização. (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)[...]
§ 2º A inobservância do prazo para encaminhamento das prestações de contas impede a diplomação dos
eleitos, enquanto perdurar.
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No caso dos autos, verifico que, ao cumprir a referida notificação, o Juízo
Eleitoral encaminhou a correspondência ao endereço fornecido pelo candidato em seu
requerimento de registro de candidatura.
De fato, a norma que trata de registro de candidatura para as Eleições 2012
(Resolução TSE nº 23.373/2012) prevê expressamente que o formulário de RRC (Requerimento
de Registro de Candidatura) conterá o endereço completo do candidato, no qual o mesmo poderá
eventualmente receber intimações, notificações e comunicados da Justiça Eleitoral2.
É certo, ainda, que o candidato é o responsável pela informação prestada em seu
pedido de registro de candidatura e, ao assinar o requerimento, declara a exatidão das
informações prestadas. Cabe, ainda, ao candidato, atualizar seus dados junto à Justiça eleitoral,
inclusive em relação à eventual modificação de endereço. Nesse sentido:

ELEIÇÕES 2014. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO


ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CAMPANHA
ELEITORAL. NÃO PRESTAÇÃO. PROCESSO.
INSTAURAÇÃO. PRECLUSÃO. PRAZO IMPRÓPRIO.
NOTIFICAÇÃO. VALIDADE. DESPROVIMENTO.
1. É válida a notificação encaminhada ao endereço fornecido
pelo próprio candidato, no ato de registro de sua candidatura,
sendo sua obrigação informar eventual alteração.
2. O prazo disposto no art. 38, § 3º, da Res.-TSE nº 23.406/2014 é
impróprio, não havendo que se falar em preclusão quanto ao início
do processo de prestação de contas após tal lapso temporal.
3. Agravo regimental desprovido.
(TSE Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 228771,
Acórdão de 29/03/2016, Relator(a) Min. LUCIANA CHRISTINA
GUIMARÃES LÓSSIO, Publicação: DJE - Diário de justiça
eletrônico, Volume -, Tomo 78, Data 25/04/2016, Página 37 )

Assim, diante de notificação que foi encaminhada para o endereço fornecido pelo
próprio candidato, que é o responsável por fornecer o endereço no qual receberá as intimações da
Justiça Eleitoral, não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Juízo Eleitoral.
Com efeito, não pode o candidato valer-se de seu próprio descuido para alegar
nulidade, de modo que eventual erro no endereço constante do registro de candidatura não pode
ser capaz de beneficiar aquele que tinha obrigação de prestar contas no prazo previsto em lei e
ainda de manter seus dados devidamente atualizados. Nessa mesma linha de raciocínio, os
seguintes julgados:
RECURSO ELEITORAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE
NULIDADE. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA.
ELEIÇÃO 2012. SUPOSTO VÍCIO NA NOTIFICAÇÃO
2
Art.26.O formulário Requerimento de Registro de Candidatura (RRC) conterá as seguintes informações:
[...]
II – número de fac-símile e o endereço completo nos quais o candidato receberá intimações, notificações e
comunicados da Justiça Eleitoral
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ENCAMINHADA A ENDEREÇO DIVERSO DO
DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL.
NOTIFICAÇÃO ENCAMINHADA A ENDEREÇO
INFORMADO NO REGISTRO DE CANDIDATURA. ART.
25, III DA RESOLUÇÃO TSE Nº 23.406/2014.
IMPROCEDÊNCIA.
1. Trata-se de recurso em ação declaratória de nulidade que
pretendeu o reconhecimento de inexistência da sentença que julgou
as contas do candidato como não prestadas por suposto vício no ato
de notificação.
2. Notificação postal encaminhada a endereço indicado pelo
requerente no seu registro de candidatura ao cargo de vereador nas
Eleições de 2012. Frustrada a comunicação, o juízo a quo
determinou a intimação do candidato omisso via edital.
3. A responsabilidade pelas informações prestadas no registro
de candidatura é do candidato, que deve atualizar seu endereço
junto à Justiça Eleitoral, arcando com as consequências em caso
de incorreção ou desatualização.
4. Não prospera a alegação do recorrente de que o juízo
eleitoral deveria ter empreendido novas e sucessivas diligências
no intuito de notificá-lo pessoalmente, pois tal não é exigido pela
Resolução.
5. No âmbito das Prestações de Contas não há exigência de
notificação pessoal (Agravo Regimental em Agravo de
Instrumento nº 102617, Acórdão de 04/08/2015, Relator(a) Min.
HENRIQUE NEVES DA SILVA, Publicação: DJE - Diário de
justiça eletrônico, Tomo 205, Data 28/10/2015, Página 53).
6. Intenção do recorrente em ver reformada decisão por via
transversa.
7. Recurso desprovido.
(TRE-PA Recurso Eleitoral nº 3366, Acórdão nº 28295 de
13/09/2016, Relator(a) LUCYANA SAID DAIBES PEREIRA,
Publicação: DJE - Diário da Justiça Eletrônico, Tomo 172, Data
21/09/2016, Página 5 )
RECURSO ELEITORAL. QUERELA NULLITATIS
INSANABILIS. SENTENÇA PELA EXTINÇÃO SEM
RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ALEGAÇÃO DE FALHA NA
INTIMAÇÃO PARA ATENDIMENTO À DILIGÊNCIA.
ARTIGO 47 DA RESOLUÇÃO TSE Nº 23.376. ELEIÇÕES
2012. CARTA ENCAMINHADA PARA O ENDEREÇO
INDICADO PELO RECORRENTE. NULIDADE NÃO
VERIFICADA. DESPROVIMENTO DO RECURSO.
(TRE/SP RECURSO nº 4581, Acórdão de 17/11/2015, Relator(a)
SILMAR FERNANDES, Publicação: DJESP - Diário da Justiça
Eletrônico do TRE-SP, Data 25/11/2015 )
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RECURSO ELEITORAL - AÇÃO DECLARATÓRIA EM
PRESTAÇÃO DE CONTAS - QUERELA NULLITATIS -
NÃO APRESENTAÇÃO DAS CONTAS - DECLARAÇÃO DE
CONTAS NÃO PRESTADAS - ALEGAÇÃO DE VÍCIO NA
CITAÇÃO - PRESTAÇÃO DE CONTAS - DEVER DO
CANDIDATO - NOTIFICAÇÃO DE OMISSÃO - ART. 38, §4º,
DA RESOLUÇÃO/TSE Nº 23.376/2012 - NATUREZA DE
INTIMAÇÃO - PRESTAÇÃO DE CONTAS - INEXISTÊNCIA
DE PARTES - DESCABIMENTO DE CITAÇÃO - CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL - APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA - MUDANÇA
DE ENDEREÇO - DEVER DO CANDIDATO - INTIMAÇÃO
PESSOAL - ENDEREÇO FORNECIDO PELO CANDIDATO
NO RRC - INTIMAÇÃO POR EDITAL - EXIGÊNCIA
INEXISTENTE NO ART. 38, § 4º DA RESOLUÇÃO/TSE Nº
23.376/2012 - PROVIDÊNCIA CAUTELOSA DO JUÍZO DE
ORIGEM - INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO PROCESSO -
IMPROCEDÊNCIA DA QUERELA NULLITATIS
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA - DESPROVIMENTO DO
RECURSO
É dever do candidato prestar suas contas de campanha, conforme
impõe a Lei das Eleições (art. 29 e ss. da Lei n.º 9.504/97),
reproduzido no art. 35, I, da Resolução/TSE nº 23.376/2012.
A notificação de omissão, nos termos do art. 38, §4º, da
Resolução/TSE nº 23.376/2012, funciona para o candidato
omisso como um alerta de que, se assim perdurar, suas contas
serão declaradas como não prestadas, trazendo todos os efeitos
que essa declaração produz. Tem, portanto, natureza de
intimação.
A prestação de contas é processo cuja instauração pressupõe
somente a existência de um interesse público, onde não há partes,
mas sim requerentes, não havendo se falar em citação, tampouco em
aplicação das suas regras previstas no Código de Processo Civil,
subsidiário perante o processo eleitoral.
Deve o candidato manter a Justiça Eleitoral informada acerca
de qualquer mudança de endereço, pois é nele que receberá
intimações, notificações e comunicados, nos termos da Lei
Eleitoral.
Na espécie, ao notificar o candidato acerca da sua omissão, o juízo
de origem agiu além do seu dever legal, determinando a intimação
pessoal no endereço fornecido no pedido de registro de candidatura,
exigência inexistente no art. 38, § 4º da Resolução/TSE nº
23.376/2012. Mais do que isso, diante do insucesso, reiterou a busca
também por edital, o que, não sendo providência expressamente
determinada pela norma eleitoral, revela cautela por parte do juízo
sentenciante.
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Inexistindo qualquer vício no feito que possa conduzir a declaração
da nulidade da sentença proferida nos autos de origem, não deve
prosperar a querela nullitatis.
Conhecimento e desprovimento do recurso.
(TRE/RN ACAO ORDINARIA nº 3955, Acórdão nº 473/2015 de
04/11/2015, Relator(a) LUIS GUSTAVO ALVES SMITH,
Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 201/2015,
Data 05/11/2015, Página 03 )

Sendo assim, não procedem os fundamentos utilizados para o manejo da querela


nullitatis insanabilis, razão pela qual não há falar em reforma da sentença que extinguiu o
processo por ausência de interesse.
Ante o exposto, conheço do recurso interposto, mas, no mérito, nego-lhe provimento
É como voto.

ACOMPANHARAM O VOTO DA EMINENTE RELATORA:-


O Sr. Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior;
O Sr. Juiz de Direito Helimar Pinto;
O Sr. Juiz de Direito Aldary Nunes Junior;
O Sr. Jurista Adriano Athayde Coutinho e
A Srª Jurista Wilma Chequer Bou-Habib (Suplente).

DECISÃO: À unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da


eminente Relatora.

Presidência do Desembargador Sérgio Luis Teixeira Gama (Presidente).


Presentes o Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior e os Juízes Helimar Pinto, Aldary Nunes
Junior, Cristiane Conde Chmatalik, Adriano Athayde Coutinho e Wilma Chequer Bou-Habib
(Suplente).
Presente também a Drª Nadja Machado Botelho, Procuradora Regional Eleitoral.
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