You are on page 1of 4

INFORMAÇÃO TÉCNICA

(Exame Grafoscópico)

Em 18 de maio de 2018, os peritos JOÃO PINTO ROSA e CLÊNIO
GUIMARÃES BELLUCO elaboraram a presente Informação Técnica (Grafoscópico), a
pedido de MICHELLA MARYS SANTANA PEREIRA, CPF n° 042.541.364-04, RG n°
3045393-3 SSP-SE, visando determinar a autenticidade de duas assinaturas apostas em
seu nome no documento questionado, intitulado Contrato Particular de União Estável.

I – MATERIAL

I.1 Documento questionado

Foi apresentado para exame, na forma de imagem digital de cópia
autenticada no Cartório de 3° Ofício de Notas e Protesto de Brasília – DF, o documento
intitulado “CONTRATO PARTICULAR DE UNIÃO ESTÁVEL”, em duas folhas, com
texto produzido por impressora não justificado à margem direita.

A primeira folha inicia com os dizeres “Este instrumento particular de
Contrato de União Estável, com fundamento na ...” e termina com “... involuntária (força
maior ou caso fortuito); por resilição (por simples”. No rodapé da primeira folha há dois
lançamentos manuscritos, sendo um referente a uma rubrica ininteligível e outro a uma
assinatura atribuída a “Michella Marys Santana Pereira”.

A segunda folha inicia com “declaração de ambos os CONVIVENTES); por
recisão unilateral ou bilateral ...” e termina com “e sem mais nada a declarar.” Após o texto,
consta um campo para aposição de data (dia, mês e ano), com os dizeres “ Brasília ..... de
...... de....” impressos, e com lançamentos manuscritos referentes ao dia “20”, mês “Abril” e
ano “2005”. Logo abaixo da data, há um campo denominado “O CONVIVENTE”, onde
consta uma rubrica e, em seguida, outro campo denominado “A CONVIVENTE”, onde foi
aposta uma assinatura em nome de “Michella Marys Santana Pereira”.

Registra-se que esse documento tem contratantes “ROBERTO DE
FIGUEIREDO CALDAS” e “MICHELLA MARYS SANTANA PEREIRA” e apresenta
duas marcas de carimbo apostas na porção superior direita da primeira folha e no terço
inferior direito da segunda folha com as datas de “31 01 2018” e duas rubricas ininteligíveis
do 3° Ofício de Notas e Protesto de Brasília – DF; conforme imagem abaixo.

Primeira folha Segunda folha

II – METODOLOGIA E LIMITAÇÕES DOS EXAMES

Os exames grafoscópicos têm o objetivo de verificar a autenticidade e ou
autoria de manuscritos, e se baseiam em confronto dos grafismos questionados com os
padrões gráficos correspondentes. No presente caso, os exames dedicam-se aos exames de
autenticidade de duas assinaturas apostas no documento questionado em nome de
MICHELLA MARYS SANTANA PEREIRA.
Este tipo de exame é essencialmente uma análise comparativa das diversas
características especiais da escrita manual, as quais podem ser consideradas como elementos
identificadores ou discriminadores. Em geral essas características estão relacionadas aos
aspectos formais (pictóricos ou morfológicos), ao seu método de construção (gênese ou
grafocinética) e à qualidade do traçado (velocidade, pressão, fluência, etc.) da escrita
determinada pela habilidade do punho escritor.

É importante ressaltar que, embora possam ser empregados equipamentos de
ampliação e de comparação analógicos e digitais como lupas, estereomicroscópios e
comparadores espectrais de vídeo, o método de identificação da autoria de manuscritos
baseia-se essencialmente em processos perceptuais e cognitivos humanos, estando dessa
forma sujeito a variações e limitações que ocorrem em qualquer processo discriminatório
que utiliza essas mesmas habilidades humanas.

Salienta-se que as dificuldades e limitações técnicas em exames periciais de
cópias reprográficas e documentos digitalizados, mesmo aquelas ditas de boa qualidade. Os
inúmeros elementos gráficos úteis para a identificação do punho escritor se perdem como a
pressão e suas variações, os movimentos de ensaio nos ataques e arremates, traços leves,
tremores, as ligações e conecções entre letras, deixando transparecer uma interrupção do
traçado, mas quando de fato é uma evolução do traçado, causando modificação na percepção
do andamento gráfico e determinação de sua gênese, que podem ser confundidos com
defeitos ou marcas de pixilização ou não serem capturados apropriadamente pelo processo
de reprodução1 .

No presente caso, observa-se que o documento questionado é uma imagem
digital de uma cópia autenticada em Cartório, ou seja, este documento passou no mínimo
por dois processos de digitalização que certamente distorceram de forma acentuada as
suas constituições primárias, indispensáveis para a boa prática do exame pericial.

Essas distorções sofridas pelo documento inviabilizam determinar se este
passou por processo deliberado de falsificação por intermédio de montagens, transplantes
de elementos gráficos, inserções e ou supressões de assinaturas ou suas partes.

Como exemplo de possíveis inconsistências, constata-se na imagem
abaixo da assinatura extraída da primeira página do documento questionado ocorrência
de traços sobre a letra “t” e da letra “P”, que podem ser traduzidos como acréscimos ou
traços remanescentes de escritos, e também na letra “M” de Michella um espessamento
do traço em gancho da primeira haste.

1
Documentoscopia , Lima, N.P & Morais, M.J. fls 348, Capítulo 18; de Ciências Forenses – Uma
introdução às principais áreas da Criminalística de Velho, J.A., Geiser,G.C. e Espindula, A.
III – CONCLUSÕES

Assim sendo, para a verificação da autenticidade das assinaturas apostas
em nome de MICHELLA MARYS SANTANA PEREIRA, conforme os fundamentos
técnicos apresentados, é imprescindível a apresentação do documento original Contrato
Particular de União Estável.

Nada mais havendo a lavrar, os Peritos encerram a presente Informação
Técnica composta por 04 páginas.

JOÃO PINTO ROSA CLÊNIO GUIMARÃES BELLUCO
Perito Perito